Page 1


arsen Traduzido por Samantha Silveira

1ª Edição

2019


Direção Editorial: Roberta Teixeira Gerente Editorial: Anastacia Cabo Tradução: Samantha Silveira

Arte de Capa: Dri KK Design Revisão: Martinha Fagundes Diagramação: Carol Dias

Copyright © 2013. Arsen by Mia Asher. Copyright © The Gift Box, 2019 Published by arrangement with Bookcase Literary Agency and RF Literary Agency. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte do conteúdo desse livro poderá ser reproduzida em qualquer meio ou forma – impresso, digital, áudio ou visual – sem a expressa autorização da editora sob penas criminais e ações civis. Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, lugares e acontecimentos descritos são produtos da imaginação da autora. Qualquer semelhança com nomes, datas ou acontecimentos reais é mera coincidência. Este livro segue as regras da Nova Ortografia da Língua Portuguesa. CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ Meri Gleice Rodrigues de Souza - Bibliotecária CRB-7/6439

A852a Asher, Mia Arsen / Mia Asher ; [tradução Samantha Silveira]. - 1. ed. - Rio de Janeiro : The Gift Box, 2019. 342 p. Tradução de: Arsen ISBN 978-85-52923-89-3 1. Romance americano. I. Silveira, Samantha. II. Título. 19-57383

CDD: 813 CDU: 82-31(73)


Para minha linda famĂ­lia, vocĂŞs iluminam a escuridĂŁo dentro de mim.

arsen

5


“Enquanto observava você ir embora, vi cada sonho que eu nunca tinha sonhado, cada um dos meus desejos que ainda estavam para se tornar realidade, senti cada grama de amor em meu coração, soube de tudo isso quando lhe vi partir... Mas eu sei que você também sabia disso, porque levou tudo de mim junto com você.” Desconhecido.

6


´ PROLOGO

DESTRUÍDA Estou perdida. Estou me distanciando... Afogando-me em um mar de tristeza e dor conforme ondas de pesar continuam me puxando para baixo, onde uma ressaca de ressentimento não quer me soltar. Talvez eu deva desistir? Encarando vagamente os belos olhos escuros da Dra. Pajaree, ouvindo o diagnóstico em sua voz pragmática, mas amigável, não posso deixar de imaginar para onde a magia se foi? A vida real está contaminando nosso romance de conto de fadas com toda a sua feiura? Sim. Possivelmente. — É mais conhecido como aborto habitual... perda gestacional recorrente... três ou mais abortos espontâneos de gestação... Com os braços firmemente em volta da barriga, balanço para frente e para trás, tentando ouvir o que ela está dizendo, suas palavras entrando e saindo da minha consciência. Sei que deveria estar prestando mais atenção, pois ela está me explicando a razão de eu não ser mulher suficiente, porque não consigo manter um bebê no corpo o tempo necessário para ser capaz de segurá-lo em meus braços, porém, tudo que quero fazer é tirar de cima de mim o cobertor gelado da dormência que me envolve. Não está dando certo. Ainda estou com tanto frio, tão morta por dentro. Sentir o braço forte de Ben envolvendo meus ombros interrompe o balanço doentio, mas até mesmo seu abraço caloroso não pode me ajudar a me livrar desse desamparo que ameaça assumir o controle. Eu me pergunto por que os médicos usam jalecos brancos. É uma cor tão feia. Estéril. Ben dá um aperto no meu ombro, me acordando do meu estupor. arsen

7


— Nos diga o que fazer, aonde ir, com quem falar... não importa. Nós faremos o que for preciso, Dra. Pajaree. Não importa o quanto custe — diz Ben, sem me soltar. Concentrando meu olhar no rosto da Dra. Pajaree mais uma vez, escuto suas próximas palavras: — Claro, Ben. — Dra. Pajaree olha para Ben com compreensão nos olhos por um momento, depois se vira na minha direção. — Cathy, já que este é o seu terceiro aborto, acho que está na hora de fazermos alguns exames com vocês dois. Estou falando de exames para diagnosticar alterações de cromossomos dos pais, de sangue para verificar trombofilia, tireoide, os ovários... se pudermos identificar a causa dos abortos espontâneos recorrentes, poderemos estudar as opções de tratamento. — De-desculpem-me. Preciso ir ao banheiro. Sinto muito. A cadeira faz um som estridente horrível quando a empurro com força para trás e saio da sala, só que não me importo. Correndo para o banheiro, eu me tranco dentro e fico na frente da pia. Vejo um brilho de suor cobrindo a testa e todo o meu corpo parece estar tremendo ligeiramente. Engolindo em seco, fecho os olhos enquanto tento me recompor. Não posso ter outro ataque de pânico. Eu não posso. — Cathy! Abra a porta, Cathy! Por favor, me deixe entrar — implora Ben, batendo na porta. — Por favor, Cathy. Abra a porta. Há um indício de desespero em sua voz. Sem querer chamar mais atenção para nós, abro a porta e o deixo entrar. Assim que entra, ele me envolve em um abraço que me sufoca e esmaga minha alma, e enterra o rosto na curva do meu pescoço. — Querida, por favor... não desista. Vai dar tudo certo. Eu te prometo, não deixarei pedra sobre pedra. Não há lugar no mundo onde eu não te leve, não há nada que eu não faça até que tenhamos um filho para chamar de nosso. Prometo a você, Cathy. Aumentando a força do seu aperto em volta de mim e me puxando para mais perto, Ben sussurra: — Por você, farei qualquer coisa. Qualquer coisa. Ao retribuir seu abraço, acredito na sincera oração que ele está entoando no meu ouvido, e acredito em suas palavras com todo o coração, mas até mesmo Ben não consegue impedir a dormência que se acomoda ao meu redor, pousando em volta do meu coração. Consigo sentir que estou me afastando dele. Do seu amor. 8


