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ÍNDICE 04 TV Morrinho Uma Pequena Revolução


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TV MORRINHO UMA PEQUENA REVOLUÇÃO O Morrinho é uma maquete feita de pedaços de tijolos na favela do Pereirão, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Dentro desse “brinquedo” há quase mil bonecos, personagens de um jogo de ação realizado segundo as regras da favela, onde “bandidos” e “mocinhos” alternam papéis. Há seis anos, quando teve início a gravação de um documentário sobre a inusitada instalação, os garotos se interessaram pelo manejo de câmera e surgiu a idéia de se desenvolver uma iniciativa que proporcionasse treinamento nessa atividade. A idéia da TV Morrinho, se baseia em ser uma ação que , além de capacitar profissionalmente, desenvolve de maneira sistemática a própria iniciativa: poder continuar reinterpretando a realidade de uma maneira criativa,usando o vídeo como instrumento. ONG Morrinho

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ARQUITETURA DE UMA OBRA SOCIAL O curador da 52a Bienal de Veneza, Robert Storr descreveu o Morrinho em 2007 como “um paradigma de auto-determinação, um exemplo de escultura social. Uma escultura na qual as vidas redirecionadas de seus autores são mais da metade do trabalho”. Este extrato do texto publicado no catálogo da Bienal de Veneza, resume de forma precisa a trajetória dos autores do Morrinho, desde sua origem até sua maturidade artística, e é também esclarecedor sobre o valor que a obra tem conquistado em suas diversas exposições coletivas, nacionais e internacionais.


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Desde 2001, quando acontece sua primeira exposição na Mostra Internacional Rio Arquitetura, até exposições mais recentes, como a instalação e video performance TV Morrinho Live, no Festival Wiener Festwochen, em Viena (2008), no Festival Brazil, em Londres (2010) e na coletiva The Great Babylon Circus, na Holanda (2011), a estética do Morrinho se adaptou a diversas condições espaciais e estruturais, incorporando objetos e ícones do cotidiano dos lugares que passa, criando novos sentidos para estes espaços. Incluindo um processo colaborativo de trabalho, na preparação dos tijolos e pintura das casas para a instalação, a reconstrução do Morrinho representa também uma eterna transformação na vida de seus criadores, que ainda vivem numa favela carioca, e cuja arquitetura anárquica os inspirou e os inspira todos os dias. A economia informal do mercado de trabalho que perpassa toda comunidade de baixa renda, é de certa maneira similar ao mercado das artes visuais, condições sociais que permitem que o Morrinho sobreviva como um coletivo com aspirações para mudanças sociais (incluindo a mudança de consciência de cada um de seus integrantes), buscando uma outra percepção ética e estética sobre as favelas cariocas.


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Projeto Morrinho: Architecture of a social art work The 52a Venice Biennale’s curator, Robert Storr described Morrinho as a “paradigm of selfdetermination, an example of a social sculpture. A sculpture in which the redirected lives of it’s authors are more than half of the work”. This extract from a text published in the Venice Biennale’s catalogue, resumes precisely what the objective of the Project Morrinho has been since it’s creation and the value that the work has achieved through its participation in national and international exhibitions. Since 2001, when the first exhibition took place in the International Rio Architecture Exhibit, to more recent exhibitions; London (2010), Austria (2008) and Venice (2007), Morrinho’s aesthetics has adapted itself to different enviroments and structures, incorporating objects and icons of the ethos of the places where it went by, creating new meanings for these spaces. The collaborative working process includes the preparation of the bricks and the painting of the houses for the installation art. The reconstruction of the Morrinho also representes an on going transformation in the lives of it’s creators, who still live in the “favela” they grow up at. The favela’s anarchic architecture inspired them all the time. The informal economy situation regarding working conditions, that is part of every low income communit reality, is somehow similar to the visual arts and audiovisual market, social condition that allows Morrinho to survive as a group with aspirations for social changes, searching for different ethical and aesthetical perceptions regarding Rio de Janeiro’s Favelas.


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O PROCESSO CRIATIVO DA TV MORRINHO Em 2001, durante a gravação de um documentário sobre o Morrinho, na comunidade Pereira da Silva, seus criadores se interessaram pelo manejo de câmera, surgindo a idéia de desenvolver uma iniciativa que proporcionasse treinamento nessa atividade. Esta produção audiovisual da TV Morrinho representa, de uma certa maneira uma continuação do documentário, iniciado em 2001 e finalizado 7 anos depois. O cotidiano dos artistas do Morrinho e de sua comunidade


