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O MUNDO EMPRESARIAL NAS SUAS MÃOS Cuidar de quem cuidou de nós Os lares como família

Calçado português A indústria mais sexy da europa

A primeira parapsicóloga em portugal Entrevista com

Vera Santos

Entrevista

Paulo Gonçalves porta-voz da APICCAPS #009 SET. 2013 Mensal


Editorial “Toda a gente procura a sua essência, num mundo

Estranha forma de vida

repleto de alta tecnologia. O encontro com o “eu” é uma mais valia, de que vale

por: Raquel Rego

ter e não ser?”

Os anos passam por todos nós. Os dias de calor, sol, vento e responsáveis por toda a mediatização que se dá a esta luta inúchuva passam. As datas que esperamos com ansiedade chetil, e por vezes patética, pela juventude eterna. gam, acontecem e acabam por ficar para trás. A vida passa. A velhice tem uma conotação negativa e por isso assusta-nos. Na era medieval, quando a esperança média de vida era curta e se morria aos 30 anos, a forma de encarar a vida era diferen- Ao longo desta edição, e através do contato que tivemos com te. Num abrir e fechar de olhos morria-se de tuberculose, peste os lares e residências para seniores, apercebemo-nos de que o processo de envelhecimento deve ser encarado de forma negra ou outra qualquer epidemia. natural. Hoje, a esperança média de vida é de 80/90 anos. Isso dá-nos a oportunidade de encarar o futuro de outra forma. Temos a Entender que a velhice está implícita na juventude é o primeioportunidade de programar cada etapa das nossas vidas. ro passo para programarmos o nosso futuro de forma sábia.

Vera Santos

ÍNDICE

No entanto, envelhecer continua a ser um pesadelo para as pessoas. A ideia de entrar na idade dos “enta” e não voltar a sair, preocupa-nos. Lidar com as rugas é uma luta que não queremos travar. E uma indústria prospera por detrás desta batalha. Cirurgiões prometem juventude instantânea, fabricantes de cosméticos impingem-nos o elixir da beleza e tintas para esconder indesejados cabelos brancos. Os próprios media são

3 - Editorial

Contra a corrente

8 - Opinião João Ferreira de Almeida

Associação de Lares de Idosos

9 - Lar Tapadinha 10 - Lar 3 Anjos 11 - Clube Residencial São Miguel 12 - GoodLifeClinic

14 - Opinião

A imprensa escrita: qual o caminho?

16 - Entrevista

A indústria mais sexy da europa

18 - Ferjor

geral@gestaoglobal.pt www.g esta o g lo b a l.pt fa ce b o o k .co m/g e sta o g lo b a l tlf:. 229 023 984 tlm:. 938 343 083 facebook.com

19 - BQ Peles

GESTÃO GLOBAL

Propriedade Livrecrónica S.A. Distribuição gratuita com o Diário de Notícias Publicação editada ao abrigo do novo acordo ortográfico

13 - HPP

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Diretor Geral António Matos a m atos@g estaog loba l.pt Editora Rita Almeida e Silva rita.gestaoglobal@gmail.com Redação Raquel Rego Bernardo Pinheiro Rita Pinho Matos Departamento Comercial Gestão Global Paginação Tiago Serafino Fotografia Banco de Imagens Gestão Global

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Devemos educar-nos diariamente para a velhice do mesmo modo que educamos uma criança para ser honesta e verdadeira. Ouvimos muitas vezes os nossos avós dizer: “No meu tempo…”, mas o dia de hoje é de todos nós e quem não percebe isso é velho, mesmo que tenha 20 anos.

PASSOS FIRMES por: Rita Pinho Matos

Quem sustenta o peso do nosso corpo o dia inteiro, as nossas roupas, carteiras, os nossos cachecóis, brincos e demais acessórios? Quem nos leva para todo o lado, nos passeia, nos faz correr e pular? Quem é o espelho da nossa saúde e o sinal primário de doenças como a diabetes ou a artrite? Nada mais nada menos que os nossos pés.

Na arte de bem calçar, Portugal caminha sobre saltos altos na vastidão do mercado externo. Só no mês passado, mais de 120 empresas portuguesas participaram em sete feiras internacionais do setor, com destaque para as feiras alemã GDS e italiana MICAM.

Para rematar, mas devagarinho para não sujar o sapato, a inEmbora estejamos cientes disso, nem sempre lhes damos a dústria tem conseguido saltar as barreiras impostas pela condevida atenção, mesmo quando se queixam. Mas eles merecem juntura económica, sendo louvável o facto de conseguir criar cuidados especiais, sendo elementar a escolha de calçado de de novos postos de trabalho em solo nacional. qualidade e adaptado à atividade em questão.

gestãoglobal.pt

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Life-Coaching: Criar pontes para o auto-conhecimento Quem somos? Que caminho devemos trilhar? Em que áreas da vida devemos arriscar?

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termo “Parapsicologia” foi criado em 1889 pelo psicólogo Max Dessoir e adotado pelo Dr. Joseph Banks Rhine em 1930. Vem do grego “para” [além de], “psique” [alma, espírito, mente, essência] e “logos” [estudo, ciência, essência cósmica] e sugere o significado etimológico de tudo que está além. É com esta sapiência que Vera Santos, a primeira Parapsicóloga reconhecida em Portugal, tenta responder a estas perguntas. Gestão Global: Como nasce a “Vera Santos Parapsicóloga”?

Vera Santos: As premonições começaram desde sempre, eu é que não sabia o que significava “premonição”. Geralmente é à nascença, que este “dom” se desenvolve, se bem que há pessoas que o desenvolvem mais tarde com certos acontecimentos como por exemplo a gravidez. Nasce com as pessoas mas pode manifestar-se mais tarde, com alguma alteração a nível cerebral ou com muito treino de meditação mas esta última via é quase impossível, teria de ser o Dalai Lama. Quando comecei a fazer coisas que eu achava que eram normais e que as pessoas me mostravam não ser, como por exemplo curar doenças a animais ou pessoas que estavam quase a morrer com doenças consideradas até estranhas. Como o fazia? Colocava as mãos e de repente as pessoas começavam a ficar com mais energia, era imediato. Sempre tive também uma relação muita próxima com a Natureza. Percebi que era uma pessoa diferente quando via coisas que as outras pessoas não viam, coisas que iam acontecer e entretanto aconteciam.

