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Sumário

Introdução Apresentação

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Capítulo I

A quem você pertence?

13

Capítulo II

21

Perdão, uma questão de escolha Capítulo III

35

A graça na adversidade Capítulo IV

43

Reaprendendo a sonhar Capítulo V

51

O fardo do preconceito Capítulo VI

Somos o que escolhemos ser

59


6 Capítulo VII

77

Abandonando os fardos da humilhação e da rejeição Capítulo VIII

89

Posição de honra Capítulo IX

Ousadia para vencer Capítulo X

Sonhe e ouse sonhar

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CAPÍTULO I

A quem você pertence?

Ele pertencia a uma família grande. Tinha vários irmãos e irmãs; apreciava a casa cheia na hora das refeições, quando todos se assentavam ao lado do pai para ouvir suas sábias histórias e saborear seus ricos ensinamentos. Naqueles momentos de deleite, o rapaz olhava à sua volta, observava os irmãos mais velhos contando suas proezas e, orgulhoso, sussurrava para si mesmo: “Essa é a minha família!” Na sua imaginação, não importaria o que viesse a acontecer; estariam sempre juntos, como irmãos, como família, como amigos. Às vezes, empolgado com os próprios sonhos, o jovem os relatava a seus pais e aos irmãos. Eram sonhos de glória, de sucesso, onde ele ficava numa posição de absoluta excelência. Mal percebia ele o quanto aqueles sonhos indignavam sua família – afinal, por que, sendo o mais jovem, acreditava


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A q uem você per tence?

que um dia teria domínio sobre seus irmãos e seu próprio pai? Então, num momento inesperado, aquele rapaz foi apanhado numa armadilha preparada pelos próprios irmãos. Foi humilhado, envergonhado e vendido como escravo pelos de sua própria casa, que carregavam nas veias o mesmo sangue que ele. O jovem, despido de sua veste mais valiosa, foi tratado como bem de consumo, uma mera propriedade que se podia vender e comprar, e não . como homem. De uma hora “Tornamo-nos presos ao para outra, fora traído e expulso sofrimento do tempo presente de sua própria casa, sem sequer quando decidimos culpar alguém por nossos se despedir do amado pai. No infortúnios ou mergulhamos caminho, à medida que era levana autocomiseração.” do para o lugar que parecia ser o . seu destino final, ele relembrava a bravura dos irmãos e das muitas vezes em que queria crescer depressa para ser como eles; então, lhe vinha à mente o momento da armadilha.Tudo parecia tão irreal! A dor em sua alma era tanta que ele nem se importava com as correntes a lhe ferirem as mãos e os pés. O que lhe feria realmente era a dor da traição, da decepção, a percepção de que o mundo desabara sobre sua cabeça. Como escravo, ele foi lançado num país estranho, entre desconhecidos, imerso em uma cultura e uma religiosidade totalmente opostas ao modo de vida e de crença que aprendera com seus pais. Mas de uma coisa aquele rapaz sabia:


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tinha de sobreviver. Então, tomou uma decisão: embora fosse escravo e tivesse de agir como escravo naquela nação, jamais pertenceria ao legado de prisioneiro; nunca tomaria para si a condição de escravo, ainda que tivesse de se comportar como tal. E, para fazer isso, precisava permanecer convicto de quem ele era de fato. Independentemente das circunstâncias, ele era José, filho de Israel, alguém que teria como determinação não desistir de seus sonhos. Quem nunca leu ou ouviu a história do jovem José, aquele que foi parar no Egito como escravo, mas que acabou por tornar-se o segundo homem de maior proeminência naquela poderosa nação da Anti. guidade? Apenas o Faraó tinha “Você não pertence ao mais autoridade que ele, e mesproblema, às coisas ruins, aos dias maus. Não, de forma mo assim, confiava a José todas as alguma – você pertence coisas essenciais ao seu país. Mas a quem você é.” isso só aconteceu porque aquele . rapaz feito governante sabia o tempo todo a quem pertencia. Note o texto bíblico que mostra claramente a ascendência de José: “Então, tirou Faraó o seu anel de sinete da mão e o pôs na mão de José, fê-lo vestir roupas de linho fino e lhe pôs ao pescoço um colar de ouro. E fê-lo subir ao seu segundo carro, e clamavam diante dele: ‘Inclinai-vos!’ Desse modo, o constituiu sobre toda a terra do Egito” (Gênesis 41:42,43). Mas afinal, que mistério envolveu o adolescente que não se deixou render à prisão, à injustiça ou ao medo? Por que


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ele não agiu como qualquer ser humano e não se desesperou? A verdade é que não houve mistério na trajetória do filho querido de Israel – o que existiu foram atitudes de otimismo, ou seja, de disposição mental. No momento em que José foi levado ao Egito e vendido como escravo a um influente militar, ele não se rendeu aos fatos e à triste realidade na qual se encontrava; mas utilizou-se do conhecimento que recebera de seu pai para encontrar forças e colocar em prática a prudência, a boa vontade e a certeza de que aquele não seria o seu fim. Isso se chama esperança, esperança capaz de gerar fé; um tipo de fé que sobrepõe o raciocínio humano. E onde encontrar esse tipo de fé? Para responder a essa pergunta, é preciso lembrar que nós somos aquilo que absorvemos ao longo da vida. Portanto, você é aquilo que consome, que aspira, que acolhe no coração. Por isso, a Bíblia afirma: “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17). Esta é a fé que nos leva a transpor o impossível, que nos capacita a persistir mesmo quando nada vai bem. Tornamo-nos presos ao sofrimento do tempo presente quando decidimos culpar alguém por nossos infortúnios ou mergulhamos na autocomiseração. Ficar culpando os outros pelo que nos aflige não vai mudar os problemas, mas vai trazer muita mágoa e mais ressentimentos. Depois disso, vem a autopiedade que paralisa, impedindo-nos de agir. Qualquer pessoa que centraliza sua atenção no sofrimento ou na dor jamais conseguirá prosseguir. Ela nunca poderá enxergar esperança ou oportunidade, já que toda sua visão está centrada na


