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SALVADOR QUINTA-FEIRA 26/4/2012

Eny Miranda / Divulgação

THUANNE SILVA

Mart’nália é um dos nomes mais conhecidos do samba atualmente. Se enganam os que imaginaram que seria sempre assim. Em seu novo álbum, intitulado Não Tente Compreender, a cantora experimenta beber de outras fontes musicais e revela incrível multiplicidade como artista. Para quem se acostumou com uma Mart’nália do tamborim, da cuíca e da percussão, a reação pode ser de estranhamento ao ouvir o violão, a guitarra e o saxofone, entre outros instrumentos que acompanham a artista no CD. Para expandir seus horizontes musicais, a cantora não temeu se arriscar em outro universo, dando um mergulho no pop, na MPB e até mesmo no rock, deixando o samba meio esquecido, sem decepcionar ou perder a autenticidade. “Eu não gosto do automático, a arte vira outra coisa, o artista vai lá, pega aquele dinheiro e vai embora. O lance era mudar mesmo. A música te dá essa possibilidade”, explica. Motivada pela tentativa de fuga dos rótulos e busca por uma sonoridade diferente, Mart’nália convidou ninguém menos que Djavan para a empreitada. O cantor imprimiu sua marca no álbum ao fazer a produção e direção musical do disco, executar a maioria dos arranjos das músicas (exceto duas) e participar cantando e tocando violão na primeira faixa do CD, Namora Comigo. Um verdadeiro pacote completo. “Pedi uma música e ele me deu o disco inteiro e mais a voz”, conta. “Fiz esse CD com o maior carinho, de uma forma gostosa, divertida, aprendendo com o Dija, um ídolo eterno”, conta sobre a experiência de trabalhar com Djavan. “Eu queria ficar próxima dele e talvez até do seu público, mas isso não é exatamente meu foco”, explica. O afeto e cuidado tanto da carioca quanto de Djavan e de toda equipe de produção do álbum é evidente em cada faixa.

Mart’nália também é pop MÚSICA Cantora dá um tempo no samba e lança CD com vários ritmos

Martn’ália é eclética no álbum Não Tente Compreender

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“Fiz esse CD com o maior carinho, de forma gostosa, divertida, aprendendo com o Dija, um ídolo”

“Eu não gosto do automático, o lance era mudar. A música te dá essa possibilidade” MART’NÁLIA, cantora

Para os famintos por música popular brasileira, o disco é uma refeição completa, que ninguém pode colocar defeito.

Repertório

São 14 faixas que compõem o CD, dentre elas composições de nomes de peso, como Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Adriana Calcanhoto, NanRui Rezende / Divulgação

Rui Rezende lança livro com fotos de regiões da Chapada Apaixonado por meio ambiente e residente da Chapada Diamantina, o fotógrafo Rui Rezende reúne no livro Chapada Diamantina: Um Paraíso Desconhecido registros da região elaborados em 13 anos de pesquisas. O lançamento será hoje, às 17 horas, no Forte São Diogo. “Saía de casa com o objetivo de mapear a região, fotografar as mais belas paisagens. Criei um álbum”, conta o fotógrafo. A paixão pela Chapada levou o baiano a explorar outras belezas naturais, percorrendo trilhas, subindo serras e montanhas em busca do clique perfeito. “Acumulei o conhecimento que os nativos me passavam e, na sequência, voltei até dez vezes ao mesmo ambiente esperando o melhor momento para fotografar”, revela Rui. No livro há fotos de cidades famosas, como Palmeiras, Andaraí, Mucugê, Lençóis, Piatã e ainda Iramaia, Ourolândia, Mi-

Se o repertório varia de ritmo, como o rock Zero Muito, a balada Namora Comigo e o samba Itinerário, as canções assemelham-se na temática do amor, cantado em timbre despreocupado e cheio de suingue, à la Mart’nália, que não abandona a veia sambista herdada do pai. As comparações com Martinho da Vila não incomodam, pelo contrário, a deixam lisonjeada. “Meu pai é um paizão, lindo, que as pessoas admiram tanto (...) Herdei, graças a Deus, a parte boa. Poderia ser, sei lá, um político safado, né? Ou um sambista ruim”, brinca. Dia 12 de maio a cantora apresenta o disco ao público carioca, em show no Vivo Rio, no Rio de Janeiro. O espetáculo conta com a direção de cena de Guilherme Leme e Marcia Alvarez e com iluminação de Ney Matogrosso. Não foram revelados detalhes sobre a agenda de shows, mas a vontade de retornar a Salvador é grande. Apadrinhada por Caetano Veloso e Maria Bethânia, a cantora é muito ligada à Bahia, principalmente pela música. “Eles sempre me ajudaram. Eu sempre vou aí. Até mesmo como back vocal do meu pai, era maravilhoso. Vou passeando e fazendo a minha música cariocamente, com vocês [baianos] que têm uma identidade musical tão própria”.