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Capa

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GG: A mãe da Vera está também ajudar alguém de forma mais ligada a esta área. Considera existir adequada? uma espécie de linhagem genética V.S.: Eu sou completamente anti metoem relação à parapsicologia? dologia. Guio-me pelos meus sentidos. V.S.: Sim. Considero que poderá existir A pessoa está à minha frente, eu faço a essa mesma linhagem genética, tal como minha análise e mediante o que ela me existem coisas que achamos naturais hoje diz, procedo a uma triagem. Na minha em dia, como o fenómeno da luz elétrica e consulta existe uma avaliação natural, eu que no passado eram impensáveis. O reiki sinto os níveis da pessoa e avalio-a logo por exemplo, que agora é considerado uma involuntariamente. Eu nem sequer fideciência, pratica-se em alguns hospitais. lizo o paciente, existem pessoas às quais Eu sempre passei energia pelas mãos, fa- eu faço uma só consulta e nunca mais as zia reiki sem saber o que era. Hoje em dia vejo. Fiz recentemente um workshop para é uma ciência. Tem um nome. Muitas das potencializar a capacidade dos campeões coisas que eu faço cientificamente não se mundiais de dança com o meu próprio podem provar mas considero que isso de método, eles estão sujeitos a muita prestudo é o menos importante. O importante são e eu vou ajuda-los a gerir as emoções. para mim é o bem-estar da pessoa. Isto é um paradigma que devia ser completamente alterado em Portugal, devia GG: É verdade que começou a ser obrigatório ter aulas na escola de gestrabalhar com apenas 15 anos de tão emocional. Existem pessoas com Q.I. idade? elevadíssimos e Q.E. que os destroem. V.S.: Sim, abri a primeira Ervanária Pessoas muito inteligentes que não dão com 15 anos. Passado algum tempo saí nada na vida por causa disso. Depois são desta área por ser muito pesada e ener- pessoas frustradas, não conseguem sogeticamente muito desgastante. Adoecia cializar, com fobias, que morrem sem se por estar muito tempo sem trabalhar, conhecerem. porque não conseguia passar a minha GG: Para além do “Método Vera energia às outras pessoas. Não nasci para Santos”, sabemos que o tarot é um ficar parada, na altura estive gravemenfio condutor nas suas consultas. te doente. Tive epilepsia e fibromialgia, diagnosticada por cinco médicos, estive V.S.: Eu faço o que me apetece na cona morrer, caiu-me o cabelo e as pestanas, sulta. O que acho melhor para cada caso. era tão grave que uma vez tentei ir traba- Se uma pessoa liga e diz que quer uma lhar e tiveram que me levar ao colo para consulta de tarot eu não faço. Como sao hospital, tinha dores horríveis, perdi a berei se é o método mais indicado? Quem memória. vem ate mim tem de querer ser realmente ajudado. Criei duas terapias uma delas é a Desde pequena que pessoas com proharmonização energética e o meu método blemas mentais me procuravam a pedir de Cura. ajuda. Por exemplo, uma vizinha esquizofrénica e eu entendia-a. Claro que os es- GG: E o que faz com que as pessoas tudos psicológicos ajudam mas este dom cheguem até à Vera sem acharem q já nasce com a pessoa. Tem que haver um é apenas “mais uma”? entendimento natural. Com 15 anos, para V.S.: Eu nunca fiz publicidade, as pesdar resposta a essa gente toda que me soas vêm pela minha energia. Entretanto procurava sim, abri a Ervanária. achei que era importante criar um site, GG: Disse que os estudos psicoló- mais para divulgar as minhas terapias gicos ajudavam. Continua em bus- até. Só agora comecei a dar entrevistas. ca de mais formação como apoio Porquê? Porque as pessoas me pedem, para o seu dom? por existir uma necessidade de explicar às pessoas esta ponte. Houve uma pessoa V.S.: Sim. Faço formações, estou sempre que me disse que eu fazia mal em não dar atualizada com aquilo que sai dentro da entrevistas, exatamente por existir muiárea mas mesmo assim é muito, muito ta gente que precisa de da minha ajuda. pouco. Já li imensos livros, estudo todas Aquilo tocou-me, nesse dia ligaram-me as pessoas que conheço. Todo o estudo da televisão e eu aceitei. Claro que funcioé muito pouco, a comprovação científica na muito por passa a palavra, mas o mais requer máquinas específicas que estão importante é que aquilo que eu faço mais homologadas e isso está ultrapassado. ninguém faz. Eu não sigo a linha de ninguém, tenho a minha própria. As linhas são muito limi- GG: E o que seria “isso”? tadoras. É por isso que não me associa a Parapsicologia? nenhuma terapia e faço a minha própria. V.S.: Eu não posso catalogar o que faço, GG: A sua terapia? Qual é o método mas sim temos que chamar a “isto” paque a Vera escolhe para curar/ rapsicologia porque anda a volta de tudo 6

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vivemos num sistema de trocas. Como é que eu posso ter mão de obra, material? É uma falsidade criada muito pelas religiões. Eu considero-me uma empresária de sucesso. Sou muito genuína mas também sei impor as minhas barreiras. Já fui muito pobre e as pessoas eram humildes mas ricas a nível sentimental.

