Page 1

Preço € 5,00 - Quadrimestral - Primavera/Verão 2011


Espiral do Tempo #36 – primavera verão 2011 16 Grande Plano: Volta ao Mundo O Breguet Classique 5717 Hora Mundi é um exemplo perfeito da consagrada mestria da histórica casa relojoeira. 18 Grande Plano: Cinema Paraíso Na Mille Miglia 2011, os automóveis participantes puderam assistir ao trailer oficial de lançamento do segundo capítulo da animação Cars. 20 Grande Plano: We will rock you A Raymond Weil celebra o seu 35º aniversário ao som de novos modelos e de uma nova imagem associada ao mundo do rock. 22 Editorial, por Hubert de Haro 26 Cúmplices 28 Internet: Surf’n tell 30 Iniciativa: TAG Heuer Tour 2011 Mais uma fantástica oportunidade para unir a paixão pelo golfe à paixão pela relojoaria. 32 Crónica: Sobretudo Capote, por Rui Cardoso Martins 34 Tema de Capa: Nova aquisição Franck Muller, por Hubert de Haro e Miguel Seabra André Villas-Boas é o novo embaixador da Franck Muller. Para ele, a capacidade para gerir um grupo de trabalho é crucial para o verdadeiro sucesso. 40 Caderno de Viagem: No reverso dos dias, por Rui Cardoso Martins O cronista da Espiral do Tempo deixou-se levar pela magia da bela relojoaria numa visita inesquecível ao coração da Jaeger-LeCoultre. Testemunho na primeira pessoa. 46 Reportagem: Deutsche Technologie, por Hubert de Haro Foi em Glashütte que Walter Lange decidiu soprar as 165 velas da A.Lange & Shöne. A Espiral do Tempo foi a única revista da Península Ibérica convidada para o evento. 48 Reportagem: Com todo o mérito, por Hubert de Haro A equipa de Anthony de Haas inspirou-se num relógio de bolso de 1807 para conceber o Richard Lange Tourbillon Pour le Mérite. 50 Reportagem: Novas fronteiras, por Miguel Seabra No espaço de um ano, a Rolex reformolou dois instrumentos emblemáticos da sua coleção Oyster Perpetual Professional – dois modelos da linha Explorer. 54 Entrevista: «Acho que vivi num tempo maravilhoso», por Paulo Costa Dias Elvira Fortunato tornou-se um caso sério de popularidade na comunidade científica internacional com o seu trabalho na área da eletrónica invisível. 58 Reportagem: A Era da cerâmica, por Cesarina Sousa Utilizada com frequência como armadura nos relógios de pulso, a cerâmica técnica vai sendo também adaptada ao coração dos movimentos mecânicos. 64 Iniciativa: Raymond Weil by you Um curioso desafio levou os aficionados da marca a partilharem num vídeo a sua ligação com os seus relógios. 66 Evento: Métiers d’Art «Chagall & l’Opéra de Paris» No âmbito das Journées des Métiers d’Art em Paris, foi inaugurada a exposição Talents d’Exception que conta com o apoio da Vacheron Constantin. 68 Embaixador: Touch down! Desta vez, foi o pulso poderoso de Dimitri Szarzewski que se revelou perfeito para os modelos da Graham-London.


70 Submetidos à questão As novidades 2011 apresentadas pelos protagonistas das marcas. 72 Produção: A nossa escolha A Espiral do Tempo apresenta uma seleção de modelos excecionais com base nos lançamentos dos principais certames mundias de relojoaria deste ano. 84 Dicas: Tecnicismos, por Miguel Seabra Para que nada falhe, alguns conselhos úteis para conhecer e cuidar do seu relógio de pulso. 86 Perfil: «Um relógio de exceção traduz o caráter de quem o usa» A Relojoaria Faria celebra 75 anos. José Faria falou com a Espiral do Tempo e falou de uma história alimentada pelo respeito que esta casa sempre teve pelos seus clientes. Em Foco: por Miguel Seabra 90 Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Minute Repeater 92 TAG Heuer Aquaracer 500 Full Black 94 Graham Chronofighter Fortress 96 Fortis B-47 Calculator GMT 98 Porsche Design P’6530 Heritage 100 Franck Muller Curvex Black Croco 102 Audemars Piguet Royal Oak Offshore Bumble Bee 104 Breguet Le Réveil du Tsar 106 Bvlgari Daniel Roth Papillon Chronographe 108 Panerai Radiomir Egiziano 110 Laboratório: Cvstos Calibre CVS 2650, por Dody Giussani 114 Entrevista: «Não posso dizer que conheça o significado do fracasso», por Paulo Costa Dias Humberto Barbosa é, sobretudo, trabalhador, um profissional exigente e um gestor inteligente que conhece o mundo e a espécie humana. 118 Acessórios masculinos 122 Novidades: Brilho em Genebra Diane Kruger apresentou no SIHH 2011 o novo Grande Reverso Lady Ultra Thin. 124 Glamour 130 Editorial de moda: Semi frio Fotografia e Realização: Nuno Correia 136 Editorial de moda Chopard: Temptations 142 Editorial de moda: Color Dreams Realização: Ricardo Preto; Fotografia: Nuno Correia 154 Reportagem: Central Horária Patek Philippe no OAL, por Fernando Correia de Oliveira A história por trás da incontornável central horária que faz parte da história da instituição portuguesa que celebra 150 anos.

13

158 Reportagem: Uma questão de escamas, por Carlos Torres O que distingue, afinal, um crocodilo de aligátor? Uma dúvida que assume a máxima importância no contexto da alta-relojoaria. 162 Crónica: Bom tempo, por José Luís Peixoto


grande plano


17

Volta ao mundo Apresentado na BaselWorld como uma novidade deste ano, o Breguet Classique 5717 Hora Mundi é um exemplo da consagrada mestria da histórica casa relojoeira. Disponível em três versões de mostrador, em que cada um representa uma parte do mundo, resultou de três anos de intenso trabalho. Este é o primeiro relógio mecânico com indicador saltante do segundo fuso horário. Uma simples pressão no botão permite alternar a indicação entre dois fusos horários pré-selecionados. No disco central do mostrador aqui em grande plano, salta à vista o minucioso trabalho decorativo: do resplandecente mapa do contiente americano, passando pela representação detalhada dos oceanos e pelo disco de indicação do dia e da noite, cada detalhe faz deste relógio uma obra surpreendente...


grande plano


19

Cinema Paraíso Itália recebeu, de 12 a 14 de maio, mais uma Mille Miglia, a clássica competição que reúne automóveis construídos entre 1927 e 1957 e aficionados do mundo inteiro. O famoso circuito Brescia-RomaBrescia inclui a passagem por sete diferentes regiões, 177 cidades e um estado estrangeiro, San Marino. A Chopard mantém-se fiel como patrocinadora oficial do evento e voltou a apresentar, como é tradição, mais um modelo Mille Miglia na sua coleção Classic Racing. Sabemos que, apesar de reunir apaixonados dos mais diversos lugares, na Mille Miglia os automóveis são efetivamente o centro das atenções e este ano tiveram direito a um momento muito especial. Os clássicos participantes assistiram durante algumas horas, na Piazza della Loggia, à apresentação do trailer oficial do Cars 2, o segundo capítulo da animação da Disney/Pixar que se revelou um verdadeiro sucesso. Sem desviar o olhar por um instante que fosse, cada um dos automóveis pôde assim relaxar sem pressas!


grande plano


21

We will rock you A ópera e a música clássica fazem parte da tradição Raymond Weil desde os primeiros tempos. Uma opção associada às peças distintas e de perfil elegante que, aos poucos, foram enriquecendo o catálogo da marca suíça. No entanto, e mais do que nunca, o mundo da relojoaria vive ao ritmo da mudança, ao som de novos caminhos e mesmo marcas de perfil mais discreto, caso da Raymond Weil, ousam fazer incursões mais arriscadas, marcando uma posição que mais não é do que uma prova da sua maturidade. Nascem, assim, modelos de sucesso como o Nabucco ou o Freelancer – a ‘amplificação’ de todo um lado inovador e independente da marca que este ano celebra o seu 35º aniversário. De repente, a música é outra...


editorial

Uma década A mais antiga casa de champanhe do mundo – a Ruinard (1729) – organiza regularmente visitas muito exclusivas às suas ‘caves’: grupos com o máximo de oito privilegiados deverão descer três lanços de escadas, cerca de cento e cinquenta degraus cada ... para chegar a quarenta metros abaixo do solo. Esta aventura, digna de um romance de Jules Verne, só é hoje possível porque Claude Ruinard, filho do fundador, teve a visão de reutilizar antigas galerias galo-romanas. Essas ‘caves’ históricas apresentam, deste o século XVIII, condições perfeitas para armazenar o afamado champanhe: humidade constante (90%) e uma temperatura nunca acima dos 10ºC. Até o calor das lâmpadas é proibido graças ao uso de iluminação com lâmpadas de vapor de sódio. O tempo para As considerações comerciais do momento não obrigam a pôr em questão métodos seculares. É assim que imagino e conheço a alta-relojoaria: um mundo de ‘Bem-Manufaturado’, de seriedade, de respeito pela tradição. E é precisamente por isto que desafiámos o neófito Rui Cardoso Martins a visitar a Manufatura Jaeger-LeCoultre. O seu Caderno de Viagens transmite uma opinião muito própria que saberá suscitar a curiosidade de todos os leitores. Com este exemplo da Ruinard, e no encerrar de uma década de edição, a Espiral do Tempo não podia deixar de sublinhar as três principais evoluções do setor relojoeiro: A alta-relojoaria deixou de ser composta por uma maioria de casas independentes. Os grandes grupos (Richemont, Swatch, LVMH) têm adquiridos os nomes mais relevantes, sendo o último a italiana Bulgari, comprada pelo grupo liderado por Bernard Arnaud. A concentração implica uma maior pressão sobre os fornecedores (também cada vez mais integrados nos grupos) e, por outro lado, sobre a distribuição. A ‘Grande China’, isto é Hong Kong incluído, já representou, nas vendas mundiais do ano passado, quatro relógios suíços em dez. Com um crescente número de apreciadores de qualidade e de excelência, os chineses que viajam compram também fora da China. E hoje é perfeitamente corrente encontrar catálogos em mandarim nas melhores lojas dos Champs Elysées, em Paris, na rue du Rhône, em Genebra, ou, ainda, na Via Condotti, em Roma. Para o mestre relojoeiro genebrino Franck Muller, a aposta este ano em relógios com tamanhos mais pequenos torna-se o espelho desta realidade e não uma tendência supostamente global. Por fim, e segundo o excelente estudo realizado pelo jornalista David Chokron, publicado no site www. horlogerie-suisse-com, o aumento médio dos preços públicos na última década atingiu 68%. O jornalista comparou os preços entre 2000 e 2010 de dezenas de relógios iguais, representando dezoito marcas suíças. Segundo David Chokron, essas variações explicam-se, em parte, pelo preço das matérias primas (o grama de ouro aumentou 222%), pela escassez de mão de obra qualificada ou, ainda, por um franco suíço forte (é hoje mais ‘económico’ comprar o seu relógio em Portugal do que em Genebra!)... O jornalista avança ainda mais um motivo, que nos parece o mais importante: os investimentos colossais realizados pela esmagadora maioria dessas marcas no desenvolvimento de novos mecanismos. Este ‘esforço de guerra’ fica naturalmente repartido entre os modelos novos e os outros, da coleção corrente.

22

E daqui a dez anos, quando celebrarmos a segunda década, cá estaremos para analisar o que foram as evo­ luções entretanto verificadas no setor, apesar de não termos qualquer intenção de deixar de as acompanhar, dia a dia, ao longo dos anos que nos esperam. Toda a equipa da Espiral do Tempo junta-se a mim para lhe desejar um ótima leitura! Saudações relojoeiras Hubert de Haro Director


ficha técnica

Diretor Hubert de Haro - hubert.deharo@espiraldotempo.com Editor Paulo Costa Dias - costa.dias@espiraldotempo.com Editor técnico Miguel Seabra - cronopress@hotmail.com Design gráfico Paulo Pires - paulo.pires@espiraldotempo.com Redação Cesarina Sousa - cesarina.sousa@espiraldotempo.com Fotografia Kenton Thatcher • Nuno Correia • Ricardo Preto (editoriais de moda) Colaboraram nesta edição Carlos Torres • Dodi Giussani • Fernando Correia de Oliveira • José Luís Peixoto • Rui Cardoso Martins Contabilidade Elsa Henriques - elsa.henriques@espiraldotempo.com Coordenação de publicidade e assinaturas Patrícia Simas: patricia.simas@espiraldotempo.com Revisão Letrário - Serviços de Consultoria e Revisão de Textos Contactos Correspondência: Espiral do Tempo, Av. Almirante Reis, 39 -1169-039 Lisboa • Tel: 21 811 08 96 • espiraldotempo@torresdistrib.com Propriedade Todos os artigos, desenhos e fotografias estão sobre a proteção do código de direitos de autor e não podem ser total ou parcialmente reproduzidos sem a permissão prévia por escrito da empresa editora da revista: Company One, Lda sito na Av. Almirante Reis, 39 – 1169-039 Lisboa. Sede da Redação - Av. Almirante Reis, 39 - 1169-039 Lisboa A revista não assume, necessariamente, as opiniões expressas pelos colabo­radores. Distribuição: VASP • Impressão: Peres-Soctip, Indústrias Gráficas, SA Estrada Nacional 10, Km 108,3 2135-114 Samora Correia - Portugal • Periodicidade: Quadrimestral • Tiragem: 20.000 exemplares Registo pessoa coletiva: 502964332 • Registo no ICS: 123890 • Depósito legal Nº 167784/01 • Registo na ERC - 123890 Fundador: Pedro Torres

Nota da redação: A Espiral do Tempo foi redigida ao abrigo do novo acordo ortográfico

Para usufruir das funcionalidades do código de barras que vai encontrar em algumas páginas necessita de um smart phone e um software específico.

1

Faça o download de uma aplicação grátis em: www.i-nigma.com

2

Com o seu smart phone, faça a leitura do código pretendido.

3

4 Será encaminhado para o link respetivo. Terá que ter ligação à internet.

Terá acesso imediato a conteúdos online exclusivos.


cúmplices

Carlos Torres

Rui Cardoso Martins

Nuno Correia

É editor da revista 12 - Exclusive Timepieces and Lifestyle e do portal temático www. relógioserelogios.com.pt, para além de escrever para um número de publicações nacionais e internacionais. Quarta geração de uma familia com laços fortes neste tema, para ele, o relógio é uma porta para um mundo muito mais vasto, multidisciplinar e abrangente. Um fonte de informação científica, histórica e social quase inesgotável sobre quem somos e como aqui chegámos.

Já lá vai um tempo desde que Rui Cardoso Martins assinou a sua primeira crónica para a Espiral do Tempo, passando a ser uma presença de destaque nas nossas páginas. Escritor, jornalista, argumentista, repórter internacional, foi um dos fundadores do jornal Público e da Produções Fictícias. Para esta edição tão especial aceitou o nosso convite e foi até à manufatura Jaeger-LeCoultre na Suíça onde se deixou deslumbrar pela magia que está por trás do melhor da bela relojoaria.

É um dos membros de longa data da Espiral do Tempo enquanto fotógrafo e nos últimos números tem revelado uma nova faceta em produções de moda/ still live/relógios que não deixam ninguém indiferente. Destaque nesta edição para as gulosas páginas de toque estival que animam a secção de glamour feminino, bem como as fotos que resultaram da sua visita à Jaeger-LeCoultre juntamente com Rui Cardoso Martins. Assina a capa deste que é o primeiro número da celebração dos 10 anos da Espiral do Tempo.

26


internet

Com apenas alguns cliques descobrem-se novidades e espaços realmente interessantes. Uma breve recolha de curiosidades que nos chamaram a atenção pelo modo como descobrem a relojoaria.

Calibre 11 Apresentado como um “website que se dedica tanto à apresentação de relógios Vintage Heuer do período 1960-1980, como aos relógios TAG Heuer de hoje”, a verdade é que no Calibre 11 tudo ou quase tudo se pode saber sobre a marca. A validade de informações é de tal forma reconhecida, que o próprio Jean-Christophe Babin é um interveniente assíduo na área dos comentários. www.calibre11.com

MB&F em blogue Na redação da Espiral do Tempo, gostamos de Max Busser e das suas ‘naves espaciais’ que também são obras-primas da micromecânica relojoeira. Toda a irreverência e sentido de humor deste peculiar criador relojoeiro está patente no blogue da MB&F. Não apenas dedicado à relojoaria, o blogue de Max Busser é uma janela para quem quiser espreitar o mundo muito peculiar que está por trás das máquinas relojoeiras da marca. www.mbandf.com/parallel-world

Personalização O Reverso é, talvez, a mais mística criação da Jaeger-LeCoultre. A sua caixa reversível oferece uma ‘tela’ que permite personalizar o seu relógio. A marca lançou um serviço de personalização online para alguns dos modelos desta emblemática linha. A personaliza­ ção poder feita com recurso à gravação ou à esmaltagem colorida e requer a maior perí­ cia dos mestres artesãos da Grande Maison. www.jaeger-lecoultre.comvv

28


iniciativa

TAG Heuer Tour 2011 Mais uma fantástica oportunidade para unir a paixão pelo golfe à paixão pela bela relojoaria. O TAG Heuer Tour tem cada vez mais adeptos e tem-se vindo a revelar como a iniciativa perfeita para reunir os aficionados da TAG Heuer em Portugal. Este ano, o evento conta já com um site exclusivo no qual pode descobrir tudo sobre as condições de participação, proceder à sua inscrição, caso seja proprietário de um relógio TAG Heuer, bem como consultar os resultados dos vários torneios TAG Heuer Tour e ficar a par das mais recentes novidades sobre a ligação da marca ao mundo do golfe. Está prevista uma viagem à Suíça com visita à fábrica TAG Heuer para os vencedores do Golf Premium em cada categoria NET [A, B e senhoras] e para um jogador lucky loser. Já o primeiro classificado da Ordem de Mérito Gross recebe um relógio TAG Heuer Professional Golf. Calendário (sujeito a alterações) 13 de maio – Vidago Palace Golf Resort 03 de junho – Golf Aroeira I 08 de julho – Oitavos Dunes 18 de julho – Golf Premium - Campo a designar Jantar de encerramento e entrega de prémios - Hotel Sofitel/ AdLib 28 e 29 de agosto – Viagem à Suíça Para mais informações, consulte o site do TAG Heuer Tour: www.tagheuerportugal.com

30


CRÓNICA RUI CARDOSO MARTINS

Sobretudo Capote É grosseiro usar trocadilhos de roupa na obra de um artista que escreveu com elegância, beleza, inovação e escândalo. Mas a palavra ‘sobretudo’, em português, também quer dizer ‘acima de tudo, do resto do mundo’, e isso foi o que fez Truman Capote.

Recupero retalhos avulsos, curtos, mal cosidos pela memória dos livros do que li dele, dos filmes que vi e, já agora, com a ajuda de duas boas biografias de Capote que me chamaram da estante: a de George Plimpton e a de Gerard Clarke. A primeira, com entrevistas a amigos, inimigos, e ao próprio escritor, recupera uma vida bizarra e extraordinária, em que, pelo meio de álcool, droga, viagens, escreveu. A segunda descreve cronologicamente a fuga de um desesperado rapazinho homossexual do sul dos Estados Unidos para Nova Iorque, a rápida subida ao patamar de celebridade e de ‘génio’, as férias em iates na Europa, mansões nas Caraíbas.


O confidente de atores, divas do cinema, milionários e primeiras-damas que um dia — e a fama ficou —, traiu na amizade, ao escrever publicamente sobre as vidas sexuais das pessoas (Súplicas Atendidas). Pelo meio, dois marcos da literatura: Breakfast at Tiffanny’s (em Portugal, Bone­ca de Luxo), e In Cold Bold (A Sangue Frio). Não sei o que pensaria Capote do nome português da novela, mas tinha muito orgulho no original. Ouvira a expressão a alguém que não conhecia Nova Iorque e querendo tomar o pequeno-almoço num sítio chique, estando tudo fechado, só se lembrou da loja de joias. Truman zangou-se com o argumentista quando este, a brincar, o convenceu de que Hollywood, além de romantizar dramaticamente situações mais cruas e escandalosas para o tempo, obrigava a mudar o filme para Sigam aquela Loira. Curioso, no entanto, que Capote nunca tenha ficado convencido com a escolha de Audrey Hepburn para o papel de Holy Golithtly, a persona­gem social climber, ao mesmo tempo calculista, descomprometida, comovente, que vemos no filme (e ouvimos cantar «Moon River», de Henry Mancini). Capote queria Marilyn Monroe, a quem fez uma célebre entrevista-conversa. Depois do funeral de uma amiga comum, professora de representação, Truman e Marilyn foram beber champanhe, falar de amor, de morte e comprimidos, e no fim, vendo a célebre solidão da atriz, resumiu: «és uma criança radiosa.» No fundo, a filosofia da personagem (várias mulheres exclamaram «sou eu, a Holy sou eu!») era o próprio Capote: a vida inteira é uma expressão de liberdade e de aceitação das anomalias humanas, as dela própria, Holy, e as dos outros. O único pecado que ela reconhece é o da hipocrisia. Uma mulher perpetua­mente em férias que atravessa a vida num passo ligeiro. Truman, no entanto, trabalhou muito, a espaços. Não usava apenas a invulgar memória, que lhe permitia recuperar horas de conversa, palavra a palavra. Um dia, para surpresa de todos, partiu para uma obra que lhe consumiu cinco anos e o precipitou num dos maiores dilemas morais de sempre da literatura. Criou o ‘romance de não-ficção’, descrevendo os efeitos do horrível assassinato da

Perry sonhava em criança que um papa­ gaio gigante o viria resgatar do orfanato, onde o torturavam, vazando os olhos dos inimigos e levando-o para o Paraíso. Capote um dia interrompeu-o: «Tive uma das piores infâncias do mundo e sou uma pessoa bastante correta e respeitadora das leis».

família Clutter, pais e filhos, por dois homens que atravessaram o Kansas para roubar o (suposto) conteúdo do cofre. Truman desenvolveu amizade e, é evidente, atração por Perry Smith, com espírito de artista, tímido. Perry sonhava em criança que um papagaio gigante o viria resgatar do orfanato, onde o torturavam, vazando os olhos dos inimigos e levando-o para o Paraíso. Capote um dia interrompeu-o: «Tive uma das piores infâncias do mundo e sou uma pessoa bastante correta e respeitadora das leis». Aqui entra a questão principal do tempo, em A Sangue Frio. Capote só podia publicar o livro quando a história, sendo verdadeira, tivesse um final. Isto é, quando eles morressem. Quando finalmente aconteceu a execução, em 1977, Truman teve um êxito mundial, mas, dilacerado pelo proble­ ma, viciado em drogas e álcool, passou o resto dos dias a esquecer.


tema de capa

Nova aquisição Franck Muller Miguel Seabra e Hubert de Haro, com Cesarina Sousa, fotos Nuno Correia É a nova coqueluche do futebol nacional: mesmo que esteja intimamente associado ao Futebol Clube do Porto, André Villas-Boas tem convencido tudo e todos pela capacidade de gerir um grupo de trabalho e de o fazer transcender-se no tempo e no espaço – acumulando títulos e recordes. O seu êxito não passou despercebido à casa Franck Muller, que acaba de fazer dele o seu novo embaixador. Confissões de um jovem treinador com o Toque de Midas, mas que diz não o ter.

