Page 1

‘’Admiro sua beleza, mas temo seu espírito’’ (Mèrimée).


Capítulo I ‘’A verdade, a áspera verdade1’ Put Thousands together less bad, But the cage less gay2’’.

Escondido no Brasil estão os bangalôs do Lake Resort3. Imaginem, os bangalôs foram erguidos com materiais naturais da região 4. Apresentando para o casal Evans e Sheyla, (namorados) o que há de melhor. Ethan Smith. – ‘’Com tratamento à base de produtos naturais da Ilha no Spa do Hotel, vocês também pode aproveitar passeios de Jet ski.’’ Chegando-se à porta do lugar. Encontrando alguma dificuldade com as chaves. - ‘’É a correta. A porta que está emperrada’’. Fazendo força conseguiu. ‘’Pronto. Entrem’’. Pegando uma moeda de valor alto, voltou ao seus afazeres, enquanto Sheyla e Evans iriam desfrutar uma semana excelente em um dos melhores lugares do mundo para se viajar e descansar. Bangalô é um tipo de construção de um só andar, os bangalos modernos são um tipo de casa normalmente de um andar ou um andar e meio5 (e podem ser muito grandes).; na Índia, o termo referese à qualqer referência pertencente a uma família, em oposição ao edifício de apartamementos6. Era Natal7 e notícias acovardavam o mundo perante a justiça. No Brasil, a cada vinte e três minutos um jovem negro é morto.

1 Danton. 2 Thomas Hobbes. 3 Lugar fictício, inspirado à partir de uma ideia real. 4 E o design do resort reflete a arquitetura do arquipélago. Mais uma invenção do autor. 5 Exemplo: Rua de bangalôs na Virgínia. ‘’Normalmente de um andar ou um andar e meio’’. 6 Muito popular na América do Norte, a palavra deriva do guzerate baṅglo, que por sua vez vem do hindi baṅglā. 7 Pouco mais de um ano depois.


Recentemente, um vídeo chamou a atenção de todos. Tudo que refere-se na história, por exemplo, dizia o homem para ilustrar: Peste Negra, para os homens de cor, para eles hoje é ofensa. Preferem serem tidos por homens de cor preta. O homem perde a razão quando perde seus direitos8. Desde 2001, mais de sete mil pessoas forama assassinadas em Chicago. A perda de vidas americanas foi maior do que nas guerras do Iraque (quatro mil quinhentas e quatro) e Afeganistão (duas mil trezentas e oitenta e cinco) juntas. Segundo as Secretarias de Segurança de Rio de Janeiro e São Paulo, de 2001 a 2015, a primeira teve um registro de mais de trinta e nova mil mortes violentas. Enquanto São Paulo mais de trinta e quatro mil homicídios dolosos. ‘’Imagine usar toda a sua finitude e as coisas do mundo ao redor para viver apenas usando o sentido e a razão’’. Thomas Jefferson costumava dizer isso em Act of Man’s Mind. - Ethan Smith, venha cá meu nego fino. Deixe-me apertar essa solidão em sua cabeça. – Cansado, o homem velho de quarenta e dois anos, viúvo com duas filhas modelos na África do Sul, nascidas e criadas com a mãe divorciada em Luanda, capital da Angola, admiradoras de Mia Couto e apaixonadas pela cultura Oriental, especificamente a chinesa e atualmente a japonesa e o glamour norte-americano, a valsa e poesia das cariocas e a prosa erudita das baianas, o Brasil para ela era um destino ainda distante, mas cada dia mais próximo. - Suas filhas ainda garantem presença no Natal? - Garantem que sim, sim senhor. Baforando um cigarro velho de palha, com o maço no bolso esquerdo alto da camisa quase que totalmente aberta e florida, está calmo e sereno. O lugar permite certa particularidade ambiente e não com nada relacionado ao tradicional formalisto dentro dos escritórios dos grandes centros sociais e administrativos. Não, ele podia deitar-se um pouco, esticar as pernas, e esperar sua vez para jogar. Ele e Jones Dustin eram grandes amigos. Talvez por Smith nunca ter tido um filho homem. - Agradeço todo dia por elas a Deus e todo deus. Apesar de não ser politeísta.

8 V. Referência Bibliográfica.


- Então acredita apenas em um só Deus? - Sabe que sim. - E o seu cachorro velho? - Era meu! Ora essa. - Era seu... Os dois riram e Ezequiel jogou. Era vez de Smith, que não pensou muito. Cria ver o jogo à frente. Raimundo tentou. Sentiu-se fracassar. O jogo é uma questão de ponto de vista. Não tenha dúvida, mas acreditar que é possível crer no impossível é já uma questão nítida de onipotência. Logo, foi então nesta noite que o Hotel inteiro ficou sabendo da vinda de um misterioso escritor. Um fracassado e tido por solitário músico, arretado, que gostava de mulheres e fumava cigarros. - Não bebe muito, então não preocupem-se: Amy, Sam e Otto. – Falou o gerente Bill para todos da sala de reuniões. Um lugar grande e que Sam e Otto já transaram. Sam e Otto nasceram e cresceram praticamente juntos. Sam gosta da primavera. Otto nunca viu o inverno que gostaria. Com neve. Ele sonha com isso. E ela com as cores, com o mel nas ruas e o rosa, o roxo. Cores que nunca pensou serem possíveis caírem do céu. Foi uma transa de reconciliação. Quase uma. Otto está ansioso para uma segunda vez. Sam não está tanto assim. Não muito por causa dele. Mas na verdade, Sam acha que é lésbica. Amy não fala muito. Gosta de livros de suspense e sempre assistindo filmes sobre demônios, ninguém gosta dela. Mas só ela mata as baratas gigantes que aparecem em turnos em dupla e na grande maioria das vezes vai e volta de lugares que ninguém quer ir. Bill tem consciência de manter a qualidade e status de seu trabalho, consciente dos concorrentes e da exigência que demanda. Por isso, solicita para Smith levar uma bebida para os novos hospedes, cortesia da casa. - E você amanhã receberá o escritor. - E de onde ele virá? - Cômo assim de onde virá? Eu lá vou saber, eu não sou a droga da namorada, ou amante dele, sejá lá o que esses ‘’caras’’ fazem hoje. - Sim senhor. - Apenas vá com o George buscá-lo e peça para ele tomar cuidado. Eu fiz pequenos cuidados e não quero pensar que foi um erro.


A reunião encerrou e começou uma discussão. Otto tímido, procurou conversar com Sam, que recusou. Não lhe disse nada. Ele não conseguiu tempo, ela virou-se para Amy, fingindo uma conversa periódica que normalmente se faz em salões de beleza. Amy alisava o cabelo e olhava-a os peitos. - Amy, levante o rosto. - Desculpe, é que esta roupa realmente chama a atenção. Dustin fala: - Ela tem razão. - Ora cale a boca Dustin. Smith fala: - Acho que vou retirar-me rapazes. Despedindo-se de todos, Nick levantou-se e começou a fazer uma espetáculo: - Iremos lhe apresentar o que há de melhor! Tenho certeza! Jenny levantou e disse: - Minha cozinha! Minha cozinha! - Sim Jenny! As melhores refeições que ele experimentou na vida! - Minha cozinha! Minha cozinha! Os homens riam. Apercebeu-se que Bill ligara o rádio e resolveu demorar-se atrás da porta que pela fresta podia escutar: - É o tal escritor! – Isso é de quando ele era música. O homem tocava piano. Além disso podia distinguir flauta e saxofone. O sol também se levanta9, E com ele meus olhos vão; Mesmo vi como seria bom. Meu coração é hoje o mais feliz. Sabe se o que sente, as palavras chegam devagar, pequenas demais Para nós. Lembrar-se do que é nosso Nosso, que nunca esteve aqui.

9 Referência ao título do original da obra de Ernest Hemingway. The Sun Also Arises.


Mas nem só de desejos postiços vive o homem não buscava concupiscência; E à primeira vista amou. Você partiu por um momento e ainda que escureças, as luzes do salão acenderam. Uma noite em um velho bistrô La Tartine 10 Todas as mesas são para dois11. Retirou-se em passos lentos aquela noite, não conseguia tirar a tal música da cabeça. Imaginar os lugares, as filmagens, os atrizes, as atrizes, o cheiro do set, o brilho da lente da câmera, o diretor reclamando com seus personagens, a dura vida por trás dos bastidores, o perigo, a traição, o drama, tudo aquilo que lera nos livros de escola mais tarde sobre os gregos, enfim, sonhou o senhor Smith aquela noite e cedo estava esperando com George o tal escritor, que não demoru para aparecer. Retirou-se em passos lentos aquela noite, não conseguia tirar a tal música da cabeça. Imaginar os lugares, as filmagens, os atrizes, as atrizes, o cheiro do set, o brilho da lente da câmera, o diretor reclamando com seus personagens, a dura vida por trás dos bastidores, o perigo, a traição, o drama, tudo aquilo que lera nos livros de escola mais tarde sobre os gregos, enfim, sonhou.

Capítulo II ‘’Um cura virtuoso e não intrigante é Uma imprudência para a aldeia12’’.

10 Referência ao ótimo bistrô localizado na rua: Fernando de Albuquerque 267, Consolação, na cidade de São Paulo. 11 Colhido de dialogo curto entre Robert de Niro e sua grande paixão em filme: Era uma vez na América. 12 Fleury.


Henry não conseguia esconder o pessimismo por detrás do convite do Sr. Guizelline e Marcelle a excitação pelo convite. - Imaginou querido...! Nós dois em um lugar paradisíaco aqui no Brasil! Shaun era outro. Consolidava-se a oportunidade dentro da Universidade da introdução ainda provisória de tempo indeterminado de um novo curso segundo a demanda. Ele conseguiu estabelecer-se com uma família que interessou-se por sua inteligência e pela contribuição que conseguia compondo e escrevendo músicas com o filho do Sr. Guizelline. Se passava um ano desde o grande incidente na casa e eles ainda não haviam se encontrado e passado tanto tempo junto desde então, era uma boa oportunidade para fortalecer laços, principalmente com a presença do prefeito e seu filho Henriq, que ia com sua nova namorada. Dessa vez os seus dois primos idiotas não iam. Hernan estava certo de que Thomas estaria mais feliz e provavelmente Henry preocupado, ora, ele fôra tido cômo o grande responsável apesar do resguardo por parte de Marcelle e todos. Eles iam se encontrar dentro de poucos diam, passariam o Natal e mais alguns dias, voltariam antes do AnoNovo. No caminho para o hotel, o silêncio parecia impossível de se quebrar e George, carismático e tentando conversar diz: - O que você vem fazer aqui? Veio escrever um novo livro? Se for eu gostaria de estar nele. O homem sentado no banco de trás permaneceu em silêncio e foi possível escutar sua respiração. - Eu não quero conversar. Desculpe-me. Smith olhou para George e fez um semblante passivo. Querendo lhe dizer para relaxar, provavelmente ele não estava sentindo-se bem, poderia ser a viagem, desgastante. Algo que comera, ou então fosse justamente isso. Estava com fome e sentia dores no estômago e na cabeça, não conseguia pensar, só de pensar a cabeça poderia doer-lhe ou então fosse o dialeto local que ainda estava-lhe incomodando e


não conseguia agir naturalmente de forma social e agradável. ‘’De certo é isso’’. Pensava Smith. Quando chegaram, as bagagens eram poucas, a maioria o homem conseguia levar consigo nos ombros e a outra na mão, estava de óculos de sol e um chapéu de palha, uma camisa de botão bem elegante e fina para dias de calor, tecido fino e uma calça suave, chinelos. - Eu mesmo a levo. – Falou quando George ofereceu para as levar consigo. - Tudo bem. O homem ofereceu-lhe dinheiro. Ele recusou. - Fique com o senhor, aproveite sua viagem e desculpe-me qualquer coisa. O homem sentiu-se mal. George era jovem, e começou a entender o motivo por que talvez não viesse só, mas sim acompanhado. Smith o levou para a recepção e depois para o quarto do hotel. - ‘’Com tratamento à base de produtos naturais da Ilha no Spa do Hotel, você também pode aproveitar passeios de Jet ski.’’ Ou talvez prefira descansar ouvindo o barulho do mar. - Obrigado. Smith também recusou o dinheiro que ele lhe entregara. Dissera-lhe quase que a mesma coisa que ouvira anteriormente de George. E com isso, despediu-se. Smith voltou para seus afazeres e o homem adentrou conhecendo o lugar. Até o final do dia, fôra assim, Smith quando não recepcionava os clientes até seus aposentos, era uma espécie de pessoa que zelava pelos órgãos do estabelecimento. A cozinha, os salões, as salas especiais, os clientes, os funcionários, sabia nome, horários, locais, folgas, etc. Tudo, para que a rotatividade do lugar não saísse de ‘’órbita’’. Conferiu a higiene da cozinha, Jenny, Nick, Otto e Sam, as atividades para crianças com Edward e atividades para a terceira idade com Renata. Voltou para sua sala e preparou um relatório do dia cômo sempre faz para Bill. Depois disso, ele tinha um horário específico com Dustin, Ezequiel e Raimundo. Conversam sobre assuntos paralelos. Depois, retornam a falar sobre o escritor. George chega-se atrasado. Aproveite um pouco do tempo do jantar para sair e ir até a casa de sua namorada. - Está feliz George. - Sim, Yolanda é incrível. Acho que vou casar-me com ela.


- Isso. – Contente, Raimundo comia e bebia. Smith não parecia sentir fome e sua sopa de legumes com carne estava intocável. - O que foi? Ezequiel perguntou. - As pessoas aqui estão para se divertir, algumas para nunca mais voltar. E de repente vem esse escritor. Ele está triste. A vida não serve para isso. Ethan tratou de falar: - Ora, deixe disso. Está bem? De noite vamos todos jogar e escutar um pouco de música. Todos concordaram e Smith tentou comer. Quando chegou o horário de ir para a sala de jogos, na verdade, um pequeno depósito que todos juntos instalaram mesa (com autorização da gerência) e levam seus próprios jogos. Otto costuma jogar videogame com a televisão. Único bem já lá antes e de que ele sempre reclama devido ao tamanho. Smith foi até a informática do resort e procurou mais informações sobre o homem. Encontrou um arquivo com seus escritos, suas músicas já não eram mais cotadas e quase invisíveis, o homem começou a ler um de seus livros. Passou a noite inteira lendo-o, acordando apenas na manhã seguinte, atrasado para o café da manhã. À mesa, ele serviu-se de café, pães e frios (queijos e presunto parma) e comeu quieto. Pensativo. Fazia tempo que não se dispunha de demasiado tempo para uma leitura agradável cômo sentira que fora. - O que é Smith? Não conseguiu dormir? – Perguntou Raimundo. George que também à mesa, olhava-o com preocupação. - Não, não. Eu apenas estou cansado. Estou ficando velho. - Ora, pare com isso! E por que ontem não foi conosco? O que ficou fazendo? – Dustin interrogava o amigo com razão. Faziam isso desde que começaram a trabalhar juntos e tornarem-se amigos, traição talvez fosse o que sentia. E antes que Smith respondesse, o homem apareceu. - Senhores. (Apresentando-se à todos). George, Smith. – Dois homens que já conhecia pelo nome e fisionomia. – Eu venho desculpar-me, refleti muito e desculpe-me. Eu gostaria de responder as respectivas perguntas de vocês. George puxou-lhe uma cadeira: - Sente-se.


E então, Smith levantando-se para pegar-lhe café e um prato, voltou para escutar toda a conversa. - Eu queria escrever uma história sobre los sueños y el amor. Fuego, deseo, que se eleva incendeia. Uma história de amor que todo el mundo va a cantar. – Ele dizia e parecia um verdadeiro desabafo. Um feito ainda inalcançável em sua vida. Uma meta. Um objetivo. - Eu endireitava meus estudos sobre a Idade-Média e Aristóteles com o acúmulo didático, até mesmo desperdício de tempo teórico e rotativo segundo toda introdução ao Bacharelado em disputas territoriais. Talvez por isso os trabalhos de Flávio Josefo e Ptolomeu sejam tão nulos quanto ao estudo de Roma. O Mal-Estar na Fé Contemporânea foi um livro criado puramente cômo complemento. Bem cômo sua obra anterior e a posterior, conclusiva para o trabalho de todo material que desembarcou no Novo Mundo. O Doutor Marco Aurélio iria passar aqui na construção. Tinha de me deixar alguns medicamentesantes da minha viagem. Eu tinha terminado meu trabalho e viajaria com os rapazes a procura de alguma diversão. Moradia e posteriormente, emprego. Minhas malas de viagem já estavam comigo desde a noite anterior, havia deixo minha casa e passado ajunto de Harry. Eu trabalhei duro nos últimos meses com auxílio do Mr. Jorge que conseguiu me ajudar com a economia da casa etc. Éramos quatro rapazes. Harry iria dirigir por cinco horas. O primeiro estabelecimento que iríamos parar para comer. Eu tinha tempo para rever antigos pensamentos e contextualizar com a atualidade. Talvez trabalhar em uma peça. Eu estava ficando velho, chato e sem paciência. O nome do lugar. Vésperas Sicilianas. A história do lugar é ótima, conversava Elliot: - Os cidadãos de Palermo rebeleram-se em 1282, contra Carlos de Anjou e pediram a ajuda de Pedro de Aragão. Eu não pensava nisso, escrevia um pouco de um romance que tinha certeza ia ficar uma droga. O veículo era grande. Apenas uma porta. Fechado. Gostei. Harry conseguiu em um ferro velho. Investiu o seu antigo carro. E algum dinheiro é verdade. - Filho de Carlos Anjou é feito prisioneiro pelos aragoneses na guerra que se seguiu. Os franceses começaram a planejar um ataque contra Aragão. Fazia um inclemente sol, eu talvez estivesse pensando em uma antiga idéia esquecida. Então a sorte apareceu eu podia sentir.


Elliot era nascido em São Paulo capital, mas seus pais eram de Olinda, ele contava sua história: - Foi o local mais rico do Brasil Colônia da sua criação até a Invasão Holandesa, quando foi depredada13. Quando era criança gostava de admirar o quadro Prisão de Tiradentes. - De Antônio Diogo da Silva Parreiras. Ele tinha razão. Falava com conhecimento. Parecia. - Salvador foi capital colonial entre 1549 e 1763. Joshua Cooper, gostava de aventurar-se. Quando seus pais se divorciaram, ele exigiu no Tribunal sua parte da herança antecipada alegando que isso atrasava suas ideias capitalistas. Ele investiu em um pequeno empreendimento. Fez muito dinheiro e começou a trabalhar por conta própria, investindo na bolsa de valores. Seus principais investimentos, empreendedoras, cemitério e água. - Se fossem plantadas três árvores a cada garrafa de coca-cola vendida nós conseguiríamos reflorestar a terra em apenas três anos. Ele tinha razão. ‘’Especialistas alertam que os gados estão com os dias contados’’. Dizia. ‘’Já que isso demanda bastante espaço e dinheiro, 100% da carne será feita em laboratório’’. - Daqui a pouco estaram fazendo humanos também. – Falou rindo Harry. O homem tivera um verdadeiro devaneio. Todos estavam fixos em suas feições, gestos, o homem gesticulava muito e tinha algo na língua, talvez a noção de outros idiomas e isso atrapalhava seu português, deixando-o de certa forma à aparência um pouco burro. Ou não. Smith gostava do que ouvia. Então, o homem precisando levantar-se, certamente feito em pensamentos com os afazeres do dia, o horário de todos também estava quase ao fim, disse: - ‘’O que faz andar a estrada? É o sonho. Enquanto a gente sonhar a estrada permanecerá viva. É para isso que servem os caminhos, para nos fazerem parentes do futuro14’’.

13 Ouro Preto uma das principais vilas formadas durante o ciclo do ouro. A cidade preserva sua arquitetura colonial e é Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. 14 Mia Couto.


Todos os homens estavam felizes. O homem foi-se para o seu quarto e Smith providenciou de cuidar da mesa e voltar para suas atividades. Mas enquanto exercia a receptibilidade dos hóspedes que chegavam e os que já estavam com o salão, a recepção, a ordem dos pedidos, principalmente os que eram entregues pessoalmente, ajuste de gorjetas, respectivas ordens de atendimento para um não sobressair-se quanto ao outro, esse clime ambiente pessoal que o lugar tenta criar, muito se deve ao trabalho interno de Smith. Alguns hóspedes lêem revistas nas acomodações da sala de estar à entrada do hotel, não há janelas, pelo menos não tradicionais, de espelho, ou algo do tipo, abertas, mas com uma estrutura balanceada procurando afastar-se do que aproxima-se do urbano, mas também não pensando em algo rural, o lugar é feito de forma clara, a entrada da luz, lembra muito bem o conceito Revival, na Inglaterra, à grosso modo, claro, nada se parecendo, primeiro, porque o estilo respectivo dava-se em voga em Igrejas. E ainda com tendências góticas. Nada disso, outros, escutavam a televisão, mesmo que não assistissem. Bebiam refrescos e arriscavam olhares de vez em quando, os mais jovens estavam no salão de jogos, outros, desfrutando as atividades que o lugar disponibiliza. Ademais, em seus quartos, ou passeando, talvez conhecendo a região afora e suas diversidades, sua cultura. Sua identidade única e especial. Procurando ser gentil e educado, Bill solicitou que Smith fosse até o cômodo do novo hóspede, o escritor e lhe convidasse para um jantar por conta da casa. Desfrutando os melhores pratos e vinho que poderia encontrar deste lado do mundo. Assim, foi em direção ao quarto, pensando na melhor forma de assim lhe dizer, não conseguindo até lá, foi espontâneo, sendo ao terminar, expulso de forma rude e vulgar pelo homem, chamando atenção dos hóspedes vizinhos, Smith não se desesperou, tão pouco enraiveceu-se, apenas entendeu nos olhos do homem que ele de fato não falava com ele, olhava através dele, como se fôsse de ser com ele ou com qualquer outro, então, apenas desculpou-se e não contou nada para o Chefe. - Maldição. Eu avisei na recepção que não queria ser incomodado. Droga! Estou no meio de algo verdadeiramente importante, talvez o trabalho mais importante de toda minha vida e não posso, não deve ser incomodado desta forma. – Tornando-se à voltar para sua mesa


de trabalho, as horas se passaram e a verdade é que nas quarenta e oito horas seguintes, ele não conseguiu escrever. ‘’Se o esgotamento não me prendesse, iria alojar-me noutra parte. Não me lembrei disso nos dias seguintes, provavelmente na sala não havia canto disponível. Estava em um salão bastante limpo de pintura nova ainda com cheiro de tinta fresca, mas desprovido inteiramente de móveis. Mas do jeito que pensava em minha cabeça, o piano não encontraria lugar. Uma longa tremura Endurecer-me o coração, A imobilidade e o silêncio adquiriam de repente valor Mas um burburinho não me deixara dormir Querendo enxergar em Mim qualquer coisa além de Aparências, Um ventinho insinuante e velhaco trazia-me a garoa de julho À sombra de uma árvore no pátio fizemos as despedidas As dores em mum minuto conseguia amortecê-las, embalar-me numa vaga impressão de esquecimento ao mesmo tempo sentia o coração desmaiazr numa espécie de angústia Ausente do mundo deixava-me levar contra vontade, ver nos desejos ambientes realidade possíveis Não me incomodava à solidão das estrelas, vi o mundo lá fora, O sol, água, ilhas, montes, uma terra próxima a alargar-se Inquietava-me a posição do sol, ainda estávamos longe? As estações espaçaram-se Coração igual ao outro não Quase me iludi, Quis saber-me do destino dela15’’.

15 Graciliano Ramos.


É começo de semana em um pacato bairro, e Damien Anton Dowing não está satisfeito. Damien Anton Dowing16 é um escritor, dublador, roteirista, cineasta, poeta e redator de televisão e cinema brasileiro. Mas não é só ele que está insatisfeito. Peter Oliveira 17, Adriano Scorty18 e Melone Apeu19, também. Estão todos vivendo o maior e mais terrível pesadelo de todo escritor. Bloqueio criativo. Damien já tentou se alongar, fazer alguns exercícios, relaxar deitando-se no sofá, escutar música, comer, mas não sente fome, assistir televisão, mas não tem vontade, a música não lhe agrada, o sofá é desconfortável, está indisposto demais para exercitar-se, preguiça demais para banhar-se e despertar finalmente para a realidade e deixar de caminhar de forma utópica. Decide sair e ir ao supermercado comprar algumas frutas e ademais que possa interessar-lhe, talvez chocolate, mel, ele não sabe direito, apenas tem certeza de uma coisa: precisa sair de casa desesperadamente, respirar um pouco de ar, ver pessoas na rua, admirar traços, semblantes, escutar conversas paralelas, uma buzina de carro, parar perante o semáforo vermelho, qualquer coisaque se sinta. Resolve levar Ulysses com ele. Seu cachorro. Deixa-o em um corrimão específico para os clientes deixarem seus animais de estimação. Ulysses começa a chorar. Algumas pessoas reparam. Damien é dócil e amável com seu cachorro, acariciando-lhe a face, explicando-lhe baixinho que não demora. Debora Bella Aidar, uma garota linda, de pele branca, quase parda, mas não pelo sol, talvez pela miscigenação de sua estirpe, provavelmente dos alpes suíços posteriormente

16 Sua família tem ascendência ucraniana, austríaca, inglesa e norte-americana. 17 Escritor, dublador, roteirista, cineasta, poeta e redator de televisão e cinema brasileiro. Sua família tem ascendência suíça, grega, espanhola e norte-americana. 18 Escritor, dublador, roteirista, cineasta, poeta e redator de televisão e cinema brasileiro. Sua família tem ascendência árabe, hebraica, italiana e norte-americana.

19 Escritor, dublador, roteirista, cineasta, poeta e redator de televisão e cinema brasileiro. Sua família tem ascendência francesa, portuguesa, inglesa, e norte-americana.


provavelmente portuguesa, intuição que advém do azul dos seus olhos, as sardas em seu rosto, o amarelo do seu cabelo, o seu nariz, ela olha com admiração e carinho, sentindo-se de certo modo atraída por ele. Ela acaba de sair de uma relação conturbada com seu antigo namorado, um músico muito conhecido no Universo do Cinema, faz alguns meses que ela está sozinha e sem sair com ninguém. Ela adentra o supermercado na esperança de não perder-lhe de vista. Damien está caminhando pelo supermercado, ainda não decidindo-se do que quer. A primeira coisa que Aidar fizera, fôra pegar um carrinho para compras. Seguindo-o cuidadosamente. Em um primeiro momento próxima demais, ela quase colidiu-se com uma senhora de idade, que lhe chamou atenção. Perto de ser vista, ela resumiu-se em ficar fingindo mirar as pequenas letras de uma lata de feijão. Mas ele não lhe viu, completamente perdido em seus pensamentos. Damien pega uma caixa de chá, leite, queijo branco, pão francês, algumas garrafas de vinho, chocolate belga, algumas frutas e vai em direção ao caixa. Aidar que tinha uma lista enorme para suprir as carências da dispensa e geladeira de sua casa, pega itens aleatórios que estavam no caminho para chegar ao mesmo tempo que Elliot no caixa: ― ‘’Nossa!’’ ― ‘’Desculpe’’. ― Diz ela, envergonhada pela colisão desastrada com Damien. ― Eu não lhe machuquei, machuquei? Damien ainda um pouco submerso em seu próprio mundo, parece abrir os olhos de fato: ― ‘’Nossa!’’ ― ‘’Desculpe-me eu’’. ― Não pensei estar com tanta pressa. ― Fala olhando para as compras no carrinho de supermercado de Aidar: ― Que curioso. Eu adoro macarrão instantâneo. ― Ela olha para os itens que estão em seu carrinhos de compras e ela mesmo não acredita: macarrão instantâneo, latas de sardinha e feijão, bolachas infantis e um vaso com uma planta. ― ‘’Que tolice!’’ ― Diz ela em voz alta, não conseguindo guardar consigo em pensamentos. ― Desculpe-me... ― Não conseguiu entender-lhe Damien. ― Vocês podem se decidir quem vem primeiro? ― Pergunta grossamente Eliana, do caixa.


― Oh sim! Desculpe! ― Pede Damien. ― Vá você primeiro. ― Diz ele para ela. Um pouco envergonhada e tímida, ela aceita. Enquanto Eliana passa o primeiro item de seu carrinho de compras, ela repara no perfume de Damien. Ele, muito envergonhado e tímido, não consegue esconder o quanto isso lhe excita e agrada, a presença feminina próxima dele, a energia positiva que exala de seu corpo, justamente pela atração inicial que ela sentira, incontestável, ele mesmo apesar de muito negativista, pouco otimista, consegue compreender quando está sofrendo de delírios e ilusões ou quanto a realidade é seca e crua, e de fato, aquela belha mulher estava interessada por Damien. Finalmente Eliana termina de passar os itens de Aidar. Que olha para Damien e sorri. ― Espere! ― Diz ele, um pouco alto, de fato, ela já estava distante dele, segundo a noção de proximidade que estabeleceu-se primeiramente. Ela antes de lhe virar o rosto, sorri infantilmente. Volta-se para ele e pergunta: ― Sim?! ― Eu... Eu queria saber o seu nome. ― Pode me chamar de Bella. ― Sou Anton. Eu estou impressionado. ― Com o que? ― Com a paixão. É impossível negar a ciência, à primeira vista eu não mudaria nada neste nosso encontro. Ela sorri envergonhada. ― Muito bonito isto Anton. Mas eu preciso ir. ― Não... ― O que? ― Pergunta ela, um pouco mais fechada. ― Quer dizer, eu nunca havia dito isso antes para alguém. ― Eu sei disso. ― Cômo? ― Acredite, nós mulheres sabemos. Ele riu um pouco. ― Viu? Sente-se mais calmo não é? ― Sim. Um pouco. E feliz também. ― Por quê?


― Se você sabe o que sinto, então deve saber o que vou fazer agora não é? Ela centrou-se em sua testa, ele parecia calmo e relaxado. ― Na verdade, eu, não sei não. O que é que você vai fazer? Antes de responder Eliana interrompeu-os novamente: ― O jovem poderia ir mais depressa? Enquanto as compras de Anton passavam, ele lhe convidou para ficar: ― Eu poderia lhe pagar um café da manhã? ― Está quase na hora do almoço, eu não deveria... ― Não é culpa sua. Eu que me apaixonei. Bella sentindo-se com remorso e para ser sincero, sentindo-se um pouco feliz além daquilo que estava tempos atrás, aceitou-lhe o convite. Sentados adentro um café no supermercado, ambos conversam: ― Pois bem, diga-me de você Anton, o que é? ― Que pergunta machista para uma mulher não acha? ― Tem alguma pergunta feminista para mim? ― Você deveria ter-me roubado um beijo. Ela surpreende-se: ― Do que fala? ― Você deveria ter-me roubado um beijo. ― Não consigo entender. ― Eu lhe vi olhando para mim quando entrei no supermercado. Não é por acidente que estamos aqui. Bella sente um duro golpe no peito, procura manter a calma e pergunta: ― Não sei do que é que está falando, o que quer dizer com isso, que planejei tudo? Anton ri, mas não de forma desapropriada ou sem modos, do contrário, de forma fina e educada, totalmente gentil, pega em sua mãe e olhando nos seus olhos diz: ― Tão certo quanto estou agora de que pensei direito sobre a cor dos seus olhos, são os primeiros minutos do meu amor por você. Quanto tempo dura a paixão? Ela afasta sua mãe da dele, cruza os braços e olha para os lados, Anton volta-se ao encosto da cadeira: ― Eu não quis lhe ofender. ― Ele diz.


― Não me ofendeu. Anton apercebe-se em seus olhos algumas lágrimas: ― Eu não estou mentindo Bella. Pelos olhos do meu cachorro lhe vi. Sei que não sou bom com as palavras, tão pouco com as ações, se sugeri por um momento algo que lhe possa ter parecido vulgar, é pois por que eu próprio não teria coragem de fazer o que meus instintos e meu corpo reclamam, cômo fora na hora em que pensei que poderia-lhe tocar os lábios da forma mais doce e suave possível. Ela limpa com um pedaço de papel os olhos, respira e lhe diz: ― ‘’Besteira minha’’. ― Não é nada com você. ― Estendendo sua mão até a dele. ― Eu não gosto de ‘’roubar’’ aquilo que sei que posso conquistar. ― Tenho certeza que você pensa parecido comigo. Anton sorri e lhe responde: ― Acredito em você. ― Bella sorri e sugere: ― Vamos pedir? Bella e Damien realizam os seus respectivos pedidos ao garçom e voltam a conversar: ― Eu tento ser escritor Bella. É uma profissão muito difícil. ― Nossa! Escritor! E qual o seu escritor favorito? ― Eu não posso dizer. ― Cômo assim? ― Vamos supor, volte até o momento em que me vira com meu cachorro e eu através dos olhos dele lhe vira, certo? ― Tudo bem. ― Sentira interesse, atração, estou certo? ― Sim. ― De fato, não é uma sensação nova, de súbito, não é? ― De certo modo, mas nunca é igual. ― Mas também não é sempre diferente não é? ― Sim. ― Pois bem, imagine que agora, está você sentada aqui e no meu lugar uma amiga sua, que não apercebera-se de nada e eu, sentado em uma mesa próxima daqui. Qualquer uma. Não nos colidimos no caixa, mas estamos aqui. Tudo bem? ― Aonde quer chegar? ― Espere. E então, você faz a mesma pergunta para sua amiga, só que sobre os homens mais bonitos com quem ela já namorou, tudo bem?


― Tudo. ― Então, ela depois de pensar um pouco, deixa-se aperceber pela tonalidade de minha voz ao servir-me junto do garçom, então ela repara em mim e pronto, ela acaba lhe respondendo algo do tipo: ‘’Nossa amiga, ele é o homem mais lindo que eu já vi. E eu nunca namorei com ele’’. ― O que você quer dizer com isso? A pergunta era sobre os homens com quem ela já namorou. ― Exatamente. Agora, continue comigo, vamos supor, que à primeira concepção, ela nada apercebera-se, mas o que você pensará se eu lhe disser, que ela de tudo apercebeu-se e eu também, logo, eu e ela, em relação à você, apenas escondemos que já nos conhecíamos, que já tenhamos saído, mas que fizemos tudo isso para saber sua reação. ― Não consigo associar isto com o que conversávamos. ― Eu quero dizer o seguinte Bella, olhando para você, eu imagino qual seja o seu escritor favorito. Mas o prazer que me dá escondendo-lhe isso, e caso você pergunte-me, eu minta, só para sentir o prazer em seu rosto em revelar, não há nada no mundo que valha isso entende? ― Acho que sim. ― Da mesma forma interpreto-me. Para conversar com você, eu mentiria mais de uma vez, pensaria talvez no quinto, sexto, talvez o meu vigésimo escritor favorito, só para ver, aos poucos, as transformações do seu rosto, admirar-me com a matemática dos seus sentimentos, conquistando à medida um espaço de direito no seu interior. ― Muito bonito. ― Castro Alves. ― Sério? ― Pergunta ela rindo. ― É um bom escritor não acha? ― Não há dúvida. Damien ri: ― Mas sério, eu sei que não é ele, quem é? ― Rousseau. ― Ele não era filósofo? ― Podemos ficar aqui o dia todo assim. Ambos riem, o garçom chega com os pedidos:


― Obrigado. ― Ele agradece. ― Obrigada. ― Agradece ela. Os dois trocam uma primeira leva de olhares e sorrisos: ― Seu sanduíche está com uma aparência ótima. ― Diz ela. ― Sério? Eu sempre peço este sanduíche de salmão quando venho aqui. ― Eu adoro a torta de chocolate com creme holandês. ― Desde que deixei de comer perdi mais de cinco quilos. ― Sério? Você me parece tão bem. ― É por que estou tentando parar de fumar. ― Nossa, não me diga, engordei absurdos depois que parei. ― Você me parece tão bem. ― Voltei a fumar. Os dois riem. Damien e Bella não apercebem-se, mas outro indivíduo vira-os desde o início, estando desde já no mesmo lugar, em uma cadeira aos fundos do café, próximo da janela, de frente para Damien e Bella quando na rua, estava terminando seu café com pães e bolo, resolveu pedir novamente, dessa vez, uma salada de frutas e um copo de leite, apenas para amistosamente, acompanhar o desenvolvimento deste interessante encontro. Edward Eccoly é um ex-escritor, jornalista e diretor de televisão e cinema brasileiro20. Não consegue acreditar no que vê, pode-se reconhecer no passado. As roupas do jovem, formais, calça jeans, camisa branca e um colete elegantemente fechado. Um cabelo curto, penteado conservadoramente para o canto direito, tradicionalmente britânico, ainda mais com as vestes, a pele branca, a barba bem feita. Parecia mirar-se no espelho. E a sua postura na cadeira, centrada, com o corpo ereto, não apoiando os cotovelos na mesa, de forma digna, assustar-se-ia não fôsse exatamente igual na sua idade. A jovem por outro lado, ele não tem certeza se o rapaz consegue aperceber-se, mas saiu de uma triste relação recentemente, pelo simples liberalismo com o qual não conversa com ele de outra forma senão aquela com a qual conversaria com qualquer novo pretendente. A paixão inicial acabou no momento em que eles se conheceram. De agora em diante é amor. E Edward bem entende disso. Esconde os olhos para não ver a verdade, mas está

20 Sua família tem ascendência portuguesa.


profundamente interessado nestes dois jovens, no que pode-se florescer. Seu coração começa a acelerar. Algo incontrolável. ― Bella, se eu lhe contasse todas as minhas verdades, eu não serme-ia mais um escritor e sim um personagem dentro da minha própria história.

Capítulo III ‘’E sarà mia colpa Se cosi è21’’.

‘’Guardou silêncio um instante, aproveitou uma noite de escuro ou de chuva, desçeu ao porto, destracou uma canoa, meteu-se nela e tocou para Mangaratiba, mas desembarcou fora do povoado, fujiu das casas e não viajou de trem, é claro, entrou no Rio a pé, acompanhando a estrada de ferro. Buscou lembrar-se dela, o pensamento desviava-se, olhos que prendiam-se com insistência em lembranças e depois do silêncio os acontecimentos da manhã avivaram-lhe por instantes, as árvores enfezadas lhe prendiam a atenção, porque seriam tão miúdas? Consequência do enxerto, imaginou, surgiam pela primeira vez, o tempo deixara de existir. Olho vivo, porém baixo, um sorriso insignificante e expressava-se em voz bamba e vazia, mas num instante, suprimia um juízo firmado em observação longa: ‘Aqui o nosso amor que você supunha impossível’. E o desejo deixou de lhe narrar sonhos Os caminhos caminho do amor, enfim a paz que esperava.