Do meu casamento. E nĂŁo hĂĄ nada que eu possa fazer para impedir isso. Nada.

arsen

9


´ CAPITULO 1

PRESENTE — Amor, você pode buscar as roupas na lavanderia hoje? Talvez eu me atrase. Amy precisa que eu vá buscar o novo cara no aeroporto. Meu marido ergue os olhos castanhos do jornal que está segurando, e dá o mesmo sorriso que me roubou o fôlego na primeira vez em que o vi onze anos atrás. Não reajo mais assim. Às vezes parece que estou vivendo com um homem que não conheço. Um homem cujo rosto parece familiar, mas continua sendo um estranho. Às vezes sinto que a normalidade de nossas vidas me fará enlouquecer. — Claro, sem problemas. Só me lembre, quem é esse cara? — Ele coloca o jornal na mesa e passa a mão pelo cabelo preto curto. Olhando para o meu marido enquanto seus lábios tocam a borda da caneca de café, percebo o quão bonito ele realmente é. A percepção de que pareço ter me esquecido de como ele é, de verdade, me acerta feito um touro correndo pelas ruas de Pamplona. Será que estou tão insensível a ele que me esqueci de como seus olhos cor de mel se iluminam iguais a pedra preciosa mais brilhante que existe quando ele te olha diretamente? Como o seu olhar é tão penetrante quanto a ponta da agulha quando perfura sua pele? Pareço ter esquecido que quando ele sorri, uma covinha aparece em sua bochecha esquerda. Aquela covinha está me provocando, me implorando para beijá-la, mas não beijo. Não tenho tempo para ficar sentada aqui, admirando meu marido. Preciso ir para o trabalho. — Cathy? Está me ouvindo? — Ele está acenando com sua grande mão na frente dos meus olhos, tentando chamar minha atenção. Saio do meu devaneio, voltando a focar em seu rosto e boca. Ele está falando comigo, mas tudo que ouço é o irritante zumbido elétrico do jardineiro trabalhando em nosso jardim. Buzz-Buzz-Buzz-Buzz. Tentando parar de pensar nisso, balanço a cabeça. 10


— Desculpa, amor. O barulho do jardineiro está me distraindo. O que estava dizendo? Ternamente sorrindo para mim, Ben responde: — Sua chefe, Cathy. Você disse que a Amy quer que você vá ao aeroporto buscar alguém hoje à noite? — Ah, é sim. Não tenho certeza de quem é a pessoa, mas parece que ele está vindo com o filho e a esposa. Acho que vai assumir a empresa. Eu não sei. De qualquer forma, tenho que ir logo. Levantando-me, caminho até meu marido e me inclino para beijá-lo na bochecha. Quando estou me afastando, Ben agarra a minha nuca e traz meu rosto para beijá-lo nos lábios. Assustada, não correspondo ao beijo na hora até que sinto sua língua tentando entrar na minha boca. Eu a abro para recebê-lo e começamos a nos beijar com fervor. Sua língua envolve a minha ao mesmo tempo em que sinto sua mão se esgueirando sob a saia, indo até o meu centro. Quando o polegar dele engancha por baixo da borda da calcinha e a puxa de lado, seu dedo médio entra em mim e interrompo o beijo. Endireito meu corpo completamente e olho para Ben, que apenas dá um enorme sorriso para mim. Seus lábios estão úmidos do nosso beijo, e não consigo segurar a risada quando ele sorri assim. Acho que ele tem duas velocidades – excitado ou cansado. — Sério, Ben? Tenho que ir trabalhar. — Eu me viro, mas as mãos de Ben seguram minha cintura por trás e puxam para me sentar em seu colo. Oh, céus... Ele ri no meu ouvido, cutucando minha bunda com sua enorme ereção. — Não consigo me controlar perto de você, Cathy. É sexy demais de manhã. Por favor, só uma rapidinha. — Sua língua está dentro do meu ouvido, traçando os contornos enquanto a mão volta a trabalhar sob a minha saia. — Ben, pare com isso. Tenho que ir para o trabalho. E já... estou atrasada... — Ah, é, amor? — sussurra com a voz rouca no meu ouvido. Ah, esses dedos... Percebendo o que está acontecendo e o que não quero que aconteça, empurro as mãos dele do meu corpo e me levanto. Quando olho para baixo tentando alisar a saia para desamarrotá-la e acalmar as aceleradas batidas do meu coração, noto minhas mãos tremendo. Depois de respirar lentamente algumas vezes, ergo os olhos e o vejo me observando com desejo carnal explícito quando traz o dedo, que estava dentro de mim, até arsen

