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Equipe Editorial Editores Científicos Alberto Souza Schmidt (UFSM) Neri dos Santos (UFSC) Editores de Seção Daniel de Moraes Joao (UFSM) José Augusto Arnuti Aita (UFSM) Maurício Nunes Macedo de Carvalho (UFSM) Comissão Científica Ademar Galelli (UCS) Adriano Rogério Bruno Tech (AFA/USP) Alcimar Chagas Ribeiro (UENF) Antonio José C. Pithon (CEFET-RJ) Antonio Carlos de Francisco (UTFPR) Carlos Eduardo Sanches da Silva (UNIFEI) Celso Rodrigues (UFPB) Elóide Teresa Pavoni (UCS) Everton Hillig (UNICENTRO) Fabiana Cunha Viana Leonelli (Embrapa) Fernando Gonçalves Amaral (UFRGS) Gisele Cristina Sena da Silva (UFPE) Guilherme Luís Roehe Vaccaro (UNISINOS) Ieda Kanashiro Makiya (UNIP) Janis Elisa Ruppenthal (UFSM) José Paulo Alves Fusco (UNESP) Junico Valle Antunes (UNISINOS) Leoni Pentiado Godoy (UFSM) Luiza Maria Bessa Rebelo (UFAM) Marcos Ricardo Rosa Georges (PUC) Nelson Casarotto Filho (UFSC) Paulo Mauricio Selig (UFSC) Rudimar Antunes da Rocha (UFSC) Arte Gráfica Kauan Prates Gonçalves (UFSM)

Prezados leitores, A Revista INGEPRO é uma publicação eletrônica mensal, de caráter nacional, sediada na Incubadora Tecnológica de Santa Maria (Universidade Federal de Santa Maria UFSM). O foco da revista é trabalhos científicos inéditos na área de Engenharia de Produção e áreas correlatas, que contribuam para o avanço efetivo dos sistemas produtivos. Como forma de estimular e aumentar a visibilidade de trabalhos realizados nos Programas de Pós-Graduação, também serão publicadas dissertações e Teses, desde que defendidas e aprovadas nos seus cursos de origem. É o primeiro periódico científico eletrônico mensal da área indexado ao Sistema Eletrônico de Editoração de Revistas, customizado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciências e Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, baseado no software OJS, da Universidade British Columbia. Como forma de seguir sua índole de inovação, a Revista INGEPRO também desenvolveu uma versão flip, de sua revista original do SEER. A revista destina-se tanto à comunidade científica (pesquisadores, professores, pós-graduandos e graduandos) como empresarial (diretores, gerentes e profissionais). A língua oficial deste periódico é a portuguesa. Com isso, a Revista INGEPRO vem a ser um veículo para a divulgação de pesquisas, cuja finalidade é contribuir para o avanço da ciência e, desta forma, promover o desenvolvimento sócio-econômico nacional.

Equipe INGEPRO

Revista INGEPRO


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Análise da sobrevivência de empresas no ranking Melhores e Maiores: um modelo de regressão Weibull Karina Lumena Freitas Alves (EESC) karinalumena@yahoo.com Aquiles Elie Guimarães Kalatzis (EESC) aquiles@sc.usp.br Resumo: Este trabalho tem por objetivo analisar o tempo de duração das empresas no ranking Melhores e Maiores elaborado pela revista Exame (2006) a fim de encontrar as relações existentes entre indicadores financeiros e a probabilidade de que as empresas deixem de fazer parte dessa classificação. O método estatístico utilizado no presente trabalho é fundamentado na análise de sobrevivência, ou também chamada análise de duração, em que os modelos de regressão são capazes de encontrar relações substanciais sobre o tempo de duração das empresas no ranking e as variáveis que possam explicá-lo. Foram analisadas 1.393 empresas durante os anos de 1996 a 2006 utilizando como ferramenta para tal análise, o Modelo de Regressão Weibull. Para efeitos de comparação e de controle, as empresas foram agrupadas por setor; comércio, serviço e indústria e os resultados apontaram diferenças significativas em cada tipo de setor. Palavras-chave: Análise de duração; Modelo de Regressão Weibul; Melhores e Maiores. 1. Introdução A análise de sobrevivência foi utilizada pela primeira vez para prever o tempo de vida de equipamentos em indústrias, no entanto sua maior utilização é vista em estudos médicos para estimar a probabilidade de que um paciente sobreviva após determinados tratamentos e optar pelo tratamento que melhor aumente a sua chance de sobreviver. Seu objetivo consiste na análise dos tempos de permanência de um equipamento, indivíduo ou empresa no atual estado em que se encontram e as variáveis que possam explicar seu comportamento. Para tanto, as técnicas estatísticas envolvidas são capazes de estimar a probabilidade de que estes elementos continuem em seus determinados estados. Sua utilização é de suma importância à medida que os resultados encontrados são capazes de auxiliar na tomada de decisões visando aumentar a probabilidade de sobrevivência ou permanência no atual estado dos elementos em questão. O termo, Análise de Sobrevivência é bastante utilizado para estudos envolvendo dados médicos, no entanto, é possível encontrar para a mesma análise, os termos; análise de sobrevida, análise de duração ou análise de confiabilidade. Segundo Greene (2000), esta análise é utilizada em diversos temas tratados na literatura. O trabalho de Kiefer (1988) apresenta uma pesquisa introdutória e altamente elucidativa sobre este tipo de análise. O autor faz alusão à análise de duração aplicada em diversas áreas da literatura, como por exemplo, duração do matrimônio, durabilidade de produtos, sobrevida de empresas, etc. O autor analisa a duração do desemprego dos americanos entre os meses de abril e março de 1988 e descreve de forma clara e objetiva os principais conceitos ligados a este tipo de análise. Tais conceitos são vistos no terceiro item deste trabalho.

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Kiefer (1988) apresenta também o conceito estatístico central da análise de duração que consiste na estimação da probabilidade condicional de um evento determinado ocorrer em um tempo determinado segundo a ocasião. Ou seja, a análise de duração leva em consideração para análise de um evento não apenas a probabilidade de que o evento ocorra, mas sim, a probabilidade de que o mesmo evento ocorra supondo uma condição anterior, no caso, a probabilidade de um indivíduo conseguir um emprego na décima semana dado que tal indivíduo esteve desempregado as nove semanas anteriores. De forma análoga ao trabalho de Kiefer (1988), é possível encontrar na área de ciências sociais, estudos de duração sobre a criminalidade, escolaridade, mortalidade, etc. Já para a análise do tempo de vida de equipamentos, o termo análise de confiabilidade denota o estudo da probabilidade de duração dos mesmos. Nestes estudos, os dados são, em geral, denominados dados de tempo de vida acelerados. No âmbito empresarial, a análise de duração pode ser empregada tanto em estudos que analisam a duração de clientes em filas de bancos ou o tempo de permanência de clientes de uma empresa de telefonia, por exemplo, como estudos de previsão de falência de empresas. Neste último caso, estima-se a probabilidade de uma empresa sobreviver no mercado ou, de forma análoga, seu risco de falir. Em suma, apesar das diversas terminologias citadas todas consistem em analisar, através de dados de tempo, as probabilidades de duração de interesse e as variáveis que possam explicar seu comportamento. Existe, no entanto, um conceito a ser esclarecido antes de realizar tal análise; o evento de interesse, também denominado evento falha, que corresponde ao momento em que uma empresa, indivíduo ou equipamento deixa de permanecer no estado em que se encontrava anteriormente. Colosimo e Giolo (2006) ressaltam a importância de, em estudos de sobrevivência, definir de forma clara e precisa o que vem a ser o evento falha. Assim, no presente trabalho, o evento falha ou evento de interesse é representado pelo momento em que a empresa não é mais classificada como melhor ou maior empresa do Brasil deixando de fazer parte do ranking Melhores e Maiores1 elaborado pela revista Exame. Dessa forma, o tempo de permanência de uma empresa nesta classificação, ou comumente chamado tempo até a ocorrência do evento de interesse, refere-se ao período entre o primeiro e último ano em que a empresa foi classificada como melhor e maior empresa do Brasil. Sendo que, a mesma empresa não deixou de ser classificada como melhor e maior empresa em nenhum dos anos deste período. Em termos estatísticos, a probabilidade condicional estimada no presente trabalho se refere à probabilidade de uma empresa deixar de fazer parte da classificação Melhores e Maiores dado que a mesma empresa pertenceu a esta classificação nos anos anteriores. Nesse sentido, o presente trabalho tem como objetivo analisar a duração de 1393 empresas no ranking Melhores e Maiores da revista Exame durante os anos de 1996 a 2006 a fim de encontrar, através do Modelo de Regressão Paramétrico Weibull, as relações existentes entre os indicadores financeiros e o tempo de duração das empresas no ranking. As empresas 1

O ranking Melhores e Maiores é uma classificação de empresas elaborada pela revista Exame em que se considera diversos indicadores de desempenho para calcular o índice de excelência empresarial e, consequentente, pontuar as empresas classificando-as em melhores e/ou maiores por setor e por região.

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foram agrupadas em três grandes setores; comércio, indústria e serviços. Visando a realização de tal análise, em um primeiro momento foram inseridos ao modelo apenas os indicadores de desempenho utilizados pela revista Exame como critérios de avaliação das empresas para classificação no ranking Melhores e Maiores, com intuito de detectar os principais indicadores que contribuem de forma positiva ou negativa para a permanência das empresas no ranking. No entanto, após obtenção dos resultados ao considerar apenas os critérios de desempenho da revista Exame, outro modelo foi elaborado. Este novo modelo levou em consideração os mesmos indicadores de desempenho da revista Exame acrescidos de novos indicadores financeiros escolhidos com base em trabalhos da literatura. Nesse sentido, este trabalho está estruturado em 5 seções, considerando esta breve introdução. Na próxima seção apresenta-se uma breve revisão sobre modelos utilizados para previsão de falência de empresas e exemplos da utilização de análise de duração aplicada aos tempos de vida de empresas. Na seção 3 são apresentados os dados e o modelo utilizados para a estimação dos parâmetros dos indicadores financeiros, bem como os principais conceitos da análise de duração. Em seguida encontram-se os resultados na seção 4, e por fim, as conclusões são apresentadas na seção 5. 2. Revisão de literatura Os primeiros estudos encontrados sobre dados de tempos de duração, ou também chamados tempos de falha em empresas datam da década de 30. No entanto, estes trabalhos enfatizam a duração de equipamentos e não o tempo de duração das empresas propriamente ditas. Lomax (1954) teve fundamental importância para os estudos referentes a tempos de duração de empresas na medida em que apresenta à literatura uma importante discussão entre os diferentes tipos de comportamento dos tempos de duração e acrescenta o enfoque empresarial. O autor menciona, referindo-se à mortalidade empresarial, que quanto maior o tempo de sobrevivência de uma empresa no mercado, menor a sua probabilidade de falir. Trabalhos posteriores como Beaver (1966) e Altman (1968) foram realizados com enfoque empresarial. Ambos os autores apresentam as primeiras utilizações de indicadores financeiros como previsores de falência de empresas, porém, enquanto Beaver (1966) realiza um teste dicotômico, Altman (1968) faz uso de uma técnica estatística chamada análise discriminante para encontrar um modelo de previsão de falência. Beaver (1966) analisou 30 indicadores financeiros como previsores de falência. O autor utilizou uma amostra de firmas industriais americanas, sendo 12 solventes e 79 insolventes e estimou os indicadores mais significativos para o risco de falência. Segundo o autor, os indicadores geração de caixa dividido pela dívida total, lucro líquido dividido pelo ativo total, capital circulante líquido dividido pelo ativo total e liquidez corrente impactam de forma positiva a probabilidade de insolvência, enquanto o indicador exigível total dividido pelo ativo impacta de forma negativa. Altman (1968) na tentativa de avaliar a qualidade de 22 indicadores financeiros como previsores de falência conclui que seu modelo teve 95% de precisão. Os resultados apresentados para uma amostra de 66 empresas americanas, sendo 33 solventes e 33 insolventes quanto aos indicadores que melhor explicam a probabilidade de falência foram: o indicador capital circulante líquido dividido pelo ativo total impacta de forma negativa a probabilidade de insolvência, já, os demais indicadores, LAJIR dividido pelo total, valor de

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mercado do patrimônio líquido dividido pelo exigível total e total de vendas dividido pelo ativo total impactam de forma positiva a possibilidade de falência de uma empresa. Com objetivo semelhante, Kanitz (1974) construiu um modelo chamado termômetro de insolvência através da mesma técnica estatística utilizada por Altman (1968). A partir deste termômetro é possível classificar uma empresa como solvente ou insolvente. Segundo Kanitz (1974), lucro líquido dividido pelo patrimônio líquido, ativo circulante mais realizável a longo prazo dividido passivo circulante mais exigível a longo prazo e capital circulante líquido dividido pelo passivo circulante são os indicadores significativos positivamente para a probabilidade de insolvência, enquanto, os indicadores, liquidez corrente e exigível total sobre patrimônio líquido impactam negativamente a mesma probabilidade. Entretanto, nos estudos, o autor não demonstra o ferramental estatístico utilizado para a estimação do modelo dizendo apenas que foi feita uma combinação de índices ponderados estatisticamente e que tal combinação é complexa. Segundo Kassai e Kassai (2003), o mesmo autor do termômetro de insolvência foi responsável durante mais de 20 anos pela elaboração da análise econômica e financeira das 500 Melhores e Maiores empresas brasileiras editada pela revista Exame aplicando no início da década de 70 seu modelo a essas empresas. Kassai e Kassai (2003), com intuito de desvendar o termômetro de insolvência construído por Kanitz (1974), analisaram uma amostra de 20 empresas brasileiras, sendo 10 solventes e 10 insolventes e ressaltaram que, o grau de previsão do modelo não seria o mesmo se aplicado às empresas atuais. Os autores propõem um novo termômetro, porém não fornecem os novos indicadores do modelo. Os modelos citados anteriormente são denominados modelos de avaliação de desempenho de empresas, mas apenas os dois últimos, modelo de Altman (1968) e modelo de Kanitz (1974) foram criados através do método estatístico chamado análise discriminante. Esta análise pode ser empregada na determinação de modelos para prever insolvência de empresas e dessa forma classificar as empresas como solventes ou insolventes em determinado momento. No entanto, ao empregá-la os estudos levam em consideração como variável dependente um fator chamado fator de insolvência que resulta em um valor discreto para cada empresa analisada. Altman (1968) descreve o ponto de equilíbrio quando esse fator de insolvência é igual a zero, classificando como solventes as empresas cujo fator é positivo, e insolventes as de fator negativo. Já para Kanitz (1974), a variável resposta deve ser considerada entre menos sete e mais sete. Segundo seu termômetro de insolvência, uma empresa é classificada como solvente se o fator de insolvência é positivo, e insolvente se o valor do fator de insolvência se encontra abaixo de menos três. Entretanto, para os valores compreendidos entre menos três e zero a empresa não é classificada como solvente nem como insolvente e, segundo o autor, uma nova análise deve ser feita neste caso. Outros modelos foram propostos na literatura brasileira desde então. O modelo de insolvência criado por Matias e Siqueira (1996) é muito citado na literatura sobre bancos. Os autores utilizaram uma amostra de 20 bancos solventes e 16 bancos insolventes entre o período de julho de 1994 e março de 1995 e, através do método estatístico chamado análise de regressão logística, estimaram o modelo de previsão de insolvência bancária. Os indicadores que melhor explicam a probabilidade de insolvência para bancos, segundo os autores, são os de custo administrativo, de comprometimento do patrimônio líquido com créditos em atraso e liquidação e de evolução da captação de recursos. Sendo a variável resposta referente ao

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modelo, a probabilidade de insolvência, tem-se que um banco é classificado como insolvente ao resultar em um valor maior que 0,5 para tal variável. Para um período semelhante, julho de 1994 a dezembro de 1995, Rocha (1999) buscou, também, prever a falência de bancos, através da construção de um modelo, baseado no modelo de riscos proporcionais de Cox, modelo semi-paramétrico de análise de duração. Com base em 26 indicadores contábeis e uma amostra de 15 bancos insolventes, a autora construiu um modelo capaz de identificar insolvência em instituições bancárias com antecedência. Rocha (1999) aponta dois indicadores financeiros impactando positivamente o risco de falência dos bancos; alavancagem financeira e captação de recursos e apenas um, margem líquida, impactando de forma negativa esse risco. À semelhança de Matias e Siqueira (1996) e Rocha (1999), Janot (2001) desenvolve outro modelo de previsão de insolvência para bancos. No entanto, em lugar de aplicar apenas um método na construção do modelo, o autor utiliza duas análises estatísticas com o intuito de compará-las, o modelo de regressão logística e o modelo de riscos proporcionais de Cox. Segundo o autor, o alto valor de precisão de ambos os modelos indica que a insolvência bancária é passível de ser prevista no Brasil. Outros estudos na literatura mais recente utilizam análise de duração, porém o enfoque é dado, na maioria dos casos, para dados médicos, como pacientes com câncer e dados econômicos, como, desemprego, criminalidade e inadimplência. Dessa forma, e com intuito de analisar ao impacto dos indicadores financeiros nos tempos de duração de interesse optouse por realizar um estudo de duração das melhores e maiores empresas do Brasil, classificadas de acordo com o ranking Melhores e Maiores elaborado pela revista Exame. 3. Dados e Modelo Os dados utilizados neste trabalho têm como base as informações disponíveis na Base de Dados Melhores e Maiores de Fipecafi-Exame. Foram analisadas 1.393 empresas listadas neste ranking entre 1996 a 2006 através do programa Stata 9.2. Primeiramente, foram retiradas do banco de dados inicial as empresas que deixaram de ser classificadas como Melhores e Maiores e voltaram a ser classificadas em outro momento, levando em consideração, além das empresas que permaneceram desde 1996 até 2006, aquelas que ao sair do ranking, não retornaram a tal classificação. Consequentemente, os dados foram ajustados ao ano de 2006, utilizando-se para tal ajuste o índice de preços do mercado IGP-M, calculado pela FGV e coletado do banco de dados da FGV Dados. Após o tratamento descrito acima, as empresas foram classificadas em três grandes setores; comercial, industrial e de serviços com base na CNAE, classificação nacional de atividades econômicas, feita pelo IBGE. A escolha dos indicadores teve como base, primeiramente, os critérios utilizados pela revista Exame para determinar o índice de excelência empresarial utilizado para aferição do desempenho das empresas em Melhores e Maiores, apresentados no QUADRO 12. 2

O ranking Melhores e Maiores, obtido através da classificação das maiores e melhores empresas do Brasil realizada pela equipe técnica da revista Exame, é elaborado através da ponderação dos critérios de desempenho descritos no QUADRO 1 acrescidos dos indicadores liderança de mercado e riqueza criada por empregado. O indicador liderança de mercado é obtido pela divisão de vendas no período sobre o total de vendas no seu setor, porém, como neste trabalho as empresas foram classificadas em três grandes setores industrial, comercial e de

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Indicador

Descrição

Crescimento de vendas

Variação de vendas entre os períodos t e t-1 dividida pelo total de vendas em t-1

Investimento no Imobilizado

Variação do ativo imobilizado entre os períodos t e t-1 dividida pelo ativo imobilizado do período t-1.

Liquidez Corrente

Ativo Circulante dividido pelo passivo Circulante.

Rentabilidade do P. L.

Resultado Líquido dividido pelo Patrimônio Líquido.

QUADRO 1 - Indicadores de desempenho utilizados pela revista Exame. Adaptado da Revista Exame Melhores e Maiores, julho de 2006

O indicador crescimento de vendas, obtido pela variação percentual de vendas referente ao período anterior, retrata o dinamismo da empresa no ano analisado, ou seja, através do seu resultado verifica-se um crescimento ou uma redução na participação de determinada empresa no mercado e sua capacidade de, expandindo-se, gerar novos empregos. De forma semelhante, a variável investimento no imobilizado, obtida pelo cálculo da variação percentual de investimento em imobilizado relativa ao período anterior, representa um indicador de geração de empregos porque apresenta o quanto a empresa está aplicando em modernização ou novas instalações. O valor resultante do indicador liquidez corrente dividindo-se o ativo circulante pelo passivo circulante é de suma importância porque indica se a empresa apresenta boa saúde financeira demonstrando se a empresa está operando com segurança em um horizonte de curto prazo. Por fim, o critério rentabilidade do patrimônio, dividindo-se o resultado líquido sobre o patrimônio líquido, é um indicador que mede a eficiência da empresa, o controle de custos e o aproveitamento das oportunidades que surgem no mundo dos negócios. No entanto, na tentativa de aperfeiçoar o modelo, em um segundo momento, foram inseridos novos indicadores financeiros juntamente com os indicadores utilizados pela revista Exame. Os indicadores financeiros testados estão descritos no QUADRO 2. O indicador estoque de capital sob ativo total descrito acima indica o quanto foi investido de capital na empresa em relação aos recursos que esta possui. Já o indicador estoque de capital sob patrimônio líquido representa o mesmo investimento em relação ao valor de tal empresa. Estas variáveis são importantes para saber se o investimento em imobilizado é relevante para a permanência de uma empresa no ranking Melhores e Maiores. A variável capital de giro disponível obtida através da razão entre o capital circulante líquido e o ativo total é de suma importância na medida em que avalia se uma empresa é capaz de cumprir com as suas obrigações no curto prazo. Por fim, têm-se os índices de endividamento obtidos através da razão de dívidas sobre recursos totais ou dívidas sobre o patrimônio líquido. Enquanto o índice de participação de capitais de terceiros sobre recursos totais e o grau de endividamento representam a dívida total, os outros indicadores representam serviços, este indicar não foi considerado, já que poderia distorcer a análise. Já a utilização do indicador riqueza criada por empregado, obtido pela divisão do resultado líquido pelo número de empregados da empresa também foi desconsiderado, já neste trabalho a análise é realizada considerando grandes setores.

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a dívida de longo prazo e curto prazo. Tais indicadores são relevantes já que a incapacidade de quitar as dívidas leva uma empresa a níveis de dificuldade financeira, o que em um horizonte de longo prazo pode resultar em insolvência. As variáveis dos modelos utilizados neste trabalho, indicadores financeiros neste caso, têm fundamental importância para a análise de duração, na medida em que os valores resultantes de seus coeficientes permitem encontrar a relação existente entre estas variáveis e o tempo de duração. No entanto, a estimação de tais parâmetros depende da compreensão da análise de duração. Para tanto, são apresentados os conceitos fundamentais desta análise. Indicador

Descrição

Estoque de capital sobre ativo total

Imobilizado no tempo t menos imobilizado no tempo t-1 dividido pelo ativo total

Estoque de capital sobre patrimônio líquido

Imobilizado no tempo t menos imobilizado no tempo t-1 dividido pelo patrimônio líquido

Índice de participação de capitais de terceiros sobre os recursos totais

Exigível total dividido pelo ativo total

Grau de endividamento

Exigível total dividido pelo patrimônio líquido

Capital de giro disponível

Capital circulante líquido dividido pelo ativo total

Dívida a longo prazo sobre recursos totais

Exigível a longo prazo dividido pelo ativo total

Dívida a longo prazo sobre patrimônio líquido

Exigível a longo prazo dividido pelo patrimônio líquido

QUADRO 2 - Indicadores financeiros acrescentados ao modelo

A função de sobrevivência, importante conceito estatístico em duração, é definida como a probabilidade de uma observação não falhar até certo tempo t, ou seja, a probabilidade de uma observação durar até o tempo t. Em termos probabilísticos isto significa: S (t ) = P (T ≥ t )

(1)

Onde S(t) corresponde à função de sobrevivência, neste caso, especificamente, como sendo a função de permanência das empresas no ranking Melhores e Maiores, e P(T ≥ t) à probabilidade de, neste caso, uma empresa não deixar de pertencer ao ranking até um determinado tempo t. Através desta função é possível encontrar a chamada função de distribuição acumulada dos tempos de duração, que é definida como a probabilidade de uma observação não durar até o tempo t, ou seja, a probabilidade de uma empresa deixar de fazer parte da classificação antes do tempo t: F (t ) = 1 − S (t )

(2)

Outro conceito importante para a análise proposta é a definição da função de risco, também conhecida pela denominação de função de taxa de falha, que consiste em uma probabilidade condicional calculada como sendo a probabilidade de determinado evento ocorrer no instante t dado que não ocorreu até o mesmo instante t, exposta a seguir:

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λ (t ) = lim

∆t → 0

P (t ≤ T < t + ∆t / T ≥ t ) ∆t

(3)

Para t uma variável aleatória, não negativa tem-se em termos das funções definidas anteriormente uma importante relação entre a função de risco e a sobrevivência ou duração de uma observação dada a seguir:

λ (t ) =

f (t ) S (t )

(4)

Onde λ (t) representa a função de risco que corresponde à razão entre a função densidade dos tempos de duração, encontrada através da derivada da função de distribuição acumulada, e a função de sobrevivência, ambas expostas anteriormente. Entretanto ao utilizar um modelo probabilístico torna-se indispensável uma análise prévia sobre a sua adequação aos dados do estudo, já que a atribuição de uma distribuição de probabilidade adequada ao comportamento dos tempos de duração é fundamental para a correta utilização de determinado modelo de duração. Para tanto, foi utilizado o estimador não paramétrico de Kaplan-Meier, que consiste em estimar a função de sobrevivência descrita pela equação (1) e compará-la com as funções de sobrevivência de modelos probabilísticos. O modelo utilizado para análise dos dados deve ter função de sobrevivência semelhante à encontrada pelo estimador. Os gráficos 1 e 2 correspondem à função de sobrevivência dos tempos de duração das empresas pertencentes ao ranking Melhores e Maiores, ou seja, correspondem ao comportamento dos tempos de duração dos dados utilizados neste trabalho. No entanto, enquanto, o GRÁFICO 1 apresenta a função de sobrevivência estimada através do estimador Kaplan-Meier, o GRÁFICO 2 apresenta semelhante função estimada pela regressão Weibull. Assim, verifica-se, através dos gráficos a seguir, a correta utilização do modelo de regressão Weibull. Sobrevivência 1.00

Estimação Kaplan-Meier

Sobrevivência

Regressão Weibull

1

0.75

0.50

0.50

0.25

0

0 0

50

100

0

150 Tempo

GRÁFICO 1 – Função de Sobrevivência segundo Kaplan-Meier

50

100

150 Tempo

GRÁFICO 2 – Função de Sobrevivência segundo Regressão Weibull

Ambos os gráficos apontam semelhantes funções de sobrevivência. Ao observá-los é possível notar que a probabilidade das empresas permanecerem no ranking se reduz à medida que aumenta o tempo de permanência das mesmas no ranking Melhores e Maiores. No entanto, embora, esta análise mostre que a chance de uma empresa ser novamente classificada

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se reduz com o passar do tempo, os dados demonstram que a probabilidade de uma empresa, que já permaneceu 138 meses, continuar no ranking é alta, sendo pouco menos de 50%. Tendo em vista que, em modelos de análise de duração a variável dependente corresponde ao tempo de duração em questão, estes modelos resultam em modelos não lineares. Desse modo, a linearização de tais modelos se faz necessária para a estimação dos parâmetros das variáveis explicativas e ocorre através da atribuição do logarítmo neperiano à variável resposta. Dessa forma, o Modelo de Regressão Weibull utilizado é dado por: (5)

Y = x′β + σν

onde; Y = ln (T ) ; x′β matriz de covariáveis ; σ = parâmetro de escala do modelo;ν = erro. Contudo, foram utilizados dois modelos apresentados a seguir; um modelo, cujas covariáveis correspondem aos indicadores de desempenho propostos pela revista Exame e outro adicionando novos indicadores financeiros. Modelo de Regressão Weibull para os indicadores da revista Exame; Y = β 0 + β 1CV + β 2 IM + β 3 LC + β 4 ( RE / PL) + σν

(6)

onde; CV = Crescimento de vendas, IM = Investimento no imobilizado, LC = Liquidez Corrente, RE/PL = Rentabilidade sobre patrimônio líquido, A partir dos indicadores descritos nos quadros 1 e 2 um novo modelo foi encontrado para explicar o comportamento dos tempos de duração das empresas no ranking Melhores e Maiores. Este Modelo de Regressão Weibull proposto com novos indicadores é dado por; Y = β 0 + β 1CV + β 2 IM + β 3 LC + β 4 ( RE / PL) + β 5 ( EK / AT ) +

β 6 (CCL / AT ) + β 7 ( ELP / AT ) + σν

(7)

onde; EK/AT = Estoque de capital sobre ativo total, CCL/AT = Capital de giro sobre ativo total, ELP/AT = Exigível a longo prazo sobre ativo total.

4. Resultados Esta seção procura analisar os resultados referentes aos dois modelos propostos. Dessa forma os resultados são apresentados na TABELA 1 e TABELA 2. A TABELA 1 apresenta os resultados referentes ao modelo elaborado com os indicadores utilizados pela revista Exame e a TABELA 2 apresenta os resultados do novo modelo proposto adicionando-se alguns indicadores financeiros. Uma análise descritiva realizada anteriormente demonstrou que os valores médios das variáveis, crescimento de vendas, investimento no imobilizado, liquidez corrente, exigível total sobre ativo total, capital de giro sobre o ativo total e a dívida de curto prazo em relação ao ativo total das empresas são maiores para o setor de comércio. Esse resultado, referente ao período analisado, deve-se a fatores como: aumento da renda per capita das classes menos favorecidas, aumento na oferta de crédito e, conseqüentemente, crescimento do setor de bens de consumo duráveis. É importante ressaltar que a análise dos coeficientes em modelos de duração é interpretada considerando a variável resposta como uma função decrescente do tempo, ln(T). Nesse caso, à medida que os coeficientes das variáveis explicativas aumentam, ou seja,

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apresentam sinais positivo, o tempo de permanência das empresas no ranking se reduz. Por outro lado, a presença do sinal negativo no coeficiente da variável explicativa implica em um aumento da probabilidade da empresa permanecer no ranking das Melhores e Maiores. Nota-se que as principais variáveis que explicariam o tempo de permanência das empresas no ranking Melhores e Maiores diferem para os setores analisados. Pode-se notar pela TABELA 1, que para o banco geral, os indicadores crescimento de vendas e rentabilidade sobre patrimônio líquido são significativos. No entanto, enquanto um aumento da rentabilidade sobre patrimônio líquido acarreta um aumento da probabilidade de uma empresa permanecer no ranking, o aumento do crescimento de vendas leva a diminuição de tal probabilidade. Este impacto negativo da variável crescimento de vendas à duração das empresas ocorre também para o setor industrial. Entretanto, este resultado deve ser analisado com cautela, porque, de fato, parece pouco provável que um aumento nas vendas diminua as chances de uma empresa ser considerada como melhor e maior empresa do Brasil. Tal resultado pode ser explicado no momento em que as empresas do banco geral e do setor industrial não apresentam altas taxas de crescimento nas vendas de um ano para o outro. O impacto do indicador de rentabilidade é positivo na duração de empresas do setor de comércio e indústria e o indicador liquidez corrente é significativo e impacta negativamente na duração das empresas do setor de serviços e indústria no ranking. Estes resultados foram apresentados, em um primeiro momento com base nos indicadores de desempenho utilizados pela revista Exame. TABELA 1 - Parâmetros dos Indicadores Utilizados pela revista Exame Indicadores

Banco Geral

Comércio

Serviços

Indústria

CV

0.0187** (0.0089)

0.0132 (0.0095)

0.0011 (0.2428)

0.1913** (0.0819)

IM

0.0227 (0.0477)

-0.0412 (0.1104)

0.0273 (0.1308)

0.0055 (0.0659)

LC

0.0061 (0.0072)

0.0065 (0.0060)

0.0561*** (0.0157)

-0.2237*** (0.0525)

RE/PL

-0.2001*** (0.0442)

-0.2282*** (0.0770)

-0.0090 (0.0884)

-0.1899*** (0.0525)

constant Nº de empresas

-6.9273*** (0.2291) 1393

-6.5952*** (0.4162) 284

-7.8558*** (0.5232) 406

-6.6138*** (0.3425) 703

Log likelihood

-1389.5844

-319.1719

-343.7408

-678.85874

LR chi2(5)

11.51

7.50

35.92

8.41

Prob > chi2 0.0422 0.0778 0.1117 ***, ** e * indicam os níveis de significância estatística 1%, 5% e 10%, respectivamente.

0.0000

No entanto, com intuito de aperfeiçoar o modelo e testar a significância de outros indicadores financeiros, propõe-se um novo modelo adicionando novas variáveis explicativas descritas no QUADRO 2. A TABELA 2 apresenta os parâmetros estimados para os três setores desse novo modelo.

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Nota-se pela TABELA 2 que todas as variáveis explicam a duração das empresas para o banco geral. Isso significa que, após inserir novos indicadores financeiros, o modelo apresentou uma melhor adequação ao explicar o comportamento dos tempos de duração das empresas no ranking quando comparado ao modelo anterior. No entanto, é possível notar semelhanças nos dois modelos quanto à análise feita por setor. Para ambos os modelos, o indicador rentabilidade sobre patrimônio líquido é significativo e tem impacto positivo na duração das empresas de comércio e indústria. Da mesma forma, o indicador de liquidez corrente mostrou-se significativo com impacto negativo na duração de empresas de serviços. TABELA 2 – Parâmetros para diferentes setores Indicadores

Banco Geral

Comércio

Serviços

Indústria

CV

0.0177* (0.0100)

0.0130 (0.0097)

0.0127 (0.2618)

0.1532** (0.0827)

IM

0.1264*** (0.0354)

0.0015 (0.1028)

0.3186*** (0.1311)

0.1703*** (0.0660)

LC

0.0100* (0.0055)

0.0071 (0.0059)

0.0608*** (0.0171)

-0.0619 (0.0585)

RE/PL

-0.1626*** (0.0475)

-0.1871** (0.0839)

0.0267 (0.0980)

-0.1184** (0.0599)

EK/AT

-1.5193*** (0.2862)

-0.7045 (0.9649)

-1.7918*** (0.5673)

-1.9175*** (0.4495)

CCL/AT

-0.9287*** (0.2044)

-0.2868 (0.3607)

-0.8284* (0.5101)

-1.5501*** (0.4221)

ELP/AT

-0.8596** (0.2743)

0.6513 (0.5109)

-1.8726*** (0.5690)

-0.5309 (0.3897)

constant Nº de empresas

-6.7694*** (0.2368) 1393

-6.6703*** (0.4308) 284

-7.6491*** (0.5390) 406

-6.7620*** (0.3530) 703

Log likelihood

-1356.1331

-317.9161

-332.4417

-656.34633

LR chi2(11)

70.11

10.92

28.84

73.69

Prob > chi2 0.0000 0.1422 0.0002 ***, ** e * indicam os níveis de significância estatística de 1%, 5% e 10%, respectivamente.

0.0000

Nota-se que os indicadores investimento no imobilizado e estoque de capital sobre ativo total são significativos para explicar a duração das empresas do setor de serviços e indústrias. No entanto, enquanto o investimento no imobilizado apresenta um impacto negativo aos tempos de duração, o estoque de capital em relação ao ativo total afeta positivamente a chance de uma empresa continuar no ranking. Estes resultados apontam que o tempo de duração dessas empresas não depende do fluxo investido em modernização e novas instalações, mas da relação entre este capital investido e seus recursos totais. Outros impactos importantes no tempo de duração das empresas podem ser observados, como os efeitos da variável de endividamento e capital de giro. Observa-se que, para empresas dos setores de serviços e indústria, um aumento no capital de giro sobre ativo total acarreta um aumento na probabilidade de serem consideradas como melhores e maiores

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e, apenas para o setor de serviços, a dívida de longo prazo tem impacto positivo na duração no ranking. Entretanto, sendo o capital de giro um indicador relacionado com a dívida de curto prazo e atentando-se ao fato de que tal relação é inversa, além de considerar que a dívida de longo prazo é significativa, aumentando assim a probabilidade de uma empresa de serviços permanecer no ranking, a dívida de curto prazo poderia diminuir tal probabilidade.

5. Considerações Finais Este trabalho analisou a duração de 1393 empresas de comércio, serviço e indústria no ranking Melhores e Maiores da revista Exame durante os anos de 1996 a 2006 a fim de encontrar, através do Modelo de Regressão Paramétrico Weibull, os impactos dos indicadores financeiros no tempo de permanência das empresas no ranking. Foram encontradas diferenças expressivas quanto aos impactos das variáveis financeiras aos tempos de duração das empresas no ranking. Os resultados indicaram, para empresas do setor comercial, que quanto maior sua rentabilidade maiores as chances de permanecer entre as melhores e maiores empresas. Já para o setor de serviços um aumento da relação entre o capital investido em imobilizado e seus recursos totais acarreta o aumento dos tempos de duração no ranking. E, por fim, as empresas do setor industrial devem estar atentas a sua necessidade de capital de giro já que o indicador capital de giro sobre ativo total tem impacto positivo na probabilidade de tais empresas serem consideradas novamente como melhores e maiores empresas do Brasil. Os resultados encontrados neste trabalho contribuem para empresas interessadas em permanecer entre as melhores e maiores empresas do Brasil, segundo classificação feita pela revista Exame. As companhias de cada setor poderiam estar atentas não somente aos indicadores utilizados pela revista Exame, mas também a outros indicadores importantes para a permanência das empresas no ranking das Melhores e Maiores, como apontado nesse estudo. Referências ALTMAN, E. I. Financial ratios, discriminant analysis and the prediction of corporate bankruptcy. The Journal of Finance, v. 23, n. 4, p. 489-609, 1964. BEAVER, W. Financial ratio as predictors of failure, Empirical Research in Accounting: Selected Studies 1966, Journal of Accounting, v. 4, p.71-111, 1967. COLOSIMO, E. A.; GIOLO, S.R. Análise de Sobrevivência aplicada. São Paulo: Edgard Blücher, 2006. GREENE, W. H. Econometric analysis. New Jersey: Prentice-Hall, 2000. JANOT, M. M. Modelos de previsão de insolvência bancária no Brasil. 41 f. Banco Central do Brasil, 2001. KANITZ, S. C. Como prever falências. Exame, p. 95-102, 1974. KASSAI, J. R.; KASSAI, S. Desvendando el termometro de insolvencia de Kanitz. Ciencia y Tecnica Administrativa, v. 09, n. 13, 2003. KIEFER, N. M. Economic duration data and hazard functions. Journal of Economic Literature, v. 26, n. 2, p. 646-679, 1988. LOMAX, K. S. Business failures: Another example of the analysis of failure data. v.49, n.268, p.847-852, 1954. MATIAS, A. B., SIQUEIRA, J. O. Risco bancário: modelo de previsão de insolvência de bancos no Brasil. Revista de Administracao, p. 19-28, 1996. ROCHA, F. Previsão de falência bancaria: um modelo de risco proporcional. Pesquisa e Planejamento Econômico, v.29, n.1, p. 137-152, 1999.

