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JANE HARVEY-BERRICK

EXPLOSIVA BOMBSHELL

Traduzido por Caroline Sales

1ª Edição

2019


Direção Editorial: Roberta Teixeira Gerente Editorial: Anastacia Cabo Tradução: Caroline Sales Modelos: Gergo Jonas e Ellie Ruewell Fotógrafo: GG Gold

Preparação de texto: Marta Fagundes Revisão: Artemia Souza Arte de Capa: Sybil Wilson/Pop Kitty Design Adaptação de Capa: Bianca Santana Diagramação: Carol Dias

Copyright © Jane Harvey-Berrick, 2019 Copyright © The Gift Box, 2019 Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo desse livro poderá ser reproduzida em qualquer meio ou forma – impresso, digital, áudio ou visual – sem a expressa autorização da editora sob penas criminais e ações civis. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas ou acontecimentos reais é mera coincidência. Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ Vanessa Mafra Xavier Salgado - Bibliotecária - CRB-7/6644

H271e Harvey-Berrick, Jane Explosiva : bombshell / Jane Harvey-Berrick ; traduzido por Caroline Sales. - 1. ed. - Rio de Janeiro : The Gift Box, 2019. 244 p. Tradução de: Bombshell ISBN 978-85-52923-76-3 1. Ficção inglesa. I. Sales, Caroline. II. Título. 19-56668

CDD: 823 CDU: 82-3(410.1)


Aos homens e mulheres que trabalham para desativar campos minados em antigas รกreas de guerra ao redor do mundo.

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NOTA SOBRE ESTE LIVRO

Explosiva pode ser lido como um livro único, porque ele trata de uma nova mocinha (heroína), em um novo país com situações novas. Mas é também a continuação de Explosivo: Tick Tock, então se você o ler primeiro, eu acredito que terá um entendimento melhor de o porquê James ser como é, bem como Clay e Zada – dois de meus personagens secundários favoritos.

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PRÓLOGO

JAMES

A primeira vez que eu tentei me matar, eu falhei. Obviamente. A arma falhou. Eu continuei puxando o gatilho e nada acontecia, apenas cliques vazios e uma frustação cósmica. Mas na próxima vez eu farei certo, sem erros. Eu já planejei tudo. Há uma garrafa de uísque irlandês de 25 anos com meu nome nela, um punhado de pílulas para dormir e uma sacola plástica para minha cabeça. Será um final tranquilo, calmo. O que é bastante irônico e nada parecido com a maneira como vivi minha vida. Então com tudo certo, a última coisa que quero é encontrar uma razão para viver.

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CAPÍTULO 1

JAMES

O pub era escuro e sujo, com um persistente aroma de bife e torta de rins e um carpete pegajoso de décadas de cerveja derramada. Não havia muitos pubs antigos como esse sobrando em Londres. Mas se você conhecesse algumas ruas em áreas pobres, ainda poderia encontrá-los. Eu já estava frequentando esse lugar há um mês, e antes dele, havia sido uma espelunca diferente, numa parte diferente de Londres – lugares diferentes para mergulhar em um estupor alcoólico, atrasando o dia em que eu tomaria a decisão de morrer. Era quieto e ninguém me incomodava. Eles não tocavam música, não havia máquinas caça-níqueis ou mesas de sinuca, apenas um alvo de dardos pregado à parede. Você deveria trazer seus próprios dardos, mas eu jamais havia visto ninguém jogar. Durante o dia, os caras mais velhos se apoiavam no balcão do bar, bebendo cervejas pretas e liam a coluna de esportes antes de decidirem em quais cavalos ou times de futebol apostar. Depois do trabalho, algumas pessoas mais novas chegavam para beber cerveja importada e, quase antes de fecharem, a verdadeira vida noturna surgia, com personagens obscuros fazendo negócios no beco escuro do lado de fora. Eu estava contente em me sentar, assistir e encher a cara, bebericando meu nono ou décimo uísque do dia. Nem mesmo isso era o suficiente para preencher o vazio dentro de mim ou para anestesiar a dor: uísque era bem menos perigoso que mulheres. Além disso, minha tolerância para álcool já estava no ponto em que seria difícil me anestesiar. Mesmo assim, eu já não era capaz de dormir à noite há algum tempo. Desmaiar era a única opção. O truque era ficar sóbrio o suficiente para voltar para meu apartamento, mas não sóbrio o bastante para me lembrar de como cheguei. Talvez uma noite eu bebesse o suficiente para entrar em coma e não acordaria mais. Ou assim eu esperava. A porta do The Nag’s Head se abriu novamente, trazendo uma explosão 8