21 Nicolò Maachiavelli.


‘A fraqueza não é o desânimo da alma, mas do coração’. Cômo seria possível olhos vivos não sentirem desejo? Brilhavam com ingênua malícia. Para fugir com tamanha indiscrição, passava horas ao sol, consumindo-lhe devagar, sem nenhuma esperança, animava-se um pouco e em voz lenta e baixa, gastava os restos da vida. É engano estava com preguiça de amar. Às vezes o sorriso permanente franzia-lhe o rosto, uma sombra de amargura envolvia-lhe, Debalde: as balelas de um desconhecido, cantigas sem pé nem cabeça, quem estaria a contá-las? ‘Se pudesse acreditar, acreditaria nos anjos e em Deus’. Sempre dispostos a levar as questões mais simples às vias de fato. A liberdade me assustava. O temor às vezes nos leva a temeridades, empresta às nossas ações aparência falsa de coragem22’’. Aquele cheiro de ‘’terra molhada’’ após uma chuva... Que nome, céus, Shaun começou a lembrar-se de seus afezeres acadêmicos 23 chegando ao avião, aquela sensação sempre lhe agradava, sentia, admitia poucas vezes o desejo de viajar. Sr. Guizelline já é um homem acostumado, de ‘’outro mundo’’ bem, era sua mulher, apesar da idade, adaptada a esse tipo de situação e sua família inteira estava sentindo-se bem, o clima era favorável, e toda aquela vereda em volta, era agradável aos olhos. Thomas estava feliz com Carolina. E Julienne não parecia tão animada. De certo a introdução ainda que por longo tempo de esperar-se, Marcelle não está com mais de cinco

22 Graciliano Ramos.

23 Retornou a lembrar-me de um antigo livro, cheio de novas palavras, todas elas inteiramente curiosas. ‘’Petrichor’’. V. Referências Bibliográficas.


meses grávida, mas já recebe os primeiros carinhos por onde passa, principalmente da família, mas é gostoso de ver-se a aproximação de todos, seja no supermercado, farmácia, rodoviárias, aeroportos, o texista que seguiu conosco, preferindo Henry a deixar-se à disposição de pagar um táxi para que Sr. Guizelline, sua mulher, Julienne, Thomas, Clark e Shaun pudessem ir todos juntos de carro. Um funcionário da empresa iria deixar o carro na residência e deixar a chave no gabinete. A chegada dos novos hóspedes era prometida para a noite. A chegada de uma segunda família também era discutida na reunião de pauta entre a gerência e os funcionários. Bill tem os nomes das reservas, é um homem, uma mulher, mas não sua ‘’mulher’’, sua esposa, tida ‘’aqui’’ (referindo-se a reserva) cômo sua amiga e uma criança pequena, recém-nascida, o avô, e a avó. Só que eles pediram quartos separados. - Então são dois quartos. – Fala Jason. Que normalmente fica na recepção com Kelly e Sidney. - Três quartos. – Falou corrigindo Smith. - Smith tem razão. – Ponderou Bill, prosseguindo. - Parece que nunca se casaram, e segundo diz aqui (força os olhos Bill em suas anotações) ambos possuem menos de cinquenta anos. - Eles são jovens. – Comenta Jenny. – Isso é bom, eu odeio gente velha. Odiava os meus avós. Bill olha e continua a reunião. Paralelamente à isso, ele pede uma ajuda extra por parte de Smith parece melhor acomodação do grupo de alemães estagiários do google que vieram aproveitar as férias. Um deles (Sulzbach24) que estava na enfermaria já está no Hospital. Um médico local foi chamado para lhe analisar ainda no hotel, detectando Escherichia coli, uma infecção causada por uma bactéria que libera uma toxina que destrói as células vermelhas do sangue, as hemácias e deixa os pacientes com insuficiência renal 25. Eles vieram de diferentes regiões da Alemanha, para um evento aqui no Brasil, se

24 Vilarejo. Na Alemanhga, para as pessoas comuns (não nobres) os sobrenomes surgiram na Baixa Idade-Média, muitas vezes os sobrenomes foram adotados para indicar a profissão do chefe da família, local de nascimento ou sua filiação. Becker (padeiro), Schimdt (ferreiro), Bauer (agricultor), Baumbach (córrego da árvore) são os outros.


conheceram, e resolveram continuar a viagem, uma experiência para eles inesquecível. - E esperamos que continue assim, não é mesmo pessoal? – Falou Bill finalizando a palestra. Smith era um dos encarregados para lhes recepcionar no Aeroporto, nestes casos, ele vai com George, mas leva outro veículo, um maior. Para que possam irem todos segundo as normas. E assim fora, quando George e ele esperavam do lado de fora do aeroporto. A primeira família a entrar foi a Guizelline. A segunda, na reserva, feita pelo Felipe, pai da criança e que ia dividir o quarto com sua ‘’amiga’’. George conversava com Smith minutos antes justamente sobre isso: - Como é que pode não é verdade Smith? - O que é George? - Eles têm agora uma filha, mas não se casaram, e os avós da criança também não. - O mundo é realmente outro. - Têm razão. Passaram-se alguns minutos e aperceberam-se de que estavam vindo. Smith lhe abriu as portas e ajudou com as malas. Pesadas. Shaun não se importou de ajudar e Henry cuidou de Marcelle, Clark e sua irmã mais nova acomodaram-se primeiro. Quando todos acomodaram-se, Sr. Guizelline perguntou, estranhando que ainda estavam parados no local de embarque e desembarque: - O que estamos esperando? Smith apercebendo-se: - Desculpe-me senhor, pensei que viriam juntos com a família ‘’Nelles’’. E então Sr. Guizelline entendeu, estavam dividindo a viagem. - Não se preocupem, tenho certeza que não vão demorar. – E ele tinha razão. Não demorou muito mesmo. E tinham uma boa explicação, falava Felipe: - E então, eu expliquei para a mulher que não referia-me ao leite das tetas dela, mas sim a substância em si26.

25 Em casos mais extremos ela provoca convulsões e problemas graves no sistema nervoso. 26 Eu penso em grandes tetas macias e gostosas de apertar! Eu não posso sair da América sem estudar a grande arte da chupação, eu


Todos estavam realmente impressionados com a história. O garoto era realmente curioso, muito jovem para ter um filho, e seus pais? Bem, não é de certo modo o perfil de pais tradicionais, mas um excelente sobre pais contemporâneos. Possível admitir que faziam isso mais pela criança que por vós, mas também era possível admitir que existia chama entre eles. E se Felipe a doce moça April não eram comprometidos ainda, era por alguma razão que desconhecia-se, pois formavam um belo casal. Amigos, o que é mais importante. Meu coração é hoje o mais feliz Sabe se o que sente, as palavras chegam devagar, em teus olhos o desejo é amor. Que quando falta, desses olhos sós, Querido assim em carnaval, silencia-me as dores, Sois um com ela sem tamanho. Aqui nasce e estou com você27, Queria amar-te mas não conheço o amor Meu sentimento, leve para onde quiser Quando é da gente fica. Se me deixaste pensar em você, Quanto pensar, ajude-me meu bem, Já não me perco mais, já não te vejo mais. O amor não tem voz, O amor não tem vez Tem dias eu não vivo Tem dias que eu morro amor. quero beijar a Mata, a floresta amazônica, cheirar o bacalhau, comer o pastel de pêlo. ‘’A busca pelo taco rosa’’. Somos gêmeos na busca pelo sorriso vertical. Os ovos mexidos entre as pernas. Onde o sol não bate.

27 Minha se fosse/Serias uma eterna conquista/Queria que wntendeste, mas eu próprio não/Dar-te ia tudo... Mas não tenho.


Nem de tudo vale ser só Se até a saudade busca alguém. Em seu quarto, o escritor escrevia. Estava cheio de fome. Lembrou que tinha vontade de aventurar-se pelas visões do século XIX. Talvez se despedisse deles na Central do Brasil. De lá Guiana ou Suriname. Não sabia. A antiga Estação Dom Pedro II, Avenida Presidente Vargas, Praça Cristiano Ottoni, Estrada de Ferro Leopoldina. Ouviu dizer que o céu do Rio de Janeiro foi considerado o mais azul do mundo. Esperava. De certo, acreditava, que devia ser isso assim mesmo.

Capítulo IV ‘’Sanity and happiness are an Impossible combination28’’.

No final Abraham Lincoln tinha razão. São os anos dentro da vida e não só os anos dela que contam. O comportamento é o espelho. Goethe tinha razão. ‘’Não há presente ou futuro, apenas o passado, se repetindo várias e várias vezes agora 29’’. Preferiu tirar a roupa e tomar um banho. Em vinte minutos, depois de cagar e fumar um cigarro ligou para Daniel, pediu que ele ficasse de olho na casa até que os novos donos apropriem-se inteiramente dela. Os americanos não tem senso de privacidade. Não sabem o que isso significa. Isso não existe. Alguém mais ou menos próximo, dizia de alguma coisa: - Detroit é um retrato dos Estados Unidos. Durante o último século a grande migração dos afro-americanos, o aumento da produção e da classe média30. Existem mais de cinco casas abandonadas para cada morador de rua na América do Norte.

28 Mark Twain. 29 Eugene O’Neill.


- Tenho certeza que está pensando em ir para lá não é mesmo? Brinquei, procurando conversar sobre o assunto. Sabia da seriedade que nos encontrávamos. O homem não prestou muita atenção ou então não entendeu o meu português, reparei que falou em outra língua com seu amigo que respondeu: - Estou no quarto 12, amanhã eu decido para onde vou. Vocês também podem pensar nestas horas restantes. Estabilidade é a primeira coisa que precisamos para começar a pensar em algo voltado para a arte. Parecia que o primeiro homem não estava sozinho, ficando em reflexão depois que o outro levantou-se a partiu, estava ficando tarde quando Smith adentrou o lugar com as duas famílias, George com algumas malas, indo e voltando, enquanto faziam os ajustes na recepção. - Eu os levarei. Os quartos são vizinhos. Respectivamente, para cada família, segundo a ordem de registro, dessa forma, primeiro vou acompanhar Felipe e sua família. Depois o Sr. Nelles, a sra. Nelles e depois a família Guizelline, que fizera a reserva dias depois. Segundo consta nas anotações da gerência. - Excelente! – Falou Ricardo, pai de Felipe. Provavelmente entusiasmado para ver-se livre da mulher, que não parecia contente com ele. Algo sobre uma mulher chamada Tiffany. Foi para o quarto e resolveu assistir televisão: - Joshua pague logo enquanto Esperamos do lado de fora. Confundiram-lhe com um retrato falado. Dois policias estavam próximos dele agora. Ele estava no chão. Um deles havia-lhe ameaçado e ele assustou-se. ― Não é o cara! ― O que? Você disse afro-americano. ― É, mas eu disse caramelo mocha, ele parece café preto. Talvez com creme. Os dois saíam. Joshua levantava-se e já estavam ao seu lado. Escutou a movimentação nos cômodos vizinhos, seus respectivos novos moradores, agoram eram seus vizinhos, acostumariam-se com

30 O caso de amor com os automóveis, o florescimento do sonho americano; e agora, o colapso da economia e a morte do sonho americano. Como os cidadãos podem salvar uma cidade?


o grupo de alemães, o inglês que falava pouco e apenas saía de dia, passando a noite no quarto, nada sabe-se dele, nenhum funcionário do hotel inclusive, destes que ganham a mais para fornecer informações ou conseguir algo da cozinha fora do dia. Um dos funcionários lhe contou que ele tem um apartamento em Greenwitch Village, em Nova York. Shaun e Julienne não poderiam ficar juntas, então há um quarto para os homens e outro para as mulheres. Entre as opções de acomodações, há quartos isolados, duplos e ‘’home’’. Casa. Em inglês. Para esse tipo de situação. Dois andares e varanda. Suíte para o casal. E mais dois cômodos, que seria divido entre Julienne, Marcelle, Carolina e Cécile, para as meninas e o outro para Thomas, Clark, Shaun e Henry. O prefeito e o filho ficariam em um duplo logo ao lado. Faltava pouco para o jantar e eles não queriam demorar-se, Sr. Guizelline tinha algumas tarefas para fazer com alguns amigos de negócios na sala de conferências do hotel, reservada espeficamente para sua chegada, segundo a matemática exata do horário de desembarque e chegada no hotel e sugeriu para Thomas e Henry cuidarem de Shaun e Clark para não se atrasarem na mesa de jantar, já selecionada, uma mesa agradável, não ao centro do salão, mas próxima da janela, cômo gosta sua esposa, e o mesmo fizera com sua mulher para com Julienne, Marcelle e Cécile, que Julienne está de mau humor e gosta de demorar-se, mal-humorada ainda mais, e Marcelle agora está cheia de desejos, manias e voltou a comportar-se como uma adolescente e Cécile quer agir igual uma adulta. Enfim, ele precisa de serenidade, é uma conversa séria, apesar do clime festivo e pode decidir o futuro de seus investimentos no jornal. Ainda não conversou com sua esposa, mas vai deixar suas ações com ela. E ela que decidirá o que fazer ano que vem. Ele já decidiu, irá aposentar-se e escrever colunas e crônicas, sempre que quiser, talvez até mesmo um livro sobre seus anos dentro do jornalismo. Tinha um punhado de referência bibliográfica para acompanhar. Shaun pegou um livro inteiro e começou a versar-lhe31 apenas as doações do autor, palavras em italiano e latim, com citações exemplares, o livro era grosso, de duzentas páginas ou mais e não parou até que todos estivessem prontos. Clark parecia que não ia

31 ‘’Cunctando restituit rem’’. Énio. V. Referências Bibliográficas.


sair, Thomas não incomodava-se, tinha tarefas para fazer e Henry escondido no quarto, parecia outro que também não ia sair. Ele bebia uma garrafa de aguardente, mas não gostava, então tentou sair e comprar algum vinho ou até mesmo um refrigerante cubano. Quando voltou estavam todos prontos. Foi ao banheiro, lavou as mãos, escolhou uma colônia e foi. Thomas estava com um trabalho sério dentro da Universidade de catalogação, fotografias, novas impressões digitais em ficha, um novo trabalho independente de Zuccolo chamava a atenção em bairros nobres da cidade. Henry ainda teve tempo de ir a Capela onde encontrou o Padre, Antônio Paiva, muito velho, caridoso e gentil. Henry estava lá para agradecer e bem disse se havia algo nessa nova etapa da vida para se fazer. Ele respondeu que depois de uma boa mulher e uma boa vida, resta uma boa cooperação. A lembrança dos momentos com Marcelle lhe agradavam os pensamentos e ele não podia deixar de pensar na futura criança que ainda nem sequer sabiam o sexo. Thomas tinha planos, motivado pelos ensinamentos, sua busca era encontrar a chave do movimento perpétuo. Doutorar-se e32 tornar-se PhD. Trabalhar em jornais, revistas, emissoras de rádio e exercer cargo como produtor de um programa em um pequeno canal de televisão voltado para: História, Artes e Filosofia. O agente ligando-lhe cobrando algum novo roteiro: - ‘’(...) Ainda trabalhando em meu romance. Vá para o inferno. — Certo! Não esqueça: você é o nosso campeão. — Chupe meu saco Quentin, seu mentiroso! — Certo campeão! Você é cômico! (...) ‘’.

32 Baseada na alegoria de Platão: Anel de Giges, para ele uma descoberta natural e eudaimônica; a verdadeira recíprocidade do cosmos para com o eu; defendendo que apenas a pura convivência e experiência consigo mesmo, é capaz de apresentar-se a verdadeira revelação sobre a crença de cada um e com êxito definir e normalizar as verdadeiras atividades inatas, a por à pratica as atividades que nos são essenciais; a constituírem nossa existencialidade para com a sociedade. Usa da Razão Comunicativa em estado não natural, mas em controle da razão instrumental expondo as mazelas das três vertentes religiosas desenvolvidas a partir de Abraão. Desde os primórdios da humanidade até os dias atuais. Acreditando que apenas assim, pode-se conciliá-las. A fim de encontrar uma equivalência entre elas e acabar com os conflitos religiosos existentes.


Acordar todos os dias as cinco da manhã. Deitar-sm as vinte e uma horas e sempre antes de dormir, perguntar-me: ‘’quais foram às coisas boas que eu fiz hoje?’’; dormindo exatas oito horas. Tirar uma soneca de vinte minutos. Há muito tempo ouviu alguém dizer-lhe: ‘’Ouvi o velho homem velho dizer tudo quanto é belo, se esvai como as águas’’. Há muito tempo, ouviu alguém dizer-lhe: ‘’A história é o pesadelo do qual tento despertar’’. Comecei a gostar da vida muito tarde, entender a vida muito tarde. A pensar na morte muito cedo, ter medo dela muito cedo. Há muito tempo, ouviu alguém dizer-lhe: ‘’jamais vi coisa selvagem com pena de si mesmo’’. Conheceu Plutarco, quase na mesma época que conheci Flávio Josefo. Queria escrever um novela, a história de um homem enervado e besta, um escritor, e as opiniões eram opiniões, repetições, o oposto do presente, coisa burlesca, uma generosa mentira, a vaidade do moço inconcebível mantinha-lhe uma reserva hostil. O que desagradava o homem? A fraqueza e o desânimo haviam diminuído, primeiro invejava um pouco os amigos, mas não desejava mal, doenças para os outros, uma úlcera duvidosa no estômago, ou pulmões decompostos, procurava manter uma fisionomia suave, acreditava na derrota do fascismo, mas não encontrava explicações para o comunismo. Tentava encontrar nos jornais alguma notícia animadora. Entrar nas lojas, nos cafés, nas livrarias e nos cinemas. Vera, sua governanta, lhe sugeriu usar um pouco do tesouro da família em reserva. Ele recusou. À porta do cubículo tomou um pouco de leite, pão com mel, em excesso, e depois bebeu café nauseante, adocicado. Abriu a porta e a faxina trouxe-lhe a refeição da manhã. Shaun depois que terminou de se arrumar, começou a perder algum tempo a ver recomendações minuciosas a uma pessoa ausente. Sr. Guizelline havia terminado rápido a sua negociação e sentiu-se um pouco incomodado com o clima local, procurando amparo na sala de enfermaria, onde encontrou um homem bravo, com uma expressão séria de depressão - Desculpe-me o senhor não pode ficar aqui. - Eu gostaria de um tranquilizante. Algo suave. - Está bem, tem a receita?


- Sim claro. (Procurando em seus documentos). – ‘’Aqui.’’ - Espere um pouco. Olhou-o e não tirou-lhe os olhos. Quando a enfermeira voltou, lhe perguntou. Ela respondeu que ele está com fadiga. Mas o nome ele não soube entender. Era alemão33. A leitura posteriormente do nome, lhe revelou coisas medonhas, outras quatro doenças acontecem naquele mesmo lugar: Ostalgie, doenças que afeta o campo psicológico. Diz respeito a uma nostalgia em específico, ligada à saudade que os habitantes sentem da Alemanha Oriental. Horsturz, doença que une stress e perda de audição. Por conta do stress em excesso, alguns alemães acabam perdendo a audição. Lá, é comum as pessoas terem ataque de Horsturz quando estão estressadas. Zeitkrankheit, uma espécie de doença que se refere ao tempo. Em tradução literal, é a ‘’doença dos tempos’’. O termo é usado para designar qualquer preocupação geral que seja a respeito de coisas da época e problemas corriqueiros de determinada época vivida por alguém’’. E E.coli. Arriscava a fixar estudos em propriedades rurais burguesas, a imprensa corrupta, a malandragem política, o crime, a loucura. Tipografia, revisão, separar sujeito de verbos estupidamente? ‘’Eu adoro minhas vírgulas’’ pensou Sr. Guizelline. ‘’Minha mulher não é de cerimônia. Acredito nos olhos daquela mulher que brilham quando Marcella chega-se’’. Juntavam-se mais dois tipos curiosos na enfermaria. Marcelle sofria um súbito ataque de rumor excessivo sobre as antigas namoradas de Henry e sua aparente falta de comprometimento, substituindo o trabalho por tudo na casa que conseguem com a ajuda do pai, pagar. Ele ainda está sem remuneração em seu novo projeto agro-social. Acredita na ‘’verbialização’’. Uma mistura de verde cômo linguagem e unidade cívica, mais que Política, uma Ativista. Marcelle procurava esconder acreditava Cécile o riso franco. Apesar da idade, tinha o coração aberto para as paixões e já tinha envolvido-se, mesmo que em pouca intensidade com um garoto mais velho do seu colégio. Não pensava em amor, em nada disso. Mas pensava, um dia, uma hora, no destrancar das grades. Julienne começou a conversar com Marcelle, que sóbria, parecia escutar dentro de si: ‘’A pobre moça esquecia os

33 Fruhjahrsmudigkeit.


pobres males e ocupava-se dos meus’’. E assim, Julienne falava, falava e falava sentada ao seu lado na cama. Um conjunto de dois grandes colchões unidos. Cochichavam ainda algumas besteiras apaixonantes, Carolina ainda estava no banheiro, provavelmente pavorosa dentro de tantos rumores, mais ou menos verdades sobre ela e Thomas, que comprometia-se com a Igreja e a edificação de um projeto musical, abrindo espaço para jovens com problemas, auxiliando-os para vestibulares, cursos e outras atividades fornecidades pela Igreja. Mas a verdade, é que achava realmente impossível fazer qualquer trabalho. - Você pretende se casar com Julienne? - Sim. - Eu não consigo acreditar. - Sei que não gosta de mim, mas não foi culpa sua, sei que não pretendia34. - Já falamos disso mais de mil vezes. - Eu sei. - Não foi culpa sua. Talvez todos estejam certos e eu tivesse de não ter feito nada. Esperado. E tê-lo esperado agir, mas agora já foi e você não pode mais usar o braço direito, você escrevia, fazia suas refeições com ele. - Foi também o braço que masturbei a primeira garota da minha vida, masturbava—me e além do mais gostava de usar também. Eles riram tristes. - Muito bem. Ele parecia precipitar-se a dizer algo. - Vai falar da paixão de René Descartes por mulheres vesgas. - Não. - Do medo irracional da morte jovem por Albert Camus 35?

34 Referindo-se ao tiro que paralisou os movimentos de seu braço direito. 35 Para entender, isso, talvez seja melhor começar do início. Pois, creio, que não apenas os fatos de uma vida pós concepção de Albert Camus como pensador, mas uma concepção de Albert Camus como um todo, seja necessária para total compreensão. Albert Camus (1913-1960) cresceu em uma família pobre, sem água corrente ou eletricidqade. Sua avó usava um chicote para manter todos em linha. Camus conseguiu ganhar uma bolsa de estudos que


- Não. - Sobre Immanuel Kant e sua rotina diária ou então sobre ele e sua obsessão hipocondríaca? - Não. - Sobre Søren Kierkegaard e sua maldição familiar 36? - Não.

lhe permitiu frequentar o Ensino Médio. Com dezessete anos, ele por pouco sobreviveu a um ataque de tuberculose e foi obrigado a tirar um ano da escola para recuperar-se. Mais uma vez, Camus perseverou, voltou a estudar e tornou-se um autor publicado mesmo antes de entrar na Universidade de Algiers (Argélia). Apesar de sua capacidade de sobreviver e seus primeiros sucessos na vida, Camus era obcecado com a ideia de que morreria cedo. Ele disse a uma namorada certa vez que ‘’sentia o mal flutuando no ar’’. Para Albert, este medo criou uma obsessão com a morte em geral. O filosófo, que carregava uma carta de suicídio escrita por um amigo de Leon Trotsky no bolso, era cheio de pessimismo e alimentado por temor. Por isso, estava determinado a completar seus escritos antes de morrer. Até ganhar o Prêmio Nobel foi considerado um mau presságio por ele, que acreditava que o prêmio era um selo sobre o fim da carreira de uma pessoa. A pressão que sentia para completar a sua obra-prima se intensificou e continuou até a sua morte, quando seus medos se tornaram realidade. Em 4 de janeiro de 1960, Camus morreu em um acidente de carro em idade relativamente jovem. 36 Antes de Kierkegaard (1813-1855) atingir a idade de 25 anos, cinco de seus irmãos e ambos os pais tinham morrido. Apenas alguns anos antes, o seu avô tinha confessado a seu pai que ele estava destinado a assistir a todos os seus filhos, incluindo Kierkegaard, a morrer antes dele, porque tinha trazido a ira de Deus sobre a família quando amaldiçoou o mesmo ainda menino. Kierkegaard aceitou totalmente a conclusão de seu pai sobre sua má sorte e aceitou a ideia de que enfrentaria uma morte precoce. Embora seu pai tenha morrido primeiro, em 1838, Kierkegaard ainda acreditava que estava amaldiçoado e que Deus iria tirar sua vida em uma idade precoce. Este conhecimento fez dele um escritor prolífico, em uma tentativa de dizer tudo antes de seu inevitável fim. Como Camus, os medos de Kierkegaard tornaram-se realidade, quando ele morreu em 1855, com apenas 42 anos de idade. Kierkegaard, sofreu uma queda na rua e foi hospitalizado, com paralisia nas pernas.


- Sobre a vida e o caos de Karl Marx37? - Não. - A obesessão de Nietzsche por frutas38? - Não. - A mania de Voltaire por café39? - Não. - Sobre Friedrich Hegel e a camisola por cima da roupa40? - Não. Recusando-se a receber assitência religiosa, faleceu quarenta dias depois, em Copenhaque, em 11 de novembro de 1855. 37 Coautor da obra seminal O Manifesto Comunista. Considerado um dos téoricos mais influentes do século XX, sua vida pessoal era cheia de caos e desordem. Parcialmente por causa de sua terrível situação financeira, que resultou em grande parte da expulsão de sua família da França por causa de seus escritos políticos, e parcialmente por causa de sua personalidade, Marx trabalhava intensamentem, mas apenas em rajadas de produtividade que eram muitas vezes seguidas por crises de exaustão, doenças e prazos não cumpridos. Muitas vezes, iniciava um trabalho apenas para largá-lo na metade quando queria começar outra coisa. O caos interior do filósofo, no entanto, é melhor exemplificado pela maneira compulsiva com que ele gerava ideias para suas obras filosóficas. Marx colocava uma ideia no papel e em seguida, se levantava e começava a caminhar ao redor de sua mesa freneticamente. Quand outra ideia eventualmente o atingia, ele se sentava rapidamente, a escrevia, e então começava o processo novamente. Não é de admirar-se que Marx costumava entrar em colapso por exaustão. 38 Com apenas 24 anos, foi nomeado chefe de Filologia Clássica na Universidade de Basel. O filósofo respeitado e produtivo, apesar de todos os seus sucessos, era atormentado por uma grande lista de problemas médicos. A fim de aliviar o sofrimento de dores de cabeça crônicas, vômitos persistentes e um distúrbio digestivo doloroso, Nietzsche, tentou diversos medicamentos, bem como uma variedade de dietas. Ironicamente, é muito provável que a obsessão de Nietzsche por frutas tenha sido responsável por piorar o seu desconforo digestivo. De acordo com a gerente do hotel Alpine Rose, onde Nietzsche ficou por um tempo prolongado em 1884, a ingestão diária de alimentos do pensador consistentemente incluía um bife no café da manhã e frutas pelo resto do dia. Não só Nietzsche comprava frutas da pousada e de fornecedores italianos locais, como recebia cestas enviadas por seus amigos também. Em


- Sobre Jean-Paul Sartre e seu medo de criaturas do mar41? - Não. - Sobre os poodles de Schopenhauer42? - Não. - Sobre os banhos de Sol de Diógenes43? - Não - René Descartes e a suas invenções ópticas44? - Não mais de uma ocasião, Nietzsche comeu quase três quilos de frutas em um único dia. 39 Um dos mais famosos filósofos do Iluminismo, François Marie Arouet, é exaltado por sua sagacidade e sátira. É possível, porém, que ele não teria sido tão espirituoso ou satírico sem a enorme quantidade de café que ingeria diariamente. Fosse em casa ou com os amigos no Café de Procope em Paris, Voltaire bebia 20 a 40 xícaras de café todos os dias. Ele gostava tanto da bebida que voluntariamente ignorou o conselho de seu médico, Theodore Tronchin, para abandonar o vício. Até regularmente pagava taxas exorbitantes para tomar cafés de luxo importados. Deve-se notar que uma citação muitas vezes atribuída a ele, não é dele. Provavelmente, foi Bernard Le Bovier de Fontenelle quem disse que ‘’(...) eu acho que o [café] deve ser [um veneno lento], porque eu tenho o tomado por 85 anos e não estou morto ainda’’. Esta é a citação correta, que às vezes aparece com a idade mudada (65 anos) referindo-se erroneamente a Voltaire, que morreu com 84 anos, enquanto Fontenelle viveu até quase os 100 anos. 40 Exceto pela morte de sua mãe, quando tinha 13 anos, Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770-1831), que se tornaria um dos proponentes do idealismo alemão, teve uma infância tranquila e cheia de literatura. Antes dos 45, Hegel tinha um casamento bemsucedido, uma família e um bom trabalho como editor de uam revista literária muito renomado. Mas até mesmo os filósofos aparentemente normais tinham peculiaridades interessantes. Para Hegel, era sua camisola e boina preta. Enquanto trabalhava em casa, Hegel consistentemente usava sua camisola sobre suas roupas de dia, e vestia uma boina enorme preta na cabeça. Em um incidente, quando o amigo de Hegel Eduard Gans apareceu sem avisar, encontrou o filósofo vestido dessa maneira junto a uma montanha de papéis desorganizados. Essa fato lhe deu alguma notoriedade quando um litógrafo, Julius L. Sebbers, retratou Hegel em sua mesa de trabalho vestindo a camisola e a boina preta.


Immanuel Kant e seu hábito de fumar45? - Não Os passeios de Nietzsche na floresta 46? - Não. - Ludwig Wittgenstein e a música47? - Não. Albert Camus, goleiro de futebol48? - Não. O alemão não gostava da imagem, e sua esposa dizia que era porque se assemelhava a ele um pouco demais. 41 Sartre, escritor de obras como: A Idade da Razão, O ser e o Nada, Que é a literatura? O muro, Baudelaire, O imaginário. Defendeu figuras notáveis durante o curso de sua vida: Karl Marx, Fidel Castro e Che Guevara. Como Albert Camus, ganhou o Prêmio Nobel e não ficou nada satisfeito com isso. Recusou o prêmio juntamente com seu dinheiro, em um ato profundamente filosófico: segundo ele, instituições feitas pelo homem como o Nobel só pioram as condições dos homens, os quais são ‘’condenados a ser livres’’. Apesar de toda a sua confiança intelectual, porém, Sartre tinha uma fraqueza: crustáceos. Quando criança, ele ficou marcado por uma pintura de uma garra que saía do mar e tentava agarrar uma pessoa. Depois disso, o filósofo ficou com um medo obsessivo de crustáceos e outras criaturas do mar. Seu medo era tão intenso que ele teve um ataque de pânico depois de entrar no mar com o seu amor de longa data, Simone de Beauvoir. Ele acreditava que um polvo gigante subiria da profundidade escura da água e o arrastaria para sua morte. Em outra ocasião, depois de consumir uma droga que alterou sua mente, Sartre teve visões de lagostas o seguindo para onde quer que fosse. 42 Mesmo que a família de Arthur Schopenhauer 91788-1860) tivesse boa condição financeira, falta de moradia tornou-se o tema de sua vida. Um vagabundo intelectual, Schopenhauer tinha a perspectiva de que não pertencia a nenhum lugar e nenhuma pessoa. Mesmo sua terra Natal, Danzig, na Alemanha, não significava nada para ele, uma vez que sua famílai teve de abandonar rapidamente a sua casa quando a Prússia anexou o município. Schopenhauer tinha apenas cinco anos de idade na época. Nenhuma cidade depois conseguiu capturar a lealdade do filósofo. Da mesma forma, após a perda de seu pai conforme ele entrava na idade adulta, Arthur não conseguiu ter muita afeição por outras pessoas, incluindo sua própria mãe. Expressões desta desconexão da


Os dois riram e Clark voltou. - Encontrei uns garotos da minha idade. Eles conhecem um lago aqui próximo, uma árvore que há um balanço. Os dois entrementes, Thomas respondeu: - Está bem, espere aqui conosco Henry voltar para não sujar-se para o jantar. Sr. Guizelline apareceu em dez, quinze minutos depois, impossível mais. Satisfeito com tudo, pediu que todos saíssem e fossem esperar na frente dos cômodos das mulheres. O inglês colocou a cabeça para fora olhando. Sr. Guizelline estranhando-o de humanidade podem ser vistas em sua filosofia pessimista, mas isso também o levou a preencher sua necessidade de companheirismo com poodles de estimação. De seus tempos de escola até sua morte, Schopenhauer manteve um fluxo de poodles que tinham o mesmo noem, Atma, e o mesmo apelido, Butz. A singularidade de chamar todos os seus poodles com o mesmo nome foi concebida como um elogio, porque a palavra em sânscrito ‘’Atma’’ é um conceito hindu desenvolvido no Bhagavad Gita que significa ‘’eu interio’’ ou ‘’alma transcedente’’. Para Schopenhauer, cada um de seus animais de estimação, ao invés de ser um bicho com sua própria personalidade, expressava a realidade mais alta e mais fundamental de um ‘’poodle’’. 43 Diógenes que viveu pouco tempo depois de Sócrates, dormia nas sarjetas de Atenas, lambendo a água dos córregos e fazendo um espetáculo público ao se masturbar na rua. Em sua vida, de duas uma: ou estava convencendo as pessoas de sua loucura, ou estava tomando banho de Sol. O pensador gostava tanto de banhos de Sol, que um dia, quando Alexandre o Grande deu-lhe a oportunidade de fazer para ele um pedido, Diógenes disse: ‘’Afasta de mim a sombra para que eu tenha Sol’’. 44 Em seu tempo livre, costumava inventar dispositivos ópticos para ajudá-lo a entender como a luz poderia ser refratada. Eventualmente criou a lente chamada Oval Cartesiana. 45 Era conhecido por iniciar seu dia com um cachimbo. Supostamente, uma tigela e uma xícara de chá fraco eram tudo o que o filósofo precisava para começar o dia bem. Quanto mais mergulhado em seus pensamentos, mais frio o chá ficava, fazendo com que fumasse cada vez mais usando desculpa de que era para se aquecer. Seu secretário de longa data dizia que ele considerava apenas um copo, mas que quanto mais o tempo passava, maior era a tigela de tabaco que ele consumia.


longe não reconhecendo-o, vendo-o idealmente, apenas acenou amigávelmente, enquanto o escritor, pela janela, espiou, mas não viu mais que sombras produzidas pela iluminação à velas, postas altas, cômo postes industriais. A família Nelles por outro lado, não parecia muito animada com sua viagem, o tempo de hospedagem deles era exatamente o mesmo da família Guizelline, não sabiam, mas retornariam juntos, estava tudo acertado, inclusive o inglês e o escritor iriam ao aeroporto junto com eles. O escritor que, contudo, solicitou uma notificação durante a reserva, pois segundo ele, talvez solicite estado de emergência em seus planos, etc. Aparentemente, ele não quer voltar de imediato para sua vida, gostaria de viajar mais. Bruna Antonella está desesperada ligando para uma amiga, Carla, falando sobre o suposto falso charme que encanta a tudo e todos à sua volta, que vive usando cômo válvula para melhor o rendimento de seus funcionários, conquistar clientes e etc, é certo que o Sr. Nelles é para todos um homem muito elegante, e gosta de boas coisas, boas roupas, bom atendimento, deixou excelente gorjeta para George e assim que entrou em seu quarto solicitou uma garrafa de champagne, parecia nervoso. Irritado. As férias não foram muito bem organizadas. Primeiro, segundo George enquanto a família Guizelline se divertia no caminho para casa, especialmente notando o apego entre o jovem casal Thomas e Carolina que riam muito, o ‘’casal’’ da família Nelles

46 Durante os verões, o filósofo fazia pausas entre seus escritos niilistas para caminhar uma ou duas horas por dia nas florestas mais próximas. 47 Considerado o ‘’Sócrates Moderno’’ Ludwig nasceu em uma das famílias mais ricas da Europa. Isso permitiu a ele uma cultura florescente na música. A casa onde eles cresceu foi palgo para gênios como Gustav Mahler e Johannes Brahms, que faziam shows para sua família. Ludwig teve aulas de piano quando muito novo e aprendeu sozinho a tocar clarinete. Ele também assobiava a linha de viola do terceiro movimento de um quinteto de Beethoven com perfeição. 48 Na Universidade de Argel, ele jogava como goleiro até que sofreu uma grave crise de tuberculose, que decretou o fim de sua carreira no esporte. No entanto, ele manteve seu amor pelo jogo pelo resto da vida. ‘’O que eu sei sobre moralidade e deveres do homem, com toda clareza, devo ao esporte que me ensinou isso junto a equipe Algerios de futebol universitário’’.


parecia mais um casal de amigos, que divertem-se com uma criança cômo quem diverte-se com uma boneca. E os avós, diferentemente de tudo que anteriormente vira, especialmente pela idade, não comunicavam-se de maneira nenhuma. Inclusive, criando um clima de mal-estar. Estavam todos à hora do jantar em seus lugares.

Capítulo V ‘’Rely only on yourself, and Others should not betray him’’.

O restaurante foi projetado com casais em mente. Quatro áreas iluminadas distintas que fundem-se, criando um ambiente único. Uma vista deslumbrante de todas as áreas e um terraço de jantar ao ar livre. A diversidade culinárias é baseada na cultura que moldou o Pacífico Sul, priorizando frutosdo mar, frutas tropicais e produtos premium. A cultura combinada com a cozinha cria uma tendência criativa e iluminada, apresentando o que há de melhor. Também existe um acervo de algumas culinárias para aquele que requisite algum prato exclusivo ou seja notória a exigência de algum alimento específico. Dimitri Moscov, esvaziava ràpidamente o seu copo para dentro do prato. Engolindo tudo com muita ferocidade. Pouco depois, trouxeram-lhe uma aguardente de sôrvas, que tinha para Camillo (amigo de Shaun) um sabor de pura nata, mas na qual, surpreendentemente, percebia-se o cheiro de vodca da mais ordinária, em tôda sua fôrça. Sr. Guizelline surgeriu a bebida, o vinho da casa, e todos aceitaram. Exceção Marcelle. A escolha de pratos foi simples na mesa deles, difícil foi explicar o que aconteceu na mesa Nelles. O pai pediu hamburguer com fritas. Sentia o maior dos incômodos com a refeição no cardápio. A cozinha foi compreensível, depois que ele próprio levantou-se e foi explicar o porque de seu pedido. Muitos chefes de cozinha poderiam entender


cômo uma reprovação de tôdo um trabalho ou até mesmo uma ofensa. Tudo resolvido a refeição acontecia. Henry cortejava Marcelle pontualmente, não deixando Sr. Guizelline exagerar-se longamente nos discursos sem que ele lhe comentasse, ponderando alguma coisa. Devido a sua idade, conseguia conversar-lhe sobre quase tudo, até mesmo os assuntos mais particulares, quando diminuía seu tom e apercebia-se apenas de sua esposa, depois de tantos anos é incrível ver o desenvolvimento de uma relação madura e saudável. Thomas e Carolina eram outros. No silêncio dos dois, algum artista ou poeta conseguiria encontrar ares de aprovação para um novo trabalho artístico. Shaun e Julienne esperava depois sair e passear um pouco. Por sua vez, a mesa Nelles era quieta e emburrada. O avô solicitou a melhor entrada da casa, o vinho mais caro e uma entrada que a própria chefe da cozinha levantou-se e elogiou-lhe a escolha, em uma semana, ao menos duas ou três pessoas pedem que ela vá e explique a condição do prato e após isso, ansiosa esperando a escolha, o pedido nunca acontece. Ele foi atendido durante tôdo o jantar com mais tato pelos membros do salão, fato que posteriormente foi advertido por Smith a Bill e assim advertido à todos. Enquanto o jantar prosseguia, era tempo dos rostos do lugar se familiarizarem com os ademais, tomando nota de que os alemães já estavam de volta, atrasados, mas em seus lugares, e de que o inglês e o escritor não vieram para suas mesas. Não fizeram reservas. Logo, os lugares foram rescolhidos e devidamente guardados em seus respectivos lugares, um depósito para equipamentos. - A primeira frase é a seguinte: ‘’Só os mortos conhecem o fim da guerra’’. Sr. Guizelline adorava essa brincadeira. - De Platão. - Errado. Corrigiu Sr. Guizelline. - O culpado Shaun é Douglas MacArthur, comandante militar norteamericano, filho de um dos grandes heróis da Guerra da Secessão. Em um discurso nos anos 1960, o militar atribuiu a frase a Platão. No entanto, as palavras foram escritas pelo filósofo, poeta e ensaísta espanhol George Santayana no livro Solilóquios na Inglaterra, de 1922. Pouco após o fim da Primeira Guerra Mundial, Santayana escreveu: ‘’(...) e os pobres coitados acham que estão a salvo! Eles


acham que a guerra acabou! Apenas os mortos viram o fim da guerra’’. - Sobre Sócrates ser exímio dançarino49? – Sr. Guizelline era um verdadeiro intelectual, um destes que não sabe-se cômo deve-se aproximar-se, de um erudito ou um pensador. ‘’E se a imaginação começasse quando a ciência acabasse?’’ Provavelmente parara aí seus estudos teóricos sobre o romantismo. ’Tal busca não cabe a poetas ou idealistas?’’Após um breve silêncio, ele retornou sua jogatina. - ‘’Creio porque é absurdo’’. - De Santo Agostinho! - Errado. O culpado: a velha mania de tentar resumir o pensamento dos filósofos em uma frase. Antes de ser colocada na boca de Agostinho de Hipona, a frase havia sido atribuída a Tertuliano, autor romano das primeiras fases do Cristianismo. Esse caso curioso de reatribuição de citação tem a ver com a valorização da fé expressa pelos dois pensadores cristãos, que declaram crer em coisas que parecem incrível: como a ressurreição de Cristo, por exemplo. O probléma é que tentaram resumir as ideias de ambos através de uma sentenção curta que não aparece explicitamente nas obras de nenhum deles. O mais próximo que Tertuliano chegou disso foi quando disse: ‘’E o Filho de Deus morreu, o que é crível justamente por ser inepto; e ressucitou do sepulcro, o que é certo porque é impossível’’. Todos estavam muito felizes com o ânimo do Sr. Guizelline, mas ninguém sabia o real motivo. - ‘’Deus está morto50’’.

49 Dono dos maiores pensamentos da Antiga Civilização Ocidental, era também um esplendoroso dançarino. O filósofo francês Montaigne declarou ainda que Sócrates era ainda mais notável pela sua dedicação por aprender música e dança depois de velho. Xenofonte, um aluno seu, disse certa vez que o filósofo tinha imensa admiração por seu mentor, um jovem de Siracusa, que dançou para ele durante um jantar, por volta de 360 a.C. ‘’Enquanto ele dançava, nenhuma parte de seu corpo ficava parada; pescoço, pernas e mãos juntas. É dessa forma que um homem deve ser para menter seu corpo leve e saudável. Eu não posso deixar de agradecê-lo, ó homem de Siracura, por tão valiosa lição. Ensina-me teus passos’’. 50 V. Referências Bibliográficas.


- Nietzsche! - Errado. O problema não é a frase, mas o conceito atribuído a Nietzsche51. Logo em seguida, o filósofo completa: ‘’Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós52!’’ Shaun querendo participar mais ativamente do assunto, começou a falar sobre o escritor britânico de novelas policiais Peter James que tem o hábito de criar personagens baseados em pessoas que o irritam, fazendo questão de dar-lhes um destino sinistro. - Quando surge a necessidade, James também faz uso da ‘’regra do pênis pequeno’’. – Procurou tratar do assunto com modéstia e respeito à todos. Sr. Guizelline conhecia esse tipo de artifício. Para a Sra. Guizelline também não era nenhuma surpresa. - Como ocorreu quando quis se vingar do escritor Martin Amis. Depois de uma troca de palavras particularmente desagradáveis entre os dois, James colocou no Twitter que seu próximo livro teria um personagem com um pênis muito pequeno53.

