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Ano XII nº 168 março/2009 Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto

2007-2009

AEAARP: pronta para o futuro Reforma administrativa, modernização da sede e valorização profissional marcaram esta gestão. ARTIGO compara o Casarão da Caramuru com o tombamento da Agrishow

LUMINOTECNICA está revolucionando o design de interiores


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Editorial

60 Eng. Civil Roberto Maestrello

Há dois anos assumimos a direção da AEAARP com um grande desafio. A atual diretoria foi imbuída da missão de fortalecer e valorizar os profissionais que representa. Hoje, concluímos que grandes e importantes avanços foram alcançados e que estamos no rumo certo. Nesta edição da revista Painel, trazemos um perfil da gestão, com informações sobre o balanço financeiro, os eventos realizados, as obras e ações empreendidas nestes dois anos. O último período na AEAARP foi profícuo em realizações. Todas as diretorias se dedicaram às suas áreas, o Fórum Permanente de Debates Ribeirão Preto do Futuro reuniu especialistas e se debruçou sobre temas importantes, revelando para a sociedade a importância do debate franco e democrático. Do ponto de vista administrativo, além da modernização de gestão, administramos com respeito o orçamento da entidade. As contas de 2007 e 2008 foram aprovadas por unanimidade. Investimos pesadamente em obras, eventos e publicações. Firmamos importantes parcerias com a iniciativa privada e com o Crea-SP que viabilizaram essas ações, com respeito e sem prejuízo ao caixa da entidade. Investimos R$ 791 mil em obras e eventos. É essencial observarmos que assumimos a entidade com R$ 427.414,24 em caixa e o balanço fechado em 1º de fevereiro de 2009 aponta que temos R$ 407.895,71. Portanto, o caixa permaneceu praticamente inalterado, com a vantagem de termos quase dobrado o patrimônio. Esta é a comprovação de que a gestão de receitas e despesas foi rígida. Investimos certo, contamos com parceiros importantes e avançamos na direção correta. Os efeitos são visíveis também na reestruturação física, com a remodelação do salão de festas, o Espaço Gourmet e o deck como prolongamento desses espaços, aumentando a área social da sede, com novos vestiários para a quadra e os novos almoxarifados. O reflexo se deu também nos vários eventos, com grande sucesso, como a Semana de Meio Ambiente, a de Agroenergia, a Semana Tecnológica, a festa dos Profissionais do Ano, a recepção do ministro do Planejamento e do presidente da Câmara Federal, do presidente do IBAPE, do presidente do Instituto de Engenharia, entre tantas outras autoridades e personalidades que aqui foram recebidas, demonstrando a imparcialidade, o apartidarismo, a autonomia e a pluralidade que esta gestão fez questão de ressaltar e preservar em nossa entidade. Conduzimos uma importante negociação que envolveu os planos de saúde oferecidos às famílias dos associados, resultando em relevantes benefícios para o usuário. Hoje pagamos o plano de saúde mais barato do país, e com muitos benefícios. Duas cláusulas, a que mantém o valor do plano independentememte da faixa etária e a que possibilita a permanência de filhos dependentes até 40 anos de idade (solteiros), representam benefícios inéditos. Deve-se observar que muitos de nossos associados têm mais de 50 anos de idade e o contrato dá segurança às famílias. E fizemos mais: organizamos os arquivos da entidade, melhoramos a biblioteca, informatizando-a e catalogando o acervo. Publicamos um livro, AEAARP 60 anos: Histórias e Conquistas, que relata as lutas da entidade e daqueles que trabalharam por sua fundação e por todos os outros que continuaram esse trabalho até os dias atuais. No relacionamento com nossos parceiros, aproximamos a AEAARP do Crea, o que gerou resultados positivos para ambas as entidades. O presidente do Crea venceu as eleições em Ribeirão Preto e a AEAARP tem contado com a presença efetiva do Conselho nos eventos técnicos promovidos em nossa Associação. Além disso, o Crea também está presente na revista Painel. Hoje podemos olhar para o passado com a certeza de que estamos no caminho certo: honrando os esforços empreendidos nessas seis décadas e trabalhando pelo fortalecimento da entidade e de nossas atividades. A AEAARP está preparada para o futuro.

Eng. Civil Roberto Maestrello Presidente da AEAARP


Expediente

Rua João Penteado, 2237 - Ribeirão Preto-SP - Tel.: (16) 2102.1700 Fax: (16) 2102.1700 - www.aeaarp.org.br / aeaarp@aeaarp.org.br Roberto Maestrello

DIRETORIA FUNCIONAL Diretor de Esportes e Lazer: Francisco Carlos Fagionato Diretora Comunicação e Cultura: Maria Inês Cavalcanti Diretora Social: Luci Aparecida Silva

Índice BIBLIOTECA

05

BALANÇO

06

FAEASP

11

ENTREVISTA

12

MERCADO DE TRABALHO

13

LEGISLAÇÃO

14

INFORMÁTICA

15

LUMINOTÉCNICA

16

EXPOSIÇÃO

18

AGRICULTURA

20

ARTIGO

21

CONSTRUÇÃO CIVIL

22

TECNOLOGIA

24

OPINIÃO

25

PESQUISA

26

TRANSPORTE

27

CREA

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Sustentabilidade

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NOTAS E CURSOS

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Gestão 2007-2009 Palavra da Faeasp AEAARP está pronta para avançar, diz Batista Infraero abre vagas para Engenharia e Arquitetura STJ confirma que reciclagem é responsabilidade exclusiva dos fabricantes de agrotóxicos Sistema da PINI já está em operação na AEAARP Sob o foco da luz

Protótipos das invenções de Da Vinci em Ribeirão Preto Financiamento da safra 2009/2010 pode chegar a R$ 100 bilhões Queda de renda no campo Ribeirão Preto se prepara para receber o ConstruSer 2009 Projeto da UFSCar desenvolve papel sintético reciclável A Agrishow e o Casarão da Caramuru Etanol celulósico tem ainda mais vantagens, diz pesquisa Convention quer trem bala em Ribeirão Preto “Nós, do CREA” Talentos verdes

José Roberto Hortêncio Romero Vice-presidente

DIRETORIA OPERACIONAL Diretor-administrativo: Pedro Ailton Ghideli Diretor-financeiro: Ronaldo Martins Trigo Diretor-financeiro Adjunto: Cecílio Fráguas Diretor de Promoção da Ética de Exercício Profissional: José Aníbal Laguna

Associação de Engenharia Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto

AEAARP 60 anos - Histórias e Conquistas

Presidente

DIRETORIA TÉCNICA Engenharia, Agrimensura e Afins: Argemiro Gonçalves Agronomia, Alimentos e Afins: José Roberto Scarpellini Arquitetura, Urbanismo e Afins: Marcia de Paula Santos Santiago Engenharia Civil, Saneamento e Afins: Luiz Umberto Menegucci Engenharia Elétrica, Eletrônica e Afins: Edson Luís Darcie Geologia e Minas: Caetano Dallora Neto Engenharia Mecânica, Mecatrônica, Ind. de Produção e Afins: Júlio Tadashi Tanaka Engenharia Química e Afins: Denisse Reynals Berdala Engenharia de Segurança e Afins: Edson Bim Computação, Sistemas de Tecnologia da Informação e Afins: Giulio Roberto Azevedo Prado Engenharia de Meio Ambiente, Gestão Ambiental e Afins: Evandra Bussolo Barbin DIRETORIA ESPECIAL Universitária: Onésimo Carvalho Lima Da Mulher: Maria Teresa Pereira Lima De Ouvidoria: Geraldo Geraldi Junior CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: João Paulo de S. C. Figueiredo Alexandre Sundfeld Barbin Luiz Antonio Bagatin Carlos Alberto Palladini Filho Luiz Fernando Cozac Edes Junqueira Luiz Gustavo Leonel de Castro Edgard Cury Manoel Garcia Filho Ericson Dias Mello Marcos A. Spínola de Castro Hideo Kumasaka Maria Cristina Salomão Hugo Sérgio Barros Riccioppo Ricardo Aparecido DeBiagi Inamar Ferraciolli de Carvalho Sylvio Xavier Teixeira Júnior José Fernando Ferreira Vieira CONSELHEIRO TITULAR DO CREA-SP REPRESENTANTE DA AEAARP Câmara Especializada em Engenharia Civil: Wilson Luiz Laguna Câmara Especializada em Engenharia Mecânica: Giulio Roberto Azevedo Prado REVISTA PAINEL Conselho Editorial: Maria Inês Cavalcanti, José Aníbal Laguna, Ericson Dias Mello, Giulio Roberto Azevedo Prado e Hugo Sérgio Barros Riccioppo Coordenação Editorial: Texto & Cia Comunicação – Rua Paschoal Bardaro, 269, cj 03, Ribeirão Preto-SP, Fone (16) 3916.2840, contato@textocia.com Editores: Blanche Amâncio – MTb 20907 e Daniela Antunes – MTb 25679  Publicidade: Promix Representações - (16) 3931.1555 - revistapainel@globo.com Adelino Pajolla Júnior / Jóice Alves Tiragem: 5.000 exemplares Locação e Eventos: Solange Fecuri - (16) 2102.1718 Editoração eletrônica: Mariana Mendonça Nader - mmnader@terra.com.br Impressão e Fotolito: São Francisco Gráfica e Editora Ltda. Fotos: Texto e Cia, Arquivo e Banco de imagem. Painel não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados. Os mesmos também não expressam, necessariamente, a opinião da revista.