o que não se vê a olhos nus, mas funciona. É muito difícil ser um seguidor sem ter um dom. O meu filho é extremamente intuitivo, tem dez anos, poderá acontecer com ele. A nível de telepatia, sonhos, trato muita gente, gente que nem sequer conheço. Às vezes vou a passar na rua e sinto o sofrimento daquela pessoa e não tenho coragem de a abordar mas telepaticamente passo energia para aquela pessoa. Hoje em dia, no cinema são só filmes sobre “energias”, houve uma explosão louca. As pessoas foram obrigadas de certa forma a aceitar este cenário das “energias”. GG: As pessoas que a procuram vão desesperadas? Procuram-na como última via? V.S.: Não, é falso. Tenho aqui pessoas como empresários de sucesso, mesmo a nível internacional, que querem conselhos para a vida. No fundo o que faço, é ser uma espécie de conselheira espiritual. Os conselhos que dou a nível de finanças, gestão é um life coaching. Quem vem a mim não são apenas pessoas que estão a morrer, muitas pessoas estão bem na vida e procuram-me porque querem manterse assim. Em pleno século XXI, a facilidade com que conseguimos as coisas é muito fácil, internet e afins, no entanto as pessoas estão cada vez mais isoladas e o que faço é procurar a essência da pessoa e mostrar-lhe que ela tem capacidades. Depois temos o caso das pessoas que estão perdidas e sem saída, essas sim com doenças terminais. Pessoas com problemas de saúde e problemas sociais também. Mas a maior parte dos meus pacientes são médicos ou psicólogos. São pessoas que por algum motivo fizeram medicina, psicologia ou psiquiatria mas não tem coragem para assumir que estudam o oculto. Nestes cursos que tenho feito ultimamente, cada vez há mais casos destes profissionais a estudarem a parapsicologia, tentam ir buscar aí algumas respostas qua não encontram nas outras ciências. GG: Nunca se sentiu revoltada com as pessoas que não entendem aquilo que faz? V.S.: Isso já me aconteceu há uns anos atrás, agora passa-me completamente ao lado. Até porque as pessoas que não acreditam são as primeiras a recorrer. O ceticismo é a cegueira da alma, as pessoas que avançam são pessoas que são como eu, não se assustam. Devem preocupar-se mais com o ser, com o sentir. As pessoas deviam seguir mais a intuição. Não me quero limitar, podia dar-lhe um nome específico mas acabo por tirar um pouco de todas as filosofias. Neste momento estou a estudar a filosofia budista

mas não sou budista. Eu sou uma espiritual diferente, tenho regras minhas e não me deixo limitar pelas crenças e imposições dos outros e da sociedade. Enquanto assim for, trabalharei. Tenho pensado em trabalhar menos porque comecei a trabalhar muito nova, estou desgastada intelectualmente e preciso de fazer coisas que não fiz, tenho quase 40 anos, privei-me da minha juventude, não vivi muito a vida em prol disto. GG: Há pessoas que pensam que por levar dinheiro pelas consultas anula a sua vontade de fazer o bem. O que acha? V.S.: De facto é preciso ser-se uma boa empresária para conseguir algo na vida. A ideia de que os gurus ou os iluminados têm de viver enrolados num lençol é uma hipocrisia. A natureza deixou-nos de tudo, até o dinheiro e as coisas têm de ser usadas. Eu faço muito trabalho gratuito mas sou eu que escolho. Não teria de comer ou de vestir se o fizesse sempre. Uma vez um professor meu contou-me que havia uma mulher que tinha uma quinta, vivia com o marido e os filhos. Descobriu um poço com água magica que curava. Passado algum tempo toda a gente sabia da água. A mulher dedicou-se aquilo e deixou de trabalhar na quinta, deixou de ter de comer, de ter vida, de ter marido, os filhos abandonaram-na, no dia em eu precisou de um copo de água para se curar não tenha forças para lhe pegar e acabou por morrer. As coisas têm que ser pagas, se queremos qualidade, eu faço formações e não tenho que mendigar. Um dom é uma mais-valia com certeza, mas todos temos o nosso dom. Para isso, um professor que tem o dom de ensinar trabalharia de graça. É uma hipocrisia porque, não

de o humilde carpinteiro e camponês a figuras públicas. Tenho pessoas de todas as religiões. Todos necessitam de orientação para a vida, até eu! Existem grandes empresas a nível mundial que estão a contratar gurus, há muita gente que precisa de acompanhamento para a vida, se vão mudar de profissão, etc.

