Page 1

Nosso Bairro - 56 finalissimo_Layout 1 20/02/14 13:48 Page 16

Capa

Por Thais Barcellos Fotos Divulgação

Rito de

passagem PRIMEIRA VEZ DAS CRIANÇAS NA ESCOLA REQUER ADAPTAÇÃO TAMBÉM PARA AS FAMÍLIAS primeiro dia de aula é sempre difícil para mães e filhos. Os pequenos não estão acostumados a ficar longe de casa e para que esse momento não vire um trauma, as escolas buscam maneiras de tornar a adaptação menos dolorosa também para as famílias, que devem preparar as crianças e a si mesmas para a nova rotina. A pedagoga Jaciara Castro explica que os pais devem iniciar esse processo de forma tranquila, mostrando que a ida para a escola será algo importante e especial na vida da criança. “Os pais devem cativar a criança, in­ centivar, fazer planos, mostrar como será essa rotina, que por mais diferente que seja, será gratificante para ela.” Segundo a profissional, é importante que os pais mostrem para a criança como será o

O

16

FEVEREIRO’2014

ambiente escolar, a interação com os pro­ fessores, os novos coleguinhas que irá co­ nhecer, brincar e conviver. O emocional e psicológico da criança devem ser preparados aos poucos para que no dia ela não sinta tanto a falta dos pais na hora de se despedir. Os pais, por sua vez, devem também passar aos filhos segurança e muita tranquilidade. Para que a criança já chegue conhecendo o ambiente em que irá estudar, é recomen­ dado pela pedagoga uma ida à escola junto com ela, antes de iniciarem­se as aulas, para que o pequeno veja o ambiente e já se sinta motivado para o primeiro dia. É importante também uma conversa para ver se aquele lugar agradou. A criança não deve ser for­ çada a ir a uma escola que ela nunca viu antes e que não é do seu agrado.


Nosso Bairro - 56 finalissimo_Layout 1 20/02/14 13:48 Page 17

Jaciara explica que a escola tem um papel fundamental na fase da adaptação. “A escola precisa compreender que o ingresso da criança gera uma série de angústias, de con­ flitos, é a saída do lugar comum já conhecido para um lugar totalmente novo, recheado de pessoas que não faziam parte da sua vida.” Para tornar melhor o acolhimento, a es­ cola deve oferecer situações que tornem se­ guro o convívio da criança com as pessoas que vão contribuir para o crescimento e aprendizado dela. “Quanto mais rica e pru­ dente for essa proposta de acolhimento, mais segura a criança irá se sentir. Essa novidade e esse acolhimento é que vão gerar nela a von­ tade de retornar ao ambiente escolar no dia seguinte”, explica Jaciara. Ainda de acordo com a pedagoga, um acolhimento escolar feito de forma errada pode gerar problemas futuros. A criança pode se sentir insegura e angustiada por se ver longe das pessoas de seu convívio. “Ela pode pensar: ‘chego na escola e perco minha família’. Um mau acolhimento pode ainda gerar uma rejeição ao processo educativo no futuro.” A psicóloga Luzia Ribeiro reforça que um acolhimento equivocado pode abalar a criança e acarretar mudanças no comporta­ mento dela e desinteresse pelos estudos. “Com o passar do tempo, se esse mau aco­ lhimento persiste, poderá causar na criança transtornos mais graves, como dificuldades de relacionamento, complexos diversos e até agressividade”, exemplifica. Idade correta – O ingresso na vida esco­ lar ocorre cada vez mais cedo e as crianças já começam em escolas­berçário. Do ponto de vista pedagógico, não existe uma idade cor­ reta para a ida à escola pela primeira vez. “Ex­ periências mostram que crianças que entram na escola cedo são bem realizadas, seguras e capazes de aceitar desafios. Em contrapar­ tida, crianças que chegam mais tarde, mas possuem uma boa relação familiar, capaz de estimular e acompanhar o seu crescimento, também possuem essa segurança”, cita a pe­ dagoga Jaciara Castro. A rotina fora da escola é de total impor­ tância para a adaptação e vida educativa da criança. Uma rotina empobrecida e sem di­ versificação, afeta inclusive o desempenho acadêmico. Na escola são feitas atividades para desenvolver a linguagem e a experiên­ cia corporal, e em casa é preciso que haja uma continuidade aos estímulos. Jaciara Castro percebe também que mui­ tos pais já notaram que as atividades em casa apenas já não estão suprindo a necessidade de aprendizado dos filhos. A idade escolhida por muitos, de colocar a criança na escola a partir

dos três anos, vem diminuindo para o primeiro aninho de vida. “A idade ideal é aquela em que a família percebe que o contato do filho com um mundo diversificado e de novas experiên­ cias começa a fazer falta”, pontua. A psicopedagoga Karine Araújo destaca também que o ingresso antes ou depois dos três anos não será prejudicial à educação da criança se em casa ela tiver suporte de inte­ ração, aprendizado e realização de tarefas es­ timulantes. Porém, se a criança não é esti­ mulada, a babá ou os pais não têm tempo de realizar atividades para ajudá­la a se desen­ volver, o recomendado é que a criança seja levada para a escola. “Essa questão da idade é particular de cada família. A melhor idade é aquela em que os pais se sentem à vontade para deixar os fi­ lhos no ambiente escolar.”

