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Roberto Maestrello Presidente

José Roberto Hortêncio Romero Vice-presidente

DIRETORIA OPERACIONAL Diretor-administrativo: Pedro Ailton Ghideli Diretor-financeiro: João Lemos Teixeira da Silva Diretor-financeiro Adjunto: Antônio Rounei Jacometti Diretor de Promoção da Ética de Exercício Profissional: José Aníbal Laguna DIRETORIA FUNCIONAL Diretor de Esportes e Lazer: Francisco Carlos Fagionato Diretora Comunicação e Cultura: Maria Inês Cavalcanti Diretora Social: Luci Aparecida Silva DIRETORIA TÉCNICA Engenharia, Agrimensura e Afins: Argemiro Gonçalves Agronomia, Alimentos e Afins: José Roberto Scarpellini Arquitetura, Urbanismo e Afins: Marcia de Paula Santos Santiago Engenharia Civil, Saneamento e Afins: Luiz Umberto Menegucci Engenharia Elétrica, Eletrônica e Afins: Edson Luís Darcie Geologia e Minas: Caetano Dallora Neto Engenharia Mecânica, Mecatrônica, Ind. de Produção e Afins: Júlio Tadashi Tanaka Engenharia Química e Afins: Denisse Reynals Berdala Engenharia de Segurança e Afins: Edson Bim Computação, Sistemas de Tecnologia da Informação e Afins: Giulio Roberto Azevedo Prado Engenharia de Meio Ambiente, Gestão Ambiental e Afins: Evandra Bussolo Barbin DIRETORIA ESPECIAL Universitária: Onésimo Carvalho Lima Da Mulher: Camila Garcia Aguilera De Ouvidoria: Geraldo Geraldi Junior CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: Wilson Luiz Laguna Carlos Alberto Palladini Filho Cecílio Fraguas Junior Dílson Rodrigues Cáceres Edes Junqueira Edgard Cury Ericson Dias Mello Hideo Kumasaka Hugo Sérgio Barros Riccioppo Inamar Ferraciolli de Carvalho

João Paulo de S. C. Figueiredo Luiz Eduardo Lacerda dos Santos Luiz Fernando Cozac Luiz Gustavo Leonel de Castro Manoel Garcia Filho Marcos A. Spínola de Castro Marcos Villela Lemos Maria Cristina Salomão Ronaldo Martins Trigo Sylvio Xavier Teixeira Júnior

CONSELHEIRO TITULAR DO CREA-SP REPRESENTANTE DA AEAARP Câmara Especializada em Engenharia Civil: Ericson Dias Mello REVISTA PAINEL Conselho Editorial: Maria Inês Cavalcanti, José Aníbal Laguna, Ericson Dias Mello e Hugo Sérgio Barros Riccioppo Coordenação Editorial: Texto & Cia Comunicação – Rua Paschoal Bardaro, 269, cj 03, Ribeirão Preto-SP, Fone (16) 3916.2840, contato@textocia.com Editores: Blanche Amâncio – MTb 20907 e Daniela Antunes MTb 25679 Departamento Comercial: Promix (16) 3931.1555 - revistapainel@globo.com Tiragem: 3.000 exemplares Locação e Eventos: Solange Fecuri - (16) 2102.1718 Editoração eletrônica: Mariana Mendonça Nader - mmnader@terra.com.br Impressão e Fotolito: São Francisco Gráfica e Editora Ltda. Painel não se responsabiliza pelo conteúdo dos artigos assinados. Os mesmos também não expressam, necessariamente, a opinião da revista.

