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PAULO MELO Presidente da ATP

"ENCARO O FUTURO COM OTIMISMO"

DIRETOR: MANUEL SERRÃO MENSAL | ASSINATURA ANUAL: 30 EUROS

P 16 A 18

FOTO: RUI APOLINÁRIO

PORTO FASHION WEEK

DIANA PEREIRA É A CARA DA NIGHT OUT PAG 10

EMERGENTE

PERGUNTA DO MÊS

FASHION FILMS FACILITAM A CONSTRUÇÃO DE MARCAS? P4E5

MARTA FONSECA: FATOS DE BANHO SÃO A PRAIA DELA P 25

PORTUGAL FASHION

PASSARELAS NO TERMINAL DE CRUZEIROS P 14

DOIS CAFÉS E A CONTA

FOTOSINTESE

ANTÓNIO AMORIM: EVANGELIZAR A PARTIR DO CITEVE

VALEU A PENA COMEÇAR DE NOVO EM MUNIQUE

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Setembro 2016

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CORTE&COSTURA

EDITORIAL

Por: Júlio Magalhães

Por: Manuel Serrão

Elisabete Pereira 31 anos A Comercial Marketing and Sales da João & Feliciano nasceu e vive em Vila Nova do Campo (Santo Tirso). Casada e mãe de gémeas (Lara e Diana têm dois anos), trabalha nos têxteis há 14 anos (antes esteva na Arco). Estudou Técnicas de Secretariado e tem várias formações feitas no CITEVE. Gosta de ir ao cinema, ouvir boa música, e de trabalhos manuais, como, por exemplo, fazer ponto cruz

GRANDES EMPRESAS Em meados de Julho , mais precisamente nos dias 13 e 14, estive na London Textile Fair, onde a Selectiva Moda apoiou mais uma presença internacional que contou com a participação de mais de 20 empresas nacionais. Já conhecia a posição do novo presidente da ATP sobre a exclusão das grandes empresas do panorama de incentivos dos projectos conjuntos do Portugal 2020 (que nem de propósito é protagonista da entrevista de capa com que nos distinguiu nesta edição ) , e não posso estar mais de acordo. O que ainda me continua a intrigar é como é que esta exclusão é supostamente feita em benefício das PME e curiosamente são as PME que mais reclamam a coabitação com estas grandes empresas, porque lhes reconhecem um papel de alavancagem e criador de massa critica nas feiras, impossível de substituir. Acresce que como Paulo Melo também não esquece, muitas das empresas têxteis consideradas Grandes Empresas , em França ou na Alemanha seriam normais PME. Sou testemunha privilegiada em inúmeras acções externas organizadas pela Selectiva Moda deste poder de criação de sinergias que tão bons resultados deu no QREN e não consigo perceber porque é que o novo Quadro Comunitário não acolheu as boas práticas do anterior, ainda por cima sabendo-se que esta foi uma das mais referenciadas pelos intervenientes que foram questionados em sede do estudo de avaliação final do QREN. Mudar de empresa é mudar de vida ou apenas mais um desafio? Tomar a decisão de mudar é sempre difícil, mas há momentos na vida que temos de arriscar! Decisão tomada, resta seguir em frente, enfrentar um novo desafio e desempenhar o melhor que sabemos as nossas funções para atingirmos os objetivos pretendidos. O sucesso depende da nossa atitude.

Prefere ser rainha numa PME ou mais uma numa empresa gigante e multinacional? Costumo dizer que não é na grandeza que se vê a qualidade, mas sim no produto e na qualidade do serviço. Já tive a experiência de trabalhar numa empresa internacional, onde aprendi a saber lidar com muitas pessoas, cada qual com o seu feitio. Mas trabalhar numa PME também é um grande desafio.

Qual é o mercado externo que mais gosta de trabalhar? Por causa da viagem ou dos compradores? Todos os mercados são apetecíveis. Não podemos agir pelo que gostamos mas sim fazer com que os clientes gostem do nosso produto e assim conquistá-los para fazermos negócio.

Será verdade que as participações conjuntas em feiras no exterior também potenciam negócios entre as empresas portuguesas? Sim, é verdade, as vezes trocamos contactos entre nós. As participações conjuntas são bastante favoráveis pela partilha de experiências e possíveis contactos.

Na Europa sente-se em casa ou no Minho é que vale a pena viver para sempre? O nosso Minho é sempre o nosso ponto de abrigo. Mas o Minho também não seria o que é sem a Europa. Aqui estão concentradas a maior parte das têxteis portuguesas e sem a Europa a sua sobrevivência não seria possível. O Minho será sempre o local onde viverei, mas andar pela Europa a trabalhar para que o Minho cresça será cada vez mais obrigatório.

Qual é o mercado externo mais apetecível, onde nunca fez negócios? Já fiz alguns negócios com o mercado alemão. Atualmente não faço. Sei que é um mercado difícil, mas com um potencial de clientes muito bom. Step by step as coisas vão acontecendo e certamente num futuro próximo a Alemanha contribuirá para um aumento substancial do nosso volume de negócios.

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- MENSAL - Propriedade: ATP - Associação Têxtil e de Vestuário de Portugal. NIF: 501070745 Editor: Paulo Vaz Diretor: Manuel Serrão Sede: Rua Fernando Mesquita, 2785, Ed. Citeve 4760-034 Vila Nova de Famalicão Telefone: 252 303 030 Assinatura anual: 30 euros Mail: tdetextil@atp.pt Assinaturas e Publicidade: Juliana Duque Telefone: 927 508 927 mail: jd.tdetextil@atp.pt Registo provisório ERC: 126725 Tiragem: 4000 exemplares Impressor: Multitema Morada: Rua do Cerco do Porto, 365 - 4300-119 Porto

PROMOTOR

CO-FINANCIADO


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n PERGUNTA DO MÊS Por: Isabel Cristina Costa

Setembro 2016

““Há casos em que o fashion film é o elemento central de uma campanha de comunicação de uma marca. Recentemente fomos testemunhas da loucura nas redes sociais por causa de um filme de três minutos que Spike Jonze realizou para o lançamento de um novo perfume da Kenzo” José Murciano Fundador e diretor do Madrid FFF

OS FASHION FILMS ESTÃO A MUDAR O PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DE MARCAS? São o perfeito substituto (ou complemento) de uma campanha publicitária tradicional. Casas como a Dior, Chanel, Dolce & Gabanna e Prada já não vivem sem eles. Os fashion film não só estão na moda como, ainda por cima, são a moda em movimento. Portugal não demorou a embarcar nesta nova tendência, potenciada pela explosão do consumo de redes sociais como o YouTube e o Vimeo. O 3.º Porto Fashion Film Festival é já este mês, dia 24, no Terminal de Cruzeiros de Leixões

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no Porto que se realiza o único festival de filmes de moda português. Chama-se Porto Fashion Film Festival e integra a Porto Fashion Week (17 a 24 de Setembro). Chegar mais longe, a mais gente, de forma rápida e sem investir muito dinheiro justificam o sucesso deste conceito, que é explorado nas várias capitais mundiais da moda. Há quem diga que os fashion films são a moda em movimento. Juntam-se recursos audiovisuais, técnicas de cinema e de fotografia, e graças à Internet e às plataformas de vídeo (Youtube e Vimeo) chega-se facilmente a novos consumidores (e velhos), de forma rápida e a qualquer momento. Outra vantagem: é uma estratégia barata de marketing. O perfeito substituto de uma campanha publicitária tradicional. Criatividade, inovação e orçamentos baixos são, na ótica de Manuel Serrão, um dos promotores do Porto Fashion Film Festival, através da Associação Selectiva Moda, a melhor receita para a afirmação de marcas, sobretudo de novas. “Os fashion films não estão a mudar o processo de construção de marcas. São é mais uma forma nesse processo e em alguns casos a única de levar uma marca mais longe, de uma forma muito rápida e quase sem custos. Para mim, os fashion films são um caminho novo. Temos a publicidade, as feiras e os fashion films”, sustenta. Manuel Serrão diz que o conceito está a evoluir, com o Porto Fashion Film Festival a chegar à terceira edição e cada vez com mais participantes - receberam inscrições de filmes de moda dos cinco continentes. “Não sei se há muitos especialistas em fashion films. O que sei é que tem havido uma crescente cooperação entre gente da moda, do cinema e produtores no sentido de arranjar boas propostas para as empresas”, adianta. Na 3ª edição, o Porto Fashion Film Festival estabeleceu uma

parceria com o Madrid Fashion Film Festival e José Murciano, fundador e diretor do Madrid FFF, é um dos elementos do júri (juntam-se-lhe Braz Costa, José Pedro Sousa, Kathryn Ferguson, Luís Buchinho e Patrícia Barnabé). José Murciano, que conta com mais de 10 anos dedicados à fotografia de moda e publicidade trabalhando com diversas agências e marcas internacionais, vê os fashion films como uma nova ferramenta cada vez mais importante na geração da imagem de marca. “Há casos em que o fashion film é o elemento central de uma campanha de comunicação de uma marca. Recentemente fomos testemunhas da loucura nas redes sociais por causa de um filme de três minutos que Spike Jonze rea-

lizou para o lançamento de um novo perfume da Kenzo”, sublinha. O diretor do Madrid FFF diz ainda que se trata de “uma forma de chegar a mais público, de muitas maneiras, com uma mensagem mais próxima do mundo da arte e do cinema e menos do publicitário”. Mas para se conseguir um bom filme, é necessário “encontrar verdadeiros profissionais, que dominem a linguagem audiovisual e saibam misturar o conceito estético com uma narrativa impactante, inquietante, divertida ou intrigante”. E acrescenta: “Os diretores e cineastas controlam na perfeição a linguagem audiovisual, mas nem todos


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“Os fashion films não estão a mudar o processo de construção de marcas. São mais uma forma de levar uma marca mais longe, de uma forma muito rápida e quase sem custos. São um caminho novo. Temos a publicidade, as feiras e os fashion films”

“Há muitas empresas e realizadores com provas dadas sobre a capacidade de utilizarem a linguagem audiovisual para deslumbrarem, interessarem ou intrigarem o espectador”

“Hoje em dia o mercado já disponibiliza tantas ferramentas que o investimento na realização de um filme é muito mais reduzido do que antigamente. Penso que o segredo está na construção de um bom conceito, e que este seja bem pensado e trabalhado”.

Manuel Serrão Selectiva Moda

Arminda Deusdado Diretora Geral da Farol de Ideias

Luís Pereira Realizador, vencedor Melhor Filme FFF 2015

têm o código da moda no ADN”. Aliás, foi precisamente por esta razão que no princípio, quando começaram a surgir os primeiros fashion films, foram os fotógrafos de moda que se lançaram na criação destas peças audiovisuais. Um desses visionários foi o fotógrafo internacional Nick Knight, que no final do ano 2000 criou a SHOWstudio, uma plataforma onde são apresentadas coleções em movimento através de fashion films. As casas Dior, Chanel, Dolce & Gabbana, Prada e Miu Miu já não vivem sem os fashion films para divulgar as suas novidades. Impressionar o consumidor ao ponto de deixar a marca gravada na memória continua a ser extremamente apelativo. Outra entendida no assunto é Arminda Deusdado. A diretora-geral da produtora Farol de Ideias – outra promotora do PFFF, a par da Associação Selectiva Moda, no âmbito do Programa Compete e do Portugal 2020 -, sustenta que esta “é uma enorme oportunidade para as empresas portuguesas acrescentarem

valor às suas marcas e presença no mundo digital”. No entanto, “é preciso conhecer bem” o conceito para se poder tirar o máximo de partido do mesmo. Por outras palavras, não basta ser criativo, é preciso dominar também a componente técnica. E é fácil para as marcas encontrar no mercado esta ajuda profissional? “Há muitas empresas e realizadores com provas dadas sobre a capacidade de utilizarem a linguagem audiovisual para deslumbrarem, interessarem ou intrigarem o espectador. Seguindo de perto os produtores de curtas-metragens, documentários, filmes ou mesmo escolas de comunicação multimédia acabam por encontrar equipas

capazes para a realização de FF”, responde Arminda Deusdado. BONNIE E O CÃO Os prémios da 3ª edição do Porto Fashion Film Festival, que terá por palco o Terminal do Porto de Leixões, dividem-se por quatro categorias: Competição Internacional para Filmes de Moda, Competição Nacional para Filmes de Moda de Autor, Competição Nacional para Filmes de Moda de Marca e Competição Nacional para Filmes de Moda Têxteis Técnicos. Há ainda o Prémio “FFF Vogue” atribuído de acordo com a votação do público. Na 1ª edição, em 2004, “Bonnie”, de Márcio Simões, foi o