51 De fato, ele diz, e a frase apareceu à primeira vez em: A Gaia Ciência e está também em sua famosa obra Assim falou Zaratustra. Mas as palavras têm sido muito mal interpretadas. Nietzsche não se referia à morte literal de Deus nem à morte de Jesus Cristo, e essa não era uma simples declaração de ateísmo. 52 Ele queria dizer que a humanidade havia deixado de ter Deus como força ordenadora do mundo e fonte de valores. Com a morte de Deus, ele metaforiza a morte dos valores sagrados para os homens. Quando falamos de Nietzsche esse mal entendido é comum. O seu hábito de efetivamente utilizar máximas e aforismos agressivos em seus livros acabou por transformá-lo em um pensador muito citado e pouco compreendido. E suas máximas, mesmo quando citadas corretamente, muitas vezes se perdem: o que para o pensador alemão era sobretudo uma provocação, para muitos se torna uma verdade inconstestável e guia para a vida, no mais puro e estilo autoajuda. Referência Bibliográfica.

53 O resultado foi ‘’Amis Smallbone’’ um personagem com um pênis tão pequeno que uma prostituta ri dele. Em outra ocasião, James usou como inspiração uma leitora que cruzou a linha entre fã devotada e perseguidora. Ela aparecia em todos os seus eventos, e mandava e-mails quando não podia ir; eventualmente, em uma


O contraste entre as duas famílias era nítido e antes que mais observações pudessem serem feitas, Felipe levantou-se e foi até a mesa do Sr. Guizelline: - Boa noite. – Disse ele em um tom calmo e amigável. Todos interromperam sua refeição e lhe olharam. Sr. Guizelline calmo e elegante lhe convidou para sentar, cumprimentando-lhe cordialmente de maneira óbvia, após sua aparição repentina: - Boa noite meu jovem. Felipe, não é mesmo? - Sim sou eu. Não vou-me prolongar, queria desculpar-me pela minha família e o incidente mais cedo, tenho certeza que vocês teriam preferido vir para cá sem nós, sozinhos, e eu respeito isso, por isso estou aqui, eu sinto muito. E não esperou uma resposta. Apenas voltou para sua mesa. Estranhamente Sr. Guizelline conseguiu lhe entender, ele não devia dizer nada, o que sentira Felipe ao vir até ele, foi algo metafísico totalmente fora da realidade pensamento de maneira física, o jovem foi maduro o suficiente para reconhecer que o tempo que ele precisava para refletir aconteceu e de que o silêncio do Sr. Guizelline era tudo que ele precisava para dizer e disse, escolhendo bem as palavras. - Que garoto peculiar. Todos retormaram suas refeições e Shaun falava sobre outro assunto: - No início do século XVIII, John Partridge, era um dos astrólogos mais bem sucedidos do mundo, autor de muitos almanaques populares. Por acaso, Partridge também era inimigo do escritor Jonathan Swift, que não gostava dele por conta de seus ataques contra a igreja. Ao mesmo tempo, Swift era um famoso brincalhão. Em fevereiro de 1708, ele criou um esquema de vingança que só foi resolvido alguns meses depois. Ele inventou a persona de Isaac Bickerstaff, outro astrólogo que publicou seu próprio almanaque do nada, como todos os tipos de afirmações típicas, como uma previsão muito incomum: em 29 de março, por volta das 11:00, John sessão de autógrafos, James esqueceu o nome dela, e isso a deixou tão furiosa que a mulher lhe enviou um e-mail com um discurso raivoso de 10.000 palavras. James precisou envolver a polícia. Já a louca, tornou-se a inspiração para um personagem de um fã que persegue e assassina uma atriz famosa.


Partridge morreria de uma febre. Partridge respondeu a bizarra alegação, descartando Bickerstaff como um amador e um charlatão. Isso capturou a atenção do público. As pessoas estavam contando os dias, imaginando quem estaria certo. Swift estava preparado para isso: em 29 de março, publicou um panfleto dizendo que Partridge tinha morrido. Muitas pessoas acreditaram na notícia, e Partridge teve que publicar uma carta para informar a todos que ainda estava vivo. Eventualmente, o próprio Swift pôs fim à fraude através de uma outra publicação intitulada ‘’A Vindication of Isaac Bickerstaff54’’. Thomas que havia desligado-se um pouco de Carolina, levou o ar da conversa para ares filosóficos, ponderando um professor universitário que muito agradava-lhe: - Clóvis de Barros Filho55 afirma que: ‘’A filosofia antiga, não começa na Grécia propriamente dita, a filosofia antiga, começa na Ásia Menor, na Turquia, e como a Ásia Menor fazia parte da Magna Grécia, a filosofia antiga começa na Grécia, sem começar naquilo que entendemos por Grécia hoje. Os primeiros filósofos eram turcos, turcos na nomenclatura contemporânea, provenientes, habitantes da região Jônia, filósofos jônios, majoritariamente habitantes de uma cidade chamada Mileto. Com Pitágoras, não são mais turcos, são agora italianos56. - Isso para mim já me é uma grande revelação! – Afirma Sr. Guizelline.

54 A Vindicação de Isaac Bickerstaff. Referências Bibliográficas . 55 Advogado, jornalista, escritor e professor universitário brasileiro. É Bacharel em jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Gasper Líbero, em Direito pela Universidade de São Paulo, Mestre em Science Pllitique pela Université de Paris III (SorbonneNouvelle) e Doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo. É co-autor do livro: ‘’A Vida Que Vale a Pena Ser Vivida’’, em parceria com Arthur Meucci, ‘’Somos Todos Canalhas’’ em parceria com Júlio Pompeu; ‘’Ética na Comunicação’’, ‘’A Filosofia Explica as Grandes Questões da Humanidade’’, ‘’Teorias da Comunicação em Jornalismo – Reflexões Sobre a Mídia’’, entre outros. 56 Pitágoras foi o primeiro a afirmar que o homem é constituído de corpo e alma.


Todos pareciam felizes e por um momento Felipe sentiu-se desconfortável, desejou fazer parte daquela família, mesmo que fôsse cômo um amigo distante que tem sempre histórias fantásticas para serem contadas, não queria sentir-se daquele jeito, um pai, com uma filha, uma mãe ao seu lado que a tinha cômo amiga, um pai que até então não sabia que existia, uma mãe que não tem idade para ser avó, sem contar o fato de o seu pai ainda ser um homem solteiro que namora com todas as mulheres que vê. Felipe admite que ele não tem muita culpa, ele é bonita, rico, bem-sucedido e as mulheres de fato parecem gostarem muito dele, talvez seja sua tez rosada, seu cabelo, seu estilo de roupas coladas ao corpo e sapatos combinando. O Relógio juvenil e sem estilo de pessoa centralizada, mas o tipo de pessoa que gosta de divertir-se. O Natal estava aproximando-se e diferentemente das outras vezes, esta é especial é o primeiro Natal de sua filha. Angélica é adorável e todos lhe adoram. Seus pais estão discutindo de forma adulta e discreta, Bruna fala baixo: - Desligue esse maldito celular! - É negócio. - Eu sei que é negócio. Tudo é negócio. Mulheres, esporte, até sua família pelo visto! - Mulheres? Do que é que você está falando? - Não vá pensando que eu não vejo o jeito que você olha para as jovens deste lugar com seus trajes de banho completamente minúsculos e apertados! Não vá fazer dessa viagem um lazer para você. - Então eu não posso me divertir? - Sabe muito bem do que eu estou falando. Felipe absorto, não presta atenção, e Vera não comia sua refeição. Felipe voltou a si e disse: - Gostaria de dizer algo. – Levantando-se: ‘’É com grande prazer que o dinheiro investido em Angélica cômo modelo tenha dado-nos a possibilidade dessa viagem, uma chance de tornar suas lembranças as melhores possíveis, resolvemos fazer isso agora para que ela entenda o quanto é especial para todos nós. Por isso, cômo um


presente de Natal, Ano-Novo e aniversário57 decidimos por fazer isso agora’’. Exagerava em pensamentos. Sua mãe estava sentindo-se orgulhosa e seu pai envergonhado e triste, não bastava saber que não tinha filho, não sabia o dia de nascimento da menina. Depois daquele dia ele saiu e comprou o que seria a boneca favorita de Angélica nos primeiros anos de vida. Felipe tentou ser amigável com seu pai: - Você tem um negócio equilibrado, todos parecem gostar de você, vai ser ótimo passar mais tempo com você. - Tem sido excelente para mim também. Ambos não podiam esconder a vergonha, mas eram sangue do mesmo sangue, apesar de serem dois homens adultos, as cordialidades nesta idade podem ser mais que aparentes aparências. E este era o temor de ambas mulheres que pareciam não comunicarse, mas trocavam olhares escondidos, subjetivos, secretos. Na verdade Angélica deveria chamar-se Bruna, mas Felipe não importou-se da escolha da mãe, uma vez que Felipe também queria que o nome fôsse Brandon. Mas foi Vera quem determinou se fosse menina ela quem decidiria, e assim foi, o nome de sua mãe, Angélica. Nome que deveria ser dela, mas foi o pai dela quem decidiu. Pois sua mãe queria o nome Lucas, nome dele, e ele queria Angélica, nome dela. É engraçado a maneira cômo algumas pessoas decidem o nome de seus filhos, isso pode render sérias consequências futuras. O clima estava mais agradável, e o pessoal da cozinha conforme os clientes iam saindo, uns ganhavam outros perdiam dinheiro, segundo suas apostas para qual seria a mesa com o jantar mais desagradável, ficou sendo a mesa do jovem casal wackness, ‘’maconheiros’’, o grande problema deles, é que o rapaz não sabia que na verdade tinha um espírito empreendedor, totalmente natural e auto-solidário com o ambiente, enquanto a jovem ainda não sabia também, mas era uma verdadeira patricinha que gostava das coisas finas da vida e o jovem não aguentava mais isso e ela também não. Alguns estavam começando a comentar senão haveria meio de tentar mudar isso enquanto estivessem hospedados, mas Smith logo ponderou que isso não é algo que se faz, que certas

57 Ela nasceu poucos dias depois do Ano-Novo.


coisas devem seguir o rumo natural e esta intervenção iria contra o ato de Deus. - Não podemos brincar de Deus. Todos concordaram, acharam uma ponderação justa e correta em meio a tamanho livre-arbítrio mal interpretado. Postura corrigida. Smith foi solicitado pelo rádio por Bill. Queria ele de folga depois do jantar para descansar e de que Ezequiel ficaria de supervisão enquanto Raimundo e Dustin fariam a vigia noturna. Fôra nessa noite que Dustin filmou a jovem patricinha envolvendo-se com um dos alemães. E o jovem preso no bar com o inglês e o escritor enquanto Raimundo ria contando suas histórias. Mas antes, o jantar terminou e todos voltaram para seus respectivos aposentos. As garotas, por intermédio de um convite da Sra. Guizelline, foram assistir um filme na sala de estar. Um cômodo do hotel que se reserva hora ou não dependendo do fluxo, e se pode assistir canais de outros lugares, filmes, recomendar-se algo da cozinha, fôra solicitado alguns biscoitos, chá e leite, ademais algumas frutas para petiscos. Diferente do ambiente de estada do hotel em que encontrase outro televisor, êste assegura privacidade e agradabilidade, não é um espaço fechado, pelo contrário, Julienne por vezes perdeu-se na noite escura e estrelada, escutando o barulho das águas. Sra. Guizelline estava emocionada e chorava quase que repetivamente em cenas emocionantes, o filme era uma comédia romântica, um homem preso em sua vida adolescente apaixona-se por uma mulher contratada por seus pais que querem lhe ver longe de sua casa. Marcelle conhecia o filme, mas fingiu não conhecer. Carolina não parava de comentar as cenas, procurando racionalizar as emoções da senhora. Sr. Guizelline quis ir direto para a cama. Clark também, foi proibido de ficar até mais tarde. Foi uma longa viagem e seu pai lhe queria na cama. Thomas e Carolina, antes dela ficar com o restante das mulheres, viram-se por um momento depois que voltaram do jantar, ela estava caminhando, pisando em areia com terra, sentada próxima ao dormitório, em contato com a praia, ele foi até próximo dela, mas não quis aproximar-se por demasiado, apenas observandoa indiscretamente, depois que distraiu-se em seu devaneio, resolveu voltar. Ficou preso por algumas horas em anotações, até que Shaun lhe falou das horas e resolveu deitar-se. Shaun leu-as.


‘’A vida olhou, não sem prazer Como poderia ser, a verdade Se esconde, se a verdade se Comporta com o perdão da Palavra. A luz de Deus é outra Que ilumina os nossos rostos, O velho foi revirar suas lembranças E encontrou a parte mais elevada do céu58 Não, não, o futuro não era assim Tão sem pensar, não, o presente Também não era assim tão mal59’’.

Capítulo VI ‘’A alta missão deles consiste em julgar os pequenos acontecimentos da vida cotidiana dos povos. A sabedoria deles deve prever as grandes cóleras pelas causas ínfimas ou por acontecimentos que a voz da fama transfigura, levando-as para longe60’’.

O seu quarto era o último ou o primeiro. Os hóspedes antes dele, compunham os aposentos centrais entre as duas pontas da ilha. O escritor não havia conseguia descansar o tanto que pretendia. Depois de algumas notas resolveu sair e aventurar-se pelo hotel, acabando bêbado no bar. ‘’Busquei-me distrair-me olhando o pátio, jogando miolo de pão às aves residentes na árvore próxima. Eram pardais sem conta e devoravam tudo com rapidez enorme. Algum tempo isolei-me; o rumor das asas, os chilros e o verde-claro dos ramos na manhã luminosa acalmaram-me. Vencidas as idéias malucas, resolvi descansar na esteira decifrar a conversa dos operários, mas não

58 Habitada pelos deuses na Mitologia Grega. Empíreo. 59 Almas Mortas. N.V. Gógol. 60 Gratius.


consigo lembrar-me do que ele diziam. Os pardais tinham-me dado uma tranquilidade aparente. (...) Não me incomodava a aspereza da esteira mas, na friagem da noite, enrolando-me no lençol curto, adormecia, acordava as orelhas e as mãos geladas. Arrepios, desânimo na carne. A apatia sexual, notada meses atrás, depois esquecida, novamente me causava surpresa. Tentei vencê-la enchendo as horas de insônia com cenas lúbricas; isto se convertia depressa num exercício mental penoso, e era como se me faltassem partes do corpo’’61. Bêbado, começou a conversar com Reginald. Um ofício complexo e difícil, poucas pessoas de fato são aptas a exercer esse tipo de função, mas Reginald exercia muito bem, sabia o cardápio de bebidas inteiro e tinha condições de trabalhar algumas horas no preparo de bebidas complexas, Marín Heitor, fôra quem conseguira lhe ensinar tudo que sabe, o grande professsional que fica acomodado aqui a maior parte do tempo também merece seus dias de descanso. É o que Reginald costumava dizer: ‘’Sou o agora’’. Agora ele era o homem que trazia doses de uísque para o escritor, que sentia-se fracassado, e sempre que ele começava a planejar algum novo monólogo sabia que devia trazer-lhe mais uma cerveja. Conversa de maneira engraçada e embriagada: - Ele é ingles então? Por isso que ele é tão feio. – Reginald refere-se a um homem em um quadro emoldurado na parede, referente a uma marca de bebida. O problema é que o inglês já estava sentado no bar antes ele e não sabia. - Ele vai ouvir – Responde o homem. - Eu não ligo - Por que? – Falou o inglês em português excelente. - Eu gosto de ruivas, e eles são apenas 2% da população, os ingleses tem colocado no rabo dos irlandeses por mais de quinhentos anos e ainda estão. – Não fazia sentindo nenhum o que dizia. E dizia em português, completamente embriagado. O homem falou com sotaque e tomando muito cuidado com sua gesticulação. - Dá um tempo, eu também gosto dos irlandeses, eles foram território livre na Época do Império. A Inglaterra invadiu a Índia em 1700, só saiu de lá há sessenta anos. Era só uma colônia, assim cômo a sua República da Irlanda. E a Índia. Acabou que os dois entenderam-se e começaram a conversar sobre Filosofia.

61 Graciliano Ramos.


- A Escola de Voltaire, morreu à seguir da concretização de sua missão. Com a de Rousseau iniciou-se o movimento de renovação: no sentimento da arte; e Kant; foi um dos muitos que sofreram sua influência; ou pelos menos, que lhe tinha demasiada admiração 62. O inglês concordava com tudo que ele dizia e Reginald não importava-se a televisão estava ligada e ficava sempre que podia atento em outras coisas, ajudava com as anotações, registros, revisando, organizando, limpando, etc.

62 Kant, tem um idealismo crítico, a ponto de impedir ocasionalidades, delimitar limites e impedir erros. Foi um princípio da escola de Leibniz e de Wolf e não admite a intuição intelectual dos dogmáticos. À quem o estudo de Newton fez considerar a ciência como facto cuja existência não se trata de provar, mas de fazer compreender a possibilidade. Pode-se aventurar nos estudos dos frankfurtianos. Intuições, conceitos e idéias. São os caminhos do conhecimento humano. A liberdade da alma, imortalidade e Deus, são seus principais questionamentos. Compreende que não deve-ser ser a vida eterna, estímulo para a boa conduta; que mesmo que seja uma conduta ruim; que seja a voz da consciência instigando-lhe, pois és por um motivo, seja negar esmola, pois o que lhe há é lhe o que careçe, etc. Prever fenômenos, basicamente, é preciso que um conhecimento dos objetos da experiência seja possível. Os fenômenos, caem nas leis da razão, quando entram nas intuições da sensibilidade e nas categorias do entendimento. Sua analíticatranscendente, é baseada em uma dialéctica-transcendental nunca antes experimentada; fórmula que usou, para despertar do seu sono dogmático e não cair no cepticismo de Hume; uma revelação da razão. Um retorno da consciência sobre si mesma. Semelhante ao encontro do espírito diante de si mesmo em Hegel, mas que desconhece-se. Há um outro, que desde o início devia estar lá. Assim como a consciência ativa, razão ativa que Kant elabora. Por isso que nunca os fenômenos relacionaram-se tão intimamente. Uma compreensão que passa ào entendimento com base no mundo sensível, ao mundo racional. Pretedendo estabelecer um teto, uma lei legisladora, uma máxima, e desta forma, a vontade como princípio legislador, caso seja o casso de aplicar-se à suas próprias leis, uma vez que é livre o sujeito do objeto em questão que apresentou-lhe esta crítica pessoal. Que antes, delimitadora de limites, há, na Crítica da Razão Prática, uma severa afirmação do que pretendia a obra anterior. Julgar o quão ainda é sem o objeto deficiente de razão inata. A sua útlima obra das três críticas publicadas, é nesta que apresenta e discute o conceito de juízo estético. Realiza a partir das categorias:


- Da época da República Oligárquica, e a luta pelo poder. Época de maior poder das Elites Regionais em especial sul e sudeste. Oligarquias dominantes eram as forças políticas republicanas de São Paulo e Minas Gerais, que se revezavam na Presidência 63. A Era Vargas compreendeu a Segunda República e a Terceira República. O Estado Novo. Washington Luís foi o último eleito da República Velha. O escritor repetia-se em falas, diálogos, tão nítidos em sua cabeça que apesar da bebida, conseguia dizer tudo com uma capacidade de acerto irreconhecível. Um leigo no assunto poderia ouvir tudo erradamente, mas da forma cômo era por ele contada, não havia motivos para discordar o homem parecia tão certo e convicto das coisas que Reginald por vezes via-lhe sóbrio e não conseguia acreditar. - Naquele ano de 1930, houve a Junta Governativa Provisória, a primeira junta militar. Um triunvirato composto por: Augusto Tasso Fragoso, General-Chefe da Junta. José Isaís de Noronha e João de Deus Mena Barreto64. Júlio Prestes, sucessor, foi impedido de tomar posse, Getúlio Vargas tomou posse em três de novembro65. Dustin passou e cumprimentou Reginald: - Meu amigo, cansado? - Não, estamos aqui bebendo e conversando. - Beba uma conosco! qualidade, quantidade, finalismo e modo, a analítica do belo; do sublime e introduz a noção de gênio. Apesar de Kant discorrer sobre o sublime, ao gênio e consequentemente às Belas Artes, não se pode dizer que formulou uma teoria estética já que o juízo estético é reflexionante, portando subjetivo. Kant não chega numa teoria estética, mas funda as bases da teoria de Hegel, poucos anos depois. Primeiros princípios metafísicos da ciência natural é sua obra sobre a metafísica. Tendo escrita ainda muitas outras como: Antropologia do ponto de vista pragmático, o único argumento possível para uma demonstração da existência de Deus e Sobre a pedagogia. 63 Golpe de 1937. 64 Assumiram o Governo de 24 de outubro, dia em que Washington Luís foi deposto, a três de novembro de 30. 65 Júlio Prestes de Albuquerque, não tomou posse por causa da Revolução de 1930. Informações adicionais: União Democrática Nacional (UDM), Antiga Estação de São Paulo da Estrada de Ferro Sorocabana, por ele construída no centro de São Paulo foi rebatizada como Estação Júlio Prestes após sua morte. E Arquivo Público do Estado de São Paulo.


- Égalité! O inglês estava começando a ficar bêbado e a entrar no espírito de patriotismo que estava o escritor. - E se Brasília não tivesse sido construída? – Emendou Joshua. A capital do Brasil ainda seria o Rio de Janeiro66. O escritor parecia um homem digno, não costumava ser um agitador ou um revolucionário lera cedo e conhecera os limites da autenticidade e do ego sem nenhuma pretensão política ou física. A poesia sempre foi seu alterego e seu maior desafio crítico como homem adulto. Seus trabalhos acadêmicos e artísticos da juventude são apenas retratos de uma sorte mediada com o tempo. - Bem, vou dar uma olhada no espaço aberto e nas salas, conferir tudo e depois vou recolher-me. - Tudo bem, daqui uma hora preciso fechar tudo, Bill ficou de ser o último a olhar a casa. Dustin seguiu despedindo-se sem beber e divertir-se com os homens. Era tido pelo mais irresponsável, mas admirava e respeitava a palavra em troca de confiança pelos colegas e Smith era quem lhe dera. - A academia de letras tinha um lugar para mim entre os esquecidos. Eu fazia questão-me de tentar lembrar alguns nomes 67.

66 E isso faria uma grande diferença para a História do país. Brasília era um projeto antigo, a ideia de construir uma capital no interior, num local mais seguro de ataques estrangeiros e que ajudasse a garantir a integração nacional, já vindo do marquês de Pombal, em 1761, quando ainda éramos colônia de Portugal. Em 1823, o patriarca da Independência, José Bonifácio, já chamava a futura cidade de Brasília. Quando Juscelino Kubitschek foi eleito Presidente, os planos de construção já estavam em andamento. Mas, se ele não tivesse dado início às obras, pode ser que a novidade nunca saísse do papel. (IBID. Marcel Nadale). 67 O escritor de rodapé é o ente mais desgraçado que pisa o solo das capitais; não lhe é dado sequer ter uma dor de cabeça: um teatro, um baile, o acontecimento mais pequeno da semana, reclamam a sua presença, e ou por fás ou por nefas tem de aparecer em seu posto de honra no dia em que lhe cabe a palavra. É um dono de casa, que anunciando aos amigos que recebe em dias certos, tem a rigorosa obrigação de apresentar-se aos habitués dos seus salões, sempre de ponto em branco, de distribuir cortesias à direita e à esquerda, como o nosso amigo dos colarinhos, e mais que tudo isso, de pôr um riso efetivo de amabilidade nos lábios, até que saia o último convidado.


‘’Rum com Coca acalmava-me, As luzes da cidade apagavam-se, A cidade vazia Tudo que é meu ama-te agora A loucura no sorriso, loucura Era tentar ser feliz sozinho Qual amor é feliz, Aquele que ama Carece também’’. Dustin estava em um corredor, e as garotas da família Guizelline passavam por ele, havia terminado a sessão delas e ele ofertou-lhes a possibilidade de renovação, mesmo sabendo serem contra as regras, mas fez por educação, mesmo consciente de que a recusa era o mais possível e foi. Agradeceram e seguiram em direção aos respectivos cômodos. Ele conferiu a tranca das portas e saiu. O aposento dos funcionários não fica na mesma área que a dos cômodos, mas para ir seja para um ou outro, precisa chegar-se a um meio, e para êste caminho, tanto vale por dentro ou por fora e cômo viera de dentro trancando tudo, optou por fora, pelas pedras, pela trilha de terra, a mata, com a vegetação do hotel, sua horta particular, muitos hóspedes que sempre o visitam, trazem sementes de diferentes lugares e com a adaptação do solo pode-se crescer frutos de outras partes do mundo. Ele chegava na mediação do hotel com o terreno, quando escutou o gemido agudo de uma mulher e um sussurro baixo e leve de alguém, a folhagem da mata foi audível por um segundo e mesmo que quisesse, não conseguiria deixar para lá e com silêncio de um rato conseguiu escondido no tronco de uma árvore reconhecer um dos alemães com a jovem namorada do rapaz, filmando com o celular um pouco da abstrata movimentação que restava até o momento em que saíram da mata e foram para seus quartos, ela foi (Texto Original: Política e costumes. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1958, p.154. Apud. Notas Semanais, 4 de agosto de 1878. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1959, v.3, p.428.).


por dentro, ele por fora. Esperou um pouco para sair. Quando saiu, apercebeu-se de que ele não conseguiria chegar até seu quarto, foi o tempo que demorou para o alemão voltar e em um inglês meio misturado com português explicar sua situação. O homem nada suspeito de Dustin e juntos entraram no hotel. Com a segurança do celular em seu bolso, Dustin passou a noite inteira pensando em cômo conseguir algo de proveito para ele, sendo claro para ele que fôra um caso de momento, ambos mal olharam-se depois, apenas foram embora, cada qual para seu canto, ‘’cômo dois animais’’, pensou. Tido cômo o último no Hotel, Bill admirava o espaço das hospedagens com orgulho de sua admiração, seu chefe certamente daqui alguns dias quando chegasse iria admirar-se muito de seu trabalho administrativo. E de súbito, notou quando Thomas saiu do seu aposento e sentou-se de frente para as águas do hotel. Tudo pacífico e calmo, não conseguiu distinguir, mas tinha algo consigo, tirando do bolso do agasalho, fazia um pouco de frio, é verdade durante a noite, mas a madrugada já começava a ficar quente poucas horas antes do clarear do dia. Thomas não estava prestando atenção em suas aulas de piano e odiava a sensação de estar ficando para trás, mais que a sensação de desistência ou de fracasso e prosseguia com algumas velhas letras que ainda não sentia ter dado certo. A madrugada era inteira sua, sentia ele. E Bill sabia que o correto era ponderar para voltar ao seu quarto. A vigia fronteiriça do hotel com a mata, e a parte industrial da cidade é constante e vinte e quatro horas, então, é sua responsabilidade não deixar de remediar qualquer alteração no código de conduta do hotel. Isso queria dizer-lhe para ir lá e solicitar que entrasse imediatamente. Foi quando apercebia-se de fazer isso, já indo-se quando notou que alguém caminhava em sua direção, pensou o pior, o homem estava inteiro agasalhado, protegendo o rosto com as mãos no bolso, uma aparência ameaçadora e quando disparava em correr, debalde um disparte, era Felipe.

Capítulo VII


‘’E fui promovido, não por meu mérito, mas porque meu senhor sofria de gota68’’.

O café da manhã é extremamente luxuoso e foi servido no salão aberto da piscina, próximo da praia particular do hotel. Alguns serviram-se e ficaram dentro dele, outros foram servirem-se em estofados próximos à beira da piscina e ainda outros escolheram comer dentro de cabanas postas na praia. Thomas e Carolina foram um deles. Shaun e Julienne também. O Sr. Guizelline e a Sra. Guizelline escolheram comer no salão, haviam ainda outras cinco pessoas, três homens e duas mulheres, todos isoladamente e cinco mesas respectivas. A família Nelles demorou para aparecer, mas apareceu. Henry e Marcelle faziam companhia à mesa. Terminaram a refeição e foram para o hotel esperar um pouco, estava muito quente, e então talvez ir relaxar um pouco em algum lugar com mais ventilação, por exemplo, perto das petras e das pequenas montanhas onde existe uma excelente corrente de ar. Felipe levou Vera até a cabana onde estavam Thomas e Carolina e sentou-se ajunto deles em um grande estofado, Vera sentiu-se um pouco desconfortável de deixar Angélica no berçário do Hotel, mas confiou nas pessoas de lá. Sr. Nelles não acordou. Não dormiu bem. O sentimento de culpa e remorso pela situação atual não deixa de atormentar-lhe desde então. A Sra. Nelles comprometida com o mesmo, levou até ele um pouco de pão, frios, e café com açúcar. Eles conversaram por alguns minutos: - O que está acontecendo, em um segundo estou bem, feliz, e no outro, aqui. - Sinto que você pense isso. - Mas é a verdade. Isso não quer dizer que eu não esteja feliz. É apenas uma felicidade ainda irreal para mim. - Penso que para Felipe também. - E a Vera? Por que eles não se casam? Ou algo parecido. - Por enquanto eles preferem assim, ele conversa pouco comigo sobre isso.

68 Bertolotti.


- O que ele pretende fazer da vida? - Ele conseguiu bolsa universitária. Mas desistiu quando soube da gravidez e trabalha esporádicamente. - Entendo. - Talvez encontre um lugar para ele dentro do seu negócio. - Posso ver em algum hotel, um cargo para ele, ou posso pagar-lhe para ser meu assistente, trabalho com clientes do mundo inteiro, posso ajudar-lhe com idiomas, renda, contabilidade, etc. - Foi assim que conseguiu uma reserva aqui tão rápido? - Isso e o fato de ser um lugar tão desconhecido ainda por pessoas de fora do país. Eu havia-me escutado anteriormente dele e muito bem, resolvi dar uma oportunidade para Felipe, com o dinheiro que gastamos aqui ele poderia ir para qualquer lugar do mundo com Vera e Angélica. Refletiram um pouco. - Ela é realmente linda não é? – Perguntou-lhe ela. - É sim. Felipe e Thomas que desde o encontro que tiveram noite passada não tiveram tempo de conversar sobre o plano elaborado mas ainda mal orquestrado para hoje à noite, tentam não tratar do assunto, passeiam pela praia em direção a piscina. Sugere Felipe que se encontrem aqui daqui uma hora para um pouco de sol e mergulho na água, talvez irem para a praia novamente. Thomas e Carolina gostam da idéia e concordam. Assim, os quatro retornam para os quartos. Antes de todos, Felipe vai para o berçário ficar com Angélica. Vera dorme, está muito cansada. Thomas lhe encontra: - Suspeitei lhe encontrar aqui. Felipe leva um grande susto: - Que susto Thomas! Eu não esperava lhe encontrar aqui. - Sim, eu lhe disse suspeitar de você aqui. - Sim tem razão, você sabe de Angélica, desculpe, não sei onde estou com a cabeça. - Não se preocupe. Vim aqui para falar sobre noite passada. - O que é? - Eu acho que tenho o que você quer, mas tem uma condição. - Qual? - Eu não poderei cantar. - O quê? – Mas isso é impossível!


- Não. Você deverá fazer. Não eu. Smith já concordou com tudo. - Quem? - Smith. Ele é o responsável por geral das coisas aqui, e o salão de jantar será inteiro meu, bem cômo o piano, mas você encarregará-se de levantar e começar quando for a hora. - Eu não consigo acreditar, parece que estou perdendo tudo do controle. - Não, você apenas está assumindo ele. É sua mulher, sua filha, elas merecem isso de você. Não de um estranho qualquer no piano. Refletindo: - Tem razão. - Ótimo, temos algum tempo, queria lhe passar a letra, você acha que consegue lhe transcrever à tempo de nos encontrarmos na piscina? - Sim. Tem ela ai? - Claro. Entregou-a de forma sigilosa e foi embora. Felipe feliz e um pouco nervoso agradeceu-lhe antes que se distanciasse por demais: - Obrigado! Thomas estava feliz. Dentro do horário lá estava ele com Carolina, pediram refrescos, Felipe e Vera estavam com Angélica, Felipe refletiu no tempo em que ficou sozinho e estava disposto a manter a naturalidade no comportamento com Vera, uma vez que não queria nem por um segundo em sua vida fazê-la sentir-se sozinha, desamparada, não cômo mãe, ou esposa, mas cômo mulher. E ela tinha certa reciprocídade com tudo isso, não é a tôa que até agora, aceitou tudo o que estava por acontecer, acontecendo ou não segundo a condição e consciência deles, tudo estava ali e eles inteiros ou não sozinhos, estavam juntos e unidos. O restante da família Nelles descansou a manhã inteira até o almoço da tarde, bêm como o Sr e a Sra. Guizelline. Clark brincou com os amigos que fez no hotel, jogando videogame na sala de jogos até o horário de encontrar sua família à mesa. Henry e Marcelle tiveram tempo para retomarem a leitura de livros que faziam juntos semanalmente para comentar sobre o que entenderam, sendo assim, a cada nova semana, um novo livro e no final do mês se reuniam com o clube do livro que tinham na vizinhança para discutir os próximos títulos do mês seguinte.


Quem estava verdadeiramente mal era o inglês e o escritor. Nenhum acordou para o café. O escritor acordou. Escrevera um pouco noite passada quando chegou, um pouco bêbado, não lembrava onde tinha parado, era péssimo com roteiros lineares, não queria preocupar-ser com draft ou drift um termo inglês que o inglês lhe contara e não sabia direito escrever, sua compreensão era mais pela fonologia que pela dicção do homem que depois de bêbado não parou mais de contar histórias nórdicas, enfim, o inglês ficou de passar em seu quarto de hotel depois do almoço caso não se encontrassem para lhe entregar anotações de oito diários da II Guerra Mundial, algo que o escritor demonstrou interesse de transcrever e guardar consigo cômo mais um de seus arquivos. Seu destino final, em mente, era por enquanto São Raimundo Nonato, sudoeste piauiense, sem nenhum lugar em mente. Daqui até lá, mais de quinhentos quilômetros. De acordo com vestígios arqueológicos encontrados, todo o vale do Rio Piauí, onde a região localizava-se, era habitado por silvícolas integrantes da tribo dos Tapuias em diversos aldeamentos. Olhou seus mapas e descansou. Era dia quando levantou. Saiu e foi tentar negociar com o japonês dono da banca de jornais do posto de atendimento à beira da estrada a exposição de seus livros. Ele tinha consigo alguns exemplares em avulso. O homem deu uma boa olhada neles. Parecia gostar do que lia. - Façamos o seguinte. Eu fico com o que você vender. E você fica com 10% do total que eu vender. Ele dizia o seguinte. Cada livro meu valia no mínimo dez reais. Eu tinha mais exemplares comigo. Bastava pedir para que Juan trouxesse comigo. A Editora deixara-me um prazo de seis meses. Eu só precisava de três meses. Ou não. Normalmente tudo isso demora mais de um ano. E o total que ele vendia com a sua banca de jornais, uma parte seria minha. Parecia justo. Então tratei de deixar meus cem exemplares com ele. Pensando que minha primeira viagem pudesse ser tida como feita com a venda de tudo. Para melhorar e atrair os clientes, pedi que ele deixasse quando a banca abrisse, um exemplar na mesa de pagamento, próxima a caixa registradora, apenas um, como brinde a primeira compra do dia de cada primeiro cliente de cada novo dia. Quer dizer, além disso, igual fazem nas bancadas de autógrafo, ficou durante esse período um aviso de que o escritor estava disponível para autógrafos do almoço até o crepúsculo da tarde.


O negócio durou quase dois mêses, e enfim, recebi notícias de Harry. Estavam em Diamantina. E parece, iriam ficar lá até Gregório decidir mudar de cidade. Lency,era um homem de cara gorda e sem modos, um editor de cidade pequena, querendo levar-me para trabalhar com ele no jornal. Eu precisava de um lugar fixo para receber a encomenda de novos exemplares dos meus livros. Depois que a primeira divulgação e venda é feita, sem pública não é feita nova demanda e com isso, meu trabalho de marketing e propaganda era crucial para a correta publicidade do produto. Eu queria ter escrito mais. Mas o pior deste mês que passara, fôra que eu de fato estava preso dentro da minha imaginação. Dentro deste quarto de hotel sozinho eu nunca iria-me conhecer a vida. As belas coisas dela, as mais bonitas. O escritor e o inglês não se encontraram durante o almoço e conforme esperava ele apareceu à sua porta com os oito diários e imediatamente ele acomodou o homem que começava a lhe ditar enquanto ele preparava-se para transcrever em seu bloco de anotações69. Não demorou mais que uma hora, até que ele terminasse tudo e o guardasse em suas coisas. Acendeu um cigarro, ofereceu para o inglês que aceitou: - Would you like to come with me? - Where? - Need take some weed. - Where? - Come with me. E os dois foram até o endereço indicado por George. Ele fôra junto. O primeiro lugar era uma praça, square, cômo eles costumam dizer em inglês, George falou que agora eles estavam sozinhos. O escritor não gostou, entregou uma quantia mediana para uma ou duas gramas e queria a melhor. George foi lá e conversou com ele. Jogou o dinheiro no pé do sujeito que retribuiu o favor. O homem voltou para seu lugar de início, e George entrou no carro. Mas o escritor não gostou do cheiro, e também a cor, o inglês fez cara estranha e seguiram para um segundo endereço, mas não poderiam demorar muito, o almoço e o horário são regras trabalhistas que devem ser atendidas pelos funcionários e George sabia disso. Chegou em um bairro agradável de casas, mas não precisou ir até o final da rua. Saiu do carro e foi até o homem que vendia tudo. No jardim um universo de coisas, ele estava com a filha, que vendia limonada. - Pegue um copo. – Disse ele. - Obrigado.

69 V. Referências Bibliográficas.


- Agora pague. George deixou o dinheiro. Mais o que havia-lhe dado o escritor. - Como é que se diz filha? - Obrigado. – Disse ela. - Ela é linda. Sua filha? - Sim. Ginger. - Belo nome. O homem sorriu e se aproximou com um copo dizendo-lhe de maneira discreta com a mão sobre os ombros algo. George despediuse concreto e foi até um local indicado entre lp’s antigos pegou um pequeno pacote (dessa vez a quantia foi o dobro) e voltou. O escritor e o inglês gostaram, mas mesmo assim, acharam que não seria suficiente, estavam com o que? Cinco gramas, se um com glaucoma e outro com extrema hiperatividade, ambos careceriam de ao menos cada qual cinco para cada, para uma semana produtiva, pensando abertamente como recreação e medicação. Seguiram então de volta, o primeiro ponto era meio de caminho para o segundo, que George pensou não seria necessário, no meio do caminho, o escritor e o inglês mudaram de opinião e dirigiram-se de volta para o hotel. O escritor foi o primeiro a refletir e devaneios de estirpe enigmáticos começou a rabiscar algumas linhas filosóficas, segundo um artigo que lêra em uma Revista para corajosos, uma obra autêntica. O inglês começou a folhear alguns jornais velhos que ele levara consigo. Para as coisas que haviam consigo e o seu tempo de estada, independente do que estivesse pensando em fazer, usufluir de tudo em tempo seria impossível, acreditava o inglês. Durante o almoço, Vera achou Felipe um pouco nervoso, e perguntou-lhe: - O que é? Sente-se bem? - Ela tem razão filho, o que é? – Diga para seu pai. Sua mãe brava falou: - Não venha com esse papo paternalista depois de vinte anos! - E qual é o problema? Eu só soube depois de vinte malditos anos! O salão silenciou. - Desculpem-me. - Tudo bem. - Não é nada pessoal. – Finalmente respondeu. – Só estou um pouco atordoado. Tudo está sendo muito gratificante. Foi muito bom aquele velho amigo Tom ter-nos indicado tal agência, tão conhecida e tida por afeto à ela as pessoas de lá nos congratulando de tanto. - Tem razão meu filho. Tem razão. Sr. Nelles não sabia do assunto e preferiu ficar quieto. Sr. Guizelline, não esquecendo-se o fato da noite anterior e aproveitando o silêncio


do salão, foi até a mesa e pediu que todos lhe acompanhassem. Smith tirou uma foto que ficaria de recordação, entre os membros que estranharam inicialmente e Sr. Guizelline com o jovem, que para ele, toda e qualquer demonstração de respeito é tida por ação próspera e espirituosa. Carolina perguntou de onde Thomas lhe conhecia. Ele falou o que sabia. Vivem distantes apenas algumas horas. Mais próximo que Shaun. Sr. Guizelline falava o que lembrava sobre seus sonhos. As férias de um adulto que espera pela fase adulta para que se complete os anos da juventude. A partir de agora viveria de aposentadoria e dos anos que trabalhou, talvez não fossem suficientes daqui alguns anos para Cécile ou Clark. Talvez até mesmo Thomas, Julienne e Marcelle. Sra. Guizelline poderia interpretar de todas as maneiras a notícia que ainda não recebera, dentro do Contrato estipula-se a data, segundo prévia de que a Imprensa saberá depois e apenas posteriori da declaração da mesma: Sra. Guizelline, que assumirá a Coordenação. Sr. Guizelline que estava desde sua chegada verdadeiramente animado, assoviou uma notícia que lera recentemente mas que adiantou, ‘’a data pode não ser a mesma’’, não presta atenção e não informara-me sobre a publicação da mesma e curiosamente, o assunto poderia associar-se perfeitamente. Era sobre uma Ponte no Distrito Federal, Costa e Silva, no DF, que ganhava nome de desaparecido político. - Estamos realmente ficando velhos! – Marcelle esboçava algum tipo de sentimento mais que afetivo por seus pais, que adoravam a idéia de serem avós. - ‘’Os fins justificam os meios70’’. Todos riram.

