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Outubro Rosa

Mês de conscientização do câncer de mama Pág. 5

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Faculdade de Jornalismo - PUC-Campinas

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05 a 15 de outubro de 2014

70 anos de Chico Buarque, o eterno malandro brasileiro

ShutterStock

Desde 2006

Eugênio Sávio

ECONOMIA DE ÁGUA Entrevista com Gerente do PCJ, Andrea Borges, mostra situação crítica dos reservatórios de abastecimento Pág. 11

VIRACOPOS

A atriz Lucinha Lins fala com exclusividade ao Saiba+ sobre as homenagens ao artista que marcaram o ano de 2014 e trouxeram de volta grandes clássicos Pág. 6 e 7

Imprensa sofre com condições precárias no Ginásio Taquaral Jornalistas reclamam de problemas como forro caído, fios desencapados e mesas quebradas que compõem o cenário de trabalho dos profissionais Letícia Oliver

Pág. 9

Jovens estrangeiros fazem intercâmbio em Campinas

Moradores da região recebem estudantes de vários países que escolheram o Brasil como destino para atividades de aprendizado e turismo AIESEC - Campinas

Pág. 4

Aeroporto recebe 2,5 bi de investimento e reabre rotas de voos internacionais e expande área Pág. 3

240 ANOS Conheça a história do ex-prefeito Toninho, arquiteto do povo e modelo de administração em Campinas

Pág. 10

Alunas da PUC-Campinas são premiadas no Intercom 2014 na cidade de Foz do Iguaçu Pág. 12 Projetos sociais beneficiam crianças com ajuda do esporte e dão exemplo de cidadania Pág. 8


OPINIÃO

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Em outubro, o Saiba+ veste rosa

N

essa edição do Saiba +, buscamos encontrar e retratar histórias que estivessem ligadas à cidade de Campinas de diferentes formas. Os 240 anos da cidade têm um espaço importante no nosso jornal. Recuperamos momentos significativos para a cidade, como a volta dos voos internacionais no aeroporto de Viracopos. Também escrevemos sobre uma personalidade que marcou os campineiros e ajudou no desenvolvimento da cidade, o ex-prefeito Toninho. Conheça ações sociais que ajudam crianças e adolescentes, seja por meio do futebol ou do tênis. Mas não nos esquecemos do vôlei. Aqui os problemas de infraestrutura do ginásio do Taquaral estão associados ao time de vôlei Brasil Kirin, que disputou partidas no local e está em busca de um título inédito no campeonato. A falta de água tem sido outro problema constantemente abordado pela mídia. E para falar sobre o assunto, fizemos uma entrevista com a gerente técnica do Consórcio PCJ, Andrea Borges. A luta contra o câncer de mama e o Outubro Rosa trazem histórias de vida e dicas de autoexame. Além disso, discorremos sobre a diabetes e como a doença pode interferir na vida das pessoas. Contamos com um passeio turístico por Foz do Iguaçu feito por alguns dos universitários da PUC-Campinas. E por falar em universitários, o jornal traz uma reportagem contando um pouco mais sobre a experiência de intercambistas no Brasil. E, por fim, a reportagem especial nos leva para a trajetória de um artista que conquistou não só os amantes da MPB, mas também os fãs da boa literatura.

Ponto de Vista

A geração dos egoístas Laiz Marques

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obre política. E assim começo para que os leitores não se digam enganados acerca do assunto e desfilem comentários relacionados à inutilidade de se falar de política, ou ainda melhor, se utilizem da velha frase “política não se discute”. A verdade é que no decorrer desses meus 20 anos, dos quais só me lembro dos últimos 12 no “meio político”, me deparei com muitos jovens que se dizem ofendidos ou até mesmo indignados por receberem propostas dos políticos em suas redes sociais, mais até do que os panfletos deixados nas caixas de correio durante a madrugada. E não por isso, mas também por uma questão de orgulho ou

Não há um momento certo para que os pais comecem a explicar aos seus filhos a importância de dar a sua opinião talvez dignidade, se limitam a dizer que votarão em branco. E aqui a minha crítica se estende, então, a todos esses jovens que raramente vejo frequentarem os comícios dos candidatos de suas cidades, e também àqueles que votam em branco ou nulo em protesto, sem entender que os políticos serão eleitos com ou sem a ajuda deles. De acordo com dados estatísticos do Tribunal Supe-

rior Eleitoral (TSE), apenas 480 mil adolescentes de 16 anos se preocupam em se expressar nas urnas; número que aumenta quando o voto é obrigatório, aos 18, com uma margem de pelo menos 7 milhões de pessoas. Mas o interessante ainda é que a geração que mais se prontifica a ir às urnas está acima dos 45 anos, ou mesmo poderia se dizer, os pais desses mesmos jovens que se recusam a dar sua opinião. Não há um momento certo para que os pais comecem a explicar aos seus filhos a importância de dar a sua opinião por meio do voto. Não há mais lembranças de uma ditadura que calou milhares de vozes e só há pouco tempo – sem nos esquecermos do coronelismo – essas mesmas vozes reconquistaram o

direito de serem ouvidas. A dura realidade dos fatos aponta para uma geração descomprometida com o futuro do país como um todo, e focada somente em seus próprios interesses, sejam eles concretos ou apenas vestidos de ideais que estufam o peito e enchem a boca, como nos dias em que o gigante adormecido acordou. Foi quando 1 milhão de pessoas saíram às ruas em 13 capitais do país que os governantes se viram diante da força que tem um povo unido. E mais do que isso, tiveram medo de confrontá-lo. Mas pouco mais de um ano depois da “Revolta dos 20 centavos”, as taxas voltaram a subir e ninguém reclamou. O momento passou. E foi o flashmob mais comentado da história dessa geração de egoístas.

