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THIERES DE ANDRADE MACHADO

COMPLEXO PROCÓPIO

ESPORTIVO DE ARAÚJO

JOAQUIM FERRAZ

Monografia apresentada ao Centro Universitário Moura Lacerda, para cumprimento das exigências para obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo sob orientação dos professores Francisco Carlos Gimenes e Rita de Cássia Fantini de Lima

RIBEIRÃO PRETO 2015


RESUMO

ABSTRACT

O presente trabalho tem como tema principal o esporte. Sendo assim iremos falar de vários pontos referentes ao tema, tais como; Benefícios que uma prática esportiva regular proporciona; O esporte como ferramenta disciplinar de jovens e crianças; Organização do esporte no Brasil, entre outros. Para isso o autor escolheu duas atividades chaves na qual iremos nos aprofundar (Ginástica Olímpica e as atividades circenses). Duas atividades que acreditamos ser desvalorizadas no cotidiano Brasileiro.

This work has as main theme the sport. So we will talk about several points on the topic , such as ; Benefits that a regular sports practice provides ; The sport as a disciplinary tool of youth and children ; Sports organization in Brazil , among others.

Iremos também fazer um levantamento de como se encontram os equipamentos destinados ao esporte e lazer no município de Ribeirão Preto - SP, para no final da monografia propor um complexo esportivo destinado as duas atividades anteriormente citadas. Palavras Chave: Equipamento Público, Complexo Esportivo, Circo, Ginástica, Esporte e Lazer

For this the author chose two key activities in which we will delve ( Olympic gymnastics and circus activities ) . Two activities that we believe to be undervalued in the Brazilian daily . We will also take stock of how the equipment are intended for sports and recreation in the municipality of Ribeirão Preto - SP, to the end of the monograph proposing a sports complex for the two activities previously mentioned .

Keywords: Public Building, Sport Complex, Cirque, Gymnastics, Sport and recreation


DEDICATÓRIA

Gostaria de dedicar o presente trabalho ao meu mestre e orientador Chiquinho (Francisco Carlos Gimenes) que esteve presente durante toda orientação, mas que infelizmente veio a falecer durante o período letivo do segundo semestre de 2015 e não teve a oportunidade de ver o produto final de nossos raciocínios. A minha mãe e meu pai que estiveram sempre presentes durante os cinco anos de curso, ajudando de várias formas, financeiramente, emocionalmente e até fisicamente, prestando ajuda na execução de certos trabalhos da faculdade.

AGRADECIMENTO

Gostaria de agradecer a todos que de alguma forma fizeram parte desta etapa de minha vida. Aos familiares pelo apoio emocional em momentos de dificuldade. Pelo apoio financeiro na execução de trabalhos e gastos com a faculdade, já que sem a ajuda deles, eu jamais teria concluído o curso. Aos amigos, tanto do curso como fora do curso, que estiveram presentes e ajudaram de alguma forma. E aos demais professores que fizeram parte de todo o conhecimento que adquiri durante a faculdade.


“O sucesso nasce do querer, da determinação e persistência em se chegar a um objetivo. Mesmo não atingindo o alvo, quem busca e vence obstáculos, no mínimo fará coisas admiráveis.” José de Alencar


SUMÁRIO 1 APRESENTAÇÃO. 2 O ESPORTE E O CIRCO COMO DISCIPLINADOR E EDUCACIONAL.

03 MEIO 05

3 BENEFÍCIOS QUE O ESPORTE PROPORCIONA; OBESIDADE E COMPORTAMENTOS QUE PREJUDICAM A PRÁTICA DE ESPORTES NO BRASIL. 17 4GINÁSTICA OLÍMPICA NAS ESCOLAS E PRECONCEITO QUE GIRA EM TORNO DA MESMA E COM O CIRCO. 25 5 ORGANIZAÇÃO DO ESPORTE NO BRASIL, PROGRAMAS, CAPTAÇÃO DE RECURSOS E AS POLÍTICAS DE INCENTIVO AO MESMO. 37 5.1 PROGRAMAS DO MINISTÉRIO DO ESPORTE

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5.2 ORGANIZAÇÃO DO ESPORTE E PROGRAMAS NA CIDADE DE RIBEIRÃO PRETO 45 6 LOCAIS DESTINADOS AO CIRCO, ESPORTE E LAZER EM RIBEIRÃO PRETO E SUA ATUAL SITUAÇÃO 49 7 ANÁLISE SÓCIO ECONÔMICA

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8 REFERÊNCIAS PROJETUAIS.

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9 ANÁLISES PROJETUAIS

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10 PROJETO (COMPLEXO ESPORTIVO JOAQUIM PROCÓPIO DE FERRAZ) 101 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1 APRESENTAÇÃO

O presente trabalho que irá ser apresentado ao leitor a seguir tem como objetivo mostrar as principais discussões que giram em torno do meio esportivo e apresentar um pouco mais do universo do Circo. Para isso a pesquisa foi dividida da seguinte forma. A primeira parte tratará do esporte como meio disciplinador, ou seja, o poder que o esporte tem para educar crianças, jovens e adultos, não só o físico e comportamental, mas como o psíquico e também a força com que o mesmo tem para retirar os jovens do mundo das drogas e do crime. A segunda parte irá mostrar os benefícios que o esporte trás para vida das pessoas e

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também falar de alguns comportamentos da sociedade atual, que cada vez mais distanciam as pessoas da prática de esportes e atividades físicas no Brasil. A seguir iremos falar sobre a Ginástica Olímpica e sobre as atividades circenses (Principal tema da pesquisa), explicar alguns termos e falar um pouco da falta de informação e discriminação que gira em torno desse esporte e desta arte. A terceira parte da pesquisa tem como objetivo, mostrar como é feita a organização do esporte no Brasil, mostrando quais são os órgãos que fiscalizam, os níveis de organização e como é feita a captação de recursos destinados ao mesmo. Falando também um pouco de como é feita essa


organização no município de Ribeirão Preto - SP. Iremos falar também sobre como se encontram os equipamentos de lazer e esporte nos dias de hoje na cidade de Ribeirão Preto, mostrando através de imagens sua atual situação, que já podemos adiantar aqui, que não é das melhores. Por último a pesquisa irá mostrar algumas análises, como; Análise Sócio econômica da região, mapas de entorno da área que iremos propor nosso edifício e também análises projetuais de projetos na qual iremos nos respaldar para elaborar nosso complexo esportivo. E também, de que forma foi escolhida a área para implantação do projeto. (Imagem 01 - Meninos pulando carniça, PORTINARI, CANDIDO, 1957. Fonte: https://artebrasileirautfpr.files.wordpress.com/2013/07/portinari-meninos-pulandocarnic3a7a-1957-osm-53x64cm.jpg)

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2 O ESPORTE E O CIRCO COMO DISCIPLINADOR E EDUCACIONAL

MEIO

Muitas pessoas falam que o esporte ensina, que o esporte educa, que o esporte disciplina, mas como isso ocorre de fato e até que ponto o esporte é capaz de mudar a vida das pessoas, e como as atividades circenses teria esse potencial? O esporte auxilia no desenvolvimento de jovens em relação à proteção dos perigos do uso de drogas, a melhora no relacionamento, timidez, agressividade, motivação, atitudes, atenção, controle motor, aprendizagem motora, ansiedade, enfim, uma série de fatores que contribuem para o desenvolvimento do ser humano. (MORTARE, PRISCILA, 2011, p.27)

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Sem dúvida a prática de qualquer atividade física proporciona bem-estar. O corpo ao estar em qualquer tipo de movimento vicioso produz uma substancia química chamada endorfina, essa substancia é transportada através da corrente sanguínea e age diretamente no cérebro, trazendo bem-estar durante e depois de qualquer atividade física, conhecido como hormônio do prazer. E esse é um dos principais meios que as atividades físicas possuem para trabalhar a disciplina e educação; O prazer do movimento. Você já viu alguém triste enquanto pula corda? Enquanto corre? Enquanto dança? E no esporte essa disciplina e educação são ainda mais focadas, pois entra o caráter competitivo; Competição contra os outros, competição contra você mesmo. Ao não (Imagem 02 - Helena de Oliveira faz exercício em aula de circo; Imagem 03 Rafaella Remaili e Luana dos Santos se divertem em aula de circo. Fonte: http:// g1.globo.com/educacao/fotos/2013/03/veja-fotos-de-aulas-de-circo-nas-escolasregulares.html) Fotos por: Raul Zito

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ganhar de um adversário, ao não conseguir realizar um certo movimento de tal esporte, a pessoa, o atleta começa a ficar frustrado. E a maioria não quer parar, não vai se abalar, desistir. Aqui entra o papel dos técnicos, treinadores ou até do próprio atleta, que através de metodologias, irão disciplinar seu corpo para superar seus limites e alcançar seus objetivos. A atividade física é definida como qualquer movimento corporal decorrente de contração muscular, com dispêndio energético acima do repouso que, em última análise, permite o aumento da força física, flexibilidade do corpo e maior resistência, como mudanças, seja no campo da composição corporal ou de performance desportiva. A prática de atividade física regular demonstra a

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opção por um estilo de vida mais ativo, relacionado ao comportamento humano voluntário, onde se integram componentes e determinantes de ordem biológica e psico-socio-cultural. ” (DANIELE et al., 2003, p.151 apud MORTARE, PRISCILA, 2011, p.19)

A figura do técnico tem um grande papel educacional também, cabe a ele orientar esses atletas. Muitas pessoas entram muito cedo na vida esportiva, ainda crianças, outras entram um pouco mais tarde, já adultas, e a maioria das pessoas entram sem pretensão alguma, entram com a finalidade de apenas preencher um tempo vago em seu dia e muitas até, depois de um certo tempo de prática, se descobrem, se apaixonam pelo esporte que passaram a praticar. Cabe ao técnico


identificar esses tipos de perfis, saber orientar, dialogar com seus atletas e alunos. O técnico passa a ser quase como um segundo Pai, uma segunda família para o atleta, na qual ele não irá discutir somente assuntos ligados ao esporte, mas como também, depois de um certo tempo de convívio, questões e assuntos pessoais do atleta. Se algo está diminuindo a performance de certo atleta, o técnico deve ter aquele olhar apurado, para saber se isso se deve aos treinos ou há algo que está abalando o atleta mentalmente fora do âmbito esportivo. Ou seja, diálogo, conversa! Algo totalmente educacional. O técnico não deve interferir, mas deve saber orientar o atleta da melhor forma, para que ele tome as decisões certas tanto no esporte, como (Imagem 04 - Arthur Zanetti e seu treinador Marcos Goto comemoram medalha de ouro nas Olimpíadas de Londres 2012. Fonte: http://www.gymblogbrazil.com. br/2012/11/cob-escolhe-jose-roberto-guimaraes-e.html)

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em sua vida fora do ginásio, do campo, etc. Sem dúvida o esporte tem um caráter transformador na vida das pessoas, principalmente os esportes que além de possuir uma competição contra um adversário, possuem uma competição consigo mesmo, com o seu corpo. (Ex.: Ginástica, Natação, Remo, Salto em distância, Arremessos, Levantamento de Peso, etc.) E isso sem dúvida é disciplinador, pois cada vez mais o atleta busca fundamentos para melhorar seu desempenho, etc. E o atleta não se atrela apenas ao esporte, mas leva consigo essa disciplina para a vida pessoal e social, pois sabe que se no esporte essa metodologia funciona, na vida pessoal também irá funcionar.

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Existem também os esportes coletivos que trabalham a questão do espirito de equipe, o trabalho coordenado, cooperatividade, o respeito pelo próximo, etc. (Ex.: Voleibol, Basquetebol, Futebol, Handebol, entre outros). O esporte trabalha muito também a questão da responsabilidade, principalmente os esportes coletivos como dito anteriormente, um atleta depende do outro, nesse tipo de esporte se um atleta falha, a equipe falha, se um atleta falta dos treinos, a equipe inteira é prejudicada. Após se ingressar em um esporte, a pessoa cada vez mais irá se envolver com o mesmo, e depois de algum tempo, aquele atleta sabe que, qualquer falta, qualquer


descuido em seus treinos irá diminuir seu rendimento. Com isso a pessoa se torna mais responsável, pois sabe que não pode cometer esses erros. E esse comportamento não fica apenas dentro do esporte, a pessoa irá se importar com seus compromissos pessoais da mesma forma que se importa com o esporte. Muitas crianças carentes não possuem condições financeiras para praticar um esporte e são obrigadas a ficarem ociosas boa parte de seus dias, e é nesse intervalo de tempo que o crime se aproveita da situação. A criança não sabe distinguir o certo do errado, e muitas ao serem literalmente arrastadas para o mundo do crime, levam aquilo como uma brincadeira, matam é roubam sem medo algum, em troca

de pouco dinheiro, não só isso, mas também pelo fato de serem menores de idade o crime sempre as procuram, pois elas servem de escudo para os bandidos e chefes do tráfico, já que a lei Brasileira não penaliza os menores infratores. Muitas não se envolvem diretamente, mas indiretamente através das drogas. O menor usuário de droga, fica viciado, passa cada vez mais a depender do vício, fazendo qualquer coisa para mantê-lo, alterando seu comportamento. E a violência surge a partir disso. É aqui que entra o papel do esporte como possibilidade de resgate dessas crianças do mundo das drogas e da criminalidade.

