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BIZARRUS A quest達o penal e a sociedade


“Refletores iluminam as grades, focam no palco o espetáculo da vida”.


Apresentação Nem dor nem pavor. O que se vê em cena é a luz jogada sobre as realidades e as vidas cheias de contrastes. O palco e a vida são misturas antagônicas e complementares, que remontam, a cada ato, a beleza e a dureza da vida antes e durante o cárcere. As cenas cheias de força e tonalidade de Bizarrus são um regalo para um público poucas vezes acostumado ou disposto a discutir porque, como e quem vai parar atrás das grades no Brasil. Há mais de uma década eles sobem no palco para dizer algo fascinante e perturbador. Veja Bizarrus e não seja mais o mesmo.


A prisão em cena Segundo o diretor do espetáculo, a primeira reação foi de achar que ele estava louco. “Como assim fazer teatro com presos?” Ele não deu ouvidos nem mesmo às suas incertezas. Aos poucos, aquele ambiente hostil e cheio de tragédias amoldava-se na cabeça de Marcelo Felicce como o enredo necessário para uma encenação do verdadeiro. Convencer todos os envolvidos não foi tarefa fácil. Mas falou mais alto o objetivo de fazer arte e realidade, que convergiram com o propósito de dar nova oportunidade de integração social a pessoas que estavam marginalizadas. Formar o primeiro grupo era o início de uma relação cheia de peculiaridades entre a direção do espetáculo e os presos, que nunca tinham participado de algo do tipo. Alguns viam nas saídas para ensaios apenas a possibilidade de fuga. Contra todos os tabus, homens cheios de traumas e cicatrizes da vida abriram-se, com o teatro, para um sem número de possibilidades e papéis. Terapia, psicologia, afeto, treino, obstinação, dedicação, busca de valorização e confiança, entre eles e com a sociedade. Mais do que transformar vidas em personagens, o trabalho era fazer de prisioneiros artistas da liberdade e da abstração. A cada passo, o projeto ganhou força, tom, ritmo e emoção. Os ensaios tornaram-se cada vez próximos de uma apresentação e as primeiras desconfianças, parte a parte, foram superadas pela luz da encenação de Bizarrus, que foi levada ao palco pela primeira vez em 1999.


Nova formação Depois de 11 anos de sucesso, o espetáculo Bizarrus ganhou nova roupagem. Foi como se todo o trabalho começasse de novo, pois não era apenas trabalhar o texto, mas construir o contexto teatral e emocional nos detentos. O elenco contou com novos integrantes, que começaram a trabalhar no início de 2011 com Felicce, dentro do presídio Ênio Pinheiro. Com o apoio do Tribunal de Justiça de Rondônia, os apenados interessados começaram a participar de oficinas de teatro e sensibilização artística. E desenvolvido com o grupo um trabalho de acompanhamento psicológico e terapêutico. Atividades, como massagem ayurvédica, reike, tecelagem, terapia de grupo, meditação, técnica vocal, dança entre outras, são características peculiares do projeto. O novo desafio está lançado: montar a terceira edição do espetáculo com remanescentes da primeira montagem, hoje totalmente ressocializados, com atores que se destacaram na segunda e novos presos que querem a oportunidade fantástica de transformação por meio da arte. Agora com mais apoio e reconhecimento, Bizarrus mostra que tem muito para oferecer e conquistar.


A sociedade e a questão penal Grades que aprisionam um debate do lado de fora das cadeias. Cadeados impedem a reflexão, a ação, o envolvimento... A sociedade e a questão penal permanecem, como óleo e água, dissociados, fora das prioridades na complexa teia social contemporânea. Exibido para mais de 100 mil expectadores desde a primeira montagem, o espetáculo foi apresentado por todo o país, como no Fórum Mundial de Cultura, em São Paulo, na 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, em Brasília; e o 12º Congresso das Nações Unidas sobre a prevenção ao Crime e Justiça social, em Salvador. Mas ainda é pouco. Por isso a necessidade de manter em cartaz o espetáculo, para também ter em voga a discussão da questão penal. Tirar essas histórias das celas e dos corredores dos presídios e pôr num palco é tão bizarro quanto genial. A missão ainda é a mesma, cheia de significados e reflexões, como as que o próprio nome da peça propõe aos espectadores. Bizarrus joga luz sobre o obscuro e tira música de sussurros e gemidos.