A partir desta edição, inauguramos uma nova fase da revista Painel, em que, por meio da parceria inédita com a Promix e a Texto & Cia, estamos operacionalizando respectivamente sua comercialização e redação. Juntamente com o Conselho Editorial da AEAARP, buscamos a modernização, a sustentabilidade financeira Engº Civil da publicação e o fomento do debate de temas atuais e Roberto Maestrello relevantes para a sociedade. Através do peso, idoneidade e tradição da AEAARP, podemos, ao abrir caminhos na discussão dos diversos problemas, influenciar nas propostas de soluções melhores e mais viáveis para nossa região, em todos os sentidos. A publicação, com o passar do tempo, vai se moldar às expectativas que imprimimos em relação ao futuro da nossa instituição. Da mesma maneira, a cada edição do prêmio Profissionais do Ano, vemos, no resultado, o perfil da AEAARP. A escolha de 2007 é reveladora da pluralidade da instituição. Um dos homenageados pensa a engenharia como solução de problemas, levando em conta a técnica e a exatidão, sem se esquecer do apelo humano que ela tem de contemplar. O outro projeta na arquitetura e no urbanismo com a esperança de ver premiadas as soluções que visem ao bem-estar do individuo inserido e participante da comunidade. A terceira exerce a agronomia empunhando a bandeira do desenvolvimento e da modernização da agricultura por meio das práticas racionais e efetivas do fomento da atividade tratada como agronegócio. Respeitando a igualdade de importância que os três homenageados têm para a entidade, Carlos Alberto Gabarra, Marcos Spínola de Castro e Mônika Bergamaschi personalizam aquilo que queremos para a AEAARP: uma entidade organizada, respeitosa com seu passado, com os olhos voltados para a cidade e o campo de hoje e com a organização daquilo que eles serão em alguns anos, colaborando com discussões e ações que visem à sustentabilidade econômica, ambiental e social. Estas ações fizeram parte dos temas da nossa Semana da Bioenergia, realizada pela primeira vez pela Diretoria de Agronomia da AEAARP, comandada pelo nosso companheiro diretor José Roberto Scarpellini e Comissão de Agronomia, em comemoração à Semana da Agronomia, com sucesso de conteúdo, de público e de entusiasmo, dignos de aplausos e merecedores de serem seguidos por todas as outras diretorias. Neste encontro, vimos que o uso de nossa conhecida cana-de-açúcar como fonte energética, aliada a culturas anuais de oleaginosas, com a viabilidade da produção do biodiesel entre outros, incentivam investimentos na área e apontam para nova fase de desenvolvimento de nossa região. Um dos fatores que impulsionam este cenário é o fato de esta alternativa surgir no comércio internacional como fonte barata e competitiva, além de ecologicamente limpa e renovável. Vemos, neste caminho, o enriquecimento da nossa economia, respeitando, contudo, o meio ambiente. No campo da construção civil, novos empreendimentos rasgam a paisagem, com grandes e tradicionais empreendedores desembarcando na cidade, oferecendo alternativas para compradores, fornecedores e emprego. Na área agrícola, produtores e industriais investem em novas tecnologias para implementar a produção. As duas áreas geram riquezas, empregos e renda para a cidade e região, que olha para o futuro. A AEAARP e seus associados são protagonistas desta história. Em outros terrenos, no entanto, além da novela da CPMF, temos a história do projeto do governo federal que tramita no Congresso sobre o Pregão Eletrônico. Na possibilidade de se usar esta ferramenta, eficaz no caso das compras de mercadorias diversas, porém desastrosa nas licitações para projetos de engenharia, arquitetura e agronomia que, ao ser contratados, devem ser escolhidos pela excelência, tradição, experiência e competência profissional. Anos de prática, graduação em faculdades consideradas referência, pós-graduação e dedicação à vida acadêmica não podem ser comprados por quilo, nem escolhidos pelo menor preço, como se compram pães, farinha ou merenda escolar, que podem ser perfeitamente quantificados e qualificados. O saber não pode ser tratado como mercadoria, pelo contrário, o trabalho de projeto é dignificante da excelência e do conhecimento. Neste sentido estamos publicando o brilhante artigo do Presidente do Instituto de Engenharia de São Paulo. Conclamo-os a lutar para que um projeto como este consiga, pela nossa atuação, ser aprovado, porém separando o joio do trigo. Esta é mais uma luta pela valorização profissional!