35


tema de capa

O futebol tem dado um valente pontapé na recessão, enchendo o País de orgulho numa era de crise económica, política e psicológica. E o grande protagonista da atualidade é, sem dúvida, André Villas-Boas – cujo trajeto meteórico tem sido inevitavelmente comparado com o do seu antigo mentor, José Mourinho, mas que apresenta características vincadamente diferentes do seu antecessor no comando do Futebol Clube do Porto. André Villas-Boas é especial, mas refuta pessoalmente esse epíteto e remete-o para o seu grupo de trabalho, para a consagrada agremiação onde se insere. O seu discurso pode ser eventualmente inflamado, mas pretende sempre ser modesto. Apesar dessa rejeição do deslumbramento, há algo que faz brilhar os olhos do jovem treinador campeão nacional e que certamente o enche de orgulho: o gosto pela alta-relojoaria e a nova série limitada que a Franck Muller lhe dedicou a si e ao Futebol Clube do Porto como corolário de uma grande temporada. O interesse pela relojoaria de qualidade já vem de trás: «Primeiro, sonha-se muito com um objeto que toda a gente gosta de ter, com variadas marcas. Mas nem sempre há disponibilidade financeira para tal, e isso aconteceu-me quando eu era muito jovem. Na altura, sonhava com os TAG Heuer, com o Monaco principalmente, e, apesar de o ambicionar, custava então 2500 euros e ainda não me poderia permitir a tê-lo. A TAG Heuer foi a primeira marca que me chamou a atenção, também porque estava associada a motivos desportivos e até ao desporto motorizado, que é uma das minhas grandes paixões. Não o podendo ter, comprei um Camel que guardo com grande estima e carinho. Os relógios foram uma paixão sempre presente e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre o meu percurso com os camaradas jovens do FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir uma coleção da qual me orgulho». Um dos destaques da coleção de André VillasBoas é um relógio completamente diferente de tudo o resto – um Graham Swordfish, com o qual começou a dar nas vistas na Académica de Coimbra, e que estava no seu pulso aquando do seu primeiro troféu: a Supertaça. «É uma história curiosa. O Michael Ballack tinha um Swordfish, quando estávamos em Inglaterra. Apareciam aqui e ali algumas referências à Graham, também em revistas de desportos motorizados, e eu reparava

«Os relógios foram uma paixão sempre presente e, na medida em que fomos construindo uma carreira de sucesso entre a equipa técnica de José Mourinho, entre o meu percurso nas camaradas jovens do FC Porto e o meu percurso agora com a equipa técnica atual, foi-me permitido ambicionar cada vez mais e construir uma coleção da qual me orgulho.»

que o Ballack tinha um, e que também o tinham uma série de jogadores do Chelsea. Gerou-se ali um interesse e lembro-me de perguntar ao Balack se me podia arranjar algum. Ele curiosamente tinha vários guardados, porque tinha comprado uma série de relógios para oferecer ao staff do Bayern, quando deixou Munique para o Chelsea, e vendeu-me um. É um relógio com uma silhueta especial, diferente, imponente, é daqueles relógios que chamam a atenção. O Swordfish tem um design difícil de encontrar e que marca uma posição. Foi curioso ver que a Graham aproveitou a minha imagem na Académica para fazer uma chamada de atenção no seu site». Com a fama e o sucesso, a situação inverteu-se: André Villas-Boas já não precisa de ir à procura de relógios – há marcas de relógios que vão à sua procura. E a Franck Muller, que historicamente tem estado associada ao futebol e, através da entidade representante em Portugal (Torres Distribuição), ao futebol português, em particular, não ficou imune ao seu carisma. «A Franck Muller é uma marca que eu obviamente ambicionei, mas, por valores que refletem a sua qualidade, nunca me permiti ter um, e, felizmente, isso acontece agora através desta associação. É algo de que muito me orgulho – porque marca também feitos positivos que o FC Porto conseguiu alcançar nesta época. Só uma associação de uma série de entidades fortes e de um clube desta dimensão é que permite o lançamento de um relógio com um formato único e que será um objeto de desejo». O discurso de André Villas-Boas ganha intensidade quando o jovem técnico fala de temas que o apaixonam – como os relógios e os desportos motorizados. O modo como vingou na sua profissão está também intimamente ligado à sua paixão pelo futebol e pelo clube. «Mas o sucesso deste clube


não está associado a mim», faz questão de alertar; «está associado ao peso da sua importância na região norte, a nível nacional e internacional. Nada tem a ver comigo, tem a ver com os pergaminhos que o clube foi construindo, a história sólida dos últimos 30 anos com o presidente Pinto da Costa e com o acumular de competências que conseguiu gerar à sua volta até levar o FC Porto ao máximo da modernidade possível. Não quero que se pense que se deve apenas a mim e não se deve em absoluto aos sucessos que conquistámos nesta época. Sou muito pragmático; a qualquer outro treinador que esteja aqui é-lhe permitido chegar ao sucesso de forma muito mais fácil. Essa é a realidade deste clube». Um clube que sempre foi o ‘seu’: «Sempre cresci adepto do FC Porto, vivi o clube das mais variadas formas. Infelizmente, não o vivi como desportista porque não tive essa oportunidade nem tinha esse jeito, mas vivi-o como treinador, como treinador dos camaradas jovens, como treinador adjunto, como adepto, como membro dos Super Dragões, e tenho esse sentimento de que o Porto está presente em mim desde muito cedo, desde que tenho memórias. Desde os três ou quatro anos que me lembro de defender estas cores, portanto, isso tem um duplo prazer para mim e um grande significado. Agora, o sucesso não está relacionado comigo, está relacionado, acima de tudo, com o peso que o clube tem, com o potencial e talento que tenho à minha disposição». Apesar de refutar associar a sua paixão ao sucesso do clube, não há dúvida de que a paixão de André Villas-Boas pelo que faz está intimamente associada ao seu percurso. «Recordo-me de, nas primeiras vezes que Bobby Robson me trouxe aos treinos do Porto, olhar para a antiga porta do estádio das Antas que dizia Departamento de Futebol e pensar: ‘Será que algum dia vai ser possível eu entrar por esta porta como treinador principal?’. Foi apenas um desejo de miúdo – nessa altura, eu teria para aí uns 17 ou 18 anos. Poderia ter acontecido ou não. Fui um privilegiado por ter sido escolhido esta época para representar o Porto e, felizmente, consegui cumprir esse desejo e esse sonho. Quero acreditar que estes patamares que eu tenho vindo a ultrapassar tenham um pouco da minha competência, da minha marca. Espero continuar a deixar uma marca e a obter uma carreira da qual eu próprio me possa orgulhar». André Villas-Boas é a prova de que o sucesso individual – dele, de cada elemento da sua equipa

técnica, de cada jogador que tem brilhado e de cada elemento do clube – está diretamente dependente do trabalho coletivo. Como num mecanismo relojoeiro, onde todas as peças, mesmo as mais pequenas ou aparentemente insignificantes, contribuem para o funcionamento com precisão: «No fundo, o futebol resume-se a isso. E uma das nossas vantagens em termos de staff técnico é respeitar muito não só as interrelações entre os vários jogadores, mas otimizá-las ao máximo. Obviamente que a perfeição no futebol é muito difícil de atingir, se calhar até é inatingível, ao passo que num relógio a peça é perfeita porque tem de ser mecanicamente perfeita para funcionar. Portanto, o relógio é algo que, em termos de perfeição, é muito difícil de replicar no futebol porque existe um choque entre duas organizações sempre muito fortes, um choque enorme de estados emocionais. Não é só mecânica funcional, há muitas emoções e estados mentais em conjunto a funcionar ao mesmo tempo. Não são só questões organizacionais, são questões mentais em que é muito difícil obter todo um relacionamento e exprimirem-se no seu máximo potencial ao mesmo tempo. Isso é algo muito complicado de obter». É preciso inteligência emocional para lidar com um grupo de individualidades completamente diferentes e levá-lo a obter um rendimento máximo: «Obviamente que as questões organizacionais são importantes no futebol e apenas uma boa organização triunfa, mas sou um grande respeitador dos estados de espírito, dos estados emocionais, da capacidade de transcendência, da capacidade de motivação e acredito que um onze em campo motivado é diferente de um onze que não está motivado. E o grande desafio de staff técnico é tirar o máximo potencial de cada um. Quando não somos capazes de tirar o máximo partido de cada um, somos bastante penalizados, e isso, naturalmente, acontece porque nem sempre é possível toda a gente jogar. Toda a gente quer entrar, toda a gente se mostra competitiva e nós, no fim do dia, temos de tomar opções para continuar e permitir ao clube continuar na rota do sucesso. E isso custa muito, porque dois ou três jogadores que possam ficar de fora, dois ou três jogos entram num estado de motivação diferente do que os outros que têm essa regularidade e esse estado de confiança. E apesar desse meu passado relacionado com a observação e com a observação tática do jogo e da organização do jogo, eu encontrei-me como um líder emocional e um gestor de emoções e isso é muito mais fun-

37


«A Franck Muller é uma marca que eu obviamente ambicionei e encontrar-me nesta oportunidade de desfrutar de um relógio dessa dimensão e em edição limitada é algo de fantástico. É algo de que muito me orgulho - porque marca também feitos positivos que o FC porto conseguiu alcançar nesta época. Só uma associação de uma série de entidades fortes e de um clube desta dimensão é que permite o lançamento de um relógio com um formato único e que será um objeto de desejo.»

Franck Muller Casablanca Chronograph André Villas-Boas Edição limitada a 33 exemplares Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática. Funções: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo. Caixa: Aço com tratamento PVD preto, vidro em safira, estanque até 30 metros. Dimensões: Ø 43,3x60,5mm Bracelete: Cauchu com fivela em aço com tratamento PVD preto. Preço: € 19.950


tema de capa

damental no futebol atual. É esse gerar contínuo de revolta, de transcendência, saber quando motivar, saber quando inspirar e retirar o máximo de potencial de cada um. Nós no staff somos muito mais líderes emocionais e líderes motivacionais do que mestres da tática». André Villas-Boas insiste em afirmar que dentro de dez anos quer estar a fazer outra coisa: «Não é que eu esteja à procura de fugir das exigências da função, mas esta é uma profissão extremamente abrangente que gera estados emocionais que são muito intensos, de grande mérito, de grandes estados de euforia, mas também de grande penalização e de grande exposição mediática perante o sucesso ou o insucesso. Há grandes exigências emocionais nesta profissão e eu não quero fugir delas, mas não quero prolongá-las por muito tempo, e obviamente que tenho esse target estabelecido, mas também tenho consciência de que só quero deixar a profissão se, durante a minha carreira, conseguir atingir determinado tipo de sucesso que me leve a ficar orgulhoso dela». A decisão não tem a ver com o tempo privado nem familiar: «Somos privilegiados desde o início. Obviamente que há uma grande sobrecarga de jogos, e isso leva-nos a um afastamento familiar e dos amigos um pouco mais agressivo, mas não nos podemos queixar muito. Nós gerimos o nosso tempo, não temos horários fixos, podemos permitir-nos a ir almoçar ou passar a tarde com a família um pouco mais relaxados. Acho que somos privilegiados nesse aspeto; não somos castrados no tempo como é geralmente exigido numa profissão normal ». Boris Becker afirmava que a carreira de um tenista podia ser contabilizada em anos de cão (um ano equivale a sete). No futebol, sucede a mesma coisa – mas quando é que o tempo passa mais depressa ou mais devagar? «Há jogos em que nos encontramos perto de vencer e queremos que terminem e demoram. Há outros em que estamos tranquilamente à espera que o jogo acabe e acaba num instante, mas gostaríamos de que se prolongasse mais porque as coisas continuariam a correr bem. Todos passamos por sensações em que o tempo passa depressa ou devagar. Depende dos estados

de espírito e das nossas ambições nesse momento. Na minha carreira, as coisas têm acontecido com velocidade – mas, pensando bem, entrei nesta carreira com uma idade fora do normal, e, se calhar, só ao fim de um longo percurso é que cheguei a este lugar que tanto ambicionei. Portanto, ou se pensa ‘este tipo é tão novo que aos 33 anos treina o FC Porto’ ou ‘este tipo trabalha desde os 17 e só aos 33 é que lá chegou’…». E que pergunta gostaria André Villas-Boas de colocar a Franck Muller quando se encontrarem? «Como é que motiva os seus funcionários para continuamente renderem. Acho que é decisivo motivar e levar as pessoas a outro patamar de rentabilidade e de sucesso e de vontade para atingir esse êxito. Pode-se fazê-lo transmitindo confiança ou pode-se fazê-lo metendo as pessoas sob grande pressão para chegarem ao sucesso; se calhar, metendo pressão, pode ser castrador em termos de talento, e motivando de outra forma pode ser decisivo no potenciar do talento e da criatividade. Esse equilíbrio é fundamental; de que forma é que ele o motiva? Motiva com a pressão de que ‘Tu tens que ser o melhor porque trabalhas para a Franck Muller’? Ou motiva através da transmissão de confiança, que é a que eu idealizo, e de ir à procura de explorar o máximo do potencial de cada um – penalizando-me a mim mesmo e não penalizando o indivíduo se não for capaz de fazer». Para já, Franck Muller não penaliza André VillasBoas. Pelo contrário: recompensa o seu valor e a sua personalidade com a instauração de uma bela série limitada com caixa a negro e as inevitáveis nuances azuis relacionadas com as cores do FC Porto. Haverá melhor motivação para o prolongamento do sucesso atual?

39


caderno de viagem

No reverso dos dias Por Rui Cardoso Martins, fotos Nuno Correia Manufatura Jaeger-LeCoultre, Vale de Joux, Suíça O FMI e o Banco Central Europeu tomaram conta do País para te cortarem as finanças à bruta, e tu, na Suíça, meca da banca, com um relógio de um milhão de euros na mão. Como é que vamos, Rui?

Já tive (e vou ter, é certo) dias piores. Estou a uma hora de Genebra, no Vale de Joux, vi o Monte Branco no caminho, à distância, uma bola de gelado de limão no cone. Uma hora é a mais curta viagem possível até se chegar ao vale, no lado colado a França. A estrada estava limpa, com sol. Aqui, a neve pode chegar à altura do pescoço nos meses de inverno, e um inverno durar seis meses. Foi nas margens do lago Joux que, na primeira metade do século XIX, um homem bizarro, cérebro único, Antoine LeCoultre, começou a inventar máquinas de fabricar relógios mais perfeitos. Inventou o medidor de mícron (a milésima parte do milímetro, milionésima parte do metro...) Complicou a mecânica do tempo para simplificar a vida humana. Um sonho estranho: num lugar que se regulava pelo sol e pelo canto do galo, sem pressas de nada, nascia uma indústria de precisão, de trabalho manual, de miniatura e inteligência mecânicas que não têm hoje comparação com outra atividade humana. Seis meses fechados nas oficinas a inventar relógios, no austero espírito dos protestantes, depois a neve derretia e os relojoeiros iam, em carroças e burricos, vendê-los a Genebra. Estou numa sala da manufatura Jaeger-LeCoultre, quase dois séculos depois, com o cúmulo desta história. Lá fora, atrás do vidro, cheira a vaca, a pasto, a primavera, ouvem-se chocalhos nas colinas. Deste lado do vidro, eu seguro nos dedos um Hybris Mechanica à Grande Sonnerie, o relógio musical.


caderno de viagem

E custa mesmo um milhão de euros? Sim, mas, para o ter, é preciso comprar também os outros dois relógios da trilogia. E fica em...? Em dois milhões, mas oferecemos-lhe o cofre. Ah... é um bonito cofre, tenho de vos felicitar, mas não trouxe a carteira. A milhares de quilómetros, em Lisboa, o Governo pede ajuda internacional e discute-se a bancarrota. Na Suíça, acabo de saber que há um colecionador português que vai levar um cofre igual, aço forrado a pele e veludo, maior do que três frigoríficos, para casa. Três relógios, dois milhões de euros. Algumas razões para isto não ser obsceno: primeira, o triunfo do espírito humano no controlo mecânico do tempo, da força da gravidade, de adivinhação do movimento perpétuo do Cosmos, é uma obra de arte sem preço; segunda, só esta manufatura dá emprego a 1100 pessoas e poucas vezes vi humildes trabalhadores tão orgulhosos do que fazem, começando pelos operários (há um português extraordinário, deem-me uns minutos até lá...); terceira, escrevo às vezes sobre o mistério do tempo, mas de relógios não percebo nada. Embarquei numa viagem às cegas (a Espiral só perguntou «vamos à Suíça?»), mas gosto de aprender e de contar o que vi. Num calibre e numa caixa de platina, do tamanho de um relógio de pulso vulgar, estão 1300 peças montadas à mão. Só um homem no mundo, o velho mestre Joel Cordier, o sabe fazer, e cada operação demora semanas. Cordier está neste momento a instruir um discípulo numa, como se diz, corrida contra o tempo, tentarei usar o menos possível estes exemplos, ainda nem escrevi com a precisão de um relógio suíço, pronto, já está. Mas o mecanismo de medição do tempo com mais peças do planeta Terra, miraculosamente encaixadas, alimentadas pelo movimento do pulso, sem ponta de eletrónica ou eletricidade ou informática, tem lá dentro a mais bela e simples das verdades: o apelo da infância. Ding, ding! din-din-din-ding! Vejo, na sala de montagem das ‘grandes complicações’, os martelinhos a bater na platina. As horas e os minutos, ligeiros pontapés. Um carrilhão que toca a música de lendas, de pássaros e bosques, ecoando no vidro de safira. Outra vez, por favor, toque outra vez... Ding, ding, dong, dong!... Estou capaz de chorar. Lembro-me do macaquinho de lata que tocava pratos, do ratinho branco, há quantos anos vos perdi? Aqui respeitam as fraquezas dos convidados e todos se calam para ouvir os sinos límpidos do tempo. O mestre Christian Laurent, responsável pelo atelier das ‘especialidades relojoeiras’ vai colocando exemplares numa placa. Liga uma câmara de TV que aumenta o tamanho do relógio centenas de vezes, e conseguimos ver-lhe as entranhas, o coração da espiral, os duplos motores de autonomia, os ossos de ouro, os bracinhos de aço dos ponteiros, os múltiplos olhos de rubi. Relógios que conseguem prever os movimentos da via láctea como os cosmólogos, relógios que nos dão também o mês de fevereiro, se é de 28, se de 29 dias, sem nunca falhar


O mestre Christian Laurent liga uma câmara de TV que aumenta o tamanho do relógio centenas de vezes, e conseguimos ver-lhe as entranhas, o coração da espiral, os duplos motores de autonomia, os ossos de ouro, os bracinhos de aço dos ponteiros, os múltiplos olhos de rubi.

hybris mechanica à grande sonnerie Movimento: Mecânico de corda manual JLC 182, 1.300 peças, 28.800 alternâncias/hora. Dois tambores, reserva de corda até 50 horas para as horas e os minutos e calendário perpétuo, 12 horas para o mecanismo de alarme em modo toque alto. Funções: Horas saltantes, minutos, carrilhão Westminster, 3 modos de alarme sonoro: alto, fraco e silêncio. Repetição de minutos, turbilhão voador, balanço mono-metálico com parafusos de acerto. Caixa: Ouro branco 18 kt estanque até 50 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em ouro branco 18 kt.

Reverso grande complication à triptyque Movimento: Turbilhão mecânico de corda manual JLC 175, 48H de reserva de corda, 21.600 alternâncias/hora e 642 peças. Funções: Horas, indicação de 24 horas, reserva de corda do calendário, calendário do zodíaco, horas siderais, equação do tempo com indicação da hora de nascer e pôr-do-Sol, indicação da hora civil em 24 horas, carta celeste, calendário perpétuo com data retrógrada, dia, mês, ano e fases da Lua. Caixa: Platina 950 estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em platina 950.

Gyrotourbillon 1 Movimento: Turbilhão esférico mecânico de corda manual JLC 177, 8 dias de reserva de corda, 21.600 alternâncias/hora e 679 peças. Funções: Horas, minutos, reserva de corda, calendário perpétuo e equação do tempo. Caixa: Platina 950 estanque até 50 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em platina 950.


caderno de viagem

um ano bissexto até ao fim deste século, lá chegados é ajustar um dia porque muda o calendário. Relógios que nos indicam os diferentes hemisférios em que estamos, e o céu de cada um, a hora sideral com o maravilhoso esmalte das estrelas e constelações, todas nomeadas, cronógrafos que medem a sexta parte do segundo, relógios de mergulho que podem descer ao abismo dos mares e voltarem polidos para uma sala de ópera. Relógios que nos dizem a fase da Lua para sempre, enquanto houver Lua, e não se pense que é inútil ou demasiado romântico. Disseram-me que há um homem nesta manufatura que se orgulha de usar um mostrador com as fases da Lua bem visíveis, e que o fará sempre: Sei quando a minha mulher está bem-disposta ou mal-disposta... Relógios que têm um órgão novo, inventado e testado depois de anos de pesquisa. É o giroturbilhão, vários turbilhões a girarem num efeito de esfera armilar dinâmica, uma gota de sangue de rubi ao centro. Com isto conseguimos não só alimentar o movimento como anular os efeitos da gravidade terrestre, diz Christian Laurent. A perda ou o acrescento por dia é apenas de meio segundo, um grande feito na relojoaria mecânica. Dois segundos por dia já é considerado muito bom. E diga-me uma coisa: quando os engenheiros e inventores passam anos a pensar numa ideia, numa nova solução e depois... ... e depois chega aqui e não funciona? Esse é o grande pesa­ delo! Mas sabe, às vezes acordo a meio da noite com uma nova hipótese... É a maior glória da casa, a capacidade de renovação. As mais de trezentas patentes, a invenção de calibres (o esqueleto do relógio, por assim dizer) circulares, retangulares, ovais, grandes e pequenos, ou mesmo minúsculos. O relógio mais pequeno do mundo, feito como peça de pulseira, é tão mini que a velhota que usar a joia tem de chamar o seu namorado de vinte anos para lhe ver as horas, não digam que a Suíça é só relógios, e relógios de cuco, e chocolates, também se fazem piadas. Relógios míticos como o Atmos, que usa um gás para, em cima de uma mesa, contrair e dilatar uma cápsula a cada variação de um grau centígrado. Vi um Atmos que indicará, sem ninguém lhe mexer alguma vez, a chegada do ano 3000. O famoso ‘movimento perpétuo’.

Lenhador de joias Entro na exposição dos relógios ‘Reverso’, um dos marcos da Jaeger-LeCoultre. A casa tinha obtido um triunfo desde que o herdeiro Jacques-David LeCoultre se juntara ao relojoeiro da marinha, o parisiense Edmond Jaeger. Artífice da elegância, Jaeger projetou o relógio mais fino do mundo. Nos anos 30, resolvem o problema do jogo de pólo. Naquela época, os jogadores estavam sempre a partir o vidro do mostrador nas partidas em cima de cavalos. O ‘Reverso’, numa caixa retangular de puro Art Déco, solucionou o problema e revolucionou a relojoaria. Um mecanismo na caixa permite virar o relógio ao contrário, deixando a base metálica virada para cima. Hoje fazem-se Reversos com dois relógios diferentes, e até com três (cinco anos a desenvolver a ideia, disse e mostrou-me o senhor Laurent), mas o mais importante continua a ser o clássico. Cada pessoa mandará esmaltar, gravar ou esculpir na base metálica algo de importante na vida. E descubro, na exposição, tanto o brasão da família, como o símbolo do colégio inglês de Eton, ou a face de uma princesa indiana amada. Um coração de diamantes. Vejo o nome infeliz de um filho pequeno que morreu. Quem teve forças para gravar isso? É numa das pontas da manufatura que encontro Luís Lopes. Um homem pequeno, sorridente, com cara de maçã lavada e um saudável sotaque do Norte de Portugal. O senhor Luís Lopes fez a tropa, de 1984 a 1986, em Portugal, e depois emigrou. O senhor Luís Lopes era lenhador, trabalhava com machado e serras mecânicas nas florestas. Um dia, tive um acidente de trabalho. A Suíça e os suíços podem ser aborrecidos. Ao longo da vida, ouvi histórias de doidos, como assinar um contrato de arrendamento em que é expressamente proibido cortar as unhas na sala. Fumar nem se fala. E os homens ainda passam 15 dias por ano na tropa e guardam a pistola em casa. E os bancos recebem dinheiro esquisito das piores pessoas do mundo. Mas uma coisa eles sabem: quando há um problema, decidem depressa o que querem fazer e como. Ao senhor Luís Lopes, deram-lhe a hipótese de aprender outra coisa, e foi assim que entrou no mundo da relojoaria. É hoje, 25 anos depois, o chefe da divisão de encastamento de diamantes da Jaeger-LeCoultre. Ao falar comigo, tinha na mão uma rosa de platina que ia pôr a brilhar duma forma impossível, com centenas de brilhantes e outras pedras. Sabia que tinha talento para uma coisa tão minuciosa, valiosa? Não fazia ideia. Era madeireiro. Abre a tampa de uma espécie de microscópio. Espreito e nunca tive tanto brilho e cor dentro dos olhos. Olhe como os enfiamos e seguramos. Vamos sempre metendo mais, em diferentes ângulos. Ficam tão apertados que não saltam. Como a calçada portuguesa? Como a calçada portuguesa, exclamou ele, abrindo as mãos de lenhador de joias, no pulso direito um relógio Reverso tapado. E assim se podem reverter um mau destino e os dias da crise. Talvez venha a ser, para nós, uma lição de luxo e humildade.


reportagem

Deutsche Technologie Por Hubert de Haro, Glashütte, Alemanha Foi em Glashütte que Walter Lange, bisneto do fundador da A. Lange & Söhne, decidiu soprar as 165 velas da empresa. A Espiral do Tempo foi a única revista da Península Ibérica convidada para assistir a tão importante momento histórico.

7 de dezembro de 2010: neve, frio e alta-relojoaria. Estes ingredientes, indissociáveis das marcas helvéticas de prestígio também se encontram onde menos se espera: Glashütte, pequena aldeia alemã situada perto de Dresden, capital da região (Lander) da Saxónia. Foi nesta cidade que Walter Lange, bisneto do fundador da A. Lange & Söhne, decidiu soprar as 165 velas da empresa. A Espiral do Tempo foi a única revista da Península Ibérica convidada para assistir a tão importante momento histórico. As sete pragas Quatro décadas de presença comunista não se apagam rapidamente. Num discurso emocionante no Royal Palace, em Dresden, proferido no dia 6 de dezembro de 2010, Walter Lange recordou, num primeiro momento, as tremendas dificuldades que toda a região de Dresden teve de superar, após o bombardeamento da cidade, quando faltavam apenas alguns dias para o fim da Segunda Guerra Mundial. A Saxónia, que conseguiu ao longo de vários séculos desenvolver uma cultura ímpar, marcada pelas artes e pelas ciências, teve depois de se adaptar e aceitar a dominação soviética durante perto de meio século.

