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Título original: TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO

Copyright© 2015, Editora T&T.

Direitos para a língua portuguesa reservados, com exclusividade para o Brasil, à EDITORA T&T LTDA. Av. Roque Petroni Júnior, 576 – Cidade Monções CEP 04707-000 – São Paulo – SP Tel.: 1234-1234 Printed in Brazil/Impresso no Brasil Capa THAIS TARMANN CIP-Brasil. Catalogação-na-fonte. Sindicato Nacional dos Editores de Livros, SP.

Dantas e Tarmann, Thaís C33i Tamanho nem sempre é documento Thaís D. T.; com textos diversos do ambiente digital. – São Paulo, 2015. . 1. Literatura Brasileira . 00-0000 CDD- 000.000000


Dedicamos esse livro a todas mulheres. Mulheres assim como nós que procuram direitos iguais (e não privilégios). Mulheres que trabalham duro todos os dias para conseguirem seu espaço perante a sociedade. Mulheres que assim como nós são sobreviventes do cotidiano e que sempre buscam o melhor de si - para serem mais sábias, fortes e bonitas - cada uma ao seu jeito. Mulheres que aprenderam a não se calar mais perante uma injustiça e buscam o aperfeiçoamento para desconstruir os preconceitos e ideias que desde sempre colocam em nossas cabeças.


Introdução Tamanho nem sempre é documento? Ao abrir este livro, você deve estar pensando que se trata do famoso jargão com a qual nos deparamos na hora H, mas muito se engana quem pensa assim (até porque um livro inteiro sobre isso com o tanto de artigos já publicados e debates entre círculos de amizade - já não faria mais tanto sentido para nós). A frase refere-se a nós, mulheres. Se o “tamanho” nunca foi de fato determinante (principalmente para o prazer alheio) então porque pensam que seria para as mulheres? Ser mulher é uma luta constante e todas nós sabemos disso, mas nem por isso deixamos de lutar e sempre nos apoiamos em nossas causas. Juntas, nós mulheres sempre buscamos ir mais longe, desde a luta pelo direito ao voto e pelo direito à educação, até as reivindicações mais atuais, como uma posição igualitária no mercado de trabalho competitivo.


Nesse livro iremos apresentar um pouco do feminino, e tentar descontruir um pouco das raízes que instaladas a partir disso em nossas cabeças. O feminismo é a busca por direitos iguais dos sexos dentro de uma sociedade e está cada vez mais presente no nosso dia a dia e com maior importância, principalmente depois da popularização das redes sociais e mídias digitais, dando uma justa continuidade às lutas das nossas colegas, que no século XIX já buscavam um papel mais ativo na socidade através da mídia impressa. Através de textos publicados em blogs, pessoas como nós falam abertamente sobre suas experiências de vida, sejam elas relacionadas a comportamento e auto-conhecimento, relacionamentos em geral e até a assuntos mais delicados, como a sua sexualidade - que sempre foi tão renegada e “proibida” para as mulheres. Nesta coletânea buscamos juntar os melhores textos, para que nós mulheres possamos conhecer mais a nós mesmas e a outras mulheres que, através do comportamento mais ativo, também desejam conhecer mais sobre seu lugar na sociedade, relacionamentos afetivos e quebrar tabus sobre seu próprio corpo e desejos sexuais. Aqui falaremos abertamente de absolutamente tudo, erros, acertos e dicas, pois este é um livro feito por mulheres e para mulheres.


O título “Tamanho nem sempre é documento” de fato lembra muito a tal famosa frase, mas no nosso contexto refere-se também ao tamanho da nossa personalidade, da nossa atitude, do nosso corpo, e de como queremos ser vistas dentro da sociedade. Do quanto queremos (e podemos) ir além! Afinal, não é o tamanho do meu cabelo que irá definir minha sexualidade, meu peso não denuncia minha vaidade (ou a falta dela), e meus sorrisos ou lágrimas nem sempre demonstram meu total sentimento. Há muitas variáveis e o principal conceito que queremos que todos levem de nosso livro é que, de fato, tamanho algum é documento. Não julgue, não tenha “pré-conceitos”. Conheça, se conheça, avalie e tente sempre ver todos pontos antes de tirar conclusões. Desabroche e mostre o quanto nós mulheres podemos ser fortes, sábias e guerreiras. Nós, de coração (como poderão ver ao decorrer dessas páginas) esperamos que vocês leiam essa coletância, reflitam sobre si mesmas e o ambiente que as cerca e tomem um papel mais ativo na sociedade, sem deixar espaço para vergonhas ou tabus. Sejam vocês mesmas, pois cada uma de vocês é linda sim, do jeitinho que são.


COMPORTAMENTO Você nem imagina o quanto é linda! O bonito da vida vem de dentro. À minha futura filha. Apego difícil de desapegar. Ter amor próprio e auto estima. Seu corpo não é uma fruta. Um tempo que ninguém tem tempo. Feminismo - A liberdade por trás da culpa. A arte de vencer o preconceito. Dúvidas sobre o feminismo. Por um mundo que te aceite como você é. Por um mundo com mais pessoas que se bastam. O que você tem feito da sua vida? Coisas que aprendi com o tempo.

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12 atitudes para levantar sua auto estima. 15 coisas que aprendi com a vida.

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RELACIONAMENTO A importância dele te fazer sentir linda. Pode sim se apaixonar. A pessoa perfeita não existe. Ele não é a última pessoa da sua vida. As grandes pequenas coisas do amor. Amor é outra coisa. Precisamos falar sobre traição. Porque você não entende o amor. O não elogio. Esse cara nunca vai ser ser seu. O amor é generoso, nós é que não somos. Eu não sei nada sobre o amor. Relacionamento aberto - Mitos e verdades. Você não vai quebrar meu coração.

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10 coisas que valem muito mais do que uma aliança. 10 formas de evitar ter o seu coração partido.

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SEXUALIDADE O poder do beijo na boca. A arte da pegada. Sexualidade não define meu caráter. Sexo bom é sexo de luz acesa. A indústria pornográfica para mulheres. Sexo pode ser aquilo que você quiser. Você não é obrigada a transar todos dias. Uma visão sobre o sexo casual. Ela também quer sexo. Um tapinha não dói. Sexo anal sem complicações. Pompoarismo - A técnica dos prazeres intensos. Os segredos do orgasmo feminino. Benefícios do sexo para a saúde.

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31 coisas que o sexo nos ensina. 10 acidentes sexuais mais comuns.

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Comportamento


COMPORTAMENTO

Laura Abou, do blog Casal Sem Vergonha.

G

arota, tira essa maquiagem e esse salto alto. Para de alisar esse cabelo, que até fica colado na cara. Tira o sutiã que te aperta, e talvez esse espartilho pra afinar a cintura, e vai colocar aquela sua camiseta folgada predileta que te faz sentir confortável. Se livre dessas amarras e da forma perfeitinha, da boneca perfeita que você pensa que precisa ser. A gente sabe disso, mas não custa lembrar. Que você pode – e deve – ser como você quiser ser. Temos a mania de nos preocuparmos a maior parte do tempo, com o que as pessoas vão ver quando olharem pra gente, e nos verem sem aquela maquiagem, o vestido cinturado, o cabelo feito e as unhas sem cutículas. Todo mundo fica igual, cópias sem personalidade sempre em busca de um padrão definido pela sociedade. Você quer mesmo que as regras da sua vida sejam ditadas por outras pessoas? Você não nasceu maquiada e quando morrer – sim, ainda não descobrimos a fórmula da imortalidade – você não vai querer ser lembrada como a garota

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Pare de deixar de ser você, garota. Esquece todas essas neuras, esses padrões e preocupações estéticas, que te fazem passar mais tempo procurando defeitos no seu corpo pra corrigir, e acabar esquecendo de aproveitar a vida. Se alguém te amar, e eu sei que vai, será sem essa produção toda daquele primeiro encontro. Se for amor de verdade, claro. Ele ou ela, vai te olhar toda manhã, mesmo de cabelo bagunçado e sem nenhum pó ou rímel, e te amar mesmo assim. Vai gostar daquela marquinha que você tem perto da sobrancelha, que a torna falha e você odeia, mas ele não vai se importar. Aquela pinta nas costas, ou a manchinha de nascença no pé, vai ser um charme. E além de tudo, ele(a) vai amar aquela mecha ondulada mais curta que cai no seu rosto quando você prende o cabelo. Ou o quanto você fica estilosa com seu cabelo black power. Ele vai te amar de todos os jeitos, seus trejeitos, e mesmo os seus defeitos. Então garota, seja você e seja feliz por isso. Deixa esse teatro todo, solte o cabelo selvagem, e se admire sem nenhuma modificação, natural. Você vai ver o quanto é linda.

“Você é linda assim.”

que andava sempre maquiada. Ou com o reboco no rosto. Lembre-se que as pessoas se lembram de você, por quem você é, suas ações, sua personalidade. O que você veste, come, a marca da sua maquiagem caríssima ou não, não é o que te constrói. Ou pelo menos não devia.


COMPORTAMENTO

Rossely Rodrigues, do blog Casal Sem Vergonha.

H

oje, acordei e abri a janela do quarto – contrariando os textos que soam como auto ajuda, não era cedo, já passava das 11 e nem fazia um dia lindo, quente e ensolarado. Percebi todas as minhas oportunidades de ser: ser mulher, ser humana, ser minha própria luz em dias cinzas, ser minha melhor companhia, ser calor independente do clima. Os dias, na verdade, são todos assim, nós é que não percebemos – a rotina, os pseudo problemas, os pequenos desesperos diários nos cegam. Hoje percebi a raridade e a beleza de estar vivo. Aliás, de ter a sorte de estar vivo. Num mundo tão vasto e tão miúdo, com tanta beleza sutil que a gente passa por cima, atropela e culpa os compromissos, cons eguir se sentir vivo é uma missão. Nos calçadões, nas praias, nas avenidas, dentro dos carros, nos corredores da faculdade, nas lojas: a maioria das pessoas parece apenas existir. Cumprimos o script: acordamos, tomamos banho, trabalhamos, comemos, voltamos para casa, reclamamos do que podemos mudar e dormimos. Nossa sociedade capitalista nos dá a sensação de felicidade nas compras, na grana gasta no shopping, no carro novo. Assim, esquecemos a verdade mais incontestável de todos os tempos: o melhor da vida é de graça, o bonito da vida vem de dentro. Ninguém precisa de grana pra encontrar os amigos numa praça, ninguém precisa de capital pra esbanjar sorriso, ninguém precisa de mais de uma dose de bom humor pra tornar o dia melhor. 21


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Problemas? Assim como você, aquele cara felizão ali também tem. Nos apegamos à muito e somos, enquanto humanos, tão pouco. Ter ambição não é ruim, em nenhum sentido. A graduação é importante, o mestrado, o doutorado, o bom emprego, o conforto, a possibilidade de ir além do que pensamos. Mas perder o melhor da vida planejando, deixar de aproveitar o que temos – seja a infância, a juventude ou a sabedoria – para pensar sempre no depois, que sempre será uma incógnita se vai realmente haver depois, seria tão importante assim? Não falo de imprudência nem de irresponsabilidade, falo de equilíbrio. Que a gente não dependa do dia bonito pra ter vontade de viver, nem da conta bancária. Que a gente enlouqueça, sim, com os prazos da faculdade e do serviço, mas que haja tempo pra dar um beijo naquela pessoa especial, uma mensagem para os amigos e se fazer presente sempre que possível. Que a gente perceba que o material vem com esforço e não deve ser nosso maior objetivo. Esquece o celular um pouquinho, sente na sala com o seu pai e use o melhor aplicativo de todos os tempos: a conversa agradável que fortalece laços. Essa é a essência da nossa pequena passagem por aqui – não sabemos o que vem depois e, nem é tão importante assim, se pensarmos no presente, no que nos é dado.

Que a gente abra a janela e seja grato por estar vivo, que a gente viva de verdade ao invés de apenas e somente existir. 22


RELACIONAMENTO

Uma conversa franca de uma futura mãe com a sua futura filha. Mônica Alves, do blog Vestiário.

Querida filha,

N

ão é fácil ser mulher. É como se você tivesse ganhado logo de cara um presente bem complicado, uma dádiva e uma cruz. Você nasceu com uma luz única, uma bagagem só sua e que nem todo mundo vai entender. Para você chegar aqui, muitas outras mulheres tiveram que enfrentar, sozinhas, verdadeiras batalhas que pareciam sem esperança, tudo para que você pudesse chegar a esse mundo maluco com alguma segurança. E sabe, filha, a luta ainda não acabou – e agora ela é um pouquinho sua também. Você vai aprender, aos poucos, que uma mulher não anda, ela voa. Cada passo dado na sua vida vai ser embalado por muitos empurrões, sejam eles de incentivo ou não. Você vai perceber que as dúvidas vão te cercar pra sempre, simplesmente por ser quem você é. Será que ela é capaz? Será que ela é forte o suficiente? Será que ela chega lá? Você pode ser o seu máximo, mas para algumas pessoas isso nunca vai ser o melhor.

Filha, alguns dias serão muito difíceis, ao ponto de você não querer sair da cama. Você vai lidar com pessoas que te julgam pela cor do seu cabelo, pelo tamanho da sua calça ou pelo batom que você usa ou deixa de usar. Em alguns momentos, a sensação é de que o seu conteúdo é o menos importante, desde que você esteja em dia 23


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com o seu peso. Você vai perceber que, para algumas pessoas, o seu corpo não pertence a você: ele é propriedade pública.Você vai ser incomodada na rua, vai ter medo de andar sozinha e vai viver situações em que é mais fácil ocultar a realidade do que ouvir um “ah, mas você poderia ter usado uma saia mais comprida”. Todo mundo vai ter uma opinião sobre a sua conduta, mas só você estará na sua pele. Você será colocada em uma situação competitiva com outras mulheres todos os dias da sua vida. Sempre vão te comparar a outra menina na esperança de que você fique mais bonita, mais magra ou mais interessante para algum homem. Como em uma verdadeira guerra, você vai ser vista como inimiga por muitas, mesmo sem saber o motivo – na maioria das vezes ele nem vai existir. E quando você se sentir exausta e precisar de um ombro amigo, vai perceber que poucas pessoas no mundo estão dispostas a te estender a mão sem querer nada em troca: o altruísmo, filha, é uma qualidade cada vez mais rara. O seu esforço vai ser sempre maior, pode ter certeza disso. Você vai estudar, trabalhar e construir sua vida sob os olhares de muitos que se acham mais capazes do que você simplesmente por serem homens. Você vai lidar com salários menores, olhares maliciosos e piadas de mau gosto por onde passar, sempre carregando o estigma de que há algum motivo externo para você ser bem sucedida, muito maior do que a sua capacidade. E se você falhar, minha filha, as críticas serão arrebatadoras. No final, você foi fraca.

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COMPORTAMENTO

Eu não quero te desanimar, filha, mas a realidade é que todo dia é uma batalha. Por mais que pareça que vivemos em um mundo melhor do que nossas avós e bisavós, ainda temos um caminho muito longo a caminhar. Você vai crescer em uma sociedade que não sabe lidar com mudanças e anda a passos lentos, especialmente no que diz respeito aos direitos das mulheres. Todo mundo vai te julgar antes de perguntar a sua opinião e saber o seu lado da história, e isso muitas vezes cansa. A verdade é que, as vezes, você vai se sentir sozinha nadando contra a corrente. E é aí que vem a parte boa: você não está sozinha. Nunca estará. Você nasceu com um dom, mas o tempo vai te ensinar que ser mulher é muito mais do que isso. Você vai, aos poucos, se tornar um ser humano capaz de amar e lutar, sonhar e alcançar, chorar e seguir em frente. Você vai ter o coração partido, se enganar, tirar notas baixas, cair na rua e levar uma bronca do seu chefe, mas você vai sempre saber como respirar fundo e colocar tudo no lugar. Quando te menosprezarem e acharem que você vale menos, você vai sempre se lembrar de quantas outras mulheres já passaram por isso e foram fortes para continuar. Ao deitar na cama depois de um dia ruim, você vai pensar o quão longe você já chegou e o quanto você ainda pode andar.


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Ser mulher, minha filha, é um constante aprendizado. Enquanto o resto do mundo te dá as costas, você tem que erguer a mão. Se as pessoas te mostrarem o caminho errado, você faz a curva. E se estiver muito difícil pra passar, é só descer do salto e ir. Você vai ver que a sua atitude é a sua garantia de sucesso em todos os setores da sua vida, e a chave disso tudo é acreditar no seu próprio valor. Você tem que deixar o medo em casa e seguir lutando dia após dia, ano após ano, para conseguir chegar aonde você quiser. Jamais se prenda ao que os outros vão pensar ou ao quão difícil uma escolha pareça ser. Dê o seu máximo e lembre-se sempre que você pode abraçar o mundo. Afinal de contas, minha filha, você é mulher. E o abraço de uma mulher vai ser sempre o melhor.

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COMPORTAMENTO

Quanto do velho a gente leva para o novo e por que somos tão ligados ao que nos faz sofrer Mônica Alves, do blog Vestiário.

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odos temos momentos difíceis. Um baque, um tombo ou um simples tropeço são o suficiente para colocar toda nossa existência em perspectiva, como se a vida tivesse dado uma pausa. Sabe aquele sentimento de “como isso foi acontecer comigo?”. Então. Acontece com todo mundo – lembra que o R.E.M. disse que todo mundo se machuca às vezes? Imagine que sua vida é um seriado. Imagine agora que é um seriado bom, com uma primeira temporada espetacular que rendeu várias indicações ao Emmy. O sucesso se firmou, vieram mais duas edições ótimas e o ritmo acelerado continua te trazendo altas emoções. Eis que chega o quarto ano e os roteiristas se perdem – mortes desnecessárias, personagens secundários fazendo besteira e um plot twist que ninguém consegue acompanhar. Você, o protagonista dessa série que é a sua vida, se encontra numa encruzilhada: Cancelo tudo? Mudo os roteiristas? Mato todo mundo?

Não dá pra voltar pro começo e reviver aqueles primeiros episódios em um looping eterno – se fosse assim, teríamos feito isso com “Dexter”. Não dá também pra continuar apostando num casal de protagonistas que não vai pra frente ou em um caso misterioso cheio de pistas furadas. Sabe, a vida não é “Lost” (ainda bem).

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TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO Se fosse mesmo tudo parte de um grande seriado, seria nessa quarta temporada cheia de erros que a gente sentaria e pensaria em um caminho novo com personagens bonitos, um cenário todo reformulado e talvez até a mortezinha de algum vilão só pra animar.

Estar infeliz é muito diferente de ser infeliz.

A vida é feita de mudanças. Clichê barato de filme de superação ou só mais uma frase de livro de autoajuda, a verdade é que não nascemos imóveis, e estamos nesse mundo justamente para fazer alguma coisa, mas sabe-se lá o quê. Sair do lugar não é nada simples, mas aquele primeiro passo que deixa um monte de bagagem pra trás é justamente o mais difícil. Eu já tive minha boa parcela de mudanças na vida: casas, escolas, cidades, amigos, namorados. Mesmo sabendo – e querendo – que muito ainda mude, sei que aquela velha história de que “somos o resultado das nossas ações” é a mais pura verdade. Se eu ainda morasse naquela casa ou se continuasse saindo com aquelas mesmas pessoas, com certeza hoje não estaria aqui escrevendo esse texto pra vocês. Imagine então se tivesse continuado com aquele namorado chato, quanta coisa boa eu não teria perdido nesses anos todos? Somos feitos de fases e momentos, e de pouquinho em pouquinho, por mais complicado que seja, vamos chegando perto do que devemos ser. É muito difícil se adaptar ao novo e deixar certas situações pra trás. Acho que a verdade é que nós, seres humanos munidos de sentimentos e um coração que trabalha demais, somos muito apegados ao apego. O gostar demais nos tira do sério,

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COMPORTAMENTO nos transforma e nos faz agir de formas inimagináveis, mesmo que por motivos nobres, e não conseguimos sair disso. Seja em relação a um emprego dos sonhos ou a um grande amor, atraímos, de certa forma, essa necessidade de sofrer pelo que acabou, e é muito mais fácil se deixar levar por isso do que simplesmente seguir em frente. Eu realmente acredito que todos temos nossos momentos de transformação, aquela hora em que paramos pra pensar e vem aquele grande “que porra é essa que eu tô fazendo?”. Assusta pra caramba, mas sabe... isso é bom. É bom porque só assim tiramos nosso lindo bumbum kardashiano da cadeira e resolvemos tomar alguma atitude. A gente pode até chorar abraçado no travesseiro, ouvir muita Christina Aguilera na fase fossa ou até mesmo se entupir do mais delicioso brigadeiro que existe, desde que não seja nossa única forma de mostrar descontentamento. Estar infeliz é muito diferente de ser infeliz, e é isso que a gente demora muito tempo pra perceber. Enquanto gastamos horas pensando naquele grande momento em que tudo vai magicamente se acertar, perdemos chances enormes de mudar grão por grão por nós mesmos. Não vai cair no seu colo, sabe? Também não vai existir um aparelho que apaga sua memória e te deixa só com as lembranças boas – e mesmo se existisse, Joel e Clementine estão aí pra provar que não seria uma boa arriscar. Chega uma hora que aceitar realmente dói menos, e é só assim que conseguimos dar aquele bendito primeiro passo e lembrar que a música do R.E.M. também fala pra gente aguentar firme.

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SIGNIFICA NÃO QUERER MUDAR NADA EM VOCÊ? Nuta Vasconcelos, do blog Girls With Style.

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urante toda a minha infância e adolescência, eu nunca fui feliz com o meu corpo. Outro dia, arrumando minha caixa de recordações, encontrei um diário meu de 1995 em que eu escrevi: “Amanhã começo a dieta para ser igual a todas as minhas amigas”. Aquilo me deu um aperto no coração. Em 1995, eu tinha apenas 10 anos, muito nova para me sentir tão diferente de meninas de 10 anos como eu, muito nova para achar que eu precisava mudar para me encaixar. Sempre fui mais alta que minhas amigas, mais gorda e a única calçando 39. Quando olhava para elas, abria as revistas ou assistia TV, eu nunca me via ali. Cresci “sabendo” que beleza, não era um dos meus atributos, afinal, tudo que representava beleza, eu não me via representada lá.

