Page 1


1ª Edição

2018


Direção Editorial: Roberta Teixeira Arte de Capa: Gisely Fernandes

Revisão: Kyanja Lee Diagramação: Carol Dias

Copyright © Paula Toyneti Benalia, 2018 Copyright © The Gift Box, 2018 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo desse livro poderá ser reproduzida em qualquer meio ou forma – impresso, digital, áudio ou visual – sem a expressa autorização da editora sob penas criminais e ações civis. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas ou acontecimentos reais é mera coincidência. Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Bibliotecária Responsável: Bianca de Magalhães Silveira - CRB/7 6333

B456 Benalia, Paula Toyneti O dia em que te amei / Paula Toyneti Benalia . – Rio de Janeiro: The Gift Box, 2018. 241p. 16x23cm. (Deusas de Londres ; 1) ISBN 978-85-52923-32-9 1. Literatura brasileira. 2. Romance. I. Título. II. Série. CDD: B869.3


Deus me livre! Esta seria a maior infelicidade de todas! Achar agradável um homem que decidimos odiar! Não me deseje este mal! — Jane Austen

O Dia em que te amei

5


6

Paula Toyneti Benalia


Para você, sempre a você, Alison, porque no dia em que te amei, minha vida mudou para sempre. E como você diz, o universo é muito pequeno para o nosso amor. Precisamos do universo X universo.

O Dia em que te amei

7


8

Paula Toyneti Benalia


Capítulo 1

"Algumas coisas estão escritas para acontecer. Por mais que se esquive, os olhares se cruzam, os sorrisos se tocam e, mesmo que o coração não saiba naquele instante, o dia para se amar está marcado para acontecer."

Helena Londres, 1801 Olhei para o lado e tentei endireitar a coluna. Não que eu estivesse em uma posição que me arruinaria, mas minha mãe acharia que sim. “Helena, endireite essa coluna. Nenhum homem na face da terra te achará desejável e adequada como esposa, se você se portar dessa maneira...” “Helena, você come em demasia, parece um cavalheiro...” “Helena, você ri absurdamente alto...” “Helena...” Eu sempre era inadequada, segundo minha mãe, para seus próprios propósitos. Nunca concordei, porém sendo rejeitada nas últimas duas temporadas, comecei a pensar o contrário. Depois de passar todos os bailes sentada, esperando por horas e com a caderneta de danças vazia, eu tive certeza: seria solteirona e teria que aguentar minha mãe pelo resto da vida me dizendo o quanto eu era inadequada e como lhe dava gastos excessivos com vestidos que nunca seriam admirados. Nessa noite, o de cor creme, em seda francesa, delicado e ornamentado por fitas e flores de tecido, talvez realmente não pagasse o investi-

O Dia em que te amei

9


mento, como afirmaria meu pai, horas mais tarde. Esse era o primeiro baile oferecido em Londres, na minha terceira temporada, e minha falta de postura condizia com meu desânimo. Estava enjoada de ficar escutando os comentários deselegantes das amigas da minha mãe. Estava farta dos olhares de pena das minhas amigas que já estavam casadas e com os filhos no colo. Estava irritada com tudo e odiava o mundo e o que a sociedade me reservava. O baile tinha um convidado especial, que deveria chegar em breve, e os comentários sobre ele também me irritavam. Ele era comparado a um deus. Tudo porque, segundo as línguas fofoqueiras, ele, o Duque de Misternham, escolheria uma esposa nessa temporada. Eu sei, ele era um duque, herdeiro de uns dos ducados mais antigos da Inglaterra. Contudo, deus? Ele era um ser humano, como todos os outros, que deveria sentir cócegas como eu e se alimentar como todo mortal. Além do que, se dizia que ele já tinha levado metade da população feminina de Londres para a perdição. Destruído casamentos, desonrado moças inocentes e levado homens a duelaram com ele pelo menos uma vez por semana. Então, como ele poderia ser comparado a um deus? Um homem tão mau e cheio de defeitos? Não sabia a resposta. Eu só tinha uma certeza: não olharia para ele e nem me atreveria a cruzar seu caminho. Não que ele fosse me notar, obviamente, não tinha grandes expectativas quanto a isso. Comecei a sorrir, imaginando se ele não aparecesse. Todos estavam idealizando o momento em que ele entraria no salão. E eu, imaginando se chegasse o fim do baile e ele não comparecesse — o que realmente poderia acontecer. As caras pregueadas e murchas de todas as mães que sonharam com esse momento, em que suas filhas poderiam ao menos arrancar um suspiro do duque. Oh, céus! Eu teria outra crise de risos. Segurei os lábios apertados e fechei os olhos, controlando a respiração. Minha mãe não me perdoaria por isso. A última crise foi na mesa de jantar dos Bulivers, a família mais tradicional de Londres. O pensamento me trouxe outra ânsia e não aguentei. Explodi em gargalhadas que ecoaram pelo salão. Tentando me controlar, pisei na ponta do meu pé direito, com a ajuda do esquerdo. A dor deveria ser suficiente para me fazer chorar ao

