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BARAO Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP São Paulo, 08 de maio de 2012 — 2ª edição

As mudanças que irão revolucionar o curso (Pg. 3) Copa do Mundo

Cúpula do BRICS

E a venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros

(Pg. 4)

A entrevistada Raquel Rosenberg fala de sua experiência na Quarta Conferência em Nova Déli (Pg. 7)

Eleições francesas

Cinema

Aluno do duplo diploma da Sciences-Po escreve sobre as eleições presidenciais na França (Pg. 5)

Confira nossas dicas culturais sobre o que está passando nos cinemas (Pg. 8)

Quinta página

Sequestro Acadêmico

A Quinta Página sempre aparecerá onde menos se espera para alegrar nossos dias (Pg. 9)

Não deixe de ler a crônica de Gustavo Sumares (Pg. 10)


O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP São Paulo, 08 de maio de 2012

De tudo um pouco, de pouco nada. Eleições na França, reforma curricular, bebida alcoólica nos estádios são alguns dos assuntos que você irá ler na 2ª edição d’O Barão. Optamos, dessa vez, por um foco mais acadêmico e institucional. Afinal, estamos passando por mudanças significativas no nosso curso, que não podemos deixar de discutir. Saiba mais na página 3. Não deixe de conferir a entrevista com a colega Raquel Rosenberg, que relatou sua experiência caótica na Índia, e nem a parte cultural, que dessa vez te dá dicas do que assistir no cinema. Não podemos esquecer, é claro, da divertida crônica sobre o Sequestro Acadêmico e da sessão de Humor, que nessa edição tem um elemento surpresa. E, falando em surpresa, nesse mês temos uma novidade: o <jornalobarao.wordpress.com>. Agora teremos mais espaço para discutir assuntos acadêmicos, institucionais, humorísticos e até esportivos. Participe você também! Nos reunimos toda quinta-feira às 18 horas no CARI. Vale lembrar que os textos publicados aqui são de autoria de seus signatários e atuamos como um veículo de livre manifestação dos estudantes. Créditos das imagens da edição: reprodução.

Ops... Esquecemos dos créditos das fotos da edição passada! São do Lucas Zapparoli. Também não colocamos o dia que a BatéRI ensaia: todo Sábado, às 14h.

Quer mandar sugestões de pauta, criticar, elogiar e/ou declarar o seu amor para nós? Mande e-mails para obaraopucsp@gmail.com

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O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP São Paulo, 08 de maio de 2012

Reforma Curricular : O Gigante acordou! Por Jéssica Sarti O curso de Relações Internacionais da PUC-SP completa 17

mais clareza em que área se especializar na pós-graduação.

anos em 2012. Foi a segunda graduação de RI do país e é até hoje um dos cursos mais renomados do Brasil. Como bons Puquianos sabemos que isso não é o suficiente. Todos os anos os alunos pen-

A Comissão do CARI

sam em como melhorar o curso, como deixá-lo mais completo. Esse

Em resposta à apresentação do projeto da coordenação, o CA-

pensamento não se restringe aos alunos. Desde 2009 nossos profes-

RI organizou uma comissão aberta a todos os alunos que se interes-

sores de RI formulam uma reforma curricular que atenda às de-

saram em estudar o assunto a fundo. Redigimos uma carta de su-

mandas internas e externas e que reafirme o pioneirismo da gradu-

gestões para o aprimoramento da proposta em nome dos estudan-

ação que escolhemos.

tes de RI. Nas duas primeiras reuniões a comissão contou com a presen-

O Projeto

ça de cerca de 20 alunos entre todos os anos do curso. O aluno que participar da comissão poderá conhecer de perto os altos e baixos

Este mês, foi aprovado no CONSAD (última instância deliberativa da PUC) a criação do Departamento de RI, que viabilizará a

da graduação, sabendo onde estão suas falhas e possibilidades de melhora.

reforma curricular. Com o departamento, a coordenação terá mais Essa carta chegou aos professores responsáveis pelo projeto

autonomia para a contratação de professores e controle da grade. no

final

de

abril.