vencedor absoluto, e ninguém diria que este filme com a duração de três minutos foi feito praticamente sem orçamento. Na altura, o realizador José Pedro Sousa, que fazia parte do júri, apelidou o filme de moda inspirado no casal americano de criminosos Bonnie Parker e Clyde Barrow de “absolutamente maravilhoso”. Além de Melhor Filme, recebeu ainda os prémios Melhor Realização e Melhor Fotografia. Na 2ª edição, os melhores fashion films portugueses de 2015 foram: “El Corte Inglés Spring Summer 2015”, “#esetivessemosumcao”, “Goldmud” e “Reflexus”. Estela Rebelo, diretora do Porto FFF conta que no ano passado tiveram perto de uma centena de filmes a concurso e “a qualidade dos candidatos cresceu muito em comparação

com 2014, o ano de estreia do FFF em Portugal. Tivemos mais jovens realizadores a participar e um interesse muito maior da parte das marcas, o que nos faz acreditar que o FFF irá continuar por muitos e bons anos”. Para Luís Pereira, um dos vencedores da última edição, “o Porto FFF pode ser mais divulgado, está ainda muito fechado no seu círculo e uma iniciativa destas merece mais expressão porque tem imenso potencial enquanto motor para a criação de ideias novas. Portugal precisa de se libertar e de deixar de ter medo de criar”. “E de tivéssemos um cão?”, Melhor Filme (ex-aequo), de Luís Pereira (Showpress) e Pedro Bravo (Kinéma), assenta num dia diferenciador, o press day – dia usual a cada seis meses em todas a agências de comunicação da área de moda, de apresentação em showroom das novas coleções de moda das marcas que comunicam. “Mantendo a visibilidade necessária e obrigatória das nossas marcas, criámos um ambiente de divulgação de cada uma das marcas sem negligenciar as expectativas do público face ao objetivo final deste dia. Assim, concebemos um filme com conceito criativo da Showpress e produzido pela Kinéma, transformando o press day FW15 numa exibição cinematográfica na tela do Cinema São Jorge, em Lisboa”, conta Luís Pereira. Por isso, não tem dúvidas de que os fashion films são um ótimo incentivo à produção de conteúdos inovadores. “As marcas devem pensar fora da caixa para se conseguirem reinventar e acompanhar a evolução do mercado, que cada vez é mais imprevisível”, frisa. E deixa o incentivo, seguido de conselho: “Hoje em dia o mercado já disponibiliza tantas ferramentas que o investimento na realização de um filme é muito mais reduzido do que antigamente. Penso que o segredo está na construção de um bom conceito, e que este seja bem pensado e trabalhado”.


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06 Setembro 2016

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DOIS CAFÉS & A CONTA Por: Jorge Fiel

Valentim

Rua Heróis de França, 253 4 450-158 Matosinhos

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Entradas: Presunto e polvo com molho verde Pratos: Robalo com legumes e batatas a murro Bebidas: Riso (branco), água e dois cafés

O EVANGELIZADOR

64 ANOS PRESIDENTE DO CITEVE E DO CENTI

O têxtil vai ter um peso brutal na vida das pessoas, muito para além da roupa que vestimos. António Amorim faz este prognóstico do alto dos 25 anos que leva do CITEVE e de uma vida dedicada aos trapos, onde nasceu, cresceu e se fez homem. “A nossa indústria tem trabalhado bem. E terá um futuro brilhante se souber ultrapassar as ameaças. Ainda há muitas empresas a venderem mão-de-obra. E temos debilidades como os custos da energia e previsível falta de recursos humanos, pois deixou de se investir a sério na formação quando Lisboa começou a dizer que a têxtil era para acabar”, afirma.

O 25 de Abril apanhou-o no último ano de Economia, na FEP, onde teve como professores Miguel Cadilhe (seu vizinho na Póvoa) e Alípio Dias. Mas o grande professor da sua vida foi Manuel Gonçalves, que era casado com Mercedes, uma prima direita do seu pai. Entre os 18 e os 27 anos, passava um mês de férias no Algarve com o primo Fernando e o pai dele, o fundador da TMG. “Aprendi muito com ele”, garante António, que nasceu em Famalicão, mas se mudou ainda bebé para a Póvoa, onde o pai, Manuel Ferreira Amorim, montou uma fábrica que fazia vestuário em oleado para os pescadores. Mais novo de quatro irmãos - os outros estão espalhados pelo mundo, de Vancouver a Gotemburgo, passando pelo Rio, onde vive Luís, casado com uma filha de João Havelange -, tem dois filhos: Rui Miguel, 34 anos, licenciado em Economia em York, e Tiago, 30 que fez Gestão Desportiva, em Barcelona

Qualidade, serviço, gestão e formação são os quatro pontos cardeais que orientaram as empresas da ITV que não naufragaram durante uma turbulenta viagem, em que foram fustigadas por duas terríveis tempestades: a arrasadora concorrência asiática e a crise das dívidas soberanas. “Hoje, esses princípios já são dados adquiridos. Tão automáticos como respirar. Quem não os pratica, está a perder tempo e dinheiro”, avisa o presidente do CITEVE, orgulhoso do trabalho de evangelização desenvolvido pelo centro tecnológico, que ajudou as empresas a subirem na cadeia de valor, sem mais competitivas e

António Amorim

exportarem cada vez mais. Amorim também preside à plataforma europeia de centros tecnológicos, o que o coloca numa posição privilegiada não só para influenciar a política da UE para o setor, mas também para sentir a direção em que sopram os ventos. “Os novos desafios? O design, a inovação e a certificação. Pormenores como os rótulos que serão cada vez mais lidos e mais detalhados, serão cada vez mais importantes”, prevê António Amorim, que escolheu almoçarmos no Valentim, propriedade do seu primo direito Rui Sousa Dias, que também tem uma costela têxtil - antes de se dedicar à restauração foi sócio de uma têxtil-lar (Arditex). A escolha do robalo foi consensual. “Peixe com legumes é a ementa em 90% das minhas refeições”, revela António, que quase só molhou os lábios no copo de Riso, numa conversa em que estiveram em cima da mesa as recordações e lições de uma carreira de 40 anos, iniciada com uma pós-graduação no negócio têxtil feita durante os três anos em que, no final do curso, passou por todos os departamentos da TMG. Ainda esteve na Fábrica dos Casais, em Riba d’Ave, e foi diretor financeiro na Filda, até deitar âncora na Arco Têxteis, onde se demoraria até 2010, data em que pôs termo a um casamento de 30 anos, por divergências sobre o caminho a seguir para relançar o grupo. Amorim defendia o fecho das fiações, onde perdiam rios de dinheiro, a capitalização da empresa (através da desmobilização da posição que tinham no BPI) e o investimento numa tecelagem moderna. A maioria acionista preferiu não sair da banca, e reforçar o investimento na fiação e numa tinturaria 100% robotizada. A tristeza toma-lhe conta do rosto quando se fala da queda da Arco. “Tenho muita pena. A Arco tinha um know how fantástico e uma carteira de clientes fabulosa...”. O sorriso volta a alegrar-lhe a cara quando fala da missão a que se agarrou a tempo inteiro quando saiu da Arco - e elogia a excelência da centena de pessoas (95% licenciados) que trabalham no CITEVE, e dos 50 quadros (todos doutorados) do CeNTI, um exército de vanguarda comandado no dia-a-dia por um “belíssimo diretor geral” (Braz Costa). É por essas e por outras que, apesar já estar com 65 anos quando o seu atual mandato acabar em junho próximo, está disponível para continuar. “Adoro o que estou a fazer”, explica.


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08 Setembro 2016

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1. O RECINTO DO MOC ESTÁ A FICAR PEQUENO PARA FAZER FACE AO CRESCIMENTO DA MUNICH FABRIC START, QUE NA EDIÇÃO OUTONO/INVERNO 2017, DE 30 DE AGOSTO A 1 DE SETEMBRO, OCUPOU MAIS DOIS PAVILHÕES, ONDE ESTIVERAM EXPOSTAS CERCA DE 1 700 COLEÇÕES

COMEÇAR DE NOVO EM MUNIQUE

O ano têxtil começa a 1 de setembro, e como os organizadores da Munich Fabric Start sabem disso, puseram a sua feira a começar a 30 de agosto. “Os alemães fazem a sua coleção por aqui. A Première Vision já é tarde demais para eles”, explica José António Ferreira, da Texser, uma das 31 empresas portuguesas que apresentaram as suas coleções na Baviera, num certame cujo nome (Start) é como o algodão - não engana. Valeu a pena começar de novo, em Munique

O CONTINGENTE PORTUGUÊS NA 41ª MUNICH FABRIC START (30 AGOSTO -1 SETEMBRO) Heliotextil, Paulo de Oliveira, Sidónios Malhas, Tessimax, A.Sampaio & Filhos, Lemar, Sanmartin, Somelos Tecidos, Texser, TMGTextiles, Adalberto Estampados, Albano Morgado , Gierlings Velpor, MMRA, Penteadora, Quickcode, Rioepele (todas estas com o apoio da Selectiva Moda), Fitecom, Tintex, Troficolor, Vilarinho, Familitex, Island Cosmos, Luís Azevedo, Modelmalhas, Otojal, Sonix Malhas, Trimalhas, Vilartex, Jalima, Satinskin

2. DA LISTA DE 30 OPOSITORES PORTUGUESES CONSTAVA O GOTHA DOS FABRICANTES NACIONAIS DE TECIDOS, COMO A SOMELOS …

5. ...E PAULO OLIVEIRA (PAULO AUGUSTO OLIVEIRA LEVOU ENORMES BANHOS DE ASSENTO, POIS OS CLIENTES ERAM COMO AS CEREJAS)

6. BALTASAR LOPES, ADMINISTRADOR DA ALBANO MORGADO, ESTEVE TÃO OCUPADO QUE NEM TEVE TEMPO DE OLHAR PARA O RELÓGIO: “O TEMPO PASSA A VOAR. ONTEM, QUANDO REPAREI JÁ ERAM 18.30 E EU JULGAVA QUE AINDA ESTAVA NO INÍCIO DA TARDE”

10. O FÓRUM DE TENDÊNCIAS FROM PORTUGAL (BY TERESA PEREIRA, DO CITEVE) FOI MUITO FREQUENTADO

11. NUNO LEMOS ANDAVA SATISFEITO: O EXIGENTE MAS ATRAENTE MERCADO ALEMÃO É, A SEGUIR AO ITALIANO, O MAIS IMPORTANTE PARA AS RENDAS E BORDADOS DA SANMARTIN


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3. … A RIOPELE (QUE ESTEVE NO 2º ANDAR, INSTALADA NA SALA DO SEU AGENTE MAX MULLER)…

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4. … A TMG TÊXTEIS (NA FOTO, A BUSINESS MANAGER RITA RIBEIRO, COM CAMISAS E ROSAS AO FUNDO) …

8. ENVERGANDO UM TRENDY FATO MACACO BRANCO, AS HÔTESSES DO ESPAÇO KEYHOUSE NÃO PODIAM ESTAR MAIS NA MODA

7. AS FLANELAS LAVADAS COM UM LOOK VINTAGE DA TEXSER FORAM UM SUCESSO. “CONSEGUI UM CLIENTE DE QUE ANDAVA ATRÁS HÁ MUITO TEMPO. JÁ GANHEI O DIA!”, CONTOU-NOS JOSÉ ANTÓNIO FERREIRA

12. A QUANTIDADE DE AMOSTRAS DA HELIOTEXTIL QUE DESAPARECERAM DO FÓRUM DE ACESSÓRIOS DA FEIRA DÃO A MEDIDA EXATA DO INTERESSE QUE ELAS DESPERTARAM JUNTO DOS VISITANTES

9. LES BEAUX ESPRITS SE RENCONTRENT. NO HALL 5 (KEYHOUSE), O DIRETOR DO T ACHOU UMA ALMA GÉMEA: A MARCA FRANCESA DE DENIM MONSIEUR T

13. MIGUEL MENDES (A. SAMPAIO & FILHOS) TÊM TODAS AS RAZÕES PARA SORRIR: ANDOU SEMPRE NUMA RODA VIVA DURANTE OS TRÊS DIAS DA FEIRA