GG: As clínicas da Vera são todas GG: Como encara a Vera Ervanárias. As plantas medicinais Parapsicóloga a morte? estão para a parapsicologia como V.S.: A morte... vivia com muito medo os medicamentos estão para a dela, chorava muito com medo de perder medicina? a minha mãe, isto é, quando era pequena. V.S.: Sim. Há um provérbio antigo que Depois de muitos estudos que fiz e de ver diz: “Deus deixou todas as doenças no como as coisas funcionam concluí que a mundo, mas também deixou todas as morte é apenas a morte do corpo, o esplantas para as curar”. Ainda recente- pírito continua sempre. Há clientes que mente tive uma formação com um bió- vão a vidas passadas, através da regreslogo, sobre vários estudos acerca de são, que vão até ao momento da morte… plantas. O tema foi as doenças degenera- O espírito continua, e se eu estou próxitivas, por exemplo. Faço tratamentos que mo de ti, numa próxima reencarnação eu aprendi com a minha mãe, que já vêm de vou encontrar-te. Tenho uma teoria: se eu há muito tempo. Foi através dela que che- pego num vaso, numa orquídea, está comguei às plantas, mas faz tudo parte do tra- pletamente morta, antigamente deitava tamento holístico: corpo, mente e alma. ao lixo. Passado algum tempo, começa a Tive um paciente que tinha amputado renascer, com a primavera, é um procesuma perna e já se estava a preparar para so que acontece na natureza, porque não amputar a outra, era mais para o tratar a haveria de acontecer connosco? As almas nível psicológico. Mas entretanto, tentei vêm por grupos e o meu trabalho é sobreajudar e fiz um preparado que lhe fechou tudo desformatar as mentes, fazer com a ferida. Não teve de amputar a perna. E que as pessoas se encontrem a elas mestenho a certeza que se o tivesse conhecido mas e não um fruto da sociedade, uma antes não tinha nunca amputado a outra. manada. Aquilo que eu faço mais ninguém faz, e GG: Quem se consulta com a cada vez mais as pessoas dão valor a isso. Vera pode estar à espera de uma O que procuro é ir ao encontro máximo da resposta para o seu destino? natureza, as plantas, não nos devíamos tratar com químicos. Há situações extre- V.S.: Eu jamais diria a uma pessoa o seu mas, dores que necessitam de químicos. destino daqui até ao fim da vida dela, isso Mas o estudo das doenças é tão limitador, seria a morte precoce das pessoas. O meu eu consigo tratar qualquer pessoa epiléti- objetivo é só guiá-la, abrir os horizontes. ca em poucas sessões. Sou contra os me- O destino constrói-se. dicamentos em grande parte, a indústria farmacêutica é um lobby. Só é cego quem quer e até aqui os produtos naturais eram os melhores, até à geração dos nossos avós. Na geração dos nossos pais, os produtos naturais começaram a ser mal falados, retiram-nos a nós, as ervanárias para Avenida Brasil nº 843 os colocar à venda nas farmácias, nós que Centro Comercial da Foz, loja X sabemos trabalhar melhor com plantas. 4150-154 Nevogilde Ainda assim existem aquelas pessoas que Porto se recusam a medicamentos. Depois também há os bons profissionais e os maus. GG: Sabemos que a Vera atinge um público bastante heterogéneo, tanto na sua faixa etária como na sua posição social. A curiosidade pelo ‘auto-conhecimento’ é geral? V.S.: Toda a gente procura a sua essência, num mundo repleto de alta tecnologia as pessoas cada vez mais sentem-se sós e vazias. O encontro com o “eu” é uma mais valia, de que vale ter e não ser? Tenho des-

Rua Vitorino Leao Ramos nº 69 4580-219 - Paredes tlm: 916 935 080 tlf: 220 982 443 ervanariasveraluz@gmail.com www.ervanariaveraluz.com

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Opinião

Saúde

Memorando p o r J o ã o Ferrei ra d e Alm ei d a*

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[...] as empresas do sector debatem-se com um problema terrível, que não têm possibilidade de combater, e que se prende com a explosão de casas ilegais/clandestinas que destroem a imagem profissional e humana dos empresários deste sector. 8

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panorama médio dos lares de idosos melhorou muito nos últimos 10/15 anos, quer a nível do tratamento que é prestado aos idosos quer, também, a nível das instalações. Há hoje uma preocupação com o bem estar dos idosos que não existia antes e há, também, uma melhor capacidade técnica e de recursos humanos que permite responder muito melhor aos problemas que a idade e situação sócio-económica dos idosos colocam. Isto é o resultado de dois factores principais, a evolução do perfil dos responsáveis dos lares e a melhoria substancial das instalações. De facto, o perfil dos empresários do sector alterou-se substancialmente, sobretudo com a percepção de que há que assegurar que os idosos se sintam bem no lar, de forma a compensar, na medida do possível, o sentimento de perda por ter deixado a sua casa e uma alteração das suas vidas tão radical. Para deixar uma ideia mais concreta, entre 1998 e 2012 a legislação em vigor obrigava, como única solução possível construções de raiz que, em média, custavam 2 a 2,5 milhões de euros, para instalar apenas cerca de 40 idosos. E foi

assim que, apesar da violência do esforço financeiro e da rentabilidade da actividade, nasceram por todo o país instalações fantásticas, ao nível do melhor que há por toda a Europa. Obviamente que o reflexo inevitável é o preço que as empresas se vêem obrigadas a praticar, para rentabilizar a actividade e a amortização do investimento, sendo certo que esse preço também corresponde a um nível de serviço que não se praticava antes. Paralelamente a esta melhoria, as empresas do sector debatemse com um problema terrível, que não têm possibilidade de combater, e que se prende com a explosão de casas ilegais/clandestinas que destroem a imagem profissional e humana dos empresários deste sector. Isto é especialmente grave se tivermos em conta que os idosos estão achegar aos lares com muito mais idade e muito mais debilitados e/ou demenciados, fazendo aumentar as exigências do serviço. Apesar dos alertas da Associação, deixou-se crescer brutalmente esta clandestinidade que, em geral, não têm a mínima capacidade de assistência e à altura do que é necessário. Ou seja, quando o grau

[...] entre 1998 e 2012 a legislação em vigor obrigava, como única solução possível construções de raiz que, em média, custavam 2 a 2,5 milhões de euros, para instalar apenas cerca de 40 idosos. de exigência subiu, e muito, permitiu-se que o nível de resposta baixasse, e muito. A hipocrisia disto tudo é a diferença com a preocupação tão rigorosa e “socialmente correcta” com o bem estar dos idosos nos Lares Privados licenciados e a falta dessa preocupação nos clandestinos. A não ser quando aparecem notícias na televisão ou nos jornais e que é outro drama nosso, com a ideia instalada de que todos os lares são aquilo. E não são, até porque nem se deve chamar lar à maioria dessas casas.

* Presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Repouso de Idosos

A família

da Casa de

Repouso da

C

Tapadinha ostuma dizer-se que os vinhos ficam melhores com o passar dos anos. Em terra de vinhos, são as pessoas que ficam melhor com o tempo.

