Issuu on Google+

Faculdades Integradas Simonsen

Thaís Lemos Cavalcante 200920458

A linguagem da internet e a Língua Portuguesa

Rio de Janeiro 2011/2  


Thaís Lemos Cavalcante 200920458

A linguagem da internet e a Língua Portuguesa

Trabalho apresentado à Professora Cristiane Coelho como requisito parcial para aprovação na Disciplina TCC

Rio de Janeiro 2011/2  


Dedico este trabalho aos meus pais, os quais sempre me deram forças para nunca desistir dos meus ideais e sonhos, principalmente por terem feito de tudo para me dar sempre o melhor. Faltam-me palavras para expressar a minha gratidão por tudo o que é e foi feito por mim.

 


AGRADECIMENTOS

Agradeço à Deus por todas as realizações que pôs em meu caminho e as que ainda estão por vir. O qual ouviu minhas orações diárias, nas quais eu rogava por forças, para que pudesse chegar ao fim de uma longa e extensa caminhada. Aos meus pais, Marcos e Claudia, os quais fizeram com que minhas vitórias fossem alcançadas, pelas batalhas pessoais que travaram diariamente para buscar e me dar o melhor, pela união que temos e amor incondicional, eles quem me ensinaram a ser quem e como eu sou, vocês são tudo na minha vida. Ao meu marido, Diogo, que aguentou meu stress diário, minhas noites sem dormir, que fez comida quando eu não podia e que sempre me apoiou no momento que mais precisei. Aos meus colegas de classe da noite, os quais eu conheci e os terei sempre como irmãos, Sergio, David, Jorge e Rafael. Vocês são e sempre serão seres incríveis na minha vida. Aos meus colegas e companheiros da “SDBA”, Patrícia Oliveira, Rodrigo Lino e Paula Cristina. Vocês conseguiam arrancar risadas de mim logo na parte da manhã, isso é um milagre! À minha querida amiga Alexandra Catarina, nos perguntamos o motivo de termos nos conhecido apenas neste semestre, como disse à você, existe algum motivo, pois sei que nossa amizade será eterna. Ao meu amigo Pedro José, um rapaz que faltava aula, perdia trabalhos, mas sempre com ótimas notas e o principal, uma ótima pessoa. Batalhador e sonhador. À minha avó Sebastiana, in memoriam, por ter me ensinado tanta coisa, por ter me dito frases importantes em momentos de dificuldade, por ter ido à minha casa só para me ver brincar na rua, ao me levar para igreja aos sábados e pelo bolo de milho mais gostoso do mundo. Aos meus poucos e bons amigos: Bruno Cavalcanti, Maria Eduarda, Joyce Cerqueira, Gabriel Freire, Felipe Chagas, Wesley e Raul.

 


Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão Legião Urbana

 


SUMÁRIO

Introdução....................................................................................................................6 1. TIPOS DE LINGUAGENS........................................................................................8 1.1 Linguagem oral..................................................................................................9 1.2 Linguagem escrita............................................................................................10 1.3 Língua escrita e língua falada: sua separação................................................12 1.4 Linguagem oral X Linguagem escrita...............................................................13 2. INTERNETÊS – A LINGUAGEM DA INTERNET...................................................16 2.1 Características da linguagem virtual................................................................18 2.2 Substituição de letras e acentos gráficos.........................................................21 2.3 O internetês e seu uso fora da rede.................................................................22 3. INTERNET E SUA PROBLEMÁTICA...................................................................24 3.1 A internet e seus ambientes propícios para aprendizagem.............................26 CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................28 REFERÊNCIAS..........................................................................................................30 ANEXOS....................................................................................................................32

 


7     INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, a sociedade tem passado por diversas mudanças e grandes passos para revoluções. Durante a década de 90, surgiu um instrumento que mudou ferozmente o modo de comunicação nos dias atuais, o computador. E juntamente à ele, surgiu a internet.

Com o avanço tecnológico, a internet vem tornando-se um dos maiores meios de difusão de mensagens, com isso, o tipo de linguagem utilizada vem se propagando a cada dia mais, tornando-se assim, globalizada.

A utilização da linguagem da internet preocupa pais, mães e principalmente, educadores num modo geral. Quando o indivíduo se depara com um ambiente que é necessário uma interação rápida, senão, instantânea, ele constrói um texto “falado” por escrito.

Esses são fatores que exigem que entendamos o que é linguagem, língua e suas variações, pois ela é o principal código desenvolvido para a comunicação na vida social.