Crônica

Esse surrealismo que é a vida Marina Zanaki

E

lias estava com pressa para tomar banho pois já estava atrasado para encontrar-se com o amigo, com quem iria sair para tomar umas cervejas, jogar bilhar e talvez conseguir algum número de telefone. Já passava um pouco das 8 da noite quando, chegando em casa cansado do trabalho de auxiliar de serviços gerais, conseguiu entrar no banheiro anexo ao quarto para realizar suas necessidades básicas e, na sequência, tomar uma boa chuveirada. Foi nesse exato momento em que o pensamento do mais humilde dos homens atinge o pensar filosófico (o cérebro estimulado possivelmente com o odor que carrega lembranças da mais tenra infância) que sua visão de mundo mudou de perspectiva, como num filme

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Editorial

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que tem um plot twist. A partir desse momento, os 20 anos que Elias já tinha vivido passariam a fazer parte daquilo que ele chamaria de antesdaquilo-acontecer. Um boi caiu dentro da sua casa. 450 quilos distribuídos em pele, gordura, ossos & órgãos encurralaram-no dentro do banheiro. Surpreendido pela bizarra visão e as-

sustado com as chifradas do animal que podiam destruir tudo aquilo que ele chamava de lar – incluindo nisso paredes, móveis, objetos e pessoas – o pobre Elias nada pôde fazer durante as 7 horas que se seguiram até o resgate do animal, apenas subir as calças. Se o autor dessa história fosse Buñuel, ela provavelmente terminaria com uma

chuva de bois ou formigas saindo da pele do animal – ou quem sabe uma mistura dos dois. Já se ela tivesse saído da mente de Cortázar, talvez Elias ficasse mais e mais encurralado dentro do banheiro, até ser sugado pelo ralo, lamentando profundamente sua má sorte por perder uma boa cervejada. Como essa história foi escrita pela vida, o boi foi removido com sucesso, levado para o sítio de onde tinha fugido horas antes para correr por dois quilômetros em busca da liberdade, acabar despencando por uma ladeira, e caindo no telhado da casa de Elias, em Sumaré. E o que você tem não é um filme surrealista ou um conto do realismo fantástico, mas uma matéria no jornal – no máximo uma crônica, pra enfeitar.

Jornal laboratório produzido por alunos da Faculdade de Jornalismo da PUC-Campinas - Centro de Comunicação e Linguagem (CLC): Diretor: Rogério Bazi Diretora-Adjunta: Cláudia de Cillo Diretor da Faculdade: Lindolfo Alexandre de Souza Professor responsável: Luiz Roberto Saviani Rey (MTB 13.254).

Editora-chefe: Laiz Marques Editor: Willian Sousa Diagramação: Priscila Marques Tiragem: 2 mil - Impressão: Gráfica e Editora Z


240 ANOS - CAMPINAS

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3 Glener Uehara

Viracopos se prepara para retornar ao auge dos voos internacionais

Maioria das rotas começará a operar no Novo Terminal, voos semanais para fora do país vão saltar de 5 para 38 Vinicius Ribeiro

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Lufthansa e Pan Am. Com a inauguração do Aeroporto de Guarulhos, em 1985, Viracopos começou a perder a frequência desses movimentos, mesmo sendo um aeroporto historicamente com melhores condições climáticas para pousos e decolagens. Neste período, o aeroporto passou a se desenvolver como um dos principais de cargas do país. Na época, famílias o visitavam para passar a tarde observando o fluxo das aeronaves. “Quando eu era criança, uma das principais diversões da família era ir ao Aeroporto de Viracopos aos domingos e ficar observando as aeronaves pousarem e decolarem. Trata-se de uma Edis Cruz

uarenta anos depois de Campinas viver o final da era de voos internacionais a partir de Viracopos, o aeroporto se prepara para retomar as rotas frequentes para outros países. Prova disso é o salto no número de decolagens comerciais que entrarão em operação a partir de dezembro deste ano: dos cinco voos internacionais por semana atualmente para 38. Será um total de sete rotas, operadas por cinco companhias aéreas. Nas décadas de 1960, 1970 e até meados dos anos 80, o aeroporto era a principal rota internacional de companhias como Air France, Alitália, VARIG,

Willlian Sousa

A seleção da Costa do Marfim foi a primeira a desembarcar no Pier A do Novo Aeroporto de Viracopos, em junho passado

memória afetiva de todos os campineiros. Com certeza, será um avanço para a cidade voltar a ser um dos centros de rotas internacionais”, disse o comerciante José Amaro Lousada.

Quando eu era criança, uma das principais diversões da família era ir ao Aeroporto de Viracopos José Amaro Lousada

Novas rotas No início do ano, o único voo internacional de passageiros de Viracopos era operado pela TAP com destino a Lisboa, três vezes por semana. Em julho, a Gol começou a operar três voos semanais de Viracopos para Miami (EUA), com escala em Santo Domingo, capital da República Dominicana. A partir de outubro, a empresa ampliará a frequência para quatro voos semanais para Miami. Até o final do ano serão dois voos diários da Azul, com destino a Miami (Fort Lauderdale) e Orlando, nos Estados Unidos. A Copa Airlines terá decolagens com destino à Cidade do Panamá. A empresa

possui no país um Centro de Conexões das Américas, com partida de voos para diversos aeroportos das Américas do Norte, Central, Sul e Caribe. Já a American Airlines anunciou dois voos para os EUA, um diário com destino a Miami e outro três vezes por semana para Nova Iorque. “Continuamos negociando e em breve anunciaremos novas rotas internacionais para Viracopos”, destaca o diretor comercial da Aeroportos Brasil Viracopos, Aluízio Margarido. A retomada das rotas internacionais a partir de Viracopos não deve parar em dezembro. O aeroporto negocia com diversas companhias aéreas voos

também para os continentes asiático e europeu, além de países da América do Sul. Novo terminal Até o final do ano todos os voos internacionais estarão operando no Novo Terminal de Passageiros de Viracopos. A entrega do novo aeroporto começou no mês de junho, com a utilização do Píer A (internacional) por sete delegações estrangeiras que disputaram a Copa do Mundo. A primeira seleção a desembarcar no novo aeroporto foi a da Costa do Marfim, no dia 6 de junho. Também foram inaugurados os novos três pátios de aeronaves e parte do novo edifício-garagem.