Teve

como

metas:

a

autonomia

A reforma, segundo o professor Reginaldo Nasser, vai valori-

dos alunos na definição de temas para as Oficinas, a mudança

zar o perfil da PUC-SP e de seus alunos. O curso continuará com

das Atividades Supervisionadas como matérias pagas, a manuten-

uma grade plural ligada à Faculdade de Ciências Sociais, mas com

ção das matérias básicas de formação de Ciência Política e a flexibi-

mais matérias direcionadas ao estudo das Relações Internacionais.

lização ainda maior da grade dos estudantes no último ano do cur-

O ciclo de disciplinas básicas para a formação do internacionalista

so.

acabará no 6º semestre, de sorte que o último ano da graduação será composto apenas por matérias optativas – por sua vez divididas entre as linhas de pesquisa de RI, Ciências Sociais, Economia e Di-

Acesse <http://caribarao.org/ww2/index.php/o-barao/acontece-na -puc/152-carta-de-sugestoes-referente-a-reforma-curricular> para

reito.

ler a carta na íntegra. Outra novidade do curso serão as Oficinas, matérias de 2 créditos presentes no 1º, 3º, 5º e 6º semestres. Terão como objetivo capacitar o estudante a analisar diferentes tipos de texto, aprender

E o seu bolso, como fica?

mais sobre as possibilidades de atuação do internacionalista e se preparar para o TCC. Para tanto, cada Oficina terá no máximo 20 alunos. As matérias obrigatórias também passarão por mudanças, bem como a orientação para o TCC, valorizando os orientadores.

Com as mudanças propostas no projeto haverá uma diminuição da carga horária do curso, ou seja, dos créditos. Isso representaria uma diminuição proporcional na mensalidade, motivo pelo qual temos que prestar atenção no reajuste semestral proposto pela FUNDASP (nossa mantenedora), que já se mostrou arbitrária nesse ponto diversas vezes, propondo aumentos abusivos e não justifica-

E o que eu tenho a ver com isso?

dos. Quanto a isso, o professor Reginaldo Nasser colocou a impor-

A Reforma Curricular contemplará não só os calouros que entrarão em 2013, mas também aqueles que ingressaram entre 2010 e 2012, que receberão equivalência dos primeiros semestres.

tância de manter um canal de negociação com a PUC. Disse que vão apresentar relatórios sobre a concorrência que temos no estado de São Paulo (onde estão localizados 54% dos cursos de RI do Brasil),

A reforma trará mais dinâmica e flexibilidade ao curso de RI,

mas que também é responsabilidade dos alunos manter a articula-

permitindo que o aluno tenha maior controle do seu currículo. Ga-

ção política com as instâncias responsáveis. Ele completou que está

rantirá, também, uma formação generalista, o que é bom para a

comprometido e que é seu papel como professor nos auxiliar nas

graduação pois, a partir do seu percurso, o estudante decide com

nossas demandas.


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O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP São Paulo, 08 de maio de 2012

To beer or not to beer? Por Chico Avelino "A Confederação Brasileira de Futebol

agressores (nem sempre a vítima) estão liga-

diretores e até a técnicos e jogadores. As

(CBF) assinou um documento nesta sexta-

dos à torcidas organizadas e estavam em

torcidas organizadas são as que fazem mais

feira que proíbe a venda de bebidas al-

bando no momento da agressão, o que indi-

barulho nos estádios e, portanto, se tornam

coólicas nos estádios brasileiros em partidas

ca uma predisposição desses criminosos em

importantes aliados políticos. Cargas de in-

organizadas pela entidade. O objetivo princi-

cometer crimes do gênero. Culpa da cerveja

gressos são enviadas diretamente às sedes de

pal é coibir a violência entre os torcedores.

no estádio?

graça ou a preço de meia entrada, sem a ne-

'Com a proibição de venda de bebidas al-

Quem freqüenta estádios sabe que

cessidade de identificação - imprescindível

coólicas, pretende-se reduzir substancial-

vendedores ambulantes operam livremente

para que um torcedor comum tenha direito

mente a violência nos estádios, o que já está

por todo o entorno, e que os torcedores cos-

ao desconto. E estes mesmos ingressos, mar-

comprovado onde essa proibição acontece' "

tumam chegar horas antes do início da par-

cados com "Torcida Organizada", são vistos

afirmou Ricardo Teixeira.

tida para ficarem bebendo e batendo papo.

nas mãos de cambistas sendo vendidos com

Faz parte do programa. Nada contra os am-

um lucro generoso. Viagens para jogos no

a

bulantes ou os que consomem a bebida, o

exterior são pagas pelos clubes para a alta

reduzida

ponto é: quem quer assistir ao jogo bêbado

hierarquia das torcidas. Em troca, nada de

ainda o faz, com ou sem proibição.

