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EMERGENTE

BIRRAS DA FILHA LEVARAM SANDRA A TORNAR-SE EMPRESÁRIA

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P 33

N Ú M E RO 2 7 D E Z E M B RO 2 01 7

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

JOÃO CARVALHO CEO da Fitecom

“PREFIRO VENDER MENOS A SACRIFICAR A MARGEM” P 20 A 22

PERGUNTA DO MÊS

QUE ESPERANÇAS E DESEJOS PARA 2018? P4A7

DOIS CAFÉS & A CONTA

ALBANO MORGADO NA HORA DE OLHAR EM FRENTE

FOTO: RUI APOLINÁRIO

P 10

TÊXTEIS TÉCNICOS

25 ANOS SELECTIVA

ASTRONAUTAS DA NASA COM PEÚGAS FIORIMA

HOMENAGENS COM SWING NO FINAL DA FESTA

P 18

P 11 E 12


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Dezembro 2017


Dezembro 2017

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Vera Deus 42 anos Responsável pelo protocolo e gestão da sala de desfiles no Portugal Fashion. Foi sobejamente conhecida nos anos 90, quando desfilava nas passarelas enquanto manequim, hoje controla quem assiste aos desfiles. Formada em Arquitetura pela Universidade de Lisboa, passou do desenho dos edifícios para as roupas, sendo consultora de moda de várias marcas. Tem uma filha, Ema, com 11 anos.

2018 ESTÁ NO PAPO Tenho bem presentes as diversas e interessantíssimas intervenções da maioria dos empresários, economistas e consultores durante o último Fórum Têxtil da ATP. Li e reli atentamente os alertas dos textos de opinião do presidente Paulo Melo e do diretor geral da mesma associação, Paulo Vaz, que poderão ser lidos nas nossas páginas mais à frente . Em ambas as situações é enaltecido o bom desempenho das empresas no setor em 2017, mas é bem evidente uma preocupação em refrear otimismos ou euforias exageradas para o futuro próximo. O futuro próximo pode não ter um nome, mas tem um número: 2018 ! Nesta edição quisemos medir as expectativas para esse próximo ano de um grande número de agentes da ITV e fiquei particularmente satisfeito com o resultado que poderão testemunhar nas páginas dedicadas à Pergunta do Mês. Sem a euforia que se poderia temer, recolhemos uma opinião generalizada de bons pressentimentos para os negócios e as exportações no ano que aí vem . Como sou um otimista por natureza ninguém pode estranhar a minha satisfação, mas há mais. Na ITV, como de uma moda geral na economia dos países, um dos fatores mais determinantes para o seu desempenho é o estado de alma maioritário do mercado e dos seus agentes. Basta ler esta edição do T para poder concluir, como eu, que 2018 está no papo! Mas é sempre melhor não começar a gastar por conta... t A tua ligação ao Portugal Fashion já é longa. Era mais fácil desfilar ou organizar o seating de que tratas hoje? Desfilar, sem dúvida. Achas que depois deste longo caminho já podemos falar de uma Moda portuguesa ou é melhor referir a moda feita em Portugal? Temos moda portuguesa, e moda feita em Portugal. Temos um grupo sólido de designers com identidades muito próprias e temos designers internacionais a produzir na nossa melhor indústria. Como analisas a evolução das propostas das marcas industriais a que tens assistido durante os últimos 10 anos? Têm vindo a ser coleções com cada vez mais qualidade, mais estruturadas, vocacionadas e igualadas ao mercado internacional. A autonomização das apresentações do Bloom foi uma mais valia para o projeto, permitindo um maior foco

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dos jornalistas e dos outros interessados nos jovens valores? O facto de termos um dia no Portugal Fashion dedicado única e exclusivamente ao Bloom, destaca francamente o trabalho dos jovens designers. Temos as equipas todas centradas no projeto e isso reflete-se a nível mediático. A primeira fila continua a ser um pesadelo? A tua vida é mais fácil com os compradores convidados dos criadores ou com a tribo cor de rosa? Neste momento já não é um pesadelo. Tenho episódios engraçados, mas penso que todos já entenderam que, dependendo do desfile, há lugar para sentar todos e bem. Nas últimas edições temos tido primeiras filas gigantescas :). Também concordas que o público dos desfiles tem vindo a rejuvenescer-se e a profissionalizar-se? Concordo. Temos um público mais interessado e atento. t

- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Morada Sede e Editor: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Carolina Guimarães - mail: cg.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Grafedisport Morada: Estrada Consiglieri Pedroso, 90 - Casal Santa Leopoldina - 2730-053 Barcarena Número Depósito Legal: 429284/17 Estatuto Editorial: disponível em: http://www.jornal-t.pt/estatuto-editorial/ PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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minhas expectativas vão sempre ao encontro da concretização dos meus desejos e acredito que esta atitude garante elevada percentagem de sucesso na concretização desses desejos.

PERGUNTA DO MÊS

1.

ADELINO COSTA MATOS

PRESIDENTE DA ANJE

QUE ESPERANÇAS E DESEJOS PARA 2018?

Para 2018, desejo que a fileira moda reforce a sua internacionalização, aumentando as exportações e a notoriedade de marcas e criadores. Tenho, aliás, essa expectativa, mercê do dinamismo dos empresários do setor e suas associações e da crescente dimensão internacional de eventos como o Portugal Fashion e o Modtissimo.

8.

ANA MAGALHÃES E INÊS MORGADO

SÓCIAS DA SISSONE

5.

ALBERTINO OLIVEIRA

A Sissonne em 2018 tem o desejo e a expectativa de aumentar a carteira de clientes no mercado europeu. Para isso, vai continuar a apostar na internacionalização, com o apoio da ASM. Os elementos distintivos continuarão a ser o design das peças, a qualidade dos tecidos e as cores.

DIRETOR DE MARKETING DA SEDACOR

2.

ADÍLIA SILVA

DIRETORA-GERAL DA CONSIFEX

Mais um ano cumprido, mais crescimento e exportações a somar aos números que fazem da têxtil portuguesa um caso de estudo mundial. Um sucesso que tem rostos e protagonistas, aos quais perguntamos agora quais as expectativas e desejos para o novo ano que se avizinha. Todos eles fizeram parte das nossas entrevistas, notícias e rubricas que ao longo deste ano de 2017 preencheram as páginas das edições do T Jornal. A confiança é generalizada, a ambição ilimitada, a aposta na inovação e criatividade uma constante. Com votos de que se repita a dinâmica positiva, a expectativa é de que em 2018 os negócios vão ser ainda melhores do que em 2017. Assim seja!

nacionais e europeus acreditem cada vez mais nas nossas empresas têxteis, nos apoiem nos investimentos, para que nos possamos afirmar como os melhores a nível mundial. Pedimos também que os negócios continuem a correr bem e se possível que o novo ano traga novas oportunidades e sucesso para a Têxteis Penedo e para todos em geral.

Para a família Consifex, o Novo Ano não se compõe de 365 dias, mas de um renascer diário fruto da união, da determinação e persistência, através do qual aprendemos a amar o presente e a construir o futuro, e que o seja em alegria e prosperidade!

2018 será um ano que “cimenta” o sucesso de renovação do Cluster têxtil português em geral. Mas sobretudo, desejo eu, deverá ser um ano de referência para a Sedacor e seus parceiros, na aplicação da cortiça no setor têxtil!

9.

ANABELA BALDAQUE

ESTILISTA

6.

Um ano cheio de "graça"- em todos os sentidos :) ...e nesse também! E faço votos para conseguir lançar a minha marca de sapatos.

ALEXANDRA ARAÚJO

CEO DA LMA

3.

ADRIANO RIBEIRO

GESTOR DA BWD

Do ponto de vista do ambiente de negócios, as expectativas para 2018 estão muito altas. O meu desejo é que os negócios se concretizem, e que o bom senso político e financeiro impere para que o ambiente positivo se mantenha sem perturbações.

Um planeta mais equilibrado em 2018! Desejo que haja inteligência global na responsabilidade socio/ambiental. Mais ética nos negócios e nas relações entre empresas e consumidores.

ANA MARIA RIBEIRO

CEO DA AMR

4.

7.

GENERAL MANAGER

DOCENTE NA ESART

AGOSTINHO AFONSO

ALEXANDRA CRUCHINHO

DA TÊXTEIS PENEDO

Esperamos que 2018 mantenha a tendência positiva que o setor têxtil vive, que os governos

10.

A nível profissional, que a indústria da Moda em Portugal cresça e continue a dar cartas em contexto internacional. As

Espero que 2018 seja um ano estável do ponto de vista político, económico e social porque para além de tudo o que significa para as nossas empresas no plano interno também ajuda a reforçar positivamente a nossa imagem no exterior. Que a procura externa continue a crescer e que o Made in Portugal seja cada vez mais um fator diferenciador face aos nossos concorrentes. Desejo que em 2018 se concretizem os objetivos traçados pela empresa, que continuemos a ver


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reforçado o reconhecimento e prestígio dos nossos produtos nos mercados internacionais pela qualidade e inovação das propostas que apresentamos.

ANA VAZ PINHEIRO

CEO DA MUNDOTÊXTIL

Que o setor têxtil mantenha, no ano de 2018, a dinâmica de crescimento que o tem caracterizado nos últimos anos. Tenho a certeza que 2018 será um ano de superação e que a Mundotêxtil continuará a contribuir, de forma muito ativa e competente, para o excelente desempenho da indústria têxtil e das exportações portuguesas.

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setor a nível internacional. Um feliz 2018 para Portugal!

14. 11.

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tendemos igualmente aumentar a equipa de trabalho com a contratação de recursos humanos especializados para áreas consideradas estratégicas.

ANTÓNIO PEREIRA

CEO DA FITOR

mercados, sem nunca perder o foco de atingir a qualidade e excelência que nos é exigida.

tabilidade constituem o maior desafio das empresas têxteis e a indústria portuguesa está preparada para responder ao repto.

20.

23.

RP DO CITEVE

ECONOMISTA

Espero que em 2018 o STV português mantenha o ritmo de crescimento internacional apostando sempre na inovação, criatividade e qualidade. Os meus desejos para todos é que 2018 seja repleto de amor, saúde, dinheiro, sucesso, alegrias, viagens, amigos, sabores, trabalho, felicidade, conquistas e muita paz. Feliz ano novo!

Que o preço do petróleo não suba. Que o USD não desça. Que o BCE não abandone o quantitative easing (no que se refere às taxas de juro, já prometeu não subir). Que a Economia Mundial continue a crescer, sobretudo na UE. Que a sorte não nos abandone...

CRISTINA CASTRO

O que se espera de 2018 é que continuemos a crescer e a afirmar o têxtil português como uma indústria cada vez mais técnica, com mais qualidade e com um design de cada vez mais elevado reconhecimento internacional. O crescimento e a expansão de mercados são o objetivo principal. Os desafios continuam a ser muitos nomeadamente o custo dos fatores de produção e a falta de liquidez de muitas empresas. Os apoios públicos continuam a ser necessários para capitalizar e facilitar o trabalho das empresas nas suas tarefas. Em resumo, tudo indica que 2018 irá ser um bom ano.

17.

CARLA PIMENTA

GESTORA EXECUTIVA DA TEXSER

Desejo que em 2018 haja continuidade e regularidade e encomendas para podermos atingir os nossos objetivos. As expectativas são aumentar o posicionamento nos mercados externos bem como fidelizar mais clientes para ser reconhecida como empresa referência no mercado de tecidos camiseiros.

12.

21.

GESTORA DE MERCADO

PRESIDENTE DO CITEVE

DA VILLAFELPOS

O meu desejo para 2018, é que o setor mantenha o ritmo sustentável de crescimento que se tem verificado, por via da Valorização do produto e dos recursos humanos.

Para 2018, a empresa tem como objetivo reforçar a sua dimensão em termos globais, nomeadamente através da dinamização da sua vocação exportadora. Desenvolver e consolidar a sua posição nos mercados atuais e explorar oportunidades já identificadas em novas geografias, abre boas perspetivas de crescimento. A inovação de produtos e processos continuará a constituir um eixo estratégico de desenvolvimento da empresa, pelo que no próximo ano se continuará com essa dinâmica como suporte essencial ao crescimento sustentado que se pretende manter.

15.

BERNARDINO ANDRADE

ADMINISTRADOR DA FIFITEX

18.

CARLA SILVA

CTO DO CENTI

ANTÓNIO CUNHA

SALES MANAGER DA ORFAMA

É expectável que em 2018 a indústria têxtil continue a crescer, fruto do esforço e empenho de todos os intervenientes no setor. Desejamos que esse esperado crescimento seja alicerçado em princípios de sustentabilidade e responsabilidade social.

16.

As expectativas para 2018 são elevadas! As nossas inúmeras iniciativas serão garantia de que o próximo ano esteja repleto de projetos inovadores de I&D+I, para que a nossa indústria nacional se continue a destacar e a dar cartas a nível mundial.

CARLA LOBO

Vivemos num tempo ditado pelas novas gerações de consumidores que incluem a sustentabilidade e a diferenciação como prioridade, por isso, estamos focados a trabalhar em produtos que vão ao encontro destas novas exigências do mercado para continuarmos a ser uma referência de qualidade e inovação no futuro. Espero que 2018 seja um ano mais mobilizador da transformação da indústria têxtil portuguesa para continuar a dignificar este

24.

DANIELA PAIS

DESIGNER DA ELEMENTUM

CRISTINA GALVÃO

ANTÓNIO AMORIM

13.

DANIEL BESSA

ADMINISTRADORA DA R. LOBO CONFECÇÕES

No seguimento do forte investimento em equipamentos e novas instalações realizado em 2017 para reforçar a sua posição competitiva no mercado, a R. Lobo pretende continuar a investir em 2018 de forma a assegurar o suporte necessário ao contínuo crescimento e expansão que a empresa tem tido nos 2 últimos anos no mercado Europeu. Pre-

Desacelerar! Realizar escolhas conscientes para ter menos coisas e mais tempo. Sendo que o tempo não se tem mas usufrui-se.

25.

DINA AGANTE

ADMINISTRADORA DA BUIG

Que em 2018 continue merecedora do apoio do Dr. Manuel Serrão e da Selectiva Moda de forma a consolidar a marca Buig no mercado nacional e internacional.

26.

DOLORES GOUVEIA

19.

22.

CEO DA TROFICOLOR

REPRESENTANTE DA MESSE

CARLOS SERRA

CRISTINA MOTTA

FRANKFURT EM PORTUGAL

Criar e desenvolver competências de forma a antever as dificuldades inerentes aos

2018 será mais um ano para ser otimista. Inovação & Susten-

CONSULTORA, HEAD OF DESIGN AND MARKETING NA TINTEX

Para o ano de 2018 desejo projetos profissionais tão apaixonantes quanto aqueles que tive a oportunidade de realizar no ano de 2017 e que me dão a possibilidade de contribuir para


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suficientemente pensada e adaptada aos ciclos produtivos.

posicionar e comunicar o setor têxtil nacional como criativo e com uma forte imagem de moda.

30.

Barros, e desejo o mesmo para o têxtil de Portugal.

HONORATO SOUSA

37.

DIRETOR COMERCIAL DA CARJOR

Para 2018 desejo bom senso aos líderes mundiais e gostaria muito que este Governo tivesse coragem para baixar os impostos diretos sobre o trabalho.

27.

KATTY XIOMARA

ESTILISTA

34.

JORGE PEREIRA

ENALTINA MARTINS

CEO DA LIPACO

CONSULTORA DA BELMIRO MARTINS

2018, o ano que se avizinha… São necessárias mudanças; não que o que esteja já feito tenha sido mal concebido ou desenvolvido mas o progresso para isso me impulsiona. Seguramente haverá diversificação. Vai ser bom, prometo!

28.

FÁTIMA SANTOS

31.

INÊS BRANCO

ADMINISTRADORA DA TÊXTIL NORTENHA

Clareza é o maior desejo para 2018. Agir corretamente para alcançar os objetivos; antever os obstáculos e ultrapassá-los com segurança. As minhas expectativas são mantermos o otimismo sendo o caminho difícil. Estamos preparados para crescer, criar mais emprego e modernizar as instalações na área da produção e comercial.

Estabilidade económica e política na Europa para que todos os sonhos e projetos de todos os empresários e empresas se possam realizar e desenvolver de forma sustentável. Uma banca mais forte e confiante no futuro das nossas empresas e um acreditar cada vez mais forte na nossa indústria têxtil por parte dos meios políticos.

32.

INÊS TORCATO

29.