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O esporte exerce forte influência para as crianças, devido ao envolvimento intenso e prolongado, além de propiciar a socialização e uma aproximação positiva da competição através de uma conduta adequada e atmosfera encorajadora [...] O esporte se usado como ferramenta educacional pode transmitir atitudes e valores como: competição, disciplina, autoridade e relações sociais. As crianças têm muito a obter do esporte, através da busca natural pela diversão e espontaneidade, pode adquirir novas habilidades, tornarse mais confiante, aprendendo sobre elas mesmas, sobre amizade e melhorando seu potencial. (VOLTARELLI, MELLISA, 2007, p.04 apud MORTARE, PRISCILA, 2011, p.28)

O esporte basicamente desvia esse caminho, a criança se apaixona por uma modalidade, e passa a querer sempre mais e mais. Por isso deve haver um diálogo entre população e governo para criar mais lugares destinados ao esporte e lazer, e também a criação de políticas de incentivo ao esporte. Por isso a importância de criar mais políticas públicas voltadas para o desenvolvimento da prática esportiva, além de diminuir a violência entre os jovens, pois estes vão se sentir incluídos na sociedade, vai também resolver casos de saúde pública. Muitas vezes a doença que uma pessoa tem é a falta de relacionamento com outras pessoas” (MARCELLINO, BARBOSA E MARIANO, 2006, p.60 apud MORTARE, PRISCILA, 2011) (Imagem 05 - Criança se pendura em barra paralela da Ginástica Artística. Fonte: http://www.diablogym.net/wp-content/uploads/2014/01/60fa6e07911523a3ea620 5e745b8b250.jpg Imagem 06 - Ginasta do Centro de Excelência em Ginástica (CEGIN) em Curitiba - PR, executa movimento na trave de equilíbrio denominado "esquadro". Fonte: http://www.fsindical.com.br/?p=5882)

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O papel das atividades circenses entra aqui; O circo tem uma capacidade incrível de interação com as crianças, quase como se fosse “mágico” ele desperta o lúdico da criança, fazendo com que ela se apaixone por aquele universo, não só as crianças, mas como também adultos. E aquilo que para ela era apenas uma apresentação, irá se tornar uma modalidade, na qual ela irá percorrer toda sua metodologia e pedagogia de ensino, querendo sempre mais, se apaixonando cada vez mais, se desvinculando assim de coisas fúteis que a sociedade ensina, e se vinculando cada vez mais a valores na qual o mesmo e o esporte proporcionam. (Imagem 07, 08, 09 e 10 Respectivamente - Meninos Brincando 1958, Cambalhota 1958, Meninos no Balanço 1960 e Meninos com Carneiro 1959, PORTINARI, CANDIDO. Fonte: http://www.portinari.org.br/)

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Os esportes e as atividades físicas nem sempre estão totalmente ligados às questões de desempenho físico. Em muitos os casos o esporte e a atividade física estão ligados a projetos sociais como metodologia de ensino, utilizado para ensinar atividades comportamentais como descriminação e socialização (MORTARE, PRISCILA, 2011, p.28)

A criança gosta de espaço, liberdade. Com isso a primeira coisa que deve haver quando ela ingressa nesse novo universo é que ela se sinta à vontade. Ela deve se descobrir, suas limitações, suas potencialidades, etc. Para isso a figura do técnico esportivo aqui também é muito importante, porém nessa fase de iniciação, não há nenhum compromisso. A

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criança não tem noção de perigo e o técnico, que aqui é mais conhecido como professor circense, por ser mais experiente, deve apenas orientar, fiscalizar para que nada dê errado, que não aconteça nenhum acidente, já que muitas das práticas circenses são perigosas. Claro que com tempo e com prática, o professor pode começar a exigir os movimentos do aluno. O desenvolvimento da criança deve ocorrer de forma global, de modo que todas as suas potencialidades sejam estimuladas e não apenas a parte cognitiva como se prioriza em alguns momentos. É necessário que ocorra o desenvolvimento afetivo, social e físico, entre outros, oportunizando o máximo possível as mais variadas experiências de realização e vivência das atividades,


sensações e situações, possibilitando assim que ocorra o seu desenvolvimento global. Nesse sentido, a arte circense emerge como um caminho diferenciado e amplo em oportunidades para o exercício didático pedagógico na escola, podendo a criança vivenciar um mundo mágico com as mais diferentes sensações e alegrias, possibilitando a construção de sua identidade; quebrando barreiras, dando liberdade de expressão, aumentando a autoestima e superando limites, tanto os físicos, como os psicológicos e sociais. Além de um grande desenvolvimento psicomotor através das acrobacias, perna de pau, entre outros; também é possível trabalhar e estimular o sentimento de cooperatividade, muito importante para o desenvolvimento social da criança. (COELHO, MARÌLIA; MINATEL, ROSEANE, 2011, p.205)

O circo admite não só as crianças, mas qualquer pessoa, independente do sexo e idade. Principalmente para as pessoas de idade mais avançada o circo mexe muito com a autoestima. A pessoa se desperta, alguns com mais, alguns com menos tempo de prática estarão realizando movimentos que jamais imaginariam fazer. E é claro, assim como todos os valores descritos anteriormente, a pessoa vai levar isso para vida pessoal também. Autoestima não só para vencer suas barreiras físicas, mas como também para enfrentar qualquer problema.

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3 BENEFÍCIOS QUE O ESPORTE PROPORCIONA, OBESIDADE E COMPORTAMENTOS QUE PREJUDICAM A PRÁTICA DE ESPORTES NO BRASIL

O esporte proporciona não só melhorias para aqueles que praticam, para os atletas em si, mas também proporciona melhorias para a sociedade em geral. Dentre as melhorias que o esporte proporciona para o atleta, são várias, na qual podemos citar algumas delas aqui; “Melhoria de condicionamento físico e resistência muscular, possibilitando executar atividades diárias de uma forma mais fácil; Melhoria na saúde geral do corpo, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares; Os exercícios físicos trazem um bem-estar mental, ajudando também no controle da depressão, estresse e ansiedade; Entre vários outros benefícios. (Imagem 11 e 12 - Idosos praticam corrida e natação. Esporte na Terceira Idade. Fontes: http://tgvnoar.zip.net/images/corrida_terceira_idade.jpg http://www.htesports.com.br/2015/05/esporte-e-saude-terceira-idade-deve.html)

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Hoje no Brasil, o esporte é visto como uma atividade capaz de transformar um cidadão perante a sociedade, e também podemos perceber que os espaços destinados a pratica de esportes ou apenas ao lazer contemplativo são considerados elementos geradores de transformações. Com isso, temos cada vez mais projetos que preveem áreas destinadas ao lazer, ao esporte, com equipamentos que podem intervir em uma área muito maior do que apenas a área de implantação, podem gerar novos empregos, atrair investidores, entre outros. (ROSSI, RICARDO, 2010, p.25)

O esporte e as atividades físicas muitas vezes são também usados como metodologias para tratamento de doenças. Fisioterapia, reabilitação, etc.; como é o caso da Natação e Hidroginástica, duas atividades muito

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indicadas para tratamento de pessoas com problemas respiratórios e motores. Há também a Equoterapia, atividade que usa o cavalo como meio para reabilitar pessoas com paralisias, síndromes, etc. Entre diversos outros. O esporte é importante para modernizar nossa visão de mundo, porque ele tem o poder de socializar nações. A prática esportiva também ajuda num mundo melhor com tudo de bom que traz para nós: saúde, autoestima, espirito de equipe, objetivos, entre outros atributos que com certeza vem junto com o esporte. (ROSSI, RICARDO, 2010, p 03)

Apesar de termos mostrado todos esses índices positivos que o esporte apresenta e mesmo boa parte da sociedade ter consciência (Imagem 13 e 14 - Crianças sedentarias comem em frente a televisão. Fontes: http:// www.rkwin.com.br/saude/sedentarismo-ja-e-considerado-doenca-que-atingecriancas-e-jovens/ http://www.dicasdemulher.com.br/wp-content/uploads/2012/07/previna-seu-filhoda-obesidade-infantil.jpg)

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disso, infelizmente ainda moramos em um país totalmente sedentário. Talvez por falta de interesse da população que não encontra equipamentos de boa qualidade na qual possam desenvolver uma atividade física ou esportiva, ou por falta de estímulo do governo criando políticas de incentivo ao esporte, propaganda, etc. Dessa forma, cada vez mais a população se torna sedentária e obesa. Falando desse jeito não parece surtir muito efeito, mas a própria população e o governo devem ter a consciência de que, quanto mais as pessoas forem obesas, maior são os riscos de mortes por doenças cardiovasculares, consequentemente; cada vez mais nossos hospitais irão estar sobrecarregados.


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Na cidade de São Paulo, aproximadamente 70% da população foram classificados como sedentários no tempo de lazer no início da década de 90. Este problema é mais dramático em populações de menor nível socioeconômico e educacional." (KEIHAN, VICTOR; ERINALDO, MARIO, 2007, p. 141 apud MORTARE, PRISCILA, 2011, p.20).

Outro fator que nos tempos modernos está fazendo com que a população se torne cada vez mais obesa e sedentária e de que cada vez menos procurem praticar alguma atividade física ou esporte, são os aparelhos eletrônicos e os avanços tecnológicos. Três grandes exemplos são; o celular, as mídias sociais e os jogos eletrônicos, que a cada dia que passa, distanciam mais as pessoas

de uma comunicação mais pessoal (cara a cara, olho no olho). As pessoas estão cada vez mais trancafiando-se dentro de suas casas. Parece que a cada dia que passa a população se torna mais ignorante. “(...)Muitas vezes a doença que uma pessoa tem é a falta de relacionamento com outras pessoas” (MARCELLINO, BARBOSA E MARIANO, 2006, p.60). 10,02% da população Brasileira pratica atividade física regularmente. Outro fator que faz a sociedade cada vez mais sedentária são os avanços tecnológicos(...) “Os avanços tecnológicos e a virtualidade farão com que nos tornemos cada vez mais sedentários aumentando o risco de tornarmos obesos, devido à falta de movimento” (MORTARE, PRISCILA, 2011, p.20) (Imagem 15 - Imagem ilustrando a geração viciada em uso de aparelhos celulares. Fonte: https://rpjr.files.wordpress.com/2013/09/anuncio-windows-mobile.jpg)

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O celular, as mídias sociais e os jogos eletrônicos de forma alguma são meios negativos, pelo contrário, são meios que vieram para facilitar e entreter nossas vidas, porém o que as pessoas não percebem é o uso abusivo do qual estamos fazendo desses aparelhos e tecnologias, deixando de lado outros compromissos e atividades das quais nosso corpo e mente necessita no dia a dia.

mais “grandinho”, jogava futebol descalço no asfalto, brincava na rua, “pique-esconde”, “pega-pega”, “mamãe da rua”, “Estrela nova cela” eram brincadeiras de rua que fizeram parte de minha infância e adolescência. Antigamente, na infância, as meninas ganhavam bonecas, os meninos carrinhos, hoje em dia a criança mal completa um ano de idade e já ganha um tablet ou aparelho celular.

Antigamente os pais e familiares controlavam esse uso abusivo por parte dos filhos, mas como se proceder com uma sociedade atual na qual até os próprios pais fazem parte dessa realidade. A criança já nasce em meio a tecnologia. Lembro-me de quando era criança, brincar de carrinho. Um pouco

Devemos rever nossos conceitos e práticas a fim de reestruturar todos esses problemas anteriormente descritos, com o intuito de proporcionar uma saúde física e mental as pessoas e a toda uma população.