A primeira vez que comecei uma dieta eu tinha apenas 10 anos de idade e desde então, durante toda a minha infância e adolescência isso foi uma constante na minha vida. Dietas, tentativas de me exercitar, engorda, emagrece, toma remédio… Durante todo esse processo eu ganhei estrias, celulites, flacidez, flacidez nos seios, flacidez nos braços e etc. Cada dia mais e mais longe do que a mídia me dizia que era bonito. Eu não me 30


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achava digna de sair nas fotos com as amigas, não me sentia digna de ir para a piscina, de usar as roupas que eu gostava. Eu não me achava digna de dar mole para o garoto que eu achava gato, não me sentia digna de dançar em público, de colocar um biquini. Veja bem, eu não me sentia DIGNA, o que é totalmente diferente de não sentir vontade. Eu sentia vontade de fazer tudo isso, eu sofria e tinha criado pra mim a regra que eu “não podia” porque não estava dentro do padrão das pessoas que eu via na TV e nas revistas. Eram essas pessoas, da TV e das revistas que usavam biquini, que namoravam, que se exibiam. Portanto, eu deveria me esconder. Quando você acha que não é digna, que tem que se esconder, você passa a se odiar. Odiar o fato de estar presa àquele corpo que não pode viver plenamente. Eu fui crescendo, mudando meus valores, minhas referências, fui me tornando feminista, descobrindo toda a podridão que cerca a mídia e a indústria cosmética, que se alimenta da baixa autoestima para vender e fui percebendo que éramos todas bonitas. Cada uma com sua particularidade, pontos fortes, mas que ninguém era perfeito, nem mesmo aquelas modelos da capa da VOGUE. Foi um processo até perceber que sim, eu era digna de ser feliz. Que ter celulites, estrias e flacidez era normal e que outras garotas também tinham e se não tinham, com certeza tinham algo que não gostavam nelas também. Percebi que nada disso era motivo para tortura, para sofrimento. E que meu corpo, era meu e que eu nunca viveria dentro de nenhum outro. Eu não podia odiá-lo. E que a minha vida, era minha, e que eu não poderia deixar ela passar e não viver. Então, de pouquinho e pouquinho, fui mudando meu comportamento e me sentindo livre para aproveitar as coisas que sempre quis. Comecei a reparar e valorizar mais as coisas que eu gostava em mim. Meus cabelos, minha boca, minhas pernas, minha personalidade. E que eu não era só as coisas que eu considerava 31


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“defeitos”, como meus braços, meus seios ou meus pés. Autoestima pra mim é isso. É saber que você tem seu valor, sua beleza e principalmente que o amor próprio é essencial para ter uma existência saudável. Mas isso significa que eu não quero mudar nada em mim? Se amar é essa ideia radical de que se você se submeter a qualquer procedimento, ou dieta não é exemplo de autoestima? De amor próprio? Estou falando disso porque comecei a pensar sobre depois de sempre ver comentários do tipo: “Fulana não é exemplo de empoderamento, faz plásticas”, “sicrana não é exemplo de amor próprio, tá de dieta”. Mas pera aí. Eu amo incondicionalmente a minha mãe. Eu amo meu namorado, amo meus amigos. Mas se eu pudesse, mudaria várias coisas neles. Não esteticamente, o que quero dizer é que AMAR algo não significa achar que aquela coisa deve ser imutável. Se amar, ter autoestima na minha opinião é saber que você é DIGNA. É saber que se você quiser mudar algo em você é porque VOCÊ deseja e não porque é o que a revista diz, ou porque seu namorado prefere você de cabelos compridos, ou sua mãe acha que você precisa de uma dieta. É ir malhar, não porque você odeia o seu corpo e quer mudá-lo, mas porque você o ama e sabe que se exercitar faz bem pra ele. Se amar, na minha opinião é saber que você até faria uma plástica nos seios, mas não significa que se você não fizer, não vai usar biquini ou ficar nua na frente do seu namorado, ou se olhar no espelho e se achar feia. Eu quero mudar um monte de coisas em mim. Acho irreal e não humana a ideia de que um dia a gente possa estar 100% satisfeita com quem somos. Digo isso tanto fisicamente, quanto mentalmente, profissionalmente. A gente sempre tem o desejo de mudar algo, em algum campo, melhorar algo, aperfeiçoar. Isso é do ser humano, o que é maravilhoso! Afinal é por causa dessa insatisfação humana que evoluímos em tantos campos 32


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da tecnologia e ciência por exemplo. O eu com 10 anos queria mudar, a de hoje, também quer. A diferença é que a de hoje não quer para agradar ninguém, pra se encaixar em nenhum grupo, pra ser digna de nada. O eu com 10 anos de idade estava Hoje vejo que O CORPO É MEU e as REGRAS SÃO MINHAS. Inclusive para mudanças. Hoje eu sei que vou me amar com as pessoas me classificando como gorda. Como magra. Como bonita. Como feia. começando a se odiar, um sentimento que eu levei e alimentei durante muitos anos. A de hoje quer mudar porque se ama, porque acha que é digna. Hoje vejo que o corpo é meu e as regras são minhas, inclusive para mudanças. Hoje eu sei que vou me amar com as pessoas me classificando como gorda, como magra, como bonita, como feia… Vou viver do mesmo jeito, aproveitar a vida do mesmo jeito. Mas eu quero ser livre para me experimentar como EU quiser. E se eu quiser fazer dieta pra isso vou fazer, se eu quiser fazer plástica para isso vou fazer. E se eu não quiser, e sentir vontade de comer uma pizza inteira, eu vou comer e ninguém tem nada a ver com isso. O que constrói uma mulher segura, com amor próprio não é o fato dela ter ou não plásticas, de ela fazer dieta ou não, dela fazer tratamento de celulites ou não. O que constrói uma mulher segura é o fato dela saber quem ela é e o que ELA quer. E continuar se amando, antes, durante e depois de qualquer processo. É saber que toda mudança que você deseja fazer, tem que ser fruto do amor próprio e não do ódio. Afinal, em qualquer peso, com qualquer pele, com qualquer cabelo, você é sempre, sempre digna.

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Maira, do blog Estilo de Audrey.

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ão é novidade pra ninguém que várias revistas e sites de moda passam publicando artigos sobre o quão importante é saber qual é a forma do seu corpo e como disfarçar as partes “defeituosas” dele com os do’s e don’ts de como se vestir. Esses artigos normalmente são acompanhados de um guia ilustrado que compara a forma do corpo das mulheres com frutas, objetos e formas geométricas. Porém, o que é dito como um “guia de como se vestir bem”, geralmente serve para reforçar a noção de que algumas formas são mais desejáveis do que outras, e este tipo de objetificação tende a aumentar a vergonha pelo próprio corpo, estimulando transtornos depressivos e distúrbios alimentares. Se você não sabe, o assunto é mais ou menos esse: Se você tem ombros largos e quadris estreitos a sua silhueta é uma maçã. Se você tem quadris largos e é pequena no busto e nos ombros você é uma pêra. E se você tiver cintura fina e bustos e quadris generosos, então você tem a cobiçada silhueta ampulheta! Mas se você não tiver tanta sorte, você não chega nem a ser uma fruta ou mesmo um dispositivo de medição do tempo, você pode ser simplesmente um círculo ou um retângulo. Isso não é sensacional? Objetificação à parte, há outra questão: e se você não se encaixa em nenhuma dessas categorias? 34


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Não sei você, mas esses guias nunca me ajudaram, afinal eu nunca me identifiquei totalmente com nenhuma delas. Eu poderia ser uma pera, afinal eu tenho pouco busto, cintura fina e quadris um pouco largos. Mas aí os meus ombros também são largos, então eu poderia ser uma ampulheta? Mas ainda assim, como eu sou pequena, como um todo eu não pareço tão curvilínea assim, então eu poderia ser um retângulo? Todos os seres humanos são tão diferentes, de tantas maneiras, com tantas particularidades, que a gente já deveria saber que não podemos ser classificados. Pode ser divertido quando se trata de astrologia, por exemplo, mas essas coisas são definidas pelo dia em que você nasceu, e não pela sua aparência. E quando você se encaixa em uma dessas classificações, será que realmente vale a pena se olhar no espelho e pensar “bem, meu corpo tem a forma de uma banana então eu tenho que usar um cinto para dar a ilusão de que eu não me pareço do jeito que eu realmente sou”? Eu acho que não. É verdade, alguns dias é difícil se vestir, e quando a gente tem certas partes do corpo que gostaria de minimizar e outras que gostaria de destacar, é bom saber quais são elas, né? Só que geralmente a gente já sabe, afinal a gente vive nesse corpo o tempo todo e o conhece infinitamente melhor do que esses guias estereotipados de “qual é o seu tipo de corpo e como o vestir”! A minha opinião é a de que gente tem que vestir o que nos faz sentir bem! E se usar um cinto para dar mais cintura te faz sentir bem e feminina, isso é ótimo! Só que se você não gosta de determinada peça que dizem que você deve vestir porque emagrece, alonga etc, não se sinta obrigada! Esses guias não podem se tornar regras e limitar nossas escolhas de vestir. Nosso corpo não é uma fruta e nós somos livres pra vestir o que diabos a gente quiser.


TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO

Sarah Westphal, do blog Casal Sem Vergonha.

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oloquei a minha vida num liquidificador. Essa é a minha impressão. Parece que pisquei e passou meio ano. Tenho batido meus dias de modo que já não sei mais quando começa um e o outro termina. Perdi um pouco do meu brilho nesse picadinho. Empenhei tanta energia no trabalho, dei tanto espaço, que agora me encolho no que sobrou.

Tenho me deixado pra depois como as fotos que eu preciso revelar, as barras das calças que eu dobro, a consulta no dentista, no oftalmologista, no ginecologista e em todos os outros istas que eu preciso, o inglês que me atormenta, os primos e tios que eu adoro, mas que eu veria imediatamente se e somente se estivessem no hospital. Fiz da minha cabeça a primeira gaveta da cômoda, onde guardo tudo que eu não posso perder, mas não tenho tempo de organizar. Ando assim fragmentada, desatenta, com medo de me perguntar mais seriamente como estou me sentindo. Reparei que não percebo quando meus colegas saem de férias e quase não converso com quem realmente importa.

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COMPORTAMENTO

Nessa sucessão de desencontros, parece que virei meus olhos para dentro. Tenho um milhão de dúvidas e só duas certezas: cheguei onde cheguei por escolha e tenho outras escolhas além daqui. A parte que eu não sei é se, no fundo, eu estou sendo impaciente. Desde que surgiram as telas, os minutos passam mais acelerados. Substituímos qualquer espera por trocas de mensagem e redes sociais. Eu não sei até que ponto isso é saudável, até que ponto é produtivo, mas como ando permanentemente entretida, resolvi deixar essas perguntas pra depois. Vou vivendo na ilusão de que me sobra muito tempo. Mas é bem capaz que eu pisque e a gente esteja no Natal.


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Carol Guido, do blog Girls With Style.

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ergonha e culpa são dois sentimentos que andaram muito tempo juntos dentro de mim. Infelizmente, demorei pra saber o quanto eles estão ligados ao slut-shaming e self-body-shaming, expressões conhecidas dentro do feminismo, que eu até um ano atrás nunca tinha ouvido falar. Digo isso com pesar, porque se eu conhecesse estas duas expressões desde cedo, talvez tivesse entendido as culpas que eu carreguei sem saber durante boa parte da adolescência. Culpas desnecessárias (talvez todas sejam, mas eu não saberia dizer) que só o contato com o feminismo me ajudou a libertar. Slut-shaming, pra mim, nada mais é do que a culpa por ser atraente, ou em tradução literal: vergonha de ser piranha. Está ligada àquela busca eterna pelo “sexy sem ser vulgar” que muitas de nós nos submetemos a vida toda.

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COMPORTAMENTO

Aquela coisa que ouvimos de alguns pais, avós, educadores: “Este vestido te deixa pelada demais, menina.”, de revistas de moda: “Se for usar decote, não pode ousar no comprimento da saia.” e até das bffs: “Bebendo assim você não se dá ao respeito, amiga!”.

Você vai absorvendo, sem saber que esta busca simplesmente não faz sentido. Não importa o quanto você se esforce, enquanto a sua busca residir em um conceito que depende do julgamento alheio e ainda por cima intangível, você vai ficar pra sempre tentando agradar o “inagradável”. Até que ponto uma coisa é vulgar pra um e não é pra outro? E qual o tamanho do decote aceitável? E se eu quiser sim andar pelada, ser vulgar, misturar saia curta, com decote no umbigo e ainda beber até cair? Já o famoso “self-body-shaming” é a vergonha (e por consequência, também a culpa) por não ser atraente o suficiente. Veja bem, logo de cara, você pode se questionar: suficiente pra quem, cara pálida? Mas quem sofre deste mal não pensou nisso. Provavelmente esta mulher sabe que estou falando de padrões, do que é socialmente considerado bonito e portanto, o que é bom. O resto, bem, vira resto e você vê por aí todas as fórmulas mágicas para se tornar uma pessoa tão maravilhosa e bem sucedidade quanto as

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moças de Hollywood: nas capas de revista: “Como ter barriga tanquinho em 7 dias”, na TV: “Perca 5kg em 2 semanas com a dieta das estrelas” e por aí vai. Mais uma vez não importa o quanto você se esforce. As pessoas são diferentes. Tentar padronizá-las é uma afronta à nossa condição de seres humanos, mas dá dinheiro. Ô como dá. Você vai passar a vida toda sofrendo e correndo atrás do corpo “perfeito” enquanto gasta todas as suas cifras em tratamentos, dietas, produtos, remédios. Todo mundo lucra - menos você e sua saúde mental. Eu descobri isso da pior forma possível: sofrendo. Escutando a colega de sala me perguntar se eu nunca tinha pensado em fazer plástica no nariz, que até então, eu nunca tinha achado grande demais. Ouvindo de ex namorado que a gente tem que ter o corpo lindo de biquini, mas que eu só ficava legal com as roupas certas. Quando eu fui ler estas revistas que falavam de dietas várias delas diziam que o corpo ideal era o violão: com o quadril e busto com medidas similares e a cinturinha (~inha~) bem mais fina. Fui me medir e pra minha surpresa eu atendia a estas premissas. Então, qual era o problema? De novo: o conceito não é universal. Não tem como transformar pessoas em um tipo único. O que é violão pra uns não é pra outros. Esta cultura do self-body-shaming e slut-shaming é fruto da sociedade patriarcal que ainda impera no nosso país (e me arrisco a dizer, em todos os outros). É desta sociedade e destas duas vergonhas que nascem problemas graves e crônicos como a glamourização do culto ao corpo “perfeito” e a cultura do estupro, por exemplo. 40


COMPORTAMENTO

O resultado disso? A cada 15 segundos uma mulher sofre violência no Brasil. 1 em cada 5 sofrerá estupro durante a vida. Enquanto estes números martelam na minha cabeça, eu lembrei de uma notícia de um policial que disse para a vítima de estupro que se ela estivesse usando roupas menos provocativas, poderia ter evitado o ocorrido. 54% das mulheres brasileiras não estão satisfeitas com o seu corpo. Algumas por conta do peso, outras por terem celulite e esta lista é imensa, mas será que essa preocupação com mais da metade da população, veja bem, mais da metade, é normal? É “coisa de mulher”? Não. É. Possível. Antes de saber que existia self-body-shaming e slut-shaming eu sentia a contradição entre o que eu falava e o que meu coração dizia, mas não entendia o que era - até que comecei a procurar respostas e encontrei. Encontrei o feminismo e o melhor de tudo: entendi que as culpas que carreguei durante tantos anos tem nome e saber o que elas significavam transformou meu “shamings” em libertação. Espero transforme os seus também.


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Nanda Cury, do blog Think Olga.

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ma vez, quando tinha seis anos, uma “amiga” contou para um garoto da escola que eu era apaixonada por ele. Ele me deu um chute na canela e gritou “Sai, Cabeluda”, me humilhando na frente de todos por causa do meu cabelo crespo e volumoso. Aprendi cedo que as pessoas são especialmente cruéis com as mulheres que não se enquadram nos padrões de beleza promovidos em nossa sociedade. Somos apontadas na escola, na rua, nos espaços públicos e muitas vezes dentro da própria família, “Olha que horror aquele cabelo”, “olha aquela mulher gorda”, “Você tem uma beleza exótica”, “Vamos alisar esse cabelo hoje?”, “Seu cabelo precisa de uma hidratação urgente, está muito armado”. Também já ouvi pérolas como “Ainda bem que apesar desse cabelo você é branca” e “Com esse cabelo dá pra saber que você tem o pé na cozinha”. Essas declarações muitas vezes foram feitas no ambiente de trabalho, partiram de professores e de pessoas que tinham a minha confiança e apreço. Percebi que algumas pessoas acreditavam que estavam fazendo um elogio ou um favor me lembrando que precisava cuidar melhor da aparência.

O assédio direcionado a mulheres que tem alguma característica física marcante, como as mulheres gordas, negras ou que tem cabelo crespo e volumoso, tem alguns agravantes. Ele é cometido por homens e mulheres, de todas as idades e tem a intenção de ferir, desqualificar e constranger a vítima, com base em alguma característica física que não é considerada “atraente”, segundo os padrões de beleza impostos desde muito cedo para todas as mulheres. “ Frases de deboche seguidas de gargalhadas são ditas em voz alta, na rua, no transporte público ou em qualquer 42


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situação social. É profundamente desrespeitoso apontar a aparência física de alguém, especialmente na presença daquela pessoa. Além disso, é comum que completos desconhecidos ou uma pessoa que acabamos de conhecer coloque a mão no nosso cabelo, sem pedir permissão “Eu sempre quis tocar num cabelo assim”, é o que alegam para invadir o nosso espaço pessoal e tocar nosso corpo, como se ele fosse público. Tanto o deboche, quanto o toque invasivo são atitudes egoístas e que incomodam a maioria das mulheres crespas. Mas por que isso acontece com tanta frequência? A publicidade e as revistas ensinam que as mulheres desejáveis são magras, loiras, tem cabelo liso, comprido e bem tratado, assim como as unhas, que devem estar sempre feitas, esmaltadas e de preferência com alguma cor que não chame muita atenção. Todas as mulheres que não estiverem de acordo ou ao menos buscando se adequar a esse padrão, ou seja, a maioria, acabam pagando um preço alto, seja pela exigência social para que continuem melhorando sua aparência ou pela cobrança interna para atenderem às expectativas dos outros sobre seus corpos. No caso das mulheres negras e crespas, há um forte componente racista na propaganda de produtos de beleza dirigida a este público. Ao invés de estampar nas embalagens, fotos de cabelos crespos reais, as propagandas tem sempre uma modelo branca, com cabelo cacheado com babyliss e a promessa de “cachos perfeitos e domados, sem volume e sem frizz”. Tudo para tornar o cabelo crespo socialmente mais aceitável, mais distante de suas origens afro. Esse bombardeio publicitário e excludente foi silenciado e naturalizado por nós durante tempo demais. Quando apontamos o racismo na fala das pessoas dizem que estamos exagerando e tentam novamente nos silenciar. O processo de cura e de construção da auto-estima das mulheres fora do padrão numa sociedade doente como a nossa pode ser longo. Antes de fazer as pazes com a minha auto-imagem 43


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passei anos usando o cabelo preso e fui escrava da chapinha. Não me achava bonita o bastante, magra o suficiente e adoeci após fazer todo tipo de loucura e sacrifício para tentar ficar mais próxima dessas expectativas irreais de beleza. Durante meu processo de cura, entendi que pessoas insatisfeitas com a sua aparência consomem mais produtos e tratamentos de beleza, fazem mais plásticas e ainda assim permanecem insatisfeitas, mas com a ilusão momentânea de que o consumo e esses esforços trarão recompensas, aceitação ou alívio da culpa por serem ~inadequadas~. E uma vez que tinha experimentado essa sensação de liberdade, percebi que poderia me conectar a outras mulheres com experiências parecidas. Obrigada a todas as mulheres que resistem diariamente aos ataques, ao assédio, a qualquer tipo de preconceito, em especial ao racismo. Obrigada àquelas que tem a ousadia de expor suas vozes, seus relatos e seus rostos na internet e na vida offline porque sabem que representatividade empodera muitas outras! Parabéns a todas as mulheres que assumem seus cabelos crespos e inspiram suas mães, filhas e filhos a fazerem o mesmo. Obrigada lindas cabeludas que se deixaram ser fotografadas por meu celular e que dividiram suas histórias comigo para que eu as espalhasse na internet. E principalmente: obrigada a todas as mulheres que vieram antes de mim, que lutaram e resistiram para que tenhamos direito a voz. Nossa luta é por um mundo mais livre em que a aparência de alguém não seja motivo de piada e em que possamos aprender com as diferenças para começa a celebrá-las.


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Pollyanna Assumpção, do blog Girls With Style.

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ircula por aí uns textos escritos por homens sobre questões básicas sobre feminismo que sempre me incomodaram justamente porque são escritos por: homens. Se eu tivesse que responder perguntas ou desfazer mitos sobre o movimento, o que eu poderia falar? Elaborei então alguns temas sobre o assunto e pretendo resolvê-los da forma que acho mais condizente com a minha ideologia e da forma mais simples do mundo. Todas são convidadas pra acrescentar pontos ou discutir discordâncias.

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O que é feminismo? Feminismo é a ideia fantástica de que homens e mulheres devem ter os mesmos direitos. Percebam bem: mesmos direitos. Não significa que somos iguais. Ser igual é estar tendo nosso comportamento pautado pelo patriarcado. Ser igual aos homens é estar sob as regras que eles mesmos aplicam em suas vidas. No caso de homens e mulheres acredito que o melhor termo seria equidade. Equidade é quando dois grupos diferentes que tem valores diferentes, tem suportes diferentes para que ambos atinjam o mesmo objetivo. É tratar duas situações diferentes com justiça visando a igualdade. Querer igualdade sem mudar o sistema que vivemos é pensar como aqueles idiotas que falam “mimimi mulher não vai pra guerra, mulher não serve o exército, mulher não constrói muro”. Primeiro que mulher pode fazer tudo isso, e se vocês homens fizeram tudo isso pras vidas de vocês, lutem pelo fim do que vocês acreditam ser exploração e não encham nosso saco. Só é possível pensar em igualdade quando a sociedade não for criada em cima de um sistema que explora e oprime.

E homem feminista? Homens não sabem o que é ser mulher e ponto final. Feminismo é papo de garota, é dividir experiência, é falar sobre si, seus medos, seu corpo, seus objetivos e sua luta. O máximo que homem vai conseguir falar sobre feminismo é uma opinião, um punhado de achismo, um livro de cagação de regras e eu já escrevi aqui antes

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COMPORTAMENTO

sobre qual deve ser o papel dos rapazes no feminismo. Um homem nunca vai poder contar uma história de vida onde ele tenha sofrido algum tipo de violência por causa do seu gênero. Vai ter gente que vai dizer “mimimi mas homens são matematicamente as maiores vítimas de violência”. Nesse momento a gente volta ali pra primeira pergunta e relembra que os homens são basicamente responsáveis pela sociedade que agride e oprime, que manda pra guerra, que explora e transforma crianças em bandidos. Eles são maioria esmagadora nas cabeças dos governos, das empresas, na polícia, no exército, estão no controle de todas as vertentes que estão envolvidas na construção e manutenção da sociedade. Enquanto isso mulheres são estupradas por soldados da ONU em troca de água e comida, estupradas por soldados inimigos, mortas por ex-maridos que “não aceitaram o fim do relacionamento”, abusadas por estranhos nas ruas e tudo isso APENAS porque são mulheres. Existe uma diferença entre ser vítima de crimes comuns e vítima de crimes de gênero e de ódio. 47


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O homem que é assaltado não tem medo do assaltante do nada achar que é uma boa dar umazinha e mandar ele tirar a roupa. O que nos leva a próxima questão.

Mas homem também é estuprado, não? É sim. Porque estupro não é sexo. Estupro é a forma hedionda de um homem mostrar pra uma mulher que tem poder sobre o corpo dela. É a forma grotesca de um homem mostrar pra outro homem que é mais poderoso que ele. É a forma que um homem tem de mostrar que é mais forte que sua vítima, que podem ser crianças, pessoas idosas ou incapazes de se defender devido a algum impedimento físico. Estupro não é sexo, estupro é demonstração de poder. O que me leva a próxima questão.

Por que devemos pensar 2x antes de dizer que prostituição é escolha? Porque é um engano achar que somos livres pra escolher qualquer coisa dentro do capitalismo que gera abismos sociais tão grandes entre nós. Quando eu penso em prostituição eu não penso nas modelos da novela da Globo ou na Bruna Surfistinha que era uma menina branca e rica que um dia resolveu fugir de casa porque brigou com papai e mamãe. Eu penso na mulher pobre e escravizada pela fome e pela necessidade de sustentar a si mesma e sua família que representa a maioria esmagadora das mulheres que se vendem nas esquinas. Penso na mulher que vende seu corpo em benefício dos homens e na menina ainda criança que se prostitui pra ajudar em casa ou forçada por sua família. Penso no homem que faz sexo com ela explorando seu corpo (o que eu considero estupro) e o homem que a explora na cafetinagem. No fim, é um homem que tira proveito do corpo daquela mulher. A prostituição pode ser uma

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COMPORTAMENTO

exceção pra algumas mulheres mas é uma realidade dolorosa pra grande maioria. E se você que está lendo esse texto no seu smartphone caro ou com seu notebook no colo acha que a mulher que se prostitui poderia fazer qualquer outra coisa e que ela quis se prostituir porque era mais fácil, volte dez casas no seu feminismo e vá pro verbete EMPATIA. Aquela coisa bacana que faz você se colocar no lugar de alguém que não tem os mesmo privilégios que você e não vive na sua bolha.

Pra ser feminista eu tenho que parar de fazer as unhas? Pra ser feminista você não precisa ser nada além de alguém que consegue problematizar suas “escolhas”. Assim entre aspas porque não acredito em escolhas livres dentro da sociedade que te oprime pra se adequar o tempo todo. Todas as nossas escolhas são construídas socialmente e o mínimo que você pode fazer é pensar um pouco sobre o que te levou a achar que aquilo é “coisa de mulher” ou o certo a se fazer. Lembre-se que estamos o tempo todo reagindo ao nosso meio e que somos agentes de consumo. Não é errado pintar a unha, fazer dieta ou ser heterossexual se você souber que acha tudo isso normal porque foi normatizado pela sociedade e é o que ela espera de você. Errado é fechar os olhos pra problematização do porque nos comportamos de certa forma. Quebrar paradigmas tão antigos é uma longa jornada, externa e interna.

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Essas são as únicas questões que me importam? Obviamente não. Se eu for escrever todas as questões que eu fico pensando sobre, não vai ter servidor que aguente o tamanho do meu texto. Mas acredito que as questões acima tem respostas nas entrelinhas que servem pra problematizar outras questões similares. A minha ideologia está dada e vocês podem concordar ou discordar. Mas lembrem que a sua experiência é só sua e ela não pauta a experiência do nosso grupo de mulheres como um todo. Somos várias e cada uma sofre opressão de um jeito. Mas antes de qualquer coisa lembre-se que feminismo é político e não é um produto. Não se deixe enganar por movimentos fofinhos que no final não mudam em nada nossa estrutura social e só mantem a mulher em papel secundário.