HELDER ROSENDO

DIRETOR-GERAL DA P&R TÊXTEIS

Espero que 2018 repita a dinâmica positiva a que temos assistido na ITV nacional nos últimos anos, que possamos comemorar a conquista do Campeonato do Mundo de Futebol, que todos pratiquem mais desporto com o outfit adequado e que Portugal suba alguns lugares no ranking mundial da felicidade.

33.

JOAQUIM CUNHA

CEO DA CRISTINABARROS

Tenho a certeza que nem o céu é o limite para Cristina-

MANUEL SÁ

CEO DA S. ROQUE

O meu desejo é a consolidação da S. Roque como empresa de referência mundial no desenvolvimento de soluções para a estamparia. A minha expectativa é a recuperação do papel preponderante da indústria têxtil, nas exportações nacionais.

LUÍS BUCHINHO

35.

Desejo que não haja tantas catástrofes como houve este ano em Portugal, que acabaram por ter reflexos no Orçamento de Estado para 2018. As questões extremas do clima tiveram repercussões no setor têxtil. A minha expectativa é que o clima retome o seu curso normal e nos favoreça.

ESTILISTA

Um desejo pessoal de um ano com mais paz, consciência coletiva e amor pelo próximo. Desejo profissional não só para 2018 mas sempre, de constante evolução. Espero um ano com menos tensão, mais segurança, e algum crescimento profissional com os primeiros passos no campo internacional.

41.

ESTILISTA

CEO DA INARBEL

Os meus desejos para 2018 são novos projetos e o crescimento da Modern Lining Company. Já sobre as expectativas entendo o que objetivo de qualquer pessoa ou empresa é chegar ao topo.

O meu desejo é que seja um ano melhor. Mais que desejar, anseio que seja a concretização do que o Sr. Otimismo e a Sra. Esperança nos prometeram. Caso contrário teremos de descobrir um portal para uma nova dimensão, num dos tantos mundos paralelos que a ciência da ficção declara existir e fugir para uma versão melhorada do nosso planeta.

38.

JOSÉ ARMINDO FERRAZ

ADMINISTRADORA DA MLC

mais consciência para os grandes obstáculos que as novas tecnologias vão trazer ao mundo comercial e empresarial. Sempre na expectativa que o mundo caminhe para um futuro melhor.

2018 quer-se um ano próspero (sempre)! A nível profissional, quero a confirmação e sucesso deste meu novo ponto de venda nacional, e internacionalmente um sucesso estrondoso com o lançamento da nova loja online. A nível pessoal, um planeta melhor, com cabeças mais arejadas.

39.

42.

MÁRCIA NAZARETH

DESIGNER NAZARETH COLLECTION

Que consigamos adaptar-nos às novas situações, sem angústias e sem medos. Que exista sempre uma melhor versão de nós próprios. Que nunca nos falte uma reserva de energia e de forças para ultrapassar todas as barreiras e a vontade de vencer a desigualdade, e a injustiça.

MANUEL BARROSO

GENERAL MANAGER DA ALDA TÊXTEIS

36.

JOSÉ GAIA

ADMINISTRADOR DA LAYER WEAR

A nível profissional o meu desejo para 2018 é o crescimento da nossa marca própria Teen Spirit. Quanto às expectativas do setor não prevejo um crescimento ao nível dos últimos anos pois a variável climática não foi ainda

O maior desejo é que tudo o que de mau possa ter acontecido neste ano não se volte a repetir e que o novo ano seja a porta de entrada para maiores realizações, com muita saúde e recheado de felicidade!

40.

MANUEL JACINTO

CEO DA CAVALINHO

Desejo que no novo ano haja

43.

MARGARIDA MÁXIMO

CEO DA TMR

Desejo um Vale do Ave que esteja para o têxtil como o Silicon Valley está para a tecnologia e que, mais uma vez, os génios dos trapos se possam encontrar na Web


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Summit cá do Norte, a belíssima Modtissimo.

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fazer aquilo que a maioria não faz. Muita saúde, sorte e paz para todos. Sejamos unidos e justos nos objetivos que traçamos para as nossas vidas.

aos stakeholders. O grande desafio será atenuar o gap de género no setor, especialmente na costura, tornando estas funções mais apelativas para o sexo masculino, à semelhança de outros países e indústrias.

crescimento da nossa marca além-fronteiras."

TIAGO P. CUNHA

44.

ASSOCIATE MANAGER DA PEREIRA DA CUNHA

MARGARIDA PIZARRO

51.

DIRECTORA CRIATIVA/INDUSTRIAL DA PIZARRO

RAFAEL ALVES ROCHA

Desejamos para 2018 poder trabalhar com a mesma paixão e motivação. Que as oportunidades se mantenham para podermos continuar a trabalhar na linha da frente. Mais importante de tudo que nós, a nossa equipa e as nossas famílias sejamos sempre abençoados com muita saúde.

DIRETOR DE COMUNICAÇÃO

48.

MICAELA LARISCH

DESIGNER E EMPRESÁRIA

Desejo que 2018 nos traga o retorno da imensa energia investida ao longo dos últimos anos por toda a equipa. Brindo a todos, para que continuemos cá por muitos e excelentes anos!

DA ANJE

54.

SÓNIA PINTO

Para 2018, desejo que o ecossistema empreendedor português atraia mais talento, conhecimento e capital, designadamente para alavancar projetos na fileira moda. Tenho, aliás, essa expectativa, considerando as várias iniciativas de promoção do empreendedorismo na moda, como a Web Summit, em que se debateu as potencialidades das tecnologias digitais na fileira.

DIRETORA DA MODATEX

Esperamos que o setor ITV mantenha o crescimento registado nos últimos anos e que o Modatex continue a responder a este crescimento com formações de excelência, que contribuam para o sucesso das empresas e dos nossos formandos.

45.

MÁRIO JORGE MACHADO

CEO DA ADALBERTO ESTAMPADOS

A expectativa é que o mundo e os negócios vão ser melhores que em 2017. Desejo que todos apreciemos o bom que já conseguimos.

49.

NOEL FERREIRA

DEPARTAMENTO COMERCIAL DA A. FERREIRA E FILHOS

Que todos nós tenhamos saúde para continuar a mostrar de que fibra é feita o tecido empresarial têxtil português. A mudança/inovação é o único fator constante e estamos aí para prová-lo.

MÁRIO JORGE SILVA

MARTA VILAR

CEO DA BOW

Para 2018 desejo acima de tudo um ano melhor, com muita saúde, amor, respeito e amizade. Um ano cheio de sol, biquinis, fatos de banho! Que seja o início de um grande

55.

SUSANA COSTA

52.

FIELD MARKETING MANAGER

ESTILISTA

As minhas expectativas para 2018 estão em alta! Sim, fique atento! A Lectra renova-se em função dos seus clientes. Carinho, perspicácia, empenho, visão. Os nossos clientes são o centro de tudo!

DA LECTRA PORTUGAL

ROSELYN SILVA

CEO DA TINTEX

47.

Espero que 2018 seja um ano de crescimento do setor têxtil,que o Governo acredite no nosso setor que é de facto um setor muito importante para o crescimento do país em várias vertentes. Faço votos para que o têxtil em 2018 tenha um ano de estabilidade e crescimento e para todas as pessoas envolvidas neste setor um Feliz Natal e um próspero Ano Novo.

58.

46.

Um 2018 com afirmação portuguesa, que nos traga mais felicidade, confiança nas nossas capacidades e desbloqueie a nossa timidez que limita as ambições.

57.

50.

Desejo que 2018 seja ainda mais promissor porque há um mundo African Print para conquistar. Desejo mostrar ao mundo o valor dos tecidos africanos e a beleza dessa matéria-prima no setor luxury brands. Sempre fui uma mulher de expectativas muito altas e graças a Deus não me arrependo e esse é o espírito que tenciono levar para 2018, com o objetivo de internacionalizar a minha marca e realizar mais algumas parcerias.

PAULO FARIA

ADMINISTRADOR DA PAULA BORGES

56.

VÍTOR ABREU

CEO DA ENDUTEX

Os meus desejos e expectativas para o ano de 2018 são a estabilidade legislativa e fiscal, apoio no nosso enorme esforço de investimento e internacionalização e definitivamente tratarem a ITV como um setor de orgulho e grande futuro no panorama industrial português.

59.

VITOR DUARTE

TÂNIA MUTERT BARROS

DIRETOR DA UNIDADE

REPRESENTANTE OFICIAL DA FEIRA

DE NEGÓCIOS DA MIND

DE MUNIQUE EM PORTUGAL

Deixemos que a nossa consciência positiva seja a locomotora e a incansável dedicação ao nosso ideal. Devemos pensar que existem sempre soluções para os problemas que nos deparam... esse é o desafio para a plenitude ! Se queremos chegar com sucesso onde a maioria daqueles não chega, o que precisamos é de

53.

SAMUEL COSTA

COO DA SONIX

Espero que em 2018 a ITV potencie os níveis de serviço

Estou convencida que 2018 será outra vez um bom ano para as exportações da ITV: o nível de inscrições de Portugal para as feiras a decorrer em Janeiro, em Munique, bate de novo um recorde, tanto para a ISPO Munich bem como para a Munich Fabric Start!

Sendo a ITV uma área industrial cada vez mais exigente e competitiva, os seus players têm que estar à altura dos desafios colocados, alocando todo o seu saber e competência à causa. Que o ano de 2018 nos reserve saúde, força e motivação suficientes para continuarmos a contribuir para o seu sucesso e crescimento.t


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Antecipação.

As máquinas da Lectra falam com o nosso backoffice que compara os dados que recebe com as melhores práticas, o que nos permite alertar os clientes para desvios na produção - se está a consumir muita energia, a gastar demasiadas lâminas, etc. - e antecipar as avarias. Mais do que resolver problemas, antecipamo-los o que evita paragens. A taxa de disponibilidade das máquinas subiu para 97%.

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O PENSAMENTO DE RODRIGO SIZA

Campeões de vendas.

Há uma clara necessidade de maior qualificação ao nível de quadros intermédios. Para colmatar esta lacuna, muitas empresas têm ido buscar quadros a outras indústrias - como a automóvel -, o que é positivo pois importam boas práticas e métodos.

Crise.

2010 foi um ano mau. 2011 ainda foi pior. O que nos valeu foi que, logo em 2009, a Lectra reagiu rapidamente com um roteiro estratégico que transformou a empresa, reorganizando o negócio, e nos permitiu fazer face à crise.

Private label.

As têxteis já não estão a vender minutos, mas a propor produtos aos grandes clientes internacionais. O private label é uma grande vantagem competitiva.

Dados.

Como os dados estarão cada vez mais no centro das decisões, os equipamentos Lectra são cada vez mais inteligentes. A informação gerada pelas máquinas de corte é agregada e a sua análise habilita os clientes a tomar e implementar decisões para melhorarem os seus processos. A 4ª revolução industrial está a eliminar postos de trabalho, mas estou em crer que vai criar melhores empregos e novas profissões. Por natureza sou otimista e acredito que trará mais benefícios do que riscos.

Gestores.

Os empresários e gestores de topo têm de deixar de cair na tentação de perderem o seu tempo com coisas pequenas e devem transferir poder para os escalões intermédios. Ganham se assumirem uma visão mais cavaleira da sua organização ocupando-se mais do controlo e da estratégia do que com a gestão do dia a dia.

ITV portuguesa.

A capacidade de se adaptar à mudança e de se reinventar tornou-se um caso de estudo internacional. Há 20 anos ninguém dava nada por ela. Felizmente tivemos muitos empresários teimosos, que se recusaram a acreditar que a sua indústria estava condenada, deram um murro na mesa e souberam resistir,

Oferta tipo Lego.

A nossa oferta deixou de ser de produtos monolíticos para passar a ser modular. A partir da nossa base de produtos e serviços construímos uma solução à medida das necessidades específicas de cada cliente, que lhes permite afrontar os seus projetos de modo progressivo e adaptado aos seus recursos.

Ponto fraco.

A solução de corte Vector iQ é a nossa campeã de vendas, não só em Portugal mas também em Espanha. A nível de software é o Modaris Expert.

Emprego.

do mundo mas também como grande mercado - que originou uma revisão da nossa oferta.

Proximidade.

A proximidade geográfica e cultural dos clientes espanhóis, franceses e ingleses é uma enorme vantagem competitiva sobre a concorrência de países da Europa de Leste ou dos países do Magreb.

Reputação.

“A minha vida foi acontecendo. Tem sido uma sucessão de acasos”, resume Rodrigo Siza, 51 anos, que desde 1 de julho é o Regional Director da Lectra para a Península Ibérica. Sobrinho de Álvaro (o arquiteto), irmão de Pedro (advogado e ministro) é filho de António Carlos, engenheiro químico com carreira feita em porta aviões da ITV do seu tempo (Efanor, Têxtil do Mindelo, Arco). Nascido em Matosinhos, onde ainda vive e mantém o centro de gravidade, Rodrigo, no final do secundário, hesitou entre Arquitetura e História, mas acabou por se decidir por Design de Comunicação (ESBAP), formação que mais tarde completaria com um mestrado em Marketing e Comunicação - Multimédia como fator de vantagem competitiva para a indústria têxtil foi o tema da tese, desenvolvida com a Têxtil de Vizela e que contemplou a produção de um inovador CD interativo, que foi apresentado na Première Vision. Ter o pai como patrão na Tradetex (trading transformar-se e reposicionar-se. Portugal soube evoluir para um patamar superior. Hoje já ninguém vem a Barcelos encomendar 100 mil t-shirts...

Máquinas inteligentes.

Em 2007, começamos a lançar

têxtil, como o próprio nome indica), foi o primeiro dos acasos (ou nem tanto...) que se foram sucedendo na vida de Rodrigo, que continuou a acumular a situação de sócio e filho no segundo passo da carreira, a V-Sistemas Informáticos, que se ocupava da distribuição, apoio e manutenção de soluções CAD de desenho têxtil da Colorado. No ano 2000, Rodrigo torna-se responsável pelas áreas de desenvolvimento de negócio, design e merchandising da Lectra, num dos efeitos colaterais da aquisição da Colorado pela multinacional francesa. Após um parêntesis de dois anos (05-07), em que teve uma passagem de cometa pela antecessora da Riopele Fashion Solutions (“Gostei muito de lá estar. Foi uma experiência muito enriquecedora”) voltou à Lectra, como diretor geral. Foi na sede, em Leça da Palmeira, da Lectra Portugal, que o T esteve duas horas à conversa com Rodrigo, cujo pensamento resumimos aqui, organizado em 17 tópicos, apresentados por ordem alfabética para facilitar a consulta.

máquinas inteligentes, com sensores que emitem alertas quando deparam com problemas e desvios na eficiência produtiva. O facto de termos sido pioneiros na incorporação de inteligência nos equipamentos ajudou-nos a ultrapassar a crise.

Megatendências.

O roteiro definido este ano pela Lectra assenta em quatro megatendências - os millenials, a geração dos que têm entre 20 e 36 anos e novos hábitos de consumo; a digitalização de processos; a indústria 4.0; a China não só como a fábrica

A têxtil portuguesa ganhou justamente a reputação de ser competente, criativa e flexível, de fabricar com qualidade e ter excelentes know how e rápida capacidade de reação - e ser um bom parceiro no desenvolvimento de produto.

Roteiro estratégico.