(Imagem 16 e 17 - Crianças na era da tecnologia. Fontes: http://img.ibxk.com. br//2014/08/04/04192453244617.jpg http://www.paisefilhos.com.br/wp-content/uploads/img/materias/materia/ dispositivos_619.jpg)

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4 GINÁSTICA OLÍMPICA NAS ESCOLAS E PRECONCEITO QUE GIRA EM TORNO DA MESMA E COM O CIRCO

Infelizmente no Brasil ainda há uma discriminação pela prática de algumas atividades e esportes, talvez pelo fato do Brasil possuir uma cultura esportiva voltada apenas para o futebol, quando se apresenta algo novo, imediatamente há um certo preconceito por parte da sociedade, é o caso das atividades circenses e da Ginástica Olímpica. Que infelizmente ainda são esportes e práticas pouco difundidas no Brasil. No caso do circo, a sociedade ainda tem uma visão centrada de que o circo é um lugar sujo, de ciganos, de animais, etc. Tenho certeza que ao falarem a palavra “Circo” e te pedirem para associala com alguma coisa, você provavelmente iria associar com a figura do palhaço, onde muitas pessoas acreditam ser uma prática

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pouco séria, sendo que é totalmente o oposto. “Está me achando com cara de palhaço? ”ou seja; “Está me achando com cara de bobo? ”A figura do palhaço pode até parecer ser boba, boba no sentido de atrapalhada, mas não é de nenhuma forma burra. Todo palhaço é um artista, e por trás de todo artista a uma pessoa na qual trabalha bastante para apresentar ou exercer aquela figura. (Imagem 18 e 19 - Palhaços durante o festival paulista de Circo e Palhaço Tallarin e Palhaça Banana durante o evento Festclown. Fontes: http://www. miguelarcanjoprado.com/2013/09/15/festival-paulista-de-circo-leva-riso-apiracicaba/ http://www.funarte.gov.br/circo/sesc-festclown-festival-internacional-de-palhacos2011-df/


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A atividade circense vem se manifestando ao longo da história e se adequando a cada realidade social. Acredita-se que estas novas formas de manifestações artísticas, que contemplam o universo circense, estão em união com outras artes, fazendo com que o circo continue contemporâneo. A atividade circense se transforma e se adequa às mudanças, pois desde seu nascimento, o circo é uma casa de espetáculos bastante híbridos, fazendo sempre mudanças para se adequar ao seu público atual. (COELHO, MARÌLIA; MINATEL, ROSEANE, p.204)

O circo mudou bastante desde seus primórdios, poucas pessoas sabem mas existem práticas no circo que se assemelham a de outros esportes, ex.: Ginástica Artística. O trapézio se assemelha as barras, as argolas se

assemelham as faixas acrobáticas, sem falar nas acrobacias de solo, presentes em ambas atividades. A grande diferença é que o circo é mais artístico enquanto a Ginástica Olímpica é mais técnica. O artista circense é como se fosse um atleta de alto rendimento, por trás de toda apresentação há anos de treino e aperfeiçoamento em uma modalidade. A dificuldade de incorporar as atividades circenses ao programa indica uma antiga discriminação vivida pelo circo, a de que esta prática é uma diversão descomprometida que não pretendia educar, apenas encantar” (SOARES, 2002, p. 55 apud TAKAMORI, FLORA et al. 2010, p.05)

(Imagem 20 e 21- Andrey Moraru, Paradista Ucraniano executa figuras sobre cadeiras na noite de abertura do espetáculo "Cirque Dreams Illumination" na praça de artes cívicas em Thousand Oaks , California, 2010. Fonte: http://www.zimbio. com/pictures/3QCpapeQmav/Cirque+Dreams+Illumination+Opening+Night/ XyeLKjkF5Qr/Andrey+Moraru)

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É nesse ponto em que alguns profissionais da área de Educação Física estão em uma busca incessante para inserir o circo no cotidiano das escolas públicas, pois sabem do seu potencial disciplinador, assim como a Ginástica Olímpica. A cultura circense une histórica e geograficamente um povo, e, dentro desta perspectiva, facilita o processo de ensino e aprendizagem pela reflexão sobre a identidade social de um grupo, intermediando as relações contextualizadoras com a realidade e propondo medidas de sustentabilidade. Assim, a inserção das atividades circenses na escola oportuniza a desmistificação de alguns equívocos próprios ao senso comum acerca desse tipo de atividade, como, por exemplo, o de que é prática pouco séria, enganosa, pouco organizada, realizada por pessoas que não merecem respeito (TAKAMORI, FLORA et al., 2010, p.02)

Claramente conseguimos perceber um certo desinteresse por parte dos Brasileiros com a ginástica, pelo simples fato de não saberem diferenciar uma das outras. A informação e divulgação para com o esporte é baixa, mas nem por isso deixamos de ouvir falar sobre ele e mesmo assim ainda há confusão. Ginástica Artística é aquela onde os atletas usam aparelhos para realizar seus movimentos, como as argolas, barras, solo, cavalo com alças, trave, etc. Essa todo mundo conhece, devido também aos grandes nomes que fizeram história no esporte, como por exemplo; os irmãos Hypólito, Daiane dos Santos, Jade Barbosa e atualmente o campeão nas argolas das Olimpíadas de Londres de 2008, Arthur Zanetti. Porém poucos sabem que a (Imagem 22 e 23 - Ginasta Sergio Sasaki executa movimentos no solo e no cavalo com alças de variação de "flare" nas Olimpíadas de Londres, 2012. Fontes: http://timebrasil. homol.cob.org.br/midias/cropped/2013/04/01/78zQPmfBbTGng3Y9Hrd367a2c8/800x60 0.78zQPmfBbTGng3Y9Hrd367a2c8.jpg http://img.estadao.com.br/fotos/2B/95/67/2B956732C3584775A08EA9BBFB4956C2.jpg)

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denominação correta dessa ginástica é: Artística. Existe também aquela ginástica que usa o que chamamos de elementos: (bola, corda, arco, maças e fitas). Praticada predominantemente por mulheres. As pessoas a reconhecem visualmente, mas poucos sabem que a real denominação dessa ginastica é: Rítmica. As duas anteriormente descritas são as mais famosas, porem existem outras que muitos Brasileiros nem as conhecem pelo fato de não serem muito divulgadas, como por exemplo a ginástica de trampolim e a ginastica acrobática (Acrobática não é considerada modalidade olímpica). Juntas as quatro formam o que chamamos de Ginástica “Olímpica”, devido a sua aplicação nas olimpíadas. A grande diferença (Imagem 24, 25 e 26 Respectivamente - Andressa Jardim e Angelica Kvieczynski, atletas da Ginástica Rítimica Brasileira e Alexandra Piscupescu, atleta Romena. Fontes: http://www.cbginastica.com.br/noticia/226/campeonato-mundial-deginastica-ritmica-sabado-20-e-marcado-por-treinos-de-podio http://rederecord.r7.com/pan-guadalajara-2011/fotos/veja-preparacao-daginastica-ritmica-para-o-pan/foto/1.html#fotos http://desabafosagridoces.blogs.sapo.pt/2012/08/?page=2)

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é de que as ginásticas são reconhecidas como esporte enquanto o circo é reconhecido como arte. Pode também não parecer, mas ainda nos tempos de hoje, há uma discriminação com o esporte, “Esporte destinado a meninas”, “Homem que pratica é gay” e por aí a fora, ou seja, um comportamento totalmente cultural. Há também um certo preconceito por parte dos professores e educadores físicos presentes nas escolas públicas, já que pelo fato de não conhecerem muito a respeito do universo, não se propõem a ensinar nas escolas tal conteúdo. Muitos também não ensinam a ginástica olímpica nas escolas pois pensam que a mesma demanda muitos equipamentos para ser ensinada, e já foi comprovado, que na prática não se precisa de muitos equipamentos para transmitir os

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conhecimentos e movimentos básicos da mesma. É possível ensinar os movimentos básicos e alguns saltos mais avançados com simples colchões esportivos. Por ser um conteúdo esquecido e escanteado na Educação Física escolar, alguns aspectos obstaculizam sua tematização nas aulas, a saber: o discurso dos professores que não se sentem preparados para ministrar estas aulas, por não terem vivenciado a ginástica enquanto esporte ou enquanto formação na academia; a falta de materiais para a prática deste esporte no âmbito escolar, e a generificação desta prática corporal como pertencente ao universo feminino. (CHAVES, PAULA, et al. 2010, p.57)

E como se não bastasse ainda existe uma cultura de corpos ideais para a prática do esporte,

(Imagem 27 - Meninas treinam movimentos coreográficos no Ginásio anexo do Bolão, no Conjunto Poliesportivo Dr. Nicolino de Lucca em Jundiaí- SP. Fonte: http:// www.jundiai.sp.gov.br/noticias/2013/02/21/ginastica-artistica-volta-aos-treinoscom-forca-total/)


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corpos magros, fortes e de estatura baixa. InfelizmenteumcaráterdaGinasticaOlímpica que jamais irá mudar é isso, sua característica de esporte de alto rendimento. Mesmo em tempos modernos, infelizmente os ginásios esportivos só admitem pessoas com esse biótipo ou próximos a ele. Pessoas que começam desde cedo, ou seja, crianças. Você não pode simplesmente chegar em um ginásio com vinte anos de idade e resolver fazer alguma das ginásticas, porém esse padrão “extremamente rigoroso” ao meu ver, deveria mudar. E esse é um dos motivos que muitas pessoas ao tentarem entrar na Ginástica Olímpica com uma idade avançada e ao se esbarrarem nesse padrão, procuram o Circo, pois o Circo não vê empecilhos para ensinar suas modalidades.

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Há também casos de atletas experientes da Ginástica Olímpica, que ao esbarrarem em seus padrões rigorosos, e muitos não irão “deslanchar” na carreira, digamos assim, na vida de atleta, no esporte profissional, ou seja, ganhar medalhas, competir, etc. Procuram o Circo, e muitos se descobrem dentro dele, seja um profissional ou amador. Esses são um dos motivos para qual cada vez mais surgem lugares na qual conhecemos por Escolas de Circo ou Circo-Escola (Entidades destinadas a ensinar a metodologia e as modalidades de circo, ex.: (Escola Nacional de Circo do Rio de Janeiro) No Brasil, a inclusão das atividades físicas circenses também começa a dar seus primeiros passos. Há notícias da existência de escolas públicas e


privadas em algumas regiões (São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, etc.) que já incluem as atividades circenses como conteúdo da Educação Física em diferentes níveis, graças principalmente à ação de profissionais que se sentem sensibilizados com esta questão por já terem vivido algum tipo de experiência nesta área. (BORTOLETO; MACHADO, 2003, p. 45 apud TAKAMORI, FLORA et al. 2010, p.04)

Talvez seja por essas barreiras culturais que muitos talentos esportivos ainda continuam escondidos no Brasil. Desta forma um dos principais pontos a serem levantados no trabalho de final de graduação (TFG), é desmitificar essas questões e apresentar um novo ponto de vista sobre o Circo e a Ginástica Olímpica, e ao final da monografia, propor um edifício para tais práticas. (Imagem 28 - Professor auxilia criança na execução de movimento no Centro de Excelência Esportiva Dorival Cieni em Vinhedo - SP. Fonte: http://www.vinhedo. sp.gov.br/noticia.php?id=8348)

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5 ORGANIZAÇÃO DO ESPORTE NO BRASIL, PROGRAMAS, CAPTAÇÃO DE RECURSOS E AS POLÍTICAS DE INCENTIVO AO MESMO.