Pela diversidade em que a escrita está inserida no meio virtual, optamos em fazer um apanhado geral das linguagens utilizada, passando pelo bate-papo, chegando até as redes sociais, tendo como objetivo analisar e interpretar a produção da escrita no meio virtual. Poderemos assim responder as seguintes perguntas: Como as pessoas se comunicam no meio virtual? Como isto afeta a escrita de acordo com a gramática normativa? De que forma, professores, pais e escola podem usar este tipo de linguagem para trazer os alunos para si e direcioná-los sem criticar e discriminar?  


8     1. TIPOS DE LINGUAGENS

As atividades discursivas são apresentadas através de textos orais ou escritos, acompanhados por gestos, olhares, gráficos ou pictóricos. A comunicação é feita através de algum tipo de código. Em um contexto geral, nós, seres humanos, grosso modo, nos comunicamos através da linguagem escrita ou da linguagem oral. Há quem diga que a fala é o campo dos erros gramaticais e a escrita o lugar da norma e do bom uso. Tais afirmações são bastante, senão completamente, equivocadas.

Ao analisar a linguagem escrita e falada, nos deparamos com o fato incontestável de que estes dois tipos de linguagens apresentam diferenças relacionadas as condições para que sejam produzidas. Entretanto, há determinadas características de outros tipos que as tornam específicas da língua.

Identificamos tais particularidades em elementos exclusivos de cada uma, podendo citar como exemplo a gesticulação, fator exclusivo da linguagem oral, ou até mesmo reescrever um texto, possível através da linguagem escrita.

Contexto, interação, inovação, são alguns fatores correspondentes às diferenças existentes entre a linguagem escrita e a linguagem oral. Estes tipos de linguagem passam por processos de construção diferentes e consequentemente, as pessoas não escrevem da mesma forma que falam.

Segundo Ataliba Teixeira de Castilho: A língua oral se constitui num excelente ponto de partida para o desenvolvimento das reflexões sobre a língua, por se tratar de um

 


9     fenômeno mais próximo do educando, e por entreter com a língua escrita interessantes relações [...] (1990, p.110)

Vivemos em uma sociedade onde, mesmo que a escrita tenha surgido consideravelmente cedo e sempre muito utilizada, falamos mais que escrevemos, contrapondo-se assim, a Bloomfield, que acredita que a linguagem escrita é a reprodução da linguagem oral. E este já é um grande ponto de partida para mostrar que as pessoas não escrevem do mesmo modo que falam. A análise da relação entre fala e escrita nos mostra, de uma modo bastante direto, o dinamismo da língua em funcionamento.

1.1 Linguagem oral

A linguagem oral está sempre presente na música, em uma simples conversa na fila do banco, em um discurso, em diversos momentos do nosso dia-a-dia. E é através da oralidade que traçamos uma comunicação, a interação com o social. Ela é resultante da vontade do emissor passar uma mensagem ao receptor, onde um tem contato com o outro, sendo, de certa forma, redundante e fragmentada.

Juntamente da linguagem falada, surgem os gestos, sinais e acompanhado da linguagem corporal, como a gesticulação, o que é um fator particular, senão exclusivo, deste tipo de linguagem, os quais dão mais intensidade ao modo de expressar-se, além da facilidade de comunicação, quando bem utilizados. E é por intermédio da linguagem oral que formulamos e comunicamos ideias, pensamentos e intenções, muitas vezes procurando influenciar outra pessoa.

 


10     Uma outra característica desta modalidade seria a não consulta de materiais, outros textos, de maneira imediata, para que possam ser agregadas novas informações à interação face-a-face que está sendo produzida.

Outro fator exclusivo seria controlar a comunicação, corrigir informações rapidamente, senão instantaneamente, caso o interlocutor não compreenda da forma que o emissor gostaria que a mensagem fosse entendida. Assim, como o emissor pode se corrigir, também pode ser corrigido, existindo, desta forma, a cooperação dos participantes na comunicação, o que facilita a produção discursiva. E neste viés, na relação entre emissor e receptor, ocorre a economia das formas, ou seja, a simplicidade de termos, preposições e teorias, se trouxermos tal ação para a realidade do estudo da língua portuguesa, são frases simples, onde se faz pouco uso das subordinadas.

Podemos destacar também, que o nível vocabular da fala é diferente quando comparado à escrita. Os tópicos utilizados são os mesmo, o que pode ser mudado é o fato de ser formal ou coloquial.

Um outro fator incontestável presente na fala é a repetição de termos. Este fator não condiz com o fato da pessoa não conhecer outras palavras e/ou sinônimos, mas sim, pelo fator da eloquência.

