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PLANEAMENTO ESPACIAL

LSD | the Lisbon School of Design


PLANEAMENTO ESPACIAL

Ainda que um designer de interiores esteja sempre consciente dos aspectos estéticos e holísticos de qualquer espaço que esteja a planear, o lado prático e funcional dos mesmos constitui uma prioridade óbvia.

Qualquer espaço deve ser desenhado e planeado para uma função ou conjunto de funções particular, satisfazendo as necessidades e actividades das pessoas que o vão ocupar. A circulação é um aspecto crucial do design de interiores.

No projecto de um restaurante, por exemplo, poderá ser necessário desenhar um gráfico de fluxos de circulação, de modo a assegurar que clientes e funcionários se conseguem mover no mesmo espaço, com conforto e segurança, desde a entrada às mesas, da cozinha às mesas, das mesas às instalações sanitárias e assim sucessivamente.


Em qualquer plano, devemos contemplar espaço suficiente em torno das peças de mobiliário, para abertura de gavetas, janelas ou portas de armários. Também o posicionamento do sentido de abertura das portas faz parte deste processo.

A arrumação e o armazenamento de objectos também assumem um papel extremamente relevante nas nossas vidas, daí que o designer de interiores tenha que planear estas situações com precisão, de modo a que todos os objectos que necessitem de arrumação/armazenamento possam ser acondicionados com a máxima eficácia e facilidade de acesso.

A segurança em ambientes interiores também faz parte do planeamento prévio, devendo o designer de interiores ter especiais precauções quando os projectos envolvem utilização por parte de crianças ou pessoas idosas.


SEQUÊNCIAS DE ESPAÇOS

Ainda que a composição de espaços em planta seja, tradicionalmente, campo de trabalho da arquitectura, o design de interiores também deverá estar envolvido no processo de composição da sequência de espaços de uma habitação, de forma a que o projecto possa reflectir um design coerente. Nesse sentido, conseguir uma relação satisfatória de colaboração, entre arquitectos e designers de interiores, é tão importante quanto o domínio dos dois principais métodos de organização da relação entre espaços: a planta e o corte.


COMPOR UMA HABITAÇÃO EM PLANTA

1 | Circulação Independente: o design de interiores parte, geralmente, de uma planta. A lógica fundamental da planta consiste na distinção entre espaços que podem servir tanto como espaço de estar ou de circulação para chegar a outros espaços – tais como a sala de estar, a sala de jantar e a cozinha – e espaços que, por questões de privacidade, requerem espaços de circulação independentes – como os quartos e as instalações sanitárias.

2 | Espaços de Serviço: um terceiro tipo de espaços é formado pelos closets, armários, despensas, lareiras e apoios de lavabo. Esta categoria de espaços pode também ser planeada de forma a que se situem junto a paredes, que tenham conveniência em ser mais espessas, por questões de criação de isolamento acústico, bem como para criação de um sistema lógico de canalização, ventilação e sistemas mecânicos, ligado ao esquema estrutural de uma casa. Quando compomos a planta de uma habitação, é útil considerar estes espaços mais pequenos consolidados como massas sólidas, em oposição aos espaços abertos das divisões maiores.


3 | Relações entre espaços: podemos construir redes de espaços agregando divisões, funcionando o espaço entre cada divisão como zona de isolamento o limiar entre espaços. As divisões de uma casa também podem ser criadas subdividindo um espaço com paredes mais espessas ou zonas de agrupamento de funções. A planta da Casa Robie (1909, Chicago, Illinois) é composta por duas alas distintas, que separam o espaço público do espaço privado.

A planta da Casa Farnsworth (1951, Plano, Illinois) é um exemplo de agrupamento de espaços funcionais num volume. A cozinha, as instalações sanitárias e áreas de arrumos estão concentradas num único volume numa planta organizada em open-space.


Arquitectos: SFARO Architects / Nir Rothem & Bosmat Sfadia Wolf Localização: Tel-Aviv, Israel Ano: 2011 Área: 40 m2


http://www.youtube.com/watch?v=juWaO5TJS00 http://www.youtube.com/watch?v=Lg9qnWg9kak&feature=fvwrel http://www.youtube.com/watch?v=Q4FoAr8i26g&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=JZSdrtEqcHU&feature=relmfu http://www.youtube.com/watch?v=8RbxkrmuQ5E&feature=relmfu http://www.youtube.com/watch?v=g-laljsTp0g http://www.youtube.com/watch?v=McFSCLLFA_Q


COMPOR UMA HABITAÇÃO A PARTIR DE UM CORTE

Quando uma casa é composta a partir das plantas de cada um dos pisos, é frequente que todos os espaços partilhem o mesmo pé direito. No entanto, uma casa deveria, idealmente, ser composta por espaços de diferente pé direito, de acordo com as suas proporções de largura e comprimento. O pé direito da sala de estar deveria ser mais alto do que o das instalações sanitárias ou da despensa, por exemplo. Para estudar as possibilidades de uma habitação com este tipo de dinâmica e combinações de pé direito, a melhor ferramente é o corte. A forma mais interessante de combinar diferenças de pé direito passa pelo desenho de espaços com duplo pé direito, de forma a que possa haver comunicação visual entre o espaço superior e inferior.

O corte da Villa Baizeau (1929, Cartago, Tunísia) combina espaços de duplo pé direito, que se transformam em espaços de pé direito simples quando se intersectam.


Le Corbusier desenhou algumas habitações organizadas em torno de salas com duplo pé direito, em várias fases da sua carreira. Outra estratégia para variar o pé direito em diversas divisões de uma casa, pode passar por ligeiros desníveis no pavimento de divisões adjacentes, comunicantes entre si através de pequenos degraus.

Separar secções de uma casa, através deste tipo de

Na Muller House (1930, República Checa), uma série de espaços íntimos, em terraço,

degraus, em vez de ter um plano de pavimento

organizados ao lado de um espaço de triplo pé

contínuo, pode oferecer numerosas vantagens, a nível

direito, exemplificados neste corte, ilustram outra estratégia de variação de alturas de pé

psicológico e funcional.Também a modelação de tectos falsos pode fazer variar o pé direito, de divisão para divisão.

direito.

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