PROFISSIONAIS DO ANO

PROFISSIONAIS DO ANO - 2007 resultado demonstra pluralidade da AEAARP

Carlos Gabarra O homem que abriu caminhos A bicicleta foi o primeiro meio de transporte utilizado por Carlos Gabarra que, sobre ela, percorreu e conheceu Ribeirão Preto. À época, a avenida 9 de Julho chamava-se Independência e o asfalto não alcançava todas as ruas da cidade. “O [asfalto] da rua Américo Brasiliense chegava até a Floriano Peixoto”, exemplifica o arquiteto. No final dos anos 1960, Carlos se enfurnou no escritório de Durval Soave para conhecer a profissão que concebia edificações e determinava os traçados urbanos. O interesse pelo ofício nasceu das obras executadas pela família e pelas quais ele ficava responsável por acompanhar. Em 1973 formava-se arquiteto e urbanista pela FAU-Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo. “Fiz a faculdade sem sair daqui, vinha toda semana. Ribeirão é a minha paixão”, entusiasma-se. No ano seguinte ao da formatura, foi trabalhar pela primeira vez na Secretaria de Planejamento da Prefeitura Municipal, levado por Durval, e tornou-se responsável pelo desenho e pavimentação de dezenas de ruas da cidade, abrindo os caminhos por onde circulam hoje milhares de veículos. Soma 20 anos no serviço público. Mas,

Carlos Gabarra e esposa

4 AEAARP

“todas as vezes que me chamam eu vou, porque ainda tenho esperança”, diz. A paixão que expressa ao relatar o trabalho dá lugar a um tom crítico quando trata da organização do espaço urbano na cidade. “Problemas políticos fazem perpetuar questões que poderiam ser solucionadas com projetos que existem na Prefeitura”, diz. No serviço público ele se dedica ao urbanismo. No escritório, gosta de construir casas. A primeira que ergueu fica na confluência das ruas Nélio Guimarães e Maringá. “Um amigo disse que deveria ser tombada”, diz, aos risos. Atualmente se dedica à obra do Complexo Gráfico São Francisco, às margens da rodovia Anhanguera. Longe dos desenhos, o hobby de Carlos é a “gasolina”, em sua própria definição. É um dos fundadores do Clube do Carro Antigo de Ribeirão e dono de um Ford 29, um Chevrolet Belair 54, um Fusca 63 e um Karmanguia 72. Para passeios, mantém um Mitsubishi 93 e a esposa, Mara Maria Gonzaga Gabarra, tem um Suzuki Vitara 98, o mais novo da casa. Ao todo, já teve mais carros do que anos de vida, que são 61.

Carlos guarda também uma motocicleta Yamaha 75, que comprou zero quilômetro e pretende reformar. Outra, uma Honda 78, tem uma história curiosa: adquirida no mesmo ano, rodou somente 16 mil quilômetros porque a mãe dos seus únicos dois filhos, Ani Cintra e Oliveira, pediu que não a usasse para não influenciá-los. “Dei um carro para o Daniel [o filho mais velho]. Ele vendeu e comprou uma moto”, diz, deixando transparecer certo orgulho e ver o filho repetir uma de suas paixões. Além das antigas motocicletas, Carlos mantém uma Honda Shadon 600 cilindradas que usa nos finais de semana para “viagens curtas, de 300 quilômetros”. Para percursos mais longos, vai de motorhome, que já levou a família para os lagos andinos, no Chile, em 2006. “Quando estava na faculdade, usava a barraca. Hoje ficou mais sofisticado, mas não melhorou a acomodação”, brinca. Seu próximo projeto é construir uma nova casa para ele e a esposa, na City Ribeirão, de 54 metros quadrados e uma garagem de 200 metros quadrados, onde vai acomodar todos os automóveis e motocicletas - além do motorhome - e então poderá cuidar de perto de suas paixões.

Carlos Gabarra e filhos

Carlos Gabarra é nascido em Ribeirão Preto. A família, tradicionalmente relacionada à área da saúde, chegou à cidade em 1929, trazida por seu pai Benoni Gabarra, que nasceu em Jardinópolis e mudou-se para Ribeirão a fim de estudar Odontologia. Com Olympia Cocchio teve 11 filhos e, ao final da vida, contaram 48 netos e 22 bisnetos.