14. HASTA LA VISTA, BABY, COMO DIRIA O ARNOLD SCHWARZENEGGER. PARA O ANO HÁ MAIS - LOGO EM JANEIRO.


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EXPÕE NO MODTISSIMO? ENTÃO, PF, VÁ DE NAVETTE Os recordes absolutos que a 48ª edição do Modtíssimo já garantiu, bastante antes de abrir portas na próxima quarta feira, dia 21, recomenda que os expositores usem a navette que incansavelmente fará o vaivém entre a Alfândega e a abundante oferta de estacionamento na Marginal, junto à ponte da Arrábida. O serviço inicia-se às 8h00 e funcionará sem descanso até uma hora pós o encerramento do salão. A oferta de estacionamento no parque da Alfândega vai ser escassa para atender os mais de cinco mil visitantes profissionais (nacionais e estrangeiros) esperados, pelo que a organização recomenda aos expositores, que vão apresentar mais de 400 coleções (tecidos, acessórios, vestuário, têxteis técnicos e designers) que usem e abusem da navette . Além de ser a edição de todos os recordes, o Modtíssimo 48 - que volta a aterrar na margem do Douro após um raide sobre o aeroporto - é a âncora da 8ª Porto Fashion Week (PFW), cujo programa compreende eventos tão palpitantes como o 3 o Fashion Film Festival (promovido em colaboração com a Vogue Portugal) e a 2ª PFW Night Out. Rita Blanco apresenta no sábado 24, no Terminal de Cruzeiros de Leixões, a Gala do 3 o FFF, que estreia uma categoria internacional

e tem como tema a internacionalização, pelo que não é de espantar que conta a concurso com mais de 50 filmes, oriundos de 17 países, de geografias tão diversas como por exemplo, Taiwan e India. “La Jolla, o mais antigo Fashion Film Festival que se realiza em Los Angeles, foi o padrinho da 1ª edição do FFF. O de Berlim, o segundo mais importante do mundo, apadrinhou a 2ª edição. Esta 3ª, em que o festival de Madrid é o padrinho, é a edição da maturidade”, declara Manuel Serrão, diretor executivo da Selectiva Moda, que organiza o Modtíssimo e a PFW. O Passeio dos Clérigos continua a ser o centro de gravidade da PFW Night Out, a que já aderiram mais de 50 lojas da Baixa desde as ruas de Cedofeita até à de Sá da Bandeira, passando pela de Santa Catarina -, que na noite de 5ª feira, 22, oferecerão promoções e descontos de fazerem crescer água na boca da clientela. Diana Pereira é a imagem do cartaz do Night Out, que terá como atrativo suplementar uma poderosa festa da Martini no Base, o bar do jardim do Clérigos.

UBI MANDA XI-CORAÇÂO PARA ORFANATOS AFRICANOS Os alunos do 2º ano do curso de Design de Moda da Universidade da Beira Interior (UBI) desenharam 100 peças de roupa (vestidos, calções e t-shirts) que vão ser oferecidas a orfanatos africanos apoiados pela ONG norte-americana Little Dresses for Africa. Todo o vestuário deste projeto, intitulado Xi-Coração e coordenado pela professora Rafaela Norogrando, foi confecionado com matérias-primas recicladas a partir de lixo limpo das empresas - material têxtil que sobra do plano de corte das modelagens.

CRIALME AMPLIA FÁBRICA EM PAREDES A Crialme está a concluir um ambicioso plano de ampliação das suas instalações industriais em Sobroso, Paredes, que contempla dois novos blocos, um industrial e outro administrativo (onde se incluem a loja de fábrica e o showroom ). Fundada em 1984, a Crialme é especialista em alfaiataria para homem, emprega 500 pessoas e exporta 40% da sua produção para os Estados Unidos.

“Não podemos ser um player global sem estar nos Estados Unidos, onde o negócio dos têxteis técnicos já vale quase tanto como na Europa". Alberto Tavares EO da Olbo & Mehler

MARCAS DE ROUPA BARATA ESTÃO A FUGIR DA CHINA As marcas de roupa barata estão a fugir da China, de acordo com uma reportagem do Wall Street Journal. O diário financeiro norte-americano cita um relatório da consultora BMI Research onde se afirma que os custos de trabalho na China já há vários anos superam a inflação e são quatro vezes maiores que no Bangladesh, Cambodja, Laos e Myanmar.

35%

foi o aumento dos protestos operários registados em 2015 na China, relativamente ao ano anterior, de acordo com o China Labour Bulletin


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CICLISTAS OLÍMPICOS VESTEM P&R TÊXTEIS

O fato que o ciclista Nelson Oliveira vestiu para obter o 7º lugar (não dá direito a comenda, mas recebeu diploma) no contra-relógio dos Jogos Olímpicos foi desenvolvido pela Onda (P&R Têxteis). O equipamento, que pesa menos 20% que a versão anterior, foi também usado por David Rosa e Tiago Ferreira na prova olímpica de BTT.

ROUPAS APREENDIDAS NÃO VÃO PARA O LIXO A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) doou mais de 2300 peças de vestuário apreendidas à Câmara de Famalicão, que por sua vez as vai distribuir por 43 instituições de solidariedade social do concelho. C

PASSARELA ESTENDIDA NO TERMINAL DE CRUZEIROS O desfile individual e com produção pró- sença de marcas e designers em certames que contempla participações em Lonpria de Ana Sousa - ao estilo do que fazem internacionais e tem já definido um ro- dres (showroom da London Fashion as marcas na Semana de Moda de Paris - é teiro para o último quadrimestre do ano, Week, 18 a 20 setembro), Nova Iorque uma das muitas surpresas e no(showroom da Edit, 18 a 20 vidades da 39ª edição do Portusetembro), Milão (White gal Fashion, que estará de volta Milano, 24 a 26 setembro), de 12 a 15 de outubro, em pasParis (Paris Fashion Week sarelas do Porto e Lisboa, onde SS17, 27 setembro a 5 oututambém passarão as coleções bro, e Tranoi, 30 de setemoutras marcas portuguesas conbro a 3 de outubro). A cereja sagradas, como a Dielmar, Vicri, em cima do bolo é uma inLion of Porches e Luís Onofre. cursão à Pure Shanghai (11 a A Alfândega continuará a ser 13 outubro) a mais influeno principal palco dos desfiles, te feira de moda da China. mas não o único. Em Lisboa "O sucesso das investio Fashion vai levar o último das que efetuamos junto grito da moda a um local absode empresas constituídas lutamente virgem nestas anpor designers e marcas danças. E no Porto, além de pade moda permite-nos já letes de turistas, o Terminal de apresentar o Next Step Cruzeiros de Leixões receberá como o braço comercial do também uma passarela. Portugal Fashion. TrataNa quinta feira, dia 13, o -se de um complemento à Bloom, com todo o dia e a pascomponente de imagem sarela reservados para as criatrabalhada no âmbito do ções dos talentos emergentes, Fashion, que acrescenta é outras das muitas surpresas valor económico e expande que o Portugal Fashion 39 nos esse trabalho a outras geovai trazer. grafias, como é agora o caso No entretanto, o projeto Next de Xangai”, explica João RaStep continua a dar passos segufael Koehler, presidente da ros e certeiros, apoiando a pre- A coleção da Ana Sousa costuma ser de se lhe tirar o chapéu :-) ANJE.

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de euros foi o volume de negócios da Sonae Sports & Fashion em 2015

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IRMÂOS E SOBRINHAS DESGRAÇAM ADOLFO As vendas da Adolfo Dominguez estão em queda e a culpa é da família do estilista de Orense. De acordo com os analistas, o mau momento de Adolfo deve-se à concorrência que as marcas fundadas pelos irmãos e sobrinhas lhe fazem no mesmo segmento de mercado, Em 97, os irmãos Francisco, Josefina e Jesus fundaram a Sociedade Textil Lonia, que tem as marcas Purificacion e Carolina Herrera. Mais tarde, Maria e Uxia, filhas de Jesus, lançaram a marca Bimba y Lola, que fatura 115 milhões de euros, quase tanto como o tio.

EPSON INVESTE NA IMPRESSÃO TÊXTIL A Epson comprou a Fratelli Robustelli, empresa italiana, com sede em Como, especializada no fabrico de impressoras têxteis a jato de tinta. Espera-se que o mercado mundial da impressão têxtil digital cresça anualmente com taxas na ordem dos 25%.


DAMOS FORÇA À SUA MARCA. Queremos ajudar a promover o seu negócio e criar valor num contexto nacional e internacional. Concretizamos a sua ideia, com criatividade, com dedicação e com uma experiência multidisciplinar de mais de 20 anos no setor, através de soluções de comunicação, de exposição e eventos em várias partes do globo. Consulte-nos. Porque acompanhamos as tendências com a sua marca.


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DAR O TRIPLO SALTO VESTIDO COM PRESERVATIVO Acaba de ser lançado um fato desportivo para atletas do salto em comprimento feito com o material usado no fabrico de preservativos. “É incrivelmente leve. É como não vestir nada. Como é super elástico, super leve e super forte vai melhorar muito a performance dos atletas”, explica Pauline Van Dongen, a estilista convidada pela marca de preservativos Skyn para desenhar este equipamento ousado e inovador.

SANMARTIN COM SHOWROOM EM PARIS A Sanmartin abriu no início do mês em Paris, no quarteirão do Sentier (2o Arrondissement), um showroom onde terá em permanente exposição as novidades das suas coleções de rendas e bordados para alta costura e noivas. “Paris é o ponto de encontro obrigatório dos criadores de todo o mundo”, explica Nuno Lemos, administrador da empresa e filho de Luís Lemos, que há 35 anos, quando fundou a empresa, teve a visão de criar uma marca com fácil leitura a nível internacional - lê-se à francesa, ou seja Sãmartân -, inspirada no nome da terra onde nasceu (S.Martinho). A principal preocupação da empresa da Maia é investir em capital humano e na expansão da sua rede comercial internacional, que com 15 agentes, distribuídos pela Itália (quatro), Alemanha (três), Áustria, França, Irlanda, Polónia, República Checa e Eslováquia. O norte de Itália e o sul da Alemanha são os mercados ricos e importantes para a Sanmartin, que emprega 40 pessoas e fechou o último exercício com um volume de negócios de quatro milhões de euros, dos quais 60% correspondem a exportação direta. A Alemanha é o segundo maior mercado de exportação da Sanmartin (o primeiro é a Itália), o que explica por que é que acaba de somar a 28a participação consecutiva na Munich Fabric Start. “O mercado alemão é muito interessante. Temos cá agentes mas nem por isso deixamos de estar presentes com um stand próprio na Munich Fabric Start, porque os clientes gostam de vir aqui ter connosco”, conta Nuno, que está satisfeito com a performance da empresa - no primeiro semestre as vendas cresceram 10% relativamente a idêntico período do ano anterior. Além de Munique, Londres (Textile Forum), Milão (Milano Unica) e Lille (Tissu Premier) são paragens obrigatórias do calendário de feiras da Sanmartin, que tem uma loja própria no Porto (Rua da Constituição 891).

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“Um vestido de alta-costura que vale 600 mil euros? Coño! Por esse preço posso comprar um andar. E se, por azar, um empregado te entorna um café por cima, ficas com vontade de matar o homem porque te lixou 600 mil euros." Agatha Ruiz de la Prada ao DN

JHIAD NO BANGLADESH AFUGENTA EXPATRIADOS Desde o assassinato, no ano passado, de dois estrangeiros, em Daca, que a frequência dos atentados jihadistas está a levar muitos expatriados a abandonar o Bangladesh. “Decidi que não podia ficar em casa como se estivesse numa prisão, com as cortinas fechadas a partir de certa hora e paranóica com qualquer barulho na escada ou na rua”, explica Estela Botello, uma estilista madrilena que trabalhava numa empresa têxtil e decidiu voltar para Espanha.

ANÉMONA DE MATOSINHOS À SOLTA EM GUIMARÃES

”Artificialia” I e II, Laura Sanchez (Peru / França)

Primeiro estranhou-se depois entranhou-se. Hoje a “Anémona”, escultura colocada em frente ao mar, entre o Porto e Matosinhos, já faz parte da paisagem. Mas todos aqueles que constantemente se interrogam sobre a essência artística da obra da escultora norte-americana Janet Echelman vão ter a oportunidade de esclarecer as suas dúvidas numa conferência intitulada “What place is this?”, que decorrerá no auditório do Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, a 23 e 24 de Setembro. Será também uma oportunidade para deslaçar e entrelaçar o território, como referem os organizadores desta iniciativa,

“Virus Culture Macroscopic”, Alexandra Knie (Alemanha)

que é um dos pontos altos da 3ª edição da bienal Contextile que decorre até 26 Outubro, com ações sobretudo centradas em Guimarães, mas também com alguns sobressaltos criativos noutros locais, como a exposição “Textile in Art”, na Alfândega do Porto, no Modtíssimo. Janet Echelman, e outros oradores, tentarão dar resposta a essa magna questão: “Que lugar é esse?” que entrelaça a arte e o têxtil, e a indústria e o artesanato. Mas há de facto um território da cultura têxtil? Aparentemente, há. Basta ver as 54 obras de 51 artistas que foram selecionadas de um total de 732 trabalhos de 544 auto-

res de todos os cantos do mundo. Algumas dessas obras vão ficar por cá. A ATP e a ASM, parceiros estratégicos da bienal, decidiram atribuir um prémio e adquirir as obras “Virus Culture Macroscopic” da artista alemã Alexandra Knie e “Artificialia I e II” da peruana radicada em França Laura Sanchez. A obra de Knie, segundo a própria autora, é no fundo uma transferência de uma imagem visualizada microscopicamente para um bordado clássico. Laura Sanchez escolheu trabalhar com cabelos e usar técnicas antigas, como o bordado ou a renda, para dar uma segunda existência a esses mesmos cabelos.