Atualmente a organização do esporte é definida da seguinte forma, Organização Governamental em nível federal existe o Ministério do Esporte e a Secretária Nacional de Esporte de Alto Rendimento. No nível estadual, existem as Secretarias Estaduais de Esporte. No nível municipal as Secretarias Municipais de esporte. No âmbito não governamental em uma escala federal existe o COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e as Confederações esportivas. No nível estadual existem as Federações esportivas. E no nível municipal existem os Clubes Privados, Associações Esportivas e as Prefeituras. A captação de recursos destinados ao esporte é feita através de programas e leis de incentivo provenientes de renúncia fiscal. Sendo a principal destinada ao esporte a Lei de Incentivo ao Esporte

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– Lei 11.438/2006. Um dos problemas em relação a organização esportiva no Brasil é de que o governo investi seu recurso apenas em esportes Olímpicos e Paraolímpicos, ou seja, esportes de alto rendimento, e normalmente a verba é investida em sua maior parte nos esportes que possuem maior chance de vitórias em eventos esportivos, como; Jogos e Campeonatos Mundiais, Jogos Pan-americanos e Olimpíadas. "Coordenação da entrada de apoios (direção horizontal): as despesas para o esporte de elite a nível nacional são centralizadas, documentadas e coordenadas, não existe espaço para sobreposição de tarefas" - no Brasil, existe interação horizontal entre o Ministério do Esporte e o COB. O COB possui o objetivo de desenvolver os esportes olímpicos no país, para isso recebe repasse de 85% de 2% da arrecadação bruta de todas as


loterias federais do país, estipulado pela Lei nº 10.264, sancionada em julho de 2001 (Rev.bras. Educ.Fís.Esporte, São Paulo, v.26, n.2, p.251-62, abr./jun.2012 apud MEIRA, TATIANA et al, p.05)

Outro meio de captação de recursos é através de empresas estatais como por exemplo a Petrobrás, Correios, etc. que também investem e patrocinam apenas os atletas de alto rendimento e não o “esporte para todos” Esporte amador. Em relação as políticas de incentivo ao esporte o Brasil possuí, e o responsável pelas mesmas é o Ministério do Esporte. O Ministério do Esporte é responsável por construir uma Política Nacional de Esporte. Além de desenvolver o esporte de alto rendimento, o Ministério trabalha ações de inclusão social por meio do esporte, garantindo à população brasileira

o acesso gratuito à prática esportiva, qualidade de vida e desenvolvimento humano, em termos institucionais,érepresentadopeloMinistrodoEsporte No âmbito municipal também é possível captar recursos para projetos nestas três áreas. Cada município se organiza de forma diferente, e pode oferecer recursos através de fundos específicos por meiodeeditaisetambémleisdeincentivo,nestecaso através de renúncia fiscal de impostos municipais, com a demanda por captação de patrocinadores. Não somente o governo, mas também o setor privado participa deste cenário, seja através do uso dos mecanismos incentivados por lei, direcionando parte de seus impostos, e também com recursos diretos, provenientes de verbas de marketing ou responsabilidade social. (CLARISSA, ISER disponível em: <http://captacao.org/recursos/ artigos/1179-fontes-de-recursos-para-esportecultura-e-turismo> Acesso em: 10 de maio de 2015)

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Quanto a propaganda de incentivo ao esporte, o Brasil ainda é muito deficiente nessa parte. Ao entrar na página oficial do Ministério do Esporte no Facebook é possível observar que a divulgação pela internet para com o mesmo é muito boa. A divulgação chega a ser diária, através de fotos, slogans e até reportagens incentivando a prática de atividades físicas, esportivas e até mesmo sobre bem-estar em si, porém a propaganda televisiva é muito fraca, raramente vemos alguma propaganda do Ministério do Esporte no horário nobre da televisão Brasileira por exemplo. Acredito que se fosse investido mais recursos nessa área, nosso país iria possuir um número maior de atletas profissionais e amadores. Não só isso, mas como também incentivaria mais pessoas a terem uma vida mais saudável, evitando alguns problemas já mencionados anteriormente,

como Sedentarismo, Obesidade, Estresse, etc. Talvez eles invistam mais na propaganda pela internet, pois é um meio mais barato, as vezes até gratuito (Como é o caso do Facebook e YouTube, através do sistema de “páginas”). Sabem que quanto maior for a divulgação pela televisão, maior seria a procura, sendo assim, maior seria a cobrança por lugares, ginásios e aparelhos de qualidade destinados ao esporte e lazer. 5.1 PROGRAMAS DO MINISTÉRIO DO ESPORTE

Lei de Incentivo ao Esporte Em funcionamento desde 2007 a Lei de incentivo ao esporte é um programa elaborado pelo governo Federal na qual, qualquer pessoa física ou

(Imagem 29 e 30 - Propagandas de apoio esportivo, Petrobras e Correios. Fontes: https://valberlucio.files.wordpress.com/2014/06/esporte-cidadania.jpg?w=1112 http://payload311.cargocollective.com/1/17/547907/8522154/Anuncios2_1200.jpg)

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jurídica consegue doar até 6% de seu imposto de renda para projetos esportivos. O programa funciona da seguinte forma, você escolhe um esporte na qual gostaria de investir (Lista já elaborada pelo governo federal) e doa o dinheiro na conta do proponente, dessa forma será emitido um recibo na qual o Ministério do Esporte encaminhará até a Receita Federal, que abate o valor depositado em seu Imposto de Renda. Você consegue ainda através do site do Ministério do Esporte, consultar a captação de recursos destinados a Lei, que são classificados por Ano, Unidade federal e Manifestação desportiva. Bolsa Atleta Programa de Incentivo direto ao atleta, o Bolsa Atleta. Desde de 2005 o Governo Brasileiro mantém o programa. O programa basicamente funciona

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como patrocínio direto aos atletas Brasileiros que conseguem bons resultados em competições nacionais e internacionais de suas modalidades. O objetivo do programa e garantir condições financeiras mínimas para que o atleta se dedique ao treinamento de seu esporte com tranquilidade e exclusividade para competições locais, sulamericanas, pan-americanas, mundiais, olímpicas e paraolímpicas. O dinheiro é depositado durante o ano em conta especifica do atleta na Caixa Econômica Federal. E a prioridade é para atletas que compõem os programas dos jogos Olímpicos, ou seja, Esportes Olímpicos. Atualmente existem cinco categorias de bolsa: Atleta de Base, Estudantil, Nacional, Internacional e Olímpico/Paraolímpico, há também uma bolsa chamada de Bolsa Pódio,


no qual são beneficiados atletas com chances reais de vitória nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro em 2016. É permitido ainda que os beneficiados possam ser patrocinados por outras empresas, etc. Plano Brasil Medalhas Plano Brasil Medalhas 2016, é um programa em vigor desde 2012 lançado pela presidenta da república Dilma Rousseff e o Ministério do Esporte que tem como objetivo colocar o Brasil entre os dez finalistas das olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro e entre os cinco primeiros nas Paraolimpíadas. Para isso o governo aplicou R$ 1 Bilhão nos esportes olímpicos. Sendo que R$ 690 milhões desse montante é investido nas seleções, em contratações de técnicos e equipes multidisciplinares, viagens, e aparelhagens especificas para treinamento da mesma. O outros R$

310 milhões estão sendo investidos na infraestrutura. Construção e reestruturação de aparelhos, equipamentos e centros esportivos já existentes. Rede Nacional de Treinamentos A Rede tem como objetivo identificar e desenvolver o talento esportivo dos jovens atletas nas modalidades olímpicas, desde categorias de base até a elite esportiva. Para isso a mesma é composta por centros de treinamento de alto rendimento, nacionais, regionais e locais e é coordenada pelo Ministério do Esporte em parceria com o COB e CPB (Comitê Paraolímpico Brasileiro) e Centros regionais e locais. Está sendo estruturada pelo Governo Federal em parceria com estados e municípios.

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Atleta na Escola Em 2016 o Brasil irá sediar as Olimpíadas e Paraolimpíadas, tendo em vista esse cenário, em 2013 teve início o programa Atleta na Escola, que tem como objetivo incentivar a prática esportiva dentro das escolas, facilitar o acesso ao esporte e divulgar os valores olímpicos entre os estudantes da educação básica. Identificar e estimular a formação de novos atletas e jovens talentos no ambiente escolar. (Imagem 31 e 32 - Slogans do Ministério do Esporte, Lei de Incentivo ao Esporte e Pratique Circo. Fonte: https://www.facebook.com/MinisteriodoEsporte/photos_stream)

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5.2 ORGANIZAÇÃO DO ESPORTE E PROGRAMAS NA CIDADE DE RIBEIRÃO PRETO - SP

No município de Ribeirão Preto quem fiscaliza as questões relacionadas ao esporte é a Prefeitura Municipal em parceria com a Secretaria de Esportes. A Secretaria possuí três departamentos específicos; O gabinete do Secretário, atualmente dirigido por Luchesi Júnior, o Departamento de Desportos que é constituído por várias seções e divisões: (1. Divisão do Desporto, 1.1 Seção de Iniciação Esportiva, 1.2 Seção de Programas Desportivos Especiais, 2. Divisão do Conjunto Poli Esportivo "Elba de Pádua Lima", 3. Divisão de Pólos Desportivos, 3.1 Seção de Campos Distritais e Quadras Poliesportivas, 3.2 Seção do Centro Social Urbano de Vila Virgínia – CSU, 3.3 Seção do Clube Jardim Independência)

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E o Departamento Administrativo: (1. Seção de Gerenciamento de Pessoal, 2. Seção de Gerenciamento Administrativo e de Custo Operacional, 2.1 Setor de Sub-Almoxarifado) E também possuí diversos programas, sendo os de maior destaque: Projeto Desportivo em Entidades: Parcerias firmadas com órgãos e entidades de terceiros a fim de proporcionar atividades esportivas nesses espaços. Entre as entidades associadas estão: AABB (Associação Atlética Banco do Brasil), Academia Bruno Galatti, UNAERP, Barão de Mauá e a Sociedade Recreativa e de Esportes (Recra)


Programa de Desporto de Competição e Alto Rendimento: Alguns esportes possuem órgãos associados a fim de realizar Projetos de Manutenção, patrocínio e treinamento de equipes para participação em competições, ex.: Atletismo - (parceria com a AAARP), Bocha - (parceria com Liga de Bochas), Futebol de Campo - (Parceria com Botafogo F. C. e Comercial F. C.), Handebol - (Parceria Barão de Mauá), Natação - (Parceria UNAERP), Tênis de Mesa - (Parceria com Palestra Itália / Associação dos Servidores Municipais), Xadrez - (Parceria com Clube Enxadrístico) Programa de Atividades Comunitárias: CEJA - Centro de Jornada Ampliada: Programação e realização de atividades esportivas, recreativas e de lazer para a

comunidade em geral, nas instalações do Centro de Jornada Ampliada da Vila Virgínia. Projeto CRE - Centro Recreativo e Esportivo do Jardim Independência: Programação e realização de atividades esportivas, recreativas e de lazer para a comunidade em geral e coordenação de uso pela população, nas instalações do Centro Recreativo e Esportivo "Manoel Câmara" no Jardim Independência. Comissões Comunitárias de Coordenação: Contato, controle e organização das Comissões Comunitárias de parceria na Coordenação do isso dos Campos Distritais de Futebol e Quadras Poliesportivas Comunitárias Municipais.

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Programas com apoio da Secretaria Municipal de Esportes, desenvolvidos via Lei Paulista de Incentivo ao Esporte: Nadando na Frente; Centro de Convivência Lacultesp; e Pedalando para o Futuro. Programa de Eventos Desportivos: Jogos da Primavera; Olimpic (Olimpíada do PIC - Programa de Integração Comunitária) e Torneio Interno de Escolinhas de Futebol. (Imagem 33, 34 e 35 Respectivamente - Equipe Ribeirão-pretana de Judô; Cava do Bosque cedia Copa Brasil Junior de Polo Aquático; Entrada do Complexo Esportivo Elba de Pádua Lima. Fontes: http://www.boletimosotogari.com/2015/02/equipe-dejudo-de-ribeirao-preto-comeca.html http://sesi-sp-wp.blogspot.com.br/2015_07_01_archive.html http://sobreviventesdoamanha.blogspot.com.br/2010/11/6-copa-kamikaze-sportsde-jiu-jitsu.html)

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6 LOCAIS DESTINADOS AO CIRCO, ESPORTE E LAZER EM RIBEIRÃO PRETO E SUA ATUAL SITUAÇÃO

Ribeirão Preto demanda de áreas de lazer e complexos esportivos de caráter público. Atualmente a cidade possuí apenas o complexo esportivo Elba de Pádua Lima (Cava do Bosque), localizado na rua Camilo de Matos, nº 627 no bairro Campos Elíseos. O mesmo possuí uma infraestrutura de qualidade que dá suporte aos atletas, porém seus aparelhos e equipamentos não possuem a qualidade e manutenção que deveriam possuir. Hoje o complexo esportivo da Cava do Bosque é composto por diversos equipamentos que abrigam algumas modalidades esportivas. São esses os equipamentos; quadra poliesportiva com acomodações para imprensa local e vestiários; quadradefutsalcomsanitáriosmasculinoefeminino; tatames para a prática de artes marciais e ginástica olímpica, piscina olímpica e vestiário; piscina

infantil para recreação; alojamentos com suíte; pista de atletismo; campo de futebol; academia; lanchonete; salas multiuso; estacionamento interno com capacidade de 12 veículos e 01 ônibus e almoxarifado. (ROSSI, RICARDO, 2010, p.25)

Muitas modalidades disputam o mesmo espaço como é o caso do Judô e da Ginástica Olímpica. Os atletas do Judô não possuem um espaço reservado para suas atividades e são obrigados a usarem o tablado do solo da Ginástica. Ou seja, é o mesmo espaço para ambas atividades. Outro local do complexo esportivo que se encontra deficitário é a parte destinada ao Atletismo. A pista de corrida não oferece as melhores condições, há lugares onde as juntas do piso estão totalmente expostas, ou as vezes encontra-se (Imagem 36 e 37 Respectivamente - Fotos aéreas do Complexo Esportivo Elba de Pádua Lima, Cava do Bosque em Ribeirão Preto - SP. Fontes: http://www.radio79. com.br/noticias_detalhes.php?id=32 http://blogbetocangussu.blogspot.com.br/2013/07/uso-do-complexo-esportivoda-cava-do.html)