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DOIS CAFÉS & A CONTA Paris

Carameleiro 3260-308 Figueira dos Vinhos

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Entradas: Queijo, enchidos e pataniscas de bacalhau Prato: Cozido à portuguesa Bebidas: Duas Quintas tinto, água e dois cafés

UM GESTOR NO TEMPO DE OLHAR EM FRENTE Por muitos anos que viva, Albano não esquecerá nunca a ansiedade, dor e desespero que sentiu - nem as terríveis imagens que viu no trágico sábado, dia 17 de junho. O alerta chegou por volta das 20h00. O incêndio que deflagrara no concelho vizinho de Pedrógão Grande avançava perigosamente a grande velocidade, contou-lhe ao telefone o vigilante, Domingos Agria. Preocupado, pôs-se a caminho, mas às oito e um quarto daquele maldito dia, já não se conseguia chegar a Sarzedas

de S.Pedro, a aldeia onde fica não só a fábrica da Albano Morgado mas onde mora também a mãe dele, Élia. Desesperado e sem mais informações (o fogo cortara as comunicações), viveu as horas seguintes como se fossem longos e intermináveis dias. “Cheguei a pensar que tinha ardido tudo. E temi pela vida das minha mãe”, confessa. Já passava das três da manhã, quando pôde ir a Sarzedas, atravessando a pé, com uma lanterna na mão, um cenário desolador e dantesco - uma escuridão de breu

ALBANO JOSÉ MORGADO

49 ANOS CEO DA ALBANO MORGADO O apelo do chão da fábrica foi sempre superior ao dos livros e das salas de aula para o único dos cinco netos de Albano Antunes Morgado que pegou no testemunho do avô e dedica a sua vida profissional ao desenvolvimento da empresa de lanifícios fundada há 90 exatos anos pelo avô. Completado o 9º ano na Castanheira de Pera natal, fez o 12º ano em Coimbra (instalado em casa da tia Ema, uma solteirona) antes de rumar ao Porto, onde frequentou Gestão no ISAG. Chegado ao 3º ano, trocou o curso por um lugar na fábrica, a ajudar o pai (Isaltino) e o tio Aquiles a levarem a fábrica para a frente. “Nunca ia às aulas à 2ª feira, arranjava sempre um pretexto para ir à fábrica..”, conta Albano José, que é casado e tem dois filhos: uma rapariga de 19 anos, que estuda em Coimbra e quer ser advogada, e um rapaz de dez.

(quebrada aqui e ali por pequenos focos de fogos ), destroços, cadáveres carbonizados (que seria chamado a identificar), um silêncio de morte. Preparado para o pior, teve duas alegrias, encontrou a mãe, com uma vela na mão e uma toalha molhada na cabeça, a preparar-se para se deitar. E na fábrica lá estava o vigilante Domingos, que esgotando o stock de extintores evitara que o fogo - que consumiu um armazém -, fizesse mais danos, e atingisse o depósito de nafta, abastecido na véspera. O preço em vidas humanas foi pesado. O fogo levou a vida de três trabalhadores da Albano Morgado. No total, 11 pessoas morreram em Sarzedas. “12% da população da aldeia é muita gente”, conta Albano, que perdeu um cunhado bombeiro. Na semana seguinte, sem electricidade e sem comunicações, a fábrica esteve fechada. Era a hora de chorar e enterrar os mortos. Depois foi a vez de olhar em frente - e cuidar dos vivos, das famílias dos 85 trabalhadores da Albano Morgado, o maior empregador de Castanheira de Pêra. Cinco meses volvidos sobre a tragédia que enlutou as comemorações dos 90 anos da Albano Morgado, sentado à mesa do restaurante Paris, na vizinha Figueiró dos Vinhos, Albano falou com entusiasmo dos investimentos em curso - e recordou episódios curiosos da madrugada de 17 para 18 de junho. “O incêndio já passou, não há luz, agora vou dormir”, respondeu-lhe pragmática a mãe, quando ele aliviado a encontrou viva e com saúde no quarto. “Se fizesse isso, em vez de morrer assado, morria cozido”, ripostou Domingos, o vigilante herói, quando Albano deu com ele na fábrica, cansado e preto negro como um carvoeiro, e comentou que se visse a coisa mal parada podia ter-se metido dentro do depósito com 20 mil litros de água. O seguro está a tentar esquivar-se a pagar na totalidade os prejuízos provocado pelo incêndio, mas não é essa a principal preocupação de Albano. O que são 150 mil euros de prejuízo comparado com a perda de três companheiros de trabalho? A prioridade do momento é por rapidamente no terreno o investimento de 1,5 milhões de euros numa nova e moderna tinturaria, que ele quer ver operacional o mais tardar dentro de um ano. t


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2. ANA GUEDES (VESTIDA POR GIO RODRIGUES) E JÚLIO MAGALHÃES, A MAGNÍFICA DUPLA DE APRESENTADORES DO PORTO CANAL, QUE TRANSMITIU A GALA

FOTOSINTESE O DREAM TEAM DA SELECTIVA MODA

1. A SALA D’OURO DO CASINO DA PÓVOA ENGALANOU-SE PARA RECEBER OS 400 CONVIDADOS DA FESTA QUE MARCOU O FINAL DAS COMEMORAÇÕES DOS 25 ANOS DA SELECTIVA MODA

SWING, RITMO E HOMENAGENS NA GALA DA SELECTIVA “Quando queremos dar um exemplo de caso de sucesso, a primeira coisa que nos vem à cabeça é a têxtil”, declarou o secretário de Estado da Indústria, Eurico Dias Brilhante, durante a gala no Casino da Póvoa que encerrou as comemorações do quarto de século que a Associação Selectiva Moda leva ao serviço da causa das exportações da ITV. “O nosso dia a dia não é fácil. Trabalhamos na mais difícil das indústrias. Para ter sucesso é preciso acreditar e ter uma grande vontade de vencer. Nós conseguimos e temos orgulho nisso”, afirmou Paulo Melo, presidente da ATP, na abertura da gala, que celebrou também 50 edições do Modtissimo e 10 da Porto Fashion Week

7. MÁRIO JORGE MACHADO (ESTAMPARIA ADALBERTO) RECEBEU O PRÉMIO DAS MÃOS DO SECRETÁRIO DE ESTADO EURICO DIAS BRILHANTE

6. PAULO NUNES DE ALMEIDA, PRESIDENTE DA AEP, NA ENTREGA DO PRÉMIO A JOSÉ ARMINDO (INARBEL/DR. KID) 12. JOANA GOMES, DOS FINGERTIPS, A VOZ FEMININA NA NOITE DA PÓVOA

11. SÍLVIA MARQUES (PONTO POR PONTO) ELOGIOU A TEIMOSIA E PERSISTÊNCIA DA SELECTIVA MODA


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4. A FORMIDÁVEL ORQUESTRA DE JAZZ DE MATOSINHOS FOI O FIO CONDUTOR DA CERIMÓNIA E EMPRESTOU-LHE RITMO E SWING

5. ANTÓNIO CUNHA (ORFAMA) AGRADECE O PRÉMIO PARA A EMPRESA DE VESTUÁRIO E CONFEÇÃO COM MAIS PRESENÇA EM FEIRAS

3. 117 PRESENÇAS EM FEIRAS INTERNACIONAIS, UM EXTRAORDINÁRIO RECORDE DA LEMAR. MANUELA ARAÚJO RECEBEU O PRÉMIO 9. O MAESTRO RUI MASSENA AO PIANO, INTERPRETANDO DUAS CANÇÕES DA SUA AUTORIA, FOI UM DOS MOMENTOS ALTOS DA GALA

8. “TRABALHAMOS PELO AMOR À ARTE SEMPRE POR AMOR”, GARANTIU PAULO FARIA, DA PAULA BORGES

10. JOSÉ ROBALO (PRESIDENTE DA ANIL) E NUNO MENAIA (GRUPO PAULO OLIVEIRA), DOIS HOMENS QUE VIERAM DA SERRA PARA RECEBER E ENTREGAR DOIS PRÉMIOS 14. JOÃO COSTA, PRESIDENTE DA SELECTIVA, NÃO POUPOU NOS ELOGIOS AO DREAM TEAM DA ASM “PELO SEU INCANSÁVEL TRABALHO DE AJUDA ÀS EMPRESAS”

13. "É UMA HONRA PERTENCER A ESTE SETOR. ESTAMOS SATISFEITOS COM O DESAFIO DE TRANSFORMAR AS NOSSAS IDEIAS EM MALHAS”, DISSE ANA FURTADO, DA A. SAMPAIO


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XAVIER GIL É O NOVO DIRETOR DE PRODUTO E MARCA DA MO Xavier Gil é o novo diretor de produto e marca da MO, após quatro anos em que desempenhou idênticas funções na Desigual. Antes de trabalhar na marca espanhola, Xavier passou pela Parfois, Salsa, grupo Inditex, Levi Strauss e Body Shop. “A entrada do Xavier é um passo importante para reforçar a nossa posição como um dos três maiores operadores de moda em Portugal e provavelmente o primeiro em número de clientes”, explicou Francisco Sousa Pimentel, administrador da Sonae S&F e da MO.

TENOWA É A RIOPELE VERDE Um vestido da autoria do designer Nuno Baltazar e apresentado pela Riopele na última edição do iTechStyle, no Modtissimo, foi o primeiro sinal exterior da Tenowa, a nova marca que a empresa sediada em Pousada de Saramagos lançou para acolher vestuário feito com tecido produzido com matéria prima 100% reciclada. A marca Tenowa (The rebirth of textiles – Renascer dos têxteis no âmbito de uma indústria sustentável e consciente, assente na economia circular) resulta do projeto R4Textiles, uma iniciativa da

Riopele co-financiada pelo Compete 2020. Depois da exposição no Modtissimo, a Riopele fez o lançamento internacional da marca Tenowa em Munique, na feira Keyhouse – Munich Fabric Start. Foi feita a apresentação em Portugal, nas próprias instalações da Riopele, onde o presidente José Alexandre Oliveira recebeu o presidente da Câmara de Famalicão, Paulo Cunha, iniciativa que coincidiu com mais uma jornada do Roteiro pela Inovação de Famalicão, promo-

vido pela autarquia local. Do alto dos seus 90 anos de idade, a Riopele dá mais um passo de gigante em relação ao futuro criando tecidos sustentáveis produzidos a partir de resíduos têxteis e com propriedades funcionais através do recurso a resíduos agroalimentares. A marca Tenowa é assim uma espécie inovadora resultante da metamorfose de resíduos com uma forte componente ecológica, já que o seu processo produtivo evita a utilização de matéria-prima virgem, de água e de energia. t

RAFAEL COM TINDER PARA A MODA Uma espécie de Tinder para facilitar engates entre marcas e fabricantes é, em resumo, a identidade da U.Make.ID, a start up que Paulo Rafael apresentou na Web Summit, em Lisboa, com o objetivo de arranjar um parceiro financeiro com os bolsos suficientemente fundos para dar dimensão europeia a este seu ambicioso projeto. Paulo Rafael, 48 anos, tem sangue têxtil a correr-lhe nas veias: o avô, José Manuel, bem como o pai, Ramiro (um dos fundadores da Dielmar), eram alfaiates. Ele nasceu em Castelo Branco, licenciou-se em Gestão de Empresa no ISE e, por curiosidade, frequentou o curso de Design de Equipamento da Lusófona. Trabalhou com marcas de roupa para criança e passou pela Dielmar como consultor até que, há três anos, teve a ideia casamenteira de criar uma plataforma online que facilitasse os negócios diretos, sem intermediários, entre marcas e fabricantes. “A U.Make.Id é um plataforma que aproxima to-

dos os protagonistas da fileira da moda - marcas, designers, fabricantes... Sentado ao computador, o comprador constrói a sua indústria, escolhendo à la carte o que precisa - moldes, materiais, design, produção, serviço, etc. Ou seja, pode criar uma linha de produção personalizada”, explica Paulo Rafael. European best manufacturers é a assinatura na U.Make.Id, que indica desde logo a restrição geográfica ao acesso a esta plataforma - apenas se podem inscrever empresas europeias. “A primeira versão da plataforma já está concluída. E noto com satisfação que apesar de estarmos ainda na fase de lançamento, a U.Make.Id tem despertado interesse na fileira da moda. Entre fabricantes e marcas já temos mais de 300 empresas pré-inscritas”, afirma Paulo Rafael, que na concretização da sua ideia contou com o apoio da UBI na fase da investigação, e a parceria com a aveirense Pictonio no desenvolvimento tecnológico da plataforma. t

CHINA CORTA TAXAS DE IMPORTAÇÃO

ANA PAULA QUEIXA-SE DO VERÃO

A China cortou as taxas de importação sobre uma série de produtos que vão desde roupas até às carnes, passando por desodorizantes, no âmbito de uma iniciativa para estimular o consumo no mercado interno. A medida, que entrou em vigor em 1 de dezembro, reduziu em média as taxas de importação para 7,7 %, em vez dos atuais 17,3%.

O atraso na chegada da chuva está a prejudicar o negócio da Dielmar. “Este Verão prolongado tem tido um impacto negativo nas vendas, pois os clientes não sentem necessidade de procurar artigo de Inverno", queixa-se Ana Paula Rafael, para quem esta conjuntura “é muito preocupante e tem consequências severas para a economia nacional".

"Antes, quando vinha um comprador, era sempre recebido pelo dono ou presidente da empresa, havia sempre um programa social, com umas almoçaradas. O mundo já não é assim. Agora vêm pessoas com piercings e cabelo azul para decidir as compras" Braz Costa diretor-geral do CITEVE

CHERRYPAPAYA ESTREIA TOTAL LOOK NESTE NATAL Na sequência de uma parceria estabelecida com a Coolis, uma marca de sapatos para criança, a Cherrypapaya passou a apostar no total look que já é visível na coleção cápsula lançada por ocasião do Natal pela marca criada por Sandra Barradas uma engenheira têxtil de 46 anos.

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de botões por dia são produzidos pela Louropel, na sua fábrica em Famalicão


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MUNDOTÊXTIL VAI RENOVAR TODA SECÇÃO DE TECELAGEM A Mundotêxtil tem em curso um ambicioso programa de reequipamento, orçado em 3,5 milhões de euros, que vai passar pelo renovação de toda a secção de tecelagem e já contemplou a aquisição de novos teares. A maior fabricante europeia de felpos fechou o ano passado com um volume de negócios de cerca de 42 milhões de euros, emprega 585 pessoas e está a dar os primeiros passos nas vendas online.

"Quando estamos a falar de investimentos, nunca nada está concluído. O crescimento envolve sempre um contínuo de obras e investimentos, em pessoas, equipamento e clientes. É uma coisa que nunca pára" Alberto Pimenta Machado CEO da Villafelpos

As expressões de Carlos Costa, Paulo Melo, Caldeira Cabral, António Amorim e Ferraz da Costa durante o Fórum

FÓRUM DEIXOU PISTAS PARA O FUTURO DA ITV O presidente da ATP criticou o Orçamento de Estado, “que quer distribuir antes de produzir”, e pediu medidas de estímulo à economia real e o fim da penalização fiscal disparatada. Paulo Melo anunciou ainda que vai fazer chegar em breve ao Governo um pacote de medidas concretas para melhorar a competitividade da indústria, entre as quais se contarão o reforço do papel e financiamento dos centros protocolares de formação profissional. O discurso sobre o estado do setor marcou o XIX Fórum da Indústria Têxtil, encontro onde o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, disse que não há um problema de financiamento e apontou antes para o reforço dos capitais próprios nas empresas, e o presidente do Fórum de Competitividade, Pedro Ferraz da Costa, pediu aos empresários têxteis que não se acomodem e façam ouvir os seus protestos. Palco privilegiado, como sempre, para o debate em torno das questões mais prementes e um olhar sobre o futuro da vida do setor, o Fórum Têxtil contou ainda com a participação do ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, - que anunciou esforços do Governo para baixar os custos de energia - e dos antigos ministros Mira Amaral e Da-

niel Bessa, perante uma plateia de empresários e protagonistas da ITV que fez transbordar o auditório do Citeve. E mesmo que a fábrica que é o país esteja emperrada e enferrujada, o que coloca dificuldades à indústria têxtil, o dinamismo, a capacidade empreendedora e de modernização do setor vai permitir que continue a crescer e a modernizar-se. A imagem utilizada por Luís Mira Amaral serviu para deixar claro que “os resultados da têxtil são excelentes mas podiam ser muito melhores”. O nosso “problema dramático”, disse-o o antigo ministro com todas as letras, “é o sistema político”. Também o governador do Banco de Portugal elogiou o desempenho do setor têxtil, “que soube reconverter-se após o forte choque da concorrência asiática, num cenário de desarmamento alfandegário europeu”. Carlos Costa lembrou “os vários exemplos de sucesso em termos de ascensão na cadeia de valor, incorporação tecnológica e boa gestão”, mas avisou também que “é necessário antecipar e preparar os desafios que decorrem do progresso tecnológico, designadamente o surgimento de novos materiais e a automação”. Desafios que a ATP quer antecipar, tendo o diretor geral, Pau-

lo Vaz, deixado um “Roadmap” para a ITV nacional que aponta para o objetivo de “ser líder mundial da Indústria Têxtil e de Moda para mercados de nicho e de elevado valor acrescentado”. E se o desempenho das empresas e o crescimento das exportações fez já com que fossem ultrapassados todos os recordes e antecipados os melhores cenários traçados para 2020, os dirigentes da ATP apontam agora para metas de 7 mil milhões de exportações e um volume de negócios de 10 mil milhões no final da próxima década. Para isso, o setor conta com algumas vantagens, como o facto de ter o lead time mais curto do mundo, formar um cluster com uma fileira completa, estruturada, dinâmica e sinérgica, que é suportada por um desenvolvido sistema científico e tecnológico orientado às empresas, e o reconhecimento e valorização internacional de que goza a etiqueta Made in Portugal”. Mas há também riscos, lembrou Paulo Vaz, apontando para a “desconfiança e resistência à cooperação” que ainda resiste em algumas organizações, as “políticas públicas pouco amigas, risco de reversão nas reformas e instabilidade do sistema fiscal”, reforçando a necessidade de olhar para o desenvolvimento da economia digital. t

BRASILEIROS PREFEREM ONLINE NO NATAL

INDITEX PAGOU AO FISCO 5,6 MIL MILHÕES DE EUROS

Este Natal, no Brasil, as compras online vão pela primeira vez ultrapassar as realizadas em centros comerciais, de acordo com um estudo da SPC e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas. “É a primeira vez que vemos a internet como líder, isso mostra como o comportamento do consumidor tem mudado”, disse a economista-chefe do SPC, Marcela Kawauti.

