Escritores Brasileiros Contemporâneos - n. 16 - outubro/2020

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Escritores brasileiros contemporâneos Nº. 16

Outubro/2020

Foto: Fernando Agulha

EDIÇÃO 16

Entrevista

gigi anhelli


Favelivro ................................. 39

SUMÁRIO

Professora Vivi ....................... 40 Editorial..................................... 2 Entrevista . ................................ 5 Gigi Anhelli Homenagem aos artistas e profissionais do Bambalalão ............ 20 Ilustrações Camila Giudice lembranças................................

Ana Jalloul

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Palhaço .................................... 24 Acaiabe, contador de histórias .. ................................................... 26 Chá de Infância I - Silvana & Bambaleão ............................... 28 Cartinha para Chiquinho Brandão ............................................ 29 Chá de Infância II - Teatro de Bonecos do Bambalalão ............. 32 Thais Matarazzo Escrevendo para o público infantil............................................... 34 Regina Célia Pinheiro da Silva Sonho Meu ............................... 37 Dra. Gisele Luccas Papo Mãe de Gatos ................. 38 Regina Brito

O mundo parou!........................ 43 Maria Marlene Nascimento Teixeira Pinto A magia de ser criança............ 44 Helena Cristina Costa Cabral Projeto Biblioteca Digital disponibiliza oito livros infatojuvenis

Thais Matarazzo................. 45 Carlota Caifero

de

Eu fizio por que quizio ........... 48 Glafira Menezes Corti Descentralizando a Informação. ................................................... 49 Ricardo Cardoso / Carlos Augusto A Bela e a Fera ....................... 50 Ricardo Hidemi Baba / Vanderlei Aparecido Favaro Amor Clariciano Bons para Crianças Não conte pra ninguém, viu!.... 51 Luiz Alexandre Kikuchi Negrão Artigo A realidade por traz do mundo virtual ...................................... 53 Dra. Gisele Luccas


Revista pertencente à Editora Matarazzo. Email: livros@editoramatarazzo.com / thmatarazzo@gmail.com Telefone: (11) 3991-9506. CNPJ: 22.081.489/0001-06. Distribuição: São Paulo - SP. Diretora responsável: Thais Matarazzo - MTB 65.363/SP. Depto. Jurídico: Tatiane Matarazzo Cantero. Periodicidade: mensal. Formato: digital. Capa: Gigi Anhelli. Foto: Fernando Agulha. Edição 16 - Nº 16 - Ano II - Out./2020.

A opinião e conceitos emitidos em matérias e colunas assinadas não refletem necessariamente a opinião da revista Escritores brasileiros contemporâneos. Contatos livros@editoramatarazzo.com www.editoramatarazzo.com.br www.facebook.com/editoramatarazzosp www.instagram.com/editoramatarazzosp

EDITORIAL O mês de outubro trouxe muitos presentes para a nossa revista. O primeiro é a entrevista com a atriz, apresentadora e escritora Gigi Anhelli do Bambalalão! A parte inicial dessa edição é toda dedicada aos artistas e profissionais que fizeram parte do Bambalalão,

uma homenagem da revista EBC e das colaboradoras Camila Giudice e Ana Jalloul. Na segunda seção, temos uma ode à infância e à literatura infantil em formato de artigos, entrevistas, poemas, crônicas, contos, matérias, escritos com primor e carinho por: Carlota Caifero, Carlos Augusto, Cristina Costa, Dra. Gisele Lucas, Glafira Menezes Corti, Luiz A. K. Negrão, Maria Marlene N. Teixeira Pinto, Ricardo Baba, Ricardo Cardoso, Regina Célia Pinheiro da Silva, Regina Brito, Thais Matarazzo. Oferecemos essa publicação à todas as crianças e todos os adultos que mantêm vivas suas crianças interiores, também fica o nosso tributo à memória da inesquecível e especial Tatiana Belinky (1919 - 2013) ♥♥♥, escritora cuja trajetória na literatura contemporânea infantojuvenil brasileira é de grande importância! Boa leitura!

Foto: Fernando Agulha

EXPEDIENTE



Gigi Anhelli

Foto: acervo Gigi Anhelli


Entrevista

► Gigi, você nasceu no bairro do Cambuci, em São Paulo. Conte-nos um pouco sobre a sua família. A arte era cultivada em casa? Eu nasci no bairro do Cambuci e logo fui para Santo André. Vivi em Santo André até os meus 5 anos, depois mudei pro Rio de Janeiro. Eu tive uma infância bem feliz, meus pais sempre foram muito dedicados e atenciosos. Meu pai gostava muito de contar histórias. Todas as noites ele botava eu e minha irmã pra dormir e contava histórias que ele inventava. Geralmente,

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Esse é um trecho da música de abertura do Bambalalão da TV Cultura, exibido entre 1977 e 1990. A estrela do programa infantil foi Gigi Anhelli, que abria o programação com seu “Boa tarde pra você que está em casa, e boa tarde, criançada!”, e a meninada do auditório vinha abaixo com a resposta. Era uma delícia assistir ao Bambalalão e poder interagir com as brincadeiras, teatro de bonecos, músicas e histórias. Para nossa grande alegria, encontramos Gigi Anhelli no Facebook, através da amiga Ana Jalloul. Sem pestanejar, Ana sugeriu uma entrevista para o mês de outubro, dedicado às crianças. Então, num piscar de olhos, contatamos a Gigi, que topou conversar conosco sobre a sua carreira e seus trabalhos artísticos voltados à infância. Ela é muito querida! Gigi dividiu o palco do infantil com Mateus Esperança (o palhaço

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Bambalalão, meu trenzinho divertido Meu programa preferido Que eu guardo no coração Bambalalão, onde a vida é brincadeira E a verdade verdadeira é que Eu gosto do Bambalalão Eu gosto do Bambalalão... (Bambalalão, Caetano Zamma)

Pam Pam), Marilam Sales (o palhaço Tic Tac), João Tadeu (o palhaço Perereca), Memélia de Carvalho, Xyss, Silvana Texeira, Chiquinho Brandão, João Acaiabe, Fernando Gomes, Gerson de Abreu e muitos outros artistas. Com o encerramento do programa, Gigi continuou o seu trabalho junto ao público infantil, dirige e desenvolve muitos trabalhos dos quais ela nos contará mais adiante. Também é escritora e tem dois livros publicados, o mais recente foi lançado em Laboratório das Flores, com ilustrações de Augusto Minighitti. Muito bem, muito bem, vamos passar a peteca para a Gigi, para que ela nos conte mais detalhes sobre a sua rica trajetória artística:

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Gigi Anhelli

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► Como foi sua infância e adolescência na “Cidade Maravilhosa”? Lá, você chegou a participar de atividades artísticas ou já pensava em tornar-se artista? Quando mudei pro Rio, fomos morar no bairro de Vila Isabel, em uma casa muito gostosa com um quintal enorme, cheio de árvores. Tinha pé de abil, caja-manga, sapoti, muitas mangueiras, goiabeiras... Adorava aquele quintal! Passava um bom tempo em cima das árvores. Eu gostava muito de brincar no quintal com a minha irmã Tânia, minha grande companheira. Nós tínhamos uma brincadeira que chamávamos de “expedição”, a gente inventava histórias como se estivéssemos desbravando novos caminhos, florestas, planetas... A cada dia, inventávamos uma história diferente e vivíamos aquela história, criávamos os personagens. Foi uma infância bem divertida. Era um quintal mágico. Depois de décadas, Fiz até uma música, em parceria com o Xyss, falando daquele quintal:

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Pegava o livro e me escondia no alto, em cima do guarda-roupa, para eles não me acharem... Era bem sapeca... Acho que eles me estimulavam muito também para pintar e desenhar. Eu gostava muito de pintar, gosto até hoje. Cheguei a fazer duas exposições de Batik. Gosto muito de óleo sobre tela e pintei vários quadros. Mas sou inconstante, passo três, quatro meses pintando direto, sem parar. Depois dou uma pausa de dois, três anos. Rsss

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falavam de animais. Lembro de uma que falava de um cachorrinho que tinha se perdido ou tinha sido abandonado e as agruras que ele passava pelas ruas. Talvez por isso, até hoje, eu tenha essa ligação com animais, essa preocupação com animais abandonados e amor e respeito por todos os animais. Lembro que sempre tivemos muitos livros em casa. Tanto meu pai como minha mãe gostavam muito de ler, e papai me ensinou a ler e a escrever quando eu era ainda bem pequena. Com 5 anos eu já lia e escrevia, acho que isso foi um grande estímulo. Minha mãe diz que não se lembra de mim sem um livro nas mãos. Eu lia o tempo inteiro. Às vezes, tomava uma bronca porque ia almoçar e queria continuar lendo... Rsss Li toda a coleção de Monteiro Lobato e adorava as histórias da mitologia grega, desde pequena era apaixonada pela mitologia grega. Li a enciclopédia Barsa praticamente inteira... Eu lia a Bíblia e o Dicionário, e até bula de remédio. Li também algumas coisas que não eram para crianças, não que alguém me oferecesse, mas meu pai tinha uma coleção de psicologia de Freud. Eu achei aqueles livros e me interessei, mas eu era muito pequena, entendia muito pouca coisa, apareciam muitas palavras que eu não conhecia, então eu lia com o dicionário do lado, e ia pesquisando para tentar entender. Até que um dia, meu pai descobriu que eu estava lendo Freud. Ficou apavorado e escondeu toda a coleção. Mas eu encontrei...