Nessa altura, o novo regime decidiu reunir todas as antigas marcas de relógios num só edifício, dedicado à produção em série de modelos económicos: a A.Lange & Söhne foi, então, expropriada, e Walter Lange fugiu da sua cidade para se fixar na zona oeste da Alemanha. Entre renascimento e patriotismo saxónico Foram várias as personalidades políticas de primeiro plano que se juntaram às comemorações dos 165 anos da A. Lange & Söhne. O surpreendente renascimento da marca, no final da década dos 90, continua a servir de catalisador económico para os representantes políticos da Saxónia. Peter Hintze, atual secretário de estado da Economia ou, ainda, Kurt Biedenkopf, antigo primeiro-ministro da região, deixaram bem claro o papel fundamental da marca de relógios no recente dinamismo económico de toda a Saxónia. O genial Günter Blümlein Em 1994, quando o então presidente da marca IWC Günter Blümlein decidiu comprar a A. Lange & Söhne para o grupo germânico Mannesman – proprietário da Jaeger-LeCoultre e da IWC –, ninguém acreditou seriamente na estratégia. Num contexto económico desastroso, o genial gestor apostou em força na alta-


-relojoaria e no desenvolvimento de várias ‘assinaturas’ técnicas que, ainda hoje, caracterizam a marca: a utilização de maillechort (uma liga à base de níquel, zinco e cobre), conhecida, precisamente, como german silver; a platina 3/4; os châtons aparafusados em ouro (pequenas anilhas que garantem uma melhor fixação de alguns rubis); os parafusos azuis; o galo do balanço gravado manualmente; e, por fim, o col du cygne (mola em aço polido que permite uma afinação maior do espiral do balanço). Dada a falta local de mão de obra qualificada para a nova realidade Lange, Günter Blümlein resolveu convidar um pequeno grupo de vinte relojoeiros da antiga fábrica comunista para passarem um ano a receber formação em Schaffhousen, sede da IWC. O resultado não poderia ser mais positivo. Atualmente, a A. Lange & Söhne produz guardiões do tempo com reputação de qualidade internacional. Um extraordinário renascimento que se deve não só à visão estratégica do genial Günter Blümlein, como também à envolvência de todos os colaboradores. Quando se visita os ateliers da marca em Glashütte, sente-se um rigor germânico, uma energia positiva e, acima de tudo, sente-se o orgulho que os relojoeiros têm. Cada um deles tem perfeita consciência do privilégio que é participar no desenvolvimento de uma empresa ímpar, germânica, que continua a evoluir num setor dominado pelo vizinho helvético. Inovações tecnológicas. Na última década, a A. Lange & Söhne soube conquistar novos colecionadores com uma aposta constante na inovação. Iniciou esta estratégia com a apresentação, em 2000, do mecanismo zero-reset: quando o utilizador puxa a coroa para fora, o ponteiro dos segundos regressa a zero, permitindo uma melhor precisão no acerto do relógio (patente CH-0931282). Seguiram-se várias patentes de grande utilidade como o bloqueio dos segundos para o turbilhão e, em 2007, o escape de força constante (fusée-chaine) utilizado em todos os modelos da coleção Pour le Mérite. E é precisamente a coleção Pour le Mérite que agora recebe mais um elemento extraordinário que respira a inovação e o rigor tão caraterísticos da casa de Glashütte. O Richard Lange Tourbillon Pour le Mérite, apresentado como uma novidade préSIHH 2011, foi inspirado num antigo relógio de bolso e reúne várias patentes da marca saxónica. Os 165 anos da A. Lange & Söhne estão de tal forma repletos de história que surpreendem até os mais fiéis amantes de relojoaria suíça. Não se trata apenas de precisão relojoeira, rigor e dedicação. Trata-se, acima de tudo, de um sentimento de união que vai muito além das nossas expetativas. Cada relógio A. Lange & Söhne diz tudo...


reportagem

Com todo o mérito Por Hubert de Haro, Glashütte, Alemanha A equipa do holandês Anthony de Haas, líder carismático do departamento de Ciência e Tecnologia da A. Lange & Söhne e antigo engenheiro na Renaud & Papi, inspirou-se num relógio de bolso apresentado pelo relojoeiro Seyffert, em 1807, para conceber o Richard Lange Tourbillon Pour le Mérite.

O modelo original era dotado de três contadores sobrepostos para indicação das horas. O Richard Lange Tourbillon Pour le Mérite separa, igualmente, os ponteiros das horas e dos minutos (complicação conhecida como ‘regulador’ por permitir uma melhor leitura dos minutos). O turbilhão, localizado nas sete horas, é imponente e capta de imediato o nosso olhar. No entanto, algo mais nos chama atenção, nomeadamente a interseção dos vários elementos que compõem o mostrador. Com efeito, nas quatro horas, um submostrador auxiliar com os números romanos é complementado por um disco móvel com os números ‘VIII’, ‘IX’ e ‘X’ que se sobrepõe parcialmente ao turbilhão, permitindo assim uma completa leitura das horas. Quando o ponteiro das horas atinge as ‘VI’ o disco surge delicadamente, mas quando o ponteiro alcan­ ça as ‘XII’, o disco recolhe-se e fica oculto durante seis horas, deixando espaço para assistir em pleno ao hipnotizante espetáculo do movimento do turbilhão. O sistema, dotado de um came com forma especial (diferente da cruz de Malta), permite a rotação de 90 graus do disco, a cada período de seis horas. Do lado do movimento, e em homenagem aos lendários relógios de bolso Lange com qualidade superior ‘1ª’, descobre-se um contre-pivot em diamante com châton aparafusado em ouro. Pour le Mérite O novo e lúdico movimento L072.1 junta várias patentes da marca saxónica: bloqueio dos segundos e o famoso sistema de fusée-chaîne, mais conhecido na A. Lange & Söhne pela designação Pour le Mérite. O Richard Lange Tourbillon é o quarto relógio da marca que apresenta a distinção Pour le Mérite, que foi instaurada em 1842 por Alexandre von Humboldt, para premiar as proezas realizadas no domínio das artes e das ciências. Edição limitada O Richard Lange Tourbillon Pour le Mérite é uma novidade de 2011 e será apresentada pela marca em duas versões de 41,9 mm de diâmetro: uma primeira série em ouro rosa (PVP de € 145.000) e uma segunda série limitada a 100 exemplares (PVP de € 175.000).


reportagem

Novas fronteiras Por Miguel Seabra Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico a pedido da Espiral do Tempo.

No espaço de um ano, a Rolex reformulou dois instrumentos emblemáticos da sua coleção Oyster Perpetual Professional – precisamente os dois modelos da linha Explorer, inspirada por expedições e exploradores que deram novos mundos ao mundo. As criteriosas atualizações também deram novas fronteiras à própria marca, que estreou um novo formato de 42 milímetros.

O Rolex usado por Sir Edmund Hillary (ou pelo xerpa Tenzing Norgay). A verdade é que este mesmo relógio esteve no topo do Everest sendo considerado como o pai da linha Explorer.


A Rolex é a mais poderosa referência no mundo da relojoaria – e esse estatuto foi alcançado através da irrepreensível manutenção do seu ADN e da intransigente prossecução dos seus objetivos. Assim sendo, e tendo em conta uma fervorosa base de aficionados que disseca fastidiosamente a mais pequena nuance e modificação assinada pela lendária casa genebrina, como é que se consegue atualizar com sucesso um clássico? À maneira da Rolex – com extrema cautela e na lógica do aperfeiçoamento na continuidade, sem qualquer rutura aparente. Foi o que aconteceu com a atualização das duas celebérrimas versões da linha Explorer, lançadas no espaço de um ano. Tanto o Explorer (também conhecido por Explorer I) como o Explorer II cresceram, mas mantiveram o estilo de sempre mesmo com algumas alterações que até se poderiam etiquetar de quasi-radi­ cais para uma marca tão aparentemente conservadora: apresentado em 2010, o Explorer saltou dos 36 para os 39 milímetros de diâmetro, e os três emblemáticos algarismos do mostrador, sem luminescência, receberam um reflexo aparentado como o de uma curta tiragem de 1990-91; desvelado em 2011 para comemorar o 40.º aniversário da sua estreia, o Explorer II passou dos 40 para os 42 milímetros de diâmetro e substituiu os tons vermelhos do ponteiro GMT pelo laranja do modelo original. Ou seja: há sempre uma lógica e uma explicação para qualquer mudança introduzida.

Veia pioneira A missão da Rolex sempre foi a de fazer relógios essenciais e ultrafiáveis. Reza a lenda que o irreverente Franck Muller, quando completou o seu curso de mestre relojoeiro, dotou um relógio Rolex de um turbilhão e foi mostrar o resultado à sede da marca – que não se mostrou interessada. Porque, num mundo já de si complexo onde proliferam tantas complicações, a Rolex cinge-se ao que é verdadeiramente essencial e prossegue inexorável na sua senda – imune a modas ou a tendências, mantendo de modo irrepreensível os seus códigos técnico-estéticos e nunca se desviando da intransigente prossecução dos seus ideais. É caso para dizer ‘dura lex, sed Rolex’: a lei é dura, mas é a lei da Rolex – assente na trilogia qualidaderobustez-prestígio. A companhia fundada pelo visionário Hans Wilsdorf em 1905 goza de um estatuto incomparável no universo relojoeiro e muita da sua fama foi granjeada pela extrema fiabilidade dos seus instrumentos do tempo, historicamente testados pelos melhores profissionais das mais diversas áreas e nas condições mais exigentes. Por exemplo: a Rolex foi a primeira a chegar ao topo e às profundezas da Terra: com Sir Edmond Hillary no Evereste, em 1953 (8.848 m), e no flanco do batíscafo Trieste na Fossa das Marianas, em 1960 (10.916 m). Nos 50 anos da descida do Trieste, a marca atualizou os modelos em aço do seu celebérrimo ícone Submariner e a nova versão do relógio associado


reportagemv

à escalada do Evereste, o Explorer. Este ano foi a vez do Explorer II. Tanto as linhas Explorer como Submariner integram a coleção Oyster Perpetual Professional, que inclui também o Sea-Dweller Deepsea para mergulho extremo, o GMT-Master II popularizado no pulso de aviadores, o Yacht-Master adaptado à vela e o Cosmograph Daytona tão querido pelos pilotos. Sem esquecer o Milgauss idealizado para resistir aos campos magnéticos mais fortes no pulso dos engenheiros. Todos eles relógios assentes no lendário conceito Oyster Perpetual (caixa estanque Oyster e calibre automático Perpetual) que se tornaram ícones na história da relojoaria mecânica de precisão… e que nunca sairão de moda. A escalada do Explorer I A década de 50 foi determinante para a exploração do Planeta: findas as preocupações da Segunda Guerra Mundial, o homem procurou chegar mais alto e mais fundo. Os míticos Himalaias foram paulatinamente conquistados: primeiro foi o Anapurna, em 1950, depois o Evereste, em maio de 1953, graças à expedição de Sir Edmund Hillary e do xerpa Tenzing Norgay, que alegadamente utilizaram relógios Rolex preparados para o efeito. Há um aceso debate sobre quem usou o relógio, se foi Hillary ou Norgay. O que se sabe de certeza é que essa série de relógios tinha mostrador claro, sendo criado mais tarde nesse ano uma versão pré-Explorer com mostrador preto e indicadores luminescentes. O modelo foi batizado posteriormente Explorer e sofreu ligeiras altera­ ções de 1957 até à versão de 1989 (referência 14270), substituída finalmente em 2011. O modelo meticulosamente atualizado (referência 214270) cresceu três centímetros até aos 39 – mas o tamanho parece maior do que é devido à luneta fina e, consequentemente, à larga área do mostrador. Os algarismos que constituem a imagem de marca do Explorer (juntamente com o ponteiro Mercedes da hora) apresentam um reflexo por vezes escurecido que involuntariamente evoca uma tiragem limitada de 1990-91 que tinha matéria luminescente negra sobre o 3, o 6 e o 9. No interior, a motorização é proporcionada pelo conhecido calibre 3130 da Rolex, tornado calibre 3132 graças ao novo sistema antichoque Paraflex (que absorve os choques mais eficazmente e simplifica o processo de montagem), à espiral Parachrom com curva terminal Breguet e ao balanço Glucydur com parafusos de regulação Microstella. O invólucro exterior também melhorou significativamente, desde a caixa em superaço 904L com luneta polida à bracelete com elos maciços.

Simples e de elegância casual, o Explorer pode ser considerado o paradigma do essencial que a Rolex tanto preconiza. O tempo extra do Explorer II O advento do Explorer II em 1971 abriu novos horizontes à exploração e tornou-se na nova referência para aventureiros profissionais graças à introdução da janela para a data e sobretudo à inclusão de um ponteiro suplementar para um segundo fuso horário. Foi imediatamente testado no pulso do vulcanólogo Haroun Tazieff e logo se tornou equipamento essencial em numerosas expedições (sobretudo polares e de espeleologia) graças à graduação de 24 horas que permite distinguir o dia da noite. O novo Explorer II (referência 216570) mantém exatamente as mesmas características do original, mas apresenta-se num novo formato de 42 milímetros, diâmetro que passa por ser o tamanho canónico contemporâneo para os pulsos masculinos. O aumento quase não é percetível, porque tudo cresceu nas devidas proporções: a caixa monobloco Oyster numa liga aperfeiçoada de aço 904L e estanque a 100 metros, a luneta de 24 horas, a bracelete (que passou a incluir elos maciços e um novo fecho Oysterlock com extensão Easylink), o mostrador tradicional, a lupa Cyclops sobre a janela da data, os indexes… só o ponteiro do segundo fuso horário é que aumentou significativamente, mudando para a ponta em flecha e cor laranja de modo a melhor evocar o original de 1971 (de cognome ‘Freccione’ devido à forma do ponteiro suplementar). As duas versões de mostrador disponíveis apresentam as suas próprias valências: a de cor branca esmaltada tem os indexes e os ponteiros em ouro branco com rebordos a preto esmaltado para maior contraste; a de cor preta mate proporciona um efeito ‘fantasma’ com a coloração a negro da base dos ponteiros, fazendo parecer que as pontas flutuam sozinhas. A luminescência tem o selo Chromalight e é de longa duração no escuro. Mas as mudanças também são interiores – e de monta. O novo Explorer II é alimentado pelo novo calibre de manufatura 3187, com a inevitável certificação de cronómetro atribuída pelo COSC e incorporando duas tecnologias patenteadas pela Rolex para incrementar a resistência e a fiabilidade: o sistema antichoque Paraflex e a espiral antimagnética Parachrom. E não é preciso escalpelizar mais. Um Rolex é um Rolex: construído para trabalhar para sempre, seja em que circunstâncias for – das profundezas à estratosfera, mas sempre com o espírito prático inerente à expressão ‘pés bem assentes na terra’.


entrevista

«Acho que vivi num tempo maravilhoso» Entrevista por Paulo Costa Dias, fotos Kenton Thatcher Elvira Fortunato é portuguesa e ganhou 2,25 milhões de euros. Não lhe saiu o Euromilhões nem protagonizou uma transferência futebolística. Foi, antes, o resultado da atribuição da maior bolsa jamais concedida a um investigador português. Há quem a considere uma espécie de Cristiano Ronaldo da eletrónica ou quem a ache mentora de uma revolução. A verdade é que Elvira Fortunato se tornou um caso sério de popularidade na comunidade científica internacional com o seu trabalho na área da eletrónica invisível. Mas não só. Ainda por cima, utiliza materiais comuns, amigos do ambiente, de baixo custo, 100 vezes mais rápidos e que fornecem melhores resoluções. Melhor é impossível – por sinal, um conceito inadmissível no ‘seu’ laboratório.

Há quem julgue que fez história e há quem compare a importância do seu trabalho à invenção do transístor. Sente-se uma espécie de celebridade? Eu sou, acima de tudo, uma pessoa perfeitamente comum. Tenho tido alguma visibilidade por causa dos prémios que recebi, mas isso é fruto de um trabalho árduo, desenvolvido ao longo de um percurso profissional de 20 anos, sempre a remar contra a maré, defrontando muitas tempestades. Mas ainda bem, porque conseguimos! Não me considero uma celebridade; acho que faço, ou tento fazer, o meu melhor. Previa este seu sucesso em menina? Era daquelas crianças que via moscas ao microscópio, desmontava relógios ou torradeiras, abria televisões…? Não. Quer dizer, eu sempre fui muito curiosa, mas não ao ponto de desmontar as coisas, além dos legos que tinha, como qualquer criança. O que eu sempre quis, desde pequenina, foi ser engenheira, o que consegui. O fascínio pela investigação, a sério, só aconteceu na universidade. Como para qualquer docente universitário que se preze, a investigação científica é parte integrante da sua profissão.


entrevista

A educação em Portugal, como está? Não a vejo muito mal. Quando se diz que há problemas no ensino, eu não culpo só os alunos. Isto não é um ataque, mas temos de ver que, como em qualquer profissão, se o professor for bom e se se responsabilizar pelos alunos, conseguirá transformar pedras brutas em diamantes. Os nossos genes já vêm ‘programados’, é verdade, mas é a educação que nos molda e que faz o polimento. E a investigação? Eu tenho a ideia de que nunca Portugal teve tanta e tão competente gente. Sem dúvida. Mas também porque partimos de um patamar baixíssimo e estas coisas demoram gerações. Até ao 25 de abril, a investigação praticamente não existia em Portugal. Neste momento podemos dizer que foi feita uma aposta muito dirigida na área da investigação científica e, como é normal, os resultados começam a aparecer. A investigação, assim como a educação, são fundamentais se quisermos ser um país desenvolvido, criador e gerador de riqueza. A sua investigação é aplicada. Tem como objetivo a otimização, a rentabilização, a conversão da investigação em produto. Tem havido adesão do setor privado aos seus projetos? Como fazemos uma investigação muito dirigida à aplicação, de facto, acabamos por ter excelentes relações com a indústria. Daí termos várias patentes (60, neste momento), sendo uma internacional, com a Samsung, por exemplo. E com as indústrias portuguesas? Na área do papel, onde há empresas com peso e dimensão em Portugal, não despertámos o interesse de nenhuma e acabámos por desenvolver um projeto com uma empresa papeleira brasileira, a Suzano e iniciar outro com uma empresa alemã explorando áreas diferentes para a utilização daquilo que designamos por papel eletrónico. É uma questão de atitude ou de poder financeiro? É uma questão de atitude. Aqui, em Portugal, é mais difícil, às vezes, uma empresa grande apostar numa ideia inovadora que uma empresa mais pequena. Por vezes, as pessoas responsáveis pela área da inovação nessas grandes empresas não são muito inovadoras. No entanto, trabalha, a nível internacional, com a Fuji, a Fiat, a Samsung, a LG, a Saint Gobain, a HP, a Ferrari, e a IBM diz que o seu trabalho com a eletrónica transparente é revolucionário. Como lhe disse, transformar tijolos em materiais semicondutores, em transístores que podem pôr aquela televisão a funcionar, à temperatura ambiente, é uma revolução que vai decerto mudar a médio prazo as nossas vidas. Veio para esta faculdade na era do Spectrum. Não havia telemóveis nem computadores portáteis. A Elvira ainda é jovem: como é que vê o ritmo da evolução tecnológica, sobretudo estando no âmago de alguma dela? Não sei como será no futuro, mas eu sinto que sou extremamente sortuda. Vivi numa época que, de repente, passou do papel para os computadores. Acho que vivi num tempo maravilhoso, porque parti do nada para o tudo. E a Internet foi fundamental, claro, relativamente à comunicação e à informação. Está tudo na ponta dos dedos e à velocidade da luz. Há uma possibilidade de partilha de informação incrível, e isso é muito importante. No futuro, espero que todos possamos imprimir o nosso telemóvel e que o papel electrónico seja a base da electrónica descartável e conformável!


Assusta-a a voracidade tecnológica em que vivemos? Não, não. Sou otimista, não perco o meu tempo com a parte mais negativa das coisas, embora saiba que ela existe. Outros cientistas portugueses, para obterem sucesso, emigraram. Esta questão pôs-se ou põe-se? Não. Nós no nosso caso fizemos uma aposta em Portugal, conseguimos construir uma infraestrutura laboratorial competitiva em qualquer parte do mundo. Ora se eu tenho aqui as melhores condições para fazer investigação, ainda por cima gosto muito do meu País, tenho aqui a minha família, tenho um excelente clima, uma excelente gastronomia, um excelente ambiente de trabalho, o mar aqui ao lado, não faz muito sentido sair daqui… apesar de saber que o esforço que fazemos é muito maior, em tudo! Há a ideia de que os cérebros portugueses fogem para o estrangeiro… Eu acho que é muito bom sair quando se veem horizontes turvos internos (por falta de meios, fundamentalmente) ou quando se pretende otimizar o que sabemos junto de equipas com elevada massa crítica e reconhecimento científico internacional. Contudo acho que este facto é muito amplificado pela comunicação social, que acha que só saiem os bons... Eu também estou nas bolsas de estudo e faço avaliações, e não há assim tantos cérebros a sair como se diz! Esta forma de ver as coisas tem de mudar e temos de ter mais orgulho e confiança naquilo que fazemos! Por outro lado devemos ver que há também excelentes investigadores a virem trabalhar para Portugal. A Fundação Champallimaud, por exemplo, está a atrair alguns dos melhores investigadores na área das neurociências, e isto não é uma coisa menor. Espero que esteja a estudar um processo para fazer do nosso Sporting campeão! Costumo ir ao estádio, mas…. Eu visto a camisola da investigação científica e no futebol nem sempre se veste a camisola, há outros interesses ….Contudo, sou uma leoa feroz, que nunca aceita a derrota como fatal! Aliás, nem aos alfinetes, gosto de perder… Há lugar para a ideia de Deus no admirável mundo novo que está a ajudar a construir? Eu sou católica. São coisas perfeitamente compagináveis. Mais, permite-me ver o mundo para além da minha simples existência terrena e pretender criar exemplos que perdurem e que sejam usados por outros. Isto é muito importante quando se pretende ajudar a criar um mundo novo… O Admirável Mundo Novo, made in Caparica Não é cinema, não é ‘um filme’. Muito em breve, os mostradores aparecerão no vidro pára-brisas de um automóvel, ou no do cockpit de um avião. A sua televisão será transparente e mais fina do que alguma vez imaginou. A Espiral do Tempo terá imagens em movimento, em vez de fotografias; os frigoríficos dos solteirões terão menos coisas fora de prazo porque as embalagens mudarão de cor quando isso acontecer. Os solteirões poderão, também, alterar, com um simples toque, a cor das paredes, consoante o gosto das namoradas(os); e as famílias numerosas pouparão na eletricidade, porque, além de se poder alterar a sua tonalidade, os vidros das janelas acumularão, durante o dia, a energia necessária ao consumo doméstico. Os campos da vigilância, das energias renováveis ou da medicina, com sensores de diagnóstico, são outras áreas onde serão aplicados os frutos das investigações de Elvira Fortunato e da sua equipa.