A Inditex pagou mais de 5,6 mil milhões de euros de impostos em 2016 e vale 2% da receita total arrecadada junto das empresas pelo Fisco espanhol, revelou Pablo Isla, CEO do grupo. No ano passado, a Inditex fez um volume de negócios de 23,3 mil milhões de euros, na sua rede internacional de 7.200 pontos de venda, em 93 mercados, e 41 lojas online, e apurou um lucro de 3,157 mil milhões.

MIGUEL VIEIRA EXPLICA POR QUE É QUE PORTUGAL É APETECÍVEL “Portugal é um país apetecível porque as pessoas vêm cá e têm mão de obra relativamente barata e somos rápidos a produzir, desde que o cliente chega até à entrega são 15 dias. É muito pouco tempo e Portugal consegue fazer isso”, explica Miguel Vieira, em entrevista ao site Delas.

527 milhões de euros foi o volume de negócios com que a Sonae Sports & Fashion (Zippy, MO, Losan, Berg, Salsa, Sport Zone e Deeply) fechou o exercício de 2016. Mais de metade das vendas já são feitas no exterior


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ASTRONAUTAS DA NASA USAM PEÚGAS FIORIMA A Fiorima é das poucas empresas portuguesas que se podem gabar de ter produtos seus em órbita, uma vez que os astronautas da NASA usam peúgas concebidas, desenvolvidas e produzidas em Braga, pela empresa da família Rodrigues. O caderno de encargos apresentado pela agência espacial norte-americana era longo e particularmente exigente nos requisitos. Além de propriedades anti-estáticas e anti-inflamatórias, as meias tinham de ser resistentes à temperatura, não permitirem o desenvolvimento de qualquer tipo de fungos e possuírem zonas ventiladas. Para proteger os pés dos astronautas do ponto de vista mecânico, a Fiorima teve ainda de estudar aprofundadamente a tipologia da bota, em particular as suas zonas de compressão, por forma a criar almofadas de proteção nos pontos de atrito. Fundada em 1985 por Manuel Machado Rodrigues, a Fiorima dedica-se à conceção, desenvolvimento, produção e comercialização de meias de malhas, fabricando quatro milhões de pares de peúgas/ ano na sua fábrica em Frossos, Braga. Empregando 84 pessoas, oferece uma gama de cinco mil diferentes produtos e tem um volume de negócios de sete milhões de euros, feito a 99,5% nos mercados externos, fundamentalmente Europa, Canadá e Estados Unidos. Com as certificações SA 8000, ISOP 9001, ISO 14001 e OHSA 18001, a Fiorima aposta seriamente na inovação, tendo já duas patentes registadas - as inteligent socks e as gaiter socks. As inteligent socks integram sensores que recolhem e comunicam, em tempo real, informações

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é o crescimento das vendas com que a Carjor espera fechar o ano. Em 2016 faturou três milhões de euros

NO NATAL O QUE O PESSOAL QUER É UMA ROUPINHA NOVA Vestuário, perfumes e livros são, por esta ordem, os presentes mais desejados pelos portugueses no próximo Natal, de acordo com o Observador Cetelem. O estudo refere que 34% dos portugueses querem receber roupa no Natal, o que representa um crescimento de nove pontos percentuais face a 2016. Ainda o mesmo estudo mostra que o vestuário é mais desejado no Porto, com 31% de respostas, mais três pontos percentuais que o registado em Lisboa. Já na capital, 22% dos lisboetas preferem perfumes como prenda.

"Quando se trabalha para o segmento médio/alto, é importante acompanhar de perto todo o processo produtivo" Conceição Dias CEO do grupo Sonix/DiasTêxtil

SOFIA E BÁRBARA CONTAM O QUE É QUE A LOLA QUER Para proteger os pés dos astronautas, a Fiorima estudou a tipologia da bota

como o peso, temperatura do corpo, frequência cardíaca, localização geográfica, calorias que queimou, velocidade média, distância percorrida, etc. As gaiter socks são umas meias polaina que evitam a entrada de lama, água, areia, folhas ou outros pequenos objetos para o interior das sapatilhas. “A inovação só existe quando se amplia a fronteira do conhecimento - e essa é a nossa constante preocupação”, explica Paulo Rodrigues, 54 anos, um engenheiro têxtil que sabe do que fala quando

se refere à ampliação da fronteira do conhecimento, pois tem uma pós graduação em Gestão de Unidade de Saúde, um doutoramento em Engenharia para a Saúde - e está a fazer o curso de Biomédicas na Universidade do Minho. “Não entramos no mercado low cost. Isso não é para a Fiorima. Com as certificações que temos e os produtos diferenciados e técnicos que desenvolvemos, conseguimos selecionar os nossos clientes”, conclui Paulo, que há dez anos é o diretor industrial da Fiorima, após 18 anos na Orfama. t

QUEBRAMAR VIRA BRASILEIRA A assembleia de credores da Quebramar aprovou a proposta de recuperação da empresa apresentada por dois investidores brasileiros - Cláudio Hebar Laranjeira e Mauricio Espíndola Dias - que se comprometeram a manter 150 postos de trabalho e a pagar créditos no valor de 23,3 milhões de euros, no essencial (22,7 milhões) detidos pelo Novo Banco. A marca de vestuário do grupo Lanidor tem mais de 30 milhões de euros de dívidas acumuladas e está em insolvência, depois do Processo Especial de Revitalização a que se submeteu, em abril de 2016, ter fracassado. Com cerca de 30 lojas e três milhões de euros de prejuízos acumulados só nos últimos dois anos, a Quebramar foi criada em 1989 por Gonçalo Esteves que se associou, dez anos depois, ao grupo Regojo.

Em 2003, contava com 22 lojas em Portugal e duas em Espanha, faturava 20 milhões de euros e planeava abrir 70 lojas no país vizinho no espaço de quatro anos. Em 2016, faturou 14,7 milhões de euros, tanto como em 2002. De acordo com o plano apresentado no Tribunal de Santo Tirso pelos novos donos brasileiros, a Quebramar “que se desenvolvera num período de prosperidade económica e cuja expansão acelerada ocorrera num panorama de margens elevadas, não estava preparada para um cenário de crise económica, apresentando uma estrutura e custos demasiado pesados e desajustados”. A entrada, em 2011, no seu capital da PME Capital Growth e da Lanidor revelou-se insuficiente para inverter a situação que atirou a cadeia para a insolvência. t

Lola Wants é uma nova marca portuguesa de lingerie, sensual e confortável, criada por Bárbara Magalhães e Sofia Samsudin, ambas com 32 anos, duas amigas de infância que acabam de concretizar um sonho velho de dez anos. “A maioria das peças que desenhámos são modelos que queríamos e simplesmente não encontrávamos no mercado português. Ou eram bonitas mas não eram confortáveis, ou eram confortáveis mas sem este toque. Adaptámos o design às tendências, mas sempre pensado com sensualidade”, explica Sofia.

TRABALHO DA FIBRENAMICS ANALISADO EM LIVRO DA WOODHEAD O livro “Sustainable and nonconventional construction materials using inorganic bonded fiber composites”, da Woodhead Publishing, conta com um capítulo inteiramente dedicado ao trabalho desenvolvido por três especialistas da Fibrenamics (UMinho): Raul Fangueiro (coordenador), Shama Parveen (nanomateriais) e Sohel Rana (materiais compósitos). O livro faz uma revisão abrangente da investigação inovadora associada à construção de componentes baseados em compósitos inorgânicos ligados.


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“ADAPTAÇÃO À MUDANÇA É A CHAVE DO SUCESSO”

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n ENTREVISTA João Carvalho 60 anos, nasceu, cresceu e vive na Quinta dos Termos, Belmonte, e é fruto de uma distração dos pais - ela tinha 44 anos e ele 47 quando o tiveram. A mãe, Adelina, imaginava-o professor primário, o pai, Alexandre, preferia-o médico. Mas ele optou por Engenharia Têxtil (UBI). Casado com Lurdes, também engenheira têxtil (conheceramse durante o Propedêutico e ela desistiu de fazer Engenharia Química no Técnico para ficar junto ao namorado), têm dois filhos: Miguel, 34 anos, engenheiro eletrotécnico, trabalha na Fitecom, e Pedro, 27 anos, economista pós graduado em Wine Business, encarrega-se dos negócios agrícolas da família

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procura de engenheiros têxteis já excedeu claramente a oferta, garante João Carvalho, 60 anos, CEO da Fitecom, acrescentando que para contornar essa falta tem contratado engenheiros químicos e mecânicos, dando-lhes formação têxtil internamente. A crise bateu à porta dos lanifícios bem mais cedo do que no resto da têxtil...

Muito mais cedo. Os problemas nos lanifícios começaram a fazer-se sentir logo no pós 25 de abril de 1974 e agudizaram-se ainda mais a partir do início dos anos 80, quando as empresas perderem a competitividade face à concorrência internacional, designadamente dos italianos e espanhóis. Porque é que isso aconteceu?

As empresas deixaram de ser competitivas fundamentalmente devido à obsolescência dos seus parques de máquinas. O que podia ter sido evitado com investimento em equipamento...

É muito fácil estar a fazer agora o diagnóstico, a 40 anos de distância dos acontecimentos, não levando em conta a conjuntura da época. A seguir ao 25 de abril, os aumentos brutais nos custos da mão de obra e da energia, bem como os problemas laborais, convidavam os empresários a desistirem... Que foi opção da maioria dos empresários...

Não podemos julgá-los. Foram tempos muito complicados,

com greves, fábricas intervencionadas e a banca a praticar juros altíssimos, o que dificultava seriamente a capacidade de investimento. A generalidade dos empresários estava escaldada e descapitalizada.

"UE e OMC fecham os olhos ao dumping dos asiáticos"

O resultado final foi devastador...

Pois foi. Há cerca de 30 anos, havia mais de 50 empresas de lanifícios aqui à volta da Covilhã. Sobraram 4 ou 5... Mas não foi só aqui. A Espanha também tinha uma forte indústria laneira e o hoje ela não tem significado. Sente tristeza por essa hecatombe?

É muito subjetiva a análise destes fenómenos. Os investimentos na nossa indústria são sempre muito avultados e comportam uma enorme componente de risco. Num ambiente adverso, temos de compreender as pessoas que optam por não continuar, por não sentirem vontade nem força para reinventarem o negócio. Tudo nasce, cresce e morre. O que o levou, com 36 anos e dois filhos pequenos, a fazer um trajeto ao contrário e investir nos ativos de uma empresa falida?

Eu conhecia bem a José Esteves Fiadeiro, onde trabalhava há três anos. Sabia que era uma empresa com uma tecnologia razoável e tinha ideias muito claras sobre o que devia fazer.

Ainda adolescente, debutou no setor primário trabalhando a parcela de terra que o pai lhe atribuiu na quinta da família. Andava a meio do curso, quando começou a dar aulas de Desenho e Geometria Descritiva, numa digressão pelo terciário, onde se demorou 20 anos, a maioria dos quais como professor de Tecnologia de tecidos e Desenho Têxtil na UBI. A estreia no setor secundário deu-se logo mal acabou o curso. Primeiro como diretor técnico da Sociedade de Fabricantes do Tortosendo. Depois na José Esteves Fiadeiro, onde estava há três anos quando a empresa entrou em insolvência - e acabou por comprar conjuntamente com mais dois sócios os seus ativos, com um empréstimo de mais de uma centena de milhares de contos contraído no Banco Borges & Irmão. Nascia a Fitecom (razão social obtido a partir de fios, tecidos e comercialização), um dos esteios da sua vida empresarial. O outro é a agricultura. João acabou por retornar às origens, tornando-se o maior produtor de vinho de Denominação de Origem Controlada da Beira Interior na sequência de investimentos que multiplicaram por três a área da Quinta dos Termos.

Qual era a sua estratégia?

A partir de uma fábrica pequena criar uma empresa de elevado potencial, capaz de produzir tecidos que competissem no mercado internacional, não pelo preço mas pela qualidade e design. E apostar decididamente na exportação - a José Esteves Fiandeiro trabalhava só para o mercado interno.

Uma estratégia que foi evoluindo...

A ideia inicial era a Fitecom ter uma pequena tecelagem, para fabricar amostras e pequenas séries, e comprar fora o restante serviço. Mas com o tempo fomos investindo, a montante na fiação e a jusan-

te na tinturaria e acabamentos, e acabamos por nos tornar verticais.

ticos. O certo é que na última meia dúzia de anos o preço da lã duplicou.

A adesão da China à OMC, no início do século, foi um novo murro no estômago dos lanifícios?

O da nacional também?

É óbvio que não trabalhamos com as mesmas ferramentas dos asiáticos, que além de terem custos menores de mão de obra e energia, ainda por cima fazem dumping. Como é resistirem a essa concorrência?

Eles invadiram a Europa com tecidos clássicos a preços baixos. Nós combatemo-los com inovação, design e diferenciação. A receita ainda funciona?

Atualmente os chineses fazem todo o tipo de tecidos. A nossa vantagem competitiva assenta não só em tentarmos estar sempre à frente na componente moda e de produtos técnicos inovadores, mas também na proximidade e flexibilidade que nos permite entregar rapidamente séries pequenas. O embate com a concorrência asiática foi o pior momento que viveu nestes 25 anos de vida como empresário?

O pior foi o período de constante subida dos preços das lãs. Ao contrário do que acontece com alguns concorrentes, na Fitecom pensamos sempre nos valores de reposição do stock e por isso fazemos logo refletir esse aumento no preço final, em vez de sacrificar a nossa margem. Prefiro vender menos mas a preços atualizados. Qual é a sua explicação para inflação no preço da matéria prima?

Ainda não percebi se ela se deve a uma escassez ou a uma intervenção massiva dos asiá-

A lã nacional, do Alentejo ou Beira Baixa e que vale cerca de 30% da matéria prima com que trabalhamos, acompanhou essa subida. O seu preço também duplicou. É por falta de oferta que não compra mais lã em Portugal?

Nunca sentimos dificuldade na aquisição. O problema é o preço. Então porque é que não se abastece mais cá? Falta de qualidade?

Não é pela qualidade. Tem a ver com o tipo. As lãs nacionais são boas para fabricar cardados. Mas produzir lãs finas, para os tecidos de verão, temos de as importar. Foi devido à proximidade da matéria prima, que a nossa indústria de lanifícios nasceu aqui...

O que levou o Marquês de Pombal a localizar aqui a Real Fábrica de Panos - que ficava onde está agora a UBI - foi não só essa proximidade da lã mas também a dureza do PH das águas da Serra da Estrela, que são as mais adequadas para a lavagem das lãs. Dois séculos e meio depois, estar na serra ainda é uma vantagem competitiva?

Há nesta região uma cultura e know how de lanifícios que são importantes. A existência de mão de obra especializada era outra vantagem que agora está a desaparecer. Um número elevado de pessoas têm vindo a reformar-se e há uma enorme dificuldade em substituí-las por gente jovem. Os custos da interioridade são reais?