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Nós tínhamos também uma brincadeira, que eu acho que é a raiz do Bambalalão. Todos os dias, nós montávamos um espetáculo que à noite apresentávamos para a família, meu pai, minha mãe e minha nona (nossa avó paterna). Durante o dia, produzíamos todo o espetáculo, com fantoches. Construí um teatrinho de fantoches e criávamos as historinhas que apresentávamos de noite. O espetáculo tinha uma parte musical também, minha irmã cantava e eu fazia mágicas. Eu gostava de fazer mágicas. Mais tarde, no Circo Bambalalão, me apresentei fazendo vários números de mágica. Outra coisa que lembro com sau-

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“Eu queria que ainda existisse para cada criança um quintal Onde a vida é maré Mansa, de repente é Vendaval Com bolas rolando, heróis em perigo, forte Apache, roupa no varal, Fada madrinha, duende mágico e um filhote de pardal. Um gato lambendo leite no pires, aquarela, espaço e vento, Um pote de ouro no fim do arco-íris, se nada existir, eu invento. Manga madura, noite escura, fantasmas e bruxas e uma bota no anzol. Depois de tanta loucura, a manhã me traz o Sol. Então, eu vou correr, pois não há nada de mal Em inventar os meus amigos, brincar, viajar no fundo do quintal...”

dade é que meu pai fazia teatro de sombras para nos entreter. Eu torcia pra eletricidade acabar porque papai acendia uma vela e fazia sombras na parede. Eram sombras com as mãos, ele fazia bichinhos e eu adorava. Era um teatro de sombras muito divertido. Acho que meus pais sempre estimularam esse lado artístico. Minha mãe, quando criança foi muito sapeca. Andava em cima dos muros, andava em arame, se equilibrando. Lembro dela tentando nos ensinar a nos equilibrarmos sobre uma prancha de madeira. Perto de minha casa tinha um parque, acho que se chamava Parque Viveiros, era o Jardim Zoológico antigo. Eu saía de casa e caminhava uns 2 km com os meus livros e cadernos. Ia lá pro parque sozinha, sentava perto do lago e ficava olhando os patinhos e cisnes, lendo e escrevendo. O lago era cercado por muitas árvores. Nessa época, devia ter uns 10 anos, eu passava muito tempo também nas bibliotecas. Meu pai também gostava de nos levar pra passear, não lembro de ficar nem um fim de semana sem passear. Eu, realmente, sou muito afortunada. Tive um pai e uma mãe muito dedicados, maravilhosos. Minha mãe tem 93 anos é forte, lúcida e gosta de brincar com os bisnetos. Agora ela parou de pular corda porque a médica disse que ela está ótima, mas é melhor evitar certas coisas como pular corda porque pode escorregar e depois dos 90 os ossos já não são tão fortes. Então ela está maneirando um pouco... Rsss

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No Fundo do Quintal

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Tânia e Gigi na Quinta da Boa Vista

Álbum da Família Anhelli Aqui vemos fotografias de Gigi, sua irmã Tânia, e seus pais, d. Irma Irene e sr. Riccieri Anhelli


tagiar na Fundação Padre Anchieta? Na época, as instalações do rádio e TV já funcionavam no bairro da Água Branca? Sim, já estava localizada na Rua Cenno Sbrighi, na Água Branca. Havia um convênio entre ECA e a TV Cultura, então os alunos de TV já estagiavam na Fundação Padre Anchieta. Meu estágio foi muito produtivo porque eu estagiei no Tele Teatro. Assim que comecei, me pediram pra organizar os arquivos de fotos dos atores e figurantes. Centenas de fotos... Rsss... mas eu gostei de fazer. Estagiar no Tele Teatro Cultura foi uma experiência enriquecedora porque sempre apresentavam pelo menos quatro peças todos os meses. Então, enquanto uma estava em fase de produção, escolha de elenco, figurino, outra estava sendo ensaiada,

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► Como surgiu a oportunidade de es-

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tudar Comunicação na ECA/USP? Voltei pra São Paulo em 1969, eu ainda não tinha muito claro é o que eu queria fazer, o que escolher como profissão. Fiz uns testes vocacionais na Fundação Getúlio Vargas no Rio e os resultados indicaram que eu era pluriapta, então não resolveu muito porque eu podia fazer qualquer coisa. Rssss... Mas me aconselharam a seguir uma carreira em Química e Física. Resolvi tentar a área de exatas e cursei um ano de Científico. Naquela época, existiam os cursos Clássico e Científico (antigo Ensino Médio). Quem ia pra área de exatas fazia Científico, quem ia pra área de humanas cursava o Clássico. Eu me dei bem no Científico, cheguei a organizar exposições de Biologia, Física e Química, mas alguma coisa não encaixava. Quando eu vim para São Paulo, resolvi mudar e consegui ingressar no segundo ano do Clássico, mas precisei cursar algumas matérias de adaptação, como latim e francês. Naquela época, a gente estudava latim, então eu fiz curso particular de latim... Imagine... Rsss Eu já gostava de teatro, já tinha feito teatro na escola, mas o que deu um impulso foi quando assisti a peça Peer Gynt. Quando eu vi o Stênio Garcia em cena, e eu fiquei completamente apaixonada pelo teatro. Vendo a atuação dele eu pensei: “— É isso que eu quero fazer! É isso!”. Resolvi prestar vestibular pra Comunicações e Artes. Meu pai insistiu para que eu fizesse Direito, achava que eu ia ser diploma-

ta. Mas sou teimosa e prestei vestibular para a ECA, Escola de Comunicações e Artes, na USP. Entrei com boa colocação e, como ainda tinha algumas dúvidas, cursei comunicações pela manhã e, à tarde, a faculdade de Artes. Eu passava o dia inteiro na faculdade e à noite fazia algumas matérias de Pedagogia. No sexto semestre, optei por Rádio e TV. Como o curso era em período integral, tive que parar com a faculdade de artes. Minha turma de rádio e TV foi uma turma muito interessante porque nós éramos em 6 alunos e tínhamos uns 15 professores, muito mais professores do que alunos. Uma turma que pôde aprender e praticar bastante. Uma turma super pequena e dedicada.

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► Você regressa a São Paulo para es-

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► Você também trabalhou na Rádio

Cultura. Comente sobre sua trajetória radiofônica. Sim ,eu produzi, dirigi e apresentei programas na Rádio Cultura AM. Uma série chamada A Medida da Mulher, na qual entrevistávamos mulheres que tinham grande reconhecimento profissional e mostrávamos como elas conseguiam aliar a carreira com a vida doméstica. Naquela época, na década de 1970, as mulheres começaram a conquistar o mercado de trabalho e se falava muito sobre essa questão da dupla jornada de trabalho. A mulher tinha que se dedicar a uma carreira e, ao mesmo tempo, precisava cuidar da casa, dos filhos, do marido. Nós entrevistamos mulheres muito interessantes como Tônia Carreiro, Hilde Weber, que foi uma

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apresentado na TV Cultura? O primeiro programa que eu apresentei foi o Som, Forma & Movimento, um programa experimental, muito artístico, produzido e dirigido por Luiz Antônio Simões de Carvalho. Eu participava também da produção, escrevia textos, participava da criação e apresentava. Era um jeito diferente de apresentar, não ficava paradinha no estúdio, estava sempre em movimento. Às vezes eu estava pendurada em uma rede no alto, outras vezes numa charrete, deitada em cubos ou no chão. Os textos eram poéticos e filosóficos. Fazíamos muitas externas, muitas coisas eram gravadas com câmera de cinema e então eram coloridas. A TV ainda não era colorida, o nosso foi um dos primeiros programas coloridos porque usávamos película de cinema, gravávamos com câmeras de cinema. Os cinegrafistas também vestiam a camisa. Jorge Silva, excelente câmera, era ousado e criativo e conseguia tomadas incríveis. Toda a equipe era sensacional, todo mundo curtia fazer coisas experimentais. Éramos um grupo de jovens curiosos, irreverentes, questionadores,

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► Qual foi o seu primeiro programa

dispostos a arriscar. Tudo no programa era inovador, a proposta era ter uma estética experimental. Cada programa tinha um cenário diferente. Os cenários, de Waldir Gunther, artísticos e ousados, estavam sempre em consonância com o tema do programa. Roberto Miller, que já era um profissional bem conceituado, e também foi o primeiro diretor do Bambalalão, participou do Som, Forma & Movimento, realizando animações experimentais. Criava vinhetas no table top e surgiam coisas muito interessantes. Como ele gostava bastante de mim, deixava eu ajudá-lo nas experiências. Aprendi muito com o mestre Roberto Miller. Som, Forma & Movimento foi uma escola.

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outra estava em gravação. Foi muito bom. Convivi com muitos profissionais experientes, com grandes diretores como Abujamra, Ademar Guerra, Antunes Filho e tantos outros. Tive muita sorte. Nessa época também eu já comecei a apresentar o programa Som, Forma & Movimento.

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► Você participou da primeira edição Bambalalão? Como foram os primeiros tempos do programa, quadros, etc. Sim, apresentei o Bambalalão desde o primeiro programa. No começo, tínhamos quadros gravados com vários artistas, como Mira Haar, que ensinava a fazer brinquedos com sucata, Teia com dobradura, o mímico Tadeu, marionetes lindas com um italiano incrível.