Marcos Spínola de Castro O engenheiro do coletivo - anunciou que vai seguir a orientação e a “Reverenciar o histórico, respeitar o carreira do pai. “Todos têm alguns dos meus atual e qualificar o futuro” são as bases que defeitos. Teimosos, todos são”, brinca. o engenheiro civil Marcos Spínola de Nacionalista e idealista, declara-se Castro acredita que servem à construção viciado em discussões políticas e de uma cidade sustentável. Alçado ao classistas. “O que me move é que as coisas posto de Secretário de Planejamento e públicas sejam para o bem público, numa Gestão Ambiental de Ribeirão Preto, gestão que prime pela eficiência”, discursa. poucos dias após sua escolha como Ele vê um futuro promissor para Ribeirão Profissional do Ano, afirma que, entre ser Preto que, em sua avaliação, abriga um autônomo e um homem público, ele empreendimentos que delineiam a gosta mesmo é de ser engenheiro. cidade do futuro. Esta é a segunda vez que “Nos últimos 150 anos assume um cargo público. A edificamos degradando e primeira foi entre 1997 e 2000. Nas alterando as áreas de preservação esferas privada e pública, permanente, como aconteceu em contabiliza 200 mil metros todos os centros urbanos”, avalia. quadrados de área construída e Esta ação desenvolveu uma afirma que se considera um “fazcidade com ruas pequenas (“para tudo”. Do edifício que abriga sua carroças”) e casas apertadas, sem construtora, a Morada Engenharia, recuos. “Hoje o carro é a no bairro Vila Seixas, cuidou desde Desenho do vestimenta do cidadão”, compara, o projeto até a contratação do tretravô foi feito a para justificar a necessidade do serviço de buffet para a inauguração. partir de relatos de familiares planejamento de vias que O gosto pela engenharia vem da absorvam este movimento crescente. capacidade que o ofício lhe dá de resolver Construir e planejar é o ofício que o problemas. Está sempre à frente das questões, consome. Ao findar a semana, na sexta-feira, procurando “menos culpados e mais reúne-se com os amigos para o happy hour. soluções”. Ele acredita que todos, “Conhecemos todos os bares de Ribeirão”, independentemente da carreira que diverte-se, “com aval e alvará das esposas”, pretendem seguir, deveriam cursar uma avisa. A lembrança de uma chácara que faculdade de engenharia. No entanto, apenas manteve por 20 anos o faz persistir nesta um dos três filhos - Vinícios, Marcela e Pedro

O tradicional happy hour com os amigos engenheiros civis.

Marcos, a esposa Rosa e os filhos

atividade de final de tarde. Nela, os amigos se encontravam aos sábados para jogar futebol (o time se chamava “Tim-Tim”, em alusão ao brinde), truco e “alimentar o colesterol”. Perto de se tornarem cinqüentenários, os amigos se dispersaram. Ele rejeita o rótulo de boêmio, mas confessa que gosta da boa música popular brasileira, de “filosofias baratas e jogar conversa fora”. “É para desopilar a semana”, explica. Marcos sonha com a cidade moderna, e que atenda também aos seus desejos, com “mais bares para visitar e parques para andar”. “Eu gosto do coletivo”, diz Marcos, sintetizando sua história, tanto como membro de entidades importantes, como o Sinduscon-Sindicato da Construção Civil, quanto como dirigente de órgãos como o Comur-Conselho Municipal de Urbanismo de Ribeirão Preto. A maior façanha foi reunir 1,2 mil pessoas da família Castro em uma festa realizada em 2001. Entregou para cada um o desenho da árvore genealógica, que ele pesquisou e desenhou. O patriarca da família, seu tetravô Pedro Seriema (“por causa das grandes sobrancelhas e da barba que lembram a ave”), chegou à região de Ribeirão Preto em 1770. Veio de São João Del Rei (MG) com meia dúzia de escravos, sal, pimenta, mulas e carros-de-boi. “Era um bandeirante”, diz, orgulhoso. Ele teve 12 filhos, e o bisavô de Marcos mais 12. O desenho histórico que fez da família não cabia nos galhos da árvore, por isso ele cortou o tronco e o fez em espiral, exibindo robustez e segurança. Revista Painel 5