Há cada vez menos gente a viver aqui. Uma boa parte dos


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Fitecom à conquista das Américas O grande investimento da Fitecom em 2018 será direcionado para a área comercial, com o objetivo de aumentar as exportações para os mercados extracomunitários, que neste momento pesam apenas cerca de 10% no volume de negócios de 11 milhões de euros da laneira da Covilhã. O continente americano - Estados Unidos e Canadá, obviamente, mas também o Chile e a Argentina, no hemisfério sul, até para combater a sazonalidade de um negócio que é sempre mais forte no inverno - é o alvo definido pela Fitecom que está pacientemente a tecer uma rede de agentes comerciais no Novo Mundo. O objetivo deste investimento está quantificado. João Carvalho espera chegar a 2020 com as exportações de tecidos para mercados fora da Europa a valerem entre 25% a 30% de um volume de negócios de 15 milhões de euros.

nossos jovens que vão estudar para o Porto e Lisboa acabam por não regressar. Além disso, como recebemos por mar a maior parte da matérias primas, temos de arcar com custos de transportes superiores aos que teríamos se estivéssemos no litoral, para além de todos os outros custos de contexto. Mas estão mais perto da Europa. Não poupam nos custos da exportação?

O preço é igual, quer carregue o camião em Lisboa, no Porto ou na Covilhã. Queixou-se da falta de mão de obra especializada. Também sente a escassez de engenheiros têxteis?

A procura de engenheiros têxteis já excedeu claramente a oferta. Para contornar essa falta tenho contratado engenheiros químicos e mecânicos, e a seguir dou-lhes formação têxtil internamente - mas não é a mesma coisa que trazerem da universidade essa formação de base. A UBI deveria voltar a ter o curso de Engenharia Têxtil?

Mas não com os antigos currículos. O que defendo, e já sugeri, é uma reformulação, integrando a Engenharia Têxtil com o Design Têxtil e Design de Moda. Essa proposta tem pernas para andar?

Tem. Mas não sei se vai andar :-). Já se falou muito nisso. Estou firmemente convencido que faria todo o sentido a UBI ter um curso de design com uma forte base tecnológica. Voltando à Fitecom. Está a virar o leme em que direção?

Vamos apostar cada vez mais nos tecidos para mulher. Neste momento 70% da nossa coleção é de Homem e apenas 30% Senhora. Estamos a partir para uma inversão destas percentagens e para passar a dar mais atenção à moda no feminino.

"A UBI devia voltar a ter o curso de Engenharia Têxtil"

Os custos da mão de obra não o afligem?

Na nossa estrutura de custos, a energia tem um peso idêntico aos dos salários. E não podemos pagar salários mais baixos, sob pena dos nossos trabalhadores deixarem ter as condições mínimas para levarem uma vida digna e razoável. Não é a subida do salário mínimo que me preocupa...

As diferenças são grandes?

O que o preocupa mais?

Os tecidos femininos têm de ter mais moda, mais cor e mais design. A mulher está mais interessada no look. O homem tem uma apetência maior por tecidos clássicos mas com novas funcionalidades, o que implica uma preocupação permanente ao nível tecnológico.

O facto da OMC e a União Europeia persistirem em assistir impávidas e serenas, fechando os olhos face à prática de dumping pelos grandes produtores asiáticos, como a China e a Índia.

O esforço em I&D é apenas interno ou apoia-se na universidade?

A adaptação à mudança. Em vez de perdermos tempo a queixar-nos da crise temos de canalizar toda a nossa energia para o esforço de permanente adaptação às novas realidades.

Temos equipas nossas a trabalhar com a UBI e outras entidades do sistema científico e tecnológico nacional. Com muito bons resultados. Como por exemplo?

São tantos... Os tecidos de lã laváveis à máquina – nós, homens, estamos sempre a sujar as calças :-). Os tecidos anti-odor, com tratamento anti-microbiano e mercerizados, com um toque idêntico ao da seda. E mais recentemente o tecido que é 100% impermeável por estar recoberto com uma membrana e com tratamentos hidrofóbico e oleofóbico. Qual é o custo de contexto que mais afeta a vossa competitividade?

O preço da energia, bastante mais elevado que o dos italianos, que são os nossos concorrentes mais diretos, e mesmo assim estão a deslocalizar produção para Leste, onde esses custos ainda são mais baixos. É uma questão grave que cabe aos nossos governantes resolver.

O que é fator crítico para o sucesso na têxtil?

Como é que se desenha uma estratégia vencedora?

Se soubermos analisar o passado e tivermos um bom conhecimento do presente arriscamo-nos a ser bem sucedidos e a extrapolar o que vai acontecer no futuro. É boa a imagem que os compradores estrangeiros têm da nossa indústria têxtil?

Muito boa. Ao nível da qualidade do produto, vêem-nos ao mesmo nível que os italianos. Mas no que toca ao design acham que estamos um bocado abaixo... ...têm razão?

Não. É apenas um problema de perceção. Na realidade, acho que também no design estamos no mesmo patamar que os italianos. Temos de melhorar a nossa comunicação para mostrar na sua plenitude tudo que somos capazes de fazer. t

As perguntas de

Baltasar Lopes Administrador da Albano Morgado A Fitecom é uma empresa jovem, com um surpreendente crescimento e notoriedade internacional reconhecida. Como foi possível?

Desde o início que a nossa filosofia teve sempre como principal vetor a inovação e a diferenciação. Com um cuidadoso estudo de mercado, tentamos sempre produzir o produto certo com todos os fatores intrínsecos cuidadosamente estudados por forma a satisfazer os mercados selecionados. Todo o dinamismo e capacidade de adaptação às novas solicitações de mercado, têm vindo a fazer com que a personalidade da Fitecom seja cada vez mais vincada. Qual a perspetiva de futuro? Até onde vai a Fitecom?

A capacidade de adaptação às novas realidades referentes aos hábitos de consumo é uma preocupação constante. Para isso há todo um cuidado com a atualização tecnológica por forma a promover a inovação do produto conduzindo assim a um crescimento comercial progressivo. A lã será sempre a fibra rainha, promovendo assim a produção de tecidos cada vez mais sofisticados, com a nobreza própria do vestuário elegante de homem, senhora e criança. t

José Robalo Presidente da ANIL A situação na Catalunha pode afetar o negócio da Fitecom e da ITV, em geral?

No nosso caso concreto, estou convencido de que não nos vai afetar. Não estou a ver os espanhóis a baixarem o consumo por causa deste diferendo. É uma questão que não me tira o sono. A tensão na Ásia provocada pela Coreia do Norte pode ter repercussões negativas no negócio têxtil?

A Coreia do Norte é um problema real que pode criar uma enorme instabilidade nos mercados, mas creio que terá mais repercussões negativas em setores como a eletrónica do que na têxtil. No nosso caso, o efeito até pode ser positivo, ao levar ao não consumo de produtos asiáticos. Até que ponto os preços da lã estão a prejudicar a atividade da Fitecom?

É uma situação constrangedora e não linear, pois tanto sobem como descem. Não é fácil perceber qual é o momento certo para comprar ou fixar o preço. E para desestabilizar ainda mais, há quem sacrifique as suas margens e faça concorrência desleal ao não refletir os aumentos da matéria prima no preço final. t


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A. SAMPAIO E TINTEX COM DOIS BEST PRODUCT ISPO SAPATOS CR7 AFUNDAM PORTUGAL FOOTWEAR Com dívidas de 6,8 milhões de euros, a Portugal Footwear balança à beira do abismo e apresentou um PER. O momento difícil é devido - de acordo com o Jornal de Negócios - ao flop das vendas dos sapatos de marca CR7. Há três anos, a Portugal Footwear fez um contrato que lhe concedia o direito à conceção, produção e comercialização de calçado com a marca CR7 Footwear. Paulo Gonçalves, dono da empresa, reconhece que o contrato com Cristiano Ronaldo e o momento crítico da Portugal Footwear “estão ligados”.

"O que mais me preocupa é a falta de mão de obra para trabalhar na indústria" Ana Teresa Lehmann secretária de Estado da Indústria

FROM PORTUGAL ESTREIA-SE NA MARE DI MODA CANNES Foi em pleno outono com sabor a verão prolongado que a Bianchi y Sarmento, a East Ocean, a Lemar e a Luipex viajaram até Cannes, naquela que foi a primeira iniciativa do projeto From Portugal na feira Mare di Moda. Na mala, levaram as suas coleções para a próxima época quente, onde se incluíam fatos de banho, biquInis e roupa de praia, assim como os tecidos de onde vão nascer as peças que desfilarão nas praias de todo o mundo.

A PRIMEIRA VEZ NA INTERIOR LIFESTLYLE LIVING A Burel Mountain Originals, a Carapau Portuguese Products, a Ditto e a Sugo Cork Rugs compuseram o primeiro conjunto de empresas portuguesas que expuseram na Interior Lifestyle Living com o apoio do projeto From Portugal. O certame é conhecido como um dos melhores ao nível de produtos para casa e hotelaria e de design de interiores no Japão.

20%

é o crescimento anual das vendas da loja online da Ana Sousa

A A.Sampaio & Filhos teve nove produtos distinguidos – dos quais dois Best Product e dois Top 10 – no concurso Textrends da ISPO. Já a Island Cosmos, de Fernanda Valente, viu dez amostras selecionadas pelo júri (na foto), entre as quais uma com a chancela Top 10. A Tintex – outra têxtil portuguesa que é um clássico na lista de premiados da maior feira de desporto do mundo – honra os seus pergaminhos com oito amostras selecionadas, das quais um Best Product e dois Top 10. Sete empresas portuguesas (Island Cosmos, A.Sampaio & Filhos, Tintex, LMA, Inovafil, Heliotextil, NGS Malhas) arrecadam um total de 36 distinções e terão os seus produtos premiados em exposição no ISPO Trend Forum 2018 da próxima edição desta feira, que se realiza em Munique de 28 a 31 de janeiro. A LMA (com quatro produtos), Inovafil, NGS Malhas e Heliotextil

Braz Costa, diretor geral do CITEVE, é um dos membros do júri do ISPO Textrends

são as outras têxteis portuguesas distinguidas pelo júri que analisou 512 candidaturas para distinguir o que de mais inovador e técnico é feito no mundo ao nível de material e acessórios para desporto.

Portugal estará na ISPO 2018 com uma Sport Village, localizada no pavilhão C3, vizinha do Trend Fórum e uma embaixada com um número recorde de 41 empresas, promovida pela Selectiva Moda e o CITEVE. t

INVASÃO ASIÁTICA NA MEDICA A Associação Selectiva Moda voltou a levar uma comitiva de empresas portuguesas àquela que é considerada a mais importante feira dedicada à saúde e cuidados médicos da Europa – que, este ano, foi maioritariamente invadida por visitantes oriundos da Ásia. A seguir aos alemães, os chineses, indianos, colombianos – os únicos que destoam do enquadramento asiático – e os nepaleses foram os que estiveram em maior número na feira. A Barcelcom, a Magic Pharma e a Nunex tiveram os seus próprios espaços, enquanto a Custoitex, a Fitor, a Lasa/MAF, a Lipaco e a Têxteis António Falcão se asso-

ciaram ao espaço global do stand com o showcase de produtos da área da saúde assegurado pelo CITEVE. Também o Centi e o INL – Internacional Iberian Nanotechnology Laboratory foram até Düsseldorf, fazendo parte da Compamed, certame que completa a Medica. Cristina Castro, relações públicas do CITEVE, faz um balanço positivo da participação. “A feira correu bem e tivemos bastantes contactos. Esta é, de facto, uma feira importante para o setor”, refere. Apesar deste ser o único salão que em que o CITEVE participa neste segmento de mercado, a ideia é expandir para feiras fora da Europa, acrescenta. t

COMPRADORES VOLTAM ÀS LOJAS DE RUA É ainda um pequeno passo, mas os dados do comércio do 1o semestre indicam que as lojas de vestuário voltam a atrair os consumidores portugueses. Comparados com o ano passado, os números divulgados pela APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, indicam que as lojas de rua aumentaram em 1,7% a quota de mercado, ao mesmo tempo que tanto as grandes cadeias de retalho (-0,6%) com os supermercados (-1,1%) perdiam terreno. Os números são ainda mais interessantes quando analisados na perspetiva do volume de vendas,

que cresceu 9,1% para as lojas tradicionais, face aos 1,1% das grandes cadeias como Zara, H&M ou Mango, e o recuo de 6,8% nas vendas de têxteis nos supermercados. Entre janeiro e junho, o comércio de vestuário de rua registou vendas de 242 milhões de euros, face aos 572 milhões das gigantes do têxtil e os 100 milhões das cadeias de distribuição alimentar. Para a APED, estes dados demonstram que o mercado está a assistir a uma alteração do comportamento dos consumidores, com o regresso às lojas de roupa de rua e o crescimento das vendas, o que, no

entanto, não dissocia do aumento do turismo que o país está a registar. Apesar da inversão da tendência, as grandes cadeias continuam, no entanto, a dominar, com uma quota de 62,6%, enquanto as chamadas lojas de rua avançaram nesta primeira metade do ano para os 26,5% do mercado da venda de vestuário. Os restantes 10,9% pertencem às cadeias de distribuição alimentar, como o Continente, Pingo Doce e Lidl, que também perderam quota quando comparados com o mesmo período do ano passado. t


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38 milhões de euros foi o prejuízo registado pela Farfetch no exercício de 2016

FIBRAS SINTÉTICAS REBOCAM CRESCIMENTO DA PROCURA A procura de produtos têxteis (vestuário e têxteis lar) deverá crescer a uma média de 2,8% por ano até 2025, de acordo com o estudo Forecasts of regional and global end use demand for textile fibres. Este crescimento será essencialmente derivado ao aumento da procura de artigos têxteis feitos com fibras sintéticas, acrescenta este estudo publicado na edição 188 do Textile Outlook International. De acordo com estas previsões, a quota de mercado dos produtos fabricados sem recurso ao algodão vai aumentar de 73% (2015) para 79% (2025). Stefan Seibel é o único alemão entre os 350 trabalhadores da Fisipe que faz um volume de negócios de 100 milhões de euros

HABITÁCULO DO BMW I3 NASCE NA FISIPE Os alemães da SGL estão a concentrar na Fisipe serviços de faturação, tecnologia e contabilidade que estavam dispersos por outras unidades europeias do grupo – segundo Stefan Seibel, managing diretor da fábrica do Lavradio, onde é produzido o percursor de fibra de carbono que é usado no habitáculo do BMW i3 e no corpo dos mais avançados aviões do mundo. “Não vejo grandes diferenças entre um trabalhador alemão e um português. A vossa mão de obra é muito empenhada e trabalhadora. O que precisa é de uma boa liderança”, garante Stefan, um engenheiro de 56 que dirige a Fisipe desde que ela foi adquirida há cinco anos pelo SGL Group, um dos três maiores produtores mundiais de fibras de carbono. Criada em 1973, em resultado de uma joint venture entre os grupo CUF e os japoneses da Mitsubishi, a Fisipe apanhou com o vendaval do 25 de abril de 1974

quando se preparava para dar os primeiros passos, pelo que só três anos volvidos, em 1976, iniciou a sua produção de fibras acrílicas. Em 2005, atravessava grandes dificuldades, quando foi alvo de um MBO protagonizado por três quadros, que, para darem a volta à situação, puseram as fichas todas no fabrico de produtos inovadores e fibras acrílicas especiais. Quando entrou no radar da SGL, a Fisipe estava numa adiantada fase de desenvolvimento do percursor de fibra de carbono, que já fabricava numa instalação piloto. No início desta década, a SGL procurava ativamente uma fábrica que produzisse o percursor de fibra de carbono, o missing link que lhe faltava para ser completamente vertical. Stefan Seibel integrou a task force que estudou as diferentes possibilidades e conclui que a Fisipe era o right place, pois preenchia todas as condições requeridas para fill the gap sentido pelo grupo alemão.

Adquirida a fábrica portuguesa, Stefan Seibel foi enviado pela SGL para o Lavradio, com a missão de dirigir a nova unidade do grupo, onde só se deparou com boas surpresas. “Logo desde o início tudo correu melhor do que esperávamos. Julgávamos que teríamos de deslocar engenheiros da Alemanha, o que acabou por se revelar desnecessário dada a elevada qualidade dos engenheiros e técnicos da empresa”, conta o managing director da Fisipe. Stefan Seibel é o único alemão entre os cerca de 350 trabalhadores desta empresa que faz um volume de negócios de 100 milhões de euros (99% feitos na exportação), fabricando não só o percursor de fibra de carbono – que por ser leve e resistente é usada na construção do BMW i3 -, mas também de fibras acrílicas especiais, que fornece indústrias tão variadas como as de vestuário, automóvel, construção civil, saúde, aeroespacial, etc. etc. t

ELOGIO FRANCÊS PARA A ITV O Journal du Textile não poupa nos adjetivos quando se trata de elogiar a nossa ITV numa reportagem dedicada à ultima edição do Modtissimo, intitulada “Le Portugal a réussi sa réindustrialisation” (Portugal foi bem sucedido na sua reindustrialização), em que o diretor geral da ATP é profusamente citado e é feita referência concreta a alguns casos de sucesso - Lipaco, Riopele, MoreTextile, Lasa, Cotex, Dr Kid, Sonicarla, Orfama e Dielmar, entre outros. “O Modtissimo mostrou o vigor económico reencontrado pela industria têxtil portuguesa, graças a um novo modelo económico baseado na inovação”, escreve o jornal francês.