GIESTAL DIZ BANZAI! E PREPARA MARCA A Giestal está ao ataque no mercado japonês, onde pretende duplicar as vendas, que já representam 5% da faturação desta têxtil-lar, que fechou 2015 com um volume de negócios de dois milhões de euros, dos quais mais de 95%exportados. “O nosso objetivo para o Japão é duplicar as vendas”, afirma João Ferreira, responsável comercial da Giestal, que esteve em Tóquio, na Interior Lifestyle, onde manteve contactos profícuos com representantes

de department stores do país, como a Isetan, Matsuya e Mitsukoshi. As colchas são a especialidade da Giestal, mas as mantas, 100% algodão, apesar de serem um produto mais recente, estão a fazer um grande sucesso no Japão, como João Ferreira testemunhou numa visita a uma loja Isetan, no centro de Tóquio. “Há cinco anos que temos importador para o Japão. Mas preparamos com todo o cuidado e ao pormenor esta nossa partici-

pação na Interior Lifestyle Tokyo, trazendo uma coleção com tamanhos adequados a este mercado e decorada com desenhos ligado à cultura nipónica”, conta Ferreira. “Os japoneses apreciam ao toque das nossas peças e a suavidade das franjas”, acrescenta o comercial da Giestal, empresa que tem em curso o processo de construção de uma marca própria, que deverá estar concluído entre o final deste ano e o início de 2017.


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OS GOVERNOS NÃO ENTENDEM O NEGÓCIO TÊXTIL

FOTO: RUI APOLINÁRIO

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n ENTREVISTA Por: Jorge Fiel e Raposo Antunes

Paulo Melo 52 anos, nasceu e cresceu em Brito, Guimarães, neto de António Teixeira Melo, o fundador da Somelos. Licenciado em Economia (Portucalense), durante o curso ia e vinha do Porto todos os dias de camioneta. Casado com Gabriela (neta de Manuel Gonçalves, o fundador da TMG), têm dois filhos, João Paulo, 25 anos (licenciado em Gestão, está a fazer uma pós-graduação na Porto Business School), e Manuel Pedro, 23 anos, que estuda Gestão na Católica do Porto

O

s governos têm de se esforçar mais para conhecer melhor o negócio têxtil e o seu enquadramento internacional, alerta Paulo Melo, 52 anos, presidente da ATP. É mau sinal o Governo ter suspendido a descida do IRC?

Muito mau. É difícil trabalharmos com esta instabilidade fiscal e sermos competitivos quando não beneficiamos dos mesmos incentivos fiscais que os nossos concorrentes. Como o dinheiro não estica, se temos uma carga fiscal elevada ou pagamos os impostos ou investimos. O que acha da descida do IVA na restauração?

Sabe de alguém que esteja a pagar menos nos restaurantes? Se há quem esteja a ganhar com essa descida não são os consumidores... E das 35 horas na Função Pública?

No privado as 35 horas são impensáveis - era fechar as empresas todas. E não faz sentido num mesmo país, os funcionários do Estado trabalharem 35 horas por semana e todos os outros 40. Mais do que nunca o país precisa que trabalhemos mais - não menos. Como cidadão, sinto-me revoltado com esta questão. O restabelecimento dos feriados prejudica a indústria?

Os feriados a meio da semana implicam quebras de produção e aumentos dos custos operacionais particularmente dramáticos nas tinturarias e acabamentos. Quando o feriado calha à 5ª feira mais vale parar à 4ª, o que se tem de fazer é encostá-lo à 2ª ou 6ª feira. A eficiência da máquina industrial não se compadece com a elevada

quantidade de feriados que temos. Está calculado que um feriado custa 50 milhões de euros ao país. Reverter foi uma má notícia. Ficou preocupado com os aumentos do salário mínimo?

Fiquei preocupado na forma como foi imposto, pois costuma ser negociado na Concertação Social. O principal ativo das empresas são os trabalhadores. Não há empresas sem trabalhadores. Mas para que os bons trabalhadores possam auferir salários mais elevados é preciso flexibilizar as leis laborais. É muito caro e difícil despedir uma pessoa que ocupa indevidamente um posto de trabalho. A carga fiscal e a leis laborais são os principais estrangulamentos à competitividade?

São importantes, mas não são os únicos. Os custos da energia são uma loucura. Na fatura energética, 60% é o custo do kwh e 40% são taxas fixas, que subiram 120% nos últimos cinco anos. Por que é que a indústria tem de pagar estes aumentos? Como se ultrapassa esse problema?

Para começar, descendo as taxas fixas, muitas delas resultantes de rendas altas contratualizadas a nível nacional. E há o tabu do nuclear que devia ser quebrado. E não percebo porque é que não se compra mais energia à França, que tem um kwh mais barato, pois tem energia nuclear. O mercado da energia é opaco. As crises descapitalizaram as empresas. As 131 medidas da estrutura de missão de José António Barros, são suficientes?

O trabalho do engenheiro Barros é excelente. A direção da ATP teve a oportunidade de reunir com ele e contribuir com algumas sugestões. Agora só peço que se avance rapidamente e as medidas sejam executadas. Um dos problemas do nosso país é que temos grandes ideias, mas há sempre um enorme compasso de espera entre o ter e o fazer. Temos de ser mais rápidos. Como é que Governo pode ajudar

Os custos da energia são uma loucura, nos últimos cinco anos subiram 120%

as linhas essenciais das políticas ao nível económico, financeiro, social e de justiça deixem de estar dependentes de quem ganha ou perde as eleições. Independentemente de quem é Governo, o país tem de ter um plano estratégico de longo prazo que beneficie todos os portugueses. Já falou com o ministro da Economia? Acha-o tímido, como diz António Costa?

Sempre gostou da indústria, “a grande criadora de riqueza”. Mas antes de se alistar na Somelos, teve de cumprir o Serviço Militar Obrigatório. A tropa apanhou-o no final do curso, obrigando-o a passar oito meses na Unidade de Transportes da Figueira da Foz. Valeu-lhe o Alfa Romeu 33, prenda de licenciatura, que lhe deu muito jeito para ir passar os fins-de-semana a casa. Passado à peluda, em 1989, começou a trabalhar na fábrica fundada pelo avô, com um salário de 30 contos (“não era muito”, reconhece). Debutou, como caloiro, na secção de custos, uma pós-graduação em Indústria Têxtil que o levou a passar por vários departamentos: fiação, tecelagem, acabamentos... É administrador da holding Somelos SGPS e responsável pelas fiações e Somelos Mix. Sócio do Vitória, gosta de caça e golfe, mas pratica pouco, por falta de tempo. Faz corrida e ginásio para se manter em forma

as empresas a serem mais competitivas?

Garantindo-nos um quadro de estabilidade nas medidas de apoio às empresas. Não se pode estar sempre a mudar tudo. Nós temos de estar focados nas empresas e nas relações com os clientes, que está cada vez mais longe, e em acompanhar a evolução dos produtos, sua diferenciação, valor acrescentado, projetos de futuro. Como se consegue essa estabilidade?

Precisamos de um pacto de regime entre o PS e o PSD, de modo que

A ATP tem canais abertos com o primeiro-ministro e os ministérios mais importantes para a nossa atividade, como a Segurança Social, Finanças e Economia. Caldeira Cabral pareceu-me ser uma pessoa competente, mas, tal como eu, tem pouca experiência política. E tem um grande desafio pela frente. Quando a Europa está bem, é difícil Portugal estar mal. Mas nesta conjuntura é preciso ter muito cuidado pois a somar à instabilidade interna, há uma grande indefinição no espaço europeu, onde estão os nossos principais clientes... O crescimento abaixo do esperado deve-se à incerteza que reina a nível global ou à situação política particular que o país vive?

Temos de fazer o trabalho de casa, redimensionando as nossas estruturas de acordo com as necessidades, de forma rápida, sem tabus nem preconceitos. Se as empresas privadas fazem isso, porque é que o Governo não faz? Não podemos continuar a caminhar com uma bola de chumbo amarrada aos pés e a prejudicar as próximas gerações. Teme um segundo resgate?

Se o crescimento for inferior às nossas necessidades e se as reformas do Estado não se concretizarem, temo que possa ter de haver um segundo resgate. O que diz da sucessão de escândalos bancários?

Preocupa-me muito, principalmente pelas consequências que têm no financiamento das empresas. O acesso ao dinheiro está mais difícil e o custo é muito elevado. O ciclo produtivo das têxteis é muito longo e tem de ser financiado. As PME não

têm dimensão para se financiarem na banca internacional. Precisamos de bancos nacionais com dimensão e cultura que nos apoiem. O que quer dizer quando fala em bancos com cultura?

Um dos nossos problemas é que não há na banca quem perceba a fundo das especificidades do nosso setor. Não bastam o balanço e os números para analisar corretamente uma empresa. Também é preciso conhecer os seus produtos, projetos e estratégia. Por que é que as exportações da ITV continuam a crescer, em contraciclo com quase todos os outros setores da nossa economia?

A exportação faz parte do ADN da têxtil, que além disso soube, nos últimos anos, fazer o trabalho de casa, reestruturou-se, inovou, abriu novos mercados e é uma referência mundial no setor. As feiras continuam a ser importantes?

É fundamental estar presente nas feiras. Nesse sentido, a Selectiva Moda está a fazer um excelente trabalho. Temos de estar sempre junto dos clientes, colados a eles. As feiras são uma ótima oportunidade para apreciar as dinâmicas dos concorrentes, apanhar as tendências, conhecer agentes, sentir o ar que se respira, apercebermo-nos das sensibilidades e tentar antecipar o que se vai passar. As exportações têm crescido, rebocadas pela Espanha. É preciso diversificar?

A Espanha continuará a ser o principal mercado e o grande motor do nosso crescimento. Não só pela proximidade, mas também porque tem grandes marcas e cadeias de distribuição, a quem a ITV portuguesa muito deve. A Espanha é um grande país comercial e Portugal é um grande país industrial, que soube apanhar a boleia dos seus vizinhos. Essa relação é uma rua de dois sentidos?

Nos últimos 20 anos aprendemos


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ANTÓNIO TEIXEIRA DE MELO

Maria Manuela Melo

José Ângelo Melo

Casa-se com Costa Guimarães

Tem quatro filhos

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António Teixeira de Melo

MILHÕES DE EUROS António Teixeira de Melo, o fundador da Somelos

muito com a Inditex. Mas nós também somos importantes para eles. A Zara não teria conseguido dar o salto que deu nos anos 80 sem o apoio da nossa indústria. E alguns dos seus fatores de sucesso devem-se muito à nossa capacidade de dar respostas rápidas e estar sempre a apresentar soluções novas aos clientes. As negociações da parceria transatlântica com os EUA estão encalhadas. Isso deixa-o apreensivo?

Será mau para nós se o acordo falhar. Essa parceria garantia-nos muitos anos de crescimento e estabilidade.

Paulo

ou agricultura. Trata-se de uma tendência que veio para ficar?

Temos de vender o que os clientes querem

Que avaliação faz do trabalho do CITEVE?

Quando foi criado, dizia-se à boca pequena que ia ser um elefante branco. Não foi. Revelou-se um investimento bem feito. Tem sido muito bem gerido, com uma dinâmica própria e uma estratégia clara, e foi capaz de reunir um corpo docente e técnico muito profissional, que tem ajudado as empresas no âmbito da inovação e i&d. E da Modatex?

Fez todo o sentido a restruturação que o criou. Tem todas as capacidades para alimentar as empresas com a mão-de-obra especializada de que elas tanto precisam. Sinto que está atento às necessidades atuais e futuras da indústria. A proximidade com as empresas é fundamental. Sente a escassez de engenheiros têxteis e mão-de-obra especializada?