CIDADE

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Famílias de Campinas abrem as portas para estadia de intercambistas

Anfitriões afirmam que experiência em receber estrangeiro é enriquecedora e constrói laços familiares AIESEC Campinas

Jeferson Batista

podem oferecer um quarto com conforto até jovens que moram sozinhos e disponibilizam apenas um colchão”, conta Brenda. Neste ano, a AIESECCampinas recebeu 22 estrangeiros. De acordo com Brenda, existem pessoas dispostas a receber intercambistas, mas é preciso fazer uma grande divulgação. “Sempre estamos anunciando e procurando voluntários para viver essa experiência”.

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professora de ballet, Maria Fernanda Olmos Morandi, conta: “Eu e minha família aprendemos a conviver com o diferente, uma cultura desconhecida, religiões e línguas estranhas às nossas”. Nos últimos anos, ela e o marido, através do programa de High School (Ensino Médio) do Rotary Club, receberam estudantes da Nova Zelândia, África do Sul, Argentina, Canadá, México, Eslováquia e Estados Unidos, totalizando sete estrangeiros. Já o universitário Paulo Silva hospedou um intercambista mexicano, que veio para o Brasil participar de um dos programas oferecidos pela AIESEC, instituição de voluntários promotora de mobilidade internacional. “Foi um desafio, moro numa kitnet com um amigo, mas, apesar do espaço pequeno foi muito bom. Praticamente fizemos

Estudantes estrangeiros e seus hosts em evento da AIESEC Campinas

um intercâmbio dentro da minha casa”, afirma Paulo. O estudante mexicano, Enrique Barrera, que ficou na casa de Paulo, conta que ter ficado na casa de jovens lhe proporcionou uma experiência que não teria em outro tipo de hospedagem. “Morar com universitários

no Brasil foi a melhor coisa, pois conheci a rotina de um estudante brasileiro e como eles pensam a respeito do seu governo e sobre questões mundiais, além de ter feito uma imersão na cultura local”, afirma. Segundo a coordenadora da AIESEC Campinas,

Brenda Hada, para ser host family (família hospedeira) pela instituição, a pessoa precisa oferecer um espaço para o intercambista descansar, um lugar para preparação de seu alimento e o acesso à internet. “Nossos hosts são os mais diversos, desde famílias que

Laços que permanecem Enrique mantém contato com seus hosts pela internet, ele afirma ter estabelecido uma grande amizade com seus acolhedores: “Parece que já éramos amigos há anos”. Já a anfitriã campineira Maria Fernanda, diz que os intercambistas se tornaram membros de sua família: “Aprendi a amá-los como filhos, estarão sempre na minha vida”.

Correndo para reduzir índices de diabetes Estudante mantém rotina de equilíbrio alimentar e exercícios como forma de controle da doença

Danilo Leone

Danilo Leone

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Gabriela separa toda a refeição que fará no dia, logo pela manhã

IDF (Federação Internacional de Diabetes), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), publicou um estudo sobre o Brasil ocupar a quarta colocação entre os dez países com maior incidência de diabetes no mundo, se igualando aos Estados Unidos, que vive uma epidemia de obesidade. O estudo aponta também que quase 10% da população dos dois países têm diabetes (9,2%). O principal fator do aumento dos índices é o crescimento dos diagnósticos em jovens. Trabalho, faculdade, curso, encontro com amigos. A rotina do jovem nos dias de hoje está cada vez mais corrida. Com isso, a alimentação fica prejudicada. A Dra. Marlene Merino Alvarez, Coordenadora do Departamento de Nutrição da Sociedade Brasileira de Diabetes, explica que essa rotina corrida e

o sedentarismo, aliados à má alimentação, promovem o aparecimento de alterações metabólicas como a diabetes. Não manter uma regularidade entre os intervalos das alimentações e o baixo consumo de frutas e verduras também é prejudicial.

Eu me sentia muito cansada, ofegante e sem ânimo Gabriela Torres Silva

Adepta de uma rotina acelerada, Gabriela Torres Silva trabalha e estuda. Com diabetes desde a infância, a estudante de educação física procura manter uma dieta alimentar regrada, comendo de três em três horas e diminuindo os carboidratos, trocando-os por integrais e complexos. Além disso, Gabriela consome mais fibras, presentes nas frutas, verdu-

ras e legumes, e elimina o açúcar de sua alimentação, seguindo assim uma dieta de baixo índice glicêmico. Gabriela ainda tem que achar um horário na agenda para poder malhar. “O nível da minha glicose diminuiu, não estou mais tendo picos de hiperglicemia, estou mais disposta e menos fraca. Perdi peso e os exercícios físicos foram os que mais contribuíram para o controle”. Para Dra. Marlene, a dieta associada aos exercícios físicos, além de dar maior disposição ao praticante, ajuda no controle da glicemia. “A orientação nutricional para diabetes é capaz de reduzir os valores da hemoglobina glicada (teor que mostra uma média das concentrações de hemoglobina), em até 2%, dependendo do tipo e duração da diabetes. O mau controle da glicemia pode levar a alterações na visão, nos rins, na circulação dos membros inferiores, e outros”, afirma.