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Eu fui convidada para apresentar o programa, costurar os quadros e interagir com as crianças, tanto com os telespectadores quanto com convidados que participavam das gravações. No estúdio, tínhamos um painel onde expúnhamos os desenhos e as histórias que recebíamos das crianças e também o Correio Metuia que em língua tupi quer dizer “amigo”. O cenário, de Waldir Gunther, era um painel com um trenzinho que ficou famoso, as crianças adoravam. Até hoje falam no “trenzinho que carrega a alegria”. Mais tarde, no novo Bambalalão, Waldir criou também o primeiro cenário, aquele com os escorregadores e o teatrinho no centro do palco. Roberto Miller foi o primeiro diretor do programa e, sempre inventivo, colocou no estúdio uma máquina de bolinhas de sabão. Eu saía da gravação totalmente ensaboada. Rsss Era muito divertido! Depois de alguns meses, resolveram que eu apresentaria o programa ao vivo. Isso deu um novo ritmo ao programa e me causou um frio na barriga, foi emocionante. A atenção tinha que ser total e alguns “amigos da onça” me provocavam dizendo “— Agora é que vamos ver se você é boa mesmo.” No dia em que estreamos ao vivo, tinha tanta gente no estúdio que não deu pra fechar a porta. Eu estava muito assustada e dizia pra mim mesma: “— No intervalo, vou embora!” Mas não fui. Apresentei o programa ao vivo por mais de uma década. Um dia, o professor André Casquel Madrid, o diretor de programação, me

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artista plástica, chargista e ilustradora brasileira de origem alemã. Foi a primeira mulher chargista da imprensa brasileira, e várias outras mulheres fortes e bem-sucedidas. Dirigi e produzi também a série Orientação Profissional, uma parceria com o CIEE, Centro de Integração Empresa Escola. Nesses programas, abordávamos as diferentes profissões, o mercado de trabalho, as qualidades requeridas pra exercer determinada atividade... Desenvolvi programas radiofônicos também para a rede American Sat. Eu e o Xyss, produzimos e apresentamos um infantil chamado Rádio Ação, que era transmitido ao vivo para vários estados e contava com a participação dos ouvintes, que interagiam com o programa através de jogos, adivinhas, escolhendo a história que queriam ouvir, as músicas... Era bem dinâmico e divertido. Também na American Sat fiz uma série sobre numerologia. Na rádio Boa Nova de Guarulhos, produzi e apresentei uma série sobre astrologia chamada Conexão Astral.

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Programa Som, Forma e Movimento

Fotos: acervo Gigi Anhelli

Programa infantil “Rádio Ação”, Rede American Sat


► Nos 13 anos do Bambalalão, tem alguns momentos que deseja destacar? Bem... 13 anos x 365... Mais de 3.500 programas. Muita água rolou por baixo da ponte... Muitas histórias. Lembro de um momento emocionante. (O filme) E.T. o extra-terrestre estava sendo lançado nos cinemas e recebi a visita do ET. Prepararam um clima mágico e entrei no estúdio de mãos dadas com o ET. As crianças suspiravam e eu também. kkk... Sou uma criança grande. Outro momento emocionante foi quando gravamos um programa comemorando o Dia das Crianças no Palmeiras.

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► Você sempre gostou de trabalhar com crianças? Sim. Crianças são autênticas, diretas, curiosas, estimulantes. Fico muito à vontade com elas. Um dia desses, encontrei uma foto na qual eu estava brincando de roda com um grupo de crianças. Eu era adolescente. Rss... Parece que é paixão antiga.

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► O ambiente encantador e interativo do Bambalalão era diferente dos programas infantis da época. A garotada recebia um conteúdo de qualidade, um misto de circo, teatro, música, contação de história, dicas de história, de livros e tantos temas relevantes. Além da apresentação, você também participava da produção? Sim. No início eu apresentava e “costurava” os vários quadros do programa, interagia com as crianças e selecionava os assuntos que ia abordar com elas. Depois de algum tempo, resolvemos reformular o programa. Levamos alguns meses preparando o novo Bambalalão. Toda a equipe participava da criação dos quadros. Depois da estreia, durante os primeiros anos, nos reuníamos logo após o programa terminar e discutíamos cada detalhe e o que poderia melhorar. Era muito cansativo, mas foi fundamental pra traçarmos um caminho. No quadro dos jogos e brincadeiras, eu e o Marilam (palhaço Tic Tac) nos reuníamos todos os dias com

a professora de educação física e recreadora Sueli Nascimbeni. Escolhíamos as brincadeiras e estudávamos as regras de cada jogo. Durante todo o programa improvisávamos muito também. Tínhamos um roteiro, mas não um script com falas. Se eu quisesse abordar algum assunto, sempre tinha de pesquisar. Hoje, com a Internet, seria bem mais fácil. Rsss

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chamou e disse que estava na hora de incrementar o programa. Contou que tinha visto no México um programa onde a apresentadora interagia com fantoches e perguntou se eu gostaria de tentar. Eu adorei a ideia e ele convidou Maria Amélia de Carvalho, nossa querida “Memélia” que havia trabalhado no (programa) Vila Sésamo. Foi assim que o sapo Agapito e o macaco Chiquinho se tornaram meus primeiros companheiros no Bambalalão.

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► Após o término do Bambalalão, você continuou seu trabalho com o público infantil. Fale-nos um pouco dos projetos idealizados e apresentados por você e o Xyss no teatro e em espetáculos por todo o Brasil. Profissionalmente, eu cresci muito depois que o Bambalalão terminou. Escrevi e produzi muitos espetáculos.

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Como encara o assédio dos fãs? Com tranquilidade. São muito carinhosos comigo. Sinto, de verdade, que são, até hoje, as minhas crianças. Não existe nada melhor do que esse reconhecimento. ► Foi na TV Cultura que você conheceu o Xyss, seu marido e parceiro de trabalho? Na verdade, conheci o Xyss no palco do Teatro Brigadeiro, hoje Teatro Jardel Filho. Foi durante os ensaios do musical Gigi no Mundo das Duas Caras, que falava sobre a hipocrisia e as várias máscaras que as pessoas usam em seus relacionamentos. O Xyss foi convidado pra gravar a trilha musical com sua banda Bandrix. Ele resolveu acompanhar os ensaios e aquele menino bonito de cabelos cacheados chamou minha atenção. Desde 1985 ele continua me intrigando. Kkk

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mim e pelo Xyss, que abordava música, teatro, dança, literatura, ufologia, esportes, computação gráfica de uma maneira inovadora.

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► Além do Bambalalão, apresentou outros programas na TV Cultura? Sim. * Som, Forma & Movimento; * Ligue para um clássico (substituindo Silvana Teixeira durante suas férias); * Glub Glub (durante os primeiros meses); * Revistinha (a estreia e os primeiros programas); * Cultura nas Eleições; * Circo Bambalalão – programa semanal, gravado ao vivo no circo Anhembi. Todos os sábados, recebíamos mais de 3 mil crianças que vinham de diversas cidades. Foi uma experiência maravilhosa. Aprendi muito com o circo. Zita Bressane, a primeira diretora do programa, me estimulava muito pra que eu me desenvolvesse profissionalmente. Fiz curso de mágica, aprendi a andar em “andas” (perna-de-pau baixinha), aprendi a manusear “chicote” e “fitas”. Ela queria que cada abertura de programa causasse impacto. Assim, na abertura do programa, já entrei montada em lhama, dentro de um carrinho de mão todo enfeitado, de mãos dadas com um gorila... kkkk Realmente, causava impacto, pelo menos em mim. Rsss Participei também de episódios do Cabaret Literário. Após sair da TV Cultura, em 1991, produzi e dirigi o programa Integração, na TV São Caetano, canal 45 UHF, era um programa voltado para o público jovem, apresentado por

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Lançamento do livro Laboratório das Flores

Gigi e Xyss

Foto: Maria Júlia Beverinotti

Gigi e Silvana Teixeira

Gigi e Xyss


► Como surgiu a ideia para escrever Laboratório das Flores? O livro é antigo, escrevi na década de 1980. Meu amigo Waldir Gunther me deu de presente uma linda coleção de mini-livros sobre flores e fadas. Fiquei encantada. Foi isso que me inspirou a escrever essa história. Em 2008, meu amigo o ilustrador Augusto Minighitti, insistiu para que eu publicasse o Laboratório das Flores e fez umas ilustrações tão lindas que fiquei encantada. Lançamos o livro em fevereiro de 2011.

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► Você é uma artista multimídia. Está na internet, tem blog, redes sociais e é bastante atenciosa. Gosta também do mundo virtual e interagir com os fãs? Sim, gosto muito. Gosto tanto que produzi e apresentei na Internet, pela Clictv/UOL, o Brincando de Bambalalão, durante 2010 e 2011. No começo, tinha duas horas de duração, o que pra época é insano. Rssss... Contava com a participação do Xyss, do palhaço Perereca e do Eduardo Coelho. Produzi e apresentei também pela TV CLIC o Momento Animal, um programa para conscientizar as pessoas

sobre a necessidade de respeitarmos todos os animais. Através do programa, conheci muitos protetores. São pessoas sérias e empenhadas em melhorar a vida desses seres, são a voz dos que sofrem e não podem falar. Na rede social, adoro interagir com os fãs, só recebo afagos... São muito amorosos comigo e isso é gratificante. ► Você também chegou a lecionar? Durante vários anos, lecionei na FAAP, Fundação Armando Álvares Penteado, nos cursos de Rádio e TV e Publicidade e Propaganda. Entre 1996 e 2004, ministrei aulas de teatro na Oficina Gigi Anhelli, no TAIB (Teatro de Arte Israelita Brasileiro). Desenvolvi também várias oficinas em unidades do SESC e Secretarias de Educação de várias cidades. Em São Roque, lecionei durante anos e juntamente com a diretora de educação, minha amiga Márcia Nunes, criamos o Festival de Teatro de São Roque. Ministrei também oficinas no Festival de Ouro Preto e Mariana.