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Desempenho e competitividade através do planejamento estratégico da produção: um estudo em uma empresa de estruturas metálicas gaúcha Ana Claudia Machado Padilha (UPF) anapadilha@upf.br Jackies Luza (UPF) jackies@veloz.com.br Leticia Bortolanza (UPF) letib@veloz.com.br Paloma de Mattos (UNP) palomattos@hotmail.com Resumo: O mercado de estruturas metálicas tem passado por períodos de oscilações constantes onde ora a matéria-prima é escassa, ora a matéria-prima é abundante. Deste modo, surge a necessidade de se investir cada vez mais no setor produtivo das organizações com estratégias, orientando-o num caminho de organização e evitando perdas. Neste sentido, este estudo tem como objetivo realizar o planejamento estratégico da produção da empresa gaúcha Sulmeta Ltda., identificando aspectos que interferem negativamente e positivamente no seu desempenho e competitividade. Desta forma, foi realizada uma pesquisa de natureza exploratória, tendo aspectos de análise qualitativa, caracterizado por uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental através de entrevistas com diretores, gerentes, coordenadores e funcionários da Sulmeta Ltda. A análise dos dados proporcionou o conhecimento dos pontos negativos e positivos que interferem na melhoria do setor produtivo. Assim, conclui-se que conhecendo os aspectos que interferem negativamente e positivamente o seu desempenho e competitividade no setor em que opera, pode-se contribuir para a redução de riscos nas tomadas de decisões, as quais devem ser rápidas e exatas, devido à velocidade das mudanças que vem occorendo no mercado de estruturas metálicas. Palavras chave: Planejamento estratégico da produção; desempenho; competitividade. 1. Introdução O Brasil vem dominando a tecnologia de obras industrializadas possibilitando a execução de construções com rapidez e qualidade. A área de estruturas metálicas vem crescendo cada vez mais e surge a opção pela utilização de estrutura metálica em detrimento ao cimento na construção civil. Onde antes somente se investiam em galpões industriais pesados, shoppings centers, torres, edifícios de múltiplos andares comerciais e industriais, gerou uma maior procura por casas e moradias em estruturas metálicas, garantindo assim um futuro promissor na indústria metalúrgica. Observando um mercado de oscilações constantes, de extrema instabilidade, onde ora a matéria-prima é escassa, ora a matéria-prima é abundante, surge a necessidade de se investir cada vez mais no setor produtivo das organizações com estratégias, orientando-o num caminho de organização e evitando perdas, uma vez que este setor se caracteriza por ser o ponto crucial da indústria, pois seus produtos precisam ter qualidade, com custos menores e serem cada vez mais competitivos em relação ao dos concorrentes. A empresa Sulmeta, objeto deste estudo, tem deficiências em seu setor produtivo que ameaçam a competitividade da empresa como um todo, com destaque para a falta de oferta de mão-de-obra, custos elevados, entre outros que serão apurados no momento da realização do estudo. As causas de identificação de pontos fracos no setor de produção podem estar relacionadas à sua localização geográfica além de terem outras empresas que concorrem entre si no fator mão-de-obra.

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Em função de ser um setor altamente competitivo e dependente da qualidade, pontualidade na entrega do produto final, relações com os fornecedores, logística, entre outros aspectos, é pertinente uma análise e desenvolvimento de um planejamento do setor da produção, o qual se configura como sendo um dos mais importantes, segundo seu objetivo. No entanto, existem alguns fatores específicos do setor de produção que interferem no seu desenvolvimento e maximização dos resultados, aspectos estes que ainda podem ser melhorados a partir da realização de um planejamento estratégico da produção. Partindo das argumentações efetuadas, o objetivo do estudo é o de realizar o planejamento estratégico da produção da Sulmeta Ltda., identificando aspectos que interferem negativamente e positivamente no seu desempenho e competitividade. 2. Revisão da literatura 2.1 Administração estratégica Para Mintzberg (1983) estratégia representa uma adaptação entre um ambiente dinâmico e um sistema de operações estável. È uma concepção da organização, de como esta se ajusta continuamente ao ambiente que está inserida. 2.1.1 Estratégias funcionais De acordo com Fernandes e Berton (2005), a estratégia funcional refere-se às ações adotadas em áreas particulares da administração, tais como estratégias de marketing, de operações/produção, de recursos humanos ou financeiros. Ao longo desse processo de modernização da produção, a figura do consumidor tem sido o foco principal, pois é a procura da satisfação do consumidor que tem levado as empresas a se atualizarem com novas técnicas de produção cada vez mais eficazes, eficientes e de alta produtividade (MOREIRA, 1996). 2.1.2 Estratégia de unidade de negócio Para enfrentar as forças competitivas de cada segmento industrial, Porter (1986) sugere à empresa a utilização de três abordagens para a estratégia de negócios. Estas são definidas como estratégias genéricas e são classificadas em: a) liderança em custo: oferta de produtos e serviços a custos ou preços mais baixos; b) diferenciação: uma (ou mais) dimensão diferenciada dos produtos e serviços; e, c) foco: prioriza um segmento do mercado através de custo ou diferenciação. 2.1.3 Sistema de produção, estratégia da produção e planejamento estratégico O sistema de produção “é um conjunto de partes inter-relacionadas, as quais quando ligadas atuam de acordo com padrões estabelecidos sobre inputs (entradas) no sentido de produzir outputs (saídas)” (HARDING, 1981, p. 24). Segundo Nogueira (2002), um aspecto importante a ser considerado quando se projeta ou opera um sistema de produção é a necessidade da realização de trade-offs. Variáveis como custo, qualidade, flexibilidade, entrega e serviços ao cliente colocam a administração constantemente diante de situações de decisão em que escolhas (por uma ou por algumas poucas prioridades) são inevitáveis. Autores como Hayes e Pisano (1994), defendem que tais programas e práticas devem ser implementados como passos consecutivos no caminho de uma direção estratégica desejada. Dessa forma, a estratégia de produção deve buscar construir competências que serão necessárias para a empresa no futuro.

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A estratégia da produção baseia-se na escolha e priorização de critérios de desempenho como os custos: produção a baixo custo; a qualidade: conformidade com as especificações e satisfação dos clientes; a entrega: confiabilidade e velocidade de entrega e apoio ao consumidor; a flexibilidade: capacidade de absorver variações de demanda de produtos (PORTER, 1986); e a definição de políticas: o conjunto de planos e ações relacionados à função produção, que visam dar sustentação à estratégia competitiva da empresa (NOGUEIRA, 2002) para as diferentes áreas de decisão. Estes critérios tem que estar de forma que a formulação e a implementação de uma estratégia de produção apresente coerência e consistência entre os critérios e as decisões (ALIGLERI e LOPES, 1994). Ultimamente, tem havido um reconhecimento frequente de que a produção pode ser uma excelente arma competitiva se equipada e gerenciada apropriadamente. A chave para chegar a este desenvolvimento é uma estratégia de produção coerente. O potencial da manufatura como uma arma competitiva e o conceito do uso da produção como um ativo estratégico, são cada vez mais indicados pelos autores, como forma de prosperar em algumas atividades da indústria, inclusive tenta modificar sobre a manufatura, que os gerentes de produção vinham observando como postulados (SANTOS, PINHEIRO e GALDINO, 2001). O planejamento estratégico faz-se necessário dentro de uma empresa e destaca-se que dentre as etapas, o estabelecimento de objetivos e metas também são importantes para sua implementação e controle. Toda atividade fabril requer um planejamento estratégico na produção e a familiarização desse planejamento para o administrador é imperiosa, onde esse planejamento significa a atividade preliminar de busca e preparação de informações que permita definir o que deva ser produzido, em que quantidades, como e com quais recursos (ERDMANN, 1998). Além disto, cabe mencionar que o planejamento estratégico também é uma etapa entendida por diagnóstico estratégico. Segundo Gaj (1995), o diagnóstico estratégico é um instrumento que detecta as reais necessidades de uma unidade estratégica de negócios, devendo ser analisado de forma global e orientado para descrever a posição presente e futura da organização. Nesse diagnóstico são levantados os pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças. Os pontos fortes são variáveis internas e controláveis que propiciam uma condição favorável na empresa, com relação ao ambiente, podendo ser categorizadas como algo que a empresa faz especialmente bem. E os pontos fracos são as variáveis internas e incontroláveis que provocam uma situação desfavorável na empresa com relação ao seu ambiente, geralmente a coloca em desvantagem frente aos concorrentes, tendo o potencial de impedir que a empresa tire proveito de oportunidades externas ou obtenha sucesso em seus esforços para superar ameaças externas (OLIVEIRA, 1995; HITT, IRELAND e HOSKISSON, 2002). Com relação às oportunidades, estas podem ser entendidas como variáveis externas e não controláveis pela empresa, que podem criar condições favoráveis, desde que tenha condições e/ou interesse de usufruí-las; são as situações do meio ambiente que a empresa pode aproveitar para aumentar sua competitividade. Já no caso das ameaças, estas são as variáveis externas e não controláveis pela empresa, que podem criar condições desfavoráveis; são as situações do meio ambiente que colocam a empresa em risco (HARTMANN, 2000). Para Harding (1981), o processo de produção está relacionado com todas as áreas de decisões, atividades e restrições, controles e planos que permitem que sejam convertidas entradas em saídas. Complementando estas idéias, Monks (1987) apresenta variáveis de

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decisões a serem consideradas na elaboração de um planejamento da produção como mostra a Figura 1.

FIGURA 1 - Variáveis de decisões para um plano de produção Fonte: Elaborada pelas autoras a partir de Harding (1981) e Monks (1987).

A Figura 1 apresenta as variáveis de decisão para um plano de produção que são explicadas a seguir. a) Níveis de estoque: considerados acúmulos de recursos materiais entre fases específicas de processo de transformação, capazes de proporcionar independência às fases desse processo entre os quais se encontram. b) Utilização de capacidade: refere-se ao planejamento da utilização da capacidade, sendo considerada uma atividade crítica desenvolvida paralelamente ao planejamento de estoque. Entretanto é necessário a identificação da capacidade, ou capacidade necessária afim de se obter os benefícios de um sistema de planejamento. c) Instalações: devem ser organizadas de acordo com funções como garantia da qualidade, manutenção, tráfego, distribuição, prevenção de prejuízos, processamento de dados e pessoal. d) Tamanho da equipe de trabalho: refere-se a relação da quantidade necessária de minutos por trabalhador necessária para cada produto, tornando-se possível estimar o número de trabalhadores necessários num departamento de produção (GAITHER E FRAZIER, 1999; CORRÊA, GIANESI e CAON, 2007). e) Sub-contratação: relacionada a empresa industrial aceitante da responsabilidade técnica e financeira de elaborar um produto ou um serviço, sob a especificação técnica da empresa primária (PAGNANI, 1989). f) Recursos humanos: refere-se a administração de pessoas que participam das organizações e que nela desempenham determinados papéis. Porém, nos tempos atuais já se

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afirma que recursos humanos em uma empresa não se tratam mais de administrar pessoas, mas sim administrar com pessoas, os novos parceiros de uma organização (CHIAVENATO, 1997; TRIGO, 2005). g) Aceite de pedidos para atendimentos futuros: empresa deve prometer prazos aos clientes baseados em informações firmes e confiáveis da fábrica, caso contrário haverá uma causa de turbulência que contribuirá para uma gestão conturbada da fábrica (CORRÊA, GIANESI e CAON, 2007). h) Tempo ocioso e extra: neste caso, o planejamento da utilização dos recursos disponíveis é muito importante para a administração do tempo para que não haja nem tempo ocioso ou necessidade de horas extras, pois ambos causam custos altos para a organização. i) Novos produtos: assim que uma oportunidade de novos produtos é reconhecida, estudos de viabilidade técnica e econômica iniciais determinam a conveniência de restabelecer um projeto para desenvolvê-lo. Em seguida, será realizada uma percepção e avaliação do mercado por meio de demonstrações a clientes potenciais, testes ou pesquisas de mercados (GAITHER e FRAZIER, 1999). j) Tecnologia: as empresas precisam ajustar-se a tecnologia, pois isso impacta significativamente sobre todos os subsistemas, uma vez que a estruturação e unificação das atividades humanas dão-se em torno de várias tecnologias (ERDMANN, 1998). k) Qualidade: é a percepção do cliente do grau que o produto ou serviço atende suas expectativas (GAITHER e FRAZIER, 1999). l) PCP: pode ser encarado como um conjunto de funções relacionadas que objetivam delinear o processo produtivo e coordená-lo com todos os setores administrativos da empresa (ZACARELLI, 1979). m) Organização: as organizações e os sistemas de produção estão em permanente contato com o meio, com o qual mantêm uma relação de influência mútua. É um contato salutar, que permite afinar-se com a dinâmica das ideologias, balizando estratégias coerentes e necessárias a sua sobrevivência (ERDMANN, 1998). 3. Procedimentos metodológicos O estudo tem como objetivo, realizar o planejamento estratégico da produção da Sulmeta Ltda., identificando aspectos que interferem negativamente e positivamente no seu desempenho e competitividade. Para tanto, a pesquisa é de natureza exploratória, tendo aspectos de análise qualitativa, caracterizado por uma pesquisa do tipo bibliográfica e documental (TRIVIÑOS, 1992; VERGARA, 1997). Com relação aos dados, os secundários foram coletados em documentos da indústria selecionada, bibliografia que discute a temática abordada e sites relacionados. Já os dados primários foram coletados através da aplicação de questionário que foi elaborado a partir das seguintes variáveis: níveis de estoque, utilização de capacidade, instalações, tamanho da equipe de trabalho, sub-contratação, recursos humanos, aceite de pedidos para atendimentos futuros, tempo ocioso e extra, novos produtos, tecnologia, qualidade, PCP e organização. Quanto à definição de amostra e população, Cervo e Bervian (2002, p. 73) informam que a “população refere-se a um conjunto de pessoas ou de objetivos que represente a totalidade de indivíduos que possuam as mesmas características definidas para um estudo” e, a amostra, é, pois, uma porção ou parcela, convenientemente selecionada da população; é um

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subconjunto dessa população (MARCONI; LAKATOS, 1996). Nesse aspecto, foi identificada a população na empresa Sulmeta e, a amostra, conforme apresentado na Tabela 1. TABELA 1 - População e amostra do estudo Pesquisados Diretores Proprietários Gerente de Produção Gerente de Engenharia Gerente de Compras Coordenador de RH Coordenador Manutenção Coordenador Qualidade Funcionários Produção

População 2 1 1 1 1 1 1 90

Amostra 2 1 1 1 1 1 1 8

Fonte: Dados da pesquisa (2009)

Na concepção de Roesch (1996), nem sempre é possível obter uma amostra representativa da população, ou seja, com as mesmas características, mas que seja menor em número. Assim, a amostragem utilizada na pesquisa é do tipo “não probabilística intencional”; uma vez que a seleção partiu do entendimento de que estes agentes poderiam contribuir com informações que auxiliassem o alcance do objetivo delimitado. A amostragem não probabilística para Mattar (2001) é aquela em que a seleção dos elementos da população para compor a amostra depende ao menos em parte do julgamento do pesquisador ou do entrevistador no campo. Segundo o autor não há nenhuma chance conhecida de que um elemento qualquer da população venha a fazer parte da amostra. E do tipo intencional porque “o pesquisador não se dirige à “massa”, isto é, a todos os elementos representativos da população em geral, mas àqueles que, pela função desempenhada, cargo ocupado, prestígio social, exerce as funções de líderes de opinião da comunidade” (MARCONI; LAKATOS, 1990, p. 47). Quanto à análise dos dados, a técnica adotada foi à interpretativa. Segundo Triviños (1992), esta técnica possibilita a análise dos dados coletados à luz da revisão da literatura selecionada. 4. Análise e discussão dos resultados 4.1 Caracterização da empresa estudada A empresa Sulmeta estabelecida na cidade de Nova Bassano – RS foi fundada em 1995 tendo uma capacidade produtiva de 600 ton/mês e conta com uma área construída de 15.000m2 e 33.000m2 de área o que é um ponto forte devido a seu amplo espaço físico. Possui máquinas e equipamentos de boa qualidade, contando com máquinas de automação como o oxicorte de plasma e um jato de granalha de última geração. Embora a empresa tenha conquistado o certificado ISO 9001, garantindo assim a qualidade de seus produtos, necessita ainda da definição de algumas estratégias, principalmente no setor de produção em que o planejamento e controle é a atividade de se decidir o melhor emprego dos recursos, assegurando, assim, a execução do que foi previsto. Em nível mais agregado o planejamento e controle envolvem a administração da capacidade de produção de modo que atenda as flutuações da demanda.

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Sua marca já é consolidada no mercado de estruturas metálicas através de mais de 700 obras espalhadas pelo Brasil. Oferece ainda uma diversificação de projetos tecnológicos com várias opções em sistemas construtivos, tais como, estruturas metálicas para cobertura em duas águas, em arcos, em shed, tanto no sistema de alma cheia quanto treliçado, atendendo assim seus mais variados tipos de obras. 4.2 Diagnóstico estratégico da produção 4.2.1 Pontos fortes e pontos fracos da produção Nesse estudo, optou-se em tabular e analisar as variáveis internas – pontos fortes e pontos fracos - do setor da produção (Tabela 2), por que estas disponibilizam várias sugestões para melhorias do ambiente interno já que o trabalho em estudo tem por objetivo realizar o planejamento estratégico da produção da Sulmeta Ltda., identificando aspectos que interferem negativamente e positivamente no seu desempenho e competitividade. TABELA 2 - Pontos fortes e fracos do Setor da Produção. PONTOS FORTES Nível de estoque Tamanho da equipe de trabalho Recursos humanos Qualidade Tecnologia Novos produtos PCP Organização Tempo ocioso e extra Instalações Utilização da capacidade Sub-contratações Aceite de pedidos p/ entrega futura

Nº DE OBSERVAÇÕES 1 5 14 21 8 2 -3 -6 3 2 --

PONTOS FRACOS Nível de estoque Tamanho da equipe de trabalho Recursos humanos Qualidade Tecnologia Novos produtos PCP Organização Tempo ocioso e extra Instalações Utilização da capacidade Sub-contratações Aceite de pedidos p/ entrega futura

2 -8 1 3 -3 7 6 2 7 5 --

Fonte: Dados da pesquisa (2009)

Analisando as respostas dos questionários aplicados aos diretores, gerentes, coordenadores e funcionários da produção, as variáveis que se destacaram como pontos fortes foram: qualidade, recursos humanos, tamanho da equipe de trabalho, instalações e tecnologia.

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E as variáveis que se destacaram como pontos fracos foram: tempo ocioso e extra, recursos humanos, organização, utilização da capacidade, subcontratações. No entanto, cabe destacar que, algumas variáveis foram citadas tanto em Pontos Fortes como em Pontos Fracos que serão analisados posteriormente. Com relação à variável qualidade, foi considerado um ponto forte pelos respondentes da pesquisa. Para atender todos os requisitos da variável qualidade, a empresa criou um setor de gestão atuante diretamente na produção, buscando sempre melhorias do produto industrializado. Isso pode ter sido a causa da diminuição de erros em obras segundo menciona o gerente de produção. Na variável recurso humano, constatou-se uma contradição na empresa, uma vez que foi citado tanto em pontos fortes quanto em pontos fracos, precisando ser mais bem investigada pela empresa para uma posterior análise sobre o aproveitamento desta variável. No sentido de ponto forte, o setor de Recursos Humanos destaca-se ao se tratar da facilidade que a equipe tem de se adaptar aos projetos desenvolvidos pela engenharia e atendendo a expectativa do cliente. O fato de que vários funcionários se dedicam integralmente com a empresa, buscando crescer junto a ela faz com que uma grande parte deles permaneça há mais de dez anos no trabalho. Quanto à qualificação dos funcionários, a maioria dos gerentes e coordenadores possui qualificação de nível superior. Os encarregados de setores já possuem nível médio e, a maioria dos funcionários que fazem parte do chão de fábrica, possui apenas o primário e, dois, não são alfabetizados. Embora a empresa disponibilize treinamento constante nas áreas estratégicas, viabilizando programas para as funções com mais demanda, dentre elas a solda e pintura que são processos especiais, a falta de treinamento em determinados setores aponta como sendo um ponto fraco desta variável. O que poderia ser melhorado, num primeiro momento são os treinamentos mais direcionados para as etapas que compreendem a melhoria de processos, melhor aproveitamento do tempo e movimentação de materiais. Na análise dos Recursos Humanos, percebeu-se que ela converge com a necessidade de um setor mais atuante na produção, que esteja em contato constante com os funcionários a fim de visualizar quais as necessidades e como melhorar mais seu desempenho na empresa. A variável tamanho da equipe de trabalho, também se destacou como sendo um dos pontos fortes da empresa em que cada setor conta com um número suficiente de funcionários para desenvolver suas funções. Analisando a questão da variável instalação, a mesma foi citada como sendo outro ponto forte, uma vez que a empresa conta com um parque fabril com área construída de 15.000m2 e 33.000m2 de área total, tendo um amplo espaço físico para o desenvolvimento de suas atividades. Outro ponto forte lembrado pelos respondentes diz respeito à variável tecnologia, já que a empresa possui máquinas e equipamentos de boa qualidade, contando com máquinas de automação como o oxicorte de plasma, um jato de granalha de última geração, uma máquina de pintura a pó e uma máquina de telha zipada que conforma telhas sem furação, caracterizando um produto diferenciado. Em relação à utilização da capacidade produtiva, esta foi classificada como um ponto fraco. A empresa em estudo produz em média 400TN/mês. No entanto seus diretores apontam que a capacidade de produção da Sulmeta é de 1000TN/mês. Isso pode nos levar ao

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entendimento de que a utilização da capacidade produtiva poderia ser melhor aproveitada já que ela não está preenchendo nem metade de sua capacidade. Analisando a questão, entendese que a falta de padronização das estruturas que ocorrem na empresa, dependem do tipo de obra vendida, podendo ter um grau de dificuldade maior ou menor, não conseguindo atingir uma capacidade satisfatória. Seria necessário, apesar de cada obra ser diferente, padronizar algumas dessas estruturas, deixando material pronto e com isso agilizar a produção. Outra variável mencionada como ponto fraco, foi o tempo ocioso e extra que existe na produção. Isto se deve ao fato de que, dependendo do tipo de obra, observaram-se gargalos em determinados setores da produção, como por exemplo, os gabaritos, a solda, o jato de granalha e a pintura. Nesta variável, outro ponto a ser considerado são as vendas da empresa, de responsabilidade do departamento comercial, uma vez que, em algumas épocas do ano as vendas superam a capacidade produtiva da empresa e em outros períodos ficam muito aquém desta mesma capacidade, gerando assim necessidade de horas extras e serviços terceirizados num período e ociosidade em outro. No entanto, este ponto fraco poderia ser solucionado com treinamentos que já foram mencionados na variável Recursos Humanos, a implantação de métodos e processos, a padronização de alguns tipos de estruturas e também, a organização e planejamento do setor comercial. As sub-contratações foram mencionadas como ponto fraco, pelo fato de que a qualidade dos produtos não se mantém, pois os subcontratados possuem um sistema de qualidade inferior ao da Sulmeta e quando o trabalho terceirizado retorna pra empresa, esta perde algum tempo para concertar os erros. Outro ponto a destacar são os custos elevados que esta opção acarreta. Seria interessante para a empresa implantar um segundo turno quando a capacidade produtiva da empresa não é suficiente para cumprir os prazos, como alternativa às subcontratações. E, por último, a variável organização, mencionada como um ponto fraco por falta de um bom planejamento que oriente o setor comercial e a produção da empresa. Apesar de geralmente estar conseguindo entregar seus produtos no prazo estipulado, sofre com excesso de pedidos num determinado momento e com falta de pedidos em outros, causando horas extras e tempo ocioso, o que caracteriza os pontos fracos diagnosticados anteriormente. 4.2.2 Ameaças e oportunidades da produção Esse estudo tem o critério de identificar aspectos com problemas e acertos no setor produtivo afetando negativamente ou positivamente o desempenho da empresa, por isso não foram tabulados os questionários com as variáveis externas, ameaças e oportunidades. A seleção dos entrevistados partiu do entendimento de que estes agentes poderiam contribuir com informações que auxiliassem o alcance do objetivo delimitado. Em se tratando de oportunidades, as mais destacadas foram a credibilidade com os clientes, a flexibilidade e as soluções técnicas que a empresa em estudo apresenta a diversificação de novos produtos (como containers, chassi) e, segundo o gerente de produção, pode-se citar ainda como uma oportunidade, a concorrência no sentindo de que se esta conseguir fechar obras, a empresa Sulmeta pode ser contratada como prestadora de serviços desta. Na análise dos dados coletados nos questionários, os pontos mais citados pelos respondentes em se tratando de ameaças para empresa foram os concorrentes em que obtém cotas de usinas (matéria-prima); concorrentes com prazos de entrega melhores com tecnologia mais avançadas e ainda, no momento atual crise financeira mundial que o país acaba enfrentando.

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4.4 Critérios competitivos: determinação de objetivos, metas e estratégias A partir das analises obtidas, sugerem-se três objetivos, metas e estratégias para a empresa estudada com foco no setor produtivo, conforme se pode observar no Quadro 1. QUADRO 1 - Sugestões de Objetivos, Metas e Estratégia para o Setor da Produção da Sulmeta Ltda. SUGESTÃO 1 Objetivo

Aumentar a capacidade produtiva da empresa.

Meta

Até o final de 2010, elaborar métodos e processos que aumentem em 30% a produção.

Estratégia

Flexibilidade, através da realização de ajustes de seus componentes internos que permitam a melhoria do sistema produtivo. SUGESTÃO 2

Objetivo

Priorizar o desenvolvimento de novos produtos

Meta

Desenvolver ate final de 2010 um novo produto

Estratégia

Flexibilidade, através do deslocamento de uma equipe de engenheiros responsáveis pela criação e desenvolvimento de novos produtos. SUGESTÃO 3

Objetivo

Padronização das estruturas.

Meta

Adquirir um programa que permita a padronização até 2012.

Estratégia

Qualidade, através da adoção de um programa facilitador, capaz de agilizar processos pela padronização das estruturas. Fonte: Dados do estudo (2009).

Com relação às sugestões de objetivos, metas e estratégias para o setor da produção, a sugestão 1 relaciona-se ao aumento da capacidade produtiva da empresa em 30% até o final de 2010, fazendo com que diminuam os serviços de sub-contratações, evitando-se custos elevados. Para tanto, seria necessário automatizar mais o setor produtivo com a elaboração de métodos e processos, agilizando a produção da empresa, o que poderá ser atendido com a implementação da estratégia de “flexibilidade”. A sugestão 2 diz respeito à implantação de um novo produto para a empresa poder ser competitiva no mercado. Sendo assim, é necessário dar liberdade e incentivo para a engenharia desenvolver novos produtos que façam a diferença na empresa que, nesta análise, a estratégia de “flexibilidade” poderia dar conta de atender o objetivo e a meta sugerida. E, por último, a sugestão 3, que sugere a padronização das estruturas fazendo com que sua capacidade produtiva aumente de forma eficiente, sem perder a qualidade. Para isso a empresa precisa adquirir um programa de cálculo automatizado, calculando com precisão toda estrutura metálica da obra em questão. Para este contexto, sugere-se a estratégia de qualidade, com o objetivo de reduzir custos na produção e, assim, tornar a empresa mais competitiva perante seus concorrentes. 5. Considerações finais A sobrevivência das empresas no mercado atual, inserido num ambiente de crise, depende muito da organização e da preparação interna da empresa para realizar as mudanças necessárias a adaptação, a nova realidade mundial, em que requer agilidade, visão, qualidade, e competência. Para isso o coração da empresa, ou seja, o setor produtivo, precisa ser bem planejado para utilizar recursos de forma econômica e eficiente, com qualidade e sem

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desperdícios. Para tanto, é essencial um planejamento estratégico baseado num diagnóstico bem elaborado, principalmente do ambiente interno da empresa. Desse modo, esse estudo teve como objetivo realizar o planejamento estratégico da produção da Sulmeta Ltda., identificando aspectos que interferem negativamente e positivamente no seu desempenho, o que resulta na competitividade e, também auxilia no processo decisório. Nesse aspecto, o estudo proporcionou um conhecimento dos pontos negativos como tempo ocioso e extra, recursos humanos, organização, utilização da capacidade, subcontratações e positivos como qualidade, recursos humanos, tamanho da equipe de trabalho, instalações e tecnologia que interferem na melhoria do setor produtivo. Conhecendo os aspectos que interferem negativamente e positivamente o seu desempenho e competitividade no setor em que opera, pode-se contribuir para a redução de riscos nas tomadas de decisões, as quais devem ser rápidas e exatas, devido à velocidade das mudanças no mercado de estruturas metálicas que vem ocorrendo. É importante, ainda, mencionar a relevância do PCP, que apesar de não ter sido um ponto de destaque nas análises realizadas, interfere nas funções relacionadas à produção e na coordenação com os demais setores da empresa. Sugere-se, também, que o estudo do setor de recursos humanos seja aprofundado, uma vez que, houve uma contradição na análise interna realizada entre os pontos fortes e fracos da empresa. Num primeiro momento, deve-se dar ênfase em treinamentos, já que a literatura nos diz que “recursos humanos em uma empresa não se trata mais de administrar pessoas, mas sim administrar com pessoas, os novos parceiros de uma organização”. Assim, os próprios envolvidos no processo serão responsáveis pela correção dos pontos fracos. Como sugestão de estudos futuros, sugere-se a determinação de mecanismos de implantação e controle das estratégias, a fim de tornar a empresa preparada para a forte concorrência e apta para identificar e adotar atitudes preventivas em curto espaço de tempo, uma vez que as mudanças são cada vez mais rápidas e revolucionárias. Referências ALIGLERI, L. A. e LOPES, P. C. Sistema de simulação do planejamento agregado de produção. Londrina, UEL, Relatório Técnico, 1994. CERVO, A. L., BERVIAN, P. A. Metodologia cientifica. 5 ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2002. CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 5 ed. São Paulo: Makron Books, 1997. CORRÊA, H. L., GIANESI, I. G. N.; CAON M. Planejamento, programação e controle da produção MRP II/ERP: conceitos, uso e implantação base para SAP, Oracle Applications e outros softwares integrados de gestão. 5 ed. São Paulo: Atlas, 2007. ERDMANN, R. H. Organização de Sistemas de Produção. Florianópolis: Insular-1998. FERNANDES, B. H. da R., BERTON, L. H. Administração Estratégica: da competência empreendedora à avaliação de desempenho. São Paulo: Saraiva, 2005. GAITHER, N.; FRAZIER, G. Production and Operations Management, South Western College Publishing, 1999. HARTMANN, L. F. Planejamento estratégico. São Leopoldo: Grafocem, 2000. GAJ, L. O estrategista: do pensamento à ação estratégica na organização. São Paulo: Makron Books, 1995. HAYES, R. H.; PISANO, G. P. Beyond World-Class: The New Manufacturing Strategy. Harvard Business Review, p. 77-86, January-February 1994.

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Estratégia da imagem turística da Cidade de Foz do Iguaçu na percepção dos turistas: Uma Análise Integrada de Turismo e Marketing Nivaldo Pereira da Silva (UTFPR) nivaldopsilva@ig.com.br Antonio Carlos de Francisco (UTFPR) acfrancisco@utfpr.edu.br João Luiz Kovaleski (UTFPR) kovaleski@utfpr.edu.br Resumo: Este artigo tem como objetivo analisar as estratégias para a formação da imagem percebida em um destino turístico, especificamente em um dos pontos turísticos mais relevantes do Brasil. Desta forma efetuou-se a seguinte problematização: Qual a imagem que o turista tem sobre a Cidade de Foz do Iguaçu? No desenvolvimento deste trabalho foi aplicada uma pesquisa quantitativa com questionário fechado para a coleta de dados, com turistas em visita a cidade de Foz do Iguaçu – Paraná. A intenção deste trabalho é obter uma compreensão mais ampla sobre o papel da imagem turística, por meio dos seguintes objetivos específicos: identificar se as expectativas dos turistas foram totalmente correspondidas; refletir sobre a importância da imagem, por meio da visão do turista; verificar a qualidade do destino conforme os resultados da pesquisa de campo, identificando os pontos positivos e negativos; e por fim constatar se o desenvolvimento é compatível com a manutenção dos processos ecológicos essenciais, para constituir-se em um modelo de turismo sustentável. Saliente-se que, sendo a análise da imagem fundamental nas atividades turísticas, é ainda pouco expressiva, provavelmente porque não se considera o quanto esta imagem é importante dentro do contexto do turismo, e despreza-se o seu valor em virtude de não haver compreensão da sua real função. Palavras chaves: Imagem, marketing, expectativas dos turistas, sustentável, turismo. 1. Introdução Esta pesquisa busca detalhar o tema “Imagem Turística” de uma localidade, que tem como premissa básica a expressão econômica da atividade do local e sua importância no mundo, baseada no sustentáculo do patrimônio natural, cultural e social. A concepção de exploração comercial, vigente durante todo o século XX, que levava ao esgotamento dos recursos, não se alinha a esse tipo de atividade. Atualmente, as expectativas geradas nos turistas são fundamentais para satisfação, e quanto maior for a informação que o turista dispõe sobre o destino, maior será a influência na eleição para a futura viagem. Assim, para que se possa ter um entendimento sobre o turismo, este trabalho aborda a imagem turística da cidade de Foz do Iguaçu, no estado do Paraná, Brasil, na forma de questionários. Desta forma, questiona-se se os turistas tiveram suas expectativas plenamente atendidas ou superadas, com a qualidade do atendimento do turismo receptivo. Procura, ainda, demonstrar a preocupação da destinação turística com a formulação das políticas públicas corretas para o segmento em que atua, ressaltando a importância da localidade. 2. Imagem turística Na última década, o turismo assumiu um papel importante como alternativa de desenvolvimento social, econômico e cultural da sociedade. As perspectivas de exploração

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dessa atividade têm incentivado municípios a lançarem um novo olhar sobre seu patrimônio cultural e natural, como oportunidade de criação de atividades que proporcionem incremento de renda para a população e, também, desenvolvimento econômico e social. A imagem turística de uma localidade pode ser trabalhada, existindo, atualmente inúmeros recursos tecnológicos que transformam a imagem, tornando-a cada vez mais espetacular e marcante para o consumidor (BENI, 2003). Gândara (2007) afirma que a imagem de um destino turístico é a soma do produto global que se oferece, mais o conjunto das informações e das ações comunicativas de que é objeto este produto ou destino. Porém, os olhos são os verdadeiros instrumentos de visão e de observação. Desse modo, analisa-se a imagem de uma pintura, uma fotografia, um filme ou o encanto de uma localidade. Ainda que a imagem desta localidade seja de fato uma representação verdadeira do interesse do turista, o importante no contexto é a imagem que foi produzida na mente do turista, conforme Rossato (2005). As imagens são motivações históricas que fomentam a necessidade de conservação da paisagem, além da permanência da identidade cultural do lugar. Razões ecológicas valorizam a natureza, contribuem com a preservação, geram informações para manter o ecossistema local e geram demanda de capacidade de suporte e planejamento. Desta forma, valoriza-se o destino turístico, que ainda necessitará de um sistema de marketing para divulgação ao mercado de sua existência, para atrair clientes e vender seus produtos turísticos (PETROCCHI, 1998). Quando o cliente vai à procura de algo para comprar no turismo, ele quer algo sob medida. Esses clientes, sejam empresas ou consumidores finais, não estão à procura de boas opções, querem encontrar exatamente aquilo que desejam. Quando e onde desejarem, influencia tanto na escolha, quanto na forma de negociar, pois a competição vai além da lei da oferta e da demanda. Portanto, deve-se valorizar o encanto do município, seu diferencial, suas tradições, seu patrimônio histórico natural e cultural, e fornecer um serviço de qualidade com infra-estrutura e informações turísticas adequadas. Garante-se assim, o possível retorno do visitante e a manutenção de uma demanda constante de turistas através de expectativas atingidas e imaginárias concretizadas. 3. Tipos de imagem A paisagem urbana começa a ser retratada pela arte depois da revolução industrial, que foi a grande responsável pela expansão das cidades. Grandes obras urbanísticas, largas avenidas, catedrais, centros de lazer, foram a fonte de inspiração para pintores e escritores da época. Mais tarde surgem outros elementos que também intervieram na dinâmica da imagem urbana. A descoberta da fotografia, do cinema e depois da televisão foram fundamentais na evolução do conceito de imagem para poder reproduzi-la e associá-la a uma história. (GONTIJO, 2004). Os esquemas interpretativos, ou imagens, possuem um papel fundamental no direcionamento das localidades turísticas. Por meio das imagens é possível moldar o pensamento e direcionar as ações estratégicas das localidades (MACHADO DA SILVA et al., 2000). Neste sentido, a imagem sofre forte influencia da ação das pessoas através do viés cognitivo. Este viés tem como efeito a focalização e o enrijecimento da reflexão estratégica. Assim, tem-se a tendência de tomar decisões baseadas em pressupostos já conhecidos, em

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princípios que evitam um contato direto com o desconhecido. Destaque-se que existem dois tipos de imagem: a imagem orgânica que se forma a partir de uma informação que não provém da publicidade ou da promoção, isto é, livros, jornais, filmes e outros; e a imagem induzida, que provém diretamente da propaganda que os órgãos turísticos fazem. Esta última imagem é controlável por meio de marketing (SANCHO, 2001). Corroborando com esta afirmação, Kotler (2002) enfatiza que as estratégias de marketing da imagem são interpretações de interferências e reações dos consumidores acerca de uma marca. Um exemplo seria que os momentos prazerosos de uma viagem poderiam ser associados positivamente à marca da companhia aérea, do hotel, da agência de viagem ou da cidade que o turista visitou. De acordo com Cobra (2005), o nome da marca é o “gancho” que a sustenta em uma janela na mente do consumidor e ajuda a decidir na hora das ofertas de viagem e estadia. As preferências são decorrentes de experiências positivas com relação à marca das empresas de turismo. Além da natureza do serviço turístico, tornar esta empresa e seus produtos e serviços lembrados e desejados dependem do conceito da empresa e do esforço de propaganda. Segundo Sancho (2001), a decisão de compra tomada pelo turista consumidor se guia por maior cautela, em relação a outros bens de consumo, já que o risco financeiro é mais alto. Em conseqüência, a imagem que existe na mente do consumidor sobre um destino ou um serviço, poderá ser decisiva para o processo de tomada de decisão, e afetará o tipo de férias eleito, ainda que a imagem não corresponda à realidade. Nesse sentido, Sancho (2001, p. 65) define essa imagem como “idéias ou conceitos que se têm do destino turístico no individual ou coletivo do imaginário”. Conseqüentemente, o turismo pode criar um imaginário, pois vender “lugares” ou “destinos” é uma atividade capitalista que constrói e destrói, conturbando a realidade do local. A própria atividade turística, por trabalhar diretamente com seres humanos e seus sonhos, torna-se algo complexo, que necessita de constantes análises e pesquisas. De acordo com COBRA (2005), o marketing e motivação estão diretamente ligados, pois o marketing a motivação é aquilo que nos move num determinado sentido, onde ele procura descobrir o que leva o ser humano a sentir-se motivado por alguma causa, por algum objetivo, exemplo: como fazer uma viagem a lazer, a negócios. Destaca-se que a motivação humana é à base do marketing, pois sem ela o homem não se esforça, não busca, não se envolve e não luta pelos seus reais desejos. A este contexto colocamos o marketing de serviços, que um produto colocado à venda no mercado turístico, e para ter sucesso é necessário investirem em divulgação, pois isto motiva o turista a conhecer o produto divulgado na hora de escolher a viagem. Para que o turista conheça a destinação desejada, goste, indique, e retorne mais vezes ao local visitado, é necessário que a rede de serviços funcione da forma como o visitante estava esperando. A qualidade do atendimento e o tipo de recepção são fundamentais para que o serviço conquiste o turista. Afinal, turismo há muito tempo deixou de ser razão para ser emoção. Não importa o local que o turista visite, o turismo sempre será movido por emoções e os profissionais precisam cuidar bem da qualidade no atendimento para não frustrar as

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expectativas dos turistas, e segundo COBRA (2005, p. 91) O turismo deve ser encarado com um profissionalismo de marketing para que os serviços sejam desenvolvidos para atender as expectativas do mercado. A constatação dessa realidade vem de encontro ao desejo de assumir com responsabilidade, compromisso e ética, uma atividade que precisa ser desenvolvida, respeitando a expectativa do turista, e sua total satisfação quando viaja para conhecer um atrativo tão bem divulgado através do marketing turístico. Para BENI (2003, p. 207) o Marketing de Turismo pode ser definido como um processo administrativo através do qual as empresas e outras organizações de turismo identificam seus clientes (turistas), reais e potenciais, e com eles se comunicam para conhecerem e influenciarem suas necessidades, desejos e motivações nos planos local, nacional e internacional em que atuam, com o objetivo de formular e adaptar seus produtos para alcançar a satisfação ótima da demanda. A qualidade do destino turístico depende do desempenho dos diversos setores envolvidos, sejam eles públicos ou privados e de sua perfeita interação. Não devem ser apenas um elo desta cadeia, e não devem se preocupar com o desempenho, pois o resultado pode não ser compensador se pensarmos na imagem a que se propõe formar para o destino. BENI (2003, p. 207) afirma que o marketing é essencial no produto turístico, pois, a descoberta daquilo que os turistas desejam (pesquisa de mercado), o desenvolvimento de serviços turísticos adequados (planejamento do produto), a informação aos turistas sobre o que está disponível (publicidade e promoção) e a orientação sobre locais onde podem comprar os serviços (canais de distribuição: operadoras turísticas e agências de viagens), de modo que estes sejam atribuídos valor (preço), e a empresa de turismo lucre atingindo suas metas. Importante destacarmos que a qualidade do atendimento, preço do produto e uma necessidade vital para o nexo entre a localidade e o turista, como salienta BENI (2003, p. 207) nesse cenário, deve trabalhar para atender a uma demanda cada vez mais exigente e sofisticada. Podemos salientar a importância da estratégia de marketing nas diversas fases do ciclo de vida de um produto turístico; a promoção de venda desde Merchandising, publicidade divulgando o produto turístico, distribuição adequada para a comercialização dentro dos canais de distribuição em massa do produto e, por último, o planejamento prolongando o ciclo de vida do produto, nas tendências do mercado turístico. Assim, faz-se necessário um planejamento estratégico local que viabilize a extinção desta realidade deprimente, pois a questão sócio-ambiental é um dos problemas essenciais a serem resolvidos para o desenvolvimento do turismo. Por meio da divulgação uma cidade torna-se conhecida, porém é necessário que existam recursos aplicados em melhorias e investimentos para que os resultados sejam alcançados, pois de outra forma, uma cidade que depende em grande parte do turismo, pode fracassar. E conforme cita COBRA: “Para construir uma boa imagem uma localidade turística, deve levar em conta alguns preceitos básicos. • Nunca relaxe na qualidade e inove sempre; • A instituição deve ser pró-ativa e credível; • Encante com serviços inusitados;

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• Valorize o seu consumidor e cliente distribuidor; • Procure satisfazer necessidades reais e desejos ocultos; Mesmo fazendo tudo isso, não há garantias de que os clientes vão estar satisfeitos sempre. Na verdade, os clientes de turismo nunca estão totalmente satisfeito. COBRA (2005, p. 245) A imagem é importante para o setor de turismo, pois ela normalmente é um fator que impulsiona as pessoas ao desejo de conhecer determinado produto turístico, pelo estímulo visual que traz. Os veículos de comunicação usam essa ferramenta com freqüência, dentro do marketing turístico, pois este tem papel relevante no momento da venda do produto turístico devendo transmitir uma imagem favorável e persuasiva. Desta forma, o fenômeno turístico não é um mito, mas sim o mistificador da realidade, dando-lhe novos conteúdos na estrutura das cidades. Ao revalorizar as paisagens naturais e as culturas regionais, a própria cidade transforma-se em sua voraz consumidora, colocando em movimento a construção real e simbólica dos territórios turísticos (RUSCHMANN, 2001 e BARRETO, 2000). 4. Área de estudo Foz do Iguaçu esta localizada no extremo oeste do estado do Paraná - Brasil, nas fronteiras com Argentina e Paraguai. Município criado em 10 de junho de 1914, faz limite com os Municípios de Medianeira, Santa Terezinha de Itaipu e São Miguel do Iguaçu. A Cidade de Foz do Iguaçu está distante 640 quilômetros da capital Curitiba. As principais fontes de renda de Foz do Iguaçu são o turismo e a geração de energia elétrica, possuindo a maior Usina Hidrelétrica do planeta. A cidade é famosa por suas atrações turísticas, visitadas por turistas do Brasil e do mundo. Entre elas estão as Cataratas do Iguaçu, o Parque Nacional do Iguaçu, (Patrimônio Mundial Natural da Humanidade tombado pela UNESCO) a Hidrelétrica Binacional de Itaipu, o Marco das (3) Três Fronteiras, a foz do Rio Iguaçu no Rio Paraná (área onde as fronteiras da Argentina, Brasil e Paraguai se encontram), a Ponte Internacional da Amizade (divisa entre Brasil e Paraguai), o Parque das Aves (com aproximadamente 900 aves de 150 espécies), entre outras atrações turísticas de menor hierarquia. 5. Metodologia e análise dos resultados Para alcançar os objetivos pretendidos deste trabalho, foram aplicados questionários para desenvolver o tema proposto. Segundo Gil (1996, p.90), “o questionário constitui o meio mais rápido e barato de obtenção de informações, além de não exigir treinamento de pessoal e garantir o anonimato”. Destaque-se que não apenas rapidez e o baixo custo tornam o questionário uma excelente ferramenta de coleta de dados, mas sua real efetividade, pois é uma ferramenta aplicada em tempo real, ou seja, no momento em que ocorre o contato do turista com o local eleito para sua viagem A pesquisa de cunho quantitativo utilizou-se do método descritivo estatístico, que buscam responder às questões quantitativas da pesquisa, apresentando resultados analisados e interpretados a partir de médias e percentuais das respostas obtidas. A pesquisa de cunho quantitativo foi aleatória, por acessibilidade, sendo aplicada junto a 500 (quinhentos) turistas hospedados nos hotéis de Foz do Iguaçu, sob a forma de questionário, tendo como objetivo descobrir o que os turistas pensam em geral sobre a Cidade e seus atrativos.