5 de outubro de 2014

SAÚDE

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Outubro Rosa: mês de conscientização e prevenção do câncer de mama

ONGs promovem campanhas para alertar a população sobre importância do diagnóstico precoce da doença Priscila Marques

Rafaella Cassia

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Outubro Rosa O mês de outubro consolidou-se no mundo inteiro como o período do ano mais importante para conscientizar a população sobre os perigos e riscos da doença e incentivar a prevenção e a realização de exames frequentemente, a fim de ter um diagnóstico precoce e combater a doença. As primeiras iniciativas surgiram nos Estados Unidos. O nome Outubro Rosa faz referência à cor que simboliza, no mundo todo, a luta contra o câncer de mama. A campanha chegou ao Brasil em 2008, por meio

Rafaela Cassia

Símbolo da luta contra o câncer de mama, o laço rosa é distribuído gratuitamente durante campanhas de prevenção

Voluntários da ONG Movimento Campinas Rosa Priscila Marques

câncer de mama é o segundo tipo de câncer com maior incidência em todo o mundo e o primeiro entre as mulheres, representando 22% dos novos casos a cada ano, de acordo com estimativas do INCA (Instituto Nacional de Câncer), sendo mais frequente naquelas acima de 40 anos. Os homens também podem desenvolver a doença, mas representam apenas 1% dos casos brasileiros, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Mastologia. Em 2014, já foram confirmados aproximadamente 60 mil novos casos no Brasil, segundo dados do INCA. O quanto antes a doença for identificada, as chances de cura são maiores. Para o diagnóstico precoce, é necessário realizar exames regularmente. As mulheres com mais de 40 anos devem realizar a mamografia pelo menos uma vez ao ano e o auto-exame pode e deve ser realizado por mulheres de todas as idades. São vários fatores que aumentam o risco de desenvolver o câncer de mama e as mulheres devem estar atentas a eles: primeira menstruação muito cedo, primeira gravidez e amamentação após os 30 anos, hábitos de vida (fumo, álcool, sedentarismo etc.), histórico de câncer na família e menopausa tardia.

de uma iniciativa da Femama (Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama) e dura até os dias de hoje. Um dos fortes da iniciativa é a iluminação na cor rosa de prédios e monumentos importantes de cada cidade que adere ao movimento. Campinas Rosa O diagnóstico do câncer de mama é muito difícil de ser recebido, como conta a pediatra e diretora do Movimento Campinas Rosa, Maria Ângela. A ideia de criar a ONG (Organização Não Governamental) veio junto com a doença, em 2010, quando reparou no sofrimento das mulheres nas salas de espera das clínicas. “Era um sofrimento muito grande, às vezes eu achava mais desproporcional do que realmente é (ser portadora da doença)”, explica. Para Maria Ângela, a maior ajuda é fazer as pessoas passarem por esse momento difícil de forma mais leve. “Não tem como esquecer, mas tentamos fazer com que nesse momento elas consigam rever os pensamentos, rever como estão lidando com a vida. É um momento de reflexão, no qual as mulheres que trabalham

na ONG e outros acolhedores tentam compreender esse sentimento, essas sensações.” O Movimento Campinas Rosa não é destinado apenas às mulheres com câncer de mama, mas também a toda família, pois o esclarecimento de todos ajuda na reestruturação e estabilização emocional das portadoras da doença. Além de promover o acolhimento das mulheres e de seus familiares, a ONG também trabalha com palestras informativas e educativas em empresas, visando levar a conscientização para o maior número possível de mulheres. Autoexame Os principais sintomas do câncer de mama são nódulos nas mamas e na região das axilas, alteração na forma e tamanho dos seios e secreção pelo mamilo. Os caroços podem ser diagnosticados por meio do autoexame, que deve ser realizado sete dias após o início da menstruação. Caso alguma alteração seja detectada, a pessoa deve procurar um médico especializado. Saiba mais sobre o Outubro Rosa, acesse www.digitaispuccampinas.wordpress.com.


Divulgação

Cresceu e fez fama como se fosse o destino Cantou sobre a mulher como se fosse um malandro Fez canções tão lindas como se fosse um poeta De luz tornou-se astro como se fosse eterno

CHICO BUARQUE

O artista brasileiro completa setenta anos de poesia em canções que fazem parte da cultura popular brasileira

Priscila Marques

DÉCADAS DO ARTISTA


O eterno malandro que conquistou o Brasil

Homenagens marcam os 70 anos do Poeta

Divulgação

A atriz Lucinha Lins fala com exclusividade ao Saiba+ sobre suas experiências ao interpretar Chico Buarque Priscila Marques Willian Sousa

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etenta anos parece tempo demais. Mas só parece, pois quando pensamos nas sete décadas que Chico Buarque viveu, admitimos que queremos ainda muito mais do carioca de olhos azuis que conquistou o Brasil. Todos esses anos foram preenchidos com o aperfeiçoamento de um dos maiores nomes da música popular brasileira. Com talento, sensibilidade, paixão pela palavra e criatividade que transborda, o compositor, músico, dramaturgo e escritor acumulou grandes produções culturais que serviram tanto de deleite aos ouvidos de quem gosta de boa música quanto de crítica ao período ditatorial brasileiro. É um artista completo, fato inegável pelos quase oitenta discos lançados, sete livros publicados e cinco peças escritas. Venceu festivais, brincou de ator, levou dois prêmios Jabutis para casa e compôs uma infinidade de canções que são marcadas pela qualidade sonora e pela

facilidade em traduzir os sentimentos de quem ouve. Lucinha Lins participou de diversos trabalhos com o cantor, e afirma: “Ele vai ficar para a memória da música popular brasileira, para sempre. Daqui a cem anos, alguém vai estar cantando Chico Buarque de Holanda”. Presente em inúmeros trabalhos do compositor, como no papel de VitóriaRégia na Ópera do Malandro ou no cinema, com o filme “Os Saltimbancos Trapalhões”, Lucinha conta que o compositor é muito carinhoso e simpático. E apesar do grande número de homenagens, o cantor possui uma personalidade tímida, confessa Lucinha. “Ele morre de vergonha, jamais iria para a estreia de alguma produção dele”.