Entrevista completa em www.espiraldotempo.com


reportagem


reportagem

A Era da cerâmica Utilizada com frequência como armadura nos relógios de pulso, a cerâmica técnica vai sendo também adaptada ao coração dos movimentos mecânicos. E não é preciso viajar no tempo para prever que este material tem lugar certo no futuro da relojoaria. Por Cesarina Sousa

A cerâmica aterrou nos relógios Chanel depois de a marca ter explorado caminhos nunca antes desbravados para apresentar o primeiro membro da coleção J12. Na altura, a aplicação de cerâmica em relojoaria não era propriamente uma novidade, mas o modelo apresentado causou grande impacto, muito graças aos hipnóticos efeitos de luz que a caixa proporcionava. Algo nunca visto, ainda para mais num relógio preto. Sem recurso a diamantes, a Chanel não só conseguiu fazer do J12 uma das estrelas mais brilhantes desse ano, como teve o mérito de elevar a cerâmica ao estatuto de material de luxo. O segredo estava no tipo de cerâmica utilizada, um material exclusivo com uma fórmula que permaneceu sigilosa durante muito tempo. No sugestivo ano 2000, a casa francesa abria assim as portas de uma nova era na relojoaria. Desde então, na linha do movimento ‘tecno’ que entretanto fez desenvolver o setor, a cerâmica passou a ser encarada como o material do futuro: brilhante, sofisticada e com excelentes propriedades físicas, parece ter tudo para garantir uma longa vida aos relógios mecânicos. Cerâmica técnica A Chanel contribuiu decisivamente para a atual febre da cerâmica, mas a Rado foi pioneira na utilização deste material em relojoaria. Em 1986, a marca lançou o Rado Integral, um relógio equipado com bracelete de cerâmica. O look futurista do novo modelo contrastava com a ideia tradicional que temos de objetos em cerâmica. De facto, a cerâmica é o material artificial mais antigo que se conhece produzido pelo homem. Com uma existência que remonta há cerca de 30 mil anos, resulta da modelagem e do aquecimento de minerais naturais não metálicos (como a argila) a temperaturas extremamente elevadas. Tijolos, azulejos, vasos e loiça de porcelana são alguns exemplos de artefactos associados a uma indústria de base tradicional. No entanto, a cerâmica utilizada em relojoaria não é uma cerâmica de base tradicional, mas sim a designada cerâmica técnica ou avançada. Segundo Jorge Lino, professor da Universidade do Porto, «os materiais cerâmicos têm elevadas potencialidades e um infindável número de aplicações, mas a sua fragilidade em situações de choque estimulou a busca de novos materiais com maior tenacidade» – basta pensarmos na facilidade com que uma chávena de café pode ser quebrada. «Muitos investigadores pensaram eliminar os defeitos na superfície dos cerâmicos para conseguirem um material com uma estrutura mais resistente ao choque e começaram a fabricar cerâmicos a partir de pó muito fino para evitar o mínimo defeito. No entanto, um defeito superficial posterior rapidamente gerava uma fissura que se propagava conduzindo à fratura. Esta filosofia acabou por ser abandonada e, atualmente, procura-se utilizar materiais ‘tolerantes a fissuras’, ou seja, na presença de um defeito e gerando-se uma fenda, esta vai encontrar dificuldades de propagação.» A cerâmica técnica resulta, assim, deste contínuo processo de aperfeiçoamento, e o aumento da tenacidade deste grupo de materiais veio permitir a sua utilização em setores que até então lhes eram vedados. Hoje a cerâmica técnica «é utilizada em áreas como a aeronáutica (turbinas), a indústria automóvel (válvulas; travões de disco), a indústria química (válvulas, vedantes), a cutelaria (facas para sushi) ou a indústria biomédica (próteses, coroas dentárias). É, pois, com naturalidade que vemos os cerâmicos a serem utilizados também em relojoaria», conclui Jorge Lino. Desenvolvida a partir de compostos puros – como carboneto de silício (SiC), óxido de alumínio (alumina – Al2O3), nitreto de silício (Si3N4) e óxido de zircónio (zircónia – ZrO2), entre outros – a cerâmica técnica resulta de uma série de processos mecanizados e de um rigoroso controlo de cada uma das etapas de fabrico. Em relojoaria, apenas algumas marcas se aventuraram pelos meandros do fabrico de uma cerâmica exclusiva para ser aplicada nos seus relógios, entre elas a Chanel e a Rolex.


reportagem

Chanel Noir Intense

Chanel: High-Tech Ceramic Os segredos da cerâmica da Chanel estiveram guardados a sete chaves, ao mesmo tempo que a marca continuava a lançar os resultados das suas experiências em relógios sempre bem-sucedidos. Mas 2009 representou mais um momento de viragem, face ao burburinho provocado pelo elevado preço do J12 Noir Intense que foi lançado nesse ano, um relógio totalmente cravejado de pequenas baguetes de cerâmica. A dúvida era compreensível: como é que um relógio de cerâmica poderia chegar aos 250.000 euros? Perante esta situação, a Chanel resolveu revelar detalhes do fabrico da cerâmica que é produzida para os modelos J12. Sophie Furley, pela revista Europa Star, teve o privilégio de testemunhar o processo, e descreveu-o em detalhe num artigo que recomendamos – «Chanel e a Câmara dos Segredos.» Mas o que levou realmente Sophie Furley a encarar com outros olhos o preço do J12 Noir Intense foi a dificuldade que está por trás da cravação de cada uma das minúsculas baguetes de cerâmica na caixa: «as baguetes de cerâmica são mais difíceis de cravar do que os diamantes. São extremamente duras, como o vidro, mas não tão duras como o diamante, por isso, um movimento em falso e a cerâmica parte-se em pedaços.» Segundo a jornalista, para a Chanel a cerâmica é produzida em moldes específicos individuais para cada um dos componentes. A zircónia e um ligante não revelado, solúvel em água, estão na base do processo que de seguida descrevemos. 1 - A mistura de zircónia (óxido de zircónio) com ligante é injetada nos moldes. 2 - Após a secagem, os moldes são colocados numa solução para remover o ligante. 3 - Depois de secas, as peças estão particularmente frágeis, podendo quebrar-se facilmente. 4 - Segue-se uma passagem pelo forno a uma temperatura de 1000 graus que fará com que a cerâmica endureça. Nesta fase, as peças tendem a contrair consideravelmente, pelo que os moldes são sobredimensionados tendo em conta esta alteração, para que cada peça fabricada tenha o tamanho exato. 5 - Uma máquina com duas mós inicia o processo de polimento e, por fim, as peças de cerâmica são submetidas a diferentes materiais abrasivos que concluem o processo.


Rolex Daytona

Rolex: CERACHROM® Também a Rolex se dedicou ao fabrico de uma cerâmica exclusiva que utiliza nos seus instrumentos do tempo desde 2005: a CERACHROM. Apresentada primeiro nos GMT-Master II, tem vindo a ser adotada numa grande diversidade de modelos da marca, no entanto, nestes modelos, trata-se de um disco de reduzida espessura que é depois colocado sobre a superfície da luneta. Mas o Cosmograph Daytona, lançado este ano, já integra uma luneta monobloco de cerâmica negra. A Rolex revelou pormenores do fabrico da luneta CERACHROM e explica que também o óxido de zircónio, composto por partículas inferiores a um mícron, está na base da sua cerâmica. Mas de forma diferente da Chanel, a cerâmica é aqui produzida em blocos que são depois trabalhados até adquirirem a sua forma final. 1 - De cor branca, o óxido de zircónio é misturado com ligante permitindo a sua conformação, bem como dos pigmentos que determinam a cor final desejada. Estes elementos são assim injetados num molde. 2 - A matéria-prima é moldada a altas pressões, apresentando, nesta altura, um baixo nível de resistência, pelo que terá de ser tratada termicamente. 3 - No forno, os blocos de cerâmica são sujeitos a um primeiro aquecimento que permite eliminar o ligante. 4 - Na etapa seguinte, as peças são sinterizadas a 1500 graus (para a cerâmica tradicional usa-se o termo ‘cozedura’, para cerâmicos técnicos usa-se o termo ‘sinterização’. Na sinterização, as partículas estabelecem ligações físicas entre si e é eliminada a porosidade). Desta forma, a cerâmica adquire a dureza e resistência mecânica que lhe são caraterísticas. No entanto, cada uma das peças reduz o seu tamanho em 25% e a cor adquire a sua tonalidade final. 5 - Os blocos de cerâmica são chanfrados em função da sua forma final. Tendo em conta a dureza do material, nesta fase são utilizadas ferramentas de diamante. 6 - Já na sua forma final, cada disco ou monobloco é revestido por uma fina camada de ouro amarelo, ouro rosa ou platina, consoante o modelo, através de um processo de deposição física em fase de vapor (PVD). Esta fina camada é depositada apenas nos números e nas escalas. 7 - Por fim, todas as peças são submetidas a um último polimento para dar brilho à luneta e destacar o metal depositado nos números e nas escalas.

Imagem gentilmente cedida pela Rolex.


reportagem

Versace DV One

TAG Heuer Formula 1 Ceramic Chronograph

Look cerâmico Como material versátil que combina tanto com detalhes luxuosos, como os diamantes, quanto com materiais mais desportivos, como o aço ou até o cauchu, a cerâmica resulta particularmente na caixa, na luneta e na bracelete. No seu conjunto, as linhas são enaltecidas por um coerente misto de sofisticação e de elegância muito ao gosto dos nossos tempos, por outro lado, os mais recentes DV One da Versace com caixa de cerâmica negra baça ou os Formula 1 Ceramic lançados no ano passado em preto e branco pela TAG Heuer e recuperados este ano numa versão cronográfica são a prova de que o look cerâmico funciona tanto em modelos femininos, como em modelos masculinos. Simultaneamente, a cerâmica tem a vantagem de ser um material duro e muito resistente aos riscos, perfeito para ser aplicado nos componentes externos que estão sempre mais vulneráveis. Não é por acaso que os mostradores em alta-relojoaria tendem a ser precisamente protegidos por vidro de safira, um material cerâmico à base de alumina. Esta polivalência de sucesso tem levado à crescente adesão das marcas e ao necessário desenvolvimento de novas variantes e potencialidades. Numa fase inicial, a paleta de cores disponíveis

limitava-se ao branco e ao preto. Com a evolução das tecnologias de fabrico, hoje é possível criar cerâmica de múltiplas cores. A Rolex fabrica a CERACHROM® em verde, azul, branco e preto; já a Chanel, depois de brilhar com o preto e de ter inaugurado a utilização da cerâmica branca, apresentou recentemente a linha Chromatic, outra variante da coleção J12. A inovação está na associação da cerâmica ao titânio que resulta num tom cinza extraordinário e variável. No caso do novo Royal Oak Offshore The Legacy, da Audemars Piguet com caixa e luneta integralmente concebidas em cerâmica, o destaque vai para o minucioso traba­ lho de polimento que resulta numa textura fina inédita semelhante ao aço, com reflexos high-tech muito originais. O facto de poder ser reinventada e adaptada à medida de cada marca faz da cerâmica técnica o material certo para transformar os instrumentos do tempo em peças com muita personalidade. Por isso, mais do que uma tendência passageira, a cerâmica enquanto elemento estético central afirma-se como um estilo que, tal como o aço, o titânio ou o ouro, dificilmente soará a last season, pelos menos nos próximos tempos.


Audemars Piguet The Legacy

Para o infinito «Dureza, rigidez, resistência a solicitações de choque, ao desgaste, à corrosão e a altas temperaturas, comportamento piezoeléctrico, supercondutividade e isolamento térmico» caraterizam, segundo Jorge Lino, a cerâmica técnica. Se os materiais cerâmicos eram já utilizados em movimentos de quartzo como solução de iluminação, aos poucos, algumas marcas começam a apostar nas suas potencialidades mecânicas. A Tudor, por exemplo, descobriu nas esferas de cerâmica a solução ideal para um fecho de báscula mais fluido e eficiente, mas a Jaeger-LeCoultre utiliza este material como elemento fundamental no coração do relógio. Após aturados estudos prévios, em 2004 já o Master Home Time surgia com um rotor assente em rolamentos de esferas de cerâmica e, em 2007, o Master Compressor Extreme Lab marcou mais uma etapa na história da manufatura por combinar materiais de alta tecnologia e rolamentos de esferas de cerâmica nas várias partes de atrito do mecanismo. Desta forma, reduziu ao mínimo a utilização de óleos lubrificantes. Com efeito, o aço e o latão constituem os dois pilares da relojoaria mecânica fina porque permitem um atrito reduzido nos pontos de contato entre as rodas e os carretos de qualquer movimento relojoeiro. No entanto, a sua eficiência depende da utilização de óleos lubrificantes, o que obriga a frequentes revisões técnicas. Mas sem recurso a qualquer tipo de óleo, a cerâmica técnica distingue-se por uma durabilidade entre cinco a 10 vezes superior ao aço e por um coeficiente de

Jaeger-LeCoultre Master Home Time

atrito praticamente irrisório. Isto significa que «no interior do relógio, os materiais cerâmicos podem ser aplicados em peças que estejam sujeitas a contacto móvel e que exigem elevada resistência ao desgaste.» Ao optar pela cerâmica, a Jaeger-LeCoultre deu, assim, mais um passo na busca de um movimento que funcione ad aeternum, sem necessidade de óleos de lubrificação e sem comprometimento da sua eficiência. Esta solução tem vindo a ganhar adeptos e foi mesmo adotada até por modelos iconoclastas como o HM3 ReBel. A mais recente máquina da MB&F surgiu equipada com um movimento do qual saltam à vista dois grandes rolamentos de esferas de cerâmica em azul metálico que transmitem a energia aos cones de indicação do tempo e à roda da data. Quanto à Chanel, permanece incontornável também neste domínio: da platina do J12 Tourbillon aos braços do rotor do J12 Calibre 3125 que (por acaso) está assente em rolamentos de esferas de cerâmica, há muito para citar. Para já, as potencialidades mecânicas da cerâmica técnica continuam a ser exploradas de forma reservada por apenas algumas marcas, mas Jorge Lino considera que «em termos futuros, prevê-se que, com os avanços significativos na área do fabrico de microcomponentes, possamos ver relógios com um ainda maior número de componentes cerâmicos.» É uma questão de tempo: afinal, a cerâmica técnica faz da eternidade uma realidade possível em relojoaria.


inciciativa

Raymond Weil by you Um curioso desafio levou os fãs da marca suíça a partilharem, através de um vídeo, a relação que mantêm com os seus relógios. E se lhe pedissem para, num breve filme, numa animação ou numa música original, revelar ao mundo o que significa para si o seu relógio preferido? Ou se lhe propusessem contar a história que o une ao mundo Raymond Weil? Foi este o desafio proposto pela Raymond Weil aos aficionados e amantes dos seus relógios de pulso. O concurso «Raymond Weil is much more than just a watch; it is a companion through different stages of life» (Um Raymond Weil é mais do que um relógio; é um companheiro ao longo das diferentes etapas da vida) esteve aberto a todas as pessoas de todas as nacionalidades, e teve como principal objetivo estreitar laços entre a marca e a respetiva comunidade de consumidores. Durante dois meses, vários criadores submeteram os seus trabalhos inspirados na Raymond Weil. Como seria de esperar, a iniciativa primou pela diversidade. Desde vídeos mais intimistas e contadores de histórias, a breves animações que primam pela originalidade, pas-

sando por vídeos arrojados ou de perfil mais clássico, o concurso acabou por refletir o espírito de inovação e independência que carateriza a marca. O elevado número de participantes confirmou o sucesso de um concurso que, à partida, tinha tudo para dar certo. Este projeto foi desenvolvido no âmbito da iniciativa Raymond Weil by You que vê a opinião do consumidor como fundamental para apoiar o desenvolvimento estratégico e de comunicação da marca. Vale a pena dar um saltinho à página oficial da Raymond Weil para descobrir os vídeos vencedores do concurso. www.raymond-weil.com

64


Evento

Métiers d’Art «Chagall & l’Opéra de Paris» No âmbito das Journées des Métiers d’Art em Paris, foi inaugurada a exposição Talents d’Exception que conta com o apoio da Vacheron Constantin.

A Moulding and Casting Gallery de Paris foi o palco escolhido para a inauguração da exposição Talents d’Exception. Esta teve como objetivo revelar os segredos por trás de uma série considerável de artes e ofícios que, nos tempos que correm, tendem a ser esquecidos. Como patrona da exposição, a Vacheron Constantin recebeu, a 31 de março, cerca de uma centena de eminentes convidados. Entre eles, Frédéric Mitterrand, ministro da Cultura e da Comunicação, Frédéric Lefebvre, secretário de Estado responsável pelo artesanato, e Jean-Michel Delisle, presidente da Escola Nacional de Artes e Ofícios (INMA). No decorrer do evento, os convidados tiveram ainda a oportunidade de descobrir a técnica genebrina de pintura em miniatura com esmalte grand feu que a Vacheron Constantin aplica nos

66

relógios com um elevado grau de mestria. A ocasião revelou-se, ainda, perfeita para a apresentação de dois novos modelos da coleção Métiers d’Art, entre eles, um modelo único da coleção Métiers d’Art «Chagall & L’Opéra de Paris», dedicado ao trabalho de P.I. Tchaikovsky. Há já quatro anos que a Vacheron Constantin apoia a Ópera Nacional de Paris, e, em homenagem a esta união, a marca concebeu a série Métiers d’Art «Chagall & l’Opéra de Paris», um conjunto de 15 relógios únicos, que honram os principais compositores de todos os tempos, os mesmos que inspiraram Marc Chagall na decoração do teto da Ópera Garnier com a criação de um mural impressionante. O primeiro relógio parece uma reprodução fiel do mural de Chagall, desenvolvida através da técnica grand feu. No mostrador do segundo modelo, foi reproduzida a parte do mural que Chagall dedicou ao Lago dos Cisnes de Tchaïkovski. No discurso de inauguração, Juan-Carlos Torres relembrou que «a manufatura genebrina se dedica a perpetuar o património e a transmitir valores humanos que definem o seu savoir-faire.» www.vacheron-constantin.com


Embaixador

Touch down! Desta vez foi o pulso poderoso de Dimitri Szarzewski que se revelou perfeito para os modelos da Graham-London. A marca vai reforçando sem medos o seu lugar no mundo do râguebi.

68


Chronofighter RAC 6 Nations Celebration Referência: 2CRBV.B09A.L96S Edição limitada a 100 exemplares. Preço: € 5.630

A Graham-London anunciou Dimitri Szarzewski como seu novo embaixador. O internacional francês juntase, assim, a uma carteira de nomes reconhecidos do râguebi associados à marca anglo-suíça, entre os quais Lewis ‘Mad Dog’ Moody e Mike Tindall. Cronometrista oficial do Torneio das Seis Nações nos últimos três anos, a Graham-London foi a primeira marca a assumir oficialmente esse estatuto na prestigiada competição. Um passo em grande que a tem levado a reforçar a sua ligação com o mundo do râguebi, tanto através da criação de edições limitadas exclusivas, quanto através da associação a grandes jogadores. A marca anglo-suíça já lançou vários modelos da linha Chronofighter, em homenagem à parceria com o Torneio das Seis Nações, o Chronofighter RAC 6 Nations Celebration, com a correia em pele a imitar costuras de uma bola de râguebi, e o Chronofighter Oversize Titanium Tackler, com caixa em titânio. O modelo mais recente é o Chronofighter Oversize Referee, uma edição limitada de 250 exemplares com caraterísticas muito particulares: «Foi desenvolvido a partir dos

Chronofighter Oversize Referee Referência: 2OVKK.B36A Edição limitada a 250 exemplares. Preço: € 5.970

códigos do Torneio das Seis Nações. As cores das seis equipas são apresentadas no pequeno contador localizado às três horas e o logótipo oficial do campeonato surge no fundo da caixa. O Chronofighter Oversize Referee teve também em conta as necessidades dos árbitros», anuncia a Graham. As grandes dimensões e a emblemática alavanca do cronógrafo acionada pelo polegar fazem com que seja um relógio adequado para cronometragens desportivas, pelo que é utilizado pelas equipas de arbitragem do evento. Torneio das Seis Nações (RBS 6 Nations) O Torneio das Seis Nações é um campeonato de râguebi realizado anualmente entre as seis maiores potências europeias da modalidade: Inglaterra, França, Irlanda, Itália, Escócia e o País de Gales. No site oficial do Torneio das Seis Nações, está sempre disponível um espaço da Graham com a contagem decrescente para os vários jogos. www.graham-london.com


François-paul journe Octa UTC? UTC é o nome atual para a velocidade de rotação da terra, ou seja, o Tempo Universal Coordenado, que substituiu a designação GMT a partir de 1972. Pelo que é o nome moderno não só para a rotação da terra, mas também para as diferenças horárias a nível mundial. Este relógio tem um pequeno mapa mundi dividido de acordo com os fusos horários atuais utilizados nos mapas modernos e é preciso que o mapa esteja certo com a hora de referência dos locais onde habitamos. A coroa regula automaticamente a hora no mapa num fuso de 24 horas em concordância pelo que é muito fácil de utilizar e depois há a possibilidade de definir mais uma hora ou menos uma hora em função da hora de verão e de acordo com o facto de habitarmos a este ou a oeste.

Antony de Haas, A. Lange & Söhne Saxonia? Reeditámos toda a linha Saxonia com dois novos movimentos automáticos. Um automático básico e um segundo numa versão com horas e minutos e segundo fuso horário. E pela primeira vez concebemos um relógio plano. Não um ultra-plano. Há várias marcas que se atrevem a ir por essse caminho, mas nós decidimos por um relógio muito bem ‘vestido’. Um elegante relógio de 40 milímetros de diâmetro e 5.9 milímetros de espessura. Para nós é fino, mas sei que existem relógio mais finos. As indicações no mostrador foram reduzidas ao essencial, ou seja apenas indicações das horas e dos minutos.

Patrick Kury, Porsche Design Porsche Design P6780 Diver? O preto é uma cor de que as pessoas gostam, mas, além disso, a cor preta faz parte da identidade Porsche Design há cerca de 40 anos, por isso tomámos a decisão de lançar este relógio também em preto. Para o mergulho, o azul é uma cor agradável porque é a última cor a desaparecer nas profundezas. Como mergulhador muito tra­dicional, utilizo o relógio para medir o tempo total de mergulho, o que é muito fácil: elevamos a caixa para podermos girar a luneta e ajustar o zero da escala aos ponteiros dos minutos; descemos a caixa e a luneta fica bloqueada, de forma a não girar. Nas profundezas, olho numa tabela o tempo de descompressão, volto a elevar a caixa, reajusto a luneta e volto a subir.


PAOLO MARAI, VERTIME Novidades 2011 para senhoras? Com o Destiny Spirit e o Destiny Precious percebemos que com muitas cores e pedras preciosas nos relógios as mulhe­ res sentem-se muito bem vestidas. A linha Eon foi lançada há dois anos num formato redondo e foi uma peça de grande sucesso. O facto de permitir virar o anel e assim mudar o rosto do relógio durante o dia era algo de acessório, mas foi muito apreciado. Podemos usar diamantes durante a noite, mas podemos virar a caixa e alterar o mostrador durante o dia. E este ano apresentámos o Eon oval para quem prefere um relógio um pouco maior, com mais presença mas mantendo um caráter discreto. O Reve Ceramic une a cerâmica a um design que o consagra como um dos relógios de topo da Versace.

Olivier Bernheim, Raymond Weil Novidades 2010? Destacamos o Nabucco que tem tudo a ver com um look casual e elegante. Temos uma edição limitada, aço, ouro, ouro rosa, titânio, fibra de carbono e vem com uma caneta. Destaque também para a linha Jasmine, em modelos de quartzo e automáticos, que revela como a marca se está a expandir numa nova direção que tem em conta as jovens profissionais. Hoje também elas querem ter relógios automáticos. Já a coleção Parsifal foi restruturada; um produto mais elegante que vai ao en­contro do que os homens procuram. Por fim, a linha Maestro, que identifico com as raízes da marca. Neste caso saliento o relógio do nosso 35º aniversário. Portugal é um mercado ao qual dedicamos mui­ta força para fazer destes relógios um sucesso.

giulio papi, criador relojoeiro Millenary Repetição de Minutos? O Millenary Repetição de Minutos da Audemars Piguet foi inspirado no Tradition pour Excellence nº 5 que deu também origem ao nascimento do Millenary segundos mortos, o segundo modelo, e continuámos com esta estética de grande sucesso. Por isso, agora, enriquecemos esta linha mais técnica com um repetição de minutos oval com caixa em titânio que permite sublimar ou melhorar a qualidade do som. Este relógio tem igualmente um sistema de segurança que torna possível silenciar a função acústica.


A nossa escolha

As maiores exposições mundiais de relojoaria têm lugar sempre no primeiro quartel do ano – começando com o selecto Salon International de la Haute Horlogerie, o Geneva Time Exhibition e demais apresentações paralelas na Cidade de Calvino para depois, no final do trimestre, todos os caminhos irem dar à babilónica feira de Baselworld nas margens do Reno. As tendências preconizadas pelas mais representativas marcas da indústria mantêm as linhas mestras vindas do ano anterior, com uma distinção mais clara entre os modelos clássicos e os mais desportivos. Por um lado, con­ firma-se o retorno a tamanhos masculinos menores e mais finos, mas com a novidade recente de os mostradores em guilloché tão em voga na década de 90 estarem de novo na moda; a preparação antecipada das coleções em tempo de crise e o piscar de olho ao emergente mercado chinês ainda muito pendente para relógios elegantes influíram decisivamente numa tendência que também inclui a febre pelas reinterpretações históricas de modelos do passado. Por outro lado, os relógios despor­ tivos continuam a ser declinados em cores escurecidas e materiais de ponta. Sem esquecer as complicações mecânicas de todo o tipo, das mais simples às mais sofisticadas. Apreciem a selecção preparada pela equipa redatorial da Espiral do Tempo nas próximas páginas!


Graham London Silverstone Tourbillograph Referência: 2TSAB.B02A Movimento: Turbilhão cronógrafo mecânico de corda automática calibre G1780. Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo de roda de colunas. Caixa Ø 48mm: Aço com tratamento PVD, vidro e fundo em vidro de safira com tratamento antirreflexos dos 2 lados, estanque até 50 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fivela em cerâmica preta. Preço: € 37.000


TAG HEUER Concept 24 Referência: CAL5110.SET24 Edição limitada a 24 exemplares composta por um TAG Heuer Monaco 24 e por um telemóvel MERIDIIST Gulf Edition num estojo personalizado. Movimento: Mecânico de corda automática com massa oscilante deslizante calibre 36. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, cronógrafo e data. Caixa Ø 40,5mm: Revestida a carboneto de titânio, vidro e fundo em safira com tratamentos anti-riscos e anti-reflexos dos 2 lados, estanque até 100 metros. Bracelete: Alligator com fecho de báscula em titânio com botões de segurança. Preço (Monaco 24 + MERIDIIST): € 17.500


Audemars Piguet ROYAL OAK OFFSHORE LEGACY Referência: 26400S0.00.A002CA.01 Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática Calibre 3126/3840. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, cronógrafo, data e escala taquimétrica. Caixa Ø 44: mm em aço com botões, luneta e coroa em cerâmica preta, fundo em vidro de safira, estanque até 100 metros. Bracelete: Cauchu preto decorada com duas faixas. Preço:


A. Lange & Söhne LANGE ZEITWERK STRIKING TIME Referência: 145.029 Movimento: Calibre L043.2 de manufatura de corda manual, galo de balanço gravado manualmente. Funções: Horas, minutos saltantes, segundos, indicador de reserva de corda, sinal acústico nos quartos e nas horas certas. Caixa Ø 44,2 mm: Ouro branco. Fundo em vidro de safira. Bracelete: Pele preta de crocodilo com fivela em ouro branco. Preço: Sob consulta


François-Paul Journe OCTA UTC Referência: FPJ.OUTC40.OV.V Movimento: Calibre automático FPJ 1300 em ouro rosa 18 kt (4N). Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, fusos horários com hora de inverno/verão, data grande e indicação da reserva de corda. Caixa: Ø 38 ou 40 mm em platina ou ouro vermelho18 kt, vidro e fundo em safira, estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em ouro vermelho 18kt. Preço: € 40.900


Patek Philippe Reference 5270 Referência: 5270G-001 Movimento: Mecânico de corda manual. Calibre CH 29-535 PS Q. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, cronógrafo, calendário perpétuo, indicação de dia/noite e fases da Lua. Caixa: Ø 41 mm em ouro branco, fundo em vidro de safira ou fundo maciço intercambiáveis, estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de aligátor preta mate cosida à mão. Preço: € 124.167


Chopard L.U.C Chrono One Referência: 161928 – 5001 em ouro rosa 18 kt Movimento: Cronógrafo rattrapante mecânio de corda automática. L.U.C.11CF. Certificado COSC. Funções: Hora, minutos, pequenos segundos e data. Caixa Ø 44 mm: Ouro rosa 18 kt. Estanque até 100 metros. Vidro e fundo de safira com tratamento antirreflexos. Bracelete: Pele de aligátor preta ou castanha. Fecho de báscula em ouro 18kt. Preço: € 27.350


Jaeger-LeCoultre Memovox Tribute to Deep Sea Referência: Q202 84 70 Série limitada a 959 exemplares. Movimento: Mecânico de corda automática JLC 956. Funções: Horas, minutos, segundos, alarme. Caixa: Ø 40,5 mm em aço, luneta especial de mergulho, vidro plexiglass, estanque até 10 bar. Bracelete: pele preta com fivela em aço. Preço: € 9.500


PANERAI LUMINOR SUBMERSIBLE 1950 3 DAYS AUTOMATIC BRONZO Referência: PAM00382 Movimento: Mecânico de corda automática, calibre Panerai P. 9000. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, data e cálculo do tempo de imersão. Caixa: Ø 47mm em bronze acetinado. Luneta rotativa unidireccional, fundo em vidro de safira, estanque até 300 metros. Bracelete: Pele com fecho em titânio. Fornecido com uma segunda bracelete. Preço: € 7.300


Vacheron Constantin Patrimony Traditionnelle Horas do Mundo Referência: 86060/000R-9640 Movimento: Mecânico de corda autonática 2460 WT, distinguido com o Selo de Genebra. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, horas do Mundo com indicação do dia e da noite (37 fusos horários). Caixa: Ø 42,50 mm em ouro rosa 5N de 18 kt. Fundo esqueletizado com vidro de safira, estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de alligator mississippiensis com fecho triplo de báscula de ouro rosa 5N de 18 kt. Preço: € 37.500


Franck Muller Giga Tourbillon Referência: 8889 T G SQT NR/AC Movimento: Mecânico de corda manual FM 2100 com quatro tambores. Funções: Horas, minutos e segundos opcionais no turbilhão. Caixa: 43,70x59,2x 14,00mm, cintrée curvex em aço com revestimento PVD. Estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de aligátor Preço: € 188.350


dicas

Tecnicismos Por Miguel Seabra Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico a pedido da Espiral do Tempo.