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TV Morrinho’s creative process In 2001, during the Morrinho documentary shooting, it’s creators became interested in filming; from that, came the idea to develop an initiative to promote the training for them to develop the skills. TV Morrinho’s audio visual production represents, in a certain way, the continuity of the documentary that started being made in 2001, and seven years latter was ready to be shown. The everyday lives of the artists and their surroundings appear in every video production made by them; from the Lego animations to “foreign” documentaries about the community, such as the video “Troca de Olhares” – Exchanging Points of View – produced by the project “Vídeo nas Aldeias” – Video in the Villages, in 2009; to the music video named “Nomes de Favelas” - Favela Names – that was shot at Pereirão, the community Morrinho is at, by its sports court and the street in front of the last wodden shack of the hill. Today, these sites have gone through a big change. Morrinho’s construction process and its changes are recorded in short films such as “Inauguração da TV Morrinho” - TV Morrinho’s Opening – shot in 2002 and the animation of the starting sequence of the short film “ Morrinho, a história” – Morrinho, the history – (2007). The short films produced for Nickelodeon were created to attend to a specificity –the production of children and teenagers animated videos. With the broadcasting assured and the lack of budget to produced the videos, an “inventive creative process took place” (borrowing the terms used by the film critic Jairo Ferreira), where the imagination was more important than the budget.

são temas recorrentes de tudo que é produzido em vídeo, desde uma animação feita com bonecos de Lego até documentários de “estrangeiros” sobre a comunidade, como o video “Troca de Olhares”, produzido pelo Vídeo nas Aldeias, em 2009/2010. Um videoclipe produzido em 2007, “Nomes de Favelas”, utiliza como locações a quadra de esportes e a rua em frente ao último barraco de madeira da comunidade, dois locais já totalmente modificados, hoje em dia. O próprio processo de construção do Morrinho, e suas modificações são registrados em curtas como “Inauguração da TV Morrinho” , gravado em 2002, e a abertura em animação do média metragem “Morrinho, a história” (2007). Os curtas produzidos para Nickelodeon foram criados à partir de uma necessidade específica – a criação de animações para crianças e adolescentes. Apesar de ter garantida sua veiculação na TV, a ausência de orçamento para realização destes curtas, que incluem os 2 episódios de Acadêmicos do Morrinho e O Saci no Morrinho acabou estimulando uma processo criativo de um cinema de invenção (usando emprestado o termo do crítico e cineasta Jairo Ferreira), onde a imaginação era mais importante que o orçamento. Chico Serra


O PROCESSO CRIATIVO DA TV MORRINHO Em 2001, durante a gravação de um documentário sobre o Morrinho, na comunidade Pereira da Silva, seus criadores se interessaram pelo manejo de câmera, surgindo a idéia de desenvolver uma iniciativa que proporcionasse treinamento nessa atividade.

TV Morrinho’s creative process In 2001, during the Morrinho documentary shooting, it’s creators became interested in filming; from that, came the idea to develop an initiative to promote the training for them to develop the skills. TV Morrinho’s audio visual production represents, in a certain way, the continuity of the documentary that started being made in 2001, and seven years latter was ready to be shown. The everyday lives of the artists and their surroundings appear in every video production made by them; from the Lego animations to “foreign” documentaries about the community, such as the video “Troca de Olhares” – Exchanging Points of View – produced by the project “Vídeo nas Aldeias” – Video in the Villages, in 2009; to the music video named “Nomes de Favelas” - Favela Names – that was shot at Pereirão, the community Morrinho is at, by its sports court and the street in front of the last wodden shack of the hill. Today, these sites have gone through a big change. Morrinho’s construction process and its changes are recorded in short films such as “Inauguração da TV Morrinho” - TV Morrinho’s Opening – shot in 2002 and the animation of the starting sequence of the short film “ Morrinho, a história” – Morrinho, the history – (2007).

Esta produção audiovisual da TV Morrinho representa, de uma certa maneira uma continuação do documentário, iniciado em 2001 e finalizado 7 anos depois. O cotidiano dos artistas do Morrinho e de sua comunidade são temas recorrentes de tudo que é produzido em vídeo, desde uma animação feita com bonecos de Lego até documentários de “estrangeiros” sobre a comunidade, como o video “Troca de Olhares”, proshort films produced for Nickelodeon duzido pelo Vídeo nas Aldeias, em 2009/2010. The were created to attend to a specificity – Um videoclipe produzido em 2007, “Nomes de the production of children and teenagers animated videos. With the broadcasting Favelas”, utiliza como locações a quadra de es- assured and the lack of budget to proportes e a rua em frente ao último barraco de duced the videos, an “inventive creative process took place” (borrowing the terms madeira da comunidade, dois locais já totalmen- used by the film critic Jairo Ferreira), te modificados, hoje em dia. O próprio processo where the imagination was more important than the budget. de construção do Morrinho, e suas modificações são registrados em curtas como “Inauguração da TV Morrinho” , gravado em 2002, e a abertura em animação do média metragem “Morrinho, a história” (2007). Os curtas produzidos para Nickelodeon foram criados à partir de uma necessidade específica – a criação de animações para crianças e adolescentes. Apesar de ter garantida sua veiculação na TV, a ausência de orçamento para realização destes curtas, que incluem os 2 episódios de Acadêmicos do Morrinho e O Saci no Morrinho acabou estimulando uma processo criativo de um cinema de invenção (usando emprestado o termo do crítico e cineasta Jairo Ferreira), onde a imaginação era mais importante que o orçamento. Chico Serra


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