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O primeiro foi em 1993, Verdherança, um musical ecológico, que alertava para a necessidade de preservarmos o meio ambiente. A partir daí produzi e atuei em vários outros como Maravilhas de Grimm, O Livro Nosso de Cada Dia, Karingana Ua Karingana – Lendas Africanas, Baú de Piratas, Olha o Cascudo, Lendas da Água, Bandeira, Poesia e Outros Bichos, Emília, Boneca Sapeca Levada da Breca, No Reino do Sol Nascente, Brincando de Bambalalão (30 espetáculos com temáticas diferentes), Pindorama – A Magia das Árvores, Lendas Aladas; Mulher, Poesia e Companhia (esse para adultos. Uma homenagem ao feminino), e vários outros. Passei anos escrevendo. Eu cuido do texto, cenários, figurinos, adereços e confecciono os bonecos. O Xyss compõe as músicas e trilhas musicais, faz as gravações de áudio, atua e dá vida aos bonecos. E, se for preciso, conforme o espaço monta e opera o som, ao mesmo tempo em que atua. Formamos uma boa dupla.

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► Contatos Instagram: @gigi.bambalalao Facebook: Gigi Anhelli Gigi Anhelli II E-mail: gigi.bambalalao@gmail.com

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O livro fala sobre a importância de preservar a Natureza. Há um tempo, uma amiga leu o livro pra sua netinha de cinco anos. Quando terminou, a menina pegou uma jarra, encheu de água e foi molhar os vasos. Disse: - Vovó! Nós temos que cuidar das plantas. Eu me senti realizada. A mensagem foi transmitida com sucesso. O outro livro que publiquei, em 1988, tem ilustrações de Geandré e também fala de fadas, é A Fada que virou estrela. A história de uma fada que queria ser bailarina. Escrevi muitos contos, mas dá muito trabalho publicar. Rsss Colaborei também escrevendo contos pro Estadinho e adaptei vários contos de fadas para CDs e programas radiofônicos. Inclusive lancei dois CDs pela gravadora Allegretto chamados As mais belas histórias infantis contadas por Gigi do Bambalalão, e pela gravadora “Galeão” escrevi e gravei várias histórias que podem ser ouvidas nas plataformas digitais, tais como, Spotify, Rdio e outras.

► Devido à pandemia do Covid-19 todas as atividades artísticas foram paralisadas no Brasil. Assim que esse período terminar e voltarem a abrir, você tem projetos em pauta para apresentar? Não sei quanto tempo vamos ter de esperar... Prefiro não criar muitas expectativas. Mas, certamente quero voltar com um projeto de teatro que desenvolvo há alguns anos com minha amiga Maria Júlia Beverinotti, no litoral de São Paulo. É um projeto que leva as escolas ao teatro. Já nos apresentamos em vários teatros de Santos, Guarujá, Mongaguá... Esse ano, por causa da pandemia, tivemos de cancelar todos os espetáculos. Penso também em voltar a criar programas para a Internet. Para finalizar, só tenho a agradecer a pelo carinho e atenção. Muito obrigada! Quero deixar registrado meu agradecimento a todos os meus colegas de trabalho que me acompanharam durante tantos anos, atores, diretores, produtores e toda a equipe técnica e pedagógica. Muito obrigada a todos os meus fãs que me acarinham e me incentivam pra que eu continue produzindo. Vamos em frente! Beijos e mais beijos sabor morango.

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Gigi e Xyss. Foto: Maria Júlia Beverinotti

Programa Integração - TV São Caetano - 1996

Brincando de Bambalalão, Teatro Padre Bento. 2008


Registramos aqui a nossa homenagem a todos os artistas e profissionais que atuaram no programa Bambalalão! Gratidão por terem feito a nossa infância mais feliz, criativa e divertida!



Lembranças Poema dedicado à Gigi Anhelli

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Lembro-me dos pés descalços. Das ruas sem limites, Onde podíamos se esconder no bairro todo. Lembro me do pega-pega, rouba-bandeira e de continuar brincando mesmo debaixo de chuva. Das músicas que davam asas a imaginação Vinícius de Morais, Trem da Alegria, Bozo, Bambalalão. Lembro-me da variedades de brinquedos E de não precisar tê-los todos. De jurar a bandeira e inventar brincadeiras. Dos almoços de domingo, das quermesses com bingo. Dos papéis de carta e o pula-pirata. Da cama-de-gato, pular corda e elástico. Da prova mimiografada, a bagunça no corredor e a lousa rabiscada. Ah! A escola era uma segunda casa. Lembro-me da alegria ao chegar meu pai com o pão de cada dia. Lembro-me que para ser feliz era necessário apenas ser criança!

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Ana Jalloul

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Ilustrações Camila Giudice


Palhaço

O programa era um misto de circo teatro, criatividade e invenção o palhaço dava o ritmo alarido às brincadeiras do Bambalalão! Poema: Thais Matarazzo Arte: Ulysses Galletti Do livro “Sete gavetas, muitos poemas” (Matarazzo, 2020)

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Quem animava o pedaço provocava risos e jogava peteca era um engraçado palhaço: Pam Pam, Tic Tac ou o Perereca

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Quando eu era criança assistia ao Bambalalão usava sandália e trança, gostava de soltar a imaginação

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Homenagem a todos os palhaços do Bambalalão da TV Cultura

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Poema: Thais Matarazzo Arte: Camila Giudice

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Como não se lembrar com saudades das histórias contadas por João Acaiabe, sentado em seu banquinho, sorrindo, cercado de crianças formando uma roda, no palco do Teatro Franco Zampari? Ao vivo, sem mistérios, só empolgação, a criançada olhava com olhinhos ávidos – da plateia ou pela televisão – ansiosa por escutar contos, lendas, narradas por aquele grande ator pinhalense integrante do programa Bambalalão! Da TV Cultura para todo o Brasil, suas histórias alcançavam quadrantes de Leste a Oeste, de Norte a Sul, assim tornou-se conhecido e querido por sua voz volumosa, palavra firme, valorizando a cultura popular nacional, destacando a contribuição africana – dos seus ancestrais, terra natal. Durante a contação de histórias, de forma lúdica, poética e singela, por vezes surgiam músicas e poemas agradando inteiramente a plateia! Despertando a fantasia e a imaginação fosse no rádio, teatro, cinema e televisão o artista brasileiro João Acaiabe era robusto e sábio como um baobá, mestre em contar tantas histórias que desde criança guardo na memória Suas narrativas têm... o perfume das flores do resedá!

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contador de histórias

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Acaiabe,

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Após conversar com Gigi Anhelli, tomei um chá de infância (eu o dividi em vários sachês). Que delícia! Voltei a ser menina! Lembrei do Bambalalão e de outros programas da grade da TV Cultura que eu amava assistir: Catavento, Glub Glub, XTudo, e especialmente a série Bambaleão e Silvana. Se a memória não me engana, o programa deve ter sido exibido no final da década de 1980. O Bambaleão era um leãozinho de pelúcia muito simpático, excêntrico e bem-humorado, boneco animado pelo ator Chiquinho Brandão (falecido em 1991). Ele contracenava com Silvana Teixeira, atriz e apresentadora do Bambalalão, ao lado da Gigi. A música de abertura do programa era O leãozinho, de Caetano Veloso, o Bambaleão aparecia em um camarim em frente ao espelho, a pentear a juba, passar perfume, ajeitar sua indumentária e beijava um porta-retrato com a foto da Silvana. Uma graça. Ele aprontava todas e era paquerador, quase sempre levava um fora da Silvana. Era tão engraçado. O boneco era dinâmico e vivia a ajeitar o penteado, a gravata brilhante, fazer trejeitos com a mão, falava gírias e roubava a cena. Silvana sempre simpática, bem produzida e carismática, fez um par perfeito com o “Bambinha”, como o chamava. Teve uma época em que eu queria porque queria um Bambaleão de pelúcia. Chorei, esperneei, insisti, manipulei minha mãe. Nem sei se o boneco foi produ-

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Por Thais Matarazzo

zido para ser comercializado, só sei que cismei: queria um leãozinho e pronto! Um dia, mamãe apareceu com um leão de brinquedo, nada parecido com o Bambaleão. Mas, ela foi fatídica: afirmou que procurou e não achou. Tive que me contentar com o brinquedo e ele recebeu o nome do personagem da TV. Que remédio... A dupla Silvana e Bambaleão encantou a minha meninice! Recordo também da participação da atriz como garota do tempo no telejornal São Paulo Já, na TV Globo, era muito legal quando ela aparecia com capa de chuva ou de óculos de sol e roupa leve de Verão para anunciar a previsão da semana. Ficava super feliz quando meus pais me levavam ao teatro e podia assistir as peças em que a Silvana tomava parte. Tomei conhecimento pela internet que atualmente a Silvana possui um Pet Hotel em Embu das Artes, em São Paulo. Daqui desta página envio a você, Silvana, um afetuoso abraço e minha gratidão por ter feito parte da minha infância tão querida através da televisão e do teatro. Felicidades sempre!