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buracos espalhados ao longo do piso, oferendo risco aos atletas (tropeços e quedas). Fora que não há uma pintura de qualidade indicando as divisões das raias, os pontos de largada e chegada e a própria cor do piso da pista em si. Não há iluminação no entorno da mesma, impossibilitando os atletas de treinarem no período noturno. Há também um certo embate entre quem treina competitivamente e quem frequenta a pista de corrida para caminhada e lazer. Pelo fato do complexo ser público, muitas pessoas (não atletas) caminham na pista. Muitos atletas (Corredores e Velocistas) relatam que não há uma fiscalização por parte do complexo em orientar as pessoas, ocasionando assim uma disputa de espaço e as vezes acidentes como relata Sueli Vieira, fundista que treina na Cava:

“Mês passado cheguei a ir à pista da Cava, no início da noite, para correr e encontrei as luzes apagadas. Isso prejudica os atletas que trabalham durante o dia e treinam à noite” “As pessoas vão caminhar com bebê no carrinho. Já aconteceu de adolescentes levarem bola. A raia número 1 sempre foi para treinar, mas muita gente não respeita” (Disponível em: <http://www.jornalacidade.com.br/esportes/ esportes_internaNOT.aspx?idnoticia=849467> Acesso em: 10 de maio de 2015)

Esse embate todo até levou a um estudo por parte da Secretaria de Esportes para implantar catracas no complexo esportivo, coibindo assim populares que frequentam o local. Esse estudo acarretou muita discussão e confusão, já que o complexo tem caráter (Imagem 38 e 39 Respectivamente - Treinamento da equipe de Judô e Ginástica Artística de Ribeirão Preto - SP. Fontes: https://www.facebook.com/photo.php?fbi d=417968858362717&set=a.161947177298221.1073741826.100004488190432&type=1 &theater https://www.facebook.com/ginasticaribeirao/photos/pb.1534195373465031.2207520000.1431268732./1534662500084985/?type=3&theater)

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público, fazendo com que a Secretaria de Esportes nem entrasse mais a fundo na ideia. Talvez os equipamentos que possuam a melhor infraestrutura e a melhor manutenção no complexo atualmente, sejam a Piscina Olímpica e a Quadra Poliesportiva. A Piscina Luiz Antonio Musa Julião possuí uma arquibancada coberta para mil espectadores sentados, água aquecida e está em constante manutenção devido aos alunos regulares do complexo que sempre a utilizam, que juntos somam mais de novecentas pessoas e também pelo fato da mesma sempre estar sediando eventos esportivos referentes a essa modalidade. (Imagem 40, 41 e 42 Respectivamente - 6ª Copa Kamikaze Sports de Jiu-Jitsu; Piscina Luiz Antonio Musa Julião; 12° Copa Kamikaze Sports de Jiu-Jitsu. Fonte: http://

sobreviventesdoamanha.blogspot.com.br/2010/11/6-copa-kamikaze-sports-de-jiujitsu.html https://www.facebook.com/jhowbjj/photos/a.710317095755655.1073741851.615143 825272983/710321979088500/?type=1&theater) https://www.facebook.com/jhowbjj/photos/a.710317095755655.1073741851.615143 825272983/710317612422270/?type=1&theater

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E também a quadra poliesportiva que fica localizada dentro da famosa cúpula do complexo esportivo, conhecido por Ginásio Gavino Virdes. A quadra e toda infraestrutura da cúpula, como pilares, arquibancadas, parapeitos, etc., passaram por diversas reformas desde sua inauguração. Atualmente a mesma se encontra em um estado de boa qualidade e conservação e é usada regularmente pelas Equipes de Basquetebol, Futsal, Handebol e Voleibol, fora as competições na qual o Ginásio sedia. Quanto as escolas circenses, existem apenas duas e são particulares; a Cidade do Circo, localizada na Avenida Caramuru, nº 1568 no bairro República e o Espaço Profi de Circo localizado na rua Brasilina Alves Ferreira, nº 30, no Jardim Palmares.

A Cidade do Circo possuí um terreno maior do que o Espaço Profi, o grande problema é que o terreno da escola tem um desnível muito grande (Localizado aproximadamente no meio do trajeto da Avenida Caramuru o terreno fica em um fundo de vale próximo ao leito do Córrego Ribeirão Preto, por isso o grande desnível) e o lugar onde se concentram as modalidades não é completamente nivelado, ou seja; os alunos treinam no desnível que acompanha o terreno. Para certas modalidades como a Parada-de-Mãos e a Acrobacia de Solo, esse fator pode ser um pouco prejudicial, pois quanto mais plano for a superfície, mais fácil será de executar os movimentos. Diferente da Cidade do Circo onde seu espaço destinado as modalidades ficam em (Imagem 43 e 44 Respectivamente - Vista aérea da antiga tenda da escola Cidade do Circo; Professores fazem malabares no espaço interno da atual tenda. Fontes: http://convencaopaulistamalabarismo.blogspot.com.br/p/infra-estrutura.html https://i.vimeocdn.com/video/468346583_640.jpg)

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uma tenda com laterais abertas, seguindo o padrão clássico da estrutura do circo (Estrutura metálica e Lona) O Espaço Profi fica localizado dentro de um galpão com cobertura feita em estrutura metálica, possibilitando assim melhores treinos em dias de chuva e vento. Mesmo sendo de caráter particular e não possuindo a melhor estrutura, espaço e arquitetura possíveis, ambas atendem atualmente uma quantidade impressionante de alunos, o que mostra um crescimento de pessoas interessadas nessa prática. Ambas possuem excelentes professores, profissionais da área e ensinam a maior parte das modalidades clássicas do circo, como: Acrobacia (Imagem 45, 46 e 47 Respectivamente - Vista externa da tenda da escola Cidade do Circo no terreno da escola; Ronaldo da Silva, professor da escola auxilia criança sobre o trapézio; Nem de Jesus, professor da escola, auxília crianças sobre a trave de equilibrio. Fontes: http://convencaopaulistamalabarismo.blogspot.com.br/p/ infra-estrutura.html http://www.deolhojornal.com/node/2251)

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de Solo, Cama Elástica, Faixa Acrobática, Lira, Malabares, Palhaço, Parada-de-Mãos, Portagem, Tecido Acrobático e Trapézio Estático. Parques e áreas destinadas ao Esporte e Lazer que possuem “uma” expressão na cidade, são três; O parquePrefeitoLuizRobertoJábali(Curupira),oparque municipal Maurilio Biagi. E o parque Dr. Luis Carlos Raya. O parque Curupira atualmente está em um estado precário, não há uma manutenção frequente no mesmo. Os lagos das carpas viraram uma várzea absoluta, a grama alta toma conta do parque. (Há aqueles que entendem que o parque fica mais bonito dessa forma, com uma aparência natural, sem tratamento, sem paisagismo, já que o parque é quase como um bosque) porém os locais


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destinados ao âmbito esportivo, como a pista de corrida no centro do parque e os equipamentos de ginástica ao ar livre não estão no melhor estado possível. Os banheiros estão deteriorados e o principal bebedouro do parque está quebrado, obrigando com que os usuários tragam água de casa. E por fim a iluminação é bem precária no parque, a partir das 18h00, 19h00 horas é praticamente impossível caminhar ou treinar no mesmo. A única coisa que funciona no parque é a cantina. O parque Maurílio Biagi passou por uma reforma, e em 2010 foi reinaugurado, atualmente o Parque Maurílio Biagi conta com equipamentos de exercícios físicos ao ar livre quadras de areia, o resultado disso é um grande público frequentando o Parque. (MORTARE, PRISCILA, 2011, p.54) (Imagem 48 e 49 Respectivamente - Situação precária dos banheiros; Cantina do parque municipal Luiz Roberto Jabali, (Parque Curupira) em Ribeirão Preto - SP. Fontes: Fotos elaboradas pelo autor)

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(Imagem 50, 51, 52 e 53 Respectivamente - Brejos no parque; Cartaz de aviso sobre bebedouros; Má iluminação do parque durante à noite; Mato alto toma conta de equipamentos do parque. Imagens do parque Luiz Roberto Jabali, (Parque Curupira) em Ribeirão Preto - SP. Fontes: 50 e 51, elaboradas pelo autor; 52 e 53: https://www.facebook.com/BarAttackRP/photos/pb.545656765480173.2207520000.1446399576./880083348704178/?type=3&theater) http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/ribeiraopreto/1231873-parques-publicosde-ribeirao-preto-sp-tem-manutencao-precaria.shtml

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O parque Maurilio Biagi recentemente passou por uma segunda reforma e fechamento em 2014 para dedetização de “supostos” carrapatos que infestaram o parque devido as capivaras que circulavam no córrego Ribeirão Preto que corta o mesmo. Recentemente ele reabriu pela segunda vez, desde sua inauguração em 2010. Dentre os três parques ele é o que possuí a melhor programação destinada ao esporte (Pista de skate, quadras de Basquete e Futebol, quadra de Vôlei de Praia, pista para caminhada, ciclovia interna, equipamentos de ginástica ao ar livre e banheiros). Apesar de não possuir uma manutenção tão boa, ele é altamente frequentado, principalmente por jovens, devido a sua programação e também pela sua proximidade com o centro da cidade. Dentre os três parques é o que possuí a melhor iluminação, o que mostra um público bem acentuado no horário noturno. (Imagem 54, 55 e 56 Respectivamente - Equipamentos de Ginástica, ano 2010; Jovens andam de skate em pista do parque, ano 2013; Populares caminham a noite no parque, ano 2013. Imagens do parque municipal Maurilio Biagi em Ribeirão Preto - SP. Fontes: https://possibilisaudiovisual.wordpress.com (Foto por: Joelma Fazzio) http://www.temnacopa.com.br/noticia/parque-maurilio-biagi/#.VU-a0vlVhuA http://imguol.com/c/entretenimento/2013/08/09/no-parque-maurilio-biagi-haciclovias-quadras-de-futebol-pista-para-skate-e-conexao-gratuita-para-internetsem-fio-1376086545083_750x500.jpg (Foto por Letícia Lovo)

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Por último temos o parque Dr. Luis Carlos Raya, localizado no bairro Jd. Botânico, que dentre os três é o que possuí a menor área, 40.000 m², e a menor programação (Banheiros, pista de corrida e caminhada, palco coberto, lagos artificiais, cachoeiras artificiais e equipamentos de ginástica ao ar livre) porém é o parque mais frequentado e mais bem cuidado de Ribeirão Preto. A dúvida é o seguinte, os três parques possuem caráter municipal, deveriam ter o mesmo tratamento e manutenção, porém não é isso que acontece, o parque Dr. Luis Carlos Raya só é o mais bem cuidado dos três, pois está em uma área privilegiada da cidade, a zona Sul. Área de interesse por parte das empreiteiras e loteadores devido a seu grande valor comercial. E nenhum

morador vai querer um parque feio nessa região, certo? O interesse político ainda é muito grande. A grande maioria das nossas cidades não conta com um número suficiente de equipamentos específicos de lazer para o atendimento da população. E o que é pior, muitos deles, mantidos pela iniciativa privada, como teatros e cinemas, estão fechando para dar lugar a empreendimentos mais lucrativos. Mesmo aquelas cidades que contam com um razoável número desses equipamentosnemsempretêmoseuusootimizado, pela falta de conhecimento do grande público, além da divulgação insuficiente entre os próprios moradores (MARCELLINO, BARBOSA E MARIANO, 2006, p.60 apud MORTARE, PRISCILA, 2011, p.13). (Imagem 57 e 58 Respectivamente - Equipamentos de Ginástica em 2012 e vista aérea do parque municipal Dr. Luis Carlos Raya em março de 2008, Ribeirão Preto - SP. Fontes: http://vejabrasil.abril.com.br/ribeirao-preto/passeios/parque-dr-luis carlos-raya-74341 (Foto por: Ligia Snowronski) http://txribeirao.fmrp.usp.br/conheca_ribeirao.php)

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7 ANÁLISE SÓCIO ECONÔMICA

Como iremos apresentar no mapa de renda, a questão da manutenção dos parques e do complexo esportivo parece estar diretamente ligada a condição financeira do entorno. Porque o Parque Dr. Luis Carlos Raya possuí uma manutenção e segurança superior aos outros parques? Por puro interesse político. Como iremos perceber no mapa de Renda Nominal que irá ser apresentado, o parque está rodeado por uma região da cidade com um poder aquisitivo muito alto. Fora outras questões que nem levantamos no presente trabalho, como por exemplo a ciclo faixa que funciona aos domingos na Avenida Maurilio Biagi, continuação da Avenida Francisco Junqueira. Porque somente naquela região a Transerp fiscaliza o trânsito, colocando cones sinalizadores e orientando motoristas e pedestres. O DAERP providencia até água aos ciclistas em dias