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gelada pelo pub, fazendo os velhos resmungarem e fazerem cara feia. Por hábito, olhei para cima com os olhos turvos e cansados. Então olhei novamente. O recém-chegado caminhou até mim tirando seu gorro e desenrolando um cachecol longo de seu pescoço. — Olá, James. Eu perguntaria como você está, mas posso ver com meus próprios olhos. Você está péssimo. Eu ainda estava sentado com a boca entreaberta quando Clay se sentou no lugar oposto a mim, um pequeno sorriso triste em sua face. A última vez em que eu o havia visto, ele estava em uma cama de hospital aguardando por sua terceira ou quarta cirurgia, porque ele havia perdido a perna direita em um ferimento causado por uma explosão. Dezoito meses depois, ele parecia estar bem e saudável, e caminhava facilmente com uma prótese. Não que você pudesse dizer que ele não tinha ambas as pernas – eu só sabia por que estava presente quando o ferimento aconteceu. Eu fechei minha mente para a memória e levei o copo de uísque aos lábios. A mão de Clay se fechou em meu pulso. — Esse não é o caminho, irmão —, ele disse gentilmente. — Ela não ia querer isso. Vê-lo desse jeito, cara, partiria o coração dela. — Não posso partir o coração de alguém que já está morta — eu resmunguei, então virei o uísque em um único gole. Clay não falou nada, ele só me observou. Seu rosto solene. Eu tinha duas perguntas martelando para sair, mas eu não conseguia reunir a energia necessária para fazê-las. Se ele quisesse me dizer como me encontrou e por que estava aqui, bem, ele o faria eventualmente. Além disso, eu suspeitava que já soubesse o como: só o nosso amigo assustador, Smith, teria as conexões para me encontrar quando eu realmente não queria ser encontrado. Logo, só restava o porquê. Levantei meu copo vazio. — Compra uma bebida para um velho soldado? — Sorri ironicamente para ele. — Claro — disse ele facilmente, e foi para o bar. Ele levou o que pareceram anos para ser servido, mas quando retornou estava carregando duas xícaras de café. — Eu não estou muito para bebidas fortes esses dias. — Ele sorriu, sorvendo um bocado de café fraco e morno e então estremeceu. O The Nag´s Head era um pub bem ruim e servia cerveja péssima, mas