Não existe mudança real sem sacudir os pilares do sistema vigente.

LUTE.


COMPORTAMENTO

Andréa Romão, do blog Casal Sem Vergonha.

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mundo acha que eu tenho que acordar às seis horas da manhã para fazer exercícios (e muito feliz, postando fotos no instagram), tenho que estar sempre alegre, bem disposta, perfeitamente maquiada, sem parecer que estou de maquiagem. Com o cabelo penteado por horas nos mínimos detalhes, para parecer casualmente bagunçado, mas de uma maneira muito cool. Se ele estiver apenas bagunçado não conta, você está fazendo isso errado.

Tenho que cozinhar quitutes incríveis com ingredientes que custam mais caro do que uma ida ao restaurante e esfregar na cara dos meus seguidores como eu consigo ser uma profissional maravilhosa e ao mesmo tempo exímia cozinheira. Tenho que ter um trabalho que me dá status, independente de gostar desse trabalho ou não, senão as pessoas vão ter pena de mim. Tenho que tirar fotos adoráveis com meus filhos ao invés de simplesmente brincar com eles. Tenho que pagar três mil reais por um cachorro de raça que está na moda, mesmo que isso signifique ajudar a manter os canis que cruzam animais da mesma família, dando origem a cachorrinhos com diversas doenças e mesmo com a enorme quantidade de cães abandonados em busca de um lar. Foto de vira lata não dá o mesmo número de curtidas que foto de pug (mesmo que meu pug sofra de epilepsia e morra aos três anos de idade. Existem muitos outros sendo fabricados por aí).

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Preciso viajar para lugares exóticos (todo mundo já foi para Buenos Aires e Paris, seja original, por favor). Tenho que ter um marido / namorado / ficante / noivo de aluguel / qualquer coisa, porque nada é mais humilhante do que ser solteira (nem mesmo viver um relacionamento meia-boca com uma pessoa que não me faz feliz). E tenho que fazer tudo isso de salto alto, com uma roupa maravilhosa e uma lingerie de renda por debaixo disso tudo. Assim, vamos ensinando desde cedo às nossas filhas que compor um look digno de capa de revista vale muitos mais pontos nas redes sociais do que ler um livro de literatura e saber fazer seu próprio tutorial de beleza te deixa muito mais próxima de ter um namorado aos onze anos do que brincar de queimada. Tenho que ser tudo isso para as pessoas nas redes sociais acharem que eu dei certo na vida. E se eu resolver ser dona de casa, ficar em casa com meus filhos, tendo apoio do meu marido, vão dizer que estou envergonhando minhas avós feministas, sem entenderem que minha avós lutavam para que as mulheres fossem livres. Livres para escolher. E se eu decido não ter filhos, não para priorizar carreira ou porque não gosto de crianças, mas simplesmente porque não quero ter filhos, vão falar que sou egoísta, amarga e vou terminar a vida sozinha. Se eu disser que quero viajar o mundo, sem ter um trabalho fixo e sem me importar em ganhar muito dinheiro, porque o mais valioso para mim é conhecer realidades diferentes, dirão que sou uma pessoa sem perspectiva (estudou nas melhores escolhas para levar vida de vagabundo?). Se escolho priorizar carreira, não tiro férias por opção, passo mais tempo no trabalho do que em casa, porque amo o que eu faço, qual a dúvida de que vão dizer que minha ambição é nociva, que sou viciada em trabalho e estou jogando minha vida fora? Não importa como eu 52


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escolha viver minha vida, as alternativas vão sempre estar erradas para os outros. Eu posso ser lésbica, desde que seja bonita e/ou cheia de estilo, e posso ser negra desde que tenha traços delicados (vulgo: traços de brancos), posso ser gorda desde que não gorda demais, e posso ser pobre desde que tenha uma história de superação ou seja muito espirituosa e faça graça da minha pobreza. Eu posso ser diferente, mesmo porque ser diferente está muito na moda hoje em dia, mas só se for uma diferença que não perturba as pessoas. Vivemos em um mundo que valoriza muito uma tal de “tendência”. Tendência é quase uma chave para a felicidade. Ela vai te ensinar como se vestir, que batom usar, o que está na moda, o que não está, com o você deve decorar sua casa, qual corte de cabelo você deve ter, quais aplicativos você tem que ter (TEM QUE. É isso ou sofrer exclusão digital), quais roupas valorizam o seu tipo de corpo (e acredite, você vai ser julgada por isso), e o que você deve fazer para ser valorizada como mulher (não por respeito a si própria, mas pelo que a sociedade vai pensar de você). E ainda existem por aí mulheres que acreditam que só princesas encontram seus príncipes e que se você não se comporta de acordo, você só vai encontrar sapos na sua vida, como se as pessoas só tivessem uma única faceta. Bom ou mau. E fim. O mundo vai dizer que eu posso ser tudo o que eu quiser, que eu posso pensar diferente, desde que o meu diferente seja igual aos outros. Que estejamos todos presos em uma mesma bolha, com pequenas variações de pensamentos, mas que não incomodam ninguém. Bom, sinto muito mundo, que se dane você. Eu escolhi ser como eu sou. E a única tendência que eu vou seguir é a de ser eu mesma. E o único status que eu quero alcançar é o da felicidade. 53


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Danielle Daian, do blog Casal Sem Vergonha.

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u sou apaixonada por gente que se basta. Que não tem mimimi, tempo ruim, frescura, que não se esconde atrás de desculpas esfarrapadas, muito menos se vitimiza por não fazer parte de uma convenção social. Eu gosto é de gente que assume a sua solteirice com muito orgulho simplesmente por não se contentar com farelos e migalhas. Quem não dispensa um happy hour com um casal de amigos por se sentir desconfortável sendo “vela” na mesa do bar. Das pessoas que enfrentam sozinhas a fila do cinema sem se incomodarem com a sua própria companhia.

Admiro mais ainda todo mundo que coloca a cabeça no travesseiro todas as noites tendo a certeza que a autenticidade, o livre arbítrio, e a maturidade de ser fiel aos seus próprios padrões e sentimentos continuam sendo sempre a melhor escolha. Não importa o que a revista tentou te vender ou o que a sua tia na festa de natal tentou te fazer desacreditar. Cada pessoa precisa ter a liberdade de ser exatamente quem se deseja ser. 54


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A vida não pode ser percorrida tendo em função uma pessoa, um relacionamento, um romance externo que não aquele que deveria existir com o seu amor próprio. Acontece rapidamente para uns, mas não acontece para outros. A vida é assim. Esperar que a gente se afogue num poço de desespero e solidão simplesmente porque não tem um parceiro(a) para levar ao casamento do melhor amigo é uma ofensa gravíssima à identidade e ao direito de cada um de ser sim, sozinho. É verdade que tem gente que se esconde atrás de relacionamentos submissos e abusivos, unicamente para preencher um requisito social ou ostentar um status de “relacionamento sério”, para se negar a fazer parte do time dos que não têm sorte no amor. Tem ainda quem investe seu tempo, sua paciência e seu bom humor tentando agradar a família, os vários “amigos” da rede social ou ao seu próprio ego que se recusa a se sentir de qualquer forma inferiorizado. Para estas pessoas o processo de deterioração pessoal e emocional é lento, degradante e inegavelmente sofrido. Porque ninguém no mundo consegue sustentar por muito tempo uma felicidade moldada, adaptada e sob determinada perspectiva, forçada.

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É absurdamente mais recompensador arcar com os custos de ser a gente mesmo, com todos os obstáculos que a nossa travessia impõe, do que ser uma reles marionete da opinião e do julgamento de quem nada tem a ver com as nossas decisões. Perder um monte de oportunidades de lazer, bemestar e descontração puramente porque a sociedade pré-conceituosa não está acostumada com o olhar altivo e sedutor de quem leva a vida com leveza e tranquilidade está totalmente fora de cogitação. Por isso eu sou enlouquecida por gente que curte até o último fio de cabelo da sua risada mais gostosa, porque gente assim não tem medo de viver. E a vida precisa é de coragem e não de um punhado de regras e princípios culturais que me impedem de curtir um rock numa sexta a noite sozinha. A gente precisa se bastar. Nosso olhar, nosso perfume, nosso sorriso, nossas crenças, precisam ser mais do que suficientes para abrigar uma rotina deliciosa, sem depender de nada, nem de ninguém. Estar ao lado de alguém é maravilhoso, mas estar ao lado de alguém sabendo que a relação agrega, soma, suplementa o dia a dia com milhares de sensações extraordinárias é melhor ainda. Sair do nosso mundinho único, que deve ser infinitamente especial, só vale a pena se o universo lá fora oferecer experiências melhores do que aquelas que a gente se permite sozinhos. Enquanto isso a gente vai assistir à estreia do filme tão esperado sim, vai acompanhar o casal de amigos


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na balada sim, vai tomar uma taça de vinho no meio daquela semana puxada sim, e vai ser feliz sozinho sim, porque atrelar nosso melhor sorriso a condições que estão fora do nosso alcance é fantasioso, insensato e amargamente incoerente. Aliás, sozinhos não, cercados por um monte de amigos que respeitam nossas escolhas e entendem nossos limites. Quem se sentir a vontade para se juntar a nossa espontaneidade que seja muito bem vindo. Quem só assiste de longe para presumir, qualificar, e analisar nossas vontades e atitudes com base em um pragmatismo cultural fora de moda, pode fazer o favor de sair pela porta da rua e deixar a cópia da chave ao lado do copo de bom senso. Definitivamente não é fácil manter a bola no alto o tempo todo. Mas tudo nessa vida é questão de hábito e prática. Quando a gente se acostuma com o som da nossa gargalhada tudo fica muito mais aprazível. Porque a gente finalmente entende que não precisa estar no meio de um tumulto para se aconchegar em um abrigo. A verdade quem sussurra é só o coração da gente, e esse quanto mais a gente fica em silêncio, no conforto da nossa calmaria, mais alto ele consegue pulsar.

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Corina Haaiga, do blog Casal Sem Vergonha.

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tempo, ao contrário de nós, só sabe andar para frente. Dizem que tudo muda (quantas vezes ouvimos essa frase!), mas o tempo não muda. Obstinado, ele avança, muitas vezes em passos tão largos que ficamos com a impressão de que ele foge de nós. O tempo é imutável, e não importam esperneios, choramingos, danças tribais ou recitar a Sequência de Fibonacci de trás para frente – o presente se tornará passado, o futuro se tornará presente, infalivelmente. 58


COMPORTAMENTO

Sabendo disso tão claramente, por que será então que negligenciamos tanto o hoje? Por que não nos damos conta de que, muitas vezes, nossas atitudes vão de encontro com a Lei do Tempo, soando como uma afronta a Cronos? Esqueça Renato Russo por um instante e, entenda, não temos todo o tempo do mundo para muitas coisas. Quer ver? Seus avós. Eles não durarão para sempre. No entanto, você vive a procrastinar aquela visita que os deixaria tão satisfeitos. Por quê? Porque você não valoriza o hoje. Seus pais. Eles não estarão com você por toda a eternidade. Dê um refresco a eles, pare de olhar para aqueles rostos vincados e achar que eles são apenas uns chatos de galocha a repetir todo santo dia a mesma ladainha. Saiba que eles nunca tiveram a idade que têm agora, estão fazendo o melhor que podem dentro do que um dia sonharam (ou não) para si. Telefone para eles sempre que for demorar na balada (não é trabalho algum, já que você não desgruda ddas mensagens); saiba que eles não dormem direito desde que você nasceu e muito menos agora que você pensa que é invencível e imortal. Esteja bêbado feito um gambá, puto da vida com o mundo ou de coração partido, não importa; seus pais só vão dormir quando ouvirem você girando a chave na fechadura e colocando o pé dentro de casa (aliviados, eles dirão baixinho uma prece de gratidão para o seu anjo da guarda que te trouxe inteiro de volta em tempos tão violentos como esses). 59


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Cuide das suas amizades. Não acredite na tola máxima que diz que “amigos verdadeiros aguentam tudo”. Amigos são pessoas, e pessoas se magoam e vão embora. Uma amizade termina mesmo quando pensamos que nada a destruiria. É preciso cuidado, afago e reciprocidade. Ontem você chorou, hoje você dá o ombro, combinado? Ame. Com todas as forças e completamente, mas não vista a roupa de um Romeu ou de uma Julieta. Faça menos drama e perceba como é possível flutuar quando carregamos alguém dentro do peito. É mágico e poderoso. E pode acontecer muitas vezes ao longo da vida. Não crie monumentos de dor para amores que acabaram. O tempo não está aí para te esperar viver pra valer. Arrisco dizer que nem as cartomantes sabem ao certo o que o tempo trará, mas não é preciso ser nenhum gênio para ter a certeza que ele passará. Faça bom uso do seu.


COMPORTAMENTO

Bruna Vieira, do blog Depois dos Quinze.

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o dia que começaram a me chamar de mulher e não mais de menina eu me dei conta de que o tempo estava passando. As experiências que vivi durante os últimos 21 anos me ensinaram muita coisa e esse post é pra compartilhálas com vocês.

1. Fique com quantos caras você quiser. O que as pessoas pensam não importa tanto assim no final das contas.Passei minha adolescência inteira julgando as meninas da turma que gostavam de sair no final de semana e ficar com garotos desconhecidos. Lembro que eu me orgulhava em dizer que só havia beijado três ou quatro rapazes pelos quais fui perdidamente apaixonada. Como se o número de pessoas que você já se relacionou definisse o seu caráter. Isso definitivamente não é verdade. Esse discurso foi passado de geração em geração e nós precisamos parar de pensar assim. Não vale a pena julgar alguém que você não conhece direito se baseando apenas pelo número de vezes que ela já se interessou por alguém.

2. Culpe a pessoa certa Quando você é traída, quem se torna o principal culpado? O seu namorado ou a garota com quem ele ficou? Essa é uma situação complicada, mas antes de fazer qualquer coisa você precisa reconhecer que dos envolvidos na história o único que tinha um compromisso com você é o seu namorado. Temos inconscientemente a mania de culpar mais a mulher. Isso precisa mudar! 61


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3. Valorize sua mãe Nos últimos meses várias amigas engravidaram e tiveram bebê. Acompanhar cada estágio da maternidade me fez admirar ainda mais minha mãe. Muita coisa aconteceu antes da primeira lembrança que tenho ao lado dela. Contrações, estrias, choro no meio da madrugada, pirraça no parque, etc. Minha mãe sempre foi minha melhor amiga. Reconheça que a sua mãe provavelmente também é sua melhor amiga.

4. Priorize seus sonhos Em um determinado momento da minha vida tive que escolher entre um relacionamento e levar o meu maior sonho a sério. Eu tive que escolher porque não me deram outra opção, então decidi me mudar pra São Paulo e investir no Depois Dos Quinze. Foi a melhor coisa que fiz na vida. Nos filmes a personagem só tem o final feliz quando encontra a sua cara metade, mas a verdade é que nós já nascemos completos e o nosso final feliz não deve depender de mais ninguém.

5. Cuide do seu corpo Vocês sabem muito bem que eu adoro decoração, mas nenhum outro lugar é tão minha casa quanto meu próprio corpo. O que eu quero dizer? Não adianta passar um tempão mudando os móveis de lugar e deixando o ambiente agradável se você não aceita e cuida de você. Aproveite o tempo livre pra encontrar algo que te faça movimentar e ao mesmo tempo sorrir. Vale corrida, cama elástica, boxe, natação ou passear com seu animal de estimação.

6. Nem toda mulher é igual Cresci no meio de meninos e quando fui pro colégio pela primeira vez me dei conta de que eu não era exatamente igual as outras meninas da minha turma. Quero dizer, não 62


COMPORTAMENTO

gostava das mesmas coisas ou me vestia da mesma forma. Isso não é nem deve ser um problema. Não temos que usar sempre rosa, gostar de passar maquiagem ou chorar assistindo comédia romântica. O que temos diferente é justamente o que nos torna mais especial.

7. Busque sua independência Antes de pensar em construir uma família priorizei a realização dos meus sonhos. Mudei pra São Paulo, consegui trabalhos incríveis, comprei meu apartamento, construi minha casa, viajei para vários países, etc. A ordem de como as coisas acontecem na nossa vida nem sempre é igual, mas é importante que levemos em consideração o que nós realmente queremos e não o que os outros querem para gente.

8. Xô, machismo! Nasci e cresci em uma cidade pequena. No interior normalmente o machismo tem muita força, principalmente na geração dos nossos pais e avós. Um exercício importante para tornar o mundo melhor é falar abertamente sobre esse assunto em casa, na escola e na rua. Lá em casa, por exemplo, sempre briguei por coisas simples tipo: por que só eu tinha que fazer os trabalhos de casa e meu irmão apenas ficava olhando? Agora nós dois dividimos todas as tarefas.

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Danielle Daian, do blog Casal Sem Vergonha.

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em dias que é realmente complicado. O desânimo bate, a tristeza impera, o coração fica agoniado e a alma, às vezes tão desolada, pede apenas por um pouco de abrigo. Pode ser que a tormenta de estima dure simplesmente algumas horas, ou até mesmo um dia, e na pior das hipóteses uma semana. O problema é quando a escuridão se aloja tão bem dentro da nossa travessia, e aquilo que era para ser passagem, vira hábito, caminho, rotina. Só quem já passou por uma baixa de energia entende tão bem o quanto é difícil em determinadas circunstâncias, recolher forças para ajeitar o corpo, dar a volta por cima e de cara limpa, seguir em frente. Independente daquilo que interrompeu o nosso movimento ascendente, é necessário continuar. Não é fácil, pode não ser imediato, mas para sair do fundo do poço a gente precisa de uma dose absurda de coragem. Ficou com disposição para dar aquela reviravolta que a sua autoestima merece? Dá uma olhadinha em algumas atitudes simples, mas que podem fazer toda a diferença!

1. Decida recomeçar. Não importa o que te deixou para baixo, a primeira atitude a ser tomada é escolher dar um basta nessa situação. Tem gente que realmente fica amiga da dor e chega até a curtir aquela solidão meio bucólica. Acontece que todo recomeço vem de uma disposição muito bem determinada. Decida ser feliz novamente e parta logo para a próxima dica.

2. Olhe-se no espelho e goste daquilo que você vê. Poucas coisas são tão revigorantes quanto fazer uma mudança que a gente queria há muito tempo, mas não tinha coragem. Parece que dar um salto de fé com as pequenas escolhas do


caminho, é o trampolim necessário para dar passos maiores nos ramos da nossa vida que realmente precisam dessa ousadia. Corte o cabelo, compre uma roupa nova, mude de estilo, de mania, de vício. Qualquer coisa que faça minar um sorriso novo toda vez que você cruzar a frente de um espelho.

3. Saia da zona de conforto. Coisas simplesmente incríveis acontecem quando a gente decide se aventurar por um caminho que nunca tinha imaginado trilhar. Dê uma chance ao Tinder, ao “Adote um cara”, aos sites de relacionamentos, ao bar de rock que sua amiga tanto gosta, ou ao boteco na esquina da sua faculdade que a galera se reúne todas as sextas-feiras para jogar conversa fora. Sempre existe a possibilidade de conhecer gente interessante e diferente, que vai arrancar aquele sorriso mais gostoso e sincero. Na pior das hipóteses, você se encheu de coragem para descobrir o que existe do lado de fora da porta. E coragem é daqueles sentimentos que dá um abraço bem apertado na alma da gente.

4. Faça algo por você e para você que há muito tempo não fazia. Um dos pecados do dia a dia é a negligência a qual muitas das nossas vontades são submetidas. Coisas pequenas às vezes, como tomar um sorvete depois do almoço, curtir um happy hour logo na segundafeira, correr na orla da lagoa antes do trabalho, ou simplesmente tomar um banho demorado, sem pressa para fazer o jantar, estudar para a prova, ou correr para o próximo compromisso. Tempo de qualidade para a nossa vivência é


essencial para o bem estar da alma e do coração. Quanto mais a gente se descuida daquilo que nos faz feliz, mais facilmente a frustração pede licença e a solidão se instala. Dedique um pouco de você a você.

5. Paquere bastante. Principalmente se você acabou de terminar um relacionamento, levou um pé na bunda, ou um chifre daqueles para ficar na história. Paquere mesmo e sem expectativas. O objetivo é sentir-se bem consigo, despertar aquela energia atraente que cativa as pessoas a um primeiro contato, e porque não, divertirse um pouco na descontração do momento. A gente volta a se sentir vivo, e entende aos pouquinhos que nada, nem ninguém nessa vida, é insubstituível. A gente merece tudo e muito mais.

6. Não emende um relacionamento no outro. Quando a gente sai de uma parceria, sobretudo quando se está avariado por dentro e por fora, tem a mania feia de se apegar a qualquer migalha de pão que encontra pelo caminho. A gente manda para o universo a mensagem de que está machucado, e recebe de volta justamente um “tapa buraco” momentâneo que, na maioria das vezes, faz a gente sofrer ainda mais quando parte. Aproveite a sua própria companhia e volta a ser inteiro (a) antes de querer fazer parte de uma nova relação.

7. Viaje. Sempre, muito, sem doses homeopáticas. Viajar nos permite conhecer pessoas novas, mudar de ares, vivenciar novas culturas, paladares, estilos de vida. Tática das mais eficientes quando se precisa dar aquela revigorada na autoestima começando pela paz que fica lá do lado de dentro.


8. Dê menos ouvidos ao que os outros têm a dizer e escute mais o seu coração. Ninguém sabe melhor da sua vida, dos seus receios, anseios, das suas dores, do seu momento particular, do que você mesmo. Ouvir outros pontos de vista é interessante sim para abrir a mente para outras perspectivas, e entender um pouco a forma como o outro analisa determinada situação. O que não vale é levar isso ao pé da letra como filosofia de vida. Os outros são os outros, e só. Quando a gente decide escutar o que o coração tem a dizer, pode se surpreender positivamente com os resultados. Paz e tranquilidade de encher o peito de satisfação, a gente só consegue quando toma as rédeas da nossa vida pra valer, sem meio termos, muito menos, meias verdades.

9. Faça algum tipo de exercício. São cientificamente comprovados os benefícios da atividade física para a sanidade do corpo e da mente. Liberação de hormônios ligados ao prazer, melhora na qualidade de vida, aumento na sensação de bem estar, sem contar que deixa aquela sensação maravilhosa de “sou a última bolacha do pacote e posso dominar o mundo”. Escolha alguma atividade que te faça muito feliz e siga adiante. Seja academia, dança de salão, natação, corrida, basquete, futebol, vale tudo aquilo que melhor se encaixa na sua rotina.

10. Seja menos crítico com você mesmo. As piores cobranças vêm da gente mesmo e não das pessoas de nossa convivência. Ninguém, absolutamente ninguém, é perfeito. Aceite suas imperfeições, suas manias, sua forma de encarar a vida, e aprenda a ser mais tolerante com seus pontos falhos. Quem gosta MESMO da gente, fica “apesar de” qualquer


coisa. Se dê o direito de errar, tire boas lições disso, sorria depois quando se lembrar, e encare a vida com mais bom humor. A habilidade de rir da gente mesmo é uma arte que deveria ser cultivada, pelo nosso próprio bem, e dos próximos que têm a oportunidade de estar ao nosso lado.

11. Reconheça seu valor. Não aceite um copo metade vazio se tudo que você quer é ver a felicidade transbordando na sua frente. Sempre existem outros amores, outros relacionamentos, outros caminhos, outras escolhas. Opte por aquilo que te agrega, que te soma, que se encaixa na sua travessia como você deseja. Ninguém é obrigado a viver de migalhas. Todo mundo merece o melhor, SEMPRE!

12. Sorria mais. O sorriso abre portas onde antes só existiam janelas e vidraças quebradas, quebra o gelo em algumas situações, aumenta a receptividade das pessoas, cria uma primeira impressão confortável, e exala tudo de ruim que de alguma forma possa estar fazendo morada na solidão da gente. Sorria mesmo quando a dor for tão forte, que tudo o que você deseja é chorar. Sorria quando tudo der errado, quando o resultado não for o esperado, sorria sempre que achar que deve calar. A gente não entende em grande parte das vezes, mas o universo tem formas estranhas de trazer o que é nosso pra dentro da nossa travessia. Receba as dádivas com um sorriso e os percalços com outro maior ainda. Nunca se sabe quais arco-íris os caminhos turbulentos podem, invariavelmente, nos apresentar.


Danielle Daian, do blog Casal Sem Vergonha.

M

uita coisa passa desapercebida no dia a dia, principalmente depois de alguns anos. Aquela coisa de crescer, amadurecer, aprender e tudo mais. Notar o que o tempo trouxe pra mim foi um exercício recompensador e aconselho você a fazer o mesmo. Divido com você um pouco da minha percepção sobre o que a vida me ensinou – e deve ter te ensinado também – com o tempo.