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46% Masculino Feminino

54%

FIGURA 1 – Classificação dos turistas quanto ao sexo

A figura 1 mostra que mais da metade dos entrevistados são do sexo feminino. Este número deve-se a uma considerável quantidade de jovens (mulheres e moças) viajando. Em alguns casos as mulheres respondem o questionário pelo casal, além das avós e filhas adolescentes, fazendo parte do contexto familiar.

6%

Rio Grande do Sul

0%

Santa Catarina 5%

6%

11%

Parana 13%

7%

São Paulo Bahia Rio de Janeiro

2%

Goias

5%

Rio Grande do Norte

45%

Mato Grosso Sul Minas Gerais

FIGURA 2 – Classificação dos turistas quanto ao estado da federação em que residem

Na figura 2, verifica-se que a Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio grande do Sul) é o maior pólo emissor de turistas, por estar geograficamente mais próxima de Foz do Iguaçu, superando inclusive da Região Sudeste (São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro). Pode-se observar, que os resultados apresentados pelos estados da Região CentroOeste (Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul) não devem ser desprezados por serem quantitativamente inferiores ao da região Sudeste. Deve-se, ao contrário, ser repensado um trabalho de mídia, visando estimular novos visitantes. 100 Você já conhecia a cidade

90 80 70

Pretende retornar a cidade

60 50

Expectativas com relação a cidade plenamente atendida

40 30

Recomendaria Foz do Iguaçu como destino turístico a outra pessoa

20 10 0 Sim

Não

FIGURA 3 – Expectativas quanto à cidade

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Os resultados na figura 3 mostram que 58% dos turistas conheceram a Cidade pela primeira vez, e que 42% já estiveram na cidade por mais de uma vez. Na questão sobre a intenção em retornar à cidade, fica claro o grau de satisfação dos turistas, pois 86% dos entrevistados mostraram pré-disposição em retornar a Foz do Iguaçu. Assim, fica evidente que, sendo o turista bem acolhido, ele retorna e indica o passeio para outras pessoas. Assim, observa-se que para assegurar a prosperidade de uma localidade não basta apenas melhorar a sua imagem, é necessário ter características especiais para atrair o turista, Com relação ao atendimento das expectativas quanto à cidade, tem-se que, de uma forma geral, a beleza natural de Foz do Iguaçu supera as expectativas para 95% dos visitantes, deixando os turistas satisfeitos com o destino. Quando questionados se recomendariam Foz do Iguaçu como destino turístico a outras pessoas, a maioria, ou seja, 91% responderam que sim.

8% 14% 42%

1 vez 2 vezes 3 vezes mais

36%

FIGURA 4 – Quantidade de visitas à cidade

A figura 4 mostra que os turistas, em sua grande maioria, já estiveram na cidade por mais de uma vez. Sendo importante destacar que a Cidade de Foz do Iguaçu atrai o turismo em nível nacional e internacional.

5%

3%

11% 44%

12%

25% Lazer

Descanso

Trabalho

Outros

Compras

Curiosidade

Figura 5 – Classificação quanto ao motivo da viagem

Na figura 5, neste questionamento registra-se que 44,2% dos turistas procuram a cidade com o propósito de lazer. Portanto, é necessário um planejamento voltado para o lazer e recreação, atingindo as reais necessidades do ser humano.

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10%

1%

Televisão

23%

Rádio 3%

Jornal Internet

30%

14% 19%

Agência de viagem Sugestão de amigos Outro

FIGURA 6 – Classificação quanto ao veículo de comunicação em que coletou informações

Na figura 6, o questionamento denota que as agências de viagem são os grandes geradores de estímulos na escolha da localidade turística. Ressalte-se que existe a necessidade de um trabalho de marketing através da mídia (televisão, rádio, jornal e internet), sendo este um fator de estímulo na escolha do destino turístico, provavelmente em função de que a maioria dos turistas visita a cidade mais de uma vez. 120 100 80 60 40 20

o ut ro

S al to

C at ar at as

d o

Ig ua çu M ac uc P o oç Ita o ip Pr u et B o in M ac ar io co na s l d a tr Fu ês r fr nas on P te ar ir qu as e da s A La ve go E s co d m e Ita us E ip eu sp u aç d e o It d ai as pu A m er M ic es as qu M i u ta se Te A u ra m do b pl e o P B ar u qu di st e a N ac P on io n t e P al da on te am da iz ad fr at e er ni da de

0

FIGURA 7 - Atrações que o turista visitou

Na figura 7, no universo de 500 pessoas entrevistadas, 97,8% estiveram nas Cataratas do Iguaçu e 91% na Usina Hidrelétrica de Itaipu. Observa-se que a imagem desses pontos turísticos tem um peso enorme na escolha da localidade turística. É importante salientar a necessidade de marketing voltado para as demais atrações turísticas da cidade de menor hierarquia atrativa, ou seja, utilizando-se das ferramentas de marketing estratégico, identificar e formular as ações conjuntas, inclusive com a comunidade local, para aumentar a visitação nos outros pontos turísticos. Aprimoram-se, assim, os canais de comunicação, identificando alguns pontos chaves que podem ser mais trabalhados.

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Infra-estrutura dos atrativos turísticos

80% 70%

Qualidade dos serviços prestados nos hotéis, restaurantes

60% 50%

Receptividade da população local

40% 30%

Preços praticados (hotéis, restaurantes, locais turísticos, souvenirs e etc...)

20% 10%

Limpeza da cidade, conservação e paisagismo

0% Ótima

Boa

Regular

Péssima

FIGURA 8 – Variável da qualidade dos serviços e infra-estrutura

Na figura 8, verificamos que 48% dos turistas classificam como ótima a infra-estrutura dos pontos turísticos e 38% se manifestou satisfeita com a boa qualidade desta infra-estrutura. Percebe-se que a imagem de uma localidade pode advir com a infra-estrutura, uma localidade organizada para os seus cidadãos e visitantes, bons transportes, energia elétrica, educação de qualidade, segurança, água de boa qualidade e saneamento. Dentro deste percentual se torna mais significativa esta avaliação, pois o somatório dos conceitos ótimos e bons ficou acima de 50%. O resultado é favorável, pois se refere aos principais itens de infra-estrutura das atrações. Observa-se que a maioria dos turistas questionados na pesquisa se mostra satisfeito com a qualidade dos serviços prestados por hotéis, restaurantes e outros, sendo que 66% responderam como ótima a qualidade. Na somatória dos conceitos, 89% dos entrevistados responderam ótimo e bom. No item receptividade, 82% dos entrevistados responderam que a comunidade local está aberta para recepcionar o turista, possibilitando uma estada agradável do turista na região. Percebe-se que a comunidade sente orgulho de sua localidade, engajam-se nas campanhas preservacionistas e passam a atuar como guias de passeio dos turistas. Os preços praticados na região estão dentro do padrão, com 69% dos turistas respondendo que são ótimos, e 19% dos turistas afirmaram que estão bons. Observa-se que quanto à limpeza da cidade, conservação e paisagismo 80 % dos turistas consideraram ótimos e 14% responderam que são boas.

7%

5%

3% 1%

18% 1 á 2 dias 3 dias

15%

4 dias 5 dias 6 dias 7 dias Mais de 7 dias 51%

FIGURA 9 - Dias que o turista permaneceu hospedado

Na pesquisa, foi possível identificar que os turistas que vão a Foz do Iguaçu, 51% normalmente permanecem três dias e 16% ficam hospedados entre um e dois dias, em função dos pacotes oferecidos. Já os turistas que conhecem o destino passam mais tempo desfrutando a cidade, por já terem conhecimento do sistema de hospedagem e serviços em geral.

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29%

Aéreo Rodoviario

71%

FIGURA 10 - Meio de transporte

Na figura 10, quanto ao meio de transporte, observa-se que 71% dos deslocamentos são feitos por rodovias. Destaca-se que 232 (duzentos e trinta e dois) turistas vieram de excursão e 122 (cento e vinte e dois) de carro próprio. 5. Considerações finais O presente trabalho se propôs a refletir a imagem turística de uma localidade, por meio da pesquisa quantitativa com a intenção de identificar se os turistas tiveram ou não as suas expectativas plenamente correspondidas. Percebe-se que os turistas que visitam a cidade de Foz do Iguaçu têm as expectativas correspondidas, porém é necessário um plano de marketing voltado para a mídia, visando estimular novos visitantes. Pode-se afirmar que os turistas entrevistados já estiveram na cidade uma ou mais vezes, sendo assim, é importante destacar que Foz do Iguaçu recebe turistas de todas as partes do mundo, e que a maioria vem conhecer principalmente as Cataratas do Iguaçu e Itaipu Binacional. Diante do exposto, pode-se salientar que a imagem de Foz do Iguaçu está centrada nestes dois pontos turísticos. As imagens mentais, relacionadas ao imaginário, a fantasia ou aos sonhos que as pessoas têm, cria expectativas. Neste ínterim, o papel do marketing é importante no auxílio de propagandas ricamente ilustradas por fotografias e vídeos sobre os locais. Na realidade essas imagens são as mudanças propostas pelos homens que através do tempo se transformam em patrimônio nas cidades, passam a ser atrações, que bem estruturadas podem se transformar em atrativos turísticos, levando muitas vezes multidões e multidões para observá-las. Assim sendo, o campo de atuação do marketing paralelo a imagem turística da cidade, deve ser trabalhada como ferramenta no desenvolvimento de pesquisas para os outros atrativos, diagnóstico de problemas e estratégias de marketing. Outro aspecto a ser trabalhado é que grande parte dos turistas é incentivada por agências de turismo como fator estimulador a visitarem a cidade, endossado quando responderam que indicariam o destino a outras pessoas, visto que afirmam seu desejo de voltar. Por isto, é importante destacar o trabalho em mídia nacional, pois as pessoas sofrem a influência de algum tipo de propaganda no momento de escolher o local a ser visitado. Devem-se enfatizar ações de divulgação da localidade receptora, com materiais promocionais, campanhas publicitárias dirigidas para as regiões centro-oeste, norte e nordeste, centros emissores de turistas nacionais. Também é importante salientar que as pessoas usam a imagem desde o momento da compra do lugar a ser visitado até após a viagem, para guardar como recordação da visita e

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possivelmente para mostrar para outras pessoas. Foz do Iguaçu retrata a beleza e a imponência da natureza, porém ela não é completa, pois o homem também promoveu grandes maravilhas, tornando a cidade um imenso complexo turístico. Seja pelo modelo de cidade organizada, de belezas artificiais e naturais, sua arquitetura, mas também é impossível negar que ela não tenha como tantas outras cidades brasileiras têm os problemas sociais, econômicos, ambientais e políticos que se traduzem de forma negativa para o desenvolvimento do turismo. Porém, hoje a cidade busca o envolvimento de todos os setores da comunidade, pois depende do desempenho dos diversos setores envolvidos sejam públicos ou privados para a qualidade do destino turístico. Referências COBRA, M. Marketing de serviços: Turismo, lazer e negócios – Edição compacta, São Paulo, 2005 BARRETO, M. Turismo e legado cultura. Campinas, SP: Papirus, 2000. BENI, M.C. Análise estrutural do turismo. 9 ed. Sâo Paulo: Ed. Senac, 2003. FABRIS, A. Redefinindo o conceito de imagem. Publicado em 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br> Acesso em: 24 de março de 2007 às 16h05m. GÂNDARA, J. M. G., A imagem dos destinos turísticos urbanos. Revista Eletrônica de Turismo Cultural, número especial – 2008, ISSN 1981-5646, www.eca.usp.br/turismocultural GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo, SP.: Editora Atlas, 1996. GONTIJO, J. A importância da paisagem no atividade turística. Revista Turismo, 06/2004. KOTLER, P. Marketing para o Século XXI – 1ª Edição – São Paulo, Ed. Futura, 2002 MACHADO-DA-SILVA, C. L.; FONSECA, V. S.; FERNANDES, B. H. R. Cognição e institucionalização na dinâmica da mudança em organizações. In: RODRIGUES, S. B.; CUNHA, M. P. (orgs.) Estudos organizacionais. São Paulo: Iglu. p.123-150, 2000. PETROCCHI, M. Turismo Planejamento e Gestão – 7º Edição – São Paulo, Ed. Futura, 1998 ROSSATO, L. Imagens de santa Catarina: Arte e ciência na obra do artista viajante Louis Choris. Publicado em 05/2005. Disponível em: <http://www.scielo.br> Acesso em: 24 de março de 2007 às 16h00m. RUSCHMANN, D.R.V. Turismo e Planejamento Sustentável: A proteção do meio ambiente – 7º Edição – Campinas, SP.: Ed. Papirus, 2001. SANCHO, A. Introdução ao Turismo – 1º Edição – São Paulo, Ed. Roca Ltda, 2001.

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Critérios para aplicação das ferramentas de gestão “ABC - Activity Based Costing” e “BSC - Balanced Scorecard” na Indústria Naval Nélio Achão Filho (COPPE/UFRJ) nachaof@yahoo.com.br Luis Celso da Silva (LATEC/UFF) lcelso@latec.uff.br Osvaldo Luis Gonçalves Quelhas (LATEC/UFF) quelhas@latc.uff.br Resumo: O presente trabalho tem por objetivo apresentar as ferramentas de gestão “ABC” Activity Based Costing e “BSC” - Balanced Scorecard e, de forma sistemática, sugerir critérios para a aplicação dos mesmos em uma empresa de Construção Naval. O estudo pretende fundamentalmente contribuir, utilizando um estudo de caso, para a conscientização quanto às dificuldades e oportunidades durante a implementação de um sistema “ABC” que alimentará um “BSC”. Palavras-chave: Construção Naval; ABC; BSC; Gestão. 1. Introdução A construção naval tem papel importante no desenvolvimento de vários paises, principalmente no Brasil. Após um período de estagnação, o retorno do crescimento do setor naval brasileiro, surgindo assim a necessidade de agregação de novas e adequadas metodologias de gestão ao novo ciclo de atividades que se inicia. A competitividade entre as empresas de construção naval é muito grande, levando as empresas a adotarem medidas no sentido de se determinar a qualidade de seus recursos e aplicar ciência, tecnologia e conhecimento na produção, a fim de obter maior eficiência operacional. A apuração precisa de seus custos não tem sido abordada, quando se realizam investimentos em sistemas de qualidade e produtividade, ou seja, geralmente, as empresas não conhecem exatamente seus custos de produção. Entretanto, o exato conhecimento dos custos de seus produtos, o perfeito controle e coerência na medição de seu desempenho tornaram-se importantíssimos, pois conforme afirma PORTER (1992), a base da vantagem competitiva está no baixo custo e na diferenciação dos produtos. As empresas precisam estar conscientes das novas regras do mercado e criar uma estratégia de modernização e eficiência de sua gestão, particularmente das despesas administrativas. Dentro deste quadro, a adoção das ferramentas “ABC” - Sistema de Custeio Baseado em Atividades e do “BSC” - Balanced Scorecard”, servirão como elemento de diferenciação competitiva e agilizarão o processo de tomada de decisão, o objetivo deste trabalho é o de promover uma revisão conceitual da literatura dessas ferramentas de gestão. Outro objetivo é propor uma metodologia para desenvolvimento de um sistema “ABC” que alimentará o “BSC” para uma empresa do setor naval, através de um caso exemplo utilizando toda a organização. O trabalho está estruturado em duas partes principais: conteúdo teórico apoiado na revisão bibliográfica, e um estudo de caso, abordando as características da empresa estudada, a formulação do modelo e os resultados obtidos.

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2. O Sistema de Custos Baseado em Atividades e seu Desenvolvimento Segundo COOPER (1988), o “ABC” foi uma resposta à imprecisão do sistema de custeio tradicional, oriundo da evolução natural da economia, que apresentava um aumento dos custos fixos, diminuição da mão de obra direta e dos custos contábeis, grandes mudanças tecnológicas e o aumento da variedade de produtos e serviços. Ainda segundo este autor, estes sistemas são “aqueles que atribuem custos aos produtos de acordo com as atividades por eles demandadas, independentemente do volume”. Corroborando com ele, ATKINSON et al. (2000) afirmam: "sistemas de custeio de produtos que atribuem os custos de apoio aos produtos, na proporção da demanda que cada produto exerce sobre várias atividades". Para ACHÃO e QUELHAS (2003), o “ABC” estabelece quais são as atividades que devem ser executadas pelos recursos da companhia, agregando-as em centros de acumulação de custos por atividades e atribuindo custos aos produtos, baseados em seu consumo de recursos, para cada um desses centros. O “ABC”, assim como o sistema tradicional na forma de previsão, procura atribuir despesas diretas que incidem em cada produto/parte, além das despesas indiretas (COGAN, 1997). Ainda segundo esse autor (1994), o “ABC” apresentará resultados mais concretos sempre que a organização utilizar grande quantidade de custos indiretos em seu processo de produção e significativa diversificação de produtos, processos de produção e clientes. Muitos são os benefícios obtidos pelo uso do “ABC”, como a tomada mais transparente e melhores decisões gerenciais, buscando sempre a otimização da rentabilidade do negócio (ACHÃO e QUELHAS, 2003). Na prática, a organização ao desenvolvê-lo deve identificar inicialmente as atividades que estão sendo executadas por seus recursos indiretos e de apoio (COOPER; KAPLAN, 1998). Segundo esses autores (1991), as companhias que implantam este sistema, usam três métodos para estimar os custos de execução das atividades. O mais simples agrega os gastos em todos os recursos daquela particular atividade, tais como setup de máquinas ou emissão de ordens de compras, e divide esse dispêndio total pelo número de vezes que a atividade foi realizada (número de setup, número de ordens de compra). O outro método utiliza a duração dos direcionadores, ou seja, o tempo requerido para a realização de cada atividade, na alocação das despesas indiretas aos produtos, como por exemplo, o tempo em horas ou minutos na execução do setup. Finalmente, o último consiste em medir diretamente os recursos consumidos em cada ocorrência da atividade, como medir, por exemplo, todos os recursos utilizados em uma particular alteração de serviço de engenharia ou de manutenção. 2.1. Fases de Implementação do ABC Para ACHÃO e QUELHAS (2003), as fases ou etapas de implementação do “ABC” podem variar dependendo das finalidades do sistema e das facilidades encontradas para o seu desenvolvimento. O Quadro 1 apresenta uma sequência, que poderá ser alterada por conveniência de cada projeto.

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QUADRO 1 - Fases ou etapas de implementação do “ABC” Fases / Etapas

Atividades

Definição da finalidade e das premissas do sistema

Definição de atividades

Definição de direcionadores de custo

Definição dos possíveis objetos de custo

Custeamento de atividades

Medição dos direcionadores de custo

Custeamento de objetos

Análise dos resultados

Fonte: Adaptado de ACHÃO e QUELHAS (2003).

2.2. O BSC - Balanced Scorecard Scorecard significa, em inglês, cartão para registro de resultados; balanced é equilibrado, balanceado. O nome mostra, assim, a característica fundamental desta ferramenta de implementação da estratégia, o equilíbrio entre os indicadores de desempenho. Essa metodologia permite aos executivos traduzir os objetivos estratégicos de uma empresa em um conjunto coerente de medidores de desempenho inseridos em quatro perspectivas diferentes, onde as tradicionais medidas financeiras são complementadas por indicadores relativos a clientes, processos internos, aprendizado e crescimento. A denominação “BSC” decorre do fato de que uma organização só deverá ser considerada no caminho do sucesso, se os quatro conjuntos de indicadores estiverem devidamente “balanceados”. Ou seja, aplicados com graus de importância relativa, porém eqüitativa, de forma a possibilitar um desenvolvimento real e equilibrado. Por exemplo, se num determinado exercício uma empresa for muito bem financeiramente, entretanto apresenta indicadores de atendimento/satisfação a seus clientes aquém do considerado como referencial de excelência, muito provavelmente, em médio prazo, irá apresentar problemas de receita no seu negócio. O verdadeiro poder dessa ferramenta, todavia, ocorre quando deixa de ser um sistema de medidas e se transforma em um sistema de gestão estratégica. Conforme cresce a adoção da mesma, as empresas constataram que ele pode ser utilizado para: − Esclarecer e obter consenso em relação à estratégia; − Comunicar a estratégia a toda a empresa; − Alinhar as metas departamentais e pessoais à estratégia; − Associar os objetivos estratégicos com metas de longo prazo e orçamentos anuais; − Identificar e alinhar as iniciativas estratégicas; − Realizar previsões estratégicas periódicas e sistemáticas; − Obter feedback para aprofundar o conhecimento da estratégia e aperfeiçoá-la.

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O “BSC” preenche a lacuna existente na maioria dos sistemas gerenciais – a falta de um processo sistemático para implementar e obter feedback sobre a estratégia. Os processos gerenciais construídos a partir do scorecard asseguram que a organização fique alinhada e focalizada na implementação da estratégia de longo prazo. Assim entendido, ela torna-se a base para o gerenciamento das empresas na era da informação. O “BSC” é um método para obter-se um consenso sobre onde uma operação deve chegar e para assegurar que a mesma permaneça em curso. Os scorecards devem ser usados para permear a campanha com um senso da lógica de negócio a longo prazo, criando algumas competências únicas com a expectativa de serem recompensadas no mercado. Esse tema é, naturalmente, relevante tanto quanto à estratégia, como quanto às operações. O ideal é usar scorecards para diferentes partes do negócio, a fim de desenvolver uma lógica convincente e que possa ser comunicada para que tais competências sejam realmente cultivadas. O scorecard é, pois, usado tanto para o controle estratégico quanto operacional e, partimos do pressuposto que tal combinação é desejada. Mas, os scorecards também podem ser usados quando nenhuma mudança na estratégia estiver sendo cogitada. 2.3 Implementação do “BSC” A implementação de um “BSC” passa por quatro etapas continuas, como pode ser observado na Figura 1 abaixo. A primeira etapa é a definição da estratégia, em seguida vem à definição das medições da estratégia, depois a integração dos indicadores no sistema de gerenciamento e, por fim, a freqüência da revisão dos indicadores e dos resultados.

Definição da Estratégia Definição das Medições da Estratégia

Integração dos Indicadores no Sistema de Gerenciamento Frequência da Revisão dos Indicadores e Resultados

FIGURA 1 – Etapas para Implementaçao do Balanced Scorecard. 3. Estudo de Caso 3.1 Caracterização da Empresa Para a verificação da adequação da utilização da metodologia “ABC” em conjunto com um “BSC” em uma indústria do setor naval, foi escolhido um estaleiro. A empresa escolhida é um estaleiro de médio porte, localizado no Estado do Rio de Janeiro. Suas principais facilidades são: Área de tratamento de chapas e perfilados; Área de processamento de aço; Área de pré-edificação e montagens de blocos; Carreiras; Cais e Oficinas de acabamento.

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Os principais produtos estão divididos em 3 (três) partes: (a) Navios Mercantes: Cargueiro, Graneleiro, Petroleiro, Portas-Container, Roll-on/Roll-off, Frigorífico, Multipurpose, Químicos, transportadores de Gases, Embarcações especiais e Etc., (b) Serviços: Reparo Naval Flutuante, Caldeiraria leve, Montagens Estruturais e Aluguel de Mão de Obra. (c) Projetos: Embarcações, Consultoria de Engenharia Naval e Sistemas de Computação e Controle Numérico. A empresa está passando por um processo de reestruturação, com objetivo de baixar seus custos operacionais e se tornar mais competitiva, não apenas no mercado nacional, como também mundialmente. A despeito de seu sistema de gestão, semanal e mensalmente, a empresa utiliza um conjunto de relatórios gerenciais atualizados, para o controle do negócio e apoio à tomada de decisão. Contudo estes relatórios apenas apresentam informações sobre a produção, não podendo ser associados a relatórios contábeis. Sendo assim, ela se propôs a implantar os conceitos do “ABC”, a fim de criar um ambiente favorável para que resultados positivos fossem alcançados. A seguir será descrito o trabalho que foi realizado pela empresa, destacando as particularidades e dificuldades, os resultados obtidos e as conclusões. 3.2 Definição do Estudo Com a introdução dos conceitos do ABC e BSC passou-se a etapa de implementação, onde foram definidos alguns itens para custeio. Na aplicação do método foram escolhidos cinco tipos de embarcações, definidas como: A, B, C, D e E, para a facilitação de entendimento. A embarcação tipo A por ter uma maior quantidade de redes de tubulações, sistemas, critérios rigorosos de pintura e classificação foi considerada a mais complexa. O tipo B um pouco menos complexo, pois as maiores dificuldades estão na quantidade de aço estrutural e alguns sistemas hidráulicos. O tipo C apresenta dificuldades médias. As embarcações dos tipos D e E são de concepção bastante simples havendo apenas alguns itens que as diferenciam. Posteriormente, foram feitas algumas suposições tais como: a quantidade de embarcações, o período de construção, o custo indireto anual com base nos relatórios gerenciais da empresa, as horas de produção fictícias com base em informações da própria produção, os direcionadores de custos com base em entrevistas com alguns funcionários e, finalmente, os pesos e escalas para comparação. Assim, o estudo foi baseado e com algumas adaptações do realizado por ACHÃO e QUELHAS (2003), por ser o que melhor atende à Indústria Naval, que trabalha por encomendas onde cada embarcação é diferente uma da outra. O que distingue da Indústria de Manufatura, onde a produção em série tem produtos semelhantes. Com estas informações tabuladas e organizadas, poderemos montar o quadro “BSC” com os objetivos, indicadores, alvos e ações a serem tomadas. 3.3 Desenvolvimento do Modelo Todas as empresas necessitam conhecer seus custos com adequada precisão. Outro fato é que simplificações são viáveis e reconhecidas mesmo quando se utiliza metodologia baseada no sistema “ABC” em grandes empresas. Esse modelo simplificado, pressupõe a criação de um grupo de trabalho na empresas estudada, formado por pessoas envolvidas no processo de planejamento e controle de atividades de construção e custos. Este grupo utilizará seus conhecimentos e experiencias adquiridas, para fornecer dados, informações e análises, sobre a adequada avaliação das taxas de rateio a serem aplicadas. Deverão seguir a seguinte metodologia, inspirada em ACHÃO e QUELHAS (2003):

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1. Fatores de análise Os seguintes serão analisados pelo grupo de trabalho para cada embarcação: complexidade (mão-de-obra), pintura, peso, volume (quantidade da mesma série), materiais/equipamentos, classificação e tempo, que nesse modelo representa o tempo necessário para a fabricação de cada embarcação. Caberá ao grupo de trabalho determinar de que forma os custos indiretos serão distribuídos, levando em conta os recursos consumidos nas diversas atividades. 2. Índices de distribuição Esses índices terão a finalidade de permitir a ponderação entre os diversos fatores de análise, de forma a se permitir determinar os percentuais finais de distribuição de recursos/despesas, segundo as técnicas do "ABC". Cabe ressaltar que além dos conhecimentos/experiências os quais serão os ingredientes com os quais o grupo de trabalho atua, em casos de dúvidas, o mesmo poderá realizar algumas simulações como suporte a decisão. Com isso, facilmente poderão chegar aos valores de rateio da contribuição das despesas indiretas em cada embarcação, baseado nos consumos de recursos de cada uma. O Método “ABC” separa as despesas indiretas e de apoio pelas atividades, surgindo, então, uma hierarquia. Isto é feito através da elaboração do Mapa “ABC” (ABC Chart), que faz a introdução da relação entre os direcionadores de custos (cost drivers) e os produtos fabricados, de forma matricial e através da utilização de fatores de peso (fatores de ajuste). Os direcionadores de custos (cost drivers) são fatores estruturais que influenciam os custos das atividades. São os direcionadores de custos que explicam a distribuição diferenciada de custos indiretos pelos diversos produtos. Um direcionador é qualquer coisa que afeta os custos de produção: tamanho, tipo, peso, distância, tempo de procedimento, área coberta, complexidade, tempo necessário de supervisão etc. são alguns exemplos de direcionadores. Cada direcionador, na montagem do Mapa “ABC”, possui um fator de peso que mostra como o direcionador (com qual magnitude) afeta o custo de produção, em relação aos demais direcionadores. O Mapa “ABC” possibilita comparações entre diversos produtos baseado na interação entre eles, com relação ao efeito de cada direcionador de custo. Para a montagem do Mapa “ABC” é necessária a reunião dos diversos elementos envolvidos no processo de fabricação (projetista, operadores de máquinas, pessoal da manutenção, de controles de custos, orçamentistas, compradores, laboratoristas etc.) sob a coordenação de um elemento com visão global sobre todo o processo de fabricação. A atribuição dos fatores de peso aos direcionadores será função de critérios e da experiência e análise subjetiva dos participantes da reunião (implica em capacidade de julgar e aferir a importância de cada direcionador na influenciação do custo dos produtos a comparar). Após a escolha dos direcionadores de custo principais e de ser atribuído um fator de peso comparativo para cada um dos produtos, chega-se a um rateio do total de custos indiretos pelos diferentes produtos. Ressalte-se que a diferença entre os dois métodos encontra-se na precisão do rateio de custos indiretos: o método tradicional aloca custos indiretos baseado no trabalho e o Método “ABC” aloca custos indiretos baseado em condutores de custos (cost driver). O “ABC” Chart, tem sido utilizado em organizações, correntemente, nos últimos 16 anos e possui reconhecimento notório, representado pela continuidade de sua aplicação como ferramenta de gestão com foco na gestão estratégica de custos. Esta continuidade de aplicação atribui credibilidade e confiabilidade aos seus resultados.

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Nota-se a força da ferramenta Não havendo qualquer estudo minucioso na determinação das quantidades ou valores, apenas foram utilizados como base os relatórios de uma determinada empresa do mesmo setor. A principal vantagem associada a essa metodologia é o apoio ao entendimento do negócio através da construção de uma estrutura de fácil assimilação, principalmente de cunho participativo. Muitas análises ainda estão limitadas, principalmente por ter sido esse um primeiro exercício, não se dispondo de resultados anteriores para comparações. Há também a dificuldade inerente a serviços, onde muitas análises baseiam-se na percepção dos funcionários, que pode ser equivocada. A capacidade ociosa de tempo, por exemplo, é difícil de ser medida, só podendo ser avaliada após algum tempo de levantamentos e comparações. Ao longo do tempo, a realização de maiores controles poderá melhorar a qualidade final dos resultados. A seguir apresentamos o Quadro 2 e 3 onde podem ser vistos os rateios na forma tradicional e o mapa ABC Chart retirado de ACHÃO e QUELHAS (2003). QUADRO 2 – Determinação do Rateio pelo Método Tradicional Embarcação

Horas

R

/Tipo Emb.

Rateio do Custo Ind.

Valor Rateado por Cada

(R$/Hora)

Tipo de Emb.

% de rateio

Emb. A

900.000

1

1,34

1.202.290,1

34,4%

Emb. B

800.000

1

1,34

1.068.702,3

30,5%

Emb. C

600.000

1

1,34

801.526,7

22,9%

Emb. D

30.000

4

1,34

160.305,3

4,6%

Emb. E

10.000

20

1,34

267.175,6

7,6%

Fonte: ACHÃO e QUELHAS (2003).

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Quadro 3 – Mapa “ABC” (“ABC Chart”) Medida (direcionador de custo)

Emb.A

Emb.B

Emb.C

Emb.D

Emb.E

Total

Complexidade (mão-de-obra)

9

10

7

3

1

Fator de ajuste

5

5

5

5

5

Fator de Complexidade (MO)

45

50

35

15

5

Pintura

10

10

8

4

2

Fator de ajuste

2

2

2

2

2

Fator de Pintura

20

20

16

8

4

Peso (aço)

9

10

7

3

1

Fator de ajuste

6

6

6

6

6

Fator de Peso

54

60

42

18

6

Volume (quant. Mesma série)

4

5

3

2

1

Fator de ajuste

1

1

1

1

1

Fator de Volume

4

5

3

2

1

Materiais/Equipamentos

10

9

7

3

1

Fator de ajuste

7

7

7

7

7

Fator de Materiais/Equiptos

70

63

49

21

7

Classificação

10

8

8

2

1

Fator de ajuste

4

4

4

4

4

Fator de Classificação

40

32

32

8

4

Tempo

10

9

8

4

2

Fator de ajuste

3

3

3

3

3

Fator de Tempo

30

27

24

12

6

99

Total

263

257

201

84

33

838

% de Rateio

31,4%

30,7%

24,0%

10,0%

3,9%

100%

150

68

180

15

210

116

Fonte: ACHÃO e QUELHAS (2003).

O Método “ABC” separa as despesas indiretas e de apoio pelas atividades, surgindo, então, uma hierarquia. Isto é feito através da elaboração do Mapa “ABC” (ABC Chart), que faz a introdução da relação entre os direcionadores de custos (cost drivers) e os produtos fabricados, de forma matricial e através da utilização de fatores de peso (fatores de ajuste). Os direcionadores de custos (cost drivers) são fatores estruturais que influenciam os custos das atividades. São os direcionadores de custos que explicam a distribuição diferenciada de custos indiretos pelos diversos produtos. Um direcionador é qualquer coisa que afeta os custos de produção: tamanho, tipo, peso, distância, tempo de procedimento, área coberta, complexidade, tempo necessário de supervisão etc. são alguns exemplos de direcionadores.Cada direcionador, na montagem do Mapa “ABC”, possui um fator de peso que mostra como o direcionador (com qual magnitude) afeta o custo de produção, em relação aos demais direcionadores. O Mapa “ABC” possibilita comparações entre diversos produtos baseado na interação entre eles, com relação ao efeito de cada direcionador de custo. Para a montagem do Mapa “ABC” é necessária a reunião dos diversos elementos envolvidos no processo de fabricação (projetista, operadores de máquinas, pessoal da

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manutenção, de controles de custos, orçamentistas, compradores, laboratoristas etc.) sob a coordenação de um elemento com visão global sobre todo o processo de fabricação. A atribuição dos fatores de peso aos direcionadores será função de critérios e da experiência e análise subjetiva dos participantes da reunião (implica em capacidade de julgar e aferir a importância de cada direcionador na influenciação do custo dos produtos a comparar). Após a escolha dos direcionadores de custo principais e de ser atribuído um fator de peso comparativo para cada um dos produtos, chega-se a um rateio do total de custos indiretos pelos diferentes produtos. Ressalte-se que a diferença entre os dois métodos encontra-se na precisão do rateio de custos indiretos: o método tradicional aloca custos indiretos baseado no trabalho e o Método “ABC” aloca custos indiretos baseado em condutores de custos (cost driver). Analisando os Quadros 2 e 3 percebem-se as diferenças nos percentuais distribuídos para cada embarcação. Por ser uma aplicação bastante simples, é notório que método “ABC” adota critérios para alocações dos custos indiretos, critérios estes que foram adquiridos pelo sentimento e experiência de alguns funcionários. Quadro 4 - Método “ABC” x Tradicional Embarcação

% Rateio

Custo Anual

Quantidade

Custo Indireto

Dif. em Relação ao método

Ind./emb.(R$)

Anual

p/emb.(R$/emb.)