Horário de funcionamento AEAARP Das 8h às 12h e das 13h às 17h Fora deste período, o atendimento é restrito à portaria.

CREA Das 8h30 às 16h30


biblioteca

AEAARP 60 anos – Histórias e Conquistas “No primeiro encontro com a participação das esposas, o engenheiro Francisco Cláudio Innecchi considerou que as discussões sobre assuntos da AEAARP eram enfadonhas para elas. Há quase 30 anos, as mulheres começaram a se manifestar na AEAARP. Como eram novatas no ambiente – e lembrando que nos diplomas universitários elas eram, ainda, intituladas “engenheiros” – houve posicionamentos de certa forma curiosos. São histórias que hoje ilustram um passado muito distante, se comparado ao papel feminino nas associações de classe como a AEAARP e também na sociedade contemporânea. No capítulo IV do livro AEAARP 60 anos – histórias e conquistas há uma passagem que ilustra os primeiros passos femininos na entidade:

Por proposta do colega Innecchi, foi sugerida a abolição da discussão de assuntos dessa entidade nas reuniões onde comparecessem as senhoras dos colegas, visando não tornar estas ocasiões momentos tão cansativos. As senhoras presentes, embora compreendendo o cavalheirismo do proponente, opuseram-se à sugestão. Essa foi também a primeira manifestação das mulheres na AEAARP,

e a única registrada em ata até os anos de 1980, quando a engenheira civil Maria de Fátima Ferreira associsou-se à entidade. Quatro anos mais tarde, em 1984, Regina de Machi Foresti assumiu a Diretoria de Comunicação e Assuntos Sociais, a única mulher a ocupar um cargo de direção na entidade até então.”

Ficha técnica AEAARP 60 anos – histórias e conquistas Páginas: 112 Formato: 34,5 cm x 24 cm ISBN: 978-85-62130-00-7 Autores: Adriana Capretz Borges da Silva Manhas, Blanche Amâncio Silva, Carlo Guimarães Monti, Daniela Farah Antunes Preço: R$ 50,00

Revista Painel 5


balanรงo

Gestรฃo

6 AEAARP


2007-2009 Desde o primeiro dia de abril de 2007, quando a atual diretoria da AEAARP assumiu o mandato, os cenários político e econômico mundial e local sofreram profundas alterações e a entidade acompanhou as mudanças da sociedade promovendo debates, apresentando sugestões para encaminhamento de problemas da cidade e estimulando discussões por meio da revista Painel, do Fórum Permanente de Debates Ribeirão Preto do Futuro e dos demais eventos promovidos por seus diretores e associados. Eventos No primeiro ano do mandato desta diretoria, foram realizados cinco grandes eventos na AEAARP. O ciclo Cidades em Debates pautou temas como as enchentes que atingem o município, objeto de estudo do Fórum Permanente de Debates Ribeirão Preto do Futuro. O Fórum, então sob a coordenação do engenheiro civil Ericson Dias Mello, elaborou sugestões para a destinação de resíduos sólidos, em parceria com outras entidades, como o SindusCon-SP. Foi também neste ano de 2007 que a AEAARP promoveu pela primeira vez a Semana do Meio Ambiente, cujo êxito refletiu na segunda edição do evento, realizado em 2008. As palestras provocaram debates sobre as políticas

públicas e as ações da iniciativa privada para as questões ambientais. A Semana Agronômica de 2007, que tradicionalmente antecede o Almoço dos Agrônomos, foi ampliada e tornou-se um importante ciclo de palestras sobre a bioenergia, no qual pesquisadores, economistas, empresários e produtores expõem suas visões sobre o agronegócio e a cadeia produtiva. O evento foi coordenado pelo engenheiro agrônomo José Roberto Scarpellini, diretor de Agronomia, Alimentos e Afins na AEAARP. Em 2008, por iniciativa da presidência da AEAARP, o evento recebeu o nome de Marcos Vilela Lemos, em homenagem ao ex-presidente do Conselho Deliberativo, que faleceu em outubro do mesmo ano. Além da Semana Agronômica e a de Meio Ambiente, em 2008 a AEAARP promoveu também a Semana Tecnológica e a de Engenharia e Tecnologia, que reuniram líderes de outras entidades, como os presidentes do Instituto de Engenharia e do CREA-SP, Edemar de Souza Amorim e José Tadeu da Silva.

Contas aprovadas

As contas dos anos de 2007 e 2008 foram aprovadas nas assembléias convocadas pela entidade. A última aconteceu no dia 2 de março de 2009. No dia 1º de abril de 2007 o caixa da entidade contava com R$ 427.414,24, de acordo com o levantamento contábil. No dia 1º de fevereiro de 2009 eram R$ 407.895,71. “Nós fizemos obras, promovemos eventos, lançamos o livro, investimos na revista Painel, além de outras coisas, contando com importantes parcerias. Por esta razão o balanço é positivo”, analisa o presidente Roberto Maestrello. A eleição de prioridades na gestão financeira da entidade possibilitou que recursos conquistados pela direção, como a receita para a promoção da festa dos Profissionais do Ano 2007, por exemplo, fossem suficientes para o evento e também para a aquisição do ar-condicionado do salão nobre, servido anteriormente pelo mesmo equipamento que climatizava a área administrativa.

Investimentos 2007-2009 Obras: R$ 376.026,29 Eventos: R$ 415.203,78

Associados

+ 14%

Em 1º de abril de 2007: 2.580 Em 1º de março de 2009: 2.930

Inadimplência

- 4%

Associados inadimplentes em 1º de abril de 2007: 31% Associados inadimplentes em 1º de março de 2009: 27%

Fontes de receita

O novo salão de festas ganhou um projeto paisagístico e tornouse mais aconchegante

Anuidade Interveniências com convênios ART Aluguel dos espaços AEAARP para eventos Aluguel Crea-SP Revista Painel

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Prêmio Profissionais do Ano e comemoração ao Dia do Engenheiro e do Arquiteto reuniram centenas de pessoas

Prêmio Monica Bergamaschi, Carlos Gabarra e Marcos Spínola de Castro foram os profissionais da Agronomia, Arquitetura e Engenharia homenageados em 2007, em uma festa que reuniu centenas de pessoas na Sociedade Recreativa e de Esportes no mês de dezembro. Em 2008, Manoel Ortolan, Eduardo Figueiredo e José Renato Magdalena foram os eleitos para a tradicional premiação. Selo comemorativo Em 2008 o lançamento do selo comemorativo aos 60 anos da AEAARP, emitido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), abriu a programação que celebrou os 60 anos de fundação da Associação. A comemoração aconteceu no mês de abril, no salão de festas da sede da entidade. Reformas O salão de festas da AEAARP foi totalmente reformado e modernizado – o projeto do arquiteto Carlos Gabarra ampliou o espaço, que ganhou portas de vidro, novo projeto paisagístico e novos banheiros. Além desta obra, em 2008 o antigo american bar foi convertido no charmoso Espaço Gourmet, o estacionamento também foi reformado e ampliado, além da sala de depósito, onde está sendo organizado o almoxarifado da AEAARP. O deck, que amplia o salão de festas em 100 m2, está em fase de finalização. O plano de obras, aprovado pelo Conselho Deliberativo, prevê outras ampliações – como a modernização do espaço ocupado pelo CREA-SP – que devem ser concretizadas no próximo período. 8 AEAARP

Welson Gasparini, Paulo Bernardo e Roberto Maestrello

Ministro e Presidente da Câmara dos Deputados estiveram na AEAARP O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, esteve na AEAARP e expôs as ações que integram o Programa de Aceleração do Desenvolvimento (PAC). Naquela oportunidade, Bernardo ressaltou a necessidade de mão-de-obra para a execução do programa. Segundo ele o país estava precisando de pelo menos mais 50 mil engenheiros para dar seguimento aos projetos. Já o deputado federal Arlindo Chinaglia esteve na AEAARP na condição de presidente da Câmara dos Deputados e recebeu três exemplares do livro AEAARP 60 anos: Histórias e Conquistas, destinados às bibliotecas da Câmara e do Senado Federal, além de um exemplar para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, Chinaglia ressaltou a importância da participação da sociedade civil organizada nas decisões do poder público e recebeu, do presidente Roberto Maestrello, o pedido para que intercedesse pela liberação de recursos para a realização de obras de infraestrutura em Ribeirão Preto.