O local é Arruda dos Vinhos, um vale vinícola de solos férteis situado no distrito de Lisboa. É também a morada da Casa de Repouso da Tapadinha, lugar de sossego onde vivem 17 residentes.

conseguimos dar cuidados que em casas dos de saúde, um enfermeiro visita a maiores se perdem”. casa três vezes por semana bem como um médico, uma vez por semana, para Os laços criados entre todos e o tempo observar os residentes e receitar a medidisponível para estar com as famílias e cação necessária. conhecer aquilo de que cada um gosta são aspetos cruciais para aguçar os cuidados Estando situada a cerca de 30 quilópersonalizados. O Sr. Joaquim gosta de metros de Lisboa, a Casa de Repouso ajudar na cozinha e até deu nome a um da Tapadinha é atrativa pela tranquiliprato: a “Pescada à Sr. Joaquim”. Outros dade que contrasta com a barafunda da hóspedes preferem ajudar nas tarefas metrópole. Isto contribui também para domésticas. “É importante que eles se a possibilidade de praticar preços mais sintam ativos”, explica Diogo, “se eles baixos, como afirma Diogo Figueira: “o gostam de fazer essas tarefas, desde que preço e o facto de termos alvará são monão seja em exagero, deixamo-los”. Há tivos para que as pessoas nos procurem”. como que uma procura pelo meio-termo: um balanço saudável entre o sossego e a atividade. Casal da Tapadinha

Diogo Figueira, diretor técnico, diz que são “uma casa pequenina”. É, no entanto, aí que reside a maior vantagem: quem lá mora é como uma família. “Temos utentes da segurança social que praticamente não têm família”. A família destas pessoas acaba por ser Diogo, os As atividades incluem passeios, anifuncionários, o dono da casa e até os fa- mação cultural e idas à missa. Existem miliares de outros residentes. “Por ser- ainda sessões de cinema, de expressão mos se calhar uma casa mais pequena, musical ou plástica. Quanto aos cuida-

Arruda dos Vinhos tlf. 263 974 008

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Saúde

“... a nossa função é trazer alguma dignidade e qualidade de vida a estas pessoas.”

UM

COCKTAIL

Saúde

DE

SAÚ DE São Miguel - Clube Residencial

de Cuidados Continuados. Basicamente a nossa função é trazer alguma dignidade e qualidade de vida a estas pessoas, quer elas estejam ou não conscientes disso”. Para tal, conta com uma vasta equipa de profissionais devidamente credenciados que neste momento superam o número de residentes. A médica visita a instituição duas vezes por semana há 13 anos, o enfermeiro - o pai e sócio de Luís - fá-lo diariamente.

E

stamos na Rua dos Eucaliptos, mas chegados ao número 102 é uma palmeira que nos dá as boasvindas. A vivenda chama-se Maria. No entanto, os 3 Anjos desta casa de repouso de Alcabideche são homens. Em junho de 2000, Luís Fonseca licenciado em Gestão e ex-delegado de informação médica - o pai e o cunhado - ambos enfermeiros -, uniram competências e experiência e fundaram a instituição.

Tocamos à campainha, e enquanto aguardamos que nos recebam, olhamos em redor. Um amplo jardim e uma varanda “onde cabe toda a gente” convidam-nos a entrar. O espaço prima pela excelência e pelo conforto, pelo que não é à toa que este lar foi uma das primeiras empresas privadas a obter o certificado de qualidade do Instituto Português de Acreditação. Os nove quartos estão equipados com televisor e ar condicionado. A acessibilidade e a segurança são outros dos seus pontos fortes: a casa dispõe de elevador e sistema de videovigilância. Aqui residem 19 utentes, havendo ainda “lugar para mais um”, refere o administrador, que a curto prazo ficará sozinho à frente da unidade. Luís Fonseca nota com algum pesar que “99% dos utentes são dependentes” e desabafa: “Hoje em dia, os lares da terceira idade são quase Unidades 10

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No dia-a-dia da unidade, a animação social não é esquecida, apostando sobretudo em atividades que estimulem a memória. E para quebrar a rotina, em quadras festivas, como os Santos Populares, procura-se “arranjar um dia diferente, que se promova algum convívio e que os familiares nos visitem.” Aliás, na opinião do fundador, que é igualmente vice-presidente da Associação de Lares de Terceira Idade (ALI), a participação da família é essencial, começando no próprio ato da escolha da instituição a cujos cuidados pretende entregar os seus entes queridos. “Se eu vou pôr o meu pai num lar, vou ver vários lares e procurar aquele que mais de adequa àquilo que ele foi, ao seu estilo de vida e acompanhá-lo”, afirma. E exemplifica: “Se o utente viveu sempre num ambiente rural, a família deve procurar um lar que contemple atividades agrícolas.” Rua dos Eucaliptos - Vivenda Maria, 102 Abuxarda - Alcabideche

tlf:. 214 866 701 e-mail:. tresanjos@iol.pt

E SE 3 ANJOS CUIDASSEM DE NÓS?

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N

o sentido lato, a palavra “clube” sugere recreio, descontração, confraternização. Em suma, lazer. E lazer, por sua vez, sugere individualidade e liberdade. O que nos leva ao conceito no qual foi pioneiro o Clube Residencial S. Miguel, hoje prestes a celebrar 17 anos de existência. “Nessa altura, dentro de Lisboa, havia uma grande carência de unidades de qualidade”, explica José Henriques, fundador da instituição. Esta deve o nome a um benemérito da zona. Miguel, então “canonizado” pelo povo devido à sua generosidade, batizou ainda o bairro onde está instalado o lar e a entretanto extinta Clínica de S. Miguel, “onde nasceu metade de Lisboa”.

vidas merecem especial atenção: “Nas suas festas de anos, muitos deles chegam a ter aqui 25 a 30 pessoas”, acrescenta. Por outro lado, este encontro à mesa permite às famílias ver e avaliar a alimentação que a instituição proporciona aos seus residentes e que contempla as necessidades de cada um. Assim, existem os pratos regular, de dieta e outros ajustados “a determinados requisitos de nutrição em casos específicos”. Os quartos estão equipados com WC privado, televisor e camas articuladas se necessário.