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de funcionamento, sendo que não existe somente aquela ciclo faixa na cidade. Porque a Prefeitura não realiza esse apoio também na ciclovia da Via Norte? Porque que não investe também em lugares carentes da cidade? Como na Própria Cava do Bosque, que há anos demanda uma reforma. Outra questão que podemos levantar é o Parque Tom Jobim, Localizado no Bairro José Sampaio na região Norte – Oeste (Uma das regiões mais pobres da cidade), que não chegamos a mencionar por não ter uma certa expressão, mas isso não significa que o parque seja ruim, mas sim por não ter a devida manutenção e fiscalização por parte da prefeitura que merecia ter. “Por ser na periferia, ninguém dá atenção ao parque. Os problemas ocorrem há muito tempo e ninguém se preocupa”,


diz o educador físico Renan Fernandes de 24 anos. Na época de sua inauguração, o Parque era lindo, super bem cuidado, boa segurança, bons equipamentos (inclusive equipamentos esportivos e de ginástica) boa manutenção, etc. No início o parque não possuía alambrados, era totalmente aberto ao público por todos os lados de seu terreno. Depois de um certo tempo a população solicitou o alambrado para melhorar a segurança e também para restringir o uso apenas a quem vai ao parque para fazer alguma atividade física, como; corrida, caminhada, etc. E também como tentativa de evitar usuários de drogas dentro do mesmo. Depois de um certo tempo a prefeitura implantou o alambrado, deixando algumas entradas em pontos estratégicos, mas como muitas pessoas

cruzavam o parque como rota de acesso a outros bairros, com o tempo o vandalismo no parque começou a aparecer. As pessoas derrubaram as grandes, criando buracos para passagem, etc. A mudança mais recente no parque foram alguns equipamentos novos, como a implantação dos famosos equipamentos de ginástica ao ar livre e também a construção de um posto da Policia Militar dentro do próprio parque. Atualmente o parque se encontra do mesmo jeito; O alambrado permanece, porém com muitos buracos espalhados ao longo do mesmo, bancos quebrados, muita sujeira, pouca manutenção e baixa segurança. Muitas pessoas de outras regiões da cidade não fazem ideia de que esse parque existe.

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(Imagem 59, 60, 61 e 62 Respectivamente - Mapa de Renda Nominal de Ribeirão Preto - SP , ano 2010. Fonte: Departamento de Planejamento de Ribeirão Preto - SP. Equipamentos esportivos do parque municipal Tom Jobim: O Campo de Futebol não apresenta as melhores condições, o alambrado que cerca o mesmo possuí buracos em alguns pontos, o gramado apresenta falhas e o vestiário se encontra em péssimo estado. A quadra de Vôlei de Praia do parque também está em péssimo estado; A mesma não possuí rede, caixa de concreto não possuí manutenção e pequenas vegetações crescem junto a areia. Os aparelhos de ginástica ao ar livre se encontram em um estado mediano de conservação. Fonte: Fotos elaboradas pelo autor)

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(Imagem 63, 64, 65 e 66 Respectivamente - Aparelhos de ginástica e recreação feitos em madeira que foram implantados na época de inauguração do parque e que se encontram lá até hoje, porém muitos já foram vandalizados ou até destruídos. As fotos ilustram os que ainda existem. Fonte: Fotos elaboradas pelo autor)

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8 REFERÊNCIAS PROJETUAIS

Escolher projetos de referência que tinham alguma proximidade com o nosso tema foi uma tarefa bem árdua, já que nossa área de esporte, Ginástica Olímpica e Atividades Circenses, não são muito abordadas em nosso cotidiano, é uma atividade e um esporte ainda distantes da sociedade. Com isso tentamos ao máximo escolher projetos que tinham alguma proximidade com o qual iremos propor. (Complexos Esportivos) Ao analisar os projetos de referência: (ENC École Nationale de Cirque de Montreal National Centre for Circus Arts - Circus Space, Escola Nacional de Circo -ENC Rio de Janeiro, Cava do Bosque - Elba de Padua Lima - TIM, Centro Esportivo da Universidade de Los Andes, (Imagem 67 - Vista aérea do Complexo esportivo de Deodoro, Rio de Janeiro - RJ. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/tag/complexo-esportivo-de-deodoro) Foto por: Bruno Carvalho

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Centro Esportivo de Beijiao, Palais des Sports de Rouen, Gimnodesportivo de Maceda, Sports Hall - Zehlendorfer Welle, Complexo Esportivo de Deodoro, Ceu Pimentas - Centro de Educação Unificado Pimentas, Centro Desportivo Csörsz, Piscinas Ribeirão, Edifício de Esportes - Heams Et Michel, Complexo Esportivo de Medellín) Percebemos que o porte, a área que um edifício desse tipo demanda para ser construído, independente de ser apenas uma quadra ou um complexo esportivo, e independente da atividade esportiva proposta, conseguimos reparar uma similaridade nesse ponto. O porte quase que sempre deve ser grande, possuir uma metragem quadrada abrangente, para abrigar a atividade, ou as atividades esportivas


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abordadas. Mesmo que a atividade seja implantada apenas em uma quadra, (apenas um esporte), as demais programações de suporte a essa quadra irão demandar uma área bem grande. Percebemos que os valores vão desde 5.000m² podendo até chegar à 50.000m² ou mais, dependendo do complexo esportivo, como são os casos das Vilas Olímpicas. O motivo talvez seja de que em sua maioria os esportes olímpicos, ou as atividades de circenses demandam um grande espaço livre, tanto na horizontal, quanto na vertical, grandes vãos livres e pé-direito alto. E esse foi um outro item observado, quase todos os projetos de referência estudados possuem um grande vão livre, ou um grande volume em seu (Imagem 68 - Vista interna do Centro de Educação Unificado, CEU Pimentas em São Paulo - SP. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-26029/ceu-pimentas-bisellimais-katchborian-arquitetos) Foto por: Nelson Kon

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interior (átrio), na maioria das vezes alocados em seu centro, ou em seu eixo principal. Outro item que ficou bem claro é em relação a materialidade e estrutura, principalmente a estrutura de cobertura, devido à necessidade dos grandes vãos, uma estrutura convencional de cobertura, em laje de concreto armado não iria conseguir suportar os vãos superiores à 50m. Sendo assim, quase todos os projetos de referência observados fazem o uso do aço em sua cobertura, seja usando ele em estrutura espacial, estrutura treliçada, tubular, enfim. O aço confere leveza estrutural e visual aos projetos desse tipo.


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“A estrutura metálica permite maiores vãos que as estruturas convencionais e ao mesmo tempo leveza estética” (MORAES; RIBEIRO, 2010, p.38). As demais estruturas (pilares, vigas de suporte para cobertura, ou estrutura de base) são executadas usando peças de concreto pré-fabricadas, ou concreto moldado in-loco em sua maioria. Quanto a materialidade dos fechamentos, percebemos uma similaridade entre os projetos analisados, que tentam ao máximo usar-se de materiais leves, como; vidro, placas metálicas, madeira, brises, placas plásticas, etc. Tudo de forma a explorar a melhor ventilação e iluminação natural dentro do edifício, de forma a favorecer o desempenho dos atletas no interior do mesmo. Percebemos também que há uma (Imagem 69 - Vista externa do Centro Esportivo da Universidade de Los Andes em Bogotá, Colombia. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-42806/universidade-ecentro-desportivo-de-los-andes-felipe-gonzalez-pacheco) Foto por: MGP Arquitetura

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certa preocupação por parte de alguns projetos, quanto a questão da visibilidade, a atividade estar a mostra, ou seja, quem está do lado de fora do edifício conseguir ver o que acontece do lado de dentro, qual é de fato a programação interna daquele prédio, despertando o interesse de praticar aquela atividade nos pedestres que circulam externamente ao volume do edifício. Por outro lado, existem os projetos que seguem o inverso dessa linha de raciocínio, fazem o uso de uma materialidade de fechamento pesada, opaca ou as vezes sem aberturas laterais, de forma que o volume do edifício fique fechado, e assim, em vez de despertar o interesse, o edifício desperta a curiosidade do pedestre que está externamente ao mesmo, entrar para


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ver de fato o que acontece em seu interior. Quanto a programação e circulação dos edifícios, percebemos também que, independente do esporte ou atividade propostos, há uma certa semelhança de programação, pois para diversos tipos de esporte a programação de apoio irá ser quase sempre a mesma; (Administração, depósitos, salas de função multiuso, auditórios, vestiários, banheiros, áreas técnicas, biblioteca, informática, restaurante ou cantina, estacionamento, etc.) Percebesse também uma tentativa de agrupar atividades semelhantes, ou seja “blocar” as atividades de apoio ao redor da atividade principal que seria o esporte. (Bloco de Banheiros e Vestiários, Bloco de Administração, Bloco de Alimentação, (Imagem 70 - Vista externa do edifício esportivo anexo a uma escola de segundo grau em Tourrette Levens, França. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-32757/ edificio-de-esportes-heams-et-michel)

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Bloco de salas multiuso e auditórios, etc.) há uma certa dinâmica de espaços, unidas quase que sempre por uma circulação horizontal principal que corta todo o edifício. A circulação deve ser clara e inteligente de forma que não gere conflitos e congestionamentos em horários de pico, etc. Alguns dos projetos inclusive setorizam sua circulação vertical em blocos, e na maioria das vezes, locados na periferia do edifício.


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9 ANÁLISE PROJETUAL

Como análise projetual o presente trabalho irá se respaldar em dois projetos o CEU Pimentas (Centro de Educação Unificado) em Guarulhos, São Paulo, projetado pelos arquitetos Mario Biselli e Artur Katchborian e as piscinas de Sloterpark, projeto do grupo MVRDV. A escolha dos projetos foi definida pelas seguintes observações. Em relação ao CEU Pimentas, escolhemos tal projeto para análise, pelo fato da programação e também por seu terreno ser muito similar ao terreno escolhido para apresentação do projeto final da monografia (Complexo Esportivo Joaquim Procópio de Ferraz). Terreno em formato retangular, edifício disposto em volumetria de tira. (Imagem 71 - Plantas de situação da programação e circulação do CEU Pimentas em Guarulhos, São Paulo - SP. Fonte: Imagem elaborada pelo autor)

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Sua programação (Quadras Poliesportivas, Salas de Ginástica, Salas Multiuso, Auditórios, Ginásio, Piscinas, Vestiários, Restaurante, Administração, Biblioteca e Estacionamento) é claramente definida em sua planta. É muito fácil identificar as atividades no edifício, já que um dos esforços do autor do projeto era setorizar a programação através de blocos espalhados ao longo da periferia de um eixo longitudinal de circulação que corta todo complexo. Além da circulação principal localizada no térreo, o projeto conta também com dois corredores elevados que dão acesso as atividades do primeiro pavimento. Tais corredores são acessados através de escadas e rampa. E são interligados entre si por duas passarelas.


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VOLUMETRIA

(Imagem 72, 73 e 74 Respectivamente - Volumetria do CEU Pimentas. Programação e Circulação. Fonte: Imagens elaboradas pelo autor)

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(Imagem 75 e 76 Respectivamente - Croquis ilustrando a circulçao e programação do CEU Pimentas. Fonte: Croquis elaborados pelo autor)

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Outro sistema na qual foi muito observado no CEU Pimentas, foi a estrutura de cobertura. A cobertura é feita em estrutura metálica, através de treliças que são apoiadas ora em pilares metálicos, ora na própria estrutura prémoldada em concreto armado dos blocos da programação. A cobertura possui pé direito duplo, transformando assim o eixo principal em um grande átrio central. A ideia do arquiteto era transformar esse eixo em uma grande praça de convívio, já que no decorrer desse percurso, foram implantados nichos no próprio piso destinados ao descanso dos usuários. Fora algumas árvores e vegetação de pequeno porte que também foram locadas ao longo desse átrio, garantindo ainda mais a ideia de praça. (Imagem 77 e 78 Respectivamente - Visão interna do átrio central do CEU Pimentas. Fontes: http://www.redemoacir.com.br/images/15.jpg http://1.bp.blogspot.com/_soMqn2a-jM8/TBpc-SV3lSI/AAAAAAAAA4c/9rrOEd9tSAI/ s1600/CEU-Pimentas.gif)

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Outra questão interessante é que, apesar da estrutura de cobertura estar apoiada em alguns dos blocos da programação, ela não é completamente fechada, a lateral da cobertura é um pouco elevada em relação aos blocos, garantindo assim que a ventilação e a iluminação entrem não apenas pela entrada principal do complexo, mas como também por toda a sua lateral. Como uma grande nave central. Esse mecanismo não garante só iluminação para dentro do edifício, mas como também evita que o átrio se transforme em uma grande estufa. As aberturas, em ambos os lados garantem que o eixo respire. A ventilação cruza o edifício fazendo com que a troca de calor seja constante.