11


a boca e o chupa. Com força. Ben o tira da boca e a língua segue atrás, traçando o sabor do meu corpo que ainda resta em seus lábios. Sinto uma poderosa onda de calor disparar bem onde a mão dele estava não muito tempo atrás. Quando percebe que não estou me movendo, ele ri, e então, pega a minha mão, puxando para ele e me erguendo para me sentar escarranchada em seu colo. — Amor, eu senti sua falta — diz asperamente. Quando ele se inclina para acariciar meu pescoço, sinto um tipo de desespero crescer dentro de mim. Eu o quero. Quero que assuma a liderança, faça tudo desaparecer. Suas mãos se fecham ao redor dos meus pulsos, movendo-os para envolver seu pescoço, depois agarra minha bunda, me empurrando contra sua ereção. — Preciso de você, querida. Tanto, porra — diz antes de me soltar e começar a desabotoar minha camisa de seda, abaixando o sutiã e expondo meus seios para ele. Sem interromper o beijo, eu solto o pescoço dele e abro seu cinto, desço o zíper da calça e puxo para baixo a boxer. Seguro sua ereção e começo a acariciá-lo, sentindo a força de seu pau nos meus dedos. — Chega — diz ele roucamente, colocando a mão sobre a minha, me parando. — Deixa que eu faço. Eu aceno, permitindo que faça o que quiser comigo. Nós nos tornamos frenéticos, a necessidade um pelo outro vibrando através de nossos corpos, e mal temos tempo de levantar minha saia e deslizar a calcinha de lado; ele já está empurrando para dentro. — Caralho, você está molhada. — Nós dois olhamos para onde nossos corpos estão conectados e observamos quando ele começa a sair de mim. Não existe nada mais sensual do que ver a ereção do seu amante saindo de você, coberto pela reação do seu corpo ao toque dele. Coberto de desejo. Ligados como estamos, sou sobrepujada por essa sensação de querer ser possuída por Ben. Por deixá-lo louco de desejo. — Chega de falar, Ben. — Puxo sua cabeça em direção à minha e o beijo de novo, deixando que seus impulsos definam o nosso ritmo. Depois que alcanço meu orgasmo, Ben se permite o mesmo. — Puta merda — murmura. Com a respiração ofegante, os braços ainda um ao redor do outro, minhas pernas enroladas em volta da sua cintura e nossos corpos se acalmando, olhamos um para o outro e sorrimos. Qualquer que seja o desespero que senti dentro de mim antes, se desfez. 12


Por enquanto. — Caramba, esposa, se isso é o que você chama de café da manhã — ele aperta meus quadris —, acho que talvez nunca mais o pule. — Sorri. — Melhor que café? — pergunto, corando. Ben joga a cabeça para trás e ri. Ele segura meu rosto e me faz encarálo até que me perco em seus olhos castanhos. — Sim, muito melhor do que café. — Ele acaricia meu lábio inferior com o polegar. — Amo seu sorriso, esposa. Mesmo depois de todos esses anos, é capaz de ir direto para o meu... — Ele me cutuca gentilmente, ainda dentro de mim. — E meu coração. — Ele se inclina e dá um beijo suave nos meus lábios sorridentes. — Eu te amo, amor. — Eu também te amo. Acho que precisamos tomar outro banho antes de ir para o trabalho. — Desvencilho as pernas de sua cintura, nossos corpos se separam e saio de seu colo. Junto minha camisa na frente dos seios, cobrindo-os, e vou para o nosso quarto com Ben logo atrás. Quando minhas mãos tocam minha barriga vazia, eu calo a voz dentro da minha cabeça, lembrando-me do vazio esmagador se espalhando dentro de mim como um buraco negro, sugando toda a felicidade ao meu redor. A voz me dizendo que tudo continua igual. Ou não.

arsen

13


A The Gift Box é uma editora brasileira, com publicações de autores nacionais e estrangeiros, que surgiu no mercado em janeiro de 2018. Nossos livros estão sempre entre os mais vendidos da Amazon e já receberam diversos destaques em blogs literários e na própria Amazon. Somos uma empresa jovem, cheia de energia e paixão pela literatura de romance e queremos incentivar cada vez mais a leitura e o crescimento de nossos autores e parceiros. Acompanhe a The Gift Box nas redes sociais para ficar por dentro de todas as novidades.

www.thegiftboxbr.com /thegiftboxbr.com @thegiftboxbr @thegiftboxbr bit.ly/TheGiftBoxEditora_Skoob

Profile for The Gift Box

1º Capítulo "Arsen", Mia Asher  

Leia o primeiro capítulo do livro "Arsen", da autora Mia Asher, publicado pela The Gift Box Editora.

1º Capítulo "Arsen", Mia Asher  

Leia o primeiro capítulo do livro "Arsen", da autora Mia Asher, publicado pela The Gift Box Editora.

Advertisement