Mais do que um acessório ou um brinquedo prestigiado, um relógio de pulso é um companheiro para toda a vida. Deixamos, por isso, algumas dicas que o ajudam a conhecer e a cuidar do seu relógio desde o primeiro instante. Para que nada falhe.

Luneta rotativa Os relógios têm lunetas (o anel à volta do vidro) fixas ou lunetas rotativas. As lunetas rotativas podem ser bidirecionais ou unidirecionais, de modo a poder oferecer informação sobre um determinado número de funções. Geralmente, podem proporcionar a relógios simples o cálculo da duração de um evento como se de um cronógrafo se tratasse: por exemplo, roda-se a luneta de modo a que o indicador principal localizado no anel exterior fique em cima da hora exata do início do evento e mais tarde, quando o evento termina, basta calcular a duração, contando desde o momento assinalado pela luneta até essa altura. Há lunetas que só rodam num sentido, de modo a prever qualquer deslocação inadvertida – como no caso dos relógios de mergulho, em que a luneta ajuda o utilizador a calcular quanto tempo de ar ainda tem nas botijas. Qualquer que seja o caso, há algo de importante a reter: o sistema de rotatividade da luneta é um indicador da qualidade do relógio; há sistemas mais apurados e precisos, outros nem por isso. A diferença está no… clique.


O tamanho certo Nos últimos anos, tem-se assistido ao cambiar de várias tendências relativas ao tamanho dos relógios. Primeiro houve a adesão quase maciça aos relógios sobredimensionados para se verificar atualmente um regresso a tamanhos mais pequenos e a espessuras menores. A personalidade do relógio é importante: os mais desportivos podem ser maiores, os mais clássicos devem ser mais contidos. Atualmente, os tamanhos aceitáveis situam-se entre os 36 e os 46 centímetros de diâmetro; no entanto, é necessário ter em atenção que o tamanho de um relógio pode ser despropositado relativamente ao tamanho da pessoa e do seu pulso. Para uma escolha mais estruturada, e apesar de os gostos serem subjetivos, eis alguns conselhos alicerçados em diversos parâmetros a considerar aquando da compra.

Se a pessoa é de elevada estatura, os relógios grandes afiguram-se como sendo os mais indicados; em casos de baixa estatura, aconselham-se tamanhos médios. Espessura. Para pessoas de pulsos estreitos ou estrutura óssea mais fina, o uso de relógios grandes pode revelar-se desconfortável e fará com que os pulsos pareçam ainda mais pequenos. Cor. Relógios dotados de um mostrador preto ou escuro aparentam ser mais pequenos do que o são; o inverso aplica-se aos relógios com mostradores claros. Vocação. Relógios de diâmetro especialmente grande (a partir dos 42 mm) apresentam um caráter mais desportivo e assentam melhor em mangas curtas ou arregaçadas; quando usados com punhos apertados, fatos ou blusões podem tornar-se inconvenientes. Visibilidade. Em casos de problemas de visão, é sempre preferível optar por mostradores de maiores dimensões.


Foto por Nuno Correia


perfil

Um relógio de exceção traduz o caráter de quem o usa De uma pequena relojoaria sita às portas da vila de Sintra, até atingir a notoriedade de ser um dos mais importantes retalhistas de alta-relojoaria em Portugal, mediaram os 75 anos da Relojoaria Faria que se celebram em 2011. José Faria, filho do fundador, falou com a Espiral do Tempo deste trajeto, e perspetivou o futuro próximo de uma atividade que é mais que um ganha pão, é uma paixão alimentada pelo respeito que esta casa sempre teve pelos seus clientes.

87


perfil

O mundo da relojoaria é impressionante quando se contacta com ele pela primeira vez. É um mundo com realidades e uma cultura completamente diferentes daquilo a que estamos habituados.

António Faria, ao centro, pai de José Faria nos anos 40 do séc. XX à porta da Relojoaria Faria


A Relojoaria Faria abriu em 1936, numa altura em que as crises tinham outra dimensão. Como foram os primeiros anos? Foi uma época extremamente difícil. Foi uma época em que Sintra dependia essencialmente da zona rural. Eram os agricultores que, consoante o resultado das vendas na praça de Sintra, animavam o comércio local. Esta casa cresceu com as pessoas da região, e só a partir de meados da década de 70 do século passado teve o desenvolvimento que permitiu, anos mais tarde, criar uma estrutura e desenvolver o negócio de alta-relojoaria e de joalharia de marca.   Assusta-o o momento que Portugal atravessa? Vai ser uma época de desafios e de apelo à criatividade, mas é sempre com espírito positivo que esta casa encara as adversidades.   António Faria, o seu pai e fundador desta casa, foi relojoeiro desde os 12 anos – qual a importância de ter formação relojoeira para estar no negócio? É muito importante ter formação relojoeira e estar apoiado por técnicos especializados.   A formação de relojoeiros é, justamente, um dos grandes desafios da indústria. Que saídas vê para a atual crise de técnicos? Existem excelentes técnicos relojoeiros portugueses, grande parte dos quais com formação da Casa Pia de Lisboa. Alguns foram recrutados e ocupam hoje lugares de destaque na indústria relojoeira suíça; outros fazem parte das equipas técnicas de alguns importadores, e outros, ainda, terão os seus próprios gabinetes técnicos. É um ofício que deveria fazer parte dos cursos de formação técnica em Portugal, dada a crescente procura de relojoeiros e a dificuldade em encontrá-los. A Suíça está atenta a esta lacuna e continua a formar técnicos, bem como a proporcionar estágios e formação acrescida a relojoeiros, inclusive aos que trabalham nos importadores.   Gaba-se do conceito familiar e tradicional da sua empresa. O que é que isso significa, que valores acarreta? Significa a paixão pela relojoaria e joalharia aliada ao respeito, à lealdade, à dedicação, à seriedade e à responsabilidade. São estes os valores que, desde a fundação, fazem parte dos princípios que norteiam todos os trabalhadores desta casa.   O seu trajeto não foi o de um herdeiro tradicional – normalmente, começam a trabalhar no negócio desde muito cedo. O José Faria esteve na Força Aérea e na banca, durante muitos anos, e só posteriormente se dedicou por completo à empresa. Em que medida isso condiciona a sua gestão? O meu percurso de vida proporcionou-me, efetivamente, o contacto com outras áreas de atividade que me deram mais-valias e

um conhecimento que me permitiram desenvolver o negócio na vertente económica e social. O que mudou na indústria desde a sua primeira visita às grandes feiras de relojoaria? A primeira feira a que fui foi em 1990, e o que se nota é uma grande evolução tecnológica e um grande cuidado na apresentação dos novos produtos. Há dois anos, houve uma certa acalmia, fruto da crise, mas a evolução técnica nunca parou.   Qual foi a feira que mais o impressionou? A primeira, pela novidade. O mundo da relojoaria é impressionante quando se contacta com ele pela primeira vez. É um mundo com realidades e uma cultura completamente diferentes daquilo a que estamos habituados.   O que é que a alta-relojoaria tem de excecional? A técnica, permanentemente reinventada, e a evolução tecnológica dos materiais usados na construção de um relógio. Um relógio de exceção traduz o caráter de quem o usa, como nada mais no mundo o faz, provavelmente.  Qual o futuro da relojoaria a curto e médio prazo? Penso que a grande evolução nos próximos tempos terá a ver com os materiais a usar, não só nos mecanismos como nas caixas. É importante dilatar o prazo das manutenções, quer pelos seus custos quer pela dificuldade de mão de obra especializada. Quanto ao aspeto estético, ele será resultado da evolução dos próprios mecanismos, serão eles que influenciarão a estética final.   Tem grandes colecionadores entre os seus clientes. O que é que faz a paixão desta gente? Terem um objeto diferente, ou raro, senão único. Há clientes que querem coisas diferentes, visualmente diferentes. Outros inclinam-se mais para os aspetos técnicos que valorizam. Uns e outros querem peças especiais, seja em termos visuais, seja técnicos. A diferença e a excelência é o que procuram.   O investimento alia-se à paixão ou nem sempre? Nem sempre. Não tenho clientes, penso eu, que estejam a associar o investimento à paixão no momento da compra. A paixão é mais importante. Compram porque gostam, porque é uma marca importante, porque lhes dá garantias, porque lhes dá confiança. O investimento está-lhes na cabeça, mas não é determinante, não é isso que faz o ‘clique’.  

Entrevista completa em www.espiraldotempo.com

89


O som do tempo Criada em 2009 pela Jaeger-LeCoultre, a linha Master Grande Tradition assume contornos declaradamente históricos e tem por principal caraterística a junção de duas complicações típicas da relojoaria clássica com um nível decorativo excecional; os elementos de estilo também são tradicionais, desde os acabamentos alternadamente polidos e acetinados da caixa à luneta abaulada inspirada em relógios de bolso, passando pelo padrão geométrico Clous de Paris no mostrador e ponteiros em lâmina de punhal. Paradoxalmente, sob um invólucro tão clássico, os mecanismos dos modelos da linha Master Grande Tradition incluem materiais de ponta e soluções de vanguarda – cerâmica, titânio de grau 5, silício, soldadura a laser, depósito por evaporação no vácuo e polimento plasma. Como sucede no Master Grande Tradition à Répétition Minutes, que associa os ponteiros descentrados de um mostrador regulador à função acústica da repetição de minutos.


Em Foco Jaeger-LeCoultre Master Grande Tradition Minute Repeater Referência: Q501242U Edição Limitada a 30 exemplares. Movimento: Mecânico de corda manual JLC 947R. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos, reserva de corda de 14 dias e repetição de minutos (botão da esquerda). Caixa Ø 44mm: Ouro rosa 18kt, vidro e fundo de safira, estanque até 50 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em ouro rosa 18kt. Preço: € 163.000

Originalidade clássica Numa bela caixa de 44 milímetros em ouro rosa, o Master Grande Tradition Minute Repeater é o primeiro relógio com repetição de minutos que indica simultaneamente a reserva de corda, o binário dos tambores de corda e os pequenos segundos num submostrador; os minutos surgem a partir de um ponteiro central, enquanto as horas também estão descentradas num submostrador às 12 horas. O mostrador inclui cinco ponteiros em cinco diferentes eixos.

Escutar horas e minutos O principal prodígio técnico não se vê – escuta-se. Puxando a alavanca no flanco esquerdo da caixa, o mecanismo arranca em silêncio até que a regularidade do compasso dos martelos, a riqueza do som e a afinação das notas se fazem ouvir. Os gongos de formato quadrado são feitos à base de uma liga de composição secreta. O bordão está soldado ao vidro (entre as 5 e as 6 horas) para aumentar a intensidade e a pureza do som, que ressoa durante mais tempo.

Mecanismo artístico Passível de ser apreciado através de um fundo transparente em vidro de safira que inclui uma lupa estrategicamente colocada, o Calibre JLC 947R é um movimento mecânico de corda manual composto por 430 peças que funciona a uma frequência de 21.600 alternâncias por hora; e se o trabalho decorativo é excecional (gravação no galo do balanço, anglage, platina e pontes em maillechort), a reserva de marcha também: duas semanas de autonomia!

Pedro Rosas - David Rosas

Para mim este relógio simboliza a mestria da Jaeger-LeCoultre na sua mais pura aceção. Destaco, naturalmente, a limpidez do som que é produzido pelo batimento dos pequenos martelos. Ouvir o tempo torna-se uma experiência única. José Teixeira - Camanga

Sendo uma marca incontornável no domínio das complicações acústicas, este modelo supera as expetativas. Poucos imaginam a complexidade mecânica por trás das linhas simples do elegante mostrador. Tradição, técnica e design numa complicação melodiosa.

Vanguardismo inesperado Nota de destaque – A utilização do silício no balanço: o silício – devidamente tratado e protegido por uma camada protetora de nanocristais de diamante polidos com plasma – apresenta um grau de fricção tão baixo que dispensa a tradicional lubrificação e a sua leveza também permite melhorar os índices de inércia. Resultado: um rendimento 15 por cento mais eficaz e maior precisão, certificada pelo teste ‘1000 Horas Chrono’ da Jaeger-LeCoultre.


Herói do Mar Negro A TAG Heuer sempre contou no seu currículo com instrumentos do tempo vocacionados para as atividades lúdicas e desportivas em ambientes aquáticos. Qualquer marca relojoeira de prestígio faz gala em ter no seu catálogo um modelo de mergulho – e a TAG Heuer tem um rico historial de instrumentos associados não só às atividades marítimas, mas também aos mergulhadores. Desde a estreia do modelo Yachting, em 1942 (passando pelo Solunar, Mareograph/Seafarer, Navia e Skipper), até ao lançamento da linha 2000, a herança de relógios de cariz náutico é rica e tem sido complementada ao longo da última década com a maturidade da gama Aquaracer, que inclui versões mais vocacionadas para as profundezas aquáticas. E o mais recente elemento da família é o Aquaracer 500M Full Black, um relógio que apresenta um conjunto de caraterísticas técnicas de exceção dotado de um visual escurecido extremamente apelativo.


Em Foco TAG Heuer Aquaracer 500 Full Black Referência: WAJ2180.FT6015 Movimento: Mecânico de corda automática calibre 5. Funções: Horas, minutos, segundos e data. Mostrador: Ponteiros e indexes luminescentes. Caixa: Titânio com tratamento a carboneto de titânio preto, luneta unidireccional, válvula de hélio às 10H, vidro e fundo de safira com tratamento antirriscos, estanque até 500 metros. Dimensões: Ø 43mm Bracelete: Cauchu com fecho de báscula em aço com tratamento PVD preto. Preço: € 2.750

Pura testosterona Com uma impactante estética e a pujança da sua caixa de 43 milímetros de diâmetro, o Full Black é talvez o modelo mais agressivo da TAG Heuer e transpira testosterona pelos seus poros pretos (e a porosidade do titânio torna-o precisamente no material ideal para os relógios de mergulho). Mas a sua sofisticação negra não é exclusivamente masculina: também haverá público feminino que não desdenhará utilizá-lo…

Modernidade militar A justaposição de caraterísticas estilísticas e funcionais tornam o Full Black num caso sério de personalidade graças a um toque de modernidade militar: o preto mate abrange todo o relógio, à exceção dos destaques na luneta, do fecho de báscula em titânio para a bracelete e a válvula de escape – sobressaindo o acentuado contraste ótico proporcionado pelos ponteiros e indicadores num amarelo/verde luminescente em SuperLuminova.

Atributos de mergulho Para além da força do preto, pormenores como a lupa sobre a janela da data, o tratamento diagonal do mostrador e a inovadora luneta rotativa unidirecional em borracha preta com cobertura soft touch e algarismos aplicados dão ainda mais personalidade ao conjunto – que inclui atributos típicos de mergulho como uma válvula de escape de hélio, bracelete em cauchu facilmente ajustável e uma coroa sobredimensionada.

Carlos Góis - Góis Joalheiro

Para além das caraterísticas técnicas de referência, a linha Aquaracer 500 M carate­ riza-se por um design jovem e pela excelente legibilidade que proporciona. O Full Black reforça ainda mais estas caraterísticas e tem sido muito bem recebido. Espiral do Tempo

O preto é o pano de fundo dos indexes verde-lima que dão vida a ao Aquaracer 500 M. O resultado é um efeito ótico que apetece de imediato experimentar debaixo de água. Perfeito para a próxima estação estival.

Janela para o âmago O tratamento a negro da caixa de titânio ultraleve (ainda mais leve do que o titânio normal) do Full Black é feito segundo as mais recentes técnicas de PVD que tornam a superfície imune a riscos; a poderosa caixa, com revestimento a carbono preto e imune a 500 metros de profundidade, tem um fundo transparente em vidro de safira fumado que deixa entrever um coração mecânico – o calibre automático Calibre 5.


Um cronógrafo com cabedal Dotado de soluções estéticas e técnicas tão atípicas quanto inovadoras, o Chronofighter é talvez o mais inconfundível dos cronógrafos – e o espírito que originou a sua criação surge sublimado na versão Fortress, de inspiração vintage reminiscente dos tempos épicos da aviação na Segunda Guerra Mundial. Há muito que o Chronofighter ocupa um lugar muito especial na coleção da Graham devido à sua personalidade ímpar: trata-se de uma peça carismática que alia a força histórica ao atrevimento, tornando-se automaticamente no ex-libris da marca a partir do momento em que foi criado; a configuração da pujante caixa (43 mm de diâmetro) em aço baço e polido é deveras impactante – com a sua coroa sobredimensionada colocada à esquerda sob uma alavanca para o início e a paragem das funções cronográficas, para além de um botão colocado de modo assimétrico que recoloca o ponteiro a zero.


Em Foco Graham Chronofighter Fortress Referência: 2CRBS.B10A.L81S Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática calibre G1742 com 28 rubis e reserva de corda de 48H. Funções: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo. Mostrador: Ponteiros, números e indexes com SuperLuminova beige, uma cor que evoca o tom exato do trítio envelhecido que encontramos em relógios militares históricos. Caixa Ø 43mm: Aço, vidro em safira com tratamento antirreflexos, verso de vidro safira, estanque até 100 metros. Bracelete: Calfe de blusão de bombardeiro com fivela em aço. Preço: € 6.400

Viagem no tempo A Graham tem declinado o seu mais emblemático modelo em versões de dimensões ainda maiores (47 milímetros) – mas, num duplo regresso às origens que é um autêntico voo no tempo, lançou o Chronofighter Fortress com dois objetivos: por um lado, exalta a caixa original com diâmetro de 43 milímetros; por outro, usa códigos estéticos dignos do período da aviação na Segunda Guerra Mundial que inspirou a sua criação.

Uma alavanca preciosa Por alturas da Segunda Guerra Mundial, os pilotos necessitavam de cronógrafos que só podiam ser manejados com luvas a temperaturas de -30º e a 10 quilómetros de altitude; é aí que nasce a história da alavanca, idealizada com princípios ergonómicos para otimizar a utilização das funções cronográficas através do dedo polegar – o polegar, independente dos restantes dedos, reage algumas décimas de segundo mais depressa para o arranque ou a paragem do contador.

Espírito vintage O mostrador é estilizado com espírito vintage no grafismo e na paleta cromática, que inclui tinta luminescente de cor beije/ cáqui nos algarismos, índices e ponteiros, comparável ao tom envelhecido de antigos relógios da época. O estilo militar/de aviação do conjunto é acentuado pela voluptuosa correia de couro com pespontos que evoca os blusões de pele envelhecida dos aviadores.

João Lobato - Vanvaco

A aura histórica desta versão faz-se sentir logo num primeiro impacto. Talvez pela combinação de cores e pelas linhas do mostrador. Uma peça vintage muito ao gosto dos nossos tempos! Espiral do Tempo

Se ainda não teve coragem para usar um Graham esta é a sua oportunidade. Com uma caixa mais pequena e mais leve no âmbito dos modelos Chronofighter mais recentes é, apesar da alavanca, um relógio discreto... que não deixa ninguém indiferente...

Motorização mecânica O Chronofighter Fortress está dotado do Calibre G1742 de corda automática, que pode ser apreciado através do fundo transparente. Inclui uma roda de colunas (‘roue à colonnes’, designado R.A.C.) que assegura maior precisão na medição de tempos curtos; consiste numa peça com seis colunas de forma triangular que regula as funções de diversas alavancas e o seu grau de sofisticação é tão elevado que poucas são as companhias relojoeiras capazes de o produzir.


Rei do cálculo A Fortis antecipou o arranque das comemorações do seu centésimo aniversário com o lançamento de uma especialidade em edição limi­ tada: o B-47 Calculator GMT 3 Time Zones, restrito a 2012 exemplares e inspirado num modelo histórico da marca de Grenchen fundada em 1912. Trata-se de um relógio que cruza a micromecânica com as clássicas réguas de cálculo utilizadas antes da popularização da calculadora nos anos 70, precisamente na mesma altura em que a utilização do quartzo fez entrar a relojoaria tradicional em crise até ao seu pleno renascimento no início dos anos 90. Curiosamente, terá sido um relojoeiro suíço a descobrir a relação dos números e o modo de os controlar num sistema de logaritmos: Jost Bürgi (nascido em 1552, em St. Gallen) concebeu a base do sistema aritmético, ferramenta essencial para qualquer ocupação técnica até 1969, antes de a régua de cálculo ser destronada pela calculadora de bolso.


Em Foco Fortis B-47 Calculator GMT Referência: 669.10.31L.16 Edição limitada a 2012 exemplares comemorativa do 100º aniversário da Fortis. Movimento: Mecânico de corda automática, calibre 2893-2. Funções: Horas, minutos, segundos, data, 3 fusos horários, indicação de 24H, régua de cálculo e contagem descrescente de 60 minutos. Caixa Ø 47mm: Aço, vidro em safira com tratamento antirriscos, escala de conversão de graus Celsius em Farenheit no verso, luneta unidireccional e estanque até 200 metros. Bracelete: Pele com fivela em aço. Preço: € 2.150

Três fusos em simultâneo A partir do calibre automático ETA 2893-2 que o alimenta e das suas várias escalas, o B-47 Calculator apresenta horas, minutos, segundos, data, três fusos horários, indicação de 24 horas, réguas de cálculo e contagem decrescente de 60 minutos. Um segundo fuso horário separado pode ser utilizado como indicador de 24 horas; a luneta rotativa bidirecional pode ser utilizada para a função de contagem decrescente e marcação de um terceiro fuso horário.

Resolver equações O B-47 Calculator pode ser um apoio profissional à navegação na eventualidade de uma falha nos sistemas eletrónicos de bordo: foi desenvolvido de acordo com as especificações dos pilotos para atender aos requisitos de um voo; trata-se de um clássico moderno que permite exemplar legibilidade através das suas diversas funções suplementares. Graças às várias escalas e tabelas incluídas tanto no mostrador como no fundo da caixa, é uma ferramenta capaz de resolver problemas e equações.

Caixa grande O tamanho sobredimensionado da caixa (diâmetro de 47 milímetros para abrir espaço para as réguas de cálculo no mostrador) do B-47 Calculator está devidamente acondicionado ergonomicamente para também se adequar a pulsos mais pequenos. Todo o espaço do relógio é criteriosamente ocupado com dados informativos, e o próprio fundo da caixa inclui uma escala de conversão de temperaturas entre graus Celsius e graus Fahrenheit.

Esmeralda Almeida - El Corte Inglès (Gaia)

Estamos perante um relógio completamente diferente dentro da coleção da Fortis que tende a despertar muita curiosidade. O segredo está nas réguas de cálculo, mas também na fiabilidade inerente aos relógios da marca. Espiral do Tempo

Não se deixe intimidar pela profusão de réguas de cálculo que, curiosamente, contri­ buem para salientar mostrador. Pode-se até questionar a utilidade deste instrumento – mas, hoje em dia, ninguém compra um relógio mecânico só pela sua utilidade!

Passatempo Porque nem todos são pilotos ou astronautas, as tabelas do mostrador também permitem uma aliciante (e divertida!) interatividade para qualquer utilizador que deseje saber o cálculo relativo de proporções, de velocidade por hora, de distância percorrida, de ganho ou perda em altura e de consumo de combustível (especialmente útil nos tempos que correm!). Os vários exemplos de utilidade do B-47 Calculator estão explanados num útil manual.