70 Maquiavel! ― Errado. A culpa é a tentativa de simplificar a ideia de O Príncipe. A mais famosa frase atribuída a Nicolau Maquiavem nunca foi dita por ele. Trata-se de uma tentativa de condensar a ideia de sua obra: O Príncipe, em especial do capítulo 18, em que aparecem os trechos: ‘’Um príncipe (...) não pode observar todas as coisas pelas quais os homens são chamados de bons, precisando muitas vezes, para preservar o Estado, operar contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião’’. Aqui, ‘’preservar o Estado’’, refere-se aos fins e ‘’operar contra a caridade etc...’’ é interpretado como utilizar quaisquer meios. No mesmo capítulo, Maquiavel ainda diz: ‘’Nas ações de todos os homens, especialmente nas dos príncipes, quando não há juiz a quem apelas, o que vale é o resultado final’’. É uma simplificação bem empobrecedora. V. Referências Bibliográficas.


A família Guizelline parecia realmente ter verdadeiras históricas para serem contadas. E Felipe pesquisou algumas para procurar conversar com seus familiares sobre , para não ter de disfarçar com mais precariedade o seu temor e receio de hoje a noite. Noite em que o hotel disponibiliza-se de um pianista e à velas, diminuindo as respectivas em torno do salão o cerco fecha-se em sombras. Ele começou a falar sobre Mark Twain71, quando ele era apenas um funcionário do jornal Territorial Enterprise, resolveu fazer uma pegadinha com que um juiz chamado Sowell, que Clemens 72 escrevendo sua própria história que envolvia a descoberta de um homem petrificado nas montanhas perto de Gravelly Ford73. Sr. Nelles sabia tudo sobre. Mas preferiu não comentar, disfarçando, porque Bruna tinha total conhecimento do assunto. Felipe e Bruna conversaram muito mesmo: - Twain viu seu trabalho apenas como uma sátira, mas ninguém mis o viu do mesmo jeito. A história foi republicada em jornais de todo o país. Depois de alguns meses, apareceu até em uma publicação de Londres. - Twain não fez nenhum esforço para esconder sua gracinha e ficou muito satisfeito com o resultado. De acordo com ele, mandou todos os jornais que citavam o homem petrificado a Sowell, para irritá-lo. O juiz recebia diversos jornais por dia, que acabava enterrando em seu quintal. O próprio Sr. Nelles depois apercebendo-se, talvez perdera grande chance de aproximar-se e de certo modo Felipe poderia entender isso como uma grande faceta de sua vida, uma vez que ele e sua mãe possuem um relacionamento aberto, mais agora que ele encontra-se com uma filha, ambos conversarem e até mesmo discursarem, discutirem sobre assuntos recíprocos não trata-se de nenhuma novidade. A verdade é que os dois ainda tiveram tempo de discursar sobre Montgomery Cunningham Meigs74. Felipe tinha reservado uma

71 Pseudônimo de Samuel Clemens. 72 Considerava um tolo pomposo. E também estava irritado com todas as histórias de petrificação presentes nos jornais, contos bizarros de corpos humanos perfeitamente preservados. 73 Twain deu uma descrição detalhada da criatura e fez questão de mencionar que o juiz Sowell era o encarrego pelo corpo. 74 General do Exército dos E.U.A durante a guerra civil americana, e por um patriota inabalável que considerava qualquer um que se alinhasse com a Confederação um traidor da nação. Em sua mente,


sessão de desenhos animados, apenas pela questão do som, para que sua filha tivesse contato com o mundo exterior, depois do almoço, enquanto Vera foi para o Spa com as meninas, ele ficou lá com desenhos da Warner Bros, do tempo em que Friz Freleng e Chuck Jones eram animadores e ajudaram a criar personagens icônicos 75. Julienne parecia infeliz e Carolina próxima dela tentou conversar. - O que é? - Nada. - Vamos, pode falar comigo. - Me responda uma coisa. - Claro. O que é? Inexpressiva e sem reação, debruçou-se sobre a mesa em que recebia massagem, assustando em meio a mulher, que apercebendo-se, afastou-se, Carolina, que antes com os olhos no chão, fez o mesmo, a sua referente massagista fez com a outra sinal e saíram, o quarto estava ocupada apenas por elas, enquanto Sra. ninguém merecia esste título mais do que o comandante do exército confederado, Robert E. Lee. Meigs já havia servido sob o comando de Lee, mas agora achava que só uma sentença de morte era apropriada para ele. Embora isso não tenha acontecido, Meigs teve outra oportunidade de se vingar de seu ex-comandante.

75 Pernalonga, Gaguinho e Patolino. Eles também foram responsáveis pela criação de alguns dos episódios de desenho animado mais bem sucedidos que o estúdio já fez, muitos dos quais feitos apenas para contrariar um produtor, Eddie Selzer, presidente da Warner Bros Cartoons de 1944 até 1957. A primeira vez que ele realmente irritou os animadores foi em 47. Frajola era um novo personagem que Freleng queria emparelhar com outro recémchegado, Piu-Piu. No entanto, Selzer queria que Frajola fizesse parceria com um pica-pau, porque aparentemente um pica-pau seria mais engraçado. Freleng teve de ameaçar sair do estúdio para Selzer ceder. O resultado foi não só um dos pares mais populares do estúdio, mas também ‘’Tweetie Pie’’, um episódio que deu o primeiro Oscar à Warner, de Melhor Curta de Animação. Logo, os animadores simplesmente começaram a fazer exatamente o oposto do que Selzer queria. Outras das suas opiniões foi a de que um gambá que falava a língua francesa não seria engraçado. O resultado: Pepé Le Pew (ou Pepe Le Gambá), em 1950, que rendeu um segundo Oscar à Warner. Selzer felizmente subiu ao palco para receber os dois prêmios, evidentemente.


Guizelline e Marcelle estavam cuidado das mãos, dos pés e cabelo, banhos especializados no tratamento capilar, Cécile estava em uma atividade na praia com Clark e a monitoração do evento, que contrata uma empresa terceirizada com respectivadas atividades únicas e outras ademais com adjunto da equipe do hotel. - Você não estava feliz na festa, o que aconteceu? - Ah! Não quero falar disso. Já é ruim saber o que houve e ainda por culpa nossa! - Nossa? Foram minhas amigas. Minha casa! Eu que filmei tudo. - Sim, mas você não precisava entregar. - Sim, eu precisava! - Você vai começar com isso? - Sim. Carolina saiu com o roupão do lugar. Embriagada de raiva, Julienne fez o mesmo. Sra. Guizelline e Marcelle pareciam bem, liam revistas de moda e atuais sobre a vida contemporânea de celebridades, tendências, fofocas e riam, besteiras. Dustin que ainda não havia encontrado com o casal de hippies, aventurou-se durante sua folga pela tarde e escondeu-se na cozinha, dentro de um armário com um cigarro que conseguira com George, para que visse mais uma vez ao vídeo. Era possível distinguir apenas os ruídos, a escuridão não obscurecia completamente os movimentos notáveis apenas pela rouxidão da mata e quando dispersam-se, a tonalidade das roupas pode-se averiguar e chegar-se em uma conclusão plausível. Ele ria eufórico de animação em extorquir o jovem rapaz. Jenny apareceu e pediu que fosse embora. Mas que deixasse o cigarro. Ela dividiu com os integrantes da cozinha que estavam retomando suas atividades, ela prepara itens sólidos e regionalistas, concretos para o período livre da tarde, esboçando salgados e doces. O escritor e o inglês começaram a repetir frases pouco sólidas e construtivas e pareciam não terem nenhuma pretensão de modificação ou contribuição sólida: - Os ingleses no século XIX controlavam a Índia, trocaram os rifles dos soldados por um modelo que precisava ser lubrificado com gordura de porco ou de vaca. Captou a cretinice? - Justo a Índia, habitada por hindus, (para quem as vacas são sagradas) e muçulmanos, para quem os porcos são imundos e devem ser evitados. Os soldados recusaram-se a tocar nas armas e iniciaram uma rebelião, que logo se espalhou e culminou na Revolta Indiana em 1857.


Era notório que o inglês falava um inglês perfeito e seu português era tido como refinado já entre o povo da cidade e os clientes do hotel, passando-se a ser companheiro entre os funcionários, especialmente Reginald, que acompanhara a discussão entre os dois, que agora, de tão próximos, não se precisava mais tentar traduzir. - Você não é indiano! - Você quem falou da Irlanda! Os dois riram, pediram e Smith apareceu, trouxe um pouco de petiscos do mar, lulas, camarões e vinho branco. - Você é um bom amigo Smith! Ele riu: - Ainda discutindo sobre as índias? - Índias? – O escritor era péssimo mentiroso. Mal deu debalde da saída de Smith e disparate de discursar sobre o que todo o mundo sabia em 1941, que a Alemanha iria invadir a União Soviética, a movimentação das tropas não era mistério, só Stalin não acreditava, o que permitiu uma longa incursão alemã, que matou quatro milhões de soviéticos76. O inglês parecia entender tudo em sua mente, mas isso apenas agravava os ânimos do escritor que gesticulava ainda mais. Por vezes levantando-se com seus papéis de lugar em lugar. Solicitou ao hotel uma mesa a mais que havia no lugar para suas anotações e material para seus mapas na parede. - Na I Guerra Mundial, Winston Churchill, líder da Marinha Inglesa, foi derrotado em um ataque à Turquia devido a um erro crasso. Os aliados não sincronizaram os relógios! Churchill caiu em desgraça. Mas em 1938, o premiê Neville Chamberlain deixou Hitler invadir a Tchecoslováquia. A Segunda Guerra Mundial estourou, Churhill virou Primeiro-Ministro e levou os ingleses a vitória. Ponderava com cautela suas frases e diálogos, não compostos, - ‘’ Em 1925, Grécia e Bulgária entraram em guerra quando o cão de um soldado grego cruzou a fronteira’’. Ele parecia cruzar a fronteira entre o speech e o discourse. Aproveitando-se de tudo em sua volta. - A pobreza não se define pela relação da preguiça com o trabalho, mas pela impossível escolha de seu cansaço77. Aquela tarde parecia estar passando rápido para todos e mais uma vez Thomas encontrou-se com Felipe. Shaun seguiu-lhe do quarto de

76 Mesmo assim, Stalin acabaria virando o jogo e vencendo Hitler, que cometeu a mesma atitude imprudente de Napoleão em 1812, ‘’tantar invadir o gigante gelado’’. 77 RANCIÈRE, 1988, p.21. V. Referências Bibliográficas.


hotel. Viu-lhe saindo aquela noite e voltando, possívelmente tentara escutar e até mesmo vigiar a conversa entre ambos e parecia querer saber do que estava acontecendo. - Você está bem? - Sim. Thomas senta-se: - Eu gostava destes desenhos. - Eu até hoje gosto. Thomas feliz: - É hoje. Está seguro? - Sim. Gostei muito da letra. - Sim. - Você quem fez? - Mais ou menos. Isso para você não é problema, apenas trate de cantar. - Certo. O ensaio será agora? - Sim. Está pronto? - Apenas preciso deixá-la com a Vera. Ela está no quarto. Acho melhor deixá-la no berçário. - Eu lhe encontro no salão. Shaun esconde-se no corredor. Ambos passam. Felipe viria na sua direção. Fez que estava vindo, mas não andou o suficiente para cruzar com ele, Felipe lhe viu: - Shaun! - Felipe, você aqui... – Procurou falar baixo, esperando Thomas não lhe ouvir. Tentou ser rápido e responder Felipe que gostava de falar e puxar conversa. Mas ele foi rápido e inventou uma desculpa para sair. Sentia-se bem, e quando continuou, encontrou Thomas. ‘’Você aqui’’.

Capítulo VIII


‘’O luxo das toaletes, o brilho das velas, os perfumes; tantos braços belos, tantos ombros perfeitos; buquês de flores, árias de Rossini que enlevam, pinturas de Ciceri! Sinto-me entusiasmado! 78’’

Shaun acabou fazendo-lhe convencer do fato de que Thomas não tinha muito tempo para perder, convicto em suas poucas palavras, Thomas também não se importou muito. Apenas preferia que ninguém mais soubesse. Em poucos minutos Felipe estava lá. - Então será isso! – Discursava Thomas com convicção do seu lugar. Smith estava atento, ele quem atenderia a mesa de Felipe e quem receberia o sinal de Thomas para a troca dos pianistas e que faria o movimento final de levar a carta de vinhos para Felipe. – ‘’Então você se levanta, Smith entregará-lhe o microfone e você poderá seguir adiante até mim e prosseguir para frente de Vera e Angélica. Felipe parecia que ia vomitar. E vomitou. Smith trouxe um pano úmido com um balde de água com sabão, Felipe limpou. - Está bem, vamos improvisar. - Eu farei a Julienne! – Falou Shaun. ‘’Não acredito que falei isso’’. Pensou em seguida em voz alta. Todos olharam-no com ar sério, porém a sensação de hilariedade foi tanta que riram. Parecia bem. Ele fazer o papel de Julienne apenas por ora. E assim foi assim mesmo. Eles erraram muito de início, principalmente Shaun, que ria. E depois Felipe, que não adaptava-se ao microfone. Com o passar das horas, Felipe foi obrigado a parar. Thomas estava de acordo e era o máximo que Smith podia fazer. O salão precisava adequar-se e já era tarde. A cozinha iria passar pela transição da tarde para a noite e tudo precisava estar de acordo. - Está bem. É isso. - Tem certeza que não podia adiar? Smith achou necessário intervir: - Mesmo que seja, não seria, pois isso foi uma exceção que temo ser impossível remediar o inevitável, uma vez que já aconteceu.

78 Vóyages D’uzeri.


Felipe tinha apenas uma chance e não poderia desapontar. Pensou em fazer-lhe o pedido de casamento. Mas não ousou, decidiu rápido e fácil, simplicidade naquele momento era tudo que ele queria, queria que Angélica um dia acordasse com ou sem ele com ou sem sua mãe e no vídeo visse que não está sozinha, nunca esteve. O mais importante é que fazendo para ela, fazia para Vera, que fazia parte mais do que ninguém nesse momento de algo tão especial, conseguido já por Angélica, algo que fazia tudo ainda mais importante e único na vida dele e daquelas pessoas, que agora, Thomas e sua família, faziam questão, bêm era assim com Shaun, Henry, cada vez mais próximos ambas as famílias. - O que será que faz Henry e Clark? – Perguntou Thomas. Estava na hora de ir atrás de Clark e apressar as coisas dentro do dormitório. O escritor e o inglês não saíram do quarto, apenas para o jantar. O casal de hippies foi visto nas rochas, e em atividades fora do hotel, Dustin não comentara com ninguém o vídeo. Nem divulgara, mas estava nervoso. Todos já sabiam da apresentação. Smith fez com Bill a notificação em uma reunião de pauta antes do jantar na cozinha. George ficou na recepção. Algo rápido. Exigindo apenas discreção. Não haveria problemas, todos gostaram da idéia e fariam de tudo para ajudar. Certamente não seriam o último casal da mesa a levantar. Diferentemente do que era-se acostumado à ver, a mesa do Sr. Guizelline não era boa aparência. Pelo menos entre as mulheres, enquanto que entre grupos de dois, as conversas pareciam fluir com mais naturalidade, sem possibilidade de conseguir esboçar um único assunto. Era pela primeira vez possível ver algum tipo de alegria na mesa da família Nelles, ou seja qual for o sobrenome que seja, era uma família bela, pela primeira vez, todos pareciam concordar consigo mesmos. Bruna falava de sua trilha junto com os alemães. Disse que tinham ficado doentes, mas que era algo passado. E que simpatizam muito com o Brasil, falam de parentes no sul e sobre esse debate atual da separação do Brasil. Sr. Guizelline entendia é claro com moderação estes assuntos de transtornos de personalidade, entendia um status quo coadjuvante atualmente e que qualquer maior extremismo poderia causar destroços em toda estabilidade mundial, sendo o país o último recurso, então, qualquer aliança é mediadora,


mas qualquer desânimo interno é estímulo para qualquer outro tipo de ação, seja ela pró ou contra ativa ou não para com o mesmo. Entendia ele diferente de Shaun, que não via um único ser que não obtivesse de sua auto-afirmação, legislação. Então discordava também de Henry, que via desnecessário, se você estudar ditames já psico-ativos, cômo por exemplo termos jurídicos postos em contato com a física, ou seja a prática. Marcelle gostava muito de Biologia, mas seu ativismo para com a Natureza dela tornava-a agrassivamente militante. O que era um problema para o Republicanismo mascarado de Henry, Shaun, e todos os outros membros da família. Até mesmo Sra. Guizelline que cômo mulher, ainda procura um espaço mais ativo e de personalidade de status dentro do ramo cívico-político-social. Admirava o trabalho da expresidenta, mas o diálogo com ela era mais futurista e não abrangia qualquer abertura comunista. Impossibilante o êxito de Marcelle que adorava as idéias socialistas, tidas por loucas por Henry. Que agressivo, pedia apuro para Sr. Guizelline, que via cômo agravante este tipo de comportamento. Dois jovens que negligenciam-se tanto cômo idéias, não podem ser tidos por pessoas físicas, não ocupando o mesmo espaço. Agia com pensamento ativo, mas não exercia absolutamente nada. Contradizia-se pelo puro hábito de que não militava suas idéias, não por medo, mas por idealismo surrealista. Acreditava no belo. O mundo das idéias. Velhos ditames de autoajuda ditos por sábios. Até mesmo para não contradizer Heráclito, e apenas descansar enquanto o rio não sossega. - Ao menos não fui eu quem ocasionou a ainda indeterminada paralisia do braço direito do Shaun! – Falou Julienne irritada com todos. O piano chamou a atenção. Era Thomas que mudara de lugar. A discussão tamanha, notório avisar que dissera sutilmente nos ombros de Carolina que levantar-se ia por pouco, mas ela não notara, quando sim, ele estava lá, e Smith encaminhando-se para o prelúdio, inédito, o pai de Felipe disse: - Eu escolho. Thomas teve de recolher-se, mas os dois sérios, entrementes entenderam-se e Thomas disfarçou, para não quebrar o ritmo, era o mesmo, apenas uma mudança de planos e Felipe agradeceu: - Não pai. Eu. Faço questão.


Thomas sorriu. Mas o Sr. Nelles pegou o cardápio de Felipe e tinha o seu próprio microfone, recitando: - ‘’Amor! Por qual loucura não consegues que encontremos prazer79?’’ – Fazendo sinal para que Felipe absorto e completamente perdido prossiga. - ‘’Eu te farei bosques que não existem, letras que não se saberiam ler...’’ O Sr. Nelles prosseguia com a canção até que Felipe, apercebeu-se para acompanhar, tratava-se agora de um dueto. - ‘’Imagens cujos modelos nunca existiram, sempre no ar como os pássaros, embriagado pelo sol, falante, crepúsculos à voz das tardes assegurando a felicidade80’’. Se a felicidade é o que diz, porque vou procurar, Entre suas joias, havia no céu; mais do que posso imaginar. - ‘’Cantando a todos os ecos dos apartamentos vazios, passando dos lambris dourados à água-furtada, do campo à cidade, não sabendo na véspera onde se trabalhará no dia seguinte... - ‘’Sempre novos companheiros e novas figuras, boas-vindas em todas as esquinas, mesas servidas em todas as tabernas, conhecimentos em todos os níveis e bons-dias sempre 81’’. Se a felicidade é o que diz, porque vou procurar, Entre suas joias, havia no céu mais do que posso imaginar. O piano chamava atenção, depois de uma pausa entre pai e filho dentro de um abraço. Aplausos e a emoção entre os dois foram entregues para a alegria. Thomas preferiu continuar. Se sentes que coaduna o brilho viverei por nós, sua boca efêmera elucida o tempo futuro e deixa emanar

79 Cartas de uma Religiosa Portuguesa. 80 Ibid; p.20. Texto original: Discours p´rononcés aux reúnions dês ouvriers de La Société de Saint-François- Xavier à Paris et em province par M. I’ abbé François- Auguste Ledreuille, recueillis et publiés par M. I’abbé Faudet, Paris, 1861, p.277. 81 Ibid.


seu doce perfume. Embevece os ilesos aos sabores da vida Pois ainda que não tivesse o que procuro Deste fausto féretro fenece os sofrimentos Que sobraça e delata meu coração, afagar brando seu rosto, cruzar seus olhos com os meus. O jantar terminou quando o músico se levantou. Smith simulou uma conversa séria com Bill, George era o encarregado pela filmagem. Até mesmo Sidney fugira da recepção (perdera uma aposta e foi obrigada a ficar) para ver, enquanto os clientes mais velhos, principalmente o grupo de polacos e nordestinos que estavam bebendo vinho com aguardente bem doçe82, indagavam de jeito bruto e bravo, típico do rústico mais intrínseco que há deles, com sotaques italiano ou alemão, talvez algum russo ou soviético,Smith escutou algo do tipo ‘’de soi et’’. Imaginou uma tentativa primitiva de francês. O dia seguinte foi véspera de Natal.

Capítulo IX ‘’A carência de ansiedade, tal era o caráter da bela Margarida de Valois, minha tia, que cedo desposou o rei de Navarra, que vemos presentemente reinar na França, sob o nome de Henrique IV. A necessidade de jogar formava todo o segredo daquela amável princesa; daí suas brigas e reconciliações com seus irmãos desde a idade de dezesseis anos. Ora, com que uma moça pode jogar? Com o que há de mais precioso: sua repoutação, a consideração de toda a sua vida83’’.

82 Um grupo turístico de arqueologia do sudeste. 83 Memórias do Duque de Angoulême, filho natural de Carlos IX.


A véspera do Natal foi um dia sossegado. As emoções ficaram por conta da noite passada. Angélica foi o centro das atenções, funcionários todos quiseram e ademais clientes com exceção de Marcelle que sentiu-se mal, tirar fotos com Angélica. Além disso: Camilla e Catarina, filhas do Sr. Smith, chegaram no final da tarde, apenas saindo do quarto para o jantar. Sr. Smith, teve a honra de jantar com suas filhas, cômo faz desde o ano em que começou a trabalhar como gerente, exatos cinco anos atrás. Ano em que suas filhas começaram a fazer grande sucesso fora do país. O escritor quando ficou sabendo pensou em escrever sobre. Ficou entusiasmado com o inglês no dia seguinte com estudos filosóficos. Felipe gostara de comentar, ficara satisfeito com a participação surpresa de seu pai que lhe contara que fôra Thomas quem tivera a idéia. Entendeu tratar-se de uma tentativa um quanto que danosa, uma vez que inesperada, Felipe poderia ter estragado tudo, algo que talvez nunca mais pudesse ser feito sem chance de ser remediado. Sr. Guizelline via com bons olhos tudo aquilo essa expressão que dáse nome arte, ele era aprazível com essa reconciliação, Marcelle estava passando por uma experiência única, importante, e todo esse aprendizado, Sr. Guizelline via como prazeroso. O grupo de alemães tinha alguma dificuldade com o pedido: - Torrada francesa. French. – O outro lhe respondia, ‘’no’’, ‘’no’’. Não obrigado. ‘’Quer saber?’’ Disse o outro: - Panquecas. - Eu não gosto de panquecas. - Vem cá você é comunista? Um terceiro do grupo querendo ajudar disse: - Meu amigo vai querer panquecas e um ovo frito. E também carne, só que picadinha. Este entre eles parecia ter o português mais fluente. - Escuta se você continuar com isso eu vou arrebentar a sua cara. - Café da manhã é a principal refeição do dia. - Eu não quero ovos nem panquecas, eu só quero um café. - Eu não quero ovos, quero carne. Quer saber?! Carne também e traz umas torradas de centeio para ele. - Eu não quero torrada de centeia. Eu não gosto. - E uma panqueca. - Eu não quero.


- Talvez as pequenas. - Também não. - Nada de panqueca pequena nem de centeio, eu gosto de pão preto. O pedido demorou um pouco, mas Dustin conseguiu sem muita dificuldade. - Antes de o nosso país entrar na Segunda Guerra Mundial se popularizou no Brasil a expressão: ‘’É mais facil um cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra’’. – Felipe tinha pêgo gosto por histórias. E também Thomas tinha introduzido-lhe alguma coisa de poesia com Montaige, filósofo. ‘’Esquece O Futuro. Ele Não Te Pertence’’. Gostava de guardar bem baixinho em pensamentos. - O japonês, que sobreviveu ao naufrágio do Titanic foi chamado de covarde em seu país por não morrer junto com os outros passageiros. – Falou Felipe. Em mais um daqueles diálogos que tem rotineiros com sua mãe em casa com Vera e Angélica. De poucos anos, mas uma criança pode-se dizer inteira e completa. Shaun estudava, retomava seus estudos, o Tratado de Tordesilhas e a diplomacia com a Venezuela. A Guiana Francesa e o Suriname, Georgetown era um lugar que seus pensamentos viajavam, explorando ainda mais as raízes das tribos germânicas, um apunhado histórico depois de alguma demanda na tipografia com os mapas, tudo relacionado a Cartografia, Mercantilismo, ele deixou para cômo se diz: ‘’Ventunis Ventis84’’. Isso era o máximo que ele conseguia entender das tribos daquele lado da Europa, cômo uma ilha, ainda Grã-Bretanha, os Nórdicos, Vikings, tristãos, iberos, outros, ademais, a constituição do Reino Unido para ele era um retrato da Unificação da Espanha e o reflexo do mapa europeu pós II Guerra Mundial. Uma maneira amigável de estudar nossos amigos europeus, principalmente alguns que mancharam-se por virtude do Nazismo de Hitler e o Socialismo de Stlain, cômo Áustria, Húngria, Bulgária, República Tcheca, Grécia. Não deixando de lado a primeira aparição militar por parte Italiana. Atualizado com tudo isso e a situação na Etiópia e com os cristãos e muçulmanos em Uganda, ele entende o Continente Africano como históricamente aproximado com o Brasil que entre todos os países do mundo mais bem ve tudo isso e como quem não quer nada, esse levante popular defende não a volta de Dilma, mas a

84 Latim, para: ‘’Aos ventos que hão de vir’’.


volta das Diretas, ao menos para principal de qualquer discussão teórica sobre o que está havendo com o Presidencialismo no Brasil e com a União Européia. A maioria ainda estava com muita fome depois de todo o alvoroço da noite passada, alegrias e festas à parte, comeram e beberam bem, aproveitando a brisa fresca, apesar do forte calor. A maioria dos hóspedes passou a tarde na praia e Thomas recluso, sozinho com o piano, ensaiando uma nota e outra, Bill para aproveitar-se, não viu problema dele ensaiar nos dias em que o pianista da casa não viesse e também apresentar se assim quisesse. Shaun aproveitava para colher frutas na horta com Julienne e Carolina, que sentia-se feliz pela re-aproximação de Thomas com a música. Shaun quando queria uma, pedia licença para a mão de Julienne que sorria-lhe, experimentando com ele uma e outra. - O Agro-Negócio é algo que diz sobre Sustentabilidade. - Juntos mais que sozinhos. Era certo que o Espírito Santo estava feliz. - Alguns cientistas dizem que se o espaço é realmente infinito, deve existir alguma cópia exata de você em algum lugar do Universo. - Shaun costuma sempre dizer coisas assim sem sentido? – Pergunta Carolina. - Sim. E coisas do tipo: segundo a Psicologia, os dois milhões de tratamentos para a Depressão são exercícios físicos e a companhia de um animal de estimação. - Vocês realmente formam um belo casal. - Obrigada. Shaun também gosto e agradeceu, mesmo sem dizer nada. Continuaram. Felipe estava descansando na recepção em um dos sofás vendo o passar de hóspedes, deixara Angélica no berçário e Vera continuava curtindo todas as opções femininas de atividades. Via isso cômo um reflexo positivo pós-gravidez. Sua auto-estima estava boa, mas não procurava olhar desse modo. A vida sexual também estava boa, e para melhorar Thomas e Carolina, Henry e Marcelle também estavam bem. Sr. Guizelline e a Sra. Guizelline também. Na noite anterior, Smith, George, Reginald, Ezequiel e Dustin, jogaram Boston, um jogo de cartas mais em voga na Europa, trajando um cafetã (casaco comprido, cinturado), um chibuque (espécie de cachimbo oriental de cabo longe), e Smith ganhava en


gros (em francês no texto: em grosso, por atacado), querendo Reginald mudar para faraó, enquanto George para Crapaud, algo em inglês, falava e acho que nem ele mesmo entendia o que dizia. Havia dinheiro na mesa de cores que não eram verde, mas branco, vermelho e azul, rublos. Coisa rara e elegante de se ver. Comentavam: - No teatro, você tinha de ver! – Falava Ezequiel, que não vira o que acontecera, seu dia de folga, e saiu com a namorada. – No teatro havia uma atriz que cantava como um canário a danada! Bebiam uma vodka de anis. Nesse meio tempo falaram tudo para ele sobre o que aconteceu. Ele apostara segundo os ditames de George, mas George deixara, pois participara de tudo, e bem, depois de tudo feito, revela-se o plano, ele deixara de ganhar ou perder. Entendera. Com muita assiduidade, experimantavam todos os vinhos, comemorando, sentados à mesa. Repôlho, leite, presunto, ervilhas, comiam tudo. - Tudo que eu queria comer mesmo era um pastelão com ovo. – Disse Dustin, e todos ele foram para a cozinha em silêncio prepara pastel com ovo. Comeram. Era bem cedo quando Smith foi acordado por Bill. Todos tiveram de prestar contas pelo ocorrido, o atrazo por ora, era a única coisa que tomara conhecimento, e já de imediato, a cozinha preparou um café bem quente. - Venha Smith, beba café. ‘’Você também George, seu vagabundo!’’ Jenny estava indignada com Yolanda. - Estes não prestam! - Mas eu entendo. Foi muito legal ontem. - É. Você viu o sorriso da garotinha? - Eu vi, tem razão. - E o pai daquele jovem. Ele é muito bonito. - Ele é, mas tenho certeza que quer voltar com a mulher. - A mãe do rapaz? Eu dúvido. - Eu aposto que sim. - Cinquenta reais. - Cem. - Em dia.


Felipe sentia-se pesar setecentos quilos. Parte da luta constante do homem contra a natureza85. Shaun encontrou-se com ele dois quartos de hora mais tarde, na sala assistindo televisão com Angélica, ela gostava dos sons produzidos pela televisão e tentou conversar: - Sabe-se que estes Vikings eram de nacionalidade dinamarquese, pois existem várias referências de Hamlet. Ele estava claramente citando algum trecho de blog ou da internet. - Não é possível você saber disso. - É tudo que sei também. - Você e o Thomas parecem gostar disso não é? - O quê? - La Grande Traversée86. O pai dele faz muito isso. - O pai dele é muito interessante. Igual ao seu. - Tem razão. - Foi muito legal o que ele fez ontem. - É verdade. - Além do mais, Asterix e Obelix participam de diversas atividades típicas dos índios norte-americanos, como dançar em volta da fogueira e caçar bisões. - Está bem, eu entendi. Uma espécie de acordina bateu. E Felipe reviveu uma lembrança agradável de acácias e uma voz suave de mulher. - O que foi? - Nada. Vera chegou-se com Bruna e Sra. Guizelline, Cécile e Clark estavam juntos. – ‘’Combinamos de jantar’’. Shaun gostou da idéia e Felipe também. Ninguém sabia onde estava Sr. Nelles, provavelmente no celular conversando sobre alguma hipotecagem de última hora, investidor. Sócio de muitas empresas sua vida era sempre muito agitada. Era visto por bons olhos no facebook, sua ex-namorada publicava mensagens positivas e seus amigos em festas faziam questão de mencionar seu nome apenas de brincadeira. O escritor pensativo desde que voltara para seu cômodo sozinho, bebeu um

85 Recitando a trama da obra: O Velho e o Mar de Ernest Hemingway. 86 Francês. A Grande Travessia. 22º Volume da série de livros Asterix, editado em 1974.


resto de aguardente com vinho e pesquisou sobre a grande área de peregrinação de Aparecida do Norte. Em uma pesquisa rápida, estudou um pouco sobre a estirpo de Imperador Nero, com a qual possuía alguns estudos. Agripina era mulher ambiciosa. ‘’Irascível e cruel’’. Mantinha em seu palácio uma prisão para os escravos. Casou-se três vezes, seu último casamento foi com o imperador romano Cláudio, que reinou de 41 a 54. Adotando o menino cômo filho, dando-lhe direito de sucessão87. Um dos mais cruéis e degenerados governantes da História do Mundo. Mas isso para ele eram notas. Apreciara mesmo a última linha em que descrevia o profissional do campo, ao funcionário que antigamente chamava-se de público, funcionário que tinha seu cargo a administração rural ou ao professor rural88. ‘’Ficaste assim ou morreste no buraco, amofinado e assim costuma deixar-se morrer?’’ O escritor não deixava-se perder assim tão fácilmente em suas anotações, com uma única palavra desprendia-se do tempo para encaminhar-se na leitura de linhas. ‘’Afonso’’. Nome de um amigo seu de infância, camisa de 10 do futebol de quinta, também nome de vários reis da Espanha e de Portugal 89. Mas isso não tomava todo o seu tempo, é claro que qualquer outra coisa também, ‘’Afonso Henriques’’, foi o fundador do Reino de Portugal. Era filho de D. Henrique de Borgonha, a quem sucedeu na posse do Condado de Portucale, então da Espanha. Fêz de Portugal, um reino. Combateu os mouros que assolavam a Península Ibérica, conquistando famosas vitórias como as de Ourique e Santarém90. Leituras bíblicas também moldavam vez e outra, insistindo por não aderir qualquer tipo de ordem religiosa que lhe sirva de tato além da ciência e da lógica, pensava ele, de que outra forma seria útil todo o pensamento, Abraão que dizia sobre Sara, sobre Ismael, o tronco dos esmaelitas. O escritor agalinhava-se. Mas não por pouca compostura,

87 Uma certa noite (54 d.c)., assassinou a Cláudio, envenenando-o com um cogumelo venenoso, que o imperador, desprevenido, ingeriu num copo de vinho. 88 Agrônomo. Que além da cultura rudimentar, ministrava conhecimentos de agricultura. 89 V. Referências Bibliográficas. 90 Foi o fundador da Ordem e da Dinastia de Aviz que deu grandes reis a Portugal.


não sabia bem os termos, havendo de prosseguir com a linha genealógica de Cristo, falava de sangue egípcio e sangue judeu. Não sabe afirmar quando que se fica fiel a uma virtude ou uma palavra, um seguidor notório não saberia a diferença entre Ágape e Ágata, a primeira, refeição comum entre os cristãos e a segunda, virgem e mártir cristã de Palermo, na Itália91. Suas leituras sobre Santo Agostinha, aproximavam-se ainda mais, Santo, nasceu em Tagasta, cidade da África Antiga, que hoje forma a Argélia, célebre padre e filósofo latino, apesar de seu pai ser pagão, foi profundamente influenciado pelo fervor cristão de sua mãe, profundamente cristã. (13 de novembro de 354 da nossa era)92. Ele não podia acreditar, tinha de fato impulsos judaicos. O inglês lhe falara isso hoje cedo novamente depois do ocorrido no saguão. Dustin não estava muito contente, ficara com Steve e Carl, a sala de jantar, estava com o aparelho de chá e uma garrafa de rum quebrada, o espaço precisou ficar limpo para o almoço, e na véspera, ao que parecia uma vassoura não iria ser suficiente, e parecia haver migalhas de pão e cinzas de cigarro na mesa e assoalho, enfeitando as toalhas de mesa, o próprio Bill conferiu e pelo cheiro solicitou urgência, do contrário o almoço seria servido em outro lugar. - Acho que hoje vou apostar um sinête de ouro para a corrente do relógio. - Não disse que havia parado Steve? - Preciso do dinheiro. - Falei com George. O escritor refletia sobre alguns pensamentos retóricos. ‘’É melhor deixar um homem sem comer, mas um cavalo tem que ser alimentado, porque um cavalo gosta de aveia. É o seu sustento: o mesmo que, por exemplo, é o mingau para nós93’.

91 Sua festa celebra-se em cinco de fevereiro. É padroeira das enfermeiras. Santa Ágata foi condenada à tortura de ser rolada viva sobre brasas ardentes. Ágata é também o nome genérico de tôdas as variedades de quartzo não cristaliado; embora o quartzo seja cristal de rocha, apresenta-se com aspecto amorfo. O nome provàvelmente vem de Achates, rio da Sicília, na Itália, em cujas margens havia abundância dessa pedra. 92 V. Referências Bibliográficas. 93 Selifan. N.V.Gogól.


Bill conversava sobre algum tipo de reforma no hotel, porém percebia-se que durante a sua construção o arquiteto tivera de lutar o tempo todo com o gôsto do dono. Querendo substituir o impossível pela verdade, o projeto era possível. O arquiteto era pedante e queria simetria, maso dono queria o seu conforto, e aparentemente em consequência disso, o proprietário parecia preocupar-se muito com a solidez. Henry e Marcelle que não saíram do quarto foram procurar Thomas. Carolina descansara depois do café e acompanhara Cécile e Clark a maior parte do tempo durante as atividades no hotel. ‘’Enquanto espiava, parecia esperar apenas Um gesto para trazê-la e escapar, e bem Podia ter acontecido e nunca mais soltar-lhe as mãos E sabe Deus o que teria acontecido Ela não era coisa fácil, que bobeira, O alazão cheirava, enquanto olhávamos Para tudo isso com expressão de medo O delicado oval do seu rosto se arredondava e brilhava com uma brancura transparente, A luz pela mão morena deixando-se atravessar pelos raios de sol, suas róseas orelhas transluminadas Pelos cálidos raios solares, o susto estampado nos seus lábios Entreabertos, as lágrimas nos olhos, rra tudo nela tão encantador... É saber-se mulher, sem apequenar-se, Tu deves ter amores que não vão morrer À sua volta para ouvir seu didilhar suave...94’’.

Capítulo X

94 N.V. Gogól.


‘’Conversas descosidas, encontros ocasionais se transformam em provas decisivas aos olhos do homem imaginativo que tem algum fogo no peito95’’.

