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(@)Tira Manu

por Manu

MARSUPIAL #01 Ficha Técnica: MARSUPIAL webzine http://www.omarsupilami.net omarsupilami@gmail.com Director: Jorge Resende Edição e Design: Kaamuz Fotografia: Ana Lobão Manuel Portugal Revisão de Textos: Paula Oliveira

Editorial - Jorge Resende Os mais cépticos provavelmente já estavam à espera do pior, ou melhor, já não esperavam que voltássemos. Pois muito bem, cá estamos para provar o contrário e, como referi no número anterior, toda esta aventura é regida pela incerteza e imprevisibilidade por isso é tão estimulante. É como se estivéssemos num barco no meio do oceano à mercê da vontade dos deuses e da boa ou má disposição deles. Verdade seja dita, prefiro quando estão mal dispostos e agitam as águas e sopram com força. Só assim conseguimos andar para a frente e só assim conseguimos chegar ao topo da onda. Com tudo isto quem divagou fui eu e o melhor é colocar o ponto final para que possam desfrutar da Marsupial. E fica decidido. Estas linhas serão aproveitadas para divagar e, vá lá, de vez em quando dizer algo de interesse, mas só em caso extremo. Considerem-se avisados. Para terminar, continuamos à espera das vossas cartas de amor!

Colaboradores: André Carvalho Davide Lobão Diogo Costa Emmanuel Oliveira (Manu) Francisco Felix Hélio Morais Hugo Guerreiro Mário Fernandes Nuno Silva Pedro Chagas Freitas Rui Dinis Tiago Esteves

índice 08

04 : Rapaz Mal Desenhado 05 : notícias 07 : Um Último Brinde

12

08 : The Melancholic Youth Of Jesus 11 : Lululemon

18

12 : PAUS 14 : Daisy Cutter 16 : Nuno Norte

24

18 : The Loyd 20 : The Soaked Lamb 24 : :papercutz

28

27 : crónica DAEMONIVM 28 : Blind Charge

30

30 : Electric Willow 33 : criticas discos 36 : destaques n' A Trompa

38

38 : ao vivo|reportagens 41 : crónica Pedro Chagas 42 : zootrópio

20

42

43 : crónica Davide Lobão


O rapaz mal desenhado ‘A vantagem do atraso’

por Francisco Félix

r, exibem, sem quere As mulheres ainda ar voc pro a par só ros, as suas partes aos out namorado ao a eix qu m ere e depois faz de olhar, esperando que o gajo não parava o seu ciúme. o carro no passeio, Ainda estacionamos esquina, mijamos no muro da vingamo-nos no e Dr. o s mo considera os em trabalhador. Ainda faz com e qu sde de s, negócio mesa metade por baixo da de e passamos à frente mais os som e rqu po s outro s. importante

vo sem problema na Sempre fomos um po cunstâncias, como cir vas no a adaptação ador, inventor e cri o írit nascidos do esp uimos o novo seg aventureiro, sempre tade. von à al tur na com tempo , ocidade estonteante Mesmo neste de vel nada tememos. , parabólica na janela E hei-nos de antena isqueiro ro, car no S GP o, os um telemóvel na mã ta, Ainda desenrascam de futebolista de pon o os ect com asp ar co, fal óni a l ctr ele espanho tão de crédito, senha quer estejamos is, hó pagamentos com car an do esp via en na fila, IRS com o número de vez r cá, quer lá. ira para entrar e sai pela Internet, pulse m bo o com o mã do festivais, euros na Tudo isto deixou o todas as divisões e do, europeu, plasmas em til Capitalismo baralha rtá computador po e qu is ma ele do de vários tamanhos, an est é da esquina, férias o e a derrubar os ad para levar até ao caf tal ins ra pa , iais e artific tes, em espaços vedados ditos países mais for s, martini na mão e a um cá r po é estar longe dos podre da ain a cara. óculos maiores que esperança. ro Ainda vamos apanha em e qu o , foi tudo vamos viver da ain Estas pequenas coisas V, TG a década. nós mudou na últim bem. prir horário cum a s mo ua Mar, tin con Felizmente Quando só tivermos balhar, estamos em s, ira ine tra as du enquanto fingimos tra ou a r um toda a tarde a bebe lho de ba as tra zen de de o as niã reu Terra, um ada. restar uns finos na esplan agricultores, quando esses com o, chã o ra pa Talvez o. Fad e a bro , Ainda cuspimos ho vin , o do puxar e o do ser dois sons admiráveis possamos pensar em e dignamente osa cuspir. ulh r org eja inv o, icar o vizinh Temos tempo para crit Portugueses. s na vida dos outros, o amigo, metermo-no o, óci neg no to rup cor mentir, aldrabar e ser o necessitamos para atirar tudo o que nã a de pedir e disfarçar o chão, mandar na hor Francisco Félix na hora de assumir. de Maio de 2010 27 to, Por sso no do os melhores Ainda somos todos es o centro das atençõ bairro, ainda somos os em diz da ain emos, onde quer que chegu todos ao os vam e o rol pa é que o Fado gaja fingir que canta, Pavilhão ouvir uma e entender, tudo porqu enquanto fingimos a. bo a tod dizem ser a ram de boca aberta Os homens ainda pa s mo de po da ssar, ain ver uma mulher pa ado e o assobio de ouvir o piropo indelic papagaio.


Souto Rock 2010 confirmado Apesar de haver ainda algumas dificuldades para serem resolvidas, a organização do Souto Rock confirmou a edição de 2010, assegurando a realização de um dia de festival, no dia 10 de Julho e que irá acontecer no Lugar de Quiraz (Roriz), em Barcelos. AS bandas confirmadas para esse dia são: Aspen (Barcelos), Smix Smox Smux (Braga), Classified (Barcelos) e os D3O (Coimbra). Mais informações em www.honeysound.com

Bass-Off editam álbum de estreia

Foi no passado dia 12 de Abril que a banda de nome Bass-Off editou o seu primeiro álbum. Este registo “é o resultado da participação vitoriosa na edição de 2008 do mítico Festival Termómetro e da conquista do primeiro lugar no concurso MTV/Levi’s 501 Live Unbuttoned”. “Ohmónimo”, assim se intitula o referido disco, é composto por 9 faixas que se fazem representar por “Whatever”. O tema escolhido para single faz a apresentação deste trabalho “onde as guitarras rasgantes se aliam ao noise e ao rock puro e duro que a banda das Caldas da Rainha faz questão de protagonizar.”

O regresso dos Pop Dell’Arte

8 anos após a edição do último registo de originais, So Goodnight”, os Pop Dell’Arte regressam aos discos com “Contra Mundum”, o quarto álbum da banda. Esta edição é no fundo a celebração de 25 anos de um dos mais importantes projectos nacionais e é feita com toda a pompa e circunstância. Esta é “uma edição de luxo, limitada e numerada, um objecto de colecção, que inclui um booklet de 24 páginas ilustradas e um poster de face dupla”. Um regresso que promete.

Mais de peixe:avião

Linda Martini avançam com single “Belarmino” Tal como tinham prometido já está cá fora o novo single dos Linda Martini. Chama-se “Belarmino” e “evoca a memória do boxeur Belarmino Fragoso a partir do filme assinado por Fernando Lopes em 1964.” Mas mais do que isso é um avanço do segundo longa duração que os Linda Martini se encontram neste momento a gravar. É um belo tema que vem ainda acompanhado pelo respectivo videoclip e que promete coisas boas num futuro próximo. “Belarmino é a cidade de Lisboa, os “campeões com jeito” de O’Neill, ser-se bom a perder quando não se quer ganhar.”

Já havíamos noticiado por estas páginas que os bracarenses peixe:avião preparam o sucessor de aclamado “40.02”. Agora chegam mais notícias e mais certezas. Falo do primeiro single “No Jogo da Quimera” que está desde o passado dia 17 de Maio disponível para download gratuito no novo site da banda em www.peixeaviao.com. Relembramos ainda que “Madrugada”, o referido segundo longa-duração da banda, tem edição prevista para Setembro do corrente ano.


Úm ultimo brinde

por

k69

‘Duro como a morte’ ‘O Diabo que um dia viemos a conhecer’ Morreu Ronnie James Dio. Alguns podem não saber o que significa esta frase, no entanto o seu impacto sobre muitos outros não pode ser desmentido. Dio foi o principal responsável pela marca com que ainda hoje saudamos e abençoamos o trilho percorrido pela música pesada - com punho em riste e dedo indicador e mínimo erguidos, em forma de saudação, num gesto que em culturas mais antigas serviria, ora para abençoar, ora para afastar maus olhados. Ele mesmo o explicou numa entrevista no documentário "Metal, a headbanger's journey", de Sam Dunn, onde também podemos testemunhar a sua simpatia e predisposição para com os fãs e amigos da música em que tanto laborou. Foi quando o visionário guitarrista Ritchie Blackmore - ex-Deep Purple - o saqueou dos Elf para ser vocalista da sua então nova banda, os Rainbow, que Dio começou a dar que falar. Senhor de uma voz de poder e melodia inconfundível, Dio fez 5 álbuns de qualidade e influência significativa com os Rainbow, e mais tarde chegou mesmo a integrar a formação dos Black Sabbath(198092), como vocalista substituto de Ozzy Osbourne. Apesar de muitos fãs acérrimos de Black Sabbath ainda hoje teimarem a pés juntos que a banda sem Ozzy não foi a mesma coisa, é muito difícil encontrar alguém que negue a qualidade do que esse alinhamento foi capaz de fazer. A maior reclamação, mesmo nos dias de hoje, teria mesmo a ver com a identificação da banda, pois com uma sonoridade diferente (proporcionada principalmente pela voz do vocalista, mas não só), deveria ser apresentada como algo que não BS. Foi dessa forma que a banda regressou em 2006, com o nome de "Heaven and Hell", o título do seu melhor disco como Sabbath(sob esta formação), dando imensos concertos e chegando mesmo a lançar mais um disco de originais "The Devil You Know"(2009). Ronnie James Dio foi entretanto, a par de todas estas importantes incursões, mantendo uma sólida carreira através de lançamentos em nome próprio, tendo mesmo tido em vista lançar um disco novo em 2011. Infelizmente ele não estará por cá para nos presentear com nova música ou a sua presença. No entanto um grande legado ele nos deixou; vamos manter viva a sua obra.

Pete Steele não gostava da fama. Fazia música com os seus Type O Negative, mas na verdade pouco procurava do que estava "para lá" do mundo prometido à música de rebeldia: bebida, outros desvarios e mulheres. Dizia quem o conhecia que era irónico e sarcástico, não hesitando em colocar-se a si próprio no lugar do fuzilado e que a boa disposição daí adjacente tornava-o alguém bem distante da melancolia e frustração cuspida nas suas músicas, com uma raiva contida(ou não) sob a tensão de um ambiente sonoro de si já bem grave. Tal era a forma como ria das coisas menos adequadas que já havia inclusive, forjado e falsificado a sua própria morte. Imaginamos portanto que ele se foi tendo já uma ideia de como as pessoas iriam reagir a este momento; tirando um pormenor. "O quê? O Pete Steele morreu? Oh, deve ser brincadeira outra vez!", demorou mais algum tempo até que os fãs confirmassem e realmente aceitassem, até que comentários e votos vindos dos seus pares do mundo da música e amigos fizeram comover quem esperava que a voz e mente de "Bloody kisses"(1993) voltasse uma vez mais para atormentar a calma fétida e conformista dos nossos dias. O facto de ter como inspiração bandas como os Black Sabbath e The Beatles davam-lhe apenas outro toque de choque aos olhos de quem imaturamente julga estes colossos musicais como coisas ridiculamente desligadas(digamos assim de raspão que a banda favorita de Ozzy Osbourne são... The Beatles ;) A mistura de influências, o velho e o novo, o alternativo e o mais obscuro, fundido ainda com a experiência que acumulou aquando da sua encarnação enquanto homem dedicado ao thrash metal, com os Carnivore(1982-87) geraram toda uma nova forma de sentir e cantar o metal(o Fernando Ribeiro que o diga). Quem acompanhou a sua discografia desde os primeiros discos, dificilmente se decepcionava com os passos por si dados ao longo dos anos, e era já esperado um sucessor para o último "Dead again"(2007). Por alturas de assinar a sua banda pela primeira vez com a RoadRunner(por volta de 1990-91), editora norte americana mítica no que ao metal e rock pesado diz respeito, Pete marcou desde logo a diferença, assinando o contrato com uma mistura do seu sangue e sémen. Também fez, devido à sua personalidade incontida, várias afirmações que lhe foram moldando a 'personagem' que para nós se tornou; desde afirmações supostamente racistas que lhe colocaram o ponto de interrogação sobre orientações nazis em cima, quando no fundo era apenas o seu humor desgarrado e incompreendido a vir ao de cima. De qualquer forma o que sentia e expurgava nos discos não era de todo anedótico ou na 3ª pessoa. "Slow, deep and hard"(o primeiro disco de TON, 1991), por exemplo, foi escrito sob a contemplação do próprio acerca de sentimentos como vingança e suicídio, após a ruptura de uma intensa relação amorosa. A bipolaridade do homem pode ter deixado marcas na sua personalidade e nas vidas de quem com ele se cruzou, mas certo certo é que não teríamos o mesmo arrasto na urgência do metal(tão influente) hoje, se não fosse o Steele. E vamos ser sinceros: quem é que nunca quis ser outro que não a si mesmo? Venha daí um "I don't wanna be... i don't wanna be me. I don't wanna be me anymore!!"


The Me

lanchol

Youth Of Jesusic Um dos projectos nacionais dos anos 90 de maior culto anunciou recentemente o seu regresso. Regresso esse que foi recebido com enorme entusiasmo por grande parte dos amantes de música e não é para menos. Os The Melancholic Youth Of Jesus, responsáveis pelos álbuns “Lowveld” ou “Wanderlust" entre outros, prometem novo álbum de originais a ser editado nos próximos meses. E porque a curiosidade é muita, a MARSUPIAL colocou algumas questões a Carlos Santos, vocalista e mentor deste projecto.

Os The Melancholic Youth Of Jesus têm já 20 anos de existência. Lembram-se de como tudo começou? Na altura qual era o objectivo? Penso que o que me motivou a formar os The Melancholic Youth Of Jesus (mYoj) não difere do que motiva outros grupos gostava de música e achava a escola um tédio, logo, a ideia de estar numa banda abria novas perspectivas para mim e oferecia-me a chance de me manter à margem daquilo que é mundano. Senti que queria pertencer a este meio e não me arrependo pois a cada ano que passa amo mais o que faço e é um estilo de vida fantástico.

Pelo que sei, logo no início foram criando um núcleo de seguidores que de certa forma vos impulsionou para a estreia em disco. Como era gravar um disco naquela altura? Muito diferente da actualidade? Editámos a demo "Hall Of Noises" e passámos a despertar o interesse de muitas pessoas. Geraram-se rumores de que não éramos Portugueses. Enfim, os ingredientes perfeitos para atrair a atenção das pessoas em geral, o que juntamente com o apoio das rádios e publicações independentes superou o poder dos media mainstream da altura e assim nasceu um culto aos The Melancholic Youth Of Jesus. Naturalmente o disco era o próximo passo, o grupo foi crescendo e passou a actuar diante de públicos que nunca tinham ouvido a banda mas que foram atraídos pela curiosidade porque o nome já começava a ser mencionado em todo o tipo de publicações. Eu estava um pouco à margem desse

crescimento dos mYoj pois sempre concentrei a minha atenção em escrever música e sempre mantive o meu círculo de amigos. Não deixei de ser quem era e a fama não estava no topo da minha lista de prioridades. Lentamente comecei a ser abordado na rua e noutros locais e aí comecei a entender que estávamos a chegar a muitas pessoas. Porém, eu entendo o quão efémero isto tudo é e limitei-me a gozar o momento. Na actualidade e com a internet existe imensa dispersão o que exige um esforço extra para se chegar ao maior número de pessoas, além de que no presente existe mais oferta. Abriram-se novos canais de divulgação mas estou confiante de que havendo um álbum bom e havendo bons concertos não será difícil a um grupo angariar seguidores. Penso que houve uma evolução em termos de formatos de edição mas no geral os trâmites não diferem substancialmente.

Entretanto a formação foi sendo alterada, houve entrada e saída de elementos acabando por ficares apenas tu (Carlos) da formação original. Que consequências teve para a banda? Não existe uma formação original dos mYoj. Quando comecei a banda explanei bem a filosofia dos mYoj e houve a natural experiência com vários elementos até se formar um núcleo sólido. Em "Hall Of Noises" tínhamos uma formação, em "Lowveld" tínhamos outra. No geral havia elementos que permaneceram na banda como o Rui Rocha e o João Rodrigues. Na Lowveld Tour substituímos o Rui Rocha que ia casar e considerou que não estaria disponível para todos os concertos entretanto agendados. Após a Lowveld

Tour repensou-se a banda e as coisas tornaram-se mais ambiciosas. Aqui perdemos o João Rodrigues, o Gabriel Maia e o Nelo Silva que tinha substituido o Rui Rocha na Lowveld Tour, mas estes gravaram "Wanderlust" e "One Life Ain't Enough". A partir desse ponto os mYoj voltaram a ser uma banda de laboratório, porém, era mais difícil encontrar as pessoas ideais, uma vez que o grupo tinha já um nome e tínhamos Guide Lines concretos. Isto dificultou o recrutamento de novos elementos. Em 99, e já após a edição de "Wanderlust" e "One Life Ain't Enough", optei por seguir um outro rumo e assim passei a trabalhar sem o Ricardo Oliveira que esteve nos mYoj entre 93 até 99 e viveu-se um ressurgir dos mYoj, já com o Ricardo Dias (Heavenwood) e o Luís Ferreira, que no passado estava nos planos dos mYoj mas que por motivos pessoais nunca se pode envolver na parte da gravação dos videoclips que fizemos para o "Pop Off" no passado. No meu entender, esta foi a melhor


formação dos mYoj e viveu-se um período muito bom. Entretanto, e após tantos concertos, eu senti-me cansado e optei por mudar-me para Inglaterra. Cheguei a trabalhar com o Paulo Costa, que, juntamente com o Luís Ferreira, partilhavam os mesmos gostos que eu. Foi um período excelente e deu-me imenso gozo, contudo, estava com a alma e a mente viradas para novos rumos e fui inicialmente para Dublin, onde surgiu "A Cure 4 A Contemporary Dis-E's" - e mais tarde para Inglaterra. Julgo que as entradas e saídas de elementos deram azo a novas possibilidades e ajudou a que eu pudesse desenvolver sem pressões o som dos mYoj. Quando começámos a dar os primeiros shows no Reino Unido recebi sempre apoio das pessoas que vieram a integrar os mYoj.

