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pedro bloch

Somos todos responsรกveis

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Somos todos responsáveis pedro bloch

Paulo Jares/Editora Abril - 1997 Capa somos todos responsaveis.indd 1

Entendia, melhor do que nunca, o que era a injustiça do mundo. Compreendia que ninguém podia passar indiferente pela fome alheia, pela dor de seus semelhantes, pelos direitos dos homens. Todo mundo falando em justiça social, em dar casa e pão, saúde e educação, mas tudo parecia ficar na mesma. Relembrou os meninos que dormiam no cimento das esquinas, cobertos de jornais velhos ou panos imundos, em noites de frio. Lembrou de como as pessoas olham com desconfiança as caras de negros maltrajados, achando que deviam ser assaltantes, quando os outros, os branquinhos e bonitinhos, agrediam muito mais. As filas de hospitais, que apareciam na TV, desgraças acumuladas em todos os cantos do mundo e os homens, achando sempre que a responsabilidade cabia, sempre, aos outros, sempre aos outros e nunca a nós mesmos. Se cada um pudesse fazer algo por alguém, de verdade, sem a caridade que magoa e humilha, mas como obrigação do ser humano, sobre a Terra, se poderia aliviar o mundo. O mundo gastava trilhões em material de destruição.

Somos todos responsáveis

Pedro Bloch nasceu na Ucrânia e ainda criança mudou-se para o Brasil. Médico, dedicou-se também à literatura, escrevendo quase uma centena de livros. Faleceu em 2004, aos 89 anos.

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PEDRO BLOCH

pelo amor e afeto para en­ frentar os momentos de di­ ficuldade, mantendo a fé e a esperança em dias melhores, mostrando que a crença no ser humano e nas suas possi­ bilidades é fundamental para superar qualquer crise, pois sozinhos não construiremos um mundo melhor. Todos nós somos responsáveis pelo bem­­­ ‑estar de todos, daqueles a quem amamos e também da­ queles que, aparentemente – apenas aparentemente – nada têm a ver conosco.

efinitivamente, Gustavo não estava esperando por aquela notícia. Arquiteto talen­ toso, passou os últimos anos se dedicando aos mais variados projetos em um grande escri­ tório e agora... Desempregado. Sem entender, se perguntava: por que justo ele? Agora, como seria sua vida? De que forma encontraria forças para dar a notícia à esposa e aos filhos? A decisão foi fingir que nada havia acontecido, sair de casa pela manhã, no horário de sempre, e retornar no fim do dia. Logo encontraria outro emprego e as coisas voltariam a ser como antes. Por quanto tempo poderia sustentar aque­ la situação? Ocorre que sua família logo percebeu o que havia aconteci­ do e cada um, à sua maneira, procurou ajudá-lo. O apoio e carinho de Lenise, sua esposa, foram fundamentais. Mas é Timinho, seu filho mais velho – garoto de uma sensibilida­ de única e que age sempre de maneira surpreendente para alguém de sua idade –, quem irá ajudar Gustavo a encontrar novamente o seu espaço. Em Somos todos responsáveis, Pedro Bloch revela a trajetória de uma família bra­ sileira de classe média unida

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