José Roberto Geraldini Júnior, Arlindo Chinaglia, Roberto Maestrello, João Paulo Figueiredo e Maria Inês Cavalcanti.


AEAARP a coreografia que havia sido montada especialmente para exibição ao príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, em sua visita ao Brasil.

A história da AEAARP

Novos computadores para a sala de informática Cinco novas máquinas foram adquiridas e todos os equipamentos da sede estão equipados com Windows Vista Business e pacote Office 2007, além de 14 monitores de LCD.

Imigração japonesa A AEAARP também festejou os 100 anos da imigração japonesa, homenageando três profissionais da área tecnológica que representam essa comunidade: Iwao Inada, engenheiro agrônomo aposentado, Otavio Okano, engenheiro civil, e Mario Miahara, também engenheiro agrônomo. A entidade se abriu para exposições dos trabalhos do artista plástico Shozo Mishima e da artesã Massumi Wakasugui, além de apresentações dos grupos Yukio Yamashita e da Associação Cultural Japonesa, que levou à

O lançamento do livro AEAARP 60 anos: Histórias e Conquistas, no final do mês de dezembro, encerrou as atividades sociais do ano de 2008. A obra consumiu mais de um ano de pesquisas e traz um pouco da história do desenvolvimento de Ribeirão Preto – da fundação até o ano de 1948, quando nasce a Associação de Engenharia – e da história da entidade até os dias atuais. A obra narra a trajetória de formação da entidade, desde as primeiras reuniões até a última homenagem do Prêmio Profissionais do Ano, entregue em dezembro de 2008. Antes, entretanto, conta a história da fundação e urbanização do município de Ribeirão Preto. O livro foi produzido pelas jornalistas Blanche Amancio e Daniela Antunes, pelo historiador Carlo Monti e a arquiteta Adriana Capretz. A entidade está doando exemplares para as bibliotecas públicas municipais.

Eleições municipais No segundo semestre de 2008, a entidade recebeu todos os candidatos a prefeito da cidade. Eles apresentaram suas propostas para as áreas de infraestrutura, planejamento, habitação e trânsito, abrangendo os temas que mais influenciam os debates promovidos pela AEAARP. Exposição As atividades em 2009 foram retomadas com a abertura da exposição fotográfica Sob o Olhar da Tecnologia e do Desenvolvimento, com imagens produzidas pelo Grupo Amigos da Fotografia retratando as alterações urbanas e sociais pelas quais Ribeirão Preto passou nas últimas décadas. Documentos Em 2009, a diretoria investiu na organização dos documentos que contam a história da AEAARP, contratou uma bibliotecária e recuperou um importante acervo, reorganizando a biblioteca e tirando do depósito, conhecido como Casa da Coruja, várias caixas de documentos e livros que se misturavam com móveis sem uso e material de construção. Abertura do primeiro livro de atas da AEAARP

Wilson Laguna é o novo coordenador D e s d e n ove m b r o d e 2 0 0 8 , Wilson Luiz Laguna coordena o Fórum Permanente de Debates Ribeirão Preto do Futuro. Ao assumi-lo, Laguna disse que tem como prioridade o debate de uma nova política para o trânsito e o transporte em Ribeirão Preto, temas que estão previstos no Estatuto das Cidades. Revista Painel

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2007-2009 40%

10 AEAARP

Convênios médicos são renovados com benefícios exclusivos A atual diretoria renovou o contrato com a Unimed, prestadora de serviço de convênio médico que há mais tempo atende às famílias dos associados. Intensas negociações resultaram na prorrogação do contrato (que venceria em 2010) para 2020. Todo o processo foi acompanhado e aprovado pelo Conselho Deliberativo. As prestações foram mantidas nos patamares anteriores, apenas com reajuste anual de inflação. Uma das vantagens dessa negociação foi a manutenção da isenção de valor extra conforme a faixa etária do conveniado. Outra vantagem foi a inclusão da cláusula que beneficia os dependentes solteiros, que eram desligados do plano ao atingirem 21 anos, e os universitários, que eram desligados aos 24 anos. Agora, os dependentes solteiros podem ser mantidos ate os 40 anos de idade. E as inclusões podem ser feitas a qualquer tempo até o limite desta idade. Nos contratos praticados atualmente pela Unimed, somente o item faixa etária corresponde a um valor cinco vezes superior ao praticado no contrato com a AEAARP. Atualmente são 4.209 conveniados pela AEAARP, o que resulta em uma arrecadação de R$ 419.506,63. Conforme as condições do atual plano empresarial da Unimed, este valor seria de R$ 1.041.571,54. Veja os gráficos comparativos.

dos associados conveniados à Unimed têm mais de 49 anos

*considerando a média de pagamento mensal **segundo tabela de preços referente a plano empresarial equivalente


faeasp

Palavra da

Faeasp

Neste ano de 2009 a Federação das Associações de Engenheiros e Arquitetos do Estado de São Paulo (Faeasp) estará completando seu Jubileu de Pérolas. E tudo começou de sonhos de alguns profissionais que à época da fundação da entidade já entendiam que cada um de nós deve “... doar o seu trabalho, com a convicção de que somente através de uma congregação de esforços é que se consegue a valorização profissional.”, como bem definiu o primeiro presidente da Faeasp, engenheiro José Augusto Corsini Monteiro de Barros. Assim é que, desde sua criação, a Faeasp não se afastou da missão de promover a Engenharia, a Arquitetura e a Agronomia em prol

do desenvolvimento social, econômico, tecnológico e da melhoria da qualidade de vida, sem olvidar o fortalecimento das entidades de classe. Naquele dia 10 de Agosto do ano de 1979, 26 homens, reunidos no prédio localizado à esquina das ruas São Sebastião e Visconde de Inhaúma, em Ribeirão Preto, transformaram em realidade o sonho. Hoje, dentre as mais de 200 entidades de classe filiadas à Faeasp, temos um orgulho enorme em termos como balizadora a AEAARP que, com sua administração moderna e atuante, tem laborado, constante e convergentemente, dentro dos objetivos pelos quais fomos idealizados. A função da AEAARP, no que diz respeito

à atualização profissional, promovendo cursos e palestras técnicas às várias modalidades, tem sido exemplar para todo o estado, assim como a função social, em todos os aspectos, dentre os quais destacamos os planos médicos que cobrados com valores que se equiparam aos menores do país seria outro fato relevante. Esses exemplos fazemnos acreditar que a AEAARP pode dizer, com segurança, que o grande barato da vida é olhar para traz e sentir orgulho de sua história! Eng. Hélio Rodrigues Secco Presidente da Faeasp

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Revista Painel

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entrevista

AEAARP

está pronta para avançar, diz Batista

Diretor regional e coordenador estadual de uma das entidades mais influentes do país – o SindusCon-SP – o engenheiro José Batista Ferreira tem uma visão crítica da crise econômica mundial, das suas influências nas atividades da área tecnológica e do  papel  que entidades como a que ele dirige e outras, como a AEAARP, que ele presidiu, precisam assumir neste próximo período. Ferreira acredita que a reestruturação da Associação no último período a fortaleceu e que este é o momento de aprofundar as ações em defesa da valorização profissional dos técnicos  e voltar as atenções para a sociedade, tornando-se cada vez mais uma consciência crítica do poder público. “É preciso manter e fortalecer a independência da entidade para que as opiniões sejam respeitadas tecnicamente”, afirma. Durante entrevista concedida para a revista Painel, destacou o espírito de parceria entre SindusCon-SP e AEAARP. “Nós somos parceiros, assim como a AEAARP é e deve ser parceira de outros sindicatos. É com esta união de interesses que faremos nossas atividades serem respeitadas e crescerem”. Painel – Em sua avaliação, o boom da construção civil ficou no passado? José Batista Ferreira – Aquele cenário aconteceu, principalmente no segundo semestre de 2008, em decorrência da entrada do capital especulativo nas empresas, que adequaram suas estruturas, modernizaram a gestão e foram buscar recursos no mercado de ações. Este movimento injetou recursos em uma área formada por pessoas que são obstinadas pelo trabalho. É desta forma que engenheiros, arquitetos e agrônomos trabalham e, na maioria das vezes, são esses profissionais que dirigem as empresas. Painel – Esta obstinação fez o pro12 AEAARP