1.2 Linguagem escrita

A escrita, assim como o signo, tem caráter arbitrário relacionado ao traçado gráfico. Além disso, é produzida pela mão e reconhecida pelos olhos. É uma atividade solitária, de caráter individual, onde demora um longo período de tempo para ser produzida e planejada, e é necessário total envolvimento do escritor.  


11    

Em contrapartida com a linguagem falada, a exposição escrita possui regras gramaticais para que a comunicação seja eficiente, clara e concisa, tais fatores são de grande importância. A falta ou excesso de elementos pode acarretar em erros ou o não entendimento da mensagem. Escrever bem exige uma boa técnica, dependendo também, do modo de expressar-se em seu cotidiano, mas de certa forma, exigindo um menor grau do bem falar.

Na produção de um texto, o escritor pode fazer uso de consulta à outros materiais para agregar valor à obra produzida, deixando mais rica em informações.

Por ser uma forma de comunicação onde o emissor e o receptor estão longes um do outro, muita das vezes desconhecidos, é indispensável que o texto seja objetivo e conciso. Quando não há a compreensão na informação que deveria ter sido transmitida e recebida, o emissor não possui nenhum meio para retificar-se.

Para que o texto possa ser produzido de uma forma correta, há uma lento processo de produção, porque o produtor do texto escrito não goza das gesticulações e expressões faciais que a linguagem oral possui. Assim, a responsabilidade de um escritor é muito maior, pois ele não possui pessoas para contribuir em sua expressão escrita.

Dentro deste tipo de linguagem, há uma grande abrangência sintática, ou seja, há períodos compostos por subordinação. Portanto, foge da fragmentação presente na linguagem oral.

Já o vocabulário utilizado para a modalidade escrita é bastante centrado e essencialmente variado. Mas isto não quer dizer que será sempre uma linguagem formal, pois, dependendo da intensão do escritor, ele pode sim inserir um ‘aí’, termo  


12     utilizado, geralmente, na linguagem oral. Podemos nos arriscar a dizer que um vocabulário mais formal, sendo caracterizado pelo coloquial seja uma característica da comunicação produzida através da escrita, mas distinguir estas três modalidades é complexo, pois as mesmas podem ser utilizadas em outros tipos de linguagens.

Outro processo existente na escrita é a busca para evitar repetições, tanto nas estruturas como nas palavras, e este é um dos motivos que vemos sinônimos e diversos sintagmas modificados.

1.3 Língua escrita e língua falada: sua separação

Os primeiros gramáticos e pensadores concluíram que a língua falada é espontânea, sem nenhuma regra, considerando-a desta forma, caótica. Levando em consideração que somente a língua escrita merecia ter uma atenção maior voltada para ela, chegando a conclusão de que a língua escrita poderia servir como um modelo do uso correto.

Segundo os PCNS (1998): […] a escola deverá organizar um conjunto de atividades que possibilitem ao aluno desenvolver o domínio da expressão oral e escrita em situações de uso público da linguagem, levando em conta a situação de produção social e material do texto (lugar social do locutor em relação ao(s) destinatário(s); destinatário(s) e seu lugar social; finalidade ou intenção do autor; tempo e lugar material da produção e do suporte)(…) (p. 49)

O trabalho com ambos tipos de linguagem são importantes para a formação do sujeito, para interação com as pessoas, na construção do pensamento e

 


13     conhecimento. Afirmamos então, que ambos tipos de linguagem são importantes e sua separação apenas dificulta sua visualização, pois as duas são interdependentes.

1.4 Linguagem oral X Linguagem escrita

Através das características apresentadas, percebemos que fala e escrita são duas modalidades estanques, agindo de maneira bastante diferente e é onde o usuário da própria língua possa utilizar da maneira que expresse da melhor forma suas experiências. Ambas linguagens apresentam diferenças desde sua maneira de aquisição, passando pelo modo que é recebida, até mesmo como as estruturas são formadas.

A observância da língua falada e escrita é feita através da leitura ou na produção, o falar. Em alguns momentos, muitas pessoas têm dificuldade de dizer se determinada produção é falada ou escrita. Como exemplo, uma notícia de jornal televisivo, ela é proveniente de um jornal escrito, neste momento ocorre a oralização da escrita, ou seja, ela continua sendo escrita, apenas foi lida, isso não a torna uma língua oral.

Identificar fenômenos formais na oralidade e na escrita é impossível, pois tal termo está presente em ambas. Não existe nenhuma linha tênue, muito menos uma técnica para traçar de uma forma taxativa a modalidade escrita e a oral. Não há um verbo, um pronome, que seja exclusivo da oralidade ou da escrita, tais diferenças são estanques, entrelaçadas.