1. Existem sempre 2 caminhos Eu entendi que as escolhas que a gente faz oferecem duas alternativas pra um mesmo objetivo. A gente sempre vai contar com o caminho mais difícil e o mais fácil. Só que o mais difícil pode ser bem mais rápido do que o fácil, que pode oferecer lentidão no trajeto. E o que isso quer dizer? Que tempo e dificuldade são paramêtros variáveis, que podem ou não depender um do outro. Vai depender da gente priorizar a urgência e o quanto a gente está disposto a se esforçar pra que as coisas aconteçam.

2. Perfeccionismo só é bom quando você sai do zero 8 em cada 10 pessoas que eu conheci se diziam perfeccionistas, eu inclusive. Achava o máximo, mas era o tipo de perfeccionismo nocivo que nunca te deixa começar nada porque você acha que não vai ficar bom, que não é o momento. Então você espera até estar pronto e tal, mas a gente nunca tá pronto. Ser perfeccionista é bom quando a gente tenta, testa, vai ajustando, vai aperfeiçoando. Só vale quando é assim, caso contrário, a gente acaba ficando só no título bonito que conta na entrevista de emprego.


3. O que mata a paixão é o tédio Você odiar seu trabalho é até ok. Você odiar seu(sua) namorado(a) vez ou outra também é ok. O problema é quando você cai numa monotonia que te torna apático, que te faz levar aquilo nas coxas como se fosse um robô. É isso que te mata aos poucos, é isso que mata aquela paixão nos olhos com trabalho, vida, relacionamento e tudo mais. Note sempre se você odeia algo ou se caiu num limbo tedioso sobre algo. Odiar ainda é sentir, já a apatia é um buraco enorme que te deixa parado num mesmo lugar.

4. Amor não dói Amar não dói, não machuca, não faz a gente sofrer. Isso é outra coisa. Amor pode dar trabalho, pode causar dor de cabeça, pode fazer com que a gente respire fundo, mas quando machuca, a gente percebe que não vale a pena. Nunca vale a pena quando a dor é maior que o lado bom, nunca.

5. Crescer é uma tarefa diária Vejo meus amigos dizendo que crescer dói. Aos 15, aos 18, aos 20 e tantos. Crescer é uma tarefa diária, a gente cresce e nem percebe, passa de fase, derrota chefão todo dia. Isso só fica óbvio em certas datas simbólicas, mas cada dia contribui pra nossa escala de crescimento. Enfrentar todos os dias como um desafio bonito é uma forma de crescer conscientemente. Se possível, anote num diário ou caderno alguma coisa boa que aconteceu com você num dia ou algo que aprendeu. Você vai entender o que eu tenho falado.

6. Paixões de temporada fazem bem Sabe aquelas paixões sazonais que batem na porta e te deixam mais leve? Tem gente que costuma evitar por medo, tem gente que se joga de cabeça achando que é amor. Eu aprendi que essas paixões passageiras são o nosso meio termo e ensinam pra caramba sobre a gente, sobre a nossa vida, sobre os outros. Sou do time que acha que todo encontro deva ser celebrado.


Nesses casos, viver essas paixões podem nos ajudar a construir uma memória afetiva mais forte, mais vivida, mais preparada para amores.

7. Solitude é como tirar férias Sabe as suas férias programadas uma vez por ano? Solitude também é assim às vezes. Você vai precisar ficar em reclusão algumas vezes. Os amigos vão falar pra sair dessa, tentar te arrastar pra balada, te apresentar aquele amigo ótimo, coisa e tal, mas você precisa desse tempo pra você. É pra respirar, chorar, botar a cabeça em ordem, ouvir Amy Winehouse sem julgamento. Vai fundo, você precisa tanto de solitude quanto de férias na praia.

8. Sua família é importante pra caramba 1 mês de férias em Orlando não vai te fazer sentir falta da família. 6 meses de intercâmbio já vai abrir um buraco no seu peito. Eu aprendi que todos os problemas causados pela convivência se extinguem quando você vai pra longe, e as coisas começam a parecer como elas realmente são. Você percebe o valor do “eu te amo” quando liga pra sua mãe às 3:15 da manhã porque tá triste. Percebe como é muito além da grana quando teu pai te ajuda a bancar aquele box novo do banheiro do apê. Percebe que teu irmão mais novo é teu grande amigo quando quase chora no ônibus trocando mensagens e sabendo que ele tá sofrendo longe. Família importa muito e você vai aprender isso.

9. No fim, você nunca está sozinho Por mais sozinho no mundo que você se considere, você sempre vai ter uma mãozinha. Tem gente que gosta de você de graça, que


se preocupa, que pergunta como vai o seu dia com verdadeiro interesse. Essas pessoas são descobertas ao poucos na vida, mesmo que você deixe sua vida no Brasil e vá morar no México a partir do zero. Quando você achar que ninguém sente o mesmo e que você tá sozinho no mundo, um abraço, nem que seja virtual, vai te surpreender.

10. Tem coisas que só dependem de você Eu odiava depender dos outros e sempre botava a culpa neles quando algo dava errado, até que percebi que tem muita coisa minha que só depende de mim. Se eu quero emagrecer, por que eu não me dedico na academia, na cozinha e vou à luta? Se eu quiser aprender uma língua nova, tem curso gratuito na web. E por aí vai. Tem muita coisa que é a gente que impõe como barreira, mas isso pode ser superado. Você pode criar um painel com as coisas que quer mudar e ver o que depende só de você pra começar agora.

11. Lar é onde você quer deixar o seu coração Eu costumo dizer que meu moleskine é meu lar. Meus pais são meu lar. Meus melhores amigos daqui ou da Argentina são meu lar. O coração, por mais que fique dentro da gente, tá sempre lá fora passando pelas pessoas e pelos lugares que a gente ama. Você vai poder chamar qualquer lugar de lar se seu coração pertencer a ele. E isso serve pras pessoas também.

12. Viajar alimenta a alma Viajar te faz sair do seu dia a dia natural e te faz ver um monte de coisas as quais você não está habituado. Isso te coloca numa nova e interessante perspectiva. É inspirador conhecer um lugar novo, gente nova, uma língua ou sotaque diferente do teu. Te faz aprender muito sobre gente, alma e cultura.


13. Ler pode ser melhor que terapia Você já leu Caio Fernando Abreu, mas leu mesmo, sem ser frase de Facebook? Ele me faz chorar como uma criança de 5 anos pensando na vida. Imagina os outros autores que conseguem fazer isso com a gente. Literatura tá aí pra gente botar pra dentro e depois devolver tudo em forma de identificação. Fica martelando na cabeça, faz a gente pensar, faz doer aqui dentro, mas no fim revela muito de quem a gente é. Você só precisa entender o seu momento e escolher o livro certo pra cavar a ferida (ou o sorriso).

14. E fazer terapia não te faz maluco Por outro lado, eu vi que a minha geração tem se sentido perdida, vazia, com uma dor no peito que parece nunca curar. E recomendo a terapia. Eu fiz, quero fazer de novo, acho dinheiro bem investido (se você puder pagar), te ajuda a se entender melhor e carregar menos peso no peito. Não te faz maluco, nem fresco, nem fraco. Te faz humano e é louvável quando a gente entende que precisa se conhecer melhor e procura ajuda.

15. Desligar o celular é dormir em paz Por último – mas não a última coisa que aprendi -, esses meses me fizeram ver a nossa dependência do smartphone. Seja pra trabalho, relacionamentos, entretenimento ou o que seja, a gente não desgruda disso pra nada, nem pra dormir. Desligar o smartphone no final de semana pode ser loucura, já que você precisa falar com os amigos e tal, mas você pode desligar em horas do seu dia pra se sentir livre. Imagina o que você pode olhar na janela do bus se não tiver olhando pro celular. Imagina como a sua interação com a galera do trabalho vai melhorar no almoço. Imagina esses ganhos pequenos. Isso tudo é dar a você mesmo mais paz.


relacionamento


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Nuta Vasconcellos, do blog Girls With Style.

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u realmente acredito que o amor próprio é o primeiro ingrediente para um relacionamento saudável. Acredito que para você amar alguém e até para ser amada por alguém, tem que se amar, se gostar e se aceitar. Mas a verdade é que é impossível negar a influência que os nossos namorados têm sobre a nossa autoestima. Como já muito bem disse Lady Gaga, ‘Love is like a brick. You can build a house, or you can sink a dead body.’ Eu não acho Lady Gaga grande coisa, mas ela acertou nessa. Ficar mais velha tem suas vantagens (tem que ter alguma, afinal) e hoje já não penso mais nos meus antigos relacionamentos de forma tão emocional. Consigo analisar como aprendizado, em que eu entendi muita coisa não só sobre me relacionar, mas principalmente sobre mim mesma.

Em uma dessa análises eu percebi o quanto minha autoestima foi machucada em todos os meus antigos relacionamentos e como isso me transformou em uma pessoa insegura em vários momentos dentro da relação e, como conseqüência,


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fiquei mais ciumenta do que eu realmente sou, mais tímida do que eu realmente sou, mais insegura do que realmente sou e menos atraente do que eu realmente sou. Em quase todos os meus relacionamentos anteriores, em algum momento senti que eu não era boa o suficiente em algum quesito e às vezes, em todos eles. Sentia que não era magra o suficiente, bonita o suficiente, inteligente o suficiente, sagaz o suficiente, aventureira o suficiente, com o peito em pé o suficiente. Em um dos meus relacionamentos mais longos, que durou 6 anos, com o garoto que abalava minhas estruturas, minha insegurança brotou super cedo, quando tínhamos apenas 6 meses de namoro. Estávamos tendo um problema e eu como uma mulher ainda dominada pela cultura do machismo, assumi toda a culpa para mim. Em uma conversa que não posso contar para vocês detalhes porque não quero expôr ninguém, ele me disse assim, na cara dura pelo telefone uma frase que nunca esqueci: “Talvez você tenha razão mesmo, você poderia emagrecer um pouco, pode ser isso”. Eu nunca me esqueci daquela frase e a partir dali absolutamente tudo em relação a nós dois me deixava insegura. E essa foi só uma das frases que me colocaram pra baixo que ele me disse ao longo do nosso relacionamento. Eu tinha 19 anos, 1,75 de altura, pesava 65 kg (o mais magra que já fui na vida), vestia 38, fazia faculdade, trabalhava, estava indo morar sozinha e estava apaixonada por um garoto que não me achava boa o suficiente. Infelizmente, entre namorados e ficantes, esse não foi o único relacionamento que eu me senti assim. Não tem nada pior do que estar com alguém e ter certeza que aquela pessoa 78


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adoraria te fazer uns retoques, te dar uma turbinada no melhor estilo pimp my ride. A pior sensação do mundo é saber que o seu namorado gostaria de mudar mil coisas em você e, pior do que isso, achar que mudar certas coisas são moleza. Vou dar outro exemplo agora de um ex namorado de uma amiga minha. Ela tinha bastante celulite no bumbum e vivia em guerra com elas. Comprava cremes, bebia muita água e gastava parte do salário de estagiária fazendo drenagem linfática. Ela realmente se sentia insegura com aquela parte do corpo, usava biquinis grandes e evitava o máximo ficar só de calcinha perto do namorado. Obviamente qualquer tipo de insegurança, principalmente corporal dá uma atrapalhada na relação sexual e ela já tinha contado pra ele que tinha horror da “bunda celulitosa” (como ela mesmo chamava) dela. Em uma dessas conversas ele diz: “Tirar celulites não deve ser algo tão difícil assim. O que essas mulheres tipo a Sabrina Sato fazem?”. Bom, eu nem preciso dizer como ela se sentiu depois disso, preciso? Essa menina que tinha uma barriga chapada, um peito duro e olhos verdes, além de uma personalidade incrível, passou a se sentir a garota mais insegura do planeta dentro daquele relacionamento. Queremos apenas ser amadas e desejadas pelas pessoas que deveriam amar e desejar a gente. Não é pedir muito. Homens precisam de uma pitada de sensibilidade e saber a linha tênue da diferença entre estimular a gente a mudar as coisas que NÓS não gostamos em nós mesmas e piorar nossas neuroses e detonar nossa autoestima.

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Depois de tantos relacionamentos do tipo que me colocavam pra baixo hoje tenho um namorado que entende Esteja com alguém perfeitamente essa linha que te faça sentir tênue. Em uma conversa linda, segura e feliz. sobre as minhas inseguranças (que infelizmente acredito que toda mulher VOCÊ MERECE tem, boa parte por conta da ISSO. cultura da nossa sociedade), ele me disse: “eu te amo e o que você decidir fazer vou te apoiar. Mas eu te acho linda, perfeita exatamente como você é. Eu não mudaria nada em você, mas quero que você se sinta bem com você mesma.” Eu não sou mais tão jovem como eu era, nem tão magra quando eu era, mas nunca me senti tão bonita, amada e desejada. E por causa disso tenho certeza que ele tem uma namorada melhor, bem mais segura, feliz e “solta” vamos dizer assim, do que todos os meus ex-namorados. Ainda quero mudar mil coisas em mim. Mas ter alguém do meu lado que não quer e ama tudo que eu às vezes torço o nariz no espelho, ajuda a me sentir menos ansiosa, insegura e tensa em várias situações. E o mais louco? Me dá mais ânimo de fazer as coisas que quero fazer, mudar as coisas que eu sinto vontade de mudar. Resumo disso? Tudo que você não precisa, garota, é ter alguém que te cobre, te deixe insegura e que te coloque pra baixo. A vida já faz muito isso, o tempo todo, em todas as situações. Esteja com alguém que te faça se sentir linda, segura e feliz. Você merece isso.

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Anna Carolina Nogueira, do blog Lugar de Mulher.

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eço licença pela heteronormatividade, mas esse texto é direcionado a mulheres que curtem – ainda que algumas preferissem não curtir – rapazes.

Eu costumava ouvir de minha avó a palavra paixão sempre com uma conotação de sofrimento. Diante da morte de uma conhecida, era certeira na causa mortis: “morreu de paixão depois de ter perdido o filho para as drogas”. Minha avó deve ter aprendido assim com o cristianismo, que usa o termo para falar de todo o sofrimento que foi a crucificação de Jesus e 81


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era o motivo pelo qual ela não poderia comer carne na sexta-feira santa – lembrar a paixão de Cristo, mas não é de sofrimento que eu vim falar, embora o risco de sofrer sempre exista quando se trata de paixões. É da paixão que faz suspirar. Vim falar de amor. Da paixão sem a qual não existiriam muitos dos melhores discos do mundo e que parece ter virado o grande pecado contemporâneo em algumas rodas femininas, aliás, nem precisa estar em roda. Segundo diz Leda Guimarães, uma psicanalista que muito curto, em seu livro ‘Gozos da mulher’, a ordem vem do superego como um imperativo para muitas mulheres: “Não se apaixone! Seja livre, autônoma, independente, realizada, linda, poderosa e etc, mas ‘não se apaixone!” Nos últimos tempos o feminismo já conquistou muita coisa e não precisamos de um homem para nos salvar. Certo? Certo - mas quem está falando em salvação? Não pode só querer um amor pra colorir a vida? Uma mulher pode ser feliz sozinha, mas não existe uma só forma de felicidade. Só que a felicidade que me traz uma promoção no trabalho não me coloca numa posição tão vulnerável, não me arrebata, não deixa minha falta tão clara.

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Se me apaixono, se permito que aquele homem saiba o quanto eu o quero, mostro minha incompletude. Eu, como feminista que sou, não posso ser arrebatada assim por um homem. Não posso ficar na mão dele. Não posso querer que um homem me complete. Pois trago boas novas: ele não tem essa capacidade. Ele não vai te completar - nem se ele quiser muito, porque somos incorrigivelmente faltantes e eles também, ainda que não seja visível a olho nu e é porque existe esse furo que há espaço para que o desejo apareça. Não existe complementaridade entre os sexos. Não existe meia laranja, cara metade, encaixe enzimasubstrato. Lacan diz que não existe relação sexual: existe ato, obviamente, mas relação não. O que cada um busca no outro são coisas distintas, não se encontram pelos mesmos motivos, mas, de alguma maneira, se encontram e, se pode haver ilusão de relação, é pela via do amor, do apaixonamento, criando ficções e fantasias para fazer existir isso que não há. Não existir relação sexual tem a ver com que se goza de modos diferentes desde uma posição masculina ou feminina. O gozo masculino, fálico, prescinde da fala e se dirige ao outro, desde sua fantasia, como objeto, como fragmento de corpo – uma bunda, um peito, uma boca e etc. O amor masculino é fetichista, e se as mulheres gozam falicamente, tomando o homem como objeto de sua fantasia, o fazem desde uma posição masculina (assim como um homem pode vir a ocupar uma posição feminina e experimentar esse “outro modo de gozo”, o que não é tão comum).

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Ao gozo feminino, que Lacan chama de “outro gozo”, a mulher pode chegar através das palavras de amor. O amor das mulheres é erotômano. Esse “outro gozo”, Lacan diz que não ocorre a todas e, quando ocorre, não sabem bem como falar dele. É um gozo “mais além do falo”, que é sentido no corpo (não no órgão, como é o caso do masculino) como um êxtase que Lacan compara ao gozo dos místicos. O “gozo mais precioso” – como chama Leda Guimarães –, e ao qual as mulheres renunciam quando decidem que se apaixonar não pode, pois esse gozo está do lado do amor. “Mas eu só me apaixono por caras ruins, então melhor não me apaixonar.” Bom, tem que ver isso aí, né? Não vamos culpar o amor, esse lindo, por nossas escolhas erradas. O feminismo tem tornado as moças mais espertas pra perceber as furadas que são as “más companhias” e as relações abusivas e, ainda que isso não sirva como garantia de não mergulhar de cabeça em poça achando que é lago, serve pra saber que merecemos mais e questionar as escolhas que fazemos – e ao invés de “ficar na mão” de um machistinha equivocado, deixe chegar um homem querido que te deixe na mão do amor. Não tem que ser sempre e nem pra sempre, mas se quiser se apaixonar de vez em quando não é pecado.

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Denise Carvalho, do blog Casal Sem Vergonha.

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ocê achou alguém que gosta das mesmas músicas, sabe preparar sua comida favorita, topa te acompanhar nos lugares mais esquisitos que propõe e ainda te faz cafuné na hora de dormir - mas você quer mais.

Quer que essa pessoa se encaixe no padrão imaginário que você idealiza há anos, sem se dar conta de que, enquanto se preservar para alguém que só existe dentro da sua cabeça, vai abster-se de todas as pessoas incríveis que habitam fora dela e então continua buscando pela figura perfeita, que além de fazer tudo isso ainda exibe um corpo sarado na internet ou tem uma carreira digna de capa de revista, do tipo que mataria seus pais de orgulho. 85


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O conceito de modernidade líquida, embora um pouco batido, explica exatamente o porque dessa eterna busca. Vivemos em uma época em que é fácil conhecer as pessoas e mais fácil ainda compará-las. Logo, a ânsia por achar “alguém melhor”, sempre mais próximo dos padrões de Hollywood do que da vida real e o medo de que ao se envolver você se feche às tantas oportunidades que continuam por aí mundo afora. Afinal, pela primeira vez temos um universo de possibilidades nas pontas dos dedos. Mas não se deixe enganar por essas falácias e nem se esqueça de que é impossível encontrar a pessoa perfeita, pelo simples fato dela não existir (e mesmo se ela existisse, vamos combinar que ela iria querer alguém perfeito também, e não nós, meros mortais?). Somos todos humanos, falhos e repletos de defeitos. Sendo assim, por que há tanta dificuldade em não aceitar as falhas e defeitos dos outros? Deixe as pessoas de Hollywood para as cerimonias do Oscar e comece a prestar mais atenção naquelas que estão ao seu redor. Não se prenda aos critérios da sua cabeça cheia de razão, porque quando se trata de amor, racionalidade não é uma característica a ser mencionada. Ele se basta. É o amor um mal entendido, que não respeita regras ou argumentação. Mal entendido porque não se importa em aparecer naquela pessoa que você jamais imaginaria ao seu lado, mas para isso, você precisa dar espaço 86


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para que ele aconteça. Sempre ouvi que devemos ter cuidado com o que desejamos, porque pode ser que ao alcançar, nos daremos conta de que não era exatamente aquilo que queríamos. Então pense que talvez seja a hora de abandonar padrões mentais e começar a focar no que realmente tem valor para você. E como descobrir isso? Reflita sobre a possiblidade de que só te resta uma hora de vida. O que você iria preferir? Passar 60 minutos compartilhando fotos e histórias sobre o relacionamento perfeito, com a pessoa perfeita nas redes sociais ou se aconchegar ao lado de alguém que faz você sentir que ainda há vida correndo em suas veias? Então por que não dar uma chance a quem te faz bem, ao invés de continuar procurando por sei lá quem? Nessa vida, quem quer muito, acaba sem absolutamente nada. Portanto, talvez seja a hora de entender que você nunca acha o que procura, porque sempre deixa passar quem já te encontrou.


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Danielle Daian, do blog Casal Sem Vergonha.

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inguém é insubstituível. Fim. Escreve no espelho, na agenda, na testa, no despertador do celular, cola na cabeceira da cama para repetir diariamente como um mantra até se tornar orgânico. Ele é lindo, mas não é o último sorriso encantador da face da Terra. Ela é extremamente delicada e cuidadosa, acontece que, ainda bem, um monte de outras mulheres são dotadas de tais predicados. Abandona de vez a ideia de que você nunca mais vai esbarrar em alguém tão “perfeito”, que o mundo não está sendo muito piedoso com as pessoas solteiras e acorda para a vida. Se já deu, adeus. A travessia é curta demais para se perder tempo em caminhos que não fazem mais tanto sentido.

Eu sou a primeira a levantar a bandeira da permanência. Tem que lutar sim, reformular sim, persistir sim até o último suspiro de coragem. Só que, infelizmente, algumas histórias não conseguem sobreviver aos resquícios do tempo, e começam a desgastar a rotina muito mais do que a agregar boas energias. É imprescindível estar atento quando a sutileza do timing sinaliza que chegou a hora de ir embora. Saber sair é uma virtude para poucos. Nada é tão desagradável quanto um romance que passa do ponto.

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É normal ter receio, ponderar, levar dias para se firmar em uma decisão que poderia ser mais simples. O alerta é disparado quando a gente se apega com unhas e dentes ao medo de nunca mais ser feliz novamente. Aí da noite para o dia, aquele (a) que antes já havia passado dos limites, que os beijos não eram mais os mesmos, que perdeu o seu papel no enredo da nossa vida, vira “de novo” o parceiro ideal. É praticamente uma amnésia seletiva que apaga tudo de ruim que estava se acumulando no relacionamento e a gente só se lembra dos momentos bons, das qualidades, do calor gostoso dentro de peito. E para onde foi toda a frustração?! Postergar determinadas escolhas só serve para alimentar a dor. Deixa de carência, de comodismo e reinventa logo o significado da palavra solidão. Por mais sensacional que a outra pessoa seja, acredite, existem outros alguéns igualmente amáveis. Talvez eles não tenham o mesmo gosto por baladas alternativas iguais a você ou prefiram um cinema tranquilo a cozinhar tomando um vinho na sexta à noite. Independente dos sincronismos é possível encontrar abrigo fora de uma certeza. Aliás, nada mais incerto do que uma relação que se sustenta por medo. Quantas pessoas terminam um relacionamento de anos e pouquíssimo tempo depois já conhecem alguém bacana, quando nem estavam imaginando se comprometer?! Isso tem nome: permissividade. Quando a gente aceita que merece além e se permite esperar por algo que realmente valha a pena, as coisas acontecem muito mais rápido do que a gente espera. E se nenhum amor bater à porta, bom também! Quer dizer que alguma nuance dentro da gente precisa ser reavaliada e que determinadas inconsistências precisam ser absorvidas neste meio tempo. 89


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Digo e repito ninguém é insubstituível. Todo mundo é único, singular, e passa pela nossa história de maneiras muitas vezes incomparáveis. O que tem que ficar, fica. Então, seja o primeiro coerente a indicar a saída para o que não achou espaço dentro da sua vivência. Outra pessoa tal e qual aquela que você se relacionou não vai cruzar o seu caminho mesmo não. Mas te garanto que você vai tropeçar em amores muito melhores. Que se encaixam com uma delicadeza diferente na sua rotina, que demonstram reciprocidade, que sabem lidar de um jeito mais cauteloso com aqueles desvios de personalidade que a gente sabe que são difíceis de serem aturados. Alguém que também pode estar de braços abertos na busca por outros olhares. Sensatez para saber discernir o que é melhor para ambos naquele momento e sabedoria para colocar em prática. Sem boicote, sem pesar, sem vitimização. Ficar é uma decisão, ir embora é a fresta para o passarinho engaiolado: mais do que uma chance de libertação é a cura para o mal de quem não acha que é possível criar asas sozinho.