Foto: Divulgação

Chá de Infância I

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Por Thais Matarazzo Prezado Chiquinho Brandão, espero que esteja bem! Vou pedir ao Tenório, um tucano muito simpático e meu amigo, para te entregar essa cartinha.

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Cartinha para Chiquinho Brandão

O Tenório é muito eficiente e sempre atende os meus pedidos. Faz algumas semanas que, conversando com a amiga Ana Jalloul, ela começou a falar sobre o programa Bambabalalão, da TV Cultura. Recordações foram acesas: os nomes das apresentadoras, dos palhaços, dos bonecos e todos os artistas daquele especial infantil dos anos 1980. Revelei à Ana que eu era apaixonada pelo Teatrinho do Bambalalão e seu elenco de bonecos, mas eu não me lembrava os nomes dos atores-animadores. Contudo, tinha um boneco que me encantava: o Bambaleão, leãozinho excêntrico, sedutor e bem-humorado. Nunca perdia o programa Bambaleão e Silvana. Daí a conversa com a Ana foi embora... Chiquinho, só há pouco tempo que soube que você é que dava vida ao leãozinho tão carismático. Não sabia que nos tinha deixado tão cedo.

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mágicas, das cantorias e tantas alegrias! Quero te dizer que reviver todas essas lembranças me fez muito bem, o aroma da infância é magnífico e açucarado de ternura! Chiquinho, só desejo te agradecer por todos os momentos de entretenimento, gargalhadas, beleza e aprendizados que você, através da sua arte e genialidade, proporcionou a tantas crianças brasileiras. Deixo minha gratidão, homenagem e saudade! Um beijo procê, Chiquinho.

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Consegui ver pelo Youtube alguns episódios do Bambaleão e Silvana (e confesso que já assisti umas dez vezes!). De repente, toda aquela magia da infância veio à tona. Que felicidade poder rever trechos do Bambalalão e dos outros programas da Cultura, enfim, pude resgatar a garotinha que fui um dia. Claro, claro, recordo vivamente do João Balão, do seu trabalho em dueto com a Memélia de Carvalho, do inesquecível Professor Parapopó, com todos os seus assessórios, das trapalhadas, da

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Mexendo no baú das lembranças infantis, sai catando momentos que gravei na memória dos programas que assistia na telinha da TV Cultura de São Paulo. Ah, o Teatro de Bonecos do Bambalalão, que delícia! Nesse exercício de saudade, brotam nos ouvidos as vozes dos bonecos (na verdade dos animadores) do programa: Maria Balinha, João Balão, Sapo Agapito, os macacos Chiquinho e Chiquinha, Pato lero-lero, Beleléu, Bambaleão, João Leno, Abobrinha, Wandernusa, dentre outros personagens do grande e respeitável elenco! E quem eram os animadores? Memélia de Carvalho, Chiquinho Brandão, Fernando Gomes, Gerson de Abreu, Carla Masumoto e diversos artistas, verdadeiros mestres da arte bonequeira, fizeram a alegria da garotada dos anos 1980/90. As apresentadoras e os palhaços interagiam com os bonecos. Lembro que a Gigi falava ao final da contação: “essa história entrou por uma porta e saiu pela outra. Quem quiser que conte outra”.

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Por Thais Matarazzo

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Teatro de Bonecos do Bambalalão

A criadora do Teatro de Bonecos do Bambalalão foi Maria Amélia de Carvalho, mais conhecida como Memélia de Carvalho. Esse e outros momentos da sua trajetória artística, ela publicou no seu livro Cabeça de Bronze (Scortecci, 2016), ilustrado por sua mãe, Hebe de Carvalho, artista-plástica e arte-educadora, e prefaciado pelo dramaturgo Naum Alves de Souza. Na obra, Memélia compartilha suas memórias com o leitor em 60 crônicas e contos, trata de temas variados com bom humor. São vivências familiares, experiências profissionais, viagens e observações do cotidiano. Com seus três irmãos, foi criada em um rico ambiente regado

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Chá de Infância II

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Brincando de Bambalalão, Clictv, 2010: Gigi, Memélia de Carvalho, Xyss, Perereca e Dudu Coelho. Acervo Gigi Anhelli ▼

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com todas as Artes. Por isso, Memélia não podia fugir do destino de se tornar artista, como seus pais. Aliás, Cabeça de Bronze é dedicado à sua mãe. Na crônica Curta Pedro Xisto, notas de um roteiro, Memélia aponta que seu trabalho com Teatro de Bonecos pode ter raiz nas brincadeiras do seu pai, Pedro Xisto: quando menino, em Pernambuco, ele costumava brincar de teatro de Mamulengos talhados em madeira mulungu. Na TV Cultura, antes do Bambalalão, Memélia trabalhou juntamente com Naum Alves de Souza no programa Vila Sésamo, em 1973. Já no “Bamba” foi diretora nos primeiros anos do infantil, produziu, atuou como atriz e animava os bonecos. Em seguida, participou de outros programas.

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Balão. Foto: reprodução

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▲Os bonecos Maria Balinha e João

A autora narra sobre o seu trabalho pioneiro do Teatro de Bonecos na TV, do surgimento dos bonecos Maria Balinha e João Balão nas crônicas Dar vida a um boneco e Do baú da Vila Sésamo ao palco do Bambalalão, nessa última promete que um dia escreverá a um livro intitulado Nascem duas Estrelas com as histórias da Balinha e Balão. Vamos aguardar ansiosos! É possível assistir no Youtube alguns vídeos com trechos do Bambalalão, depois de ver os vídeos é incrível como as memórias vem à tona. Fragmentos juntam-se e como mágica aquele sentimento puro e de alegria renasce na nossa alma e faz um bem danado. Que fabuloso é poder tomar um chá de infância! Viva o Teatro de Bonecos! Viva Memélia de Carvalho!

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Como diz Manoel de Barros, tudo dá poesia, até concurso de cuspe a distância. Sou poeta, mas a poesia está em tudo, desde que sejamos capazes de olhar e ver. E foi assim. Meu primeiro neto, tão esperado, depois que cresceu um pouquinho, não aceitava sequer um beijo. Para ele, era motivo de estresse e se alguém descuidado o beijasse, passava a mão no rosto para limpar. Imagine isso para uma avó, ansiosa por distribuir seus afagos!! A partir dessa vivência com o meu neto, comecei a pensar em uma história. Daí, nasceu meu primeiro livro infantil. Preocupada por ter um conteúdo pessoal, primeiro li a história para ele que, na ocasião, tinha seis anos e meio. Levei a história impressa em sulfite, e perguntei-lhe o que achava que eu deveria fazer com aquilo. Acostumado com meus livros de poesia, a resposta dele foi imediata: –– Um livro! A partir desse consentimento, fui atrás dos passos necessários

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Por Regina Célia Pinheiro da Silva

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público infantil

para a ilustração, que foi feita pela minha neta, com arte-final e diagramação do meu filho. A história de Francisco e o beijo foi publicado no início do segundo semestre de 2017 e lançado na primeira Feira de Literatura Infantil de Taubaté (FLIT), em setembro desse mesmo ano. Só nessa ocasião ele percebeu que o livro retratava a história dele e, publicamente, perguntou: –– Não é verdade, vovó, que é em minha homenagem?

Depois disso, ouvi relatos de várias pessoas (pais, tios e avós), que “seus pequenos” apresentavam a mesma dificuldade e resistência ao beijo.

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Escrevendo para o

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Regina Célia Pinheiro da Silva: Secretária da Academia Taubateana de Letras Biênio 2020-2022. Livros de poesia publicados: Com amor e amigos (1999); Porque o que conta... é a vida! (2013); Coisas do coração, da vida e do amor (2017); A vida de todo dia: os outros e eu (2019).

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tir de uma experiência com minha neta, em uma brincadeira de “ser professora”, quando ela tinha por volta de quatro anos e meio. Como se fosse uma disputa com o primo, ela também quer um livro que contenha uma história sobre ela. Escrever para crianças, especialmente, as menores, tem que unir vários elementos: frases curtas, objetivas, cor em profusão, como forma de prender a atenção e garantir o encantamento. Soltar a imaginação e liberar a fantasia, próprias das crianças, é garantia de conquistá-los. É mágico!! Como deu para perceber, as ideias para os meus livros infantis partem de vivências. Só depois vem a imaginação para compor a história.

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A seguir, em 2018, publiquei Pérolas dos netos e dos sobrinhos, também com ilustrações do meu filho. É um livro com frases que vinha coletando deles há tempos. Não é, especificamente, um livro para eles, mas sobre eles, suas observações e primeiras explicações sobre o que percebem do mundo e do espaço ao seu redor, nesse momento mágico da vida. Contudo, em algum momento eles vão se divertir e se deliciar com suas próprias histórias. Agora, estou em vias da publicação de um novo livro, este, a par-

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Um adulto feliz tem em sí a essência da uma criança que foi um dia. Da época em que os brinquedos falavam em nosso imaginação e desenhar com lápis de cor era como criar um mundo só nosso, sem maldade, sem vaidade, sem egoísmo e sem disputa. As histórias contadas pelos Pais, quer fossem de livros ou fruto da própria imaginação, nos fazia viajar no tempo, onde não havia medo de nada. Era o chamado “mundo perfeito dos sonhos”. Depois crescemos e começamos a descobrir que Papai Noel não tem como vir do Pólo Norte voando de trenó, tão pouco que Coelhos botam ovos de chocolate ou que bonecas falam. Aí começa a maturidade e os sonhos são se esvaecendo. Que saudade da doce infância, onde rir era a única programação do dia e sonhávamos com a imortalidade daqueles momentos. Lembre-se da criança que foi e deixe fluir os sonhos de seus filhos, sobrinhos, afilhados e netos. As crianças de hoje são fruto da geração que sonhava!!! Jamais diga a uma pura criança que suas ilusões não existem, pois corre-se o risco dela acreditar que jamais chegará onde sonha! Permita que ela tenha o “direito” de saber que “sonhos” não tem limites e que tornam-se realidade, somente quando verdadeiramente acreditamos neles!!! Feliz DIA DA CRIANÇA a todas as crianças, de todas as idades, que sonham e tem “ esperança “!!!