“Somos cada vez mais vezes solicitados a explicar as razões do sucesso na reconversão da nossa indústria têxtil, que se tornou um caso de estudo a nível in-ternacional”, afirma Paulo Vaz, acrescentando que nos últimos quatro anos as empresas portuguesas investiram mil milhões de euros na formação bruta de capital fixo. “O Made in Portugal rima agora com qualidade, resposta rápida e facilidade”, escreve o Journal du Textile, explicando este último atributo (a facilidade) pelo facto de 85% da indústria estar geograficamente localizada num raio de 60 quilómetros a partir do Porto. t

GALERIAS LAFAYETTE COMPRAM LA REDOUTE

LAMINADOS FOOT BY FOOT SÃO UM FATO POR MEDIDA

Para entrar em força no negócio digital, as Galerias Lafayette vão incorporar o negócio da La Redoute, associando assim dois dos maiores protagonistas do comércio da moda em França, com negócios que representam já mais de 3,5 mil milhões de euros. O primeiro passo é a compra de 51% do capital da La Redoute, a que se seguirá uma fusão.

“Estarmos disponíveis para trabalhar os laminados como um fato à medida do cliente é o nosso fator de diferenciação. O cliente chega com uma ideia de desenvolvimento, nós concretizamo-la”, afirma António Pereira, sócio gerente da Foot by Foot, que para aumentar a capacidade produtiva acaba de investir dois milhões de euros e ainda vai aplicar mais 300 mil euros num novo equipamento.

"Desde os anos 90 que o Modatex tem vindo a ser uma referência na formação em design de moda e os seus formandos têm somado prémios e participações em eventos internacionais" Sónia Pinto diretora geral do Modatex

PAPUA TIRA O PÉ DA AREIA EM 2018 A Papua - marca de swimwear fundada por Marta Santos e Nuno Leitão planeia tirar o pé da areia, no próximo ano, lançando uma coleção para homem e mulher já no próximo ano. “A coleção fora da moda de praia vai ter a mesma estética da marca”, garante Nuno, acrescentando que a loja própria da Papua, no Príncipe Real, pretende ser uma espécie de concept store, “onde para além de ter a nossa marca, outras marcas possam estar a vender os seus produtos”.


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NÃO NOS PODEMOS ACOMODAR, ALERTA PAULO VAZ Atravessamos uma conjuntura benéfica, com o setor em crescimento, mas nunca nos podemos acomodar, alerta Paulo Vaz em entrevista publicada no Vida Económica. O diretor geral da ATP refere que na primeira década do século as empresas enfrentaram um conjunto de dificuldades dramáticas mas decidiram não desistir: “Houve muitas que conseguiram transformar-se, reestruturar-se, reinventar-se e continuar. Isso tem a ver com a vontade de quem está dentro das empresas, uma atitude positiva de acreditar nas suas próprias capacidades e nas do país”.

“As pessoas encaram o emprego como segurança e o Estado permite. E quem é que vai ser prejudicado nisto? São os bons. Os bons podiam ganhar muito mais dinheiro. Só que as empresas têm de suportar os bons e os maus. E os maus vivem às custas dos bons”

DIELMAR FAZ FATOS À MEDIDA PARA EXECUTIVAS

Vestir um fato por medida deixou de ser um privilégio só dos homens. Agora também as mulheres de negócios podem vestir à sua medida com o novo serviço que a Dielmar lançou no Amoreiras Shopping Center, em Lisboa – Alfaiataria para Mulheres Executivas. Kim Sawyer, ex-embaixatriz dos Estados Unidos em Portugal, foi a embaixadora deste projeto e fez a apresentação do mesmo. “Vestir um fato por medida não é um privilégio só ao alcance dos homens, também as mulheres de negócios podem vestir à sua medida, mostrando o seu prestígio, a sua força e a sua determinação”. t

VALÉRIUS DÁ SEIS PASSOS PARA ENTRAR NA ECONOMIA CIRCULAR Aos 10 anos a Valérius já pensa verde e quando chegar aos 20 quer funcionar em pleno segundo as regras da economia circular. Ou seja, que todo o processo de fabrico se desenvolva segundo as regras da sustentabilidade ambiental e que todas as roupas que saem da fábrica de Barcelos a ela voltem para serem recicladas e dar origem a novos produtos. Ou seja, nada se perde e tudo se transforma. Para isso, avança com o projeto 360 Economia Circular e reuniu

em Barcelos, no Teatro Gil Vicente, especialistas na matéria. Um workshop para assinalar os 10 anos da empresa, onde juntou clientes, fornecedores e parceiros da área do conhecimento e investigação, sobre a estratégia para o futuro da empresa. A par da ambição em ser a primeira empresa europeia do setor a pôr em prática os princípios da economia circular, a Valérius aponta também para que em dez anos 45% da faturação da empresa corresponda a produtos reciclados. “Mais

do que falar do passado, queremos pensar o futuro”. Foi desta forma lapidar que o comendador José Vilas Boas Ferreira (CEO da Valérius) apontou para a estratégia da economia circular e sustentabilidade. O plano da Valérius é feito em seis passos. Tudo começa com o processo de agrupar os desperdícios que depois são transformados em matéria prima e passam pelo processo de fiação e dá origem a um novo fio para produzir uma nova peça de vestuário. t

A PIUPIA É ECO-FRIENDLY Piupia, marca de roupa infantil da Lopes & Carvalho, ganhou o primeiro prémio da Junior Magazine, uma revista inglesa dedicada à moda infantil. O galardão foi atribuído por a marca ser campeã do vestuário eco-friendly e assentar a sua produção na sustentabilidade e na utilização de materiais orgânicos. Fundada em 1995 pelo casal Teresa Lopes Carvalho (62 anos) e Vitorino Carvalho (63 anos), a empresa começou por ser uma trading. “Fazíamos a ponte entre clientes e fabricantes”, explica Marta Carvalho (39 anos), filha dos fundadores e atualmente Business e Development Manager da Lopes &Carvalho.

Dezasseis anos depois, em 2011, dão o grande salto, montando uma unidade fabril em Castelões, Famalicão, onde passou a produzir a maior parte das suas encomendas. E conta com 25 trabalhadores na parte industrial e 10 administrativos e comerciais. O bichinho da moda ergueu-se em 2013 quando decidiu lançar em Londres a marca de roupa infantil Piupia. Durante três anos, a empresa dos pais produzia esse vestuário. Em 2016, a própria Lopes & Carvalho, que trabalhava e trabalha sobretudo no regime de private label, decidiu assumir a exploração da marca Piupia. t

Alberto Figueiredo CEO da Impetus

EL CORTE INGLÉS VENDEU 452 MILHÕES EM PORTUGAL

MESSE FRANKFURT COMPRA BEIJING TRADERS

A rede portuguesa do El Corte Inglés fechou o seu último exercício com um volume de negócios de 452 milhões, um crescimento de 5,4% face ao ano anterior, e um resultado líquido de 18 milhões de euros. Entusiasmado por estes resultados, o grupo espanhol anunciou um plano de investimento de 20 milhões de euros na modernização dos seus armazéns de Lisboa e Gaia/Porto.

A Messe Frankfurt anunciou a aquisição de uma posição maioritária na Beijing Traders-Link Plus, entidade que organiza todos os anos, na primavera, em Pequim, a Automotive Maintenance & Repair Expo. A China é o maior mercado automóvel mundial, o que quer dizer alguma coisa sobre o enorme potencial de crescimento do segmento de reparação e manutenção em que a Messe Frankfurt se posicionou com esta aquisição.

KATE MIDDLETON PROIBIDA DE PINTAR AS UNHAS DE VERMELHO Kate Middleton não usa normalmente verniz nas unhas porque o dress code da família real inglesa é bem claro ao proibir o uso de cores brilhantes e ao determinar que apenas cores naturais são toleradas em eventos oficiais - revela a edição britânica da Marie Claire. A única vez que Kate apareceu em público com as unhas pintadas foi no dia do seu casamento. Nos últimos 30 anos, a rainha Isabel II tem sido fiel ao mesmo verniz — o tom rosa pastel Ballet Slippers da Essie.


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A FASHION FORWARD Por: Juliana Cavalcanti

Veludomania É impossível pensar nas tendências deste inverno e não vir logo à cabeça o veludo. Está literalmente em todo lado. Se me pedissem para apontar a maior força deste inverno acho que eu diria: v-e-l-u-d-o. Não sei se é porque adoro este material ou se fiquei influenciada por tanto o ver, mas o facto é que fico feliz por estar em todo lado. O veludo é um material usado desde há muitos séculos e pela sua complexidade foi durante a história uma referência de nobreza, ou seja, os nobres é que usavam veludo, quase um símbolo de ostentação. Sinto que esta ideia ficou de certa forma no nosso inconsciente, mesmo que hoje tenhamos veludos com preços bastante em conta, ainda assim é um tecido que remete alguma elegância e sofisticação. O brilho natural e o toque macio do veludo elevam a importância deste tecido e de tudo o que é produzido com ele. Todos os anos no inverno temos coleções de criadores variados que trazem referências em veludo. No entanto há temporadas onde ele é protagonista – como é o caso deste ano. Desde o uso em todas as peças de roupa – vestidos, casacos (sou apaixonada por um bom blazer em veludo), tops, saias, calções, calças... até aos acessórios – pumps, ténis, botas, sandálias, carteiras, clutchs... ao uso na decoração – objetos para casa, sofás, cadeiras, poltronas... Tudo se torna mais sofisticado com ele. Entretanto – e sempre há um entretanto – há só que ter cuidado com o exagero. Sim, pode e deve adotar a tendência, só com alguma atenção. O veludo em excesso pode criar o efeito contrário – se torna vulgar. E a escolha da cor conta muito. O veludo em tons claros brilham mais e criam algum volume ao corpo, por isso se optar por uma peça num tom suave, não exagere na forma de conjugar – misture com outras peças e acessórios mais discretos, assegurando a elegância do material. Como sempre, é só uma questão de bom senso! Com isto em mente, use e abuse! t

PEPE JEANS PERSONALIZA EM PORTUGAL O serviço de customização de peças da Pepe Jeans já está disponível em Portugal, nas lojas do Chiado, MarShopping e online , permitindo à clientela personalizar qualquer peça denim , aplicando tachas e botões, desgastando a ganga, fazendo rasgões, colorindo um estampado ou colocar uma frase ou um nome num casaco ou numas calças.

C&A APENAS COM ALGODÃO BIO EM 2020 A C&A fixou 2020 como o ano em que espera que os seus produtos utilizem apenas algodão sustentável. O algodão biológico precisa de até 91% mais de água do que o convencional para ser produzido - e reduz em cerca de 46% o potencial de aquecimento global. A produção de um quilo de algodão convencional exige cerca de 10 mil litros de água. Contudo, atualmente, menos de 1% do algodão produzido globalmente é biológico.

AMAZON VENDIA CHANEL FALSIFICADA

Um juiz da Califórnia condenou a Amazon pela comercialização de produtos falsificados da Chanel (carteiras, blusas e capas de telemóvel). A Amazon tem de entregar todo o dinheiro das contas desses vendedores sendo que cada um deles ainda vai ter de pagar 100 mil dólares à Chanel, que assim embolsa três milhões de USD.


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DE PORTA ABERTA Por: Carolina Guimarães

The Feeting Room Largo dos Lóios 86 Porto

Produtos Vestuário para homem e mulher, calçado, acessórios, esculturas, pinturas, revistas, estacionário Segmento Premium Espaços Porto e Lisboa Serviços adjacentes The Coffee Room (apenas no Porto) Loja online www.thefeetingroom.com

ALY JOHN FAZ PARCERIA COM DESIGNER PEDRO PEDRO O designer Pedro Pedro está a preparar para a Aly John uma nova coleção de jeans mais aberta às tendências da moda, de acordo com a edição de novembro da revista Exame, que dedica um trabalho de duas páginas à marca própria de denim lançada pela Lamosa & Gomes. A coleção Aly John by Pedro Pedro vai chegar ao mercado no início do próximo ano e será apresentada na Semana da Moda de Milão.

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pessoas vão trabalhar na Coindu Couture, quando estiver em velocidade cruzeiro a nova fábrica, em Arcos de Valdevez, que representa um investimento de 1,3 milhões de euros

FOCO NA EXPORTAÇÃO SALVA ITV DO VERÃO PROLONGADO

A reinvenção do retalho No início eram os sapatos. Depois o caminho do lifestyle começou a falar mais alto e apareceram as roupas, as revistas, as esculturas, as pinturas e o estacionário: tudo o que um cliente precisa para se vestir, de cima a baixo, e ainda levar na bagagem algumas experiências, cultura ou até o estômago quente forrado com um café. O papel do The Feeting Room é mesmo esse: ser tudo um pouco e reinventar o conceito de retalho. “A inovação não está só no produto mas também no modelo de negócio”, diz Guilherme Oliveira que, em conjunto com Edgar Ferreira, forma a dupla que fundou e gere o projeto. “Percebemos que havia uma lacuna nas marcas portuguesas: existem muitos produtores de qualidade que não chegam sequer ao mercado ou não estavam disseminados”, explica Guilherme que quis, com o seu sócio, “criar uma plataforma não só de venda mas também de promoção das marcas”. O The Feeting Room vê-se por isso como uma incubadora e curadora de projetos, com quem desenvolve eventos, ajuda na comunicação e, acima de tudo, proporciona a oportunidade de estar em dois sítios premium: no Largo dos Lóios, Porto, e no Chiado, em Lisboa. São muitas as marcas diferenciadoras que recheiam ambos os espaços, capazes de satisfazer os gostos de uma ampla plateia de clientes. A ideia baseia-se na co-criação de valor: “há um co-branding positivo entre todas, que se entreajudam a vender muito mais. Não se cani-

balizam – potenciam-se”, afirma Guilherme. Uma boa relação qualidade-preço, a intemporalidade e qualidade das peças e a história dos projetos são pontos essenciais para figurar nestes espaços: “no retalho tradicional, o sumo e a identidade da marca acabava por se perder no processo dos intermediários e aqui não”, afirma Edgar, explicando que os funcionários têm formação sobre as marcas de forma a manter vivo o seu ADN. Por isso é que “tu cá, tu lá” é, provavelmente, a forma certa de descrever a relação do The Feeting Room com os seus parceiros, deixando também para trás a relação de distância do comércio tradicional: “temos um contacto direto com eles, damos um feedback de rentabilidade, de coolness e de feeting”, revela Edgar Ferreira. Apesar do frenesim da moda, do movimento constante nas ruas e da procura incessante de novas marcas e novidades, no The Feeting Room as coisas querem-se slow : quer seja pelos momentos no The Coffee Room – um spin off da própria loja portuense, que tem no seu piso superior um espaço de café onde os clientes podem desfrutar do espaço, enquanto conversam ou lêem uma revista –, quer pela filosofia inerte às roupas que vendem (onde o slow fashion já tomou lugar) ou até pela organização do espaço, feita de forma espaçosa e ordenada, sem apertos ou o caos instalado. Tudo sem pressas, enquanto se respira e absorve moda, enquanto o mundo continua a correr lá fora. t

"Com o verão prolongado nem a necessidade de comprar uma ou outra peça nem a habitual emoção de adquirir algo de novo para vestir estão presentes. Portanto, as vendas estão a descer e não é expectável que recuperem totalmente. Perdeu-se um mês e meio de vendas", afirmou Paulo Vaz em declarações ao JN. “Não há qualquer sinal de abrandamento na indústria têxtil e de vestuário, pois já há muito que setor está focado nos mercados externos, onde não se verificaram situações climáticas idênticas às que estamos a atravessar em Portugal”, conclui.