Regresso de um titã A relojoaria de prestígio tem sido caraterizada por uma tendência das marcas em reeditar modelos que muito contribuíram para o respetivo património – mergulhando no passado e rebuscando arquivos para recuperar antigas versões e apresentá-las com uma sofisticação contemporânea. Assim, tem-se o melhor dos dois mundos: o peso histórico de uma referência de culto e um relógio atual que não precisa da manutenção onerosa que os mecanismos antigos exigem. A Porsche Design personifica a tendência e justifica-a: o 30.º aniversário do primeiro cronógrafo em titânio na história da relojoaria. As linhas do Titanium Chronograph de 1980 são criteriosamente respeitadas, com o vínculo minimalista e o mostrador reminiscente dos instrumentos de bordo tão caros à Porsche Design: o Heritage P’6530 prova como uma reedição até pode ser melhor do que o original, mantendo o estatuto de culto.


Em Foco Porsche Design P’6530 Heritage Referência: 6530.1141.219 Edição limitada a 911 exemplares evocando o primeiro cronógrafo em titânio lançado pela marca em 1980. Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática calibre Valjoux 7750. Funções: Horas, minutos, pequenos segundos nas 9H, data, cronógrafo, data e dia da semana. Caixa Ø 44mm: Titânio, vidro de safira com tratamento antirreflexos e antirriscos, gravação do número de série no verso, estanque até 60 metros. Bracelete: Titânio com fecho de báscula. Preço: € 4.350

Ícone em celebração Como ter acesso a um produto lendário dotado de elevado valor emocional? Adquirindo o original… ou então uma reedição certificada. Lançado numa edição limitada a 911 exemplares (número incontornável na marca…) acompanhados de um certificado, o Heritage P’6530 inaugura a nova linha da Porsche Design destinada a celebrar os seus ícones do passado e a exaltar um material de exceção: o titânio, estreado na relojoaria pela Porsche Design.

Atualizações criteriosas O diâmetro de 44 milímetros é mais adequado aos pulsos atuais e a superfície recebeu um tratamento que a protege dos riscos. O Heritage P’6530 também apresenta uma subtileza no layout monocromático ladeado pela escala taquimétrica, com a disposição tricompax vertical dos submostradores a ser complementada por janelas de calendário à direita: ao lado da data, o dia da semana cinge-se a duas letras (habitualmente são três) para melhor legibilidade.

Integração inteligente A bracelete integrada revela o espírito dos anos 70, mas é bem mais complexa do que parece graças a uma estrutura de elos interior que a torna extremamente maleável para contornar ergonomicamente o pulso. Os botões do cronógrafo também são integrados na caixa, que se faz acompanhar de um vidro de safira antirriscos com tratamento antirreflexos dos dois lados. O número da edição limitada surge inscrito no fundo, juntamente com a estanqueidade (60 metros).

Álvaro Casaca - Jóia Pura

O lançamento de reedições é uma oportunidade única para conhecer o percurso de uma marca e, numa altura em que o titânio é cada vez mais utilizado, a Porsche Design recupera o primeiro cronógrafo em titânio da história da relojoaria. Espiral do Tempo

Nem sempre revisitar o passado funciona, mas o P’6530 Heritage reflete fielmente as linhas do passado com a necessária sofisticação da atualidade. Infelizmente as fotografias não lhe fazem jus. Ao vivo desarma qualquer um. Palavra de Espiral do Tempo!

Motor de arranque O mecanismo que alimenta o Heritage P’6530 é o Valjoux 7750, histórico calibre cronográfico automático devidamente otimizado e afinado para ostentar o certificado de precisão do Controlo Oficial Suíço dos Cronómetros (COSC). Dotado de 25 rubis e equipado com o rotor de alto rendimento em forma de jante tão caraterístico da Porsche Design, apresenta uma frequência de 28.800 alternâncias/hora e 48 horas de reserva de corda.


Lágrimas de crocodilo Mais um original exercício de estilo com a assinatura Franck Muller: o Curvex Black Croco homenageia um prestigiado padrão na altarelojoaria e o resultado final é uma ave rara de inspiração réptil, um sumptuoso relógio que não se parece com mais nenhum outro. Esse prestigiado padrão é o das escamas do crocodilo, um animal omnipresente na alta-relojoaria – é da sua pele que são feitas as luxuosas correias que equipam a esmagadora maioria dos melhores relógios à face da terra. Porquê? Porque é sinal de prestígio e porque a pele de crocodilo (ou de parentes seus, como o aligátor) apresenta excelentes propriedades intrínsecas incapazes de serem equiparadas por outro tipo de pele, desde a resistência à maleabilidade, passando pela tolerância à água. A cor negra e o prolongamento decorativo fazem do Black Croco um notável ‘animal’ de estimação, pelo qual vale a pena chorar por mais!


Em Foco Franck Muller Curvex Black Croco Referência: 8880SCBLKCRO/ACPR Movimento: Mecânico de corda automática calibre FM 800 com reserva de corda de 42 horas e 28’000 alternâncias/hora. Funções: Horas, minutos e segundos. Mostrador: Decorado com motivo que simula pele de crocodilo. Caixa Ø 39,6x55,4mm: Aço com tratamento PVD preto decorada com motivo que simula pele de crocodilo, vidro de safira, estanque até 30 metros. Bracelete: Pele de aligátor com fivela em aço com tratamento PVD preto. Preço: € 11.500

Originalidade absoluta No Curvex Black Croco, o caraterístico padrão em escamas das correias de crocodilo é replicado na caixa e no mostrador – como se fossem uma extensão da correia, criando inesperadamente uma uniformidade verdadeiramente desconcertante. Tão original exercício de estilo com a irreverência típica da casa Franck Muller provoca um efeito visual notável… e oferece ao conjunto um aspeto ainda mais sumptuoso!

Formato emblemático A caixa assenta nas linhas harmoniosas da gama Cintrée Curvex, uma elaboração da clássica forma tonneau (caixa alongada em forma de barril) tão em voga no período Art Déco e que atualmente é um formato indissociável da assinatura Franck Muller. É no formato Cintrée Curvex que se declinam a maior parte das linhas da marca, apresentadas em vários tamanhos através de uma complexa estrutura arquitetónica onde três eixos curvos se reúnem num único ponto.

Em baixo relevo O Curvex Black Croco está disponível numa versão preta em aço com tratamento PVD; o trabalho de gravação no mostrador e na caixa consegue recriar em baixo relevo todo o efeito ótico geométrico das correias em pele de crocodilo; o contraste entre o negro da caixa e o branco dos ponteiros e algarismos caraterísticos da Franck Muller proporcio­na uma perfeita legibilidade. O tamanho sobredimensionado adapta-se a qualquer pulso graças à ergonomia.

Jaime Severino - Severino Relojoeiros

Acho sempre curioso como a Franck Muller consegue, de ano para ano, surpreender – e com este relógio a marca conseguiu mais uma vez ser mesmo muito bem sucedida. Estender a decoração ‘croco’ a toda a peça é genial. Espiral do Tempo

Nada como um relógio absolutamente Franck Muller para desfrutar com gosto as noites de verão que se aproximam. Exótico e, ao mesmo tempo, sofisticado, o Black Croco desarmou a nossa equipa redatorial.

Coração de crocodilo Além do mero exercício de estilo exterior, e à semelhança de grande parte dos modelos com a chancela Franck Muller, o Black Croco está equipado com um fiável mecanismo automático (o Calibre FM 800) dotado do rotor em platina que é tradição da marca. O coração mecânico do ‘crocodilo negro’, com 158 componentes e 21 rubis, bate a uma frequência de 28.800 alternâncias/hora e apresenta uma reserva de corda de 42 horas.


Colmeia relojoeira Como reinventar um clássico? A Audemars Piguet tem-no conseguido constantemente com as suas múltiplas reinterpretações das linhas Royal Oak e Royal Oak Offshore. E se o Royal Oak abriu um novo capítulo na relojoaria moderna em 1972, o Royal Oak Offshore tornouse no pai da relojoaria contemporânea duas décadas depois com o seu formato sobredimensionado e a sua pujante arquitetura. Outro segredo da Audemars Piguet tem consistido no lançamento pontual de declinações em edição limitada ou confinadas a um espaço temporal – e uma das mais interessantes realça o papel que a manufatura de Le Brassus tem tido nas várias frentes da tecnologia e do design, recorrendo a uma matéria alternativa que representa a fusão perfeita entre a relojoaria tradicional e o arrojo vanguardista: o Royal Oak Offshore Bumble Bee (‘Abelha’) é feito em carbono forjado e a utilização do amarelo iridescente proporciona um contraste sensacional.


Em Foco Audemars Piguet Royal Oak Offshore Chronograph Bumble Bee Referência: 26176FO.OO.D101CR.02 Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática calibre AP 3126/3840. Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo e data. Caixa Ø 42mm: Carbono forjado, vidro de safira e estanque até 100 metros. Bracelete: Pele de crocodilo com fecho de báscula em titânio. Preço: € 27.770

Por trás de um nome Porquê a designação Bumble Bee? Porque as abelhas são pretas e amarelas. O preto é oferecido pelo negro da luneta em cerâmica, acompanhado pela coroa e botões em cauchu na mesma cor; a caixa apresenta o tom antracite mesclado típico do carbono forjado, ao passo que o contraste absoluto é proporcionado pela utilização do amarelo no grafismo do mostrador (anel interior com escala taquimétrica, algarismos, vários ponteiros) e nos pespontos da correia em pele de crocodilo.

Luxo high-tech A tradicional caixa geométrica de 42 mm em carbono forjado do Royal Oak Offshore Bumble Bee é estanque até 100 metros e muito mais dura do que se possa imaginar, já que apresenta um rácio força-peso excecional – consegue mesmo ser mais resis­ tente do que o aço. Para além disso, muito do seu encanto tem a ver com o aspeto estético: as ‘imperfeições’ óticas do carbono ajudam não só a tornar o visual do relógio mais industrial e high-tech, como também a esconder eventuais riscos.

Matéria exclusiva O toque de maior exclusividade é proporcionado pelo carbono forjado da caixa: oferece ao relógio um carisma técnico visualmente muito apelativo e, quando colocado no pulso, apresenta uma ligeireza quase surreal para tão considerável volume – graças à base em fibra de carbono concebida através da tecnologia de carbono forjado desenvolvida pela indústria aeronáutica e aperfeiçoada na indústria relojoeira pela Audemars Piguet.

António Machado - Machado Joalheiro

Se o facto de ser um Royal Oak Offshore tem por si só uma força indiscutível, já a combinação de preto e laranja faz desta uma peça muito poderosa. Para os puristas da marca ou para quem tem preferência por relógios com muita personalidade. Espiral do Tempo

Chamamos-lhe Bumble Bee, mas ao contrário de algumas espécies de abelhas e da produção exclusiva, o Royal Oak Offshore tem tudo para não ser classificado como espécie em vias de extinção: um movimento fiável, design lendário, um futuro garantido.

Decoração criteriosa O Royal Oak Offshore Bumble Bee é alimentado pelo calibre modular 3126/3840 de corda automática com 60 horas de reserva de marcha e 365 componentes. O mecanismo é criteriosamente decorado à mão segundo os mais elevados padrões artesanais da secular manufatura de Le Brassus: o rotor é personalizado, e todas as peças são trabalhadas manual­ mente – rhodiage, anglage, perlage na platina e Côtes de Genève nas pontes – aliando a parte estética à funcional.


Despertar com classe Abraham-Louis Breguet foi o mais genial relojoeiro de todos os tempos e a ele se devem praticamente todos os principais desenvolvimentos da relojoaria mecânica – patenteados no final do século XVIII e em inícios do século XIX. A marca que ostenta o seu nome só pode estar à altura da reputação e exibe uma elegância clássica elevada à máxima potência: a coleção é composta por monumentos dedicados ao lendário relojoeiro e que são adaptações contemporâneas das suas criações. Inserido na linha Classique, o notável Réveil du Tsar tem um mostrador evocativo do Século das Luzes que exala uma elegância intemporal através da sua meticulosa decoração em guilloché, ao mesmo tempo que apresenta a sempre útil função de alarme. Um relógio destinado a acordar czares que é digno de reis, sendo enobrecido com o mais significativo apelido na história da relojoaria.


Em Foco Breguet Le Réveil du Tsar Referência: 5707BB/12/9V6 Movimento: Relógio mecânico de corda automática com alarme, colecção Classique Funções: Horas, minutos, segundos, data, segundo fuso horário, alarme com indicação da hora e reserva de marcha do alarme. Indicador on/off do alarme. Caixa Ø 39 mm: Ouro branco 18 kt, vidro e fundo em vidro de safira, resistente à água até 30 m. Preço: € 31. 240

Mostrador precioso Mais do que a caixa em ouro branco ou rosa e do que a especialidade mecânica, a grande preciosidade caraterística do Le Réveil du Tsar é o mostrador em prata maciça criteriosamente decorado com vários tipos de superfície. O trabalho mais relevante é o dos padrões em guilloché executados artesanalmente e que oferecem uma textura única que reage sumptuosamente à incidência da luz: parece uma entidade viva! Uma especialidade da Breguet.

Despertar dos deuses A adição da função acústica dá uma nova dimensão a qualquer relógio – e o Le Réveil du Tsar não é diferente. Uma pequena janela por baixo das 12 horas (com nota musical) indica se o alarme está on/off e é controlada pelo botão na parte esquerda da caixa, às oito horas; a indicação da reserva de corda do alarme está situada no mostrador entre as dez e as 12 horas; a hora do alarme é indicada no submostrador às três horas. Todos os ponteiros são azulados e apresentam o estilo Breguet.

Viajante do tempo A função em destaque, além do tempo tradicional (horas, minutos, segundos, data), é, naturalmente, o alarme – mas o Le Réveil du Tsar apresenta também um segundo fuso horário que faz dele um relógio perfeito para qualquer viajante. Essa indicação de uma hora suplementar é registada num submostrador independente colocado às nove horas e faz com que a leitura seja perfeitamente clara; para reforçar a legibilidade, o ponteiro é diferente dos demais.

Paulo Torres - Torres Joalheiros

Criado por uma casa de excelência, este relógio une elegância a um movimento automático de topo. Uma peça de perfil clássico com todas as funções essenciais para quem as viagens de negócios são cruciais na vida quotidiana. Espiral do Tempo

Relógio de corda automática com indicação da data e segundo fuso horário, alarme com indicação da hora e reserva de marcha do alarme desenvolvido pela Breguet. Uma peça para quem ama o melhor da bela relojoaria.

Caixa de som O Le Réveil du Tsar funciona a partir do mecanismo automático Breguet Calibre 519F, com 34 rubis e 45 horas de reserva de marcha (indicadas às 11 horas do mostrador). A mecânica pode ser apreciada através de um fundo transparente numa caixa estanque a 30 metros e que ostenta proporções clássicas: 39 milímetros de diâmetro por 11,25 de espessura. O conjunto inclui uma correia em pele de crocodilo devidamente acompanhada por um fecho de báscula em ouro branco.


Borboleta que desliza Conceber objetos facilmente identificáveis é o desejo de qualquer criador. Essa premissa é especialmente válida para o mundo relojoeiro: um relógio que esteja assente numa técnica irrepreensível e que seja dotado de uma estética original rapidamente se torna emblemático. Daniel Roth é um dos nomes incontornáveis da história recente da relojoaria e fez parte de um núcleo de mestres que teve a ousadia de colocar o seu apelido no mostrador de peças de alta-relojoaria numa era em que predominavam as marcas tradicionais e que tal atrevimento era considerado sacrilégio. Os últimos 20 anos deram-lhes razão, sendo que há uma década que o nome Daniel Roth fortalece o setor relojoeiro do grupo de luxo Bulgari. E a associação proporciona belas especialidades mecânicas – como o Papillon Chronographe, caraterizado por um sumptuoso mostrador com ponteiros deslizantes como borboletas e uma caixa com o inconfundível formato ellipsocurvex idealizado por Daniel Roth.


Em Foco Bvlgari Daniel Roth Papillon Chronographe Referência: Movimento: Cronógrafo mecânico de corda automática DR2319. 38 horas de reserva de corda. Funções: Horas, minutos ‘borboleta’, segundos, cronógrafo e data. Mostrador: Esmalte branco, em antracite e contadores em ouro rosa 18kt. Caixa: Formato Ellipsocurvex ouro rosa 18 kt. Bracelete: Pele de aligátor. Preço: € 33.500

Dupla elipse O Papillon Chronographe é fruto da interação da Bulgari com o seu atelier de alta-relojoaria Daniel Roth. Já se sabe que um relógio deve muito da sua personalidade à aparência original; o formato em dupla elipse das suas caixas prestigia qualquer pulso e tornase reconhecível à distância – e vale a pena: a caixa em ouro rosa de 18 quilates é uma obra de arte. Mas, para além da forma, convém não esquecer a superlativa qualidade técnica da sua mecânica.

Ponteiros originais A caraterística que dá nome ao Papillon Chronographe já vem de trás no historial da etiqueta Daniel Roth e é agora reinterpretada num modelo cronográfico de tamanho contemporâneo – o batismo tem a ver com os dois ponteiros retratáveis em forma de borboleta que oferecem um bailado muito especial ao já de si excecional mostrador. A janela das horas saltantes surge predominante ao centro, ladeada pelos totalizadores do cronógrafo.

Mostrator excecional Alta-relojoaria com um rosto diferente: o mostrador do Bulgari Daniel Roth Papillon Chronographe é de uma sumptuosidade ímpar, sendo construído em múltiplos níveis com zonas em esmalte branco, em antracite e contadores em ouro rosa de 18 quilates. Inclui totalizadores do cronógrafo até 59 segundos, 29 minutos e 11 horas. Os anéis ao centro e os submostradores da orla superior contrastam com a escala quase semicircular dos segundos retrógrados.

José Faria - Relojoaria Faria

“Com a caixa e todo o seu aspeto visual irrepreensíveis, aliadas à sabedoria técnica imaculada própria da alta-relojoaria suíça, esta peça projeta um dos vetores de futuro da indústria relojoeira”. Espiral do Tempo

Ao arrojo estético e à singularidade de formas a que Daniel Roth nos habituou, junta-se a maestria relojoeira reproduzidas nesta peça emblemática de uma das marcas expoentes do luxo.

Mecanismo de manufatura Os calibres mecânicos que alimentam a superlativa linha Daniel Roth são exclusivos e elaborados nas manufaturas helvéticas do grupo Bulgari. Preparado em Le Sentier, o Papillon Chronographe é alimentado por um mecanismo automático DR2319 com 38 horas de reserva de corda, sendo extensivamente decorado segundo as premissas da alta-relojoaria e passível de ser apreciado através de um fundo transparente.


Maior que grande Fundada em 1850, a Officine Panerai celebrizou-se por equipar os mergulhadores italianos que, na Segunda Guerra Mundial, se sentavam em cima de torpedos submarinos para colocar cargas explosivas nos cascos dos barcos aliados. O conceito Panerai foi recuperado na década de 90 e rapidamente atingiu estatuto de culto, não só entre colecionadores e adeptos do estilo militar como também apreciadores de modelos sobredimensionados adaptados a um design urbano e contemporâneo. A marca florentina contribuiu muito para o gosto moderno por relógios grandes e foi pioneira no estabelecimento regular de edições especiais em tiragem limitada; nesse aspeto, uma das séries mais surpreendentes dos últimos tempos foi a do Radiomir Egiziano – a reedição de um enorme modelo concebido na segunda metade dos anos 50 para os comandos submarinos da Armada Egípcia, que havia solicitado à Panerai um relógio indestrutível.


Em Foco Panerai Radiomir Egiziano Referência: PAM00341 Edição exclusiva a 500 exemplares Movimento: mecânico de corda manual, calibre Panerai P.2002/7. 8 dias de reserva de corda. Funções: horas, minutos, pequenos segundos. Caixa Ø 60 mm: mm em titânio acetinado. Fundo em titânio acetinado. Vidro Plexiglass® com tratamento antirreflexos. Bracelete: correia de couro personalizada PANERAI e fecho de titânio acetinado de grande tamanho. Dispõe de uma segunda correia intercambiável com uma peça em aço para substituição. Preço: € 19.990

Colosso no pulso O formato colossal do Egiziano não é para qualquer pulso – 60 milímetros de diâmetro - mas é um relógio mais ergonómico do que parece. A caixa tem asas arredondadas e é construída em titânio acetinado, matéria ideal para instrumentos de mergulho pela sua porosidade e cuja leveza permite reduzir o peso total da imponente estrutura estanque a 100 metros. O fundo da caixa é uma peça idêntica à do modelo original e está fixa em seis pontos, incluindo gravações comemorativas.

Coroa de louros Indelevelmente associada à Panerai, a coroa situada às 3 horas é protegida por um emblemático dispositivo patenteado – uma espécie de ponte associada à própria coroa e que é acionada por uma alavanca que, fechada, ajuda a garantir uma estanqueidade perfeita. Outra caraterística típica é o mostrador em sandwich, com números e índices recortados numa placa superior que fazem sobressair o material luminescente da placa que está em baixo.

Sempre consigo Este relógio está equipado com uma correia de couro pespontada e com um fecho de báscula de consideráveis dimensões, em titânio acetinado e personalizado com a inscrição GPF (Giovanni Panerai & Figli), a inscrição que se gravava na época em que foi lançado. Mas o Egiziano vem ainda complementado com uma correia extra de tamanho mais reduzido, reproduzindo as medidas da original. Uma pequena ferramenta para a substituição das correias é a cereja no topo do bolo.

Nuno Torres - Anselmo 1910

Cobiçado objeto de coleção baseado numa edição dos anos 50, para a Marinha Egípcia. Equipado com um movimento mecânico de corda de 8 dias apresentava um aro giratório com intervalos de 5 minutos, que se destinava a calcular o tempo de imersão. Espiral do Tempo

Com os seus descomunais 60 milímetros de diâmetro, o Radiomir Egiziano é um dos maiores – senão mesmo o maior – dos relógios concebidos pelas melhores marcas relojoeiras da atualidade.

Calibre próprio Com o número de referência PAM 00341, o Egiziano do século XXI alberga o mecanismo de manufatura P.2002/7 – um calibre de corda manual com 191 componentes inteiramente desenvolvido e fabricado pela Panerai. Três tambores permitem-lhe a excecional reserva de marcha de 8 dias, o que significa que o feliz proprietário pode ir fazer despreocupadamente uma semana de mergulho sem se preocupar em dar corda ao relógio!


LABORATÓRIO

Cvstos Calibre CVS 2650 O primeiro calibre de manufatura da marca suíça é um calibre automático. Na verdade, o movimento de manufatura apresentado pela jovem casa relojoeira, em 2008, corresponde não a um, mas a dois movimentos: um cronógrafo automático e um relógio (nesta análise), derivado do primeiro, mas sem a parte cronográfica. Por Dody Giussani, directora da revista L’Orologio

A caraterística fundamental do calibre CVS 2650 é o tambor de grandes dimensões, que, ao oferecer uma boa tensão de corda, permite equipar o calibre com módulos adicionais para diversas complicações. Isto mesmo foi explicado por Antonio Terranova – cofundador da marca juntamente com Sassoun Sirmakes: «No próximo ano, iremos anunciar a nossa independência no que diz respeito a movimentos, dispondo do nosso calibre de base e dos nossos módulos adicionais.» Trata-se de uma afirmação importante, que estabelece a independência face a fornecedores externos no que diz respeito ao elemento mais importante de um relógio mecânico, o movimento; o compromisso de uma casa que pretende construir os seus próprios relógios com a liberdade criativa de uma verdadeira manufatura. Tecnicamente, além dos aspetos estéticos da responsabilidade de Terranova, uma caraterística original do calibre CVS 2650 é o mecanismo inversor de corda automática, realizado segundo um antigo projeto talvez atribuído à IWC, mas desenvolvido industrialmente (a IWC preferiu levar a avante o desenvolvimento do mecanismo de recarga Pellaton). A Cvstos recuperou este sistema e recriou-o de forma engenhosa graças às modernas tecnologias, obtendo um mecanismo eficaz de inversão de marcha da rodagem automática, que é mais interessante de ver em funcionamento. O princípio é o mesmo do sistema mecânico de manivela, mas será mais simples de observar na foto publicada nesta página, possível com a ajuda do laboratório Hausmann & Co. de Roma. Relativamente às caraterísticas de base, trata-se de um movimento com um diâmetro de 25,60 mm para uma espessura de 6,10 mm. A reserva de corda de 60 horas é garantida por um rotor de corda automática em paládio e titânio. O balanço oscila a uma frequência de 21.600 alt/hora (evidentemente que a Cvstos prefere ser cautelosa e privilegiar a fiabilidade à prestação de alta frequência). O movimento completo é composto por 208 componentes, dos quais 21 são rubis.

O ponteiro triplo dos pequenos segundos completa uma volta em 60 segundos.

Os raios do rotor são em titânio.

A escala de 0 a 20 dos pequenos segundos está localizada nas 9 horas. Junto dela fluem os três braços em hélice do original ponteiro.

A massa periférica em paládio está fixada nos raios por meio de quatro parafusos.

No modelo HM-S 2211 da linha Sport, a data é realçada por um círculo vermelho impresso no vidro.

A roda do rotor transmite o movimento ao sistema automático.


Para se adaptar ao formato tonneau da Casa, a platina está integrada num suporte que segue a forma da caixa. Como outros componentes do movimento, o metal da platina é cromo preto.

O tambor de grandes dimensões (60 horas de reserva de corda) é esqueletizado, deixando à vista a corda.

O círculo branco na platina serve para evidenciar o número da data impresso no disco em vidro safira (a foto foi tirada num momento preciso de transição da data).