Hoje em dia é difícil encontrar um engenheiro têxtil disponível. Temos de rapidamente inverter esta tendência. Quanto à mão-de-obra especializada, dou-vos

Não só veio para ficar, como é fundamental aprofundá-la. É preciso alargar a mancha a novos negócios mais estáveis.

Mafalda

é o volume de negócios do grupo Somelos, onde trabalham 1 180 trabalhadores

As perguntas de

Temos condições para sermos competitivos a fazer private label?

A eficiência da máquina industrial não se compadece com esta quantidade de feriados

O que espera do cluster do setor que acaba de ser constituído?

Foi um passo bem dado. Tem um caminho próprio a fazer, sob a liderança do CITEVE. Pode ser um excelente polo de convergência com uma organização própria.

António

só um exemplo; demora um ano e meio a formar um bom tecelão, capaz de fazer produtos elaborados - e isto é um investimento suportado pelas empresas.

Há, se for de artigos com incorporação de valor, moda, ou seja produto diferenciado. Esse sim, veio para ficar. Já não acredito que sejamos competitivos em artigos básicos, em que o importante é o custo minuto de confeção... Qual foi o segredo do turn around do setor?

Saber reconverter-se. O motor do desenvolvimento da ITV já não são as grandes empresas, pesadas e duras de rins, mas sim uma pequena multidão de PME bem dimensionadas, flexíveis, com excelente serviço, alta qualidade, um nível técnico excelente e que aprendem rápido.

Como se ataca esse problema?

Precisamos de mais cursos técnicos que formem os trabalhadores especializados. Não serve de nada investir em máquinas se não tivermos quem as saiba operar... A unificação numa associação de toda a fileira é uma prioridade para o mandato?

Vamos continuar a ter uma atitude ativa. A ATP é uma casa aberta a todos os que partilhem a nossa forma de ser e estar. A convergência de todas as associações é uma prioridade, mas tem de assentar em bases sólidas, para prevenir problemas futuros. Ao cabo de quatro anos de negociações, a ATP denunciou a contratação colectiva. O que vai fazer nesta frente?

As reuniões sucediam-se e não se avançava um milímetro, pelo que achamos melhor fazermos uma pausa. Mas mantivemos sempre a porta aberta ao diálogo, que vai ser retomado este mês. O têxtil está a invadir outros setores, como o automóvel, saúde

Em que é que tem de melhorar?

Portugal ainda vende mal os seus produtos. Fomos sempre excelentes produtores, mas medíocres vendedores. Temos de saber promover muito bem os nossos produtos, não ter receio de dizer que é dos melhores que o mundo produz. Com a globalização, os diretores comerciais têm de ser pessoas do mundo. Temos de vender aquilo que os clientes querem e não aquilo que nós decidimos produzir. Tem de ser do fim para o princípio. Como é que se consegue isso?

É preciso ter uma disponibilidade. Temos de estar sempre atentos no mercado, a recolher informações preciosas para antecipar as necessidades dos clientes e colocar à sua disposição o que eles precisam. O sucesso de uma coleção depende do acompanhamento que se faz a cada um dos clientes A democratização da moda obriga-nos a trabalharmos com as equipas de designers dos nossos clientes, para lhes fornecermos exclusivos.

João Costa Vice-presidente da ATP

António Falcão CEO grupo Falcão e presidente CF da ATP

As exportações da ITV estão a crescer desde 2010 e devem atingir este ano um montante semelhante ao máximo de 2001. É uma trajetória sustentável?

O associativismo do setor ainda não fala a uma só voz e isso fragiliza-nos. O que pensas fazer para reforçar essa voz única que tanto precisamos?

Temos todos de aproveitar o momento e não deixar escapar as oportunidades que diariamente aparecem. O negócio têxtil de moda tem uma pressão diária muito forte, com planificações muito curtas, de três a seis semanas, entre a encomenda e a entrega. Para continuarmos a crescer, temos de ser flexíveis e inovadores, estar cada vez mais próximos dos clientes - e o país precisa de ter políticas estáveis.

A ITV é um alguidar onde convivem sub-setores muito diferentes que é preciso aglutinar. Umas das missões da ATP é fazer tudo que está ao seu alcance para que o setor fale a uma só voz. Nascemos com esse ADN por isso sabemos o caminho a seguir, mas ainda há arestas a limar. O caminho da consolidação tem de ser feito com passos seguros, o tempo necessário, as pessoas certas, opiniões e estratégias semelhantes.

Que políticas deve o Governo adotar para a economia portuguesa ser mais competitiva e a ITV ser uma atividade de vanguarda à escala mundial?

Os governos têm de transmitir confiança aos empresários. A instabilidade no mercado e na economia tem de ser compensada por estabilidade na envolvente política, legal e fiscal. Os governos ficam satisfeitos com o crescimento das exportações, mas têm de se esforçar mais para compreender as complexidades do nosso negócio e o seu enquadramento internacional.

A ITV está a atravessar um bom momento em termos de encomendas. O que devemos fazer para consolidar e reforçar este momento num futuro estável?

Crescemos devido ao comportamento notável - até surpreendente - das empresas e dos empresários, que arriscaram, inovaram, diversificaram, souberam tornar-se flexíveis e não tiveram medo de ir às feiras lá fora e abrir novos mercados. A nossa ITV tem um excelente know how, uma enorme capacidade produtiva e está concentrada num raio de 20 km, com epicentro em Famalicão. Isso deixa-me otimista quanto ao futuro.


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A escolha de cores opulentas para aquecer a estação fria

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Os tricotados querem-se envolventes em fios grossos e macios

Formas básicas e modernas que oferecem conforto e proteção

MDS REINTERPRETA O PASSADO

Isabel Cristina Costa

Alexandrine Cadilhe & Daniel Simões são a dupla maravilha que assina as coleções da Mad Dragon Seeker (MDS) desde 2005, quando a marca começou a crescer, a privilegiar matérias-primas nobres e a apostar numa oferta diversificada. Na última edição do Portugal Fashion, a coleção apresentada para o próximo outono/ inverno foi inspirada em culturas centenárias, reinterpretadas no futuro com recurso a novas tecnologias e novos materiais. Com a MDS a celebrar este ano um quarto de século e a programar a abertura da primeira loja entre 2017 e 2018, Daniel Simões, que é também o responsável da direção de Marketing da empresa de Barcelos desde 2004, diz que a partir daqui será mais fácil sustentar a expansão da marca via sistema de franchsing. Outro dos objetivos da MDS, que tem Portugal como o seu principal mercado, continua a ser o aumento do peso das exportações no volume de negócios. Em 2015, a empresa faturou 500 mil euros. França e Espanha são para já os grandes destinos internacionais, mas Daniel Simões adianta que estão em curso negociações com vista à entrada da marca portuguesa em países como a Finlândia, a Polónia e a Bélgica. A Mad Dragon Seeker é presença habitual no desfile da indústria do Portugal Fashion, além de constar da lista de participantes do Salão Modtíssimo. É que as feiras de moda têm sido facilitadoras de contactos com vista à representação da marca além-fronteiras.

Alexandrine Cadilhe e Daniel Simões são os fazedores de sonhos da Mad Dragon Seeker. Ela é licenciada em Design e Estilismo pela École Fleuri-Delaporte e em Modelagem pelo Centre de Formation de Modelistes, em Paris. Trabalhou para marcas francesas antes de se instalar em Portugal, o que aconteceu em 1989. Ele é licenciado em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade Lusíada. Além de criativo, também é, desde 2004, responsável de Marketing da empresa de Barcelos.


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6 FEIRAS

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AGENDA DAS FEIRAS BALTIC TEXTILE & LEATHER 29 setembro a 1 de outubro - Vilnius

O NOSSO OUTDOOR NO MANDALAY

Fitor, Lipaco, Luís Andrade , T. A. Falcão/Fitexar MEDICA 14 a 17 de novembro - Dusseldorf Barcelcom, Citeve, Collove - Custoitex, Fitor, Magicpharma JITAC 14 a 16 de novembro - Tokio A. Textil Serzedelo, Lemar, Trend Burel, Tintex TISSU PREMIER 23 e 24 de novembro - Lille Sanmartin, 6 Dias, Quick Code FASHION SPV LONDON 15 a 16 de novembro - Londres Faria da Costa, Gulbena, Orfama, Praia Lusitana, Nordstrom

Depois de ter dado o pontapé de saída em San Sebastian, a campanha Fashion From Portugal aterrou em Las Vegas para promover a nossa moda em absoluta sintonia com as empresas portuguesas que estiveram na Magic, com o apoio da Selectiva Moda. Um poderoso outdoor , à entrada do Hotel Mandalay Bay foi uma das mais vistosas ações de um programa que compreendeu uma degustação de Vinho do Porto no Clube VIP da Magic, no final do 2º dia da feira, bem como a distribuição de brochura e a publicação de uma página de publicidade nos catálogos de todos os salões da mega-feira norte-americana: Project, Pool Trade Show, Stich, Project Women, Market, The Tent e Acessories. A New York Now, em janeiro, é a próxima escala do Fashion From Portugal New York.

MAGIC ELEGE KATTY COMO UMA DAS MELHORES O excesso é a essência de Las Vegas, a gigantesca cidade norte-americana que é a capital do jogo e foi construída no deserto de Mohave. Não se pode estranhar assim que esta cidade do Estado do Nevada seja o palco da maior feira de moda do Mundo, promovendo ainda outros produtos como o calçado. No total, o número de expositores ronda os quatro mil. Os têxteis portugueses já se fazem representar naquele certame há 12 anos. Nos primeiros tempos, os negócios eram sobretudo no regime de private label. Mas agora a aposta é já com marcas próprias, como a Inimigo Clothing, Maloka, Daily Day, Katty Xiomara (Project Womens), Koll3KT e Qvinto. Foram precisamente estas seis empresas portuguesas que estiveram representadas na Market Week Las Vegas, que decorreu entre 15 e 17 de Agosto. Numa altura em que se aguarda ainda pelo acordo aduaneiro entre os EUA e a União Europeia, o que irá alavancar seguramente mais negócios, a presença das empresas

“É aliciante trabalhar o mercado americano por causa da sua escala e diversidade" Mee Young Daily Day

portugueses foi um sucesso comercial. Mas não só. A coleção apresentada por Katty Xiomara foi nomeada como uma das melhores da feira. A estilista, que mostrou a sua coleção para o verão de 2017, justificou a sua participação no certame por ter “já alguns clientes neste mercado” e por esperar com a sua participação “vir a conseguir novos contactos e clientes em especial da costa Oeste dos EUA”. “É aliciante trabalhar o mer-

cado americano por causa da sua escala e diversidade”, explica, por seu turno, Mee Young, da Daily Day, que levou para este certame modelos de corte simples destinados ao dia-a-dia das pessoas. No que é já uma presença habitual, a Inimigo Clothing mostrou T-Shirts, polos, sneakers, coats e knitwear. Simão Soares, sales manager da marca, prevê mesmo um crescimento no mercado americano de 30%. O aumento das vendas é obviamente o objetivo da Maloka que apresentou a sua coleção de moda para o verão de 2017. Ainda a tentar entrar no mercado norte-americano, a Qvinto, que esteve pela primeira vez em Las Vegas, apresentou a coleção de verão 2017 para homem, composta por calções de banho, camisas e t-shirts de linho. “A nossa marca é o espelho do estilo de vida do homem contemporâneo com gosto pelo lifestyle, sofisticado mas casual”, explicou João Filipe Jorge, managing partner da empresa.


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SABER VIVER PORTUGUÊS IMPÕE-SE EM MEDELLIN É uma espécie de plataforma da moda para toda a América Latina, incluindo o gigante México, onde não há certames com as condições desta Colombiamoda, que decorreu na Plaza Mayor de Medellin entre 26 e 28 de Julho. O gigantismo desta feira, que já vai na sua 27ª edição, vê-se pelo número de expositores (800), mas também pela presença de empresas de todos os países não só da América do Sul, como da Central e dos próprios EUA. Claro que a língua dominante é o castelhano, mas a comitiva portuguesa, composta por 16 empresas, também se destacou. Tanto pelos negócios que fez como pela participação no projeto de internacionalização From Portugal. Medellin, que é a segunda cidade da Colômbia (um mercado com cerca de 40 milhões de habitantes semelhante ao espanhol), transformou-se assim numa porta de entrada da moda, dos têxteis-lar e dos tecidos portugueses. Tarefa que está facilitada desde logo por este país ter padrões de consumo e gosto comparáveis aos europeus. Daí que o grosso das empresas portuguesas que lá estiveram representadas tenha já agentes ou importadores locais, o que revela uma maturidade no processo de vendas das nossas empresas. Portugal, de resto, era o país europeu mais representado na Colombiamoda. Aliás, algumas marcas nacionais que participaram em anteriores edições, já não repetiram este ano

A Selfridges lançou uma campanha intitulada Shakespeare ReFASHIONed, tirando partido do ambiente que rodeia as comemorações dos 400 anos da morte do grande dramaturgo inglês. As peças da coleção, desenhadas por Christopher Kane, Alexander McQueen, Maison Margiela e Rick Owens, estão à venda no Designer Studio, recentemente inaugurado pelos armazéns londrinos.