fissional da área tecnológica tornarse um empreendedor nos últimos 20 anos... JBF – Exatamente. Nos anos de 1990 vivemos a era da globalização. Naquele cenário, as empresas do setor precisaram se adequar, enxugar custos e fazer com que a estrutura de sua empresa funcionasse de forma mais harmônica. Foi então o período da reengenharia. Nesse movimento muitos profissionais foram demitidos e, perdendo o emprego, muitos passaram a prestar serviços como autônomos, em seus escritórios de engenharia e arquitetura que, por sua vez, são requisitados pelas construtoras no processo de terceirização dos serviços. São mais de 20 anos sem atenção dos governos, mas nossos profissionais são persistentes e vêm vencendo todas as crises e esta será vencida também, com competência do setor que é muito forte. Painel – Em sua avaliação, qual é o papel do poder público, nos três níveis, no fomento das atividades deste setor? JBF – Nos níveis municipal, estadual e federal, todas as lideranças políticas têm um verdadeiro desrespeito pelos técnicos. Há mais de duas décadas os profissionais da Engenharia, Arquitetura e Agronomia abrem caminhos no mercado por seus próprios méritos e têm pouca, ou nenhuma, atenção do setor público. Avalio que é um desperdício de conhecimento. Painel – Por quê? JBF – O setor tecnológico é gerador de riquezas. As profissões do sistema Confea/Crea são responsáveis por 70% do PIB nacional e influenciam diretamente nos níveis de empregabilidade do país. Outro exemplo claro é que em Ribeirão Preto, há mais de uma década, a empresa municipal de habitação, a Cohab-RP, não tem nenhuma política de habitação popular. Esse tipo de obra, além do caráter social, gera emprego, renda e riqueza. Recente estudo apresentado  pela Fundação Getulio Vargas comprova isso. Eles pesquisaram 136 países e constataram que aqueles que

investiram em habitação popular tiveram aumento no PIB, além de dar base sólida para estruturação da família. Painel – Mas existem muitos técnicos no poder público, de todas as áreas tecnológicas... JBF – Sim, e que precisam ser valorizados porque são competentes naquilo que fazem. Esse é o papel da AEAARP. A Secretaria Municipal do Meio Ambiente foi criada no final da gestão passada, mas carece de estruturação para dar condições de trabalho aos excelentes profissionais que compõem o quadro daquela pasta. A AEAARP precisa agir nessa questão. O poder público, por sua vez, precisa também dar ouvidos aos técnicos e às entidades  que elaboram propostas para o município. A AEAARP apresentou sugestões para o Plano Diretor e para o problema das enchentes, assim como para a destinação dos resíduos sólidos da construção civil. O SindusCon foi parceiro neste trabalho e, na direção regional, dei prosseguimento às discussões sobre a destinação dos resíduos e ações para regulamentação do assunto, buscando investimentos da iniciativa privada. Painel – Qual é a visão que o Sr. tem da AEAARP hoje? JBF – A Associação passou por uma grande reestruturação no último período. Do ponto de vista financeiro, organizacional, físico e de imagem. Foram realizadas importantes obras. O orçamento que temos é bom e tem sido aplicado com responsabilidade. A iniciativa de escrever um livro que conta a história da AEAARP foi importante para pontuar, inclusive, um novo momento pelo qual a entidade passa. Nós queremos e é necessário muito mais. A Associação está pronta para aprofundar suas ações pela valorização dos profissionais que a compõem e também para voltar seus olhos para a sociedade, defendendo a cidade e propondo políticas públicas para o município. Para isso é necessário, ainda, que aprofunde sua independência em relação ao poder público, uma posição histórica dentro da entidade.


mercado de trabalho

Infraero abre vagas para

Engenharia e Arquitetura A Infraero oferece novas oportunidades para profissionais de nível superior e médio. Foi publicado no Diário Oficial da União (DOU) edital do concurso público da empresa para cadastro de reservas, abrangendo diversos cargos, em 83 localidades. O concurso será realizado pela Fundação Carlos Chagas. As inscrições ocorrerão no período de 16 de março a 3 de abril, pela internet, no endereço www.infraero.gov.br. A inscrição custa R$ 66,37 para os cargos de nível superior e R$ 51,37 para os níveis médio e técnico. As vagas de nível superior são para arquiteto, engenheiro agrônomo,

engenheiro ambiental, engenheiro civil, engenheiro de infraestrutura aeronáutica, engenheiro de segurança do trabalho, engenheiro de telecomunicações, engenheiro eletricista, engenheiro eletrônico, engenheiro florestal, engenheiro mecânico, engenheiro mecatrônico, engenheiro químico e engenheiro sanitarista. Além dessas vagas, o concurso também deve preencher vagas de assistente social, bibliotecário, biólogo, enfermeiro de trabalho, jornalista, relações públicas, publicitário, pedagogo, psicólogo, administrador, advogado, auditor, contador, economista, médico do trabalho, analista de sistemas

e meteorologista. Já as vagas de nível médio são para desenhista projetista, técnico em edificações, técnico em eletrônica, técnico em eletrotécnica, técnico em estradas, técnico em mecânica, topógrafo, técnico em contabilidade, técnico em enfermagem do trabalho, técnico em segurança do trabalho e profissional de serviços aeroportuários. As provas estão previstas para ocorrer no dia 21 de junho. A confirmação da data e as informações sobre horários e locais serão divulgadas por meio de Edital de Convocação e podem ser acompanhadas no site da Infraero.

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legislação

STJ confirma que reciclagem é responsabilidade

exclusiva dos fabricantes de agrotóxicos Decisão proferida pela 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirma que os fabricantes/comercializadores representados legalmente pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV) são os únicos responsáveis pela destinação final de embalagens vazias. O julgamento, ocorrido no último dia 17 de fevereiro – em virtude de recurso apresentado por uma empresa denominada Fineplast, que buscava autorização judicial para reciclar as embalagens vazias de agrotóxicos –, concluiu que se é possível afirmar que as empresas produtoras e comercializadoras de agrotóxicos serão responsabilizadas por eventual dano ao meio ambiente decorrente da reciclagem, é justo que tenham a prerrogativa de firmar parcerias de acordo com suas conveniências. “O inpEV, como entidade privada, para assegurar a qualidade e rastreabilidade do processo de reciclagem, passou a direcionar as embalagens vazias de defensivos agrícolas para recicladores de sua inteira confiança, dentro de preceitos legais de livre escolha e liberdade contratual”, afirma João Cesar Rando, diretor-presidente do inpEV. “Antes da promulgação da Lei 9974/00, o mercado informal existia justamente pela falta de um marco legal que estabelecesse parâmetros objetivos que assegurassem respeito ao meio ambiente e preservação da saúde pública”, completa. Ao longo de seus sete anos de atuação, o inpEV desenvolveu e conveniou empresas ambientalmente licenciadas e tecnicamente aptas para a realização da reciclagem das embalagens vazias de defensivos agrícolas em várias regiões do país. As empresas recicladoras pre-

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cisam cumprir as exigências legais para o recebimento das embalagens vazias de defensivos agrícolas e atender perfeitamente aos requisitos de qualidade e segurança estabelecidos pelo inpEV. Atualmente distribuídos de forma estratégica em cinco estados brasileiros (Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Rio de Janeiro), o número de recicladores parceiros (total de 10) foi determinado de acordo com critérios logísticos, técnicos, ambientais (baseado em legislação) e de qualidade, além de uma minuciosa análise de viabilidade econômica, de forma a assegurar a sustentabilidade de todo o sistema de reciclagem dessas embalagens. Sobre o inpEV O inpEV é uma entidade sem fins lucrativos que representa a indústria fabricante de defensivos agrícolas em sua responsabilidade de destinar as embalagens vazias de seus produtos de acordo com a Lei Federal nº 9.974/2000 e o Decreto Federal nº 4.074/2002. A lei atribui a cada elo da cadeia produtiva agrícola (agricultores, fabricantes, canais de distribuição e poder público) responsabilidades que possibilitam o funcionamento do Sistema de Destinação de Embalagens Vazias. O instituto foi fundado em 14 de dezembro de 2001 e entrou em funcionamento em março de 2002. Atualmente, possui 76 empresas e sete entidades de classe do setor agrícola como associadas. Mais informações sobre o inpEV e o Sistema de Destinação Final de Embalagens Vazias estão disponíveis no site www.inpev.org.br.


informática

Sistema da PINI

já está em operação na AEAARP Estão à disposição de todos os associados os softwares Volare desenvolvidos pela PINI Sistemas e adquiridos pela AEAARP. Os módulos são de Orçamento, Planejamento e Controle de Obras. O Volare conta com um módulo específico para quem trabalha com manutenção e reforma. E oferece a possibilidade de inclusão, na base de dados do sistema de cadastro, dos fornecedores da construção civil. O programa foi instalado em um dos computadores da sala de informática da AEAARP, que é de livre acesso aos associados. “Hoje, as empresas de construção civil precisam definir e controlar todos os processos de seu negócio para crescer. O valor não está somente no canteiro de obras, mas também na sua capacidade de administrar bem os recursos disponíveis”, avalia Pedro Paulo de Oliveira Machado, gerente da PINI Sistemas. Para ele, em um mercado aquecido e cada vez

mais competitivo, torna-se fundamental automatizar os processos de suprimentos, contas a pagar, contas a receber, fazer o controle bancário, ou mesmo verificar se um determinado insumo está ou não previsto no orçamento. O Volare representa a mais nova geração de softwares para gestão de obras. Desenvolvido exclusivamente para orçar e gerenciar obras de qualquer porte, o software orça, planeja, controla e fiscaliza os serviços e insumos de construção, integrado ao Módulo de Gestão de Suprimentos, em uma única plataforma. O programa é comercializado desde 1984 e desde então sofreu sucessivas atualizações. Para usar A sala de informática da AEAARP funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h e é aberta aos profissionais associados à entidade.