Mas o maior cartão-de-visita do Clube Residencial S. Miguel, entende o fundador da instituição, é o prestígio dos seus próprios residentes: “As nossas referências maiores são quem por Com capacidade para 59 residentes, a unidade privilegia duas aqui passou. Pessoas ligadas às artes, à política, às finanças, vertentes essenciais ao bem-estar e à felicidade de qualquer sé- todo um conjunto de áreas da sociedade portuguesa… eles prónior: a assistência médica, garantindo a prestação de cuidados prios e pais.” médicos e de enfermagem 24 horas por dia, e o ambiente familiar: “Fazemos trabalhos de memória, pintura, jogos…”, diz Vanessa Guerreiro, diretora técnica e assistente social do clube residencial. Existe uma sala destinada às atividades de aniSão Miguel - Clube Residencial mação sociocultural. O convívio estende-se também às salasRua Frei Tomé de Jesus, 5 de-estar e de TV. Promovem-se sessões quinzenais de cinema, lanches no jardim e passeios. Todos os meses, o espaço acolhe Lisboa uma exposição, feita pelos residentes ou artistas convidados. tlf:. 217 996 000 geral@crsmiguel.pt Aliás, esta casa adora visitas, pelo que “a sala de jantar está sempre aberta aos familiares e amigos. Quando querem vêm cá e almoçam ou jantam com eles, não têm de avisar sequer”, conta José Henriques. E as datas mais importantes das suas

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Saúde

GOODLIFECLINIC Porque a vida continua

Saúde

Oportonity to Feel Well Produto turístico com fim cirúrgico coloca a cidade do Porto na rota dos países de turismo de saúde.

É

na aldeia de Juso, em Cascais, que nasce este clube sénior. Mais do que uma residência, aqui a expressão “lar doce lar” ganha outro sentido.

O ambiente é de aconchego e simplicidade. Os motivos florais e a decoração cuidada convidam a entrar.

Isabel Rolim e Patrícia Jales, responsáveis pelo projeto GOODLIFECLINIC, recebem-nos com simpatia e contam como este projeto ganha importância nas suas vidas. “Não sentimos isto como uma instituição, mas como um local onde as pessoas vêm fechar um ciclo das suas vidas. Nós acompanhamos com carinho, com amor e com afeto”- explica Patrícia Jales. A formação nas áreas da saúde e da psicologia permitem-lhes perceber aquilo que os seniores precisam, mas é a enorme dimensão humana que faz delas as

pessoas certas para cuidar dos nossos podologia ou barbeiro. “É extremamente importante que se dê continuidade aos familiares. hábitos dos residentes para que se sinReferem-se aos residentes como “os tam integrados e felizes”- conta Isabel nossos avozinhos” que passam de descoRolim. nhecidos, a parte desta família. Segundo Isabel Rolim “cada um deve ocupar o Os próprios quartos são caiados a diseu lugar nesta casa e realizar tarefas de ferentes cores baseadas nos quatro eleacordo com as suas capacidades para que mentos- água, terra, ar e fogo. Assim, cada um pode optar pelo que o faz sentir se sinta útil e independente”. melhor. Os serviços médicos e de enfermagem são assegurados por profissionais que Uma pequena horta onde possam plantêm como objetivo principal o bem-es- tar alimentos para o dia-a-dia é um protar e a qualidade de vida na terceira jeto que, segundo as empresárias, vai idade, assente numa abordagem glo- “mantê-los ativos e cultivar a alegria que bal com base no binómio sénior/famí- muitos tinham perdido”. lia. Além dos serviços de saúde-base a De portas abertas a dez residentes a GOODLIFECLINIC conta com serviços GOODLIFECLINIC está pronta para rede psicologia, fisioterapia, audiologia e ceber mais elementos nesta família. Aqui animação. têm lugar pessoas apaixonadas, umas Segundo as empresárias, os residentes pelas outras e pela vida que lhes resta não devem ser afastados da sociedade. pois, como dizem as empresárias, “tudo Assim sendo, promovem atividades ao pode acontecer” porque a vida continua. ar livre, idas ao cabeleireiro e manicure,

B

Commission International” atesta a qualidade dos serviços e dos seus procedimentos e a THE, especialista em assistência Foi este o slogan que marcou a lançamento em saúde, assegura-se de todo o processo de viagem e estada marca Oportonity to Feel Well, o primeiro dia de acordo com as preferências e condição clínica de cada produto português direcionado para o turismo turista. com vertente de saúde. A ideia é criar um serviço de atração turística para o Porto e Norte do Esta solução destina-se a turistas de países como os EUA, país, num segmento que movimenta seis milhões de viajantes Médio Oriente, Alemanha e Reino Unido. Através do Porto e prospera 20% ao ano. Este produto proporciona uma oferta Medical Tourism Simulator, poderão obter toda a informação global de serviços que contempla viagem, estadia, acompa- relativa às intervenções bem como aos custos na respetiva nhamento médico, cirurgia e ainda a oportunidade de conhe- moeda. cer a cidade. “A relação qualidade/preço e a redução do tempo de espera A iniciativa resulta de uma parceria público-privada entre em relação ao seu país de origem são fortes razões que levam a Câmara do Porto, os Hospitais Privados de Portugal (no- os turistas a escolher o Porto para realizar um procedimento meadamente o HPP Hospital da Boavista), a Associação de médico”, atesta Vladimiro Feliz - Vice-presidente de Câmara Turismo do Porto (ATP) e a Travel Health Experience (THE). do Porto e Pelouro do Turismo, Inovação e Lazer. Conta com a participação de agentes hoteleiros e está aberta Assim a marca Oportonity to Feel Weel proporciona uma exà participação de novas entidades na área da saúde. periência de turismo tradicional aliada a uma oferta contemA ATP verifica que o Porto reúne as condições de segu- porânea e cosmopolita de cuidados de saúde. rança, qualidade e apoio médico certificado, o HPP da Raquel Rego Boavista (Porto), que foi recentemente acreditado pela “Joint

em-vindos à saúde de Nova Geração”.