Mas voltemos ao presente e à reformulação dos mYoj. Quando surgiu a ideia e porquê este regresso? Se existe um porquê… Cheguei a um ponto onde queria algo novo e optei por tirar um break dos mYoj e não acabar com os mYoj visto que haviam planos mas, naquele momento, senti uma certa urgência em distanciar-me, pois, estava demasiado envolvido em tudo. Comecei os Sabotage UK com a minha amiga Cecilia de Lisle. Demos imensos shows e foi agradável, porém, cheguei a um ponto em que sentia que não era esta a banda que desejava estar e optei por abandonar Sabotage UK e retomar o álbum que comecei a trabalhar para os mYoj antes da paragem, mas com outro apetite. Penso que este regresso era inevitável. Aconteceu agora por questões pessoais e numa altura em que senti que queria voltar às canções novas que comecei a escrever para os mYoj e revisitar o material antigo com um toque novo e mais pessoal.

Sobre o álbum que aí vem, que podem adiantar sobre ele? "Slow Motion" é um álbum fabuloso. Ainda a noite passada estive a ouvir as demos. Penso que é um álbum muito bem conseguido. Estou feliz com o resultado e estou ansioso por juntar este álbum à discografia dos mYoj. Estou curioso em relação à reacção do público ao disco e aos concertos pois mais que uma revolução, é uma evolução no som dos mYoj.

Os temas deste álbum, são temas que ficaram na “gaveta” ou são temas novos que compuseram de propósito para este novo registo? A verdade é que este álbum começou a ser escrito algum tempo atrás mas as canções não combinavam e parecia mais uma compilação do que um álbum. Escrevi entretanto mais 3 canções que serviram como um link para agrupar este álbum às restantes canções que tinha em mente. E voilà! Senti que este era o resultado que andava à procura. É como um diário. Posso afirmar que é um álbum intuitivo e que fala de um período confuso na minha vida pessoal, um período que se estendeu por algum tempo e que julgo que outros se poderão associar a algumas das ideias patentes no disco. Senti que queria tentar algo diferente mas não abandonar a pessoa que sou. No fundo, senti uma vontade enorme em tomar uma via nova, reinventar os mYoj e não limitar-me a reproduzir fórmulas do passado.

Muita coisa mudou nestes últimos 20 anos, uma delas, e talvez a mais significativa, foi a forma de divulgares o teu trabalho. Neste momento existe a internet que facilitou, ou não, esse processo. Qual é a vossa opinião em relação a isso? Partilham da opinião que “fazer o download de uma música é como roubar um carro”? Pessoalmente julgo que fazerem-se downloads gratuitos é o mesmo que ir-se ao minimercado ou à mercearia da vila e levar-se o que se quer sem pagar. A pergunta é: como poderá essa pessoa, dona do seu estabelecimento, sobreviver se não recebe dinheiro e como poderá renovar o seu stock se deixou de ter dinheiro? Penso que é uma questão de ética e de bom senso. Dou o exemplo da mercearia da vila pois os pequenos são os que sofrem mais e os mYoj pertencem a essa elite. As nossas receitas de merchandising ajudam a cobrir as tours e neste momento estou a considerar editar o nosso trabalho. Aí o nosso budget passa a ser dependente de todas as receitas possíveis, nomeadamente, a distribuição digital. Entendo porém que os preços de

CDs não sejam atractivos e isso sim é o mesmo que roubar um carro. Não pago esses preços e opto por comprar tudo via catálogo ou Ebay onde os preços condizem mais com a realidade do seu custo. Rejeito fazer downloads gratuitos a menos que algo raro e nunca editado.

Apesar de residirem em Londres continuam atentos ao panorama musical português? Que têm ouvido de projectos e bandas nacionais que vos mereça a atenção? Moro em Bristol desde a semana passada pois estava saturado de Londres e da cena de Londres. Bristol é mais alternativo e oferece muita boa música. Não estou atento ao que se ouve em Portugal e apenas quando visito deparo que a cena indie não existe ou não é divulgada de modo adequado. Confesso que possa ser ignorância minha mas sei encontrar a música que me agrada e nenhum dos meus amigos, em Portugal, me tem recomendado algo nestes últimos tempos. Numa nota positiva, ouvi algumas demos do novo álbum dos Heavenwood e Diva, bandas de que sou fã e estou impressionado, embora não seja surpresa, pois são grupos com ética e bom gosto. Gostei muito do álbum "Last Prophecy" do Francis Mann e o Paulo Castro está a desenvolver um bom trabalho o que será decerto um outro valor a reter. De resto, não me vem a memória mais nada digno de registo mas tenho ouvido coisas boas sobre imensas novas bandas e denoto uma produção mais apurada nas novas bandas nacionais.

Que grandes diferenças e semelhanças encontram entre Portugal e Inglaterra a nível musical? Os artistas britânicos respeitam-se mutuamente e são mais realistas no que toca à promoção dos seus grupos. Não se iludem facilmente e são ambiciosos e não é surpresa notar que estes podem de facto vir a ser "the next big thing". Em Inglaterra ser-se músico é visto com bons olhos e existem todas as condições para uma banda surgir - desde salas de ensaio, a salas de concertos. Em Portugal noto que os que querem vencer tornam-se mais fortes devido às adversidades. Aqui não se toleram adversidades e o ânimo quebra mais facilmente. Em termos de semelhanças, julgo não existirem semelhanças mas isso não é indicativo de nada - os países são diferentes e, como tal, existe pouco em comum.

Como referi, já andam nisto há algum tempo. Que conselhos dariam a quem está a dar os primeiros passos neste mundo “mágico” da música? Li recentemente uma entrevista de Tricky que tive o prazer de conhecer e é um dos poucos músicos com bom senso. Tricky diz que o Myspace veio piorar a vida dos músicos pois ergueu-se a falsa esperança de que sem saírem da garagem vão ser famosos e de é tudo uma questão de tempo, deixando assim de equacionar que a inércia não leva a nada. O meu conselho é que os músicos se concentrem naquilo que mais amam e deixem estas formas de alienação de lado pois a internet é um


bónus mas não a única esperança ou recurso de uma banda. Uma banda tem de tomar contacto com o público via concertos e não via friend requests ou event invites. Uma editora procura receber demos mas não tem tempo ou paciência para fazer downloads de mp3 ou visitar o profile de um grupo - acreditem que isso é uma lenda e quem procede assim tem poucas chances de suceder. Recebo imensos fan mails, o que algo tocante, mas o meu coração está com os que se dão ao trabalho de irem a um concerto em vez de enviarem e-mails bonitos no conforto do lar. Penso que os grupos têm de tomar contacto com aquilo que é fisicamente real e saberem interpretar devidamente as estatísticas.

Agora que se segue? Quais os planos para os próximos tempos? Primeiro o álbum, depois a tour. Não sei o que reserva o futuro mas tenho recebido imenso apoio e muitas pessoas demonstraram a sua felicidade por saberem que os mYoj estão de volta e isso abre boas perspectivas, além de me mostrar que ainda continuamos no coração de muitos.

Uma última pergunta, qual é a vossa personagem de banda

desenhada preferida? Wow! Sou um grande fã de cartoons ou animação mas não tanto um fã de BD ou banda desenhada. Porém, julgo que em termos de comédia a BD é uma fonte infindável onde não existem limites e Larson é um exemplo flagrante. Tornei-me um adepto de Nietzsche desde os 13, e a ideia do "Super-homem" fez com que eu nutrisse amor pelas pessoas como estas são e isso sem super poderes, mas com muitas imperfeições, capazes de coisas espectaculares e admiráveis, apesar das suas limitações. Se tivesse de escolher um personagem de cartoons favorito seria Eric Cartman de South Park. Comprei o DVD "The Cult Of Cartman" e consigo rir-me exclusivamente às custas de Cartman. Penso ser um personagem bem conseguido e dá relevo ao absurdo que é o comportamento dos adultos. Cartman é o político, o manipulador, o egoísta, e aquele que não olha a meios para atingir os seus fins, por vezes incrivelmente absurdos. Seria um bom exemplo para descrever como vejo os políticos e como procuram derrubar adversidades de modo a reinarem num regime, nem que seja medíocre, mas, acima de tudo condizente com ideais falidos de uma fraternidade que só é concebível a idealistas que se servem do que consideram o "real" para se servirem a si próprios. Cartman é hilariante porque

Curiosidade: Como surgiu o nome The Melancholic Youth Of Jesus? The Melancholic Youth Of Jesus foi inspirado nos filmes "The Life Of Brian" dos Monty Python e "A Ultima Tentação de Cristo" de Scorsese. São filmes distintos mas transmitem uma mensagem comum e que, devido à minha formação Judaica, me tocam pessoalmente.

consegue abraçar o nosso lado pueril mas o resto é um pouco mais perturbador.

Entrevista: JR Fotos: Daniela Silva

http://www.myspace.com/themelancholicyouthofjesus


Lulu Lemon

Eles são apenas dois: Pedro Ledo na guitarra e Tiago Sales na bateria. São de Vale de Cambra mas passam a maior parte do tempo no Porto. São apaixonados por música, especialmente aquela que se fez entre os anos 20 e os anos 50 do século passado. Editaram no início do mês de Abril o primeiro EP “Thee Ol’ Reliables”, registo que está disponível para download gratuito no myspace da banda. Para já esta é a curta história deste power-duo. Arrisco a dizer que isto é apenas o início de uma grande aventura que fará correr ainda muita tinta…

Comecemos pelo vosso nome. Como surgiu o nome Lulu Lemon? O nome surgiu do nada, não tem factos interessantes nem nada por trás. Já agora, o nome é Lululemon (tudo junto) embora o logótipo do myspace dê ideia de que é separado.

Esta aventura começou onde e quando? Começaram só os dois? A ideia nasceu em Maio de 2009 por uma razão um pouco caricata: ambos soubemos da existência de um concurso de bandas que se iria realizar num bar de Vale de Cambra e, embora tivéssemos cada um a sua banda, decidimos juntar-nos para ganhar algum dinheiro no concurso. Esse concurso nunca se chegou a realizar mas como nos apercebemos que tínhamos influências e ideias em comum decidimos avançar com o projecto para algo mais sério. Desde o início que somos só dois mas não negamos a hipótese de mais tarde acrescentar um membro novo na banda.

Na ficha técnica do vosso EP têm lá mais duas pessoas. Em concerto vão continuar a ser só os dois ou vão mudar as coisas? Para já continuamos a ser apenas dois ao vivo. Essas duas pessoas mencionadas na ficha técnica apenas deram a sua contribuição com voz e baixo às gravações em estúdio.

Falando do vosso EP de estreia, “Thee Ol’ Reliables”, como o definem? Todas as músicas deste EP foram criadas sem ideias, bandas ou estilos pré-definidos. Fomos criando músicas sem ter em conta praticamente nada. Compusemos o que nos apetecia na hora sem termos a preocupação de que tinha de soar a blues, surf ou “isto ou aquilo”, por isso achamos que, embora possamos ser considerados como uma banda à volta do blues, quem ouvir o EP vai notar que tem muita coisa à mistura fora do blues propriamente dito. O EP é composto por dois lados devido ao facto de cada lado ter sido gravado em

épocas diferentes e daí terem derivado ideias, composições e sonoridades diferentes.

for usada de forma correcta. Em relação à música, pensamos que é extremamente benéfico pois permite a partilha de informação em todas as formas duma maneira rápida e “worldwide” e sem grandes ou nenhuns custos.

Os temas deste EP bebem de várias referências e estilos musicais. Quais são as vossas referências musicas?

Em relação ao actual panorama musical nacional, têm estado atentos? Que bandas merecem a vossa atenção?

Tudo o que ouvimos serve de referências à música que fazemos... não gostamos muito de catalogar as nossas referências em x ou y artista. A única coisa que podemos dizer é que dentro do blues a nossa época preferida está entre os anos 20 e os anos 50, principalmente blues com guitarra e voz tocado por indivíduos da raça negra.

Há uma curiosidade minha em relação aos nomes das músicas uma vez que são instrumentais. Quando há um texto será mais lógico mas no vosso caso como fazem para dar nomes aos temas? É simplesmente o que nos vem à cabeça no momento, sem que necessariamente o título tenha alguma relação com a música.

Fiquei com a ideia de que iriam fazer uma edição em vinil. Sempre será feita? E porquê essa edição numa era tão digital? Em princípio será feita. A opção de editar em vinil tem a ver com o facto de o EP ter dois lados (tal como o vinil), porque o vinil é um objecto coleccionável e é um dos formatos mais consumidos hoje em dia devido ao próprio “mojo” de ser uma coisa antiga, tem melhor qualidade que um cd compacto.

O panorama nacional está cada vez melhor na nossa opinião. Especialmente no Porto, a cidade onde vivemos durante a semana. Com o esforço de promotoras, editoras e associações o número e a qualidade dos concertos está a aumentar e a melhorar respectivamente. Além disso muitas das bandas novas estão a surgir com boas ideias e formatos inovadores. Outras nem por isso. Essas bandas com qualidade conseguem, normalmente, boa promoção porque existe no Porto gente atenta às coisas que estão a emergir e por vezes pegam nelas para levá-las a um patamar superior dando a sua contribuição para a promoção das mesmas.

Bem, e o que se segue? Quais os planos para o futuro? No futuro além da edição em vinil estamos a pensar começar a meter voz nas músicas novas, trocarmos de instrumentos numa ou noutra música (baterista na guitarra e guitarrista na bateria) dado que nos desenrascamos mais ou menos bem com os papéis trocados e possivelmente, se surgir a pessoa ideal, incluir um novo membro na banda.

Qual é a vossa personagem de banda desenhada preferida? Se fosse de desenhos animados seria o Spongebob, de banda desenhada não fazemos ideia.

Qual é a vossa opinião em relação a todo este mundo virtual, a toda esta loucura da internet, da divulgação de um projecto musica feita à escala mundial e em minutos? Acham a internet uma ferramenta mais benéfica ou mais prejudicial para uma banda como os Lululemon?

A última pergunta serão vocês que a irão fazer a vocês mesmos, pode ser?

A internet é uma ferramenta muito boa se

Entrevista: JR

Hmm ok. A pergunta: O que gostariam que este blog vos oferecesse no dia da criança?

A resposta: http://www.eastwoodguitars.com/GTRs/ airline-Map/images/gtr_SeafoamairMap.jpg

http://www.myspace.com/lululemonband


PAUS

Quatro músicos de Lisboa, inconformados, procuram sempre algo novo e estimulante, decidiram juntar-se e fazer um projecto com essas mesmas características. Saiu uns PAUS, projecto do qual sabemos ainda muito pouco mas aquilo que sabemos aguça-nos a curiosidade. Para já existe uma música “Mudo e Surdo” e a certeza de que a estreia em disco está para breve. Resta-nos aguardar pacientemente e enquanto isso porque não falar com eles? Foi o que fizemos.

Andavam à procura da melhor definição de PAUS, alguma que se destaque? Hélio Morais - Até ver, a melhor definição para PAUS é "...uma bateria siamesa, um baixo maior que a tua mãe e teclados que te fazem sentir coisas". Mas como são muitas palavras, o melhor mesmo é definir o som de PAUS como... PAUS.

E, para vocês os quatro que projecto é este? Qual é a vossa definição? HM - PAUS é o resultado de quando nos encontramos os quatro em estúdio para gravar os ritmos que temos na cabeça e ir acrescentando camadas de teclados, harmonias de voz, baixos e tudo o que nos vier à cabeça. Depois preocupamonos em aprender a tocar isso nos ensaios. É basicamente a música que sentimos na altura, sem filtros e sem pré-definições. Shela - É música e somos nós todos juntos.

Será que este projecto parte de uma necessidade de fazer algo diferente de tudo o resto, que saia da “rotina”? HM - Primeiro este projecto nasceu de uma ideia simples: duas baterias só com um bombo. Nome? Bateria siamesa. Depois disso foi uma questão de arranjar tempo para brincarmos com ela (eu e o Quim). Quando vimos que tínhamos algumas boas ideias fomos para estúdio com o Makoto

e o Shela e as coisas foram acontecendo naturalmente. Mas, decididamente, este projecto foge completamente ao método de qualquer banda que qualquer um de nós tenha hoje em dia ou tenha tido. Nesse sentido essa ideia de rotina e o peso que ela tem nos processos de criação era o que queríamos evitar. Foi a maneira que inventámos para que cada vez que estivéssemos juntos a tocar nunca fosse chato nem repetitivo. S - A necessidade de fazer algo diferente de tudo o resto, que saia da rotina, é o que nos leva a tocar (ponto final). Os PAUS são mais um prolongamento dessa necessidade, tal como os outros projectos em que também estamos envolvidos. Não me parece que seja necessário sobrejustificar com necessidades específicas aquilo que fazemos os 4 juntos em PAUS, na realidade o som de uma banda é definido pelos músicos que lá tocam. Se a(s) pessoa(s) fossem outras o som seria também gratificantemente diferente... ou não.

Entretanto estão a gravar o vosso primeiro EP. Como tem corrido esse processo? O processo de composição está a ser feito ao mesmo tempo da gravação como tinham pensado inicialmente? HM - O processo está concluído. Temos as músicas gravadas e misturadas. Fomos compondo directamente no estúdio. Regravámos umas coisas, alterámos outras, acrescentámos, etc. Estúdio rima

com PAUS daí a nossa liberdade criativa.