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Ericka do blog Hipervitaminose

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rocure um amor que esteja atento. Acima de tudo, ao que você diz. Que se não souber interpretar esse ou aquele sinal – um olhar cansado, uma carinha meio triste ou uma resposta atravessada – se preocupe com isso. E tente resolver.

Procure um amor que se interesse pelos seus assuntos, mesmo que eles sejam banais. Que você não fique em dúvida o tempo inteiro se está sendo ouvida, ou não, e que ele lembre daquilo que é importante pra você. Procure um amor que faça você se sentir relevante, porque nem sempre nos sentiremos especiais. Procure um amor que te acompanhe. Que faça as coisas combinadas sem reclamar (muito). Que as faça por você. Mas também procure um amor que esteja disposto a argumentar, discutir, a se colocar e a te entender quando for a sua vez de fazer tudo isso. Procure um amor que busque sempre o consenso, a união, que não brigue, discuta. Um amor do qual você não

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tenha medo de falar. E que não deixe o silêncio resolver quando nada estiver resolvido. Procure um amor que te ajude com as coisas do cotidiano. A pagar uma conta, fazer comida, lavar roupa. Um amor que sabe que essas tarefas não são divertidas, prazerosas ou obrigatórias para uma das partes. E que, se são feitas, são feitas por amor. Muito acima de qualquer imposição que a vida coloque. Procure um amor de pequenos gestos, delicadezas, gentilezas, um amor que te deixa passar na frente, que te protege, que olha por você. Porque, no final das contas, são essas pequenas coisas do amor que te fazem não ser qualquer pessoa. Que fazem você sentir que está vivendo mesmo, de fato e direito, um grande amor.

A gente não precisa de muito.

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Laís Ferreira do blog Casal Sem Vergonha

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erta vez, um amigo me disse que esse negócio de não colocar ponto final é coisa de homens. Como eles não sabem finalizar a relação, deixam tudo de qualquer jeito. Indo contra a tese dele, eu acho que é mal da nossa geração, que muitas vezes carece de maturidade emocional para encarar a vida. Simples assim? Não, nunca é. Entender e aceitar nem sempre são a mesma coisa. Vejo frequentemente gente procurando no parceiro algo que não possui. Não adianta criar ilusões nem cair na cilada de cercar-se de pessoas o tempo todo para preencher o vazio, muito menos culpar o outro quando o plano der errado. Bom mesmo é se completar sozinho. Dessa forma, se o relacionamento terminar, ninguém estará fazendo companhia à Samara, no poço.

O amor é outra coisa, sempre foi. Um dia para de doer. E quem sabe surge alguém que fique para consertar os eventuais furos do barco em vez de pular. Alguém corajoso o suficiente para enfrentar a infantaria que deixamos a postos para proteger nosso coração.

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Laís Ferreira do blog Casal Sem Vergonha

Para que as pessoas PAREM de se sentir diminuidas quando vivem isso. As pessoas traem. Por uma série de motivos.

P

oderia falar aqui de caráter, de valores, de predisposição ou de família. Poderia falar horas sobre como a traição é um ato egoísta ou de como somos responsáveis pelo outro quando estamos em um relacionamento – e que simplesmente nos deixamos levar por uma série de fatores que poderiam ser resolvidos a dois, mas, enfim, vou me ater ao óbvio: acontece. Nas melhores famílias, com as mais tradicionais pessoas. Dói (acredite, para os dois lados), faz a gente perder a fé na humanidade. Mexe com a cabeça, com o bolso, com a lógica. Nos deixa sem chão até quando no fundo a gente já sabia. Gostaria muito de fazer uma lista de indicativos que revelam quando seu marido/ esposa/namorado (a) está enganando você, mas essa lista só existe com base na novela das 20h, porque na vida real não há razões exatas para uma traição, ainda que tenhamos essa tendência de justificar todas as coisas.

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Queremos encontrar culpados. Nos culpamos, culpamos o outro, a outra, ficamos putos com o rumo das coisas. Nos vemos obrigados a perdoar e, no minuto seguinte a achar ultrajante qualquer ato misericordioso – a traição nem sempre acaba com o amor. Aliás, quase nunca. Não, não é sinal de que um relacionamento vai mal, que o sexo está morno ou que a vida mudou com os filhos. Essas coisas fazem parte da vida, da nossa existência e se a gente não cultivar alguns pequenos rituais aqui e ali e estiver desatento ao que os nossos sentimentos se tornam – e que funcionam de forma diferente para cada casal – pode dar bosta. É isso. Há pessoas que, simplesmente, não nasceram para ser monogâmicas, o que pode servir de consolo (e modo de vida) para muita, muita gente por aí. E há pessoas que cometeram deslizes. Que acabaram encantadas por uma vida que não era a que tinham “em casa”. Que fizeram das suas traições novos relacionamentos ou que se arrependeram profundamente do que fizeram. Não há como julgar e sempre há muito a se perder, mas faz parte.Já traí e já devo ter sido traída. Me questionei sobre todas essas coisas muitas vezes e a única conclusão que eu pude chegar é que as pessoas – e os relacionamentos – precisam ser sempre nutridos. Estimulados. Cuidados. Nada é definitivo e só se está com alguém porque se quer estar. Que cada um valorize o que tem pelo tempo que tiver que durar, porque o poeta tem razão: sempre é eterno enquanto se vive.

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?

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Bruna Vieira, do blog Depois dos Quinze

E

sse não é um texto sobre o que é o amor. É um texto sobre o que acontece depois que você finalmente entende pra que serve esse sentimento doido.

Antes eu achava que o amor era uma espécie de hematoma. Uma marca que alguém lá de fora deixava em mim. Uma dorzinha suportável que de tempos em tempos me fazia querer ter certeza se ainda doía. Algo que muitas vezes eu escondi por insegurança. Por achar que já ou ainda não era hora certa de estar ali. Infelizmente ou felizmente eu me machuco fácil. Qualquer pancadinha já fica uma marca horrível por dias, semanas ou meses. Sempre disfarcei bem porque acreditava que o melhor curativo era uma boa dose de orgulho. Mas o orgulho nunca cura, anestesia. Dizem que é só uma questão de tempo, mas não tem nada a ver com os números que o calendário ou o relógio mostram. Os dias vão sempre parecer iguais se você continuar não lidando com o que sente. Então não é sobre o tempo que passa. É sobre o que você faz depois que o dia amanhece. Sobre as pequenas escolhas que temos que fazer a todo instante. Continuar lendo esse texto ou fechar a página?

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Não é fácil. Eu mesma fugi do que sentia como se meus sentimentos fossem um monstro terrível e impiedoso, quando na verdade aquela estranheza gigante que tomava conta de mim fazia parte de um processo de autodescobrimento. Quem sou eu? O que estou me tornando? O que quero pra minha vida? Por que teve um fim? A culpa foi minha? Não sou boa o suficiente? Quando não dá certo com alguém não é porque não deveria ter acontecido. É porque estamos mudando o tempo todo e nem sempre essa mudança acontece na mesma velocidade. Temos ritmos diferentes e às vezes nem mesmo o sentimento mais puro desse mundo basta. Mas nunca é desperdício se você aprende com os erros. Não foi em vão se você se sente mais forte, segura e consciente agora. Parece que tudo gira em torno do outro, mas a verdade é que existe um mundo surpreendente no desconhecido e a única coisa que nos motiva a continuar tentando descobri-lo é o amor. Não o amor por ele, mas o amor por quem nos tornamos depois dele. Uma pessoa tão incrível quanto eu, ela e você merece ser feliz!

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Iana, do blog Girls With Style

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oje, a gente já fala abertamente que as mulheres cresceram em um meio de competição. A validade da nossa beleza, do nosso estilo, sempre teve como termômetro o estilo da amiguinha do lado – e vamos dar um joínha para o fato de isso estar começando a caminhar para o fim. Mas, antes que a gente comemore demais, é preciso lembrar que isso criou uma cultura entre mulheres que deixou marcas até hoje, a dificuldade em elogiar as amigas. Quando uma mulher deslumbrante entra em cena, ainda dá para ver a ala feminina torcendo o nariz. Se uma mulher se acha – e se declara – bonita, então. Ave a galere julgar.

O que a gente não percebe é que esse mal ver de mulheres que se consideram bonitas, e até a nossa dificuldade mesmo em se mostrar como uma dessa forma, é plantado na nossa cabeça diariamente. Quantas vezes a gente não admirou uma mulher linda que não tinha noção da própria beleza. E quantas vezes a gente não falou que “quem se acha bonita perde metade da beleza”, como se fosse uma coisa linda de se dizer? Quem dera uma borracha para eu apagar todas as asneiras que já disse nessa vida. Nessa vibe de não-elogio, veio também aquele “elogio” com dez aspas. Quando uma amiga pergunta se algo é bonito e a resposta é “achei a sua cara”. Galere, todo mundo já sacou que isso é o “não achei bonito” disfarçado de gentileza.

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Eu, no auge do meu machismo (acho que todas nós temos esse passado vergonhoso, bem difícil de escapar na nossa sociedade), era a defensora número 1 dessa resposta. Mas a verdade verdadeira é que a gente sabe o que isso quer dizer, a nossa amiga sabe o que isso quer dizer e isso parece muito, ao menos para mim, uma forma de desempoderamento. Se você está mostrando, está achando bonito. Se eu não achei, vou fazer questão de mostrar que não, sem ser grosseira. Mas é grosseiro sim. E feio. Para entender de um ângulo diferente, é só a gente lembrar da letra da música “What Makes You Beautiful” do One Direction, sinalizada pela maravilhosa Clara, do Lugar de Mulher aqui : “You don’t know you’re beautiful But that’s what makes you beautiful” Então, assim: a gente tem que ser linda, porque esse é o nosso valor. Mas pera ai, se você se achar linda… uuuuuhh, fora! Que desempoderamento do cacete, hein! Deu para ver a ponta do iceberg de onde vem o nosso desconforto sempre que uma mulher se acha bonita? E de onde vem a nossa resistência em elogiar as nossas amigas? Nesse comportamento, é só a gente que sai perdendo. A gente faz uma irmã se sentir mal, chateia quem está a nossa volta e, acredite, não se sente nem uma agulha melhor por isso. Quer plantar o feminismo – e de quebra se sentir bem de verdade? Não perde a oportunidade de empoderar uma amiga, não! Elogia, faz ela se sentir bem! A gente já tem o mundo inteiro tentando fazer a gente se sentir menos. Menos inteligente, menos bonita, menos tudo. E se o que ela te mostrar não for do seu agrado, é só perceber se ela está feliz usando. Se estiver, tá linda porque gosto a gente também já aprendeu que é relativo, mas deixar outras mulheres felizes não. 99


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Andréa Romão do blog Casal Sem Vergonha

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lha, eu tenho uma coisa para te falar. Acho melhor você sentar. De repente vale a pena até deitar. No chão. Porque do chão você não passa. Vou falar de uma vez só. Puxar esse band-aid logo.

Esse cara nunca vai ser seu. E antes que você pergunte, não é “nunca” querendo dizer “não agora, mas daqui a alguns meses quem sabe…”. É o nunca da eternidade negativa. Aquele “nunca” pesado mesmo. Ai você balança a cabeça e sorrindo, diz que entendeu. Então eu devo estar falando daquele “nunca” que vocês vão seguir suas vidas, vão se reencontrar em vinte anos, recémseparados de outras pessoas e, finalmente, vão ficar juntos. É esse? Não. É aquele em que a sua vida continua, com o tempo você vai envelhecer, eventualmente, vai morrer e esse cara nunca vai ter sido seu. Você começa a chorar (é um bom sinal, significa que você entendeu de verdade) e me pergunta: “mas por quê?”. Porque ele não gosta de você. “mas por quê, não?!” você insiste. Eu não sei. Eu queria saber, queria poder te dar uma explicação. Seria tão bom e tão simples se eu pudesse dizer apenas: “É porque ele não gosta das suas sardas”. Você ia ficar triste, mas ia entender. Ele não gosta de sardas e você tem sardas. Não dá pra forçar a barra nesse caso.

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Um dia você ia conhecer um cara que amasse sardas ou que simplesmente não se importasse com isso e ia ser feliz à beça. E fim. Mas como o amor não é uma ciência exata e o tal do cara não consegue te explicar de forma racional o porquê dele não gostar de você, sempre fica aquela sensação que dá pra reverter esse processo. Que existe alguma coisa, uma coisa que beira o milagre, que você possa fazer para ele gostar de você. É uma jogada de cabelo no ângulo certo e pimba! Ele percebe o qual legal você é e não pode mais viver sem sua presença. Mas esse tipo de coisa não existe. Você mergulha nos livros de autoajuda do tipo “conquiste esse cara em cinco passos”, lê furiosamente qualquer revista que prometa te ensinar como deixar o tal rapaz caidinho por você. Faz oferenda, mergulha o nome dele no mel, rouba cueca, muda o corte de cabelo, muda a foto de perfil no facebook, trata o cara super bem, trata o cara super mal. Os passo a passo são infinitos, complexos e absolutamente angustiantes. Mas amor não é receita de bolo, não é por falta de fermento que esse relacionamento não se desenvolve. 101


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Nessas horas sempre tem aquela “amigona” com uma história na manga de um beltrano que não queria nada com a fulana, aí um dia, o sol bateu no rosto dela de um jeito diferente e ele percebeu que aquela indiferença era amor. Pode ser verdade, pode ser exagero, mas isso não vai acontecer com você. Eu sei que parece loucura. Você gosta tanto dele que não é possível que ele nunca venha a gostar de você. Talvez, no seu desespero, você até tenha um momento meio alucinado e acredite que o seu amor seria suficiente para os dois. Mas amor em uma via de mão única não é amor, é devoção. Agora você vai se irritar comigo. Por que eu te disse isso? Por que eu enfiei o dedo tão fundo na sua ferida, esfreguei sua cara no asfalto, por que eu te dei esse tapa na cara se não tenho nenhuma solução para te apresentar? Porque eu quero que você seja feliz. Você pode não ter essa coisa X que faria o cara ficar de joelhos com um anel nas mãos, mas você é legal demais, divertida demais, boa demais para viver em cima do muro que você mesma construiu. Está na hora de descer e deixar essa história do outro lado. Vem comigo, que eu prometo que aqui embaixo a vida está incrível.


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Jenifer Severo do blog Isabela Freitas

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ão foi amor à primeira vista porque, sinceramente, creio tanto nisso quanto creio em papai noel e dietas relâmpago. Foi, na verdade, uma brincadeira boba, uma troca de olhares, uma aventurazinha de quem há tempos não sentia borboletas no estômago e aquela peculiar ansiedade. O amor foi construído aos poucos, depois de muitas idas e vindas e análise de afinidades.

Ele gostava de MPB e eu também, e isso só podia ser um sinal. Passávamos as madrugadas cantando Frejat e Caetano, e só nos dávamos conta que tínhamos perdido a noção do tempo quando o sol já estava batendo na janela e estávamos roucos e com olheiras profundas. Sempre fui fã de carteirinha do compromisso sério, daquelas que adoram ter alguém pra fazer massagem nos pés demoradamente, enquanto ouve entusiasmada os planos loucos do outro para o futuro - três filhos, casamento na praia, férias na Europa e montar uma banda tipo Beirut, com a qual nos apresentaríamos nas ruas charmosas de qualquer cidadezinha da França. O futuro, no caso, englobava também o aniversário de familia do próximo fim-de-semana - vamos nos embriagar de vinho e chegar rindo de tudo, mentindo que nos conhecemos num luau na praia quando na verdade ele foi o cara que quebrou minha taça favorita numa festinha medíocre só pra ter a desculpa de pedir desculpas e se aproximar, despretensioso. Ele sempre me achou muito descolada e um luau é algo muito descolado - com certeza nos conhecemos lá - e nunca nenhum primo de terceiro grau pensaria diferente. Bendita taça quebrada. 103


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Estava indo tudo tão bem, mas um dia ele acordou e decidiu que não me amava mais. Não me amava porque nunca me amou. Não me amava porque havia conhecido outra pessoa, que talvez fosse mais pé no chão e não fosse tão louca a ponto de ligar em plena madrugada de terça pra dizer “ei, comprei um pote enorme de sorvete e to indo ai com duas colheres gigantes. Abre a porta”. Talvez ele quisesse um meio-termo que eu não podia oferecer, porque dentro de mim tudo é intensidade - e eu amo o que eu amo como se fosse a única coisa que eu tenho na vida inteira. Possivelmente ele encontrou alguém que o acalma e que vive um dia de cada vez, sem planos de um futuro incerto ou cobranças desnecessárias. Ou apenas enjoou do meu olhar perdido após acordar cedo num domingo. Doeu. Doeu tanto que achei que ia demorar uma vida inteira para colar todos os pedaços do meu coração que, assim como a minha taça de vinho, ele quebrou despretensiosamente. Pela primeira vez na vida odiei a Summer com todas as minhas forças, depois de assistir àquela barbárie cinematográfica intulada “500 dias com ela” pela terceira vez - mas agora com o cotovelo dolorido e odiando ter o mesmo corte de cabelo que ela. Eu amava a protagonista, até o dia em que me vi no lugar do miserável Tom.

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Ao fim do filme, me olhei no espelho, chorosa, e pensei: “você é uma grande idiota”. Uma epifania milagrosa invadiu meu ser e me tirou daquela compaixão egoísta: “vai ser feliz, porque amanhã a Summer pode ser você”. E cá pra nós: não há nada de errado nisso. A gente ama quem a gente ama por inúmeros motivos; desde a covinha na bochecha à voz ridícula que o outro faz quando fala com o cachorro - e podemos deixar de amar conforme a vida nos apresenta outras cores e sabores mais agradáveis aos nossos sentidos. Vestir o rótulo de vítima pode ser confortável no início, mas depois não há quem aguente. Remoer uma história que só tem graça pra você é uma falta de amor-próprio sem tamanho. Quando a vida esfrega na nossa cara que o outro está feliz e saltitante mesmo sem você, é hora de cair na real. Deveríamos obrigatoriamente nos doar a quem se doa na mesma medida - e deixar ir embora quem não quer mais deitar no nosso peito e contar as peripécias do dia. Hoje você está sofrendo, mas uma hora vai passar e só vai passar se você entender que é hora de as cortinas se fecharem porque o espetáculo já durou tempo necessário para dar sentido à história. Se você não pode dar todo esse amor que está querendo explodir do seu peito, vá embora e transforme tudo isso em amor-próprio. E quando você estiver curada, feliz e se amando, pode ser que surja um cara bacana e de olhos lindos, mas que não desperta aquele amor fugaz em você. Aí, quando se der conta que está bancando a Summer, vai entender, de uma vez por todas, que o mundo não é justo e que no fim das contas todo mundo é egoísta quando se trata de amor - inclusive você.

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Bruna Vieria, do blog Depois dos Quinze

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cho que já me apaixonei de verdade umas cinco vezes nessa vida. Foram cinco caras legais que me olharam de um jeito diferente e me fizeram acreditar por algum tempo que eu era a garota. A única do mundo que tem as respostas das perguntas que eles não tinham coragem de fazer pra mais ninguém. Clichê, eu sei, mas é exatamente assim que você se sente quando alguém diz que te ama na adolescência. Então vem cá, aprende de uma vez: o que nos faz especial não é o fato de conseguirmos nos tornar exatamente quem o outro espera, mas sim a certeza de que nascemos completas e que se for pra ficar com alguém, que seja um cara que acrescente e não nos diminua. Um cara que enxergue peculiaridade onde nós só enxergávamos defeitos. Enquanto não nos conhecermos e aceitarmos, não saberemos como receber o amor que vem do outro. Voltando aos caras: nem todos foram sinceros o tempo todo, provavelmente um deles nunca me levou a sério de verdade, mas cada um deixou em mim, mesmo sem saber, uma lição diferente.

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Quando você ama e não dá certo você aprende a se colocar no lugar do outro. Entende de que joguinhos só funcionam nos filmes e que a sinceridade é o caminho mais curto pro final feliz, que não necessariamente é ao lado dele. Quebrar a cara e virar a madrugada pensando no que aconteceu é sinônimo de ter o que falar no bar, de ter conselhos pra dar quando sua amiga ligar desesperada ou sei lá, saber o que escrever num texto como esse. Viu só? O amor nunca é em vão. Nem quando não dá certo. Nem quando você sente vontade de colocar tudo pra fora no banheiro às 4 da manhã. Nem quando as coisas estão indo bem e no outro dia a pessoa simplesmente desaparece. O que torna o amor algo tão único é justamente a imprevisibilidade. Não há como prever o que outro sente nem o que nós sentiremos depois de amanhã. Todas as teorias que crio deixam de fazer sentido quando me apaixono novamente e percebo que cada pessoa é diferente da outra. Então, meu único conselho que realmente vai fazer diferença na sua vida é: admita que você não sabe absolutamente nada sobre o amor. E assim, só assim, você se sentirá livre pra viver o que ele pode te proporcionar.

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Isabela Freitas, do blog Isabela Freitas

É

complicado. Sempre quando alguma amiga me diz que está em um relacionamento aberto, já mando logo um ‘’Ihhh... Vai dar problema’’. Há aqueles que não entendem a necessidade de se ter esse tipo de relacionamento, mas olha, eu explico.

Teve uma época da minha vida em que eu não me sentia suficientemente boa para me relacionar com ninguém, tudo que eu fazia me parecia errado, e no momento a minha companhia não era benéfica a nenhuma pessoa. Como eu gostava de dizer “eu estava em reforma’’ - precisava arrumar a bagunça de dentro do meu coração, para depois deixar alguém entrar. Então quando alguém te pede para ter um relacionamento aberto, muitas vezes, é porque ele tem medo de te magoar. E convenhamos, sinceridade em primeiro lugar, certo? Melhor alguém que te diz que não quer nada sério, do que aquele que te pede em namoro no primeiro encontro, mas te trai pelas suas costas. Os problemas do relacionamento aberto:

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As cobranças Um relacionamento por ser aberto não quer dizer que é uma bagunça. Por exemplo, você tem seus amigas. Mesmo que você e suas amigas não tenham nenhum envolvimento romântico, ainda há algumas ‘’regrinhas’’ de convivência que todas devem seguir para manter a amizade viva. Certo? É a mesma coisa com o relacionamento aberto. Você não pode cobrar o que ele fez terça-feira a noite, ou com quem saiu no sábado passado - tudo bem. Mas respeito? Esse deve existir em qualquer relação humana. Então se o cara esfregar uma mulher na sua cara, e achar isso normal... Sai fora. Se o relacionamento é aberto, vocês devem ter uma boa comunicação. E se isso não existe, ou se você tem medo de falar o que pensa, é porque tem alguma coisa errada. Então saiba até que ponto você pode cobrar alguma atitude do seu parceiro.

Os relacionamentos Bom, se você aceitou essa condição de relacionamento aberto, então você tem que estar preparada para o pior. Digo, no caso de ele ter mais uma, ou duas, ou três ficantes além de você. Respire fundo, deixe o ciúme de lado, e aproveite os momentos que vocês passam juntos. Um relacionamento aberto também pode ser divertido! Aquela insegurança, o sentimento de instabilidade, todo aquele jogo de conquista e palavras... O que mais me lembro de quando tive um relacionamento aberto, era a diversão. Nós nos divertíamos muito. Sem cobranças, sem brigas, sem amarras. E sem pensar no amanhã, claro. 109


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As mensagens e ligações Mando ou não? Ligo ou não? E a minha resposta é: seja você mesma. Faça o que tem vontade! É claro que: sem essa de 99 ligações por dia, ou mensagens o dia inteiro no whatsapp do cara, nem pessoas que namoram fazem isso - vamos ser racionais. Mas se sentir vontade de mandar uma mensagem no dia? Mande. Algo descontraído, leve, sem peso. O legal do relacionamento é exatamente isso, ser algo que não deve pesar o coração nem trazer nenhuma preocupação consigo. Então se você quiser mandar algo falando do seriado preferido de vocês, ou sobre o filme que você está afim de assistir final de semana: manda logo. Pessoas que não fazem joguinhos são as melhores, e quanto mais natural você for, maior o encanto.

O fim de semana Fim de semana se aproximando sempre vai ficar com aquela coisa atrás da orelha: e agora? Chamo pra sair? Bem, eu não sou machista e vou dizer que o homem que tem que chamar pra sair sempre óbvio que não. Mas assim, se você chamou na semana passada, então nessa semana que seja ele. Se na semana passada ele chamou, por que nessa você não chama? E também ressaltando que não é uma regra que vocês devem se encontrar toda semana. Tenha sempre outros planos em mente, combine algo com as amigas, viva sua vida independente dele. Se ele te chamar pra sair, ok. Se não chamar, amém!

