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Spectrum


Segundo Barthes, a fotografia fabrica um novo corpo ao fotografado (ou Spectrum), esculpindo-o como uma estátua. Esta “estátua” é moldada de acordo com a vontade do retratista (ou Operator) e pode representar diferentes resultados expressivos de acordo com a interpretação do espectador (ou Spectator), muitas vezes independente da intenção real do modelo.

Realização Rodrigo Bento Thaís Gioia Orientação Jofre Silva Disciplina Fotocriação

A proposta deste ensaio foi realizar o caminho inverso, tentando imprimir características alternativas à esculturas já moldadas, refabricando o Spectrum e aplicando novas expressões sob o ponto de vista do Spectator.


O ato de fotografar traz implicitamente a idéia que a pessoa fotografada tem de si e a imagem que deseja revelar ao outro (ou aos outros). No momento em que alguém sente-se olhado pela objetiva, fabrica-se logo em outro (ou em outros) e constroi sua imagem tendo em mente a dimensão de posteridade. Imagina como gostaria de aparecer, pensa em uma atitude natural na maioria das vezes e desenha o gesto seguindo sua intuição ou as sugestões do fotógrafo. Diante da câmera a pessoa é, de certo modo, coagida a se definir para o outro e para si.(Almeida , s/d, p.6 )


Para Barthes, o retrato oferece empiricamente uma complexidade de imaginários. Quatro imaginários aí se cruzam, aí se afrontam, aí se deformam. Diante da objetiva, sou ao mesmo tempo: aquele que eu me julgo, aquele que eu gostaria que me julgassem, aquele que o fotógrafo me julga e aquele de que ele se serve para exibir sua arte. (Barthes, 2012, p. 21)


A fotografia paralisa o tempo, mas não os sentidos que são atribuídos no instante de novos significados. A fotografia reduz a pessoa àquilo que pode ser visto dela, sem passado, sem futuro. Apenas o instante. Como se a esvaziasse e ao mesmo tempo a preenchesse de novos sentidos. (Almeida, s/d, p.6)


A pose confere força a pessoa fotografada. A pose é um modo de apresentar publicamente o corpo, torná-lo mais apreciável, o que pressupõe em maior ou menor escala um trabalho sobre si e um tempo para pensar em como se distinguir socialmente. É como se a pose investisse o corpo, mesmo que apenas por um instante, de poder . (Almeida , s/d, p.5)


Assim como o escultor utiliza-se de uma esteca, a principal ferramenta do fotógrafo é a luz, e é com ela que é possível moldar a pele de sua “estátua”.


A luz, embora impalpĂĄvel, ĂŠ aqui um meio carnal, uma pele que partilho com aquele ou aquela que foi fotografado. (Barthes, 2012, p. 75)


Referências BARTHES, Roland. A câmara clara. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2012 ALMEIDA, Luciana Andrade de .Desejo de parecer: Poses de homens e mulheres nas fotografias da imprensa fortalezense nos anos 1920. Disponível em <http://www.ce.anpuh.org/1341703370_ARQUIVO_ TextocompletoLUCIANAANDRADEST03.pdf> Acesso em 26 de fevereiro de 2013


Spectrum