Em relação ao EP propriamente dito, que podem adiantar? Quim Albergaria – Podemos adiantar o título: "É uma água". S - Que tem 4 músicas de PAUS.

Todos vocês já tiveram e têm outros projectos além de PAUS e já andam nisto há algum tempo. Qual a vossa opinião em relação ao actual panorama musical nacional? Que bandas e projectos têm ouvido? QA - Em nome próprio eu, Quim, digo-te que nunca se produziu tanto e com tanta qualidade na música portuguesa. Basta ouvir os trabalhos recentes de bandas como Gala Drop, Aquaparque, If Lucy Fell, Linda Martini, Youthless, Tropa Macaca, Magina,Tiago Guillul, B Fachada, o Norberto Lobo fodasse! A música portuguesa, e leia-se feita por portugueses e não obrigatoriamente em português, está muito bem e recomenda-se. S - O panorama musical está cada vez melhor, quer no que diz respeito a bandas novas que aparecem, quer na promoção que cada vez é maior (e bem vinda). Banda ou projectos recentes que tenho ouvido lembro-me de Filho da Mãe, Youthless, Asneira.

O actual mundo da música é extremamente activo. A cada


minuto aparece um novo projecto musical, qualquer pessoa pode facilmente criar um projecto e divulgá-lo a nível mundial. Qual é a vossa opinião em relação a isso? QA - É o poder da música a voltar para quem a faz e para quem a ouve por amor. As ferramentas de disseminação da música que temos à nossa disposição hoje em dia não só estão a purgar os intermediários desnecessários entre músicos e ouvintes, como ao ajudarem a multiplicar para uma quantidade de oferta até agora sem precedentes, obriga as boas propostas a serem cada vez melhor. É a meritocracia no seu estado mais puro. PAUS aprova. S - Já não era sem tempo. Acho óptimo, quanto mais melhor, é a música que vai salvar o mundo!!!

Acreditam no poder da música enquanto canção e melodia que apaixona e que só por si – sem uma imagem e/ou máquina promocional - consegue tocar as pessoas? QA - A música já existia antes das pessoas. São as pessoas, no entanto, que lhe dão sentido e lhe atribuem significado ao fazêla sua. A música vai continuar a existir depois de irmos todos embora. E a indústria de que falas é um capítulo numa história que há-de continuar sem um fim à vista. S - Sem dúvida!

E agora quais os planos para o futuro para além da óbvia edição do EP de estreia? QA - Tocar e fazer mais música, como qualquer outra banda. S - Concertos ao vivo e um disco a seguir.

Qual a vossa personagem preferida de banda desenhada? QA - Mancha negra. S - O Quim.

Para terminar, e como há sempre algo que fica por perguntar, esta última questão são vocês a fazê-la? Pode ser? QA - Acreditam mesmo que já não há nada para inventar? S - Pode.

Entrevista: JR

http://www.myspace.com/bandapaus


Daisy Cutter

Os próximos convidados da MARSUPIAL são os primeiros que nos chegam além fronteiras. São de muito longe e de um país que é mais conhecido pelo ingrediente de um dos principais pratos da nossa cultura gastronómica do que propriamente pelo rock. No entanto, existe muita música na Noruega e muito rock. Prova disso são os “roqueiros” Daisy Cutter que até já ouviram falar de Cristiano Ronaldo e Nani.

Quem são os Daisy Cutter? Um quarteto Norueguês a tentar provar o que vale. Somos quatro indivíduos distintos, embora sejamos muito semelhantes.

Podem contar-nos um pouco da história dos Daisy Cutter? Foi um lugar-comum. O guitarrista conhece o vocalista e começa a rolar. Arranjam um baterista e um baixista que posteriormente são despedidos e entra malta nova. E aí tens os Daisy Cutter. Depois disso, nós demos mais de 100 concertos, sempre com a certeza de que os fãs tinham aquilo por que procuravam.

Entretanto, editaram um novo trabalho, o disco “M.O.A.B.”, que é na minha opinião um álbum assumidamente rock. Têm a mesma opinião? Como o definem? É isso mesmo, é um álbum rock. São horas bem passadas e muito trabalho que

culminaram no som DC. Acho que os leitores devem ouvir e formar a sua opinião.

Este é um disco que foi sendo criado ao longo da vossa existência ou são temas recentes? E como funciona o vosso processo criativo? Algumas faixas do “M.O.A.B.” começaram como ideias há já alguns anos. Um ano a gravar, produzir, gravar mais, destruir material, acrescentar material, e ainda mais gravações etc. É ao mesmo tempo divertido mas também frustrante. Normalmente as ideias surgem-nos. Com o passar dos anos apercebemo-nos que não adianta forçar a criatividade. Se a banda não se detém nalgo, então não serve. Gravamos a maior parte das nossas ideias, tocamo-las uma e outra vez, ouvimo-las, deixámo-las de parte algum tempo e ouvimo-las de novo. Se ainda soar bem continuamos a tocá-las.Algumas faixas do “M.O.A.B.” começaram como

http://www.myspace.com/daisycutterband

ideias há já alguns anos. Um ano a gravar, produzir, gravar mais, destruir material, acrescentar material, e ainda mais gravações etc. É ao mesmo tempo divertido mas também frustrante. Normalmente as ideias surgem-nos. Com o passar dos anos apercebemo-nos que não adianta forçar a criatividade. Se a banda não se detém nalgo, então não serve. Gravamos a maior parte das nossas ideias, tocamo-las uma e outra vez, ouvimo-las, deixámo-las de parte algum tempo e ouvimo-las de novo. Se ainda soar bem continuamos a tocálas.

Quais são as vossas referências musicais? Bem, na realidade são muitas. De momento são os Biffy Clyro, os álbuns dos Old Genesis, A Perfect Circle,Them Crooked Vultures… Mas tentamos ouvir muitas bandas no Myspace só para saber o que se passa ou para avaliar a concorrência se assim preferires.


Para falar a verdade, não estou muito a par do que se vai fazendo ao nível musical na Noruega. Que se tem passado a esse nível? Não há muito a dizer. Acho que é basicamente o mesmo que no resto do mundo. Não há grandes perspectivas para bandas rock sem produtoras. A música mainstream tem muito mais atenção e a maior parte é bem merecida. Temos muitas muitas muitas bandas excelentes de todos os estilos cá na Noruega.

E a nível de concertos, existe um circuito de bares ou locais para as bandas se apresentarem ao vivo? Sim há um circuito. Mas a Noruega é um país extremamente comprido (podes ver no mapa). Somos do norte e para nós ir até à capital (lá no sul) seria como viajar de Portugal a Moscovo! Logo fazer estes circuitos sai caro. Mas o circuito é sobretudo constituído por bares Universitários e arredores mas as grandes cidades também têm bons locais para concertos. Com PA’s decentes e boa multimédia.

Chega alguma da música portuguesa à Noruega? Que conhecem de bandas e artistas portugueses? Desculpa mas não há muito a dizer… Aqui só chega o futebol, Ronaldo, Nani, a equipa da selecção nacional. Ah, e o bacalhau. (risos) Diz-se que um navio mercante português encalhou perto da nossa costa (deviam andar à pesca de Bacalhau), por isso há por cá varias pessoas de cabelo escuro e tez morena. Todos eles têm ascendentes portugueses. O nosso vocalista é bem moreno, talvez ele tenha sangue lusitano nas veias. Nem dá para imaginar o que aconteceu quando um barco cheio de marinheiros, morenos e musculados desembarcou. As miúdas passaram-se e os Vikings depressa deram cabo deles. Obviamente foi tarde demais…

os DC, sermos melhores, mais consistentes e assegurar que o público tem sempre aquilo que espera. A nossa promotora está a tentar alinhar uma tour para dar a conhecer mais dos Daisy Cutter.

Os Pinto Ferreira são uma banda

Uma pergunta diferente, qual é vossa personagem preferida de banda desenhada? Só pode ser o Calvin, do Calvin & Hobbes. O puto é fora de série! O que ele faz é épico. Tem a inteligência de um miúdo de 6 anos mas sabe perfeitamente como o mundo funciona.

Entrevista: JR Eles são o Pinto e o Ferreira e são uma banda. Cansados da vida de escritório aproveitaram as horas vagas para gravarem a sua primeira fonografia. Contaram com a preciosa ajuda em estúdio do Fred Ferreira na bateria, Filipe Valentim nos sintetizadores e Nuno Espírito Santo no baixo. Juntos ajudaram a dar vida às palavras de Pedro Malaquias. O resultado final e que os Pinto Ferreira definem como sendo um “pop rock fresco e feliz por estar vivo” está pronto e prestes a ser editado. Para já podemos ouvir o curioso single “Violinos No Telhado” no myspace e facebook dos Pinto Ferreira. O referido álbum de estreia contou ainda com as participações especiais de Gonçalo Galvão e Márcia Santos e foi produzido por Flak.

“Chamas Em Mim” é o single de apresentação dos Unaninauei

Vivemos num mundo cada vez mais global onde em minutos uma banda consegue divulgar o seu trabalho numa escala planetária. Qual é a vossa opinião em relação a isso? Vêem a internet como um aliado ou como um inimigo? Temos de lidar com o mundo que temos e não ficar irado por não ser como desejaríamos. Bem, pelo menos quando nos referimos à web. Se não os consegues vencer, junta-te a eles. É óptimo que consigas alcançar o mundo num instante, mas não somos os únicos. Por isso, o maior desafio é fazer-se notar entre tantas bandas. No fundo, tudo se resume a saber tocar, fazer boa musica, gravar bons álbuns e dar grandes concertos. Trabalhar no duro! Tens de ter um som próprio, original e isso não se aprende (talento). Como já se ouviu milhares de vezes: és 80 % de trabalho árduo, 20 % de talento. Estejamos a falar da web ou de qualquer outro meio de comunicação.

E agora, quais os planos para o futuro dos Daisy Cutter? Dar concertos sempre foi a prioridade para

Está a ser preparado o álbum de estreia dos eborenses Uaninauei. Terá como título “Lume De Chão” e tem edição prevista para o próximo verão. Já anteriormente tinham disponibilizado para audição no respectivo myspace os temas “Guilhotina” e “ Circos A Arder”. Agora chega o primeiro single “Chamas Em Mim”. Como já repararam pelos títulos, este será um trabalho que irá incendiar o panorama musical nacional com riffs poderosos e contagiantes que roçam o metal, viajam pelo progressivo, e que abraçam o rock. A acompanhar o tema “Chamas Em Mim” chega também o primeiro videoclip da banda que poderão visualizar aqui: http://www.youtube.com/watch?v=lGtH9-0IfFQ


Nuno Norte

Certamente muitos conhecerão o próximo convidado, Nuno Norte. Em parte devido à sua participação e vitória da primeira edição de Ídolos. Mas, para quem não sabe, ele é muito mais do que isso. Aliás, muitos anos antes dessa participação já o Nuno cantava fado com os seus tios. Era apenas o início de uma bela história sobre um amante de música que quer entrar para a história como compositor de grandes canções de rock. E diga-se de passagem, está no bom caminho...


Comecemos pelo início de tudo. Lembras-te de como começou esta tua aventura na música? Bem eu comecei muito cedo. Nasci na Marinha Grande e tenho vários cantores e músicos na família. Com 7 anos comecei a cantar fado nas casas de fado onde os meus tios cantavam, até aos 10 anos fiz teatro de revista, depois fui viver para o Porto e fiquei uns anos afastado da música e mais virado para o desporto, jogava basquetebol. Com uns 15 anos comecei a cantar rock em bandas de garagem, estávamos em plenos anos 90. Até chegar ao Ídolos, já com 26 anos, fiz muitos concertos, tive muitas bandas, de onde destaco os Parkinson que foi a que mais durou.

Um marco no teu percurso musical é sem dúvida a participação e consequente vitória na primeira edição do Ídolos. Que portas te abriu, que te trouxe de bom? Acima de tudo deu-me a conhecer a um número muito maior de pessoas. Convém relembrar que foi a primeira edição e obviamente a inexperiência era muita em termos de produção e de apoios ao programa. Deu-me um contrato com uma editora, a BMG de onde lancei um álbum Homónimo e fez com que outras pessoas no mundo da música em Portugal reparassem em mim, como foi o caso do João Gil que posteriormente me convidou a participar no projecto “Filarmónica Gil”.

É uma experiência que aconselhas? É uma boa experiencia, diverti-me muito, conheci muita gente, estive por dentro de uma produção televisiva que é uma coisa que me atrai bastante e, obviamente, correu muito bem para mim. Aconselho a quem queira experimentar, mas aconselho a levar tudo sem muitas expectativas para não se desiludirem depois. É preciso lembrar que não passar a uma fase seguinte do programa é uma probabilidade sempre presente.

Entretanto tiveste vários projectos desde os Parkinson, ao programa Ídolos, aos Filarmónica Gil, ao teu projecto a solo, entre outros. Para nos situarmos, neste momento em que projecto ou projectos estás envolvido? Bem neste momento estou mais activo com uma banda de Tributo a Nirvana (uma das minhas bandas favoritas de todos os tempos) que se chama Teen Spirits e tenho uma banda de Covers para Bares que se chama RockdaPop, onde basicamente tocamos hits Pop numa linguagem “Rockeira”.

Sei que estás a preparar um novo álbum a solo, é verdade? Que podes adiantar sobre ele? Bem posso adiantar que é um álbum Rock cantado em Português, com um pouco de pop e alguma electrónica à mistura. Eu não sei como o catalogar, vou deixar isso para os críticos, chamo-lhe Lama. O Lançamento esta previsto para o final do verão mas ainda sem data definida.

No projecto a solo contas com a

ajuda de outras pessoas? A que nível se faz essa ajuda? No projecto a solo, mais propriamente no Disco, posso contar com grandes amigos da minha adolescência, tal como o João André Piedade, ex-baixista dos “Bandemónio” e vocalista dos “Varuna“ que além de gravar os baixos do álbum é também o produtor do mesmo. Conto também com Pedro Martins na bateria (Comité Caviar) e Ricardo Cavalera na guitarra e vozes (Varuna, Touro).

Sempre te consideraste um “homem do rock”, eu também o sou, mas não achas que o rock tem sido um pouco desvalorizado, pelo menos em Portugal? Sinto que as pessoas ouvem menos rock… Sim o rock não se ouve como a uns anos atrás, mas aos poucos está a voltar. A cena dos Djs veio “roubar” um pouco a cena Rock mas sabes como é, são fases da música. Eu continuo a ouvir muito bom rock que se faz tanto no estrangeiro como aqui mesmo em Portugal.

uma nova banda do Porto onde curiosamente estive para ser vocalista mas a distância impediu que assim fosse. Destaco também uma outra nova banda do Porto que se chama “Touro”, fazem um rock muito potente com umas letras fantásticas em Português, e claro, o meu disco no fim do Verão.

E agora quais os planos para o futuro próximo? Os meus planos são tocar o máximo possível. Gostaria de fazer alguns trabalhos rock na condição de produtor e esperar que o mundo não acabe em 2012.

Uma última pergunta: qual é a tua personagem de banda desenhada preferida? Surfista prateado.

Entrevista: JR

Quais são as tuas referências musicais, aquelas que te influenciaram e/ou que te influenciam? Basicamente rock americano, anos 90, Soundgarden, Alice in chains, Nirvana, Stone Temple Pilots. Mais recentemente, The Dead Weather, Queens of The Stone Age, Foo Fighters, Them Crooked Vultures, entre outros .

Vejo que estás actualizado ao nível das novas tecnologias. Qual é a tua relação com a internet enquanto ferramenta de divulgação do teu trabalho? A internet veio ajudar muito a divulgar o trabalho das bandas. Mostras tudo ali: música, vídeos, fotos, info de concertos, contactos… Uso bastante a internet para promoção de concertos e para contacto com o público. Quando comecei a tocar, as coisas não eram assim tão fáceis. Agora posso criar um grupo no Facebook chamado “no meu tempo gravava cassetes aos meus amigos para eles ouvirem a minha música e eles emprestavam aos amigos que as copiavam também, e assim sucessivamente.

Isto da internet e a consequente partilha/pirataria da música tem gerado uma grande discussão em relação aos direitos de autor. Qual é a tua opinião em relação a isso? É um pouco controverso mas acho que cada vez mais a música devia estar disponível para download a um preço mínimo. Em relação à pirataria, não sei. Quando arranjarem uma solução avisem. Eu já tive de sacar o meu primeiro álbum da net pois não tenho um original.

Tens estado atento ao actual panorama musical nacional? Que projectos e bandas merecem a tua atenção? Não só por serem meus amigos mas pela boa música que fazem destaco os “Varuna”,

http://www.myspace.com/nunonorte


the LOYD

Os the LOYD são daquelas bandas apaixonadas pelo rock puro, sincero e enérgico. São fiéis aos seus ideais e prova disso é a estreia em álbum intitulada “Love And Revolution” que deve ser mesmo traduzido à letra. Amor e revolução é o que prometem. Mas para saber um pouco mais sobre o que pensam, a MARSUPIAL esteve à conversa com Jou Maia, vocalista e guitarrista da banda que respondeu sem manhas e directo ao assunto, ou não fosse ele um homem do rock.

Conheço-vos desde o início, no entanto, acredito que este é talvez o princípio de um novo ciclo. Com o vosso álbum de estreia finalmente cá fora, qual é a sensação? É realmente um novo capítulo na vida dos the LOYD? A sensação é óptima - finalmente um álbum! Deve ser a mesma sensação de qualquer banda que muito lutou e muito trabalhou para conseguir ter um trabalho de longa duração. Isto é, penso eu, um sonho para qualquer um que queira vingar n0 mudo da música. Em relação ao novo capítulo acho que o disco vai trazer coisas - e já estamos a notar isso - que o nosso ep “Done” não trouxe o que é, penso eu, normal.

O título “Love And Revolution” tem alguma coisa a ver com esse facto? Falem um pouco deste vosso álbum de estreia… Sim um pouco. “Love” porque, já que as dificuldades existem e muito, é preciso mesmo muito amor, dedicação, tempo e compreensão para se conseguir fazer o que fizemos. “Revolution”, porque sentimos que estamos a remar contra a maré. As bandas estão a seguir o caminho mais fácil ao cantar em português e não se importam com a qualidade da música que produzem.