O futuro Planejar o futuro pode ser... Hm... Perigoso. As vezes é inconsciente, fazemos planos ao léu, como por exemplo ‘’Ah, um dia te levo pra conhecer meu tio avô, ele é uma peça!’’; “Um dia vamos ao Egito

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RELACIONAMENTO juntos!”; “Precisamos ir ao um Show do 30 Seconds To Mars’’. Isso pode ou não assustar a outra pessoa. Então pense antes de falar, e não se martirize caso algo te ‘’escape’’, isso é normal. Gostamos de imaginar o futuro, mesmo que ele pareça impossível e tão distante. E claro, se no caso os planos partirem da outra pessoa, não leve tão a sério. “Ah, ele disse que um dia vamos ao Egito juntos, isso quer dizer que vamos casar certo?” - Errado.

Expectativas Isso tem a ver com o tópico anterior, mantenha as expectativas baixas, assim você evita a decepção, e caso algo de muito bom aconteça, você vai se surpreender! Tem coisa melhor?

O envolvimento Parece lenda urbana, praga de mãe, de vó, e... é. Um dos dois (ou os dois) uma hora vão acabar se envolvendo mais do que deveria. E agora? Qual a solução? Ou você esconde para si o que está sentindo, e espera para ver até onde o outro vai... Ou se afasta. Porque continuar a levar um relacionamento aberto, onde agora existem sentimentos, é mutilar seu coração aos pouquinhos. Não vale a pena.

A transformação Eu não vou ser a pessoa que vai te dizer que um relacionamento aberto nunca vai se tornar um relacionamento sério. Sim, ele pode, e há grandes chances de que isso aconteça. Quando vocês amadurecerem, se verem dispostos, com tempo, vontade - é possível. Mas não se fissure nessa ideia. Aproveite a liberdade ao máximo enquanto ela existe. E aceite a liberdade do outro. Isso é um processo de autoconhecimento, e amadurecimento, que vocês podem enfrentar juntos. 111


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Isabela Freitas, do blog Isabela Freitas

N

ão, não adianta. Aqui na minha vida você não tem vez. Ah, eu sei. Soube desde que te conheci. Você está acostumado com todos aos seus pés. Sabe exatamente como render, deixar de joelhos para que peçam por mais. Sempre teve tudo o que quis com apenas alguns sorrisos forçados, e palavras ditas da boca pra fora. Aliás, palavras são tão bonitas, não é mesmo? Eu acho. Mas elas não enganam a quem também sabe usá-las. Porque meu bem, eu sei.

Não, você não vai quebrar o meu coração. Para que isso aconteça eu teria que permitir que você passe pela porta da frente, e ambos sabemos que aqui não tem tapetes de boas vindas, nem despedidas com “Volte sempre!”. Você é um conquistador de corações frágeis, daqueles que com qualquer rachadura vai ao chão. Você gosta do prazer de esmagá-los pedacinho por pedacinho, até deixar suas mãos sangrando. Mas não o meu. Não tem como conquistar uma terra que já foi conquistada e povoada. Por mim. Meu coração é inteirinho meu. Povoado por amor próprio, coragem, liberdade, e vontade de ser sempre intenso.

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E qualquer pessoa que se aproxima dele, fica ali, em segundo plano, em uma fila de espera para poder entrar. Talvez um dia.

Acontece que eu não preciso estar com alguém para ser feliz. Achou que nunca iria escutar isso de uma pessoa, né? Pois é.Mas nós temos nossos momentos. Não temos? Quando você diz que sou a única e eu sorrio e finjo que acredito. Ou quando você diz que nunca amou ninguém como me ama, e eu tenho vontade de dizer que sei que você disse isso para todas as outras anteriores. Ou quando você diz que ama meu perfume, e eu nem me dou o trabalho de dizer que esse é diferente do da semana passada. Ou quando você me leva para jantar no mesmo restaurante que levava sua ex namorada, e eu me embebedo de champagne e te faço rir até a barriga doer. Ou quando trocamos juras de amor e juramos ser para sempre, mesmo sabendo que amanhã tudo isso pode mudar. Ou quando você diz que não fez nada no sábado a noite, e eu sei que você saiu e beijou outras bocas. Ou quando você troca mensagens com outra pessoa do meu lado, e eu olho para a paisagem e finjo não perceber nada. Ou quando você conta sobre seu passado, e me diz que mudou. Você não se tocou ainda? Eu não me importo.

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Não me importo se você é um canalha que gosta de passar pela vida das pessoas deixando mágoas e corações partidos. Não me importo com suas mentiras, ou com sua falta de sensibilidade. Porque meu bem, quem perde é você. Quem perdeu a vida inteira, foi você. E quem vai continuar perdendo, e se perdendo, é, adivinha? VOCÊ. Porque o tempo passa, e suas conquistas vão ficar esquecidas em uma sala de troféus empoeirados. Hoje você é um Don Juan encantador. Amanhã você será apenas uma sombra, vagando pelo mundo, sozinha, amargurada, triste, e sem ninguém para estender as mãos e dizer “Eu acredito em você’’. Porque todos que um dia acreditaram, já estarão longe. Com as cicatrizes curadas, o coração em paz, e com um amor (dessa vez, de verdade) a tiracolo. E o que você colecionou? Corações partidos. Quando na verdade poderia ter colecionado momentos. Porque um momento especial pode durar para sempre. Mas as decepções sempre ficarão no passado. Onde elas pertencem. E com elas, você será deixado para trás. Passou. Você sempre será lembrado como “aquela época ruim” da vida de um certo alguém. Mas eu te entendo... É muito mais mais fácil decepcionar alguém. Afinal, decepções nós temos todos os dias, o tempo todo. Amar e ser amado é algo único. E talvez você só não seja capaz disso. O amor é para poucos.

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Nathalie Macedo, do blog Casal Sem Vergonha.

S

empre achei no mínimo estranho ter que assinar um contrato em que você declara amor a alguém. E usar um anel que torne esse amor visível e referendado aos olhos dos outros. Usar uma roupa específica, com uma cor préconcebida e que representa uma pureza hipócrita, para que o mundo saiba que você resolveu juntar as escovas de dentes. Se é um sonho ou uma realização pessoal, ótimo – cada um decide como celebrar o amor. Mas, a meu ver, há muitas outras coisas infinitamente mais importantes do que alianças.

1. Respeito mútuo

Há muitas coisas sem as quais um relacionamento não sobrevive por muito tempo. Curiosamente, acho que amor está longe de ser a principal delas. Não deixar que a intimidade extrapole o limite do respeito é um dos maiores desafios das relações a dois. Respeitar o outro enquanto ser humano é, sem dúvida, o primeiro passo para construir uma vida ao seu lado.

2. Simplicidade

Muitos não acreditam, mas o amor não é nada pomposo. Enquanto nos ocupamos em preparar festas, alianças, vestidos brancos, presentes caros e jantares sofisticados à luz de vela, há uma vida belíssima nos esperando lá fora. Relacionamentos saudáveis têm nos momentos mais simples os mais inesquecíveis. Casais bem resolvidos não precisam de cruzeiros, reservas em restaurantes e grandes comemorações. Conseguem celebrar o amor nos mares do caribe ou no boteco da esquina, são felizes em Paris ou na cama assistindo Netflix. O amor é simples como a vida.

3. Companheirismo

Conheço muitos casais que usam alianças imensas, colocam fotos um do outro na capa do facebook e não se cuidam reciprocamente.


O companheirismo não precisa de demonstrações ou atestados. O cuidado mútuo está presente nas pequenas coisas, em verificar se falta algo na mala dele ou oferecer ajuda se ela fica sem grana no meio do mês.

4. Bom-humor

Acredito piamente que uma pitada de bom-humor é capaz de salvar vidas. Dê um bom dia bem humorado ao taxista e ele lhe será solícito. Seja cordial com uma atendente de banco e ela lhe ajudará sem nenhum interesse – pura e simplesmente porque o bom humor é um grande facilitador. Nas relações a dois ele é igualmente indispensável. É preciso encarar os estresses da vida conjugal com leveza. Um sorriso matinal não custa nada e pode mudar o dia de quem você ama!

5. Sinceridade

Pequenas mentiras são capazes de ceifar até mesmo os grandes amores. E, em relações de longa data, são facilmente decifráveis – porque não dá pra mentir pra quem te conhece. A hipocrisia é o câncer das relações modernas. É preciso dizer que você sente desejo por outras mulheres ou que talvez ele precise de uma dieta. A sinceridade nas coisas simples gera uma confiança tão incondicional que nos faz capazes de acreditar até nas verdades menos críveis.

6. Jogo de cintura

Quem te disse que a vida a dois é fácil te contou uma mentira deslavada. Não é. É preciso aceitar diferenças, burlar as prendas do tal destino, desviar-se das tentações e, de quebra, cuidar de cada detalhe da relação. Não dá pra levar tudo a ferro e fogo. Relacionar-se a dois – aliás, relacionar-se seja como for – é, basicamente, não deixar a peteca cair.

7. Liberdade

Foi-se o tempo em que relações amorosas eram prisões sem grades. A confiança é pré-requisito para que se tenha um amor tranquilo com sabor de fruta mordida – e isso inclui deixa-lo sair pra beber e deixa-la cuidar da própria vida como bem entender


– mesmo que isso signifique gastar todo o dinheiro extra em bolsas. Liberdade transcende deixar o outro sair sozinho. Significa, principalmente, compreender que nada te dará o direito de influenciar nas decisões pessoais do seu parceiro, sejam elas quais forem.

8. Compreensão

Pequenas irritações cotidianas devem ser as maiores causadoras de divórcios ao redor do mundo (por mais que muita gente diga que foi por ciúmes, incompatibilidade de gênios ou seja lá o que for). Nunca subestime o poder de uma toalha molhada em cima da cama ou de roupas sujas fora do cesto – isso irrita, cansa e desgasta a relação. No entanto, ninguém está a salvo de pequenos defeitos, e só a boa e velha compreensão é um bom antídoto para isso. Compreenda as meias dele jogadas no chão do quarto e ele compreenderá seus cabelos no ralo do banheiro. É assim, e só assim, que a vida a dois segue.

9. Sonhos em comum

Não dá pra caminhar de mãos dadas em estradas opostas. É preciso ser franco – e, de preferência, a tempo – sobre os planos de cada um. Se você pensa em vender artesanato na praia, você provavelmente não poderá dividir uma vida com alguém que pretende administrar uma grande empresa. O amor tem questões práticas e nada românticas que eventualmente precisam ser consideradas.

10. Independência

Por fim e não menos importante – não mesmo! – a independência é mais imprescindível numa relação do que qualquer contrato assinado. Ter seus próprios amigos, seus próprios projetos e eventualmente planos diferentes no final de semana faz com que você não esqueça de que antes de compor uma relação você é um ser humano ímpar – e, sobretudo, faz com que a companhia do outro (mesmo que o outro durma com você há anos), seja sempre uma novidade.


Danielle Daian, do blog Casal Sem Vergonha.

O

grande problema de um coração partido é que a gente só se dá conta de que o estrago foi feito, quando muitas vezes, já é tarde demais para se reerguer sem machucados ou cicatrizes. A gente entrega de bandeja aquilo que existe de mais precioso na nossa vivência, nosso amor próprio, nossa reciprocidade, nosso livre arbítrio e quando menos se espera, tem o orgulho gravemente avariado pela falta de tato do outro. Ter um sentimento despedaçado, expectativas dilaceradas e toda uma história minimizada, desperta o que existe de mais solitário e doído na alma da gente. Quer proteger a sua autoestima e resguardar o seu coração de uma possível ruptura, dá uma olhada nas


nossas dicas para evitar essa furada:

1. Evite pessoas e relacionamentos que não projetam o caminho com os mesmos olhos que você. O primeiro passo para a frustração é saber que o outro em algum ponto da trajetória não irá preencher aquela lacuna que você tanto deseja. Seja um relacionamento sério, um casamento, filhos, uma amizade colorida ou qualquer tipo de interação. As melhores parcerias são feitas de pessoas que conseguem fazer planos em conjunto. Assim, o desejo de ninguém fica negligenciado e todo mundo fica feliz.

2. Em hipótese alguma crie expectativas. O caminho mais curto para um coração partido é projetar no outro uma coisa que é unicamente nossa. Os seus sonhos são exclusivamente seus. O amor é um sentimento que está intimamente ligado ao poder de escolha. O outro pode corresponder aos seus anseios porque também se encontrou neles ou, em grande parte das vezes, ele pode não abraçar as suas vontades e aí, quem sofre é só você.

3. Não coloque uma máscara na sua história. Se ele não te ligou depois da noitada, se ela desmarcou o jantar para cuidar da avó, se ele diz que está traumatizado com o antigo relacionamento e não quer machucar seu pobre coração novamente, ou se ela não respondeu


à sua mensagem depois do encontro, não se engane! Ele não perdeu seu telefone, ela não tem uma avó doente, quem gosta de verdade não tem medo de arriscar e ela sim, recebeu a sua mensagem, mas optou por não responder. O pior inimigo das nossas ilusões são as máscaras que a gente coloca pra fingir que está tudo bem.

4. Não é não. Mesmo que venha disfarçado de “agora não dá”, ou “tô muito doente para levantar da cama”: Quem quer faz, quem não quer arruma uma desculpa. Entenda isso e sua alma vai ficar 30 kg mais leve.

5. Se não tem mais jeito, coloque um ponto final.

Chore, esperneie, aceite e dê a volta por cima. A melhor pessoa para colocar fim aos seus sentimentos mais grandiosos é você mesmo. Alimentar uma coisa que já não acrescenta em nada a nossa vivência, aumenta, e muito, as chances de outra pessoa decidir fazer isso po r você, e nesse caso, o ponta pé costuma ser desses sem dó, nem piedade.

6. Não dê sorte ao azar. Se você quer um relacionamento sério e decide se envolver com uma pessoa que você tem certeza absoluta que não quer absolutamente nada do tipo, pelo contrário, está mais curtindo a vida do que cultivando romances, você infelizmente está pedindo para sofrer uma desilusão amorosa. Caráter é uma particularidade que não muda, e os planos de vida de cada um individualmente só são mutáveis por livre arbítrio e não por influência de outros. Se entregar a uma história dessas na esperança da outra metade milagrosamente mudar de ideia é a maior furada da vida.


7. Nunca coloque a sua vida de bandeja nas mãos de outra pessoa. Tenha uma vida própria, amigos para saírem sozinhos, pague suas contas, faça atividades independentes do outro, não viva em função desta parceria. Quando se tem uma rotina avulsa além do relacionamento em si, fica muito mais fácil deixar a mente livre para pensamentos bons e otimistas, ao invés de ficar alimentando caraminholas. As peças que a nossa mente costuma pregar na gente, também são responsáveis por algumas rachaduras na palavra que a gente cultiva como amor.

8. Aprenda que não existem terceiras chances. A segunda a gente dá (quando se quer muito e o outro merece), porque todo mundo tem o direito de errar na vida, seja por inexperiência, seja por um lapso momentâneo de julgamento. Jogue a primeira pedra quem nunca. Cabe ao merecimento de cada um conquistar uma nova oportunidade de acertar as arestas. Terceira chance é para quem não tem um pingo de autoestima e nem um pouco de vergonha na cara. Quem fez uma vez não necessariamente faz duas. Mas quem faz duas, faz três, quatro e samba um pagode bem do sapateado em cima do seu coração.


9. Adote o desapego como um conceito de vida. Quando se passa a entender que aquilo que é pra ser nosso o destino traz de bandeja até o nosso caminho, a gente começa a ver uma pessoa/relacionamento como um encontro, fruto do mais sincero livre arbítrio. Já dizem por aí que o que tem que ser tem MUITA força. E o que não tem também. Fica muito menos sofrido devolver para o universo aquilo que não cabe mais na nossa travessia, quando a gente olha para o lado com olhos de amor e de escolha, totalmente livres de apego. Difícil, para alguns praticamente impossível, mas ainda assim, uma abstração diária das mais fundamentais para o bem estar do coração.

10. Amor próprio acima de tudo. Para que a gente possa começar a compreender o nosso valor perante o outro e aceitar apenas aquilo que a gente merece. Nada mais, nada menos. E só!


sexualidade


SEXUALIDADE

Nathalie Macedo, do blog Casal Sem Vergonha.

U

m beijo não merece ser meia boca, sem vontade, parecendo obrigação. Tem que ser um convite irrecusável de entrega, um mergulho no espaço do outro, uma ousada permissão de envolver-se pelas sensações que o contato vai acendendo devagar no resto do corpo. A fusão ritmada dos lábios dá a temperatura da “coisa toda” antes de a “coisa toda” acontecer. É no roçar das bocas que o mercúrio do termômetro mostra o grau da febre que vai se alastrar pela pele. É no toque dos lábios molhados que se experimenta o outro, que os corpos iniciam uma conversa que pode durar horas, é onde se diz a verdade do desejo sentido.


TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO

Não cabem mentiras num beijo na boca. Sou da opinião de que o beijo é de suma importância em qualquer relacionamento, seja casual ou fixo. Podem reparar que ele é a primeira coisa que esfria quando algo não vai bem. E quando tudo vai bem, um beijo cheio de tesão soa como uma afronta ao resto do mundo, arranca suspiros e invejas alheios, enche a boca d’água e o coração de um gosto de também quero. Um beijo na boca bem dado nos deixa surdos aos ruídos supérfluos, rouba os ponteiros dos relógios, nos coloca em órbita elíptica ao redor de um corpo em ebulição, onde passamos a experimentar um louco e gostoso periastro. Um beijo longo, demorado, suculento, curtido e sentido, chamado de Suavium pelos antigos romanos (será que é daí que vem a boa fama dos italianos?), é o maior presente que se pode dar a quem se ama/deseja. A pressa rouba o prazer do beijo, deixa morrer a paixão e nubla a fascinação. Um beijo na boca bem dado é um vem cá, um chega mais, um tem que ser agora, um não vejo a hora, um não dá para esperar… Jean Rostand, pensador francês, disse que um beijo é um segredo que se diz na boca do outro e não no ouvido. Como não concordar?

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SEXUALIDADE

Nathalie Macedo, do blog Casal Sem Vergonha.

T

em que ter pegada. Tem que ter. Se você não tem, arranja. Ou compra, aluga, sei lá, dá um jeito. Mas tem que ter pegada. Se o cara não tem pegada, não dá nem pra conversar, não sei por onde começar. Nem precisa ser muito bonito também, ou ter um pau enorme. A única coisa essencial é a pegada. Sem pegada não existe tesão que aguente.

Quando a gente é jovem, inexperiente e meio virgem (vai pelo menos uns dois anos de sexo pra deixar de ser “meio virgem”), a beleza é tudo. O cara gato, a menina gostosa são o alvo a se atingir. São o clímax do tesão. Até que você pega o cara gato e a menina gostosa. Um, dois,três, vários caras gatos e meninas gostosas. E percebe que isso não é nem critério pra uma boa transa. Você está aí devidamente graduado para o sexo. A partir de agora você está apto a pleitear os melhores parceiro da sua vida, que obviamente não iam gastar tempo com quem está começando. Você detém o maior segredo da história da putaria: o importante é sempre ela, a pegada.

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TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO

Pegada é aquela coisa assim que nem felicidade. Ninguém sabe definir muito bem o que é, mas todo mundo (pelo menos quem entende de sexo, como o leitor do Casal Sem Vergonha, é claro) reconhece quando vê. Pegada é aquela coisa que a gente define sem definir. Pegada é tesão. Mas, mais do que beijar, pegar é tocar, é apertar, é sentir, é passar a mão, é brincar, é saber aumentar o ritmo na hora certa, é comer com os olhos, com as mãos, com os braços, com o corpo todo. É meter em vez de penetrar. É chupar com vontade. É gozar e querer mais. Pegar direito é deixar claro que aquele beijo, aquela chupada, aquela trepada é a coisa mais importante/urgente/tesuda que existe nesse mundo, e que você não vai aguentar se não pegar assim, de jeito, ali, naquela hora. A dica é prestar atenção naqueles que entenderam que a pegada é o combustível do sexo. Uma boa pegada é um atestado antifrigidez, é uma prova muito maior de tesão do que um pau duro, uma calcinha molhada; é atestado de experiência, de sabedoria, é quase um carimbo de ‘safado profissional’, é delícia, é vida, é saber o que faz e não pedir desculpas por isso. Ter uma boa pegada é colocar o sexo em primeiro lugar, exatamente onde ele tem que estar. É diante de toda uma sociedade hipócrita que diz que a gente tem que se envergonhar de gostar de sexo negar preconceitos e apostar no tesão, no orgasmo, na putaria, no gozo diário, no que de mais gostoso tem nesse mundo.

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SEXUALIDADE

Porque tem gente demais falando sobre sexo e gente de menos sabendo fazer. E pra saber fazer só tem um caminho se libertar de todas as neuras e amarras que esse mundo já coloca na nossa cabeça e saber que não tem nada mais delicioso do que sexo desencanado, aquele que a gente faz só porque a gente pode, pra curtir uma boa trepada, só porque é bom. É investir na pegada, é não fazer nada sem tesão. Porque não existe nada mais broxante do que pegar quem não tem pegada. É melhor mandar de volta pra escola ou ministrar um intensivo, mas só se você tiver paciência. Senão, vai atrás de quem tem tesão na vida: esses, eu te garanto, não vão fazer você perder tempo.


TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO

Bruna Groti, do blog Casal Sem Vergonha.

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ascemos e crescemos num mundo extremamente complexo, mas que nunca nos foi apresentado como tal. Talvez para nos poupar de algum sofrimento e de muito questionamento, a simplificação das coisas, das pessoas, dos comportamentos e dos sentimentos sempre tomou conta da ficção e – muito pior - da educação que as crianças – eu inclusa – recebem desde a mais tenra idade. Em Hollywood e na novela da Globo, o mocinho é bom e o vilão é mau. Na Disney, a bruxa é feia e a princesa é bonita. Na prova de história, dizer que o Brasil foi descoberto pelos portugueses é certo e dizer que os índios já haviam descoberto as maravilhas da nossa terra muito antes é errado. No discurso dos nossos pais, a iniciativa privada é eficaz e a pública é morosa. Nada mais natural do que cresçamos achando que tudo – absolutamente tudo – nesse mundo seja maniqueísta ou binário. Inclusive a sexualidade. Homem tem pinto, usa calça jeans e gosta de mulher; mulher tem buceta, usa saia e gosta de homem. Quem destoa disso incomoda, porque coloca em xeque uma das maiores certezas que a gente tem na vida: de que só existem dois lados. Mas, quando o assunto é sexualidade, a coisa não é bem assim. Pode ser difícil pra você, machão Old Spice, entender, mas a realidade é que o seu comportamento sexual não é o único que existe e que é legítimo. Nem todo homem precisa salivar feito 130


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um esfomeado diante de uma macarronada quando avista um par de peitos. Ele pode se interessar e se manifestar de outra forma. Ele pode simplesmente não se interessar. Ou ele pode até se interessar, mas não em apalpá-los, e sim em tê-los no próprio corpo. E basta a gente crescer, ler um pouquinho, assistir algo além de Pokemón e observar o mundo ao redor sem as lentes do normativismo para perceber o quão estúpido é se incomodar com a sexualidade do outro. Qual o problema se a sua colega de trabalho transa com uma mulher? Qual o problema se a sua prima só usa camisetão, bermuda até o joelho e repudia maquiagem? Qual o problema se o seu vizinho decidiu colocar uma prótese mamária pra se sentir psicologicamente mais adaptado ao corpo que tem? Pra você, certamente nenhum. Já ele, eu imagino que enfrente vários. A começar por um que eu acabei de cometer: referir-se a ela como “ele” – afinal, se alguém faz procedimentos cirúrgicos e estéticos para mudar de sexo, não faz sentido que essa mudança não se reflita também na maneira como nos dirigimos a esse alguém. Invariavelmente, vem também o preconceito, que se traduz em abusos, em desrespeito e em violência. Thammy Gretchen, por exemplo, quando posava nua e fazia filme pornô, servia muito bem para a macharada. Hoje, não passa de uma depravada, louca e que precisa de uma boa surra pra “endireitar”. Onde já se viu essa sem vergonhice? Deus criou o homem e a mulher como seres complementares e deu a cada um dos sexos características que não devem jamais ser renegadas. Olha o capricho da criação divina: o homem tem um pêndulo, e a mulher, uma reentrância. O encaixe perfeito. Deus não erra nunca. Talvez não mesmo – se é que ele existe. 131


TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO Mas o homem erra. E muito. Erra a cada vez que acha que sabe o que é melhor para a vida do outro. Erra a cada vez que não reconhece que qualquer maneira de amor vale a pena. Erra a cada vez que se nega a enxergar e a respeitar a diversidade. Erra quando agride um transexual. Quando chama um homossexual de “viadinho afetado”. Quando expulsa do banheiro masculino alguém que nasceu como mulher, mas que não se reconhece como tal. Quando muda de assento no ônibus só para não ficar ao lado de um gay. Quando prega, a todos pulmões, que normal mesmo é homem gostar de mulher e mulher gostar de homem. Quando relativiza: “não tenho nada contra, mas se fosse meu filho…”. Se fosse seu filho, meu amigo, você não deveria fazer nada além de dar a ele muito amor, muita compreensão, muito amparo e a possibilidade de se comportar e de se manifestar sexualmente da maneira como lhe for mais agradável, prazeroso e conveniente. Se for um menino que gosta de beijar meninas, ótimo. Se for um menino que gosta de beijar meninos, ótimo também. Se for uma menina que usa roupa de menina, tudo certo. Se for uma menina que usa roupa de menino, tudo certo também. Se for um menino contente com o próprio corpo, sem problemas. Se for um menino que decidir abdicar do pinto com o qual nasceu, sem problemas também. Porque, por mais que ele(a) seja seu filho(a), a sexualidade dele(a) não diz respeito a outra pessoa que não ele(a) próprio(a). E por mais que ele(a) seja homossexual ou transexual, ele(a) certamente será uma pessoa carregada de sentimentos, de vontades, de vícios e de virtudes. Apesar de ser determinante, a sexualidade é apenas uma das zilhões de partezinhas que compõem um ser humano. Que pode ser um heterossexual incrível ou um heterossexual horrível. Um homossexual exemplar ou um homossexual sem caráter. Um transexual maravilhoso ou um transexual sem escrúpulos. Sexualidade não define caráter. E ninguém merece ser reduzido ao que carrega no meio das pernas.