“A Europa continua a ser muito importante para nós, mas o mercado americano oferece belíssimas perspetivas de crescimento." Portugal foi o país europeu mais representado na Feira Colombiamoda

porque estão de tal forma integradas no mercado colombiano que os seus produtos (como é o caso das rendas e bordados da Rendibor e da AMR nos têxteis-lar) estavam à venda nos stands dos seus parceiros deste país latino-americano. De regresso a Medellin, a portuguesa Ada Gatti apresentou uma coleção baseada em artigos de design cosmopolita, com cores quentes e matérias-primas frescas, indo ao encontro das necessidades da mulher sul-americana. A Collove levou a sua coleção Outono/ Inverno 2016/2017, assim como as últimas novidades em sportswear. Peças sublimadas sobre fibras naturais foram o destaque da coleção

apresentada pela Layer Wear. A Orfama, de Braga, marcou mais uma vez presença com o seu vestuário de malha. Mas este savoir faire dos têxteis nacionais tem também um savoir vivre. Foi um sucesso a degustação de produtos gastronómicos e vinhos portugueses durante os três dias que durou o certame. Fumeiro minhoto, compotas e queijos açorianos, vinhos verdes e espumantes arrasaram os participantes na feira colombiana. Não há números oficiais sobre quantos tiveram a possibilidade de degustar os nossos produtos. Mas há um outro número: mais de 60 mil pessoas visitaram a Colombiamoda.

O MISTÉRIO DA INTERTEXTILE SHANGHAI Por que é que, em janeiro, as 80 mais importantes empresas portuguesas de têxteis-lar não falharam mais uma Heimtextil, em Frankfurt, e quando chegamos a agosto a presença nacional na Intertextil Shanghai Home Textile é anémica, resumindo-se a dois designers (Tela’s Design e Teceland) e uma empresa industrial (a Vital)? O mistério adensa-se quando se sabe que a China já vale quase metade (47% para sermos exatos) do mercado mundial do luxo e que a edição de outono da Intertextile ocupou 160 mil m2 e seis pavilhões do gigantesco Exhibition and Convention Center de Xangai, onde 1 150 expositores de 30 países mostraram as suas novidades a 45 mil visitantes. Grace Lin, da Messe Frankfurt (HK) que organiza a feira, avança com uma explicação. “Os portu-

VESTIR OU NÂO VESTIR EIS A GRANDE QUESTÃO

Feira ocupou 160 mil m2

gueses fazem produtos fantásticos mas provavelmente ou não têm paciência para um mercado tão grande e difícil como este ou não têm

preço para concorrerem aqui”, diz, acrescentando que a China já é o segundo maior fabricante mundial de têxteis-lar e os seus fabricantes estão cada vez mais competitivos, apresentando produtos de boa qualidade a um preço razoável. Maria Alberta Canizes, da Associação Home From Portugal, tem uma resposta diferente, esclarecendo que muitas empresas não estiveram em Xangai porque em edições anteriores arranjaram distribuidores locais. “Mercados como a China e Hong Kong são um desafio muito interessante para nós. Portugal pode fornecer pequenas quantidades de produtos muito sofisticados, de qualidade alta e média/alta, entregues just in time. Há uma quota de mercado na China para a indústria portuguesa de têxteis-lar”, conclui Canizes.

António Cunha Sales Manager da Orfama, ao Journal du Textile

INTECOL MENOS EXPOSTA AOS HUMORES DA MODA A Intecol investiu meio milhão de euros em equipamentos para fabricar collants mais técnicos, com efeito de compressão. Com esta aposta em produtos de caráter medicinal, a empresa pretende diminuir a exposição às flutuações no segmento moda e aumentar a sua faturação para 3,7 milhões de euros no próximo ano.

USAIN E ÉVORA DECORAM FÁBRICA A P & R Têxteis vai investir numa nova fábrica, que aumentará em 20% a sua capacidade produtiva e terá na fachada as caras dos mais míticos atletas que vestiu, como, por exemplo, o velocista jamaicano Usain Bolt e o nosso Nelson Évora, campeão olímpico em Pequim 2008.

BENETTON EXCLUI EXTRA-TERRESTRES

“Clothes for Humans” é a nova filosofia e conceito da Benetton, que enforma a nova campanha publicitária global da marca italiana, e está presente não só no seu novo site mas também nos materiais instore. Três é o número mágico da United Colors of Benetton: dress up (elegância smart para o trabalho e situações especiais), dress down (estilo descontraído para todos os momentos do dia) e dress to move (peças funcionais para um estilo de vida ativo e desportivo).


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TIFFOSI NOS ACESSÓRIOS COM MARCA VILANOVA

DE PORTA ABERTA Por: Isabel Cristina Costa

+351

Rua Poiais de S. Bento 18 1200-348 Lisboa

Produtos Total look para ambos os sexos, num estilo sport chic dominado pelas linhas retas Lojas Uma loja própria em Lisboa, loja online (www. mais351.pt) e canal multimarca: Porto, Aveiro, Lisboa, Cascais, Algarve e Nova Iorque Produção Fábricas do Norte de Portugal

Vilanova é a nova marca para acessórios da Tiffosi (grupo VNC), que planeia abrir 50 lojas com esta insígnia na Península Ibérica, até ao final de 2017, das quais metade ainda este ano. ”É uma marca urbana e dinâmica, para um segmento jovem e inspirada na cidade de Barcelona”, explica António Vila Nova Carneiro, que há oito anos adquiriu a Tiffosi, que espera este ano crescer 20% e fechar o exercício com uma facturação de 168 milhões de euros.

“Se não duplicarmos as vendas da Salsa até 2020 não ficamos satisfeitos, porque além das lojas próprias queremos expandir-nos noutros canais" Miguel Mota Freitas Presidente executivo da Sonae SR, ao Expresso

ITV DE FAMALICÃO QUER APRENDER E SABER MAIS

Surfar na moda e conquistar a Big Apple A designer Ana Penha e Costa criou a marca +351 (isso mesmo, o indicativo telefónico do país) há dois anos. Abriu na capital a sua primeira loja/ateliê e tem vindo a conquistar vários pontos de venda multimarca no país e, recentemente, conseguiu chegar a Nova Iorque através da plataforma e-commerce Tictail. “Fomos uma das marcas selecionadas no meio de tantas outras que vendem nesta plataforma. E está a ser um sucesso. Recebemos um email de Nova Iorque a dizer - “We have been selling you guys like crazy!", conta. Voltando ao nome. “Pareceu-me óbvio, além de que graficamente resulta muito bem e qualquer pessoa consegue lê-lo e dizê-lo em qualquer língua”, responde. Ana Penha e Costa desenha as roupas e “quem produz são as nossas maravilhosas fábricas no Norte. É com orgulho que digo que é tudo feito em Portugal”. Quanto à inspiração deste vestuário sport chic vai buscá-la a todo o lado: “Tudo me inspira, viagens, experiências, arte, natureza”. Atualmente, a prioridade é a internacionalização da marca. Mas o plano está nos segredos dos deuses, ou melhor, a aguardar resposta do Quadro Portugal 2020. Além da loja própria, a +351 é comercializada em todo o país. Na The

Feeting Room e na Loja do Museu Serralves, no Porto, na Cais à Porta, em Aveiro, no Hotel The Oitavos, em Cascais, na Barbour, no Príncipe Real, em Lisboa e na Target, no Algarve. Agora, galgou o Atlântico, e está na loja Tictail Store, em Orchard Street 90, em Nova Iorque. Antes da moda, a grande paixão de Ana era o surf, que começou a praticar no Guincho aos 15 anos. Chegou inclusive a entrar em várias competições nacionais, tendo conquistado algumas vitórias. Depois, os estudos falaram mais alto e quando fez o mestrado em moda, em Portugal, acabou por ir estagiar primeiro na Billabong, em França, e depois na Osklen, no Brasil. Só que a saudade apertou muito (as chamadas telefónicas internacionais, o +351) e o sonho de criar uma marca própria já vinha à cabeça vezes sem conta. A reforçar essa ideia estava o facto de várias colegas da Ana estarem a criar as suas próprias marcas, “um pouco na brincadeira mas com algum sucesso”. Até que o sonho foi realizado quando regressou do Rio de Janeiro, da Osklen. O clique, esse, foi causado pela enorme vontade de ter nas próprias mãos o poder de decisão, “era o que mais queria... Decidir tudo, peça a peça”, diz. Assim nasceu a marca de roupa +351 Designed in Lisbon.

A ITV de Famalicão é dos setores industriais que sente mais necessidade de formação, de acordo com o Diagnóstico Concelhio de Necessidades de Formação para o biénio 16-18, feito com base em inquéritos a mais de cem empresas de 14 setores de atividade. “O facto da indústria de têxtil e vestuário ser um dos setores maisinteressados em matéria de formação de quadros técnicos e intermédios confirma o seu potencial de crescimento”, conclui a Câmara do terceiro concelho mais exportador do país.

TORRE TÊXTIL NO TOURAL É DA AUTORIA DA FIBRENAMICS A Torre Têxtil que está em exposição até 16 de outubro no Largo do Toural, em Guimarães, é a participação na bienal de arte Contextile da Plataforma Internacional Fibrenamics, da Universidade do Minho. A torre resulta de uma pesquisa interdisciplinar desenvolvida em parceria com o a A.Ferreira & Filhos de Vizela, e o Centro para a Informação Tecnologia e Arquitetura da Dinamarca.

153 mil empregados constam da folha de salários do grupo Inditex. São mais 23 mil do que o conjunto do que as 130 mil pessoas que trabalham na nossa ITV


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M EMERGENTE Por: Jorge Fiel

Marta Fonseca Designer e empresária da Latitid Família Tem uma irmã e sócia (Inês) e um labrador branco (Seven) Formação Curso de Design de Moda da ESAD e um mestrado em Produção de Moda pela FDModa (Barcelona) Casa Apartamento na Foz, Porto Carro Carrinha Volvo, cinzenta, que serve para transportar as coisas de e para as fábricas Portátil Mac Telemóvel iPhone Hóbis ”Adoro ir à praia, ao ginásio e viajar - todos os anos tenho que ir a qualquer lado” Férias Praia nas Dunas Douradas e uma escapada a Nova Iorque Regra de ouro “Seize the day”