PROFISSIONAIS DO ANO

Foto Weber Sian A CIDADE

Mônika Bergamaschi A imagem do agronegócio Criar aves ornamentais em São Carlos foi a maneira que Mônika Bergamaschi encontrou de “empobrecer alegremente”. Ela trata este tema com um descontração que some quanto discorre sobre o agronegócio, que abraçou em 1993, quando começou a trabalhar na ABAGAssociação Brasileira do Agronegócio, em São Paulo. Formada em engenharia agronômica pela Unesp-Universidade Estadual Paulista, já sonhou em desenvolver projetos de pesquisa na área de sementes. O espírito irrequieto, no entanto, a tirou deste caminho. “Sou ansiosa para a pesquisa”, conta. O convite para trabalhar na área de crédito rural do Banco Nordeste, na capital paulista, mudou sua carreira, pois assumiu um caráter mais econômico. De malas prontas para voltar para o interior, dedicar-se às aves e “ser uma mulher comum”, foi convidada pelo ex-ministro Roberto Rodrigues para um trabalho na ABAG em São Paulo que, em 2001, foi revertido na criação da ABAGRP, da qual é diretora executiva. Mônika assumiu o desafio de melhorar a imagem do setor e acredita que o ranço do passado, especialmente em relação àqueles ligados à cana-de-açúcar, está se

Em campo, na faculdade

6 AEAARP

dissipando. Desde setembro de 2001, a ABAGRP mantém inserções diárias em emissoras de televisão com informações que destacam a importância do agronegócio e, paralelamente, desenvolve um trabalho educativo em 83 cidades, com 24 mil estudantes e 1,4 mil professores que recebem capacitação de Roberto Rodrigues. Mônika exibe determinação e muito entusiasmo quando expõe o que os professores chamariam de “interdisciplinaridade” de uma usina de açúcar e álcool, que abrange ensinamentos de várias disciplinas, como química, física e geografia. Ela defende o surgimento do MST-Movimento dos SemTerra, mas ataca sua transformação em um “movimento ideológico de cunho político”. Idealista, tem “certeza que é possível melhorar a atuação do setor na área ambiental”. Acredita nas pesquisas sobre transgênicos e que “o Brasil está perdendo oportunidades” ao barrar o acesso a este conhecimento. “Bote ciência nas coisas!”, exclama ao rechaçar as críticas feitas ao setor que defende, com unhas, dentes e todas as armas disponíveis. A preferida é a comunicação. “A cana ocupa menos de 1% da área plantada do país”, diz. São, segundo

Com a família, na formatura

Com Roberto Rodrigues, mestre e tutor

ela, seis milhões de hectares de cana e 220 milhões de pastagens. Para o agronegócio avançar com sustentabilidade - econômica, ambiental e social - o país tem “terra, água e recursos humanos, falta comunicação e iniciativa política”. E as aves ornamentais? “Minha mãe toma conta delas e eu as visito todos os finais de semana”, diz Mônika que se emociona ao presenciar o nascimento dos filhotes. Mônika é a única mulher entre os 15 membros do Conselho da ABAGRP. Situação semelhante acontece no Conselho Superior do Agronegócio da FIESP-Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, do qual é membro. Estes cenários não são novos na vida da executiva, que estudou em um colégio de padres de São Carlos, sua cidade natal, e foi eleita em 2005, pela Revista Forbes, com a mulher mais influente do Brasil na categoria agronegócio e pecuária. É a única mulher entre dois irmãos homens, uma das nove na turma da Faculdade de Engenharia Agronômica e das poucas que terminaram o curso, no início dos anos 1990. Aos 24 anos, quando encarou a cidade de São Paulo no início da carreira, pesava 41 quilos e era “frágil, magrinha e cabeluda”, em sua própria descrição. Aquela que “achavam que ia quebrar” tornou-se uma das executivas do agronegócio mais respeitadas do país, que não aceita rótulos feministas e acha graça nas piadas que alimentam a guerra dos sexos, batalha que ela acredita que ainda exista.


SOCIAL

Festa vai celebrar PROFISSIONAIS DO ANO 2007

Luci Aparecida da Silva, diretora social da AEAARP

A Sociedade Recreativa e de Esportes vai sediar, no dia 24 de novembro, a festa dos Profissionais do Ano 2007. Realizado pela AEAARP há mais de 30 anos, o evento celebra a dedicação de engenheiros agrônomo e civil e de arquitetos e urbanistas às suas áreas de atuação. Luci Aparecida da Silva, diretora social da AEAARP, afirma que a expectativa é reunir 500 pessoas no evento, que terá música comandada por um DJ e jantar assinado pelo buffet da Recreativa. “Este é um momento no qual, além de celebrar a premiação, promovemos a integração entre os associados”, afirma a diretora. Além da entrega do prêmio, a festa vai comemorar o Dia do Engenheiro e dar

a largada para as comemorações em torno dos 60 anos da AEAARP, que serão completados em 2008. As reservas de mesas e convites podem ser feitas na sede da Associação. A adesão de R$ 50,00 dá direito a todos os serviços oferecidos na festa.