O mecanismo inversor da corda automática permite recarregar o relógio qualquer que seja o sentido de rotação do rotor.

O disco da data, em vidro safira, está fixado a um anel em metal com dentado interno que permite o avanço da data.

O balanço anelar tem um diâmetro de 9,50 milímetros e está equipado com um espiral plano.

Os raios do rotor são concebidos em titânio. O rotor assenta num rolamento de esferas.

A massa periférica do rotor é concebida em paládio, um metal de elevado peso, que, juntamente com a leveza dos raios em titânio, confere ao rotor um elevado momento de inércia, em benefício da eficiência da corda.


A roda de escape é bloqueada e libertada pela âncora a cada alternância do balanço-espiral.

A oscilação do balanço-espiral regula a velocida­de de rotação da roda de escape e, portanto, de todo o sistema de engrenagens do relógio, para fornecer a indicação horária.

A primeira roda a receber a energia do tambor é a roda de centro. O sistema de engrenagens do relógio liga o tambor ao escape.

A roda dos segundos completa uma volta em sessenta segundos. No seu eixo é introduzido o ponteiro dos pequenos segundos (nas 9 horas no mostrador).

A roda média. Cada roda está equipada com um carrete que engrena com a roda que lhe precede.

A biela do sistema inversor oscila para os dois lados do eixo da roda de inversão. A roda de carga gira só no sentido anti-horário.

O eixo roda solidariamente à roda inversora e flui entre os braços da biela. Um dos dois linguetes ligados à biela encaixa no dentado da roda, enquanto a outra o empurra: em todos os sentidos de rotação do rotor, a roda de carga gira no sentido anti-horário e recarrega o relógio.

A roda inversora pode girar nos dois sentidos sob a influência do rotor.


A roda inversora pode girar nos dois sentidos sob a influência do rotor.

A biela do sistema inversor oscila para os dois lados do eixo da roda de inversão

Os linguetes do sistema inversor movem-se ao longo do perfil da roda de carga, bloqueando ou soltando o dentado. Em consequência, a roda gira apenas no sentido anti-horário.

Por ação do rotor, a roda inversora pode rodar tanto no sentido horário, como anti-horário.

O eixo da roda inversora insere-se na biela, transformando a rotação da roda no movimento alternado da biela.

O carrete, ligado diretamente ao rotor automático, roda nos dois sentidos.

O carrete do tambor roda apenas no sentido horário, que corresponde à carga da corda.

A biela oscila para os lados do eixo de rotação da roda de carga. Os dois linguetes que lhe estão associados fluem ao longo da roda de carga.

A cavilha roda solidariamente à roda inversora e flui entre os braços da biela fazendo-a oscilar. A roda de carga gira apenas no sentido da carga do tambor do relógio.

Os dois linguetes movem-se alternadamente ao longo do perfil da roda de carga.


entrevistA

«Não posso dizer que conheça o significado do fracasso» Entrevista por Paulo Costa Dias, fotos Kenton Thatcher Uma boa nutrição, exercício físico regular, pouco stress e equilíbrio emocional são os segredos para a longevidade que Humberto Barbosa não se cansa de repisar – sendo ele mesmo o exem­ plo daquilo que apregoa. Noutros tempos, chamar-lhe-íamos self-made man; hoje, o termo é empreendedor. Mas Humberto Barbosa é, sobretudo, trabalhador, um profissional exigente e um gestor inteligente que conhece o mundo e a espécie humana. Quem ressalta desta conversa é alguém de mente arrumada, muito confortável na sua pele, seguro, que gosta de si e dos que lhe estão próximos, alguém que se sente bem com a vida que tem e com o trajeto que ela seguiu. E isso reflete-se no seu humor. Tem todas as caraterísticas que fazem com que falar de sucesso se torne uma redundância.

Assume-se sempre como nutricionista. Mas hoje é mais nutricionista ou empresário? Eu sou completamente nutricionista por ação, paixão e vocação. Empregamos 97 pessoas e temos, portanto, 97 famílias que dependem de nós. Por isso, às vezes, também tenho de ser empresário. A sua ‘comunicação’ está muito orientada para a longevidade. Como é que passou do conceito de viver bem, ou viver melhor, para o de viver mais? Quando olhei para o BI e percebi que tinha passado os 40, os 45 anos… quando começamos a tomar consciência de que o relógio biológico não para, mas pode ser retardado. O que falta aos portugueses para serem mais saudáveis? Faz sentido culpar a genética ou é só uma questão de cultura e de atitude? Eu acho que é mesmo só uma questão de cultura e de atitude. Os portugueses estão mal classificados nas doenças cardiovasculares porque abusam da gordura, do álcool e do sal. Os portugueses inventaram e registaram a patente do pãozinho no molho! Os cientistas dizem que a genética é determinante, mas eu diria que não é fundamental. Imagine que uma avó muito rica lhe deixa uma boa herança à nascença. Isto não é garantia de que será rico quando for adulto, certo? Se utilizar mal

a herança… por outro lado, se não tiver recebido uma grande herança mas fizer boas aplicações, se for esforçado, pode alcançar bons resultados. Mas o que falta mesmo aos portugueses é uma visita à Clínica do Tempo… (risos) Tem quadros de autores consagrados, apoia jovens pintores, a sua mulher é pintora. Vive rodeado pelas emoções… Comecei a colecionar há 28 anos. Nem sequer tinha capacidade financeira para comprar um automóvel, mas comprei um quadro. Fiquei tão entusiasmado que, com receio de vir a gostar de estar rodeado de quadros e não ter dinheiro para os adquirir, casei-me com uma pintora (risos). Obviamente, também me casei por amor (risos). Há uns anos, criámos um concurso na Faculdade de Belas Artes em que os temas eram a beleza, a saúde e um tema livre. Nós adquiríamos as telas por um preço interessante e ao pintor que ganhasse pagávamos um ano numa escola de arte em Londres. E assim foi. Também pensa na arte como investimento? Parece-me ter uma certa predisposição para ‘comprar bem’, numa perspetiva de futuro. Claro que sim. A arte é um excelente investimento que resiste a crises. Pode haver menos transações, mas o valor intrínseco de uma peça mantém-se ou sobe.


Humberto Barbosa com o relógio n.º 1 da edição limitada Franck Muller S.L. Benfica.


É por isso que gosta de edições limitadas, seja de carros ou de relógios? É verdade. Algo que possa parecer supérfluo pode ser um excelente investimento. E nunca compro por impulso, que é um mau conselheiro para os negócios. A vida custou-me bastante e eu não consigo dissociar-me de um gasto fora do habitual sem o encarar também como investimento. Não consigo ter só prazer numa despesa desse tipo. É um conservador nos gastos, portanto? Não sou conservador, sou um bom gestor dos gastos. O conservador não gasta, conserva o que tem. Eu também não gasto, eu invisto. É mais arrojado nos gastos ou nos negócios? Costumo dizer que sou uma sociedade em que a emoção tem 49 % das quotas e a razão tem 51 %. Valem praticamente a mesma coisa, mas quando chega a hora de decidir, é a razão que o faz. Isto não retira paixão aos meus atos, mas impede empates técnicos. Mostra alguns sinais exteriores de riqueza porque quer, porque pode – ou seja, não teme o fisco – ou é estratégia de marketing? O que podem ser considerados sinais exterio­ res de riqueza são apenas e só alguns bens de investimento. Estou ligado a uma empresa que faz determinados investimentos em determinados segmentos. Eu chamar-lhes-ia sinais exteriores de sobrevivência porque não podemos ter os ovos todos no mesmo sítio. Tem a imagem de um vencedor em toda a linha: na profissão, na família, nos negócios. Mas, como todos os vencedores, terá tido os seus fracassos. Qual foi o seu maior fracasso? Sabe, para melhor se saborear a vitória, deve-se conhecer o sabor da derrota. Mas eu devo confessar que, até hoje, tudo aquilo que me propus fazer fi-lo. Até hoje, sinceramente, não posso dizer que conheça o significado do fracasso. Não confundo percalços com derrotas. Sabe, quando caímos, vamos lá abaixo, ganhamos impulso e damos um salto maior. E a sorte não conta para nada. Desde que as coisas sejam pensadas, não é preciso sorte. E quem se fiar nela para ter sucesso é melhor ir para a porta de um casino ver qual o resultado da sorte. Costumo dizer que, quando não há crise, vêm-nos servir o peixe fresco à mesa. Quando há crise,

temos de o ir pescar. Mas o que é importante é ter o peixe que se quer à hora da refeição. Para que é que, positivamente, não dispõe de tempo? (Risos) Intolerância, falta de inteligência, difamação, para o que vemos estampado nos jornais. E não tenho tempo para a falta de tempo que isso me provoca. Que tipo de relógios gosta, para além de edições limitadas? Está com um relógio que pertence a uma série limitada da Franck Muller, que presta homenagem ao sucesso europeu do Benfica. A minha preferência vai para os que não se atrasam (risos). Podem adiantar-se, mas nunca atrasarse. Gosto de aliar qualidade ao bom desempenho e, como não podia deixar de ser, o investimento tem de estar presente. Este é o n.º 1 de 20. Só há 20 relógios iguais a este no mundo, e este é o número 1. É um relógio que gera paixões, mas que amanhã, se eu o quiser trocar por dinheiro, rapidamente o consigo. Não faltariam benfiquistas para o comprar. O Benfica para o ano vai ser campeão? O Benfica é o campeão dos campeões no coração de seis milhões de portugueses. Independentemente de ganhar o campeonato, é sempre o campeão e por muitas razões. Se estará ou não em primeiro lugar no final do campeonato, logo se vê, mas ser campeão é algo mais abrangente, é despertar emoções, é despertar paixão em muita gente (risos). Também é bom não canalizar as alegrias só para uma parte do país, mesmo que seja a maior parte. É importante que também haja alegria nalgumas terras (risos). Viajou e viaja muito. Ainda tem alguma viagem por fazer? Tenho, a minha viagem de sonho. Que é? Que é a próxima que eu fizer, as férias com que estamos a sonhar agora (risos). E será em Portu­gal. Faço a apologia de que o que é nacional é bom, se não estivermos a falar de política. Vivemos num país fantástico e quanto mais conheço outros sítios, mais valor dou ao que temos. Antes, entusiasmava-me com novos luga­res; hoje, dou por mim a comparar o que vejo lá por fora com o que temos por cá. E temos tantas coi­sas boas, tanta diversidade e muitas coisas com muita qualidade.

Entrevista completa em www.espiraldotempo.com


Acessórios

Culto TAG Heuer Quem tem um particular fascínio pelas criações relojoeiras da TAG Heuer sabe que a marca suíça domina como muito poucos a arte de inovar e de ir cada vez mais longe. Por isso, quem usa um relógio TAG Heuer sabe que revela muito mais do que bom gosto, revela também uma forma muito particular de estar na vida. É nesta linha que surge a expansão da marca suíça para outras áreas de produto que vão para além da relojoaria. Sempre com sucesso. A incursão pelo mundo dos óculos talvez seja a vertente mais conhecida, mas a criação de uma linha de acessórios Lifestyle não deixa ninguém indiferente. Um mundo para descobrir na boutique exclusiva da marca em Portugal, no El Corte Inglés, em Lisboa. Carteira Vintage Billfold pequeno formato - 280 euros Carteira Vintage Billfold longo formato - 295 euros Óculos Speedway - sob consulta


Uma questão de Arte O prémio Montblanc de la Culture Arts Patronage tem como objetivo reconhecer Mecenas de 12 países que contribuem para a realização de obras de arte e projetos culturais. Neste âmbito, todos os anos desde a sua criação, em 1992, a Montblanc dedica uma edição limitada dos seus instrumentos de escrita a um mecenas histórico. Em 2011, para celebrar o vigésimo aniversário do prestigiado prémio a marca presta homenagem a Romano Gaius Cilnius Maecenas, conhecido como o pai fundador da cultura do mecenato, com o lançamento de um requintado instrumento de escrita disponível em duas elegantes versões, o Patron of Art Edition Gaius Cilnius Maecenas 4810 and 888. Gaius Maecenas 4810 - 2.080 € Gaius Maecenas 888 - 7.800 €


Acessórios

Gentleman driver O mundo dos automóveis clássicos faz parte do universo da Chopard há já muito tempo, não tivesse o copresidente da marca um particular gosto por prestigiadas corridas de automobilismo. Esta vertente é explorada de forma muito original numa mala de pele que surge personalizada precisamente com o perfil de um pneu, elemento tão caraterístico da famosa coleção Classic Racing, que inclui modelos de tributo à clássica Mille Miglia. A companheira perfeita para todos os que apreciam levar até ao seu lugar de trabalho a sua paixão pelo mundo automóvel. Mala de couro Racing natural: € 1.200


Pureza de linhas Louis Vuiton rima com elegância, com sofisticação, com bom gosto, com vontade de viver o mundo de forma independente e com muita descontração. E descontraídas são mesmo as sandálias propostas pela marca para a próxima estação para o público masculino. Numa época em que o que mais apetece é andar fora de casa, todos os motivos são perfeitos para andar bem confortável. Sandália jungle branca - € 520 (aprox). Sandália jungle cinza - € 420 (aprox).


novidades

Brilho em Genebra No âmbito das celebrações do 80.º aniversário do Reverso da Jaeger-LeCoultre, Diane Kruger apresentou, no SIHH, o novo Grande Reverso Lady Ultra Thin.


Já passaram três anos desde que a Jaeger-LeCoultre descobriu em Diane Kruger a imagem perfeita para sua embaixadora. Desde 2007, a atriz alemã encanta tudo e todos ao levar o nome da Grande Maison suíça aos mais diversos eventos e ocasiões. Mas a verdade é que a relação de Diane Kruger com a marca vai além do seu papel como embaixadora, já que foi no seu 18.º aniversário que a sua mãe lhe ofereceu o seu primeiro Jaeger-LeCoultre. Um Reverso, precisamente. Esta simbólica história não poderia ser esquecida no ano em que a marca celebra o 80.º aniversário do emblemático modelo reversível. No dia 4 de março de 1931, às 13 h 15 m, o National Industrial Property Institute, em Paris, registava oficialmente a patente da invenção de René-Alfred Chauvot: «um relógio de pulso que pode deslizar na sua base e virar sobre si mesmo». Por isso, 2011 é um ano cheio de novidades na coleção Reverso, nomeadamente na vertente feminina. Foi no Salon International de la Haute Horlogerie (SIHH) que Diane Kruger e Jérôme Lambert, CEO da Jaeger-LeCoultre, apresentaram oficialmente o novo Grande Reverso Lady Ultra Thin. Um modelo muito feminino que alia versatilidade, estilo e elegância como nenhum outro. Fica o convite de Diane Kruger: «Sinto-me mais do que honrada por celebrar o 80.º aniversário do Reverso. Na minha estreia no SIHH, tive muito orgulho em revelar o novo Grande Reverso Lady Ultra Thin, e convido-vos a descobrirem este novo Reverso feminino.» www.jaeger-lecoultre.com


glamour

My Phone Após o sucesso nos setores da moda, marroquinaria, joalharia e relojoaria, a Dior criou um telemóvel exclusivo, o Dior phone, que combina o padrão cannage associado à marca e prestigiados materiais, como os diamantes, o vidro de safira e o aço inoxidável. A coleção Dior phone foi desenvolvida em torno de emblemá­ticas cores de Mr Christan Dior e inclui cinco diferentes modelos. Pensado até ao último detalhe e em resposta às necessidades da mulher Dior, o Dior phone vem acomponhado por um útil complemento: o My Dior, um mini telemóvel ligado ao Dior phone via Bluetooth®. Dior Phone Black and Gold € 4.890


Sexto elemento A linha Royal Oak Offshore da Audemars Piguet nasceu como continuidade do Royal Oak e, aqui para nós, era difícil imaginar como é que um relógio tão arrojado poderia alguma vez ser recriado a pensar no público feminino. Mas a marca suíça não se fez rogada e foi uma questão de tempo até assistirmos ao nascimento da linha Lady Royal Oak Offshore – relógios com um tamanho considerável que combinavam inesperadamente materiais delicados com materiais fora de série e vieram pôr à prova a veia mais aventureira das mulheres. O Lady Royal Oak Offshore Carbon aqui apresentado junta diamantes ao carbono forjado e o resultado salta à vista: um cronógrafo de corda automática distinto e elegante com um caráter absolutamente feminino. Lady Royal Oak Offshore Carbon – € 21.290

Escrita fina A Versace explora como poucos várias áreas de produto sempre com a mesma paixão com que explora o mundo da moda que está nas suas origens. Este ano as novidades relojoeiras apresentadas na famosa feira BaselWorld, primaram por uma consolidação de coleções de referência, mas também pela aposta num toque de sofisticação tão caraterística da marca. O mesmo se pode afirmar da sua coleção de instrumentos de escrita. Aqui duas requintadas canetas que surpreendem graças à sua simplicidade. Novidades fresquíssimas para todas as ocasiões. Entre o branco e o preto, o difícil será escolher. Canetas Versace Planet – Preço: € 140


glamour

Lady in Pink Fazendo parte da mais recente coleção para senhora da Raymond Weil, este relógio da linha Maestro marca o espirito da mulher contemporânea. Uma caixa de 30 mm alberga um coração mecânico, de corda automática, que marca a sua cadência debaixo de um mostrador em madrepérola e diamantes. Com o mecanismo parcialmente exposto, este não é, apenas, um relógio elegante, mas uma peça que alia inovação e harmonia ao ritmo dos horas, minutos e segundos de hoje. Para mulheres que vivem no século XXI. Maestro Lady - Preço € 1.950

Vuitton update A influência que o criador americano Marc Jacobs tem deixado na Louis Vuitton revela-se em muitos dos aspetos que firmam, hoje, a marca de luxo francesa com uma contemporaneidade que não é comum nas grandes casas, sobretudo as mais antigas. A sua revolução nos padrões, texturas e cores habituais na LV, permitiram-lhe criar peças apaixonantes, modernas e de uma elegância incontornável a que nenhuma mulher pode ficar indiferente. Destaque para a combinação entre o rosa e o icónico monograma vintage da marca numa mala apaixo­nante em tudo Louis Vuitton. Mala Monogram Sabbia Cabas - € 1.200 (aprox.)


Ao rubro Porque nem sempre é fácil descobrir o biquini perfeito para as tardes de verão que estão mesmo aí à porta, a Louis Vuitton apresenta algumas propostas. Apesar da loucura das cores vibrantes que marcam as tendências deste ano, o fuchsia continua a ser uma cor muito procurada principalmente em peças que apelam a um toque extra de elegância. Como o modelo que selecionámos de entre as várias sugestões primavera/verão 2011 da marca. Louis Vuitton bikini – Preço sob consulta


glamour

Delícias Chopard Três peças irresistíveis saídas diretamente do mundo encantado da Chopard. Desta vez, a casa suíça criou a coleção Imperiale Jewellery, uma linha de alta-joalharia repleta de brilho. Pensadas para a mulher moderna e de personalidade forte que aprecia um toque discreto de luxo, as criações Imperiale reúnem simplicidade e sensualidade de forma muito requintada. As pulseiras em ouro branco e ouro rosa, bem como o anel em ouro rosa que surgem em destaque são apenas alguns exemplos dos modelos que constituem esta surpreeendente coleção. Pulseiras e anel em ouro rosa ou branco 18 kt Preços sob consulta

Brilho misterioso Uma das grandes novidades 2011 da Rolex é uma peça dedicada exclusivamente às senhoras. O Oyster Perpetual Lady-DateJust 26mm disponível em ouro amarelo ou Rolesor branco, distingue-se pelo caráter misterioso do mostrador Gold Crystal, que resulta da utilização de cristais de ouro. Cada peça concebida tem assim um rosto único e inimitável. A luneta cravejada de diamantes e os indexes contribuem para acentuar ainda mais o brilho do conjunto. No interior, bate um movimento mecânico certificado de manufatura concebido inteiramente pela Rolex. Rolex Oyster Perpetual Lady DateJust – Preço sob consulta


Novos horizontes A nova coleção Première Onyx da Chanel inclui colares pulseiras e aneis que vibram à luz do encontro harmonioso de materiais emblemáticos. O ouro amarelo une-se ao preto do onix, ao ouro branco e aos diamantes acentuan­ do, desta forma, todo um inovador e elegante jogo de formas. Jóias de espírito sofisticado perfeitas para explorar novos horizontes com um detalhe de exceção. Chanel pulseiras Onyx – Preços sob consulta

Flower Power Cores brilhantes, texturas radiosas e movimento hipnotizante – é esta a aposta de Marc Jacobs para a coleção primavera/verão da Louis Vuitton. Os estampados florais arrojados, inspirados no pronto a vestir dos anos setenta, dão vida aos mais diversos acessórios, dos quais saltam à vista o requintado nível de acabamentos. As sandálias de salto alto com delicadas tiras de pele envernizada surgem combinadas com os mais diversos motivos e materiais. Soluções elegantes e originais (sempre!) para a estação das flores. Sandálias Flower Fields em calfe – € 760 (aprox.)


Semi frio Dizem que os relógios são coisas de homem... Mas será que alguém ainda acredita mesmo nisso? Com o calor aí à porta, qualquer ocasião é motivo para despir os pulsos femininos de preconceitos e mimá-los com irresistíveis máquinas de exceção... Afinal, cada vez mais marcas sabem que as mulheres são clientes requintadas que têm um especial gosto em se deixar levar pelas delícias de um produto verdadeiramente gourmet... Este é um daqueles momentos em que o silêncio vale ouro. Na praia, na montanha, em casa ou num recanto escondido do mundo, aceite o nosso convite: deleite-se! Fotografia e Realização: Nuno Correia, assistido por Carla Cardoso Pós-produção: Miguel Curto e Nuno Machado


Jaeger-LeCoultre Reverso Squadra Lady Classic Referência: Q7068420 Movimento: Quartzo JLC 657 Funções: Horas e minutos Caixa Ø 31,2x45,5x12mm: Aço, vidro de safira, estanque até 50 metros Bracelete: Pele de aligátor com fecho de báscula em aço Preço: € 4.050


Versace DV One Referência: 02ACP11D001SC01 Movimento: Mecânico de corda automática ETA 2824 Funções: Horas, minutos, segundos e data Caixa Ø 41mm: Cerâmica branca com tratamento antirriscos, luneta em plaquê de ouro amarelo com144 diamantes, vidro e fundo de safira com tratamento antirreflexos, estanque até 100 metros Bracelete: Cerâmica branca com tratamento antirriscos e fecho de báscula Preço: € 5.950


Franck Muller Cintrée Curvex Color Dreams Referência: 7502QZCOL/ACBRV Movimento: Quartzo Funções: Horas e minutos Caixa Ø 29x39mm: Aço, vidro de safira, estanque até 30 metros Bracelete: Pele de crocodilo com fivela em aço Preço: € 7.180


Audemars Piguet Lady Royal Oak Offshore Referência: 26048SK.ZZ.D010CA.01 Movimento: Mecânico de corda automática AP 2385 Funções: Horas, minutos, segundos, data e cronógrafo Caixa: Aço, luneta decorada com 32 brilhantes, vidro de safira, estanque até 50 metros Bracelete: Cauchu com fecho de báscula em aço Preço: € 21.380


Formula 1 Ceramic Chronograph Referência: CAH1211.BA0863 Movimento: Quartzo ETA F05.111 Funções: Horas, minutos, segundos, cronógrafo e data Caixa Ø 37mm: Aço e luneta com cerâmica branca, vidro de safira, estanque até 200 metros Bracelete: Aço com cerâmica branca e novo fecho de báscula butterfly Preço: € 1.700


Temptations Cores, muitas cores... assim vive o mundo de alta-joalharia da Chopard. E a nova coleção Temptations é isso mesmo – um misto de cores apaixonantes em joias encantadoras que pretendem ser um exemplo de como a joalharia de exceção também pode ser feita da combinação de pedras preciosas, linhas descontraídas e formas deliciosas. Brincos, pulseiras, aneis: um calórico banquete para o corpo e para o espírito! Todas as imagens cedidas gentilmente pela Chopard


Brincos em ouro branco de 18 kt com duas kunzites (179.81 ct) e diamantes de corte brilhante (2.54 ct). Ref. 847853-1001


Brincos em ouro branco cravejados com safiras multicoloridas (23.80 ct), safiras rosas, safiras azuis e ametistas. Ref. 846756-1008 Pulseira em ouro branco cravejados com safiras multicoloridas (89.39 ct), safiras multicoloridas (5.88 ct), diamantes brancos de corte brilhante (4.87 ct) e ametistas. Ref. 856756-1001


Anel ‘You and Me’ em ouro rosa de 18 kt cravejado com safiras rosa (3.20 e 3.16 ct) e diamantes brancos (1.29 ct) Ref. 820533-5001 Anel ‘You and Me’ em ouro branco de 18 kt cravejado com safiras rosa (8.99 e 7.36 ct) e diamantes (1.29 ct) Ref. 820567-1001 Anel ‘You and Me’ em ouro branco de 18 kt cravejado com diamantes (7.01 e 7.03 ct) e diamantes (1.53 ct) Ref. 820566-1001


Brincos em ouro branco 18kt cravejados com rubelitas (22.23ct) e esmeraldas (1.93 ct) e diamantes brancos (1.71 ct). Ref. 837869-1001 Brincos em platina cravejados com quatro esmeraldas (2.95 ct, 9.73 e 10.29 ct), diamantes (3.13 ct) e diamantes de corte brilhante. Ref. 847520-9001