protestar contra o presidente ou criar con-

Sabe de quando é esta notícia? Você, cidadão violência

brasileiro, nos

percebeu

estádios

quando

foi

"substancialmente"? Pois ela é de abril de

fusão no estádio que possa denegrir a im-

2008, há exatos 4 anos. A medida já estava

Medidas como a diminuição significa-

vigente em diversos estados brasileiros e

tiva dos ingressos disponíveis para a torcida

desde então vale para todos os outros tam-

visitante e a escolta da mesma pela polícia

As autoridades reiteram que é preciso

bém. O anúncio com pompa de solução de

na entrada e saída do estádio evitam ocor-

dissociar a bebida alcoólica do futebol na

todos os problemas de violência nos estádios

rências. Porém, os noticiários nos mostram

cabeça do torcedor. Porém, um dos princi-

não parece ter surtido muito efeito. Em São

cada vez mais brigas entre facções sendo

pais patrocinadores da seleção brasileira é

Paulo, a proibição vale desde 1996, graças à

marcadas pela internet e ocorrendo a

justamente a AMBEV, uma das maiores fab-

batalha

são-

quilômetros de distância do estádio, horas

ricantes de cerveja do mundo. Um bom ob-

paulinos e palmeirenses na final do campeo-

antes e horas depois do jogo. Fica evidente

servador sabe que não há matéria sobre

nato de juniores no Pacaembú. A mesma São

que não são torcedores, mas criminosos que

futebol na Rede Globo que não seja pre-

Paulo onde no mês passado uma briga en-

usam o futebol como uma mera desculpa. O

cedida por um anúncio

volvendo 500 torcedores de Corinthians e

jogo, o resultado, as emoções proporciona-

"Brasileirão 2012, um oferecimento de ..." e

Palmeiras terminou com o assassinato de

das pelo espetáculo são completamente irrel-

certamente entre os patrocinadores citados

um jovem que vestia verde com um tiro na

evantes. Todos sabem onde e quando ocor-

estará uma marca de cerveja. O mesmo Ri-

cabeça, e onde em agosto de 2011 um

rem as brigas, menos a polícia. E a panca-

cardo Teixeira que discursou a favor da

corintiano foi encontrado morto no rio Tietê

daria rola solta.

proibição é o que quer a mudança na lei que

campal

entre

torcedores

após confronto com palmeirenses.

agem dos diretores.

na linha de

permita a venda. E veja você quem é a marca A impunidade é geral e irrestrita. Ning-

de cerveja oficial da copa: Budweiser, cerveja

Uma pesquisa feita pelo jornal Lance!

uém vai preso, ninguém responde pelos

revela um assustador aumento do número

crimes que cometeu. Nos últimos anos vimos

de mortes relacionadas ao futebol. Os assas-

cenas de guerras dentro do estádio com

sinatos, que em 2005 atingiram uma dezena

câmeras de todas as emissoras transmitindo

O congresso parece ter entrado em

pela primeira vez desde o início do levanta-

em tempo real. A identificação dos indivídu-

acordo a respeito da lei geral da copa, e a

mento (1988), passaram para 21 em 2010 e

os é simples e rápida. Ou seria, fosse a polí-

venda de bebidas alcoólicas voltará aos

saltaram para 31 em 2011. Nos primeiros 3

cia minimamente competente. Quem sabe se

estádios em breve. Infelizmente, pelos mo-

meses de 2012 já temos 11 mortes que nos

a prática da violência com camisas de clube

tivos errados. Não há um único senador ou

encaminham para um novo recorde. São

não tivesse risco zero, os mal intencionados

deputado que votará a favor da comercializa-

Paulo, o estado pioneiro neste combate à

pensassem duas vezes.

ção de cerveja em estádios brasileiros pen-

violência,

que

tomou

a

medida

que

"reduziria significativamente a violência no futebol" mais de uma década antes dos outros, acreditem, lidera o ranking, com 32 mortes. A imensa maioria das mortes foi causada por armas de fogo. Quase todos os

americana

recentemente

comprada

pela.....AMBEV. Coincidência?

sando no bem estar do cidadão que lhe paga Além da conivência do poder público, há outra muito mais forte por parte das diretorias dos clubes. Não é incomum inte-

o salário. O interesse que guia a tomada de decisão destes políticos é o da AMBEV, da CBF e da própria FIFA.

grantes das torcidas uniformizadas terem passe livre pelos corredores e livre acesso a

E a cachoeira segue fluindo...


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São Paulo, 08 de maio de 2012