Trad.

Emb. A

31,4%

1.098.448,7

1

1.098.448,7

-8,6%

Emb. B

30,7%

1.073.389,0

1

1.073.389,0

0,4%

Emb. C

24,0%

839.498,8

1

839.498,8

4,7%

Emb. D

10,0%

350.835,3

4

87.708,8

118,9%

Emb. E

3,9%

137.828,2

20

6.891,4

-48,4%

Fonte: ACHÃO e QUELHAS (2003).

Ao observar o Quadro 4 percebem-se as diferenças existentes nas duas distribuições dos custos. A embarcação A deveria custar 8,6% a menos do que se está mostrando e a embarcação E 48,4%. Já as embarcações B, C e D deveriam custar mais 0,4%, 4,7% e 118,9% respectivamente. Para o caso em estudo, no qual os valores foram supostos chegamos a conclusão que o método proposto realmente determina que existem disparidades na alocação nos custos, onde os tipos de embarcações D e E apresentam maiores variações. Nota-se a força da ferramenta Não havendo qualquer estudo minucioso na determinação das quantidades ou valores, apenas foram utilizados como base os relatórios de uma determinada empresa do mesmo setor. Com o acima exposto, podemos montar o Quadro 5 no qual são apresentados alguns objetivos, indices, alvos e ações para cada perspectiva do Balancd Socrecard. Podemos observar que as informações do rateio gerado no Mapa “ABC” servirão como fonte para a definição dos parâmetros deste quadro.

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Quadro 5 – Balanced Scorecard Perspectiva Financeira

Marketing

Processos Internos

Aprendizado e Crescimento

Objetivos 1) Lucratividade; 2) controle de custos;

Índice

Alvo

1) Margem de lucro (%); 2) Lucro/empregado ($);

Aumentar a margem de lucro em 20% em 5 anos

1) Índice satisfação dos clientes = (clientes satisfeitos – clientes insatisfeitos)/total de clientes (%); 2) No. de clientes (No.)

- Aumentar o índice de satisfação em 50% em 5 anos; - Aumentar em 30% o número de clientes em 5 anos

1) Desenvolvimento de produtos; 2) Aumentar capacidade de infra-estrutura

1) Quantidade de produtos novos produzidos (No.); 2) Quantidade de instalações novas construídas (No.)

- Aumentar em 20% a quantidade de produtos novos produzidos em 5 anos; - Aumentar em 20% a quantidade de novas instalações em 5 anos

1) melhorar as competências funcionais; 2) eficiência operacional;

1) Tempo com treinamento (dias/ano) (No.); 2) Índice de freqüência de acidentes com afastamento = (Total acidentes – Acidentes sem afastamento)/Total de acidentes (%);

1) aumentar o nível de satisfação dos clientes com nossos produtos e serviços; 2) reputação / imagem;

Em 5 anos 90% dos funcionários terão cumprido cursos de capacitação: Nível médio – 5 cursos de especialização; - Nível superior – 3 cursos de extensão e 1 MBA

Ação Programas de aumento de vendas, explorando novos nichos

Programas de gerenciamento de prazos e qualidade de produtos e serviços

Investimentos em desenvolvimento de novos produtos e ampliação das nstalações

Programas de capacitação profissional em parceria com entidades estaduais e fundações/universidades

Fonte: Própria

5. Considerações finais A grande preocupação das empresas, principalmente as pequenas, é o impacto causado pelas despesas administrativas em seus resultados. Com as empresas do setor naval não é diferente, assim torna-se fundamental a utilização de modernas técnicas administrativas para suporte à tomada de decisão. As etapas de desenvolvimento do sistema, conforme descritas anteriormente e de acordo com a revisão bibliográfica realizada, foram consideradas factíveis de serem implantadas em qualquer empresa naval que se proponha a equacionar o problema e dedicar algum tempo na modelagem de suas atividades. O sistema aqui proposto foi desenvolvido apenas com o auxílio de planilha eletrônica e poderia ser replicado para outras empresas. A complexidade administrativa, entretanto, ligada a fatores como tamanho da empresa e diversidade de ramos de atuação, podem representar maior dificuldade de modelagem de todos os processos. Esta dificuldade, certamente, poderá ser contornada através da adequada divisão da empresa em diversas sub-divisões. É de fundamental importância ressaltar que a gestão estratégica de custos estruturada no ABC,estudada e avaliada neste trabalho em uma aplicação, contém um núcleo de sustentação do sucesso que é a abordagem participativa na elaboração do ABC Chart . Os autores deste trabalho chamam a atenção para o fato de que a confiabilidade e precisão dos resultados da utilização do ABC Chart localizam-se na continuidade de aplicação e no seu histórico de aprendizagem. Tal sistemática se insere muito bem na estratégia de valorização do capital intelectual e na construção de uma “empresa que aprende”.

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O fator mais importante, entretanto, quando da decisão de implantação da metodologia em uma empresa, é o entendimento do conceito que se está empregando e a certeza da adequação do modelo desenvolvido para a finalidade almejada. Deste modo, é fundamental o treinamento dos funcionários que acompanharão a implantação e que responderão às entrevistas de suporte. Também é importante uma definição de tempo esperado para o desenvolvimento, de forma a não se correr o risco de excesso de simplificação ou de detalhe, deixando de atender ao objetivo de decisão esperado. A experiência com o caso deste estudo parece ter sido bastante positiva. Com a conscientização de funcionários de conceitos e objetivos, foi relativamente simples obter comprometimento com o produto a ser gerado e clara a necessidade de otimização de alguns controles. Apesar da conscientização da necessidade de se realizar estudos mais detalhados a respeito de todos os processos para se obter um conhecimento mais consistente do negócio, e mesmo tendo o sistema se limitado a uma aplicação mais geral e simplificada, essa primeira experiência foi considerada importante e acredita-se que várias informações de futuro interesse estratégico para a empresa foram encontradas. Esse artigo apresentou uma metodologia para implantação das ferramentas “ABC” e “BSC” acopladas, para com isso tentar ajudar as empresas da área naval superarem dificuldades na sua operacionalização e na gestão do desempenho, num ambiente instável, com crescente importância dos ativos intangíveis. Assim, esperamos contribuir com uma semente que possa germinar e produzir frutos numa área carente de ferramentas gerenciais. Referências ACHÃO FILHO, N. Uma Proposta de Metodologia de Implementação do Sistema de Gerenciamento de Custos Baseado em Atividades (“Activity Based Cost/Management”) para uma Empresa do Setor Naval.166 p. Monografia (MBA), LATEC/UFF. Niteroi, Rio de Janeiro, 1998. ACHÃO, N.F.; QUELHAS, O. L. G.. Critérios para aplicação de ABC (Activity Based Costing) na indústria naval. Revista Produção, v. 13, n. 1, p. 91-102, 2003. ATKINSON, A. A.; BANKER, R. D.; KAPLAN, R. S.; YOUNG, S. M. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Atlas, 2000. COGAN, Samuel. Modelos de ABC/ABM. Rio de Janeiro: Ed. Qualitymark, 1997. COGAN, Samuel Activity-Based Costing (“ABC”): A Poderosa Estratégia Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Pioneira, 1994. COGAN, S. Um Modelo de Custeio Baseado em Atividades (“ABC”), para Manufatura Celular. 93 f. Dissertação (Mestrado). COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1994. COOPER, R. The Rise of Activity-Based Costing - Part One: What Is an Activity-Based Cost System? Journal of Cost Management, pp. 45-54, 1988. COOPER, R. Implementing an Activity-Based Cost System. Journal of Cost Management, pp. 32-42, 1990. COOPER, R.; KAPLAN, R.S. The Design of Cost Management System: Text, Cases and Readings. Prentice Hall, Inc., 1990 COOPER, Robin; KAPLAN, Robert S. The Design of Cost Management Systems, Prentice-Hall, Inc., 1991. COOPER, R.; KAPLAN, R.S. Custo e Desempenho: administre seus custos para ser mais competitivo. São Paulo: Ed. Futura, 1998. DATAR, S. e GUPTA, M. Aggregation, Specification and Measurement Erros in Product Costing. The Accounting Review, v. 69, n. 4, p. 567-91, Oct. 1994. GANTZEL, A.; ALLORA, V. Revolução nos Custos: Os Métodos “ABC” e UP e a Gestão Estratégica de Custos como Ferramenta para a Competitividade. Casa da Qualidade, Salvador, BA, 1996.

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GILLIGAN, B. P. Tradicional Cost Accounting Needs Some Adjustments... As Easy as ABC. The Trane Company, Estados Unidos: [s.n], april 1990. PORTER, M. Vantagem Competitiva. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1992. QUELHAS, O.L.G. Modelo de Custeio Baseado em Atividades (“ABC”) para Seleção de Fornecedores. 151 f. Tese (Doutorado). COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro, 1994.

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Aplicações de Data Warehouse, Database Marketing e Data Mining: Uma Análise Empírica em CRM Flávio Régio Brambilla (ULBRA) flaviobrambilla@terra.com.br Resumo: Ações de Customer Relationship Management (CRM), derivam do marketing estratégico, no ponto de contato com os consumidores. Mais do que teorias, são premissas do Marketing de Relacionamento, que regem sua aplicação em escala, através do suporte tecnológico do CRM. Estas ferramentas exigem adequada combinação das filosofias do marketing orientado para clientes com a solução certa para que as informações sejam acessíveis em tempo hábil, de forma correta e, o mais completas possíveis. Diante da perspectiva de tecnologia e dos dados disponíveis, alguns conceitos de gestão da informação requerem destaque. Dentre estes Data Warehouse, Database Marketing (conhecido como Data Mart da área de marketing), e Data Mining, que é a ferramenta utilizada para a composição das informações pertinentes ao contato com os clientes. A utilização de práticas para mineração de dados conta com o uso estratégico das informações extraídas dos repositórios de dados Data Warehouse e Data Marts. A verificação empírica retrata a relação entre uma empresa desenvolvedora e outra cliente e usuária das soluções de CRM, na qual através de um Estudo de Caso os resultados obtidos por triangulação, indicam pertinência às variáveis tecnológicas citadas. É importante lembrar que o CRM é mais do que uma aplicação de tecnologia. Palavras-chave: Gerenciamento do Relacionamento com os Clientes; Armazém de Dados; Base de Dados de Marketing; Mineração de Dados; Estudo de Caso. 1. Introdução Antes do avanço quanto aos elementos tecnológicos tratados neste estudo, é preciso trazer a lógica estratégica que rege os pressupostos do CRM. O primeiro é o Marketing de Relacionamento, no qual a interação com os clientes passa a ser o foco nas transações. Ampliado o escopo e adicionada a tecnologia como o segundo balizador de integração com os clientes, (no contato dinâmico especialmente do pessoal de vendas junto aos consumidores), emerge a caracterização do que é o Customer Relationship Management (CRM). Este artigo trabalha com três conceitos integrados, os quais proporcionam que o CRM seja aplicável em grandes empresas e com informações adequadas em tempo hábil. Basicamente o Data Warehouse é o depósito de dados da organização, onde dados consolidados do histórico das transações ficam armazenados. Com freqüência, o trabalho com estes dados é viável para a identificação do comportamento de compra de um cliente, desde que a alimentação dos dados seja adequadamente desempenhada. Como uma extensão, ou parte importante para a composição deste repositório de dados maior, existem aplicações Data Mart, pequenos repositórios de dados para cada área gerencial da empresa. Como exemplos, podem ser referenciados aqueles destinados aos recursos humanos, movimentos financeiros, produção, dentre outros. Em virtude da natureza da análise empírica desenvolvida, destinada aos processos de vendas, que neste caso integram o Data Mart da área de marketing, é pertinente a utilização da linguagem usual da literatura para este tipo de análise. Trata-se então de um Database Marketing, o depósito de dados consolidados e específico aos processos e ações da área comercial da empresa cliente e usuária do CRM deste estudo.

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O terceiro conceito proposto é o Data Mining, mais complexo e diferenciado. Trata-se de uma aplicação para o que é conhecido por mineração de dados, desenvolvida através da análise em informações contidas ou no repositório maior de dados da empresa ou nos repositórios de área. A mineração de dados é uma abordagem importante que proporciona basicamente duas possibilidades. A primeira é a de compor o histórico do cliente junto da organização, mapeando características e transações já efetuadas. Segundo e mais importante, a capacidade preditiva, de conhecer as probabilidades futuras do cliente junto da organização. Torna-se compreensível a motivação do trabalho com estas ferramentas integradas, como uma maneira de proporcionar resultados mais significativos durante a análise empírica. Antes da caracterização teórica dos três conceitos centrais para esta pesquisa, segue uma breve contextualização do marketing relacional e de sua extensão, representada pelas ações de CRM das empresas. 2. O conceito ‘Marketing de Relacionamento’ e o caminho até CRM O Marketing de Relacionamento, direcionando atenção ao cliente não é novo. Para Weber (2003, p.60), é uma realidade que, “de mais a mais, além da clareza de visão e da habilidade para agir, somente pela virtude de qualidades éticas bem definidas e altamente desenvolvidas é possível merecer a confiança, [...] dos clientes”. A citação, embora anterior ao desenvolvimento das idéias específicas do relacionamento em marketing, mostra centralidades ainda válidas. São estas, respectivamente, a atenção aos clientes, o reconhecimento da importância destes para a empresa, e por fim, a necessidade da conduta ética durante os processos de vendas, para que se tornem as mais freqüentes possíveis. Somente organizações que nutram fortes e positivos relacionamentos com clientes, dizem Rowe e Barnes (1998), têm o potencial para desenvolver vantagem competitiva sustentável que pode conduzir ao desempenho superior ao convencional. A premissa fundamental do Marketing de Relacionamento é referenciada por Berry (2002, p.70), sendo uma atitude destinada “para que os clientes continuem como clientes”. A conceituação é parte do CRM. Certas características específicas delimitam as diferenças. O Customer Relationship Management (CRM) também se refere ao gerenciamento dos relacionamentos com os clientes. É uma abordagem gerencial que propicia às organizações identificação, atração e aumento na retenção dos clientes. Proporciona maior rentabilidade para a empresa desenvolvendo ações para identificação e aumento das transações com os clientes de maior valor (WILSON, DANIEL, McDONALD, 2002). Lin e Su (2003, p.716) definem CRM como “a chave da competição estratégica necessária para manter o foco nas necessidades dos clientes”. A diferenciação pode ser identificada através da faceta técnica, trazida por Wilson, Daniel e McDonald (2002), como sendo o CRM um conjunto de processos e tecnologias que suportam o planejamento, execução e monitoramento coordenado dos consumidores. Para Dwyer, Schurr e Oh (1987) a extensão dos relacionamentos de troca contribui para a diferenciação de produtos e serviços, criando barreiras às substituições. Então, é possível a afirmação de que o CRM é o Marketing de Relacionamento ampliado, com um suporte tecnológico proporcionando maior amplitude. É a tecnologia como uma ferramenta que proporciona maior abrangência aos processos relacionais, fazendo do CRM uma opção adaptável a um conjunto maior de clientes. Traçadas as conceituações e premissas básicas, o estudo segue através de basicamente quatro outras etapas. Primeiro, a conceituação das variáveis verificadas. Depois, apresentação do método seguido dos resultados empíricos obtidos. Por fim, considerações finais acerca dos achados deste estudo. A etapa em campo, desenvolvida mediante Estudo de Caso, se deu na unidade de software Desenvolvedora, no Parque Tecnológico TECNOPUC, bem como

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através de informações fornecidas mediante entrevista com um dos clientes usuários de soluções da tecnologia. O cliente selecionado, tratado como Firma-Cliente, é contratante da Desenvolvedora para o desenvolvimento de seu sistema de relacionamento, o SIS.com. Segue então, a caracterização teórica das variáveis tecnológicas do CRM: Data Warehouse, Database Marketing e Data Mining, investigadas empiricamente. 3. Variável tecnológica do CRM Data Warehouse O Data Warehouse responde pelo fornecimento das informações confiáveis que suportam o processo da tomada de decisão. Pedron (2001) apresenta que na tomada de decisões estratégicas, esta ferramenta exerce a função integrativa da base de dados ao fornecimento de uma visão única e orientada aos tomadores de decisão. Ocorre através de dados originários de diversas fontes, em diversos formatos e tipos, os quais adequadamente agrupados capacitam a organização para a observação das ocorrências em suas operações, para que assim seja possível a oferta de melhores serviços aos clientes. Data Warehouse, conforme a definição de Greenberg (2002) é um repositório único, depurado, consolidado e consistente que responde pelo fornecimento de informações confiáveis. Nogueira, Mazzon e Terra (2004, p.3) relatam que Data Warehouse é “o nome genérico para a infraestrutura de armazenamento on-line de dados, utilizada para o armazenamento de informações detalhadas sobre os clientes, tais como transações de negócios, telefonemas, compras, faturas, reclamações, mantidas em sincronia com as bases de dados transacionais da empresa”. Um aspecto importante, em termos de Data Warehouse, reside na necessidade de que dados sejam transformados em informações, elemento fundamental às práticas de CRM. O Data Warehouse é relevante devido a sua funcionalidade de armazenamento da informação em uma única locação central, utilizada na posterior construção da imagem do cliente. É uma ferramenta que busca o mapeamento e compreensão do cliente, e que na condição de centralizador de informações, deve estar ligado a todos os canais e departamentos da organização que mantém contato com os clientes, operando como sistema centralizado das informações dos clientes. O Data Warehouse tem sua razão de existir, segundo Angelo e Giangrande (1999), devido a necessidade da integração dos dados corporativos em um único local, para que fiquem acessíveis a todos os usuários envolvidos nos níveis de decisão da empresa. Conforme relatado por Pedron (2001), esta sistemática propicia para a organização a condição de saber quem são os clientes, suas preferências, a probabilidade de que venham a abandonar os negócios com a empresa, bem como a capacitação da empresa para que possa conhecer necessidades e perfil das outras preferências dos clientes. Estes sistemas de conhecimento de clientes, de acordo com Swift (2001), armazenam informações históricas em detalhes e centradas no cliente, permitindo que as empresas tornem-se ágeis e responsivas no mercado, podendo então tomar decisões sólidas de marketing nos pontos principais que requerem alocação de recursos. Para Brown (2001), o Data Warehouse consiste em fator fundamental para que possa ser desempenhada a personalização e a criação do marketing one-to-one, através do qual é possível que a empresa aumente a satisfação dos clientes. Srivastava et al. (2002) dizem que a construção do Data Warehouse é um passo chave para o início do CRM analítico, onde as fontes de dados são projetadas para o uso operacional. Quanto ao compartilhamento de informações, Wardley e Draper (2003, p.2) dizem que “mesmo em pequenas organizações, diferentes departamentos freqüentemente encontram-se trabalhando com diferentes conjuntos de informações, o que pode levar a confusão e alienação de clientes”. Os autores ainda complementam destacando a importância da unificação das informações de cliente. Esta

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unificação é relatada como sendo uma ferramenta que propicia serviços representativos ao cliente quando acessados. Isto ocorre porque oferece a completa história do cliente, incluindo a comunicação com outros departamentos. A integração proporciona serviços representativos aos clientes mediante consolidação, visão precisa das informações de clientes, e habilita a providência de respostas em tempo. Com relação às informações dos relacionamentos, Day e Bulte (2002) argumentam que o CRM de sucesso depende de quanto bem a empresa extrai e gerencia o compartilhamento destas informações, e como as converte em conhecimento utilizado para mudar o modo como a organização se posiciona perante o comportamento coletivo dos consumidores. Finalizam Paas e Kuijlen (2001, p.57) relatando que no processo de Data Warehousing “os sistemas existentes de base de dados devem ser aumentados para suportar a implementação das soluções desejadas”. No ‘Quadro 1’, é apresentada a construção teórica central do conceito Data Warehouse investigado. Depois, a teoria de Database Marketing. QUADRO 1 – Síntese teórica da variável de tecnologia do CRM Data Warehouse Data Warehouse

Responde pelo fornecimento das informações confiáveis que suportam o processo da tomada de decisão.

Nogueira, Mazzon e Terra (2004); Wardley e Draper (2003); Day e Bulte (2002); Greenberg (2002); Srivastava et al. (2002); Brown (2001); Paas e Kuijlen (2001); Pedron (2001); Swift (2001); Angelo e Giangrande (1999).

Fonte: Autor.

4. Caracterização teórica da variável de CRM Database Marketing Dados sobre o perfil dos clientes: atuais (registros das vendas realizadas) e potenciais (prospects), são aspectos primordiais para o entendimento do funcionamento de um Database Marketing. Relata Pedron (2001) que Database Marketing consiste no gerenciamento dinâmico de uma base de dados atualizada com as informações relevantes dos clientes, sejam estes atuais ou potenciais. A principal vantagem reside na atualização constante de um grande número de informações de clientes, que são obtidas mediante o contato destes com as mais diversas áreas da empresa. Desta forma, é possível que seja desenvolvido um conjunto de informações sobre o perfil dos clientes, operacionalizado através do contato direto com estes. A atualização desta base de dados é realizada de forma direta por seu operador, através de cada interação com o cliente. Conforme Hughes (1998), Database Marketing deve ser configurado com os dados que demonstram o perfil dos clientes atuais, (apresentando seu histórico de compra), e potenciais (para que desta forma o sistema atenda ao propósito de agregar as informações sobre cada cliente), e seja construído e gerenciado baseado em relacionamentos personalizados. Para a possibilidade de ser realizada uma completa solução de CRM, conforme Winer (2001), é necessária a construção de uma base de dados contendo as informações de clientes. Neste cenário, Fletcher (2003) relata que as empresas estão aglomerando uma maior quantidade de informações pessoais dos clientes nas transações, especialmente online, e utilizando-as no aprimoramento das vendas e da efetividade dos serviços prestados. Complementa McKim (2002) destacando que o CRM implica em novas tecnologias desenvolvidas para seus próprios propósitos, do que em outras sistemáticas de trabalho em marketing que utilizam soluções prévias. Embora isto ocorra nos sistemas de CRM, estão presentes modelos ajustados para a maioria dos propósitos de marketing, elaborados conforme a necessidade da organização. O Database Marketing, em determinadas aplicações, utiliza tecnologias existentes para estabelecer vendas, mas requer customização. Embora apresente

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tais características, não apenas faz parte do contexto geral da utilização do CRM, como também é fundamental para seu funcionamento. No ‘Quadro 2’, a essência do conceito. Posterior, a caracterização da terceira e última variável tecnológica do CRM em análise, a mineração de dados, ou Data Mining. QUADRO 2 – Caracterização da variável Database Marketing Database Marketing

Dados sobre o perfil dos clientes: - Atuais: registros das vendas realizadas.

Fletcher (2003); McKim (2002); Pedron (2001); Winer (2001); Hughes (1998).

- Potenciais: prospects. Fonte: Autor.

5. Conceito de Data Mining Conforme o Peppers e Rogers Group (2004), Data Mining, ou mineração de dados, responde pela análise das informações em banco de dados, usando ferramentas que procuram tendências ou anomalias sem o conhecimento do significado dos dados. Trata-se de um processo fundamental em estratégias de CRM, especialmente no comércio eletrônico. Data Mining responde ao processo de extração e cruzamento de informações relevantes e daquelas características que apresentem o modelo comportamental do cliente. Nogueira, Mazzon e Terra (2004, p.3) dizem que o Data Mining é “um processo para extrair e apresentar um novo conhecimento, antes não detectável, selecionado a partir de bases de dados para tomadas das decisões de ação”. Angelo e Giangrande (1999) dizem que este pode ser definido como uma extração de dados, mediante utilização em banco de dados, almejando a obtenção de informações úteis e não conhecidas anteriormente. Bretzke (2000) descreve o Data Mining como uma ferramenta utilizada na busca de clientes mais rentáveis, ou segmentos de clientes mais significativos para a empresa. As principais vantagens elencadas são: a capacidade, através da utilização deste suporte tecnológico, de orientar o desenvolvimento de produtos aos clientes, encurtar a distância com o consumidor final, oferecer produtos e serviços com preços competitivos, além de agregar valor extra aos clientes por segmentação, mediante análise das classes de clientes. Srivastava et al. (2002) descrevem que o Data Mining é visto na atualidade como uma necessidade analítica. Seu foco primário é voltado para o descobrimento de conhecimento, anteriormente não existente ou disponível, utilizado para predizer o futuro e automatizar a análise de conjuntos de dados. Paas e Kuijlen (2001, p.57) dizem que o Data Mining é “particularmente crucial para tranformar dados transacionais armazenados em insights sobre as necessidades do cliente”. Bolton e Steffens (2004) afirmam que é preciso saber quais dados de clientes estão disponíveis, nos pontos de interação da empresa com o cliente, o que é necessário para prover o correto tratamento e personalização por intermédio destes dados, bem como determinar quais sistemas impactam na personalização dos serviços oferecidos. Fletcher (2003, p.249) relata que “nos sistemas de CRM e em outros, as empresas coletam e utilizam as informações dos clientes”. Finalizando, Missi, Alshawi e Irani (2003, p.1605) argumentam que “a integração de informação é o problema de combinar dados residentes em diferentes fontes, e prover aos usuários uma unificada visão”. Apresentadas as caracterizações teóricas das três variáveis tecnológicas em análise, segue a próxima etapa da pesquisa. Abaixo, no ‘Quadro 3’, a caracterização teórica sintetizada de Data Mining. Em seguida, o método utilizado na condução do estudo.

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QUADRO 3 – Caracterização sintética da variável Data Mining Data Mining

Responde ao processo de extração e cruzamento de informações relevantes e daquelas características que apresentem o modelo comportamental do cliente organizacional.

Bolton e Steffens (2004); Nogueira, Mazzon e Terra (2004); Peppers e Rogers Group (2004); Fletcher (2003); Missi, Alshawi e Irani (2003); Srivastava et al. (2002); Paas e Kuijlen (2001); Bretzke (2000); Angelo e Giangrande (1999).

Fonte: Autor.

6. Metodologia de pesquisa Segundo caracterizações de Yin (2001), um Estudo de Caso pode ter por finalidade a verificação de apenas uma realidade. Embora inviabilize generalizações teóricas, este método qualitativo é adequado para o entendimento de um contexto específico das operações reais, o objetivo deste estudo, que busca por insights para criação e verificação de indicadores. Diante dos propósitos de análise da realidade entre duas empresas, a opção foi seguir os preceitos supracitados. Desta maneira, se trata de uma análise exploratória, na busca do entendimento de uma solução de CRM desenvolvida na interação entre duas empresas, uma desenvolvedora e uma firma-cliente e usuária desta solução de software. O termo exploratório para Vieira (2002, p.65), se refere ao tipo de estudo que “visa a proporcionar ao pesquisador uma maior familiaridade com o problema”. Malhotra (2001) diz que, quando os problemas a serem estudados são pouco conhecidos, a investigação qualitativa é adequada. Zaltman (1997) complementa relatando que o uso de uma metodologia de pesquisa deve ser guiado pelo conhecimento sobre a natureza do fenômeno, e neste caso, atendendo ao entendimento da relação entre empresas, no ponto de interação. Com base no estudo teórico, foram desenvolvidos roteiros de entrevistas semi-estruturadas, aplicados para três executivos da Desenvolvedora e um da Firma-Cliente, por serem os detentores do conhecimento desejado de investigação. Antes da aplicação dos roteiros, houve validação por Doutores da área de Marketing. Cada entrevista teve duração aproximada de uma hora, e seus resultados estão descritos no processo de análise. Uma entrevista extra, com Especialista na área de tecnologia, foi aplicada com o objetivo de ampliar os insights mediante visão externa ao caso. Os preceitos apresentados pela especialista estão juntos aos elementos teóricos, diante do processo de estruturação dos resultados, como complemento aos indicadores. Lembra-se em Boyd e Westfall (1964, p.51), que as “informações usadas em mercadologia são obtidas por meio de entrevistas”, razão pela qual este procedimento foi selecionado para coleta dos dados. Dados secundários foram consultados, porém, nada agregaram ao contexto de análise. Diz Zaltman (1997, p.424) que “a linguagem verbal desempenha um importante papel na representação, armazenamento e comunicação do pensamento”, reforçando a escolha da metodologia de coleta dos dados, que foram transcritos na íntegra antes de analisados, para que elementos importantes não fossem suprimidos. Quanto à análise dos resultados, foi efetuada a técnica da Análise de Conteúdo ao encontro dos pressupostos de Bardin (1977), por meio da triangulação entre entrevistas e teoria. Os principais resultados da comparação Teoria-Empresas, estão descritos nas considerações finais, representados pelo ‘Quadro 7’. A coleta de dados desta pesquisa foi conduzida em 2005. As análises individuais de cada variável estão descritas imediatamente abaixo. 7. Resultados acerca da variável Data Warehouse Data Warehouse consiste em infraestrutura utilizada nas operações online para o armazenamento de dados, e também para armazenagem de informações detalhadas dos clientes da organização que utiliza CRM (NOGUEIRA, MAZZON, TERRA, 2004). Brown (2001) destaca que o mesmo é um fator crucial para que seja possível promover ações de

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CRM, personalizar clientes e, exercer ações de marketing one-to-one. Do ponto de vista técnico, nada mais é do que um repositório único, depurado, consolidado e consistente que responde pelo fornecimento de informações confiáveis (GREENBERG, 2002). O Gerente de Projeto (GP da Desenvolvedora) considera que a aplicação desta solução prestada para a Firma-Cliente é um banco de dados, onde é possível exercer práticas de mineração de dados. O Gerente de software (GS da Desenvolvedora) é o integrante da equipe que conhece mais detalhadamente a aplicação data warehouse dentro do projeto na FirmaCliente. Conforme o GS, seu produto, o sistema SIS.com, faz parte de um conjunto de aplicações que considera “o motor do negócio da Firma-Cliente”. Grande parte desta aplicação está direcionada para um data warehouse que é utilizado como instrumento para a execução das operações da Firma-Cliente, que se referem aos procedimentos de negócios. Por iniciativa da Desenvolvedora, nesta solução que faz parte do sistema de CRM da FirmaCliente, existem procedimentos de verificação para confirmar se as informações depositadas estão consistentes e válidas. Para que isto ocorra, procedimentos são executados no momento das saídas e entradas de dados no sistema. Esta verificação é para garantir que a aplicação desenvolvida proporcione ao cliente uma adequada utilização do data warehouse, na composição de informações e no processo da tomada de decisão. Em vistas à aplicação data warehouse no projeto SIS.com, o Líder de Projeto (LP da Desenvolvedora) mencionou que o próprio módulo de planejamento das vendas do sistema é constituído para operar utilizando tomada de decisão. Este módulo fornece informações em gráficos, os quais utilizados pela Firma-Cliente como suporte para a tomada de decisão e para a elaboração das ações de marketing de relacionamento. Com relação à utilização de data warehouse e a possibilidade de modelagens, o Gerente de Projeto da Firma-Cliente (GdeP-Cliente) mencionou que esta nomenclatura é de ordem conceitual, que não faz parte da terminologia utilizada na empresa. A aplicação existe, mas é conceituada como uma centralização de dados que é realizada em uma base única. Esta base única possibilita a tomada de decisões confiáveis em tempo hábil. Embora não utilize a nomenclatura, esta base única e centralizada é uma aplicação data warehouse. Para a professora Especialista, a primeira questão sobre o assunto foi solicitar a explicação de como é visto o data warehouse em um projeto de CRM, qual a visão de quem implanta a ferramenta e, a caracterização quando utilizada no suporte para ações de CRM. Mencionado por Especialista, o data warehouse é uma ferramenta que proporciona suporte para ações de CRM, e através da qual é permissível obter informações referentes aos clientes com maior riqueza de detalhes e com a possibilidade de executar uma infinidade de análises nos dados armazenados. Quanto maior for a periodicidade de armazenagem dos dados de clientes, maior a riqueza de detalhes nas análises. Para a prática de relacionamento com os clientes mediante ações de CRM, o data warehouse é uma ferramenta fundamental. Através da utilização desta ferramenta, se torna viável executar ações utilizando informações completas referentes aos clientes. Perante a armazenagem de dados e o fornecimento em tempo das informações contidas em um data warehouse para a tomada de decisões, existe uma série de estratégias que podem ser consideradas. Cada uma destas possibilidades irá ser utilizada para a obtenção de uma informação mais próxima da realidade que seja possível alcançar. Esta aplicabilidade depende da natureza de cada projeto e organização. Com relação aos aspectos tecnológicos esta atualização de informações pode ocorrer quase em tempo real. Estes critérios irão depender do que a empresa deseja e do quanto quer investir. Na atualidade, relata a entrevistada “está aumentando o número de empresas que praticamente tem uma atualização

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em tempo real de seu data warehouse”. Esta busca pela atualização em tempo real ocorre para que a empresa que adota a tecnologia possa de maneira consistente realizar uma análise instantânea do negócio, não baseada no passado. Este é o caso do sistema SIS.com, através do qual as movimentações são automaticamente registradas. O critério de tempo para a atualização dos dados é determinado pela necessidade da empresa. Os elementos de TI utilizados são variados, da mesma maneira que os negócios das empresas. Por ser assim, não é possível estimar qual é a periodicidade de atualização adequada de referência. A importância da existência de data warehouse está vinculada com a necessidade que a organização tem de fazer análises decisórias para uma posterior ação de CRM. Para melhor visualização dos resultados acerca deste indicador, segue o ‘Quadro 4’, que traz a essência da análise em suas individualidades e a descrição das congruências obtidas através do estudo do data warehouse. Depois, o resultado acerca da variável Database Marketing.

Empresa Cliente Usuária da Solução de CRM

Teoria Referente à Variável do CRM

CONGRUÊNCIAS OBTIDAS ATRAVÉS DO ESTUDO

Para Desenvolvedora, o sistema FirmaCliente, faz parte de um conjunto de aplicações. O Gerente de software considera ser “o motor do negócio da FirmaCliente”. A aplicação tem uma grande parcela direcionada para data warehouse, que é um instrumento utilizado pela empresa cliente.

No ambiente da Firma-Cliente este tipo de aplicação não é tratada mediante a nomenclatura conceitual. O data warehouse é definido como centralização de dados que é realizada em uma base única.

Trata-se de uma estrutura utilizada em operações online, a qual responde pela armazenagem de dados e também de informações detalhadas de clientes. É um dos elementos que possibilitam a promoção das ações de CRM.

Embora definições e nomenclaturas diferentes sejam empregadas, esta ferramenta se encontra congruente com a teoria. A Desenvolvedora desempenha a prestação deste elemento da sua solução de maneira adequada, e também conhece o funcionamento na empresa cliente.

Existem procedimentos de verificação da consistência e validade das informações, que são executados nas entradas e saídas de dados no sistema.

Esta base de dados possibilita a tomada de decisões confiáveis e em tempo hábil.

Em linguagem técnica é definido como um repositório único, depurado, consolidado e consistente, que responde pelo fornecimento de informações.

Esta ferramenta é utilizada na FirmaCliente para operações referentes ao processo da tomada de decisão.

A única diferença é a nomenclatura utilizada.

Fonte: Autor.

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A Firma-Cliente, mesmo utilizando outra denominação, utiliza esta ferramenta em sua plenitude, obtendo informações confiáveis e em tempo hábil para realizar suas ações. A aplicação da ferramenta está operando como uma fonte para a tomada de decisão confiável, e possibilita promover ações reais de CRM. Esta variável do CRM apresenta congruência plena.

REFERENCIAL TEÓRICO

Empresa Desenvolvedora da Solução de CRM

Nogueira, Mazzon e Terra (2004); Wardley e Draper (2003); Day e Bulte (2002); Greenberg (2002); Srivastava et al. (2002); etc.

VARIÁVEL DA DIMENSÃO TECNOLÓGICA DO CRM: Data Warehouse

QUADRO 4 – Síntese dos resultados acerca da variável tecnológica Data Warehouse


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8. Resultados acerca da variável do CRM Database Marketing Referenciando Pedron (2001), a autora menciona que um Database Marketing é utilizado para que seja efetuado o gerenciamento dinâmico em uma base de dados. É imprescindível que esta base esteja atualizada e contenha informações relevantes de clientes da organização. O Database Marketing deve ser configurado com os dados que demonstram o perfil dos clientes atuais e potenciais, para que desta forma o sistema atenda ao propósito de agregar as informações sobre cada cliente (HUGHES, 1998). No momento em que foi abordado sobre a aplicação de Database Marketing, o que significa construir e utilizar um banco de dados de marketing na modelagem do sistema, a resposta confirmou a existência da possibilidade de realizar ações desta natureza. De maneira enfática o GP da Desenvolvedora mencionou que a prática no ambiente da Firma-Cliente é possível, porém não em uso. O relato final do entrevistado a este respeito foi que “numa fase futura é possível, mas eles não estão fazendo”. Ao questionar o GS da Desenvolvedora, este apresentou diferente resposta com relação à aplicação de Database Marketing do que a fornecida pelo Gerente do Projeto. Mediante questionamento em relação às possibilidades de através do SIS.com definir perfis utilizáveis para ações de marketing com clientes atuais e também para prospects, o GS relatou que o sistema pode fazer, mas não se destina para aspectos de prospecção dos clientes e, tampouco, para estabelecer perfis. A diferença com relação ao argumento do GP é que o SIS.com interage com outro sistema que é utilizado para realizar estas ações. Trata-se de um sistema interligado com o Database Marketing, que é utilizado conforme o conceito. Uma das constatações importantes é que por existir um data warehouse é perfeitamente viável incluir uma base específica para marketing no próprio SIS.com. Quando questionado posteriormente com relação ao caráter operacional do sistema, onde estão contidos os perfis dos clientes, o entrevistado reconheceu que a aplicação no sistema prestado pela Desenvolvedora está sendo utilizada em caráter operacional, mas poderia estar sendo utilizada para efetuar ações de marketing sem a necessidade de outro sistema auxiliar. Como o sistema permite a caracterização dos clientes, foi questionado se o elemento faz parte de modo geral do desenvolvimento de software da Desenvolvedora. Foi relatado que este tipo de aplicativo é determinado pela especificação fornecida. A Desenvolvedora insere os módulos e aplicativos ao sistema conforme a Firma-Cliente determina que deva ser feito. Para não restar dúvida com relação à possibilidade de uma aplicação de Database Marketing, a pergunta final foi destinada para saber se através do sistema SIS.com é possível fazer a caracterização de clientes potenciais. A resposta foi sim. A conceituação de Database Marketing é dependente de outras nomenclaturas referentes às tecnologias disponíveis que nem sempre são tratadas nas empresas como um item a parte do tradicional banco de dados. O sistema SIS.com é na verdade um complexo que possibilita uma série de aplicações às quais contidas em sua modelagem, mas não especificadas. Mediante a apresentação do conceito Database Marketing, o LP da Desenvolvedora confirmou que a aplicação faz parte do projeto. O Gerente de Projeto da Firma-Cliente, diferente das perspectivas apresentadas na empresa Desenvolvedora, mencionou que o sistema possui um módulo de aplicação Database Marketing. A justificativa demonstra algumas das dificuldades conceituais originadas pela complexidade do sistema e seus sistemas satélites, sejam estes partições do próprio SIS.com ou demais sistemas em comunicação com o mesmo. A utilização específica para a área de vendas de espaço comercial gera uma infinidade de dados. Estes são destinados a diferentes repositórios, sendo que o armazém de dados central é um data warehouse e deste é extraído

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um conjunto de informações para utilização em ações de marketing que constituem um Database marketing. Estas informações estão diretamente relacionadas com a operação da Firma-Cliente na venda de espaço comercial, já que esta ação está voltada para a área de vendas, de onde são coletadas informações externas e também aquelas referentes às ações corporativas. Tais informações, quando agrupadas adequadamente e utilizadas para coletar novas informações do mercado e dos clientes, proporcionam suporte para ações de marketing. Para um melhor entendimento, a Especialista na área de tecnologia proporcionou um bom insight de como é conceituado o Database Marketing. Por uma nomenclatura técnica, uma base de dados de marketing também é conhecida como um Data Mart da área de marketing. O Data Mart é um depósito de dados semelhante ao data warehouse. Porém, diz respeito aos dados de uma área específica da empresa (neste caso a de marketing). O Data Mart da área de marketing, ou Database Marketing é extraído do Data Warehouse. Quando questionada sobre a base de dados de marketing como um depósito de informações sobre produtos e clientes, e sobre a possibilidade da definição do perfil dos clientes potenciais almejados pela organização, a resposta foi positiva. Através de características de dados adequadas é possível determinar o perfil dos prospects e dos clientes existentes. Para essa ação basta que as informações dos clientes estejam armazenadas na base de dados que será explorada, através de Data Mining, a próxima variável da dimensão tecnológica do CRM a ser analisada. No ‘Quadro 5’, a apresentação dos resultados acerca do Database Marketing.