Sr. Guizelline durante o almoço conversava sobre um velho e vasto jardim, selvagem e abandonado que se estendia por trás da casa de veraneio que empreendia para Marcelle, que continuava depois de uma antiga aldeia, hoje fazendas, e se perdiam nas veredas, que ao que parecem, eram algo pitoresco, uma deserta amplidão. - ‘’Qual nuvens verdes e cúpulas de fôlhas sua deserta amplidão. Qual nuvens verdes e cúpulas de fôlhas tremulantes, limitavam o horizonte os cumes unidos das árvores de frondes crescidas em liberdade96’’. - Que bonito pai, parecia recolhido de um livro, especialmente para mim. Shaun concordava e Thomas também. Carolina e Marcelle estavam mais animadas que Julienne que ainda parecia guardar alguma mágoa escondida pelas duas, mesmo que involuntariamente, seja pela volta de Carolina ao círculo familiar de forma desconhecida por ela ou pelos agrados exagerados e demasiados na gravidez de Marcelle. Que apresentava algo de especial, era quase obrigado a cobri-lo com o lenço a todo o momento. E Henry havia pelo menos duas vezes levantado-se para colher o que havia de melhor para servir-se, dispondo-lhe de diferentes sabores. Sr. Guizelline perdia-se tempo discutindo sobre decoração de interiores com Marcelle, sobre assegurar-se de um piso de mármore, trabalhar tudo de forma miúda para não chamar atenção dos moradores. Sobre as paredes, muito apertados e sem ordem alguma quadros pendurados, relíquias de família que ela não deveria aceitar, poderia vender, mas que Sr. Guizelline gostaria de ter o tato de pessaolmente lhes observar e

95 Schiller. 96 Ibid. À referência ao jardim também. O autor impregna-se didáticamente não apenas antologicamente da obra: Almas Mortas do escritor para compor êste trabalho.


cuidar para si o que quisesse. Um livro muito antigo encadernado de couro vermelho, um limão todo sêco do tamanho de um avelã, uma poltrona, um cálice, uma gravura comprida e amarela de uma batalha qualquer97. - Deve-se ter atenção e eu ajudurei com qualquer despesa excessiva, principalmente a pintura da parede enegrecida. - Papai, o senhor está sendo muito bom conosco. Henry concordou, apesar de já ter discutido com Marcelle que isso quando parecer demasiado exagerado iria pessoalmente discutir amigávelmente com ele. Sabendo que fazia de tudo para ajudar. - Sim, estamos verdadeiramente agradecidos. - Ora Henry. – Bradou o Sr. Guizelline que servia-se de queijo, ovos de codorna, omelete, suavemente. – ‘’Não se preocupe com isso’’. Sra. Guizelline atentava-se no comportamento e postura de Julienne que parecia viver em devaneios. Enquanto Shaun à sua frente, parecia mais entusiasmado com a chegada de Felipe. Que com sua família ficara na mesa ao lado. Felipe qye nele, os sentimentos humanos tornaram-se mais profundos depois da vinda para o hotel e conhecer a família Guizelline foram-se perdendo cada vez mais nesse infinito. O escritor e o inglês resolveram caminhar pelo hotel. Primeiro deliciosando-se com a vista, pelos limites, admirando de longa distância todo o sublime. - Eu tinha um amigo chamado Polidinho. - Polidinho? – Indagou o inglês. Que quanto mais tempo ficava no Brasil em suas viagens, mais agraciava-se com o sotaque natural das regiões que visitava, miscigenando seu próprio idioma inglês britânico, natural da Grã-Bretanha, também era admirado por arte e poesia e isso fez com que os dois se tornassem muito próximos. - ‘’Aqui jaz um homem!’’ – Exclamou o escritor. Durante toda a viagem, desde que conheceu o Sr. Smith e os seus amigos funcionários e depois, agora que tornara-se amigo do inglês, vinhamlhe assobiando, fazendo música com os lábios. Devaneios povoam-

97 Batalha Naval do Riachuelo, ou apenas Batalha do Riachuelo, ocorreu no dia onze de junho de 1865, e é considerada uma das mais importantes da Guerra do Paraguai (1 864 – 1 870), por historiadores e militares. O confronto ocorreu às margens do Riachuelo, um afluente do Rio Paraguai, na Província de Corrientes, na Argentina.


lhe a imaginação, traz a cabeça no teatro, uma rua na Espanha, em colóquios com Schiller e fêz de cantar: - ‘’Mas diversas é a sorte, outro é o destino do escritor que se atreveu a descortinar tudo aquilo que está diuturnamente diante dos olhos, e o que não enxergam os olhos indiferentes98’’. – O inglês animava-se com sua excitação e o escritor riu. Sentia saudade de alguma coisa passada. Os dois amigos resolveram ir até as pedras na praia, onde ficava um acúmulo de jovens e resolveram comprar umas bebidas e fumar um pouco. Sr. Guizelline estava sentindo-se bem. - Feliz é o pai de família! Dono de um refúgio assim! – E para discontrair, terminou: ‘’Mas ai do celibatário!’’ – Todos riram. Sr. Nelles forçou um pouco do lugar em que estava e Bruna reparou, depois um de cada vez na mesa do Sr. Guizelline também: - Bom dia! Bom dia! Hoje é véspera de natal não é mesmo? Vocês têm aí um excelente pianista e compositor. Todos entenderam. Falava de Thomas. Ele não estava bêbado igual um sapateiro. - É um verdadeiro Kamerad99. Sr. Guizelline orgulhou-se da referência. Shaun encontrava vestígios do francês primitivo na Antiga União Soviética, mas não gostava de entrar em méritos ou deméritos. E Sr. Nelles começou a contar uma antiga história que seu pai costumava lhe contar: - ‘’Fôste aprender com um alemão, que alimentava os aprendizes todos juntos, curtia-lhes o lombo com a correia por qualquer falta e não os deixava sair para a rua para vadiar; e eras uma maravilha de sapateiro, e o alemão não se cansava de te elogiar, falando com uma mulher ou com o Kamerad. E,quando terminou o teu aprendizado, disseste: ‘Agora vou abrir minha própria oficina, e não serei como o alemão que se rala por cada copeque, mas ficarei rico da noite para o dia’. E então, tendo pago ao teu senhor e proprietário um bom tributo, abriste a tua vendinha, com um monte de encomendas, e te

98 Ibid. ‘’Todo o terrível, espantoso limo de mesquinharia que enlameia a nossa vida, tôda a profunda, assustadora frieza dos caracteres fragmentados e vulgares que pululam no nosso tantas vêzes amargo e tedioso caminho terrestre’’. 99 Em alemão, no texto: companheiro, camarada.


puseste a trabalhar. Arranjaste não se sabe onde uns couros meio podres a preço de pechincha e ganhaste é certo, o dôbro em cada bota, mas as tuas botas começaram a rebentar suas semanas depois, e tivesse de ouvir as piores descomposturas. E a tua oficina ficou às môscas, e tu começaste a beber e a cair pelas ruas não consegue ganhar a vida, tem sempre os alemães para atrapalhá-lo’’. Era uma história muito emblemático, podendo fazer-lhes refletir muito e foi o que aconteceu no segundo seguinte, todos em silêncio. Sr. Guizelline e Sr. Nelles d’onde estavam cada qual, trocaram meias palavras sobre política, até de assuntos militares; opiniões liberais, que para ambos, eram sensatas. Shaun apercebendo-se começou a discutir sobre a peça que pensavam trabalhar no teatro da Universidade, agora na mesma Universidade, poderiam juntos representar: Os Sofrimentos do Jovem Werther, e o personagem Carlota estava sendo estudado com muito cuidado. Shaun já havia conseguido resultados positivos nos exames a atividade paralela com o professor de Física de sua Escola onde formou-se no Ensino Médio resultou-lhe boas recomendações. Shaun não parecia muito preocupado que a natureza terna, que a intimidade que se dava com nomes carinhosos cômo: ‘’bolota, gorduchinho, pancinha, pãozinho, quiqui, juju, etc’’ estivessem encaminhando-se para fim, além de que, ele não mudara seu comportamento para com Julienne, sendo em seus pensamentos, tudo estava bem. E de fato estava. Julienne não era contrário ao sentimento de que trazia consigo verdadeiras nuvens de perfumes de tôda espécie, Marcelle e Henry, Thomas e Carolina, Cécile e Clark que estavam divertindo-se e muito. Alegres. Seu pai poderia descansar inteiramente-se à vontade, sem preocuparse em responder todos no Jornal, tratar-se de assuntos ‘’de direita’’ e ‘’de esquerda’’. ‘’Se era a sua disposição primaveril que agia sôbre ele, ou se alguém o estava empurrando por detrás, o fato é que êle avançava para a frente com ímpeto e decisão sem olhar para coisa alguma100’’. ‘’Ce qu’on apelle histoire101’’ convém observar. Sr. Guizelline deixara suas atividades mais antigas esquecidas e Sr. Nelles ouviu falar de um campo de golfe fora das propriedades do hotel e

100 N.V.Gogól. 101 Sconapel-istoar. ‘’É o que se chama uma história’’.


combinar de irem três quartos de hora depois do almoço. Animado, pôs fim imediatamente a refeição que já dera por fim fazia tempo e assim todos levantaram-se seguindo para seus quartos. Shaun soergueu-se e Julienne quase sentada, gritou, quando ele lhe tocou para ajudar-lhe a levantar: - Não preciso de ajuda! Todos tornaram-se semelhantes à ele, que triste, olhou-a um pouco com necessidade de conselhos, talvez alguma opinião oculta, e por isso, mais do que qualquer outro, precisava aventar uma hipótese arguta para não comportar-me mal, e começou a pensar numa orla de bosque, a qualquer instante. - Desculpe-me. Ela levantou-se e saiu sem qualquer expressão no rosto. Mas Shaun sabia, era capaz de lutar por qualquer convicção íntima, sabia defender seu ponto de vista. - O que houve? Perguntou Thomas. – Ficaram apenas ele e Felipe. Enquanto todos seguiram. Carolina ficou quieta enquanto Marcelle deixou Henry para falar com Julienne. Sra. Guizelline e Bruna faziam planos. Procurar conhecerem-se mais. Tentavam uma mesa maior para o jantar. E Thomas fôra convidado por Bill para tocar durante o jantar. Nada igual a noite passada. Mas Thomas não conseguiria aprender a ordem musical elaborada pelo pianista da casa, então, ele e Bill tiveram de negociar sobre. Bill tentava reduzir os gastos com o pianista, e o sublima para ele era aproveitar a aproximação dos hóspedes, para que depois do jantar, todos pudessem sugerir canções natalinas e acontecer de tornar-se um salão de festas. Em sua mente tudo parecia certo. Enquanto Thomas explicava-lhe que ele próprio compunha suas canções baseado em seus estudos, Bill ouvia-lhe sem atenção e não se importou. - Toque o que quiser. Mas apenas cante quando eu deixar. Estamos combinados? - Sim. O acordo não envolvia dinheiro, inicialmente. Sr. Guizelline não era rico como um judeu e o destino da Sra. Guizelline não era de ser boa dona de casa. Ensinara isso para suas filhas. E Julienne talvez estivesse com medo disto. O partido masculino de Shaun. Dentro da Universidade, garotas mais velhas e com o seu irmão mais velho para contribuir. Ela não dava grandes importâncias para isso, mas


estava apaixonada. E o clime tôdo contribuía para isso. Sentia-se preguiçosa e sem muitas obrigações. Marcelle conversou com ela por aproximadamente dez minutos. Contava-lhe a história de uma esposa que procurou um homem fino e não um homem que poderia acostumar-se com ela, então, temendo a realização de um divórcio ou a procura de uma nova mulher, elaborou um sequestro com outro homem, pobre, e conseguiu tirar todo o dinheiro dele. Julienne achou a história um pouco exagerada, mas entendeu. Sentia-se melhor e um tanto idiota pelo que passara, mas era natural, não era uma pobre coitada, idiota, sem rumo, tinha suas vocações, talentos, aspirações, igual qualquer jovem na sua idade. Estavam na praia e resolveram andar de uma ponta a outra. - Depois vamos procurar Carolina. Marcelle notando-se do semblante mudado da irmã, lhe questionou: - O que há? - Não é nada. Fui estúpida e grossa com ela. E não merecia. - Deus sabe por que razão. Cristã e praticante quando conseguia tempo livro. Gostava de recitar uma coisa e outra que aprendera ajunto com Henry nos livros que liam. Felipe ficou com a tarde livre e acompanhou com Shaun os ensaios com Thomas. Que contava uma anedota a respeito da extraordinária habilidade de Cândido. - ‘’Isso só Deus sabe, do qual descortina o horizonte e só o homem consegue ver...’’ – Depois ficou em silêncio, estudando o material para hoje e não sabia se conseguiria ser possível. Uma ou outra sabia que conseguiria, pois já havia estudado, mas fazia anos deixara de ensaiar didáticamente, Beethoven, Mozart, Chopin e começara aprender outras, mais complexos, Debussy por exemplo, Rachmaninoff. Começou a suar, sentir uma dôr no estômago, saiu e finalmente fora do hotel, sentiu-se contente e melhor, cuidando de respirar ar livre. Quando voltou para o piano, só saiu de lá com Shaun e Felipe ao pôr do sol. ‘’Ao pôr do sol, isso só Deus sabe, Do qual descortina o horizonte E só o homem consegue ver... Vindo de sabe Deus,


Lá estava-lhe imaginando À espera do anoitecer Que se abrissem os jardins Que a escondiam E ela lhe aparecesse em todo O seu aspecto, ainda nada vulgar Com todo o seu exterior E por esse exterior procurava adivinhar Quem seria o dono do seu amor. Se fosse assim, daria Graças à Deus Hoje vivo, amanhã só Deus sabe Desaparece sombra que vieste Escurecer-lhe o caminho, quando Se põem a pensar no destino, Sôbre uma vida livre, despedindo-se Enquanto é primavera. Ainda que estivesse sozinho com essas Palavras, Deus presidiria-me sobre, Não tenho queixas à Deus, E sabe deus o que mais...? Eu preciso escrever-te! Quando ela inclinava a cabeça de maneira sonhadora, Com cada uma de suas palavras amáveis A mais viva malícia de um caráter feminino 102’’. Thomas não tinha amor pelo dinheiro, não era dominado pela avareza ou sovinice, quando ele apresentava-se no bar da universidade, conseguiu juntar algum dinheiro e tomar conhecimento de sonhos e anseios ajunto com Carolina. Bastava um dêstes novos ares, para que seu espírito imediatamente se movesse. Ele era capaz de sentir tamanha piedade dos outros, que disponibiliza-se inteiramente com correntes solidárias dentro de projetos sociais na

102 N.V.Gogól.


universidade e orquestradas dentro da vizinhança pelo Sr. Guizelline. Louis Harry Neville, foi quem escutou o disparo e ligou para a polícia. Os amigos de Thomas já havia conseguido imobilizar o assaltante, enquanto que o outro, completamente bêbado, estava sob segurança embriagado pela festa. Serviu de escudo humano, enquanto sob porte de arma o segundo assaltando rendia todos, impossibilitando qualquer ajuda, Thomas fez-lhe de ‘’escudo humano’’, obrigando-lhe a render-se. Ethan e Nathan arriscaram e o disparo ocasional a paralisia do braço de Shaun. Não era uma lembrança que todos gostavam de recordar. Mas Shaun parecia não importar-se. Ele esperava não apenas gozar financeiramente no futuro, mas também de lembranças e bons momentos, algo guardado zelosamente consigo. Quando Bill chegou, Thomas teve de retirarse. - ‘’Mas sábio é aquele que não recua diante de caráter algum, mas cravando nele o olhar perscrutador, sonda-o, e penetra no seu imo mais recôndito103’’. – Bill tratou de falar-lhe, cheio de si. Contente com a noite de hoje. Thomas era capaz de reconhecer que sozinhos somos incapazes de saber que existe muita coisa ridícula e desprezível na vida. Mas diante de tais observações, preferiu não falar nada. - Receio que não conseguirei tudo. - Eu tinha certeza que diria isso. Não se preocupe. Quando acabar o jantar, pode apresentar-se. - Tem certeza? -Ah sim, sim. Todo bom pianista que não canta é por que ainda não aprendeu a ser um pianista. ‘’Eu sei disso, pois sou um verdadeiro amante de música erudita’’. Não parecia, mas Thomas acreditou. - Está bem então.

103 Ibid. ‘’Depressa tudo se transforma no ser humano: nem êle próprio percebe com cresce dentro dêle um verme terrível, que, imperioso, atrai para si tôda a seiva vital. E, mais de uma vez, não só uma imensa paixão, mas uma ínfima paixãozinhapor alguma coisa reles desenvolveu-se num homem nascido para feitos melhores, obrigando-o a esquecer seus grandes e sagrados deveres e a tomar, pelo que é grande e sagrados, mesquinhas trivialidades. Incontáveis como as areias do mar (...)’’.


Ficou mais nervoso e voltou com Shaun e Felipe conversando: - Tenho pouco tempo. Preciso trabalhar para que eu não fique lá igual um ‘’idiota’’. Ofereceram ajuda, mas preferiu apenas solicitar para Felipe não atrasar-se. Sabia cômo seu pai era com essas coisas e já que estava junto de Sr. Nelles, solicitou para Felipe apenas para que chegasse à tempo com todos, notando que estavam sempre atrasados. Felipe cômico e disse que sem dúvida estaria lá. Shaun e Thomas adentraram. ‘’O fato é que não dá para compreender a natureza, por mais que a gente se aprofunde no seu exame!104’’. Thomas estava sério e Shaun podia observar tudo. Henry falava alto no celular e procurava evitar-lhe ouvir o que falava. Quase impossível. Reparou em Thomas, essas mesmas feições que fazemos quando nos queremos isolar do mundo em uma nova viagem. Certo de que fora, não existia felicidade nenhuma no mundo. Sobre isso, refletiu alguns dias depois105. Esta arte de viverem em conjunto, era muito rara e Shaun resolveu procurar Clark. Estava na praia jogando futebol com outras crianças. Além dos amigos que fizeram, que eram ao tôdo três, de três respectivas famílias, chegaram outras duas famílias ontem, e as duas com crianças pequenas. Eram todos garotos e divertiam-se. Sabia que ele era irresponsável com o protetor solar e notara a vermelhidão em sua pele. Certamente Sra. Guizelline falaria disso no jantar. Mas não era sua culpa. Sabia. Até sentia um pouco do riso, cômo um irmão. Thomas embrenhado no exercício penoso, não apercebeu-se de que Henry já não discutia no celular. Problemas, mas nada muito sério, algumas transferências de sua conta. Agora ajunta com Marcelle, recebia sempre notificações quando, e algumas vezes devia justificar-se com os responsáveis sobre algumas incoerências, pessoas que cuidavam da sua sanidade financeira. Loja de presentes, de crianças, roupas femininas, e ademais. E assim, Thomas aterefouse com ademais, até o horário que voltaria Sr. Guizelline para chamar-lhes todos ao jantar.

104 Ibid. 105 ‘’Expressão feliz, à respeito de seu isolamento, que alimenta no homem pensamentos profundos’’. (Ibid).


O primeiro movimento é o amor que reclina-se sobre todas as pessoas. A paixão é o movimento voluntário do amor que foi com alegria que encontrou razão, pois não compreendia idéias e sentimentos, gostando de entregar-se. Na publicidade rumorosa em que vivemos hoje em dia, Sr. Nelles não gastou mais que algumas palavras para convencer Sr. Guizelline a empenhar exibindo sua ausência espiritual para ocorrer-lhe de falar sobre os infeliz pensamentos em sua mente. Claro, que não tratar-seia de nada perigoso, d’algo que aplaudir-se-ia com clamor público, os jornais aplaudiriam, em demasia, apenas estava sentindo uma sensação absurda de ordinário, agora, sem emprego. - E como vai falar para ela? - Eu não vou. A Direção é que vai. - Isso é uma droga. E quando? - Eu não sei. Provavelmente amanhã. - E pensa ser o melhor? - Antes não. Mas com o tempo sim. Sra. Guizelline era acadêmicamente falando tão preparada quanto ele. Esperou apenas que atingisse uma maturidade profissional e experiências dentro do âmago trabalhístico que lhe fizesse conqusitar a afinidade de todos e foi o que acabou acontecendo. Não era fácil no início trabalharem juntos: - Muitas pessoas olhavam-nos com estranhamento. - E depois? Um sorriso astuto tomou conta de sua fisionomina enquanto jogava sua tacada. - Foi uma bela jogada. - Eu ando assistindo muitas partidas e sempre vou com amigos jogar. - Eu gostaria de participar. - Evidente que sim. Vocês pretendem morar juntos ou algo tipo? Demorou-se para vir uma resposta, Sr. Nelles não aproximava-se ou afastava-se de pensamentos à respeito de sua família, agora, de frente para sua tacada, guardou para si as idéias que abriram-se em sua mente e Sr. Guizelline, depois de uma longa espera, repetiu a pergunta: - Espera voltar com Bruna? - Veja os senhor... – Começou Sr. Nelles. – Com tanta experiência, cômo pode me perguntar isso?


Demoraram até chegarem aonde estavam as bolas para finalizerem suas respectivas jogadas, para retomarem a conversa. Era vez do Sr. Guizelline. - Eu escutava muitas histórias de meu pai. E a melhor delas era aquela que me deixava envolto a um remoto pensamento. - E qual era esse? - Ser-me igual a ele. Isso fazia Sr. Nelles sentir algo próximo de tristeza e decepção. Não acovardando-se, mesmo que temendo, não conseguia responder-lhe de imediato, não carecia de resposta alguma. Os homens quando velhos, não se importam de mudar de assunto com facilidade, cômo quem muda-se de um objeto às mãos. Indisfarçável aquele ar de maturidade que adquiria com os anos, Sr. Nelles até o limite do jogo que permitia o horário até a volta, preparem-se adequadamente para o jantar, jogou risonho, não largando citações, e examinando à tempo sua catequese familiar pavorosa, esgasgando-se com precipitações que semblantes do Sr. Guizelline lhe faziam iniciar uma Deus sabe oração mal feita, mal conseguindo um lugar dentro dos minutos de silêncio de Sr. Guizelline, que sendo um bom companheiro, revelava-lhe coisas paradoxais de sua vida, sem medo de ser punido. - Minha falta em casa ao mesmo tempo meu excesso dentro do trabalho. São muitas as coisas que me culpo. Participando mais como ouvinte do que como orador, Sr. Nelles amadurecia, perdendo posição que fazia questão de manter profissionalmente, sabia que agora, perdia perante a conquista d’outro e isso de certo modo, é algo que todo bom trabalhador precisa passar e Sr. Nelles desde que começou, jamais sofrera algo parecido e não se importava, também não ignorava, como faz um jovem aprendiz, marchou com as linhas de pensamento do amigo em ditames que pudesse conciliar à mesa, para transcender aquilo que pretendia, o melhor natal de vossas vidas. Era o seu presente para Felipe, para Vera, Angélica, mas principalmente Bruna, à quem ele devia tudo. A maior felicidade de sua vida. Seu filho. Os dois homens pareciam aos poucos irem familiarizando-se, à medida que Bruna e Sra. Guizelline também. Na verdade singular, não havia começo, que perdera-se, ambas aproximaram-se à medida que Thomas e Felipe encaminharam-se, esquecendo-se o sossego. Amável, Bruna procurava tornar sua vida menos dura. Enquanto Sra.


Guizelline, apesar da idade, fugía da demência. Procurava ainda propósitos, princípios, revelando sentimentos generosas com Bruna, falando-lhe de quando esteve grávida de Marcelle, ainda muito nova, o desespero, apesar de sempre ter vivido muitobem, uma semana em que passaram em completo conjeturo. Bruna limitou-se a escutar, poupando-se até mesmo diálogos que anteriormente elaborara em sua cabeça para um momento ‘’cômo esse’’. Justificavam-se rindo alto. Ambas que passearam tôdo o hotel, decidiram relaxar um pouco na praia, o sol havia diminuído e não precisavam se arranjar ou desarranjar de roupas, não havia entre eles desejo de abandonar o lugar e até mesmo em pensamentos voltar a pensar em algum outro lugar que não aquele. Mas inevitável, Bruna começou a conversar com Sra. Guizelline: - Trabalhamos a vida inteira juntos eu e meu marido. - Eu gostaria de ter tido uma vida parecida. - Todos temos. É inútil desabotoar os botões da vida e discutir, alarmando-se sobre isso. Recitou-lhe d’algo: - Como não são poucos os que neste mundo passam a sua existência na boa vida, por que não haveria de fazer o mesmo? Agradecendo. Bruna via sentido em suas palavras. Pensara apenas em dormir e dormir quando viera para cá, mas Angélica lhe estava na cabeça, sonhos, acordava procurando-lhe na casa e lá via Felipe, sempre com ela, Vera não tinha condições de cuidar da criança e ‘’Até o casamento’’ dizia o pai dela, ‘’Não quero nada com isso’’. Não lhe tirava a culpa, mas precisavam de uma figura paterna e Sr. Nelles, era querendo ou não, agradava-lhe: - Qual a sua história com o pai? - Nelles? - Sim. É esse o nome dele? - Ele já trabalhou com tantos pseudônimos... Sra. Guizelline riu: - Ah! Abril, a juventude... - Sim. Éramos muito jovens, você sabe, a mesma história de sempre... - Nunca é a mesma história de sempre. O que viu nele? - Nelles? Ah! A juventude. O devaneio da paixão. - O que mais? Me fale dele.


- Dele? Ah, ele tem olhos bonitos. Inteligente e sempre soube o que fazer com o seu tempo, o que acho o mais importante. O tempo é uma das poucas coisas que conheço que nunca volta do jeito que era. Sra. Guizelline encontrou muita profundidade em que dizia, talvez Bruna mesmo estivesse pensando naquilo, cômo algo que pudesse-se valer de algumas linhas em um bonito caderno de poesias. E o entusiasmo das duas mulheres, correu por tôda a sorte do belo passado entre elas, verdadeiro demônio feminino que nenhuma mulher consegue viver sem. O escritor e o inglês bêbados, vinham seu olhar perderem-se na distância, jovens nas pedras, enfeixados, empilhados, ora um ora outro num ponto próximo de cada qual, olhavam-se, ou então, olhavam para o lado, para algum braço de água, em cuja margem passeava um martim de pernas, uma ave, seus olhos observavam de longe eum martim-pescados com seu barco, provavelmente espiando, tentando apanhar algum peixe, fixando a simplicidade do Criador, todas as partes, céu e terra, a ave alçou voo trinando o frango-d’água, perdendo-se na luminosidade, mas também isso começou a cansar e logo deixaram de ócio para retornarem aos seus cômodos, combinaram de realizar a refeição da véspera do natal juntos. Sheyla e Evans que desde a chegada não conseguiram aproveitar juntos metade do que aproveitaram durante todo o tempo juntos de relacionamento, caminhavam na praia. Passaram depois do almoço horas resolvendo assuntos pendentes para que a véspera de Natal fôsse mais agradável, mas quando tentavam uma conversa, um carinho, um afeto, toda e qualquer demonstração terminava em intrigas, problemas particulares, singulares de cada um que até então não expressavam e por si só, tamanho desgaste da relação não tardou a aparecer. - O que significavam essas lágrimas? – Perguntava-lhe ele de dentro do quarto. Ela mesma não sabia responder, tremia de raiva, nervosa, cópias rolavam os olhos dele e o triste segrêdo desta enfermidade e que nenhum deles tinha condição de admitir é que estavam ambos dentro de uma relação na qual traíam seus cônjuges. Existia uma rica reserva de mentiras, extraordinária culpa, resistência em ambos os corações, algo que vêm sido cômo uma luta inconsciente entre eles, germinando a cada dia mais e mais, revelando um mundo inteiro de


eternas vacilações e a vontade que tinham dentro da alma era de que o fim havia chêgo. E decidiram por fim que durante o jantar de hoje, conversariam sobre o futuro deles. É raro que um homem num só ato mágico consiga viver uma vida elavada. Mas é certo de que neste caso, ambos viviam uma vida triste, vizinhança pobre e carente do amor, como já viam, nada ou pouco residia de lisonjeiro à respeito do amor entre ambos. Não estava sendo a pior das experiências. A apresentação de Felipe com o pai havia entregue segundo o destino à eles, uma nova chance para o amor. Reviver aquilo que mentiras transformaram na realidade de então que viviam. Não aguentavam mais aquilo. Evans preferiu sair e deixar-lhe no quarto. - Não! Você fica! Eu saio! - Não! Hoje é véspera de natal! - Eu não ligo! - Eu ligo! - E o que importa? - Eu ainda amo você! - Mentira! Não importava mais quem havia começado, ou qualquer outra mentira desajeitada, guerra interna dentro do coração de cada um, Evans conseguiu lhe convencer a ficar, aproximando-se dela, mesmo com inicial recusa, não soltou-lhe de seus braços. Uma idéia lhe levou a pensar: - Querida, podemos recomeçar. Igual os dias dentro de um ano. Podemos recomeçar. Ainda com a voz chorosa, respondeu: - Você não acredita mesmo nisso. Faziam cinco anos que estavam juntos. O ciúme dela não era físico, por assim dizer, mas mental. O dele, igual a de qualquer outro homem, provavelmente seria a intimidade que lhe humilhava. E coisas assim não desaparecem do dia para a noite. Não uma página riscada, mas capítulos, centenas, milhares de linhas, não se perdia em pensamentos, mas os beiços dele prestaram contas as orelhas dela, que não ouviam palavras honestas de sentimento, cortando-lhe o ruído de qualquer som, com as batidas do coração em seu peito. Mais tarde, descobriria que não encontraria nestas páginas riscadas, nestas linhas, nenhum inteiresse. Chegavam-lhes uma sensação


incompleta que até então, era mascarada com a traição, o ciúmes, a mentira, viram portas fecharem-se, compenetraram-se de sentimentos regulares, não havia mais aquela sensação de dormir o dia inteiro, de surgir à porta com flores, um homem apaixonado pela mulher em casa que trabalha para dar luz ao volume discplina domiciliar. Existiam cômo dois presidiários dentro do relacionamento, não tinham essa liberdade hoje à presença de quem se ama faz-se inteiro. E eram à lembrança. - E o desejo de lhe amar, me fez novo. Ela sorriu e beijou-lhes. Quando abriram os olhos, pareciam entregues ao novo delírio daquele tempo, a necessidade de amar, de celebrar de monte, duas, três vezes o seu coração bateu com força querendo-lhe mais e mais, era recíproco o sentimento que se espalhava de uma para outra parte do corpo. - Agora você descanse e se arrume. Eu vou reservar nossa mesa para o jantar e resolver algumas coisas. Quando eu voltar, iremos ter o nosso jantar, está bem? Se mostrou generosa e mole, amolecendo-se ainda mais, cômo uma mulher na mocidade, esperando-se ser aquela que seria entregue, não tivesse o pensamento lido o coração para o homem que amava de tôdo coração. Os favores e os sorrisos, cada qual para sua função, em seu semblante às vezes contrastavam-se com a mentira e a verdade, podia pela primeira vez retornar e exibir aquele que concedia sem dúvida, interminável verdade, por tornar-se de volta verdadeira consigo mesma. Evans foi imediatamente procurar Smith, acabou lhe encontrando próximo da recepção, assistindo de forma sigilosa um pouco de televisão, foi com George comprar algumas coisas para a cozinha e havia acabado de retornar. Precisava de ajuda.

Capítulo XI


‘’O esquisito devotamento e as possibilidades imprevistas alarmavam-me. Ignoramos o que somos, até onde podemos ir106’’.

Assim, os hóspedes estavam agora encaminhando-se para o salão, onde, imaginando à luz das velas postas detalhadamente, tomando cuidado para não infringir com a passagem, com as janelas e a decoração que não era muito diferente que a original, pestanejam insignificâncias, que damos hoje por escolher e constituir a nossa história. Debalde, em ademais, apenas a grande árvore de natal na recepção. Não existia ali, nada que alguém por cor viva, tomava por insignificante ou então exagero, aprovavam, ao mesmo tempo que não sentiam falta de nada. Anos atrás, um hóspede exigiu certas regalias para que atendessem com a sua existência, dizendo-lhe reprimir-lhe religião e pessoa física, Bill, fez de entregar-lhe tudo, tomando cuidado com a coragem, muitas vezes generosa e outras incompreensíveis de ademais clientes. Naquele ano, Bill perguntou a si mesmo se a ‘’virtude singular não compensava as faltas anteriores’’. Bill recorria sempre às luzes d’algum livro cristão, ou escrito que fosse capaz de amenizar suas vitórias, lembrando-lhe as derrotas, aumentar sua fé, sem diminuir seu espírito fiel e preso as coisas terrenas, evitando-lhe a fraqueza e o desânimo. Sr. Guizelline já estava de volta fazia algumas horas com o Sr. Nelles, e foi ainda assim, o primeiro a estar pronto e meditar. Aproveitando-se do tempo, estava sozinho ainda no quarto quando sua mulher voltou com Marcelle e foi de forma rápida e infantil se arrumar. - Está feliz minha filha. Isso é muito valioso para mim. - Obrigada pai. Espero um dia ser tão feliz tal e qual é a mamãe com o senhor. Feliz, beijou a testa da filha e foi para o quarto dos homens. Encontrou Clark. - Filho! Venha cá! – Gritou. - Já é tarde, aonde está Thomas?

106 Graciliano Ramos. ‘’Cercados, confinados, precisamos ver qualquer coisa além das grades’’.


Ele não soube responder e o pai observou a vermelhidão do sol em sua pele. Quando chegou ao quarto, observou Thomas estudando e Shaun descansando. A porta do outro cômodo, onde provavelmente estava Henry, estava fechada. Shaun levantou-se da cama. Uma vez que Henry tinha o quarto só para si, ambos acomodaram-se com colchões na sala. - Você devia cuidar de seu irmão! Não devia? Thomas lhe olhou e chamou Clark para observar o efeito em demasiado tempo exposto ao sol. - Realmente. Eu o procurei pai. Apenas não lhe encontrei. Shaun continuou: - Eu também. Clark nunca fica no quarto tempo suficiente depois do almoço. Sr. Guizelline repreendeu-lhes, consciente de que Clark também tinha culpa. - Não fale nada Thomas e Shaun. Vocês são culpados. Não vou me prolongar. E Clark, se amanhã eles me falarem novamente isso, você passará a ficar comigo e sua mãe, ouviu bem? Clark ficou vermelho de vergonha e medo. Thomas e Shaun não pareciam se importar, Thomas já estava pronto e apenas corrigia algumas observações em suas composições pensando agora que também não escrevia só para si sem advir um instrumento, agora compunha musicalmente, o que lhe requer-lhe-ia algum tato especial. Tinha aproveitado-se de Henry e Shaun para banhar-se e encaminhar-se devidamente para o jantar. Shaun fizera o mesmo entre momentos de descanso e reflexão sobre as primeiras escritas de Thomas, ponderando-lhe já coisas óbvias em seus pensamentos. Faltava então Clark e Henry. Sr. Guizelline bateu-lhe à porta e Henry despertou: - Sinto muito. Eu não estou atrasado estou? - Não. Sinto muito Henry. Apenas fique de olho e atento, disperso, pois já estou de acordo, você ficará por último, Thomas e Shaun estão prontos, agora está indo Clark, está bem? Ainda com sono concordou com um aceno de cabeço, procurando limpar os olhos. Não lhe acontecera nenhum malogro. Sr. Guizelline era um homem duro e gostava das coisas cômo deviam de ser. Durante esse interím, Smith havia batido à porta do quarto e Thomas foi recebê-los, pouco antes do Sr. Guizelline chegar.


- Oi, chamo-me Evans e estou cômo hóspede aqui. Smith estava entre eles. - Não entendo. Em que posso lhe ajudar? - Eu vi o que você fez por aquela família. – Referindo-se à família Nelles. – E gostaria que ajudasse-me. Thomas surpreendeu-se com o pedido. Mas não inteiramente. Em todo o hotel, comentava-se da sua apresentação com Felipe. Do pai que re-aproximou-se do filho, da pequena criança, da música, da dança, Evans queria o mesmo. Mas não tinha tempo, não havia nada, então Thomas ficou um pouco irritado. - Não sei se será possível, desculpe. Era algo involuntário, gostava das coisas dentro dos eixos, e faltavam apenas algumas horas e ele ainda, ademais, tinha os seus próprios estudos, do contrário seu lugar à frente do piano era descartável. Evans então lhe explicou que apenas gostaria de uma demonstração sincera de amor depois de assistir à própria entrega ao mal e as ruínas daquele relacionamento que para ele, seria o último em sua vida. Não entrava na consolação de pensamentos amargos, e tristes, como o casamento e filhos, que digamos, delimitam uma parte da vida, completam, entende-se por delimitar, aquilo que não se pode naquela fase específica, superar-se e ele ainda tinha isso dentro dele e sabia que ela também. - Você apenas precisa me ajudar. Estiveram algum tempo ali mesmo com o Sr. Smith desenvolvendo minuciosamente uma conversa sobre uma pessoa ausente, enquanto Thomas lhe explicou a situação. O assobio forte do impossível, lhe feria os ouvidos. - Por que ele não faz a apresentação? – Smith apressou-se. – Quando você (Thomas), for iniciar sua primeira composição, Evans pode levantar-se, igual Felipe, eu faço o mesmo ‘’papel’’, representandome da mesma forma entregando-lhe o microfone, e Evans abre espaço para o coração, dedicando para sua amada, o que há porvir. Não era exatamente o que Evans queria, mas também era muito mais, Evans não estava em posição de decidir, precisava de ajuda e o que estava porvir, era mais ajuda que ele encontrou nesses últimos anos e ficou extremamente feliz e contente com a idéia. - Excelente, parece ótimo. Smith perguntou para Thomas:


- E você: Para Thomas parecia igual. Apenas devia-se lembrar de esperar-lhe acabar a declaração para continuar O trabalho. Os homens concordaram e ficou apenas notório para Smith, o dever de alertar, que Bill ficaria avisado de tudo. Evans não sabia quem era Bill e quando soube, compreendeu. - De acordo. Terminando a conversa, Evans sabia de onde queria fugir, queria fugir daquela pessoa que tornara-se, aquela que se meteu na situação em que encontra-se, não podia apenas ver êste ato isolado e inocentar-se de tudo. Pegou o celular e discou para a mulher que vinha-se encontrando, terminando tudo com ela. Não sentia-se melhor, mais realizado ou algo do tipo. Não podia voltar para o quarto e cobrar a mesma postura de sua amada, mesmo que assim visse cômo certo, não existia em sua sanidade mesmo que instável, regularidade sóbria para analisar-se e decidir o que estava ou não dentro da racionalidade concreta e objetiva, existia entre eles um vazio existencial tão subjetivo, que ambos poderiam se reconhecer cômo dois desconhecidos e mesmo assim, por medo e culpa deixarem-se levar nesta estrada de medo e covardia. Iguais sem dúvida, todos iguais, são os seres humanos, quando se sentem próximos do fim, ou leves no início do dia com algum ruidoso contentamento, dêstes que isolamos em um íntimo particular, cuidoso de não deixar acabar-se antes do impossível, como quem agarra-se até o final da vida, apenas para gabar-se de propósitos. O amor também é assim, parecido. Uma luta física, uma brincadeira de esconder, um calor que protege. Os bons propósitos se perderam. E logo que se aproximava do quarto, pensamentos de resistência lhe bateram e foi obrigado a escolher. O clima no salão era de festa, a atenção libertinosa, desvairada, falavam de coisas diversas que na aparência, faziam-lhes esquecer os sofrimentos prolongados. Destas memórias, gostariam de lembrar cômo bêm vividas. O Natal celebra o nascimento de Cristo. Originalmente celebra o nascimento anual do Deus Sol no solsctício de inverno107. E o Papai Noel (conhecido em Portugal por Pai Natal) é uma figura mitológica popular em muitos países, associada com os

107 Natalis invicti Solis. Latim.


presentes para crianças108. Costumes populares modernos típicos do feriado incluem a troca de presentes e cartões, a Ceia de Natal, músicas natalinas, festas de igreja, uma refeição especial e a exibição de decorações diferentes; incluindo as árvores de Natal, pisca-piscas e guirlandas, visco, presépios e ilex. Thomas preferiu não jantar. Pronto antes de todos, teve tempo suficiente para dirigir-se ao local na cozinha disponibilizado para os funcionários servirem-se e sentarem-se adequadamente no salão antes de todos, normalmente, quando as principais conversas hierárquicas acontecem. - Eu não vou jantar. - Tem certeza? - Passa-se bem? – Perguntou Smith. O único que parecia realmente preocupado. - Estou verdadeiramente preocupado com você. Não vai dar para trás não é? - Não. Estou aqui por isso. Vou ficar desde o início com vocês, mas preciso esperar o meu pai. - Está bem, seja cômo você quiser. Thomas voltou e esperou pelo pai. Shaun aproveita e fizera a higienização, enquanto Henry esperava. - Está bem? - Sim. O meu pai não vai demorar. - Tenho certeza que sim. Você está muito bem. Fazendo excelente progressos. - Obrigado. Em poucos minutos o Sr. Guizelline estava adentro do quarto, com Clark, que não demorou, para que Henry, enfim, Carolina, que não se desligara das coisas mundanas, apenas de tudo fazendo atento, com zelo, que do maior encanto ela tem em pensamentos, mesmo que lá fora não sublime. Queria viver o vão momento. Mesmo que quando tarde, a fim de quem viva ame, ela espera que dure. O Jantar da Família Guizelline não havia terminado bem. Não é o que esperava-se Sr. Guizelline quando ele chegou. Não era também o que

108 A festividade foi ressignificada pela Igreja Católica no século III para estimular a conversão dos povos pagãos sob o domínio do Império Romano e então passou a comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.


esperava-se Jack quando mandou seu cúmplice fazer-se papel de adolescente. Não seria exatamente uma crônica que Raul Pompéia escreveria ou Vicente de Carvalho 109. Mas uma crônica tão longa perguntar-se-iam os leitores? Para Shaun aquele momento não passou tão devagar. Carolina não sabe até hoje o que fazia naquela festa, talvez quisesse ficar quieta vendo a lua e o furor dos tempos. A crítica era inútil, ninguém reconhecera o suspeito que conseguiu por duas horas passar-se por integrante da festa. Smorgasbord, sobrenome de Jack, preso em flagrante, imobilizado por Ethan e Nathan, também responderam por tentativa de homicídio, claro, tudo dentro da lei, apenas uma pilhéria perto do caso, uma vez que procuraram aliviar a situação, aproveitando-se de Thomas, que conseguiu usar-se de seu amigo para proteger-se. Uma espécie de negociação entre reféns. No caso, o número de pessoas no local totalizava-se mais de duzentas pessoas. E assim por diante, o autor poderia incluir na crônica um pouco de emoção, quando a insensatez de Julienne pôs-se a tentar filmar o ocorrido. Foi quando da chegada de Jack, que tendo observado o fim do seu plano, notara do ato de Julienne, que deixava tudo em extremas consequências. Acontecera do seguinte, ‘’com Ary Barroso’’ já vem raiando a madrugada, o autor da crônica poderia torná-la mais divertida, lembrando de quando o jantar acabou e o homem chegara, segundo as tradições da casa, bebendo tequila. A grande dúvida para os investigadores e no caso, fôra a priori cômo o homem conseguira demasiado tempo estabelecer-se e conseguir ainda d’alguma concretização no plano. Ambos não poderiam verem-se juntos, a idade de Jack era elevada, quase um adulto, as suspeitas seriam deveras. Então, Pascal primeiro procurou divertir-se, conversando primeiramente com quem lhe