A produção da fala e seu reconhecimento são processos rápidos, senão instantâneos, já na escrita, o desenvolvimento do texto ocorre em um momento e sua leitura em outro, há uma grande distância temporal entre estes momentos. Na  


14     escrita está presente aquilo que o autor deseja, o que quer dentro de sua produção, pura e simplesmente, já dentro da fala, há uma interferência muito grande de ideias e acúmulo de informações.

Sendo a modalidade oral e a escrita muito próximas, não podemos dizer que esta relação é simplesmente dicotômica, mas há um viés que é possível perceber a dicotomia traçada entre elas. E este viés é onde a escrita manifesta-se, através dela, já mencionado anteriormente, a qual não possui um padrão para a mesma, e a fala pelo som, este fenômeno não diz respeito à nenhum fenômeno ligado à linguística, mas sim à determinados aspectos que são recebidos, rapidamente e duradouro, respectivamente, fala e escrita. Remetendo-nos aos aspectos da propriedade que cada modalidade possui, existem a entoação, as pausas e muitos outros detalhes dentro da fala, contrapondo-se à escrita, que necessita de “artifícios”, como pontuações para buscar a representação ideal do modo de falar. Mas o maior efeito relacionado à esta diferença, seria em relação à grafia de alguns sons. Muitos símbolos podem representar um mesmo som. Como nestes exemplos: cessão – sessão – seção dentre outros.

Enquanto uma está frente-a-frente ao receptor, na língua falada, podendo assim, ter acesso ao modo como o interlocutor possa reagir imediatamente, já na língua escrita, não há esta possibilidade, uma vez que a relação entre emissor e receptor, neste caso, seja distante.

A fala e a língua variam bastante e a sociolinguística veio para explicar a fala, já a escrita, é pouco observada, levando em consideração que desde os primórdios a escrita é considerada homogênea e estável. Há apenas uma exceção relacionada à grafia pois não há um padrão determinado para a forma de escrever. A norma está no campo da fala, a qual possui normas e ultrapassa os fatores regionais (variações), já na fala, podemos perceber de maneira notável que existe uma variação de região para região. Muitos professores e escolas preocupam-se apenas com a norma, tratando a língua escrita como padrão e excluindo a variação que  


15     pode ser apresentada, podemos afirmar até mesmo que tal atitude seja uma tradição cultural, já que muitas pessoas preocupam-se apenas com as normas, o modelo. E caminhando lado a lado, podemos identificar que traçar uma norma para a fala, assim como na escrita, seria algo impossível, visto que poderíamos nos deparar com as variações regionais existentes de norte a sul. A relação norma/uso são fatores que podem aumentar ou diminuir diferenças entre escrita e fala.

A fala é produzida em tempo real, já a escrita é produzida em um tempo maior comparado com a fala. Entretanto, devemos nos atentar para a existência da escrita em tempo real dentro de bate-papos, até mesmo envio de recados através da internet.

 


16     2. INTERNETÊS – A LINGUAGEM DA INTERNET

Ao nos depararmos com os séculos XX e XXI, percebemos uma enorme aceleração no processo de globalização, podemos até mesmo afirmar que os feitos presenciados foram uma enorme revolução tecnológica, onde revolução é sinônimo de mudanças e neste caso, mudanças de comportamento.

Hoje, com o aumento de pessoas que têm acesso à internet, o modo de comunicar-se mudou significativamente

Assim, na visão de Soares (1997), podemos afirmar que: O maior instrumento da globalização cultural na sociedade tecnológica tem sido certamente o conjunto das redes de comunicação de massa. A abrangência, extensão e eficácia dessas redes estão na raiz das maiores transformações na virada do século. A redução deste planeta a uma aldeia produziu uma verdadeira revolução espaço-temporal.

E é diante de tal realidade, podemos perceber que além do surgimento de novidades tecnológicas, temos também a influência que elas podem nos proporcionar. Tal influência é perceptível em um país como o Brasil, onde aderimos facilmente à novas tecnologias e estamos sempre abertos à comunicação. O mais notável nesta geração é o fim da separação entre o mundo real e o virtual. Um diálogo por mensagem instantânea é hoje tão intenso quanto um encontro cara a cara e, muitas vezes, até mais íntimo. É uma realidade sem volta. (Revista Veja - 2007)

 


17     É perceptível que a internet abriu uma porta imensa para que as pessoas tenham acesso à informação, mas há também a problemática de termos 75% da nossa população na faixa etária de 15 à 64 anos que são analfabetos funcionais.