O que interessa é ser cantado na língua de Camões. Actualmente, para muitos, a boa música é feita com cordas e um balde a fazer de baixo, pratos de cozinha em vez da bateria e sinceramente não sei o que é que se passa, nem onde isto vai parar... são modas também, em que se não gostares daquele gajo que toca bateria, guitarra, canta, arrota e faz tudo ao mesmo tempo já não percebes nada de música e por isso tens deir ver e ouvir, porque fica bem, é fixe e estás “in”. Daí a palavra revolução. Mais do que um facto consumado, a palavra deve ser entendida como uma intenção, uma tentativa e o nosso contributo para mudar um pouco o que se passa no mercado nacional, porque não nos revemos nos modelos actuais. Em relação ao disco: é um álbum de rock puro que apesar de não inovar não tem passado ao lado de quem o ouve e de quem nos vê ao vivo. Apesar do nome gigante dos Beatles estar no álbum através da nossa versão de “Help!” como nosso primeiro single do álbum, está longe de ser o nosso melhor tema. Está muito boa e segue na perfeição o estilo da banda mas penso que músicas como “Alone”, “I Have Fear”, “To Be One”, “Have To Get Up”, “Round two”, “Promise You”, estão de certa forma muito superiores. É um disco que não está dirigido a um público específico.É um álbum para toda a gente,

não tem barreiras de idades, de sexo, de estilos musicais e penso que todos, independentemente do estilo que mais gostam, conseguem ouvir e gostar de “Love And Revolution”.

Este trabalho foi nascendo ao longo do vosso percurso, foi algo pensado ou nasceu espontaneamente? É óbvio que quando começámos a ver que isto é realmente o que queremos fazer da vida precisamos de um álbum e não isso não se resolve de um dia para o outro. É pensado claro.

Sei que foi gravado e produzido também por vocês. Sentem que foi melhor assim, puderam explorar e “brincar” um pouco com o vosso som e fazer algo que fosse de encontro ao que vocês queriam? É para repetir no futuro? Sim é para repetir! Aliás, já estamos a trabalhar em novos temas para um trabalho posterior... experimentámos e não queremos outra coisa. Produzirmos e arranjarmos as músicas ao nosso gosto, sem termos de estar preocupados com o que o produtor vai achar e pensar, é muito melhor e dá-nos mais espaço para a criação e também mais espaço para inventar e


experimentar. Devia ser um caminho que todos deviam experimentar.Digo isto porque já estivemos dos dois lados.

e claro, estava à espera de mais e claro, nunca me canso de ouvir “Foo Fighters”, “Nirvana”, “Ramones” e por aí...

Acreditam na força da música pela música, sem qualquer outro tipo de factor, ou máquina “promocional” por detrás?

Bem… álbum cá fora, videoclip também, planos para o futuro?

Eu queria acreditar que sim, mas não vejo nada.

Vivemos numa era global onde a informação corre a uma velocidade louca. Um artista grava um disco, coloca-o no myspace e em poucos minutos consegue chegar a milhões de pessoas. Qual é a vossa opinião em relação a isso? Talvez não seja muito benéfico para a música... acham o mesmo?

Vamos com calma pois há muitas coisas que podem acontecer e temos muitas decisões para tomar nos tempos mais próximos, o que é positivo.

sonagem de banda desenhada preferida? É o EMCIMADETINUNCAMECANSO…

Entrevista: JR

Uma última pergunta. Qual é a vossa per-

Acho positivo no aspecto da tua música ir além fronteiras em segundos e chegar ao maior número de ouvidos também em segundos... o lado negativo acaba por ser a possível vulgarização da música porque hoje em dia qualquer um pode fazer música. Consegues ter a tua música ao lado de bandas como “Metallica” ou “Foo Fighters” e isto sem nenhum tipo de selecção ou filtro. [risos] Isso é bom ou mau? Sinceramente não sei e julgo que ninguém ainda o sabe...

E em relação à pirataria /partilha da música via net. Acham que “fazer o download de uma música é a mesma coisa do que roubar um carro”? Não, roubar um carro é mais difícil. Ai tu não sabias???

Em relação ao panorama musical nacional têm estado atentos? Que têm ouvido? Não tenho estado atento porque não me interessa e porque me enervo ao ouvir certas coisas... gosto muito de, de, de, de... não me esta a ocorrer o nome... [risos]

E ao nível internacional? Sim, aí já estou um pouco mais atento. “Alice in chains” está muito bom, “Biffy Clyro” muito bom também, “Muse”. “Them Crocked Vultures” desiludiram-me, estava à espera de mais

http://www.myspace.com/loydband


The Soaked Lamb

Os The Soaked Lamb voltaram, desta vez de chapéu, sentados e prontos para nos darem muita música. Mas música a sério, daquela que nos dá vontade de levantar e dançar sem parar. No entanto, aconselham a não nos levantarmos e a ouvi-los sentados. Dizem que é por causa da gravidade. Nós aceitamos o conselho mas quisemos saber mais. Eles, sem nunca se levantarem, explicaram tudo, tim tim por tim tim…

Vocês editaram recentemente o vosso segundo álbum “Hats & Chairs”. É mesmo um disco para se ouvir sentado? Como o definem? É um disco para se ouvir sentado. Bem sentado. E de preferência de chapéu. Mas chegaram até nós relatos de pessoas que ouviram o disco em pé e mesmo assim não se arrependeram. Mas desconhecemos se estariam de chapéu. Os nossos concertos, tal como os discos, têm um carácter intimista. A música que fazemos soa melhor se todos estivermos sentados. Nós e o público. É uma questão de gravidade. Pode ser que alguém até abane o pé mas até isso dá mais jeito de perna cruzada. Este “Hats & Chairs” é um álbum enraizado na música que se fazia na América da primeira metade do século passado, nomeadamente nos blues. Mas tem ramos bastante compridos e fortes como o Swing, o Ragtime, o Jazz, entre outros, e alguns até nasceram muito depois dessa época. E não desprezamos as folhas mais verdes e viçosas que têm pouco tempo de vida.

Este é um novo capítulo na vida dos The Soaked Lamb ou é um continuar do anterior trabalho? É um novo capítulo que continua o trabalho anterior. O enredo é o mesmo mas tem outro desenvolvimento. O primeiro disco é “homemade” tal como o seu nome e foi gravado mesmo antes de existir banda. Este segundo já é o produto duma banda que tem uma personalidade própria, um número fixo de elementos (apesar de contar esporadicamente com alguns convidados), muitos concertos e que foi desenvolvendo o novo álbum desde os concertos de promoção do primeiro disco até ao momento das gravações. E foi todo gravado em estúdio. Conta ainda com mais instrumentos. Muito mais instrumentos. Este álbum tem treze temas, todos originais, ao passo que o anterior dividia os louros e os cravinhos, com versões de outros artistas.

O que é que vocês querem transmitir com a vossa música no geral, e com “Hats & Chairs”

em particular? Nós fazemos as coisas tão devagar que não sobra tempo para pensar muito nisso. Fazemos a música que gostamos. Isso é o mais importante para nós. E fazemo-la como se ela fosse durar para sempre e não para ser consumida e deitada fora. Como se cada música fosse um standard que ainda não tinha sido escrito.

Vocês conseguem percorrer várias décadas no vosso álbum, desde as décadas 20 e 30 até à actualidade. Quais são as vossas referências musicas? São muitas e variadas. São nomes como: Rev Gary Davis, Blind Blake, Django Reinhardt, Screamin’ Jay Hawkins, Vinicio Capossela, Ruth Etting, Tom Waits, Billie Holiday, Bessie Smith, Howlin’ Wolf, Leadbelly, Sanseverino, Colette Magny, Nina Simone, Chavela Vargas, Libby Holman, Paolo Conte, Ethel Waters, Ogres de Barback, Vera Hall, Chico Buarque, The Mills Brothers, Klezmatics, Squirrel Nut Zippers. E muitos, muitos mais.


The Soa

Apresentaçã ked Lamb o ................ do CD "Hats & Chair s" ................ ............. Data: 31 d e Local: Ivity Março de 2010 E Nº20, em mpty Room, Jardim Lisboa 9 de Abril, ................ ................ ........... fotos: Man uel Portug al


Mas principalmente a música que se fazia antes da segunda guerra mundial e da massificação da indústria musical.

Entretanto têm apresentado o vosso trabalho em algumas das salas de concertos do nosso país. Como está a decorrer? Estamos a ser muito bem recebidos por onde temos passado. Repetimos alguns palcos mas a maioria dos locais até são novidade para nós. E nós para eles. As reacções do público e da crítica têm sido muito positivas. Uma surpresa muito boa e que suplantou as nossas melhores expectativas e as mais pessimistas. Aconteceu-nos um episódio absolutamente inédito, no Porto: algumas pessoas do público cantaram as nossas músicas enquanto as tocávamos. E estavam de pé.

Li que vocês são seis mas que tocam mais de uma dúzia de instrumentos. É verdade? Como funciona isso ao vivo? A grande maioria da banda é modesta e contida e foca-se apenas num só instrumento. O Miguel toca bateria, o Vasco piano, o Gito contrabaixo e a Mariana canta e toca saxofone. O problema é que os restantes dois elementos, o Afonso e o Tiago, conseguem a proeza de tocar mais de uma dúzia de instrumentos entre eles. São multi-instrumentistas mas não se orgulham disso, até porque lhes dá bastante mais trabalho. A maioria são instrumentos pequenos e por isso ainda vão cabendo em palco. São harmónicas, ukuleles, trompetes, clarinetes, saxofones, etc. Alguns são maiores, como guitarras, banjo e lap steel, mas nada que não caiba numa mala dum automóvel pequeno.

Vocês têm estado atentos a outros projectos e artistas nacionais? Quais são aqueles que merecem a vossa atenção?

musicais, no entanto, nem todos os artistas a vêem com bons olhos. Qual é a vossa opinião em relação a isso? Realmente vivemos numa época confusa. Mas a internet não tem culpa nenhuma disso. É apenas uma ferramenta como outra qualquer e, se bem usada, ajuda a construir muita coisa boa. É muito útil e nós adoramo-la. Nesse aspecto não somos nada vintage. Forçou uma indústria corrompida e viciada a mudar e a ser mais criativa e a acreditar mais na criatividade alheia. E isso só pode ser positivo. Hoje em dia qualquer um pode gravar uma música em casa e fazer-se ouvir nos quatro cantos do Mundo. Claro que isso por si não faz uma boa música. Mas faz descobrir muita coisa boa que de outra forma nunca sairia de uma garagem qualquer. E as coisas boas continuarão a ser boas e as más não deixarão de ser más por causa da internet. Temos acesso a mais coisas. Muito mais coisas. E para bandas com a nossa dimensão é fundamental chegar ao máximo de pessoas possível porque ainda tocamos para um nicho. Quem ganha realmente muito dinheiro com a venda de músicas são as editoras multinacionais. Não são os artistas. Nunca foram. Quem é que estará mais preocupado com os downloads ilegais?

Bem, e agora o que se segue? Quais são os planos para o futuro que se avizinha?

mas ainda é um pouco cedo para adiantar mais pormenores sobre isso. E já começámos a pensar nas músicas que farão parte do terceiro capítulo da banda, o sucessor deste “Hats & Chairs”.

Qual é a vossa personagem de banda desenhada preferida? Seria difícil encontrar uma que agrade aos 6 da mesma forma. Mas tendo que optar por uma que tenha a ver com a banda, a escolha recai em Corto Maltese. Principalmente por usar chapéu. E porque nasceu na mesma altura que nós, no início do século passado.

Esta última pergunta fica ao vosso cargo. Pode ser? A resposta fica ao vosso. Pode ser?

Curiosidade: Como surgiu o nome The Soaked Lamb? Essa questão tem perto de 80 anos e é quase tão velha como nós. O nome veio da ementa dos longos almoços de Domingo, quando se fizeram as primeiras gravações. O ensopado de borrego foi um prato recorrente. E a tradução literal uma consequência do vinho tinto que o acompanhava. Entrevista: JR Fotos: Claudio Balas

Estamos a acabar a tour nacional de promoção ao “Hats & Chairs”. Depois disso estamos a planear com a nossa agência de booking (Rewind Music) uma pequena tour internacional e que acontecerá mais para o Verão. Estamos também a preparar uma outra edição especial

Gostamos muito de Dead Combo. Todo o trabalho deles é muito especial e muito bem feito. Tem uma personalidade muito forte e uma sonoridade e trabalho de composição de grande nível. Outra das bandas que não nos cansamos de ouvir são os A Jigsaw. O último disco deles é particularmente bom. E recomendamos. Além disso, são excelentes ao vivo.

Vivemos uma era “confusa”, a internet tem actualmente um papel importante na divulgação dos projectos

http://www.myspace.com/thesoakedlamb


:papercutz

Neotropic, Spandex e Signer) tiveram críticas positivas e daí surgiram convites para o apresentar ao vivo. É nesta fase que decido reunir um pequeno núcleo de músicos (a Melissa entretanto voltou para os Estados Unidos) para interpretar o álbum ao vivo e dar continuidade ao projecto de uma forma mais humana, com mais atenção aos instrumentos acústicos e à voz. Falo da nova voz de :papercutz, a Marcela Freitas e de alguns músicos convidados, com raízes na música erudita, na electrónica e na música popular e que fazem agora parte desta encarnação dos :papercutz no formato banda. Nos últimos concertos fomos quatro em palco mais uma pessoa encarregue dos visuais. O nome surge como forma de descrever as músicas, não pela sua estética mas antes pelo processo de composição. A ideia é uma analogia entre o cuidado que as músicas têm e a atenção ao detalhe (além do trabalho quase plástico com fontes sonoras no início do projecto) e a arte ancestral que existe em várias culturas de criar formas através do corte de papel (papercuts). O próprio nome da primeira demo (Articulated forms) tanto leva para esse contexto como para a nossa existência numa sociedade, o facto de sermos elementos de um todo como formas articuladas. Os dois pontos e o z surgiram para criar um nome próprio e por uma questão estética. Uns parecem gostar, outros não. No meu caso gosto sobretudo de ver o nome impresso.

Antes do álbum de estreia tu viste a tua música publicada em diversas compilações ("Novos Talentos Fnac" por exemplo). De que maneira consideras que este processo te ajudou a dar a conhecer ao mundo?

:papercutz começou por ser o projecto de Bruno Miguel. Actualmente o projecto evoluiu para se tornar uma banda. Uma banda que se tornou num dos raros casos de sucesso a sair de Portugal para a cena internacional independente da música electrónica. Dotado de um experimentalismo electrónico adocicado com melodias de cariz pop, por vezes erroneamente confundido com elitismo musical de difícil acesso, :papercutz é a busca incessante pelo equilíbrio entre o som orgânico e inorgânico. Depois de ver o seu trabalho incluído em diversas compilações, assina em 2007 pela editora independente canadiana Apegenine (David Kristian, Emanuele Errante, Hunz, etc...). Em 2008 é editado o seu álbum de estreia Lylac, que é aclamado pela crítica nacional e internacional fazendo com que seja atribuído, em 2009, o prémio "Off the beaten track" dos The People's Choice Awards assim como o prémio "Ones to Watch", numa iniciativa conjunta do Myspace Internacional com a Vodafone.

André Carvalho - Antes de mais, para localizar os nossos leitores, em que circunstâncias surge o projecto :papercutz (e já agora o cliché, porque :papercutz?) que começou por ser um projecto a solo e agora já é uma banda a sério? Bruno Miguel - O projecto nasce com um trabalho promocional de nome "Articulated Forms" (e o resumo sob a forma de E.P. que sai pela Portuguesa Test Tube) que fui compondo no tempo livre entre ensaios e concertos que tinha com a banda em que estava na altura, os Oxygen. A ideia inicial era simplesmente explorar um registo diferente com a colaboração de vocalistas,

uma mistura da estrutura de canções e instrumentais e com uma linguagem mais ecléctica. O meu trabalho teve umas criticas simpáticas e depois de algumas compilações decidi dedicar-me por inteiro a :papercutz (porque senti que era o caminho ideal para poder evoluir). Assim nasce o álbum "Lylac" com a voz da americana, de raízes Portuguesas, Melissa Veras. O álbum é editado pela Apegenine Recordings de Montreal, Canadá, uma pequena editora independente mas com catálogo bastante interessante com nomes como David Kristian, Khonnor, Emanuele Errante, Julien Neto entre outros, Pareceume ideal para o meu trabalho. Tanto o álbum como o single Ultravioleta rmx's (com remisturas de The Sight Below,

http://www.myspace.com/papercutzed

É preciso distinguir as compilações portuguesas das outras já que a que mencionas, por exemplo, apenas tem um efeito nacional. Base One: Paradox City V.A. (com o Armando Teixeira, Ka§par, Pitch Boys e outros) e Os Novos Talentos Fnac serviu para chamar atenção de algumas rádios, ouvintes e outros meios que não nos conheciam. São uma boa forma de descobrir novos projectos e eu mesmo vou sendo bem surpreendido de tempo em tempo. Lá fora as compilações servem também para chamar a atenção de editoras que procuram novos artistas pois é um mercado mais saudável e consequentemente com maior número de edições.

Devo confessar que a primeira música que me chamou a atenção para :papercutz não foi um original mas sim um remix para a música Camaleão dos Peixe : Avião (principalmente o sample de voz atrevido do início). Revisitaste também de forma deliciosa a "Forbidden Colours". Podemos esperar no futuro por mais remisturas de :papercutz? Em termos de remisturas já recebi alguns convites mas infelizmente não tenho tido o tempo disponível para os aceitar. Tenho um ou outro pendente neste momento que posso vir a fazer aproveitando o tempo de estúdio do próximo álbum. São experiências muito boas que aconselho porque permitem duas coisas: que nos afastemos por um tempo do nosso percurso, o que tem coisas boas e outras chatas e por outro lado pegarmos no trabalho de outros e recriá-lo com a nossa assinatura, pensando no que define o nosso som e respeitando a música original.