15 MIL

É o nú

mero m édio d que já e pess particip oas aram d a festa ‘Profis sionais do Ano ’


ALMOÇO DOS AGRÔNOMOS

A FESTA DA AGRONOMIA Mais de 500 pessoas, entre elas, 132 engenheiros agrônomos, suas famílias e amigos se reuniram na chácara Recanto Boa Vista, no dia 20 de outubro, no Almoço dos Agrônomos. Promovido pela AEAARP há 32 anos, o evento encerrou a Semana Agronômica.

Cesar recebeu o primeiro prêmio do sorteio, entregue por Scarpellini e Guido de Sordi

Ricardo Rodrigues Nogueira e Scarpellini

Engenheiros agrônomos

Presidente Roberto Maestrello, Scarpellini e Geraldo Geraldi

8 AEAARP

Juliana Boldini, a 132ª assinatura na lista de presença, recorde de 32 anos de almoço


Pedro Katayama, Maestrello, Evandra e Alexandre Barbin e Scarpellini

Maestrello com agrônomos e o Profissional do Ano de 2006, Calil João Filho

Maria Augusta, Adriana Landell, Marcos Landell e Alex Motta

Luiz Augusto Campos, José Alberto Monteiro, Marcelo Arantes de Oliveira, José Roberto Scarpellini, José Carlos Barbosa, Gilberto Soares, Geraldo Geraldi Junior, Carlos Alberto Amarolli, Guido de Sordi, Dílson Cáceres, Noboro Saiki, da Comissão Organizadora.

Guido de Sordi com os músicos Eddy e Christy

Giulia, Rosana e José Roberto Scarpellini

Brincadeiras para as crianças durante o almoço dos agrônomos

Patrocinadores: Aeasp, Agrária, Agrichem, Agro Hemar, Agropampa, Andef, Apis Flora, Bar Curiango, Basf, Bayer, Bella Sicília, Binova, Bunge Fertilizantes, Manáh, Café Total, Cap Agropecuária Industrial, Cheminova, Choops Germânia, Churrascaria Coxilha dos Pampas, Churrascaria Ribeirão, Coplana, Dinagro Agropecuária, Dow AgroSciences, Dopont, Engetubo, Fmc Agricultural, Germiterra, Gráfica São Francisco, Iharabras, Itograss, Jonh Deere, Leão Engenharia, Marangatu, Marchesan, Microsér til, Milenia, Na Terra, Ouro Fino AgroScience, Oxiquímica, Painew, Pátobras, Pizzaria Papagone, Realpec, Restaurante Napoleón, Ribersolo, Seprotec Sementes, Syngenta, Tracan, Usina São Francisco, Wolf Seeds Cantinho da Cachaça reuniu a produção de várias propriedades para recepcionar os convidados na chácara Recanto Boa Vista

Revista Painel 9


TECNOLOGIA

Incubada do Parqtec de São Carlos cria projeto inédito para Petrobras Um projeto inovador e sem similares no mercado está sendo implementado pela Multicorpos, empresa incubada no P a r q Te c , e m S ã o C a r l o s / S P. Pesquisadores estão desenvolvendo desde setembro/2006 um simulador de robô submarino de operação remota (ROV - Remotely Operated Vehicle) para a capacitação de pilotos em missões de manutenção e instalação de plataformas de petróleo em alto mar. Seu diferencial é possibilitar o treinamento com redução de custos. Um ROV é um submergível nãotripulado preso a um cabo pelo qual são transmitidos, além da energia, os comandos do operador para o sistema propulsor. Pelo mesmo cabo, o operador recebe informações dos sensores e

c â m e r a s i n s t a l a d a s n o R O V. As chances de sucesso da missão e os riscos de acidentes dependem da experiência e habilidade do operador. Esse know how, entretanto, é muito difícil de ser adquirido. Um dos entraves é o alto custo operacional do equipamento (cerca de US$ 50 mil por dia), o que inviabiliza sua utilização para treinamento. Nesse contexto, o desenvolvimento de um simulador virtual para esse tipo de veículo traz inúmeras vantagens. “Permite o treinamento do operador em diferentes missões e em situações muito próximas às encontradas nas operações reais, aprimorando assim a sua habilidade e minimizando os riscos de acidentes”, aponta Marcelo Prado, engenheiro da Multicorpos.