Minha “criança” agradece ao Papai Noel “Zezinho”, por ter me ensinado que tudo é possível na vida, desde que se entre pela Chaminé certa e espalhe presentes de amor e afeto. Minha “criança” agradece ao Coelho da Páscoa “Zezinho”, por ter me ensinado a procurar ovos mais doces na vida. Minha “criança” agradece ao Bicho Papão “Zezinho”, por ter me ensinado que os vilões não podem atingir quem nasceu para vencer. Por fim, minha “criança” agradece ao meu Anjo da Guarda “Zezinho”, por ter me ensinado que o verdadeiro “amor” continua eterno no coração dos que aqui ficam! Em cada criança deveria ser colocado um cartaz que dissesse: Tratar com cuidado, pois contém “SONHOS”!!!

Dra. Gisele Luccas

É Advogada, Especialista em Direito Médico, Pós Graduanda em Perícia Criminal e Ciências Forenses, com Capacitação em Psicopatologia Forense, Mediadora Judicial e Privada cadastrada no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Palestrante, Colunista e filha de “Zezinho” (in memoriam).

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S onho Meu

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Quando seus gatos conversam com você. PAPO DE MÃE DE GATOS

PREMIAÇÃO:

Formação . UFRJ (FACULDADE DE LETRAS. LITERATURAS E LÍNGUAS: PORTUGUÊS/ ESPANHOL): Bacharelado e Licenciatura. / . UERJ (CURSO: Formação / PEJA e EJA. / . FAHUPE: Pós-graduação. / .UIMP - UNIVERSIDAD INTERNACIONAL MENÉNDEZ PELAYO: ESPAÑA/ SANTANDER. Trabalhos (PROFESSORA) / . PREFEITURA DE MARICÁ / . PREFEITURA DO RJ. / . SENAC / . FAETEC / . GIMK / . UNIVERSIDADE SANTA ÚRSULA. Premiações Recebeu vários prêmios literários em SP, Participou da Bienal do Livro (Taubaté, RJ, e AACLIPA), . Os Melhores Escritores Lusófonos - Lisboa. Atuações . Conselheira Fiscal e Acadêmica da APALA (Academia Pan Americana de Letras e Artes do Rio de Janeiro), . Artilheiro da Cultura no Museu do Exército no Forte Copacabana, . Coordenadora do Coletivo Cultural Borboletas Voadoras (Saraus e Artes em geral).

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Poeta e escritora

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voltar? Não estamos comendo! Greve geral! Estamos com frio! Você não sente a nossa falta? Vai encontrar-nos magriiiiinhooos! Você deixou a luz acesa. Nós não temos medo do escuro. Estamos sem música, sem a sua cantoria desafinada. Mas gostamos assim mesmo. O Jamil arranhou o móvel. E eu não fiz nada, me comportei direitinho. Só comi as suas florzinhas. Aquelasssss... As margaridas que você ganhou. Vem, vem, vem... Não vamos miar para você porque estamos tristes. Mas se você trouxer um petisquinho esquecemos tudo.

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O

lha as nossas carinhas de saudade. Quando é que você vai

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Por quê 100? Para comemorar o centenário de JOSÉ MAURO DE VASCONCELOS, autor do livro. Os livros já chegaram através de doações que o próprio fundador da Favelivro, Demezio Batista, foi buscar nas residências dos doadores. Será uma linda Ação de Cidadania!

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A turma da Favelivro do Rio de Janeiro mesmo na pandemia não cruzou os braços e está preparando uma super festa no Mês das Crianças, mas calma! Tudo obedecendo os protocolos da OMS. Irão distribuir no Complexo de Manguinhos no RJ: máscaras de proteção, álcool em gel e cem livros do MEU PÉ DE LARANJA LIMA para 100 crianças.

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diversidade, que todos nós temos algo a ensinar e algo a aprender. Mas meu primeiro emprego na área de educação foi como auxiliar de biblioteca numa escola também da Rede Municipal de Belo Horizonte, onde permaneci por 5 anos até ser nomeada professora. Ali me encantei pela literatura, como nunca, até então. Atuei também como Supervisora concursada do Estado de Minas Gerais por 6 anos e atuei em escolas da região metropolitana. Todas essas experiências fizeram-me apaixonar pela alfabetização, mas especialmente a oportunidade de acompanhar como supervisora, o trabalho de excelentes profissionais numa escola de Educação infantil chamada E. E. Delfim Moreira, na região central de Belo Horizonte.

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Conhecemos através do Youtube o trabalho da Professora Vivi, um encanto! Através de um avatar e muita animação, ela disponibiliza para o público aulas de alfabetização, trabalha com os temas afetividade e artes, e também dá dicas de como criar um avatar no aplicativo Zepeto. Entramos em contato com a Professora Vivi para que ela nos contasse um pouco sobre o seu trabalho como educadora. Com a palavra, Vivi: Meu nome é Viviane Cristina Ferreira, tenho 47 anos. Sou divorciada e mãe de dois filhos: Lucas, 29 anos (casado) e Gabriel de 19. Sou mineira da cidade de Nova Lima, mais conhecida como “terra do ouro”. Sou formada em Pedagogia pela Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), pós graduada em psicopedagogia e psicomotricidade pela Ferlagos - RJ e Educação inclusiva, Educação de jovens e adultos e Ensino religioso pela Faculdade Batista de Minas Gerais. Professora de 1º e 2 º ciclos da Rede pública de ensino de Belo Horizonte há 17 anos. Durante esse tempo, passei por quase todos os setores de trabalho dentro da escola. Atuei no 1º ciclo, 2º ciclo, Educação de Jovens e Adultos, coordenação pedagógica, coordenação geral. Aprendi nessas vivências com a

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Instagram: professoravivicf Youtube: vickvidanova

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Lá, observando as intervenções realizadas, fui construindo minha identidade profissional. Deixei minha contribuição, mas recebi em dobro conhecimentos que hoje utilizo em minhas aulas e também no conteúdo digital que me proponho a produzir. Desde que iniciei meu trabalho como professora, produzia vídeos caseiros com o intuito de alcançar mais crianças, valorizando a diversidade e consciente de que, a cada dia, a tecnologia avança surpreendentemente e que devemos acompanhar a evolução tecnológica se quisermos alcançar êxito com nossas crianças. A princípio, eu levava os alunos diariamente para a sala de multimídia por 50 minutos (o tempo de uma aula) e percebia que eles não queriam voltar para a sala. Se encantavam ao ouvir minha voz por meio da TV. Muitos ficavam olhando para mim para ver se era eu quem estava narrando o conteúdo televisivo. Resolvi, então, transformar essas aulas num projeto e conquistei uma TV 42 polegadas dentro da sala de aula (raridade até mesmo nos dias

atuais). Continuei produzindo vídeos porque os resultados com o trabalho superavam em muito os anteriores. As crianças passaram a ficar mais atentas e a entender melhor os conteúdos apresentados e eu conseguia alcançar também os que apresentavam dificuldades de aprendizagem. As respostas foram muito satisfatórias. Agora nos encontramos diante de um problema mundial, que nos acometeu, a Pandemia da Covid-19. Embora a Rede em que trabalho não tivesse, inicialmente, apresentado proposta de aulas remotas, decidi por iniciativa própria que faria algo para que as crianças não fossem tão prejudicadas e pudessem continuar vivenciando as aprendizagens escolares, mesmo que virtualmente. Não só meus alunos, mas as crianças de modo geral. Foi aí que surgiu o canal no Youtube, cuja proposta é alfabetizar letrando, tendo como base a ludicidade, a arte e a afetividade. Acreditando que as novas tecnologias e as animações têm tido cada vez mais espaço na vida de nossas crianças e também dos professores, optei pela criação do Avatar como ferramenta pedagógica. Foi um grande desafio, formular essa proposta com recursos tão limitados, mas valeu a pena. O retorno tanto das crianças como dos pais tem sido positivo, o que me incentiva a continuar o trabalho. A proposta é aprender brincando e, de desafio em desafio, vamos alcançando vidas.

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Poema: Thais Matarazzo Arte: Ulysses Galletti Do livro “Nove gavetas” (Matarazzo, 2019)

Foto: @ nana_t.tavares

Quando eu era pequenino fazia barquinhos de papel de todas as cores e tamanhos. Usando a imaginação, ele eram navios, veleiros, jangadas ou batéis gostava de tomar banho de chuva e colocar meus barquinhos nas poças do quintal brincava que navegava pelos mares enfrentando as tempestades e os piratas cruzava oceanos e salvava tesouros... Que saudades dos barquinhos de papel!