Uma das características que torna :papercutz mais interessante é a capacidade de conjugar sons digitais (electrónica pura e dura) com diversos sons analógicos (cordas, piano, etc..). Como é que atingiste este equilíbrio? É um processo em evolução e penso que, embora haja um equilíbrio, ainda não está perfeito. Desde que me lembro de escrever música que me interessa a mistura entre electrónica e instrumentos orgânicos. Simplesmente com o tempo houve um troca da instrumentação eléctrica para os instrumentos acústicos e registos mais próximos de música erudita, ou clássica embora o termo clássica se refira a um período de tempo que não é aquele que invoco já que estou mais próximo do minimalismo contemporâneo.

Quando partiste para o álbum de estreia Lylac tinhas alguma ideia pré concebida ou foram ideias que foram desenvolvidas à medida que ias "pondo as mãos na massa"? Eu trabalho muito com conceitos já que me facilita a composição. Dessa forma passo a dispor de uma linha que acaba por definir todo o trabalho e me ajuda nesse caminho da composição, nem que seja a descartar o que não interessa. Houve uma fase inicial de criação do conceito e do que pretendia do álbum, antes mesmo de pegar num instrumento e depois foi um longo trabalho pois nunca tinha escrito um álbum sozinho, tanto a nível musical e de produção como na escrita das letras. No entanto, em estúdio é sempre importante experimentar novos processos e por vezes partir de erros para situações que não teríamos chegado lá de outra forma. Ou seja, é preciso manter uma mente aberta e embora possamos ter uma ideia original ela nunca se deve impor à parte mais importante que é a criatividade musical.

Sabemos que estás prestes a entrar em estúdio, o que irá variar nos métodos de gravação deste novo álbum? A grande diferença vai ser que para além de gravar com a Marcela vou ter músicos convidados numa forma de enriquecer a musicalidade do álbum, uma vez que sou um interprete mediano na maior parte dos instrumentos que gravei, e de forma a ter um maior leque de opções.

Como surgiu a tua associação à Apegenine? Na altura de procurar uma editora compilei alguns temas do álbum numa demo e enviei para editoras nacionais e estrangeiras. O interesse veio das editoras estrangeiras. A Apegenine foi uma delas e achei que o "Lylac" fazia sentido no catálogo dela. A ideia é procurar editoras onde os trabalhos se encaixem e façam sentido para o seu mercado. Felizmente hoje em dia o interesse das editoras por :papercutz é maior e consigo mais facilmente casas para os meus trabalhos.

Tal como outros artistas, tu também editaste e vais editar remisturas de temas teus por parte de outros artistas. Como funcionam essas colaborações e quem faz essas escolhas? Essas colaborações funcionam numa base de respeito artístico e empatia. Basicamente eu escolho os nomes que me interessam e a editora também sugere alguns nomes projectando o resultado final pretendido. Depois, ou os contacto directamente, sobretudo se já os conhecer, ou esse contacto fica a cargo da editora. A primeira fase é um misto de trocas de opiniões sobre o trabalho em causa e depois encontramos o caminho para as suas recriações. Existem artistas que sem nenhum tipo de opinião conseguem um resultado fantástico à primeira e outros que necessitam de alguma direcção.

No estrangeiro existe um enorme interesse pela tua música, ainda maior do que aquele que existe dentro de portas. Estiveste no SXSW, recebeste um People's Music Award...Com que olhos vês isso? Não somos assim tão pouco conhecidos cá, nem somos assim tão conhecidos lá fora mas existe esse interesse sim. Em relação a Portugal, começámos do zero, sem nenhum tipo de hype ou de apoio editorial ou da rádio porque a nossa editora não estava representada cá. Felizmente hoje em dia, embora ainda tenhamos muito que percorrer e público ao qual chegar, as cópias do "Lylac" estão a esgotar. Temos bastantes convites para concertos (os quais paramos em Setembro), já estivemos em

várias rádios com nossa música e fomos entrevistados por um vasto leque de publicações, embora os grandes meios teimem em classificar a nossa sonoridade de complexa ou elitista. Isto foi possível através de muito trabalho e de quase dois anos de concertos com cerca de 50 datas até ao momento. Admito que nossa música não é fácil e precisa de tempo para se conhecer, mas rejeito este atestado de estupidez aos ouvintes Portugueses. Lá fora é outro mundo, não existem esse tipo de questões porque há nichos de mercados e a música independente e original é das mais valorizadas. O nosso próximo objectivo passa precisamente por continuar a dar concertos lá fora sobretudo em festivais com alguma relevância como o SXSW para o qual fomos felizmente escolhidos e que prova as minhas anteriores palavras pela diversidade de música proposta. Os prémios que temos recebido são importantes pois validam o nosso trabalho e afirmam o interesse na nossa música, abrem algumas portas mas não é para nós o mais importante. O mais importante é chegar às pessoas fazendo a música que se gosta.

És mais um dos "filhos" do Porto a vingarem no mundo da música. Que importância tem a Invicta na música que produzes? Começa a ser inegável a força da cultura no Porto mas não sei até que ponto é que as pessoas já aprenderam realmente a viver a cidade, a percorrer a cidade, a ter hábitos e a potencializar a cultura e entretenimento oferecido. No meu caso e referindo-me à música em particular, tive a felicidade de ver o Steve Reich ou o Bernardo Sassetti na casa da música, o Michael Nyman em Serralves, o Ricardo Villalobos no Sá da Bandeira, um dos primeiros concertos dos Dead Combo nos Maus Hábitos, conhecer o Rafael (The Sight below) no Passos Manuel, facto que levaria a mais tarde o contactasse para a incrível remistura que fez de :papercutz e todos eles, entre muitos outros me inspiram pela sua originalidade e criatividade, o que poderia ser diferente se as minhas origens fossem noutro lugar. No entanto, e em relação à música que faço e às suas raízes, considero-me mais que do Porto ou Português, sou um cidadão do mundo.

"Já agora e em tom de curiosidade, que artistas/músicas andas a escutar com mais frequência ultimamente?" No record store day comprei Tomorrow, In A Year dos The Knife que comecei agora a ouvir. Não é fácil mas é recompensador. Descobri, através da dica de um amigo, um grupo muito bom (que vem cá!) que são os HEALTH. Olha, vê este vídeo...e o novo da Joanna Newsom que é altamente recomendável. Descobri também estes Balmorhea e queria ver se comprava o novo do Sassetti...é dos poucos que me faz colecionar a discografia.

Entrevista: André Carvalho


Com que letras se escreve o metal em português? www.abcdemonium.blogspot.com/

Por

Hugo Guerreiro

Com que letras se escreve o metal em português? Com várias, de vários estilos, géneros (e sub-géneros). A pergunta pode parecer desajustada ou descontextualizada mas faz todo o sentido. Cada estilo descreve-se automaticamente com cada interpretação ou através da audição pessoal que cada um faz do mesmo. Daí que seja difícil reconhecer qualidades a uma banda, ao mesmo tempo que desgostamos de outra de estilo distinto. Completamente diferentes são as sensações que nos oferece o regresso de uma banda que em dada fase da nossa vida nos influenciava, nos levava a adquirir os seus discos e a seguir as suas entrevistas e fotos nas fanzines (da altura). Muitos seriam os projectos que poderiam ser recuperados para esta resenha. Hoje só aqui deixarei um. Os Inhuman. São um colectivo formado em 1992, entretanto regressado ao activo com novos temas e novos concertos. Um longo hiato na actividade da banda, dez anos mais exactamente, interrompido em 2008 com o regresso deste colectivo de Silves. Voltemos então atrás. Há doze anos a banda gravava em Inglaterra com Simon Efemey o seu último disco de originais. “Foreshadow” marcava uma evolução no som da banda. Com um produtor conhecido pelos trabalhos com Paradise Lost, é com alguma naturalidade que encarámos o som do grupo nacional bastante aproximado da banda inglesa. “Foreshadow” possivelmente foi um disco incompreendido mas o certo é que doze anos depois mantém uma actualidade interessante. A esta altura sinto uma necessidade de recuperar algumas bandas. Se o Marsupial me permitir os Inhuman serão apenas a

primeira (re)aparição, alternando isso com novos nomes, novas tendências. Sem querer soar a conclusão, os Inhuman publicaram em 2009 três temas no seu myspace (www.myspace.com/inhumanpt), faixas que contêm uma actualidade gritante. A banda soube reinventar-se com a fórmula mais básica de todas. Recuperou algumas coisas que não se sentiam no seu último disco de originais, como uma maior distorção, uma vocalização mais agressiva mas o melhor elogio é que a banda soube fazer do seu regresso uma novidade e uma conquista. Conquista de novos fans e de outros mais antigos. A sugestão é nossa, a audição é de todos. Dos novos e dos velhos temas que a banda tem pelo seu myspace e espalhados noutros lados. Só fica a faltar um novo disco. Se este texto ajudar…


Blind Charge A banda que se segue chega-nos do Porto e trás na bagagem muito rock: duro e poderoso. E sempre de enorme qualidade. Chamam-se Blind Charge e 2009 foi um ano de muita actividade, quer a nível de discos – editaram o EP de estreia “Pieces OF A Black Box” e o single “Mr. Ocean” – quer a nível de concertos onde aproveitam sempre para partilhar a electricidade caótica que os caracteriza. E foi precisamente o ano transacto o mote para a conversa que se segue.

2009 foi um ano bastante activo para vocês: lançamento do EP de estreia, tema extra com videoclip, e ainda uma agenda de concertos bastante interessante… Que balanço fazem de 2009? Que vos trouxe de bom? Temos de reconhecer que sim. Foi um ano bastante positivo, onde pudemos tocar bastante, rodar bem as músicas e onde principalmente nos divertimos muito.

tempo. Como definem o vosso som?

músicas e em especial com os trabalhos que editaram?

Somos rock. Temos influências de todos os lados, mas acabamos por ser rock!

Cada pessoa é livre de retirar da nossa música o sentimento, a força, a energia que bem entender. Nós fazemos música sincera, ao nosso gosto e na qual nos revemos, a partir daí cada um que a ouvir vai retirar da música algo diferente dos outros.

Como já referi, editaram em 2009 o “Pieces Of A Black Box” o vosso EP de estreia, e depois o tema “Mr. Ocean”. O porquê destas edições separadas? Se existe uma explicação…

Sim. Tivemos um feedback muito bom por parte de todos, principalmente a partir do lançamento da Mr. Ocean. Desde as pessoas que sempre nos acompanharam até às pessoas que não nos conheciam notamos uma aceitação muito positiva e nalguns casos bastante surpreendente.

Claro! Nós acreditamos bastante no EP mas a certa altura sentimos a necessidade de demonstrar algo mais. Decidimos testar a simplicidade! Contactámos o Davide Lobão, que é um grande amigo, para a pré-produção; para a gravação e mistura falamos com o Daniel Carvalho, amigo de longa data e para o vídeo falámos com o António Conceição que fez o vídeo com o Telmo, nosso guitarrista.

O vosso som é poderoso e acaba por ser rock e metal ao mesmo

O que querem transmitir às pessoas que ouvem as vossas

O feedback das pessoas que vos foram conhecendo foi bom?

Pelo que me pareceu tiveram uma agenda bastante interessante e percorreram um pouco o país para apresentar o vosso EP. Sentiram, entre os vários pontos do país, diferenças na aceitação do vosso som? Onde, na vossa opinião, há mais aceitação e mais entrega por parte do público? Existem sítios onde a aceitação é diferente de outros mas isso às vezes depende dos dias, das pessoas que aparecem, etc. Mas felizmente podemos dizer que em vários pontos do país tivemos muito bom


Mr. Ocean ...é o mais recente single dos Blind Charge para o EP "Pieces of a Black Box". O video para esta música pode ser visto no myspace da banda em http://www.myspace.com/blindcharge, ou no youtube através do link: http://www.youtube.com/watch?v=r4CqtKr6WEE

feedback. Em relação a esta mini tour que fizemos, tivemos sempre boas casas e foram sempre bons concertos. Julgo que foi um momento especial para toda a banda, perceber a diferente forma como as pessoas começaram a olhar para nós.

Qual é a vossa actual opinião em relação às iniciativas e locais para concertos. Existem em número suficiente e com uma qualidade aceitável? Julgo que cada vez existem mais sítios para as bandas tocarem, mas a nível de qualidade julgo que ainda há muito a fazer. Muitos dos bares não oferecem grande qualidade às bandas. Já começa a haver algumas excepções mas nem sempre as condições são as melhores.

Sobre o panorama musical nacional, que bandas nacionais têm ouvido e merecem a vossa atenção?

Chemical Wire, Roulote Rockers, Raiz Urbana, O Bisonte, Homem Mau, Solid, Death Will Come, O Diligente, O Monstro, basicamente tudo aquilo que não passa na rádio.

E ao nível de bandas internacionais? Muita coisa mesmo! É difícil enumerar! Mas podemos dizer-te que o último álbum que nos deixou de boca aberta foi o "Sound Awake" dos Karnivool.

Bem, e agora que se segue? Existe já material novo, novas músicas?

Mensagem para o público em geral. Ouçam muita música, procurem muita música também. Não deixem quem sejam sempre os mesmos a decidir o que vocês ouvem. E leiam e reencaminhem a Marsupial porque é preciso apoiar o raro jornalismo musical de qualidade que ainda existe.

Entrevista: JR

Estamos neste momento a pré-produzir o nosso primeiro álbum! Ou seja, roupagens novas nalgumas músicas, malhas novas, ideias novas e muito trabalho.

Qual é a vossa personagem preferida de banda desenhada? Os irmãos Du Pon! E a seguir o Marsupilami sem dúvida! (risos)

http://www.myspace.com/blindcharge


Electric Willow

Os Electric Willow podem passar ao lado dos menos atentos mas são daqueles projectos que mal se atravessam no nosso caminho nos cativam e nos fazem apaixonar. Com apenas 5 anos de existência contam já com 4 discos, dois EP’s e dois álbuns, todos eles belos registos recheados de deliciosas melodias em formato canção. Pondo isto, há a necessidade de saber mais. Pedro Geraldo (bateria e percussão) prontamente se disponibilizou para nos esclarecer tudo sobre a electricidade e o salgueiro.

Antes de mais, como apareceu o nome Electric Willow? O nome tem que ver com a paisagem natural em que se enquadra o nosso local de ensaio, um cenário campestre onde o salgueiro (willow) é a árvore que predomina. A electricidade é aquele recurso vital à música que fazemos.

Esta aventura começou como e quando? Começou após a dissolução dos Caffeine em 2005, banda a que pertencia o Cláudio Mateus. O Cláudio tinha uma séria de temas em mão, pretendeu gravá-los e editá-los com um outro projecto que lhe permitisse outras abordagens e sonoridades. Através do Adílio Sousa, que já estava a trabalhar no que viriam a ser os Electric Willow, foi-me apresentado o Cláudio e o respectivo projecto, isto no início de 2006. As referências musicais em comum eram mais que muitas e facilmente se criou uma cumplicidade que permitiu ao fim de meia dúzia de ensaios avançar para estúdio para assim ser gravado o 1º disco, Mood Swing.

Entretanto, depois de 3 ep’s e 3

álbuns, que balanço fazem? Como tem sido o feedback por parte de quem vos ouve e vos fica a conhecer? O balanço é extremamente positivo. Temos um percurso de constante evolução, não só musical mas também de alargamento e fidelização do nosso público. Temos vindo a conquistar aos poucos um grupo mais vasto de gente que aprecia o nosso trabalho. Não somos propriamente uma banda para o grande púbico mas quem nos vai conhecendo acaba por gostar da nossa música e começa a acompanhar o que vamos fazendo.

Vocês mostraram-se produtivos nestes ainda curtos anos de existência… As músicas que foram editando são músicas que estavam nas vossas gavetas ou são canções que foram surgindo com o tempo? Como funciona todo este processo, desde a composição à edição? As músicas têm surgido à medida que a banda vai evoluindo. As canções vão sendo compostas pelo Cláudio que as apresenta

nos ensaios. A partir daí vem o trabalho da sala de ensaio onde existe o envolvimento do trio em que vamos partilhando ideias e colaborando numa orgânica de constante comunicação até chegarmos ao nosso som final. Quando achamos que as canções atingiram um nível que nos satisfaz partimos para estúdio, ou será mais correcto dizer que o estúdio é que parte para nós visto que até agora temos utilizado quase sempre a nossa sala de ensaio onde fazemos algumas captações com o estúdio móvel do José Arantes (um dos nossos colaboradores ligados à Honeysound) que além do papel de engenheiro de som tem acumulado também o de produtor. Após as primeiras captações onde se criam as bases todo o resto do trabalho, desde vozes, teclados e percussões, é efectuado no estúdio do José Arantes em Barcelos assim como a mistura final.

As canções dos Electric Willow falam de quê ou de quem? E onde se inspiram os Electric Willow? As canções revelam sempre de alguma forma as vivências, estados de espírito e perspectivas intimistas daquilo que nos


rodeia e das relações humanas. Alguns temas remetem também para o imaginário das nossas leituras.

discos através de concertos o que tem garantido a sobrevivência económica da banda.

Quais são as vossas referências musicais?

E em relação ao actual panorama musical nacional, recomendam?

Os grandes compositores de canções de sempre e de alguma forma os criadores desta cena toda como Neil Young, Bob Dylan, Van Morrison, Leonard Cohen, Lou Reed, Tom Waits são efectivamente uma sólida referência mas depois cada um dos elementos dos Electric Willow tem as suas preferências muito diversas que vão desde The Who, Led Zeppelin, Stooges, Talking Heads, Tony Allen, Violent Femmes, Neu!, Bill Callahan, Sonic Youth, Butthole Surfers, Captain Beefheart, Pavement, Silver Jews, The Fall, entre outras.