Escritório com lâmpadas fluorescentes compactas e halógenas AR.

Sob o foco da

luz

A rotina de vida contemporânea vem impondo, com muita rapidez, novos hábitos de vida – ou por necessidade, ou pelo fato de que novos gostos surgem com as mudanças tecnológicas, de comportamento, sociais etc. Neste cenário, o design de interiores tem sido uma das áreas mais impactadas pelas novas características da vida contemporânea. Afinal, o espaço dentro de casa passou a ganhar mais status, a ter muito mais importância na qualidade de vida das pessoas. Por isso, os projetos de interiores passaram a ter de dar respostas e soluções a novos problemas, novos paradigmas, novas necessidades. Fora isso, o apelo tecnológico é outro fator que tem contribuído significativamente para uma verdadeira mudança de conceito nesses projetos, pois as inovações oferecidas pela indústria são variadíssimas e, por incrível que pareça, começam a atender demandas específicas, de nichos de públicos, coisa impensável no auge da performance da produção em série. Uma das áreas que vêm revolucionando o design de interior é a luminotécnica. 16

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Iluminar um ambiente deixou de ser mero complemento e passou a ser um dos itens não apenas de valorização dos espaços. A grande novidade é que a iluminação é enormemente responsável pelas características que se quer dar ao ambiente, pela qualidade das experiências da vivência naquele espaço e, claro, pela possibilidade de personalizar os espaços. Por isso, a indústria mundial tem oferecido variedades de produtos que consideram estética, performance e economia. A designer de interiores Maitê Orsi, pós-graduada em Luminotécnica, tem atração especial pelo assunto. Segundo ela, as novidades apresentadas pela evolução tecnológica chegam a oferecer particularidades capazes de personalizar a cena e contemplar necessidades ou gostos muito específicos. “Não é possível conceber um projeto sem atenção especial e planejada para a iluminação, pois a luz oferece cores, sombras, nuances, enfatiza detalhes e cria cenas específicas para espaços de lazer, descanso, estudo, alimentação, trabalho etc.”, explica.


LUMINOTéCnicA

Novidades em iluminação A iluminação é grande responsável pela atmosfera de um ambiente, bem como a eficiência com que podemos executar tarefas que necessitem de acuidade visual; ela também pode fazer “parceria” com a iluminação natural, criando um clima agradável e contribuindo para a economia de energia. Hoje são muitos os sistemas de gerenciamento da iluminação, que permitem materializar essa situação, bem como a possibilidade de usarmos luminárias de luz natural, já bastante utilizadas na Europa, recém-lançadas no Brasil. Um dos ambientes da casa que permitem e exigem recursos mais elaborados do projeto de iluminação são os hometheater ou home cinemas, onde é possível criar muitas cenas de luz, incluindo, por exemplo, efeito de diminuição gradual da intensidade para iniciar a seção de cinema, utilizando recursos muitas vezes simples e obtendo um ótimo grau de satisfação para seus usuários. Atualmente está se prestando mais atenção à iluminação, buscando-se uma abordagem mais criativa para seu uso e de forma mais sustentável, pois antes era vista somente como um elemento de solução padronizada e obrigatória no imóvel. Meio Ambiente Porém, alerta Maitê Orsi, as lâmpadas fluorescentes contêm mercúrio, que provoca contaminação nos meios físico, biológico e antrópico, em variados níveis. Um dos exemplos mais contundentes da contaminação do meio ambiente e muitos óbitos é o da baia de Minamata no Japão. Lá, porém, governo e comunidade instituíram um amplo programa de recuperação ambiental e atendimento

médico, digno de exemplo. Por conta do mercúrio, as fluorescentes precisam ser descartadas em locais específicos, não podendo ter o mesmo destino do lixo comum. Em Ribeirão Preto, no entanto, não há local adequado para o descarte dessas lâmpadas. No Brasil há três empresas que são habilitadas para a reciclagem: uma em Paulínia-SP, uma em Indaiá-SC e uma em Curitiba-PR. O uso industrial e comercial do produto sugere maior facilidade de gerenciamento do descarte, pela própria situação de legislações específicas, mas o residencial tem sido pauta de discussão. Não há ainda uma política pública de destinação das mesmas, nem regulamentação do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) para a sua reciclagem. Segundo um relatório da ONU divulgado na Tailândia, o Brasil precisa fazer três ações para conter o aquecimento global: conter desmatamentos ilegais, investir em energias limpas como as fontes eólicas e a termosolar e aplicar técnicas de eficiência energética para reduzir desperdício, inves-

tindo no uso de lâmpadas econômicas. Já existem fabricantes que receberam aprovação da ONU para um programa de redução das emissões de CO2 por meio do uso de iluminação mais eficiente.

Lâmpada incandescente dimerizada na sanca oval e lâmpadas AR – estas com foco dirigido para obras de arte, para a cadeira de leitura, com objetivo de ressaltar detalhes do ambiente. As várias lâmpadas halógenas AR permitem composições variadas de cenas no espaço, por meio de sistema de automação.

Sanca em formato de losango com lâmpada fluorescente. Lâmpadas AR e lâmpadas dicroica espalhadas em vários pontos para ressaltar detalhes e compor novas cenas com diferentes combinações.

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exposição

Protótipos das invenções de Leonardo da Vinci é considerado o maior gênio da história. Imortalizado por obras como Mona Lisa e a Última Ceia, Da Vinci foi pintor e escultor, arquiteto, engenheiro, matemático, fisiólogo, químico, botânico, geólogo, cartógrafo, físico, mecânico, escritor, poeta e músico, apesar de não ter tido formação acadêmica em nenhuma dessas áreas. Algumas das suas mais visionárias e engenhosas invenções poderão

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ser vistas até 19 de abril, no Átrium do RibeirãoShopping. São 35 peças artesanais, em tamanho real e miniaturas, que compõem a exposição Leonardo da Vinci, o Gênio do Futuro. Cada uma das peças é complementada por um painel explicativo, muitas vezes


Da Vinci em Ribeirão Preto com trechos escritos pelo próprio conferências e palestras, workshops e Da Vinci sobre suas invenções. Para publicações especiais. a construção das peças, algumas O visitante poderá mergulhar na mente delas apenas projetadas, mas nunca de Leonardo da Vinci e entender um pouexecutadas, foram utilizados desenhos co mais do talento do principal represenoriginais, fragmentos de estudos e tante do Renascimento italiano também anotações do artista. como projetista. AlPa r a d a r a i n d a guns dos estudos e mais autenticidade das réplicas apresenLeonardo Da Vinci nasceu aos inventos, na tados na exposição em 1452, na Itália, e faleceu confecção das peças são considerados em 1519, na França. Nesse foram utilizados passos iniciais para apenas materiais da a criação de inventos período produziu peças época como madeira, que revolucionaram que anteciparam invenções bronze, algodão e o modo de viver da concretizadas muitos séculos corda. humanidade, como depois. Antes mesmo do  A exposição foi ideo primeiro projeto alizada pela empresa de um submarino, a surgimento da primeira escola italiana Contempoprimeira draga para de Engenharia no mundo, a ranea Progetti, com limpezas de rios e a École et Chaussées, criada sede em Florença, máquina de levane chega  a Ribeirão tar peso, que deu na França em 1747, Da Preto por meio de origem ao macaco Vinci já colocava no papel as uma parceria do Rihidráulico. máquinas que revolucionaram beirãoShopping com  Exemplo mais claa Casa Brasil, braço ro da capacidade de a sociedade. cultural da CompaDa Vinci em antecinhia Brasileira de par em séculos as Multimídia, empresa que controla o Jorinvenções que hoje nos parecem banais nal do Brasil e a Gazeta Mercantil. A é a bicicleta – projeto que foi reconstruído Casa Brasil é especializada em empreem tamanho real e faz parte da mostra. endimentos culturais, como exposições, Seus conhecimentos de anatomia tam-

bém o permitiram imaginar um homem com asas, ideia que foi abandonada e deu lugar a outras máquinas voadoras. Diante da certeza de que o homem conseguiria voar, Leonardo também criou o projeto de um paraquedas.

