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3 Mar 2012

Expresso Economia

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João Ramos jramos@expresso.impresa.pt

“Portugal precisa de empresasgazela” Francisco Veloso (U. Católica) defende novo modelo de inovação “Portugal deve melhorar as condições para o aparecimento de mais gazelas (empresas com elevado potencial de crescimento e criação de emprego qualificado). São fundamentais para a recuperação económica do país”, defende Francisco Veloso, professor catedrático na área inovação e empreendedorismo na Universidade Católica. Fundamenta esta convicção num estudo recente da Kauffman Foundation, uma associação norte-americana ligada ao empreendedorismo, que mostra que 6,5 em cada 10 empregos criados nos EUA tiveram origem em novas empresas (com menos de 5 anos) e forte crescimento. Mas qual é o fator X que faz de uma empresa uma gazela? “O importante é que faça algo de diferente à volta”, responde Francisco Veloso. “Em Portugal aposta-se nas empresas-ratinho (umas nascem outras morrem) que pouco inovam”, considera. Mesmo assim, um relatório do Ministério da Economia revela que, entre 1992 e 2007, tinham nascido em Portugal uma média de 360 empresas-gazela por ano, que empregavam em média de 90 pessoas. Um potencial que não está devidamente explorado: “Se todas crescerem 20% ao ano durante 3 anos, isso significaria a criação de 25.000 postos de trabalho. Mas se o número de gazelas duplicasse, seriam 50.000 postos de trabalho em 3 anos”, enfatiza Francisco Veloso. O problema, alerta, é que, nos últimos anos o nascimento das gazelas lusas “tem vindo a diminuir”. Uma fraca dinâmica empreendedora que o docente da Universidade Católica diz pode ser melhorada através da “alteração da lógica de apoio à inovação”, nomeadamente com a existência de mais capital semente. “É preciso criar condições para que muitas possam avançar para o mercado para tentarem a sua sorte. Algumas terão sucesso e outras ficarão pelo caminho”. E acrescenta: “Há anos dava-se muita importância ao plano de negócios por ser um instrumento que obriga a equipa a pensar nas várias dimensões do negócio, mas agora é também Francisco Veloso interrompeu uma posição confortável no quadro de docentes da universidade americana de Carnegie Mellon e voltou a Portugal em 2009 para assumir a cátedra ZON Inovação e Empreendedorismo na Católica Lisbon School of Business. Personifica um exemplo feliz de um português qualificado na diáspora que decide regressar ao país para responder a um desafio: criar em Lisboa uma referência internacional nas áreas do empreendedorismo e da inovação. Após tirar Engenharia Física no Instituto Superior Técnico (1992) e um mestrado no ISEG, tornou-se ‘emigrante’ nos EUA quando beneficiou, em meados dos anos 90, de uma bolsa da Fundação da Ciência e Tecnologia (JNICT na altura). Aproveitou a oportunidade, doutorou-se no famoso MIT e seguiu a carreira académica na Universidade de Carnegie Mellon. fundamental a experimentação, tanto mais que se pode tirar partido do mundo interligado”. Dá um exemplo: “Hoje é possível fazer um jogo, colocá-lo num sítio web e ver quantas pessoas o descarregam, ou usar uma plataforma de crowdfunding para ver se tem interesse para a multidão. Ao fim de um ou dois meses, consegue-se saber quantas pessoas acreditam na ideia.” Mais centros de excelência Para que surjam mais empresas portuguesas inovadoras e competitivas no mercado internacional, Francisco Veloso considera ser fundamental que algumas das universidades portuguesas se tornem centros de excelência científica e indutoras de inovação empresarial. “Se compararmos as nossas universidades de topo com as da Suécia (um país com uma população semelhante à portuguesa), verificamos que existem entre 3 e 5% de doutores, enquanto que no país escandinavo existem mais de 10% de docentes com este grau académico. Estamos longe desta ideia de concentração de conhecimento”, constata Francisco Veloso, defendendo que “Portugal deve concentrar esforços na excelência e em quem tem condições de competir e de se afirmar internacionalmente. Temos de acabar com o complexo português de não poder haver alguém a sobressair”. O docente da Católica congratula-se com o facto de a mentalidade dos docentes universitários portugueses estar a mudar. “Deixou de ser mal visto que alguns sejam empreendedores e ganhem

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dinheiro. Agora já existe, nas universidades, um certo ênfase na criação de spin-offs que vão tendo efeito demonstrador”. Acelerar ou incubar? “Estar num espaço de incubação pode ser útil no início porque baixa os custos de tentativa, mas não faz muita diferença”, diz Francisco Veloso defendendo que é mais vantajoso para a start-up integrar-se numa aceleradora. “Permite ao empreendedor acelerar o processo de aprendizagem e coloca-o em contacto com potenciais investidores ou clientes”. Francisco Veloso considera que o surgimento de empreendedores de sucesso que criam fundos de apoio ao empreendedorismo (dá o exemplo da Pthena de António Murta ) é positivo, mas diz que são necessários mais casos para colmatar o défice de capital-semente em Portugal. Defendendo que o empreendedorismo não é inato, este professor da Católica considera que as oportunidades de negócio nascem de ideias que muitas vezes são rejeitadas no seio grandes organizações. “Muitas pessoas só se tornam empreendedoras quando essas ideias não têm condições de avançar de outra forma”. E dá o exemplo clássico: “Os fundadores da Intel trabalhavam para a Fairchild, e só saíram porque o board desta empresa decidiu que apenas trabalharia nas memórias e não acreditava no potencial dos semicondutores. É uma história que acontece muitas vezes”.

Então para que serve o ensino superior de empreendedorismo? O professor da Universidade Católica admite que “não substitui a criatividade das pessoas, mas que as ajuda a estruturar melhor um projeto e a usar melhor os seus talentos”. Printed and distributed by NewpaperDirect | www.newspaperdirect.com, US/Can: 1.877.980.4040, Intern: 800.6364.6364 | Copyright and protected by applicable law.

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New Innovation Model for companies in Portugal  

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