Algumas bandas ligadas à Honeysound como o Partisan Seed, Intermission, Biarroz têm produzido alguns trabalhos de grande qualidade. Os nossos grandes escritores de canções como José Mário Branco, Fausto, Sérgio Godinho, Zeca Afonso são e serão sempre referências inquestionáveis. Penso que de uma forma geral, a música portuguesa está a atravessar um bom momento, com uma série de projectos que vão aparecendo e furando os esquemas habituais do mainstream.

Têm andado um pouco por todo país para apresentar as vossas canções. Sentiram alguma diferença entre os vários lugares, aldeias, vilas, cidades de Portugal por onde passaram?

Estamos a trabalhar o esboço do nosso 4º disco, onde vamos tentar fugir ao que está para trás e que constituiu uma espécie de trilogia. Temos já algumas ideias que passarão, entre outras coisas, por uma aposta na fusão de sons acústicos com alguma electrónica. A nossa ideia é trabalhar este disco sobretudo com mais tempo e meios, sem criar obrigatoriamente uma ruptura com o passado.

A diferença está sempre no tipo de sala e nas pessoas que a frequentam e não na localização geográfica do espaço. Se formos tocar a um sítio onde existe o hábito de ver bandas ao vivo, em que as pessoas se dirijam a esse espaço com a intenção de ver e ouvir as bandas é óbvio que isso se

Não. Apesar disso, acho que não nos podemos queixar. Sabemos que existe um certo monopólio de determinadas promotoras que canibalizam os espaços mais atractivos, sendo difícil para uma banda como os Electric Willow, sem apoios de editoras e promotoras, chegar a determinadas salas. Mas para já, temos conseguido o retorno financeiro dos nossos

Electric Willow

Bem, e agora que se segue?

Qual é a vossa personagem de banda desenhada preferida?

reflecte numa experiência muito mais prazenteira para nós. Caso contrário, e isso já aconteceu, até mesmo em situações financeiramente generosas, torna-se algo penoso e desgastante. Sem dúvidas que há sempre esse risco, mas vamos tentando ser cada vez mais criteriosos com a nossa agenda.

Na vossa opinião, existem iniciativas e locais suficientes em Portugal para uma banda como a vossa se apresentar ao vivo?

DISCOGRAFIA:

Majestic lies (2009)

Nothing’s ever good enough (2008)

Mood swing (2006)

Bem, aqui a resposta é um bocado individualizada, eu sempre tive uma fixação pelo Valerian, o herói espáciotemporal. É uma BD de ficção científica surgida em França nos anos 60 que tem um lado meio psicadélico a que por vezes consigo associar uma série de projectos musicais.

Entrevista: JR

http://www.myspace.com/electricwillowband

Ready/Be for real (Ep - 2006)


Mão Morta – “Pesadelo em peluche” (Cobra Discos | 2010)

O Rock'n'roll Revisitado O novo disco dos Mão Morta (MM) teve como livro de cabeceira "The Atrocity Exhibition" (A Feira de Atrocidades), de J. G. Ballard. Apesar da obra do escritor não ter o mesmo peso no conceito da obra como noutros registos, este modus operandi não é novidade na já considerável discografia da banda, uma vez que a literatura foi também utilizada como mote em "Müller no Hotel Hessischer Hof", onde criaram paisagens sonoras sobre textos de Heiner Müller,ou no mais recente "Maldoror", álbum inspirado nos textos de Isidore Ducasse. Colocando em pousio os terrenos mais exóticos e de acesso mais difícil registados nos últimos trabalhos, "Pesadelo em peluche" serve como um checkpoint que regista os 25 anos de actividade de Adolfo Luxúria Canibal e companheiros com o projecto MM. Aqui e ali associamos um tema a uma outra fase do seu percurso, como é o caso do tema "Paisagens mentais", em que o ambiente sonoro nos remete para a fase inicial do grupo, mais precisamente de "Corações Felpudos" (um excelente álbum cuja produção não ficou à altura), ou em "Tiago Capitão", descrito pelos próprios como "maoísta no Tempo da revolução", que vem trazer mais um personagem ao imaginário MM, a juntar ao caótico e corrosivo "Anarquista Duval" e ao "Divino Marquês" de moral duvidosa (ambos de "O.D., Rainha do rock'n'crawl"). Já o dançável "Metalcarne", embora trajado com tecidos diferentes depressa nos traz à memória o excelente "Carícias malícias" com toda uma carga erótica e maquinal, mas desta vez com um gostinho a "Crash", o inquietante filme de David Cronemberg. Mas os regressos não são exclusivamente feitos ao universo MM. As várias costelas do Rock'n'roll são citadas em riffs que evocam bandas ou movimentos chave na identidade da banda, mesmo fugindo aos mais óbvios e menos presentes nos seus registos discográficos anteriores. No caso mais surpreendente, os Talking Heads aparecem mais ou menos assumidos na secção rítmica do tema "MetalCarne" que, excluindo os elementos mais primitivos da voz e textos de Adolfo, poderia estar incluído em "Stop Making Sense", importante registo ao vivo da banda de David Byrne. Ainda no universo Post-punk, o tema escolhido para o single "Novelos da Paixão" revela a marca que as composições dos The Fall de Mark E. Smith deixaram no seio do grupo. "Como um Vampiro", que se adivinha um futuro hino para a facção gótica dos seguidores do colectivo, é feito ao estilo dos Sisters of Mercy, com Fernando Ribeiro (Moonspell) a interpretar os textos de Adolfo Luxúria Canibal de maneira (demasiado) semelhante à que Pedro Laginha fez nos Mundo Cão. O Rockabilly, o Hard-rock ou o indie-rock têm também os seus momentos de homenagem e há até uma aragem morna vinda da Califórnia dos Red Hot Chilli Peppers soprada através de "Estância Balnear". Todas estas referências, obrigatórias nesta análise pelo papel que têm no conceito deste trabalho, suportam um álbum camuflado, onde contrastam o pânico e o algodão doce, o vazio e a promessa de eterna juventude. Sob a forma de canções (no seu sentido mais tradicional), a morte, o sexo, a religião, a política e as suas "teorias da conspiração" continuam presentes mas agora suavizados, pintados em tons de rosa tal como a televisão e as revistas os apresentam. Como quando nos noticiários repletos de caos humano, miséria, abuso de poder, ódio e chacinas em nome de deus(es) são balanceados e branqueados com doses maciças de publicidade que nos juram fazer viver o paraíso aqui na terra, bastando para isso escolher cuidadosamente a marca do creme com que nos enlameamos ou a beberagem gaseificada com que nos purgamos. Na era da televisão, onde nada dói até matar, onde a morte é pura ficção envolta em compromissos publicitários, os MM fazem um trabalho com as mesmas regras, onde a crueza e a densidade habituais na discografia da banda dão lugar a uma visão aparentemente mais descontraída, confortável, distante, em suma, "de peluche". Neste ambiente onde o brilho do sol chega a enceguecer, a heroína de outros tempos é substituída por caipirinhas e mojitos ("Estância Balnear"), a sexualidade rude e grotesca rendida por uma embriaguez erótica e psicadélica povoada por personagens mediáticas ("O Seio Esquerdo de R.P."), as ruelas decadentes trespassadas por modernas auto-estradas rumo ao sonho. Um sonho que não queremos ter. É provavelmente a nível estético o álbum mais acessível de toda a discografia dos MM e embora seja menos intenso não deixa de ser consistente, o que fará com que daqui saiam vários cartões de visita para outros convidados que não habituées. Mário Fernandes

Blasfemea – “Galáxia Tropicalia” (La Lisbonera | 2009)

Galaxia Tropicalia soa como uma antologia da música pop dos anos 60 - 80 revisitada à luz da actualidade. Numa sonoridade semelhante à de bandas como MGMT e Animal Collective, os Blasfemea são mais uma prova de que a música em Portugal está de boa saúde e aconselha-se. P.s: Se tivesse que caracterizar este álbum com apenas uma frase, ver-me-ia obrigado a recorrer aos próprios Blasfemea: "You're like hot chocolate in the morning, warming me up inside" (em "Maria") André Carvalho

O novo álbum de Blasfemea é um doce forjado numa selva tropical que, saltando de um electropop animado para um afrobeat de cariz contagioso, não permite nunca que o ouvinte pare de bater o pé. Cada música do longa duração é representada por um nome feminino, o que é algo de certa forma curioso. Logo a abrir deparamo-nos com uma verdadeira pérola da música pop nacional da última década. "Maria" é um misto de frases facilmente memoráveis e sintetizadores a lembrar hits da pista de dança dos anos 80 que, fundindo-se com riffs de guitarra, nos introduzem ao inocentemente jovem universo de Galaxia Tropicalia. Em Kami, Kaede e Eva o ritmo decresce dando maior destaque à parte vocal e à guitarra distorcida, mantendo, ainda assim, um carácter alegremente melancólico, cuja batida a lembrar uns Vampire Weekend sintetizados faz com que estas músicas sejam perfeitamente passíveis de se ouvir numa qualquer noite de verão animada. O álbum conta com a participação da banda britânica Dead Kids na música "Ida" (que aparentemente ainda tem posters de Duran Duran no quarto) que a par da primeira faixa são as nossas preferidas. Já "Victoria" eleva os ritmos tribais a outro nível enquanto que "Catherine" é dotada de um psicadelismo capaz de nos por um sorriso nos lábios. A versão de "Dirty Diana" do saudoso Michael Jackson, agora simplesmente "Diana", acaba por ficar um bocado aquém do restante álbum, tornando-se um pouco cansativa e repetitiva. Com um cheirinho mais folk acústico chega "Lindsay" num enganador encerrar do álbum pois logo a seguir segue-se a "hidden track" "Requiem for Latika" que poderia muito bem ser algo retirado de uns Beatles dos anos 60 com uns toque de western rock n' roll.

Homem Mau – “Pelo Lado de Dentro” (Brainmusic | 2009)

O álbum do ano

“Aviso: antes de colocar a tocar o respectivo CD faça uma cópia do mesmo. Pensando bem, faça duas porque este vai ser um daqueles CD’s que vai ouvir vezes sem conta, que vai andar consigo para todo o lado e que certamente vai riscar.” Este deveria ser o aviso inscrito na capa de “Pelo Lado De Dentro”, primeiro longa duração dos portuenses Homem Mau e que acaba por ser o único ponto fraco deste disco. Tirando isso é o álbum perfeito, ideal para qualquer situação, um parceiro que nos acompanha pela vida fora e que vamos querer conservar até ao fim dos nossos dias. “Pelo Lado De Dentro” é um álbum verdadeiro e sincero, feito com enorme paixão e amor pela música, feito por pessoas que acreditam na música e na força que as canções podem ter nos que a ouvem com a mesma sinceridade. Já o disse e não me canso de o repetir: este é o álbum perfeito. Se ainda não o ouviram, acordem e ouçamno ou deixam passar ao lado um álbum imenso. Os Homem Mau podem ser os precursores de uma nova cena nacional a nascer na cidade do Porto. Para isso só precisam que (mais) alguém acredite neles… Eu acredito. JR


Local Native – “Gorilla Manor” (Infectious Records | 2009)

Que fique registado que este não é o melhor disco do ano, nem o mais inovador. Gorilla Manor é, no entanto, um disco cheio de grandes canções. As harmonias vocais são muito bonitas e perfeitas para suscitar paixões de Verão. É verdade que o disco foi editado na Europa, em Novembro, mas às vezes as coisas demoram tanto a chegar até nós que é bem provável que chegue na altura certa…no Verão. Não esperem porém um disco todo a atirar para o Congo, na onda de Vampire Weekend, uma das bandas usadas como referência do que os Local Natives fazem. Gorilla Manor é um disco de detalhes. Coisas simples que quando ouvidas em conjunto se tornam muito bonitas. As músicas são algo melancólicas mas não necessariamente tristes. São uma espécie de final de férias de Verão, poucos dias antes de voltarem as aulas. Ficamos tristes porque as férias estão a acabar mas por outro lado estamos ansiosos por contar aos colegas tudo o que fizemos. É um disco triste mas a puxar para cima. Imaginem que conseguem pegar na beleza das melodias de Fleet Foxes, na simplicidade e detalhe de Grizzly Bear mas com uma atitude mais punk na forma de interpretar. Gorilla Manor é um disco desta banda vinda de LA. Sem dúvida a não perder.

Nada melhor que a citação acima para representar o meu objectivo com esta nova secção. Como inauguração, trago-vos Pink Moon, de Nick Drake. Nick Drake nasceu em 1948, em Burma (Myanmar). Filho de pais ingleses, adoptou essa nacionalidade. Com cerca de 20 anos foi para Inglaterra e nessa altura grava o seu primeiro álbum de estúdio, Five Leaves Left. Depois desse surgiram Bryter Layter e Pink Moon. Nick acabou por morrer em 1974 aos 26 anos com uma overdose de medicamentos. Durante a sua vida nunca teve um verdadeiro reconhecimento do seu trabalho, sendo póstuma a quase totalidade do seu reconhecimento. Não gostava de dar concertos nem entrevistas. Apenas a partir da década de 90, depois de sucessivas referências à sua obra e a uma publicidade da Volkswagen, datada de 2000, cuja banda sonora foi a música Pink Moon, do álbum com o mesmo nome, é que aconteceu esse verdadeiro reconhecimento, sendo hoje considerado uma lenda da música Folk. Pink Moon, o álbum, mostranos mais uma visão do autor sobre o mundo que o rodeava. No final percebemos perfeitamente que ele (tal como os outros génios, convenhamos), estava à frente do seu tempo. Todas as 11 músicas são similares, com voz e guitarra (excepto a primeira, que também inclui piano), apresentando também um lado “negro”, resultante das constantes depressões e insónias de Nick. Tudo isto misturado redunda num álbum magnífico que todos os músicos e amantes de música deveriam ouvir. Diogo Costa

The Soaked Lamb – “Hats & Chairs” ( - | 2010)

Máquina do Tempo

Hélio Morais

Nick Drake – “Pink Moon” (Island | 1972)

“Pink Moon gonna get you all”

E se pudéssemos viajar no tempo? Esta é uma pergunta que me ocorre inúmeras vezes mas este é um desejo impossível de realizar. Ou talvez não. Desde que ouçamos os discos certos podemos fazer essa viagem sim. A nossa mente quando estimulada da melhor forma é uma máquina

Dias de raiva – “Dias de raiva” (OptimusDiscos | 2010)

“Abre a pestana, e luta!..“ Tive 2 surpresas distintas e separadas no intervalo de tempo entre o saber da existêcia e o ouvir o disco dos Dias de Raiva. A 1ª foi quando desfolhei as páginas de um jornal(então reciclado duma revista) de música e me deparo com a foto do Carlão (aka Pacman, vocalista dos Da Weasel) embrulhado entre um grupo de fotos que formavam um todo que não eram os Da Weasel e revelavam intuitos bem mais pesados. Todo esse que se completa com Fred (Yellow w van, Mundo cão) na bateria, Nuno Espírito Santo(Braindead) no baixo, mais Paulo Franco e João Guincho (a dupla dos Dapunksportif) nas guitarras. A 2ª surpresa foi quando estava a aceder ao site da "Optimusdiscos", na página dos Dias de Raiva, para ouvir as suas músicas. Enquanto estava a escutar músicas de uma outra banda - de death metal progressivo, note-se - cuja última música escutada havia terminado, sem saber começo a ouvir a música seguinte e a minha primeira reacção foi: Epá, nesta eles estão mais "apunkacalhados", mais garage e... hey, parece que estão a cantar em português?!!. Foi aí que reparei que o player do site tinha começado automaticamente e por momentos nem duvidei que estava a ouvir uma banda de intenções raivosas, fulminantes e sem distrações; nem coloquei o português(língua) em causa, antes pelo contrário: o seu timbre e acentuação caía bastante bem ao som. Punk, Thrash metal e Hardcore serão os ingredientes que consigo destilar neste 'coquetel molotov' que marca a estreia dos DDR(será inocente a aproximação da sigla à de uns DRI?) tendo bebido inspiração de bandas como Suicidal Tendencies, ou até mesmo Pantera, como já referiram os mesmos. Bodycount é um nome de quase tentadora e previsível associação, assim que ouvimos o repetir insistente do nome da banda no início de 'Sem moral', por exemplo. Os temas das músicas rondam vários aspectos da vida, sem necessariamente cair na linguagem tipo de um estilo como o punk rock, chegando a catalogar temas como amores passados('amores de liceu'), ou simpatização por certas afiliações politicas("camarada comunista") - quando normalmente o género recorre ao tema mais na vertente anti - de uma forma que deixa algo mais para ficar a mascar. É bastante interessante a riqueza inerente nas letras, que ora carregam no nervo típico do punk mais raivoso, ora surpreendem com palavras insuspeitas, tudo segundo um ponto de vista que não deixa de ser contemplativo, por um narrador de episódios urbanos já com nome firmado como o do homem que está ao leme dos DRR. 'Dança de parvos' é a musica que mais terá reacção por parte do público, pela sua natureza convidativa ao canto em coro do refrão, de punho em riste entoando "..come, bebe, fode!...", e com uma aceleração ao longo da música que pede por descarga de energia a um público que só pode ser sedento de explosões sónicas. A 'Herança' mostra o lado persistente de Carlão sobre um tema ainda urgente como as acções de uns e as consequências dessas mesmas sobre outros - podendo falar mesmo no exemplo de novas gerações nas mais variadas etnias que incide para o vandalismo e a forma como isso continua a perpetuar o preconceito sobre os seus pares. Com isto resumimos que os temas de Dias de Raiva, o disco de apresentação, não são banais. São temas que acodem à superfície de entre muito queixume sem algo concreto, ou que se distinga em vista. Istrumentalmente, para além do groove sempre presente a polvilhar o punk cerrado que ora pende mais para o hardcore, ora para o thrash metal, ainda somos presenteados com um inesperado final na forma de 'gotas' onde a cadência(já conhecida) da dupla de guitarristas dá um passo em frente e a mistura insuspeita de todos estes géneros revela uma outra face, mais experimental, que, mesmo sendo mais melancólica, não perde uma ponta de credibilidade sonora em relação às restantes malhas. Agora resta encontrar o espaço entre a gaveta dos Cds para mais um disco; há-de haver! K69


impressionante que nos leva onde quisermos desde que acompanhada pela música certa. “Hats & Chairs” foi a minha última viagem. Pressionei play e recuei umas valentes décadas até aos anos 20, 30 e 40 de 1900, altura em que a música era feita à mão, sem artefactos ou tecnologias várias, onde os músicos e os artistas sabiam mesmo tocar e cantar. Altura em que o tempo andava mais devagar. Fui convidado a sentar-me, a colocar o chapéu e a desfrutar atentamente as canções que os The Soaked Lamb me tinham para oferecer. E é tão bom ouvi-los e ouvi-la. É tão bom que apetece não desligar esta máquina do tempo, ficar ali e aproveitar o sol, ou a chuva, ou a neve, ou a conversa. Acima de tudo, aproveitar a vida. “Hats & Chairs”, segundo longa duração da banda, consegue o impossível. “Hats & Chairs” é um álbum belíssimo que nos transporta para o passado feito no presente com um pé no futuro recheado de deliciosas canções que transpiram gotas de mel sem nunca ser demasiado doce. JR

Xinobi – “Day Off” (12")

(Work It Baby | 2008)

Há pequenas coisas na vida que fazem com que esta valha a pena: O cigarro pela manhã, o pequeno-almoço reforçado após uma épica noite de copos, a fatia do meio de uma torrada, estrear cadernos, caminhar na borda do passeio, cantar no chuveiro...Se a junção de todos estes momentos fosse uma música, esta seria a Day Off de Xinobi. Vocais de origem soul misturam-se com um som funky e ritmado para animar as hostes. Não é de admirar assim que Xinobi, juntamente com Moullinex, sejam dos nomes mais interessantes da música electrónica portuguesa actual. Este 12" conta ainda com uma remistura no mínimo adorável de Anoraak, produtor francês membro do colectivo

de artistas Valerie, que aproxima Day Off de um synth pop característico dos anos 80, do tempo dos videojogos oldschool em que as cores magenta e turquesa reinavam.