Daqui a cem anos, alguém vai estar cantando Chico Buarque de Holanda Lucinha Lins

As mulheres de Chico O artista deixou sua marca ao conseguir, de forma inigualável, decifrar e cantar os sentimentos femininos. As mulheres de Chico demonstram suas várias facetas, entre aquelas que choram aos pés da porta o amado que foi embora, aparecem as que vivem seu cotidiano de forma apaixonada, beijando seu homem com a boca de hortelã. Canta também sobre aquelas que de tão fortes, dão sua palavra, olhando nos olhos, que estão bem melhores sem aqueles que as deixaram. Ele consegue revirar o coração e os relacionamentos, dar voz aos dramas femininos e descrever sentimentos antes incompreensíveis. Em época na qual as mulheres ainda não tinham papel relevante na sociedade, Chico levantou uma bandeira em prol dessas apaixonadas que cuidavam dos seus maridos em silêncio, como canta em “Com açúcar, com afeto” (1966), sua primeira canção com voz feminina. Do alto dos seus 70 anos, Chico continua encantando pela capacidade e empenho de traduzir o confuso universo das mulheres.

O

espetáculo Palavra de Mulher teve curta temporada no teatro Brasil Kirin, em Campinas. Valeu, no entanto, para confirmar o velho ditado sobre tudo o que é bom durar pouco. Lucinha Lins, Tania Alves e Virgínia Rosa interpretam personagens de um cabaré enquanto cantam músicas que falam profundamente sobre o amor e a paixão e dão voz às mulheres presentes nas composições de Chico Buarque. Com quatro indicações ao Prêmio Bibi Ferreira 2014, a familiaridade das cantoras com o trabalho do compositor confere ao show uma atmosfera carregada de força e qualidade interpretativa. Músicas como “Bem Querer”, “O Meu Amor”, “Olho nos Olhos”e “À Flor da Pele” servem como uma viagem pela mente feminina do cantor, que percebe a mulher como ser de inúmeras vontades e desejos, que durante as canções tem coragem para se desvencilhar de amores que contaminam, ou sensibilidade para deixar se entregar a amores súbitos e improváveis. Palavra de Mulher traz, sem rodeios, músicas que falam da apaixonante e irresistível face feminina de Chico Buarque. Léo Aversa

Reprodução

Em 1967, no Festival Record, Chico Buarque canta a música “Roda Viva” ao lado do grupo MPB4

Outras homenagens comemorando as sete décadas do cantor também marcaram o ano de 2014, como o musical “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos” ou a volta do “Grande Circo Místico” e da “Ópera do Malandro”. Presente em diversas peças do escritor, Lucinha Lins conta, em entrevista, da ocasião em que Chico compareceu a um ensaio da peça Ópera do Malandro: “Todos ficamos muito nervosos, meu Deus, o Chico Buarque está aí, e aconteceu uma coisa linda, porque quando acabou o ensaio, ele se levantou e começou a nos aplaudir. E o elenco o aplaudiu de volta, e ele foi ficando vermelho, vermelho e no fim todos estavam gritando. Foi um verdadeiro encanto”.


AÇÃO SOCIAL

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5 de outubro de 2014

Projeto em Valinhos leva crianças a participarem de torneio de tênis no Sul Iniciativa já despertou talentos no esporte e incentiva alunos a tirarem boas notas na escola

Beatriz Steck

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ncentivar as pessoas e passar adiante a paixão pelo esporte. Esses eram os objetivos do educador físico Pedro Stucchi ao criar, há sete anos, o “Projeto Raquete Para Todos”, no qual ele dá aulas gratuitas de tênis para qualquer morador ou trabalhador da cidade de Valinhos. As aulas conquistaram o público e deram oportunidade para que novos talentos fossem descobertos com o esporte. É o caso de Bruno Foldes, de apenas 8 anos, que irá competir pela Copa Guga Kuerten 2014 e, de quebra, realizar o sonho de conhecer o seu maior ídolo no tênis, que dá nome ao torneio. O garoto começou a fazer aulas junto com seu pai – o vendedor Albert Foldes – e se apaixonou pelo esporte. “Ele assiste a todos os jogos de todos os campeonatos”, contou o pai, orgulhoso. A

Beatriz Steck

Boletim acima de 7 ganha uma raquete Pedro Stucchi

preparação agora é para a viagem a Florianópolis, onde o pequeno Bruno estará de 09 a 19 de outubro, quando acontece a competição. As crianças pegaram gosto pelo esporte e passaram a esperar o dia todo pela aula, segundo o educador. Após ouvir a sugestão de uma mãe preocupada com as notas do filho, surgiu a ideia, em 2011, de criar um novo projeto: “Boletim acima de 7 ganha uma raquete”, para que as crianças não trocassem os estudos pelo esporte. Assim, só poderia participar das aulas quem tivesse um média geral superior a 7. O projeto rendeu bons frutos. Stucchi conta que não houve nenhuma

Crianças participam de treino no “Projeto Raquete para Todos”, em Valinhos

reprovação escolar de seus alunos em 2013. “O Boletim Nota 7 foi uma regra do professor, mas trouxe resultados para nós também”, afirmou o diretor do Centro de Lazer e Esportes de Valinhos, Cristiano Belli. Contudo, o professor

resolveu também premiar o aluno que obtivesse a maior média escolar da turma com um troféu. “Quem tiver a maior nota, fica com ele durante o ano, eu escrevo o nome do aluno e no ano seguinte ele é repassado”, explica Stucchi. Além de Bruno, outros

talentos já foram revelados nas aulas de tênis de Stucchi, como o estudante Gustavo Clemente, que participa do projeto desde os 3 anos de idade e hoje, aos 10, divide com o colega o sonho de estar frente a frente com o ídolo Gustavo Kuerten na competição em outubro.