Eleições presidenciais francesas 2012 Dois candidatos, dois partidos, duas alternativas, uma sociedade e um vencedor Por Phillippe Scerb* A cada cinco anos, as eleições presidenciais ocupam o debate público de um país que, apesar de sua cada vez menor relevância política e econômica no plano internacional, ainda é visto como um modelo de civilização ocidental. A corrida presidencial de 2012 não é uma exceção. Em uma França dominada pela insegurança e o medo de uma crise que provoca altas taxas de desemprego e uma relativa precarização dos serviços públicos, o confronto entre duas alternativas políticas, mas também entre dois conjuntos de valores e princípios, mobiliza quase todo o país. Um caso particular em meio a uma Europa dividida entre um sul endividado, instável e absolutamente vulnerável e um norte exitoso, orgulhoso, mas incomodado e preocupado, a França é dominada pela percepção de que estruturas frágeis e inadequadas a levarão ao mesmo destino que Itália e Espanha, para não dizer Grécia. A questão que se coloca, portanto, é como reagirá a população francesa frente a um momento de rara incerteza no que concerne a escolha de um novo (ou antigo) líder político. Dada a preocupante situação econômica e social do hexágono, responsável pelo inegável aumento de tensões culturais e de classe entre a sociedade francesa, aliada a uma atuação extremamente contestada de um presidente recorrentemente apontado como autoritário e centralizador, seria absolutamente previsível um equilíbrio de forças favorável à oposição em um momento de disputa eleitoral. No entanto, os baixos índices de aprovação do atual presidente Nicolas Sarkozy não se traduziram em uma boa margem de vantagem ao opositor socialista François Hollande no primeiro turno das eleições, realizado no domingo, 22 de abril. À primeira vista, tal fenômeno pode parecer estranho, sobretudo quando comparado às convincentes vitórias das oposições em outros países europeus tocados pela crise como Inglaterra, Portugal e Espanha. Contudo, as respectivas razões são razoavelmente evidentes. A resposta para crise de 2008, originalmente provocada pela desregulamentação do mercado financeiro e posteriormente assumida pelos Estados Nacionais da América do Norte e da Europa, veio, paradoxalmente, da direita. O pensamento neoclássico, dominante desde os anos 80, não foi posto em xeque após uma crise que seu modelo provocou; pelo contrário, encontrou em si mesmo uma alternativa para promover a recuperação dos países prejudicados por ela. O mainstream dominante na formulação de modelos econômicos adquirira tal força que não foi contestado ao sugerir medidas de austeridade – notadamente redução dos gastos públicos – como alternativa imprescindível para a recuperação da atividade econômica.

Conjuntamente à força desse discurso nos meios acadêmicos e de poder em geral, sua penetração em instituições públicas, cujo exemplo claro e aplicado ao caso europeu pode ser visto no seu Banco Central, deve ser considerada. Não é obra do acaso a exaltação frequente do supostamente exitoso caso alemão de liberalização econômica que incluiu a flexibilização do mercado de trabalho e a concentração dos esforços industriais no mercado externo, porém que ignora a importância de medidas evidentemente keynesianas tomadas pelo então ministro das finanças socialdemocrata alemão, Peer Steinbruck, para incentivar a produção e ao mesmo tempo assegurar o nível de empregos. Ou seja, o discurso de austeridade atingiu uma posição hegemônica de tal maneira que se tornou quase que incontestável entre uma sociedade civil tida como ignorante para temas econômicos de tal complexidade. Esse é o primeiro motivo pelo qual Sarkozy, aquele que incarna as boas preconizações dos experts, tem chances reais de ser reeleito. Retomando o caso de Inglaterra, Espanha e Portugal, suas respectivas oposições incarnavam esses princípios liberais, de austeridade. Assim, atribuindo a precariedade da situação econômica a governos de esquerda responsáveis por uma suposta irresponsabilidade fiscal, ganharam facilmente seus respectivos pleitos. Ademais, a fragilidade da oposição, incarnada pelo Partido Socialista, pode ser evocada como o segundo motivo para a sobrevida de Sarkozy, ao lado do medo e da insegurança de grande parte da sociedade francesa em relação a um discurso inquestionavelmente de esquerda e desviante do mainstream. A imagem, construída principalmente pela direita e pelos meios de comunicação, de um candidato socialista confuso, inseguro e com uma questionável capacidade de liderança, supostamente comprovada durante o período em que foi secretário geral do Partido Socialista, foi amplamente aceita por boa parte do eleitorado. Apesar da supremacia do discurso conservador, que prega austeridade, não se pode afirmar que ele é homogêneo entre a sociedade francesa. Justamente, o discurso de Hollande reflete a polarização existente dentro da sociedade ao exaltar a importância do crescimento econômico conduzido pelo Estado e relativizar a cessidade de austeridade para o reequilíbrio do déficit público e a retomada da economia. Enquanto Sarkozy enfatiza a importância da combinação de um Estado menos presente econômica e socialmente com uma considerável liberdade de empresa através, por exemplo, do levantamento de barreiras ao ingresso de novas companhias no mercado, Hollande propõe a criação de um Banco Público de Desenvolvimento dedicado ao estímulo da produção de