Exposição: Leonardo da Vinci, o Gênio do Futuro Local: RibeirãoShopping Piso Nova Aliança - Alameda Gourmet Data: 17 de março a 19 de abril Horários: 10h às 22h Evento gratuito Revista Painel

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Agricultura

Financiamento da safra 2009/2010 pode chegar a R$ 100 bilhões O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, disse que apesar de a equipe econômica do governo ainda não ter definido o valor do financiamento público da safra 2009/2010, a expectativa é que o valor varie entre R$ 90 bilhões e R$ 100 bilhões. Na safra 2008/2009 o financiamento foi de R$ 78 bilhões, sendo R$ 65 bilhões para a agricultura empresarial e R$ 13 bilhões para a agricultura familiar. Desde que a crise imobiliária nos Estados Unidos produziu o efeito de redução do crédito que empresas estrangeiras, chamadas tradings, davam à agricultura brasileira na forma de fornecimento de insumos e compra antecipada da colheita, o setor agropecuário reivindica uma participação maior do governo no financiamento da safra. Antes, esse financiamento era divido em três partes praticamente

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iguais: uma, era coberta pelo dinheiro que os próprios agricultores juntavam das produções anteriores, outra pelas tradings e outra pelo governo, principalmente via crédito do Banco do Brasil. Caso o financiamento do governo aumente no patamar estimado pelo ministro da Agricultura, cerca de 20%, ainda restará uma lacuna, que teria de ser preenchida por recursos próprios dos produtores rurais ou de tradings que poderiam voltar a investir no setor. Stephanes também afirmou que outras medidas podem ser tomadas. “Com a crise, vamos ter que atuar mais forte em outros instrumentos”, disse ele, referindo-se a investimentos na comercialização da safra. “O fortalecimento das cooperativas é uma idéia presente porque pode substituir outras formas de financiamento”, disse o ministro.


artigo

Queda de renda

no campo

*Manoel Carlos de Azevedo Ortolan Já considerando os efeitos da crise sobre a produção, o Ministério da Agricultura calcula uma redução de 7% na renda agrícola em 2009, em comparação com o ano anterior. De acordo com os dados oficiais, no ano passado o valor da produção agrícola – obtido pela multiplicação da quantidade produzida pelo preço recebido pelos agricultores – foi de R$ 163,3 bilhões e o estimado para este ano é R$ 151,9 bilhões. Isso significa uma redução de R$ 11,3 bilhões no rendimento “da porteira para dentro”, o que atinge certeiramente o produtor rural, com reflexos no círculo da economia – se há menos renda sendo gerada, haverá menor demanda de mãode-obra, de insumos e assim por diante. Como o agronegócio corresponde a perto de 40% do PIB nacional, a perda de renda no campo tem efeitos muito nocivos para toda a economia. Sinal de que este ano exigirá muita cautela por parte dos produtores. O cálculo do Ministério considera 20 produtos e, desses, 14 apresentaram declínio. Os fatores mais importantes para a redução na renda foram as condições climáticas, os preços baixos das commodities agrícolas e a falta de crédito para o financiamento agrícola. As maiores quedas na renda devem ser no trigo (33,6%), milho primeira safra (26,7%), cebola (20%) e algodão herbáceo (14%). No caso da cana, a perda de renda estimada é de 1,6%: em 2008, o valor da produção dessa cultura foi de R$ 21,3 bilhões e o estimado para este ano é R$ 20,9 bilhões,

o menor dos últimos quatro anos. Em comparação com outros produtos agrícolas, a queda na cana será menos acentuada, o que não significa, necessariamente, que os canavieiros estejam imunes à crise. Há rendimento. Necessário considerar também que o aumento na produção acaba, de certa forma, aliviando a queda na renda projetada pelo Ministério da Agricultura. Enquanto os grãos devem ter uma redução de 4,9% na produção – de acordo com a estimativa mais recente da Conab, de 137 milhões de toneladas contra os 144,1 milhões/ton da safra passada –, a cana deve continuar em crescimento. Pelas projeções da Datagro, a próxima safra brasileira será próxima de 590 milhões/ton. Apesar de as notícias da crise provocarem uma natural preocupação e até um certo desânimo, é preciso tocar a vida adiante e enfrentar as dificuldades. Os cenários são positivos para o açúcar e etanol, os preços da matéria-prima apresentam uma ligeira reação e há um recuo, mesmo que tímido, no preço de alguns insumos, como os fertilizantes, que na safra passada pressionaram fortemente os custos para produzir. Para atravessar o deserto, não há milagres. É preciso ter o pé no chão, pensar duas vezes antes de fazer qualquer investimento, reduzir custos e continuar produzindo. Da mesma forma que a crise se instalou, ela irá se dissipar. *presidente da Canaoeste (Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo)

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construção civil

Ribeirão Preto se prepara para Já começaram os preparativos para o ConstruSer 2009 (Encontro Estadual da Construção Civil em Família), uma iniciativa do SindusCon-SP em parceria com uma série de entidades, entre elas o Serviço Social da Indústria (Sesi). O evento acontecerá no dia 28 de março, das 9h às 17h, simultaneamente, nos Centros de Atividades dos Trabalhadores (CATs) das cidades-sede das nove regionais do SindusCon, no interior de São Paulo e litoral, e também na capital. Em Ribeirão Preto, neste ano, a expectativa é de que o ConstruSer receba cerca de 2 mil pessoas que, durante todo o dia, participarão de atividades voltadas à educação, lazer, cultura, saúde e cidadania. Entre as novidades, gincanas com participação de todos os integrantes das famílias dos trabalhadores e torneios de futsal, dominó e truco (duplas). “Desde dezembro de 2008, estamos nos reunindo para definir a programação de 2009. O ConstuSer nasceu em Ribeirão Preto e se tornou estadual. Aqui estamos na quarta edição, então nossa preocupação é surpreender os participantes com novas atrações e atividades. Algumas surpresas estão sendo elaboradas e esperamos agradar a todos”, afirma José Batista Ferreira, diretor regional do SindusCon-SP. Além do Sesi, são parceiros do SindusCon-SP, na realização do ConstruSer, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP). O evento também conta com o apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Associação de Diabetes Juvenil (ADJ), Instituto Paradigma, Ministério do Trabalho e Emprego, Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Feticon-SP), Força Sindical, Sindicato dos Técnicos de Segurança do Trabalho no Estado de São Paulo ConstruSer nasceu em Ribeirão e será realizado em todo o Estado

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(Sintesp), Sindicato dos Trabalhadores nas da Indústrias da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP) e Federação Solidária de São Paulo (FSCM-CUT). Começou em Ribeirão O SindusCon-SP idealizou o ConstruSer com a finalidade de valorizar e incentivar a interação do trabalhador da construção civil e seus familiares com as empresas do setor. O evento foi realizado, pela primeira vez, em 2006, somente na regional de Ribeirão Preto, que repetiu a dose em 2007. Fez tanto sucesso que, em 2008, o sindicato decidiu estendê-lo a todas as regionais do interior de São Paulo, litoral e na capital. “É um evento que demonstra toda a preocupação do SindusCon-SP com a família dos trabalhadores que fazem o dia-a-dia da construção civil. Nosso objetivo principal é estender a valorização que damos a esses trabalhadores para toda a família também por meio do ConstruSer”, destaca Batista. Sucesso em 2008 A primeira edição estadual do ConstruSer, promovida em 26 de abril de 2008, contabilizou a participação de 17 mil pessoas, entre trabalhadores da construção e seus familiares, que foram atendidas por cerca de 3 mil voluntários, com total de 20 mil pessoas envolvidas. Em Ribeirão Preto, cerca de 2.300 pessoas participaram de várias atividades durante todo o dia. Vagas limitadas As vagas são limitadas em função do número de pessoas que cada CAT comporta. As empresas associadas ao SindusCon-SP, na região de Ribeirão Preto, devem inscrever seus trabalhadores na sede da regional à Rua Marechal Rondon, nº 199, bairro Sumaré, pelo telefone (16) 3623.1340, ou pelo e-mail: sindusrp@sindusconsp.com.br


receber o

ConstruSer 2009 ConstruSer

2º Encontro Estadual da Construção Civil em Família

Local: CAT/Sesi Castelo Branco Rua Dom Luiz do Amaral Mousinho, 3.465, Jd. Castelo Branco Novo. Data: 28/03/08 (sábado). Horário: das 9h às 17h. Informações: SindusCon-SP (Regional Ribeirão Preto): Rua Marechal Rondon, 199, Sumaré. Fone: (16) 3623.1340 sindusrp@sindusconsp.com.br

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tecnologia

Projeto da UFSCar

reciclável

desenvolve papel sintético reciclável Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) desenvolveram um papel sintético feito a partir de resíduos plásticos. A pesquisa, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), já é desenvolvida desde 1996 no Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da instituição. O papel sintético feito a partir de plástico reciclável é pioneiro no setor, segundo Sati Manrich, coordenadora do projeto e docente do DEMa. Como principais características o produto apresenta maior durabilidade, resistência à umidade e melhor aspecto visual do que o papel de celulose. Ele pode ser utilizado na elaboração de produtos diferenciados, como catálogos, manuais, cartilhas, livros, cartões, outdoors e cartazes em geral, embalagens para DVDs, tabuleiros de jogos, rótulos, etiquetas e envelopes, dentre outros. Sati salienta que, além de inovador, o projeto também tem uma importância ecológica porque contribui para redução no volume de lixo. “Os impactos ambientais seriam reduzidos pela possibilidade de utilizar os resíduos plásticos descartados, reduzindo o volume desse material no lixo urbano ou no ambiente. Mesmo em comparação com o papel celulósico reciclado, o papel sintético a partir de plástico pós-consumo causaria menos impacto ambiental”, acredita a pesquisadora. Já com o depósito da patente feito para o papel sintético reciclável, Sati gostaria que seu lançamento fosse marcado por ações educativas. “Seria ideal se o lançamento do papel fosse utilizado na produção de uma cartilha infantil sobre impactos ambientais, reciclagem de resíduos plásticos e fabricação de papel sintético ecológico, como um instrumento de educação ambiental de crianças que, aliás, serão as mais afetadas pelos problemas ambientais atuais e futuros”, enfatiza a pesquisadora.