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Empresa Cliente Usuária da Solução de CRM

Teoria Referente à Variável do CRM

CONGRUÊNCIAS OBTIDAS ATRAVÉS DO ESTUDO

A prática de ações mediante a utilização desta ferramenta é viável para a FirmaCliente, porém, não está sendo realizada.

O sistema para a Firma-Cliente possui um módulo de marketing.

Utiliza-se o Database Marketing para que se torne possível gerenciar de maneira dinâmica a base de dados. Esta deve ser atualizada e conter as informações relevantes dos clientes, que proporcionem para a empresa usuária fazer a configuração de dados que demonstre o perfil dos clientes atuais e potenciais, para que desta forma atenda ao propósito de agregar as informações sobre cada cliente. Trata-se de uma base de dados específica para a área de marketing, que é utilizada para ações de CRM.

Do ponto de vista da Desenvolvedora, o sistema desenvolvido não apresenta este tipo de aplicação, mesmo que através deste as práticas são desenvolvidas em uma plataforma anexa. Esta solução é descrita como uma aplicação operacional pela Desenvolvedora, mas divergindo do que foi referenciado até o momento encontrou-se informação contraditória com relação ao uso do sistema. Foi citado que o SIS.com viabiliza este tipo de ação, o que remete a conclusão de conflito de definições a este respeito.

Foi relatado pelo GP da Desenvolvedora que: “em uma fase futura é possível, mas eles não estão fazendo”. É possível utilizar o sistema para a prospecção e para o estabelecimento de perfis dos clientes, mas o GP afirma que esta ação é realizada por um sistema integrado ao SIS.com, que é o próprio database marketing da FirmaCliente. O sistema criado pela Desenvolvedora está sendo utilizado em caráter operacional. Entretanto, poderia ser utilizado para ações de marketing sem a necessidade de outro sistema interligado. Utilizando apenas o SIS.com é possível fazer a caracterização dos clientes potenciais da Firma-Cliente.

A utilização deste é específica para a área de vendas do espaço comercial, e gera uma infinidade de dados dos clientes. As informações desta ferramenta são retiradas do armazém central de dados da Firma-Cliente, que é um data warehouse, para sua utilização no banco de dados de marketing. Os dados existentes são coletados do ambiente de atuação da empresa, e são utilizados nas ações de CRM.

A Firma-Cliente classifica esta operação como uma ferramenta de vendas que é composta também por um módulo destinado para ações de marketing. Os dados de vendas são depositados em um repositório central, o qual fornece para base de dados (Database Marketing) as informações utilizadas para as práticas de CRM. Embora exista esta estrutura, a Firma-Cliente faz apenas a utilização parcial, que é direcionada para as ações de marketing com os clientes já existentes.

REFERENCIAL TEÓRICO

Empresa Desenvolvedora da Solução de CRM

Fletcher (2003); McKim (2002); Pedron (2001); Winer (2001); Hughes (1998).

VARIÁVEL DA DIMENSÃO TECNOLÓGICA DO CRM: Database Marketing

QUADRO 5 – Apresentação esquemática dos resultados da variável Database Marketing

Fonte: Autor.

9. Resultados Data Mining A mineração de dados é uma prática imprescindível nos mercados contemporâneos para direcionar ações aos clientes desejados a serem atingidos pelas campanhas de marketing. É uma necessidade de caráter analítico (SRIVASTAVA et al., 2002). Para o Peppers e Rogers Group (2004), a mineração de dados é uma prática que permite a análise de dados agrupados em bancos de dados. Esta prática é utilizada para a transformação de dados dos clientes em

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posse da empresa em informação a ser utilizada para melhor atender a suas necessidades (PAAS, KUIJLEN, 2001), além de possibilitar a identificação do perfil dos clientes potenciais, ou prospects, da empresa. A importância de sua aplicação para as práticas de CRM ocorre porque este é um processo utilizado para a extração e cruzamento de informações relevantes, que venham a apresentar o perfil comportamental do cliente. Neste enfoque o processo de mining pode ser descrito como uma ferramenta que proporciona identificar clientes ou segmentos de clientes que interessem para organização (BRETZKE, 2000). A visão do Gerente de Projeto da Desenvolvedora com relação às práticas de data mining no sistema desenvolvido para a Firma-Cliente é a mais otimista das apresentadas pelos entrevistados da Desenvolvedora. Conforme o GP, a mineração de dados pode ser feita sem problemas no banco de dados do projeto SIS.com, e complementou reforçando ser esta uma prática totalmente viável, que pode obter os resultados desejados para ações da Firma-Cliente. O Gerente de Software (GS da Desenvolvedora) mencionou que o SIS.com é um sistema que opera de forma maciça em ações operacionais, e que é a fonte principal de dados para a realização de um processo de mining. Isto ocorre por ser o sistema central das operações da Firma-Cliente, onde existe a concentração dos dados. Conforme o entrevistado, são os dados presentes nesta solução de CRM que possibilitam a realização de qualquer processo referente a extração e análise de dados. Com relação a visão de prestação do serviço, o GS mencionou que estes aspectos que favorecem ações de marketing proporcionam um impacto positivo, e se a firma cliente desejar podem ser feitas melhorias. É de importância na visão da Desenvolvedora que a manipulação dos dados realizada pela empresa cliente permita ações de marketing relacional, que irão influir no resultado final dos seus serviços prestados. Em referência a possibilidade de serem traçadas estimativas mediante a utilização deste sistema, o GS mencionou que no estágio atual as mesmas podem ser feitas, mas não de modo completo. Para que isso ocorra, são utilizadas informações em conjunto com outros sistemas. É necessário integrar o SIS.com a outro dos sistemas utilizados pela Firma-Cliente. Referente aos aspectos da mineração de dados, o Líder de Projeto da Desenvolvedora informou que no atual estágio do projeto o sistema ainda não permite a realização de estimativas. O que já está em operação é a extração de todas as informações de um cliente, mas para a definição dos clientes potenciais atualmente são utilizadas outras mídias. Um módulo específico de monitoramento das transações com clientes e o limite das transações possíveis em um dado momento não existe. Explicou o LP que o sistema começou a ser implantado na Cliente no ano 2000, e atualmente o desenvolvimento se encontra na fase dois de dez etapas de implantação para a totalidade desta solução. Segundo o entrevistado, estes aspectos de marketing ainda fora de operação no sistema serão abordados nos próximos oito módulos, os quais se revelaram complexos, e constituem grandes fases de implantação. Em conformidade com a resposta do GP, o Gerente da Firma-Cliente, confirmou a realização das práticas de mineração de dados na identificação de clientes alvo. Foi categórico, mas confirmou a aplicação da mineração de dados ao mencionar: “é uma prática corrente, mas não sei detalhar”. Palavras finais do gestor referentes ao processo de mining. Sobre a importância de um aplicativo data mining, a Especialista mencionou ser referente ao aspecto preditivo do processo de mineração de dados. Teoricamente, as ferramentas de mineração de dados proporcionam a previsão dos padrões de comportamentos de compra. Não é uma prática direcionada para a verificação do passado. Funciona como uma tentativa de prever o comportamento futuro dos clientes. Também pode ser utilizada a mineração para verificar o perfil dos clientes atuais, e classifica-los em grupos de interesse.

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As estimativas utilizando ferramentas de mining são totalmente possíveis, desde que existam as informações necessárias para a análise, armazenadas. Tudo depende da riqueza com a qual a empresa coleta e armazena as informações referentes a todas as naturezas de contatos com os clientes. Em especial são requeridos dados que possibilitem traçar qual é o perfil dos clientes da organização. Existem diversas informações que podem compor este perfil, como por exemplo, características demográficas, entre outras. Caso a empresa seja capaz de reunir estes dados em seu data warehouse ou no seu database marketing, o cliente estará hábil para a realização de modelos e critérios de estimativas.

Empresa Cliente Usuária da Solução de CRM

Teoria Referente à Variável do CRM

CONGRUÊNCIAS OBTIDAS ATRAVÉS DO ESTUDO

A mineração de dados é uma prática totalmente viável a ser desempenhada no banco de dados do SIS.com. O sistema desenvolvido é a fonte principal de dados para a realização de um processo de mining.

Diferente da visão da empresa Desenvolvedora, a Firma-Cliente afirmou que já são efetivadas práticas na mineração de dados para a identificação dos clientes alvo da empresa.

A mineração de dados é uma prática para a identificação dos clientes desejados, os quais serão atingidos pelas campanhas de marketing. É uma aplicação de caráter analítico, realizada em um banco de dados.

Na visão da empresa Desenvolvedora, a solução desenvolvida para a FirmaCliente se trata de uma estrutura de dados que comporta os processos de mineração de dados. A diferença de visão da Desenvolvedora para a Firma-Cliente é que a empresa prestadora entende que estimativas não são suportadas pela aplicação no estágio atual, o que é diferentemente relatado pela empresa cliente usuária. A Firma-Cliente utiliza de forma direta e contínua a solução para traçar estimativas, o que pode ocorrer em função das informações pertinentes para a operação da FirmaCliente já se encontrarem disponíveis no estágio atual da solução. Esta variável está congruente na relação entre as empresas e a teoria, mesmo que a Desenvolvedora não visualize a ocorrência desta prática.

O SIS.com é o sistema central, onde existe a concentração dos dados dos clientes. A aplicação da mineração de dados é tratada pela empresa Desenvolvedora como uma solução ainda incompleta, especial diante de estimativas. O que já pode ser realizada é a extração dos dados para a composição de informações dos clientes existentes.

Foi confirmada a aplicação desta ferramenta. Porém, o Gerente de Projeto da Firma-Cliente relatou que esta “é uma prática corrente”, mas que não sabe detalhar.

A informação obtida é utilizada para melhor atender aos clientes, e determinar quem são os clientes potenciais. Proporciona segmentação e conhecimento dos clientes.

REFERENCIAL TEÓRICO

Empresa Desenvolvedora da Solução de CRM

Bolton e Steffens (2004); Nogueira, Mazzon e Terra (2004); Peppers e Rogers Group (2004); Fletcher (2003); Missi, Alshawi e Irani (2003); Srivastava et al. (2002); Paas e Kuijlen (2001); Bretzke (2000); Angelo e Giangrande (1999).

VARIÁVEL DA DIMENSÃO TECNOLÓGICA DO CRM: Data Mining

QUADRO 6 – Resultados acerca da verificação da variável tecnológica do CRM Data Mining

Fonte: Autor.

Apresentadas as construções teóricas e os resultados pertinentes às variáveis tecnológicas do CRM Data Warehouse, Database Marketing e Data Mining, na relação entre Empresa Desenvolvedora e Firma-Cliente, e congruências entre realidades práticas e preceitos

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teóricos, seguem os principais resultados obtidos mediante o estudo e triangulação de dados, desenvolvida diante dos indicadores de armazenagem e análise de dados em sistemas de CRM. Como conclusões destas análises, nas considerações finais se encontram as devidas relações entre as variáveis e suas implicações centrais. Os indicadores de verificação adotados se mostraram pertinentes aos propósitos do estudo desenvolvido. 10. Considerações finais As variáveis Data Warehouse, Database Marketing e Data Mining, do ponto de vista técnico, estão congruentes. Embora exista certo grau de inconsistência conceitual, no que se refere à viabilidade das ações efetivas no ambiente da empresa usuária, algumas práticas não utilizadas podem ser efetuadas sem grandes modificações e isentas de problemas maiores. Foi detectada a incongruência conceitual, o que também pode ser relatado como incongruência de linguagem. Porém, solucionada a questão das nomenclaturas, as práticas são viáveis e, o alinhamento entre empresas e teoria, remete à situação congruente. A empresa cliente não se utiliza da totalidade do potencial destas ferramentas, mas realiza práticas de CRM adequadas quando levado em conta o cenário de atuação e o tipo de transação exercida com os clientes. No ‘Quadro 7’, estão apresentados os resultados condensados obtidos mediante este estudo. QUADRO 7 – Resultados condensados das três variáveis tecnológicas de CRM verificadas VARIÁVEL DA DIMENSÃO TECNOLÓGICA DO CRM

CONGRUÊNCIAS OBTIDAS NO ESTUDO

Data Warehouse

Indicador congruente na relação Empresas-Teoria. Apenas diferença na nomenclatura conceitual entre a Desenvolvedora e a Teoria.

Database Marketing

O indicador não é congruente, e embora viável, não é uma ferramenta potencializada.

Data Mining

Indicador congruente, embora a Desenvolvedora não visualize esta prática na Firma-Cliente.

Fonte: Autor.

Conforme pode ser visto no quadro acima, os resultados são relativamente congruentes na relação da análise entre as práticas da Desenvolvedora e Firma-Cliente com a teoria. Mesmo que o alinhamento não seja completo nos três indicadores, o fenômeno apresenta como positivo o potencial dos indicadores para mensurar o status deste tipo de aplicação de CRM. Ficou demonstrado com clareza que mediante os padrões qualitativos de análise empregados é possível diagnosticar o desenvolvimento de um projeto de CRM no ponto de interação relativo ao desenvolvimento. Tem-se então que, a variável Data Warehouse é congruente na relação entre empresas e destas com a teoria, apenas existindo uma nomenclatura própria da Desenvolvedora que difere da teoria. Em casos deste tipo é pertinente aos gestores que adotam nomes diferenciados que busquem a padronização para que a linguagem empregada seja inteligível. A utilização de Database Marketing não é presente no caso prático entre as empresas, neste caso aparecendo apenas na teoria. Uma mais complexa análise é necessária para definição das causas e conseqüências da não utilização de Data Marts no projeto. Dependendo da natureza das aplicações, pode ser uma alternativa para a melhor condução e trabalho com informações. Por fim, Data Mining como uma variável congruente. A atenção reside no caso da empresa Desenvolvedora não conhecer a totalidade da ferramenta utilizada pela Firma-Cliente. Significa que a solução da Desenvolvedora proporciona minerar dados, embora a desenvolvedora até o momento da pesquisa não ter detectado este tipo de prática efetuada

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pelo cliente. Trata-se de uma questão de comunicação, ou da falta de comunicação entre as empresas quanto ao modo de operação. Como principais pontos de relacionamento entre os conceitos trabalhados, denominados como variáveis tecnológicas do CRM, o primeiro ponto de convergência que aparece é a importância dos dados de clientes e da qualidade destes. O grande repositório de dados é na verdade a soma dos agrupamentos de dados por área. A vantagem do grande depósito de dados reside no momento da pesquisa em casos de uma análise geral da organização. Já quando os assuntos estratégicos dizem respeito a uma determinada área, são os depósitos, como os referentes aos dados de marketing, que melhor e mais rapidamente atendem aos objetivos analíticos. Por sua vez, para uma adequada mineração de dados, é preciso aplicar este ferramental em depósitos de dados adequadamente inseridos e corretos. A diferenciação das firmas diante dos processos para mineração de dados é perceptível, já que além de proporcionar um completo histórico de clientes pode ainda servir para a simulação dos próximos movimentos de compra dos clientes. Nestas análises podem ser utilizados diversos critérios, como ordenar clientes por freqüência ou por valores transacionais, além de estabelecer em linhas gerais as suas características individuais. O poder preditivo das ferramentas de mining é especialmente significativo para a elaboração e desenvolvimento dos programas de marketing. Práticas de CRM proporcionam para todos os tipos e portes de organização a capacidade de melhorar o relacionamento com os clientes. Como uma das limitações do trabalho, a natureza do Estudo de Caso Único, não permitindo generalizações apesar de evidenciar um fenômeno real (YIN, 2001). Uma alternativa é a continuidade da aplicação destes preceitos e estruturas de pesquisa em outras empresas, noutras realidades e contextos. Também limitador é o corte temporal da pesquisa, que não contempla resultados tão significativos quanto os de estudos longitudinais. Todavia, a apresentação dos indicadores propostos representa um primeiro passo na construção de blocos de análise mais robustos. Abrem-se oportunidades para que trabalhos futuros tenham como referência algumas das ponderações e conceitos aqui projetados. Referências ANGELO, Cláudio Felisoni; GIANGRANDE, Vera. Marketing de Relacionamento no Varejo. São Paulo: Atlas, 1999. BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BERRY, Leonard L. Relationship Marketing of Services: Perspectives from 1983 and 2000. Journal of Relationship Marketing, v.1, n.1, p.59-77, 2002. BOLTON, Karen; STEFFENS, Jeffery. Analytical CRM: A Marketing-Driven Organizational Transformation. E-Loyalty Corporation: Optimizing Customer Interactions, p.1-20, 2004. BOYD, Harper W.; WESTFALL, Ralph. Pesquisa Mercadológica: textos e casos. Rio de Janeiro: USAID, 1964. BRETZKE, Miriam. Marketing de Relacionamento e Competição em Tempo Real. São Paulo: Atlas, 2000. BROWN, Stanley A. CRM Customer Relationship Management: uma ferramenta estratégica para o mundo do e-business. São Paulo: Makron Books, 2001. DAY, George S.; BULTE, Christophe V. Superiority in Customer Relationship Management: consequences for competitive advantage and performance. Marketing Science Institute, Research I. M. C. for T. I. at the Wharton School, p.1-49, 2002. DWYER, F. Robert; SCHURR, Paul H.; OH, Sejo. Developing Buyer-Seller Relationships. Journal of Marketing, v.51, p.11-27, 1987. FLETCHER, Keith. Consumer Power and Privacy: the changing nature of CRM. International Journal of

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Novas tecnologias para a fabricação de calçados Roberto Naime (FEEVALE) rnaime@feevale.br Luiz Carlos Robinson (FEEVALE) luiz.robinson@feevale.br Resumo: O setor calçadista é um segmento industrial de tecnologia simples e uso intensivo de atividade manual, sendo organizado em geral em função de sua cadeia produtiva. Esta indústria é ainda competitiva no Brasil, mas sofre cada vez mais concorrência dos países asiáticos em função da disponibilidade de mão de obra. O mercado consumidor está percebendo e valorizando a preservação ambiental, não aceitando mais qualquer tipo de produto, particularmente nos segmentos de maior poder aquisitivo. Existe uma postura exigindo atitudes de preservação ambiental e de sustentabilidade ampla envolvendo todos os produtos do setor. A fabricação de calçãdos, com ampla variedade de materiais e processos também passa por uma análise de todo seu conjunto, havendo uma enorme demanda por novas atitudes e ações. Por isso existem novas tecnologias emergentes em materiais e processos para a fabricação de calçados. Este trabalho apresenta e discute algumas das mais relevantes tendências de mercado. Mesmo em condições adversas, existem algumas iniciativas que tem grande respaldo técnico e amplas possibilidades de implantação em um horizonte de tempo relativamente curto. As empresas que tem iniciativas de minimização na geração de resíduos, economizando matérias primas e recursos naturais e a preocupação em reutilizar os materiais, tanto após a fabricação quanto ao final do ciclo de vida do produto tem uma importância ainda não avaliada pelos atores sociais que constituem o segmento econômico. Palavras-chave: calçado, tecnologia, baixo impacto ambiental 1. Introdução Cerca de 40% da produção nacional de calçados e cerca de 85% dos calçados de couro exportados pelo Brasil em 1999 tem sua produção concentrada no Estado do Rio Grande do Sul. Dados estatísticos desta época apontam cerca de 140.000 empregos diretos que foram declinando desta época em diante em função da apreciação do real frente ao dólar americano (REICHERT, 2004). As principais cidades do vale do Rio dos Sinos no RS, fundadas por imigrantes alemães no século retrasado, foram o berço da indústria calçadista (PICCININI, 1995). Os colonos, procurando alternativas para as dificuldades no setor agrário, associavam à sua atividade agrícola, o trabalho artesanal do couro, inicialmente confeccionando produtos como selas e arreios e, posteriormente, calçados. O setor de calçados representa uma indústria de tecnologia simples (FRACASSO, 1995) com uso de mão de obra intensiva, organizada especialmente em função de sua cadeia produtiva. É uma indústria que no Brasil ainda é competitiva em nível internacional, característica que é importante num contexto de mercado globalizado. Com a conclusão a linha de trem entre Novo Hamburgo e Porto Alegre, houve grande impulso no comércio de calçados, fazendo com que Novo Hamburgo se tornasse um centro comercial da região, atraindo trabalhadores e comerciantes. Em 1920 Novo Hamburgo já abrigava 1180 empregados no setor, em 66 fábricas onde se produziam principalmente

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sandálias, que eram vendidas para todo o país. De 1930 a 1950, a indústria calçadista se estendeu por todas as cidades do Vale do Sinos. A partir do final da década de 60 o setor calçadista impulsionado pela criação da Feira Nacional do Calçado (FENAC) entrou em expansão. A partir do final da década de 60, o setor coureiro-calçadista gaúcho passou a atuar com força no comércio exterior. Entre 1973 e 1984 ocorreu uma explosão de exportações, incentivadas pelo Governo através de benefícios fiscais, como isenção de ICM - Imposto sobre Circulação de Mercadorias e IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados (VECCHIO, 2003). Mesmo com as crises conjunturais cíclicas, o cluster formado pelo setor calçadista ainda mostra vigor e uma relevante produção residual de calçados para exportação ainda resiste. A cadeia de couros e calçados no Brasil, segundo CORREA (2001) é constituída de aproximadamente 450 curtumes, 6.000 fabricantes de calçados, 110 fabricantes de máquinas e equipamentos, 1.100 produtores de componentes para calçados e 2.300 empresas fabricantes de artefatos de couro. A fabricação de calçados produz muitos impactos sobre o meio ambiente. Os couros curtidos ao cromo, são materiais classificados como classe I segundo a ABNT (NBR 10.004 de 2.003) e seus resíduos são constituintes que devem merecer tratamento compatível, tanto os resíduos gerados durante a fabricação quanto o próprio calçado após a finalização de sua vida útil. Os principais resíduos gerados pela fabricação dos calçados segundo os modelos convencionais que utilizam basicamente couro no cabedal, são as aparas de couro, aparas de solas sintéticas e material plástico. Estes resíduos geralmente são de difícil degradação (aparas curtidas, elastômeros e sintéticos). A destinação final, muitas vezes irregular destes resíduos tornou-se o maior problema ambiental dos pólos coureiros-calçadistas do Brasil (ARCHETTI e SALVADOR, 1998). No vale do Rio dos Sinos, este problema tem sido minimizado, pela operação de modernas centrais de resíduos em geral pelas Associações Comerciais ou Sindicatos de empresas calçadistas. Atualmente se observa a introdução de uma quantidade relevante e expressiva de novos materiais biodegradáveis para a confecção de cabedais, num movimento que já constitui uma tendência muito concreta. O couro ainda traz vantagens sobre os outros materiais, pois tem alta capacidade de moldar-se a uma forma, boa resistência ao atrito e maior vida útil, aceitando todos os tipos de acabamentos e permitindo boa transpiração do pé. No entanto, o desenvolvimento tecnológico já está criando alternativas muito relevantes. É importante ressaltar que a maioria dos resíduos (cerca de 85%) estão no beneficiamento do couro cru até wet blue, sendo que deste estágio até o sapato final são produzidos os outros 15% de resíduos (JÚNIOR, 2004). 2. Trabalhos anteriores O consumidor final dos mercados não aceita mais produtos de qualquer tipo e forma, particularmente nos mercados com maior poder aquisitivo. Há uma exigência por uma nova e diferenciada postura de conservação ambiental e sustentabilidade em todos os produtos de consumo. A fabricação de calçados, que se utiliza de materiais e processos dos mais variados, não poderia ficar de fora de uma análise mais detalhada sobre o impacto ambiental que os seus produtos causam. Diversas mudanças afetaram as economias no Brasil e no mundo nas últimas décadas. Diversos estudos, como o de Francischini et al (2003), relatam estes fatos de forma bem clara:

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“O início da década de 1990 foi marcado por importantes mudanças no ambiente competitivo do qual participam as empresas brasileiras. Os setores da indústria brasileira e as empresas que os compõem sentiram de forma diferenciada os impactos desse novo ambiente competitivo. Nele as empresas que fazem parte do setor calçadista passaram a adotar importantes estratégias de reestruturação e organização da produção como meio de manutenção da competitividade nos mercados nacional e internacional.”

Relatório emitido pela FEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental) do Rio Grande do Sul em 2003, expressa a grande quantidade de resíduos industriais gerados pela indústria do couro e calçado. O Quadro 1 apresenta os setores e a quantidade de resíduos gerados anualmente. QUADRO 1 – Distribuição da quantidade de resíduos sólidos industriais perigosos gerados por setor industrial (em t/ano). SETOR INDUSTRIAL QUANTIDADE (t/ano) Couro 118.254 Mecânico 20.800 Metalúrgico 20.624 Químico 18.232 Papel 2.291 Borracha 1.504 Bebidas 1.347 Madeira 1.261 Têxtil 1.214 Diversos 1.027 Elétrico;eletronico 962 Plástico 940 Alimentar 490 Minerais não metálicos 123 Fumo 123 Gráfico 52 TOTAL 189.203 Fonte: Relatório FEPAM (2003)

Os principais pólos calçadistas, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (ABICALÇADOS), estão localizados em diversas regiões do país, como nas cidades do Vale do Sinos, Paranhana e Serra (Rio Grande do Sul); São João Batista (Santa Catarina); Birigui, Jaú e Franca (São Paulo); Juazeiro e Crato (Ceará); Nova Serrana (Minas Gerais); Campina Grande (Paraíba) além de diversas empresa isoladas nestes estados e também destaque para as localizadas no estado da Bahia, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro (empresas de pequeno porte) e Espírito Santo (ABICALÇADOS, 2008). Atualmente, se disseminam cada vez mais os conceitos do Ecodesign, termo que significa criação ecológica ou criação com respeito ecológico. Muito se deve ao fato característico dos nossos sistemas de produção estarem focados no sistema montado ou ensacado (também chamado de Strobel) que se caracterizam pela inserção do solado ao cabedal através de adesivo, o que dificulta em muito a sua desmontagem para posterior reaproveitamento ou reciclagem. Por isto, o foco deste trabalho é avaliar uma série de procedimentos, incluindo substituição de materiais e processos na fabricação de calçados de baixo impacto ambiental, destacando-se materiais biodegradáveis (com decomposição natural). Foram pesquisados procedimentos desta natureza com protótipos confeccionados com materiais e processos de baixo impacto ambiental ou biodegradáveis.

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Os principais componentes inseridos nestes calçados utilizam o couro, os têxteis e os laminados sintéticos como matéria-prima principal do cabedal (parte superior do calçado), além de diversos complementos como couraças, contrafortes, entretelas, materiais de reforço, linhas de costura, adereços metálicos e plásticos, entre outros (ROBINSON, 2002). Na parte inferior do calçado, utilizam-se solas, saltos, tacões e entressolas de materiais elastoméricos e plásticos, além da madeira, ainda muito comum nos dias atuais. Também podemos citar os complementos da construção inferior dos calçados, como as palmilhas de montagem que em sua construção recebem a celulose ou plásticos mais um reforço metálico (ROBINSON, 2003). Ainda assim, a combinação entre estes materiais, aliado a uma caracterização própria em função da construção ou especificidade de cada calçado, fazem com que um calçado seja fabricado com toda esta mistura de materiais (ROBINSON, 2003). Em função disto, não podemos nos esquecer dos adesivos, essenciais na construção destes calçados e responsáveis pela fixação dos diferentes componentes entre si. Aí se utilizam adesivos em meio solvente, em meio aquoso, fílmicos, PSA (adesivos sensíveis à pressão) e hot melt (cola quente, sem solventes). Já existem empresas, apoiadas em diversos projetos pela Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (ASSINTECAL), tradicional entidade de classe que representa as indústrias de componentes, apresentaram os seus produtos com o enfoque ecológico, principalmente na utilização de matérias-primas de fonte renovável em substituição às matérias-primas tradicionais (ASSINTECAL, 2009). Destacam-se entre os materiais pesquisados os adornos fabricados com madeira de reflorestamento, a utilização das fibras de bambu (viscose de bambu) em substituição ao poliéster e poliamida, derivados do petróleo e adesivos para preparação sem solventes orgânicos. Existe um protótipo de calçado desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) do Rio Grande do Sul com um forte apelo ecológico denominado de ‘calçado ecológico’ e que se utiliza desta alternativa para o desenvolvimento de calçados com menor impacto ambiental. Trata-se de uma alternativa pioneira no país. Foi desenvolvido um modelo masculino que se utiliza de um couro sem cromo, tanto para cabedal como para o forro, curtido ao tanino vegetal e recurtido com aldeído glutárico; o contraforte é fornecido pelo fabricante, utilizando serragem de madeira e não gerando resíduos na fábrica de calçados. A entretela e a couraça são fabricadas com fibras de algodão, matéria-prima de fonte renovável e de grande produção no país e o adesivo aplicado na mesma é um hot melt de poliamida, sem solventes; o solado é matrizado e de borracha natural (NR) vulcanizada, matéria-prima de fonte renovável, de baixo desgaste e com grande aderência. Os adesivos de preparação, de montagem da lateral e de fixação da sola ao cabedal são de Poliuretano (PU) em meio aquoso, portanto sem solventes orgânicos e inorgânicos; as espumas são de um material conhecido como Biolátex, que se decompõe em menor tempo que as similares (em torno de 5 anos). O adesivo de montagem também é um hot melt de poliamida sem solvente; os atacadores são produzidos com fibras de algodão, matéria-prima de fonte renovável e os produtos de acabamento são todos em meio aquoso, sem a utilização de solventes orgânicos ou inorgânicos. A embalagem substitui os papéis utilizados para recobrir individualmente cada pé do calçado usando papel reciclado, que é também utilizado internamente como enchimento, para

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manter o formato do bico do calçado, No caso da caixa da embalagem, a mesma foi fabricada com cartonagem reciclada e bagaço de cana de açúcar. A sua modelagem contempla uma divisória fixa que dispensa o papel individual para embalagem. O enchimento é feito do mesmo material. As etiquetas de identificação são impressas em papel reciclado. A produção deste calçado inspirou a realização de um questionário aplicado para gerentes, técnicos, acionistas e “stakeholders” (partes interessadas) relevantes do setor coureiro-calçadista na FIMEC realizada no mês de abril de 2008 em Novo Hamburgo. Neste questionário são listadas 20 inovações mais relevantes na produção de calçado ecológico, envolvendo materiais e processos e são propostas variáveis de controle da aplicação destas inovações. O presente trabalho discute as inovações sugeridas e a natureza e influência das mesmas dentro das fábricas. A listagem completa está apresentada nos materiais e métodos. A Figura 1 a seguir ilustra um folder com a demonstração do produto acima descrito e desenvolvido pelo Centro Tecnológico do Calçado de Novo Hamburgo, pertencente ao SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) do Rio Grande do Sul.

Figura 1 – Calçado Ecológico desenv. pelo Centro Tecnológico do Calçado SENAI Fonte: www.senairs.org.br/ctcalcado

Na FIMEC de 2008 em Novo Hamburgo, foram ainda apresentados contrafortes e couraças fabricadas com resíduos de óleo de mamona, girassol e linhaça, matérias-primas estas em substituição aos derivados de petróleo, utilizados normalmente nos mesmos. Numa pesquisa realizada pelo Centro Tecnológico do Calçado de Portugal denominada de Shoe Materials – Footwear Advanced Materials foi contemplado o mesmo tema. Participaram deste projeto 10 empresas de componentes para calçados, 3 indústrias de calçados e 7 entidades de pesquisa e tecnologia do país. O objetivo principal, desenvolver e fabricar calçados que atendam os pré-requisitos do rótulo ecológico da Comunidade Européia. Outras iniciativas isoladas, como uma empresa de calçados do pólo de Franca, em São Paulo, que em 2001 desenvolveu uma modelagem de calçados com forte apelo ecológico. A utilização de matérias-primas de fonte renovável foi o principal foco desta coleção. O Greenpeace, entidade fortemente ligada ao meio ambiente, licenciou esta coleção. A Comunidade Européia, através da Commission Decision 2002/231/EC de 18 de março de 2002, com a finalidade de criar o rótulo ecológico para os calçados (The European

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eco-label for footwear), estabeleceu uma série de condições e propósitos para o desenvolvimento e fabricação de calçados, destacando-se os limites de poluição das águas durante o processo de fabricação, a redução da emissão de componentes voláteis durante a produção, o uso de embalagens recicladas, a limitação na presença de metais e formaldeído nos produtos finais e a completa exclusão de substancias prejudiciais ao meio ambiente e á saúde. Os critérios estabelecidos nesta resolução também visam a diminuição da geração de resíduos industriais e o seu adequado armazenamento além de reduzir consideravelmente a sua geração. A indústria calçadista tem características que evidenciam a necessidade de segregar os resíduos sólidos resultantes de sua atividade, pois estes materiais geralmente tem quantidade, tecnologia e preços para justificar sua separação para posterior reutillização ou reciclagem. Naime (2005), alerta para o fato de que toda a atividade humana produz rejeitos. Também orienta para os benefícios da segregação dos resíduos, particularmente do setor industrial, para favorecer a preservação ambiental. O mesmo trabalho também incentiva a separação do resíduo industrial visto que, a possibilidade da reciclagem e da reutilização dos mesmos diminui a utilização de matérias-primas de diversas fontes. Materiais como o EVA (acetato de etil vinila), causam sérios transtornos ao meio ambiente devido a sua dificuldade de reaproveitamento. Em artigo publicado na revista Polímeros, ZATERA et al (2005), destacam para o fato da indústria de calçados do vale do Sinos gerar uma grande quantidade deste tipo de resíduo. Carvalho (2008), alerta para o fato do conhecimento científico estar abaixo das necessidades para evitar danos ao meio ambiente a longo prazo. Destaca também que este período está muito próximo e que os danos ambientais, em função de uma sociedade cada vez mais globalizada e consumidora, que irá afetar toda a humanidade. 3. Materiais e métodos Foi elaborado e aplicado um questionário junto a gerentes, técnicos e acionistas de empresas para auscultar o nível de conhecimento e percepção em tecnologias emergentes em materiais de baixo impacto ambiental na produção e desenvolvimento de calçados. Este trabalho discute e justifica os itens apresentados neste questionário, baseados em experiências com a produção de calçados ecológicos, estudos bibliográficos e interação com empresas produtores e revendedoras de componentes para calçados. Segundo Hulley et al. (2003), “a escolha de que método usar é ditada por considerações de ordem prática; as entrevistas podem ser onerosas. Quando ambos os métodos são factíveis, a escolha geralmente depende das vantagens e desvantagens dos métodos, pesando o custo-benefício e a complexidade das questões a serem respondidas”. As tecnologias emergentes para a produção de calçados de baixo impacto ambiental que foram apresentadas neste questionário são aqui expostas, discutidas, historicizadas e justificadas. Muitas das questões propostas abrangem e refletem o dia-a-dia dos pesquisados em aspectos ligados ao cotidiano das rotinas e à percepção em relação ao assunto, podendo ser facilmente justificada sua inclusão na pesquisa sobre tecnologias emergentes em materiais e processos com baixo impacto ambiental na produção de calçados. O questionário da pesquisa está apresentado a seguir, no Quadro 2.