“Por mais dura e cuel que seja a realidade, o espetáculo convida o espectador a mergulhar no conteúdo exposto, de uma maneira lírica e esteticamente trabalhada”. Marcelo Felice (diretor)


Parceiros: SEST/SENAT e TJRO (VEP)

Nesse tipo de trabalho, a parceria é essencial. Juntos, instituições, pessoas e ideais, o que parece quase impossível ganha forma, cor, som e luz. Vai ao palco mais que a história de vida de pessoas marcadas por trajetórias impactantes. Sobe no tablado da arte toda uma articulação de esforços, cujos resultados podem beneficiar mais gente do que se imagina. Ao tocar no assunto, Bizarrus produz efeito multiplicador, pois a inquietação toma o lugar do comodismo, após a apresentação. Por isso os parceiros são também importantes. O Serviço Nacional de Transportes (SEST-SENAT), desde o início, estendeu a mão e abriu as portas para o grupo. Atualmente, novos parceiros apoiam a remontagem com o novo elenco. Além do Tribunal de Justiça, por meio da Vara de Execuções Penais (VEP) de Porto Velho, a Acuda (Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso), o Conselho da Comunidade na Execução Penal e as Secretarias estaduais de Justiça, Cultura e Esporte e Educação. A iniciativa privada também participa, por meio da empresa Energia Sustentável do Brasil (ESBR), responsável pela construção da Usina Hidrelétrica de Jirau, em Porto Velho.


Esforço pela reintegração “É muito fácil voltar ao crime”. A declaração é de quem teve a coragem e o apoio necessário para cumprir a pena e não voltar a cometer mais delitos. O círculo vicioso das cadeias é uma armadilha quase intransponível. Não basta participar de um projeto cultural, é preciso promover de fato a transformação. A percepção disso foi o diferencial de Bizarrus. Oferecer as condições para se perceber que a lógica do bem é mais árdua, porém necessária para a sobrevivência pós cadeia, foi a grande virada para o sucesso do projeto. Hoje, quem passou ou passa pela dolorida e ao mesmo tempo maravilhosa experiência sabe que sem mudança mental, força de vontade, transformação e apoio não é possível prosseguir A Acuda - Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso é o elo dos ressocializandos com a sociedade. É a instituição criada durante o processo, para justamente atender às necessidades que foram surgindo, que propõe os caminhos e dá o exemplo à sociedade de que é possível a ressocialização.


Bizarrus atualmente é produzida por: ACUDA - Associação Cultural e de Desenvolvimento do Apenado e Egresso Telefone: (69) 9217-3830 Site: www.acudarondonia.org E-mail: acuda-rondonia@hotmail.com Diretor Marcelo Felice Psicoterapeuta Hecília Junqueira Assistente de Direção e Coreógrafo Reginaldo Vieira Técnica Vocal Luiza Carvalho Músico e Técnico Instrumental Bira Lourenço


Estado de Rondônia Tribunal de Justiça Presidente Desembargador Roosevelt Queiroz Costa Vice-presidente Desembargador Raduan Miguel Corregedor-geral da Justiça Desembargador Miguel Monico Neto Titular da Vara de Execuções Penais da comarca de Porto Velho Juíza Sandra Aparecida Silvestre Coordenadoria de Comunicação Social Coordenação e edição: Simone Norberto Planejamento gráfico: Ana Carolina Cardoso Fotografias: Ronaldo Nina Textos: Adriel Diniz Contatos: imprensa2@tjro.jus.br (69) 3217-1017 Impressão: Digraf Ano: 2012 tiragem: 5.000 exemplares


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