Esporte impulsiona ação social em Campinas Campeonato que arrecada brinquedos como inscrição faz a alegria da criançada na Vila União

Jonathan Fuzari

Jonathan Fuzari

U

ma ação social realizada no Residencial Vila União organiza campeonatos de futebol para arrecadar brinquedos que são doados às instituições da região. O idealizador do projeto “Intercomunidades”, Wellington Luis, 31, pratica esta ação há 11 anos com o intuito de integrar comunidades e ajudar pessoas em condições financeiras precárias. Conhecido como “Luisinho”, o operador de produção fez seu primeiro campeonato em 2003, com o objetivo de reunir e interagir com grupos de jovens das igrejas do Jardim Paulicéia. No ano seguinte, para poder participar era necessária a doação de alimentos como forma de inscrição. Após o sucesso, o projeto foi reestruturado e a partir de 2005 passou a reunir vários times da região, totalizando

Atletas amadores participam de jogos beneficentes em prol de comunidades carentes

16 equipes inscritas e 500 kg de alimentos arrecadados, que foram convertidos em cestas básicas e doados às instituições espalhadas pela região. No último campeonato foram arrecadados cerca de 160 brinquedos que serão entregues no Residencial

Sírio no dia 12 de outubro. No campeonato anterior, em junho de 2013, cerca de 190 brinquedos foram entregues em um evento realizado no dia das crianças. O projeto aconteceu em parceria com o Salão de Cabeleireiro do Barbosa,

que ofereceu corte de cabelo e café da manhã de graça para as crianças. O “Intercomunidades” deste ano está sendo realizado na escola EMEF CAIC “Zeferina Vaz” – Vila União. Sem nenhum auxílio da prefeitura, os es-

paços para a realização dos eventos são obtidos por meio de reuniões com a diretoria das escolas. Mesmo tendo ciência da proposta do projeto, alguns locais cobram taxas para locações que são divididas por cada time. “Em alguns lugares geram custos e temos que pagar para jogar na quadra, em outros conseguimos por meio de conversas com os responsáveis explicando o real intuito da ação” diz Luisinho. O projeto conta com uma pequena equipe para preparar os campeonatos e também para a organização dos jogos. O campeonato dura quatro domingos, com fases classificatórias e eliminatórias, sendo todos os jogos realizados no mesmo lugar. “Temos colaboradores que nos ajudam, pessoas que participaram do campeonato, acharam interessante e resolveram ajudar, não pago nada a elas”, conclui.


ESPORTES

5 de outubro de 2014

Jornalistas reclamam das condições precárias do Ginásio do Taquaral

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Cabines de imprensa necessitam de reparos, mas Secretaria de Esportes não vê reforma como prioridade Letícia Oliver

Letícia Oliver

A

sensação é de abandono. Os jornalistas que passaram a frequentar as acomodações destinadas à imprensa do Ginásio Engenheiro Alberto Jordano Ribeiro, localizado no Taquaral, em Campinas, se deparam com a precariedade e a falta de suporte, mesas e cadeiras quebradas, além de tomadas de energia elétrica com defeitos. Isso porque, no momento, a imprensa esportiva tem um motivo a mais para acompanhar os jogos realizados naquele espaço poliesportivo do Parque Portugal: a ascensão do Vôlei Brasil Kirin, time masculino que representa a cidade nas competições e vive boa fase na temporada. A equipe está invicta no Campeonato Paulista e foi campeã do primeiro torneio disputado na temporada 2014/2015 – a Copa São Paulo, conquistada em agosto na cidade de Santos, litoral paulista. O repórter da Rádio Central, Elias Aredes Junior, foi um dos primeiros a manifestar sua crítica através das redes sociais. “Fiquei envergonhado ao ver o pessoal do SporTV, presente para uma transmissão do Vôlei Brasil Kirin, ser obrigado a fazer uma série de improvisações para acomodar seus equipamentos”, publicou o jornalista em sua página no Facebook, que

Problemas como forro caído, fios desencapados e mesas quebradas compõem o cenário de trabalho dos jornalistas

logo recebeu o apoio dos colegas de imprensa da região. “As condições são ridículas... O descaso também”, reiterou Caio Maciel, repórter da EPTV Campinas. Segundo informações divulgadas pelo porta-voz da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer de Campinas, Ângelo Barioni, há uma verba garantida no valor de R$ 500 mil para reforma do ginásio, mas que as cabines de imprensa não

são prioridades. “A verba será para a reforma dos vestiários, sala de ginástica, copa e setor administrativo do Ginásio do Taquaral, áreas consideradas de extrema prioridade. No entanto, a reforma das cabines de imprensa também pode ser contemplada. O que deve sair em breve são algumas intervenções com a finalidade de melhorar o setor de imprensa”, completou.

A declaração repercutiu entre os jornalistas. “Lamento que as instalações da imprensa no ginásio do Taquaral não sejam uma prioridade para a Prefeitura. Afinal, uma sociedade democrática só é construída com uma imprensa livre e em condições de realizar o seu trabalho seja qual for o assunto”, declarou Aredes Jr. “As condições da área de imprensa são péssimas e não pedimos luxo, apenas ca-

deiras, mesas para apoiar os notebooks e tomadas que funcionem, estrutura básica de trabalho. A Secretaria de Esportes deveria rever seu projeto de reforma e incluir melhorias na área de imprensa. Não adianta ter grandes eventos, jogos, sem a imprensa para divulgá-los. E convenhamos, as melhorias na área terão um custo muito pequeno”, concluiu Renata Rondini, repórter de esportes do jornal Correio Popular.

Vôlei Brasil Kirin busca título inédito

Divulgação/Vôlei Brasil Kirin

Marília Alberti

Ponteiro Wallace em jogo contra a equipe de São José dos Campos

Desde a chegada do novo patrocinador, Brasil Kirin, em junho de 2013, o vôlei masculino de Campinas obteve os melhores resultados na temporada 2013/2014. A equipe venceu a Copa São Paulo, foi vice no campeonato Paulista e levou o terceiro lugar na Superliga. Planejamento, investimento e organização são fatores fundamentais na evolução do projeto, segundo André Heller, Coordenador Técnico do Brasil Kirin. “O nosso projeto tem três

pilares bem definidos: time profissional, as categorias de base e a responsabilidade social”, e acrescenta dizendo que o projeto da equipe é continuar acreditando no esporte como ferramenta de formação humana. O ponteiro Wallace ressalta a importância do projeto para os jovens que estão nas categorias de base da equipe e sua participação em um grupo que busca títulos. “Para mim, que estou há mais de 15 anos na área, é sempre muito importante atuar por uma equipe com ambição.” Com relação

ao Campeonato, o jogador afirma não ter preferência de adversário. “Estamos aqui para ganhar”, diz ele. O Brasil Kirin encerrou a fase classificatória do Campeonato Paulista invicto, somando 17 pontos. Pela última rodada da competição, a vitória veio contra o Sesi-SP, por 3 sets a 0, em partida realizada no Ginásio Municipal de São Carlos. Após o vice-campeonato da equipe na temporada 2013/2014, o grupo vai em busca do título inédito estadual.