No Brasil, há um abismo entre os não-alfabetizados que só tendem a aumentar. Algumas pessoas não conseguem ler simples recados e é assim, que ambientes virtuais tornam-se severos vilões, onde o analfabetismo é propício à aumentar,

principalmente

quando

começa-se

a

conhecer

uma

forma

de

comunicação mais abreviada, mais ágil e curta.

Há uma revolução presente e em andamento nos dias atuais, pois a forma abreviada e mais ágil, felizmente ou infelizmente, veio para ficar. Quando crianças em fase de alfabetização a conhecem, pode tornar-se extremamente prejudicial para seu aprendizado. A busca por formas mais rápidas de contato e a “proximidade” entre as pessoas são questões atrativas que estimulam o hábito de utilizar expressões ligeiras e mais funcionais, é assim que a linguagem vem ficando mais simplificada e a palavras veem perdendo suas vogais, principalmente.

Seria, até mesmo, considerado estranho, se os interlocutores de uma comunicação virtual, como o bate-papo, utilizassem uma linguagem mais rebuscada, como as apresentadas pela norma padrão, uma vez que este tipo de comunicação necessite da agilidade de quem escreve.

Percebemos através do esquema criado por Shannon e Weaver que a comunicação ocorre quando o emissor, através de um canal, envia uma mensagem para o receptor, sem ruídos e quando há o feedback, em outras palavras, existe a comunicação a partir do momento em que a mensagem é compreensível e útil para um determinado grupo, através de um código.

 


18     Comunicação é o processo de interação social democrática baseado no intercâmbio de símbolos, os quais os seres humanos compartilham voluntariamente suas experiências sobre condições de acesso livre e igualitário, diálogo e participação. (Beltrán, 1981, p.31)

2.1 Características da linguagem virtual

A língua é um sistema coletivo, utilizado como meio de comunicação entre membros de uma comunidade, percebemos também que sofre mudanças constantemente. Entretanto, esta afirmativa merece uma atenção especial, já que a língua sofre mudanças e alterações mais rapidamente na modalidade oral, enquanto na escrita é mais conservada.

Os novos meios de comunicação que surgiram junto com a internet trouxeram a multimidialidade. Apesar da multimidialidade antigamente ser presente em simples vídeos e na televisão, hoje, podemos observá-la nas redes sociais, nos chats e nos demais modos de interação virtual, onde, uma vez pode transforma um simples espectador em um indivíduo usuário deste produto.

A internet exige maior eficiência no modo de conversação dentro dos famosos “chats”, blogs e mensagens instantâneas, os quais são conversas que ocorrem em tempo real, com duas ou mais pessoas interagindo, conectadas. O modo de escrever na internet busca transcrever a oralidade, ou seja, o receptor e/ou o emissor escrevem da mesma forma que falam, também é caracterizado por simplificações das palavras, abreviações e perda de acentos.

Além dos elementos citados anteriormente como a abreviação, surgiu também uma grande variação de “emoticons”. Apesar de terem surgidos por volta de  


19     1982, com Scott Fahlmann, definindo o símbolo “:-)” para assuntos cômicos e o “:-(“ para assuntos sérios, deduzimos desta forma, que foram elaborados para expressar sentimentos, visto que não é possível a visualização de gestos e sons através dos textos produzidos online. Podemos afirmar que o desenvolvimento de tais elementos gráficos demonstram uma grande criatividade dos usuários do mesmo, de uma forma irreverente e informal. A linguagem usada é livre e nos envolve em muitos fatores paralinguísticos, os quais não estão presentes em diversos gêneros textuais.

Na “rede” todos participam, ou seja, todos somos emissores e receptores simultaneamente, diferenciando assim dos meios de comunicação antigamente considerados convencionais como a televisão e o rádio, os quais são mais restritos e não há possibilidade de interferência e nem de outras opiniões. Com a participação de mais pessoas, há a possibilidade de transformar as formas de linguagem existentes, o que descentraliza o poder e as massas passam a criar coisas novas e modificar o que já existe, isto no âmbito da linguagem.

Como exemplo relacionado às abreviações, “emoticons e afins, retiramos uma postagem de um mini blog do site Limao.com.br.

Haddyson e Peda estão se comunicando. No caso, houve a supressão das palavras “com” e “certeza”, transformando-a na forma em que a pronunciamos oralmente. Há também, na palavra “quiser”, a troca da letra “s” pela letra “z”, visto que possuem sons parecidos quando estão entre vogais. Ao invés de “vai dar”, nosso querido amigo Haddysson usou a expressão “dá”, o que mais uma vez nos mostra a oralização de forma escrita. E para expressar sua raiva ou indignação, usou o emoticon “- -‘ “, o qual traz uma marca do sentimento presente em sua frase.  