Clube Sénior da Aldeia de Juso - Cascais | tlf:. 214 674 035 | www.goodlifeclinic.pt | geral@goodlifeclinic.pt A GOODLIFECLINIC foi equipada pela segmed 12

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Entrevista

Entrevista 1 – A indústria do calçado nacional auto-intitula-se dependente da capacidade de penetração em novos mercados a “indústria mais sexy da Europa”. Em que consiste fora da UE. Sem nunca descurar o grande mercado europeu. este slogan? 5 - Registou-se recentemente um aumento nas exTrata-se, no essencial, de uma «operação de charme» que portações portuguesas. Qual é o peso do calçado pretende chamar a atenção para a qualidade e potencialidades português na nossa balança comercial? do calçado português. Durante muito tempo percebemos que existia uma diferença muito significativa entre a qualidade intrínseca do calçado português e a qualidade percebida pelos consumidores. Nos últimos anos, temos promovido uma campanha de comunicação e imagem integrada, de forma a colocarmos o calçado português num local de relevo; num local que merece. 2 - Porque é que o nosso produto é tão atrativo para os mercados estrangeiros? A que se deve este sucesso? A uma boa qualidade, um design vanguardista e um serviço inquestionável. As empresas portuguesas respondem ao nível das melhores, apresentam uma excelente qualidade e um binómio qualidade/preço altamente irrepreensível. 3 - Falando de mercados estrangeiros, tem havido uma investida no mercado asiático, nomeadamente na China. Que frutos podem ser colhidos deste investimento?

A indústria mais sexy da europa O calçado português tem batido recordes alémfronteiras. Em entrevista à Gestão Global, Paulo Gonçalves, porta-voz da APICCAPS – Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos – explica as razões deste êxito e fala da importante contribuição desta indústria para o país. 14

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O futuro da indústria portuguesa de calçado estará diretamente associada à capacidade de, por um lado, consolidar a presença nos mercados tradicionais da Europa e, por outro, reforçar a presença em novos mercados como os EUA, Japão, Rússia ou países Árabes. A China é um mercado especial. Estima-se que 5% da população chinesa, qualquer coisa como 65 milhões de pessoas, tenham um poder de compra elevado e adquiram, com frequência, produtos ocidentais. É essa importante parcela da população que estamos a abordar.

Exportamos 95% da nossa produção para 132 países, nos cinco continentes. No valor de 1600 milhões de euros anuais. Por outro lado, somos o setor que mais positivamente contribui para a balança comercial portuguesa, com um saldo líquido anual na ordem dos 1200 milhões de euros. 6 - Em Portugal, onde o desemprego é dos problemas mais graves, a indústria do calçado parece ter algo a dizer na abertura de postos de trabalho. O que tem sido feito neste sentido? O aumento das encomendas e das exportações terá, naturalmente, repercussões ao nível da criação de postos de trabalho, Ora, nas zonas de forte concentração da indústria, como Felgueiras, a mão-de-obra disponível está praticamente esgotada, as empresas têm vindo a investir e a criar postos de trabalho no interior do país. Uma tendência que esperamos manter nos próximos meses. 7 - 5% da produção da indústria do calçado é direcionada para o mercado interno. A que se deve esta disparidade percentual em relação à maioria da produção que é exportada? Portugal produz mais de 70 milhões de pares de sapatos por ano. Por esse motivo, desde cedo, para que o setor tivesse viabilidade (e futuro) teve de se orientar para os mercados externos. O mercado doméstico português é importante, mas terá de ser sempre mais um a somar aos outros 132 que receberam anualmente o nosso calçado.

4 - Referiu em entrevista que a União Europeia tem 8 - Quais são os principais obstáculos nesta indúsainda um grande peso no sucesso do calçado portu- tria? E o que fazer para os superar e continuar a seguês. Este cenário poderá mudar no futuro com a en- quência de bons resultados? trada em mercados por explorar? Os maiores obstáculos, neste momento, são de natureza Os mercados da UE serão sempre prioritários para as empre- conjuntural, com as principais economias europeias a revesas portuguesas. Especializamo-nos na capacidade de respos- larem desempenhos economicamente modestos. Daí que a ta rápida e em pequenas encomendas, o que faz das empresas APICCAPS, em parceria com a AICEP e o apoio do Programa portuguesas de calçado uma grande referência no mercado eu- Compete, esteja a desenvolver uma grande ofensiva comercial, ropeu. Porém, os mercados europeus estão relativamente esta- em mais de 20 países, de modo a criar novas oportunidades bilizados, razão pela qual o crescimento do setor estará muito de negócio. setembro 2013

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Calçado Português

calçado fer jor

BQ Pele s

A pele qu e fa la por si.

caminhando e alargando novos horizontes

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rocurar inovar, produzir sempre com a mesma qualidade, capacidade rápida de resposta e exercer preços acessíveis”. Eis o lema da Ferjor, situada na vila de Barrosas. É sabido que em Felgueiras os sapatos são uma vocação natural, e como tal, Manuel Freire depressa aprendeu o ofício. Começou a trabalhar no ramo desde muito cedo “sem querer”, conta. O acaso deu então lugar à paixão por esta arte. Estávamos em 1997. O empresário e a esposa, Fátima Ferreira, que começara também no ramo desde muito cedo, à data chefiava um pequeno negócio de costura de calçado decidiram juntar os seus ofícios e criar a Ferjor, especialista na arte de bem calçar. Hoje, a empresa conta com aproximadamente uma centena de funcionários, divididos entre a fábrica e o escritório e produz diariamente cerca de 1500 pares. “Nunca pensei que fosse atingir esta dimensão”, declara Manuel Freire. O segredo? “Uma luta minuto a minuto.”