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Nathalie Macedo, do blog Casal Sem Vergonha.

A

s relações seriam melhores se as pessoas se enxergassem mais – disso não dá pra duvidar. Você vive melhor com o outro quando enxerga suas virtudes, seus planos, seu mundo, seu modo de ver a vida. Quando você se relaciona de luz acesa. Mas, deixando de lado as metáforas puroamor, a verdade é que sexo também tem muito a ver com enxergar o outro como ele é. Acender todas as lâmpadas, ver cada expressão de desejo, cada olhar que fala um monte de coisas ao pé do ouvido, cada expressão facial que, em pleno ápice, certamente não consegue mentir.

A verdade é que – talvez por comodismo, talvez por uma tendência natural dos relacionamentos – quanto mais o tempo passa, mais roteirizamos tudo em nossas relações, inclusive o sexo. E aí toda transa passa a ser robotizada, com roteiro e trilha sonora definidos. Sabe-se o início, o meio, o fim. E apaga-se a luz porque, ora, já não faz diferença: você está cansado de ver o outro mesmo, né? Não, não está. Aqueles olhos que você já viu um milhão de vezes na vida pode incorporar uma malícia que você jamais viu, nem naquele e nem em outros olhares – e você está perdendo porque apagou a luz. Aquela bunda que você já viu na praia, na cachoeira, embaixo do edredom e de calcinha

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enquanto ela cozinhava pode saber um rebolado que você nunca assistiu. Os mesmos peitos, a mesma boca, as mesmas pernas – tudo pode adquirir um sentido completamente novo quando o sexo é feito com prazer. Porque não existe sexo previsível – o sexo previsível é mero acasalamento. Sexo com prazer te surpreende, mesmo que sutilmente, mesmo que nos mínimos detalhes. Te surpreende na expressão dele prestes a gozar, enquanto você consegue ver o nível do prazer do seu parceiro – e compartilhar o seu – só através dos olhos que são também as janelas do tesão. Por isso não acredito nessa coisa de que os homens são visuais. Não, meu bem, o sexo é que é visual, seja pra homem, mulher, hemafrodita, transexual e se brincar até pro assexual (porque chega dessas construções inúteis de gênero). É tão visual que os ensaios sensuais nunca caem de moda e a indústria pornográfica fatura milhões todos os anos. É tão visual que existe uma expressão facial que você pode se lembrar agora e que vai te excitar imediatamente. Viu só? Quem sabe sentir prazer não se engana: Pouco importam as barrigas de tanquinho e os paus com tamanhos inacreditáveis. O que excita é a atitude, é o rebolado, é o tesão saindo pelos olhos. Sexo não combina com perfeição, com ajustes no photoshop, com barrigas que não dobram quando você se abaixa. Porque sexo é a coisa menos passível de fingimento que eu conheço. É verdade, é instintivo como tudo de bom que somos capazes de sentir. E sexo bom é sexo de luz acesa. Sem vergonha de fazer cara de safadA, de mostrar as estrias e/ou celulites. É sexo sem maquiagem, sem filtro e com muito espelho. Pra que a gente sinta prazer e se veja sentindo prazer. Porque os olhos também são zonas erógenas.

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Nathalie Macedo, do blog Casal Sem Vergonha.

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ntes de mais nada, uma confissão: eu vejo pornô. E não é pouco. A sua amiga vê, a sua namorada vê, sua prima préadolescente, sua colega de trabalho, sua irmã mais nova. Arrisco dizer que até sua mãe vê – ou, na pior das hipóteses, já viu alguma vez na vida. Dito isto, preciso dizer que não deveria ser uma confissão – só um comentário despretensioso, como os comentários que os homens fazem na roda de amigos. Não deveria ser esse estardalhaço. Haveria de ser simples assim: eu vejo pornô. Ponto. Mas não, nada é tão simples para nós, mulheres. Sempre que uma mulher confessa isso, ouve (de um amigo, uma amiga, do namorado ou de quem quer que seja) : – Huuuummmm. Danadinha, hein? Como se fosse anormal, estupendo, inacreditável. 135


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De fato, é tão inacreditável – embora de fato não devesse ser – que nem a indústria pornográfica acredita. Agem, estupidamente, como se nós mulheres não existíssemos. Logo nós, um público tão fiel, somos ignoradas por nove entre dez sites pornô. Se não acredita, preste atenção em como a mulher é representada nos odiosos filminhos de putaria produzidos em estúdio: a mulher coisificada, que se importa mais em dar prazer do que em sentir. A mulher, muitas vezes, violentada, subjulgada. A mulher gostosa e irritantemente passiva. A vadia insaciável e que sacia todas as fantasias do espectador. Se ainda assim não acredita, leia os anúncios luminosos que aparecem em todo site pornô que se preze: “Mulheres safadas na sua região.” “Fulaninha foi traída e quer se vingar.” “Mães solteiras precisam de pau.” “Sua esposa nunca vai saber.” Mais uma vez, a mulher é um produto. Um objeto que proporciona prazer, antes de um sujeito que SENTE prazer. Mais uma vez, somos ignoradas, até mesmo pelos anúncios, que deveriam se interessar por TODO público que acesse esses portais. Mas eu nunca vi – se existe, me corrija – um anúncio direcionado ao público feminino, tipo “homens solteiros na sua região” ou “pais solteiros precisam de boceta.”

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Esses anúncios simplesmente não existem, por que se parte do pressuposto de que nós não estamos interessadas. Mulheres não estão procurando sexo – estão em casa, esperando passivamente pelo patriarcado. Mulheres não se masturbam, não acessam putaria e não tomam a iniciativa. O pior disso tudo é que não consigo acreditar que toda uma indústria – que faz publicidade, inclusive, baseada em pesquisas – não saiba qual público acessa o seu conteúdo. O pior é que sabem – mas se negam a confessar. Seguem nos ignorando e nos subestimando, como se – coitados! – isso pudesse conter o nosso orgasmo. A boa notícia é que já existe uma indústria pornográfica interessada em nós, no nosso prazer. Felizmente, estamos cada vez mais perto de sermos vistas como consumidoras de sexo, capazes de sentir e de buscar prazer. Podemos – a duras penas – nos livrar de nossas amarras e promover a revolução sexual que queremos ver.

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Lucas Baranyi, do blog Casal Sem Vergonha.

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uxa essa cadeira de plástico e pede uma cerveja barata. Todos acomodados? Espero que sim. A gente aprendeu, por aí, que sexo é pecado. Que menina precisa ser direita. Que homem tem que ser macho. Que pra gatinha abrir as pernas, o gatão tem que abrir a porta do carro – e é ele que paga a conta do restaurante (e do motel). Cá pra nós, isso é muito anos 50 – e por mais que seja uma década bonita, época que a Brigitte Bardot tomava Sol na laje em E Deus Criou a Mulher (e nem imaginava que, quase sessenta anos depois, um moleque paulistano ainda babaria por ela), está no passado. Já passou da hora de começarmos a olhar pra frente.

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Sexo, colegas de copos e corpos, é igual cerveja: tem gente que gosta muito e tem gente que gosta pouco, mas existe uma chance muito grande de você, no decorrer de sua vida colorida, tomar uma garrafa ou duas. E é só assim você irá descobrir a tua praia. Não se coloca a colher no sexo consentido alheio, a não ser você seja chamado para um ménage à trois tão francês quanto a Bardot – e nesse caso, colega, é bom levar colher, garfo e faca, porque o banquete costuma ser farto. Sexo pode ser aquilo que você quiser: uma maneira de se divertir (sozinho ou não), um jeito de demonstrar amor (guardando-se ou não), uma fuga temporária dos problemas mundanos ou a solução para todos eles. Contanto que todo mundo se divirta, vale tudo – inclusive homem com homem e mulher com mulher.

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Bruna Grotti, do blog Casal Sem Vergonha.

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ivemos num período de imposições e imperativos. Num período em que as revistas dizem o que a gente deve fazer para ter um corpo de celebridade. Em que as igrejas dizem o quanto a gente deve pagar pra conseguir uma vaguinha no céu. Em que os médicos dizem o que a gente deve comer para prolongar a expectativa de vida. Em que os vizinhos dizem como a gente deve se comportar para não parecer um ~vagabundo~ ou uma ~mulher da vida~. Em que o mercado de trabalho diz como devemos nos vestir para sermos pessoas de respeito. E em meio a tantos deveres, é óbvio que o sexo não passaria impune. A cartilha do bom transador versa sobre quantas vezes por semana você deve fazer sexo para ser feliz; dá dicas ~infalíveis~ para você, mulher, gozar, e para você, homem, conseguir dar dez numa noite só; determina algumas táticas certeiras para você, homem, levá-la para a cama ou para você, mulher, deixálo apaixonado depois de uma performance de cair o queixo… E por aí vai.

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Quem não enxerga o quão prejudicial isso é para as relações amorosas, sexuais e humanas precisa urgentemente colocar os óculos do bom senso. Em primeiro lugar, porque esse tipo de cartilha pouca coisa faz além de propagar estereótipos de gênero – e o mais claro deles é o bom e velho “toda mulher quer romance e todo homem só quer sexo”. E em segundo, porém não menos importante, porque todo tipo de imperativo, seja ele trabalhista, sexual ou familiar, ignora particularidades. Que talvez sejam o tempero que deixa o mundo um pouquinho mais interessante – coisa que até a sua avó sabia quando um dia disse: o que seria do azul se todo mundo gostasse de vermelho? E nem todo mundo gosta de vermelho. Assim como nem todo mundo tem como ideal de felicidade um relacionamento em que o sexo seja a força motriz. Conheço casais que transam duas vezes por mês e vivem na maior harmonia – por mais incompreensível que isso possa ser para os seus padrões. E por mais que você seja integrante daqueles casais que transam até na casa da avó, é absolutamente normal, meu amigo, você negar fogo vez ou outra. Principalmente quando o relacionamento amadurece e aquele furor inicial vai embora. E natural você não estar a fim. Dizer: “hoje eu não quero. Preferiria dormir abraçado”. Ou assistir àquele filme até o final, sem que nossos corpos se entrelacem aos vinte e três minutos de vídeo. Ou dedicar o tempo que transaríamos a cozinhar uma torta gostosa 141


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e diferente. É normal, natural, aceitável e compreensível. É, acima de tudo, humano. Mas a ditadura da paudurescência diz que as coisas não são bem assim. Também pudera: em um mundo onde homens são medidos por virilidade e mulheres por gostosura, é ingenuidade demais querer que o cenário seja outro. E aí, tudo o que se cria é uma rede assustadora de insegurança, em que a autoestima, a autoconfiança e, inclusive, a confiança no outro estão pautadas no desejo e na percepção do próximo, e nunca na essência de nós mesmos. Ela sempre quer transar. Se hoje não quis, deve ser porque eu não tenho mandado bem na cama. Ele nunca nega sexo. Se negou, deve ser porque eu engordei. Ou porque a depilação está atrasada. Ou porque minha calcinha é bege. Ou porque tem outra. Ou porque quer terminar. E por aí vão os devaneios. Por isso, da próxima vez em que aceitar transar só pra cumprir o seu papel social de parceiro sexual, reflita. Sexo só é gostoso quando feito com vontade. E se é verdadeiramente consensual. Nada nesse mundo pode ser mais cruel do que mentir para si mesmo.

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Daniel Oliveira, do blog Casal Sem Vergonha.

O caminho é por aqui.” Foi a última coisa que ouvi antes de descer as escadas em direção a uma fileira de cabines no banheiro unissex. Tinha uma galera fazendo fila em uma dessas cabines – dava pra ver que eles tavam meio noiados, esperando pela vez de botar pra dentro algum pó barato que era vendido na Augusta. Eu tava na festa há exatas duas horas, ela era gostosa, sabia falar sobre Billy Joel e Jay-Z na mesma frase sem opor os dois, tinha um sorriso bonitinho e eu não tinha motivo nenhum pra dizer não. Entramos, fudemos, de quatro, de lado, ela por cima, apertei a descarga sem querer, a gente riu um pouco, joguei a camisinha fora e fui pra casa dormir.


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Sexo casual nunca tinha sido meu forte, saca? Acabei aprendendo que depois da primeira vez que você faz e percebe que não é um monstro, todo o resto acontece mais fácil. Por que eu acho que você se sente um monstro? Porque a maioria das pessoas me acha depravado, no mínimo, quando conto que me atraquei num motel caído às 18h50 depois te ter trocado olhares com uma loira no metrô. Rápido, prático e indolor. Eu trato o sexo casual como ele deveria ser: casual. Sem tanta necessidade de apresentação, sem aquele samba-do-crioulo-doido das intenções, sem aqueles maneirismos de video game que a gente costuma jogar a primeira fase, segunda fase, peraí, é agora que a gente pode considerar transar? A gente ficou tão acostumado a bater ponto em início de relacionamento, coisa e tal, que até pagar uma puta é visto de forma mais natural que sexo casual. Então eu encaro de forma simples a coisa toda. Se bate atração e eu não quero mais do que relaxar, bater um papo breve, contato e essas coisas rápidas, pra que elaborar um conto de fadas pra cair na cama com alguém? Na maioria das vezes, você, eu, um monte de gente na rua só querem prazer e não realizam aquele desejo de encontrar um estranho perfeito por puro medo do julgamento posterior ou da ressaca moral – acontece e muito, principalmente quando passa o tesão e você se pergunta o que tá fazendo na cama com uma desconhecida. A gente concebeu um modelo de pensamento tão forte de que isso é sujo, que não é digno, que não tem cabimento e aproveitou pra apontar o dedo pra quem faz. E eu não preciso ir longe, não. Te pergunto, aqui na calada da noite do meu quarto, por que você reprime tanto o desejo de transar com quem 144


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quer, com aquele cara do apartamento de cima ou com a guria nova do trabalho que te deu mole? Não existe problema algum em deixar as regras bem claras – isso evita desentendimentos, ultrapassagem de limites, tapas na cara (ou na bunda) e gente que gosta de sadomasoquismo (não é a minha praia, desculpa). Ah, meninas, isso também não é errado, não te torna menos digna, não faz com que você seja fácil, coisa e tal. Isso é só o que aquele bando de machistas querem que você pense. E eu te pergunto, caro leitor, qual o problema de esbarrar com alguém na rua, trocar olhares e acabar na cama com ela (ou ele) sem precisar saber RG, endereço, coisa e tal? Você me diz que tem medo de doenças, medo de cair nas garras de um psicopata, medo do que vai encontrar, mas tudo isso tem solução. Camisinha pra primeira, treino pra segunda, leis mais claras – e não falo da Constituição – pra terceira. Os riscos que você levanta podem ser encontrados em qualquer relação normal. A guria com quem você saiu duas vezes é realmente descartada de possíveis suspeitas de psicose? Aquele coxinha da Vila Olímpia tem mesmo cara de quem não vai tentar te obrigar a nada na cama? Sexo é um campo minado pra qualquer modalidade: não tem como saber se você vai sair ileso, mas você precisa dar o primeiro passo pra conhecer as suas possibilidades de ganhar o jogo.


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Daniel Bovolento, do blog Casal Sem Vergonha.

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ira e mexe me deparo com algum amigo cometendo o grave erro masculino de fugir de uma mulher que tem dado atenção pra ele. Não tem o menor sentido, aparentemente, e pergunto o que houve com o gajo pra tamanho desespero na fuga. Eles me devolvem quase sempre com a mesma resposta: ela quer romance, eu só quero sexo. Mas como vocês sabem disso? A maioria dos caras que eu conheço acha que toda mulher quer sempre a mesma coisa: romance, cinema, jantar, um amor pra recordar e suas variações. Mas que ideiazinha mais medíocre, viu? Pode até não ser por mal, mas essa concepção de que mulher é frágil e vive atrás de amor é bem machista, e mais atrapalha do que ajuda no campo nos relacionamentos.

Se os mesmos amigos que correm das mulheres tivessem a perspecicácia de abrir o jogo com elas e explicar que o lance é puramente carnal, talvez tivessem a mesma resposta delas. Mulheres também querem transar, e muitas vezes só querem isso. Elas não querem um cara babando atrás delas, não querem o último romântico do deserto. Nada, isso é ideia criada pra definir mocinha de livro dos anos 20. Se os caras só querem sexo, elas também querem.

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E graças a Deus que o mundo tá mudando e elas podem cada vez mais admitir isso sem julgamento. Peraí, eu disse sem julgamento? O curioso da história toda é que eu tenho plena certeza que muitos dos machões-alfa-mimizentos-e-machistas que conheço se encheriam de raiva e julgariam a moça que só quisesse sexo com eles. Piranha, puta, vagabunda e o que mais você quiser falar. Ué, mas não eram os mesmos que reclamavam do oposto há um tempinho atrás? Não se decidem, isso sim. Querem que elas sejam um pedido pronto do que eles querem pro momento. Mas não funciona assim, ainda bem que não. Elas querem sexo tanto quanto a gente. Talvez nunca estivessem interessadas em ter nada demais com um dos meus amigos, mas ele nunca vai saber. Porque parece pecado ser honesto e parece mais horrível ainda considerar que uma mulher tenha desejos puramente sexuais e esteja a fim de alimentá-los. Parece ultrajante pro cara que ela não o deseje completamente e que ele só sirva pra alimentar alguma fantasia dela. Ué, mas não tem sido assim que os homens têm tratado as mulheres durante todos esses anos? Não entendo a surpresa. Até já dei um toque pro meu amigo dizendo que ele pode ser mais claro da próxima vez. Na melhor das hipóteses, ela ainda vai agradecer por não ter perdido tanto tempo com ele.

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Uma análise sobre a submissão feminina na cama Laís Montagnana, do blog Casal Sem Vergonha.

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á dizia Nelson Rodrigues: “Se cada um soubesse o que o outro faz dentro de quatro paredes, ninguém se cumprimentava”. Essa sabedoria disseminada pelo escritor se mostra incontestável já que, quando o assunto é sexo, é impossível impor limites do que é “aceitável” e “saudável” ou não. O sexo é um chamado primitivo, uma evocação do seu instinto animal que clama por um gozo selvagem, é uma dança sincronizada cujo único objetivo é sentir e proporcionar prazer. Devido a tamanha subjetividade que envolve o ato, não há como gerar um manual de passo-a-passo ou estabelecer padrões a serem seguidos para chegar a esse prazer. É exatamente daí que vem a beleza da sua descoberta, daquela relação de pele, de química, que te ensandece e você não sabe explicar exatamente o porquê.

Partindo então desse princípio, me provoca revertérios quando vejo por aí um movimento de mulheres achando que só porque queimou sutiã não pode submeter-se a uma brincadeirinha de dominação na cama, mesmo quando se tem vontade. Querem encarnar a “feminista” na vida social, na cama, nas reuniões de condomínio… De maneira alguma defendo que as mulheres devem ser submissas ao homem, mas peraí: qual o problema de uma feminista ter desejos sexuais de submissão? Por que um tapa na cara consentido e, mais do que isso, desejado, pode soar como desrespeito e machismo? Ao longo das últimas décadas, as mulheres foram protagonistas de várias conquistas importantíssimas das quais antes eram privadas. Da decisão de quando engravidar, da independência e dos direitos ao voto, ao controle do próprio corpo e à inserção no mercado de trabalho, por exemplo. Com isso, conquistamos 148


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a nossa liberdade de escolha. E acredito que escolher algo diferente de tudo aquilo que já foi conquistado não representa necessariamente um retrocesso. Essa postura de tentar ser “feminista a todo o custo” se mostra retrógrada, já que segue o mesmo pensamento arcaico e machista da Roma Antiga. Naquela época, o sexo oral na mulher era impensável, por colocar o homem a serviço dela, já que ele precisava sempre dominar. Ou seja, antigamente uma posição social (homem macho fodão dominador) era repetida na cama (mulheres seres impróprios de receber sexo oral). Condenar uma mulher que escolhe ser submissa em relações sexuais é fazer a mesma coisa que os romanos faziam, é transportar uma posição social aos lençóis e tentar evitar que o ideal de relação igualitária proposto pelo feminismo seja quebrado na cama. Conversando com algumas submissas no BDSM (Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo), pude ver que elas se sentem super feministas por ter total discernimento e liberdade ao decidir o que fazer com o próprio corpo. Elas podem até parecer passivas ali durante o ato, porém foi uma decisão delas estar lá, o que pode ou não ser feito com seus corpos e também a hora de parar. Sendo assim, não tenha dúvidas de que mulheres submissas na cama são mais livres do que as adeptas do papai-mamãe, mas que são reféns – financeira ou moralmente – de seus maridos, namorados e companheiros. São mais livres que mulheres com pensamentos machistas, que se anulam e regulam o que vestem e com quem transam por puro temor do que os outros vão pensar. Ser feminista é muito mais que levantar uma bandeira. É ir contra a correnteza , sair do padrão, pensar fora da caixa, querer justiça e igualdade. É ir atrás de seus desejos. Por isso é, sim, possível ser dona de si própria, mesmo quando se está em um jogo de submissão.

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Jaque Barbosa, do blog Casal Sem Vergonha.

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om gel e jeito não tem buraco estreito”. Será mesmo? Muitos tabus rondam a questão do sexo anal. Alguns são fissurados pela prática. Pra outros, é difícil entender porque raios alguém pode gostar de enfiar o dito cujo em um buraco que foi feito exclusivamente para eliminar excrementos não necessários ao nosso corpo. O fato é que o cu é uma parte valiosa do corpo que aprendemos a tirar proveito no sexo. Homens tem fascinaçnao por ele – inclusive os gays, que se divertem muito com o lado B. Algumas mulheres também. A grande diferença é que os homens possuem a tal da “próstata”, que quando estimulada, dá muito prazer. As mulheres não – o que prova que o prazer vem única e exclusivamente do psicológico. Tenho percebido que ultimamente, o interesse das mulheres por essa prática tem aumentado. Talvez por pressão masculina. Talvez por curiosidade. E, por sinal, acho justo também que os homens que se acham no direito de pressionar, testem antes pra ver do que se trata. Pimenta nos olhos dos outros é refresco – se você não aguenta um fio terra, pense bem na hora de pedir algo do tipo para a sua mulher.

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O fato é que, só se pode dizer se gosta ou não quando experimentar. E se você está afim, aí vão algumas dicas pra facilitar o processo (e deixá-lo um pouco menos doloroso). E lembrese: tenha sempre lubrificante e camisinha em mãos.

DICAS ESSENCIAIS: PARA ELA Esqueça os filmes pornôs, onde as mulheres dão o cu como se fosse algo muito natural. Não, não é. E você não tem problemas sexuais por não se atrair muito por essa prática. Se você fica encanada com uma possível eliminação de excrementos na hora H, tente ir ao banheiro antes para deixar o caminho livre. Algumas pessoas tomam laxante. Outras fazem duchas. É preciso que você esteja com muito tesão. Mas muito mesmo. Naquele nível em que já fizeram de tudo e o fogo ainda nao foi embora. Antes de se aventurar com o pau do seu parceiro, treine primeiro com dedos. Peça pra ele colocar um dedo quando estiver te chupando (cheque as unhas dele!).