20    

Como mencionado anteriormente, existem também, os programas para mensagens instantâneas como o MSN, o qual caiu no gosto não somente dos adolescentes, mas também dos adultos.

No diálogo apresentado acima entre duas pessoas, o Gleicou e a Thaís, percebemos o intenso uso das ferramentas para uma comunicação virtual eficiente. Identificamos palavras abreviadas como “q”, “vc” e “pq”, correspondente, respectivamente a “que”, “você” e “porque”. Outra marca dos diálogos online seria o “kkk” e o “rsrs”, correspondente à risos. Já os emoticons aqui tomaram forma, mas são, de qualquer forma, símbolos correspondentes à combinações de pontos, dois  


21     pontos, vírgulas, etc. Já as expressões “Haaaaaaaa” e “noooosa”, demonstram surpresa diante de um determinado assunto, através da excessividade de sinais gráficos. Já em “sei la”, “so” e “to, há a omissão de acento agudo.

2.2 Substituição de letras e acentos gráficos

Em diversos momentos, nos exemplos anteriores, vimos a omissão de acentos gráficos e a supressão de letras. Isto ocorre de uma forma tão natural que o emissor da conversa muitas vezes não percebe, uma vez que a escrita utilizada configura-se do mesmo modo que falamos.

Podemos citar outros exemplos como: -

Axu (ANEXO A): Aqui, as consoantes “CH”, que segue uma grafia de

acordo com norma padrão, é substituída por “X”. E a letra “O”, substituída pela letras “U”, perceba neste caso que a substituição de uma vogal por outra baseia-se na oralidade da pronúncia. -

Tomemos as palavras “estamu” e “começandu” (ANEXO B). Nestes

dois exemplos, fica evidente que ocorreu a substituição de duas vogais, por vogais equivalentes. -

Já em “eh” e “naum” (ANEXO C), houve a substituição de acentos, por

letras. Podemos identificar então que é mais viável, rápido e prático inserir uma letra a que um acento. -

Através de análises, vemos que o dígrafo “QU” é muitas vezes

substituído pela letra “K” ou simplesmente suprimido o “U”, utilizando apenas a letra “Q”. Então ao invés de ser grafado “aqui” é “aqi” (ANEXO D) ou “aki” (ANEXO E). Vemos então, neste caso, que é normal o uso de uma forma mais simples da grafia.  


22    

-

Palavras como “presenti” e “di” (ANEXO F), vemos que a letra “E” foi

substituída pela letra “I”. Isto afirma ainda mais a influência da oralidade no “internetês”.

2.3 O internetês e seu uso fora da rede

A internet veio para mudar a forma como as pessoas se comunicam, tanto jovens como adultos, mas isto, de uma forma direta, diferencia no modo de escrever no dia-a-dia, influenciando até mesmo na alfabetização. E esta é uma questão que preocupa pais e principalmente, professores, porque ao explorar estes ambientes virtuais, pode atrapalhar o aprendizado quando a questão é a norma padrão da língua portuguesa.

De acordo com pesquisas realizadas, vemos que muitas alunos utilizam este tipo de linguagem fora do meio virtual, o que pode lhes trazer constrangimento. Já que a linguagem online é muito mais eficiente e rápida para a comunicação, nossos jovens acabam se importando mais com a efetivação da comunicação ao invés do português correto.

Percebemos que a classe mais “afetada” por esta revolução na língua são as crianças e adolescentes, visto que não possuem tanta maturidade para discernir onde podem ou não utilizar a linguagem virtual.

Geralmente, quando não há o devido policiamento, as pessoas acabam esquecendo as regras aprendidas ou até mesmo as ignoram, já que hoje a maioria das pessoas, tanto nos chats, quanto no Facebook ou Orkut, acabam usando uma linguagem abreviada para conseguir comunicar-se mais rapidamente.  


23     3. INTERNET E SUA PROBLEMÁTICA

Assim como a sociedade sofre modificações, a linguagem que utilizamos em nosso dia-a-dia também, afinal a língua não é um sistema estático, é utilizada por diversas pessoas e por variados meios de comunicação.

O corpo docente, principalmente os professores, deve estar atento à mudanças e inovações presentes na sociedade, por isso, não podem ignorar a grande influência que o computador trouxe, especialmente a internet quando crianças, adolescentes e adultos entram em contato com a mesma.