Lululemon Preparam Edição de Novo Trabalho

André Carvalho

Zombies For Money – “ZFM”(EP) (Kali // Trouble & Bass | 2010)

Dj Manaia, uma das estrelas mais ascendentes da música electrónica portuguesa associa-se a Klipar para trazer-nos o arrepiante mundo de Zombies For Money. Inicialmente lançado pela Kali Records (Drop Top e Zeder) e actualmente sob a tutela da Trouble & Bass (de nomes como AC Slater e Drop The Lime) ZFM é o primeiro lançamento de uma dupla que promete incendiar as pistas de dança em todo o mundo. Uma série de ritmos animalescos impregnados de basslines no mínimo contagiantes e polvilhados de samples vocais a lembrar Zomby, fazem de "Bhangra Dance" a nossa música preferida de todo EP. Se "Bhangra Dance" nos enche as medidas, já as faixas "Sacanagem" e "Numbra One" lembram-nos de algo que poderia muito bem ser um b-side de "Machines Don't Care". Apesar do alegre e sussurrante "sacanagem" (na faixa com esse nome) que nos põe um sorriso nos lábios, as faixas tornam-se um pouco cansativas pelo que resultariam melhor se fossem mais curtas. ZFM conta também com remixes de artistas que já dão cartas como Foamo e Malente & Robinson assim como das jovens promessas lisboetas Zeder e Drop Top. Remixes estes que elevam as músicas originais a outro nível, tanto de agressividade como de potencial explosão da pista. Se a solo cada um destes dois óptimos artistas são incendiários, já seria de esperar que esta colaboração fosse qualquer coisa de fabulosa. Ainda assim este EP soube a pouco muito devido a expectativas desmedidas da nossa parte. Ficamos assim atentos e à espera do próximo ep Heavy Bass Champions Of The World Vol. V a ser editado exclusivamente pela Trouble & Bass no dia 4 Maio deste ano. André Carvalho

Os Lululemon, power-duo de Vale de Cambra, editaram recentemente o primeiro trabalho da banda. Chega em formato EP, dividido - tal como um vinil - em lado A e lado B, três temas em cada um, influenciados por um blues rock que viaja pelo presente. Esta separação deve-se ao facto dos temas terem sido gravados em épocas diferentes e marcarem dois momentos diferentes da ainda curta existência deste projecto. Um trabalho a ter em conta e que está disponível para download gratuito no myspace da banda em www.myspace.com/lululemonband

Este mês o norte do país foi marcado pela abertura de mais um espaço que se presta a marcar pela inovação dos artistas convidados. Situado na baixa do Porto, o Villa certamente é algo a ter em conta. No que toca a lançamentos, os nomes que saltam à vista são o de LCD Soundsystem (que lançam o seu derradeiro álbum) com "This Is Happening" e Flying Lotus com Cosmogramma. Saíram finalmente novos trabalhos do promissor produtor britânico A1 Bassline (numa mixtape de nome "Ministry") assim como uma mixtape fabulosa de Moullinex (que irá lançar o seu debut ainda este ano) para a série White Light do blogue com o mesmo nome. Continuamos ansiosamente à espera de novidades acerca dos novos longa duração de Treasure Fingers, Aeroplane e Uffie, estando já algumas faixas disponíveis para download nos blogues da especialidade. Alguns nomes a ter em conta para este mês são: O Children (que acabam de lançar o EP "Ruins"), Monarchy (que finalmente editam o muito esperado EP "The Phoenix Alive"), Jamaica (ex Poney Poney) e Jamtech Foundation, cujo EP "Too Fast" da jovem editora (e proeminente blogue) Discobelle Records anda com elevada rotação em set's de grandes nomes mundiais como Laidback Luke, Crookers (com actuação marcada no ClashClub de 30 de Abril) e Malente (que nos visitou no Plano B para uma actuação de um dos mais importantes duos de dj's do Porto, Twin Turbo). André Carvalho


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nunca perder uma estrutura agressiva é constante a intensidade da música dos Coldfear. É pesada, vibrante. É consistente sem nunca entrar em facilitismos de composição. No fundo é apenas a confirmação de uma nova esperança do metal nacional, praticamente já uma certeza. [...]

Anaquim – “As Vidas dos Outros” (Universal | 2010)

Mísia – “Ruas” (Universal | 2009)

Não sei se por viver além fronteiras, se por não ser mulher de grandes showoffs, a verdade é que se sente uma sensação de distância em relação à figura de Mísia; minha; do povo; do país. Naturalmente nem será real mas se fosse, este “Ruas” deveria servir inequivocamente para fazer regressar a artista Mísia ao centro de nós. Repararam que não disse fadista. Não foi por acaso. E não foi porque Mísia é mais do que o fado, é mais do que Portugal e é mais do que o mundo. E o mundo agradece. “Lisboarium” e “Tourists”, os dois actos deste “Ruas”é isso mesmo, um monumento musical onde o fado insiste em cruzar-se com marchas, mornas e outras sonoridades do mundo. Que belo itinerário o do CD2. [...]

Revolution Within – ”Collision” (Rastilho | 2009)

Brutal! Doem só de ouvir, as oito faixas que compões este “Collission” – contando com o intróito e o interlúdio. E é assim que nos sentimos: atropelados, tal a pujança demonstrada pelo quinteto nortenho, bem materializada desde logo na voz poderosíssima de Raça. O resto é puro metal, é puro thrash, com uma secção rítmica diabólica e uma dupla de guitarras de técnica apurada, catalisadores de um espectáculo rítmico duro, pesado. Absolutamente felinos e não é pelo seu nome surgir vastas vezes associado à sonoridade dos Pantera, mas sim pela forma destemida como o grupo se atira em frente, munido de tudo o que tem para dar. É metal de qualidade. [...]

Coldfear – “Decadence In The Heart Of Man”

O Anaquim já chegou. Chegou embalado por uma pop de cartoon que o levou aos tops. Aos tops do mainstream e aos ouvidos das pessoas, das pessoas de todos as idades, sexos e gostos. À volta das coisas da vida, da sua e da dos outros, de uma forma desprendida e até divertida, Anaquim é um novo e verdadeiro artista popular. Um artista português daqueles que respiram [...]

Ghosts of Port Royal – “Ghosts of Port Royal” (Edição de Autor | 2009)

Por mais que o tempo se esforce em dizer o contrário, há coisas que nunca mudam, nunca morrem. Podem reinventar-se mas nunca morrem. O rock’ n’ roll é uma delas. A prová-lo está o EP CD-R que o quarteto gravou em 2009, um disco composto por três temas rock, clássicos, de fortes feições hard, numa sonoridade típica dos anos 70/80. Sobra a atitude garage de uma banda a viver revivendo, lembrando-nos que também o tempo é o que fazemos dele. Passa sempre, mas não passa da mesma forma. [...]

Hanging By a Name – “II” (Cogwheel Records | 2010)

Valem sempre muito mais quando o som ganha uma outra gáspea. É aí que as guitarras se tornam mais intensas e a secção rítmica mais pressionante. Os 10 temas de “II”, segundo capítulo da vida dos Hanging By a Name, mostram uma banda de Coimbra muito mais coesa, mais personalizada e detentora de uma sonoridade que viaja melodiosamente por entre um rock de cariz alternativo. Só falta mesmo, aqui e ali, a sensação de uma voz mais encorpada. [...]

(Edição de Autor | 2009)

Não é ainda aquele disco definitivo dos Coldfear, um EP quase nunca o é, mas é já a expressão de uma forte personalidade. E também não é pela especial originalidade do som destes barcelenses mas sim pela qualidade já demonstrada no resultado final. Gravado nos estúdios bracarenses Ultrasound e tendo contado com a produção do incontornável Daniel Cardoso, “Decadence In The Heart Of Man” vive preenchido por um atraente equilíbrio thrash/death metal melódico. Sem

Simbiose – “Fake Dimension” (Rastilho Records | 2009)

“Fake Dimension” não é apenas um disco, é uma forma de ser, uma forma de estar, uma forma de sentir. Ao 4º álbum de originais, agora com selo Rastilho Records, a banda de Hugo (voz), Johnie (voz), Luis (bateria), Bifes (baixo)


e Nuno (Guitarra) chega ainda mais longe, fazendo o que melhor sabe fazer: uma música brutal, explosiva, de gigantescas labaredas, fruto de um cruzamento diabólico entre o mais pesado do metal e o mais duro do hardcore. O resultado é uma máquina sonora absolutamente infernal. Perseverança e personalidade são as características de uma banda que não baixa guarda, nunca, porque a luta continua todos os dias. [...]

com humildade e uma enorme paixão pelo que fazem. O tal “rock muito português e sem preconceitos ou ambições desmedidas” que a banda refere na sua biografia. Como se os UHF e os Xutos & Pontapés se cruzassem um dia numa estrada qualquer deste país. Os Karpe Diem estariam lá também para mostrar como se preenche a alma de uma banda que pensa em português. [...]

Minta & The Brook Trout – “Minta & The Brook Trout”

La la la Ressonance – “Outdoor” (Honeysound | 2009)

Este não é um disco linear; longe disso. Entre a liberdade de uma jam e o concreto do trabalho laboratorial, a música dos La la la Ressonance é um extenso e disperso manto sonoro. Sem uma direcção definida, esta pouca linearidade expressase desde logo numa clara atitude transgressora, como os próprios gostam de referir. Entre o contemporâneo e o jazz, arquitectados a espaços por uma postura e melodias pop, no fim, fica essa atitude transgressora fundamentada numa orientação geral de cariz fortemente experimental. Claramente mais irreverente que o anterior, é esta dispersão estética que atrai em “Outdoor”, elevando os La la la Ressonance a um outro patamar criativo. Superiormente etéreo, mais directo e por isso mesmo surpreendente. [...]

(Edição de Autor | 2009)

Depois de um EP com um título de “You” (Edição de Autor, 2008) a deixar no ar uma ideia feliz, este “Minta & The Brook Trout” surge como o desfecho dessa ideia, outra vez feliz. É um disco feliz. A felicidade de “Minta & The Brook Trout” sente-se no mergulho dado na sua enorme subtileza pop-folk. Sente-se naquela paz de espírito que o álbum nos oferece, numa sensação de relaxamento do corpo, da mente, da alma. São 11 canções de um descomprometimento inequívoco e doce, trilhadas pelo caminho que separa o intimismo da vontade deste se expressar exteriormente, de extravasar. O disco é uma porta que se abre para a rua, simples e melodiosa, carregada pela voz sempre segura de Minta. [...]

ManInFeast – “How One Becomes What One Is”

Haven Denied – “Symbiosys” (Edição de Autor | 2009)

E não é de fácil análise este segundo álbum dos bracarenses Haven Denied. Mais do que uma simbiose, “Symbiosys” é a expressão da capacidade de diversificação dos Haven Denied. Para uns positivo, para outros nem por isso, a música do grupo bracarense centra-se essencialmente no metal, evoluindo posteriormente para uma forma expansiva deste. Nem só de electricidade vive “Symbiosys”, vive também do acústico. Com maior ou menor agressividade, mais ou menos acelerados e com maior inclinação para o rock ou mesmo para o hard rock, em “Symbiosys” sobressai uma ideia de capacidade, aliada a uma outra de evolução. E é possível evoluir mais. [...]

Karpe Diem – “Karpe Diem”

(Edição de Autor | 2009)

“How One Becomes What One Is” é a expressão de um conceito formulado em volta da filosofia de Friedrich Nietzsche, do pensamento do economista Sir John Maynard Keynes e do livro de Madame Blavatsky, “A voz do silêncio”. Parece um conceito complexo, é verdade. Exteriormente não é sequer facilmente perceptível, é verdade. É um disco interessante, é igualmente verdade. Estruturado em três momentos diferentes (introspecção, revelação e assimilação), “How One Becomes What One Is” expressa-se num rock de peso de feições fortemente progressivas. É essa a musicalidade que trespassa nos pouco mais de trinta minutos de “How One Becomes What One Is”, mais ou menos exploratórios – como em “Keynesian Model”, mais ou menos convencionais. Pressente-se uma viagem sensorial à coisa do espírito humano, do espírito e do corpo. [...]

(Edição de Autor | 2009)

Composto por sete temas, “Karpe Diem” faz uma viagem ao passado e ao presente da banda de Alverca. É o presente que encontramos reflectido nas primeiras quatro faixas de “Karpe Diem”. Encontramos um descomprometido rock em português, interpretado por instrumentistas competentes,

Rui Dinis

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N.do.A..: Os textos aqui apresentados são excertos de artigos originalmente publicado em destaque no blog a trompa. Se pretender ler o texto completo deverá apontar ao endereço http://a-trompa.net.

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Sonic Youth (Porto)

Há sonhos que perseguimos uma vida. Um desses sonhos era poder ver uma das minhas bandas preferidas de sempre, os Sonic Youth. Sei que, e sendo eles umas das minhas maiores referências, é uma vergonha não os ter visto antes. Mas a vida é mesmo assim, o acaso e o desencontro pregam-nos partidas destas. Desde que soube da vinda dos SY este ano a Portugal e mais precisamente ao Porto, que as minhas orelhas arrebitaram e o meu rabo não parou de abanar, de tão contente. Mesmo assim, não marquei na agenda para não dar azar. Sexta-feira, hora de almoço e fica decidido ir ver os SY. Bilhete? Ainda não tenho e desejo que ainda haja algum. 19 horas, termina mais uma semana de trabalho e ruma-se em direcção ao Porto, mais precisamente ao Coliseu do Porto e quis o destino e o acaso que ainda houvesse bilhetes! As notícias e críticas a concertos recentes que ia lendo, aliado ao desejo enorme que eu tinha de os ver, colocavam as expectativas num patamar altíssimo e cheguei a duvidar que o concerto dessa noite pudesse alcançar o que imaginava. Pois enganei-me profundamente. O concerto superou todas as expectativas e

foi muito mais do que esperava dele, foi simplesmente soberbo, apenas ao alcance dos deuses. As quatro primeiras músicas colocaram-me no céu, sentado numa nuvem, com um sorriso de orelha a orelha e só não me caíram algumas lágrimas de contentamento pela face porque tive vergonha. Era possível, estava a acontecer ali mesmo à minha frente, um “concertão” daqueles que só se vê uma vez na vida. Algumas vozes criticaram por ter sido um concerto muito “The Eternal”. Sim, é verdade, “The Eternal” foi passado a pente fino mas também é verdade que o referido álbum é um dos melhores trabalhos dos SY, recheado de canções de rock fabulosas com a personalidade vincada dos SY que nos fazem viajar por toda a carreira deles. Para além disso, o álbum resulta na perfeição ao vivo. Bem, saindo das mãos daqueles eternamente jovens sónicos, tudo soa bem, tudo resulta bem, até o próprio caos. Para os encores ficaram os clássicos, no primeiro os temas “The Sprawl” e “Cross The Breeze” no segundo “Candle” e “Death Valley 69” com um final estrondoso e a terminar com uma imagem que ficará por mais algum tempo no meu coração, as guitarras de Thurston Moore e de Lee Ranaldo bem no alto e a tocarem-se, produzindo um feedback “`a lá Sonic Youth” terminando em apoteose sónica um concerto perfeito. Os SY são das poucas bandas que existem que nunca cederam a pressões e sempre fizeram aquilo que lhes dá na gana, quer se goste ou não, o importante para eles é criarem algo com que se sintam bem, transmitir aquilo que sentem e passar para os instrumentos a paixão, a garra e o amor que está dentro deles. Eles nasceram para isto. Mais do que um concerto, este foi sem dúvida uma lição dada pelos mestres do rock e sinto-me um privilegiado em poder estar presente. Há ainda muita comoção dentro de mim e talvez seja demasiado cedo para o dizer, mas provavelmente este foi o concerto da minha vida! O sonho perseguido está finalmente realizado e quem sabe não será repetido? Espero que sim…

Sonic You

http://www.m th yspace.com/s onicyouth .................. .................. ......... Data: 23 de Abr Local: Coliseu il de 2010 .................. do Porto (Porto) .................. ....... crítica: JR


Sonic Youth (Lisboa) O confronto de gerações esteve bastante presente neste concerto. Actualmente não será muito fácil encontrar bandas que ao longo de tantos anos tenham marcado tantas pessoas. Neste contexto, era curioso verificar que havia quem queria faixas antigas de álbuns como “Daydream Nation”, “Goo”, “Sister” ou “EVOL”, como também havia muita gente que talvez tivesse tido o primeiro contacto com a banda através do mais recente registo “The Eternal”. As expectativas eram muito altas, muito porque os alinhamentos em Espanha foram um autêntico destilar de clássicos e muito pouco centrado no mais recente álbum. Não é que ache “The Eternal” um álbum menor, é um bom disco mas não consegue competir com nenhum dos álbuns anteriormente mencionados. O grande defeito deste concerto foi mesmo esse, a performance quase na íntegra do novo álbum, tendo ficado para o fim algumas faixas que queria ouvir como “Shadow of a Doubt” e “Death Valley 69”.