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(Imagem 79 e 80 - Cortes transversais do CEU Pimentas. Fonte: Croquis elaborados pelo autor)

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CORTES LONGITUDINAIS

(Imagem 81 e 82 - Croquis elaborados pelo arquiteto Mario Biselli, autor do projeto do CEU pimentas, ilustrando dois cortes Longitudinais do edifĂ­cio. Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/01-26029/ceu-pimentas-bisellimais-katchborian-arquitetos)

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Sendo assim um dos esforços após análise projetual do CEU Pimentas é tentar ao máximo usar essas referências em nosso projeto; Programação similar, volumetria em formato ortogonal e disposta em tira, cobertura feita em estrutura metálica e elevada do plano em que é fixada, circulação bem definida, etc.

local de Amsterdã, na Holanda em 1994, é marcado pelo desenho de suas lajes que possuem várias dobras e rampas que dão a sensação de movimento (“marca registrada” do grupo). As mesmas possuem uma linha continua; gerando assim laje de piso, parede e laje de cobertura em uma mesma volumetria.

Em relação ao projeto do grupo MVRDV, conhecido por piscinas de Sloterpark (Sloterpark Pool). A escolha de tal projeto como referência e análise projetual foi definida pelo fato do mesmo ter um desenho muito dinâmico e limpo. E também por ser um edifício de caráter esportivo.

Como o projeto da monografia tem como sua principal programação duas atividades que são muito movimentadas, Atividades Circenses e Ginástica Olímpica, a intenção era que nosso edifício transmitisse a mesma sensação de movimento observado no projeto das piscinas.

O projeto que foi fruto do triunfo de um concurso público realizado pela prefeitura

Outra questão muito observada é a forma com que o grupo quase sempre dispõe seus Imagem 83 - Programação do edifício Piscinas de Sloterpark do grupo MVRDV. Fonte: Croqui elaborado pelo autor)

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edifícios em seus terrenos. O grupo não aloca simplesmente sua programação em cima do lote, mas sim, eleva a mesma através de pilotis, garantindo dessa forma que o terreno “respire”, dando passagem a pedestres e usuários que tendem a circular pelo térreo, não só isso, mas como também garante uma melhor visibilidade para quem observa o terreno de um ponto distante. (Olhar atravessa o edifício. ex.: Masp)

piscinas. Conseguimos observar isso claramente na piscina de saltos ornamentais, onde a laje se dobra formando um pé direito duplo, garantindo assim a altura necessária para acomodar a plataforma de saltos e para que os atletas realizem seus movimentos. E também na piscina do terraço, onde sua laje se dobra formando uma “praia” de acesso; O usuário não entra de uma vez na água, mas sim gradativamente.

A grande diferença entre o projeto do grupo MVRDV para projeto da monografia, é o foco. No projeto das piscinas de Sloterpark, mesmo sendo um conceito (não foi construído) conseguimos observar claramente que o programa/ atividade foco do edifício é a natação, já que as lajes do projeto se moldam em relação as

As demais atividades do edifício, que são compostasnãosóporesportes,mascomotambém por lazer, servem apenas de complemento para a principal programação do complexo.

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(Imagem 84 - Croqui esquemático ilustrando as etapas do desenvolvimento das dobras do projeto até chegar no produto final. Fonte: Croqui elaborado pelo autor)


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(Imagem 85- Plantas dos diferentes pavimentos do edifĂ­cio Piscina de Sloterpark do grupo MVRDV. Fonte: http:// www.cparquitectura.com/Sloterpark.html)

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(Imagem 86, 87 e 88 Respectivamente - Maquetes do edifício e croqui ilustrando a programação através de um corte do projeto. Fonte: http://www.cparquitectura.com/Sloterpark.html)

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10 PROJETO 10.1 A ESCOLHA DO TERRENO PARA PROJETO

Depois de estudar vários projetos de referência que tinham alguma proximidade ou semelhança com o programa (Atividades Circenses e Ginástica Olímpica) e depois de estudar os dois projetos de análise projetual partimos para a escolha do terreno. A princípio queríamos uma área distante do centro da cidade, já que próximo ao centro se encontra um dos lugares destinados ao esporte que comentamos anteriormente. O Complexo Elba de Pádua Lima (Cava do Bosque), localizado no bairro Campos Elíseos.

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Queríamos também que nossa área de

projeto ficasse longe de áreas nobres, já que normalmente essas áreas costumam ser bem valorizadas e o restante da cidade, a periferia principalmente é completamente esquecida. No caso de Ribeirão Preto, a zona sul da cidade é supervalorizada e está em constante crescimento, enquanto a zona norte e oeste, é completamente esquecida e estagnada. Sendo assim a escolha do terreno para o projeto se deu por vários motivos, o primeiro foi por ser uma área institucional e seu entorno ser predominantemente residencial; Segundo por possuir uma grande área, uma quadra completa, com aproximadamente 27842m², na qual irá possibilitar qualquer tipo de programação; Terceiro pelo fato de estar localizado na região


Norte – Oeste da cidade, região que está deficitária e demanda um equipamento desse porte e por último, facilidade de acesso que irão articular a mesma. Localizada na rua Guido Zanello que corre paralela a uma Via que corta boa parte da cidade, Via Luis Galvão César (prolongamento da Av. Dom Pedro), a mesma está também diretamente ligada à Rodovia Alexandre Balbo, que faz parte do anel viário da cidade. Possibilitando assim acesso rápido por qualquer pessoa que venha de qualquer região da cidade. O transporte público foi levado em conta também, é foi notado que várias linhas passam próximos a área. Enfim a área atende os primeiros requisitos para um bom complexo. (Imagem 89 - Implantação do terreno de projeto. Fonte: Imagem elaborada pelo autor)

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103 (Imagem 90 - Foto aérea de Ribeirão Preto - SP. Fonte: Google Earth)

VISTA AÉREA DO ENTORNO - VISÃO GERAL RIBEIRÃO PRETO - SP


(Imagem 91 - Foto aérea de Ribeirão Preto - SP. Zona Norte - Oeste. Fonte: Google Earth)

VISTA AÉREA DO ENTORNO ZONA NORTE - OESTE DA CIDADE

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(Imagem 92 - Foto aĂŠrea dos principais acessos ao lote do projeto. Fonte: Google Earth)

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(Imagem 93 - Foto aĂŠrea do lote e ruas lindeiras. Fonte: Google Earth)

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(Imagem 94 - Vista do terreno a partir da Rua Guido Zanello. Fonte: Google Street View)

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(Imagem 95 - Vista do terreno a partir da Rua Jo達o Pontim. Fonte; Google Street View)

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(Imagem 96 - Mapa de Uso do Solo. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 97 - Mapa de Gabarito. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 98 - Mapa de Lotes Institucionais. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 99 - Mapa de Hierarquia Viรกria. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 100 - Mapa de Linhas de Transporte PĂşblico, RegiĂŁo Oeste. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 101 - Mapa de Linhas de Transporte PĂşblico, RegiĂŁo Noroeste. Fonte: Elaborado pelo autor)

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10 PROJETO 10.2 PARTIDO INICIAL

Basicamente o nosso partido inicial era criar algo semelhante aos projetos que foram analisados. CEU Pimentas e as Piscinas de Sloterpark. Observamos suas principais características. O CEU pimentas chama atenção pela sua volumetria linear, em formato de tira. E para nossa sorte, o terreno escolhido para projeto possibilitava a criação de algo semelhante. Já no caso das piscinas de Sloterpark, a característica que mais chama atenção são as dobras, que passam a sensação de movimento. Como nosso edifício tratasse de um complexo esportivo, tínhamos que contemplar essa caracteriza de alguma forma e a solução escolhida foi a mesma usada no projeto das piscinas. Dobrar as lajes, dando essa sensação.

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O primeiro esforço de projeto foi tentar dispor nossa programação no terreno. Para isso foi utilizado um software (Sketchup) que possibilitou fazer um estudo de massas. Basicamente foram criados vários blocos em 3D, com o volume e área de cada programação parcialmente definidos, para que enxergássemos a proporção entre área ocupada e área livre que nossa programação tinha sobre o terreno. A princípio foram criadas duas tiras de programação sobre o terreno, e ambas estavam aterradas. Com a ajuda do orientador, constatamos que deveríamos elevar a programação, assim como é feito no projeto das piscinas. Elevar a programação não só garantiria que o projeto ficasse mais leve, mas como


também iria disponibilizar visão e passagem aos pedestres que circulariam pelo térreo. Foram criados então dois eixos principais de circulação no térreo. Um deles corta o edifício no sentido longitudinal e o outro no sentido transversal. Queríamos que o complexo possuísse um caráter público, não no sentido do uso, mas que qualquer pessoa, mesmo não sendo atleta, um simples pedestre pudesse ficar sobre o espaço coberto que os pilotis proporcionam no térreo, talvez até utilizando esse espaço como rota, ou ponto de encontro. Outro item no qual nos atentamos no início do projeto era que a estrutura deveria ser independente da programação e disposta

em formato de grelha, possibilitando assim modificações futuras. Se o projeto necessitasse de intervenções em salas ou na programação a estrutura iria possibilitar tais mudanças. E também para criar um ritmo na volumetria do edifício. Outra questão analisada logo no ponto de partida do projeto, era que o espaço das Atividades Circenses que iria ser localizado no centro do eixo principal, deveria ser coberto. Mas essa cobertura não poderia ser uma mera "caixa". Queríamos algo que fosse imponente, de forma a criar um marco no complexo, leve e que remetesse a tenda do circo de uma forma contemporânea. Para isso a solução foi criar uma cobertura em estrutura metálica com um formato irregular.

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(Imagem 102 - Croqui ilustrando as etapas de evolução do pensamento para concepção da volumetria do complexo. Fonte: Elaborado pelo autor

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Basicamente esses foram os esforços do partido inicial. A partir disso o projeto foi desenvolvido até chegar no produto final no qual iremos apresentar. 10.3 QUADRO DE ÁREAS E PROGRAMAÇÃO

A programação do edifício praticamente se manteve a mesma desde o início do desenvolvimento do projeto. Sendo que as duas principais atividades, Atividades Circenses e a Ginástica Olímpica, seriam as que mais demandariam espaço. A programação atualmente está definida e setorizada através de blocos.

Bloco administrativo: 4 salas destinadas ao trabalho, serviço e questões financeiras pertinentes ao edifício (59,95 m2 cada); Enfermaria/ Sala de primeiros socorros (23,72 m2); Copa (36,04 m2) para armazenamento e preparo de refeições dos funcionários. Área total bloco administrativo: 299,92 m2 Bloco de Auditórios/ Sala de apresentações: 2 auditórios/ sala de apresentações (198,23 m2 cada) Área total bloco de auditórios: 396,46 m2

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Bloco desportivo 01: 4 Salas de (329,83 m2 cada) destinadas as atividades de Artes Marciais, Musculação e Tênis de mesa. Bloco desportivo 02: Idem bloco desportivo 01, porém as atividades são destinadas a dança. Total dos blocos desportivos 8x 329,83 = 2638,64 m2 Praça de Alimentação: Cozinha (27,96 m2) para preparo das refeições e pedidos feitos pelos atletas e usuários do edifício. Balcão de atendimento e sala expositora de alimentos prontos (Cantina) (25,49 m2) e

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administração independente (7,96 m2) Espaço livre para mesas (praça de alimentação) (487,24 m2) Total praça de alimentação: 548,65 m2 Ginásio Ginástica Olímpica: Espaço destinado para as atividades de Ginástica Artística, Rítmica, Ginástica de Trampolim e Ginástica acrobática. (984,06 m2) Bancada/ Ócio: Bancada com vista interna para as atividades do ginásio da Ginástica Olímpica (136,94 m2) Piscinas: Piscina de competição com 2 raias Piscina de uso coletivo


Espaço total: 900,7 m2

Total depósitos: 109,62 m2

Espaço destinado as atividades circenses: 1135,37 m2

Banheiros:

Cantina pavimento térreo: Pequena cantina (alimentos prontos) para abastecer o pavimento térreo (36,54 m2) DML (Depósitos de materiais de Limpeza): 3x DML (12,59 m2 cada) locados próximos aos vestiários dos blocos desportivos Depósitos: 3 Depósitos (36,54 m2 cada) para armazenamento de cargas e equipamentos referentes ao circo e de uso geral do edifício

Bloco Administrativo: Banheiro Masculino (13,95 m2) com 4 celas e 2 lavatórios Banheiro Feminino (13,95 m2) com 4 celas e 2 lavatórios 2x Banheiro deficiente (3,62 m2 cada) masc. e fem. Total bloco Administrativo: 35,14 m2 Bloco dos Auditórios/ Salas de Apresentação: Banheiro Feminino (21,36 m2) com 6 celas e 4 lavatórios

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Banheiro Masculino (21,36 m2) com 6 celas e 4 lavatórios 2x Banheiro deficiente (3,62 m2 cada) masc. e fem.

equipadas com chuveiro; Armários e bancos para troca de roupas. Banheiro de deficiente masculino (6,19 m2) Banheiro de deficiente feminino (6,19 m2)

Total bloco Auditórios: 49,96 m2

Total blocos desportivos: 1 bloco 114,04 x 2 = 228,08 m2

Bloco desportivo 01 e 02 Banheiro Masculino (20,64 m2) com 5 celas e 5 lavatórios e 4 mictórios Banheiro Feminino (20,64 m2) com 5 celas e 5 lavatórios Vestiário Masculino (30,37 m2) com 7 celas equipadas com chuveiro; Armários e bancos para troca de roupas. Vestiário Feminino (30,37 m2) com 7 celas

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Banheiro e Vestiário de funcionários: Banheiro masculino (11,91) com 3 celas e 2 lavatórios. Banheiro feminino (11,91 m2) com 3 celas e 2 lavatórios Vestiário masculino (13,97 m2) com 3 celas equipadas com chuveiro e armários. Vestiário feminino (13,97 m2) com 3 celas equipadas com chuveiro e armários.