Brincos em ouro branco 18 kt cravejados com kunzitas (27.64 ct), turmalinas (3.69 ct), tsavoritas (2.62 ct), diamantes, rubis e ametistas. Ref. 847751-1001


Color Dreams Reunimos em mais uma produção de moda exclusiva alguns dos mais sensuais e excitantes modelos, mostrando-os em toda a sua beleza, sensualidade, nudez e cor, como nunca antes na Espiral do Tempo. O seu erotismo e intenso glamour perpassam toda a produção, a um tempo carnal e excitante, a outro tempo elegante ou intimista. Modelos poderosos, femininos ou masculinos, em formato mais sóbrio ou arrojado, mas sempre de enorme calibre! Numa produção com este perfil, os modelos de que falamos teriam que ser exclusivamente Franck Muller, claro… Realização: Ricardo Preto, assistido por Carla Cardoso e Paula Goulart Fotografia: Nuno Correia Maquilhagem: Naná Benjamin, assistida por Marta Nobre e Elodie Fiuza, com produtos Guerlain Cabelos: Helena Vaz Pereira, assistida por Pini Manequins: Ana Filipa, Bruno Rosendo, Georgiana Penova, Navarro (L’Agence), Fabiana (Central Models), Ricardo Claudino (Elite Lisbon)


Franck Muller Master Square Color Dreams Referência: 6000HSCDTCOLDP/OBBR Preço: € 26.440

Franck Muller Long Island Color Dreams Referência: 1200SCCOLD/ACBPR Preço: € 35.260

Fabiana: Vestido Missoni, na Fashion Clinic Casaco by Malene Birger


Bruno: Calças Mango HE, Botas Hilfiger Denim, Fio e Pendente Torres Joalheiros, Pulseira Pekan na Torres Joalheiros, Georgiana: Vestido Etro, Colar Lanno, no Espace Cannelle, Colete Hoss Intropia, Leggings Patrizia Pepe, Clutch Miu Miu, Sandálias Jimmy Choo na Fashion Clinic, Anéis e Pulseira Pekan na Torres Joalheiros, Claudino: Fio e Pendente Torres Joalheiros, Navarro: Lenço Hoss Intropia, Camisola by Malene Birger, Pulseira Pekan, na Torres Joalheiros


Franck Muller Infinity Curvex Safari Referência: 3540QZSAFDCD/OV Preço: € 54.260


Claudino: Calças MCS Marlboro Classics, Sandálias Mango HE, Fio e Pendente Torres Joalheiros, Fabiana: Vestido Blumarine no Espace Cannelle, Blazer Purificación García, Sapatilhas Nike, Anel Mango, Ana Filipa: Vestido e Pulseiras Blumarine no Espace Cannelle, Clutch Gucci na Stivali, Botas Pepe Jeans, Navarro: Jeans Hilfiger Denim, Sandálias Mango HE, Pulseira Pekan na Torres Joalheiros, Bruno: Calções Diesel, Botas Hilfiger Denim, Fio e Pendente Torres Joalheiros, Pulseira Pekan, na Torres Joalheiros


Franck Muller Infinity Reka Referência: 3740QZAD3/OVMP Preço: € 45.620

Franck Muller Cintrée Curvex Lady Diamonds Referência: 2852QZDPO/ACBRPR Preço: € 13.480

Franck Muller Double Mystery Referência: 8880DM/OVBRV Preço: € 27.650


Franck Muller Galet Referência: 3000HSCDTRD3/OVBR Preço: € 36.980

Franck Muller Double Mystery Referência: 8880DMD/OBBRV Preço: € 51.850

Navarro: Jeans Hilfiger Denim Georgiana: Casaco Etro no Espace Cannelle Saia Nuno Baltazar Colar Louis Vuitton Fabiana: Casaco Luís Buchinho Calças Missoni, na Fashion Clinic Cinto Gucci na Stivali Argolas Louis Vuitton


Franck Muller Master Square Automatic King Referência: 6000KSCDTR/OVBR Preço: € 19.700


Franck Muller Casablanca Automatic Date Referência: 8880CDT/ACROCA Preço: € 8.470

Franck Muller Casablanca Automatic Date Referência: 8880CDT/ACBRCA Preço: € 8.470

Ana Filipa: Vestido Donna Karan na Stivali, Colete Emilio Pucci na Loja das Meias, Anel Pekan na Torres Joalheiros Bruno: Fio e Pendente Torres Joalheiros, Écharpe Hoss Intropia


Franck Muller Master Calendar Chronograph Referência: 9880CCMCAT/OVBRV Preço: € 51.670

Franck Muller Vegas Referência: 8880VEGAS/OVBRV Preço: € 34.390

Ana Filipa: Blusão Roberto Cavalli, Vestido,Donna Karan na Stivali


Georgiana: Macaco Roberto Cavalli na Stivali Bolero Hoss Intropia Carteira Gucci na Stivali Sandálias Jimmy Choo na Fashion Clinic Colar, Mango Anéis Pekan na Torres Joalheiros Ana Filipa: Vestido Roberto Cavalli na Stivali Punho Etro na Fashion Clinic Anel Pekan na Torres Joalheiros Claudino: Pacheminas Louis Vuitton e Mango Fio e Pendente Torres Joalheiros

Franck Muller Cintrée Curvex Tourbillon Lady Referência: 3080T/ACBRV Preço: € 64.800


Franck Muller Aeternitas 1 Referência: 8888T/AETERNITAS1/OBBR Preço: € 129.610

Franck Muller Cintrée Curvex Tourbillon Referência: 8880T/OBBRV Preço: € 120.970


reportagem

Uma Central Horária Patek Philippe no Observatório Astronómico de Lisboa Por Fernando Correia de Oliveira* Quando, pela primeira vez, nos deslocámos ao Observatório Astronómico da Ajuda, há uns 15 anos, ficámos surpreendidos com um relógio de quartzo, de alta precisão, que já nessa altura não funcionava, substituído que tinha sido pela geração de relógios atómicos.


O que nos surpreendeu não foi o relógio em si, comum neste tipo de instituições a partir dos anos 60 e 70. Mas, antes, a sua marca: Patek Philippe. Muito poucos saberão que, além de liderar ainda hoje a relojoaria mecânica a nível mundial, a manufatura genebrina foi, nesses tempos, também líder no equipamento eletrónico. Fomos, pois, saber a história por detrás do peculiar Patek Philippe, de que pensamos haver apenas este exemplar em Portugal. A 22 de outubro de 1973, o então diretor interino do Observatório Astronómico de Lisboa, Ezequiel Cabrita, enviava para a tutela, o Ministério da Educação, um ofício, onde se propunha a aquisição, para o OAL, de uma central horária. ** Aquele que viria, meses depois, a ser confirmado como diretor da instituição recordava que «uma das atribuições principais deste Observatório Astronómico consiste em determinar rigorosamente a correção da hora indicada por uma pêndulapadrão, de modo a obter-se a hora exata, o que é feito, atualmente, através de observação de estrelas com um erro provável de apenas alguns milissegundos». Engenheiro geógrafo de formação, Ezequiel Cabrita viria a dirigir, durante o conturbado período de transição da ditadura para a democracia, a instituição nacional que, desde sempre, esteve encarregada de fornecer a hora oficial ao País. «Não obstante o facto de haver sido escolhida para padrão a pêndula que evidenciava a maior regularidade de marcha, a qual foi colocada em recinto fechado, sob pressão reduzida e temperatura constante, subsistem, todavia, irregularidades que jamais poderão ser eliminadas, perdendo-se, assim, parte da precisão alcançada nas observações», faz notar ele na nota enviada ao Ministério da Educação. «Por esse motivo, é indispensável que o equipamento até agora utilizado na conservação da hora possa ser gradualmente substituído por outro que permita obter um maior rigor na apreciação de intervalos de tempo nos quais o milissegundo é uma grandeza não desprezível». Indiretamente, Ezequiel Cabrita estava a despertar as autoridades responsáveis pelo Observatório para a nova era que, anos antes, tinha nascido, e que ele queria que, finalmente, chegasse a Portugal – a dos medidores de tempo regulados por oscilador de quartzo. Estes tinham tornado mesmo as observações astronómicas obsoletas, pois demonstravam que ‘o relógio celeste’ não era afinal tão exato quanto se supunha.

«A determinação da hora a partir da observação de passagens meridianas de estrelas pressupõe sempre a uniformidade do movimento de rotação da Terra», refere na nota. «Todavia, os mais aperfeiçoados relógios de quartzo e os padrões atómicos de frequência, de que os físicos e os astrónomos dispõem há já muitos anos, permitiram detetar irregularidades naquele movimento, facto este que levou os cientistas à adoção de uma nova unidade de tempo, definida com base num tempo físico uniforme». Referia-se Ezequiel Cabrita à nova definição de segundo, adotada em 1967, na 13.ª Confe­ rên­cia Geral de Pesos e Medida: duração de 9.192.631.770 períodos da radiação correspondente à transição entre os dois níveis hiperfinos do estado fundamental do átomo de césio 133 (utilizado nos relógios atómicos). Anteriormente, a definição de segundo era a de 1/86400 do dia solar médio. «Esta é a razão por que se verifica atualmente uma tendência generalizada dos observatórios para suprimirem dos seus programas de trabalho aqueles que se referem à observação sistemática de estrelas para a determinação exclusiva da hora de precisão», explica o técnico. Tendo em conta isto tudo, Ezequiel Cabrita defende que o Observatório Astronómico de Lisboa adquira «uma central horária que lhe permita dispor de um tempo uniforme com rigor muito superior ao obtido com as pêndulas atualmente existentes». Ele estava inclinado, de início, para propor a aquisição de «um padrão atómico de tempo e frequência», vulgo relógio atómico, mas pensa que a solução não será boa, pois «este tipo de equipamento obriga, periodicamente, à substituição de uma das suas partes fundamentais, o que acarretaria uma despesa média anual superior a 100 contos». Assim, «optou-se, então, por um tipo de equipamento que, além de ser menos dispendioso, não obriga a despesas periódicas de renovação dos seus constituintes e satisfaz as necessidades atuais deste Observatório Astronómico, permitindo-lhe prosseguir a sua atividade de pesquisa em melhores condições técnicas». Desde sempre, o Observatório Astronómico de Lisboa teve receitas próprias. Para a aquisição do novo equipamento, a instituição precisava apenas da anuência da tutela, pois conseguia, com o seu orçamento, proceder à aquisição. Para a compra de um relógio de quartzo de alta precisão, o Observatório procedeu à auscultação


reportagem

de representantes no mercado nacional de fabricantes de equipamento desse tipo. Das firmas consultadas, sete, apenas a Telectra – Empresa Técnica de Equipamentos Eléctricos, SARL, não respondeu com uma proposta. A Celtre – Centro Electrónico Relojoeiro, Lda. (representando a Bulova), a Sociedade Comercial Mattos Tavares, Lda. (representando a Rödhe & Schwarz), a António Moura, Lda. (representando a divisão eletrónica da Omega), a Sociedade Comercial Romar (representando a Oscilloquartz, S.A., do grupo Ebauches S.A.), a Isis – Sociedade importadora de Relógios, Lda. (representante da Longines), e a Hora Eléctrica – Sociedade de Representações, Lda. (representante da Patek Philippe), fizeram chegar ao Observatório Astronómico as respetivas propostas. Analisando fatores como o preço, a instalação, a formação e a manutenção, Ezequiel Cabrita faz notar que apenas a Hora Eléctrica garante a colocação do equipamento até ao final de 1973 e também apenas esta assegura a assistência por especialista nacional idóneo. A Hora Eléctrica fala na sua proposta de «um engenheiro altamente qualificado em eletrónica e em sistemas horários, com três cursos em Genebra, na Hewllet Packard, um curso de 30 dias em Versalhes, em França, na Intertéchnique, um curso de duas semanas em Copenhaga, na Brüel & Kjaer e ainda um estágio de nove meses na RCA, nos Estados Unidos da América». Ezequiel Cabrita propõe, por isso, a aquisição do equipamento Patek Philippe. Faz ainda recordar que «o fabricante Patek Philippe apresenta uma lista de instalações horárias de seu fabrico que estão a funcionar nos mais diversos centros de pesquisa e outros espalhados pelo mundo, o que, só por si, dá uma ideia do grau de confiança que pode merecer o equipamento». Em conclusão, Ezequiel Cabrita pede autorização «para adquirir à firma Hora Eléctrica uma central horária Patek Philippe, de acerto automático da hora, obedecendo às características indicadas na sua proposta, pela importância de 738.942$00, com dispensa de concurso público e de contrato escrito». A autorização viria pouco depois e, assim, o Observatório Astronómico de Lisboa adquiria a Central Horária Patek Philippe, deixando de medir o tempo pelas estrelas, e passando a fazê-lo através de um relógio de quartzo de alta precisão.

A Central Horária Patek Philippe O coração da Central Horária Patek Philippe é um relógio eletrónico, munido de oscilador de cristal de quartzo de alta precisão, que fornece um sinal de 5 MHz, cujo sinal é dividido à frequência de 10 KHz. Esta frequência é utilizada para pilotar os impulsos necessários para o comando dos relógios secundários (até ao número 20). Feita por módulos, a Central Horária tem todas as suas funções automatizadas a 100 % e, em consequência disso, não necessita de qualquer acerto de hora periódico. Como é que o relógio principal obtém o tempo certo? Através de sinal rádio, captado por antena de ferrite, montada no exterior e ligada por cabo coaxial à central. O acerto da hora automático, relativamente a um sinal horário, efetua-se através da comparação com o sinal de 1 Hz da base de tempo (emitido pelo oscilador de cristal de quartzo). Se houver variação de mais de três milissegundos, as correções (de um milissegundo por segundo) serão automaticamente efectuadas. Na altura da instalação, a Central Horária podia captar sinais horários via rádio através dos emissores HBG (Prangins, Suíça), DCF (Mainflingen, República Federal Alemã), MSF (Rugby, GrãBretanha) e OMA (Liblice-Praga, Checoslováquia). A Central Horária, isolada contra interferências elétricas, fornece o tempo médio, o tempo sideral, mostra as horas, os minutos, os segundos, os décimos, os centésimos e os milésimos de segundo. Tem acoplada uma impressora, que dá graficamente tempos, com nove algarismos. Exemplo: 23 h 59m 59,999 s. As unidades são alimentadas por uma bateria, tornando-as autónomas em relação à rede elétrica. Com o sistema RHAP (Remise à l’Heure Automatique Permanente), a Central Horária tem uma tolerância de mais ou menos três milissegundos. A Central Horária Patek Philippe tipo HSRZ24E, com acerto de hora automático, envolveu a deslocação de um técnico da marca para a montagem e o arranque do equipamento, incluída no preço de 738.942$00 (cerca de 3.695 €). *Jornalista e investigador **Este artigo teve como fonte primária um dossier sobre a aquisição de uma central horária para o Observatório Astronómico de Lisboa, existente nos arquivos da Instituição. O dossier foi colocado à nossa disposição por Halima Naimova, responsável por esses serviços, a quem deixamos o nosso agradecimento.


Uma questão de escamas Por Carlos Torres, fotos Nuno Correia A bracelete em pele é, desde o início do século XX, um elemento indissociável da maioria dos relógios de pulso. Neste texto, pretende-se esclarecer uma dúvida recorrente: o que distingue, afinal, um crocodilo de um aligátor? Um tema que não pode passar ao lado da defesa e conservação das espécies, e de quem por elas é responsável.


reportagem

Crocodilo e aligátor: o que os distingue? Para melhor compreender o que diferencia estas duas espécies, convirá primeiro debruçarmo-nos sobre as caraterísticas físicas que efetivamente as separam. Deste ponto de vista, o primeiro aspeto a reter é o de que ambas pertencem a ‘famílias’ diferentes, muito embora aparentem ser similares entre si. O crocodilo, que pode atingir até sete metros de comprimento, pertence à família dos crocodylidae, e o aligátor, que não ultrapassa os quatro metros e meio, à dos alligatoridae. A principal caraterística física que diferencia estas duas espécies está relacionada com um aspeto particular da sua morfologia e diz respeito à forma do focinho. O focinho do crocodilo tem uma forma afilada, ou em ‘v’, enquanto o do aligátor tem uma forma arredondada na extremidade. Outra caraterística que as distingue é a forma dos maxilares. O aligátor tem o maxilar superior mais largo do que o inferior, ocultando quase totalmente os dentes quando as mandíbulas estão fechadas. No caso dos crocodilos, os maxilares inferior e superior têm aproximadamente a mesma dimensão, possibilitando aos dentes permanecerem visíveis mesmo com as mandíbulas fechadas. Mas quando o tema se orienta para a utilização da pele destas duas espécies na produção de braceletes de relógios, passa a ser útil saber identificar as diferenças e conhecer as vantagens qualitativas e estéticas de cada uma delas. Assim, se as escamas apresentarem um pequeno ponto perto de uma das extremidades, a pele provém claramente de um crocodilo e não de um aligátor. Trata-se de sensores de pressão dérmicos bastante sensíveis e caraterísticos desta espécie, destinados principalmente a localizar as presas na água. No que se refere ao aligátor, as escamas da pele têm habitualmente um padrão mais simétrico e suave do que o do crocodilo. Há mesmo um efeito de relevo que é mais fácil de obter na generalidade das peles desta espécie, apesar de os melhores exemplares oriundos do crocodilo não lhe serem em nada inferiores. Mas mesmo considerando todas as caraterísticas identificadas, a qualidade da pele varia bastante de animal para animal, e depende do local de onde é retirada. A pele mais apreciada situa-se na barriga e garganta, onde as escamas costumam ser mais suaves e de maior dimensão. A pele de crocodilo terá, à partida, uma utilização bastante menos frequente por parte da indústria relojoeira, já que a grande maioria das peles exóticas utilizada na conceção das braceletes tem origem no aligator mississippiensis, uma espécie, de origem norte-americana, que não se encontra ameaçada e que é produzida em cativeiro no Louisiana.


A produção em cativeiro do “aligator mississippiensis” é uma das histórias de conservacionismo de maior sucesso nos EUA. O programa que gere a sua produção recolhe os ovos dos diversos habitats para abastecer as quintas de cultura. 12% dos Aligátor são posteriormente devolvidos á liberdade num processo que protege a espécie de diversos factores de mortalidade como cheias, tempestades ou secas.


reportagem

Um contributo para a proteção e conservação das espécies A produção em cativeiro do aligator mississippiensis é uma das histórias de conservacionismo de maior sucesso nos EUA. De acordo com o programa que gere a produção destes animais, os ovos são recolhidos dos diversos habitats para abastecer as quintas de cultura. 12 % dos aligatores são posteriormente devolvidos à natureza, seguindo um processo que protege a espécie de diversos fatores de mortalidade, como cheias, tempestades ou secas. Neste processo, cada pele é identificada com um número de série, com as indicações da data e do local em que o aligátor foi criado, que fica associado à pele desde o processo de tratamento até ao fabricante do produto final. Este sistema permitiu que se recuperassem espécies anteriormente ameaçadas, em risco de extinção, como é o caso do crocodilo do Nilo. Uma grande fatia das receitas provenientes deste comércio acaba por ser reinvestida em programas de pesquisa, conservação e educação, mas também no financiamento de atividades essenciais de fiscalização como as desenvolvidas pela CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagem Ameaçadas de Extinção). CITES – Um sistema de controlo essencial A CITES foi criada em 1963 e representa, atualmente, uma união voluntária entre governos destinada a regular o comércio internacional de espécies de plantas e animais selvagens. O objetivo des­ ta convenção é, simultaneamente, simples e exigente: assegurar a sobrevivência e continuidade das diversas espécies que habitam o nosso planeta. Na CITES participam, atualmente, 175 países, entre os quais Portugal, que aderiu ao sistema em 1980. O método de funcionamento da CITES pode ser explicado de forma resumida: cada país signatário é responsável por inspecionar a importação, a exportação, a reexportação ou a introdução direta a partir do mar de espécies abrangidas pela Convenção. Estas espécies estão sujeitas a um processo de licenciamento que abrange três áreas distintas: espécies ameaçadas – em risco de extinção –, espécies não ameaçadas – sem risco de extinção –, mas cuja utilização deve ser controlada de maneira a evitar uma incompatibilização com a sua sobrevivência, e espécies protegidas pelo menos num país signatário, que tenha solicitado aos seus pares auxílio na proteção das mesmas. Estas três áreas englobam a proteção de cerca de 5000 espécies de animais e 28.000 espécies de plantas, atestando inequivocamente a importância crucial da atividade deste organismo internacional.

Em Portugal, o organismo ou a autoridade administrativa, científica e fiscalizadora responsável pela implementação do sistema de controlo da CITES é, desde 1981, a Unidade de Aplicação das Convenções Internacionais do Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade (ICNB). Uma sensibilidade e preocupação genuínas No dia 7 de outubro de 2010, um programa de um canal de televisão suíço dava tempo de antena a um tema bastante controverso ao denunciar a existência de uma fábrica de processamento de peles exóticas na Indonésia. As imagens eram extremamente explícitas e não poupavam detalhes quanto ao tratamento cruel a que os animais eram sujeitos. Em qualquer outro país do mundo, este género de documentário ter-se-ia ido juntar às dezenas de denúncias sobre outras espécies ameaçadas, e para as quais invariavelmente a maioria dos espetadores reage mudando de canal. Mas, neste caso, havia uma indústria específica à qual se pretendia alegadamente apontar o dedo. A visada era precisamente a indústria relojoeira suíça que, desde há décadas, utiliza peles de algumas espécies nas suas braceletes. A reação não se fez esperar, e não deverá ter havido empresa nem marca que não tenha verificado, nos dias seguintes, a origem e certificação das braceletes de pele que acompanham os respetivos relógios. Sucederam-se comunicados oficiais por parte de diversas organizações e entidades do setor a assegurar não só que a utilização de peles exóticas está associada a apenas um ínfima parte dos relógios produzidos, assim como que a sua quase totalidade provém de criadores certificados. O programa televisivo tentava associar injustificadamente o problema das peles exóticas à relojoaria em geral, sem com isso identificar o seu maior prevaricador: a indústria da contrafação e, consequentemente, quem a consome. Esta acabou por ser uma prova de fogo bem superada por uma indústria que afinal demonstra sensibilidade e uma preocupação genuína pelos proble­ mas ambientais onde se vê inserida.


crónica José Luis Peixoto

Bom tempo Não é otimismo, é uma evidência. Não existem números suficientes para contabilizar a quantidade de movimentos que podemos fazer agora, neste preciso momento, ou agora, ou agora.

Temos tanto tempo. Não é preciso chegarem os meses grandes, de dias largos, para sabermos que temos muito tempo, basta pararmos por um instante breve, pouco tempo, e olharmos. Estamos rodeados de tempo. De nada adianta levantarmos os braços, como se estivéssemos num filme ou num pesadelo, com água pelo peito, que continua a subir, a encher. Não, de nada adianta, porque nós estamos submersos pelo tempo, é tanto e está em todas as direções. Ai, a natureza do tempo. Poderíamos agora encher quadros de equações, x, y, z, e elaborar os mais diversos raciocínios tal e qual como se estivéssemos a tentar explicá-la. Ou seja, o facto de construirmos frases com sentido sobre a natureza do tempo não significa que sejamos capazes de encontrar-lhe um significado. A cada uma dessas frases, podemos sempre contrapor um porquê infinito. Se ressuscitarem o Einstein, poderei provar o que digo. Além disso, a nós interessa-nos a evidência prática de que temos muito tempo. Estamos aqui, no centro de uma planície de tempo, debaixo de um céu de tempo, sobre uma terra a perder de vista de tempo. Somos uma espécie de símbolo conceptual num desenho animado da Europa de Leste (anos sessenta, setenta), mas esse conhecimento é-nos pouco útil para estarmos efetivamente aqui, este sol, este ar, este tique-taque. Aqui, a compreensão que nos serve é percebermos, ser tão óbvio, que temos este tempo todo ao nosso dispor. Temos tempo para ser felizes, temos tempo para ter filhos e netos, temos tempo para sair à rua e cruzarmo-nos com milhares de pessoas, cada uma delas, com o mesmo tempo que nós, matéria contemporânea desta imensa possibilidade. Sim, porque nós temos tempo para transformar o mundo (que palavra), temos tempo para apanhar um avião e voar, atravessar oceanos, atravessar continentes, um pequeno avião desenhado num ecrã, sobre um mapa, a seguir uma linha. Temos tempo para alcançar tudo o que nunca fomos capazes de imaginar completamente. Olhando para trás, podemos querer acreditar que já sabíamos que ia ser assim, mas não sabíamos. Não fazíamos uma ideia mínima de que, hoje, íamos estar neste ponto preciso, a olhar tudo isto desde o cimo disto. Temos tempo, esta constatação faz crescer um sorriso brando, véu de juventude a pousar-nos sobre o rosto, mas temos tempo para tanto que não precisamos. Temos tempo para ignorarmos aqueles que estão do outro lado desta parede, temos tempo para fingirmos que não existe aquilo que preferimos que não exista, tempos tempo para ser infelizes. Há alguns anos, num parque de diversões, vi uma máquina com a estrutura de uma esfera, onde se prendiam pessoas com correias e faziam-nas girar em todos os sentidos. Nós somos assim e, como esses rapazes espertos do parque de diversões, pagamos bilhete para esta volta. Agora, se o terreno nos escapa por baixo dos pés, se os planos se alteram, temos o dever de desfrutar desta viagem, escolhemo-la diariamente. Não quere­ mos que seja de outra maneira.


Espiral do Tempo 36  

A revista de quase todos os relógios.

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you