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Livros 

L A N Ç A M E N TO S

POR SCHEILA CANTO

Biografia “Aprendi fazendo”, de Luiz Sebastião Sandoval, Geração Editorial

Muito mais do que a trajetória de um líder empresarial vencedor, Aprendi Fazendo, de Luiz Sebastião Sandoval, lançado pela Geração Editorial, revela detalhes dos bastidores da história do Grupo Silvio Santos, do crescimento e consolidação até a crise do Banco PanAmericano, em novembro de 2010. O livro é o testemunho isento de quem participou de momentos decisivos do Grupo e pediu demissão na hora certa. “Você foi brilhante e eficiente”, escreveu-lhe no mês seguinte o ex-patrão. “O que aconteceu foi inexplicável até para especialistas”, acrescentou, referindo-se ao problema do PanAmericano.

Bíblico “O caminho do cordeiro – Representação e construção de identidade no Apocalipse de João”, de Valtair Afonso Miranda, Editora Paullus

Ao examinar a mensagem reveladora de São João, Valtair A. Miranda, doutor em Ciências da Religião, encontrou afirmações que representam a identidade do apóstolo, a sua audiência e a forma como eles concebiam o mundo. Desse estudo, ele elaborou seu novo trabalho: O caminho do cordeiro – Representação e construção de identidade no Apocalipse de João.

História real “O feminisno e o sagrado – Mulheres na jornada do herói”, de Cristina Balieiro e Beatriz Del Picchia, Editora Ágora

A história da humanidade e os mitos que a representam obedecem a uma ordem em que prevalecem valores e formas de pensamento nos quais homens e mulheres têm papéis distintos. Nesse universo, quem parte em jornada é o homem: a ele cabe o papel de herói. No livro, as autoras criam uma nova versão, em que mulheres reais e contemporâneas são as heroínas dessa trajetória.

Memórias “Viagem solitária”, de João W. Nery, Editora Leya

Em “Viagem solitária” João conta desde sua infância reprimida, a adolescência solitária, as dificuldades amorosas, a perda de seu diploma de psicologia – que deixou de ter validade com a mudança de sexo – e as dificuldades jurídicas quanto ao seu novo nome, os quatro casamentos e seu maior orgulho, a paternidade.

Domingo, 2 de outubro de 2011

SUCESSO

Fábio Moon e Gabriel Bá, vencedores de dois Eisner Awards, lançam no Brasil o “Daytripper”

Brasileiros se destacam nas histórias em quadrinhos nos EUA DIVULGAÇÃO

THIAGO ANDRADE

Uma dupla formada por irmãos gêmeos brasileiros vem conquistando o mundo das histórias em quadrinhos. Sim! Fábio Moon e Gabriel Bá levam o nome do Brasil para fora por meio de narrativas contadas com imagens e balões. Colecionam prêmios em uma carreira que teve início em 1997. Seu novo trabalho chega às lojas brasileiras este mês. “Daytripper”, publicado pela Panini, conta com 256 páginas em acabamento de alta qualidade. O livro reúne as 10 histórias que fizeram parte da minissérie produzida para o selo Vertigo, nos Estados Unidos, contando a história de Brás de Oliva Domingos. Escritor de obituários que sonha em se tornar um grande autor, ele aparece em diversos dias de sua vida, enquanto os gêmeos procuram responder qual é o dia mais importante da vida de seu personagem. O primeiro beijo? A primeira paixão? Com este trabalho, Fábio e Gabriel levaram dois Eisner Awards, o principal prêmio do gênero, além de figurarem como o primeiro lugar da lista de mais vendidos do New York Times. “A história é sincera e provocante, e tudo na arte de Fábio Moon fica sexy – mesmo a sordidez e a solidão. Comecei a ler Daytripper e não consegui parar”, afirmou Jeff Smith, criador da série Bone, sucesso dos quadrinhos na década de 90. Depois de estrondoso sucesso internacional, a obra chega ao Brasil. Fábio Moon e Gabriel Bá se diferenciam por retratar personagens comuns, sempre com uma abordagem bastante emocional e sincera. Ganharam renome com a fanzine “10 pãezinhos”, distribuída a R$ 0,50 em baladas paulistanas, na qual iniciaram o estilo que os tornaria famosos. Atualmente, assinam uma