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aflição, em sua desventura. Por tudo isso, precisamos de uma reação semelhante à de José, ou seja, pôr em prática uma fé capaz de sobrepor a razão e transformar a realidade, por mais dura que ela se apresente. Jesus Cristo, que foi mestre na arte de viver com excelência, sabia de todas essas coisas. Ele esclareceu aos seus discípulos que, se tivessem fé, poderiam fazer qualquer coisa: “Então, disseram os apóstolos ao Senhor: ‘Aumenta-nos a fé.’ Respondeu-lhes o Senhor: ‘Se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a esta amoreira: arranca-te e transplanta-te no mar; e ela vos obedecerá’” (Lucas 17:5,6). Esta não é uma fé comum, porque é o indicador de que Deus é maior que os problemas – e foi essa atitude de pensamento que moveu José contra as circunstâncias. Ele não absorvia os infortúnios, e por isso não pertencia a eles. Da mesma forma, você não pertence ao problema, às coisas ruins, aos dias maus. Não, de forma alguma – você pertence a quem você é. Portanto, acredite que você é exatamente o que Deus sonhou que você fosse. Pois a Bíblia diz que isso acontece e eu creio firmemente nela: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jeremias 29:11-13). A frustração á capaz de empurrar qualquer pessoa para o ciclo do medo. O célebre compositor Georg Friedrich


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Händel foi um homem extremamente bem-sucedido; entretanto, num dado período de sua vida, viu-se preso a sentimentos que, se não fossem rompidos, o levariam ao fracasso absoluto. Händel foi um músico prodígio. Com apenas 17 anos de idade, assumiu o posto de organista da catedral de Halle, na Alemanha, sua cidade natal. Mais tarde, tornou-se violinista e cravista da Ópera Real em Hamburgo. Com 21 anos, era notório o seu talento no teclado. Logo que começou a compor, conquistou fama imediata e foi apontado como Kapellmeister (mestre capela). E quando decidiu residir na Inglaterra, cresceu espantosamente. Com cerca de 40 anos de idade, era mundialmente famoso. Contudo, esse talentoso homem também foi parar numa prisão. Não em uma cela convencional, com grades, mas em uma cadeia emocional causada pela frustração, pelo medo, pelo desânimo. A rivalidade com compositores ingleses tornou-se demasiadamente dura, e o público foi ficando inconstante. Fora isso, Händel foi terrivelmente prejudicado pelas mudanças dos eventos políticos de sua época. Sem dinheiro e desprestigiado, viu-se à beira da ruína. A rejeição e o fracasso eram dores difíceis para um artista tão talentoso suportar. Sua situação ficou ainda pior depois de um derrame cerebral, que fez com que seu braço direito perdesse alguns movimentos. Em 1741, aos 56 anos, Händel decidiu que deveria se aposentar. Não tinha mais motivação para nada; já havia sido arruinado pelas dívidas. Seu concerto de despedida foi um fracasso. O desapontamento encheu-o de autocomi-


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seração. Mas, em agosto daquele ano, um amigo chamado Charles Jennings foi visitá-lo e deu-lhe um livreto baseado na vida de Cristo. A obra despertou no grande compositor muito mais do que curiosidade: ele leu-a como um desafio. Händel sentiu-se estimulado por aquelas palavras que falavam de fé e salvação e imediatamente começou a escrever furiosamente, quase sem parar. A prisão dentro dele se rompeu, e o desânimo paralisante deu lugar a uma incrível inspiração. Em apenas 24 dias, ele havia completado uma obra de 260 páginas manuscritas. A peça ganhou o nome de Messias, que até hoje é considerada uma obra-prima das mais belas e constitui-se no apogeu de toda a sua carreira. Geralmente, o fracasso surge do descrédito que temos acerca de nós mesmos. Händel deixou de acreditar em seu talento no instante em que se sentiu desprezado, sem os aplausos de antes, e isso foi desencadeando outros conflitos interiores. Mas, ao ler a respeito de Cristo numa pequena ópera, a esperança voltou. A motivação de outrora se reacendeu em maior intensidade, e ele tirou os olhos das circunstâncias e de seus problemas, voltando seus olhos para a fé contida naquela obra, que o contagiou a ponto de renovar suas forças. Deste modo, o artista voltou a acreditar em si mesmo, em seu potencial, em seu valor, independentemente da opinião dos outros. Da mesma forma, José jamais sentiu-se como parte do Egito, ou seja, daquele terrível modo de vida a que foi submetido. Na verdade, a vida daquele personagem bíblico é uma metáfora. O Egito representa aquilo de ruim que nos


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acontece; é lugar de servidão, em que a liberdade é suprimida. Quando estamos “no Egito”, nossos sonhos são sepultados, nossos projetos, postos de lado, e vivemos na escuridão. Mas José sabia que simplesmente estava no Egito, não era parte dele; as circunstâncias podiam ser as piores possíveis, mas devido à sua postura, à sua luta por manter a integridade de seu caráter, ele não capitulou. José decidiu que pertenceria à realeza, ainda que o empurrassem para a servidão. Creio que era nessas coisas que pensava o ex-presidente americano Abraham Lincoln, quando disse: “As coisas podem chegar até aqueles que esperam, mas serão somente as sobras deixadas por aqueles que lutam.”


Ouse sonhar  

Como usar as derrotas do passado para construir seu caminho para o sucesso

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