"A têxtil é uma indústria difícil, pois estão sempre a aparecer novidades. É diferente todos os dias. O que acaba por ser bom, não há monotonia :-)! Dizem que é cansativa. Mas eu ando sempre feliz e contente. Na verdade o que é preciso é ter muita paixão pelo trabalho. Para mim é quase uma brincadeira, um jogo" Sofia Ferreira CEO da Longratex

VIZELA RECEBEU ESTUDANTES DE HAMBURGO Um grupo de estudantes de licenciatura e mestrado do curso de Design Têxtil da Universidade de Hamburgo esteve no Minho, onde visitaram diversas fábricas têxteis, entre as quais a Pereira e Rocha, de Vizela, concelho onde foram recebidos pelo presidente da Câmara, Victor Hugo Salgado.


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M EMERGENTE Sandra Barradas Criadora da Cherrypapaya Família Casada com Sérgio Marques do Santos (dono de uma leiloeira), têm duas filhas, Sofia, seis anos, e Simone, três anos Formação Licenciada em Engenharia Têxtil (UBI), fez um MBA em Marketing na Católica Casa Andar em Leça da Palmeira (“para uma alentejana de Portalegre, viver em frente ao mar é um luxo”) Carro Opel Moka Portátil Mac Telemóvel iPhone Hóbis Cozinhar, “tudo quanto tenha a ver com as miúdas” e viajar (on hold por falta de tempo) Férias ”Este ano estivemos em Lagos, instalados num sítio maravilhoso, chamado Casa Mãe” Regra de ouro “Detesto fazer qualquer coisa contra a minha vontade interior. Seguir o instinto é a minha regra”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Birras da filha Sofia fizeram-na empresária Simplificando a história, pode dizer-se que a Cherrypapaya nasceu e a Sandra Barradas, 46 anos, tornou-se empresária apenas porque Sofia (a sua filha mais velha) , quando tinha dois anos, passou por uma fase de birras - e só queria vestir roupas da Minnie ou da Hello Kitty. Simplificando a História, diz-se que a I Guerra Mundial deflagrou na sequência do assassinato do arquiduque Francisco Fernando em Sarajevo, pelo nacionalista Gravilo Princip. Sendo verdade que o homicídio do herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro e as birras matinais de Sofia foram, respetivamente, o gatilho do terrível morticínio de 19 milhões de pessoas e da criação de uma marca portuguesa de vestuário infantil, não é menos verdade que estes acontecimentos - um trágico, outro feliz, separados por um exato século - foram apenas a gota que transbordou um copo já cheio. Sandra é uma engenheira têxtil que à época das birras da filha (algures em 2013) estava desejosa de voltar a um setor onde durante 15 anos vivera uma experiência rica variada. As birras de Sofia (que no entretanto se tornou uma das mais fotogénicas modelos da marca que involuntariamente ajudou a criar) foram apenas o pretexto. “Percebi que a generalidade da roupa de criança não era nada divertida, e havia aqui uma oportunidade de negócio - a de criar uma marca de vestuário infantil à prova de birras matinais”, conta Sandra, que lançou a primeira coleção da Cherrypapaya (intitulada Sweet & Fresh) em janeiro de 2014, quando soube que estava grávida de Simone. Mas para compreendermos melhor a história da Cherrypapaya temos de viajar no tempo até ao ano de 1971, quando o país se deixava iludir pela primavera marcelista e Sandra nasceu em Portalegre, filha de um casal de funcionários públicos. A vocação pelos trapos começou a revelar-se logo nos primeiros anos da adolescência - acompanhava o trabalho de Ana Salazar e dos Maneis e apaixonou-se pelas coisas da Comme des Garçons - e foi confirmada quando no final do 9o ano, feito na ES Mouzinho da Silveira, os testes psicotécnicos apontavam para que ela seguisse Engenharia Têxtil. O percurso estava traçado e ela percorreu-o com apenas um desvio. Aproveitando o atraso no início do ano letivo 89/90, provocado pela introdução da PGA, experimentou um trimestre a estudar Design, no IADE, disciplina que a encantou mas não ao ponto de a desviar da rota. “Primeiro, tinha de aprender a fazer as coisas”, que se licenciou em Engenharia Têxtil na UBI, e adorou não só o curso mas também os anos vividos an Covilhã. Braga foi a nova escala do périplo. A especialização em Confeção do curso garantiu-lhe um estágio na Camilo Pinto, que trabalhava muito para a Levi’s. No final, foi surpreendida por um convite para ficar como diretora de produção. Aceitou e demorou-se quatro anos nesta empresa, que equivaleram a um doutoramento na indústria têxtil. Seguiu-se o pós-doc, já no Porto, na Organtex, a maior agência têxtil do país, onde foi parar respondendo a um anúncio no jornal. Foram dez anos fantásticos. Os primeiros oito a trabalhar com a Adidas e a Nike (“Aprendi muito a trabalhar com a exigência e o rigor da Nike”, recorda Sandra). Os dois seguintes com clientes italianos, como a Armani Exchange. Mas o sonho Organtex transformou-se num pesadelo quando os donos resolveram fechar a agência e lançar cerca de 200 pessoas para o desemprego. “Foi um grande choque”, reconhece Sandra, que passou a ajudar o marido na leiloeira que ele criara quando deixou o lugar de diretor financeiro de uma empresa do grupo Organtex. E estava Sandra assim, aparentemente posta em sossego, no duplo papel de mãe e ajudante do marido, quando as birras matinais da filha Sofia lhe deram o pretexto para voltar aos trapos, criando a Cherrypapaya. Apesar da criação de uma marca nunca ser um caminho fácil, as coisas começaram logo a correr bem. E Sandra, que acaba de abrir no Aviz (Porto) a primeira loja Cherrypapaya, continua com o entusiasmo em alta: “A nível de qualidade, não se encontra no mundo ninguém que faça melhor do que em Portugal”. t


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TMG AUTOMOTIVE COM NOVOS MATERIAIS Estão já numa fase muito próxima da industrialização os protótipos de novos materiais plastificados, em cuja produção são incluídas fibras naturais, desenvolvidos pela TMG Automotive para a utilização em superfícies visíveis do interior dos automóveis. As fibras naturais são uma forte tendência na indústria automóvel, refletindo a crescente preocupação com as questões ambientais. Os modelos elétricos da BMW já incorporam materiais reutilizáveis com fibras naturais não só na sua estrutura mas também nos painéis que forram o interior do habitáculo. Os novos materiais são o resultado da investigação desenvolvida pela TMG Automotive no âmbito do projeto FibreInSurface, iniciado em 2015 com o apoio do Compete 2020 e que tem como objetivo desenvolver produtos inovadores de elevado valor acrescentado para a indús-

Isabel Furtado, CEO da TMG Automotive

tria automóvel. "Com este projeto pretendeu-se incluir fibras naturais em materiais flexíveis para superfícies visíveis e táteis do interior automóvel, com o desafio de cumprir as exigentes especificações associadas a estas áreas de aplicação”, explica Isabel Araújo, a enge-

nheira química que é a responsável técnica por este projeto. A investigação da TMG Automotive está a desenvolver materiais compósitos de matriz termoplástica, reforçados com fibras naturais (para o revestimento de painéis), ou com resíduos de fibra de carbono, reciclados e reutilizados, destinados a componentes estruturais de painéis. “Há ainda algum trabalho a fazer até à completa industrialização, nomeadamente através de tecnologia de processo. A TMG continuará a trabalhar nestes materiais até que se chegue a uma solução viável com o objetivo final de os incorporar em automóveis, nomeadamente em carros elétricos, onde o conceito de sustentabilidade está mais presente”, acrescenta Isabel Araújo. Cofinanciado pelo Compete 2020 com um investimento elegível de 460 mil euros, o projeto FibreInSurface é desenvolvido em parceria com a Fibrenamics. t

CRIALME E PEDROSA & RODRIGUES COMPRAM SOLUÇÕES DA MIND A Mind vendeu quatro das dade do processo de corte, suas soluções para têxteis adaptando-se à elevada (Crialme, Pedrosa & Rodrirotatividade de modelos e gues, CRS e Carcemal) na a pequenas quantidades”. sequência da participação na A Mind tem a sua oriMaquitex, onde as suas novigem como uma spinoff do dades de software e de corte INESC Lisboa. Na sequênautomático de duas cabeças cia da parceria com a Zund, para confeção foram apresenque passa também por a tadas pela primeira vez. Mind fornecer software Embora a Mind seja uma à própria multinacional empresa que desenvolve softsuiça para as máquinas de ware para várias áreas induscorte que esta vende em triais, designadamente têxtil, A Mind apresentou na Maquitex as máquinas de duas cabeças todo o mundo, focou-se automóvel, estofos, calçado e em soluções de software marroquinaria, em Portugal e na China dispõe de uma avançadas para máquinas de corte de duas cabeças para parceria com a empresa suiça Zund, que produz máquia confeção em Portugal. “Este ano estivemos centrados nas de corte de elevada performance, que lhes permite no têxtil, que está com uma dinâmica muito forte. Se vender soluções completas – software Mind mais máem 2016, o setor têxtil representou cerca de 20% do quinas de corte da Zund. nosso volume de faturação, este ano irá representar cerEm Portugal, essa parceria com a empresa suiça Zund ca de 50%”, diz. Os restantes setores, como automóvel, tinha levado já a Mind a fornecer software e máquinas calçado e estofos, são as outras áreas de atuação que rede corte automático de uma cabeça a várias empresas, presentam os restantes 50%. incluindo algumas de referência como a Crialme, Petra“Há fatores que distinguem esta solução de software tex, Soeiro Têxtil, Blur, Cordeiro & Campos e LBT. e máquina de corte com duas cabeças das restantes que Agora, a Mind deu um salto em frente passando a estão no mercado. Desde logo, são máquinas de elevada fornecer este "tandem" de software mais máquinas de qualidade, produtividade e baixos custos de manutencorte de duas cabeças. O sucesso desta solução é explicação. Depois, dispõe de soluções de software altamente do por Vítor Duarte, diretor da Unidade de Negócios da inovadoras, lendo materiais em xadrez ou riscas de teMind: “O habitual na confeção era produzir máquinas cidos e malhas, ajustando automaticamente as peças às de corte orientadas para grandes quantidades. Agora, deformações do material para além das soluções oriencom os novos modelos de negócio e consequentes detadas para a impressão digital. A tecnologia de corte, safios na área da confeção, essas máquinas deixaram também permite elevadas poupanças em consumíveis de ser interessantes em muitas situações. As soluções (não utiliza papel e plástico) comparativamente com a Mind/Zund permitem uma maior flexibilidade e qualiconcorrência.”, sublinha Vítor Duarte. t

100 milhões de euros é quanto a ITV portuguesa deverá exportar para a América Latina, até 2025, de acordo com o objetivo conservador fixado pela ATP

OLX FACILITA A VIDA AOS COMPRADORES O OLX fez alterações ao nível da organização dos produtos de moda e de bebé, de forma a facilitar a vida aos compradores. Ao nível dos artigos de moda, agora é possível procurar de acordo com o tamanho, o tipo de artigo (biquini, calças, roupa de cerimónia, macacões, etc.), a marca (estão 52 listadas, tanto estrangeiras – como a Adidas, a ASOS e a Michael Kors – como portugueses – como a Latitid, a Gant ou a Cantê) e o estado do artigo (“novo sem etiqueta”, “novo com etiqueta”, “usado uma vez” ou “em bom estado”).

AMAZON: LÍDER NA VENDA AOS MILLENNIALS

GOLFISTAS AMERICANAS SEM DECOTES

Até 2021, a Amazon vai ser responsável por metade do e.commerce americano e é já líder nas vendas de vestuário aos millennials, de acordo com os analistas norte americanos. Atualmente tem uma quota de mercado de 34%. “Acreditamos que o domínio estabelecido pela Amazon nos EUA é sustentável”, escreve Kerry Rice, da Needham.

Decotes e leggings vão ser banidos do circuito profissional feminino do golfe norte-americano. Vicky Goetze-Ackerman, presidente da Ladies Professional Golf Association, preconiza uma drástica atualização dos códigos de vestuário no circuito, em que as jogadoras terão de mostrar o mínimo possível de pele.

"Famalicão é o epicentro de uma fileira industrial completa, estruturada e flexível" Paulo Cunha presidente da Câmara Municipal de Famalicão

ZIPPY RENOVA ACORDO COM COLORADD

A Zippy acaba de renovar a parceria com o ColorADD, um inovador projeto português criado pelo designer Miguel Neiva, que permite aos daltónicos diferenciar corretamente as cores. Pioneira na introdução deste sistema nas suas coleções, a Zippy reforça a sua aposta neste código universal que favorece a acessibilidade e a inclusão social, valores que partilha com o ColorADD, para que todos possam ver e sentir as cores. Em 2013, a Zippy implementou este sistema após um trabalho conjunto com a ColorADD para inclusão dos símbolos nas etiquetas de todas as peças das suas coleções.


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OPINIÃO APOSTA NO VALOR E NA RENTABILIDADE Paulo Melo Presidente da ATP

UM BOM ANO COM RISCOS PELA FRENTE Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

O balanço de 2017 é positivo. A ITV cresceu, especialmente nas exportações, mantendo a rota ascendente, mas sustentada, iniciada em 2009, e oito anos volvidos alcança um novo record absoluto de vendas ao exterior, batendo o melhor resultado, que vinha de 2001, só que, agora, com metade das empresas e efetivos, o que revela ganhos impressionantes de produtividade. Na base desta trajetória positiva está a capacidade das empresas em resistirem às dificuldades, adaptarem-se às novas e adversas circunstâncias, reinventando-se, seguindo novos “drives” e apostando nos fatores críticos de competitividade, como a moda, o design, a inovação tecnológica e a intensidade de serviço, em que se destaca a logística avançada. Só assim foi possível criar a diferenciação e fugir à concorrência destrutiva do preço, enfatizando vantagens comparativas como a proximidade ao cliente, a flexibilidade e a rapidez de resposta. A nossa ITV detém o “lead time” mais curto do mundo, o que é nuclear para produtos de nicho, altamente valorizados no novo e dominante modelo fast fashion do negócio. Está cumprido um ciclo de crescimento e recuperação, enfrentamos agora um outro de consolidação e aposta no valor e na rentabilidade. Em 2018 já será isso que presidirá, por certo, às prioridades das empresas, assim como aquilo que enformará a construção de uma estratégia até 2030, que a ATP assumirá a responsabilidade de construir, tal como o fez, com assinalável sucesso, desde 2014 e com o horizonte em 2020,

2017 foi essencialmente mais um bom ano para a generalidade das empresas do setor têxtil e vestuário português. Os indicadores desagregados dão-nos uma leitura em linha com que tem sucedido nos últimos anos, revelando uma trajetória sempre ascendente, de dinâmica moderada, mas sustentada. Além disso, este ano de 2017 é o ano do record das exportações, devendo as mesmas situarem-se entre os 5.2 e 5.3 mil milhões de euros, numa progressão de 4% face ao ano anterior, claramente acima do máximo alguma vez alcançado de 5.076 milhões em 2001. Contudo, se lermos os números com mais atenção, podemos identificar problemas que nos devem fazer refletir e procurar prevenir situações que serão, seguramente, mais negativas do que aquela que vivemos hoje. Tal como foi referido, com ênfase no último Fórum da Indústria Têxtil, o PIB efetivo está acima do PIB potencial, o que significa que a economia está sobreaquecida, produzindo acima da sua capacidade produtiva, ou, por outras palavras, a

antecipando objetivos. Há, contudo, que sublinhar que não deveremos ser complacentes, pois as ameaças que se desenham para 2018 e anos seguintes são diversas das que temos conhecido, mas não menores. A conjuntura internacional não se encontra estável, pois diversas tensões geopolíticas e geoeconómicas ganham dimensão acrescida, não apenas na Ásia, mas igualmente na Europa, em que os fenómenos do separatismo britânico da União Europeia e da Catalunha da Espanha, são ainda de difícil avaliação em todas as suas consequências, em particular para o nosso setor, uma vez que são mercados particularmente importantes e podem enfrentar séria crise. De igual modo, o crescimento económico de Portugal - já que em boa parte escorado numa conjuntura internacional muito favorável - poderá vir a enfrentar um súbito arrefecimento, pelo que é preciso estar atento. Sem querer deixar de ser positivo face a 2018, pois acredito sempre nas capacidades, resiliência e imaginação do setor têxtil e vestuário português, há que ser ponderado, pois as ameaças multiplicam-se mais do que as oportunidades e não sabemos se as forças que temos serão capazes de anular ou superar as fraquezas que ainda resistem a serem neutralizadas. Seja como for, aqui ficam os desejos de um feliz Ano Novo, pleno de prosperidade, pois a esperança é o único capital que, para nós, não se degrada com a passagem do tempo, sempre forte e renovada.