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Autora: Maria Marlene Nascimento Teixeira Pinto Presidente da Academia Taubateana de Letras Biênio:2020-2021

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O mundo parou! Meu Deus! Acordamos num mundo diferente... Humanizado? Estamos vulneráveis, à mercê de um vírus mortal! O que aconteceu? Por que estamos nos isolando? De quem é a culpa? Perguntas desnecessárias, sem resposta... Só nos resta refletir, aprender com a situação, absorver a lição. É um vírus que discrimina, marginaliza, aterroriza! Olho em volta. Nada se move. Tudo mudou! Estagnação! Sem direito de ir e de vir, para nos salvar, para salvar a todos... Hora de desligar o piloto automático, neste mundo robotizado. Hora de nos sentir gente, cuidar de gente, ir em busca de nossa gente! Volta ao lar! Volta à família. Volta aos filhos. Volta a nós mesmos! Volta à verdadeira realidade, sabendo que somos parte de um todo, e o todo é parte de nós, pois somos filhos gerados pelo mesmo Pai.

Hora de ajudar, respeitar, seguir regras, para sobrevivermos ao caos que se formou, pela nossa omissão, pelo nosso egoísmo, pela ânsia ao poder, pela ambição. Sim, precisamos nos reeducar, pensar no outrem, com empatia, com ética, com sabedoria. Para que guerrear? Para que nos matar? Para que alimentar a ganância dos que se julgam donos do mundo? Deixemos o egocentrismo e o materialismo de lado! Sejamos responsáveis, altruístas, mesmo isolados fisicamente, mas com um só pensamento... Vamos salvar o mundo, salvando a nós mesmos, para um novo porvir, para um novo despertar! Que a Paz e o amor prevaleçam... Sairemos desta... Acreditem! Tenho fé!

nº.16

mundo parou !

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... E até hoje, o Sapo não lava o pé. Não sabemos afinal, porque o Cravo brigou com a rosa. Mas, a Dona Chica não se admira mais, com o berro que o gato deu. Pois é... Os gatos, tão estigmatizados outrora, hoje são membros de estimação de muitas famílias, propiciando-lhes momentos incríveis de carinho e descontração. E, como Educadora Musical e compositora de canções infantis, só posso aplaudir de pé, essas majestosas Cantigas de Roda, que me acompanham desde muito cedo. São verdadeiras obras de arte e, como conhecem as crianças. Borboletinha está na cozinha, fazendo chocolate para a madrinha... O imaginário, recheado de elementos ativos em sua vida, de grande prazer. O chocolate, a madrinha tão querida e a borboletinha toda colorida. As melodias e as rimas sempre de mãos dadas, já compondo esse mundo das letras, ordenado e sonoramente perfeito.

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por Helena Cristina Costa Cabral

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magia de ser criança

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E a minha vida musical infantil, assim se iniciou. A primeira canção, Atchim, uma valsinha para saudar minha filha, sempre resfriada. Um hit, admirado e espirrado com muita alegria. Em cada porta que eu batia para musicalizar, sentada no chão, com o meu violão à tiracolo, inúmeras ideias foram surgindo. E muitas, vieram dos aluninhos. Nem sempre em palavras. Em gestos, em sorrisos. É preciso que estejamos atentos aos seus sinais. Verdadeiros anjos, cujos sopros divinos, se expandem pelo ar. Venho homenagear as crianças de hoje, as crianças crescidas (mães, tios/ tias, avôs/avós.) e essa semana tão expressiva, que celebra o começo de uma vida. Estar com as crianças é voltar a ser outra vez, criança. Mesmo que o tamanho atrapalhe. Uma chance da vida, que me traz, até hoje recordações infindas. Como publicitária, o enxugamento da ideia; como musicista, as melodias em tom maior e festivas (como são os nossos pequenos); como letrista, o encanto das descobertas de um mundo, que ainda “Se faz-De-Conta”. Que essa magia de ser criança, nunca se desprenda de sua varinha. Somos as verdadeiras fadas e magos, na condução de nossas crianças, que serão o grande futuro de nossa nação.

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Thais

Matarazzo Com o objetivo de chegar a novos leitores e marcar o Mês da Criança, em outubro, a autora paulistana permite acessar gratuitamente seus títulos mais recentes, em formato e-book

Por Carlota Caifero Thais Matarazzo é uma escritora, jornalista e pesquisadora paulistana que tem como objetivo contribuir com a literatura e cativar o leitor. Autora de mais de 30 títulos, ela se baseia em dados e personagens reais, extraídos de documentos em arquivos centenários de São

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infantojuvenis de

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disponibiliza oito livros

Paulo, para compor histórias que misturam realidade e ficção. Dona de uma narrativa leve e delicada – mesmo tratando de temas como escravidão, preconceito racial, desigualdade de gênero –, a autora escreve em prosa e poesia, mirando o público infantojuvenil. “É um desafio enorme escrever para o jovem leitor. Não podemos subestimar as crianças”, diz. Thais também se dedica a pesquisar sobre a história, as características e a identidade dos municípios que formam o cenário de suas narrativas, como São Paulo, onde mora, Taubaté e Paranapiacaba (Santo André), no Interior, e até Rio de Janeiro, revelando fatos, acontecimentos, personagens e curiosidades.

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Projeto B iblioteca Digital

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► UM FINAL DE SEMANA EM PARANAPIACABA (2020), ilustrações de Camila Giudice. Prosa. Sinopse: folhetim infanto-juvenil estrelado pelos personagens Anita, Madame Jalloul e Mister Cardoso. Ambientado na década de 1940, no Alto da Serra, atual Paranapiacaba, durante uma visita do casal Jalloul e Cardoso à vila ferroviária, pertencente à extinta São Paulo Railway. Anita é uma garota carismática e comunicativa, levará os visitantes para um tour pelos principais cartões postais da vila.

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► GABRIELA, SEMEADORA DE ENCANTOS POÉTICOS (2020), ilustrações de Camila Giudice. Prosa. Sinopse: O livro é uma homenagem da autora à poeta e diplomata chilena Gabriela Mistral. A narrativa traz curiosidades, momentos de dificuldade e de superação ocorridos na infância modesta de Mistral.

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► BÁRBARA, A ASTRONAUTA (2019), ilustrações de Camila Giudice. Poesia. Sinopse: Bárbara é uma menina dona de uma imaginação criativa infinita. Gosta de fazer viagens pelo mundo da fantasia junto com seu amigo Knut, uma garça engraçada e excêntrica.

Escritores brasileiros contemporâneos

A fim de chegar ao leitor iniciante e marcar o Mês da Criança, em outubro, Thais disponibiliza gratuitamente oito livros infantojuvenis no formato e-book, para estudantes, professores e educadores: Bárbara, a astronauta; Nove Gavetas; Gabriela, semeadora de encantos poéticos; As aventuras de Tenório e Yolanda; A filha do lenhador; Um final de semana em Paranapiacaba; No Largo do Boticário; As artes da menina Eunice. As obras foram lançadas entre 2019 e 2020, pela editora Matarazzo, e podem ser baixadas de graça, a partir dos sites: www.thaismatarazzoescritora.com.br e www.editoramatarazzo.com.br, o conteúdo dos livros pode servir para atividades educacionais e culturais virtuais como leitura, contação de história, brincadeiras, e discussão dos temas abordados. Um dado importante é que professoras das redes pública e privada de São Paulo já estão utilizando os títulos de Thaís em aulas online, sobretudo em três unidades que ocupam o espaço do CEU Tiquatira, zona Leste. As ilustrações dos livros são assinadas pelos artistas plásticos Camila Giudice, Ulysses Galletti e Alexandre de Morais Almeida. Veja, abaixo, dados de cada obra:

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► A FILHA DO LENHADOR (2020), ilustrações de Alexandre de Morais Almeida. Prosa. Sinopse: Maria recolhe lenha na floresta junto com sua amiga Eunice. Seu pai, Tinhão Lenhador, é um homem

A autora Thais Matarazzo, paulistana, atua como jornalista, escritora, pesquisadora cultural e palestrante. É autora de 32 livros publicados no Brasil e em Portugal, entre títulos de crônicas, contos, memórias e sobre história do rádio e da música popular brasileira. Proprietária da Editora Matarazzo, fundada em 2015, atualmente com mais de 200 livros editados, concedeu oportunidades e revelou dezenas de novos escritores. É editora da revista digital Escritores brasileiros contemporâneos.

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► AS AVENTURAS DE TENÓRIO E YOLANDA (2020), fotos de Gilberto Cantero. Prosa. Sinopse: O tucano Tenório e sua amiga Yolanda são convidados a visitar o Sítio do Pica-pau Amarelo, em Taubaté. No sítio, Tenório vai aprontar mil travessuras, deixando Yolanda maluca.

► NO LARGO DO BOTICÁRIO (2020), ilustrações de Alexandre de Morais Almeida. Prosa. Sinopse: Farah e suas primas chegam ao Brasil na condição de refugiadas sírias. São adotadas por um casal de médicos e vão morar no Largo do Boticário, no Rio de Janeiro. Um recanto histórico e de legado cultural da cidade.

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► NOVE GAVETAS (2019), ilustrações de Ulysses Galletti. Poesia. Sinopse: a partir da arte digital intitulada “Cômoda”, de Galletti, a escritora teve a ideia de compor nove poemas, um para cada gaveta da cômoda. São versos que giram em torno da fauna e dos ambientes celeste, urbano e tecnológico.

bondoso e trabalhador. Junto com a esposa e os filhos mais velhos, vive temeroso por um segredo envolvendo sua amada filha.