Dentro das salas de aulas, professores queixam-se das produções escritas de seus alunos. E é com esta espécie de queixa que acusam expressões associadas à fala ou a linguagem virtual, o internetês. E é desta forma que a linguagem usada no meio virtual está no meio de profissionais da educação, desde os mais adeptos até os que resistem à essas diferenças, sem ao menos procurar entendê-las.

Vemos também, muito professores, como cita Mário Perini em Sofrendo a gramática (p. 50), que fazem “propaganda enganosa” quando diz que é necessário ensinar gramática para que o desempenho linguístico dos alunos seja aprimorado: Quando justificamos o ensino de gramática dizendo que é para que os alunos venham a escrever (ou ler, ou falar) melhor, estamos prometendo uma mercadoria que não podemos entregar. Os alunos percebem isso com bastante clareza, embora talvez não o possam explicitar; e esse é um dos fatores do descrédito da disciplina entre eles. (1997)

Bagno diz em seu livro Preconceito linguístico, de forma contundente, para que servem as gramáticas e o motivo dela estar sendo modificada:  


24    

As gramáticas foram escritas precisamente para descrever e fixar como “regras” e “padrões” as manifestações linguísticas usadas espontaneamente pelos escritores considerados dignos de admiração, modelos a ser imitados. Ou seja, a gramática normativa é decorrência da língua, é subordinada a ela, dependente dela. Como a gramática, porém, passou a ser um instrumento de poder e de controle social, de exclusão cultural, surgiu essa concepção de que os falantes e escritores da língua é que precisam da gramática, como se ela fosse uma espécie de fonte mística invisível da qual emana a língua “bonita”, “correta” e “pura”. A língua passou a ser subordinada e dependente da gramática. O que não está na gramática normativa “não é português”. (1999, p. 80)

Tanto pais como todo o corpo docente devem encarar esta nova modalidade de escrita que é presente cada dia mais na vida de todos. Mas como fazer isto se contraria alguns conceitos que a sociedade e a escola já pré-estabeleceram?

As expressões utilizadas no meio virtual procuraram, de uma forma criativa, rápida e até mesmo póetica, traduzir o que o emissor tem a dizer. O mais importante é compreender frases e microtextos compartilhados no web, os quais podem ser comparados, a grosso modo, com textos estrangeiros. Ocorre assim uma tradução simultânea de como o texto é para a forma gramática padrão.

Aparentemente, parece ser este um princípio banal, mas podemos perceber uma recepção direta e concreta em relação entre a escrita e seu entendimento. E é a partir do momento que conhecemos e compreendemos tal código, podemos “decifrá-lo”, ou seja, as mensagem utilizadas na web são escritas, por assim dizer, através de um código estrangeiro. Podemos dizer também que trata-se de uma linguagem baseada em sua língua materna.

 


25     3.1 A internet e seus ambientes propícios para aprendizagem

O meio digital, além de ter uma enorme gama para pesquisas de diversos tipos e campos do conhecimento, proporciona, também, ambientes digitais que são propícios para aprendizagem dentro e fora das escolas.

Quando a criança, o adolescente ou até mesmo os adultos, possuem direcionamento de como podem usar a web como suporte para novas descobertas, criam um ambiente propício para um aprendizado significativo.

Segundo

Vygotsky

(1989),

aprendizagem,

a

qual

tem

um

papel

importantíssimo no desenvolvimento do saber e do desenvolvimento, e processo de ensino caminham juntos e estão intrinsecamente ligados. Ou seja, o uso da internet como meio educacional e de aprendizagem é pertinente e contribui para grandes mudanças.

Partindo deste pressuposto, onde há o auxílio de computadores na aprendizagem e pesquisas, podemos afirmar, tomando o âmbito escolar, nem os professores, muito menos a escola são fontes únicas de conhecimento e informações para a construção de conhecimentos significativos para os indivíduos.

A internet tem estabelecido um novo paradigma na relação entre professores e alunos. Desta forma, é correto afirmar que o internetês afetará apenas os alunos se não forem preparados e orientados para utilizar este tipo de linguagem em locais propícios como o MSN, o Facebook, dentre outros.

 


26     É importante que os professores e as instituições, ao invés de apenas criticar as novas tecnologias, pudessem abraça-las e fazer um ambiente propício para o aprendizado, análise e crítica sobre a linguagem da internet.

 


27     CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao longo do passar dos anos, vemos que é necessário desmitificar questões que são referentes à língua, mesmo que seja uma tarefa extremamente difícil. É importante analisar as diversas formas linguísticas pura e simples, ou seja, sem se importar com fatores geográficos, socioeconômicos ou étnicos, por estarmos presentes em uma sociedade que tem todos os tipos de variedades.