O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP

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São Paulo, 08 de maio de 2012 pequenas e médias empresas principalmente no que se refere à ino-

centristas e liberais ao passo que o discurso de Sarkozy já está evi-

vação. Enquanto o atual presidente insiste no não aumento dos im-

dentemente alinhado a uma estratégia destinada a atrair votos da

postos sobre a renda, evocando o risco de evasão fiscal e de redução

extrema direita. Exaltando fatores explicitamente nacionalistas, te-

dos estímulos à produção, Hollande propõe uma reforma fiscal que

mas de segurança ligados ao extremismo islâmico e supostos proble-

inclua um nível de contribuição de 75% sobre aqueles que detêm

mas provocados pela imigração ilegal, Sarkozy colocou a imigração

renda anual acima de 1 milhão de euros.

no centro do debate político. Aliás, o papel ocupado pela imigração,

Essa polarização presente na sociedade e expressa nos progra-

que envolve também questões culturais como, por exemplo, o menu

mas de governo dos principais candidatos é escancarada pela enor-

adaptado à dieta islâmica em escolas públicas, reflete a evidente po-

me dimensão dos partidos posicionados nas extremidades do espec-

larização social discutida anteriormente.

tro político francês durante a campanha. Os resultados do Front Na-

Comparando as eleições francesas ao caso brasileiro; a bonança

tional (partido de extrema direita que havia chegado ao segundo tur-

econômica, os claros avanços sociais e o atendimento de interesses

no nas eleições de 2002 devido, essencialmente, ao alto índice de

de diversos grupos e classes durante os Governos de Lula, fizeram

abstenção observado esse ano) e do Front de Gauche (uma coalizão

com que as campanhas de 2010 fossem marcadas por uma conside-

formada por partidos à esquerda do Partido Socialista, dentre os

rável proximidade entre programas de governo e inclusive entre os

quais o famoso e ao mesmo tempo esquecido Partido Comunista

discursos dos principais candidatos. Relevantes ilustrações dessa

Francês e encabeçada pelo ex-socialista Jean-Luc Mélenchon) soma-

proximidade são a utilização da imagem de Lula na propaganda elei-

ram, no primeiro turno, 30% dos votos de eleições que contaram

toral televisiva de José Serra e o comprometimento do candidato tu-

com um índice de abstenção consideravelmente baixo, evidenciando

cano a manter o programa Bolsa Família, apesar das recorrentes crí-

alta mobilização política. Portanto, uma clara situação de insatisfa-

ticas a seu caráter supostamente assistencialista por parte de grupos

ção e a aproximação de uma proposta ideológica mais agressiva em

conservadores. Na França, o que se observa é, ao revés, um enorme

relação a um modelo imposto por elites políticas levaram eleitores

abismo entre os dois candidatos, leia-se partidos, grupos de interes-

de classes baixas e médias a sustentarem grupos políticos distantes

se e população. Diferença essa notada entre a retórica dos candida-

do centro do debate. Faz-se, de tal forma, fundamental a análise da

tos, mas também, apesar de negações por parte da extrema esquerda

influência desse fenômeno sobre os discursos e os programas das

e da extrema direita, entre suas propostas e seus planos de governo.

grandes forças políticas. Se em 2007, em um momento de estabilida-

Planos esses que são absolutamente ambiciosos ao se considerar as

de socioeconômica, o centrista Bayroo surpreendeu a todos e con-

transformações estruturais que eles sugerem, evidentemente levan-

centrou as atenções no momento seguinte ao primeiro turno de

do em consideração a força política com a qual conta um presidente

2007, quando obteve 18,7% do sufrágio, agora são os “Fronts”, Nati-

francês que detenha maioria simples na Assembleia Nacional.

onal e De Gauche, que atraem a atenção das mídias, dos eleitores e, como consequência, dos grandes partidos.

É nítido que Hollande, hoje, após o primeiro turno e com a significante vantagem que lhe outorgam pesquisas de intenção de voto

As relações entre o PS e o Front de Gauche, assim como aquela

para o segundo turno, está mais forte para remporter as eleições, no

a ser estabelecida entre o UMP e o Front National são igualmente

próximo dia 6. Os votos de Marine Le Pen (19% no primeiro turno)

interessantes objetos de análise. Contradizendo a usual impressão

não devem ser automaticamente atribuídos ao atual presidente. Seu

de que o Front de Gauche se contentaria em difundir um discurso

discurso conservador não necessariamente atrai eleitores extrema-

anti-sarkosista e de embate em relação à crescente ameaça da extre-

mente insatisfeitos com uma classe política que aos seus olhos não

ma direita, Mélenchon acusou abertamente os socialistas de não se

representa as demandas do povo e que busca, em Marine Le Pen,

posicionarem de forma suficientemente forte e corajosa contra um

uma alternativa fora do sistema. Não obstante, essas eleições não

modelo fruto de interesses particulares de uma classe financeira em

deixam de representar um risco enorme para os socialistas. Depois

detrimento das necessidades básicas das classes baixas. O PS estaria,

de 14 anos de Governo de Mitterand, o PS nunca contou com uma

portanto, comprometido com relações de poder com a elite e seria

quantidade tão vasta de recursos para acabar com a hegemonia da

uma versão tímida do Front de Gauche, que por sua vez exprimiria

direita no palácio do Elysée. Se essa chance for desperdiçada, o futu-

de forma autêntica os interesses das classes desfavorecidas. Em seu

ro da esquerda francesa e, muito provavelmente, da esquerda euro-

primeiro discurso após o primeiro turno, o apoio ao candidato socia-

peia, poderá ser consideravelmente ameaçado.