109 Ou Olavo Bilac, Euclides da Cunha, Amadeu Amaral, Rui Barbosa, Monteiro Lobato, Mário de Andrade, Érico Veríssimo, Oswald de Andrade, Alfredo Mesquita, Afonso Schmidt, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, Vivaldo Coaracy, Guilherme de Almeida, Lygia Fagundes Telles, Luís Martins, Gustavo Corção, Caio Fernando Abreu, João Antônio, Raul Drewnick, Fernando Sabino, Ariovaldo Bonas, Augusto Nunes, Luis Fernando Veríssimo, Rubem Braga, Osmar Freitas Jr, Paulo Francis e Rachel de Queiroz. Todos Cronistas do Estadão. Uma brincadeira do autor com o amplo vocabulário e a coincidência da ocasião.


pudesse representar algum tipo de ordem dentro da casa. Estava com drogas e queria impressionar. Thomas estava isolado, dentro de uma casa que conhecia todos, praticamente, pessoas que conhecera ainda quando Julienne estudava com ele. Agora, na Universidade, Marcelle também tinha concluído pesquisas acadêmicas sólidas para sua carreira de trabalho e não deixara desde que soubera da notícia de inquietar-se ir para o quarto com Henry. Depois que ele, Nathan e Ethan deixassem de conversar e beber. Julienne mesmo quando a tristeza está sorrindo, se abre. Suas amigas ainda fizeram questão de anunciar na internet, fazendo o número na primeira hora de festa chegar até trezentas pessoas. A grande maioria deixara antes do momento do disparo, dispersando-se pelos grandes centros, ainda aproveitando o começo da madrugada. Thomas tinha planos de esperar Carolina aproximar-se, uma vez que o ano encerrava-se, todos queriam um lugar para beber e festejar. Ele foi o primeiro, ajunto com Marcelo, Aguiar e Arnaldo, providenciarem suplemento com o dinheiro que tinham guardado para uma ocasião especial, Thomas ensaiando piano e deixando de realizar aulas, Marcelo trabalhando depois das aulas, Aguiar e Arnaldo ainda ganhavam mesada, mas Arnaldo distribuía o jornal, fazendo-lhe perder trinta e cinco minutos das primeiras aulas da semana enquanto Aguiar almejava um cargo de assistente em uma das disciplinas que estudava com Thomas, tinha na Biblioteca uma renda estável para refeições e extras. Contudo, ele também não esperava nenhuma aproximação por parte dela e gostava da idéia de estar ali apenas para resguardar Julienne, que sabia, estava muito feliz com a vinda de Shaun que havia chegado fazia poucos dias, hospedado-se e vinha com ótimas referências disciplinares. Lembrando-lhe o apogeu na arquitetura e nas artes plásticas, com a construção em Atenas do Pathernon, dedicada a padroeira da cidade, um conjunto de templos a Palas Atena, enquanto via-se mais parecido com o auge da filosofia helênica110, devia buscar em todos os filósofos gregos, do mais dramaturgo, que encontra-se complexos em Sófocles, Ésquilo e Eurípedes, até épicos, e os líricos diferentes de Homero, Anacreonte, Píndaro e Safo, Heródoto; a influência da Mitologia Grega para Thomas era fundamental para qualquer uso positivista da história

110 470 a 322 a.C.


moderna. Para ele era fundamental a arte e a filosofia ocidental. Evidentemente que ele conseguiu ocupar um espaço agradável na sala, próximo do piano, ele contava os lugares. Estar na sala de música para ele não era trabalhosa, evitando o desgaste físico e psicológico do lugar indo para lá sempre com uma garrafa de cerveja do suplemento e com um amontilhado que conseguira com os amigos, que serviram-se com as acomações de lá, deixando a sala aberta com o espaço de fora permitindo a entrada de jovens que bebiam animados ao entrar. A mesa principal foi coberta para evitar qualquer dano. A mobília da sala se afastou até quase direção a lareira e então a mesa da cozinha serviu para jogarem um jogo com bebida, uma bola de ping-pong e nem bem Shaun entendia, mas esperava sua vez. Sua adversária, Julienne. Marcelo, Aguiar e Arnaldo, conseguiram com Thomas, garrafas escondidas do Sr. Guizelline, que recebia mas não bebia, deixara, e Thomas apesar de não gostar, inclusive deixara, atrapalhando-lhe os estudos, gostava de apreciar e faziam serventia educada. Além de cuidarem do lugar. Thomas estava com as chaves que usara para trancar a porta dos fundos, o quarto principal e o próprio quarto. A chave do armário de bebidas ficava sempre na cozinha, quando não levava à doméstica. Não importava muito, o que havia na casa de útil para alimentação já estava feito e o resto eram apenas alguns restos de mantimentos. Pretendia transitar de uma bebida para outra, um copo vazio para outro deixo até o momento que ficasse completamente desligado de tudo até de si mesmo, ora que por fim, já deveria estar na hora de pôr fim a festa e expulsar todos. Aguiar falava de uma pista de skate, próximo, organizavam batalhas de rap, havia também a grande avenida com prostíbulos e festas, onde garotas provavelmente bêbadas iriam gostar de alguma aproximação. - Podemos ir de carro. Estou com o do meu pai. – Disse Marcelo. Thomas não estava querendo: - E você Thomas? - Eu não, obrigado. – Passando a garrafa para longe do piano, deixara-a no colo, mas via de forma inapropriada. Gostava de demonstrar sutileza apesar de total falta de organização. Pascal foi um dos primeiros a entrar. Haviam cinquenta pessoas ou mais lá dentro, ocupando espaços dentro da escada, Julienne tinha levado Shaun para o quarto dela. Não estava bêbada (ainda). Mas Shaun


estava, bebia um pouco com Ethan e Nathan que desde a saída do Sr. Guizelline apercebendo-se do comportamento de Thomas, deixaram a televisão desligada e ligaram o moderno aparelho de som do Sr. Guizelline que Thomas deixara um cd esquecido do Willie Nelson com John Legend. Carolina estava com um bonito xale de selim e ficara um pouco isolada. Marcelle conversara com ela antes de subir. Ela era amiga de alguns e rapidamente dois amigos dela e uma amiga aproximaram-se, mais alguns rapazes de Letras e Humanas em gerais começaram a discutir sobre temas que faziam-lhe remontar provérbios e muitas vezes o próprio locutor esquecia-se do que dizia, o mais atento deles, procurava recogitar uma coisa e outra, e a amiga que não parava de elogiar o seu xale, ficara irritada, esquentando-se os nervos e outros diriam de outra forma, mas ela ‘’jogou-o’’ nela, cômo se a garota tivesse tinta no cabelo. Os amigos saíram atrás dela. Os rapazes decidiram por um cd intitulado Doggumentary de 2011. Viram a árvore de natal montada do Sr. Guizelline e brincaram com os enfeites, procurando com um brinde de uísque deixarem as coisas mais sério, viram uma que bebia de um copo que já servira-se e conseguira algunss olhares à deriva próximo d’onde se tinha um móvel no chão para antigos arquivos, sapatos ou chineles escondidos, onde na parede, acessórios alternativos revezavam-se e mais agora as antigas coisas de Cécile desapareciam, encomendas e ademais coisas. Ela ficava mais fora no jardim que dentro da casa, a frente da casa tinha ainda alguma regularidade de pessoas, que conseguiam circular livremente nos fundos do jardim da casa. A última pessoa que servia-se ao entrar na casa devia servir a próxima pessoa e ambos foram falar com Pascal, agora que a garota estava rodeada por dois rapazes e algumas garotas. A sala de Thomas terminou de organizar a mesa para o jogo e seus ademais amigos da cidade chegavam. - Você é daqui? - Sim, quer dizer, eu acabei de chegar, sou calouro. Ethan e Nathan não eram mais vistos dentro da Universidade e bem sabia que poderia ser verdade, procurando conhecer mais o rapaz, esperaram com ele até alguém chegar. ‘’O plano era idiota’’. Disse o investigador à frente do caso. ‘’Não fosse a amizade ingênua e idiota de jovens bêbados’’. Pascal que nunca fizera Universidade, mas estuava, inventava uma história sobre uma senhora que passeava


com um cachorrinho. Em detalhes, osdois riam da descrição do rapaz que não parecia se esforçar, enquanto pessoas que ainda acomodavam-se dentro da casa, que já estavam bêbadas e circulando pelos andares, serviam-se com ele, pois, era a única garrafa livre da casa, sendo todas as de cerveja e licores do suplemento esvaziadas,carecendo de serem abastecidas. O restante da casa Thomas não conseguiria cuidar, não fôsse o zelo que Sr. Guizelline tem com a casa, por que outra razão faria de trancá-la antes da hora? Seu gabinete, a sala de música, o quarto de visitas, além do corredor que leva aos fundos, o sótão, os outros dois quartos que usa-se para dispensa, ademais um pequeno cômodo no terceiro andar com antigas coisas, não era uma casa de muitos valores, e Pascal atendera sua demanda e já procurava algum novo tipo de assunto para os jovens que queriam ser os primeiros a jogar. Marcelo, Aguiar e Arnaldo foram esvaziar algumas garrafas que também conseguiram comprar à parte, servindo amigos que vieram e tinham em comum, as primeiras trezentas pessoas no lugar fizeram muito barulho enquanto aquele jogo conseguia entreter um público que em paralelo escutava boa música, compartilhada por alguns dos integrantes que estariam na Praça Olímpica, onde realizar-se-ia as apresentações e podia-se praticar atividades esportivas. A primeira ação de Pascal foi averiguar-se de algumas moedas duas cédulas de baixo valor que ficava com as encomendas. Conseguiu também no banheiro algumas joias. Depois disso ficou com os dois rapazes até o final da partida e da garrafa enquanto não êxtasiavam-se, Thomas disperso na sala de música, Pascal foi tentar uma palavra com ele: - Estou bêbado, vá embora! Pascal foi embora e Ethan e Nathan tentaram falar com ele. Mas os dois começaram a rir da situação, enquanto apercebiam-se que Thomas lia. - Você têm de ser grego mesmo. Pobre, não produz namoradas 111! Nathan ria.

111 Fazendo referência ao território pobre grego e não produzir alimento suficiente para uma população em crescimento, acabando por provocar um amplo movimento migratório durante os séculos VII a VI a.C., em direção aos mares Negro e Mediterrâneo.


- Não, não tente falar que fazemos alusões. Deixe disso e vamos beber, sua amiga está cheia de amigos. - Isso é para outra pessoa, eu quero apenas esperar e quando acabar, fingir que nunca aconteceu. – Fazia sentido para ele apesar de não fazer sentido para nenhuma outra pessoa e assim foi o que aconteceu no disparate seguinte, o grande tumulto ocasionado pela partida entre Julienne e Shaun, marcada de acusações e debate. - Você parece trotskiana. - Um agente de Stalin matou ele no México e você quer falar sobre isso? - Jogue logo e não seja covarde! Ela vencia o jogo por alguns pontos e ele começava a perder de maneira humilhante, obrigado a algum tipo de submissão que normalmente resolvia-se com um pouco de bebida. Mas Julienne parecia infeliz, espiando pelas lacunas de Shaun, nem ao lugar onde normalmente se encontra o que procura ele conseguia aperceber-se do possuído ciúmes que tomava ela. Tudo o que ela via era voltado para o verdadeiro, duma vez, dentro dela, metida já na boléia, deixou-se a falar sobre os seus e a levantar os olhos com uma curiosidade tôla para com os sentimentos de Shaun: - Você não presta! - Você parece uma bêbada! - Jogue covarde! O ponto foi disputado e a maioria sentia-se bem, ouviando boa música, cada vez mais um irmão ou outro, destacava-se parente de bom gôsto musical que muitos nas praças consideram ser mais que tendências deveras discutida anteriormente na prática, os poucos que falavam, falavam entre si e falavam bem, tanto que comentava-se e os ruídos faziam alto-falantes para as luzes diante da partida, o ponto foi disputado e Shaun teve voz novamente. Enquanto ele podia espiala, fazia esperar apenas para ver sua sege, era impossível não vê-la como uma princesa. - Você vai voltar e ficar com seus amigos rústicos da fazenda? - Não diga besteiras! Shaun tinha um problema com o seu futuro, ele concorria abertamente para uma viagem para fora do país e realizar um tour específico e regular para Virgínia, estudar educação e política base segundo a religião cristã, aprendendo a desenvolver o seu


pensamento teórico e prático do Século XXI. A civilização romana e seus aspectos jurídicos112. - Eu não ‘’preciso’’ ir. - Quer dizer que você pretende ir não é mesmo? E quando ia me contar? Eu haveria-me de saber pela sua ‘’namorada’’ de lá não é mesmo? - Você não sabe o que diz! Ela referia-se a Melissa, a repórter local que disponibiliza de grande número de seguidores, acompanha o seu principal concorrente que já encontra-se lá, devido sua folga estudantil e recursos financeiros. Foi quando Julienne entristeceu-se e subiu para o quarto. Ele foi atrás dela. O desastre era praticamente completo, ela estava triste, um pouco bêbada e ele procurando lhe confortar, não deixava de lhe beijar. Não eram os únicos no andar, ignoraram alguns transeuntes, pessoas que estavam aglomeradas no corredor esperando o banheiro. Thomas recitava uma ou outra coisa em português traduzido do russo: ‘’E que alma senão a minha há de amá-la tanto’’. De certo algum daqueles poemas que nunca veriam a luz do dia ou da noite, ele não prendia-se a nada. Talvez por isso seu pai estava alegre, agora que iria ser avô, apadrinhara Shaun, e bem, não era mais um problema seu, estava ficando cansado e alguns amigos já organizavam alguns planos, a maioria já saíra, o barulho de carros chegando e saindo foi em demasiado por algum tempo e a maioria das pessoas já estava indo embora quando alguém gritou: ‘’Bandido!’’ Pascal havia sido pêgo tentando furtar uma gaveta no gabinete de dentro da casa. ‘’Folha’’, cômo era conhecido por todos que testemunharam, verdadeiro nome não foi revelado por virtude de segurança, asseguraram que Folha correu para fora e começou a gritar, até que o homem um pouco bêbado, foi derrubado na escada, enquanto: ‘’um mundo de coisas’’ saía de seus bolsos. Segundo os investigadores, um saco de lixo em suas calças foi encontrado. Todos conseguiram trazer-lhe para a frente da casa, espantados, Marcelo e Aguiar ajudaram Thomas, enquanto pensavam no que fazer. Foi

112 Ênfase especial ao direito romano, a grande criação desta civilização. Focalizando o legado de Roma à civilização ocidental. Visão de conjunto de toda a civilização grega antiga, o mais documentado estudo das civilizações pré-helênicas. Ênfase especial à Filosofia, a mais maravilhosa criação do espírito grego.


quando Julienne e Shaun desceram. Marcelle admitiu que não escutou nada. Justificou a gravidez. Henry a bebedeira. Perdera-se na horta, justamente onde Jack havia conseguido adentrar-se, pelos fundos, por uma das janelas, que apesar de fechada, apenas o Sr. Guizelline poderia trancá-la, neste momento da investigação a suspeita do envolvimento sobre um dos membros da família encerrava-se, logo que Thomas admitia inocência e era crível, tamanho medo e arrependimento. Fizera o homem de entrar e então a primeira testemunha, Patrícia admitiu que viu uma sombra adentrarse, pelo vão central da casa e a sala de jantar. Ele não se escondeu, poderia na sala de música, ter feito uma cena de guerra, mas apenas procurou negociar. O homem adentrava e Juliana tentou com o celular filmar, mas ele apontara a arma para ela e Shaun fez de protegê-la. Thomas armou-se com o homem, fazendo refém. Não conseguindo Ethan e Nathan evitar o disparo. A parte mais fácil depois dos testemunhos foi a repercussão interna que haveria segundo a gravidade do ferimento. A família de Shaun ficou muito preocupada e Sr. Guizelline fez o débito da situação. Os investigadores acreditam que caso não houvesse o testemunho de Folha,os ladrão não obteria grande êxito, uma vez que segundo os indicadores policiais, uma ronda policial faria sonda aquela noite, pois recebera aviso de barulho. Ele também não encontrara muitas coisas de valor até chegar no gabinete do senhor Guizelline, onde entre os objetos, alguns anéis, joias, diamantes e pedras preciosas, um conjunto fácil de roubas, estipulado em milhões de reais. Sr. Guizelline fazia alusões, mais uma de suas brincadeiras com o alfabeto e com os números, sobre acontecimentos no mês de julho, por exemplo citando a famosa data do dia 2 de 1823, quando ‘’Tropas brasileiras evacuam Salvador ocupanda por tropas portuguesas113’’. - Em 1947 a Rússia recusa-se a participar do Plano Marshall. – Citou Sr. Nelles, que havia feito suas pesquisas, que costumeiramente faz quando coloca o seu terno para agradar. - Em 1917 temos o golpe comunista frustrado em Petrogrado114.

113 Sob o comando de Madeira de Melo. V. Guerras da Independência. 114 Hoje Leningrado.


É para Sr. Guizelline mais uma daquelas conversas que ele costuma agradar os pensamentos. - Em 1924 eclode em São Paulo um movimento revolucionário chefiado pelo General Isidora Dias Lopes 115. Mas Sr. Nelles não conhece ainda o seu cliente muito bem, e sua congruência em repetir Napoleão e Companhia de Jesus na mesma sentença, fez Sr. Guizelline entristecer-se por dentro de raiva, enquanto o homem falava do proibimento do funcionamento de tipografias no Brasil, lembrava a morte de Castro Alves, a viagem de Vasco da Gama, a entrada de Luís XVII em Paris, depois da deposição de Napoelão, a criação da Província do Brasil, da Companhia de Jesus, o homem só faltou falar da Revolução Constituicionalista de São Paulo. Mas Sr. Guizelline deveria antes encaminhar os tempos e falar sobre a elevação de São Paulo à categoria de cidade. E falta de pontualidade do assunto sobre séculos das luzes e a saída dos jesuítas de São Paulo no século XVI116, e a Tomada da Bastilha117, fez os homens trajar-se de costumes e trouxas hábitos que faziam-lhe preso a quem era. Os homens eram de fato bons negociadores, e o Sr. Guizelline sentia falta de Shaun, ponderando-lhe, falando-lhe abertamente da Sagração e coração de D. Pedro II em 1841, da instauração maçônica no Brasil118, da expulsão em definitivo dos jesuítas119, da inauguração da Academia Brasileira de Letras120. De algum nome esquecido. Mas não encontrou até o final do jantar. Thomas ensaiava algumas notas padrões e no interlavo, discursava entre melodia e outra, versandolhes até encontrar a postura certa para dar início a nova, sem contradizr ritmo, etc. Tivera muito estudo e preparo para conseguir harmonizar tudo. Alegria e felicidade, o riso cristalino, o escritor e o inglês bebiam e serviam-se bem da comida, mais ainda fazia aquele atabalhoado sem sentido, expressão que convenções assim procuram

115 Contra o Presidente Artur Bernardes. 116 Depois da declaração da Santa Sé, favorável à liberdade dos índios. 117 Início da Revolução Francesa. 118 1797 (Bahia). 119 Dia 21, 1840. 120 1897.


curar, e o Sr. Guizelline fizera de tudo desde Marcelle para educar segundo, muitas vêzes, sem sentido, a família é aquilo que passa a natureza com o seu cinzel definitivo, aliviando as massas passadas, destruindo a grosseira simetria entre a riqueza e a pobreza da planificação simplória e nua da verdade, infundindo maravilhoso calor a tudo o que foi organizado com a frieza hierárquica de uma ordem limpa e meticulosa. Era uma forma complexa de ver as coisas, mas era isso exatamente que via o Sr. Guizelline ou não. Após uma ou duas voltas no refeitória, apenas de bom grado, fizera Felipe para encontrar Thomas, e quando lhe pareceu Evans com sua namorada, agora ainda mais taciturna, um môfo esverdeado já recobria suas pálpebras cansadas de tanta atenção, procurou concentrar-se em um sem-número de hipérboles que constrói assim grandes paródias e procurou envelhecidamente não apegar-se. Uma vida intensa e de grande escala requer um músico, cômo uma nota passada sempre disposta a ser ouvida. Alguma indicação de amor? Apenas aquelas que as aparências da vida conseguem, encher o lugar, a vida a nosso redor. Em suma, tudo era belo, nem a arte, que alivia, seria o grande portal para algo que não emprestasse sua beleza, já, durante algum tempo, percebia-se o vulto, mas a discussão, tem hora, e parecia trancado as bocas em frutas, melancias talhadas, focinhos de javalis, ovos de codorno e perdizes em excesso, esturjões inteiros e em postas, salmão, caviar prêto e vermelho, arenques, filés de esturjão defumado, línguas de fumeiro, queijos diversos, a carne e pastéis de cogumelos, frituras, bolinhos de coalhada e queijo, além do peru recheado, tradicional. A cozinha durante um momento foi aplaudida de pé por todos os hóspedes e convidada para juntar-se ao salão, Jenny agradeceu e folgou à todos. Smith é claro, mesmo de folga para jantar com suas filhas, estava sempre de pé auxiliando. Ele que não pôde sentar-se com elas, pois era o principal homem depois do salão, foi ficando mais à vontade para conversar com elas as novidades. - E depois de mim, esperem, vou ficar com Deus também. – Falou para as filhas. ‘’ ‘’Convence-te de uma idéia, e morrerás por ela, nem é outra a grandeza dos sacrifícios, mas se a verdade acerta com a convicção, então nasce o sublime, e atrás dêle o útil 121’’.

121 Machado de Assis. Aires. Esaú e Jacó. Memorial.


A recepção e ademais funcionários, George, Yolanda, avieram e apercebeu-se Smith de Evans, que notório, assustado, tentou algo de longe, Thomas que não tira-lhe da cabeça, vira quando Smith aproximou-se, substituindo notas vazias de Vinícius de Moraes e o peru glu glu! Porvir um soneto de fidelidade. A conversa à mesa parecia que não iria acabar e Felipe acabava discutindo com o pai, que com o Sr. Guizelline parecia agora disposto a mostrar algum tipo ‘’melhor’’ que até então havia demonstrando, de maneira inútil, Sra. Guizelline e Bruna nada faziam. Julienne e Shaun pareciam começar mais uma daquelas conversas sérias sem sentido algum, que eventualmente agora entendiam cômo fundamentais dentro do relacionamento. Sinônimo para ela de cavalheirismo para com sua postura era os arredores que atingiam-lhe o âmago familiar. Evans levantou-se com Smith ao seu lado e desculpou-se com a mulher, mais com as palavras do que com o que havia elaborado dizer-lhe. Nada poético, o homem sentiu-se mal, quase caiu, Sr. Smith que com Bill superviosionavam, atentaram-se, Bill não, ficou afastado. Smith não deixou o homem dizer as palavras que queria, recitando alguma coisa que não entendia bem. - ‘’Pelos meus serviços!’’ – Brandava o homem. - ‘’Garantindo um verdadeiro banquete’’. – Falava uma das famílias com as quais Clark brincava com o filho. Os convivas tendo ainda cada um separadamente os seus feitos, muita comoção dando o laço para o arquiteto sentir-se abraçado, apressando-se a correrem ao encontro de seus próprios fins e saudações, o escritor e o inglês pareciam também felizes e agradáveis, enquanto começavam a notar em algumas hóspedes mulheres do hotel, a maioria acompanhada ou em grande número, nunca se via mais do que os hóspedes casuais em convenções e ademais eventos o hotel era muito circulado por ademais convidados e convivas da ilha. E o ar, o que se ouve não são as canções que costumávamos ouvir e o som que Thomas emanava do piano, ele mesmo alternava sem saber melodiar, e tinha os membros curtos, enquanto o jantar prolongava-se, parecia sentir-se fitado, imóvel, linhas eternas enquanto todos dormem, para logo se ver, e há a lua. O luar. Atração que enlêvo. Mas sôbre sua cabeça já cada palavra estranhava, duma par de botas para um fascínio residente, o que mais ele tinha? Um calafrio agradável em seu corpo. Sentindo sobre si o peso de toda uma canção, que metal polido podia


o brilho comparecer-se aos de seusolhos, sobre si, o pobre peito que habita coração que é mais vizinho do que nosso quando aprende-se habitar-se não habita-se mais quando bate-se por quem ama, que viés sombrio, semelha laços com a escuridão, mas a noite, Que é isso que me chama? Espremido no canto, Bill fez o avante para Thomas, que não encontrou outra condição: - ‘’E que alma senão a minha há de amá-la, tanto que aspira a embriagar-se, o inferno que na alma há, senão a vertigem, há que maravilha-se, que não se pode maravilhar! Que há que faz voar dois corações de encontro ao outro122’’. Evans encontrou tempo para namorar Sheyla, as palavras estavam aí, e ninguém mais do que ele queria saber delas, pensando consigo que talvez assim conseguiria fazê-la feliz. Seria certo ou não proclamar estas coisas, se tudo estava escrito e dito por que não? Pensava ele. A opinião não é ofensiva, fôra íntimo que reside a certeza que fizera a composição, talvez bem desconhecido autor é verdade, que não se cala pela vida inteira, pressentiram algumas môscas pela comida, e lá se vai, uma nova e rica fonte de recursos, uma existência se encerre naquilo que o homem ergue da Terra. Extrema ou não disposição para falar baixezas, o menino se envergonhou, uma vez que sábias palavras antes o teriam inteiramente horririzado e ridicularizado alheiamente, às vezes alguma verdade amarga ajuda, se convém mostrá-lo? O disposto, vendendo, faça inteligência, pudesse Bil ter encontrado mais, logo que tudo aquilo parecia ter não sido de muito agrade, fôra de ficarem contentes os inquilinos com a demonstração de canto e beleza por parte das, ‘’confesso’’, ao terminar com aquilo, por que ele não saiu de um ovo123? Shaun ainda parecia com o Sr. Guizelline algum tipo de resposta, destas que se assomam e assolam nas bocas de alguns patriotas, com o aumento dos impostos, endemoninhado pela República e ainda, cômo se fosse numa janela,

122 ‘’Aspirações fugídias, sobre a cabeça de encontro nuvens ligeiras e a lua imóvel sobre elas. As palavras o vento já levara e ao longe, no horizonte, ‘Meu Deus que imensidão’. Relacionava-se com as belezas que rodeavam a sua existência e assim passava o seu tempo’’. N.V.Gogól. 123 Cômo um pássaro.


no fim, a modesta e que não se fale de alguma filosofia, o aumento da classe proletariada só fazia de ninguém fazer o mal, mas nada de Pátria amada. - Ao inventar alguma mentira Sr. Nelles? Sr. Guizelline sabia d’outra coisa oculta por trás delas. - Por gue guardarei silêncio? - Também sou suficiente de tudo! Inesperadamente, assim passava a vida. E Thomas continuava no fim de algum poema, colocando-se de repente, algum problema nova, como êste, o tiro que feriu permanentemente Shaun, acertou por fim uma funerária cerâmica complexa da fase marajoara, onde continha as cinzas do pai do Sr. Guizelline. Victor Hugo sabe muito bem como poeta, Mas da inconsequência não diria, pois não diria-se Pecador. Só os vivos podem amar, E só é feliz quem gosta de Viver. O amor não começa na Aproximação do homem Com a mulher, mas na Igualdade entre ambos. E se a felicidade se divide Eu não quero ser mais feliz Que ninguém. Todos os dias bosques Que não existem, que Nunca poderíamos ter Passando a viver sabendo que condição Não se define senão com estado de escolha Amor não se faz por um impossível.


- No nosso bairro há uma enorme quantidade de homens que se situam entre o patrão e o operário! – Exclamava Sr. Guizelline. ‘’Eu aprovo’’. São trabalhadores, ergueram nossas cidades, fazem o presente movimentar-se, encaminhados por homens, são tratados como operários que empregam. Sra. Guizelline via com bons olhas a conversa: - Como todos se conhecem, parecem interessar-se muito por política124. Sr. Nelles desviava o assunto falando sobre a brevidade da vida e também a Schellin, que considerou o belo como a harmonia do finito com o infinito, da existência fatal com a actividade livre. - Eu sou praticante de Yoga e admiro essa arte. – Seu comentário Animou Bruna e Sra. Guizelline. E as duas haviam pensado especialmente em um momento cômo esse para sugerirem duas novas pautas para ele, a primeira, Bruna, comentou sobre o ‘’maior segredo do Vaticano’’ e Sra. Guizelline sobre uma navio do século XVIII que emergiu no Estado de Virgínia125. Shaun tinha algum certificado político em Virgínia e não interessava-me mais do que considerava um código de honra moral entre os homens em que não idealizava nenhum tipo de acordo que não pudesse ser fielmente debatido. Introduzindo a possibilidade de um ouvinte, um alguém que Shaun sabia, mal tivera tempo de concluir seus pensamentos, Sr. Guizelline estava novamente atento exclamando acentuando ainda mais a conversa com Sr. Nelles, ambos movidos por não saber dizer qual razão, Carolina levantara-se e Julienne logo em seguida. A sós consigo enquanto Sr. Nelles tentava na verdade passar a vida com um ‘’grande elefante’’, vivendo uma mentira, sabia que poderia muito bem, mas não seria de modo abestado que conseguiria bons resultados e falava Sr. Nelles, cômo nisso os estrangeiros perdem para os russos. - E seria uma desgraça dentro do jornal todos ficarem sabendo, não é mesmo?

124 Ibid; p.45. Texto original: Relatório de Achille Leroux, Fonds Enfantin, Ms. 7816. V. Referências Bibliográficas. 125 Estados Unidos. No mesmo local foram encontrados os restos do primeiro prédio público da cidade de Alexandria. V. Revista Galileu O Globo, Ciência, notícia, 2016.


Sr. Guizelline não acreditava, como, a casca dêste ovo poderia ser grossa, nem um canhã a furaria, seria preciso inventar uma arma de fogo. O outro que se interessava era do grupo dos alemães, que bebiam, costumava responder o pai ‘’deixa o menino é travesso’’ dizia um deles, a fim de dar uma modesta, estavam animados com as festas fora do hotel, a maioria dos jovens que lhe circulavam estariam, mas não é aqui que está o essencial. Os servos entre si, perguntavam e reduziam tudo a: ‘’Se bem que de resto é de boa índole’’. Falando sobre o pai de Felipe e sobre Thomas: ‘’Que é que há com esse menino, que está endemoninhado!’’ - Só porque me ocupo com questões filosóficas não sou um bom pai? Que nome você daria a um cachorro? - Ser repugnante! Não sabia fazer nenhum movimento suave, e a toda hora parecia com o nariz e o peito inchado, tumores, hematomas internjos, a fim de ficar quieto e não surrá-lo, as palavras da cidade sabiam iriam chamá-lo. - Não ocupando-se com nada deixa de ser um pai! Era o que havia de errado com o Sr. Nelles, que no fundo tendes medo de admitir, não habitava nenhum outro paralelo seja com o seu filho ou não. Para onde olhava, via uma incógnita, e ele, ou não, quem foi que a inventou126? Mas em compensação que encanto. Gostara tanto das novidades, um sonho modesto, que refletiu sobre o arpoador, e nenhum mistério, começaram Shaun e Henry conversar sobre um livro e seus contos, um livro modesto, para amadores, e não protestava não reclamar em ordem e certos os títulos, Henry por virtude de um mal-estar de Marcelle levantou-se. Sra. Guizelline também. De soslaio, o salão parecia inteiro vazio, sobrando apenas aquela disputa de: ‘’Se não queres comprar a dinheiro, tenho outra idéia, ouve...’’. E já sabia de que espécie era, senão fincasse os pés no chão iria aceitar, em troca de mais uma vez não querer nada e por isso bastar, algo que se faz entre bons amigos, apostaram tudo que tinham sem nenhum barulho. - ‘’Ah, que o diabo vos carregue!’’

126 ‘’Para que mostrar a pobreza e outra vez a pobreza, e a imperfeição da nossa vida, desenterrando personagens de perdidos cafundós, de recantos longínquos da nossa terra?’’ (N.V.GOGÓL).


Sr. Guizelline ainda obtivera tempo de obstruir a saída da Sra. Guizelline, uma vez que Carolina havia voltado, Julienne em seguida, ambas apenas indo destacar alguma peculiaridade que os anos da infância não foram suficientes para acabar, tudo lhe espantava, qualquer coisa muito interessante, as casinhas térreas, janelas falsas, províncias, vindo de sabe Deus, só Deus sabia e ele também, que olhava para Sr. Nelles como se olha um oficial da Infantaria e Sr. Nelles não parecia gostar. A conversa com Julienne, Shaun não sentia sair-se muito bem e não era apropriado entendia Bill prolongar o jantar por qualquer problema, mas não tinha custos com Thomas e a cozinha tinha sido liberada, virtude da celebraão, com tôda a razão a chuva não era esperada, as toras das isbás estavam velhas, todas as casas da aldeia, muitos telhados estavam furados como peneiras de alguns, sobrava apenas a cumeeira e as vigas laterais como as costelas de um esqueleto. A côr do tijolo velho mal cozido, o trigo, no ar transparente brilhava, e as duas igrejas, de paredes amarelinhas, tôda manchada e rachada, aos poucos começou a aparecer. Parecia um velho inválido sem as suas discussões, mas o que elas diziam sobre ele? - Você não sabe como faz tempo não arranco sarrafos! Aparentemente, com algumas poucas palavras, criamos poucos bons motivos. E havia tempo os espinheiros se agarravam no tijolo e não se sabe por quê algumas isbás russas estavam tortas e enegrecidas de maneira nada pitoresca, conforme a curva, por detrás das pilhas de trigo e dos decrépitos telhados, ora a direita, um assombrado telhado escuro, que nem sempre parecia assim, não a velhice defronte, mas despidos da pintura que os cobrira outrora127. Conversaram da Rússia rica e pobre. Falaram pouco, porque é preciso ter coração grande. E se alguém d’algum porta da igreja conhecia um cristão convicto êsse era o Sr. Guizelline e o Sr. Nelles, não parecia conhecer muito bem o homem cujos depósitos, armazéns e secadouros, podiam render-lhe muito dinheiro a não dar a pobre dois reais, mas talvez porém diante dele, não estar mais um mendigo. E esse era o contraste a meia altura, seja ou uma faixa para a cintura, não havia liga e alguém que desse uma olhadela o assunto não era mais interessante, mal

127 ‘’Em suma, tudo era belo, quando por cima do trabalho humano, muitas vêzes o homem se faz Natureza’’.


preparado, desses de encontrar-se que acorrem todos os dias em Moscou e de que para fim, indagar-se-ia, contemporâneos sobre Gorki e tôda sorte branqueja aquele que vem de semelhantes aos seus. E os sentimentos foram-se esmaecendo acontecendo-lhe fartamente de alimentar o coração. E Sr. Guizelline pelos cotovelos falava mal do discurso do homem, mas Deus sabe que ele levantouse e com tudo que há nele, pediu um minuto de atenção, sabendo que no encalço a sua maldição, não demorou a fingir que o menor das suas preocupações era de que eram a única família ainda presente, não dito, ainda, passou por ele avareza de que não demorou a fugir, seu discurso militar, dos tempos de atleta, o filho mandou não sem mãos vazias, excelentes notas musicais, não menos isentas de culpa. Tendo sido para ele, ainda mais emocionante. De olhos fechados, a cabeça levantada de vez, todos deixaram que a audição se deleitasse, e cômo toda voz ecoa: ‘’Houve momentos em que o coração da gente chega a sentir sonolência mais é de si e não dos outros’’. Parou, em um estágio interior em que de alma própria não saberia dizer nada melhor. Não era uma enfermidade. O que poderia dizer? Que estavam vivendo uma guerra de mentira128? Nesse momento um grande alvoroço acontecia no saguão enquanto as crianças choravam esperando o Papai-Noel que aparentemente não havia aparecido. A germinar no incipiente homem, medo e quase algum tipo de transtorno, Bill veio pedir ajuda. - Eu não posso. Respondeu Sr. Nelles. - Jamais! – Continuou Sr. Guizelline. Todos os hóspedes que quisessem que seus presentes fossem distribuídos pelo Papai-Noel foram avisados de deixá-los no saguão até antes do jantar de hoje com indicações de nomes. Sr. Guizelline havia feito tudo segundo o combinado. Sr. Nelles não. Mas Felipe sim e não podia deixar isso assim. As mulheres não viram escrúpulos nos homens e ficaram com raiva. Pensaram que se trataria de uma oportunidade decente e única na vida, enquanto Angélica ainda estava acordada, apesar de reunida no berçário com as outras

128 Após a Alemanha invadir a Polônia no dia primeiro de setembro de 1939 os britânicos e os franceses não demoraram em declarar guerra contra os nazistas, no entanto, nada aconteceu. V. Referências Bibliográficas.


crianças, as enfermeiras e o médico que também trabalha no hospital local, que não ficaram, responsabilizados por ela e mais duas outras crianças, também depois é claro, tiveram tempo para jantar e acompanhar um pouco da festa, uma delas viera assegurar-se de que Angélica deveria acompanhar as festividades ou então, pensou que poderia levá-la consigo no colo. Igual um jogador falido, Felipe viuse disposto à mais essa oportunidade, vendo-se ajudar algumas outras crianças, Clark e Cécile gostariam de participar, o Hotel disponibilizou ‘’lembranças’’ para os hóspedes, notáveis passagens culturais, cartões-postais, pequenos brinquedos, algo para lembrarem-se com carinho de todos os funcionários. É algo que fazem a cada nova sessão. Percebendo-se a propriedade do assunto, foi imediatamente com Bill fantasiar-se e Vera cuidar com Bruna e Sra. Guizelline de Angélica. Ninguém morreu, mas um alemão ficou assustado e começou a gritar: ‘’Tora! Tora! Tora 129!’’ E Smith foi obrigado a conferir o pequeno incêndio no extremo do hotel, tamanha vontade afastada do vento de mostrar sua nova morada. E por cima dele ainda era possível ver a fumaça. Servos domésticos ajudaram-lhe com a mangueira que demorou-se, mas precisa, contribuiu, imediatamente, disparate, uma desavença qualquer sobre, e tudo resolvido voltaram. Por um momento, Thomas pensou que seria o último no salão: - ‘’Floresta que canta, gritos de amor, que por lembrar o que tinha esquecido, com alguma de presente entre os convivas pensou ouvir mas não ouviu e infeliz tu eu não te deixo’’. Ele fêz até algumas surprêsas agradáveis para si mesmo, com trejeitos de bôca e de sobrancelhas, chegando a tentar alguma coisa com a língua, ele foi de encontro ao seu herói interior, expressando tudo aquilo que podia. Felipe ia bem, é verdade, todos gostavam muito e Angélica sorria o seu primeiro natal.

129 O Japão escolheu atacar Pearl Harbor especificamente em um domingo por pensar que os norte-americanos estariam menos alertas nesse dia, ‘’de descanso’’ no Ocidente. Então, quando o Comandante Japonês Mitsuo Fuchida gritou as famosas palavras (‘’tigre! Tigre! Tigre!’’ em tradução livre) ele estava informando os seus compatriotas que a base naval sobrevoada havia realizado ataque e que tinha sido ocorrido como planejado. Resultado, todos os navios de batalha norte-americanos foram danificados e até afundaram.