A carreira dos irmãos gêmeos começou em 1997 e suas histórias têm conquistado o mundo tira semanal na Folha de S. Paulo chamada “Quase nada”. Nela, lirismo e filosofia se misturam aos problemas cotidianos. Para o futuro, os gêmeos garantem a adaptação do romance “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, para os quadrinhos. Resta esperar. Confira entrevista exclusiva com os autores:

O jogo se inverteu. Vocês agora estão publicando trabalhos fora do Brasil e, posteriormente, eles estão sendo traduzidos e lançados aqui. O que isso significa? Fábio Moon – Se os trabalhos forem publicados tanto lá fora como aqui, só nos traz uma tranquilidade financeira maior. O mercado exterior oferece estabilidade financeira e a possibilidade

de nos concentrarmos apenas em novas histórias. A escolha das histórias que contamos e dos temas que abordamos não mudou. A visibilidade lá fora é maior, mas só faz sentido se o livro também for publicado aqui ou estaremos chamando atenção para algo que ninguém encontrará aqui.

Mais de 10 anos se passaram entre o lançamento de “O girassol e a lua” e “Meu coração, não sei por quê”, trabalhos que os colocou entre os grandes quadrinistas brasileiros. O que mudou nesse período? FM – O mercado de quadrinhos no Brasil mudou muito, para melhor. Hoje o público já se acostumou com a ideia de álbuns de quadrinhos em livrarias. O número de álbuns, de autores e de editoras envolvidas aumentou muito, e a qualidade dos trabalhos está melhorando com esse mercado em ebulição.

“Quase nada” se diferencia das tiras de jornal por manter um viés bastante reflexivo e intimista. Como chegaram a esse estilo? FM – Nós gostamos de contar histórias longas. Esse tipo de divagação cotidiana da tira é o tipo de pensamento rápido e retrato do que vemos no dia-a-dia, que cabe na tira. É o que nos aflige, nos chama a atenção, o que queremos levantar enquanto discussão.

“Daytripper” foi criado para o público norte-americano. Vocês procuraram criar um trabalho que dialogasse com os brasileiros? Gabriel Bá – “Daytripper” dialoga até mais com os brasileiros do que com o público norte-americano, não só pelo reconhecimento dos cenários na história, mas pela familiaridade dos sentimentos dos personagens. Se você é sincero em relação às suas origens e realidade – e isso nos aproxima dos brasileiros – você cria um trabalho uni-

versal. Chamamos a atenção dos gringos assim.

Como foi o processo de criação dessa história? Por que o trabalho foi tão exaltado? GB – Trabalhamos no roteiro juntos, escolhendo os momentos da vida do protagonista que queríamos destacar e o desenho ficou para o Fábio. Eu fiz as capas. FM – Para saber por que ele foi tão exaltado, só lendo a história.

De que maneira vocês percebem a relação entre literatura e HQs? Buscam esse diálogo em “Daytripper”?

GB – A mbas usam as palavras para estimular a imaginação do leitor e, em trabalhos mais emocionais e introspectivos, o processo é mais intimista. Gostamos desses aspectos e as possibilidades de despertar nos leitores uma reação emotiva. Esse interesse vem de obras da literatura que nos causaram esse impacto. Buscamos essa profundidade, essa sinceridade emocional.

Já surgiram convites para trabalhar com super-heróis? Como vocês encaram essa possibilidade?

FM – Já apareceram convites sim, tanto para a Marvel como para a DC, mas por enquanto não aceitamos nenhum.

Para terminar, a edição nacional de “Daytripper” é mais cara que a importada. Não é estranho? FM – É estranho, mas ela também é mais caprichada em termos de acabamento, com capa dura e papel melhor. Se a edição importada tivesse o mesmo acabamento, ficaria o mesmo preço. 

serviço

“Daytripper” custa R$ 62 e pode ser encontrado em diversas livrarias.


Brasileiros se destacam com HQ nos EUA  

Uma das entrevistas mais legais que eu fiz.

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