lista foi expresso na forma de um apelo a derrotar Sarkozy no segundo turno, em nenhum momento como um chamado a votar Hollande, cujo nome não foi pronunciado. No que concerne as relações entre UMP e FN, é absolutamente improvável que haja uma aproximação formal. De acordo com o discurso antielitista, “antifinanceiro” e de protesto em relação ao governo Sarkozy, dificilmente Marine Le Pen poria em risco parte de seu capital político em troca de um pequeno espaço em um futuro Governo UMP. Considerando a perspectiva do UMP, um acordo formal com o FN poderia afastar eleitores

*Philippe Scerb , 21 anos, é aluno do programa de duplo diploma PUC-SP – Science Po e reside atualmente em Poitiers. Até o fechamento dessa edição, o resultado da eleição não havia saído.


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São Paulo, 08 de maio de 2012

Caminho das Índias por Lucas Zapparoli e Maria Shirts Como foi a seu dia-dia no evento? Eu preferi ficar na casa de um dos meus contatos da AIESEC, minha antiga instituição de trabalho. Conheci melhor a cultura local, mais do que se eu tivesse me hospedado em um hotel. Ainda fiz muitas amizades, já que a casa abrigava 14 pessoas de diferentes nacionalidades. Era um pouco distante do local da conferência e tive de pegar o metrô todos dias. O sistema é bem moderno e diferente: há vagões apenas para mulheres.

Raquel Rosenberg, 22 anos, é estudante do 7º Semestre de Relações Internacionais da PUC-SP. No mês de abril, ela participou da Quarta Cúpula do BRICS na Índia, representando o BRICS Institute (IBRICS), um dos setores do Jai Group. Leia a seguir o relato de sua experiência profissional e suas impressões dos 10 dias que passou em Nova Déli, Mumbai e o monumento do Taj Mahal.

Conte-nos um pouco a respeito do estágio que lhe deu esta oportunidade. Eu faço o planejamento estratégico do Jai Group, uma consultoria de internacionalização de empresas. É uma firma pequena, tanto que tenho um setor só meu. O setor em que trabalho chamase The BRICS Institute (IBRICS) e a minha função é promover os países do grupo do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Como você conseguiu esse trabalho? Conheci uma garota da Índia fazendo aulas de dança indiana e ficamos muito amigas. Quando resolveu voltar ao país de origem, a levei ao aeroporto e disse que sentiria muita falta dela e do contato que tinha com a sua cultura. Ela fez questão de ligar na hora para um amigo indiano da Jai Group e nós marcamos um café. Saí do encontro já com o emprego e este amigo agora é o meu chefe.

Você foi para a conferência dos BRICS, em Nova Déli, como a representante mais jovem da delegação brasileira. Que funções você desempenhou lá? Fui estabelecer novos contatos com empresários dos países envolvidos no arranjo informal a fim de promover o novo portal da consultoria, e também conseguir articulistas para este site. Além disso, aproveitei para divulgar o Comitê Universitário Paulista, grupo de ativismo em prol do desenvolvimento sustentável. Sou uma das fundadoras do grupo.

Nos quatro dias de Cúpula o ritmo foi frenético, networking a todo instante. Durante apresentações e almoços sempre procurava sentar ao lado de pessoas que gostaria de entrar em contato. Com isso, consegui conversar com presidentes e CEOs de empresas grandes como Embraer, Petrobrás e Brascon. Além disso pude ver a Presidente Dilma discursar de perto, achei ela cativante.