Thomas prevendo que devesse continuar, não parou até o final da troca de presentes, com algumas canções natalinas. ‘’Jesus passa por ele, é verdade, De Nazaré ou Belém, o Jordão, Sei que fica pelas redondezas. O Amazonas? Que loucura, É o Jordão sem dúvida nenhuma. Punham a sua felicidade onde não podiam alcançá-la. E as grades que me coração preso, desejei que Morressem ali comigo. Acima de nós Deus. E a minha tristeza aumentou filho de Deus, Tudo bem, meu amor acompanhou seu caminho, E a história de nós dois não foi escrita, por que Ninguém precisou saber130’’. Todos foram convidados novamente para juntarem-se no salão e os funcionários entre si também parabenizaram-se. A famíllia Guizelline tinha o costume de trocar cartões. Não era mais uma questão contratual, Thomas podia observar atento nas alegrias fraternais, as crianças, até mesmo Felipe, que recebia e trocava presentes com sua família, o escritor e o inglês o restante dos hóspedes em paralelo, Evans e Sheyla, ‘’qual o sobrenome dele?’’ – Perguntava-se Bill para Smith, nenhum dos dois lembrava, mas precisavam falar com eles sobre algo de interesse d’ambos, por duas vêzes hóspedes reclamaram de barulhos internos, mas parecia pela felicidade que o melhor momento para tratar desse assunto seria de total constrangimento. Para ocultar sua perturbação inicial, Sr. Nelles foi consolar um pequenino Jesus de três palmos, que chorava, perdido e amuado com uma alpucata. De menos, o resplendor caído para a nunca, as chagas das mãos diluídas em lágrimas. Empédocles, referindo-se à guerra, não o fêz só no sentido técnico. ‘’Paulo, no começo da Ilíada: ‘Musa, canta a cólera de Aquiles, filho de Peleu, cólera funesta...131’’. ‘’Sobre o amor, não está nada escrito o amor

130 Machado de Assis. 131 Esaú e Jacó. Machado de Assis.


termina, a utopia desaparece, a paixão aparece’’. Pensou consigo mesmo. Sr. Guizelline aproximou-se dele e entregou-lhe um presente. Havia solicitado que Smith lhe guardasse. Smith também recebeu presentes e o maior deles foi a oportunidade de estar com suas filhas. Na manhã seguinte, Dustin foi atrás da garota por trás do vídeo e conseguiu despencar do mais alto cume, ao ela lhe revelar que terminou o relacionamento com o rapaz. Na mesma noite. ‘’Não é cômico?’’ – Indava ele com Reginald, Ezequiel e os rapazes. ‘’Será proveitoso para você aprender a não ficar esperando nada em troca dos outros’’. Ezequiel comentava. Ele também era outro que na mesma oportunidade tinha certeza faria de tudo para conseguir direitinho empanturrar-se e fazer tudo no bem abafado para não perder o pouco de respeitabilidade que tinha na cidade, seus problemas com a administração só não são piores pela larga amizade local entre os funcionários e a população cuja discussão de terrenos já alcançaram níveis federais. Por uns dois dias, regiões adjacentes vindo d’alguma aldeia distante, ‘’se o senhor dispõe de algum tempo livro’’, Sr. Nelles comentava sobre um roteiro turístico fornecido pelo hotel. ‘’Poderíamos rachar as despesas meio a meio’’, olhando para Sr. Guizelline. ‘’Por enquanto não estou bem, pretendia ficar e descansar, passam-se dois dias das celebrações’’, a mente do Sr. Guizelline não estava bem, as poucas informações que tinha sobre a receptibilidade de sua mulher sobre a notícia e a naturalida com a qual tudo prosseguia lhe assustava de certo modo. - O que se passa? - Não é nada não. Pensando em minha casa. - Hipotecada? - Sim, evidente. – Com um leve sorriso procurou trazer-lhe para a companhia do almoço. Sr. Nelles voltou para ele e respondeu: - Sim. – Estavam boquiabertos e de olhos arregalados. Sr. Nelles, um homem rotundo, e nesse momento, Sr. Guizelline a essa altura já tinha refletido bem sobre o assunto, continuando a cumprimentar de dentro da saguão e movimentação dos outros. O escritor e o inglês decidiram ficar no hotel enquanto um ficou escrevendo sobre ações132 sociais e fatos marcantes que ocorreram na data o outro foi

132 V. Referências Bibliográficas.


aventurar-se em um passeio na praia com jovens que conhecera nas pedras. - Estou até disposto a ir. Sr. Nelles animou-se. O escritor ficou preso em algum estudo filosófico. Felipe já tinha acertado de ir e pensavam em todos. Salvo, desde a voz até o mínimo gesto, Sr. Nelles foi com o Sr. Guizelline separadamente procurar-lhes para o convite. O céu desabará ― e pode ser assustador a solidão dentro do coração de um homem. Quando não houver mais terra, não tiver mais braços fortes ― e mais ninguém quiser ficar ― donde ir ― não existirá um só lugar ― não mais. O fogo consumirá as dores, esquentará as dores, a água cuidará da sede e a memória fará a história dos derrotados e manterá os vencedores vivos ― e no ar que respiramos, não será tarde a descobrir... Tão temerosa quanto minha chegada, é o segredo de minha volta ― e não há sequer uma alma que eu desconheça, mas entre elas, a sua ― que reviveu-me, é me mais comum que as demais.No lamento não caíras, em pensamentos não deixará-me, encontrará-me na distância. Dos olhos, e quando não houver claridade para os olhos enchergarem e ainda assim puder ver-me, reconhecerá-me aqui: em nome do nosso amor. Em pouco mais de meia hora, os valentes estavam praticamente perdidos: - Eu sabia que deveríamos ter acompanhado o restante o do grupo. - Sr. Guizelline tem razão, vamos voltar. - Não, não podemos voltar! – Sr. Nelles em seu mapa tinha certeza de uma localização que considerava ideal, emperrado e sonolento, bebeu um pouco de água. Todos haviam estacionado com suas mochilas, e por todos os ludos grudavam-se moscas e insetos, sentindo-se incomodada, Julienne era a mais irritada, sentada, queria que aquele curso terminasse: - Por que não poderia ficar no hotel? Sr. Guizelline: - Já conversamos sobre isso. Vamos voltar antes do almoço! Sr. Nelles entre a distância de dez verstas, não sabia trabalhar com as propriedades, entre as duas, alqueires e no princípio pelo carvalhal, depois pelos trigais que começavam a verdejar e depois beirando a cada momento novas perspectivas, imaginava encontras as montanhas, para no fim, numa rua ladeada de álamos de troncos


protegidos na parte inferior por cercados de madeira trançada, uma lagoa pequena, que poderiam banhar-se. Numa palavra, Shaun e Julienne não entendiam-se. - ‘’Que estado estranho êste dela’’. – Pensava consigo. - Mas deixemos e sigamos. – Falou-lhe Thomas. Henry e Marcelle decidiram realizar a trilha separados. Mas deixemos e depois aqui, vencer a distância, não era o principal objetivo, muito menos o tempo. Sr. Guizelline não queria ofender o Sr. Nelles, mas mesmo com boa intenção começou a indagar e Sr. Nelles lhe respondeu se insinuava-lhe d’algo. Você sabe que aquele velho sou eu, esqueci-me que era morto entre os vivos, chatos, engolem passos e atropelam corações; não esquecime das flores, encontrei tantas; quais são suas flores, quais são suas cores; deixais um perfume; lembrai-me o seu, ausente, em meu cobertor; nas paredes do quarto; conquistara-me; Expiram seu amor; Onde posso deixá-las... Shaun aproveitara os dias seguintes para estudar e procurar progredir com seus trabalhos literários133. Thomas compunha e entregou para Evans, poesias para recitar sempre que quisesse para Sheyla 134. O que são as rosas à esperar...Meu amor em um buquê. Desde que você se foi não há lugar. E se não seu, o nada inteira-me. Meu amor são todas suas, deixei-as em um quadro de Édouard Manet135. Meu amor tem tantas cores, sou eu quando penso, que tantas outras criaria, teu buquê não teria fim. Eu descobri que o mundo pode ser velho cômo eu, recente; e a gente, se conhece, se descobre Mais uma vez. Em qualquer lugar, alguém à acompanhar... Á Um adeus nunca mais. Evolver nós dois, quase uma boca inteira, um adeus nunca mais; sois um lábio com o teu. Uma boca inteira a se perder, em lábios teus um bom lugar. Sois uma boca inteira se a tua encontra, em lábios teus, hei de encontrar-me. Um adeus nunca mais; evolver nós dois, em um nunca mais adeus. Quem não encontrou um sentimento, sabe quando paras; Tem algo aqui dentro que bate bem pertinho do peito da gente,

133 V. Referências Biobliográficas. 134 V. Referências Bibliográficas. 135 Pintor. O autor usa-se na letra, da obra: Olympia.


Que nome ainda Deus não deu, ninguém recebeu. Ouvir-te-ei quando bate. Por você, quando chora, e quer Morrer, Tem tantas outras pra você. Quando corre, para você. quando não vens, sem ter por quê; espera... Uma não fôra o bastante. Tem tantas outras para te dar. Vou guardar uma palavra para te dar. Perdoa-me, escreverei todas que souberem Amar-te. Quando vem... Se você está; Quando esperas... Vamos repensar amor; hei de dizer, você há de aceitar. Amor... Até sozinho eu estou. ‘’A vida o reconquista, ela chegou ao meu coração, escreveu o seu nome, das lembranças que guardei sorri, das que sorri, você, caminhante leva-lhe dentro do coração ‘O sol também se levanta, Extirpa a distância entre nós, e destarte; eternamente encontro-te 136’. O meu medo é perder-te pôr amar-te amar-te tanto, amar por demais, eu quero um tempo sozinho à dois com você, um tempo à Dois sozinho comigo mesmo. Ontem ela chegou, deixou-me a noite, a lua e as estrelas, minutos atrás, ela acordou em uma manhã de amor, está tudo bem, aonde ela vai com essa alegria, o meu presente, amar-te-ei. Amar-te-ei até amanhã, amar-te-ei por causa dele. Medo do silêncio de quando ela vem. O quanto é um amanhã adentro à noite em olhos teus, o quanto é um amanhã para quem viveu um passado teu. Cômo vai você, cômo você volta, o meu medo não existe dentro de você’’.Pertenci-me a primeira vista, aos seus olhos indeléveis, ao adeus indizível, despeço-me à saudade logo que veio, para nunca mais voltar. Tudo bem a gente inventa junto; ajunto o seu tempo com o meu, trêfego, encomendo O pensamento a ti, Hermes137 encarregue-se!’’. Cômo oito colunas coríntias, árvores, que em minha própria vida não encontrei palavras por assim dizer, estou até disposto a ir procurar, à toa, a porta da nogueira da imaginação, de um cômodo entalhado, aberto no vão por si mesmo com a maçaneta de cobre, surge uma ordem viva. Se de súbido acendesse a noite, iluminada por detrás, aquele ambiente reanimado e pensou entra um raio de sol, no

136 HEMINGWAY, ERNEST, THE SUN ALSO RISES. O SOL TAMBÉM SE LEVANTA. 137 Na Mitologia Grega: ‘’Mensageiro de Zeus‘’.


primeioro momento, aquele repentino sentimento poderia abater-se cômo estímulo para toda uma vida. No coração daqueles que tomaram parte. Autoritário, Sr. Guizelline teve coragem de conversar com a mulher sobre os princípios de seus sentimentos, não inspirando, apesar dêste preâmbulo, mais do que os conhecidos defeitos. Amor-próprio, aquelas mesquinharias, quando não se tem o que fazer, agora, ‘’paciência’’ dizia ele, talver servir-se de algo público, ‘’minha eterna companheira’’ dedicava-se ele, e ele mesmo admitia, tenho recebido uma educação, via-lhe o papel perfeito. Nos momentos decisivos, certas posturas com impacto de semblante e magnanimidade, bravura, devem ser tidos e encorajados e ela fez-lhe de uma reverência, extraordinária, aceitando e compartilhando os enfins da notícia, ambos, tanto o respeito como o temos, eram fiéis. Ultrapassavam carreiras, e quando nenhum homem escapa do amor, a mulher apresenta-lhe. Protegido, e que tentativa inútil essa, do Sr. Guizellien, pensava ele. Poderia ter assentado, não havia muito tempo experimentava. Ano vindouro. Onde você deixou seu amor, a felicidade com que duas pessoas, Assemelham-se. Bons sentimentos reaparecram, o sereno afluía. Fim

Capa: Rotunda, estilo art nouveau. ‘’No Brasil a primeira obra em panorama foi exibida, num edifício chamado justamente de Rotunda, na Praça XV da então capital do país (Rio de Janeiro) no ano de 1891 pelo pintor Victor Meireles138’’.

Referências Bibliográficas

138 Wikipédia.


8. No começo de agosto de 2014, um garoto desarmado foi morto por policiais em Fergurson, Missouri (E.U.A). Enquanto a polícia alega que a vítima tenha reagido, testemunhas afirmam o contrário e tópicos como a desmilitarização da polícia e o preconceito racial voltam à tona nas pautas dos jornais do mundo. Nem é preciso ir tão longe, até Fergurson, para presenciar situções que instiguem esse tipo de debate. No Brasil, linchamentos públicos e assassinatos de garotos negros, são muito mais comuns do que gostaríamos – e relevados. Dez frases ditas por homens negros que foram mortos por policiais faz parte de uma série emocionante em que mostra as últimas frases de homens negros assassinados por policiais e lança debate. Todos eles tinham algo em comum: estavam desarmados e não ofereciam nenhum risco à vida do policial. São frases e situações que nos fazem pensar sobre o preconceito que ainda vive em nossas sociedades ditas modernas. Nas imagens, aparecem também as idades do atingidos. John Crawford: ele estava segurando uma arma de brinquedo na seção infantil de um supermercado quando a polícia atirou nele. Antes de cair, John disse: ‘’não é de verdade’’. Jonathan Ferrel, sofreu um acidente de carro e bateu na porta de uma casa de vizinhança para pedir ajuda. Desarmado, ele foi abordado por policiais, que atiraram doze vezes, acertando dez balas em Jonathan que, enquanto agonizava, ainda foi algemado. Amadou Diallo morreu na frente de seu apartamento no Bronx, após receber dezenove tiros. A polícia o confundiu com um estuprador. Momentos antes do incidente, ele havia ligado para sua mãe e dito suas últimas palavras: ‘’mãe, eu estou indo para o colégio’’. Oscar Grant, foi retirado à força de um vagão do metrô de Oakland por um policial. Enquanto estava no chão, imobilizado, um segundo policial atirou em suas costas. Enquanto ele morria, gritou: ‘’você atirou em mim. Você atirou em mim!’’ Segundo o autor do disparo, o objetivo era usar o taser, arma do choque, e não o revólver. Oscar estava desarmado e não havia feito nada que justificasse sua retirada do vagão. Kendrec McDade, após uma falsa denúncia para o telefone da polícia, Kendrec foi avistado em um beco por policiais. Apesar de


estar desarmardo, foi alvejado e morreu. Suas últimas palavras: ‘’Porque você atirou em mim?’’ Eric Garner autuado pela venda ilegal de cigarros, Eric foi abordado por policiais, que o prenderam literalmente pelo pescoço. O homem que sofria de asma tentou avisar, dizendo ‘’eu não consigo respirar’’, mas o alerta foi em vão e ele morreu. Segundo o laudo, o sufocamente foi o fator determinante para sua morte. Kimani Gray, ao ser abordado por policiais em uma rua do Brooklyn, Kimani não portava nenhuma arma, segundo testemunhas. Mesmo assim, recebeu sete tiros. ‘’Por favor, não me deixe morrer’’ foram as últimas palavras deste garoto de dezesseis anos. Michael Brown sem portar arma alguma, Michael foi alvejado pela polícia, levando dois tiros na cabeça. ‘’Eu não tenho arma nenhuma. Parem de atirar’’, foi sua última tentativa de sobrevivência. Sean Bell, ele iria casar e voltava de sua despedida de solteiro com os amigos Joseph e Trent. O grupo acabou batendo em uma minivan, de onde saíram quatro policiais à paisana. Sem se identificar, os policiais atiraram 50 vezes, contra o carro dos amigos, atingindo-os. Joseph olhou para Sean e disse: ‘’Sean, eu te amo’’. Sean respondeu: ‘’eu te amo também’’ e faleceu. Trent e Joseph sobreviveram. Trayvon Martin, ele estava falando no telefone quando foi atingido por uma bala de revólver. Rachel Jeantel, que estava do outro lado da linha, pode apenas ouvir: ‘’Por que você está me seguindo?’’ Antes do disparo. 23. John Koening, artista estadunidense, a tentar transcrever as tristezas do coração e de outros lugares obscuros, e depois nomeálas, foi motivação para criar The Dictionary of Obscure Sorrows; O Dicionário das Tristezas Obscuras; que é um grande compilado de sentimentos até então nunca ditos... Porque ninguém sabia como dizê-los. Por exemplo: Lachesim: o desejo de ser atingido por um desastre – sobreviver a uma queda de avião, ou perder tudo em um incêndio. Adronitis: frutrar-se com a quantidade de tempo necessário para se conhecer bem alguém. Ambedo: um tipo de transe melancólico no qual você se torna completamente absorto por pequenos detalhes sensoriais – pingos de chuva escorrendo pela janela, árvores altas se dobrando lentamente com o vento, espirais de creme se formando no café – o que, por fim, leva a uma avassaladora


constatação da fragilidade da vida. Anemoia: Nostalgia de um tempo no qual você nunca viveu. Kenopsia: a atmosfera misteriosa e desamparada de um lugar que normalmente está cheio de gente, mas que agora está abandonado e quieto. Kudoclasm: quando os sonhos de uma vida toda são trazidos de volta a Terra. Lutalica: a parte de que você não se encaixa em categorias. Liberosis: o desejo de se importar menos com as coisas. Opia: a intensidade ambígua de olhar alguém nos olhos, e sentir-se simultaneamente invasivo e vulnerável. Vemödalen: medo de que tudo já tenha sido feito. The Bends: a frustração ao perceber que você não está aproveitando uma experiência tanto quanto deveria. Zenosyne: a sensação de que o tempo está passando cada vez mais rápido. Aimonimia: o medo de que aprender o nome de algo – um pássaro, uma constelação, uma pessoa bonita – vai estragar tudo. Transformando uma descoberta do acaso, em uma casca conceitual vazia. Waldosia: olhar para todos os rostos em uma multidão, procurando uma pessoa específica que não teria motivo algum para estar aí. Vemödalen: frustração ao fotografar algo incrível quando milhares de outras fotos idênticas já existem. Trumspringa: a tentação de sair da sua meta de carreira e se tornar pastor de ovelhas nas montanhas. Sonder: dar-se conta de que cada pessoa tem uma vida tão vívida e complexa quanto a sua – populada por ambições, amigos, rotinas, preocupações e loucura. Scabulous: sentir orgulho de uma cicatriz. Como um autógrafo dado a você pelo mundo. Rückkehrunruhe: o sentimento de voltar para casa depois de uma viagem imersiva, e perceber que toda a experiência já está desaparecendo rapidamente da sua consciência. Reverse Shibboleth: a prática de atender o telefone com um ‘’alô?’’ genérico, como se você já não soubesse quem está ligando. Onism: a frustração de estar preso em apenas um corpo que habita apenas um lugar por vez. Occhiolism: dar-se conta da pequenez da sua perspectiva. Com a qual você não tem como chegar a qualquer conclusão significativa sobre o mundo, o passado, ou as complexidades da cultura. Énouement: a sensação agridoce de ter chegado no futuro, visto como tudo aconteceu, mas não ser capaz de contar para o seu ‘’eu’’ do passado. Exulansis: a tendência de desistir de tentar falar sobre uma determinada experiência porque as pessoas são incapazes de se relacionar com ela. Gnossienne: o momento em que você percebe que alguém que você conhece há anos tem uma vida interna, privada


e misteriosa. Ellipsism: Uma tristeza por não ser capaz de saber como a história vai terminar. Anthrodynia: um estado de exaustão ao perceber o quão horríveis as pessoas podem ser umas com as outras. Jouska: uma conversa hipotética que você repete compulsivamente na sua cabeça. Kairosclerosis: o momento em que você percebe que está feliz – e tenta conscientemente aproveitar essa sensação – o que obriga seu intelecto a identificar e colocar a sensação em um contexto, onde a felicidade lentamente se dissolve até se tornar pouco mais do que um retrogosto. Ecstatic Shcok: a onda de energia que surge ao olhar de relance para alguém que você gosta. Chrysalism: a tranquilidade confortável de se estar dentro de casa durante a tempestade. Anecdoche: uma conversa em que todo mundo está falando mas ninguém está ouvindo. Anchorage: o desejo de segurar o tempo enquanto ele passa, como tentar se segurar em uma pedra no meio de um rio com muita correnteza. Lalalalia: dar-se conta, enquanto fala sozinho, que outra pessoa pode estar escutando, o que o leva a rapidamente transformar as palavras em algum cantarolar sem sentido. Lapyear: a idade em que você se torna mais velha do que seus pais eram quando você nasceu. Lethobenthos: o hábito de esquecer o quão importante uma pessoa é para você, até o momento em que você a encontra pessoalmente. Liberosis: o desejo de se importar menos com as coisas. Mimeomia: frustração ao perceber o quão facilmente você se encaixa em um estereótipo. Monachopsis: o sentimento sutil, mas persistente de estar fora de lugar. Moriturism: perceber, como um solavanco durante um momento de insônia, que você vai morrer. Nementia: o esforço que vem logo após um momento de distração, para lembrar porque é mesmo que você está se sentindo irritada, ou ansiosa, ou animada. Nodus Tollens: dar-se conta de que o roteiro da sua vida já não faz o menor sentido. Avenoir: o desejo de que as memórias fluíssem de frente para trás e você pudesse ver como será o futuro. Ballagàrraidh: a consciência de que você foi domesticado e não se sente mais em casa estando na natureza. Dés Vu: a percepção de que um dia isso irá virar uma lembrança. Gnossiene: o momento em que você percebe que alguém que você conhece há anos tem uma vida interna, privada e misteriosa. Lutalica: a parte de você que não se encaixa em categorias. Yu Yi: o desejo de sentir algo intensamente de novo. Altschmerz: se cansar com os mesmos velhos problemas


que você sempre teve – as mesmas falhas e ansiedades que você tem roído por anos, o que deixa esses anos encharcados e sem sentido e inertes, sem nada interessante para pensar. Catopctric tristesse: a tristeza de nunca saber realmente o que as outras pessoas pensam de você. Dead Reckoning: encontrar-se incomodado pela morte de alguém mais do que você poderia esperar, como se você tivesse assumido que essa pessoa seria sempre figurante em sua vida. Heartworm: um relacionamento ou amizade que você não tira de sua cabeça. La gaudiére: o brilho de bondade dentro das pessoas. Mahpiohanzia: a decepção por ser incapaz de voar. Mauerbauertraurigkeit: o desejo inexplicável de afastar as pessoas, até mesmo amigos próximos que você realmente gosta. Mal de Cocou: o fenômeno em que você tem uma vida social ativa, mas muito poucos amigos próximos – daqueles em que você pode confiar e ser você mesmo, em que mesmo se você devorar um buffet completo de bate-papo, você ainda vai sentir dores da fome. Nighthawk: um pensamento recorrente que só resolve surgir tarde da noite – uma tarefa atrasada, uma culpa irritante, um próximo e deformado futuro. Pâro: a sensação de que não importa o que você faça, sempre está errado de alguma forma. Rigor Samsa: um tipo de exoesqueleto psicológico que pode protegê-lo da dor e conter suas ansiedades, mas sempre acaba quebrando sob pressão.Vellichor: a estranha melancolia de velhas livrarias, que são de alguma forma infundidos com a passagem do tempo, cheias de milhares de livros antigos que você nunca terá tempo para ler. 30. ‘’Non so più casa son, Cosa faccio’’, Mozart. ‘’Não sabem tocar no coração sem o magoar’’. Um moderno. ‘’Then there were sighs, the deeper for suppression and stolen glances, sweeter for the theft and burning blushes, though for no transgression’’. Don Juan, cap. I, est. 74. ‘’A Dido do senhor Guérin, esboço encantador’’. Strombeck. But passion most dissembles, yet betrays even by its darkness; as the blackest sky foretells the heavist tempest’’. Don Juan, cap. I, est. 73. ‘’Yet Julia’s very coldness still was kind, and tremulously gentle her small hand withdrew itself from his, but left behind, a little pressure, thrilling, and so bland and slight, so very slight that to the mind, twas but a doubt’’. Don Juan, cap. I, est. 71. ‘’Encontram-se em Paris pessoas elegantes; na província, pode haver pessoas de


caráter’’. Siéyès. ‘’O romance é um espelho que se faz passear ao longo de uma estrada’’. Saint-Réal. ‘’Uma garota de dezesseis anos tinha a tez rosada e usava batom’’. Polidori. ‘’Amour em latin faict amor; or donc provient d’amour la mort, et, par avant, soulcy qui mord, deuil, plours, pieges, forfaitz, remords’’. Brasão do amor. ‘’He turn’d his lip to hers, and with his and call’d back the tangles of her wandering hair’’. Don Juan, cap. I, est. 170. ‘’Oh, como este desabrochar do amor relembra a incerta glória de um dia de abril; que agora mostra toda a beleza do sol e daqui a pouco uma nuvem obscurece completamente!’’ Os dois cavaleiros de Verona. Shakespeare. ‘’Só prestareis para espalhar como um cadáver do povo, sem almas e em cujas veias o sangue secou?’’ Discurso do Bispo, na Capela de Saint-Clément. ‘’O grotesco dos acontecimentos diários vos esconde a verdadeira infelicidade das paixões’’. Barnave. ‘’Do not give dalliance too much the rein; the strongest oaths are straw to the fire i’ the blood’’. Tempest. ‘’Alas, our frailty is the cause, not we : for such as we are made of, such we be’’. Twellth Night. ‘’Ao homem foi dada a palavra para esconder seu pensamento’’. Padre Malagrida. ‘’Il piacere di alzar la testa tutto l’anno è bem pagato da certi quarti d’ora che bisogna passare’’. Casti. ‘’Quanto ruído, quantas pessoas apressadas! Quantas idéias sobre o futuro, numa cabeça de vinte anos! Quanta distração para o amor!’’ Barnave. ‘’Trezentos e trinta e seis jantares a 83 cêntimos, trezentas e trinta e seis ceias a 38 cêntimos, chocolate a quem de direito: quanto se tem a ganhar na submissão!’’ Le Valenod de Besançon. ‘’Estou sozinho na terra, ninguém se digna pensar em mim. Todos os que vejo enriquecer têm uma impudência e uma dureza de coração que não sinto em mim. Odeiam-me por causa de minha bondade fácil. Ah! Logo morrerei, seja de fome, seja de infelicidade de ver os homens tão duros!’’ Young. ‘’O tempo presente, grande Deus, é a arca do Senhor. Infeliz de quem nela toca’’. Diderot. ‘’Todos os corações estavam comovidos a presença de Deus parecia ter descido naquelas ruas estreitas e góticas, estendidas em todas as direções e bem cobertas de areia pelos cuidados dos fiéis’’. Young. ‘’Conheceu seu século, conheceu seu departamento e é rico’’. Le Précurseur. ‘’Não há mais que um título de nobreza: duque; marquês é ridículo. À palavra duque, todos se voltam’’. Edinburgh Review. ‘’Ela não é bonita, ela não usa


pintura’’. Saint-Beuve. ‘’Os rus quando ego te aspiciam!’’ Virgílio. ‘’Lembrança ridícula e tocante: o primeiro salão em que se foi, aos dezoito anos, só e sem apoio! O olhar de uma mulher bastava para me intimidar. Quanto mais queria agradar, mais me faziam sem jeito. Tinha de todas as idéias mais falsas; ou confiava sem fundamento ou via num homem um inimigo porque me olhara com um ar sério. Mas então, no meio dos horríveis sofrimentos causados por minha timidez, como era belo um belo dia’’. Kant. ‘’Este imenso vale cheio de luzes cintilantes e de tantos milhares de homens ofusca-me a vista. Nenhum me conhece, todos são superiores a mim. Minha cabeça se desorienta’’. Reina. ‘’Que faz aqui? Divertir-se-á? Pensará que agrada?’’ Bonsard. ‘’Uma idéia um pouco viva ali soa como uma grosseria, a tal ponto estão acostumados com palavras sem relevo. Infeliz de quem inventa enquanto fala’’. Faublas. Estas Shaun encontrou no livro: O Vermelho e o Negro. Ainda tinha a obra: Humano, Demasiado Humano para estudo. Analisava com certa ponderação os estudos de Nietzsche. Madame Bovary era um livro tido por ele como o mais importante romance da literatura francesa. 50. ‘’Os fins justificam os meios’’. ― Maquiavel! ― Errado. A culpa é a tentativa de simplificar a ideia de O Príncipe. A mais famosa frase atribuída a Nicolau Maquiavem nunca foi dita por ele. Trata-se de uma tentativa de condensar a ideia de sua obra: O Príncipe, em especial do capítulo 18, em que aparecem os trechos: ‘’Um príncipe (...) não pode observar todas as coisas pelas quais os homens são chamados de bons, precisando muitas vezes, para preservar o Estado, operar contra a caridade, a fé, a humanidade, a religião’’. Aqui, ‘’preservar o Estado’’, refere-se aos fins e ‘’operar contra a caridade etc...’’ é interpretado como utilizar quaisquer meios. No mesmo capítulo, Maquiavel ainda diz: ‘’Nas ações de todos os homens, especialmente nas dos príncipes, quando não há juiz a quem apelas, o que vale é o resultado final’’. É uma simplificação bem empobrecedora. ― ‘’Se Deus não existe, tudo é permitido’’. ― Dostoiévski! Errado. O culpado: nosso ‘’bom e velho amigo Sartre’’. Desta vez foi o culpado, e não a vítima, de uma atribuição incorreta. No texto: O existencialismo é um humanismo, Sartre diz que: ‘’Dostoiévski


escreveu: ‘Se Deus não existisse, tudo seria permitido’. Eis o ponto de partida do existencialismo’’. O escritor russo, de fato inspirou os existencialistas, mas ele nunca disse isso. O mais próximo disso, que está em: Os Irmãos Karamazov, é: ‘’[...] é permitido a todo indivíduo que tenha consciência da verdade regularizar sua vida como bem entender, de acordo com os novos princípios. Neste sentido, tudo é permitido [...] Como Deus e a imortalidade não existem, é permitido ao homem tornar-se um homem-deus, seja ele o único no mundo a viver assim’’. 69. ‘’Nós começamos, mas depois de 20 ou 30 passos, eu tive que parar. Minha respiração ficou curta, meu coração batia forte, e minhas pernas cederam sob mim. Uma sede avassaladora me tomou e eu implorei a Yaeko-san para me encontrar um pouco de água. Mas não havia água para ser encontrada. Depois de um tempo, minha força voltou um pouco e fomos capazes de seguir em frente. Eu ainda estava nu e, embora eu não sentisse nem um pouco de vergonha, eu estava perturbado ao perceber que a modéstia tinha me abandonado. Nosso progresso para o hospital foi interminavelmente lento, até que, finalmente, as minhas pernas, duras de sangue seco, se recusaram a me levar mais longe. A força, mesmo a vontade, de ir em frente me abandonou, então eu disse a minha esposa, que estava quase tão gravemente ferida quanto eu, para ir sozinha. Ela se opôs a isso, mas não havia escolha. Ela tinha que ir em frente e tentar encontrar alguém para voltar por mim139’’. ‘’Às 06h00min da manhã de repente eu fui acordado de um sono profundo. Reportar para uma execução. Tudo bem, então eu vou

139 Michihiko Hachiya, Hiroshima, 6 de agosto de 1945. Uma bomba atômica foi detonada sobre a cidade de Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945. A bomba acabou matando imediatamente cerca de um quarto da população da cidade e expos o restante a radiação com níveis perigosos. Michihiko Hachiya era funcionário de um hospital na época, e quando a bomba caiu ele estava deitado na sua casa, a cerca de 1,5 km de onde a bomba caiu. O calor queimou a sua roupa e gerou graves queimaduras no seu corpo. Seu diário, publicado em 1955, conta algumas de suas experiências no dia da detonação da bomba.


brincar de carrasco e, em seguida, coveiro, porque não. Não é estranho, você ama batalha e, em seguida, tem que atirar em pessoas indefesas. Vinte e três tiveram de ser baleados, entre eles duas mulheres. Eles são inacreditáveis. Eles até mesmo se recusam a aceitar um copo de água de nós. Eu fui designado artilheiro e tive que atirar em qualquer fugitivo. Nós dirigimos um quilômetro ao longo da estrada fora da cidade e, em seguida, viramos para a direita em uma floresta. Havia apenas seis de nós naquele momento e tivemos que encontrar um local adequado para atirar [nos fugitivos] e enterrá-los. Depois de alguns minutos, encontramos um lugar. Os candidatos à morte receberam pás para cavar a sua própria sepultura. Dois deles estavam chorando. Os outros certamente têm uma coragem incrível. Que diabos se passa pelas suas mentes durante esses momentos? Eu acho que cada um deles abriga uma pequena esperança de que de alguma forma não será morto. Os candidatos à morte são organizados em três turnos, já que não há muitos túmulos. Estranhamente, estou completamente impassível*. Sem piedade, nada. Esse é o jeito que é e, em seguida, está tudo acabado. Meu coração bate um pouco mais rápido quando involuntariamente eu recordo os sentimentos e pensamentos que eu tive quando eu estava em uma situação similar140’’. ‘’A pé, localizei tanques. Apenas cinzas e metal queimado no tanque de Birkett. Procurei nas cinzas e encontrei restos de osso pélvicos. Em outros tanques três corpos ainda dentro. Não foi possível remover os corpos, após muita dificuldade desagradável – doente. Trabalho temeroso, pegar pedaços e remontá-los para a identificação e colocá-los em cobertores para o enterro. Sem infantaria para ajudar. O líder do esquadrão me ofereceu alguns homens para ajudar. Recusei: quanto menos homens que vivem e lutam em tanques tiverem a ver com este lado das coisas, melhor. Meu trabalho. Este

140 Feliz Landau, Drohobych, 12 de julho de 1941. A SS alemã tinha um membro chamado Felix Landau, e durante a guerra, ele passou boa parte do tempo servindo no Einsatzkommando, um esquadrão da morte encarregado de exterminar judeus, intelectuais poloneses, ciganos, e qualquer grupo que eles considerassem inferiores. O diário de Felix tem detalhes de crimes realmente terríveis, e nesse item nós vamos descrever os relatos das ações do grupo na cidade de Drohobych, no oeste da Ucrânia.


foi mais do que normalmente doente. Realmente indutor de vômitos141’’. ‘’Um pequeno homem frágil de aparência insignificante, com um rosto bastante bem-humorado. Boné de pala alto, bigode e óculos pequenos. Eu penso: se você quiser rastrear toda a miséria e horror para apenas uma pessoa, teria que ser ele. Em torno dele, um monte de companheiros com rostos cansados. Homens muito grandes, fortemente vestidos, eles seguem para qualquer canto que ele se vire, como um enxame de moscas, trocando de lugar entre si (eles não ficam parados por nem um momento), movendo-se como um único conjunto. Passa uma impressão fatalmente alarmante. Eles olham para todos os lados sem encontrar nada para se concentrar 142’’. ‘’Esta manhã, pela primeira vez, vi um avião abatido. Ele caiu lentamente das nuens, nariz à frente, como um pássaro baleado lá no alto. Um júbilo formidável entre as pessoas assistindo, pontuado momento sim, momento não com a pergunta: ‘Tem certeza que é alemão?’ Tão intrigantes são as instruções dadas, e tantos os tipos de avião, que ninguém sequer sabe quais são os aviões alemães e quais são os nossos. Meu único teste é que, se, um bombardeiro é visto sobre Londres, deve ser alemão, enquanto que um caça é mais provável de ser nosso143’’.

141 Leslie Skinner, noroeste da Europa, 4 de agosto de 1944. Ele tinha um diário onde documentava suas exeriências dos conflitos após os desembarques do Dia D. O Capitão Skinner na verdade não era um soldado, mas simum padre servindo como capelão´do exército. Conhecido como Padre Skinner, seu objetivo na guerra era proporcionar conforto espiritual e realizar últimos sacramentos. A parte mais angustiante do trabalho do padre era recuperar os corpos para dar-lhes um enterro digno. 142 David Koker, Holanda, 4 de fevereiro de 1944. Os sobreviventes do Holocausto escreveram uma série de relatos, mas apenas alguns diários foram recuperados a partir dos campos de concentração e um deles foi escritor por Koker, um estudante holandês de ascendência judaica que foi enviado para o Camp Vught no sul da Holanda em fevereiro de 1943. Enquanto a maioria dos outros prisioneiros do campo não podiam tem um diário, David fez amizade com o gerente do local e sua esposa, o que fez com que ele tivesse alguns privilégios. O trecho, descreve Himmler. 143 George Orwell, Londres, 15 de setembro de 1940. O famoso escritor George Orwell, estava entre ois 8,6 milhões de habitantes de


‘’Fui acordada às oito horas da manhã por uma explosão em Pearl Harbor. Levantei-me pensando que algo emocionante provavelmente estava acontecendo por lá. Mal sabia eu! Quando cheguei à cozinha toda a família, excluindo Pop, estava olhando para o Arsenal de Marinha. Ele estava sendo consumido por fumaça preta e mais explosões espantosas… Então eu fiquei extremamente preocupada, assim como todos nós. Mamãe e eu saímos na varanda da frente para dar uma olhada melhor e três aviões passaram zumbindo sobre nossas cabeças, tão perto de nós que poderíamos lhes ter tocado. Eles tinham círculos vermelhos em suas asas. Logo entendemos! Nesse momento as bombas começaram a cair por todo o Hickam. Ficamos nas janelas, não sabendo mais o que fazer, e observamos o fogo trabalhar. Era exatamente como os cinejornais da Europa, só que pior. Vimos um monte de soldados correndo em nossa direção a partir do quartel e, em seguida, uma linha de bombas caiu atrás deles, levando todos para o chão. Fomos inundados em uma nuvem de poeira e tivemos que correr fechar todas as janelas. Enquanto isso, um grupo de soldados tinha entrado em nossa garagem para se esconder. Eles foram totalmente tomados de surpresa e muitos deles não tinham sequer uma arma ou qualquer coisa144’’. ‘’O comandante da companhia diz que as tropas russas estão completamente quebradas, e não podem aguentar por mais tempo. Chegar a Volga e tomar Stalingrado não é tão difícil para nós. O Fuhrer sabe qual o ponto fraco dos russos. A vitória não está longe. (...) Os cavalos já foram comidos. Eu comeria um gato; eles dizem que sua carne também é saborosa. Os soldados parecem cadáveres Londres durante a guerra. Ele manteve um diário relatando as suas experiências durante esse período, e o diário é repleto de discussões políticas, mas também relatos de ataques aéreos, como o de setembro de 1940, quando a RAF batalhava pelo controle dos céus sobre o sul da Inglaterra durante a batalha da Grã-Bretanha. As pessoas comemoravam quando um avião alemão caia, por medo de Hitler. 144 ‘’Ginger’’, Pearl Harbor, 7 de dezembro de 1941. O bombardeio de Pearl Harbor feito por forças armadas japonesas, tornou-se dois conflitos regionais existentes na Europa e na China em uma Guerra Mundial. O ataque surpresa, deixou mais de dois mil americanos mortos (2.403) e foi o catalisador para os Estados Unidos entrarem na Guerra. A área de Pearl Harbor não se restringia a militares, mas também era habitada por famílias. O trecho foi escrito por uma garota de dezessete anos de idade.


ou lunáticos, à procura de algo para colocar em suas bocas. Eles já não se cobrem dos ataques russos; não têm a força para caminhar, correr e se esconder. Maldita seja esta guerra!Os cavalos já foram comidos. Eu comeria um gato; eles dizem que sua carne também é saborosa. Os soldados parecem cadáveres ou lunáticos à procura de algo para colocar em suas bocas. Eles já não se cobrem dos ataques russos; não tem a força para caminhar, correr e se esconder. Maldita seja esta guerra!145’’ ‘’De manhã cedo até tarde da noite assistimos eventos indescritíveis. Soldados armados da SS, gendarmes e a ‘polícia azul’ correram pela cidade à procura de judeus. Judeus foram reunidos no mercado. Judeus foram retirados de suas casas, celeiros, adegas, sótãos e outros esconderijos. Tiros foram ouvidos durante todo o dia. Às vezes, granadas de mão foram jogadas nos porões. Judeus foram espancados e chutados; não fazia diferença se eram homens, mulheres ou crianças pequenas. Todos os judeus serão abatidos. Entre 400 e 500 foram mortos. Poloneses foram forçados a começar a cavar sepulturas no cemitério judaico. A partir de informações que eu recebi, cerca de 2.000 pessoas estão se escondendo. Os judeus presos foram colocados em um trem na estação ferroviária para serem transferidos para um local desconhecido. Foi um dia terrível, eu não posso descrever tudo o que aconteceu. Você não pode imaginar a barbárie dos alemães. Estou completamente acabado e não consigo me encontrar146’’.

145 Wilhelm Hoffman, Stalingrado, 29 de julho de 1942. As batalhas mais importantes e sangrentas da Segunda Guerra Mundial fora travadas na Frente Oriental. Uma delas foi a de Stalingrado, onde um banho de sangue de cinco meses virou a mará em favor da União Soviética. Porém, os alemães antes de levarem a guerra até essa cidade, ganharam uma batalha, confiantes de que poderiam conquistar a Rússia. Wilhelm Hoffman expõe esse sentimento, soldado da Nonagésima Quarta Divisão de Infantaria do Sexto Exército Alemão.. 146 Zygmunt Klukowski, Szczebrzeszyn, 21 de outubro de 1942. No dia 20 de janeiro de 1942, 15 consideráveis funcionários nazistas fizeram uma conferência para discutir a implementação de uma ‘’Solução Final’’ para obliterar o povo judeu. Demorou cerca de 9 meses para o genocídio alcançar a pacata cidade de Szczebrzeszyn, no sudoeste da Polônia. Zygmunt Klukowski, o médico de um pequeno hospital local fez algumas observações em seu diário sobre o horror que ele presenciou.