A exploração de petróleo em águas profundas é responsável por uma parte significativa da produção total de petróleo no Brasil e, desta forma, tem importância estratégica para o País. “Esse tipo de exploração, entretanto, requer o uso de técnicas específicas, tais como mecanismos, estruturas e ferramentas adaptadas às condições de luminosidade, temperatura e pressão”, explica Gerson Brand, pesquisador da Multicorpos. Dessa forma, a utilização de veículos submarinos de operação remota se faz necessária por trazer inúmeras vantagens em processos de montagem e manutenção de equipamentos em águas profundas, onde mergulhadores só conseguem alcançar no máximo 300 metros de profundidade.


BIBLIOTECA

Livro lança olhares para a construção em RIBEIRÃO As influências arquitetônicas, as decisões do poder público sobre o uso e ocupação do solo e os momentos econômico e político que definiram o desenho da cidade de Ribeirão Preto no século XXI são esmiuçadas no livro “Um olhar vertical e horizontal - 150 anos da construção civil de Ribeirão Preto”, com textos e pesquisa das jornalistas Blanche Amâncio, Daniela Antunes e Valéria Brizola e da arquiteta Adriana Capretz Borges da Silva Manhas. Rico em imagens, em sua maioria cedidas pelo Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, e ilustrações do artista André Costa, o livro apresenta um design clean, assinado pelo designer gráfico Wilmar Targa. Dividida em seis capítulos, a obra faz um retrato da ocupação da cidade, desde 1845 com uma doação de terra feita por José Mateus dos Reis para a construção de uma capela. Outros momentos que marcaram a ocupação da cidade pontuam a obra, como a demolição da velha matriz, em 1905, e incremento da industrialização, a partir da década de

1970, que faz emergir o modernismo em Ribeirão Preto. A proposta das autoras é que o leitor faça uma viagem pela história da cidade, da influência cafeeira à decadência dos an t i gos barões, que inv estiram em grandes obras, como o Theatro Pedro II, também retratado na fase de sua reconstrução e restauro, ocorrida nos anos de 1990. “Procuramos expor tanto as grandes obras quanto as mais populares, como casas e vilas de imigrantes italianos, que tiveram relevância na ocupação da cidade, a fim de mostrar um panorama geral da história da construção da cidade”, afirma a arquiteta Adriana Capretz. O livro termina com o relato da primeira tentativa de estabelecer um Plano Diretor para a cidade - em 1945, com um projeto encomendado ao engenheiro urbanista José de Oliveira Reis, que foi chefe da Comissão do Plano da Cidade e diretor do Departamento de Urbanismo da Cidade do Rio de Janeiro - e Primeira Matriz avaliações de profissionais como Sílvio Contart e Ozório Calil Junior sobre a efetivação deste plano e suas conseqüências para o planejamento futuro da cidade.

“Algumas ações propostas por Reis foram aproveitadas isoladamente, como a criação do quadrilátero formado pelas avenidas Jerônimo Gonçalves, Francisco Junqueira, avenida Independência e avenida Nove de Julho. Outras sucumbiram com a ausência de investimento público, como a ampliação do Bosque Municipal “Fábio Barreto”, prevista com o objetivo de amenizar o clima, e a criação de um parque na região do córrego do Tanquinho, no zona norte da cidade. Em 1945, Ribeirão Preto contava 79.771 habitantes e a estrutura proposta por Reis previa abrigar 400 mil habitantes. A ausência de um Plano Diretor fez proliferar ações isoladas e um emaranhado de leis específicas para o uso e ocupação do solo”

Trecho do livro “Um olhar vertical e horizontal - 150 anos da construção civil de Ribeirão Preto” - ed. F. I. Mendes Sá