De resto, é importante mencionar que mais uma vez comprovo que talvez estes Sonic Youth só venham a terminar as suas carreiras quando estiverem na cova. É impressionante verificar o imenso prazer que continuam a retirar de cada concerto e a forma acriançada como continuam a tocar. Não são miúdos, muito pelo contrário, e a continuação do debitar de ruído e riffs barulhentos é de louvar. O concerto vai ficar com certeza na memória de todos os que estiveram presentes mas terá tido demasiado “The Eternal” para se tornar mítico e eterno.

Mouth of the Architect e Riding Pânico Desconhecia o trabalho dos Riding Pânico. Já tinha lido coisas muito boas acerca deste projecto mas nada mais que isso. Foi uma enorme surpresa e mesmo parecendo em muitas alturas fruto de improviso deram a ideia que em Portugal há malta bastante capaz de criar barulho audível e contagiante. Quanto aos Mouth of the Architect com um EP tão bom como “The Violence Beneath” era difícil imaginar que não fosse bom. Quando os três moços se juntam na gritaria é impossível ficar indiferente e não levar uma enorme chapada sonora. Pena que o concerto de Kylesa ainda estivesse muito presente e fosse difícil entrar por completo no ambiente criado.

Sonic You

http://www.m th .................. yspace.com/sonicyouth .................. ......... Data: 22 de Abr Local: Coliseu il de 2010 .................. dos Recreios, Lisboa .................. .......

Mouth of th e + Riding Pâ Architect n ico http

://www.mys http://www.m pace.com/mouthofthearchi tect .................. yspace.com/ridingpanico .................. ......... Data: 21 de Abr Local: Musicb il de 2010 .................. ox, Lisboa .................. ....... crítica: Tiago Esteves


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, mesmo para quem o futuroque vale – ra ag Vi os lh ve ro são os erguido: algo Os velhos com futu r constantemente rio, metem pena. se e ec er m e qu que curto, é algo s velhos sem futuro, pelo contrá sempre a pena. O

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s Pedro Chagas Freitatas.blogspot.com/

frei www.pedrochagas

s até com as a esposa – e algun ama é, como porque a mulher que com futuro u, s rio ho ava vel Os . amantes anos. Um velho o o tamanho. O velho tod de ha vel para quem a – um , Sou um velho de 30 gra ele são os velhos Via mo eu) 30 a caminho da tero, pode até ter (co curto, é rei e e, qu acabado, queimado: qu o – sm me , a o futuro Sou um velho. E o mundo inteiro e qu ita ed acr – ser os demência absoluta. e an e a algo que merec a saber, nada tem qu Melhor: o velho tem uido: algo velhice, ficas agora conspira contra si. r É sta ? constantemente erg ate ste o de de ten az en o cap é (e uta sol ab na. Os a pe a tez ver com a idade. Nã cer que vale sempre de todo. os factos) de que o contrário, o pel , natural: estás cheché com os mais variad uro fut sem velhos ra contra si. Ou, se spi con o eir a cada int , o em nd mu metem pena. Tem spirar. Ou, ciência, pensam que ra, está prestes a con e seja o spi qu , con Os velhos não têm pa o ssa nã pa e qu a do segun a vida a contar a conspirar, tem um s ste pre á s como est tro o ou nã sabem tudo, passam os se último, tratam vir a fazer. am dezenas de vezes tade de, um dia, o da têm ain von e e qu nd histórias que já contar – gra s ore eri é E inf seres mas de erecção. e tudo o que está à qu ita mà ed are acr est ho e têm alguns proble até vel O muito que viver , para o ver ção de uma das e eles, á ali para o ver sofrer qu est o r ta por isso, com excep de vol ten en eu de e altura i de enunciar, qu r. E tu acabaste de . Os velhos premissas que acabe penar, para o ver cai desgraçados, sofrem agora era até velho porque já i rev um u esc So e . qu ho o vel Aspegic tud hos isto vel r: sou um os cai são uro e. sem fut para a juventud tendo em conta o e, qu O . e ira cot de pa nca não tenho paciência um bri r – pó dentro de é brincadeira adultos. Nem seque s; mas e te fez perder, não rto qu mo po Nem sequer para os ão tem est já : ho do to, fecha sumindo: não ten últimas linhas do tex manterpara as crianças. Re nenhuma. Mas, nas a natureza insiste em sério. Bora! tiveste paciência de e o qu alg nar com agi -te im E sar . pen lhar. Eu, ba com tra paciência a vou o açã cor lhes o da, a leres estas atípico. ho para aí estares, ain vel admito, sou um tipos de velhos – revo tira-me, admito, . Esta gra Via ora a sério: há dois bojardas que eu esc gic Ag pe As ho Um vel a, rapaz. ; e os velhos sem ente em lev o do sério. Vai à tua vid ect os velhos com futuro jovem, de asp passado). : os velhos só com partilho je (ou ho uro em fut qu s com Ma r, . vulga em muitos locais são os velhos Ou que o A velhice detecta-se Os velhos com futuro a cama que o diga. ermercado. orma, a ref sup na de , xas em cai viv s e na qu o , ços ira rre sobretud po . s bá , ho gema ercado, os vel a: vestem-se bem, Nas caixas de superm segunda adolescênci rvos – excepto o nos lábios, pa ris sor são os um tod e com qu pre acreditam estão sem faz questão de, de os netos, os filhos, eles. Porque o velho adoram passear com s do nte fre à r ssa pa o, rad sca modo de seu estado de alma outros. É como se o er – lhe permitisse det – que faz dele velho lhe dá e qu sse pa um al: um passe especi uer situação. O velho prioridade em qualq humanos como tes tan olha para os res e ainda não pobres coitados – qu a caminho de ser ão est perceberam que de , por isso, a humilda velhos. O velho tem ser lhe de co tro a – er de nada lhes diz fazer dos outros dada permissão para ex-imbecil. Porque um é imbecis. O velho entre a humanidade: só há dois estados ex-imbecilidade. Ao a e a imbecilidade; er estás, é fácil de sab saber que ainda aí tu. ás de que lado est anos. Já fui imbecil. Sou um velho de 30 eliz. É isso o que o Agora sou apenas inf porque tudo o que eliz Inf velho é: infeliz. u – e tudo o que é ma era bom já passou não nis pé o e rqu po eliz está por vir. Inf ando da televisão ergue, porque o com


Zootrópio

Por

Nuno Silva

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Smolik de Cristiano Mourato no Festival Animafest Zagreb Considerado o 2º festival de animação mais antigo da Europa, o 20º World Festival of Animated Film – Animafest Zagreb – seleccionou a curta “Smolik” do jovem português Cristiano Mourato para integrar a secção Student Competition. A capital croata foi escolhida para sediar o festival entre os dias 1 e 6 de Junho. Natural de Lisboa, Cristiano Mourato nasceu em 1986 e enveredou pela animação depois de ter assistido ao filme de José Miguel Ribeiro – “A Suspeita”. Começou os seus estudos na área do cinema de animação nos cursos do CITEN – Fundação Calouste Gulbenkian no ano de 2004. “Yulunga” é uma das suas obras mais conhecidas e já lhe valeu participações em diversos festivais por todo o mundo e alguns prémios. Baseou-se no tema dos Dead Can Dance para trabalhar nessa curta. Em “Smolik” decidiu trabalhar com o compositor Fernando Mota - “O resultado não poderia ter sido melhor. Para além do projecto ter ganho dimensão, foi uma experiência muito boa. Sinto-me privilegiado. Ele é um grande profissional” – referiu Cristiano.

“Smolik” arrecadou o prémio de melhor filme de animação português no Festival Mostra em 2009 - “A participação e a consequente vitória na categoria de melhor filme português de estudantes no festival Mostra ainda hoje tem repercussões pois o festival tem muita visibilidade a nível nacional e internacional” - e ainda foi vencedor de melhor jovem criador no festival Ovarvídeo de 2009. Sobre a animação nacional Cristiano ainda disse - “Portugal tem talento e já deu

provas que consegue estar no palmarés internacional no que toca a curtasmetragens, mas no que diz respeito a séries ou outro tipo de produção industrial as coisas não são tão agradáveis. Precisamos fundamentalmente de visibilidade nos mercados internacionais. Precisamos de mais apoios, especialmente do Estado. Mas existe outro problema que penso ser fundamental, Portugal precisa de formação de qualidade”.

http://www.smolik-themovie.com/

Johnny Cash em Banda Desenhada

Foi lançada recentemente pelo alemão Reinhard Kleist a biografia de Johnny Cash em banda desenhada. “Johnny Cash: I See a Darkness” é um excelente trabalho

tendo sido, inclusivamente, já premiado. O livro de Kleist ilustra praticamente a vida de Cash desde a sua infância, passando pelo famoso concerto no Folsom Prison e pelas últimas sessões de gravação com o produtor americano Rick Rubin. “O meu Pai tinha um disco de Cash e lembro-me de ver uma fotografia dele lá por casa todo vestido de preto e pensei que deveria ser um tipo porreiro.” - afirmou Kleist - “A primeira vez que comecei a ouvir com mais atenção a sua discografia foi quando saiu o“American Recordings”. Antes disso conhecia apenas algumas músicas como "Ring of Fire” e “A Boy Named Sue" e ainda outras que se ouviam na rádio. Fiquei realmente impressionado com os álbuns American Recordings pois eram de uma enorme intensidade.” Kleist afirmou ainda que o livro surgiu no seio de uma discussão com a editora alemã Carlsen Verlag sobre representações de música ao vivo em banda desenhada. Deparou-se, posteriormente, com a biografia de Cash mas antes porém um amigo tinha-lhe facultado o livro da biografia do alemão Franz Beast Dobler “The Beast in Me” – não era exactamente aquilo que procurava. Por conseguinte, foi

sobre a vida de Cash que resolveu trabalhar tendo ficado plenamente satisfeito com a sua escolha. O autor indicou ainda que foi bastante emocionante ter feito referência ao mítico concerto no Folsom Prison onde se destaca Glen Sherley pois não este era uma mera uma personagem. O prisioneiro reflecte uma verdadeira preocupação com a liberdade mostrando não só uma vontade de se libertar da prisão física que o isola mas do próprio cativeiro que construiu em torno de si mesmo e em relação aos outros - luta que Johnny Cash também travou toda a vida e em que por vezes não foi muito bem sucedido. São assim imagens expressivas e com uma dinâmica cinematográfica através das quais Kleist narra os altos e baixos do Man in Black, os seus sucessos e fracassos provocados pelo consumo excessivo de drogas e álcool. Mas é justamente esta complexidade que caracteriza a personalidade de Johnny Cash, esta deulhe energia para se insurgir contra a política dos EUA e para lutar pelos direitos dos excluídos. Este é para mim um dos livros de banda desenhada do ano. Recomendo!


á h e u q o d ia s a m e d o a Pensar pouco par ot.com/ speculativa.blogsp www.obsessividade Por

Davide Lobão

o só porque -de eu gostar de alg ravilhosa, o ma sa coi e qu , de trabalho ah a k, linh O faceboo é cool? Na minha frases demasiado que há. colocamos vídeos e a mudar o tão ar En est ok. ria ebo Penso pouco para o ica fac nif isso sig e fazemos de qu umas conclusões. o alg os ter em o diz ero faç s, qu e e mo qu qu Acho que gosta estilo da música "os nossos acalmem um pouco entendo Eu s. à tarde e à noite e da ã, mo nh Conclusões que me as ma conforme mente me mente. Gosto nte gre sta ale os con e tem tam qu ap en o ad s com cad do bo amigos" que todos nós no em, dos anos que me poraneidade. Uns diz tendo en tem o nã con s da ma to apoquenta. Ao longo s, tan po o e aos tem cessidade de atirar , os outros criticam mos por cilindram com a ne os outros reclamam que nos desrespeite ook, e de eb -m fac tei on no afr ho o, ten aix eu ab e qu gostamos. s e igo qu am sas tos idealismo cano coi s tan da causa s opiniões smoronar a cada sua de as o tam dã ten e da vida é se qu s e tal qu tica e ideias uns mil Em situações prá dem. Há quem is perto estou de as nem por as utr no , o quando não se pe vio sm hora. Mas quanto ma ób me bastante para ser dadas as da sua são xim es pró niõ s, os is opi po ma as r tem e cai qu r deixa me diga isso. São os novos o em parecem. os. Não concordand eremos dim qu pe o nã as e do qu an concretização elas me qu em s m o tempo há segredo mais be deslumbro-me com s senão de Convençam-se, não absoluto com isso, saber uns dos outro vezes de Às ão er. raç ge viv a e qu est o a nd ar rad o sublinho ag il nã ui fác é Aq o guardado no mu os. com pri nós pró ". Adoro ion primidos julgamode rat e ne s -ge do , sublinho ala g-g er" y ab s, sab "m parvo voyers, o "eu não quero e is duas ou três frases . Quero outro com coisas qu er" e sab um ar ero qu voc nos incapazes de ma pro "eu o antes , mas logo e levante a moral. são nos e e qu qu sica. o ata mú são bar tra te ia ou en sof a, de filo simplesm ouvir outra band , mas ente nada nos dirá ou tenho as reacções tão que é que nte por er me sab ata e Isso é fácil e certam edi vir im ou a. Quero É a era da auto-ajud os e entendidos da as de estilos provará o contrário. tão boas de conhecid se catalogam dezen algo os m vam uze o red e com r am de nh ten ezi estilo esp um e qu de o ia ntr tér Não consigo en de ma ais music nitos sonhos, conseguir continuar bo s is mo ma ire s o saber seu com s ero , no Qu uar . m contin que ne e chamado metal o, continuar. Diz ele qu ham sequer conhecid punk não o ten e e k qu roc m o e ué mas sei que vamos qu alg é e porqu estrada para andar". quando vemos uma nas cabeças é "enquanto houver conseguiu. Ora bem, são formas de estar concerto uer alq qu m nu e, tub er porque you sab no ero qu da, s, ban tro dos ou a bater, de frente, amos, sem poder uo dig tin de, con ca crítica. pos cer de a tem s os par Neste a tocar é que são motiv em todos têm e que se que é te mil pessoas (caso e vin rqu ar, po cis com a opinião que er pre sab Quero Declarar que se 09, banda em r. 20 da g de rin s fazerem am aze de k s cap roc soa , acham questão proibimos as pes seros sta tem e faz todo o icam a p bizkit) e desses mí jud lim pre , as ão só est gosta ou não se go e qu qu coisas de julgar e rotular, a massa humana a rque é que sentido mas gostar milhares, vermos um elas. Quero saber po denação, s con ple de sim el a záv um pre de r des uta ra todos e sfr pa de s a cao e o é tar numa tentativa sal uia a anarq etada por esses uer pudor, errado. pol alq des qu a, Quero rgi sem o. e, ene ad de e-m est ga parec descar não o supremo sde é o gosto de cada um rà ua tões que fazem, de tin trin con res e ho i-d O gosto de cada um he sen e saber, etece, de boné um também o é. ap a s cad lhe os, e de em qu o diz iniã uilo os op aq , a tod mas sempre procura. Dizer Ora bem, saber a opinião de entrar em s que podemos dizer? soa s, pes trá l mi Teremos todos que ra pa te vin e fazer querermos saber? quando tinha catorz a que todos sem sequer a gostava muito disto êxtase com a músic gostam anos, o se oit er e sab te e vin qu us ter me eu os para poucos o com , feit Eu um Porque hei-de os. é an os, tocam s do three dollar eu falar? Se não me ura de alt r ma po ima for uilo íss da en daq o qu nã ou gostava nesta nossa pe ixei de ouvem, não é icant other. Não de nif sig do e querem ouvir não me a. bill nci existê e cada frase minha um har sou um gajo qu necessário fazer de gostar, hoje. Se cal o leitor que o ura tir alt mi a ad est A até . o ha sig tal soas sejam cavalo de ba não evolui e con Que muitas e mais pes alvo de críticas músicas bastante sou ha e tin qu h r a para rfis nsa sic Sta pe mú e rá er lat pode Choco capazes de faz já pouco me ito pelo contrário, a rmos nça da e ou então, que a mim s , mo cas constantes mas mu tar fra can todos melhor no tempo, e continua a e qu o-m e tor s and fac mo situ um be s é be a ma , to apati diziam juntos enquan o sso tão gostoso meio. e noventa e nove era tos en os. vec no rim l predominar neste no e mi os o fumam er que eu comprei quando algo vai direct Opiniões há mas só ano do Significant Oth je me não ho e, eb da rec ain e tor qu ep e u rec O sai ao receptor. numa loja mal ranho, não? Agora até a vontade de dizer procura, recebe. Est faz bater o pé e ter l áve ind inf ade tid an qu a nookie e o enfiares um teu rar temos de filt para pegares no os e, rm de po ra pa m ga porque honestament de coisas que nos che pelo teu ass acima, delas. s ita as mu um e alg uv iar Ho rec er. ap ser capaz de eu não quero sab o , a que de música fal i de guilty pleasures Entenda-se na músic conversas em que fale gosto ais o qu fal s o, da fal as a nd sic ba mú e quando de com amigos, de vida, sem parar, sem parte das pessoas necessariamente da muito e que a maior s porque raio heima til, an . nunca parar acha parolo, inf


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revista de música portuguesa e não só

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