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Quando estiver mais relaxada, deixe ele colocar mais fundo. Dê um tempo para o ânus perceber que terá que fazer o movimento oposto daquele que têm feito a vida toda. Uma das posições ideais para iniciantes, é ela deitada de bruços na cama, só com um travesseiro embaixo do quadril pra levantar um pouquinho. De ladinho também é recomendada. Só mude para uma posição mais elaborada quando já tiver muito confortável nas primeiras. Segure o instrumento do menino na mão e o direcione para o buraco mágico. Quando estiver na posição certa, peça para ele ir colocando devagarzinho. No começo, vai doer. Mas tudo pode ser controlado se você parar de mentalizar a dor. Pense em coisas safadas, coisas que te dêem tesão. É fato que o primeiro reflexo do nosso corpo é gritar para ele sair de você imediatamente, mas se você quer mesmo experimentar, vai ter que suportar por um tempinho essa dor inicial para aprender a transformá-la em prazer.


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Se não estiver gostando, sempre pode pedir para ele parar. Dar o lado B exige inspiração. Se você não está inspirada no dia, não faça só porque ele pediu. Você dá quando bem entender (e se quiser). Sem pressão.

PARA ELE Tenha paciência na hora de propor essa prática. Muitas mulheres já tiveram experiências traumáticas, ou pelo menos já ouviram histórias bizarras a respeito. Seja cuidadoso e carinhoso. É preciso habilidade para executar a prática com maestria. Crie um clima antes e a deixe com muito tesão. Assim suas chances serao muito maiores. Se você tem nojinho do bombom que pode eventualmente sair no meio do processo, nem “se meta” nessa. A etiqueta diz: se viu ou sentiu alguma coisa, ignore e continue como se nada tivesse acontecido. Enquando a penetra , faça o favor de continuar estimulando a mulher pra ela abstrair um pouco da dor e continuar sentindo tesão. Beije as costas dela, pescoço, pegue nos seios, masturbe. Se vire nos trinta. Se ela pedir pra parar, PARE. Ou vai corer o risco de nunca mais ter acesso à area dos fundos. Sempre é bom lembrar que sexo anal traz riscos a saúde. É a principal forma de transmissão de HIV entre outras coisas, por isso procure sempre se cuidar.

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Vanessa de Oliveira, do blog Saúde Sublime.

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pompoarismo é uma técnica que surgiu no sul da Índia entre praticantes de yoga, os exercícios eram passados de mãe para filha, de maneira a ensinar para a jovem o funcionamento do seu corpo.

Pompoar significa sugar, são exercícios de contração e relaxamento dos músculos pélvicos que levam ao fortalecimento desses músculos ao ponto de proporcionar prazeres indescritíveis a mulher e seu parceiro durante o sexo, em consequência da capacidade que a mulher passa a ter em contrair os músculos da vagina. Na sociedade ocidental temos muitas dificuldades para falar sobre sexo, o tema é visto como um tabu. Não se deve falar, compartilhar experiências e nem mesmo buscar ajuda ou orientação quando necessário. A Organização Mundial da Saúde aponta que as dificuldades no campo da sexualidade constituem um quadro propício a outros quadros patológicos, como estresse, depressão, ansiedade, etc. Atualmente o pompoarismo vem ganhando espaço na nossa sociedade mas ainda timidamente. 154


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A sexualidade feminina é ainda mais negligenciada como tema de saúde, muitas mulheres sofrem de disfunções sexuais, como vaginismo, frigidez, dispaurenia ou anorgasmia. Pouquíssimas procuram ajuda médica e muitas vezes quando procuram encontram profissionais despreparados para avaliar as dificuldades. A prática do pompoarismo em muito auxiliaria na solução desses problemas. Já a medicina oriental tem sido mais bem sucedida em lidar com a sexualidade de maneira mais ampla, considerando que prazer está intrinsecamente ligado a saúde global. Um exemplo desse avanço são as técnicas milenares de pompoarismo, um tipo de exercício em que a musculatura do assoalho pélvico é trabalhada através de técnicas simples que incluem movimentos de contração e sucção. O pompoarismo tornou-se uma prática popular no ocidente com as pessoas buscando a obtenção do prazer sexual do casal através das técnicas do pompoar. A popularização foi tão grande que hoje na Tailândia há shows onde mulheres mostram o domínio das técnicas abrindo garrafas ou cuspindo bolinhas com a vagina. Depois da década de 50, pesquisadores da área médica começaram a estudar as técnicas de pompoar e observaram que tais exercícios contribuem positivamente para a saúde da mulher, 155


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previnem incontinência urinária, anorgasmia, vaginismo, prolapso do útero e da bexiga, entre outros benefícios. Tudo indica que a simples conscientização da mulher em relação ao seu corpo já é um fator diferencial para evitar tais disfunções. A prática dos exercícios combina, aos poucos, o controle da musculatura com o controle da respiração e, como todo músculo trabalhado com exercícios, os músculos pélvicos se tornam mais vigorosos e sensíveis à estimulação. Desta forma, quanto mais se pratica os exercícios do pompoarismo mais fácil fica praticá-los e mais contrações pélvicas ocorrem durante o orgasmo, um ciclo benéfico para a mulher. Resumindo, os estudos até o momento comprovaram o que as mulheres orientais já sabiam as técnicas do pompoarismo a séculos e iam passando o conhecimento para suas filhas. Conhecer o próprio corpo contribui para melhorar o prazer sexual assim como melhorar a sua saúde. Essas técnicas podem ser aprendidas em cursos com acompanhamento de instrutoras, livros e filmes, os exercícios podem ser praticados a qualquer momento em qualquer lugar, em casa as famosas bolinhas tailandesas seriam de grande ajuda. Saber encontrar o ponto ‘G‘ em associação aos exercícios levaria a uma maior intensidade no prazer sexual e a orgasmos múltiplos.

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Jaque Barbosa, do blog Casal Sem Vergonha.

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em certas coisas que a gente não aprende na escola, mas que deveríamos. Ninguém te ensina, por exemplo, a declarar imposto de renda. Nem como descobrir a fórmula mágica pra mandar bem na equação casa+filhos+trabalho. Não te ensinam também como se aproximar de alguém com confiança e sem pagar mico. Todas essas e mais uma infinita lista de coisas a gente vai aprendendo aos trancos e barrancos durante a vida. Sabe como é, não tem ensaio, não tem estágio, não tem período de experiência – a gente precisa aprender na marra, muitas vezes sem professor. Agora, nessa lista, tem uma coisa que ninguém explica pra mulheres, mas que deveria ser matéria obrigatória no currículo da vida de toda menina que começa a se descobrir mulher – como chegar lá. Nos desculpem os homens, mas pra eles a vida é mais fácil nesse quesito. Eles já vem com um instrumento externo, balançando, que fica duro ou mole conforme a ocasião. Rapidinho eles já aprendem com os amigos – ou com a internet – como manipulálo até chegar no ápice do prazer. Pode ser que nas primeiras vezes nada aconteça, mas com um pouco de determinação, logo o menino tem a felicidade de presenciar o seu pinto eliminando a primeira e rala gota de esperma. Essa gota inocente separa meninos dos pré-homens.

Agora pra mulher, a coisa é um pouco mais difícil. Além da masturbação feminina ser mais tabu do que a masculina, tudo na mulher é mais misterioso. Explico: a mulher tem o clitóris, que é um órgão do tamanho de uma unha e que é um dos grandes

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responsáveis pelo orgasmo feminino. Como ele é externo, a maioria das meninas descobre como obter prazer com esse botãozinho sem muito mistério. Um dia a menina está deitada na cama e sente uma coisa estranha quando dá uma roçada sem querer no ursinho de pelúcia. Daí pro primeiro orgasmo, vão apenas alguns treinamentos de fricção. Por ser mais óbvio, o orgasmo clitoriano acaba sendo, na maioria das vezes, a primeira forma de gozar conhecida pelas mulheres. Acontece que, como são Deusas, as mulheres também podem gozar de outra forma – através do canal vaginal, com a estimulação do famoso ponto G. Essa é uma forma de gozar mais madura, já que muita mulher aprende a gozar com a estimulação do clitóris e acaba parando por aí. Pra conseguir gozar com penetração, é preciso muito mais treinamento e prática, daí o motivo pelo qual muitas mulheres passam a vida toda sem ter ideia do que é um orgasmo vaginal. Se esse é o seu caso, calma – basta querer pra conseguir. Como começamos o texto dizendo, ninguém te ensinou ainda, e você precisa aprender as “ferramentas” necessárias pra chegar lá. E é pra isso que estamos aqui hoje – pra fazer o papel que sua professora, sua mãe, seus namorados, não conseguiram fazer: te ensinar a manipular a sua mente e o seu corpo para que você consiga ter orgasmos mais intensos e, consequentemente, sentir muito mais prazer no sexo.


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Toda mulher goza pela mente Você pode estar com o cara mais gostoso e habilidoso do planeta, mas sem a ajuda da sua mente, você jamais chegará lá. Se enquanto ele te chupa, te lambe os seios ou entra dentro de você, você estiver pensando nas obrigações do trabalho do dia seguinte, ou que esqueceu de ligar pra sua mãe pra passar um recado, você n-u-n-c-a chegara lá, independente dos esforços dele. O corpo feminino oferece as ferramentas, mas só a mente pode fazer com que você, de fato, chegue lá. Por isso, sempre que estiver transando com alguém, foque no presente. Dizem que as mulheres não são visuais, mas isso é balela. Esqueça o passado e o futuro e foque no que você tem nas suas mãos de mais poderoso – o agora. Olhe para o homem com quem você escolheu estar. Pense no que mais gosta dele, no porque ele te atrai, repare nos detalhes. Perceba como ele move a língua, como a pele dele esquenta perto da sua, como o seu seio cabe certinho na mão dele. Perceba os cheiros que te cercam, o som da respiração dele na sua nuca, o suor começando a escorrer pela pele dele. Use sua mente a seu favor – e não o contrário. Não deixe que ela te leve pra longe dali – fantasias são ótimas, mas nenhuma fantasia pode ser tão boa quanto a realidade. Por isso, deixe-as um pouco de lado e viva aquele momento.

Encontre o X da questão – ou melhor – o G da questão Toda mulher tem um ponto no canal vaginal onde ela sente mais prazer. Tem pesquisadores que dizem que o ponto G é mito, mas se você é mulher e já descobriu onde fica o seu, pode desbancar todas as pesquisas porque tem a certeza de que ele existe. A localização dele tende a variar entre as mulheres, mas a maioria delas relata sentir prazer maior num ponto específico que fica na parte superior do canal, perto da entrada da vagina, a mais ou menos uns 4 centímetros da entrada dela. Esse ponto, assim como o clitóris e o bico dos seios, tende a inchar e a endurecer conforme a mulher sente tesão. 159


TAMANHO NEM SEMPRE É DOCUMENTO A repetida fricção nesse local permite chegar no orgasmo vaginal. No entanto, sem descobrir o seu ponto, nada está feito. Descubra em qual posição você consegue senti-lo melhor. Não tem erro – você vai perceber que dependendo da sua posição e da posição dele, você sente algo a mais do que somente o pinto dele entrando e saindo. Você sente uma dose de prazer extra quando o instrumento dele toca lá, e precisa estar atenta para reconhecer quando isso acontece. Uma posição recomendada é o “frango-assado”, com você deitada e ele sentado, ou ainda você por cima dele, mas, mais uma vez, isso é totalmente pessoal e não se aplica a todas as mulheres. Descubra o seu ponto e insista nessa posição. Quando achar, fale pra ele e peça pra ele permanecer lá. Muitas mulheres ficam com vergonha de compartilhar esse tipo de coisa com o parceiro e acabam transando mais de acordo com as posições sugeridas por ele. Assim, vai ser difícil gozar.

Abraço vaginal Se você seguiu as nossas orientações até aqui, já está focada no presente e está na posição onde o pau dele fricciona o seu ponto G. Nessa hora, é preciso concentração. Foque nas sensações. Tente sentir cada centímetro dele entrando e saindo. Se livre das vergonhas, permita-se ser você mesma e sentir prazer.


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Muitos homens têm muito mais prazer quando fazem a mulher sentir tesão, então ele provavelmente também estará empolgado com esse treinamento, motivo pelo qual você não deve ficar encanada pensando coisas do tipo: “Coitado, será que essa posição tá legal pra ele?”. Não – ele já sabe gozar, agora é a sua vez. Foque no seu prazer e na descoberta das suas sensações. Quando estiver com bastante tesão, na melhor posição pra você, comece a fazer um movimento com a sua vagina como se estivesse “abraçando” o pinto dele. Isso mesmo – talvez você não saiba, mas o canal vaginal tem 3 anéis que você pode movimentar a seu favor. Sabe quando está fazendo xixi e precisa interromper por algum motivo? Então, o movimento é mais ou menos esse. É isso que as pompoaristas sabem fazer com maestria: contrair esses anéis e “abraçar” com a vagina. Mas você não precisa ser uma pompoarista para conseguir fazer isso – no começo o movimento vai ser sutil, muito provavelmente ele não vai perceber, mas com o tempo os seus músculos vaginais vão se fortalecendo, e você vai conseguir apertar com cada vez mais força. Então, na hora do sexo, quando ele estiver dentro de você e você estiver com bastante tesão, foque em contrair esses músculos, e deixar a entrada dela mais apertada. Ao mesmo tempo, foque em mandar toda a sua energia do seu corpo para a parte do seu ventre, concentre seus pensamentos na sensação que está tendo lá. O resultado disso tudo costuma ser um orgasmo mais intenso do que o clitoriano.

Treinar é preciso É bem provável que você não consiga na primeira vez, nem na segunda, talvez nem na terceira ou na quarta vez. Mas lembre-se: gozar é como andar de bicicleta. Você vai treinando e aos poucos vai chegando lá. E quando aprende, nunca mais esquece.

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Redação, do blog Bonde.

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exo é bom e ainda faz bem para a saúde! O orgasmo, por exemplo, é uma das sensações mais íntimas e deliciosas para homens e mulheres e é muito mais do que sinal do sucesso de uma relação sexual. A cada dia, os cientistas descobrem novos efeitos desta reação orgânica que, além de melhorar as emoções, faz muito pela sua saúde.

“O orgasmo contribui para que homens e mulheres vivam com mais qualidade, trata-se de um momento de prazer que reverbera por vários dias”, afirma o ginecologista Neucenir Gallani, da clínica SYMCO. Porém, apesar de proporcionar prazer e qualidade de vida, uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que 70 % dos brasileiros fazem menos sexo do que declaram em conversas e pesquisas públicas. Por isso, queremos estimular você a melhorar essa situação trazendo o que a ciência e os especialistas andam dizendo por aí sobre os benefícios que uma vida sexual ativa trazem ao corpo. Confira: 162


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Alivia as crises de enxaqueca Quando seu parceiro reclamar, dizendo que não quer sexo porque está com dor de cabeça, reverta a desculpa a favor da saúde dele. Segundo o médico Neucenir Gallani, o orgasmo libera substâncias, como as endorfinas, que atuam no sistema nervoso. “Elas diminuem a sensibilidade à dor, relaxando a musculatura e melhorando o humor”, afirma.

Melhora o aspecto da pele Fazer sexo, principalmente no período da manhã, é um poderoso aliado da beleza para manter a juventude. Essa foi a conclusão de um estudo, realizado por cientistas da Universidade Queens (Reino Unido). De acordo com os pesquisadores, atingir o orgasmo aumenta os níveis de estrogênio, testosterona e de outros hormônios ligados ao brilho e a textura da pele e dos cabelos. Além disso, quando há o orgasmo, ocorre uma vasodilatação superficial dos vasos, até aumentando a temperatura em algumas pessoas. Com isso, a pele ganha uma aparência mais viçosa, e o brilho natural dela fica em destaque.

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Melhora o sono O relaxamento que o orgasmo traz contribui para que você durma melhor e não apenas no dias em que houver sexo. A reação tem efeito prolongado, devido a ação dos neurotransmissores que passam a agir no seu organismo com mais regularidade e numa quantidade maior.

Aumenta a imunidade Um estudo feito pela Wilkes University, nos Estados Unidos, mostrou que uma vida sexual ativa aumenta os níveis de um anticorpo conhecido como IgA , responsável pela proteção do organismo de infecções, gripes e resfriados.

Queima calorias Segundo a Associação Americana de Educadores e Terapeutas Sexuais, a atividade sexual pode ser um ótimo exercício para o corpo. Isso porque meia hora de sexo queimam, em média, 85 calorias. Portanto, se você está sem paciência para ir à academia, que tal optar pelo plano B?

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Jaque Barbosa, do blog Casal Sem Vergonha.

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sexo é um grande professor. Além de instintivo, prazeroso e indispensável na vida de todo mundo, o sexo ainda ensina muitas coisas sobre e outro e – principalmente – sobre nós mesmos. Por isso,aqui segue uma lista dos aprendizados essenciais que vão muito além dos lençóis: 1. Que as mulheres são Deusas, visto o poder que elas têm de gozar quantas vezes quiserem. 2. Que ser apenas gostosa(o) não resolve todos os seus problemas na vida. 3. Que para ter um bom resultado, é preciso esforço e muito treinamento. 4. Que quanto mais nos esforçamos, mais o outro se esforça. 5. Que sexo e amor são coisas diferentes. 6. Que as mulheres gostam tanto de sexo selvagem quanto os homens. Algumas apenas ainda não descobriram isso. 7. Que é muito mais fácil achar alguém com o qual você tem química na cama, do que alguém com o qual você tem química na vida.


8. Que se você não sabe ter prazer sozinha é impossível querer que outra pessoa saiba como te dar prazer. 9. Que os melhores presentes não são materiais. O boquete matinal é um exemplo claro disso. 10. Que debaixo dos lençóis ninguém é normal. 11. Que orgasmo é um dos maiores prazeres físicos que se pode ter. 12. Que camisinha é um mal super necessário. 13. Que a única coisa anormal com relação ao sexo, é justamente não fazê-lo. 14. Que teoria não basta. Só se aprende de verdade com a prática. 15. Que as pessoas são muito diferentes uma das outras e para encantá-las é preciso conhecê-las de perto. 16. Que dar prazer exige esforço. Mas assistir alguém chegando lá de camarote é a melhor recompensa. 17. Que homens são extremamente visuais e as mulheres são auditivas. 18. Que nem sempre longa duração é garantia de um bom resultado. 19. Que você nem sempre vai transar o tanto quanto gostaria na vida. E tudo bem quanto a isso.


20. Que na grande maioria das vezes a culpa não é sua se ele broxa. 21. Que há poucas coisas melhores na vida que um cafuné na cabeça depois de um sexo selvagem. 22. Que atitude conta muito mais do que qualquer artifício comprado. 23. Que não adianta querer exigir do outro algo que você não faz. 24. Que a história da química é realmente verdadeira. Você entende quando encontra alguém que te faz arrepiar só de chegar perto. 25. Que conversar sobre sexo é a melhor forma de esquentar as coisas na cama. 26. Que o sexo é muito mais simples do que as pessoas fantasiam. 27. Que sexo aproxima as pessoas, mas também é capaz de separá-las. 28. Que intimidade tem o poder de deixar tudo mais gostoso. 29. Que manter o nível de tesão alto em relacionamentos longos é um dos grandes desafios da vida. 30. Que tamanho é a menor das questões se você souber usar dedos e a boca. 31. Pintos não têm ombro – entrou a cabeça o resto automaticamente vai junto.


Leonor Oliveira, do blog Casal Sem Vergonha.

Há algum tempo atrás, fui ao fisioterapeuta e saí vermelha de vergonha. Sentia algumas dores e aparentemente haviam sido certas posições sexuais que me lesionaram. Ela confessou que acidentes acontecem com uma frequência muito maior do que podemos imaginar! Distensões musculares e as dores de costas lideram as tabelas de danos corporais. Mas existem vários outros traumas nada agradáveis que podem acontecer durante a prática. Fiz também algumas indagações pessoais sobre o assunto e constatei que, mesmo sem grandes acrobacias, há riscos. Múltiplos. Segue os dez acidentes mais comuns que podem acontecer durante o sexo, desde o mais frequente ao mais catastrófico. Confira:

1. Fratura do pênis Sim, ele quebra! Na verdade, o termo “fratura” não é o mais certo, já que não existem ossos no pênis. O nome foi popularizado justamente pelo barulho que muitos pacientes relatam na hora do acidente, que lembra o barulho de uma fratura. Mas o termo correto é ruptura peniana. Ela acontece quando o pênis duro é submetido a uma pressão na ponta. Ele acaba dobrando e suas estruturas são rompidas. Só de pensar, já doeu né?

2. Dor nas costas Já sabem, nunca descuidar da postura. Aconselho a contração dos músculos abdominais para fortalecê-los e assim evitar lesões na lombar. Peitorais para fora e ombros alinhados com a coluna – não fiquem corcundas. O uso de um espelho para a monitorar a situação pode ser bem útil, apesar de que é bem difícil esperar que alguém fique monitorando a postura enquanto tanta coisa boa acontece simultaneamente.


3. Cãibras no pé Um clássico. Teimam em aparecer quando o clímax se aproxima, arruinando por completo a possibilidade de uma resolução prazerosa. Solução? Comer bananas, tomar bastante água e se alongar com frequência.

4. Assaduras na pele São comuns quando o sexo rola em carros, carpetes, barracas de camping, etc. Pode nem notar, mas a fricção repetitiva vai esfolar a epiderme. Este abrasamento ralado dará origem a um marrom seco no dia seguinte, que podem ser bem dolorosos.

5. Irritação ocular O motivo mais frequente? Esperma no olho. Ou por pontaria ruim ou devido a um olhar esbugalhado inoportuno. Se acontecer com você, lave assim que possível com água ou soro fisiológico. Se a vermelhidão não passar, é bom consultar um oftalmologista.

6. Vômito no boquete Acontece com mais frequência do que as pessoas imaginam! Quem já entrou num treinamento de deep throat ou arriscou aquela chupada mais funda, provavelmente já passou por isso. A dica é: jamais engolir o vômito (tem gente que faz isso por vergonha) e sempre que notar uma ânsia chegando, pegar mais leve na profundidade.

7. Objetos desaparecidos

Histórias de objetos perdidos na vagina ou ânus são normalmente das preferidas dos meus amigos médicos. Mas nem sempre é necessário recorrer ao pronto-socorro. Na maioria dos casos se entrou, sai. Se demorar muito, a dica é mesmo ir consultar um médico para ajudar no processo.


8. Prepúcio preso Sim, no aparelho ortodôntico! O resultado possível? Um banho de sangue acompanhado de dor lancinante e grito prolongado e sonoro. Ninguém deseja ir no hospital desse jeito, mas se acontecer com você ou com seu parceiro, vá correndo ao médico! Pode ser constrangedor, mas a área é muito delicada para arriscar e tentar deixar cicatrizar sozinho.

9. Cortes no pinto Além do risco acima, de ter o prepúcio preso no aparelho ortodôntico, podem acontecer cortes no pênis durante o sexo – principalmente durante o sexo oral. Basta um movimento mais brusco para o membro raspar no dente e acabar gerando um corte. Para as mulheres que não querem ser responsáveis por esse acidente, a dica é proteger bem os dentes com os lábios para evitar que eles acabem machucando o parceiro. Se o corte for pequeno, não há necessidade de ir ao médico, apenas recomenda-se ficar sem usar o menino por alguns dias, para que a cicatrização seja feita. Em casos mais graves, a visita ao médico é indispensável.

10. Distensão muscular Parece ser a lesão mais comum. Portanto já sabem antes de transar digam “Alto lá!” e iniciem uma sessão de alongamentos. Não vale menos de 10 segundos para cada músculo. Pode parecer besteira, mas pode te economizar uma forte dor de cabeça, ou melhor, nos músculos! Sexo é bom, mas como vimos, pode causar acidentes se não for feito com cuidado! Se algum acidente acontecer com você e te deixar preocupado (a), o melhor conselho é procurar mesmo um médico.


Essa colat창nea foi criada por Thais Dantas & Thais Tarmann. Impressa pela Alpha Graphics em nov/2015. Capa Cart찾o Triplex 350g. Miolo P처len Soft 70g.


Ao abrir este livro, vocĂŞ deve estar pensando que se trata do famoso jargĂŁo com a qual nos deparamos na hora H, mas muito se engana quem pensa assim. Se vocĂŞ ainda acha que tamanho ĂŠ realmente um fato determinante, esta na hora de mudar essa mentalidade.  ঠ|†Ѵo 7; =-|o Ń´;l0u- l†b|o - |-Ń´ famosa frase, mas nosso contexto refere-se as mulehres e o tamanho da movv-r;uvom-Ń´b7-7;ġ7-movv--া|†7;ġ do nosso corpo, e de como queremos ser vistas dentro da sociedade. Do quanto queremos (e podemos) ir alĂŠm! Agora vĂĄ, pegue um cafĂŠ e vĂĄ para uma poltrona confortĂĄvel: Surpreenda-se com essa leitura inovadora que farĂĄ vocĂŞ rever seus conceitos.

Editorial @ TNSED  

Livro "Tamanho nem sempre é documento" criado como projeto interdisciplinar do sexto semestre de Design Gráfico na Universidade Anhembi Moru...

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