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QUADRO 2 – Questionário de pesquisa estruturado através de variante do método delphi prospecção em tecnologia – qualidade ambiental tecnologias emergentes em materiais com baixo impacto ambiental na produção e desenvolvimento de calçados

Tecnologia Emergente

01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20

Conhecimento do respondente sobre o assunto

Chances de uso comercial no mundo até 2010

Impacto sobre o produto

Uso em calçados de couros “free metal” (livres de metais) Uso em calçados de forros em couro semelhantes aos utilizados na parte externa do calçado Uso em calçados de tecidos fabricados com fibras naturais (algodão, rami, cânhamo, etc.) Uso em calçados de solados de borracha natural Uso em calçados de solados em couro Uso em calçados de solados fabricados com couro reconstituído (recouro) Uso em calçados de solados fabricados com EVA reciclado Uso em calçados de solados fabricados com PVC reciclado Uso em calçados de adesivos em meio aquoso (base d’água) na preparação de peças Uso em calçados de adesivos em meio aquoso (base d’água) na fixação de solados ao cabedal Uso em calçados de adesivos em meio aquoso (base d’água) no setor de pré-fabricado (solados e palmilhas de montagem) Uso em calçados de componentes (viras, fachetes, etc.) fabricados com couro reconstituído (recouro) Uso em calçados de espumas “biodegradáveis” Uso em calçados de couraças e contrafortes fabricados com matérias-primas obtidas de fontes renováveis Uso em calçados de couraças e contrafortes fornecidos prontos pela indústria de componentes e sem a geração de resíduos Uso em calçados de cadarços, gorgurões e atacadores fabricados com fibras naturais (algodão, rami, juta, cânhamos, etc.) Uso em calçados de palmilhas de montagem de matérias-primas obtidas de fontes renováveis ou de couro reconstituído (recouro) Uso nos calçados de acessórios (fivelas, enfeites) fabricados com matérias-primas renováveis ou de material reciclado Utilização de papéis reciclados no empacotamento dos calçados Utilização de embalagens fabricadas com materiais recicláveis

LEGENDA Legenda da primeira coluna: conhecimento sobre o assunto 1 2 3 4 5

Não tem conhecimento Conhecimento incipiente Conhecimento razoável sobre o tema Conhece bem o tema Tem pleno domínio sobre a tecnologia emergente

Legenda das demais colunas sobre tecnologias emergentes 1 2 3 4 5

Não tem possibilidades de uso comercial Tem poucas possibilidades de uso comercial Tem possibilidades razoáveis de uso Tem boas possibilidades de uso Necessita ser utilizada imediatamente

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Taxa de Difusão Tecnológica da aplicação descrita no Brasil


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4. Tecnologias emergentes em materiais e processos de baixo impacto ambiental para a produção de calçados A seguir são apresentados e discutidos os itens apresentados como tecnologias emergentes em materiais e processos de baixo impacto ambiental para a produção de calçados, em ordem numérica de acordo com o questionário para contemplar plenamente o escopo da investigação apresentada. 1 – A utilização de couros processados com curtentes livres de metais é uma possibilidade que está sendo utilizada por diversos curtumes. Couros curtidos com taninos vegetais e sintéticos, além de outros curtentes, como o glutaraldeído, são opções já em vigor para a produção de calçados masculinos, femininos e infantis, além da fabricação de calçados esportivos. Estes processos, com menor impacto ambiental, também colaboram com a produção de produtos com menor tempo de decomposição quando armazenados em aterros adequados e com menor contaminação dos solos. 2 – Forros para calçados produzidos com estes materiais apesar do custo maior em relação aos materiais sintéticos, tem as mesmas vantagens dos couros produzidos para cabedal e sofrem o mesmo raciocínio. 3 – A utilização de tecidos fabricados com fibras naturais, apesar do preço superior, tem diversas vantagens em relação aos tecidos fabricados com fibras artificiais e sintéticas. Fibras naturais tem melhores propriedades microbiológicas e o seu aspecto é mais agradável que outras fibras têxteis. Evoluções introduzidas na cultura do algodão, que acima de tudo é de fonte renovável, também tem contribuído para a produção de fibras têxteis com menor impacto ambiental. Exemplo disto é o algodão orgânico (sem a utilização de agrotóxicos e fertizantes químicas) e do algodão colorido, que dispensa as operações de tingimento e alvejamento, responsáveis por grande geração de efluentes líquidos. 4 – A Borracha Natural (NR) teve o seu ciclo renovado com constantes investimentos por diversas empresas. A matéria-prima em si permite a fabricação de solados mais aderantes, mais duráveis (com menor desgaste) e portanto com menor utilização de matérias-primas para a sua fabricação. A sua decomposição também é mais rápida e com menor agressão ao meio ambiente após o seu descarte. 5 - Solados de couro bovino, curtidos e recurtidos ao tanino vegetal, ainda representam status nos calçados em que estão inseridos, tanto masculinos como femininos. O seu curtimento, livre de cromo e outros metais, permitem a produção de solados (além de saltos, tacões, soletas, viras, fachetes, entre outros) com um acabamento diferenciado, embora utilizem maior mão-de-obra nas diversas fases do acabamento e produção. O seu descarte também gera menor impacto ao meio ambiente. 6 - A utilização de couro reconstituído (recuperado de couro) para a fabricação de solas apresenta diversos altos e baixos na indústria calçadista. Apesar da grande geração de resíduos sólidos pelos curtumes e fábricas de calçados, a matéria-prima ainda sofre com a incost6ancia das suas propriedades físico-mecânicas. Também apresentam, normalmente, baixa resistência à pisos molhados, sofrendo um desgaste acentuado. Apesar disto é uma matéria-prima interessante para a fabricação de palmilhas de montagem, viras, fachetes, entre outros. 7 – O EVA (etileno vinil acetato) tem se apresentado como um material leve, de ótimo aspecto e com boas propriedades físico mecânicas, apesar da grande maioria dos solados

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produzidos com este material ser utilizado em entressolas de calçados esportivos, pois sofre um desgaste muito grande quando em contato direto com o solo, além de perder facilmente a aderência em pisos molhados. Formulações “pobres” também tem descaracterizado o EVA ao longo dos tempos, principalmente quando da fabricação da primeira geração dos calçados esportivos para caminhadas, onde sofria uma deformação dinâmica muito alta e causava sérios transtornos físicos aos usuários. Reciclar o EVA tem se mostrado uma alternativa interessante para a diminuição da geração de resíduos, principalmente quando utilizado em solados de calçados de menor solicitação, como modinha, e também para a fabricação de outros produtos, como tapetes e jogos educativos. 8 – O PVC (poli cloreto de vinila) é um dos materiais plásticos mais reciclados no Brasil, embora este processo seja extremamente artesanal, envolvendo diversas cooperativas de catadores, onde o trabalho se mostra bastante insalubre. Solados de PVC reciclado são conhecidos como PVC Micro e sofreram diversos avanços nos últimos anos. Antes, somente utilizados em sapatos baratos, também são utilizados em calçados femininos de alta moda, pois, como já comentado, várias melhorias foram incrementadas nos processos de obtenção destes solados. 9 – O consumo de “colas” e adesivos na indústria de calçados continua em alta, apesar dos avanços tecnológicos nos equipamentos de produção de calçados. A troca dos adesivos em meio solvente (as chamadas colas sintéticas) por adesivos em meio aquoso (base d`água) tem sofrido muitas desconfianças ao longo dos anos. Inicialmente devido ao seu preço mais elevado (em torno de 3 vezes) e também com as dificuldades de secagem, baixa resistência dos adesivos em baixas temperaturas e também da baixa resistência inicial e final. Porém, os avanços nestes adesivos tem mostrado que, embora ainda não possam ser utilizados em couros hidrofugados (resistentes a água), tem apresentado ótimas propriedades físicomecânicas. Outro ponto positivo é a quantidade na aplicação, em torno de 1/3 dos adesivos em meio solvente, o que já demonstra um grande avanço na utilização de matérias-primas, além das qualidades das colagens, sem esquecer do odor, que diminui consideravelmente em relação aos adesivos em meio solvente. E a preparação de calçados foi um dos últimos setores da produção de calçados em que estes adesivos estão sendo implantados com estas novas características e propriedades. 10 – Como já comentado no item anterior, os adesivos em meio aquoso estão sendo cada vez mais utilizados na fabricação de calçados, principalmente os calçados para exportação e os esportivos, muito em função dos importadores, principalmente europeus, que estão cada vez mais preocupados com os danos causados ao meio ambiente pelos calçados descartados. Inicialmente os maiores empecilhos para a utilização destes adesivos eram o preço, a aplicação, o tempo de secagem e a instabilidade em baixas temperaturas, o que dificultava o seu uso e mexia nas linhas de produção, aumentando-as consideravelmente. Porém, com grande investimentos em tecnologias nos equipamentos e nos adesivos, hoje este problema está superado. As colagens estão cada vez mais seguras e as linhas de produção ocupam os mesmos espaços e os mesmos equipamentos que os adesivos em meio solvente, que estão perdendo o seu espaço. 11 – Talvez por grande maioria das empresas ter terceirizado a fabricação de solas e palmilhas pré-fabricadas, este setor ainda não incorporou totalmente os adesivos em meio aquoso, embora estejam disponíveis e as empresas fabricantes aptas a fazerem modificações em suas formulações para atender as suas especificidades. Calçados 100% produzidos com adesivo em meio aquoso não trazem o tradicional cheiro de adesivos em meio solvente, importante principalmente para calçados infantis.

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12 – Viras e fachetes já utilizam ha bastante tempo estes componentes com matériasprimas de couro reconstituído. Além de terem preços mais acessíveis apresentam uma maior homogeneidade no acabamento. Quando utilizados em viras apresentam como limitação a utilização em calçados com bicos muito finos, pois além de dificultarem a fixação, racham com facilidade. Já para fachetes é necessário a colocação de outro material, o não-tecido, para destacar os frisos característicos dos mesmos. 13 – Espumas são utilizadas em diversas partes dos calçados. Em palmilhas internas, além de proporcionarem uma sensação de maciez e conforto, também tem a função de absorver o impacto no caminhar. Importantíssimo em calçados femininos. Em calçados esportivos é muito utilizado em dublagens (nylon pára-quedas). Em calçados masculinos é muito utilizado em calçados do tipo mocassin e sapatênis, onde também é colocada no colarinho dos calçados. Espumas biodegradáveis são muito bem vindas como componente de calçados, principalmente devido a grande variedade de materiais e formulações, o que causa diversas composições de materiais nos calçados. 14 – Couraças e contrafortes já há bastante tempo utilizam materiais com menor agressão ao meio ambiente para a sua composição. São adesivos do tipo hot melt (cola quente) sem solvente e atualmente também sem suporte, o que dificultava a sua reciclagem. Também a substituição das matérias-primas tradicionais por materiais de fonte renovável vieram trazer um novo alento aos materiais. 15 - Porém nada se compara com os processos de produção fechados, onde o fornecedor, além de utilizar as tecnologias descritas acima, se responsabiliza por todo o processo de produção e preparação destes componentes. Desta forma, a geração de resíduos praticamente não existe, pois possibilita todo o reaproveitamento dos mesmos. 16 – Cadarços, gorgurões e atacadores, tradiconalmente fabricados com fibras sintéticas e naturais também podem ser fabricados com matérias-primas com menor impacto ambiental, desde que os mesmos respeitem as mesmas condições utilizadas nos tecidos. Utilizar algodão orgânico, rami, juta, cânhamo, entre outras fibras naturais, complementam bem o conceito de produção destes artigos. A preparação dos mesmos para que tenham propriedades físico-mecânicas próximas ou melhores que os materiais tradicionalmente utilizados. 17 – As palmilhas de montagem também podem ser fabricados com matérias-primas de fontes renováveis e de baixo impacto ambiental. As mesmas, tão essenciais na construção dos calçados, ficam escondidas no meio dos calçados. Porém as mesmas são tão essenciais quanto os demais componentes dos calçados. As matérias-primas mais utilizadas são a celulose, o recuperado de couro e também os não-tecidos com fibras naturais (mais recomendadas para atender a estes conceitos). 18 – Fivelas, ilhoses, rebites e outros enfeites são encontrados normalmente em metais e ligas metálicas diversas além de diferentes materiais plásticos. Estes materiais, quando em metais ou ligas metálicas, recebem uma grande quantidade de acabamentos de proteção e visuais, o que pode causar sérios problemas no seu descarte. Algumas empresas optam por utilizarem materiais que não necessitam de acabamentos adicionais ou ainda livres de alguns acabamentos, como o niquelado, tão proibido em calçados para exportação, principalmente para a Europa. Outra possibilidade é a utilização de enfeites produzidos com materiais de fonte renovável, como sementes e madeiras obtidas em florestas com manejo correto. Nestes casos os acabamentos também podem ser em meio aquoso, sem a utilização de solventes, o que facilita a sua biodegradabilidade sem afetar o meio ambiente.

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19 – Papéis reciclados, fora para as tradicionais “buchas” de enchimento, ainda são pouco utilizados para o empacotamento de calçados, embora não causem danos aos mesmos. Alguns poucos fabricantes até utilizam este recurso para diminuir o consumo de matériasprimas novas. O que mais preocupa é a quantidade de papeis e plásticos utilizados para embalar um par de calçados. Um exagero. Em muitos casos, para um par de calçados, são utilizados duas “buchas” de enchimento, dois papés de “seda”, com serigrafias, um papel divisor (gramatura 150 a 200), duas varetas de plástico, dois reforços de plástico ou papel divisor, também de gramatura alta. Em botas femininos a quantidade de papel divisor ou de material plástico para armação é bastante considerável. 20 – Caixas de embalagem já utilizam matérias-primas recicladas há bastante tempo. O que mais preocupa é a quantidade de papeis que são fixadas em suas superfícies, além das estampas, grampos, fitas de arquear, fitas plásticas coloridas, entre outros. 5. CONCLUSÕES São grandes os desafios impostos pelo conceito de sustentabilidade. É necessário conciliar a conservação ambiental, com eficiência econômica e justiça social. A aplicação deste conceitos sofre dificuldades conjunturais enormes no setor calçadista. Porque neste setor, onde a atividade manual na fabricação dos artefatos de couro em geral e nos calçados em particular é muito importante, o país sofre a influência crescente de uma concorrência com os enormes contingentes populacionais de China e Índia, sem a devida equivalência na constituição dos princípios da rede de proteção social. Além deste fato é necessário considerar a crescente apreciação da moeda brasileira diante do dólar e do euro e a crise conjuntural que acomete todos os países em função da desregulamentação e selvageria dos mercados financeiros. É neste contexto que tem que serem analisadas as tecnologias emergentes em materiais e processos para a produção de calçados. A interpretação fora deste contexto fica extremamente debilitada. Portanto é possível concluir que mesmo em condições adversas, existem algumas iniciativas que tem grande respaldo técnico e amplas possibilidades de implantação em um horizonte de tempo relativamente curto. É muito importante ressaltar que o setor de produção de calçados e artefatos de couro tem plena consciência de que uma nova realidade se instala nos mercados consumidores, onde conservação do meio ambiente ganha cada vez maior visibilidade junto aos consumidores finais. No setor coureiro-calçadista a questão mais visível quanto a preservação ambiental é a gestão dos resíduos sólidos. Evidentemente a nível de curtumes se sabe que a questão do consumo racional dos recursos hídricos e do tratamento de efluentes também são itens relevantes. E tanto nos curtumes quanto fábricas de calçados a eficientização energética está na ordem do dia. Mas é na questão da gestão de resíduos que reside a maior percepção dos consumidores. Iniciativas de minimização na geração de resíduos que significa também economia de matéria-prima e de recursos naturais, reutilização de materiais e reciclagem de tudo que for possível após o final do ciclo de vida do produto (“life cycle assessment”) começam a ter uma importância ainda não avaliada pelos atores sociais deste segmento.

Referências ABICALÇADOS – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DE CALÇADOS. Estatísticas. 2008.

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Disponível em: www.abicalcados.com.br. ABNT – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Norma Brasileira N.º 10004. Rio de Janeiro, RJ. ABNT: 2004, 80 p. ARCHETTI, E. M. E. e SALVADOR, N. N. B. Minimização dos resíduos industriais em Franca. II Simpósio Internacional de Qualidade Ambiental – Gerenciamento de resíduos e certificação ambiental, 1998. ASSINTECAL – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMPRESAS DE COMPONENTES PARA COURO, CALÇADOS E ARTEFATOS. Informação Setorial. 2009. Disponível em: www.assintecal.org.br. CARVALHO, D. W. Dano Ambiental Futuro – a responsabilização civil pelo risco ambiental. Rio de Janeiro. Forense Universitária. 2008. 180p. CORREA, A. R. Panorama da Indústria Brasileira de Couros e Calçados, BNDES Setorial, Rio de Janeiro n 14, 65 a 92, set 2001. COSTA, A. B. PASSOS, M. C. A indústria calçadista no Rio Grande do Sul. São Leopoldo: UNISINOS, 2004. 120p. FEPAM (Fundação Estadual de Proteção Ambiental). Relatório sobre a geração de resíduos sólidos industriais no estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre- FEPAM: 2003. 26p. FRACASSO, E. Apresentação. In: FERSTERSEIFER J. (Org.) O complexo coureiro-calçadista em perspectiva: Tecnologia e Competitividade. Porto Alegre; Ortiz, 1995, p 7 e 8. FRANCISCHINI, A. S. N.; AZEVEDO, P. F. A. Estratégias das empresas do setor calçadista diante do novo ambiente competitivo: análise de três casos. Gestão da Produção, v.10, n.3. São Carlos, dezembro de 2003. GORINI, A. P. F.; SIQUEIRA, S. H. G. Complexo coureiro-calçadista nacional: uma avaliação do programa de apoio do BNDES. Brasília – BNDES: 2008. 40p. HULLEY, S. B. Delineando a Pesquisa Clínica. 2 ed. Porto Alegre. Artmed, 2003. Informe analítico da Situação da Gestão Municipal de Resíduos Sólidos no Brasil – 2002. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br/ >. Acesso em: 24 agosto 2006. JÚNIOR, O. C. Tecnologia e Proteção Ambiental nas indústrias de couro e calçados da região de Jaú – SP. Dissertação de Mestrado.Centro Universitário de Araraquara, 173p, 2.004. NAIME, R. Gestão de Resíduos Sólidos – Uma abordagem prática. Novo Hamburgo. Feevale, 2004. 136p. PICCININI, V. e ANTUNES, E. D. D. Trajetória e estratégias sindicais dos sapateiros do Rio Grande do Sul. Revista Eletrônica de Administração. Porto Alegre. UFRGS ed. 6 v. 3 n 2 ago 1997. REICHERT, I. K.. Desempenho do sistema de gestão ambiental do Centro Tecnológico do Couro Senai 2002/2003. 2004. [5] f. Monografia (Pós-Graduação em Gestão da Produção) - Centro Universitário Feevale, Novo Hamburgo-RS, 2004 REICHERT, I. K.; SCHMIDT, M. R. Aplicação do conceito de ecodesign em calçados. DOSSIË TÉCNICO. Novo Hamburgo: SENAI, 2006. 17p. (disponível em www.sbrt.ibict.br e acessado em 12.04.2008) RÉVILLON, A. S. P. A utilização de pesquisas exploratórias na área de marketing. In: Encontro Nacional da ANPAD, 2001, Anais... Campinas(SP) ENANPAD, 2001. ROBINSON, L. C. Controle da Qualidade. 2.ed. Porto Alegre: SENAI, 2002. 144p. ROBINSON, L. C. Materiais + Fácil. 2.ed. Porto Alegre: SENAI, 2003. 156p. SERRANO, C. L. R. Mapeamento dos Resíduos Poliméricos Produzido pela Indústria Calçadista na Região do Vale do Rio dos Sinos, in Anais do 6º Congresso Brasileiro de Polímeros, Gramado, p.1796-1799 2001). SUZIGAN, W.; FURTADO, J.; GARCIA, R.; SAMPAIO, S. E. K. A. Indústria de Calçados de Nova Serrana (MG). Nova Economia.v.15 n.3 Belo Horizonte set./dez.2005 VECCHIO, R. A. Autonomia para a competitividade: o futuro da indústria coureiro calçadista no Rio Grande do Sul. Revista Eletrônica de Administração. Porto Alegre. UFRGS. Ed ed 31 v. 9 n 1 jan-fev 2003. ZATTERA, A. J; BIANCHI, O.; ZENI, M.; FERREIRA, C. A. Caracterização de resíduos de copolímeros de etileno-acetato de vinila – EVA. Polímeros v.15 n1 São Carlos Jan/Mar 2005

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AGRADECIMENTOS Ao Instituto de Ci锚ncias Exatas e Tecnol贸gicas da Feevale e ao Mestrado em Qualidade Ambiental pelo suporte a este projeto de pesquisa.

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Análise dos custos com materiais diretos numa organização hospitalar Paulo Cesar Souza (UNEMAT) paulobbg@unemat.br João Henrique Gurtler Scatena (UFMT) jscatena@terra.com.br Leandro Silva Medeiros (UNEMAT) le1008@hotmail.com Resumo: A correta avaliação e controle dos materiais diretos é fundamental para a gestão de custos em hospitais. Num cenário de escassez de recursos, a contabilidade se mostra uma ferramenta indispensável na busca pela eficiência dessas organizações. Este trabalho apresenta parte dos resultados de um estudo de caso com abordagem quantitativa realizado num hospital público do interior do Estado de Mato Grosso no período de 15/10 a 14/11/2008. Os dados demonstraram que os custos com materiais diretos tem uma representatividade significativa em relação aos custos totais (16,33%). Conclui-se que esse tipo de custos pode reduzido mediante a aplicação da contabilidade objetivando avaliar e controlar devidamente seu consumo. Assim, o conhecimento desses custos, bem como seu efetivo controle, são fatores indispensáveis no processo de gestão de custos hospitalares. Palavras-chave: Gestão de custos; Contabilidade de Custos; Custos hospitalares. 1. Introdução O atual cenário econômico mundial apresenta uma realidade de escassez de recursos. Em contrapartida, as necessidades quanto aos serviços de saúde tendem a crescer constantemente. Um exemplo disso é o surgimento de novas doenças como a chamada “gripe suína”, demandando a aplicação de mais recursos em pesquisas e no combate direto à doença. Tais ocorrências têm forte impacto nos custos de manutenção dos serviços de saúde, em especial dos hospitais. Diante dessa realidade, destaca-se a importância da aplicação da contabilidade de custos no âmbito das organizações hospitalares, como um instrumento de auxílio ao controle e ajuda no processo de tomada de decisão (MARTINS, 1996). Segundo Falk (2008), a aplicação da contabilidade de custos possibilita a chamada análise de custos, a qual é uma ferramenta gerencial que propicia melhoria no desempenho da organização, fornecendo as informações necessárias para a tomada de decisões objetivas visando diminuição de gastos, aumento na receita, ou ambos. De forma geral, os custos das organizações hospitalares, assim como de outras organizações, são classificados em diretos e indiretos. Os custos diretos “podem ser diretamente apropriados a um objeto de custo, bastando haver uma medida objetiva de consumo”. Já os custos indiretos “não podem ser diretamente apropriados a um objeto de custo, senão por meio de rateios estimados e arbitrários” (CHING, 2001). Assim, a soma desses dois elementos faz a instituição chegar ao conhecimento dos seus custos totais. Os custos diretos, segundo Bruni e Famá (2004) são compostos basicamente por dois itens: materiais diretos e mão-de-obra direta. Numa organização hospitalar, os custos diretos e dentre estes, o custo com materiais diretos tem uma expressiva representatividade em relação aos custos totais. Sendo assim, deve ser dada a devida atenção quanto à avaliação e controle desse importante componente dos custos totais. Em virtude da importância do custo com materiais diretos no âmbito das organizações

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hospitalares, este trabalho se propõe a apresentar uma análise dos custos com materiais diretos com base nos dados oriundos de um estudo de caso realizado num hospital público do interior do estado de Mato Grosso. 2. Materiais diretos: definições e aspectos relevantes Definindo os materiais diretos numa visão voltada mais especificamente para empresas privadas do ramo industrial, Bruni e Famá (2004), afirmam que “o material direto, ou simplesmente MD, é formado pelas matérias-primas, embalagens, componentes adquiridos prontos e outros materiais utilizados no processo de fabricação, que podem ser associados diretamente aos produtos”. Como se pode notar, a definição não é tão completa, falando na verdade um pouco mais quais são os elementos que compõem os materiais diretos. Embora não seja perfeitamente aplicável a um hospital, ela pode facilitar a compreensão do que são os materiais diretos. Visualizando-se os serviços hospitalares como um produto do processo de produção de serviços, conclui-se que os materiais diretos são todos os materiais gastos que podem ser associados diretamente aos serviços prestados. Melhorando essa adaptação da definição, e utilizando-se da definição de custo direto de Ching (2001) apresentada na introdução, seria mais correto dizer que os materiais diretos são todos os materiais gastos que podem ser associados diretamente ao objeto de custo. O objeto de custo é entendido como “qualquer coisa de que se deseja medir o custo ou que necessite de uma medida de custo separado” (CHING, 2001). Assim, no caso do hospital, pode-se desejar conhecer o custo por exame, paciente-dia, procedimento, enfermidade, clínica ou por centro de custo. Desse modo, a classificação do custo com materiais em direto ou indireto vai depender de uma definição prévia de qual é o objeto de custo pretendido. Apresentando uma definição de materiais diretos voltada para hospitais, Mattos (2007) os definem como sendo os materiais aplicados na produção e que em razão de sua natureza tem sua utilização limitada no tempo. Os materiais diretos podem ser também chamados genericamente de materiais de consumo. O Manual Técnico de Custos (MS, 2006), sugere que os custos hospitalares sejam agrupados em três grupos: material de consumo, pessoal e encargos e serviços de terceiros. Os materiais diretos podem também ser classificados de acordo com seu tipo para facilitar o controle e a mesuração do consumo. Assim, Mattos (2007), sugere a classificação dos materiais diretos nos seguintes tipos: material de expediente, material de enfermagem, material de limpeza, material de laboratório, material radiológico, gêneros alimentícios, materiais para manutenção e conservação, material de rouparia, impressos, material ortopédico, material cirúrgico, drogas e medicamentos, gases medicinais, combustíveis, lubrificantes e gás GLP. Para Matos (2002) os materiais diretos compreendem os gastos com medicamentos, material médico-cirúrgico, gases medinais, gêneros alimentícios, material de consumo, combustíveis e lubrificantes. Ao falar sobre as informações necessárias ao processo de apuração de custos hospitalares, Beulke e Bertó (2008) dividem essas informções em informações de natureza física e de natureza monetária. Essas informações são subdivididas ainda em: materiais, pessoal, depreciação, custos gerais e custos de comercialização. O grupo dos materias se referem aos materiais diretos, assim como os indiretos. A informação mais importante desse

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grupo é a informação monetária, ou seja, quanto foi consumido de materiais diretos para o objeto de custo escolhido. Segundo Martins (1996), nas organizações em geral, assim como em organizações hospitalares, a administração dos materiais diretos faz surgir alguns problemas, os quais podem ser dividos em três campos: avaliação, controle e programação. Para os fins desse trabalho, destaca-se a seguir dois desses campos: avaliação e controle. 2.1 Avaliação dos materiais diretos Quanto à avaliação dos materias diretos, Martins (1996) afirma que o principal problema se refere à qual montante atribuir quando várias unidades são compradas por preços diferentes. Além dessa questão, há muitas vezes a dúvida quanto a quais valores irão compor o custo do material direto, se apenas o valor pago pelo produto ou também os impostos e fretes. A resposta à última questão nos remete a um assunto que é motivo ainda de grandes discussões no âmbito contábil, a questão da avaliação do ativo. Um dos princípios contábeis geralmente aceitos tratam da avaliação do ativo, sendo que isso pode ajudar na resposta a essa questão. O princípio do custo original como base de valor estabelece que os “os ativos são incorporados pelo preço pago para adquiri-los ou fabricá-los, mais todos os gastos necessários para colocá-los em condições de gerar benefícios para a empresa” (IUDÍCIBUS, 1997). Assim, segundo Martins (1996), no caso de uma empresa industrial ou prestadora de serviços que adquire materiais para serem consumidos no processo produtivo, fazem parte do custo do material direto todos os gastos incorridos até seu consumo. Estes varios gastos podem ser: tranporte, segurança, armazenamento, impostos, gasto com liberação alfandegária, etc. Assim, em relação aos estoques, é muito importante a definição do método de avaliação dos mesmos quando ocorrem, em função da flutuação nos preços, variações nos preços unitários dos produtos. A forma de avaliação de forma ampla tem relação com o tipo de inventário utilizado no âmbito da empresa. O inventário é nada mais que a contagem física dos itens do patrimônio, e neste caso, o estoque de materiais. Segundo Marion (2002) existem duas formas básicas de realiazação do inventário: permanente e periódico. No inventário permanente há um sistema de controle de estoques que permite a obtenção das quantidades e valores de estoques em qualquer momento que se desejar. No inventário periódico, a contagem física e a consequente demonstração dos valores é realizada ao final de determinado período, geralmente um ano. Em virtude disso, muitas vezes algumas empresas fechavam suas portas no passado e colocavam um cartaz dizendo: fechado para balanço. No entanto, com a autilização de sistemas informatizados para controle dos estoques essa prática não é mais muito comum. Dessa forma, o inventário permanente ou periódico indicam apenas em que momento é possível obter as quantidades que entraram, foram consumidas ou ainda estão em estoque. Quanto ao valor a ser atribuído à unidade consumida quando existem em estoque produtos com preços diferentes, existem basicamente três métodos de avaliação dos estoques: PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair) ou (first in, first out), UEPS (último a entrar, primeiro a sair) ou (last in, first out) ou Custo médio ponderado (MATOS, 2002; MARTINS, 1996).

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No método PEPS, no momento do consumo faz-se a saida em primeiro lugar dos produtos que entraram primeiro. Considerando que em geral os produtos tem a tendência de ter preços crescentes, com esse método o custo pode ficar subavaliado, gerando resultados maiores. Assim, embora não seja vantajoso para o empresário, esse método pode ser utilizado para a apuração de resultados com fins fiscais. No caso da avaliação dos medicamentos, no entanto, há uma particularidade, verifica-se normalmente que são consumidos em primeiro lugar os produtos comprados primeiro, em virtude do prazo de validade, o que justificaria a utilização desse método. No método UEPS, no momento do consumo faz-se a saída em primeiro lugar dos produtos que entraram por último. Considerando a tendência de aumento no preço dos produtos, este método é bastante utilizado para fins gerenciais já que mostra os valores de custos sempre atualizados, praticamente a preço de mercado, já que todos são avaliados pelo preço dos últimos que entraram. Embora útil para fins gerenciais, para fins fiscais esse método não é aceito em virtude de produzir diminuição no resultado e consequentemente no valor dos tributos a serem recolhidos ao governo. Como alternativa intermediária está o método de custo médio. Nesse método, no momento da saída dos produtos do estoque considera-se como preço unitário a média ponderada de todos eles. Assim, evita-se os extremos dos dois outros métodos. Esse método é recomendado pelo governo para fins de apuração de resultados e recolhimento dos tributos. No âmbito da administração pública a lei 4.320/64 estabelece que os bens de almoxarifado devem ser avaliados pelo preço médio ponderado (MACHADO Jr. et. al., 1999). 2.2 Controle dos materiais diretos Quanto ao controle dos materiais diretos Martins (1996) diz que o problema se refere a como distribuir as funções de compra, pedido, recepção, uso, como inspecionar e verificar o efeitivo consumo. Segundo Bruni e Famá (2004), uma das opçõe para melhorar o sistema de controle dos estoques pode ser a classificação dos itens armazenados utilizando-se a classificação ABC do estoque. Nesse tipo de classificação os itens dos estoque são assim agrupados: Itens A: São os itens que representam elevado valor relativo, necessitando controle mais rigoroso, tornando necessário inventários mais frequentes: diários, mensais ou semanais. Itens B: Não tem valores tão representativos quanto os itens A, mas também representam elevada aplicação de recursos, podendo, assim, ser inventariados em uma frequencia menor: mensalmente, trimestralmente ou semestralemente. Itens C: Contém itens que são bastante numeros mas com pouco valor relativo e costumam ser inventariados somente no momento do balanço. Ressalta-se que a utilização de sistema informatizado pode auxiliar sobremaneira na questão do controle dos estoques, agilizando os processo e facilitando o levamento dos custos com materiais diretos. 3. Metodologia Este trabalho é oriundo de uma pesquisa realizada entre os meses de março a novembro de 2008 no Hospital Municipal “Roosevelth Figueiredo Lira” em Barra do Bugres, município localizado 155 km a noroeste de Cuiabá, capital de Mato Grosso. O Hospital Municipal de Barra do Bugres (HMBB) é uma instituição pública, vinculada ao Sistema

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Único de Saúde, mantida com recursos federais, municipais e oriundos de convênio com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. De acordo com Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES, 2007), o hospital tem sua estrutura composta por 80 leitos, sendo estes divididos entre as clínicas médica, cirúrgica, obstétrica e pediátrica. A pesquisa foi do tipo “Estudo de Caso” e, quanto à abordagem utilizada para a pesquisa, assim como para este artigo foi de natureza quantitativa, apresentando valores do custos com materiais diretos, os quais foram classificados, relacionados e analisados. O dados analisados para este recorte compreenderam o período de 15/10/2008 a 14/11/2008. Numa análise inicial da instituição, verificou-se que a mesma não dispunha de um sistema de apuração de custos, fato que coincide com a constatação de Falk (2008) de que apenas em torno de 15% dos hospitais brasileiros têm sistemas informatizados de gestão, ou seja, o hospital em estudo não possuia um sistema de informação capaz de produzir as informações nos moldes necessários ao processo de apuração de custos. Diante disso, o primeiro passo foi a estruturação de um sistema de informação baseado em recursos computacionais e no preenchimento de relatórios manuais. Para a produção das informações de maior densidade, desenvolveu-se um software denominado Sistema Integrado de Gestão Hospitalar (SIGHO). Este software foi desenvolvido por um acadêmico bolsista do curso de Ciências da Computação da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), com apoio financeiro da administração do município sede da pesquisa. Com a utilização deste software foi informatizada a produção dos principais dados de consumo e estatísticos dos seguintes setores: recepção, estatística, farmácia, administração, nutrição e limpeza. Assim, os valores dos custos com materiais diretos foram obtidos, na sua maioria, através do sistema informatizado de controle de estoque com exceção de alguns poucos que não foram contemplados pelo sistema. 4. Análise do custo com materiais diretos A tabela 1 mostra que os materiais diretos representaram no período um valor expressivo, alcançando o total de R$ 73.699,27. Concentrando-se a análise naqueles centros de custos que apresentam valores acima de cinco mil, destacam-se bastante dos demais a Nutrição e o Pronto-socorro/ambulatório. Num segundo patamar de custos situam-se a Clínica Cirúrgica (+ centro cirúrgico), Clínica Médica, Gasoterapia, Clínica Pediátrica e Clínica Ginecológica e Obstétrica. O consumo do centro gasoterapia, no valor de R$ 6.116,50, representando 8,3% do total mensal, é decorrente dos gases medicinais utilizados na atividade fim do hospital, sendo este um custo que ocorre em função da necessidade dos pacientes de cada clínica, centro cirúrgico e Pronto-socorro. O consumo da nutrição, no valor de R$ 15.668,92, representando 21,3% do total é determinado pelo número de pacientes, seus acompanhantes e funcionários que se alimentam no hospital. Como evidencia a tabela 2, elaborada com base nos dados gerados pelo SIGHO, do total geral de refeições servidas, 41,8% foram destinadas aos funcionários do hospital, pois diante da impossibilidade de especificar a qual setor pertencia o funcionário, foi registrado como custo da administração. É de conhecimento geral que há um bom número de funcionários que necessitam alimentar-se no trabalho quando em regime de plantão. Além disso, há os lanches que são servidos também aos funcionários durante o período de trabalho.

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Tabela 1 - Gastos com materiais diretos, segundo centro de custos, 15/10 a 14/11/2008.

Centro de custo Administração Centro cirúrgico Centro de Mat. Esterilizados Clínica Cirúrgica Clínica Ginecológica e Obstétrica Clínica Médica Clínica Pediátrica Estabilização Farmácia Faturamento/estatística Gasoterapia Gerência de Enfermagem Laboratório Lavanderia Limpeza Manutenção Nutrição P.S./Ambulatório Radiologia Recepção Telefonia Transporte Ultra-sonografia Unidades externas Total

Valor % 703,91 0,96 3.522,96 4,78 850,09 1,15 5.558,87 7,54 7,32 5.391,42 6.805,41 9,23 5.986,66 8,12 3.009,31 4,08 0,01 4,14 353,60 0,48 6.116,50 8,30 1,24 0,86 636,58 1.466,57 1,99 121,39 0,16 15.668,92 21,26 12.014,77 16,30 2.846,66 3,86 40,12 0,05 41,22 0,06 2.316,42 3,14 171,78 0,23 70,74 0,10 73.699,27 100

Tabela 2 - Distribuição refeições servidas, segundo tipo e centro de custos,15/10 a 14/11/2008. CLÍNICA / SETOR Administração Centro cirúrgico Centro de Mat. Ester.

Almoço

Ceia

Colação

Desj.

Jantar

Merenda

Total

%

1.079

-

-

-

1.055

1.590

3.724

41,77

1

-

-

-

-

6

7

0,08

1

-

-

-

-

-

1

0,01

Clínica Cirúrgica

297

56

13

295

312

172

1.145

12,84

Clínica G. O.

263

12

8

293

298

172

1.046

11,73

Clínica Médica

270

185

9

286

291

213

1.254

14,06

Clínica Pediátrica

385

6

9

373

382

219

1.374

15,41

-

-

-

4

-

-

4

0,04

4

86

110

16

361

4,05

Nutrição P.Socorro /Amb. Total

145 2.441

259

43

1.337

2.448

2.388

8.916

100

Não é, no entanto, o objetivo deste trabalho emitir juízo sobre a necessidade de diminuir o número de refeições servidas aos funcionários, pois seria necessário um estudo mais profundo para verificar a possibilidade de se reduzi-las. Assim, ao apresentar essas informações, esse trabalho mais levanta questões do que elucida, chamando a atenção para uma realidade que deve ser considerada.

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Quanto às refeições servidas para as unidades de internação, ou seja, para as clínicas, estas juntas representam 54,1% das refeições. Há ainda uma informação que o sistema não produziu, mas foi obtida junto à responsável pela nutrição, que do total de 2.498 almoços e jantares servidos nas quatro unidades de internação, 994 o foram para acompanhantes, o que perfaz 39,8%. De acordo com o Ministério da Saúde, através do Manual Técnico Operacional do SIH (MS, 2008), pode-se cobrar junto com a Autorização de Internação Hospitalar, diárias de acompanhantes para pacientes menores de 18 anos, acima de 60 anos e gestantes em pré-parto e pós-parto. Além disso, quando necessário, mediante solicitação do médico, é possível cobrar também acompanhante para maiores de 18 e menores de 60 anos. Desse modo, o ideal é que os pacientes tenham acompanhantes apenas nesses casos, para que também haja redução no número das refeições e conseqüente redução de custos. Vale ressaltar, porém, que não é foco deste trabalho analisar se a quantidade de acompanhantes está sendo liberada apenas para os casos em que é possível cobrar via AIH, ou não. A desagregação dos custos com materiais diretos, por tipo de material, permite um melhor conhecimento sobre os gastos em cada centro de custo (Quadro 1). Como já mencionado, o pronto-socorro aparece como o segundo centro de custos com maior gasto de materiais diretos (R$ 12.014,77), 93,0% dos quais são medicamentos e materiais hospitalares. O consumo nesse setor é influenciado diretamente pelo número de consultas realizadas, já que na sua grande maioria os pacientes recebem medicação. Esse número de consultas, foi analisado e constatou-se que o mesmo apresenta-se 125,6% acima do parâmetro estabelecido pelo Ministério da Saúde. Quadro 1 - Distribuição dos custos com materiais diretos, segundo centro de custos e tipo de material, H. M. Barra do Bugres, 15/10 a 14/11/2008.

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Como se pode notar, nas quatro unidades de internação o maior peso foi também dos medicamentos e materias hospitalares, que responderam por 85,4% a 92,6% dos custos com materiais de consumo. Numa análise do total dos custos diretos, percebe-se que os itens de maior representatividade foram os medicamentos e materiais hospitalares, os quais representaram 58,91% do custo total, aparecendo a seguir o custo com gêneros alimentícios e descartáveis (19,8%). Assim, verifica-se que esses são os dois tipos de custos diretos que tem maior peso em relação ao total, perfazendo um total de 78,71%. Essa informação, semelhante à classificação ABC dos estoques chama a atenção dos gestores para a necessidade de um cuidado maior com o controle dos estoques desses materiais com o fim de se verificar a possibilidade de redução de desperdícios e redução dos gastos com os mesmos. 5. Considerações finais Os custos com materiais diretos constituem-se num dos elementos que contribuem com a formação do custo total. No período analisado, o custo com materiais diretos (73.699,27), representou em relação ao custo total (445.526,33) um percentual de 16,33%. Esse elemento dos custos é um elemento que demanda bastante cuidado na sua administração. Em virtude de ter aplicação direta nos centros de custos, a redução desse custo demanda um controle efetivo e a devida avaliação desses produtos. Dessa forma, este artigo destacou a importância de se aplicar a contabilidade para se obter a devida avaliação e aprimorar o controle dos materiais diretos. Um instrumento bastante importante para esse fim também é a utilização de recursos computacionais. Afinal, o grande desafio das organizações públicas tem sido o aumento da eficiência, ou seja, a maximização dos resultados com o mínimo de recursos, no entanto, essa busca pela eficiência passa pelo efetivo controle dos recursos empregados, objetivando primeiramente conhecer com exatidão os custos ocorridos e verificar medidas que visem reduzi-los. Diante dessa necessidade, a contabilidade de custos aplicada com uma visão estratégica no âmbito hospitalar pode trazer grandes avanços. Referências BEULKE, R; BERTÓ, J.D. Gestão de custos e resultados na saúde: hospitais, clínicas, laboratórios e congêneres. 4. ed. rev. atualizada e ampliada. São Paulo: Saraiva, 2008. BRUNI, AL; FAMÁ, R. Gestão de custos e formação de preços: com aplicações na calculadora HP 12C e Excel. 3ª. ed. São Paulo: Atlas, 2004. CHING, Y.H. Manual de custos de instituições de saúde: sistemas tradicionais de custos e sistema de custeio baseado em atividades (ABC). São Paulo: Atlas, 2001. FALK, JA. Tecnologia de informação para gestão de custos e resultados no hospital: considerações e dicas para implantação de um modelo brasileiro. São Paulo: Atlas, 2008. IUDÍCIBUS, E. Teoria da contabilidade. São Paulo: Atlas, 1997. MACHADO Jr., J.T, REIS, H.C. A lei 4.320 comentada. Rio de Janeiro: IBAM, 1999. MARION, J.C. Contabilidade empresarial. São Paulo: Atlas, 2002. MARTINS, E. Contabilidade de custos. 5ª. ed. rev. São Paulo: Atlas, 1996. MARTINS, G.A. Métodos convencionais e não-convencionais e a pesquisa em administração. Caderno de pesquisas em administração. V. 00, Nº. 0, 2º. Semestre, 2004. MATOS, AJ. Gestão de custos hospitalares: técnicas, análise e tomada de decisão. São Paulo: Editora STS, 2002.