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► AS ARTES DA MENINA EUNICE (2020), ilustrações de Camila Giudice. Prosa. Sinopse: Folhetim infantojuvenil estrelado por Eunice, Tenório e Yolanda. Eunice é uma menina-artesã nascida em Sabará, Minas Gerais. Aprendeu a manusear o barro e a técnica de empapelamento com d. Ignácia e a avó d. Conceição. Sua produção chama a atenção do tucano Tenório e sua amiga Yolanda.

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Quando um deles, ao ser indagado o “porquê” da arte arteira aprontada, respondeu alto e em bom som para mim, a vovó perguntadeira:

- Eu fizio porque quizio.

Sou avó Glafira Menezes Corpaulistana, borboleta catadora de palavras. Gosto de dar novos significados às palavras, que me seduzem a revelar o meu jeito de pensar a comunicação social. Sou a palhaça Pitanga para as crianças e para os idosos, durante o meu trabalho voluntário. Como contadora de história minha imaginação viaja, sempre que fizio e quizio a narrativa contagiar.

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Contatos E-mail: glafira@zipmail.com.br @glafiramenezescorti Facebook: @glafiramenezescorti

Outubro/2020

ti,

Escritores brasileiros contemporâneos

A convivência com os meus netos foi tão intensa quanto novidadeira. Das traquinagens, sempre surgiam brincadeiras inventadas e recicladas com muita liberdade e criatividade. As palavras ganhavam significados divertidos na fala deles e, posteriormente, na escrita. As trocas de letras geravam curiosos significantes, quando conectados com o sentido das palavras. Soavam como verdadeiras pérolas de um vocabulário inédito, que provocava risos com a minha atrapalhação no entendimento do que queriam expressar. Durante a recreação não gostavam de brincadeiras brincadas, segundo eles, *sem graça alguma. Referiam-se aos brinquedos, cujos botões, uma vez apertados brincavam sozinhos, obrigando-os a serem expectadores e não protagonistas de suas reinações. Foi um desses momentos de invencionice que deu origem ao título do meu livro, isto é, do nosso livro infantil.

Nosso livro infantil tem palavras em português, espanhol, inglês e desenhos de quando nos distraíamos inventando brincadeiras, claro, nenhuma brincadeira brincada.

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A informação e o conhecimento permeiam as relações entre os seres humanos desde o início de sua existência. As pessoas que pertencem às classes Média e Alta concentradas nos grandes Centros, sempre foram beneficiadas com Educação, Cultura e Lazer. Como desconstruir esse cenário incluindo a Periferia? Em meio a Pandemia do Novo Corona Vírus, com todas as condições desfavoráveis, o Bibliotecário Carlos Augusto (Líder Comunitário na Zona Leste de São Paulo) submeteu um Projeto de Incentivo à Leitura na

Outubro/2020

Tudo o que um sonho precisa para ser realizado é alguém que acredite que ele possa ser realizado. Roberto Shinyashiki

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Ricardo Cardoso / Carlos Augusto

Plataforma do Governo Federal, conquistando a almejada aprovação. Nasce LiterAção! A proposta visa contemplar Crianças e Adolescentes em vulnerabilidade social com Eventos Literários e a implantação de Bibliotecas Comunitárias nas Periferias do Estado de São Paulo. Devido à amplitude das ações, o proponente estreitou laços com o Centro de Educação da Zona Leste e o Coletivo São Paulo de Literatura firmando uma parceria estratégica para execução do projeto. Na última reunião decidiram startar o projeto mesmo sem recursos financeiros. Para tanto, a metodologia inicial de trabalho será do Livro Livre inspirado no BOOKCROSSING, prática difundida nos Estados Unidos e Europa desde 2001. A Editora Matarazzo sensibilizada com a proposta doou alguns títulos para implementar o primeiro Ponto de Leitura. A nascente da rede de Biblioteca Livre será na Comunidade da Marcone, Vila Maria Baixa. #JuntospelaTransformação #JuntospelaEducação

Escritores brasileiros contemporâneos

Descentralizando a Informação

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A Bela e a Fera Ricardo Hidemi Baba Vanderlei Aparecido Favaro

Quando juntos criavam outro mundo Onde não havia dor A saudade, a riqueza A pobreza.

Quantas características nos separam? Quantos preconceitos nos barram? Amores são impedidos Sentimentos reprimidos Por não enxergarmos além das aparências Como fez Bela!

Outubro/2020

Um dia a bela e a fera se conheceram E quando se abraçaram, muita coisa mudou. Eles ficaram mais fortes Eles ficaram mais inteligentes Com personalidade dominante E o espírito encandecente.

Bela enxergou além das aparências Viu que atrás daquela truculência Haviam carências, Haviam medos e fraquezas, Havia um homem com toda gentileza!

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Era uma vez um homem que parecia uma fera A fera era inteligente e de personalidade forte E com um espirito forte A fera vivia em um mundo “feio”.

Havia o medo de se separarem Havia muito amor. Tinham a certeza de que não podiam ter filhos Pois não seria nem de um mundo, nem do outro. E sabiam que seu mundo não duraria para sempre.

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Era uma vez uma mulher bela A bela era frágil, inteligente, de grande personalidade E de espirito jovem A bela vivia em um mundo “bonito”.

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BONS PARA CRIANÇAS

NÃO CONTE PRA NINGUÉM, VIU! As peraltices, idiotices, Histórias inexplicáveis diante dos pais E sem noção: quanta coisa boa da infância!

Luiz Alexandre Kikuchi Negrão: participou da bela Coletânea Histórica “Para Sempre 32”, volume II, com o artigo “Os Ideais Democráticos de 1932”, pela Editora Matarazzo. Escreveu poemas como “Netos de Hiroshima” e “A Luiz Poças Leitão Junior, o Pocinhas”, e pende de publicação alguns no projeto “Folhas Vivas”, bem como elabora o projeto “Coração Brasileiro”, biografia autorizada pela família do saudoso Dr. Emeric Lévay. Publicou inúmeros artigos em sites jurídicos.

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A pequena ruiva Desce o degrau para a rua. O cãozinho ruivo vem. Eles se olham: Nunca se viram, Se conhecem há muito. O ruivo volta à dona E se vão. A menina vê O primeiro amor partir.

Outubro/2020

AMOR CLARICIANO

Brincadeiras, adivinhas, Cantigas de roda e ler livro junto Ajudam a vida.

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do mundo virtual

Dra. Gisele Luccas

Nos idos dos anos 70 assistíamos ao desenho da família “JETSONS”. Eles viviam em um mundo tão futurista, inconcebível para aquela geração que não dispunha de avanço tecnológico. Eles falavam entre sí através de uma tela e tinham professor dando aula em um aparelho portátil. A geração que assistiu os “JETSONS” mal tinha telefone com fio, pois era um previlégio exclusivo das famílias mais afortunadas. No entanto, nossa ingenuidade, desejava que a vida dos “JETSONS” se tornasse realidade um dia. Passados mais de 30 anos, a atual geração já dispõe de uma tecnologia que ultrapassou a do saudoso desenho. Hoje as pes-

Outubro/2020

realidade por traz

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A

soas trocaram abraços afetuosos e visitas aos amigos queridos, por um áudio ou emoji disponível no aplicativo Whatshapp. Só que hoje somos adultos, pais de família, mas as crianças dessa geração não sabem o perigo que pode existir atrás de um simples computador, pois sua ausência de maldade e pureza não vê isso. Enquanto os pais da geração 2020 se sente segura com o filho passando a maior do tempo em casa, se deliciando com as novidades tecnológicas e longe do perigo das ruas, NÃO SE APERCEBEM que o grande perigo pode estar naquele aparelho dos “JETSONS”, hoje conhecido como linha móvel celular e computadores. Hoje as crianças passam horas a fio conversando com “amiguinhos virtuais”, dentro de suas próprias casas, sem que os pais desconfiem que alí pode estar um vilão muito perigoso – um Pedófilo!!! Pais da geração 2020 observem atentamente o que seus filhos conversam na internet. A ingênua foto de um “amiguinho

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Artigo

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Outubro/2020

É Advogada, Especialista em Direito Médico, Pós Graduanda em Perícia Criminal e Ciências Forenses, com Capacitação em Psicopatologia Forense, Mediadora Judicial e Privada cadastrada no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Palestrante, Colunista e filha de “Zezinho” (in memoriam).

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Dra. Gisele Luccas

Escritores brasileiros contemporâneos

virtual criança”, pode ser na verdade uma pessoa bem mais velha e astuta. Procurem saber qual o conteúdo da conversa. Se o “amiguinho” se interessa em saber quantas pessoas moram na casa, onde seu filho estuda e horário, quando os pais se ausentam e o no que trabalham. Essas perguntas interessam ao “amiguinho” visando traçar toda a rotina da família, os hábitos da casa e principalmente de seu filho. Fiquem muito atentos a esse tipo de diálogo, pois uma pessoa muito perigosa pode estar alí e a inocente criança não tem essa percepção. O lugar que, aparentemente, parece ser o mais seguro para seu flho, na verdade pode ser o mais perigoso!!! Leiam o que suas amadas crianças teclam. Se interessem mais! Elas são puras e ingênuas, mas o “amiguinho” pode ter uma personalidade perversa e, o pior, ele é real e convincente!!! Cuide de quem você ama!! Fique atento!!!! Feliz dia das Crianças aos pais da geração “JETSONS”!!!

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