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Excelência distante Thiago Basílio Estudar “pedagogia” está na moda! Não estou pirando, é verdade. Afinal, apesar da má remuneração, é um curso barato, tem ali na esquina da minha rua, só coloco os pés na sala de aula uma vez por semana, e, melhor de tudo, em três anos estou formado. Tudo milimetricamente regularizado pelo Ministério da Educação. Que beleza, hein! A facilidade de se manter uma graduação nessa área espanta na mesma proporção em que se prolifera esse modelo simplista de pegar um diploma e entrar numa sala de aula. Não estou aqui para demonizar as escolas que oferecem cursos nesses moldes, mas é necessário ponderar alguns detalhes desse polêmico sistema. Certa vez, estava, junto a dois outros colegas, preparando uma reportagem que tematizava a qualidade da educação. Deparamo-nos com o sucesso finlandês. Um modelo “espelho”, relativamente novo e que quebrou com o exemplo tradicional e metódico dos referenciais até então considerados “tops”. Lendo um pouco sobre o assunto, decidimos entrar em contato com o Consulado da Finlândia em São Paulo. Entrevistamos o cônsul Jan Jarne. Quando questionado sobre o diferencial da educação no país, disse seguramente: “Os professores são altamente capacitados e preparados. Para dar aula na educação básica é necessário que o profissional tenha, no mínimo, mestrado”. Ficamos boquiabertos! Que disparate abismal entre o nosso jeito “a distância” de preparar os professores, e a intensa forma acadêmica que os finlandeses valorizam (vale detalhar que as faculdades de pedagogia por lá são conceituadíssimas e só os melhores profissionais chegam à sala de aula). Na prática, o país europeu fica em 3º lugar no ranking das melhores do mundo no que se refere à qualidade educacional. O Brasil?... (risos momentâneos para sobrepor os choros habituais) melhor nem falar sobre essa desonrosa colocação. Indiscutível: professores mal preparados são sinônimos de deficiências irreparáveis num sistema nacional de educação. É interessante o burocrático processo de abertura de faculdades como de medicina, direito, engenharia... Mas quando se trata de pedagogia, qualquer ambiente com estrutura precária, professores desqualificados e uma carga horária deficiente, é aprovado. Não entendo o motivo! São incontáveis as atrocidades descomprometidas das mantenedoras dos chamados EADs (Educação a distância). O último escândalo dimensionado nacionalmente esteve relacionado a uma universidade confessional localizada em Canoas, no Rio Grande do


Sul. Provas de alunos do país inteiro (a universidade mantém uma rede em âmbito nacional de cursos a distância) não chegavam a ser corrigidas. A nota era automática e o nível de cognição dos estudantes deplorável. Segundo relatos de profissionais da Polícia Federal que tiveram acesso às avaliações, predominavam os erros grotescos de português. O Brasil carece de um “MEC” que tome por referencial bons exemplos. Claro que tem o aspecto da descomunal grandiosidade do nosso país, e outros “blábláblás” que são pretextados pelo Ministério em todas as justificativas sobre o nosso fracasso educacional, mas nunca uma posição de buscar soluções é notável. Cursos de pedagogia devem atingir outro patamar. Regras rígidas, fiscalizadas e teorizadas devem reger a regulamentação das faculdades de educação. Professor preparado é professor bem graduado e pós-graduado. Se a realidade atual não sofrer alterações drásticas, o sonho de alcançar os índices desenvolvidos de ensino ficará cada vez mais “à distância” da concretização.


Excelência distante