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MATTOS, J.G. O processo de apuração dos custos diretos. [acesso dia 10 de outubro de 2007]. Disponível em: http://www.gea.org.br/scf/custos.html MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. DATASUS. Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde – CNES. Brasília; 2007. [acesso dia 27 de novembro de 2007]. Disponível em: http://cnes.datasus.gov.br/Lista_Es_Nome.asp?VTipo=0 MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Regulação, Avaliação e Controle. Manual Técnico Operacional SIH. Brasília, DF; 2008. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Economia da Saúde. Programa Nacional de Gestão de Custos. Manual Técnico de Custos: conceitos e metodologia. Brasília, DF; 2006.

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A utilização de métodos estatísticos multivariados como ferramenta de análise econômico-financeira de empresas para concessão de crédito Amilton Fernando Cardoso (ITA) amilthon@terra.com.br Arnoldo Souza Cabral (ITA) cabral@ita.br Resumo: O objetivo do artigo é analisar o desempenho de empresas para fins de concessão de crédito, por meio das variáveis contábeis. A metodologia do estudo propôs uma análise estatística dos dados (teste T2 de Hotelling e descartes de outliers e variáveis), seguida dos métodos discriminantes: Função Discriminante Linear de Fisher (FDLF) e Modelo da Regressão Logístico Múltiplo (MRLM). Na avaliação dos modelos foi utilizado o método de Lachenbruch. A implementação de funções no software MATLAB® possibilitou a determinação dos resultados necessários. Consideram-se como resultados importantes encontrados: os descartes terem sido de fundamental importância e, principalmente, a eficiência dos modelos para o objetivo proposto, pois resultados promissores foram encontrados MRLM (93,18%) e FDLF (91,67%). Palavras-chave: reconhecimento de padrões; análise de crédito; análise multivariada.

1. Introdução No atual contexto da economia brasileira figuram os juros altos, o aumento do desemprego e uma pesada carga tributária. Todos esses fatores concorrem para um crescimento mais modesto da economia brasileira e para a redução da oferta de crédito. A falta de crédito é um dos principais obstáculos para a geração de novos empregos. Por outro lado, a existência de crédito a uma taxa de juros aceitável proporcionaria mais empregos e melhores condições de crescimento econômico ao país. Dessa forma, percebe-se a grande responsabilidade social em torno da questão. A inadimplência é o principal fator que aflige qualquer instituição financeira. Afinal, a aprovação dos créditos e a definição das taxas a serem cobradas são decorrentes dos riscos que envolvem a carteira de operações (portfólios). Para Steiner et al. (1999) [1], qualquer erro na decisão de concessão de crédito pode significar que em uma única operação haja a perda do ganho obtido em dezenas de outras bem-sucedidas, visto que o não recebimento representa a perda do montante emprestado. Assim, é importante prever a inadimplência, pois os prejuízos com operações mal sucedidas provavelmente serão cobertos com a cobrança de uma sobretaxa a novos créditos, ou seja, encarecem-se as operações futuras. Matarazzo (1998) [2] cita que é comum dois analistas de balanços chegarem a conclusões diferentes a respeito de balanços de uma mesma empresa. Logo, um processo decisório, sem se basear no feeling do tomador de decisões, torna-se de fundamental importância. 2. Metodologia da pesquisa

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Por meio de índices econômico-financeiros coletados dos demonstrativos contábeis de empresas – Balanço Patrimonial (BP) e Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) –, classificá-las como adimplentes ou inadimplentes, visando diminuir o risco de inadimplência. São propostas técnicas estatísticas multivariadas, a citar: Função Discriminante Linear de Fisher (FDLF), Modelo de Regressão Logístico Múltiplo (MRLM) e, ainda, um método de avaliação desses procedimentos (abordagem de Lachenbruch – metodologia jacknife). Consideram-se também a validade do tratamento estatístico dos dados, preliminar à aplicação dos métodos discriminatórios propostos; e a construção de um programa computacional, no software MATLAB® , para determinar os resultados dos testes estatísticos e estimar os parâmetros dos modelos discriminatórios propostos, além da avaliação de precisão desses modelos construídos. Assumiu-se, como adimplência ou inadimplência, a capacidade ou incapacidade de a empresa pagar as obrigações financeiras quando elas vencem. Parte-se do pressuposto da veracidade das informações contidas nos indicadores contábeis. A partir da seleção de alguns índices considerados relevantes pela literatura, utilizam-se escores das duas primeiras componentes principais padronizadas para o descarte de observações (outlier), caso existam. Os índices selecionados serão submetidos à eventual necessidade de redução do número de variáveis (via componentes principais), ou seja, consideram-se diversas variáveis e reduz-se, caso necessário, o conjunto de variáveis para um subconjunto que possua maior precisão, por meio dos autovalores e autovetores da matriz de correlação. O teste de hipótese, T2 de Hotelling, é aplicado com a finalidade de verificar se as duas populações representadas por suas amostras são provenientes de populações distintas, ou seja, se existe diferença nas suas várias características médias. 2.1. Amostra da pesquisa A amostra caracteriza-se por empresas saudáveis e empresas com problemas. Os dados de empresas, utilizados neste trabalho, foram selecionados dos arquivos de uma agência de fomento, situada na região sul do Brasil, de forma aleatória, contendo informações de empresas solventes e empresas insolventes. A amostra foi tomada de maneira sistemática, com intervalo padronizado por um auditor do banco, resguardando-se os nomes das empresas, por exigência do próprio banco. Dadas às características das empresas analisadas, e sendo as mesmas potenciais tomadoras de recurso junto ao banco, há uma grande concentração de empresas consideradas saudáveis (de um total de 136 empresas, escolhidas aleatoriamente, há 118 empresas adimplentes e apenas 18 empresas inadimplentes). 2.2 indicadores econômico-financeiros

O Quadro 1 identifica os indicadores financeiros e econômicos e as 8 variáveis utilizadas inicialmente para o tratamento estatístico dos dados.

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QUADRO 1 - Indicadores financeiro-econômicos

Fonte: Adaptado de Lima (2002)

Tomando como ponto de partida os dados das 136 empresas contendo os valores para as variáveis apresentadas anteriormente e aplicando o descarte de outlier (via componentes principais), verificou-se que 4 empresas possuíam valores discrepantes (ponto de vista contábil) em alguns índices, sendo as mesmas descartadas do banco de dados. De posse das 132 empresas restantes, aplicou-se o descarte de variáveis (também se utilizando de componentes principais) para verificar a necessidade de redução do número de variáveis, tendo como resultado a possibilidade de se trabalhar apenas com as seguintes variáveis: MG, IPL, LS e RPL. Logo, a matriz inicial, de ordem 136x8, foi reduzida a uma matriz cujas dimensões passaram a ser 132x4, reduzindo significativamente o banco de dados. A aplicação da Função Discriminante Linear de Fisher e do Modelo de Regressão Logístico Múltiplo se deu a esse banco de dados. Portanto, os métodos de análise discriminante multivariada foram aplicados a duas populações munidas de uma partição definida a priori, descritas por 4 variáveis explicativas (ou preditoras), e o objetivo principal foi construir uma regra de decisão utilizando uma amostra constituída de 132 empresas descritas pelas 4 variáveis, sendo conhecido o grupo a priori a que pertenciam. 2.3. Função discriminante linear de fisher (FDLF)

Para Johnson e Wichern (1998) [4], a FDLF, basicamente, consiste em separar duas classes de objetos ou fixar um novo objeto em uma das duas classes. Ao definir a FDLF, é comum denominar as classes (populações) de π1 e π2, e os objetos, separados ou classificados

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com base nas medidas de p variáveis aleatórias são associados com vetores do tipo X’ = [X1, X2,..., Xp]. O objetivo de Fisher, ao criar essa regra de reconhecimento de padrões e classificação, foi transformar as observações multivariadas X’s nas observações univariadas Y’s, tal que os Y’s das populações π1 e π2 fossem separados em relação às médias das duas populações tanto quanto possível. Fisher teve a idéia de tomar combinações lineares de X para criar os Y’s, dado que essas combinações são funções de X e, por outro lado, são facilmente calculáveis (ZUGE e CHAVES NETO, 1999) [5]. Seja µ1Y a média dos Y’s obtidos dos X’s pertencentes a π1 e µ2Y a média dos Y’s obtidos dos X’s pertencentes a π2 e, considerando a matriz de covariância, Σ, como sendo a mesma para ambas as populações, então Fisher selecionou a combinação linear que maximiza a razão entre o “quadrado da distância entre as médias” e a “variância de Y”, ou seja:

Essa

razão

é

maximizada

e,

por:

assim,

tem-se:

, que é conhecida como FDLF populacional. Como, na realidade, os parâmetros

não são conhecidos, devem-se usar

seus estimadores, ou seja, conjunta (estimada) é dada por:

e a matriz de covariância

Dessa forma, a FDLF amostral fica determinada por:

A estimativa do ponto médio amostral é dada por:

Obtém-se, desta forma, a seguinte regra de classificação:

2.4. Modelo de regressão logístico múltiplo (MRLM)

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O Modelo de Regressão Logístico Múltiplo é uma técnica estatística comumente usada para a análise de dados com resposta binária (dicotômica) e consiste em relacionar, por meio de um modelo, a variável resposta com os fatores que influenciam a ocorrência de um determinado evento. Por exemplo, o quanto os índices de estrutura de capitais, liquidez e rentabilidade explicam o risco de inadimplência. Como no presente estudo a variável resposta é dicotômica, o modelo de regressão linear não deve ser utilizado, pois poder-se-á obter valores de resposta estimada fora do intervalo [0,1], não sendo neste caso compatível com a natureza do fenômeno estocástico. Além disso, facilmente se mostra que a condição de variância constante para os resíduos não se verifica. Sejam uma variável aleatória Y (dicotômica, ou seja, assumindo apenas os valores 0 ou 1) e X’ = [X1, X2,..., Xp] um vetor de dimensão p, composto de variáveis aleatórias independentes, e ainda tomando-se n observações independentes, pode-se escrever o Modelo de Regressão Logística Múltiplo na forma:

para Este modelo é o mais apropriado no caso de a variável dependente ser dicotômica, pois a Regressão Logística estima diretamente a probabilidade de ocorrência de um evento. A estimação dos parâmetros deve ser feita pelo método de máxima verossimilhança, sendo o mais recomendado quando se dispõem de observações individuais da ocorrência ou não de determinado evento. Esse método fornece estimativas para os parâmetros que maximizam a probabilidade de obter o conjunto observado de dados. Assim, tomando uma amostra aleatória composta de n pares de observações (Xi, Yi) com i = 1, 2,..., n, onde os Y’s representam os valores observados de uma variável dicotômica e os X’s representam os valores observados de p variáveis independentes. Uma forma conveniente para expressar a contribuição da função de verossimilhança para os pares (Xi, Yi) é por meio da fórmula:

Desde que assumido que as observações são independentes, a função de verossimilhança é obtida como o produto dos termos dados na equação anterior:

Assim, a função de log-verossimilhança fica determinada por:

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Desta forma, estimar-se-ão (p+1) equações de verossimilhança, as quais são obtidas por derivadas da função de log-verossimilhança com respeito à (p+1) coeficientes. As equações de verossimilhança resultantes podem ser representadas como:

e

Para j =1, 2,..., p. o que reflete no fato de a soma dos valores observados de Y ser igual à soma dos valores esperados (preditos), mediante a aplicação do modelo obtido. Esta propriedade é importante, pois ajuda a avaliar o ajuste do modelo. A estimação dos parâmetros para o MRLM foi feita com base nos estimadores de Máxima Verossimilhança, e o seu cálculo foi obtido por meio do método de LevenbergMarquardt. Em termos da aferição da qualidade global do modelo logístico, foi utilizado o critério baseado nos resultados de classificação obtidos com esse modelo. O método de Levenberg-Marquardt foi utilizado para determinar os estimadores de máxima verossimilhança do modelo de regressão logístico múltiplo. Esse método trabalha com uma variação suave entre os extremos dos métodos de Newton e do Gradiente, sendo que se utiliza este último quando se está longe do mínimo, visto que o método de Newton pode não convergir nesta situação. Por outro lado, quando se está distante da solução usa-se o método do Gradiente. Esse método combina os métodos do Gradiente e de Newton por meio da alteração dos elementos da diagonal principal da matriz hessiana. No presente estudo, o critério de parada foi estabelecido a partir de duas considerações: a primeira se relaciona ao fato de que, analisando as derivadas parciais da função de log-verossimilhança, tem-se que a soma dos valores observados deve ser igual à soma dos valores preditos, e a segunda está baseada no fato de uma nova solução não trazer alteração no valor da função objetivo (log-verossimilhança). Assim, o processo iterativo é suspenso apenas quando as duas condições descritas anteriormente forem satisfeitas. 2.5. Avaliação da função de classificação: a abordagem de lachenbruch

O método de Lachenbruch, Johnson e Wichern (1998) [4] mencionam que é uma abordagem estatística empregada para avaliar o desempenho da regra de reconhecimento de padrões e estimar a probabilidade de classificação correta e incorreta em cada grupo, ou seja, uma forma de avaliar a eficiência da regra de classificação. O algoritmo do referido procedimento é descrito a seguir: a) Passo 1: Inicie com as observações do grupo π1, omita uma observação desse grupo e construa uma função de classificação usando as (n1–1) restantes do grupo π1 acrescidas das n2 observações do grupo π2. b)

Passo 2: Classifique a observação retida, usando a função construída no

passo 1.

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c) Passo 3: Repita os passos 1 e 2 até que todas as observações de π1 sejam classificadas. Seja n2/1 o número de observações reconhecidas erroneamente nesse grupo. d) Passo 4: Repita os passos de 1 a 3 para as n2 observações do grupo π2. Seja n1/2 o número de observações reconhecidas erroneamente nesse grupo.

Desta forma, a proporção esperada de erro é dada por:

3. Análise dos resultados Na Tabela 1 são especificados os principais resultados obtidos para a análise da Função Discriminante Linear de Fisher. TABELA 1 – Coeficientes da FDLF

Fonte: Adaptado de Lima (2002)

Assim, a aplicação da metodologia FDLF, na amostra em estudo, resultou na seguinte função de classificação: Y=0.0828*MG - 0.0235*IPL+0.3004*LS+0.0522*RPL Desta forma, ao multiplicar esse vetor C’ de dimensão quatro (4 indicadores) pelos valores de uma nova observação, tem-se um escore. Se esse for maior que o ponto médio , classificar-se-á na população das empresas adimplentes; caso contrário deve ser classificado no grupo das empresas inadimplentes. O ponto médio a ser utilizado para fazer a decisão de classificação foi estimado por:

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A probabilidade de classificação correta para a FDLF é de 91,67%, avaliada pelo método de Lachenbruch. A Tabela 2 demonstra os resultados de classificação para A FDLF. TABELA 2 – Resultados de classificação para FDLF

Probabilidade de classificação correta = 91.67% Fonte: Adaptado de Lima (2002)

O resultado encontrado para a FDLF é melhor do que o resultado que inclui as 132 empresas com suas 8 variáveis, ou seja, sem efetuar o descarte de variáveis. Assim, considera-se de grande utilidade o descarte de variáveis, desde que bem fundamentado, pois neste estudo o número de medidas (variáveis) foi reduzido em 50% e resultados promissores foram encontrados. A Tabela 3 apresenta os coeficientes e os erros padrões estimados para o Modelo de Regressão Logístico Múltiplo, tendo por base os estimadores de máxima verossimilhança obtidos por meio do método de Levenberg-Marquardt. TABELA 3 – Coeficientes do MRLM

Fonte: Adaptado de Lima (2002)

Assim a aplicação do MRLM, na amostra em estudo, resultou no seguinte modelo:

O valor obtido por P(X) representa a probabilidade de a empresa ser adimplente. O valor cut off score, o qual maximiza a probabilidade de acerto, foi igual a 0.5. A Tabela 4

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apresenta os resultados de classificação para o MRLM, avaliado pela abordagem de Lachenbruch. TABELA 4 - Resultados de classificação para o MRLM

Fonte: Adaptado de Lima (2002)

De acordo com as tabelas 2 e 4, observa-se uma porcentagem de classificação correta superior, por meio do Modelo de Regressão Logístico Múltiplo, em todos os quesitos avaliados. A taxa de erro tipo II teve uma redução significativa, pois esse tipo de relevante, pois está se concedendo empréstimo a uma empresa que não vai pagar, ocasionando a perda dos juros e do montante emprestado. Um resultado comparativo entre os métodos propostos (FDLF e MRLM), obtido por meio da abordagem de Lachenbruch. O Quadro 2 destaca a comparação entre os modelos desenvolvidos. QUADRO 2 - Comparação entre os modelos desenvolvidos

Fonte: Adaptado de Lima (2002)

A notação POP(i|j) representa o número de elementos da população j que foi classificado na população i, estando os mesmos corretamente classificados quando i = j, e incorretamente, caso contrário.

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4. Considerações Finais Os resultados positivos encontrados com a estimação dos parâmetros após a análise preliminar dos dados (T2 de Hotelling e os descartes de outlier e variáveis). Portanto, é relevante uma análise estatística rigorosa antes da aplicação dos métodos de discriminação. O MRLM foi o que apresentou melhor desempenho, quando analisado em relação ao percentual de classificação correta em cada um dos itens avaliados (erros tipo I e tipo II, e acerto global). Por outro lado, a FDLF apresentou um percentual de classificação correta inferior ao MRLM, mas esta técnica é bastante eficiente, pois sua percentagem de classificação correta foi superior a 91%. Conclui-se que a FDLF e o MRLM são duas técnicas eficientes na discriminação das empresas adimplentes e inadimplentes, evidenciando certa melhora para a segunda técnica em relação à primeira. Apesar desta evidência, não se pode contestar a eficiência das referidas técnicas para o objetivo proposto. A diferença verificada em relação à eficiência dos dois procedimentos desenvolvidos não constitui empecilho à sua utilização. Ao contrário, possibilita ao tomador de decisões a escolha da técnica que apresente uma maior probabilidade de classificação correta, o que fortalece o fator segurança, tendo em vista o montante de recursos envolvidos nas operações de créditos às empresas. As técnicas abordadas neste trabalho, se empregadas corretamente, constituem-se em eficientes ferramentas auxiliares dos gestores de crédito, ou seja, os modelos desenvolvidos poderão auxiliar os analistas de créditos bancários no processo de tomada de decisões e previsão do comportamento de futuras empresas. Referências JOHNSON, R. A.; WICHERN, D. W. Applied multivariate statistical analysis. 4. ed. Hall, inc., 1998.

Nova Jersey: Prentice-

LIMA, J. D. de. A análise econômico-financeira de empresas sob a ótica da estatística multivariada. Curitiba, 2002. 192 f. Dissertação (Mestrado em Métodos Numéricos em Engenharia) – Setores de Tecnologia e de Ciências Exatas, Universidade Federal do Paraná. MATARAZZO, D. C. Análise financeira de balanços: abordagem básica e gerencial. 5. ed., São Paulo: Atlas, 1998. STEINER, M. T. A.; CARNIERI, C.; STEINER NETO, P. J.; KOPITTKE, B. Sistemas especialistas probabilístico e redes neurais na análise do crédito bancário. Revista de Administração, São Paulo, v. 34, n. 3, p. 56-67, jul./set. 1999. ZÜGE, M.; CHAVES NETO, A. Utilização dos métodos estatísticos multivariados na avaliação do desempenho empresarial. Revista Paranaense de Desenvolvimento, Economia e Sociedade, Curitiba, n. 97, p. 101-112, set./dez. 1999.

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Algoritmos de otimização para o problema de planejamento de Redes Celulares 3G Michele Silva Sousa (COPPE/UFRJ) José André Moura Brito Flávio Marcelo Tavares Montenegro

Resumo: O planejamento de redes de telefonia celular de terceira geração (3G), baseadas na interface aérea WCDMA, é um problema que combina a localização das estações rádio base (ERBs) e o controle da potência, em múltiplos serviços, baseada em uma estimativa para o valor do SIR (Signal-to-Interference Ratio), que é a razão entre a potência do sinal de interesse (potência recebida) e a interferência total a que ele está sujeito. No presente trabalho, são apresentados algoritmos que combinam conceitos das metaheurísticas GRASP e VNS, com o objetivo de solucionar o problema de redes 3G. Resultados computacionais para instâncias de médio e grande porte são apresentados e discutidos. Palavras-chave: Redes celulares 3G; Metaheurísticas; Programação Inteir; MH. 1. Introdução No decorrer dos últimos anos, a telefonia celular vem apresentando um grande crescimento no que concerne ao número de usuários e aos tipos de serviços e facilidades oferecidos. Este desenvolvimento é usualmente entendido como uma sequência de fases, ou gerações, caracterizadas de acordo com os padrões de tecnologia envolvidos em cada uma. A primeira geração de sistemas de telefonia celular (FRANQUEIRA, 2003) caracterizou-se pela tecnologia analógica FDMA (Frequency Division Multiple Access). Já a segunda geração (2G), surgida no início da década de noventa (FRANQUEIRA, 2003), fazia o uso de tecnologia digital. A atual geração (3G) busca a convergência das tecnologias de celular e de telefonia sem fio (cordless) em um sistema de comunicação pessoal único, no qual a unidade móvel evolui para plataformas multimídia com capacidade de acesso a múltiplos serviços de dados (ALENCAR, 2004). O sistema de telefonia móvel de terceira geração (MATEUS, 1998) é o UMTS (Universal Mobile Telecommunications System), formado por um conjunto de padrões válidos em todo mundo. Incorpora uma interface aérea caracterizada pela tecnologia WCDMA (Wideband Code Division Multiple Access). Dentro deste escopo, temos o problema de planejamento de redes celulares de terceira geração, que combina a localização das estações rádio base (ERBs) e o controle da potência de transmissão. De acordo com a literatura, poucos resultados de impacto foram conseguidos para a resolução do problema de planejamento de redes de terceira geração. O desenvolvimento deste trabalho parte de uma formulação de programação inteira mista, proposta por Franqueira (2003), que combina a localização das ERBs e o controle de potência, levando em conta múltiplos serviços, com diferentes requisitos de qualidade de sinal. A formulação considera dois níveis: um de sistema e outro estático. O primeiro nível

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indica que o funcionamento do enlace de rádio frequência do telefone celular não é retratado de forma detalhada. Já no segundo nível, o comportamento dinâmico do sistema é praticamente negligenciado. Considerando essa formulação, propõe-se no presente trabalho um conjunto de algoritmos implementados a partir do estudo das metaheurísticas GRASP e VNS. Tais algoritmos produziram soluções ótimas ou de boa qualidade para diversas instâncias do problema estudado. Este trabalho está dividido conforme se segue. Na seção 2, são apresentados alguns conceitos de redes de telefonia celular. Na seção 3, apresentamos a formulação de programação linear inteira mista, proposta por Franqueira (2003). Esta formulação sofreu uma pequena alteração, isto é, acrescentamos uma restrição. Ainda nessa seção, exporemos as várias abordagens que têm sido desenvolvidas para a resolução deste problema. Na seção 4, apresentamos os algoritmos baseados nas metaheurísticas GRASP e VNS desenvolvidos para o problema, considerando algumas variações. Concluindo, são apresentados alguns resultados computacionais obtidos a partir da aplicação dos algoritmos e da formulação. 2. Conceitos Básicos de Telefonia Celular A finalidade de um sistema de telefonia celular (MATEUS, 1998) é permitir a comunicação entre dois telefones móveis ou entre telefones móveis e telefones fixos. Para isso, é utilizado um sistema composto por: (1) uma Rede de Telefonia Pública Comutada (RTPC), que atende aos telefones fixos, (2) uma Rede de Telefonia Móvel, associada à Central de Controle e Comutação (CCC), e (3) algumas Estações de Rádio Base (ERBs), além dos telefones celulares (TCs). A CCC comunica-se com as ERBs por meio de circuitos de voz e dados. A CCC é responsável pelo controle de várias ERBs e pela monitoração de chamadas e do processo de handover, que é um mecanismo que se caracteriza pela mudança automática de chamada, à medida que o usuário se desloca de uma célula para outra. A conexão entre uma ERB e uma unidade móvel é disponibilizada por um canal de comunicação. Para os novos sistemas baseados no WCDMA, a largura de banda inteira disponível a um serviço é compartilhada por todos os usuários do sistema, tornando fundamental uma eficiente distribuição de frequências entre as ERBs. O Conceito de Célula e Área de Cobertura A região ou área de cobertura geográfica (ALENCAR, 2004) a ser atendida pelo serviço móvel celular é dividida em sub-regiões, que são chamadas células. A célula é a área geográfica coberta por uma ERB (estação de rádio base). Uma ERB é caracterizada pela presença de uma ou mais antenas fixas, instaladas em torres. No sistema de telefonia celular, o termo "área de cobertura" refere-se à área geográfica em que uma unidade móvel pode ser atendida por alguma ERB do sistema. O Problema de Planejamento de Redes Celulares de Terceira Geração O problema de planejamento de redes de terceira geração combina dois subproblemas: a localização de estações de rádio base (ERBs) e o controle de potência. No que concerne à localização, dado um conjunto J de locais candidatos à instalação das ERBs em uma região geográfica em estudo (ALENCAR, 2004), deve-se selecionar um subconjunto de custo mínimo, observando as seguintes condições: a cobertura da área em estudo, o

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atendimento da demanda e a exploração eficiente do espectro de frequências no sistema UMTS. Quanto ao controle de potência, cabe observar que em um sistema UMTS a transmissão de um usuário pode ser percebida como uma interferência pelos demais. Logo, há a necessidade de se controlar a potência de transmissão de cada usuário, de forma a minimizar o ruído total na rede. Uma técnica comumente aplicada ao controle de potência se baseia em uma estimativa para o valor do SIR (Signal-to-Interference Ratio), que é a razão entre a potência do sinal de interesse (potência recebida) e a interferência total a que ele está sujeito. O SIR pode ser representado pela seguinte equação: SIR = SF

Precebida (1 − α ) I int ra + I int er + η

(1)

Nesta equação, temos que:

SF é o fator de espalhamento do sinal (spreading factor), dado por W / R , onde W (Hertz) • corresponde à largura de banda de espalhamento do sinal específica da rede UMTS, de 3.84 (MHz), e R (Hertz) à taxa de transmissão do serviço em questão; •

Precebida é a potência recebida pela ERB do sinal emitido pela unidade móvel;

I int ra é a interferência causada por transmissões na mesma célula (interferência intracélula);

I int er é a interferência gerada pelas células circunvizinhas (interferência intercélulas);

α ( 0 ≤ α ≤ 1 ) é o fator de ortogonalidade, que indica o quanto um sinal de uma conexão • (ligação entre a unidade móvel e a ERB) pode ser ortogonal em relação ao sinal de uma outra conexão; •

η é o ruído térmico, que mede − 130dB (decibéis) = 10 −13 W , como proposto em

Franqueira (2003).

A potência de transmissão é ajustada de modo a manter o SIR igual a um valor alvo, definido por SIR alvo . A potência recebida de cada unidade móvel depende, em última instância, da potência emitida por todas as outras unidades. A qualidade do sinal é garantida pela manutenção do SIR alvo em um valor maior ou igual a um patamar mínimo SIR Alvo ≥ SIRMin .

3. Panorama do Problema Esta seção apresenta uma explanação concisa dos principais estudos que têm sido desenvolvidos para a resolução do problema de planejamento de redes de terceira geração. Formulações de programação inteira, relacionadas ao clássico Problema de Localização de Facilidades não Capacitado (MATEUS, 1998), e algoritmos que apontam decisões no processo de localização das ERBs são estudados por Amaldi et al. (2001a, 2001b, 2001c). A formulação de otimização tem dois objetivos: minimizar o custo total de instalação e favorecer as atribuições de pontos de teste às ERBs, utilizando a menor potência total. Einsenblätter et al. (2002) desenvolveram uma formulação matemática que otimiza a configuração e a localização de ERBs em um sistema UMTS. Os autores consideraram todas as restrições práticas relevantes ao projeto, como por exemplo, restrições para a localização de ERBs, restrição do SIR para o Enlace Reverso (sinal da unidade móvel para a antena) e para o Enlace Direto (sinal da antena para unidade móvel). Contudo, de acordo com os autores, tal

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formulação se mostrou razoavelmente complexa (muitas variáveis e restrições), o que impossibilitou sua aplicação para a solução de problemas reais. Kalvenes et al. (2002) apresentam uma formulação de programação inteira para maximizar o lucro obtido pela instalação e operação de uma rede celular. Nessa formulação são fornecidos: um conjunto de locais candidatos à instalação de ERBs com seus respectivos custos, os centros de demandas dos clientes e correspondentes demandas para o tráfego, e o potencial de rendimento (ganho monetário) para cada unidade móvel com capacidade de alocação em cada centro de demanda. Baseado nesses dados, a formulação pode ser utilizada para determinar a seleção dos locais em que serão instaladas as ERBs e a capacidade do serviço (conexões realizadas) da rede resultante. Franqueira (2003) propôs uma formulação de programação inteira mista considerando a localização de estações de rádio base, o controle de potência e os múltiplos serviços com taxas de transmissão e requisitos de qualidade diferenciados. Com a expectativa de tratar instâncias de grande porte, foi aplicada a técnica de Relaxação Lagrangeana (FISHER, 1981) para a determinação de limites inferiores e superiores para o problema. Visando simultaneamente à minimização da potência das ERBs e à maximização da capacidade disponível no sistema e da quantidade de usuários com cobertura, sem perda de qualidade no serviço oferecido, Rueda (2008) apresentou um modelo matemático de otimização baseado no artigo de Siomina e Yuan (2004) e implementou dois algoritmos baseados nas metaheurísticas Algoritmo Genético e Simulated Annealing. Para avaliação dos algoritmos, foram utilizados dados disponibilizados pelo projeto MOMENTUM (2003). Bechelane e Mateus (2008) apresentaram dois modelos de programação inteira mista para o problema de planejamento de redes celulares 3G, considerando a localização das ERBs e o uso dos mecanismos de controle de potência nos enlaces direto e reverso e no canal piloto. Foi implementado um algoritmo genético. Os resultados obtidos foram comparados com os de Santos et al. (2005), constatando-se que a introdução do controle de potência no enlace direto resulta em menores potências de transmissão.

3.1 Formulação Considerando o Sistema UMTS Conforme descrito anteriormente, o sistema UMTS supõe a demanda por múltiplos serviços com diferentes requisitos de qualidade do sinal em termos do SIR. A formulação assume que todas as ERBs são idênticas (mesmo número e tipo de antenas) e capazes de atender a todos os serviços em um conjunto de serviços ( S ) oferecidos na rede, não existindo qualquer restrição ao atendimento de um centro de demanda (CD) i ∈ I por uma ERB j ∈ J , além da manutenção da qualidade do sinal para o enlace reverso. Foi assumido que cada CD i tem demanda diferente de zero para pelo menos um serviço s ∈ S . Seja, então, Si o conjunto dos serviços utilizados pelo CD i , para os quais ais >0, sendo ais o número de conexões ativas para o serviço s no centro de demanda i. Sejam: •

f j o custo de instalação de uma ERB no local candidato j;

xij a variável de decisão que assumirá o valor 1, se o centro de demanda i for atendido pela

ERB j e 0, caso contrário;

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y j a variável de decisão que assumirá o valor 1, se uma ERB for instalada no local candidato

j e 0, caso contrário; •

pij↑ s a variável que representa a potência real de transmissão no enlace reverso a partir do

centro de demanda i ∈ I para a ERB j ∈ J , visando ao atendimento do serviço s ∈ S i ; •

cij o parâmetro que indica se a ERB instalada no local j pode atender ao centro de demanda

i; •

C o número mínimo de locais candidatos a selecionar;

η j o ruído térmico percebido no local j;

a mq o número de conexões ativas para o serviço q no centro de demanda m;

g ij o ganho de propagação no enlace entre o centro de demanda i e o local candidato j;

Pmax a potência de transmissão máxima permitida no canal;

is Pmin a potência de transmissão mínima necessária para o CD i e para o serviço s .

Minimizar

∑f

j

j∈J

Sujeito a:

(2)

y j +λ ∑∑ ∑ a is p ij↑ s i∈I j∈J s∈S

∑c

ij

xij ≥ 1, ∀i ∈ I

(3)

≥C

(4)

j∈J

∑y

j

j∈J

xij ≤ y j , ∀ i ∈ I, ∀ j ∈ J

(5)

pij↑ s ≤ xij , ∀ i ∈ I, ∀ j ∈ J e ∀ s ∈ Si

(6)

↑s   p ij g ij ↑q ↑s q   xij  ∑∑∑ a m p mn g mj − p ij g ij + η j  ≤ s  m∈I n∈J q∈S  SIRalvo

(7)

∀ i ∈ I, j ∈ J e s ∈ S i

∑p

↑s ij

is ≥ Pmin , ∀ i ∈ I e s ∈ Si

(8)

j∈J

x ij ∈ {0,1}, ∀ i ∈ I e j ∈ J

(9)

y j ∈ {0,1}, ∀ j ∈ J

(10)

0 ≤ p ij↑ s ≤ Pmax

(11)

∀ i ∈ I , j∈ J e s ∈ S i

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onde λ é um parâmetro utilizado na ponderação entre o custo de instalação das ERBs e a soma das potências de transmissão das unidades móveis, sendo o custo expresso em unidades monetárias e a soma das potências expressa em Watts. Nesta formulação, a função objetivo (2) busca minimizar o custo total de instalação das ERBs e a potência transmitida pelo conjunto de unidades móveis. As restrições (3) garantem que os centros de demandas sejam cobertos por pelo menos uma ERB. A restrição (4) garante um conjunto de ERBs ativas que atenda a toda a demanda da rede. As restrições (5) garantem que uma ERB j ficará ativa se ela for utilizada para atender a um CD i . As restrições (6) garantem que uma potência só poderá receber um valor diferente de zero, se for associada a um CD coberto por uma ERB ativa. As restrições (7) asseguram que se um CD i é atendido pelo local candidato j, então o valor do SIR da conexão resultante será suficientemente elevado, ou seja, excederá o valor do SIRalvo definido para cada serviço, e as restrições (8) impõem um valor mínimo para as potências de transmissão. As restrições de integralidade (9) e (10) garantem que as variáveis apenas podem assumir valores inteiros no intervalo [0,1]. Finalmente, as restrições (11) definem o intervalo de valores válidos para as ↑s potências de transmissão associadas às variáveis reais pij .

4. Algoritmos No modelo apresentado em (3.1), o número total de variáveis é da ordem de ↑s ( | I | . | J | . S + | I | . | J | + | J | ), sendo o primeiro termo correspondente à variável pij , o

segundo termo a xij e o terceiro termo a y j . Assim, dependendo do número de CDs e de locais candidatos à instalação das ERBs, pode-se ter que resolver um problema com milhares de variáveis, o que implicará na efetiva utilização da formulação apenas para instâncias de tamanho moderado. Com a perspectiva de resolver instâncias maiores e produzir soluções de qualidade razoável em um tempo computacional menor, quando comparado ao da formulação, foram desenvolvidos neste trabalho novos algoritmos que utilizam os conceitos das metaheurísticas GRASP e VNS. Os algoritmos implementados trabalham em duas fases, determinando, primeiramente, o número de ERBs a serem ativadas e, em seguida, a potência de transmissão no enlace reverso a partir do CD i para a sua respectiva ERB j atendendo o serviço s. A partir da aplicação dos novos algoritmos, temos como resultado as potências de transmissão, a seleção de um conjunto de ERBs e os seus respectivos CDs, produzindo, desta forma, uma solução ótima ou de boa qualidade para o problema estudado.

4.1 GRASP O procedimento GRASP (Greedy Randomized Adaptive Search Procedure), desenvolvido por Feo e Resende (1989, 1995), tem sido aplicado com sucesso em uma série de problemas de otimização combinatória. É constituído por uma fase de construção, na qual se obtém uma solução viável x0 , seguida pela fase de busca local, onde se investiga uma vizinhança de x0 , até que seja encontrado um ótimo local, de qualidade superior ao obtido na fase de construção. O resultado do GRASP é dado pela melhor solução obtida após um número n pré-determinado de iterações completas de construção e busca local.

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Na fase de construção, uma solução é iterativamente construída elemento a elemento, ou seja, em cada iteração desta fase, temos uma lista de candidatos (LC) com todos os elementos que podem ser incorporados na solução parcial x0 , sem provocar inviabilidade. Definida a LC, deve-se avaliar todos os seus elementos através de uma função gulosa g (.) , associada ao custo de se adicionar um novo elemento t ∈ LC na solução parcial x0 . Para conferir maior variabilidade às soluções, pode-se definir uma lista de candidatos restrita (LCR), formada pelos elementos da LC com melhor valor de g , quais sejam, aqueles que ao serem incorporados em x0 produzem um acréscimo mínimo (caso de minimização). Um possível esquema para a construção da LCR (vide Feo e Resende, 1995) consiste em cada iteração da fase de construção, definir g e g , respectivamente, como o menor e o maior acréscimos provocados pela inserção de um elemento t ∈ LC na solução x0 , segundo a função gulosa g (.) . A partir da utilização desta função e dos valores g e g , definimos: LCR = {t ∈ LC | g (t ) ≤ g + α ( g − g )} , α ∈ [0,1] . Na segunda fase, de busca local, procura-se melhorar a solução inicial xa obtida na primeira fase. A busca local consiste em ' substituir x0 pela melhor solução x0 encontrada na vizinhança de x0 (FEO; RESENDE, 1989). Objetivando produzir melhores soluções na busca local, introduz-se o chamado procedimento de filtro, que consiste em produzir q soluções na fase de construção e, dentre estas, escolher a melhor para busca local.

4.2 VNS O VNS (Variable Neighborhood Search), proposto por Mladenovic, Hansen e PerezBrito (1998), busca uma exploração eficiente do espaço de soluções através de uma troca sistemática de estruturas de vizinhança. O VNS explora vizinhanças gradativamente mais distantes da solução corrente, focalizando a busca numa região em torno de uma nova solução, se e somente se um movimento de melhoria (na função objetivo) é realizado. O algoritmo de busca local deve realizar uma sequência de modificações em uma vizinhança de uma solução, procurando melhorar o valor da função objetivo, até que um ótimo local seja encontrado. Contudo, como em geral o ótimo local está distante do global, busca-se analisar o valor da função objetivo em outras vizinhanças, a fim de encontrar soluções melhores. Para tanto, aumenta-se a vizinhança, buscando-se soluções mais distantes da solução corrente e, desta forma, o VNS escapa de ótimos locais. No algoritmo VNS básico (HANSEN; MLADENOVIC; PEREZ-BRITO, 1998), , seleciona-se aleatoriamente uma solução x 0 ∈ Vk ( x 0 ) na k-ésima vizinhança da solução corrente, submetendo-a a uma busca local. Se a busca local não obtiver uma solução melhor que a atual, incrementamos a ordem da vizinhança corrente e, assim, passamos a explorar a solução em outra vizinhança V k +1 . Caso contrário, atualizamos a solução e reduzimos a ordem da vizinhança a 1 (vizinhança V1). Este processo se repete até algum critério de parada ser satisfeito.