O papel do educador A primeira aproximação entre escola e criança é feita por quem tem um papel cru­ cial para tornar a interação mais fácil, o edu­ cador. Esse profissional deve estar preparado

para lidar com situações diversas, desde crianças introvertidas, que não querem inte­ ragir, às mais levadas. No caso das tímidas, deve­se respeitar o tempo de cada uma e se aproximar aos poucos, mostrando que ela pode confiar no professor, que está ali para brincar, ensinar e acolher. “Este primeiro momento é fundamental. É o momento do ‘te conquisto e você me conquista’. É importante se fazer uma apro­ ximação respeitosa, captando a essência de cada criança, para construir uma relação de confiança e segurança”, conclui a pedagoga Jaciara Castro. A professora Pollyanna Andrade lembra que também tem de haver um vínculo entre pais e professores. “Se os pais estiverem aflitos e inseguros, podem gerar problemas na adap­ tação do filho. Tem de haver uma sintonia”. Os pais devem ver a escola como contri­ buição essencial para a vida do filho e os pro­ fessores como profissionais especializados em mostrar novas formas de interação. E demons­ trar confiança, para que a criança sinta na es­ cola o mesmo prazer e segurança de casa. l

Dicas para o primeiro dia de aula: 3 Levar brinquedos que a criança tenha apego em casa, assim ela terá segurança e não sentirá tanta falta do ambiente familiar; 3 Antes de iniciarem­se as aulas, os pais devem sair com os filhos para, juntos, comprarem os materiais, mochila e brinquedos, para assim mostrar o quanto é legal a ida à escola; 3 Para as crianças que são muito apegadas aos pais, Pollyanna diz que eles podem entrar na sala e brincar com os filhos juntamente com o educador, mostrando que o educador é importante e vai lhe trazer carinho e felicidade, assim como seus pais. Porém, essa entrada na sala com a criança deve ser reduzida de forma gradual.

FEVEREIRO’2014

17


Nosso Bairro - 56 finalissimo_Layout 1 20/02/14 13:48 Page 18

Capa

Lidar com o choro dos pequenos é

maior desafios para os pais U ma cena comum no primeiro dia de aula é a de choro. A criança fica triste e sente que o pai ou a mãe a está abando­ nando. Apesar do aperto no peito que a situação causa, prin­ cipalmente se a criança é pequena, para lidar com esse momento é essencial que os pais conversem com o filho e mostrem a ele os novos coleguinhas e a professora. Os professores, por sua vez, devem pas­ sar confiança quando a criança estiver chorando, incentivando­a a brincar e tentando distrair a sua atenção com jogos alegres. O diálogo entre pai e filho deve ser sempre prioridade nesse pri­ meiro momento. Mesmo tão pequenas, as crianças já possuem um pensamento concreto e se fixam nas promessas que são feitas para elas. A psicopedagoga Karine Araújo faz um alerta aos pais que gos­ tam de sair escondidos e deixam as crianças chorando na escola: “É muito importante a sinceridade, falar para o filho: ‘olha, você vai ficar na escola, eu vou trabalhar, mas eu volto para te buscar ‘, e cumprir o que prometeu. As crianças novinhas não tem a noção do tempo, então, para elas quando o portão abre já é a hora de ir embora. Quando elas veem outras crianças indo embora com seus pais e elas continuam lá esperando, se sentem abandonadas.” Para a criança, uma promessa cumprida é essencial para ela de­ senvolver noções de confiança básica e segurança. Segundo os espe­ cialistas, as crianças mostram seus sentimentos e emoções através do choro, mas mesmo as que não choram na hora de se despedir dos pais

ou por ficarem sozinhas na escola, podem estar sentindo pressão e an­ gústia. De acordo com Karine Araújo, apesar de algumas crianças chega­ rem e brincarem tranquilamente no primeiro dia, ao retornarem para casa, podem ter febre, dor no corpo ou uma dor de garganta, o que fará com que não voltem à escola no dia seguinte para que sejam cui­ dadas em casa. Esses sintomas podem ser indicativos de que ela não se sentiu à vontade na escola. A psicopedagoga adverte ainda que os pais devem ficar atentos para esses sintomas e também para a falta de choro, pois nem sempre isso significa que a criança já esta adap­ tada. Além disso, os pais não devem forçar a barra para adaptar a criança à escola. Assim como os filhos, muitos pais sofrem bastante ao se despedirem dos pequenos no primeiro dia de aula. Acham que eles não conseguirão ficar sozinhos ou que ainda estão muito novos para ficar longe da família. Para os pais que são mais apegados, a psicóloga Luzia Ribeiro aconselha que eles devem permanecer fortes emocionalmente, pois seu ânimo é essencial para estimular o filho. “Cabe aos pais passar confiança para seus filhos. Se não incentivarem e mostrarem aos fi­ lhos alegria e ânimo, será mais difícil a adaptação dos pequenos”. Na volta para casa, além de buscar a criança na hora correta, é interessante também conversar com os filhos, para que eles compar­ tilhem com a família a alegria das novas descobertas. l

Copa muda calendário escolar de 2014 Devido à Copa do Mundo, que acontecerá entre os meses de junho e julho, as datas do Calendário Letivo de 2014 foram modificadas. Fique atento aos períodos das escolas municipais, estaduais e particulares:

REDE PARTICULAR* Início das aulas: 27/01 Início do recesso: 19/06 Fim do recesso e retorno às aulas: 04/07

O calendário da rede particular varia de escola para escola* REDE PÚBLICA (MUNICIPAL) Início da aulas: 27/01 Início do recesso: 12/06 Fim do recesso: 13/07 Fim das aulas: 23/12

* Fonte: Secretaria Estadual de Educação

18

FEVEREIRO’2014

REDE PÚBLICA (ESTADUAL) Início da aulas: 10/03 Início do recesso: 12/06 Fim do recesso: 13/07 Fim das aulas: 26/01

Rito de passagem - NB PLUS