FOTO: RUI APOLINÁRIO

Os fatos de banho são a praia dela Marta Fonseca. 28 anos, não teve de andar muito tempo ao sol até descobrir que a sua praia era desenhar e vender fatos de banho. Claro que em miúda sonhou que, quando fosse grande, iria ser veterinária ou farmacêutica. Mas na adolescência, atravessada no Colégio do Rosário, já o seu coração pendia para as Artes. Por isso não espantou ninguém quando escolheu fazer Design de Moda na ESAD. A prova dos nove de que não se tinha enganado na vocação foi tirada logo no 2o ano, quando Marta ganhou a etapa nacional dos Inspirations Awards da Triumph, o que a qualificou a estar na final mundial em Pequim, onde o conjunto de lingerie por ela desenhado se classificou no top ten, entre 31 concorrentes. No ano seguinte, o 3o e último do curso, voltou a vencer um concurso (o Venus, da Gillette), desta vez com um fato de banho triquini. Adorou o curso, mas quando acabou ainda sentia o bichinho da insatisfação a roer-lhe na alma e por isso decidiu partir para Barcelona, onde se demorou um ano, a fazer um Master em Produção de Moda. “Queria aprender todos as artes e segredos que estão por detrás das fotografias de moda que via nas revistas”, explica. Em 2011 retornou ao Porto e andou uns meses com o nariz no ar e os olhos bem abertos, a decidir-se que azimute deveria tomar. Na APICCAPS praticou o que aprendera na Catalunha. Na Parfois estagiou quatro meses na pesquisa de tendências. No entretanto, ia fazendo, quase por brincadeira, fatos de banho para ela, irmã Inês (especialista em Marketing) e para a tia, Fernanda Santos, que é agente têxtil. Os fatos de banho não tardaram a dar nas vistas, ao ponto de imensa gente começar a pedir-lhe que também fizesse um para elas. O sinal do mercado não lhe passou despercebido. Encorajada pela tia, estudou o mercado e concluiu que face à escassez da oferta de marcas nacionais de fatos de banho havia ali um clara oportunidade de negócio que tratou de agarrar, com a ajuda da irmã, que trocou o Azeite Gallo e uma poderosa multinacional (Unilever) para embarcar na aventura de uma start up familiar - o empreendedorismo veio tatuado no ADN das manas Inês e Marta, filhas e netas de empresários (o pai tem um fábrica de componentes de calçado e o avô foi um dos líderes da Arco Têxteis). O conceito foi afinado. Tratava-se de fazer fatos de banho para o segmento alto (o mais barato custa 88,50 euros e o mais caro 110 euros), fabricados em Portugal e destinados a mulheres cosmopolitas e com atitude, uma das palavras que está na origem da marca Latitid, sendo que a outra é latitude, já que todas as coleções são batizadas com o nome de uma cidade e identificadas pelas suas coordenadas. O lançamento da primeira coleção, a Porto (em que cada modelo tem o nome de uma praia), foi adiado de 2012 para 2013, porque as coisas se atrasaram e Marta não queria correr o risco de que o projeto ruísse como um castelo de areia. Teve razão. Um ano volvido, quando a Latitid apresentou a coleção Barcelona, já lograra recuperar o investimento inicial. O vento tem soprado favorável. Os 21 modelos, em três cores, da coleção Istambul (com as coordenadas do Grande Bazar , têm-se vendido como pãezinhos quentes, na loja Latitid no espaço Embaixada (Príncipe Real, em Lisboa), no showroom da rua Nossa Srª da Luz (Porto), onde convenientemente se sente o cheiro a maresia, mas também online. “Fazemos online mais de 30% das nossas vendas, com uma percentagem de troca inferior a 5%”, conta Marta, uma empresária que desenha fatos do banho com atitude (e também saídas de praia) para várias latitudes (já recebeu uma encomenda do Reino Unido, Austrália, Texas, Nova Iorque...), e admite, num futuro próximo, estender a marca Latitid a uma linha de artigos de desporto.


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X O MEU PRODUTO Por: Isabel Cristina Costa

Cork-a-Tex

Manta de aquecimento com fio de cortiça

Empresa Sedacor Produto Estruturas têxteis com flexibilidade, finura, e costurabilidade inerentes às mesmas, possibilitando a sua ampla utilização em vestuário, têxteis-lar e decoração Parceiros À Sedacor juntaram-se a Têxteis Penedo, o Citeve e a FEUP, com o apoio do Compete Prémio Em 2015, venceu o concurso Inova Têxtil na categoria Produtos Inovadores. Foi ainda finalista do prémio internacional Future Materials Awards 2015 na categoria de Sustentabilidade

LISBOA APAIXONA O EL CORTE INGLÉS Lisboa é o cenário da nova campanha publicitária do El Corte Inglés para todos os meios (televisão, imprensa, rádio, mupis e redes sociais) que vai para o ar no final do verão. Para fotografar e filmar a campanha, protagonizada pela modelo Coco Rocha, viajou até à capital uma equipa de 120 pessoas, entre bailarinas, fotógrafos, técnicos de som e de luz, realização e produção ). “Lisboa tem tudo que necessitamos para a rodagem - cenários diversificados, estilos arquitectónicos contrastantes, inúmeros miradouros e uma luz única”, explica um responsável da cadeia espanhola .

QUEDA DE 8% NAS VENDAS DA CHINA PARA A EUROPA As exportações chinesas de vestuário para a Europa recuaram 8% nos dois primeiros meses do ano. Apesar desta quebra, a China continua ser o principal fornecedor de vestuário do continente, seguido pelo Bangladesh e Turquia. No final de 2015, as exportações chinesas de roupa para a Europa cresceram 6% em valor, atingindo os 29,9 mil milhões de euros, mas caíram 12,5% em volume. Esta discrepância deve-se mais à apreciação do dólar face ao euro do que a uma eventual subida na cadeira de valor do produto chinês.

O casamento feliz do têxtil com a cortiça Responder ao interesse crescente pela cortiça como um material único e de características excepcionais foi a causa. O problema era que a grande maioria dos materiais à base de cortiça atualmente existentes no mercado não rimavam muito bem com vestuário e têxteis-lar. No entanto, a Sedacor conseguiu chegar ao efeito: uma manta produzida em tecido jacquard desenvolvido com um fio cuja composição é 80% algodão e 20% cortiça. O Cork-a-Tex está atualmente em fase de patente de invenção. Albertino Oliveira, diretor comercial da Sedacor, diz que o início da produção industrial acontecerá em breve e que este produto é “um testemunho de que vale a pena trabalhar em conjunto para melhorar e aumentar a capacidade exportadora de Portugal”. E, neste caso, quem trabalhou em conjunto com a Sedacor foram a

Têxteis Penedo, o Citeve e a FEUP. Determinada a desenvolver produtos inovadores e de elevada performance que incorporassem, em simultâneo, as propriedades dos substratos têxteis e as mais-valias funcionais da cortiça, a empresa de Santa Maria da Feira acabou por ver o seu trabalho reconhecido com o 1o lugar do prémio Inova Têxtil (iniciativa do iTechtStyle Innovation Business Forum, promovido pelo Citeve) na categoria Produtos Inovadores. O novo produto da Sedacor – a mesma empresa que criou em 2010 a primeira bola de futebol em cortiça aglomerada e depois em cortiça natural -, é inovador porque incorpora propriedades dos substratos têxteis como respirabilidade, flexibilidade, toque, aspeto e facilidade de conservação e limpeza, acrescidas das mais-valias funcionais da cortiça, tais como o antibacteriano,

anti-ácaros e isolamento térmico, suavidade, entre outras. Além disso, o Cork-a-Tex promove o conceito eco-friendly e de eco-design. A manta de aquecimento em fio de cortiça é o resultado de um projeto apoiado pelo Compete, no âmbito dos Sistemas de Incentivos à I&DT. O Cork-a-Tex envolveu um investimento elegível de cerca de 426 mil euros e um incentivo Feder de 294 mil euros. A Sedacor é uma empresa do Grupo JPS Cork (as iniciais são o nome do fundador, Jorge Pinto de Sá), que desde 1924 tem evoluído constantemente com soluções inovadoras e sustentáveis em cortiça para uma grande variedade de setores, tais como vinhos, construção, decoração, transportes, têxteis, calçado e acessórios de moda. Conta nos seus quadros com cerca de 90 pessoas e exporta para mais de 50 países.

NICOLAU MODERA E BESSA COMENTA NO XVIII FÓRUM TÊXTIL Paulo Ribeiro (Crialme), Maria João Rosa (Sonae), Núria Gonzalez (H&M), Hélder Rosendo (P&R Têxteis) e Sérgio Marques (Parfois) integram o painel de luxo do XVIII Fórum Têxtil, que reunirá na tarde de 19 de outubro, no auditório do CITEVE, em Famalicão. Os novos modelos de negócio da fileira têxtil estarão em cima da mesa, com moderação de Nicolau Santos e comentários de Daniel Bessa. Paulo Portas é um dos oradores convidados.

FATO MACACO VAI SER ROUPA DE CERIMÓNIA O fato-macaco já não é só roupa de trabalho para mecânicos de automóveis. O look minimal desta peça, bem como as suas características (leve, maleável e ligeiramente futuristas), encantam criadores e marcas de moda, como Alexander Wang ou Balenciaga, que puseram já modelos vestidas com fato macaco a desfilar nas passarelas com a suas coleções para a primavera/verão 17. Claro que Hollywood deu uma ajuda - veja-se a importância do macacão no guarda roupa de filmes como “Ghostbusters”, ou séries como “Breaking Bad", isto para já não falar no mítico e já clássico “Top Gun" (1986).


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OPINIÃO 1987

Paulo Vaz Diretor-Geral da ATP e Editor do T

20 ANOS DEPOIS

OS GLORIOSOS ANOS DO GABINETE PORTEX No ano em que a então Associação Industrial Portuense (atual AEP) inaugurou a Exponor e o Gabinete Portex trocou o agora Pavilhão Rosa Mota pela nova infraestrutura, já a indústria têxtil e de vestuário era um motor das exportações e da economia portuguesa . Nessa época com mais gente a trabalhar e a produzir mais peças, mas com menos valor acrescentado.

Quando há 20 propus à APIM (associação que, com a APT, deu origem à atual ATP-Associação Têxtil e Vestuário de Portugal),a realização de uma grande conferência anual do sector e para o sector, tinha em mente a criação de um espaço de debate, livre, aberto e integrador, onde fosse possível pensar o futuro, mais do que discutir as infelicidades do presente, delineando estratégias para um desenvolvimento mais estruturado. Desde 1996 foram realizados 17 edições, subordinadas a temas sempre diversos, mas coincidentes com as reais preocupações do tecido empresarial e a sua visão prospetiva. Talvez por isso nunca faltou adesão e entusiasmo na participação. A 18ª, que se realizará em 19 de Outubro próximo, será dedicada aos novos modelos de negócio, na indústria e no comércio, que irão moldar o perfil da nossa atividade nos próximos dez anos. Nestas duas décadas que transcorreram, o mundo mudou extraordinariamente e a Indústria Têxtil e Vestuário (ITV) portuguesa ainda mais. Se não tivesse mudado, estou certo que não existiria nada para celebrar e ninguém com quem celebrar. Há 20 anos temíamos a globalização e esperávamos o primeiro grande choque competitivo que se traduziu na liberalização do comércio internacional têxtil, que foi ainda mais devastador do que se previa e fatal para quem o esperou apaticamente, imobilizado pelo despeito e pela negação da realidade; hoje, temos o mundo como o nosso mercado e a única coisa que devemos recear é não sermos competitivos, não sermos inovadores ou criativos, pois é apenas isso que faz a diferença para que os nossos clientes, em qualquer parte do planeta, optem por nos comprar ou, pelo contrário, preferirem os nossos concorrentes. 20 anos depois, o Fórum da Indústria Têxtil pode dar como realizada a sua missão e vai agora obrigar-se a refletir sobre o seu papel, os seus objetivos e o seu modelo, pois a realidade é, hoje, claramente diferente de então e o futuro tenderá a acelerar essa mutação. A ITV portuguesa vivem presentemente uma conjuntura bem mais feliz do que há 20 anos e as perspectivas futuras, apesar de toda a incerteza que rodeia a economia portuguesa e mundial, são mais distendidas que na época, o que não significa que devemos relaxar ou acomodar-nos. Nada disso: são os momentos de temperança nos ventos que fazem perder os barcos no oceano, sem rumo e sem rota para percorrer, pelo que há que olhar sempre a realidade com o desafio da tempestade e com a atitude da sua superação. 20 anos depois, naturalmente com satisfação e orgulho pelo realizado, tenho a plena consciência que praticamente tudo está por fazer e isso é uma excelente notícia!


