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IDENT I DADE, DIVERSIDADE E DIÁLOGO Sentidos básicos para participação de cristãos em políticas públicas de juventude

Desafiado a escrever sobre política pública de juventude na América Latina sem cair no academicismo e correr o risco da redundância e repetir os números e os conceitos que os livros já mencionam, mas também com o cuidado de aportar algo interessante que provoque uma reflexão e estabeleça um diálogo com cada jovem ou pessoas envolvidas no trabalho com as juventudes resolvi deixar o outro texto de lado e lançar algumas questões que tenho observado na prática. Menciono desde a minha passagem pelo Conselho Nacional de Juventude, durante o primeiro mandato 2005-2007, e mais recentemente desde Buenos Aires, onde vivo e trabalho, colaborando com o escritório regional para o Cone Sul da Organização IberoAmericana de Juventude. Para isso, são importantes 3 conceitos que orientam nossas ações e ao mesmo tempo se tornam um desafio para as e os que trabalham com políticas públicas de juventude - identidade, diversidade e diálogo. Sem querer esgotar os sentidos de cada termo, vejo que o nível do trabalho na esfera pública de cada organização envolvida com juventude passa inicialmente e necessariamente por essas três perspectivas. Por quê? Primeiro porque os grupos e movimentos de jovens que melhor conseguem uma incidência pública são os que articulam de forma muito transparente o ser teológico com o ser político, e por isso também são respeitados. Alguns exemplos são a participação de vários grupos evangélicos de jovens no Conselho Nacional da Juventude, no Brasil; a elaboração no Plano Nacional de Juventude, no Uruguai; a presença dos Jovens na nova constituição no Equador, o firme diálogo de algumas igrejas e juventude com o governo da Bolívia. Podemos destacar a recente Semana de Advocacy das Nações Unidas 2009, realizada em Nova Iorque, impulsionada pelo Conselho Mundial de Igrejas da qual participa a Federação Universal de Movimentos Estudantis Cristãos, com o enfoque nos conflitos armados na Colômbia. Quem? É preciso reconhecer a diversidade da juventude e ao mesmo tempo a recorrente banalização conceitual, como “jovens evangélicos”, “jovens pentecostais”, “jovens universitários”, “jovens católicos”, “jovens indígenas”. Bom, a lista das etiquetas sociais é grande e não ajuda em nada persistir nessas aproximações que são carregadas de preconceito e implicam certos tipos de abordagens distantes da realidade. Se sabemos que queremos trabalhar pelas políticas públicas, por educação de qualidade, por saúde, trabalho, etc, estejamos preparados para encontrar grupos que militam em partidos, em movimentos por direitos sexuais, culturais, indígenas, afro-descendentes e de outras crenças religiosas. Não obstante, encontramos tal heterogeneidade nos espaços das próprias igrejas, das comunidades religiosas, no trabalho, na faculdade, na escola, em casa. Os melhores exemplos de integração de grupos tão diferentes são a partir de temáticas específicas que convocam como, por exemplo, combate à violência, meio ambiente, trabalho decente, superação da pobreza. O fruto tem sabor quando os grupos conseguem romper com o corporativismo eclesial e institucional e trabalham juntos. Lembro-me que em certa ocasião, em Brasília, quando fizemos a defesa de mais espaço para organizações de jovens evangélicos no Conselho Nacional da Juventude foi justamente um militante do movimento GLBTT que votou favorável. Como? O diálogo é inevitável. É necessário ser realizado de forma horizontal reconhecendo o outro como ator importante no processo. A atualidade das políticas públicas de juventude tem exigido dos grupos e redes de jovens uma organicidade levada muito a sério, pois tem demandado uma intensa mobilização em temas importantes, como o Estatuto da Juventude, no caso do Brasil. De forma mais ou menos avançada os países da região encontram-se numa fase de incorporação de leis de juventude, criação de conselhos, assinatura e ratificação de acordos e tratados internacionais, como é o caso da Convenção Ibero-Americana de Direitos dos Jovens, sendo que República Dominicana, Equador, Costa Rica, Honduras, Espanha, Bolívia e Uruguai já ratificaram. Os países que já assinaram e ainda não ratificaram são Cuba, Guatemala, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal e Venezuela. Além de exigir uma nova institucionalidade e intersetorialidade para as políticas públicas de juventude, as


conquistas ocorrerão na medida em que mais jovens estiverem organizados e assumirem além do culto de jovens no sábado à noite, o desafio de participar no desenho das leis, programas e políticas dirigidas à juventude na sua pluralidade.

Thiago Machado.


Princípios básicos