Você passou 4 dias na Quarta Cúpula do BRICS e depois teve tempo de viajar um pouco. Qual são as suas impressões gerais dos lugares? A desigualdade social era muito visível, o que pude ver de perto por não ter ficado em um hotel. Além disso, o trânsito é um caos, os carros buzinam a todo minuto e quase não há faixas nas pistas. Em Déli eu já senti isto, mas Mumbai é ainda mais confuso. Também tive a oportunidade de conhecer o Taj Mahal, o que me deixou emocionada. O hinduísmo afeta muito a rotina dos indianos. Eles costumam ser machistas, apesar de muito educados – todos me chamavam de madam. Durante a viagem, muitos indianos tiraram fotos de mim por eu ser diferente; mas quando eu pedia para pararem eles obedeciam sem problemas. Portal IBRICS http://www.i-brics.com/


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São Paulo, 08 de maio de 2012

Xingú — Uma expedição Por Larissa Soares Xingú narra a trajetória dos irmãos Vilas Boas após se juntarem

O filme retrata fiel e minuciosamente os fatos marcantes dessa

a uma expedição para “desbravar” o Oeste Brasileiro. As expedições

história como a primeira visão dos Krenhakarores (que, na época,

foram organizadas durante o governo militar para aumentar a segu-

acreditava-se ser a última tribo isolada), as negociações com o gover-

rança e reafirmar a posse dos territórios; contava com sertanistas,

no militar, a construção da BR- 163 (a Cuiabá-Santarém) e o projeto

analfabetos, peões e desempregados que tinham nelas a única opor-

do Parque Nacional do Xingu; relata, principalmente, a personalida-

tunidade de trabalho e sobrevivência. Já os irmãos se juntaram à ex-

de e os sentimentos de Cláudio e Orlando ao descobrirem os efeitos

pedição para lançar-se no desconhecido. O filme descreve o senti-

do contato com os brancos, da responsabilidade pela vida de tantos

mento de excitação em aventurar-se, estar onde nenhum branco es-

grupos, do sentimento de impotência perante a burocracia política e

teve e descobrir um novo Brasil.

da imersão nas culturas que alteraria suas vidas para sempre.

A excitação durou só até a primeira epidemia de gripe varrer os

Xingú é a narrativa de uma jornada heroica, na acepção do ter-

índios recém-contactados. Nas décadas seguintes, Cláudio e Orlando

mo: vai do chamado à aventura até a síntese de tudo o que ela repre-

(Leonardo deixou cedo a expedição e morreu em 1961) se dedicaram

sentou e destaca, adequadamente, a importância dos seus persona-

em ser a vanguarda do avanço inevitável para proteger as tribos no

gens pela atuação excepcional de João Miguel (Cláudio) e Felipe Ca-

caminho deste, e para tentar regular esse avanço.

margo (Orlando).

Veja também... por Thais Adabo

Conspiração Americana

Luz nas Trevas — A Volta do

Bandido da Luz Vermelha

Sinopse

Na sequência do assassinato de Abraham Lincoln, sete homens e uma mulher são presos e acusados de conspirar para matá-lo. E esse é só o começo da história de uma grande conspiração.

Direção

Robert Redford

Gênero

Drama

Duração

122 minutos

Estréia

4 de maio de 2012

Classificação do Barão Retrata a trajetória de Jorge Bronze, conhecido pelo codinome Tudoou-Nada. Ele é filho do famoso Bandido de Luz Vermelha (Ney Matogrosso), que assaltava casas de ricos paulistanos e foi transformado em ícone pelo jornal Notícias Populares. Por outro lado, aborda a vida de Luz Vermelha em um presídio de segurança máxima, mostrando como ele lida com a fama de ser um dos criminosos mais famosos do Brasil. Gênero: Drama. Duração: 83 min. Estreia: 11 de Maio de 2012. Classificação do Barão:


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O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP São Paulo, 05 de mayo de 2012

Quinta página Charge sobre as Ilhas Malvina, por Vinícius Neves.

Cruzadinha das Relações Internacionais, por Thais Adabo 1.

É considerado o precursor do Direito internacional, baseando-se no Direito natural.

2.

Parte das ciências humanas que estuda o comportamento humano em função do meio e os processos que interligam os indivíduos em grupos e instituições.

3.

Termo criado pelo professor de Harvard Joseph Nye para descrever habilidade de um Estado em influenciar indiretamente por meios culturais ou ideológicos.

4.

Sistema político-econômico baseado na defesa da liberdade individual contra as ingerências do poder estatal.

5.

Refere-se à entidade que não conhece superior na ordem externa nem igual na ordem interna.

6.

Kenneth (*). Foi um dos fundadores do neorrealismo ou realismo estrutural, na teoria das Relações Internacionais.

7.

Interpreta a vida social conforme a dinâmica da base produtiva das sociedades e das lutas de classes daí conseqüentes. Conjunto de idéias elaboradas por Marx e Engels.

8.

Direitos e liberdades básicos de todos os seres humanos.

9.

Federação democrática e parlamentária localizada na Europa central e tem hoje Angela Merkel como primeira ministra.

10.