10

Paula Toyneti Benalia


invés de rir. Entretanto, deparei-me com um vazio no lugar onde deveria estar meu dedão. Eu sempre tive todos os outros dedos do pé muito maiores que o dedão. Meu pé era uma aberração. Minha irmã sempre dizia que quando um homem se casasse comigo e visse meu pé, me devolveria no mesmo instante. Então, outro espasmo e mais gargalhadas. Procurei minha mãe pelo salão. Assim que visse seu olhar feroz, eu me acalmaria. Encontrei-a rapidamente conversando com algumas senhoras respeitadas e constatei que seu olhar não era dos melhores. Já o seu vestido, cor de abacate, não tinha lhe caído nada bem. Céus, se continuasse rindo dessa forma, não me casaria em nenhuma temporada e, com toda certeza, a minha estaria encerrada esta noite. Meu pai me colocaria de castigo no quarto, trancada, até a morte. — A senhorita está bem? — Escutei uma voz grossa, única e perfeita para os meus ouvidos. Antes mesmo que levantasse os olhos, eu já tinha parado de rir e minha pele estava arrepiada. E tudo apenas por causa de uma voz! Eu já sabia quem poderia ser o seu dono, sua fama era iminente. Sua postura e seus modos podiam ser reconhecidos por todos e, mesmo que nunca tivesse colocado meus olhos nele antes, eu já sabia: Duque de Misternham. O novo deus de Londres; o devorador de damas inocentes; o destruidor de lares... e os outros títulos eu não consegui mentalizar na hora... Oh, Deus! Se sua voz já era assim... Dei uma olhada nele e encontrei um par de olhos negros que combinavam perfeitamente com os cabelos mais negros que já tinha visto e o corpo mais... mais... Sim, ele era um deus da beleza, e me senti incapaz de respirar só de vê-lo. Alto, talvez cerca de 1,85 a 1,90 m, com uma barba rente ao rosto, que deixava seus lábios desenhados. Me odiei e o odiei. Como podia proceder assim com alguém e se divertir com isso? Era visível um sorriso nos seus lábios. Ele estava se divertindo com o meu constrangimento. E era um sorriso pervertido e dissimulado. Senti minhas bochechas queimar e me lembrei que deveria estender minha mão para o cumprimento, já que ele esperava por isso. Na verdade, ele nem deveria estar falando comigo, já que não tínhamos sido apresentados. Definitivamente, ele gostava de arruinar jovens inocentes.

O Dia em que te amei

11


Como teimosia sempre foi o meu forte, não lhe dei o gosto de cumprimentá-lo. Não porque corresse o risco de ser um escândalo. O simples fato de eu respirar já o era. Eu só não me renderia aos seus encantos. Meu corpo já o tinha feito, porém eu morreria a idolatrar um homem terrível como ele. — Estou ótima! — respondi quando me achei capaz de falar. — Estou rindo. Isso deve ser um bom sinal. — Não está mais rindo, Senhorita. Suas bochechas estão coradas, no entanto, seu sorriso se aplacou. O tom dos seus lábios combina perfeitamente com sua pele nesse momento. Abri a boca, inconformada com suas palavras indecentes. Eu queria dizer como ele era inadequado, arrogante e presunçoso, mas tudo o que consegui foi abrir a boca sem parar, feito uma vespa. Eu nem sabia se vespas tinham boca e se a abriam. Minha capacidade de raciocinar estava indo embora, junto com minha paciência. — Me concederia uma dança na sua caderneta? — ele perguntou, estendendo as mãos. — Nunca! Minhas danças estão todas prometidas aos verdadeiros cavalheiros presentes no salão. — Então, não deve mais ter cavalheiros em Londres, já que aposto toda minha fortuna que a sua está em branco. Ninguém te convidou para dançar, Lady. E sem mais nenhuma palavra ele se foi, me deixando com a sensação de ser a garota mais idiota de toda a Inglaterra. Definitivamente, eu me sentia uma vespa, um inseto que foi esmagado por ele e por toda sua arrogância.

12

Paula Toyneti Benalia

Profile for The Gift Box

O dia em que te amei - Paula Toyneti Benalia  

Leia o primeiro capítulo do livro "O dia em que te amei", da autora Paula Toyneti Benalia. Compre o seu em: http://bit.ly/E-book_CuidaD ---...

O dia em que te amei - Paula Toyneti Benalia  

Leia o primeiro capítulo do livro "O dia em que te amei", da autora Paula Toyneti Benalia. Compre o seu em: http://bit.ly/E-book_CuidaD ---...

Advertisement