PERSONAGENS

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5 de outubro de 2014

Toninho: arquiteto e exemplo de transformação política Em oito meses, prefeito de Campinas revolucionou modelo de administração Arquivo pessoal

Natane Parizzi

Há quem diga que política não se discute, e que político “é tudo igual”. As más línguas que me perdoem, mas Antonio da Costa Santos, o Toninho, era um cara diferente. Digo isso pois este homem, que morreu defendendo o direito do povo, parece ter nascido com uma vocação nata para a vida pública. Líder por natureza, o jovem que nasceu na casa grande, mas fazia questão de optar pela senzala, cultivava uma paixão pelos prédios históricos de Campinas. Contudo, deixava claro que o maior bem, o maior patrimônio da cidade, era seu povo. Daí a militância política, desde a juventude, que defendia que o homem tinha direito à cidade. Em 1978, Toninho e um grupo de engenheiros, arquitetos, assistentes sociais e outros profissionais, se unem e criam uma assessoria popular conhecida como Assembleia do Povo. “Com o intuito de urbanizar as favelas da cidade, o projeto ajudou a transformar comunidades como Vitória, Conquista, Morro do Macaco, Jardim Santa Mônica, entre outras”, conta o jornalista e amigo de Toninho, Otavio Antunes. Para a viúva de Antonio, Roseana Garcia, foi esse o interesse do jovem arquiteto para com o povo mais carente de Campinas e o trabalho de urbanização das periferias, o qual veio antes mesmo de sua carreira política. “O pessoal da comunidade costumava falar que Antonio era o arquiteto do povo e eles os arquitetos da vida”, comenta Roseana. Prepara-te para a paz Já na década de 1980, Toninho enfrentava seu inimigo número 1: a especulação imobiliária. Para um homem que lutava pela preservação histórica e do meio ambiente de Campinas, que não se engane, se

Foto do último aniversário em família tirada em 2001 na Prefeitura Municipal de Campinas

fosse preciso “guerra” para defender suas convicções, Antonio não pestanejava. “Em meados de 1980 ele cria a Fundação Febre Amarela, uma espécie de Black Bloc dos anos 80”, explica Otavio Antunes, e complementa ainda que “por meio de ações diretas, ele e o pessoal do movimento chegavam a invadir e se acorrentar aos casarões antigos de Campinas. Tudo para evitar que os imóveis fossem derrubados”. Um homem do povo A carreira política de Antonio da Costa Santos só começa, de fato, no fim dos anos 80, quando se tornou vice-prefeito de Campinas pela chapa do PT. Já conhecido por sua liderança, em 1996, Toninho se candidata a prefeito. Com a campanha sempre voltada para os jovens e a classe mais pobre da cidade, por muito

pouco Toninho não chega a disputar o segundo turno. Nas eleições do ano 2000, Toninho enfim chega ao ponto em que queria. Como prefeito de Campinas ele retoma a experiência da Assembleia do Povo, agora com orçamento participativo do governo, regulamenta o sistema de transporte, regulariza a questão do lixo, municipaliza a merenda escolar e consegue criar a APA – Associação de Proteção Ambiental. “Ele fez muito em pouco tempo. E por isso não teve tempo de errar. No curto mandato, exatos oito meses e dez dias, ele acertou muito”, finaliza Otavio. Antonio só não fez mais pela cidade pois teve sua vida interrompida em 10 de setembro de 2001, quando foi morto a tiros por um grupo enquanto voltava para casa, após sair do shopping Iguatemi Campinas.

Português ao pé da letra Lembro-me como se fosse hoje, conta Otavio, pouco antes de uma das reuniões mais difíceis que Antonio teve, o Durval, que na época era o secretário de governo, falou: “Toninho, você tem que ir na canela dos caras…” Bom português que era, Toninho levou a advertência ao pé da letra e, para surpresa de todos, apareceu na reunião todo arrumado, de terno e chuteira society. Após a tensa, dura e longa reunião, perguntamos: “Toninho, que você está fazendo com essa chuteira?” e ele respondeu, sem pestanejar: “Eu sou português e como vocês disseram que eu tinha que ir na canela, vim de chuteira, porque vocês sabem… não dá para ir na canela sem chuteira, né…”

Willian Sousa


COTIDIANO

5 de outubro de 2014

11 Reprodução

Divulgação

“A falta de água é grave, mas a população não está consciente”

Gerente do PCJ, Andrea Borges, ainda ressalta a importância da ajuda do Governo Jeferson Batista

Em entrevista ao Saiba+, Andrea Borges, gerente técnica do Consórcio PCJ, entidade que desenvolve ações de preservação das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, afirma que 2015 será um ano de pouca chuva na região. Os rios PCJ fazem parte do sistema Cantareira, responsável por abastecer a região de Campinas e parte da Grande São Paulo. O consumo de água em Campinas é de 200 litros/

dia habitante. A ONU recomenda 110 litros. Estamos acima da média? Sem dúvida. 200 litros é o que aproximadamente consome um morador da bacia PCJ ao dia. Gastamos muita água com banhos longos, lavando automóveis e também com vazamentos nos encanamentos. A escassez de água é um problema que as pessoas não estão conscientes. Quais medidas o governo precisa tomar para amenizar a situação? O governo precisa dar

incentivos fiscais para a população. O fundamental é intensificar a informação sobre o uso adequado da água. Investir em propagandas de conscientização, como as de combate à dengue. Não adianta apenas aplicar multa, pois a pessoa lava a calçada à noite. Empresas da região estão cientes do problema? Indústrias, shoppings e até mesmo grandes condomínios estão investindo em captação da água da chuva, além de sua reutilização.