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opinião

A Agrishow e o Casarão da Caramuru O que a Agrishow e o Casarão da Caramuru têm em comum? A primeira é uma feira de tecnologia agrícola, moderna, pujante e que acontece em Ribeirão Preto há 15 anos, mas que em 2010 muda-se para São Carlos. O Casarão, por sua vez, é o imóvel mais antigo do município, representante da elite cafeeira que explorava as terras desta cidade antes da dominação canavieira. Há mais de uma década tratam de espalhar boatos que a feira sairá de Ribeirão; agora já é fato. Há bem mais de uma década estudos apontam que o Casarão, tombado como patrimônio histórico e cultural, vai cair. Um dia será fato, e dizer “fica” não será a solução. O tombamento de patrimônios históricos e culturais passa por uma crise. Leigos veem o tombamento como a preservação do imóvel velho que um dia poderá ser convertido em museu, biblioteca ou algum equipamento cultural público, que tem uma infinidade de investimentos que precisam ser feitos e para os quais invariavelmente faltam recursos. É necessário que a decisão pelo tombamento de imóveis tenha consequência prática. O poder público tem de assumir o papel de indutor de ações para que a iniciativa privada invista nesses imóveis. O tombamento precisa deixar de ser um fantasma que paira sobre a cabeça dos proprietários, que abandonam e até assumem a depredação de seus bens para que possam se livrar de uma herança que se transformou em dor de cabeça.

A feira, pela qual agora bradam por sua permanência na cidade, é organizada pela iniciativa privada, atrai divisas e a atenção do mundo inteiro para Ribeirão Preto. E este será o último ano, com o sem o tombamento, que ela acontecerá em Ribeirão Preto. A Abimaq, dona do evento, decidiu pela mudança. O prefeito de São Carlos conseguiu verba federal para investir na infraestrutura que será usada pela primeira vez em 2010. Os contratos estão assinados. Este foi um jogo bem jogado por alguns. Outros foram omissos enquanto a bola estava em campo. A questão é muito séria e atirar para todos os lados não vai reverter a situação. Não houve articulação para segurar um dos maiores eventos do país em nossa cidade. E neste momento não está havendo nenhuma articulação para que sejamos os principais aliados na organização do evento na cidade vizinha. Decidir pelo tombamento de um evento desta natureza não garante nada para a cidade. Tanto a Agrishow quanto o Casarão da Caramuru são símbolos da falta de vontade política de nossas lideranças em enfrentar os problemas de frente, com as decisões corretas e no momento certo. Depois que a casa cai, não há Engenharia capaz de fazê-la retornar ao ponto anterior. Maria Inês Cavalcanti é engenheira civil e representante da AEAARP no Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Artístico e Cultural (Conppac)


pesquisa

Etanol celulósico

tem ainda mais vantagens, diz pesquisa

Um estudo feito nos Estados Unidos destaca que substituir a gasolina ou o etanol de milho por etanol celulósico pode ser ainda melhor do que se imaginava para a saúde e o meio ambiente. A foi publicada pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences. A pesquisa indica que o etanol celulósico tem menos efeitos negativos sobre a saúde humana por emitir menores quantidades de matéria fina particulada – um componente especialmente danoso da poluição atmosférica. De acordo com a Agência FAPESP, um estudo anterior havia mostrado que o etanol celulósico e outros biocombustíveis de última geração emitem também níveis mais baixos de gases de efeito estufa. “Nosso trabalho destaca a necessidade de expandir o debate dos biocombustíveis para além das mudanças climáticas, a fim de incluir uma gama maior de efeito, como seus impactos na qualidade do ar”, disse o autor principal do estudo, Jason Hill, professor do Instituto do Meio Ambiente da Universidade de Minnesota. O estudo avalia o custo econômico do etanol celulósico, etanol de milho e gasolina para o meio ambiente e a saúde humana. Os cientistas concluíram que, dependendo dos materiais e tecnologias utilizados na produção, os custos do etanol celulósico para o meio ambiente e a saúde não chegam à metade dos custos da gasolina. Além disso, os custos do uso do etanol de milho variam: são no mínimo iguais aos da gasolina, podendo chegar até o dobro. Para quantificar o impacto econômico dos biocombustíveis sobre o meio ambiente, os cientistas fizeram uma estimativa monetária dos custos para mitigação dos efeitos das emissões de gases de efeito estufa relativas à queima dos biocombustíveis e a todo seu ciclo de produção. Os parâmetros usados para essa quantificação se basearam em estimativas independentes de custo de mitigação de carbono, preços do mercado de carbono e custo social do carbono. 26 AEAARP

Para medir o impacto econômico na saúde, foram utilizadas as médias das despesas do sistema de saúde norte-americano com os impactos da exposição ao material particulado sobre a saúde. O custo total da gasolina para a saúde e o meio ambiente é de US$ 0,71 por galão. O custo de uma quantidade equivalente de etanol de milho varia entre US$ 0,72 e US$ 1,45, dependendo da tecnologia usada na produção. A mesma quantidade de etanol celulósico gera custos de US$ 0,19 a US$ 0,32, dependendo da tecnologia e do tipo de material celulósico empregado. “Esses custos não são pagos pelos produtores, nem pelos vendedores de gasolina e etanol. São custos pagos pelos consumidores”, disse o coautor Stephen Polasky, professor do Departamento de Economia Aplicada da Universidade de Minnesota. Os autores observaram poluentes emitidos em todos os estágios do ciclo de vida dos três tipos de combustíveis, incluindo a fase de produção e consumo. Eles avaliaram três métodos de produção do etanol de milho e quatro métodos de produção do etanol celulósico. “Para se entender as consequências do uso de biocombustíveis sobre a saúde e o meio ambiente, temos que olhar muito além do escapamento dos automóveis e acompanhar detalhadamente a produção desses biocombustíveis. Ficou evidente que as emissões liberadas na produção do biocombustível realmente importam”, declarou Hill. O estudo também indica que outras vantagens potenciais dos biocombustíveis celulósicos – como a redução da quantidade de fertilizantes e pesticidas despejados em rios e lagos – também podem

significar benefícios e c o n ô m i c o s adicionais da transição para uma nova geração de biocombustíveis. O artigo Climate change and health costs of air emissions from biofuels and gasoline, de Jason Hill e outros, pode ser lido por assinantes da Pnas em www.pnas. org.


transporte

Convention quer

trem bala

em Ribeirão Preto O Ministério dos Transportes vai abrir licitação para a construção de um Trem de Grande Velocidade (TGV) – o conhecido Trem Bala – provavelmente a partir do mês de junho deste ano. A linha vai atender aos aeroportos GaleãoRJ, Santos Dumont-RJ, GuarulhosSP, Congonhas-SP e Viracopos em Campinas-SP. O presidente do Ribeirão Preto e Região Convention & Visitors Bureau, Marcio Santiago, uniu-se aos Convention Bureaux de Uberaba, Uberlândia e Brasília para conquistar a ampliação do ramal de Campinas a Brasília passando por Ribeirão e pelas cidades mineiras. “O

Trem Bala será um importante elemento de incremento de negócios de todos os segmentos não somente para o corredor atendido pela linha, mas para uma grande região brasileira”, defende Santiago. No próximo mês de abril, haverá um evento, em Ribeirão Preto, com a presença de representante do Ministério dos Transportes e representantes dos Convention Bureaux de Ribeirão Preto, Brasília, Uberaba e Uberlândia para reforçar a parceria entre as entidades e organizar estratégias de sensibilização de autoridades e também da comunidade. Serão convidados representantes do trade turístico, empresários e autoridades.

Quase 6.000 obras de fundações em 27 anos de atividades. - Estacas moldadas “in loco”: • tipo raiz em solo e rocha. • tipo Strauss. • escavadas com perfuratriz hidráulica. • escavadas de grande diâmetro (estacões). • hélice contínua monitoradas. - Estacas pré-moldadas de concreto. - Estacas metálicas (perfis e trilhos). - Tubulões escavados à céu aberto. - Sondagens à percussão SPT-T. - Poços de monitoramento ambiental. - Ensaios geotécnicos.

