Ainda que a violência permaneça como uma referência no imaginário da população brasileira, nesta década abriu-se espaço para outras imagens sobre as favelas e, principalmente, outros produtores de representações. Nos últimos anos a industrialização da fotografia e o barateamento dos equipamentos permitiu sua rápida absorção pelas camadas populares. Há um maior acesso aos dispositivos fotográficos, seja um celular e até máquinas fotográficas, possibilitando uma maior apropriação dessas tecnologias pelas áreas mais pobres da cidade, o que facilita o processo de naturalização da ferramenta e fomenta um novo movimento de fotógrafos populares. Nesse sentido, percebe- se o crescimento do número de fotoclubes nas favelas do Rio de Janeiro, compostos pelos próprios moradores desses espaços, buscando criar novas representações sobre o território que valorize a autoestima e as relações sociais. O trabalho orienta-se pela pesquisa e análise da produção fotográfica do coletivo Foto Clube Alemão.