A estiagem prolongada vai causar prejuízos ao longo prazo às bacias PCJ? Estudos afirmam que o Sistema Cantareira, do qual as bacias PCJ fazem parte, vai demorar entre três a sete anos para se recuperar. Além disso, tudo indica que, em 2015, a situação também será muito crítica, temos previsão de poucas chuvas para o próximo ano. Saiba mais sobre como economizar água, acesse www.digitaispuccampinas.wordpress.com.

Letícia Xavier

Teatro de bonecos ensina a economizar água Leticia Xavier

Crianças atentas às dicas das bonequeiras em apresentação

No mês de setembro, a ONG Projeto Gente Nova (PROGEN) recebeu em suas unidades o programa “Sanasa na Comunidade”, o qual utilizou como recurso uma peça teatral de bonecos com as bonequeiras Marcia Regina Marchette, 51, e Teca Rios, 64, do grupo Grumaluc Teatro de Bonecos. Entre os três períodos que a ONG atende, 200 crianças prestigiaram a atividade desenvolvida com objetivo de proporcionar uma reflexão sobre novos

hábitos cotidianos que possam contribuir significativamente para o meio em que vivem. Luiz Henrique Mendes, Coordenador Pedagógico do Projeto Gente Nova, relata que o projeto foi recebido com bastante animação devido ao atual momento de escassez . “A proposta vem ao encontro com as reflexões que estamos realizando com as crianças e os adolescentes sobre a importância da água e quais são nossas responsabilidades para preservar esse recurso”, comenta Mendes.

Willian Sousa


TURISMO

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5 de outubro de 2014 Priscila Marques

Foz: pequenas grandes belezas naturais

Minúsculas borboletas e gigantescas quedas d’água pintam belíssimos cenários em Foz do Iguaçu Willian Sousa

E

ra uma quinta-feira meio nublada e eu estava bem ao lado da Priscila quando ela tirou essa maravilha de foto aí em cima. Eu já sabia que devia um texto sobre o destino turístico para essa edição do Saiba+, só não imaginava que falassem tão sério quando elegeram as Cataratas do Iguaçu como uma das sete maravilhas naturais do mundo, votação feita em 2007 pela Fundação New7Wonders. Também, quem dera, o lugar fica dentro do Parque Nacional do Iguaçu, uma das maiores unidades

de conservação e proteção da Mata Atlântica. De um acidente geográfico datado de aproximadamente 200 mil anos atrás, as cataratas vêm até hoje surpreendendo turistas do mundo todo. Além de pequenas borboletas que mais parecem pintadas à mão por um artista com muito tempo livre, também fazem parte do cenário aves características da região e uma quantidade numerosa de quatis, bichos curiosos que caminham livremente por entre os visitantes do lugar. Mas o que impressiona mesmo é o resultado de pouco mais de um kilômetro de caminhada

pela trilha principal, um lugarzinho carinhosamente apelidado de Garganta do Diabo, a maior queda d’água do local com incríveis 80 metros de altura – o suficiente para deixar qualquer acrófobo com medo de voltar. Por isso, trago da beleza dita no título coisa a ser pensada, já que a grandeza das cataratas abriga uma antítese que brinca com a pequeneza da fauna e da flora ao redor. Concepção realmente bela de se perceber. Convenhamos então que não é de se espantar que o local traga água aos olhos de turistas maravilhados com o lugar – tanto de lágrimas quando a vista é lin-

da e a emoção é forte, quanto de respingos que molham os observadores mais ousados ao se aproximarem das quedas d’água cuja vazão atinge uma média de 1500 m³ por segundo. Mas não se assuste, o lugar dispõe de guias turísticos treinados na arte de tornar qualquer passeio (inclusive os radicais demais para o seu senso de autopreservação) numa brincadeirinha de criança. E dá-lhe remar próximo às quedas num bote inflável, ou ainda subir o rio atravessando o cânion enquanto enfrenta a correnteza. Tudo organizado prezando a segurança e a diversão dos passageiros, vale lembrar.

Foz do Iguaçu é destino certo para quem quer se surpreender com algo deixado logo ali no nosso quintal. E não fica caro não: partindo de Campinas, somando os custos da passagem, hospedagem e alimentação, com R$800 você se diverte e tem tempo para explorar cada cantinho que as Cataratas do Iguaçu têm pra te oferecer. E por mais que eu tenha adorado cada segundo do passeio, preciso admitir que existe sim um certo desapontamento: eles não te deixam descer num barril e as capas de chuva não são amarelas como naquele episódio dos anos cinquenta. Foi mal, Pica-Pau.

Alunas da PUC-Campinas são premiadas no Intercom Arquivo Pessoal

Os alunos do terceiro ano de jornalismo viajaram a Foz do Iguaçu para participar do Congresso

A 37ª edição do Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom 2014, realizada em Foz de Iguaçu no mês de setembro, contou com participantes de várias cidades brasileiras, que apresentaram artigos dos mais diversos temas e trocaram experiências relevantes para a atuação no mercado. O Congresso compreende diversas categorias, entre elas está a Expocom, na qual as recém-graduadas Virgginia Laborão e Ana Carolina Mora levaram o prêmio na modalidade Produção em Jornalismo Digital, com um artigo elaborado a partir do projeto

experimental, denominado “Transversus”. Na categoria Júnior, participaram os estudantes de jornalismo da PUC-Campinas, Danilo Christofoletti com artigo de análise comparativa sobre a Mídia Ninja; assim como Caroline Roque, Leila Justo, Nathani Mota, Priscila Marques e Willian de Sousa, que apresentaram o artigo intitulado “Black Bloc sob a perspectiva das revistas Carta Capital e Veja.” Ambos os trabalhos são resultados de monografias elaboradas para a disciplina de Metodologia da Pesquisa em Jornalismo.

Saiba outubro noturno  
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