4.3 Algoritmos Propostos

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Nesta seção, detalhamos três algoritmos heurísticos propostos neste trabalho, diferenciando-se pelo tipo de busca local empregada. A fase de construção, comum às três propostas, segue os seguintes passos:

Fase de Construção: Passo 0: A lista de candidatos ( LC ) é constituída por todas as ERBs que podem ser instaladas na rede. Passo 1: Constrói-se a lista de candidatos restrita ( LCR ), formada por algumas ERBs da LC . Através de uma função g (.) , avalia-se o ganho obtido, em termos de cobertura, ao selecionar-se uma ERB j ∈ LC para compor a rede. Em cada iteração desta fase, para toda ERB j ∈ LC , definimos g ( j ) = 1 / M j , sendo M j o número de CDs cobertos pela ERB j . Calculando-se g , g e fixando α = 0.5 , define-se a LCR (vide seção 4.1).

Passo 2: Seleciona-se aleatoriamente uma ERB da LCR para compor o conjunto solução, definido por C ERB . A aleatoriedade confere variabilidade às soluções produzidas nesta fase. Passo 3: Atualiza-se a LC removendo a ERB que foi adicionada à solução ( C ERB ). Os passos (1), (2) e (3) são repetidos até que todos os centros de demanda (CDs) estejam cobertos por pelo menos uma das ERBs da solução. Caso um CD i seja coberto por mais de uma ERB da solução, deve-se associá-lo à ERB j ( j ∈ C ERB ) com maior ganho de propagação g ij , de forma a garantir uma melhor qualidade dos serviços prestados aos CDs. Passo 4: Calcula-se a potência de transmissão a ser alocada a partir do CD i para a sua respectiva ERB j atendendo o serviço s. Essas potências são obtidas a partir da discretização das potências mínimas referentes a cada serviço, ou seja, para cada tipo de serviço s , é construído um vetor p com j posições, atribuindo-se à primeira posição e à última, respectivamente, os valores da potência mínima (pmin) e da potência máxima (pmax) disponibilizadas para o serviço. As demais posições (2,3,...,i, ...,j) deste vetor são preenchidas usando-se a equação: pi = p min + ( p max − p min ) / q ) , onde q é o número de divisões. Em seguida, verificamos se as restrições do SIR (7) são satisfeitas, levando em conta cada um dos serviços disponibilizados e considerando que tenha sido atribuído ao centro de demanda i o menor valor associado a pi . O valor do SIR da conexão de um CD i atendido pela ERB j deve exceder o valor do SIRalvo definido para cada serviço. Sendo assim, para cada restrição (7) não satisfeita, deve-se verificar qual serviço precisa de uma potência maior para atender ao valor do SIR. Uma vez determinado qual é esse serviço, passa-se para a próxima posição do vetor de discretização relacionado ao mesmo, repetindo-se esse processo até que todas as restrições (7) sejam satisfeitas.

Algoritmo (1): GRASP com Busca Local Simples (GRBLS) Para cada ERB do conjunto solução C ERB (fase de construção), verifica-se a possibilidade de retirá-la, realocando-se os seus centros de demanda para as ERBs restantes de C ERB , sem violar as restrições (3), (4) e (5). Repete-se o processo enquanto for possível retirar ERBs da solução. Ao final, recalculam-se as potências de transmissão (Passo 4 da fase de construção).

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Algoritmo (2): GRASP com VNS 1 (GRVNS1) Passo 1: A cada iteração múltipla de 5 do algoritmo, aplica-se a busca local descrita nos passos 2, 3 e 4, nas demais iterações, a busca local do GRBLS. Passo 2: Aplica-se um procedimento VNS, no qual a primeira vizinhança se caracteriza pela troca de uma ERB ativa ( C ERB ) por uma não ativa. Após cada troca, caso as restrições (3), (4) e (5) sejam satisfeitas, calcula-se a potência de transmissão a ser alocada a partir do CD i para a sua respectiva ERB j no atendimento do serviço s. O cálculo da potência de transmissão é o mesmo do passo 4 do algoritmo de construção. Em seguida, caso o valor da função objetivo tenha sido reduzido, atualizamos o conjunto de ERBs ativas e o valor da função objetivo. Este processo se repete até que todas as trocas de ERBs ativas por ERBs não ativas tenham sido testadas. Passo 3: Trocar duas ERBs ativas por uma não ativa. Se as restrições (3), (4) e (5) permanecem satisfeitas, calculam-se as potências de transmissão e atualiza-se o valor da função objetivo, caso este tenha sido reduzido. Este processo se repete até que todas as combinações tenham sido testadas. Passo 4: Análogo ao passo 3, mas trocam-se três ERBs ativas por duas não ativas. Algoritmo (3): GRASP com VNS 2 (GRVNS2) Passo 1: Idêntico ao passo 1 do GRVNS1. Passo 2: Selecionamos, na primeira vizinhança, todas as ERBs não ativas, verificando dentre estas aquela que cobre o maior número de CDs. Em seguida, selecionamos dentre as k ERBs ativas duas ERBs que cubram o menor número de CDs, substituindo-as pela ERB inativa com a maior cobertura. Após cada troca, caso as restrições (3), (4) e (5) sejam satisfeitas, calculam-se as potências de transmissão (passo 4 do algoritmo de construção). Em seguida, havendo redução no valor da função objetivo, atualizamos a solução e o valor da função. Este processo se repete até que todas as ERBs inativas que cobrem a mesma quantidade de CDs (maior número de CDs) tenham sido testadas. Passo 3: Selecionamos na segunda vizinhança todas as ERBs não ativas, verificando dentre estas as ERBs que cobrem a primeira e a segunda maior quantidade de CDs. Em seguida, verificamos dentre as k ERBs ativas as três estações que cobrem o menor número de CDs, substituindo-as pelas ERBs inativas com a primeira e a segunda maior cobertura de CDs. Após cada troca, verificamos novamente se as restrições (3), (4) e (5) são satisfeitas, calculamos as potências de transmissão e atualizamos o valor da função objetivo caso este tenha sido reduzido. Este processo se repete até que todas as ERBs inativas que cobrem a mesma quantidade de CDs (maior e segundo maior número de CDs) tenham sido testadas. Passo 4: Análogo ao passo 3, diferenciando-se apenas pela escolha de três ERBs dentre todas as ERBs inativas que substituíram as 4 ERBs ativas (dentre as k) que cobrem o menor número de CDs. Atualizamos o valor da função objetivo, caso este tenha sido reduzido, e repetimos o processo até que todas as ERBs inativas que cobrem a mesma quantidade de CDs (maior, segundo maior e terceiro maior número de CDs) tenham sido testadas. Passo 5: Análogo aos passos 3 e 4, diferenciando-se apenas pela escolha de quatro ERBS dentre todas as ERBs inativas, repetindo-se o processo até que todas as ERBs inativas que cobrem a mesma quantidade de CDs tenham sido testadas.

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Passos 5, 6 e 7: Análogos aos passos 3 e 4, considerando, respectivamente, a seleção de três, quatro e cinco ERBs inativas dentre as cinco com maior probabilidade de cobertura. 5. Resultados Computacionais A presente seção contém resultados para um conjunto de instâncias utilizadas pelos algoritmos e pela formulação de Franqueira (2003), que sofreu uma pequena alteração, qual seja, a inclusão de uma restrição, que garante que uma potência pij só poderá receber valor diferente de zero se esta for associada a um CD i , coberto por uma ERB j . Os algoritmos propostos foram desenvolvidos em linguagem C, e a formulação foi implementada, utilizando o pacote de otimização LINGO (versão 7). Os resultados foram obtidos em uma máquina com processador Pentium Core 2 Duo de 1.73 GHz, 2 GB de memória RAM e sistema operacional Windows XP. As instâncias utilizadas neste trabalho foram obtidas a partir de um gerador aleatório de problemas. Maiores detalhes sobre a geração de dados podem ser obtidos no trabalho de Franqueira (2003). Em relação aos parâmetros da formulação, atribuiu-se 1,0 ao custo de instalação das ERBs ( f j ) e - 130 dB = 10E - 13 W ao ruído térmico (η j ) percebido em cada uma das antenas para todo local candidato j ∈ J . A demanda ( s ) em cada CD i ∈ I foi fixada em 1. A potência máxima ( Pmax ) de transmissão foi fixada em 30dB = 1W e λ = 1 . Estes valores fixados foram empregados em outros trabalhos da literatura. Os ganhos de propagação do sinal ( g ij ) foram calculados através de um modelo de redes celulares de terceira geração, válidos para frequências de 1.5 a 2.0 GHz (HATA, 1980).

5.1 Resultados A tabela 1 contém informações sobre instâncias com 1 serviço. Nesta tabela, a coluna 1 representa a instância com o número de CDs e ERBs. As colunas 2, 3 e 4 contêm a solução da formulação (valor da função objetivo), as ERBs ativas e o tempo de processamento (em segundos). Observe-se que o tempo máximo de processamento da formulação foi fixado em 12 horas. Os resultados dos algoritmos GRBLS, GRVNS1, GRVNS2, são apresentados respectivamente pelos quartetos de colunas (5, 6, 7, 8), (9, 10, 11, 12) e (13, 14, 15, 16). Cada quarteto mostra o valor da função objetivo, as ERBs ativas, o tempo T de processamento (em segundos) e o Gap, que foi definido como: 100* | sola lg oritmo − sol formulação | / sol formulação . Na execução dos algoritmos, fixamos o número de iterações em 100, o número de filtros em 20 e o valor do parâmetro α em 0.5. Observando os resultados obtidos para as 60 instâncias com 1 serviço, utilizadas neste trabalho, podemos fazer as seguintes considerações:

• A formulação atingiu o ótimo global em 45 (75%) das 60 instâncias e pelo menos um dos algoritmos produziu o ótimo global para as mesmas instâncias, com dispêndio de tempo em geral menor do que o da formulação; • O GRBLS encontrou a solução ótima em 80% das instâncias resolvidas pela formulação e uma solução melhor em 40 % das instâncias não resolvidas (em 12 horas, pelo LINGO);

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• O GRVNS1 encontrou a solução ótima em 93,33% das instâncias resolvidas. Em 73,33% das instâncias não resolvidas, encontrou soluções melhores e, nas demais instâncias (26,67 %), encontrou soluções iguais à do LINGO, em um tempo computacional menor; • O GRVNS2 encontrou a solução ótima em 97,78% das instâncias resolvidas. Considerando as instâncias não resolvidas pelo LINGO (12 horas), o GRVNS2 encontrou soluções melhores em 40%, soluções iguais em 53,33% e soluções piores em 6,67% dos casos; • O GRVNS1 é o mais estável, pois apresenta resultados melhores ou iguais ao da formulação para todas as instâncias não resolvidas pelo LINGO, contudo o GRVNS2 apresenta um maior número de soluções ótimas para as instâncias resolvidas pela formulação. Inst Cd_Erb 50_10 50_20 50_30 70_30 70_40 80_30 80_40 90_10 90_20 90_30 90_40 90_50 100_10 100_20 100_30 100_40 100_50 110_20 110_30 110_40 120_20 120_30 120_40 140_20 140_30 140_40 140_50 150_20 150_30 150_40 150_50 160_20 160_30 160_40 160_50 170_20 170_30

TABELA 1 – Resultados da Formulação e dos Algoritmos, utilizando 1 serviço Formulação GRBLS GRVNS1 GRVNS2 Fobj Erb T Fobj Erb T Gap Fobj Erb T Gap Fobj Erb T 18.23 7 0 18.23 7 1 0.0% 18.23 7 1 0.0% 18.23 7 0 17.23 6 2 17.23 6 0 0.0% 17.23 6 2 0.0% 17.23 6 0 17.23 6 5 17.23 6 1 0.0% 17.23 6 2 0.0% 17.23 6 1 22.72 7 8 23.73 8 1 4.4% 22.73 7 2 0.0% 22.73 7 2 22.72 7 1549 22.72 7 3 0.0% 22.72 7 8 0.0% 22.72 7 3 25.97 8 12 25.97 8 2 0.0% 25.97 8 5 0.0% 25.97 8 2 22.97 5 864 22.97 5 2 0.0% 22.97 5 2 0.0% 22.97 5 1 26.21 6 2 26.21 6 1 0.0% 26.21 6 1 0.0% 26.21 6 1 28.21 8 6 28.21 8 1 0.0% 28.21 8 2 0.0% 28.21 8 1 26.21 6 17 27.21 7 1 3.8% 26.21 6 4 0.0% 26.21 6 1 28.21 8 6 29.21 9 3 3.5% 28.21 8 167 0.0% 29.21 9 2 27.21 7 5195 28.21 8 4 3.7% 28.21 8 11 3.7% 27.21 7 4 28.46 6 2 28.46 6 1 0.0% 28.46 6 2 0.0% 28.46 6 1 30.46 8 7 30.46 8 2 0.0% 30.46 8 5 0.0% 30.46 8 3 30.46 8 19 30.46 8 1 0.0% 30.46 8 4 0.0% 30.46 8 2 30.46 8 60 30.46 8 3 0.0% 30.46 8 9 0.0% 30.46 8 3 30.46 8 43200 29.46 7 3 29.46 7 1 29.46 7 3 31.71 7 16 31.71 7 0 0.0% 31.71 7 2 0.0% 31.71 7 1 32.71 8 2131 32.71 8 2 0.0% 32.71 8 7 0.0% 32.71 8 2 31.71 7 1322 32.71 8 2 3.2% 32.71 8 15 3.2% 31.71 7 3 34.95 8 6 34.95 8 2 0.0% 34.95 8 4 0.0% 34.95 8 2 33.95 7 268 34.95 8 2 3.0% 33.95 7 4 0.0% 34.95 8 2 33.95 7 11216 33.95 7 2 0.0% 33.95 7 6 0.0% 33.95 7 3 40.44 9 17 40.44 9 1 0.0% 40.44 9 2 0.0% 40.44 9 2 40.44 9 100 40.44 9 3 0.0% 40.44 9 18 0.0% 40.44 9 4 42.44 11 43200 40.44 9 3 40.44 9 17 40.44 9 4 41.44 10 43200 40.44 9 5 40.44 9 16 40.44 9 4 44.69 11 15 44.69 11 7 0.0% 44.69 11 17 0.0% 44.69 11 9 47.69 14 34 47.69 14 12 0.0% 47.69 14 85 0.0% 47.69 14 15 44.69 11 83 44.69 11 5 0.0% 44.69 11 25 0.0% 44.69 11 6 41.69 8 43200 41.69 8 4 41.69 8 9 41.69 8 4 46.94 11 18 46.94 11 7 0.0% 46.94 11 16 0.0% 46.94 11 8 46.94 11 63 46.94 11 3 0.0% 46.94 11 15 0.0% 46.94 11 4 46.94 11 7239 46.94 11 5 0.0% 46.94 11 8 0.0% 46.94 11 6 46.94 11 43200 45.94 10 5 45.94 10 12 46.94 11 6 48.18 10 31 49.18 11 3 2.1% 48.18 10 49 0.0% 48.18 10 4 48.18 10 304 49.18 11 3 2.1% 48.18 10 14 0.0% 48.18 10 4

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Gap 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 3.5% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 3.0% 0.0% 0.0% 0.0%

0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0% 0.0%


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170_40 48.18 10 43200 48.18 170_50 49.18 11 43200 49.18 180_20 50.43 10 39 50.43 180_30 51.43 11 51 51.43 180_40 50.43 10 43200 50.43 180_50 51.43 11 43200 51.43 190_20 52.67 10 32 54.67 190_30 10 222 52.67 190_40 52.67 10 43200 54.67 190_50 53.67 11 43200 53.67 200_20 58.92 14 25 58.92 200_30 53.92 9 71 53.92 200_40 60.92 16 106 60.92 200_50 58.92 14 43200 57.92 200_60 60.92 16 394 60.92 200_70 57.92 13 383 57.92 220_30 53.92 9 71 53.92 220_40 59.41 10 43200 59.41 220_50 62.41 13 43200 62.41 220_60 64.41 15 43200 61.41 250_40 75.15 19 158 75.15 250_50 78.15 22 256 78.15 250_60 73.15 17 358 73.15 *Valores em vermelho – formulação melhor do que a da formulação

10 4 11 5 10 6 11 3 10 4 11 6 12 11 10 3 12 5 11 6 14 19 9 8 16 26 13 8 16 14 13 16 9 8 10 4 13 7 12 8 19 22 22 74 17 16 não atingiu

47.18 9 13 48.18 10 48.18 10 69 49.18 11 0.0% 50.43 10 15 0.0% 50.43 10 0.0% 51.43 11 27 0.0% 51.43 11 49.43 9 12 49.43 9 51.43 11 41 51.43 11 3.8% 53.67 11 2 1.9% 52.67 10 0.0% 52.67 10 12 0.0% 52.67 10 52.67 10 239 53.67 11 52.67 10 64 53.67 11 0.0% 58.92 14 29 0.0% 58.92 14 0.0% 53.92 9 33 0.0% 53.92 9 0.0% 60.92 16 363 0.0% 60.92 16 57.92 13 107 57.92 13 0.0% 60.92 16 198 0.0% 60.92 16 0.0% 57.92 13 75 0.0% 57.92 13 0.0% 53.92 9 33 0.0% 53.92 9 59.41 10 19 59.41 10 62.41 13 121 62.41 13 61.41 12 114 61.41 12 0.0% 75.15 19 489 0.0% 75.15 19 0.0% 78.15 22 2041 0.0% 78.15 22 0.0% 73.15 17 341 0.0% 73.15 17 o ótimo global, **Valores em azul – solução

5 2 8 0.0% 5 0.0% 4 6 3 0.0% 4 0.0% 6 6 21 0.0% 11 0.0% 32 0.0% 9 16 0.0% 18 0.0% 10 0.0% 7 8 8 27 0.0% 87 0.0% 21 0.0% do algoritmo

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Transportes e emissões de CO2: uma abordagem baseada na metodologia do IPCC Mayara de Moraes João (UFSM) may.mmj@bol.com.br Daniel de Moraes João (FAM) dmjoao@gmail.com

Resumo: Esta pesquisa apresenta os resultados encontrados em um estudo que teve como objetivo mostrar a importância do setor de transportes nas emissões de dióxido de carbono (CO2) dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minhas Gerais e Rio Grande do Sul, identificando as suas principais fontes de emissão e possíveis causas. A quantificação das emissões de CO2 foi baseada na metodologia do IPCC, que é adotada pelo governo brasileiro para a elaboração do inventário nacional de gases de efeito estufa. Após quantificar as emissões, foi utilizado o diagrama de Pareto e o diagrama de Causa e Efeito de 4M, com o objetivo de analisar as emissões de maneira sistemática e, desta forma, identificar as suas principais causas. Foi observado que o setor de transportes rodoviário foi o principal consumidor de combustíveis fósseis no estado do Rio Grande do Sul, verificando assim sua influência nas emissões. Esta pesquisa possibilitou obter informações importantes sobre as principais fontes emissoras de CO2, mostrando os pontos a serem combatidos para reduzilas, através de um plano de ação específico. Palavras-chave: Consumo de Combustíveis, gerenciamento de emissões, setor de transportes 1. Introdução A produção e uso da energia figuram como as causas que geram maior impacto para o meio ambiente dentre todas as atividades desenvolvidas pelo homem (Mattos, 2001). O petróleo, que é a fonte de energia primária dominante, tem 57% de seu consumo em todo o mundo, destinado ao setor de transporte (IEA, 2006), sendo usado tanto para o deslocamento de passageiros como de cargas. Esse setor é uma das mais importantes forças motrizes da economia mundial, pois permite a movimentação de bens e serviços, contribuindo para o crescimento econômico. Estima-se que o valor adicionado à economia pelo setor de transportes equivalha de 3 a 5% do Produto Interno Bruto de um país (MATTOS, 2001). Pode-se dividir o setor de transportes de acordo com seus modos: aéreo, aquaviário, dutoviário (somente para o transporte de carga), ferroviário e rodoviário. Deve-se destacar que, em relação ao consumo, cada modal apresenta uma intensidade energética. No Brasil, pode ser percebida uma grande tendência ao uso do modal rodoviário, tanto para o transporte de carga, quanto para o de passageiros. As Figuras 1 e 2 confirmam essa tendência.

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FIGURA 1 - Percentual dos passageiros-quilômetro transportados, por modo de transporte no Brasil (1999) Fonte: GEIPOT (2000)

FIGURA 2 - Percentual de carga transportada/toneladas-quilômetro, por modo de transporte no Brasil (1999) Fonte: GEIPOT (2000)

Uma das diferenças dos transportes em relação aos outros setores é a sua dependência pelos derivados do petróleo. A Figura 3 comprova essa dependência, mostrando a evolução do consumo de derivados de petróleo pelos diferentes setores da economia brasileira durante o período compreendido entre 1970 e 2005.

FIGURA 3 – Evolução dos consumos setoriais – Brasil (1970 – 2005). Fonte: MME (2006)

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De modo análogo aos outros países, no Brasil, as emissões de CO2, também vêm aumentando gradativamente (ARAÚJO, 2006) e, estas emissões estão diretamente associadas à queima de combustíveis fósseis. O uso direto desses combustíveis para a produção de energia é, segundo o Centro Clima (2005), o principal responsável pelas emissões de CO2 e foi responsável por 88,78% do total das emissões no uso de energia, sendo que o consumo de energia elétrica participou com 11,22%. Entre todos os setores que emitem CO2, o setor de transportes é o que está crescendo mais rapidamente, representando de 22 a 24% das emissões globais dos gases de efeito estufa de fontes de combustíveis fósseis (WANG, 2007). Esse aumento das emissões de CO2 associa-se com o maior consumo de energia do petróleo, que se deve principalmente à crescente taxa de motorização da população mundial (ARAÚJO, 2006). Essas emissões dos transportes são responsáveis por problemas ambientais, principalmente afetando as mudanças climáticas (ROOT, 1999). Nesse sentido, o efeito estufa e o aquecimento global são algumas das principais preocupações de governos e de instituições internacionais ligadas aos problemas ambientais. Porém, existem confusões em relação a esses termos. Assim, para esclarecer esses problemas, pode-se dizer que o efeito estufa é um processo que acontece quando uma parcela dos raios vermelhos refletidos pela superfície terrestre é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera. Esse fenômeno dentro de uma determinada faixa é de vital importância para a manutenção das condições de vida na Terra, pois ele mantém a temperatura em um nível maior do que seria na ausência desses gases. Contudo, o que pode se tornar catastrófico é a ocorrência de um agravamento do efeito estufa, que acabaria por desestabilizar o equilíbrio energético do planeta, originando o aquecimento global. Segundo o Relatório do Painel Intergovernamental para as Mudanças Climáticas (IPCC) (2001), a maioria do aquecimento observado durante os últimos 50 anos se deve muito provavelmente a um aumento dos gases de efeito estufa. Assim fica entendido que o efeito estufa por si só não é um problema, é inclusive benéfico para a vida na Terra, mantendo as condições ideais para a sua manutenção, com temperaturas adequadas. Porém, é o excesso de gases de efeito estufa que provoca o aquecimento global, este sim, um grande problema (NETO, 2002). Os gases de efeito estufa são: o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4), o óxido nitroso (N20) e os clorofluorcarbonetos (CFCs). No entanto, gases como os óxidos de nitrogênio (NOx), o monóxido de carbono (CO), os halocarbonos e outros de origem industrial como o hidrofluorcarbono (HFC), o perfluorcarbono (PFC) também são exemplos de gases de efeito estufa (Mendonça e Gutierez, 2000). Dos gases de efeito estufa emitidos do uso de combustíveis fósseis, o principal gás emitido é o CO2 (MICHAELIS e DAVIDSON, 1996), que é responsável por mais da metade dos resultados causados pelo efeito estufa, além de ser o mais liberado dentre as emissões de origem antrópicas, e está diretamente envolvido na maioria das atividades humanas. Desta maneira, ele é o gás mais importante no sentido de regulação e gerenciamento do efeito estufa.

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O Manual de Inventários de Gases de Efeito Estufa do IPCC (1996) confirma que o CO2 de origem antrópica é principalmente emitido pela combustão de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás natural), seus processos industriais e pela queima de combustíveis renováveis (álcool, bagaço de cana, óleos vegetais, etc.). Porém, as emissões derivadas do uso dos combustíveis renováveis não são contabilizadas nas emissões de energia, e sim na categoria de fontes diversa, sendo que suas emissões são consideradas nulas (ROSA e MUYLAERT, 2001), pois nestes casos o CO2 emitido em sua combustão é absorvido na produção da biomassa, ou seja, no seu processo de fotossíntese. O Brasil apresenta uma forte tendência para uso do modal rodoviário no seu sistema de transporte, tanto para o transporte de cargas como de pessoas. Quanto ao uso de combustíveis, os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul utilizam combustíveis fósseis líquidos e gasosos para a obtenção de energia, com destaque para o consumo de gasolina e óleo diesel. Os dados da tabela 1 mostram o consumo de combustíveis no estado. Tabela 1 – Consumo de Combustíveis nos estados de SP, RJ, MG e RS (2000 – 2006) Combustível 3

Gasolina (m ) 3

Gasolina de aviação (m ) 3

Álcool hidratado (m ) 3

Óleo diesel (m ) 3

Óleo combustível (m ) 3

GLP (m )

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

13.513.539

13.336.454

13.353.289

12.554.683

13.027.512

13.161.423

13.298.704

36.730

38.240

27.154

20.245

22.525

23.686

24.092

2.905.712

2.136.343

2.476.830

2.056.482

3.049.272

3.162.660

4.498.107

17.455.842

18.545.391

18.759.463

18.249.830

19.194.893

19.132.355

18.130.466

6.428.008

5.895.087

4.485.391

3.244.206

2.717.282

2.395.818

1.847.308

6.925.795

6.935.404

6.725.705

6.357.762

6.445.098

6.328.543

6.330.392

3

n/d

n/d

n/d

n/d

n/d

n/d

n/d

3

Queros. de aviação (m )

2.814.807

3.215.935

2.864.256

2.601.951

2.745.519

2.962.539

2.870.846

3

93.849

146.075

157.677

137.165

73.422

26.980

20.007

Gás natural veicular (m )

Queros. iluminante (m )

n/d – dado não disponível Fonte: ANP (2007)

4. Metodologia A quantificação das emissões de CO2 foi realizada baseando-se na metodologia do IPCC, que foi oficialmente adotada pelo governo brasileiro para a elaboração do inventário nacional de gases de efeito estufa. O IPCC é um painel das Nações Unidas que reúne mais de 300 cientistas em todo o mundo que estudam as questões que envolvem o aquecimento global, seus prováveis impactos e as potenciais políticas de resposta. Essa metodologia, conhecida como abordagem de referência, leva em conta apenas as emissões de dióxido de carbono (CO2) a partir dos dados de produção e consumo de energia, sem especificar como essa energia é consumida. Mattos (2001) simplifica a metodologia através da equação 1, QCO2 = CC x FE Onde, QCO2: quantidade de carbono (tC);

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(1)


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CC: consumo de combustível (TJ); FE: fator de emissão (tC/TJ). Como cada combustível possui um conteúdo energético diferente, o primeiro passo da metodologia é a conversão do consumo aparente para sua unidade comum de energia. Os fatores de conversão foram obtidos no Balanço energético Nacional (1999) e o valor médio de energia do tEP brasileiro (tEP – tonelada equivalente de petróleo, onde o conteúdo energético de 1 tEP é função do tipo de petróleo utilizado como padrão) usado foi 1 tEP brasileiro = 10.800 Mcal = 45,2174 TJ. Os fatores de emissão da equação 1 foram retirados da metodologia IPCC (1996). Para as emissões de CO2, foram obtidos os dados de consumo de combustíveis fornecidos pela ANP. Para se obter a conversão de uma tonelada de C em uma tonelada de CO2 utiliza-se o cálculo estequiométrico que multiplica o valor em tonelada de C pelo fator (44/12), que resultam em tonelada de CO2. Em relação ao álcool derivado da cana de açúcar, as emissões de CO2 são consideradas zero. Isso acontece por que o CO2 liberado no processo de combustão dos veículos é reabsorvido através da fotossíntese. Após quantificar as emissões de CO2 no Rio Grande do Sul, foi utilizado o diagrama de Pareto, que possibilitou analisar essas emissões de maneira sistemática, mostrando quais os combustíveis têm maiores influências no problema do aquecimento global, colocando-os em ordem de prioridades. Desta forma, a tomada de decisões fica facilitada, pois com a utilização de critérios de prioridades fica claro por onde iniciar as ações de gerenciamento de CO2. Depois de identificado o problema e reconhecida as características desse problema, deve-se descobrir as suas causas principais. Para isso, então, foi usado o diagrama de Causa e Efeito de 4M, que considera que as causas do problema podem ter quatro possíveis origens: mão-de-obra, método, máquina e material. Deste modo, as prováveis causas das emissões tornam-se visíveis, facilitando o seu gerenciamento, através de um plano de ação, que busque o seu controle e mitigação. 5. Análise dos Resultados As emissões totais de CO2 nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, durante o período compreendido entre 2000 e 2006, estão quantificados na tabela 2.

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Tabela 2 – Emissões de CO2 por combustível em SP, RJ, MG e RS em Gg CO2 (2000-2006) Combustível

2000

2001

2002

2003

2004

2005

2006

30.706

30.304

30.342

28.528

29.602

29.906

30.218

82

86

61

45

50

53

54

Álcool hidrat. (m )

0

0

0

0

0

0

0

Óleo diesel (m3)

46.629

49.540

50.112

48.750

51.275

51.108

48.431

3

Óleo combus. (m )

19.753

18.115

13.783

9.969

8.350

7.362

5.677

GLP (m3)

20.224

20.252

19.640

18.566

18.821

18.480

18.486

Gás Nat. veic. (m )

Nd

Nd

Nd

Nd

Nd

Nd

Nd

Queros. avi.(m3)

6.296

7.193

6.406

5.819

6.141

6.626

6.421

Queros. ilum. (m )

233

362

391

340

182

67

50

Total (Gg CO2)

123.923

125.852

120.735

112.017

114.421

113.602

109.337

3

Gasolina (m ) Gas. de avi. (m3) 3

3

3

Fonte: Elaboração própria a partir de dados da ANP (2007)

A partir da quantificação das emissões de CO2 na tabela 2, montou-se o diagrama de Pareto a seguir. Através da Regra 80-20 podemos observar que aproximadamente 80% dos combustíveis são responsáveis por cerca de 20% das emissões e, 20% dos combustíveis respondem por 80% das emissões totais.

FIGURA 4 – Emissões de CO2 nos estados de SP, RJ, MG e RS entre 2000 e 2006 Fonte: Elaboração própria a partir dos dados da ANP.

Definidas as duas principais fontes de emissão de CO2 no setor rodoviário, óleo diesel e gasolina, podem-se descobrir as prováveis causas que aumentam o consumo padrão desses combustíveis, resultando em um acréscimo ainda maior nas emissões, a partir do diagrama de Causa e Efeito, conforme a Figura 5.

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Máquina

Mão-de-obra

Veículo desregulado

Manobras Perigosas

Conduzir em alta velocidade

Componentes modificados

Motores termodicamicamente ineficientes

Ineficiente utilização trasnp. carga/passageiros

Combustíveis adulterados Uso de outros produtos não recomendados Material

Consumo maior de gasolina e óleo diesel

Condições das estradas Método

Figura 5 – Diagrama de Causa e Efeito

Cabe lembrar que o modal rodoviário possui um nível de consumo de combustíveis que é necessário para a realização de suas atividades, sendo que para que haja a diminuição desse padrão deverá haver políticas específicas para a redução do consumo ou avanços no sentido da tecnologia usada nos veículos. Porém, o problema das emissões não fica restrito a essas emissões padrão, pois o consumo de combustíveis pode aumentar de forma significativa, devido as várias causas levantadas na figura 5. Estimativas mostram que o setor de transportes pode reduzir suas emissões no ano de 2025 em até 40% a partir de mudanças nos projetos dos veículos, através de materiais e mecanismos mais eficientes; redução do tamanho dos veículos; mudança para combustíveis alternativos; redução no nível de atividade de transporte de passageiros e cargas pela alteração do padrão de uso do solo, sistemas de transporte, padrões de deslocamentos e estilos de vida; e a mudança para modais de transporte menos intensivos em energia (MICHAELIS e DAVIDSON, 1996). Segundo Root (1999), nós gastamos, em média, mais de uma hora por dia no carro. Porém, apesar de o total das emissões de CO2 de um carro ser na sua maioria do combustível usado (76%), 9% refere-se à fabricação do veículo e 15% às emissões e perdas do sistema de fornecimento de combustíveis (CHAPMAN, 2007). Entre as causas que provocam o consumo excessivo dos combustíveis encontramos os motores termodinamicamente ineficientes, pois um motor de automóvel, por exemplo, converte somente cerca de 25% da energia primária contida no combustível, perdendo o restante da energia na forma de calor na água de refrigeração, no escapamento, etc. Em condições de marcha lenta, nos congestionamentos de tráfego, por exemplo, uma parte menor ainda, de 10 a 15% da energia primária do combustível é usada para propelir o veículo (MATTOS, 2001).

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Os veículos desregulados dizem respeito aos modelos antigos e veículos de carga, com tecnologias ultrapassadas, que precisam de manutenção constante e consomem um nível maior de combustíveis, provocando mais emissões de CO2. Os componentes modificados referem-se às alterações no motor, suspensão, pneus, escapamento, etc. que alteram as configurações originais do veículo, mudando o seu rendimento e, em geral, aumentando seu consumo, agravando seu poder de poluição. As manobras perigosas e condução em alta velocidade são características do estilo de vida do condutor. Apesar de existirem normas de conduta e fiscalizações para controlar essas ações, elas acontecem com grande freqüência, provocando um consumo elevado de combustíveis e, conseqüentemente, maiores níveis de emissões. De acordo com a ineficiente utilização dos transportes de carga e passageiros, a medida que cai o número de ocupantes por veículos ou a quantidade de carga transportada, aumentam as emissões por distância percorrida, per capita ou por tonelada. As condições das estradas também contribuem com o aumento das emissões de CO2, pois as vias mal conservadas influenciam na eficiência com que os veículos operam, ou seja, exigem dos motoristas acelerações e desacelerações constantes, aumentando o consumo e, desta forma, as emissões. O uso de combustíveis adulterados, que se caracteriza pelo acréscimo de outros produtos ao combustível, como por exemplo, álcool ou solvente na gasolina, água no álcool, etc., o que provoca danos ao motor (com aumento do consumo e perda da potência), que aumentam as emissões. Apresentadas as causas, pode-se afirmar que o gerenciamento dessas, pode trazer uma redução importante nas emissões de CO2, principalmente no sentido de trazer uma resposta imediata aos problemas de poluição local e, com o tempo a redução das emissões dos gases de efeito estufa. Deste modo, percebe-se claramente que o setor de transportes possui um grande potencial de conservação da energia e conseqüente redução de emissão de gases de efeito estufa (Mattos, 2001). 6. Conclusões A população pode ser considerada responsável pela mudança de como a relação da energia solar interage com a atmosfera do planeta. O clima global vem sendo alterado pelas atividades humanas e, como conseqüência, a temperatura média da Terra está aumentando. O setor dos transportes, através da energia consumida basicamente das fontes fósseis, derivadas do petróleo, possui um papel de destaque nas emissões de CO2. No curto prazo, principalmente no modal rodoviário, não existe alternativas de substituição dos derivados de petróleo. As alternativas menos intensivas nas emissões de CO2, como os combustíveis derivados de biomassa, gás natural veicular, eletricidade, etc. tem o seu uso limitado pela tecnologia, custos, disponibilidade, entre outros fatores. Pode-se prever que, se não houver nenhuma intervenção, as emissões de CO2 oriundas dos transportes aumentarão significativamente. Isso irá ocorrer devido às previsões de grandes crescimentos nos próximos anos entre a demanda por transportes e o produto interno bruto no país e devido aos transportes serem baseado nos derivados do petróleo, sem uma alternativa viável para o curto prazo.

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Deste modo, pode-se afirmar que o setor de transportes possui um grande potencial de conservação de energia e conseqüente redução de emissão dos gases de efeito estufa, através do gerenciamento de suas causas. A partir do estudo do cálculo das emissões do uso de combustíveis fósseis para o estado do Rio Grande do Sul, comprovou-se a importância do setor de transportes no consumo de energia e nas emissões de CO2. Através do diagrama de Pareto ficou em evidência a participação destacada do óleo diesel e da gasolina no consumo do modal rodoviário, e conseqüentemente nas emissões de CO2. Através dos resultados das emissões pode-se verificar as emissões per capita do total de combustível consumido nos estados analisados, durante o período estudado, que foi 819.887 Gg CO2, que equivale a 9499,67 KgCO2 por habitante. Também foi observado que no período estudado houve uma variação nas emissões, que chegaram a apresentar um decréscimo a partir do ano de 2004. Porém, foi constatado que essa redução foi aleatória, não havendo nenhuma política específica para esse resultado, sendo que esse efeito é ligado à oferta de álcool no estado. Isso acaba por comprovar ainda mais que, se houvesse uma política específica para o gerenciamento das emissões, poderiam ser conseguidos resultados positivos significativos, que trariam além da diminuição da poluição local e melhoria da qualidade de vida da comunidade, uma redução das emissões de gases de efeito estufa oriundos dos combustíveis fósseis, contribuindo positivamente para um problema de nível global. Foram identificadas também, as prováveis causas que elevam o consumo de combustíveis, aumentando as emissões de CO2. Assim, com as origens e as causas identificadas, o caminho para a formulação de um plano de ação específico fica mais claro, pois se pode entender melhor esse processo, fazendo com que a busca pela melhoria contínua, ou seja, a diminuição da emissão dos gases de efeito estufa oriundos do setor de transportes seja entendida e, assim, abordada como um processo a ser melhorado. Contudo, o que se observa nos dias de hoje é a evolução de todos os fatores apresentados como as causas das crescentes emissões de CO2. As pessoas vêm utilizando os automóveis de passeio com menor número de ocupantes, o uso do solo nas cidades não é planejado, a eficiência no uso de energia não melhorou muito nos últimos anos e, os combustíveis usados no transporte ainda são, em sua grande maioria, derivados do petróleo, apesar de o Brasil apresentar condições de desenvolver combustíveis de fontes renováveis, como o álcool, gás natural e biodiesel. Referências BRASIL. Ministério de Minas e Energia. Balanço Energético Nacional 2006: Ano base 2005. Rio de Janeiro: Empresa de Pesquisa Energética, 2006. CAMPOS, V. F. TQC: Controle da qualidade total (no estilo japonês). Belo Horizonte: Fundação Cristiano Ottoni, Escola de Engenharia da UFMG, 1992. CENTRO DE ESTUDOS INTEGRADOS SOBRE MEIO AMBIENTE E MUDANÇAS CLIMÁTICAS – CENTRO CLIMA. Inventário de emissões de gases de efeito estufa do município de São Paulo. Rio de Janeiro: Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2005. CHAPMAN, L. Transport and climate change: a review. Journal of Transport Geography. Birmingham: 2007. Disponível em: <http://www.sciencedirect.com>. Acesso em: 22 jun. 2007.

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RIO GRANDE DO SUL. Departamento Estadual de Trânsito. Assessoria de Estatística. Disponível em: <http://www.detran.rs.gov.br/>. Acesso em: 10 de junho de 2007. FUNDAÇÃO DE ECONOMIA E ESTATÍSTICA – FEE. Dados estatísticos. Disponível <http://www.fee.rs.gov.br/feedados/consulta/sel_modulo_pesquisa.asp> Acesso em: 10 de junho de 2007.

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Revista INGEPRO  

Inovação, Gestão e Produção

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