“fábrica está enferrujada”, a dar mais do que pode, a dar o que já não pode, revelando que estamos a preparar-nos alegremente para uma nova crise. No que nos diz respeito, há que ler a situação desta forma: o pleno emprego está a obrigar as empresas da ITV a “roubar” quadros umas às outras e a fazer disparar salários e os custos da mão-de-obra, comprometendo a competitividade, e não é certo que todas as empresas, mesmo as exportadoras estejam a ganhar dinheiro, pois, se num momento lutaram pelo cliente e pela quota de mercado, continuam a ter grandes dificuldades em impor margens e gerar meios para pagar sequer os investimentos, mesmo com todos os fatores críticos evidenciados e que hoje as diferenciam. Há também que concluir que toda a capacidade ociosa das empresas foi sendo recuperada desde a crise de 2008 e que, hoje, está esgotada, pelo que, se não se conseguir gerar fora o valor, mesmo externalizando atividades e encomendas, não se vê como é possível continuar a expandir os indicadores

que até agora cresceram: volume de negócios, produção, emprego e exportações. Embora o “roadmap” que a ATP desenhou até 2030 já avance exercícios prospetivos com vista a um novo Plano Estratégico para o setor e se mantenha basicamente positiva nas abordagens e cenários, há que ter em consideração que o grau de incerteza, imponderabilidade e volatilidade não cessa de aumentar, no contexto nacional e internacional, o que pode transportar igualmente o incremento das ameaças ou a multiplicação das oportunidades para dentro da fileira e da economia em geral. É cada vez mais difícil fazer prognósticos, mas isso não é forçosamente mau, pois vai obrigar a ITV a andar mais atenta, ser mais profissional, agir mais proativa e apresentar-se mais agressiva comercialmente, a que se deve juntar, como desígnio, ter cada vez mais o foco na rentabilidade, que só a boa gestão das organizações pode garantir. Este é um bom desejo para 2018, que todos irão ganhar em formular e, sobretudo, cumprir. .


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José Morgado Diretor do Departamento de Engenharia e Tecnologia do CITEVE

António Cunha Sales Manager da Orfama

A INEVITÁVEL INOVAÇÃO

AS JANELAS DA ALMA

A palavra inovação é hoje uma das que, inevitavelmente, tem de estar presente no vocabulário das nossas organizações. Algumas utilizam-na simplesmente porque “está na moda”; outras porque desesperadamente tentam afirmar-se no mercado e utilizam-na como forma de diferenciação; e outras ainda porque entendem a inovação como a razão de ser da empresa, a sua essência e o seu desígnio. Vem isto a propósito da minha experiência diária e de como muitas vezes sou abordado: “Diga-me lá o que é que tem aí de inovador para nós?”; “Dê-nos lá uma dica do que vai ser inovador para o ano?”; “Conhece alguma inovação que alguém já esteja a fazer na minha área e que eu possa transferir ou copiar para a minha empresa?”… E acreditem é mesmo todos os dias que isto me acontece. Ainda existem pessoas e organizações que pensam que a inovação é algo standard que o CITEVE tem “catalogado e armazenado em gavetinhas” à disposição de todos e que facilmente pode ser comprada, transferida e implementada. Pois não podiam estar mais errados. Cada caso é um caso e a inovação não pode ser prescrita como se de um medicamento se tratasse, ainda que seja sempre, no mínimo, uma medida profilática contra a concorrência e a indiferenciação. Outra premissa que erradamente parece estar enraizada é o facto de muitos pensarem que inovar é desenvolver algo que implica uma mudança radical na forma como as pessoas ou organizações atuam ou ainda que a inovação está sempre relacionada com um novo produto, processo ou tecnologia. Na realidade, existem muitas definições e abordagens à inovação. Podemos fazê-lo de forma incremental ou radical, ao nível tecnológico de produto, processo e serviço, através da forma como nos relacionamos com os nossos clientes/fornecedores, nos novos modelos de negócio, nos novos processos e métodos organizacionais, etc. Podemos ainda perceber a inovação como algo novo e que o pode ser dentro da empresa, no setor, na região, no país ou no mundo. Posto isto, é importante perceber que, tal como afirma o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, a vida de uma empresa depende da sua capacidade de inovação, mas não é suficiente querer inovar por inovar. Para que a inovação seja bem sucedida, é preciso que empresas e empresários assumam isso na sua estratégia e tomem consciência da sua importância; compreendam que para tal é necessário acreditar, tempo, dedicação e investimento em conhecimento, em recursos humanos qualificados e em recursos tecnológicos; tenham disponibilidade para pensar “fora da caixa”, selecionar opções e tomar decisões que não incluam a obrigação do sucesso e lucro imediato; e ainda que fortaleçam as suas parcerias com a envolvente, nomeadamente com as entidades do Sistema Cientifico e Tecnológico. Feitas estas opções, existem metodologias e ferramentas disponíveis no CITEVE e em outras entidades da envolvente científica e tecnológica que poderão ajudar as empresas a encontrar soluções inovadoras enquadradas com a sua ambição e visão, grau de comprometimento, dimensão e perfil tecnológico, bem como ao respetivo setor de atividade e cultura empresarial. Em suma, à realidade específica de cada empresa. O histórico e o elevado número de empresas que ajudamos a iniciar este caminho diz-nos que a inovação passa a ser um vício do qual elas não se querem separar. t

Com os avanços tecnológicos dos últimos 15 anos muita coisa mudou em termos de vendas. Hoje, a maneira mais fácil de fechar negócios, encontra-se primeiramente em ser sensível às necessidades do cliente para personalizar produtos e soluções que o ajude a alcançar os resultados desejados. Ter a consciência dos problemas que resolvemos, equivale a ter poder. O valor de mercado do nosso produto é diretamente proporcional à dimensão dos problemas que nós resolvemos, e ter a consciência disto, é a chave para o sucesso. É importante também saber que ter o melhor produto, a melhor oportunidade de negócio, o melhor discurso, não têm importância absolutamente nenhuma enquanto não for estabelecido um rapport e uma relação de confiança com o cliente. Nos primeiros cinco segundos de uma reunião tem de haver uma conexão positiva com os instintos primários do cliente. Nesse instante, ele vai avaliar e decidir se nós representamos uma ameaça ou uma oportunidade. Esta decisão instintiva é crucial para o sucesso da reunião. Se a perceção do cliente for de que nós somos uma ameaça, ele vai procurar durante toda reunião razões que justifiquem a sua intuição. Por outro lado, se a perceção dele for de que nós representamos uma oportunidade, vai estar muito mais aberto e atento às possibilidades que lhe vamos apresentar. Quando estamos pela primeira vez em frente ao cliente, é muito importante olhá-lo nos olhos e sorrir. Esta é forma mais simples, mais fácil de maximizar a conexão entre o nosso cliente. Esta atitude vai transmitir a mensagem de que somos honestos e estamos interessados em trabalhar com ele. O contacto visual é um dos canais de comunicação não verbais mais poderosos que nós temos ao nosso dispor. Com certeza que já todos ouvimos dizer que os olhos são as “janelas da alma”, mas eles são também as janelas das vendas. Se queremos aparecer no radar do nosso cliente, temos que ser criativos e é extremamente importante conquistar a sua credibilidade. Devemos ser breves e objetivos na apresentação do nosso produto. A única coisa que lhe interessa é saber como nós o podemos ajudar. A melhor forma de trazer à superfície as necessidades do cliente é fazer-lhe perguntas e conseguir descodificar essa informação preciosa que nos faculta. Desta forma vamos percebendo se existe uma necessidade urgente que consigamos satisfazer. Se conseguirmos criar essa necessidade, é nesse preciso momento há grande probabilidade de a venda se realizar. O desempenho ao mais alto nível deve ser o derradeiro objetivo de todas as equipas de vendas. É muito importante também ter a noção que os nossos produtos não são para todos clientes, são para aqueles que se interessam e querem saber mais, é nesses que nos devemos concentrar. t


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Nesta época festiva, Katty veste o generoso Ricardo Salgado (conhecido pela sua capacidade única de emprestar dinheiro sem olhar a meios) para desempenhar o novo cargo de administrador do Natal. Com muito amor e carinho, imaginou-o como um Pai Natal monárquico, com o elegante fato cinzento de banqueiro coberto por uma sumptuosa capa vermelha decorada em pele de arminho

Salgado vestido para ser o administrador do Natal Para contrariar os Black Fridays que se têm espalhado pelo país inteiro, deixo aqui uma sugestão com algum conservadorismo. Porque não esforçarmo-nos para neste Natal oferecermos prendas ricas, pomposas e sofisticadas. Nada de saldos, ou leve três e pague dois, ou bagatelas sem sentido… Eu sei, nos dias que correm é difícil pensarmos assim, em grande! Mas inspirada no Auto da Barca do Inferno de Gil Vicente, e nas passagens desventuradas dos que acreditavam nas suas capacidades (e até direitos…) de embarcar na barca do anjo em detrimento da do diabo… Assomou-me esta ideia absurda de conceder um novo título à nossa nobreza social. O administrador do Natal! Como dizia o Diabo ao Corregedor: Os mestres das burlas vistas lá estão bem fraguados. Esta nova figura natalícia da nossa burguesia, será desempenhado pelo generoso Ricardo Salgado, conhecido pela sua capacidade única de emprestar dinheiro sem olhar a meios. Neste Natal ele vai partilhar a sua própria fortuna abrindo o cofre pessoal, procuram-se portanto, por este Portugal fora, candidatos à altura de tal usufruto. Não percam tempo nas promoções, preparem os vossos CV e ‘bora lá candidatarem-se para as vagas de novo rico, deixem para trás o peso na consciência e comecem a recolher os frutos desta árvore há muito putrefacta. Podem apanhar boleia na mesma Barca do Fidalgo". Mas a tarefa do T é vestir a rigor cada uma das nossas vítimas, por isso preparamos para Salgado uma nova imagem inspirada numa espécie de Pai Natal monárquico. Um elegante fato cinzento de banqueiro coberto por uma sumptuosa capa vermelha decorada em pele de arminho. A tiracolo, em vez do grande saco com as prendas carinhosamente ensambladas pelos ajudantes e duendes, colocamos uma pequena, mas não menos discreta fanybag, em pele de crocodilo incrustada a diamantes. Lá dentro enfiados estão todos os títulos de riqueza, preparadinhos para oferecer aos primeiros interessados em enriquecer sem olhar a meios. Esta proposta consumiu todas as nossas poupanças, sem descontos nem “atenções” por isso nesta edição a nossa vítima só tem direito, a um único, mas admirável visual, que esperemos que esteja à altura de tão inovador e exigente cargo. Lembrando aqui umas palavras de Sócrates (o filósofo) “O amigo deve ser como o dinheiro, cujo valor já conhecemos antes de termos necessidade dele”.t


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Dezembro 2017

O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

A Cozinha do Martinho Rua de Costa Cabral 2598 4200-219 Porto

HÁ SEMPRE TRIPAS Da minha infância lembro-me de muitos restaurantes que afixavam cartazes visíveis da rua com a menção "Hoje há Tripas". Como na sua época, que está quase a começar, se pode ver o também famoso "Hoje há Lampreia". Nesta Cozinha do Martinho há tripas... todos os dias! E que boas que elas são. Um prato como este, feito por quem o sabe fazer de comer e chorar por mais, não pode ter dia, nem dias. Na verdade, ao princípio o dia das Tripas à Moda do Porto era às quartas, depois alguns inventaram às quintas - e ao sábado também começou

muita gente a infringir a "lei" do dia das tripas. Sobretudo se eram "à moda do Porto", mas o restaurante era fora do concelho. Não posso jurar, mas julgo que a liberalização do dia das tripas foi a única coisa boa que sobrou daquele famigerado episódio das vacas loucas. O medo da desinformação reinante, aliado às campanhas promocionais dessa calamidade, acabaram com o dia das tripas, mas iam acabando com elas de vez. É caso para dizer que não há fome sem fartura e depois de terem sido quase banidas dos nossos pratos, as Tripas à Moda do Porto, invictas como a

sua cidade, ressuscitaram em grande e já sem dia certo. Na Cozinha do Martinho já nos falta o Martinho, que Deus já chamou para perto de si (que gente desta só pode ir para o Céu) mas não falta a sua filha e não faltam as tripas em dia nenhum da semana. Mas hoje há… muito mais do que as tripas do nosso contentamento. Também já saí de lá muito contente e feliz com um bacalhau com broa de grande categoria e recomendo com a mesma vivacidade a vitelinha assada, que pode calhar de ser costela mindinha ou até nispo e nós agradecemos quase

de joelhos . Há clientes famosos como o Manuel Pizarro (que até já lá levou o nosso atual primeiro ministro) que descobriram o restaurante da rua Costa Cabral há quase tanto tempo como o outro Cabral descobriu o Brasil, mas para quem só o encontrou depois do chef Bourdain o ter descoberto para a televisão americana, o tempo é de recuperar, como se diz nos rotários. Há que ir lá sempre que se pode, por causa das vezes em que não fomos porque não podíamos. A ignorância é a mãe de todas as tristezas ! t


Dezembro 2017

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c Por: Carolina Guimarães

MALMEQUER Helder Pinto, 45 anos, diretor criativo da Dr. Kid. É um nómada, que nasceu em Luanda (mas de nada se lembra dos poucos anos que lá passou), e cresceu na Serra da Estrela (onde despertou o seu interesse para o mundo do têxtil), até que aos 16 anos veio para o Porto, onde fez Design de Moda (Perpétuo Socorro) e cursos técnicos no Citex, Cenatex e no CITEVE de forma a “garantir que dominava todas as ferramentas associadas ao que faz”. Solteiro, não tem filhos nem animais de estimação.

SOUVENIR

O VESTIDO DE NOIVA DOURADO DE ANA GUEDES

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Família oportunidades desafios a minha profissão elegância no porte e no trato dandy Bcbg slim fit bolos leite condensado magret de pato qualquer prato de bacalhau banoffee Porto esplanada da praia da luz Serra da Estrela conhecer cidades sem mapa romancear Jane Austen Oscar Wilde comércio tradicional simetria lobbies de hotel cinema banda sonoras art déco fotografia selfies livros relógios perfumes sapatos novos cheiro de roupa lavada tricot camisas engomadas lã voos intercontinentais andar de patins carros antigos jarras vintage esculturas clássicos reinventados lifestyle dançar fazer planos cães generosidade resiliência brio vento quente flores brancas foz do douro

Presunção andar descalço banho de água fria chegar atrasado carne vermelha humidade xicos espertos inércia baixa auto-estima desordem incêndios favoritismo cravinho confrontos injustiças pele desidratada despedidas falta de civismo desiludir chamadas não atendidas acordar a meio da noite filmes de terror correr carro sujo maçãs falta de qualidade arrependimento saudosismo heavy metal domingos à noite não ter um plano ansiedade dormir nu impunidade coentros estar longe da família ir jantar fora sem reserva morcela cor violeta falta de rigor dióspiros cortiça qualquer tipo de imitação leggings cheiro a cravos maus tratos a animais trovoada circo melgas impunidade

A peça da vida de Ana Guedes é, como a de muitas mulheres, o seu vestido de noiva. Mas ao contrário do normal, a diretora de informação do Porto Canal não se casou de branco, com uma peça comprada numa boutique. Não, o seu vestido de noiva dourado foi feito especialmente para ela e nasceu das mãos de uma costureira. “Como me casei em Marrocos, achei que não fazia sentido ir vestida de forma tradicional, por isso comecei a pesquisar e encontrei um vestido de que gostei muito. Bati à porta de alguns estilistas para me fazerem um semelhante, mas eles diziam que concretizavam a sua própria visão e não cópias, por isso tive de recorrer a uma costureira clássica”, conta. A construção do vestido acabou por ser uma aventura em que se embrenhou em conjunto com a modista: depois de ter comprado o tecido, precisava de uns acessórios semelhantes aos que tinha visto na foto - algo que só encontrou numa fábrica de aplicações para cortinas. “Foi um processo um bocadinho stressante e contra-relógio, mas acabou por resultar muito bem”, conclui Ana Guedes, que se casou em 2011 e que hoje já tem dois filhos, gémeos, que nasceram no ano seguinte.t


BUB_T_EZZO_AF.pdf

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17/12/07

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T27 - Dezembro 2017  

A última edição de 2017 do T Jornal viaja até à Beira Alta para falar com João Carvalho, CEO da Fitecom. Voltamos a falar com muitos dos pro...

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