NÃO TENTE COMPREENDER/MART’NÁLIA

PUBLICAÇÃO

FLORA RODRIGUEZ

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guel Calmon, Abaíra e Barra da Estiva, e outras pouco populares, com registros inéditos. O nome da obra, Chapada Diamantina: Um Paraíso Desconhecido, é uma homenagem também às cidades esquecidas pelas agências de turismo, ganhando largo espaço no livro que homenageia a diversidade baiana. Nascido em Amargosa (BA), o profissional Rui Rezende teve como inspiração a fauna e flora através do seu contato direto com a natureza. “Ajudava minha mãe na roça de cacau e ficava impressionado com a beleza do meio ambiente”, emociona-se e completa “Embora o foco esteja no natural, pra mim o ser humano está inserido na natureza e merece ser inserido no meu trabalho”. LANÇAMENTO DO LIVRO CHAPADA DIAMANTINA: UM PARAÍSO DESCONHECIDO / HOJE, 17H / FORTE SÃO DIOGO / PÇ.. AZEVEDO FERNANDES, S/N, PORTO DA BARRA / ENTRADA GRATUITA

do Reis, Zélia Duncan e Ivan Lins, além do pai da cantora, Martinho da Vila. “As músicas foram chegando, conforme fui ouvindo eu fui gostando e foi se formando o repertório”, explica o processo de escolha. Há também músicas de Lula Queiroga, Paulinho Moska e Max Viana, filho de Djavan, entre outros.

FESTIVAL

Filme de Breno Silveira sobre vida de caminhoneiro abre o Cine PE JOÃO CARLOS SAMPAIO

As fotos mais populares viraram cartões postais e convites virtuais

Com o filme À Beira do Caminho, de Breno Silveira, começa hoje a 16ª edição do Cine PE - Festival do Audiovisual, sediado em Recife e Olinda. O evento ganhou o apelido de “Maracanã dos Festivais” por reunir, em média, três mil pessoas por noite, para conferir filmes brasileiros. A competição oficial deste ano conta com sete longas-metragens e 18 curtas, entre estes, o baiano Isso Não é o Fim, de João Gabriel.

Competição

80% das imagens do livro foram clicadas com câmera analógica, deixando de lado as famosas digitais

A obra é uma verdadeira coleção de trilhas, serras e até montanhas. Outras cidades entraram no roteiro

Além de À Beira do Caminho, que conta a história de um caminhoneiro interpretado pelo ator baiano João Miguel, o festival apresentará ainda o documentário Jorge Mautner - O Filho do Holocausto, de Pedro Bial e Heitor D’Alincourt, além de Boca, ficção de Flávio Federico, ambientada na vida marginal paulistana, e o registro Estradeiros, fita de Sérgio Oliveira e

Renata Pinheiro, que mostra a vida nômade. Já Paraísos Artificiais, de Marcos Prado, traz um triângulo amoroso nos moldes das novas relações afetivas, enquanto que Corda Bamba: História de uma Menina Equilibrista, de Eduardo Goldstein, acompanha as desventuras de uma garota nascida no mundo do circo. Fecha a lista de longas em concurso Na Quadrada das Águas Perdidas, de Wagner Miranda e Marcos Carvalho, que traz o “menestrel” de Vitória da Conquista, o cantor Elomar Figueira. A Bahia também vai estar representada entre os curtas com o citado Isso Não é o Fim, fábula urbana, ambientada na famosa Rua Augusta (São Paulo), que tem direção de outro conquistense, o cineasta João Gabriel. O Cine PE prossegue até o dia 2 de maio, com sessões acontecendo no Centro de Convenções de Pernambuco, na cidade de Olinda.

CURTAS Incentivo à leitura é tema de seminário Dialogar sobre estratégias para garantir a incidência em políticas públicas na área de leitura. Este é o principal objetivo do 3º Seminário da Rede EMredando Leituras, que acontece neste sábado, das 8h30 às 17 horas, na Biblioteca Pública dos Barris. Promovido por uma rede formada por sete bibliotecas comunitárias de Salvador e pela ONG Avante – Educação e Mobilização Social. A programação inclui, ainda, o lançamento do Fórum Baiano do Livro e da Leitura, iniciativa inédita no estado. O painel de abertura do 3º seminário será conduzido pela

doutora em Ciência da Informação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Nanci Nóbrega.

Sérvio Rivero, da Fundação Pedro Calmon, falará sobre Plano Estadual do Livro e Leitura

Aroldo Macêdo fecha Mostra de Guitarra Os músicos Aroldo Macêdo e Marcos Molleta são, ao lado do anfitrião Júlio Caldas & Banda Choro Rock, os encarregados de fechar a edição 2012 da Mostra de Guitarra Baiana. O primeiro é veteraníssimo dos carnavais, sendo membro da família cocriadora do instrumento e do Trio Elétrico Armandinho, Dodô & Osmar. Já Marcos Molleta é carioca e guitarrista da banda de apoio de Moraes Moreira, entre outras. Hoje, na Casa da Música do Parque Metropolitano do Abaeté, a partir das 20 horas, com entrada gratuita.

Paula Fróes / Ag. A TARDE / 11.2.2012

Irmão de Armandinho, Aroldo Macêdo apresenta-se hoje no Abaeté

Noites de Jazz com Ricardo Andrade Standards de jazz consagrados nas vozes de ícones como Chet Baker, Ella Fitzgerald e Frank Sinatra compõem o repertório do Ricardo Andrade Quinteto nas apresentações do projeto Noites de Jazz, que acontece hoje e todas as quintas-feiras, no Pestana Convento do Carmo. O grupo é formado por Ricardo Andrade (violoncelo), Raquel Vieira (voz), Paulo Santana (teclado), Alexandre Vieira (baixo acústico) e José Carlos Guratti (bateria). As apresentações acontecem das 20 às 23 horas, com couvert artístico a R$ 25.


Mart'nália também é pop