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Braz Costa Diretor-Geral do Citeve

João Vasconcelos Secretário de Estado da Indústria

CHEERS FUTURE COLLEAGUES

TÊXTIL É UM DOS SETORES QUE LIDERA INDÚSTRIA 4.0

Apesar de ter andado ontem dois fusos horários para Oriente, acordei cedo, confrontei-me com o o facto de já terem passado 15 anos desde o atentado das Torres Gémeas e do ano recorde do turnover da ITV portuguesa, que todos esperamos que seja igualado em 2016. De seguida vasculhei a net à procura dos resultados dos ingressos no Ensino Superior em Portugal. Naturalmente fi-lo com um foco particular sobre o que acontece, ano após ano, com as entradas no Ensino Superior de futuros profissionais dos setores têxtil e do vestuário. É bem entendido que não são apenas os cursos que tem as palavras ‘têxtil’, ‘vestuário’ ou ‘moda’ nos seus títulos que são relevantes para o nosso setor, mas o que acontece com as entradas para estes cursos constitui indicadores muito importantes da evolução da imagem do setor e da perceção que os jovens e suas famílias vão criando sobre as possibilidades de se trilhar carreiras interessantes no negócio têxtil. No que diz respeito à procura, o copo tem estado meio vazio. A metade referente às áreas do Design bem recheada com o preenchimento das 160 vagas disponíveis logo na primeira fase, mas mal cheio ou vazio no que concerne aos cursos de Engenharia Têxtil. Em 2014, da totalidade dos candidatos que entraram na primeira fase, apenas 1% deles eram candidatos a cursos de Engenharia, apesar de as vagas oferecidas para esta área constituírem 25% da totalidade. A procura dos cursos de Design tem-se mantido relativamente estável, à volta das 160 vagas. Nos últimos três anos todas as vagas foram preenchidas logo na primeira fase. Perfeito. Já nas Engenharias a situação tem sido completamente diferente. Vejamos os números (vagas preenchidas e menor nota de entrada):

O têxtil e o vestuário portugueses são hoje o melhor exemplo de uma indústria tradicional que se soube manter competitiva através da aposta na qualidade, na customização, na constante inovação e atenção às tendências nos mercados e na criatividade e design. Depois de, há 10 anos atrás, ter registado uma significativa perda de mão de obra e uma grande redução do número de empresas, hoje é um dos setores do país que mais exporta. Só no primeiro semestre de 2016 as suas exportações cresceram 5%. Verifica-se também que, neste setor, o Made in Portugal já é hoje um fator de valor acrescentado. Para isso muito contribuiu a compreensão da importância do design para a competitividade da indústria. Eventos como o Modtissimo têm nesse processo um papel fundamental. O design, muitas vezes visto apenas como a abordagem estética das coisas, deve hoje ser entendido como uma forma de estar disponível e apto para os exigentes desafios que a modernidade coloca, nomeadamente a digitalização da economia. Já todos sabemos que há uma nova revolução industrial em curso, que se caracteriza pela introdução de um conjunto de tecnologias digitais nos processos de produção, na relação entre os vários intervenientes na cadeia de valor, na relação com o cliente ou mesmo no modelo de negócio. No Têxtil, a digitalização e o comércio eletrónico têm revolucionado modelos de negócio, conferindo muito mais poder de customização e de escolha aos clientes. Mas não é apenas na relação com o cliente que a tecnologia veio revolucionar o setor. Dentro da fábrica, vemos cada vez mais máquinas e mais produtos por elas produzidos a serem equipados com sensores ou a estarem ligados à Internet. Na Alemanha, França, EUA ou Japão, já se começaram a desenhar estratégias nacionais para a chamada Indústria 4.0. Em Portugal, em Abril de 2016 foi lançada a iniciativa Indústria 4.0 que se destina a promover o diálogo entre os principais utilizadores destas tecnologias - as empresas. Ao todo, o Governo convidou mais de 80 empresas para colaborarem em grupos de trabalho sectoriais. Há já muitas empresas deste setor a introduzir tecnologias digitais na sua cadeia de valor, nomeadamente através do e-commerce, mas também nos seus produtos e nas suas fábricas, tornando-as mais inteligentes e mais competitivas. Também por isso, o Governo considerou ser um dos setores com mais responsabilidade para liderar o processo de mudança na nossa Indústria. Refira-se também o seu elevado peso na economia e o grau de abertura das suas empresas para a digitalização. Assim, em Abril de 2016 foi criado um grupo de trabalho Indústria 4.0 para o setor da Moda, que integra diversas empresas do setor, incluindo grandes multinacionais que operam de Portugal para o mundo, mas também diversas PME flexíveis e ágeis, que dominam as tecnologias e linguagens características desta quarta revolução industrial. Este é um dos grandes desafios que se colocam às empresas na atualidade, tanto em Portugal como no resto do mundo. A aposta em design e inovação, não só nos produtos como nos processos, permitirá ao Made in Portugal continuar a acrescentar valor o Têxtil e ao Vestuário portugueses. Não há motivo para que as empresas e as marcas portuguesas deste setor não possam liderar no mercado global.

Sabendo que não apenas de Engenharia Têxtil se faz a engenharia no setor, estes números colocaram os sinais de alarme todos ligados. Em 2015 houve sinais de vida da procura da Engenharia Têxtil. O ano passado, das 40 vagas disponibilizadas, 10 foram ocupadas na primeira fase. Esta ano, as vagas propostas para engenharia baixaram para metade, de 40 para 20, no entanto o número de candidatos colocados duplicou face a 2015, isto é, esgotaram as vagas logo na primeira fase tendo o último candidato entrado com média de 14.5 valores. Boas notícias, portanto. Apesar de ser ainda de manhã, vim beber um copo bem cheio e ao levantá-lo pensei: cheers future colleagues, cheers Universidade do Minho, cheers those guys that believe in the future of the portuguese textile industry.


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U ACABAMENTOS Por: Katty Xiomara

Setembro é um mês terrível, mas na imensa generosidade que a caracteriza e em mais uma demonstração do seu elevado sentido de responsabilidade (não só para com o T mas, também e essencialmente, para com a cidade do Porto) Katty arranjou tempo na sua agenda para conseguir o que parecia impossível: ajudar o nosso presidente da câmara a aparecer na Port Fashion Week com um look ainda mais jovial e informal que o lhe é habitual

Rui Moreira emblemático na PFW Em setembro e outubro, cidades por todo o mundo celebram a moda. A nossa cidade Invicta não é indiferente a esta matéria e o primeiro grande evento é já este mês – a Porto Fashion Week (PFW). Todos sabemos que o nosso presidente da Câmara gosta de se destacar pela jovialidade e modernidade, por isso temos a certeza que irá oferecer a sua figura como porta estandarte do evento. Com muito trabalho de bastidores conseguimos descortinar algumas das ideias para o guarda roupa do autarca que foram lançadas sobre a mesa. Já devem ter reparado que as novas coleções de inverno estão sobrelotadas de emblemas; emblemas nos blusões, nos bonés, nas sapatilhas, nas malas e até em peças leves e delicadas. Emblemas com diferentes brilhos texturas e dimensões. Assim, somamos 1 + 2 e como sabemos que este mês as bordadeiras da Lixa não têm mãos a medir com uma encomenda especial de emblemas…., deduzimos por tanto, que o resultado não é dois mas sim um Rui Moreira 100% arrojado. Os emblemas ilustram o nosso Douro, o Dragão, a Torre dos Clérigos, as Francesinhas e os doces palavrões portuenses. Quem não sabe o quer dizer “põe-te na alheta” ou “sostra”?!... Bem, na duvida podem consultar o livro do momento, que compila todos estas palavras de gema da nossa cidade. Ou para obter um efeito mais internacional e rir a brava, usem o dicionário de PORTOguês-Inglês. O nosso primeiro palpite nos diz que o Moreira poderá respeitar a etiqueta usando um fato embora sem gravata. O fato será numa leve fazenda fria de cor malva, e claro, decorado com todos estes emblemas. A camisa será branca, mas em contraste as sapatilhas serão amarelas. O nosso segundo palpite inclina-se para um look informal e ainda mais jovial. Sem fato, o Moreira poderá apresentar-se com uma simples camisa em indigo desbotado e padrão de pintas irregulares. Mas derruba a simplicidade com os emblemas. Completa o look com uns jeans escuros e justos segurados por uns suspensórios, e uns sapatos de couro sem meias. Pedimos, portanto a todos os tripeiros “abram bem essas lunetas” e capturem a imagem do nosso autarca, que poderá assim desfilar nas ruas da cidade.


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O AS MINHAS CANTINAS Por: Manuel Serrão

Café do Rio R. Comandante João de Paiva Brandão, 633 Polvoreira 4835-175 Guimarães Telefone: 253 523 841

UM CASO SÉRIO NO MINHO TÊXTIL Apesar do nome, este Café do Rio é um caso sério no panorama gastronómico do Minho Têxtil. Esta designação Minho Têxtil, acabei de a inventar e funciona para mim como uma espécie de Google Map desta página. Nem sempre coincide exatamente com a região minhota, mas o que lá se come e bebe , mesmo para lá ou para cá da fronteira, sabe tão bem como é apanágio que saiba nos melhores templos do Minho. Neste Café do Rio, ali a dois passos da nova auto-estrada que leva os de Guimarães para Felgueiras, Vila Real ou Chaves, é a Branca que está na cozinha e trata de toda a parte das compras e da parte da gestão, mas é a sócia Ana Maria que serve às mesas. Durante a semana a irmã Madalena dá uma mão ao almoço e ao fim de semana é o braço direito da mãe. A irmã mais velha delas, a Milena, também está lá e dá apoio. Ainda ajudam nas mesas, ao fim de semana, o pai e o marido da Ana Maria. E por vezes o primo Eduardo, filho da Ana Maria. Esta entrada mostra bem que o prato forte da casa é o serviço e a cozinha de cariz familiar que nos faz sentir em casa. A simpatia das pessoas que nos atendem e a competência das que nos tratam dos sabores, torna este Café do Rio um local onde apetece sempre voltar sem nenhum cansaço. Os pastelinhos de queijo são a iguaria que não sai da cabeça da minha colaboradora Susana, que aprendeu a gostar do Café do Rio porque o seu avó, o fundador da JMA, ainda hoje é um "ferrinho" desta casa onde vai amiúde com o seu grupo de amigos de sempre. No meu caso, não digo que não aos pastelinhos, mas a seguir é com o polvo e seu arroz ou com a picanha sabiamente cortada fina e deixada ainda em sangue que faço a minha festa dos sabores, para a qual estão todos desafiados. Também são escolhas seguras as papas de sarrabulho, o folhado de frango e para terminar com chave de ouro, o leite creme.


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SOUVENIRS

MALMEQUER António Pereira, CEO da FITOR, é licenciado em Engenharia de Sistemas, Mestre em Finanças e tem um MBA em Gestão pelo ESADE de Barcelona. Liderar empresas é o que gosta de fazer, tendo estado envolvido na gestão e recuperação de empresas de vários ramos antes de se dedicar à têxtil. Atualmente está a 100% no projeto FITOR, mas já viveu e trabalhou em paragens tão diversas como a Inglaterra, Holanda e China, entre outros. Sempre de mala pronta para mais uma viagem, com o objetivo de levar a FITOR aos quatro cantos do mundo

Gosta

Não gosta

Viagens conhecer novas culturas bom humor

Pessoas complicadas, confusas, conflituosas

esplanadas ao pôr do sol mar praia boa leitura

e falsas intriguistas telenovelas reality

ondas brisa marítima mojitos rum anejo

shows filmes românticos cerveja quente

alvarinho cerveja fresca mexilhões tapas pata

bifes mal passados ver o FC Porto a não

negra sardinhas (e todo o tipo de peixe) barbecue

ganhar receber chamadas das operadoras

com os amigos sorrisos sinceros honestidade

telefónicas durante o jantar receber cartas

oferecer prendas surpresas boas apoiar e ver o

do Fisco esperar por pessoas atrasadas

glorioso FC Porto jogar futebol jogar ténis correr

estar na fila da Segurança Social fazer malas

caminhar ao ar livre brincar com os filhos ler

para viajar aviões atrasados esperas nos

a História de Portugal tratados mercantilistas

aeroportos o raio X do aeroporto apitar

Timor China Indonésia Alentejo Minho Londres

e ser revistado conduzir pela esquerda

Seinajoki Carrapateira música clássica Pink Floyd

em Inglaterra assistir a cortar árvores

Génesis Ana Moura filmes de aventuras jogar

e à destruição da orla marítima peixe e

cartas novos desafios definir estratégias atingir

produtos agrícolas estrangeiros portugueses

objectivos coordenar comandar liderar ser

que não têm orgulho em ser Portugueses

otimista encarar o futuro de frente

pessoas tristes pessoas invertebradas, sem objectivos e que não são capazes de decidir

A T-SHIRT TALISMÃ DE SOUSA MARTINS Foi no Porto, à porta do velhinho Pavilhão Infante Sagres, que o jornalista e editor de desporto da TVI, Joaquim Sousa Martins, comprou a sua t-shirt talismã. Afinal de contas, tinha de ir a preceito ver os Lloyd Cole and the Commotions. Isto em 1988, um ano depois de a banda escocesa de pop rock ter lançado o terceiro álbum “Mainstream”. Para Sousa Martins, era o primeiro concerto de uma banda internacional. “Juntei todo o dinheiro que tinha e improvisei mais uns trocos para garantir os 1500 escudos que custava tão valioso troféu”, conta o apresentador do programa Prolongamento da TVI. E o certo é que nunca mais esqueceu o concerto e nunca mais perdeu a t-shirt. “Durante anos acompanhou-me em festas e saídas à noite. Vestir aquela t-shirt preta com a capa do disco impressa era sinal de boas energias”, acrescenta. O jornalista do Porto – começou com a música na Rádio Placard e depois foi parar ao desporto na Rádio Press, “um acaso com sentido” como gosta de dizer -, que foi para a capital (trabalhou na RTP e acabou por chegar à TVI em 2003), só deixou de usar a t-shirt talismã há relativamente pouco tempo. Porquê? Decidiu pôr-lhe uma moldura e pendurá-la numa das paredes de casa. “Todos os dias olho para ela e tenho boas recordações”, remata.


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