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O calçado, maioritariamente masculino, corresponde a 95% da produção, exportada quase na totalidade para toda a Europa e resto do mundo. Países como a Holanda, Alemanha, Rússia, Polónia e França são exemplos dos maiores clientes da Ferjor. Há calçado para as mais diversas ocasiões e dos mais variados estilos: desportivo, casual, clássico. Tudo em pele e sempre na vanguarda das tendências que marcam as feiras anuais das capitais europeias do calçado. Para breve está prevista a abertura de mais uma linha de produção, o que permitirá à Ferjor dar resposta à procura que, felizmente, é muita. O projeto caminha a passos largos. A Ferjor é uma empresa que cresceu “com empenho”, dedicação e muito trabalho de todos. Como explica Fátima Ferreira, “é uma casa onde todos se sentem bem”. Aqui trabalham várias famílias, inclusive os sobrinhos do casal. A harmonia entre os empresários e os seus funcionários é um dos fatores que permite à Ferjor continuar a palmilhar a estrada com garra, ambição e sucesso.

Calçado Português

O calçado cada vez mais é moda.A moda é totalmente mutável, adaptável e subjetiva.

“1997 fundámos a Ferjor Produção e inovação, dando o seu melhor Com dedicação, empenho e flexibilidade Apostamos sempre na qualidade Pelas capitais europeias vamos caminhando E novos horizontes vamos desvendando Lutando por um mercado com solidez Dignificamos o mercado Português” (*Aut. Fátima Ferreira)

Calçado Ferjor Rua Senhor Saúde, Barrosas - Idães Felgueiras 255 330 689 ferjor@mail.telepac.pt

F

luidez, cor, elegância e glamour são as impressões que Fernanda Henriques transmite quando descreve a matéria-prima que dá origem ao seu negócio- a pele. Para a empresária, este modelo é muito mais do que um negócio, é uma forma de vida. “Nasci no seio da indústria dos curtumes. Tenho o cheiro do couro”, explica com orgulho. Mas tem muito mais que isto, tem a experiência, a paixão e a sensibilidade feminina que fazem dela uma mulher de sucesso num mercado maioritariamente masculino. A BQ Peles nasce em 1996. Surge como um modelo de mediação de interesses entre a indústria de curtumes e a indústria de calçado. Mas Fernanda Henriques percebe que para ir mais longe é preciso estar mais perto: “É muito importante estar próximo dos profissionais da indústria do calçado para perceber intrinsecamente as necessidades do dia-a-dia, pois este tipo de negócio está em constante mutação, o artigo de ontem já não serve para amanhã”, esclarece a empresária. Com sede social em Guimarães e novo armazém em Felgueiras, cidade onde se concentra a maioria dos industriais de calçado e, mais precisamente, os seus clientes, a BQ Peles não pode estar mais próxima de responder à exigente demanda. Como novidade, e para aumentar a eficácia dos seus serviços, vão inaugurar um espaço, aberto permanentemente, para receber os agentes das marcas e os seus clientes. O calçado cada vez mais é moda. A moda é totalmente mutável, adaptável e subjetiva. Então como é que se capta esta essência para os sapatos? “Desenvolvemos de seis em seis meses uma nova coleção baseada nas tendências de grandes capitais internacionais da moda, como Itália”, atesta Fernanda Henriques. Assim, oferecem aos clientes um leque de cores e artigos que seguem harmoniosamente as tendências. O industrial de calçado procura parcerias, procura, sobretudo, apoio e respostas rápidas. É nesta relação de corresponsabilidade que entra a BQ Peles. Um parceiro de rigor que valoriza a inovação, a qualidade e a diferenciação.

“Desenvolvemos de seis em seis meses uma nova coleção baseada nas tendências de grandes capitais internacionais da moda, como Itália.” BQ Peles Rua do Empresário,126 Sta Luzia - Lagares 4610-409 Felgueiras 932 315 420 / 932 569 433 bqpeles@sapo.pt www.bqpeles.com

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Opinião

Imprensa escrita: qual o caminho? por Bernardo Pinheiro

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universo empresarial da imprensa escrita tem vindo a navegar por mares turbulentos há já uns tempos. Há casos em que se espreita a bonança e há outros em que ainda se ajeitam as velas para fugir à tempestade.

Como criar novos canais de receitas? Através dos conteúdos multimédia? Da informação exclusiva? Surge um novo dilema: a necessidade do leitor. Em primeiro lugar, o leitor perguntar-se-á do que precisa realmente quando confrontado com mais um valor a pagar. Ademais, quando terá já acesso, eventualmente, a notícias através da televiExiste um problema, ou melhor, dois são ou rádio. Para além de que “exclusiproblemas que não vivem um sem o ouvo” só por si significa “só para alguns”. tro: a imprensa tem de vender, o leitor tem de querer comprar. As previsões Em segundo lugar: a qualidade. É com não auguram a chegada da imprensa certeza um dos fatores fortes que inportuguesa a bom porto: de acordo com fluenciam a decisão final do consumio estudo setorial DBK, divulgado no dia dor. Tal como a sua relação com o pre22 de Julho, espera-se uma queda de ço. Alta qualidade acarreta preços mais 8% nas receitas da imprensa nacional elevados…e nos tempos que correm o ,devido à diminuição do investimento preço é senhor da razão. Assim a qualipublicitário e à conjuntura económica dade dos conteúdos tem mais tendência para ser sacrificada. desfavorável (fonte: Jornal i).

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Em Portugal, a adaptação da imprensa às plataformas multimédia tem vindo a observar-se, ainda que sob um modelo híbrido: papel e e-paper. O New York Times, por exemplo, é exclusivamente digital e o acesso, tanto ao site como às aplicações, é pago. Mas haveria essa disponibilidade em Portugal? Apesar das perguntas e dos problemas, o caminho terá de ser semelhante, pelo menos para as grandes empresas da imprensa nacional, e deverá passar pelo desaparecimento dos jornais e revistas das bancas. Como diria o Bob Dylan, “aprende a nadar ou afundas-te como uma pedra pois os tempos estão a mudar”.

NETOS FÁBRICA DE CALÇADO, S.A. Rua António Luis da Costa,100

Telf. +351 256 202 640

P.O. Box 86

Fax +351 256 832 155

3701-909 S. João da Madeira PORTUGAL

Email: netos@mail.telepac.pt

www.maronet.com/netos


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Revista Gestão Global - Edição 9  
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