70. Errado. O culpado: nosso ‘’bom e velho amigo Sartre’’. Desta vez foi o culpado, e não a vítima, de uma atribuição incorreta. No texto: O existencialismo é um humanismo, Sartre diz que: ‘’Dostoiévski escreveu: ‘Se Deus não existisse, tudo seria permitido’. Eis o ponto de partida do existencialismo’’. O escritor russo, de fato inspirou os existencialistas, mas ele nunca disse isso. O mais próximo disso, que está em: Os Irmãos Karamazov, é: ‘’[...] é permitido a todo indivíduo que tenha consciência da verdade regularizar sua vida como bem entender, de acordo com os novos princípios. Neste sentido, tudo é permitido [...] Como Deus e a imortalidade não existem, é permitido ao homem tornar-se um homem-deus, seja ele o único no mundo a viver assim’’. 77. Por trás da glória representada pelo operário, havia a mentira da imagem; por trás da mentira da imagem, o poder do pintor, herdeiro do sonho produzido pela epopeia desses proletários cavaleiros, dos quais fixou a imagem e reteve a soberania. A imagem reconciliadora busca sua virtudes nas mesmas fontes que produzem a separação entre a vocação do trabalhador e sua condição147. O sr. Victor Hugo sabe muito bem que aquele que realiza sua tarefa como operário, que já é tarefa para dois, pois metade do mundo vive na ociosidade, não pode exerceu seu apostolado como poeta 148. Mas a inconsequência do grande poeta poderia muito bem ter sua lógica: Jesus Cristo dizia aos pescadores: Deixem suas redes, e eu os farei pescadores de homens. O senhor, por sua vez, lhes diz: Não deixem suas redes, continuem a pescar para servir a nossa mesa, pois nós somos os apóstolos da gula e nosso reino é o da panela. E nosso único grito na terra é: O que vamos comer? O que vamos beber? O que vamos vestir?149. Para que o proletário se insurja contra aquilo que se prepara para devorá-lo, não é o conhecimento da exploração o que lhe falta, mas

147 Ibid; p.22. 148 Texto original: Constant Hilbey, Réponse à tous mês critiques, Paris, 1846, p.44. 149 Ibid; p.27. Texto original: C.Hilbey, Vénalité dês journaux, op. cit., p. 38.


um conhecimento de si que lhe revele um ser voltado para outra coisa além da exploração: revelação de si próprio que passa pela via do segredo dos outros, esses intelectuais e esses burgueses com os quais mais tarde dirão ― e nós em seguida repetiremos ― que não querem ter nada a ver, nem, principalmente, com sua distinção em bons e maus150. Nesse bairro há uma enorme quantidade de homens que se situam entre o patrão e o operário, isto é, têm algo de um e de outro, pois trabalham para patrões e são por eles tratados como operários, e por sua vez são tratados como patrões pelos operários que empregam. Como todos se conhecem e esse bairro é em parte composto por esses mestiços políticos (já que se interessam bastante por política), seria bom que o nosso jornal chegasse até eles, para que pudesse inteirar-se de nossa política151. Essa mestiçagem caracteriza a população operária encontrada pelos propagandistas de todas as doutrinas, muito além do caso particular dos operários-patrões do nono distrito. E é bem verdade que é ela que obriga a buscar, no cenário político, uma identidade que as imprecisas linhas divisórias entre os patrões e os assalariados não conseguem estabelecer. Mas nem por isso essa identidade é imprecisa. (...) É verdade que os patrões-alfaiates são todos antigos operários. Mas é por isso mesmo que seus operários se consideram no direito de exigir deles relações de burguês para burguês: se os jovens alfaiates, para se candidatarem ao emprego, devem vestir uma sobrecasaca, é justo que, em troca, os patrões tirem o chapéu ao entrar na oficina. Tal igualdade na ordem das aparências e das convenções exprime a nova e paradoxal dignidade que o operário extrai de sua participação nas vicissitudes e nos riscos do patronato152. Só que essa genealogia da servidão não remete à dominação, mas a essa terceira posição que pretende ser a da ausência de vínculo: a independência, palavra que resume, comumente o ideal desse estado ambíguo, dividido entre os dois polos da dominação e da servidão, e

150 Ibid; p.32. 151 Ibid; p.45. Texto original: Relatório de Achille Leroux, Fonds Enfantin, Ms. 7816. 152 Ibid; p.45-46.


cuja superioridade com relação a um ou o conflito com o outro se definem a partir não da positividade de sua competência, mas da escolha de sua precariedade e do conhecimento, ou melhor, do semiconhecimento de seu sofrimento153. ‘’O que lhe sobra, a não ser a opressão do forte e a dependência do fraco?154‘’ (RANCIÈRE, 1988, p.51). A partir do programa dos grevistas parisienses de 1833: Relações de independência e de igualdade com os patrões; a partir da dupla exigência expressa pelo terceiro ponto do programa: A generalidade da fórmula abrange três reivindicações precisas: ao mesmo tempo que o direito de fumar e um tempo dedicado à leitura dos jornais, eles querem que o patrão tire o chapéu ao entrar na oficina. Talvez venha daí a expressão chapéu abaixado diante do meu boné de 1848155. Os operários das outras profissões se entendem melhor [...] os companheiros se ajudam mutuamente em suas viagens. Arrumam recursos, crédito, trabalho, moralizam-se entre si. Entre os operários alfaiates, ao contrário, há um egoísmo deplorável. Nenhum laço fraterno os une. Quando se encontram: bom dia. Quando vão embora: boa noite, e tudo está dito156. É preciso, por um lado, apagar os sinais de uma especificidade operária, que remete à naturalidade das castas e ao reino da força, para alcançar a cidadania na civilização burguesa. Por outro, é preciso denunciar em seu comportamento os estigmas burgueses do egoísmo e da exploração. A luta pelo reconhecimento implica um duplo movimento: passagem do reino feudal da força ao reino burguês da razão; desafio aristocrático às normas burguesas da poupança e do enriquecimento. (...) Sonho de um estado de

153 Ibid; p.46-47. 154 Deluc, Projet d’ association dês tailleurs de Bordeuax, A.N.;F 12/4631. 155 Ibid; p.52. 156 Ibid; p.53. Texto original: Grignon, Réflexions d’um ouvrier tailleur sur La misere dês ouvriers em general, La durée dês journées de travail, le taux dês salaires, lês rapports actuellement établis entre les ouvriers et les maîtres d’atelier, La necessite dês associations d’ouvriers comme moyen d’améliorer leur condition, Paris, 1833, p.4.


equilíbrio em que as veleidades individuais de fortuna burguesa ou de dignidade aristocrática se voltam para a definição de uma identidade coletiva157. [...] Que o liberto não tenha mais contas a ajustar com o patrão, mas com a velha sociedade, não define apenas um progresso na consciência da exploração, mas uma ascensão na hierarquia dos seres e das formas sociais (RANCIÈRE, 1 988,p.88). (...) Uma agonia lenta, angustiante, intolerável de reduções progressivas no bem-estar ou nos hábitos, que chegavam à privação das necessidades mais absolutas, aquele ataca as suas economias e, prestes a esgotar seus últimos recursos, esmera-se em expedientes para administrar o pouco que possui, matando-se para empregar158. E vocês querem que no meio de tudo isso o ódio não germine em seu coração; vocês não querem que ele, cercado por todo o cortejo horroroso da miséria, inveje a sorte de seu vizinho rico159 (RANCIÈRE, 1 988, p.96). Fourierismo; sistema filosófico e econômico do francês Fourier (1772-1 837); em 1 808 publicou a Teoria dos quatro movimentos e dos destinos gerais; além de uma transformação completa do mundo no futuro, esboçou a organização << falansteriana >>. 123. Essa mestiçagem caracteriza a população operária encontrada pelos propagandistas de todas as doutrinas, muito além do caso particular dos operários-patrões do nono distrito. E é bem verdade que é ela que obriga a buscar, no cenário político, uma identidade que as imprecisas linhas divisórias entre os patrões e os assalariados não conseguem estabelecer. Mas nem por isso essa identidade é imprecisa. (...) É verdade que os patrões-alfaiates são todos antigos operários. Mas é por isso mesmo que seus operários se consideram no direito de exigir deles relações de burguês para burguês: se os jovens alfaiates, para se candidatarem ao emprego, devem vestir uma sobrecasaca, é justo que, em troca, os patrões tirem o chapéu ao entrar na oficina. Tal igualdade na ordem das aparências e das

157 Ibid; p.56. 158 Ibid; p.89. 159 Texto original: Marie-Reine Guindorff, ‘’ De la peine de Mort ‘’, Tribune dês Femmes, dez. 1833, p.81.


convenções exprime a nova e paradoxal dignidade que o operário extrai de sua participação nas vicissitudes e nos riscos do patronato160. Só que essa genealogia da servidão não remete à dominação, mas a essa terceira posição que pretende ser a da ausência de vínculo: a independência, palavra que resume, comumente o ideal desse estado ambíguo, dividido entre os dois polos da dominação e da servidão, e cuja superioridade com relação a um ou o conflito com o outro se definem a partir não da positividade de sua competência, mas da escolha de sua precariedade e do conhecimento, ou melhor, do semiconhecimento de seu sofrimento161. ‘’O que lhe sobra, a não ser a opressão do forte e a dependência do fraco?162‘’ (RANCIÈRE, 1988, p.51). A partir do programa dos grevistas parisienses de 1833: Relações de independência e de igualdade com os patrões; a partir da dupla exigência expressa pelo terceiro ponto do programa: A generalidade da fórmula abrange três reivindicações precisas: ao mesmo tempo que o direito de fumar e um tempo dedicado à leitura dos jornais, eles querem que o patrão tire o chapéu ao entrar na oficina. Talvez venha daí a expressão chapéu abaixado diante do meu boné de 1848163. Os operários das outras profissões se entendem melhor [...] os companheiros se ajudam mutuamente em suas viagens. Arrumam recursos, crédito, trabalho, moralizam-se entre si. Entre os operários alfaiates, ao contrário, há um egoísmo deplorável. Nenhum laço fraterno os une. Quando se encontram: bom dia. Quando vão embora: boa noite, e tudo está dito164.

160 Ibid; p.45-46. 161 Ibid; p.46-47. 162 Deluc, Projet d’ association dês tailleurs de Bordeuax, A.N.;F 12/4631. 163 Ibid; p.52. 164 Ibid; p.53. Texto original: Grignon, Réflexions d’um ouvrier tailleur sur La misere dês ouvriers em general, La durée dês journées de travail, le taux dês salaires, lês rapports actuellement établis entre les ouvriers et les maîtres d’atelier, La necessite dês associations d’ouvriers comme moyen d’améliorer leur condition, Paris, 1833, p.4.


É preciso, por um lado, apagar os sinais de uma especificidade operária, que remete à naturalidade das castas e ao reino da força, para alcançar a cidadania na civilização burguesa. Por outro, é preciso denunciar em seu comportamento os estigmas burgueses do egoísmo e da exploração. A luta pelo reconhecimento implica um duplo movimento: passagem do reino feudal da força ao reino burguês da razão; desafio aristocrático às normas burguesas da poupança e do enriquecimento. (...) Sonho de um estado de equilíbrio em que as veleidades individuais de fortuna burguesa ou de dignidade aristocrática se voltam para a definição de uma identidade coletiva165. [...] Que o liberto não tenha mais contas a ajustar com o patrão, mas com a velha sociedade, não define apenas um progresso na consciência da exploração, mas uma ascensão na hierarquia dos seres e das formas sociais (RANCIÈRE, 1 988,p.88). (...) Uma agonia lenta, angustiante, intolerável de reduções progressivas no bem-estar ou nos hábitos, que chegavam à privação das necessidades mais absolutas, aquele ataca as suas economias e, prestes a esgotar seus últimos recursos, esmera-se em expedientes para administrar o pouco que possui, matando-se para empregar166. E vocês querem que no meio de tudo isso o ódio não germine em seu coração; vocês não querem que ele, cercado por todo o cortejo horroroso da miséria, inveje a sorte de seu vizinho rico167 (RANCIÈRE, 1 988, p.96). Fourierismo; sistema filosófico e econômico do francês Fourier (1772-1 837); em 1 808 publicou a Teoria dos quatro movimentos e dos destinos gerais; além de uma transformação completa do mundo no futuro, esboçou a organização << falansteriana >> que assegura a... Felicidade imediata da humanidade. A-pesar- da extravagância de suas ideias e da sua vida, foi chefe de uma escola que, sob diversos nomes, (escola societária, harmoniosa, garantista, etc.) continuou e completou o seu pensamento até os

165 Ibid; p.56. 166 Ibid; p.89. 167 Texto original: Marie-Reine Guindorff, ‘’ De la peine de Mort ‘’, Tribune dês Femmes, dez. 1833, p.81.


nossos dias e cujo representante mais categorizado foi Considerant (1808-1893)168. Submetendo a uma dúvida absoluta, todas as noções que lhe apresenta a civilização, Fourier, observa o mundo achando-se deslumbrado pela harmonia universal que nele reina, graças à lei de atracção descoberta por Newton ‘’ (PERDIGÃO, 1 942, p.161). Quanto à metempsicose, a que os últimos tempos da filosofia grega deram certo carácter metafísico e universal, Fourier sustentava que a alma é imortal, mas que se não pode separar do corpo e a sua imortalidade abraça, não só o futuro, como também o passado, tendo para campo de actividade a inumerável multidão dos mundos169. Ainda segundo êle, depois de vinte e sete mil ou cincoenta e quatro mil anos de vida do nosso planeta, as almas particulares perdem a consciência da sua existência própria e confundem-se com a alma do planeta (teoria da unidade universal) porque os astros têm vida como os homens. O corpo do nosso planeta será destruído e a sua alma passará para um globo inteiramente novo, num cometa de nova formação, para de lá se elevar a um número infinito de transformações sucessivas, às alturas mais sublimes da hierarquia dos mundos. Assim, a metempsicose humana vem juntar-se dos mundos. Assim, a metempsicose humana vem juntar-se com o que Fourier chama metempsicose sideral170. Ainda; tratando do mesmo assunto; Reynaud (1 806-1 863) defensor do Metempsicosismo; acredita que é possível que num determinado momento a alma encontre de novo a impressão completa das suas primeiras existências, a sua sobrevivência em outros astros e, enfim, o progresso indefinido (PERDIGÃO, 1942, p.163). Logo, Pedro Leroux a alma e o corpo são também, no seu entender, inseparáveis; a terra e o céu uma e a mesma coisa (PERDIGÃO, 1942, p.164 ). Deus, teve lugar importante em sua filosofia.

168 ESCOLA FILOSÓFICA- Através dos tempos (Quadro cronológico desde os jónios ate a actualidade) 1942, PERDIGÃO, Henrique; p.161. 169 Ibid; p.163. 170 Ibid; p.163.


O idealismo em si; é uma conjuntura de diversas teorias filosóficas; Descartes; considera-se o fundador do moderno idealismo; o idealismo empírico por Berkeley, Hume e Stuart Mill; o racionalista por Kant (também se chama transcendental) e seus sucessores; Hegel, Shelling e Fichte. O idealismo ocupando, como ocupa, o mais vasto e elevado lugar na história da filosofia e da razão humana é, por assim dizer, a teoria do mundo exterior. Os primeiros idealistas pertencem à escola de Elêa, para os quais tudo o que forma o mundo exterior- o espaço, o tempo, a matéria o movimento- são apenas vã aparência 171. Descartes como dito anteriormente, considerado o fundador do moderno idealismo, baseado na separação radical entre matéria e o espírito; após êle; seguem-se duas direções: uma empírica , outra racionalista. Fichte (1762-1814) tomando o << eu >> como única verdade, pretendeu estabelecer um novo sistema para reduzir à unidade a matéria e a forma, assim como para explicar a relação entre as representações e o objectos. Não podendo passar do eu ao-não eu, do nómeno para o fenômeno, entre os quais Kant estabelecera um abismo, Fichte confunde-os e faz deles um só mundo. Tudo quanto existe é << eu >>, fora dêle só há ilusão; o não-eu é o eu oposto e limitado a si mesmo. Daí a sua Doutrina da ciência onde consciência, objectos, matéria, forma, tudo é produzido por um acto do Eu, recolhido pela reflexão. É ― como diz Balmes ― o panteísmo idealista levado ao mais extravagante refinamento 172. Schelling (1775-1854), que quis corrigir o que havia de demasiado radical, segundo a sua opinião, na teoria de Fichte, opôs-lhe o seu idealismo subjectivo, que consistia em apresentar o eu como realidade única, como um eu absoluto. Explicar como a esse eu chega a opor-se um mundo, tal é ― diz êle ― o objecto da filosofia. A partir de 1797, entretanto, Schelling começou a libertar-se desse idealismo subjectivo e a transformá-lo pouco a pouco num idealismo objectivo, reconhecendo então, como real, não só o Eu, mas também a Natureza e, invertendo os papeis, colocou a natureza nos princípios da especulação filosófica. Depois, a sua doutrina evolucionou ainda

171 Ibid; p.164. 172 Ibid; p.165.


para a filosofia da identidade. A identidade absoluta não é Deus; não é mais que o próprio princípio da divindade, que se desprende pouco a pouco e se torna espírito pessoal. Reconhecendo que a razão é o órgão e a medida absoluta da verdade, êle parte do princípio de que a essência do homem intelectual é a liberdade, a independência absoluta. Atribuindo à inteligência humana a faculdade da ciência perfeita, iguala-se à razão divina e identifica-a com ela 173. Faz, assim das ideias e das leis do espírito a medida real das coisas, e do desenvolvimento da consciência racional o tipo do desenvolvimento universal. Em virtude da identidade do pensamento e do ser, como absolutos, a ciência do espírito e a ciência da natureza equivalem-se uma à outra como expressão idêntica de um mesmo conceito174. 127. Nada aconteceu durante os oito meses seguintes. Esse período ficou conhecido como Guerra de Mentira e acabou quando Hitler invadiu a França em 1940. O país rendeu-se apenas em vinte e dois de junho e oito milhões de civis fugiram em massa para as províncias localizadas mais ao sul para escapar dos ataques alemães. 129. Mais de 1 bilhão de toneladas de comida vão para o lixo todos os anos, segundo estimativas da ONU. Muitas iniciativas já começam a contribuir para diminuir esse número e uma delas merece um destaque especial: sem nenhum investimento inicial, a instituição de caridade Corvia, na Bélgica, decidiu colocar uma geladeira em meio a um dos bairros mais populares da capital Bruxelas. A ideia é simples: permitir que as pessoas deixassem ali alimentos que, de outra forma, acabariam estragando. Quem passa pelo local, pode retirar os alimentos que estão ali; o que acaba sendo de grande ajuda a população carente da região. Se a iniciativa por si ó, já é genial; alguns detalhes a tornam ainda melhor, como o fato da geladeira ser alimentada através de energia solar. O aparelho foi doado por um comércio local e já está sendo bem aproveitado. Por enquanto as padarias e restaurantes da região são os principais colaboradores. Ludovik Galler, morador de rua, também mostra sua aprovação ao

173 Ibid; p.165-166. 174 Ibid; p. 166.


projeto: ‘’Um dia, depois do natal, tinha um frango maravilhoso, com arroz e tudo. Nunca comi tão bem’’, conta. O inglês Ray Smith atingiu seu objetivo. Passou cinco meses tirando fotos com sua namorada, Claire Bramley, escondendo um pedido de casamento nas imagens. Foram 148 fotografias no total. Como ele conseguiu? Ray usou como desculpa o fato de Claire estar grávida para supostamente registrar a espera pelo bebê. Segundo ele, várias vezes a namorada pediu para ver a foto, o que o obrigou a tirar duas versões da mesma imagem, uma com e uma sem o pedido anotado. Finalmente, na véspera de natal, Ray decidiu mostrar tudo para a amada, ajoelhar-se e fazer o pedido. Claire conta que em nenhum momento suspeitou do que estava acontecendo, mas que tudo fazia sentido, pois o namorado (agora noivo) sempre teve o hábito de fazer coisas românticas. Uma das fotos, o bilhete inclusive está na imagem do ultrassom do futuro bebê do casal. A última é com ele de joelhos, numa das mãos, a direita, segura o pedido e uma rosa; na outra, entrega-lhe sua mãe, para que ela o receba. Caleb Ryan Sigmon, é um jovem de apenas vinte e dois anos que trabalha como Papai Noel em um shopping de Athens, nos E.U.A. Todos os dias nesse fim de ano, o rapaz recebe pedidos de diversas crianças que sentam em seu colo e tiram fotos exalando alegria. Certo dia, recebeu um pedido que não vinha de uma criança e também nã oera muito alegre; um homem com uma foto de seu filho que havia morrido ainda bebê, e lágrimas nos olhos pediu que Caleb tirasse uma foto com o retrato no colo, para que pudesse dar de presente à sua esposa. O fato fez com que o Papai Noel se emocionasse e resolvesse compartilhar a história com o mundo pelo Facebook. ‘’Um homem se aproximou com algo nas mãos. ‘Eu tenho um pedido’, ele disse, virando um porta-retrato. Ele fez uma pausa e então disse: ‘meu filho morreu no ano passado’. Ele engasgou e não conseguiu terminar a frase. Todo o ensio fotográfico foi silencioso. Eu respondi: ‘é claro que sim’. Sem ninguém dizer nada, ele me deu o porta-retrato e eu apoiei-o no meu joelho. Na foto, eu consegui ver a pulseira do bebê e li o nome dele: Hayden. Não fiz nenhuma pergunta, mas imagino que essa seja a primeira foto dele com o Papai Noel. O clique da câmera era o único som que eu conseguia ouvir em todo o shopping. Normalmente eu escuto todos os tipos de músicas e sons, mas esse momento foi totalmente


silencioso. Depois dos cliques, nós fomos até o monitor e ele apontou: ‘é essa aqui’. A garota que trabalha no computador imprimiu um pacote de fotos e ele colocou na carteira, dizendo que aquele era o presente dele para a esposa. Nós demos o pacote de impressões a ele dizendo que era um presente e que rezaríamos pela família dele neste natal. Ele pegou minha mão, me puxou e me deu um abraço, depois se virou e saiu. Enquanto ele caminhava, todos nós tinhamos lágrimas nos olhos. Compartilho ess história para nos lembrar de que o natal é um momento muito difícil para algumas famílias. Rezem por aqueles que estão sofrendo. Sorriam para as pessoas. Apenas sejam gentis. Amem uns aos outros’’. Aqui no Brasil, a campanha do Papai Noel dos Correios é um sucesso há anos e ajuda crianças que vêm de famílias com poucas condições a manter viva a magia desta data. E, assim como a iniciativa brazuca, há também outras similares pelo mundo, como a campanha Be Na Elf promovida pelo grupo de voluntários Mothers Against Drugs, em Queesland, na Austrália. Todos os anos, a campanha ajuda crianças provenientes de famílias de baixa renda ou sem teto a ter o Natal que sempre quiseram. Entre as cartinhas escritas para o Papai Noel é possível encontrar algumas que dão vontade de chorar, como uma criança que não se identificou, mas pediu ‘’que o pai não bata na mamãe’’. Outros desejos são simples, como ‘’toalhas macias com cheiro bom’’ ou ‘’comida natalina’’, o que nos lembra que, enquanto gastamos pequenas fortunas para ter um natal agradável; há ainda pessoas que vivem sem algumas das coisas que consideramos básicas. Segundo a fundadora do grupo, June Hintz, a campanha do ano passado contou com cerca de 400 voluntários que ajudaram aproximadamente 700 famílias a ver seus desejos natalinos se realizarem. Algumas histórias são mais impressionantes que as outras, como a do menino William de dez anos, que havia pedido uma refeição com chuletas de porco e assado de batata no ano passado. Quando o voluntário chegou para fazer a entrega, descobriu que a criança vivia em um carro. As lojas de São Paulo (SP) começam a desenrolar as lampadinhas e dar o play no disco da Simone. Então o natal está chegando e é preciso caprichar na decoração. Enquanto isso, do lado de fora, moradores de rua permanecem invisíveis e, muito provavelmente, vão passar mais um natal longe de suas famílias, esquecidos pelo


bom velhinho. Na tentativa de mudar essa situação, os redatores publicitários: Gabriel Morais, 27 e Rodrigo de Castro, 20, decidiram levar o natal para as ruas e contam com os paulistanos para tornar a data um pouco mais iluminada para as pessoas que moram nas ruas. Chamado de Natal na Rua, o projeto está arrecadando fundos no site de financiamento coletivo Catarse a fim de distribuir pelas ruas da capital paulista árvores de natal, debaixo das quais qualquer pessoa poderá deixar presentes para os moradores de rua. ‘’Acredito que o ato de presentear alguém que você não conheça e sabe que está em uma situação menos favorável é uma linda forma de praticar o espírito natalino’’, afirmou Morais, que recomenda que sejam deixados nas árvores presentes como roupas, brinquedos, e kits de higiene pessoal. As árvores foram montadas a partir do dia treze de dezembro, e os Papais Noéis, convocados a mostrarem a esses moradores de rua que o Natal também existe para eles. ‘’A proposta vai muito além do que é doado. O importante é o morador de rua perceber que ele não é invisível, principalmente no natal’’ disse Morais. 130. O 2º Julgamento de Galileo Galilei. O Papa Urbano VIII, Mafeo Barberini sugeriu a Galileo Galilei (69) após o Primeiro Tribunal da Inquisição em 1616, escrever um livro em que os dois pontos de vista, o Heliocentrismo e o Geocentrismo, fossem defendidos em igualdade de condições e em que as suas opiniões pessoais também fossem defendidas, e aceitou dar-lhe o Imprimatur.Entenda agora o Método Científico Experimental: à frente de Paul Feyerabend, Galileo elabora um << contra-método >>. Procurando compreender a estrutura cognitiva comportamental natural de um corpo em movimento. A natureza é obrigada a dar uma resposta inequívoca as perguntas formuladas. Paul, concentra-se no método científico que remonta a física aristotélica, essencialista. Perguntando-se o como e não no por quê. Francisco Bacon, inglês, nota ele, toda nossa sabedoria é da Grécia. Da dialéctica os que tudo esperam, não demoram, não se atrasam ao perceber o espírito humano, reduzido ao que és, não merece total confiança. É preciso uma instauração, quer dizer, uma regeneração das ciências. Não mais a indução, que cede lugar ao silogismo em sua máxima, aproveitando para si conclusão própria do tudo, para adotar uma lei sobre fatos.


Bacon admite as quatro causas de Aristóteles, há uma, entretanto, a final, que não deve na sua opinião tomar lugar nas ciências, é uma virgem consagrada a Deus: fica estéril. A figura do homem na ciência de Paul surge como uma espécie de gigante. Galileo não se limita a descrever os fenômenos. Mas sim uma explicação nova através da matemática. Galileo em sua obra II Saggiatore, Galileo declara explicitamente, que para compreender o grande livro do mundo que ele chama Universo é preciso aprender a língua, quer dizer, conhecer a matemática e a geometria. Pode-se dizer que o método-galileano se articula em três fases precisas. A observação, que configura-se como a definição quantitativa e matemática precisa dos fenômenos; a hipótese científica, que é a explicação matemática de um grupo de fenômenos, que dá lugar à formulação dos princípios de uma teoria da qual se deriva a rigorosa dedução das consequências particulares; e a verificação experimental; a verificação empírica, rigorosa da hipótese. O método de Bacon é o método indutivo e experimental, que reduzse a três pontos: observar, registrar os fenômenos sem pretender desde logo explicá-los; organizar quadros com a classificação desses fenômenos pela indução. E que se façam tábuas de presença, de ausência e de degraus para o registro e modalidade dos fenômenos, de modo a nada expor, e assegurar os resultados da indução. O entendimento, é em si inclinado ao erro que aos sentidos. E eles, tem suas origem em certas tendências inerentes ao espírito humano. Bacon designa essas tendências sob o nome de << ídolos >> e redulos a quatro espécies: os << idola tribus >>, que resultam da natureza mental da nossa espécie; os << idola specus >>, que teem a sua causa na constituição mental do indivíduo; os << idola fori >>, que provêm da linguagem, e os << idola theatri >>, que são devidos aos sistemas dos filósofos. Galileo e a utilização, a nova forma de apresentar e cômo introduzir o binóculo, cannocchiale, no campo da ciência, apontando-o para o céu à observar os fenômenos astronômicos abre um espaço para investigação e análise antes desconhecido. Em 1610 Galileo Galilei com a obra Sidereus Nuncius, aumenta o Universo, o número de estrelas fixas aumenta, ou porque a Galáxia


(agrupamento inumerável de estrelas) e a Nebulosa (cachos de pequenas estrelas disseminadas de forma admirável) encontram uma definição nova e mais adequada, ou porque, se descobrem os satélites de Júpiter e a superfície da Lua não pareça lisa como acreditava-se. Pondo em dúvida a concepção aristotélica-ptolemaico, que situa a Terra fixa no centro do Universo, com o Sol girando em torno dela; confirmando a hipótese copernicana, segundo a qual é a Terra que gira em torno do Sol. Em 1611, vinte e nove de março, Galileo apresentou suas descobertas em Roma, recebido com todas as honras pelo Papa Paulo V, pelos cardeais Francesco Maria Del Monte e Maffeo Barberini, e pelo Príncipe: Federico Cesi. Em primeiro de abril escreve ao Secretário ducal Belisario Vinta: ‘’Que os jesuítas, tendo finalmente conhecido a verdade dos novos planetas, estão há dois meses em contínuas observações, as quais prossegue; e as temos comparado com as minhas, e seus resultados correspondem. Com o cannocchiale, Galileo descobre também as fases de Vênus e as manchas solares; um Universo completamente diferente do aristotélico-ptolemaico. Consequentemente ao da Igreja, causa que o leva para o referido Julgamento em Roma, seguido a Publicação dos: Diálogos sobre os dois Sistemas Máximos do Mundo. Donde a priori é a << teoria das marés >>. Onde, nada da Terra é capaz ou possui estruturas capazes de fazer a mesma movimentar-se ou estabelecer a imobilidade desta. E faz uso do elemento água de forma natural e única, independente e fixa, não ligada ao globo terrestre. Ao observar a maré e pensando na possibilidade do heliocentrismo, Galileo deduziu que a maré era fruto da rotação da Terra. Cristóvão Clavius, no final de 1610, escrevia para Galileo, confirmando-lhe que seus colegas astrônomos jesuítas as descobertas que ele tinha feito através do telescópio. Em 1611 quando em Roma, Galileo foi recebido com enorme entusiasmo, por figuras religiosas, seculares... Segue em anexo, documento que escreveu para um amigo: ‘’Fui recebido com favor por muitos cardeais, prelados e ilustres príncipes desta cidade’’. Ainda assim, em 1616, depois de Galileo ter pública e persistentemente ensinado o sistema de Copérnico, as autoridades da Igreja ordenaram-lhe que deixasse de apresentar a teoria


coperniciana como se fosse uma teoria verdadeira, embora continuasse a ter a liberdade de a apresentar como uma hipóteses. Em 1612, Galileo escreve o ‘’Discurso sobre as coisas que estão sobre a água, ou que nela se movem’’ apoiando-se em Arquimedes, demonstrava, contra a teoria aristotélica, que os corpos flutuavam ou afundavam na água segundo seu peso específico, e não segundo sua forma. Esse trabalho gerou o ‘’Discurso apologético sobre o Discurso de Galileo Galileo’’ do aristotélico florentino Ludovico Delle Colombe. Em dois de outubro, no Palácio Pitti, presente o GrãDuque e a Grã-Duquesa Cristina, e o Cardeal Maffeo Barberini, seu grande admirador, dá uma pública demonstração experimental do assunto, negando definitivamente as ideias de Colombe. No seu Discurso, Galileo comentava também as manchas solares, que ele sustentava já haver observado em Pádua, em 1610, sem porém relatá-las; escrevendo no ano seguinte a: ‘’História e demonstração sobre as manchas solares e seus acidentes’’, publicada em Roma pela Accademia dei Lincei, em resposta a três cartas do jesuíta Christoph Scheineir, que endereçadas no final de 1611 a Mark Welser, anunciavam a sua descoberta das manchas solares. A priori da descoberta, Scheiner sustentava erroneamente que as manchas consistiam de chamas de astros rodando em torno ao Sol, enquanto Galileo considerava matéria fluida pertencente à superfície do próprio Sol e rodante em torno ao mesmo por causa da rotação da estrela. Os sete postulados de Copérnico: << primeiro >> não existe um centro único de todos os círculos e esferas celestes. << Segundo >> o centro da Terra, não é apenas da gravidade e da esfera lunar. << Terceiro >> todas as esferas giram ao redor do Sol como se este se encontrasse no centro de todas, portanto o Sol é o centro do Universo. << Quarto >> a relação entre a distância da Terra até o Sol e a altura do firmamento é inferior à que existe entre o raio da Terra e sua distância até o Sol, de modo que a distância da Terra até o Sol é imperceptível quando comparada com a altura do firmamento. << Quinto >> todo movimento que apareça no firmamento não é causado por este, mas sim pela Terra. A Terra com os elementos mais próximos a ela (atmosfera, águas), realiza com seu movimento diário um giro completo ao redor de seus polos fixos, enquanto o firmamento, junto com o último céu, permanece imóvel. << Sexto


>> todo movimento que pareça relacionado com o Sol, não é causado por este, mas depende da Terra e de nossa atmosfera, com a qual giramos ao redor do Sol, como qualquer outro planeta; portanto, a Terra é impulsionada por vários movimentos. << Sétimo >> os movimentos retrógrados e diretos que parecem pertencer aos planetas, não procedem deles, mas da Terra. Por isso, bastam os movimentos da mesma para explicar as numerosas irregularidades que aparecem no céu. Os autores medievais aceitavam que a Terra era redonda, mas acreditavam no Geocentrismo, como fôra estruturado por Aristóteles e Ptolomeu. Muitos teólogos já haviam reinterpretado as Escrituras, mas depois do Concílio de Trento, a Igreja passava a condenar esse comportamento. Na ciência, o sistema cosmológico ensinava que a Terra estava parada no centro do Universo, e os outros corpos orbitavam em círculos concêntricos ao seu redor. A Igreja Católica aceitava esse modelo. A obra Saggiatore é um diálogo entre três personagens: Salvati (que defende o heliocentrismo), Simplício (que defende o geocentrismo e é um pouco ‘’tonto’’) e Sagredo (um personagem neutro, mas que termina por concordar com Salviati). Galileo Galilei em 1630 com a obra terminada, viajou para Roma para apresenta-la pessoalmente ao Papa. Êste, fez leitura breve e entregou para os censores do Vaticano para avaliar-se se estava de acordo com o Decreto de 1616. ‘’Eppur si muove!’’. 131. ‘’Não vale a pena moça É coisa que não deve afligir o amor Dêste infinito, podiam nascer Piores palavras, mas felizmente Um poeta chegou, Veres que não me tira A liberdade de amar Mês sentiments ne sont pas égaux Quer que a alma falasse a Deus Chegando ao meio-dia era como uma aurora Nova e fresca, a alegria de ambos, Sorriam, não pensavam nas saudades


Diz-se só o bem, se era o mesmo destino Para os dois ou se cada um tinha o seu, Perder olhos e coração no espaço e no tempo Sorte feliz as verdades eternas E assim vai o mundo, juro por Deus Nosso Senhor, Ponto que o coração seja o abismo dos abismos 175’’. Encounter unforgatable, nobody contact you, alors maintenant, ‘’O sol cobria a Terra, claridade infinita, o céu para colaborar com o resto ficou azul o dia inteiro, ouvires, estrelas que são os olhos do céu, a guerra é a mãe de todas as coisas, Empédocles referindo-se à guerra, não o fez só no sentido terreno. O amor que é a primeira das artes, da paz, pode-se dizer que é um duelo, não da morte, mas de vida. O céu é mais velho e não trocou de cor. Uma vez que lhe não atribuiam o azul da alma nenhuma significação romântica. Mas tudo cansa, até a solidão. Que se não explica é o amor, mas que se não explica por quê? A viveza das palavras e das maneiras, em olhos que pareciam não ver nada à força de não pararem nunca, e o sorisso benévolo e a admiração constante, tudo nela era ajustado a curar as melancolias alheias. As estrelas recebiam no céu, todos os pensamentos, quieta; a luz seguia176’’. Amanhã é tempo177. ‘’Enquanto eles sonhavam separados, ele sozinho não sonhou, Também se pode achar no sonho o presente, Mas ninguém gosta de sonho que se sonha Sozinho. À medida que as flores iam nascendo, Flores do amanhã, poetas que cantam A alegria e a melancolia do mundo. As flores é que nascem e morrem Igual e regularmente. Então as duas, tristeza e alegria Agasalharam-se no coração

175 Machado de Assis. 176 Ibid. 177 Recordou a manhã.


Como gêmeas que eram. E a ironia do filósofo, venceu a Doçura do poeta. Sorriu do acaso, reviu por um instante Aquela manhã, viu no ar um convite, Por mais que ele olhasse pela vida adentro Não achava igual obséquio do céu ou Sequer do inferno. Um dia, ousando mais, chamou-lhe Presente de Nosso Senhor’’. ‘’Flora é um encanto que não sabe aonde vai, Atento ao céu e seu coro, Deus está com os fortes e os bons Pegou-lhe na mão, parecendo Dois pombinhos, Creia que Deus está com os dignos E ambos iam admirar estrelas e Montanhas, ou então o mar, Que suspirava ou tempestuava, E as flores e as ruínas, e o Sonho completava a vigília. Diante de uma nesga de céu, Claro de luar, ou todo repregado de Estrelas, como um pano azul escuro. ‘Ai, duas almas no meu seio moram178’, Até à hora da despedida, Duas ausências em vez de uma Enchiam-se os olhos da moça,

178 Fausto. Goethe.


Reconheceu o homem que se não dorme-se Com uma tristeza na alma, muito menos dorme-se Com duas179’’. Refletia a luz do sol, cuja cor também era a sua, Ele carece tanto o coração, que nada lhe ganha, Nada lhe quer, no final a emoção pode ser um Retrato do tempo, se a felicidade é o que diz Por que vou procurar. ‘’E sua alma ia como êsse primeiro albor do dia Ou com esse derradeiro crepúsculo da tarde180’’. ‘’Allors enfants de la patrie, Le jour de gloire est arrivé!’’ ‘’Flora touxe novamente a rosa fresca e rubra da primeiura hora Quisera vê-la feliz, ouvia as palavras trocadas, ainda se descobria Muito, ele mesmo queria levantar e ver, a ponta do véu. Esperar seria fácil, se a paixão não crescesse, mas a paixão crescia. A ausência era já insofrível, a presença necessária. Um lugar para todos, de todos os santos. Assim cômo o sol que quando nasce, nasce para todos181’’.

‘’Que entendo pobre rapaz, da alma caprichosa das mulheres? Minha terra, longa espera, com mil beijos e afagos, coração manso, volveu a cabeça para o sol, refugente, ansioso, que ele depressa se Encaminhasse para o ocaso. Minha terra, cuja lembrança Me invade o coração de saudade

179 Machado de Assis. 180 Machado de Assis. 181 Machado de Assis.


Toda a alma minha alma fugiu com ela Num olhar de ternura, tendo necessidade De amar alguém, preferia amar-me, Cortejo hesita com intenção de namorado Apaixonado, meu coração sem indiferença Aumentou de paixão. Coração que devia amar Como nenhum outro, Não se pode ter que não tomasse-lhe As mãos, perderam em meio à uma noite182’’. ‘’Se o amor dela não voltar, Se não me tivesse amor, Se me voltasse olhar, Quando existe amor O medo vai embora, Confesso que não entendo as estrelas, Que me livre enfim, destas angústias demasiadas Para o meu pobre coração Então, como agora, a lua vagabundeava Lá em cima, o vento agitava a folhagem dos tinhôres, Mas quanta diferença em mim Entre as veredas do tempo eu encontrei você183. Adiou para o dia o que não soube dizer noite passada184, Que bobagem essa brincadeira que nunca Está em um só lugar e em lugar nenhum O livro não é um romance emprestado

182 Ibid. 183 Graciliano Ramos. 184 Homero. ‘’Sobre o dia e a noite’’.


Amor que se devolve ou termina com Um ponto final185. Em verdade que o amor não vinha Acá fora, os olhos também não diziam muito, Não há mal que não traga um bem, e por isso é Que o mal é útil, muita vez indispensável, alguma vez delicioso, ademais, a dor não é para o desespero, Um ódio é comum, é o que mais liga duas pessoas. Avivar as letras, ver por seus olhos, Tudo é possível debaixo do sol e da lua. A nossa felicidade então parece nova A noite é clara e quente; nas noites da luminária Fazia transparecer os olhos da gente, tudo pode-se Amar muito bem, e podia ser escura, fria E o efeito seria o mesmo186’’. Dizia para si, para dentro do coração, A bela moça não volta mais, Não calculou sequer o tempo Que ia gastando imaginando e desfazendo ideias, Não sabia o que dizia no meio de tão longo silêncio. Com os olhos nos pés e os pés nas nuvens. E não é assim o amor, quando acaba, Tudo não volta ao normal? ‘’Amanhece... Vou escrever!187’’ e o é

185 ‘’E a história de nós dois não foi escrita por que ninguém precisou saber’’. (Machado de Assis). 186 Machado de Assis. 187 Conta-se de Olavo Bilac, que, poucas horas antes de expirar, quase agonizante disse: ‘’Amanhece... Vou escrever!’’.


Não apenas pela sua mensagem e beleza poética Carregada de emoção e de beleza artística 188 Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal É a data e na vida o amor189. ‘’O espírito volta para dizer ao coração Quem és tu? Que não atas nem desatas? O tempo e a distância farão se não poderes Fazer de esquecer, conversavam de amôres, É possível o amor cair entre nós, Mas que amaram é certo, E cá o amor, se ela for eu Peço para ir também190’’.

188 Antônio Soares Amora. 189 Luis Fernando Veríssimo. 190 ‘’Era só escrever no coração as palavras do espírito, para que lhe servissem de lembrança’’. (Esaú e Jacó, Machado de Assis, 1904).

As Férias da Família Guizelline - Natal  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you