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o café deles era ainda pior. Sua reação me fez sorrir, algo que eu não fazia há muito tempo. Eu não queria café – eu queria continuar a beber até que eu parasse de pensar, mas levantei os olhos, encontrando os de Clay. — Você viajou o longo caminho de Ohio até aqui para me irritar, então deve ser sério. Você precisa de dinheiro, conselho ou um álibi? Porque estou quebrado, dou péssimos conselhos e sequer seria capaz de dar um álibi a uma freira. Ele sorriu e tomou um gole de café, apenas balançando a cabeça enquanto seu olhar pousou sobre minha barba desalinhada, roupas sujas e as botas de exército surradas. — Como está a perna? — murmurei finalmente. — Você sabe, eu me perguntei sobre isso — ele disse pensativo. — Você acha que eles a cremaram? Ou talvez a enterraram? Parece estranho que minha perna possa ter tido um funeral sem mim. Eu o olhei boquiaberto. — Oh, você está escutando. Ótimo, só estava checando. Bem, eu vou lhe dizer, irmão, foi uma longa jornada para chegar até aqui. — Ele olhou em volta do pub, franzindo a testa. — Apesar de que, preciso te falar, na minha cabeça nosso reencontro seria em um lugar com mais classe. — Não é romântico o suficiente para você? — perguntei com a boca cheia. Seus olhos escuros brilharam divertidos. — Agora que você mencionou — ele disse alegremente —, esse lugar é um buraco de merda. — Então sua expressão se tornou séria novamente. — Por que você está aqui mesmo, James? Minha mente ainda estava turva, mas eu tinha certeza de que aquela era a minha fala. — Eu ia lhe perguntar a mesma coisa. Ele pareceu considerar sua resposta, recostando-se em seu assento e me estudando. — Eu quero lhe oferecer um trabalho. Eu cuspi café na mesa, então enxuguei a boca com a manga da camisa. — Seu senso de humor não melhorou, Clay. Ele me deu um meio sorriso. — Oh, eu não sei. Talvez você seja a piada, irmão. — Sim, com certeza eu sou — eu rosnei. — Maldita piada cósmica, uma piada interestelar. Sim, eu sou mesmo a piada. Ele fez uma careta.

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— Eu não quis dizer isso. Veja bem, eu tenho uma proposta genuína e viajei várias milhas, então pelo menos me dê a cortesia de uma resposta verdadeira. Eu me engasguei com outro gole de café enquanto fazia uma careta para ele. — Ah, é? Quem você quer que eu mate? — bufei com minha própria piada. Ele suspirou. — Ofereceram-me um emprego para trabalhar para o Fundo Halo. Você sabe o que eles fazem, certo? Ele queria trabalhar para uma das maiores instituições de caridade de limpeza de minas terrestres do mundo? Esse foi um pensamento para me trazer de volta à sobriedade. — Sim, eu sei o que eles fazem. Limpam tudo depois que a guerra acaba: bombas, minas terrestres, munições de grande calibre – todos os escombros das batalhas perdidas. Eu me lembrei de quando era criança e assistia à Princesa Diana na TV, vestindo um colete tático militar e um capacete enquanto ela caminhava por uma estrada em Angola; sinais de ‘PERIGO’ em ambos os lados, e depois passava horas conversando com crianças que haviam perdido membros quando pisaram em minas terrestres. Eu tinha oito anos de idade e já sabia que o mundo era um lugar fodido. Clay assentiu. — É isso mesmo. Eu serei o supervisor, executando a logística local, mas precisarei de um operador da Brigada Antibombas EODs como gerente do projeto para ensinar aos locais como procurar e destruir munições deixadas para trás. Eu o encarei enquanto sacudia a cabeça. — Eu não sou o homem certo. Você precisa de alguém que se preocupe o suficiente para fazer o trabalho direito. Precisa de alguém que se importe, companheiro. Seu olhar esfriou apesar de ainda permanecer com um pequeno sorriso. — Um Técnico de Munição suicida? Eu pensei que esse seria o trabalho perfeito para você, James. Já que não se importa se irá viver ou morrer, por que não fazer o bem antes? Fazer o bem. As palavras ecoaram pelo meu cérebro. Ela teria querido fazer o bem. Aquela-que-não-deve-ser-nomeada. Terminei o café nojento e encarei Clay. — Vou pensar no assunto. Ele sorriu abertamente. — É bom o suficiente, irmão. Bom o suficiente.

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1º Capítulo "Explosiva", Jane Harvey-Berrick  

Leia o primeiro capítulo do livro "Explosiva", da autora Jane Harvey-Berrick, publicado pela The Gift Box Editora.

1º Capítulo "Explosiva", Jane Harvey-Berrick  

Leia o primeiro capítulo do livro "Explosiva", da autora Jane Harvey-Berrick, publicado pela The Gift Box Editora.

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