É importante que os educadores mostrem aos alunos, de uma forma bastante eficaz e propiciem um ambiente para isto seja reforçado, que a linguagem virtual não é um erro, mas é mais adequada ser utilizada no meio on-line. Sendo assim, necessário que professores de língua materna não discriminem, mas sim, orientem.

Podemos, desta forma, afirmar que o internetês não tem a capacidade ou força de transformar de deturpar a língua portuguesa. Este tipo de linguagem tem um grupo bem determinado e delimitado, o qual a é utilizada para trazer mais agilidade, facilidade e interação entre emissor e receptor.

Existem pessoas que acreditam ter o computador apenas como um objeto sem sentido ou valor, e acabam menosprezando a linguagem utilizada neste meio. Onde, na verdade, é o contrário, é um objeto, quando direcionado, apresenta uma enorme gama de informações, o qual pode transformar países e mundos, fazer com que pessoas de outros países comuniquem-se descobrindo novas culturas e novas amizades.

O tipo de linguagem decorrente deste novo instrumento, um sistema múltiplo, foi apenas uma consequência da rapidez e eficiência que ele apresenta e exige. Sabemos perfeitamente que é através da linguagem que o homem consegue  


28     estruturar e conquistar, mas basta entender e compreender as diferenças, mas o mais importante é dar direção e mostrar que o meio mais aceitável e fácil de utilizar o internetês é dentro da própria rede.

Assim como a comunidade surda possui sua linguagem de sinais, a comunidade cega utiliza o braile, por que não a comunidade da internet ter uma linguagem própria também? O internetês.

 


29     REFERÊNCIAS

BAGNO, Marcos. Nada na língua é por acaso: ciência e senso comum na educação em língua materna. Presença Pedagógica, UNB, setembro, 2006. ______________. Preconceito Linguístico. 50. Ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

BELTRÁN, Luis Ramiro. Adeus a Aristóteles: Comunicação Horizontal. In: Comunicação e Sociedade, São Paulo: Cortez Editora, 1981. CÂMARA JR. Joaquim Mattoso. Manual de Expressão Oral e Escrita. Petrópolis: Vozes, 1977. CASTILHO, A. T. de. "Português falado e ensino de gramática". Letras de Hoje, 1990. CHAFE, Wallace; DANIELEWICZ, Jane. Properties of speaking and written language. In: HOROWITZ, Rosalind; SAMUELS, S. Jay (eds.). Comprehending oral and written language. New York: Academic Press, 1987 CHAVES, Érica; LUZ, Lia. A nova civilização on-line, 2007. Disponível em: <http://veja.abril.com.br/especiais/tecnologia_2007/p_012.html>. Acesso em: 29 nov. 2011. IBOPE: 75% da população não sabe ler direito. Terra notícias, 8 set. 2005. Disponível em: < http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI659284-EI994,00Ibope+da+populacao+nao+sabe+ler+direito.html>. Acesso em: 10 nov. 2011.

 


30     MOURA, Rui Manuel. A Internet na Educação: Um Contributo para a Aprendizagem

Autodirigida.

Inovação,

11,

129-177.

Disponível

em

<http://members.tripod.com/RMoura/internetedu.htm>. Acesso em: 10 nov. 2011 PAES, Elen. Jovens admitem utilizar linguagem virtual fora dos ambientes virtuais, 2008. Disponível em: <http://www.nominuto.com/noticias/cidades/jovensadmitem-utilizar-linguagem-virtual-fora-dos-ambientes-virtuais/15343/>. Acesso em: 10 nov. 2011. PERINI, Mário A. Sofrendo a gramática. São Paulo, Ática, 1997 Saussure, Fernandi de. "Curso de Lingüística Geral". São Paulo, Cultrix, 1997. SOARES, D. A Globalização numa perspectiva sociocibernética, In: Revista Contracampo,

no1.

Mestrado

da

UFF, jul/dez/1997. Disponível em:

<http://www.compuland.com.br/delfim/cc2.htm>. Acesso em: 17 nov. 2011 VYGOTSKY, LEV S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. 3ª.ed. São Paulo: Martins Fontes, 1989. 168p. (Coleção Psicologia e Pedagogia. Nova Série).

 


31     ANEXOS

ANEXO A

ANEXO B

 


32     ANEXO C

ANEXO D

 


33     ANEXO E

ANEXO F

 


A linguagem da internet e a Língua Portuguesa