Total bloco funcionários: 51,76 m2 Banheiro e Vestiário Circo: Banheiro Masculino (20,64 m2) com 00 celas e 00 lavatórios. Banheiro Feminino (20,64 m2) com 00 celas e 00 lavatórios. Banheiro de deficiente, masc. e fem. (6,09 m2 cada)

Área total da programação: 7679,53 m2 Área total da circulação: 12 462,60 m2 Área total construída: 19 214.00 m2 Área total do terreno: 27 842,42 m2 Área permeável: 4.200 m2 Taxa de ocupação do complexo: 38,19%

Vestiário Masculino (18,23 m2) com 4 celas equipadas com chuveiro; Armários e bancos para troca de roupas. Vestiário Feminino (18,23 m2) com 4 celas equipadas com chuveiro; Armários e bancos para troca de roupas. Total bloco Circo: 89,92 m2

(Imagem 103 - Perspectiva esquemática ilustrando como é a relação entre programação e circulação do complexo. Fonte: Elaborado pelo autor)

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RELAÇÃO PROGRAMAÇÃO X CIRCULAÇÃO

(Imagem 104 e 105 - Plantas do térreo e do primeiro pavimento do complexo, ilustrando a relação entre programação e circulação. Fonte: Elaborado pelo autor.

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10 PROJETO 10.4 ESTRUTURA

A estrutura do edifício e feita em concreto armado moldado in-loco para pilares e lajes e estrutura metálica para cobertura e treliças de apoio (piscina). A estrutura do edifício foi desenvolvida da seguinte forma; como mencionado anteriormente um dos partidos de projeto era que os pilares deveriam ser dispostos em formato modular, para garantir um ritmo na estrutura. Sendo assim os mesmos possuem dimensões de 60cm x 60cm e são dispostos em uma grelha regular que segue padrões de retângulos de 16m x 11m. A ideia era que os pilares ficassem o mais longe possível um dos outros para transmitir (Imagem 106, 107 e 108 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de estrutura do edifício (Pilares modulados, Estrutura de cobertura e Treliças metálicas); Fonte: Elaborado pelo autor)

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a sensação de leveza no pavimento terreno, ampliando assim, ainda mais a visão. Como os pilares são bem distantes um dos outros a solução que encontramos para a laje, era que ela fosse feita em estrutura nervurada. Sua espessura visual nas partes externas será de 50cm, porém a laje de fato irá possuir 12cm de espessura (mesa) e suas nervuras irão possuir uma altura de 48cm x 12cm de largura. Ainda assim para uma melhor amarração da laje, a esquadria que é disposta em toda lateral da fita, irá ser estrutural, possuindo alguns pontos de apoio em aço. Ajudando a distribuir o peso nas bordas da laje.

Por último foi desenvolvido a estrutura


da cobertura. A estrutura da cobertura irá ser executada em estrutura metálica em perfis “I” A mesma foi desenvolvida em uma série de tesouras feitas em treliças do tipo Viga Pratt com montante extremo inclinado, formando uma estrutura similar à de um telhado. Essa estrutura por sua vez sustenta o peso de uma trama triangular com uma seção menor a das tesouras. Que por sua vez sustenta o fechamento de cobertura. Esse volume por completo é fixado em 12 pilares metálicos, feitos com chapas bases chumbadas na laje de cobertura do edifício. E são dispostos no mesmo alinhamento dos pilares de concreto armado, aliviando assim a carga na laje.


(Imagem 109, 110 e 111 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de estrutura do complexo e indicação dos mesmos. Fonte: Elaborado pelo autor)


(Imagem 112, 113 e 114 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de estrutura do complexo e indicação dos mesmos. Fonte: Elaborado pelo autor)


10 PROJETO 10.5 FECHAMENTOS

Um dos pontos analisados nos projetos de referência que tínhamos que implantar em nosso edifício em relação ao fechamento, era que os mesmos deveriam ser em sua maior parte transparentes, para que as atividades ficassem a mostra, despertando a curiosidade de quem circula por fora do complexo. Sendo assim escolhemos o vidro temperado como principal materialidade de fechamento. Como o complexo basicamente é composto por duas fitas interligadas por uma estrutura de cobertura, a solução de fechamento encontrada foi a seguinte. Nas faces voltadas para a circulação do eixo

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interno, foram criadas paredes em dry-wall, com iluminação e ventilação forçada feita por uma tira de janelas em vidro, com esquadrias maxiar de 80cm de altura, feitas em PVC, que correm em toda parte superior das paredes. Já as paredes de divisa entre salas, dos banheiros e vestiários são feitas em alvenaria de 15cm e 25cm de espessura. A ideia era que o eixo central ficasse mais privado, a atenção deveria estar voltada para as atividades circenses e não para as atividades das fitas (Musculação, Artes Marciais, Tênis de Mesa e Danças). Queríamos que as atividades das fitas chamassem a atenção de quem circula na calçada, até porque quem já está dentro do complexo já sabe o que acontece dentro desses ambientes.


Sendo assim, nas faces voltadas para a rua, a solução foi criar um plano completamente feito em janelas de vidro temperado, com esquadrias de correr. E como proteção contra a iluminação direta para esse plano, foi adotado um sistema de venezianas pivotantes, que possibilitam o usuário configurar a entrada da iluminação direta, da forma que desejar. As mesmas possuem armação em chapa de aço e as folhas dos "brises" feitos em policarbonato azul. Como a Ginástica Olímpica possuí movimentos bonitos de se assistir, a ideia era que o ginásio destinado a essa prática também ficasse em sua maior parte exposto. Com isso a solução adotada foi a mesma, o vidro

temperado e sua fixação será feita através de spider-glass apoiados em uma esquadria feita em aço. Na face oeste do fechamento do ginásio foi implantado uma faixa de brises fixos, para impedir parcialmente o sol da tarde. Esses, serão feitos em chapas de alumínio. O fechamento da cobertura será feito em placas de policarbonato, feitas sobre medida para a armação da cobertura. A piscina segue o mesmo processo. A mesma foi imaginada como um grande aquário, onde suas laterais irão ser transparentes, possibilitando quem estiver em sua lateral, ver toda sua extensão e profundidade.

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(Imagem 115, 116 e 117 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de fechamento. Piscina, Cobertura e Ginástica Olímpica. Fonte: Elaborado pelo autor)


(Imagem 118, 119 e 120 - Maquete eletr么nica ilustrando alguns elementos de fechamento. Venezianas laterais, Cobertura e detalhamento da veneziana. Fonte: Elaborado pelo autor)


(Imagem 121, 122 e 123 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de estrutura do complexo e indicação dos mesmos. Fonte: Elaborado pelo autor)


(Imagem 124, 125 e 126 - Maquete eletrônica ilustrando alguns elementos de estrutura do complexo e indicação dos mesmos. Fonte: Elaborado pelo autor)


10 PROJETO 10.6 CONSIDERAÇÕES FINAIS E INFORMAÇÕES ADICIONAIS

O ginásio da Ginástica Olímpica além de possuir como acesso o eixo principal de circulação, também irá possuir um segundo acesso realizado pela lateral externa da fita da Rua Benedito T. Terreri. Possibilitando assim que ginastas que não queiram percorrer o eixo central passando por várias pessoas e alunos que irão estar no espaço da cobertura, tenham um acesso exclusivo e direto ao mesmo. Sendo assim o ginásio possuí dois acessos. O complexo irá possuir pontos de bebedouros filtrados, convencionais e adaptados, posicionados próximos a cada

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bloco (Administrativo, Auditórios, Praça de Alimentação, Blocos desportivos 01 e 02, Espaço coberto destinado as atividades circenses, Piscina e ginásio da Ginástica Olímpica) e também um bebedouro posicionado dentro de cada vestiário. O complexo conta com 100 vagas de estacionamento de tamanho grande (5m x 2,5) e 10 vagas reservadas para deficientes. Com sinalização e bolsões adequados conforme NBR 9050. Os blocos de sanitários e vestiários irão possuir torneiras de acionamento por toque com fechamento automático.


As maçanetas e fechaduras das portas das celas dos chuveiros e vasos sanitários irão ser do tipo alavanca. Cada bloco de banheiro e vestiário (exceto funcionários) conta com dois banheiros acessíveis (masc. e fem.) E possuem sinalização visual, portas adequadas e equipamentos conforme NBR 9050.

O complexo conta com caixa d'água de 3m cúbicos com capacidade para 27.000 litros, posicionada no alto de uma torre. A estrutura do projeto foi imaginada de forma a ter uma aparência brutalista. Sendo que as lajes de cobertura irão receber impermeabilização com manta asfáltica.

Os parapeitos do terraço e da circulação interna possuem altura de 1,10m. As rampas de acesso ao terraço possuem patamar intermediário e juntamente com as demais rampas do projeto, possuem inclinação igual ou inferior a 8%.

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(Imagem 127 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando a implantação geral do complexo. Vista aérea a partir da rua Guido Zanello. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 128 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando a implantação geral do complexo. Vista aérea a partir da rua João Pontim. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 129 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando o espaço interno da cobertura do complexo. Eixo principal de circulação e espaço destinado as atividades circenses. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 130 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando a elevação do ginásio da Ginástica Olímpica. Visão a partir da rua Benedito T. Terreri. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 131 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando o espaço interno do ginásio da Ginástica Olímpica. Fonte: Elaborado pelo autor)

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(Imagem 132 - Maquete eletrônica renderizada ilustrando a praça de alimentação e cantina do complexo. Fonte: Elaborado pelo autor)

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11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CHAVES, PAULA; COSTA, ANA; ARAÚJO, ALLYSON; SANTOS, ANTONIO. Experienciando a Ginástica Rítmica na Educação Física Escolar. Cadernos de Formação RBCE, p.55-66, set. 2013. CLARO, TIAGO. A Arte Circense Como Conteúdo da Educação Física Escolar. Projeto de pesquisa apresentado a Faculdade de Educação Física - FEF, UNICAMP Ribeirão Preto, São Paulo, 2010. COELHO, MARÍLIA; MINATEL, ROSEANE. Circo: A Arte Do Riso e Prática Da Reconstrução Social. O presente artigo é fruto de uma experiência construída com ex-alunos do Curso de Educação Física da FCT.

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MEIRA, TATIANA; BASTOS, FLÁVIA; BÖHME, MARIA. Análise Da Estrutura Organizacional Do Esporte De Rendimento No Brasil: Um Estudo Preliminar. Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo MORTARE, PRISCILA. Centro Esportivo de Lazer. Monografia apresentada ao Centro Universitário Moura Lacerda para cumprimento das exigências para a obtenção do grau de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo, Ribeirão Preto, São Paulo, 2011.


ROSSI, RICARDO. Centro de Formação de Atletas Elba de Pádua Lima – Cava do Bosque. Projeto de pesquisa apresentado ao Centro Universitário Moura Lacerda para cumprimento parcial das exigências para obtenção do grau de Arquiteto e Urbanista, Ribeirão Preto, São Paulo, 2010. TAKAMORI, FLORA; BORTOLETO, MARCO; LIPORONI, MAIKON; PALMEN, MARIO; CAVALLOTI, THAIS. Abrindo as Portas Para As Atividades Circenses Na Educação Física Escolar; Um Relato de Experiência. Este artigo relata a experiência do desenvolvimento de atividades circenses em aulas Extracurriculares de Educação Física Mauá, São Paulo, 2006.

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Complexo Esportivo Joaquim Procópio de Araújo Ferraz  
Complexo Esportivo Joaquim Procópio de Araújo Ferraz  
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