Hans (*). Realista clássico foi pioneiro no campo de estudos da teoria das relações internacionais ao introduzir a noção de balança de poder, que é a aspiração por várias nações de tentar manter ou derrubar o status quo. S OPS E R

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O Barão — Jornal dos alunos de Relações Internacionais da PUC-SP

10

São Paulo, 08 de maio de 2012

Sequestro Acadêmico Por Gustavo Sumares Sequestro acadêmico é o fenômeno que ocorre quando, na sala de aula, sobram apenas o professor e um pequeno punhado de alunos. Isso geralmente ocorre porque a aula é uma bosta; no entanto, os alunos presentes, por serem numa quantidade pequena o suficiente para que a saída de mesmo um deles torne a aula inviável (e pequena o suficiente também para que o professor se lembre bem do rosto do filho da puta que ousar sair), se vêem presos lá dentro até quando o professor quiser. Por isso sequestro. Recentemente presenciei um caso bastante grave. No início da aula, haviam apenas 6 alunos na sala. Um desses saiu rapidamente, vendo o sequestro em formação, e topou com um outro aluno que se dirigia à aula. Avisou-o do perigo de entrar na sala e os dois ficaram na porta, papeando. Conforme outros alunos chegavam, eram avisados por esses que já estavam lá do sequestro acadêmico que ocorria e

tas vezes, ir a aula nada mais fez a mim além de me roubar uma óti-

juntavam-se ao papo, de forma que em pouco tempo o número de

ma oportunidade de ficar em casa dormindo. Deve-se, sendo profes-

alunos conversando fora da sala era maior que o dobro do número de

sor e especialmente em caso de sequestro acadêmico, ter sempre em

alunos dentro da sala. Com isso, quem estava fora não entraria tão

conta esse custo de oportunidade ao tratar com alunos. Se poucos so-

cedo assim na aula, e quem estava dentro não tão cedo sairia.

braram, não entenda que eles estão lá porque querem ficar ao seu lado até a morte, mas sim que eles muito provavelmente foram os que

Eu, que só aprendi na faculdade e com grande custo a ser mau aluno, já fui vítima de sequestro acadêmico mais de uma vez. Seja porque me cortava o coração sair da aula que o professor dava com tanta boa vontade (olha que cabaço eu era), seja porque um descuido meu me fez precisar ir, para pegar presença, numa aula que todos sa-

não tiveram chance de sair. Recompense esses poucos com pontos bônus na prova, com esclarecimento de dúvidas pertinentes à prova, com bônus em presença (de forma que eles tenham um crédito para faltar na aula futuramente), liberando-os para ir pra casa mais cedo, enfim, tomando atitudes benevolentes.

biam que seria um lixo, me vi vítima dessa situação extremamente desagradável. O mais desagradável dela é que quase sempre o profes-

Essa situação reflete, obviamente, um grande desinteresse dos

sor se recusa a ver o óbvio: ninguém quer ter aula. Claro, de vez em

alunos com relação a certas aulas. Claro, mesmo em Harvard, Oxford

quando aparece um doido masoquista que se diz ser “interessado em

ou Princeton haverão aulas com maior frequência, aulas com menor.

Aprender” ou coisa assim, mas a gente normal queria mais é ir pra

Mas duvido que em qualquer uma dessas faculdades hajam aulas

casa dormir. Não capta essa noção o professor, que continua a falar

presenciais cuja frequência seja constantemente menor que 10% da

para sua exígua platéia como se fosse o Líder do Povo chinês falando

sala. E é interessante notar também que os 10% que geralmente com-

para toda sua vasta população bilionária. Pior ainda: algumas dessas

paressem não são, geralmente, os 10% com as melhores notas. De

vezes, o professor aproveita a escassez de pessoas para poder “se

forma que mesmo aqueles que se postam diante do professor com

aprofundar mais” no conteúdo, o que resulta em idéias absurdas, ati-

“interesse em Aprender” talvez não estejam fazendo a melhor escolha

vidades extremamente exigentes e punitivas para os que ficaram na

ao assistir a aula. Como já dizia o eterno Frank Zappa, “Se você quer

aula, e a promessa desses que ficaram de nunca mais ver uma aula

aprender, vá para uma biblioteca. Se quer trepar, vá pra faculdade”.

sequer desse corno viado. Como seria mais adequado que o professor agisse, em casos de sequestro acadêmico? Acho que o melhor seria recompensar os alunos presentes, não com “abordagens mais aprofundadas” nem com

Para ler mais crônicas do Gustavo Sumares

“debates provocadores”, mas com atitudes que fossem de fato recom-

acesse: www.osumario.wordpress.com

pensas, como pontos a mais na prova e saída da aula mais cedo. Os professores quase sempre se esquecem que a sua aula tem um custo de oportunidade para todos os que se aventuram a frequentá-la: mui


O Barão 2