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crea

“Nós, do CREA” José Galdino Barbosa da Cunha Junior ser mais responsável em suas ações”, assumiu a chefia da Unidade de Gestão avalia Galdino que vê também uma Institucional (UGI) do Crea-SP em mudança do perfil do consumidor, que Ribeirão Preto, no mês de fevereiro. tem se tornado cada vez mais exigente. Desde 2002 ele integra o Conselho Um dos motivos é a entrada em vigor do órgão, no qual já do Código de Defesa ocupou a Diretoria das d o C o n s u m i d o r, Entidades de Classe que estabelece os e a coordenação direitos dos clientes. da Câmara de Em sua análise, Engenharia Civil. a lei obriga que o Galdino é também profissional esteja diretor da Faeasp. Ele sempre atualizado e Nos últimos dois anos, o CREAvai dedicar sua gestão seja mais eficaz, uma SP registrou um aumento de 250% a intensificar os laços vez que a cobrança no registro de ART. Galdino do Crea-SP com as do cliente é cada vez afirma que o aumento segue a entidades de classe, maior. política adotada pelo Conselho, c o m o a A E A A R P, Neste cenário, o de orientar os profissionais sobre com o objetivo de Crea-SP coloca-se fortalecer a atuação como aliado dos a importância da ART. Esta ação profissional. profissionais. “Nossa fez também reduzir as punições A prestação atribuição é fiscalizar aplicadas pelo CREA. de serviços aos a ação dos leigos e profissionais da coibir a ação de maus área tecnológica é profissionais. O Crea prioridade do Creaexiste para proteger a SP, presidido por José sociedade, a entidade Tadeu da Silva. O caráter orientativo da de classe deve valorizar os profissionais. fiscalização empreendida pelo Conselho Queremos atuar em parceria”, disse à nos últimos anos pauta também a revista Painel. ação regional. “O profissional precisa Galdino pretende promover, nas universidades e em empresas, uma série de palestras sobre ética, questões trabalhistas e demais temas que envolvem a legislação do exercício profissional. “Temos de melhorar a condição do profissional que está no mercado de trabalho que, por seu lado, tem de ter consciência de que o Crea é seu representante. Nós, profissionais, somos, portanto, o Crea”, enfatiza. Nos primeiros dias de exercício de sua função, Galdino reuniu-se com o Ministério Público, de quem recebeu incentivo e apoio para as ações de fiscalização.

Registro de ART cresceu

José Galdino Barbosa da Cunha Junior

Organização Nos próximos meses, o escritório do Crea-SP em Ribeirão Preto estará equipado com ar-condicionado na área de atendimento ao público e as salas serão reorganizadas. Galdino afirma que o objetivo é proporcionar mais conforto àqueles que trabalham no local e aos que buscam pelos serviços do órgão. 28 AEAARP


sustentabilidade

Talentos verdes O Ministério da Educação e Pesquisa da Alemanha (BMBF) está promovendo o concurso Green Talents – The International Forum for High Potentials in Green Technologies. O objetivo é selecionar jovens cientistas que se dedicam à busca e ao desenvolvimento de tecnologias ambientais sustentáveis. As inscrições poderão ser feitas pela internet até o dia 31 de maio. Os 15 candidatos selecionados entre cientistas de todo o mundo, participarão, ainda em 2009, de um programa de intercâmbio exclusivo na Alemanha, onde poderão fazer novos contatos e ampliar suas redes de pesquisa. Além de uma semana de viagens pela Alemanha – na qual poderão interagir com instituições e empresas locais – os selecionados terão acesso a um diversificado programa cultural, a um workshop com especialistas alemães e a um encontro com a patrona do concurso, a ministra da Educação e Pesquisa do país, Annette Schavan. Mais informações: www.research-in-germany.de/greentalents

Ao preparar sua ART, não se esqueça de preencher o campo 31 com o código 046. Assim, você destina 10% do valor recolhido para a AEAARP. Com mais recursos poderemos fortalecer, ainda mais, as categorias representadas por nossa Associação. Contamos com sua colaboração!


Notas e cursos

Instituto de Engenharia promove

Seminário Internacional Infra 2009 em abril

O Seminário Internacional Infra 2009 é o segundo evento no Brasil que traz para os participantes uma visão ampla de questões estratégicas que envolvem projetos de grande porte. O primeiro foi o MegaProjetos 2008. Desta vez, os projetos de infraestrutura em três importantes segmentos da indústria serão o foco: energia, transportes e logística, e tecnologia e telecomunicação. Promovido pelo Instituto de Engenharia, o evento vai pautar assuntos relacionados aos aspectos gerenciais, ambientais, financeiros, tecnológicos, organizacionais, humanos, e

políticos que influenciam no andamento dos projetos. Todas as palestras terão tradução simultânea. O público esperado é de 600 profissionais e executivos. Data: 23 e 24 de abril de 2009 Horário: das 7h às 20h Local: Centro de Convenções Rebouças Avenida Rebouças, 600 São Paulo-SP. Informações e Inscrições: www.infra2009.com.br

Moura Lacerda firma parceria com Ibape Os profissionais do sistema Confea/Crea (Conselho Federal e Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) terão oportunidade de fazer pós-graduação, além de Ribeirão Preto-SP, nas capitais CuritibaPR, Maceió-AL, São Paulo-SP, Salvador-BA e Manaus-AM. Isso será possível a partir de uma parceria firmada entre o Centro Universitário Moura Lacerda e o Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape). Serão oferecidos os cursos Avaliações e Perícias de Engenharia, em Curitiba e Maceió, e Avaliações e Perícias Ambientais, em São Paulo, Salvador e Manaus. A carga horária será de 440 horas. Os cursos terão início em abril, com aulas quinzenais, às sextas-feiras, das 19h às 23h, e aos sábados, das 8h às 17h. •

Visão Estratégica de Cadeias do Agronegócio

NOVOS ASSOCIADOS

Estão abertas as inscrições para o ZOOTEC 2009, multievento brasileiro na área da Zootecnia, que acontecerá entre os dias 18 e 22 de maio, no Hotel Vacance, em Águas de Lindóia-SP. Esta é a primeira vez que o ZOOTEC acontece no Estado de São Paulo, que concentra o maior número de empresas e profissionais da área. “Esperamos receber de 1.500 a 2 mil pessoas”, comenta Célia Regina Carrer, presidente da Comissão Organizadora do evento, promovido pela Associação Brasileira de Zootecnistas (ABZ) e realizado pela Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da Universidade de São Paulo (USP). Com o tema central ‘Visão Estratégica de Cadeias do Agronegócio’, o ZOOTEC

Arquitetura e Urbanismo Wellington de Oliveira Pereira Engenharia Agronômica Paulo Roberto Picinato Cottas Engenharia de Segurança do Trabalho Luis Fernando Delefrate Peixoto

30 AEAARP

2009 pretende contribuir para uma ampla discussão sobre o complexo agroindustrial brasileiro e sua inserção mundial. Haverá palestras, debates, apresentação de novas tecnologias, análises conjunturais, além de exposição de estandes e de trabalhos de pesquisa. Alguns dos principais temas da programação estarão reunidos nos simpósios e minicursos, nas diversas áreas do conhecimento da Zootecnia. Data: de 18 a 22 de maio Local: Hotel Vacance, Águas de Lindóia-SP. Inscrições: www.zootec.org.br ou (19) 3565.4376 e 3565.4005

Engenharia Civil Adolfo Monteiro Moraes Elcio Hissagy Samecima Jorge Sato Luimar Heck Paes Leme Luiz Carlos da Cruz Ching Marcelo Pasqualin Mario Ciguer Nanya Waldomiro Gomes Junior

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Fundo Garantidor Habitacional O governo do Estado de São Paulo anunciou, em fevereiro, medidas na área habitacional que preveem R$ 1,6 bilhão de investimentos com ênfase na urbanização de favelas, construção de moradias e recuperação socioambiental, entre outras coisas. Além de quase 90 mil moradias em produção, que garantem 54 mil empregos, o estado de São Paulo instituiu o Fundo Garantidor Habitacional e aposta na legalização de imóveis de interesse social, instrumentos que aquecem a economia. O governo do estado avalia que um dos grandes obstáculos para a legalização de moradias eram as despesas com taxas cartoriais e no final do ano passado, o aprovou uma lei que reduziu em 90% os valores para o primeiro registro de imóveis de interesse social.

Engenharia Elétrica Ailton da Silva Siqueira Esperio Luis Vettore Tony Hajime Watanabe Engenharia Mecânica Cesar Augusto de Jesus Falcão Marcos Stevanato Pereira Mario Lucas Rodrigues


Revista Painel

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Painel - edição 168 – mar.2009  

Revista oficial da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto.

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