SEMANA AGRONÔMICA

Novos rumos para a bioenergia “O uso de óleos vegetais como combustível pode ser insignificante hoje. Entretanto, no devido tempo, tais produtos se tornarão tão importantes quanto o petróleo e o carvão são atualmente”. A frase soa como atual, porém foi dita, em 1912, por Rudolf Diesel, criador do primeiro motor movido pelo combustível batizado com seu nome. A viabilidade das culturas alternativas para a produção do biodiesel, as pesquisas em andamento também para a lavoura de cana-de-açúcar e as potencialidades do mercado consumidor e industrial foram debatidos na Semana Agronômica, realizada pela AEAARP em parceria com a APTA Regional e o Sindicato Rural de Ribeirão Preto. O tema foi a Bioenergia. Nos dias 17, 18 e 19 de outubro, foram realizadas palestras que enriqueceram o debate em torno da viabilidade dos biocombustíveis. Cerca de 250 pessoas participaram do evento, que levantou polêmicas e apontou caminhos. A necessidade de investimento em conhecimento foi eleita como essencial para que os avanços pretendidos pelo poder público, e aguardados com entusiasmo pela sociedade civil, sejam alcançados. “Precisamos aprimorar as matérias-primas

Sustentabilidade no processo de produção de bioenergia Engenheiro Agrônomo Denizart Bolonhezi (APTA Regional) O palestrante ressaltou a grande contribuição vinda da agricultura para a balança comercial brasileira e, comentando sobre a importância da sustentabilidade, disse: “Hoje, não é importante só produzir, mas avaliar como estamos produzindo”. Bolonhezi comentou sobre a competitividade dos Estados Unidos na produção de etanol a partir do milho e lembrou que o governo norte-americano destinou à agricultura U$ 34 bilhões, em subsídios, no período de 1995 a 2003. Falou da importância da transgenia para a melhoria da produtividade das culturas e como forma de baixar custos e da necessidade da adoção de sistemas 12 AEAARP

e já existem pesquisas em andamento”, afirma José Roberto Scarpellini, engenheiro agrônomo e diretor de Agronomia, Alimentos e Afins da Associação. Os biocombustíveis são conhecidos por pesquisadores há pelo menos 100 anos. “É uma energia limpa, que garante a sustentabilidade do ponto de vista ambiental e insere muita gente em um mercado de trabalho ainda pouco explorado”, avalia Scarpellini. O aprimoramento tecnológico, em sua visão, deve atender às culturas que demonstram mais aptidão para a produção de óleo, entre elas a soja, o amendoim, o dendê e macaúba. O Brasil tem 20% da área agricultável do planeta, 10% da água doce do mundo e o sol que atinge o território brasileiro equivale à energia gerada em 24 horas por 320 mil usinas hidroelétricas como a de Itaipu. Além disso, existem aqui mais de 200 espécies de plantas produtoras de óleo. Este foi um dos cenários apresentados durante as palestras, cuja conclusão aponta o Brasil como o país com mais condições de produzir bioenergia. Veja um resumo das apresentações de cada palestrante.

conservacionistas de manejo do solo para reduzir o uso do óleo diesel, garantir economia de água, manutenção da produtividade e baixar o custo geral de produção. Falou também do risco da monocultura. “De 1975 a 1995, a Austrália aumentou a área de cultivo de cana e a produtividade. Mas não conseguia mais melhorar a produtividade, depois de 20 anos. Hoje, estamos fazendo cana em cima de cana e os australianos viram que o combinado de culturas rotativas e o uso de pastagem têm contribuído para o aumento da produtividade”. Finalmente lembrou que é preciso reduzir custos de produção de matérias-primas para o biodiesel e viabilizar consórcios. Manejo bioenergético para produção integrada de alimentos, fibras e energia Engenheiro Agrônomo José Roberto de Menezes (consultor)

O crescimento da economia mundial, as particularidades da legislação

ambiental no Brasil, o preço do petróleo, a questão da logística, a competitividade do álcool de milho nos EUA frente à interiorização da economia no Brasil, a alta carga tributária e juros brasileiros e a proibição dos transgênicos no Brasil são os principais determinantes do atual cenário para a agricultura nacional. Menezes analisou custos e financiamento de várias culturas, comparando culturas transgênicas e convencionais. E alertou: “De 1996 a 2007, os prejuízos da proibição tecnológica (OGMs) ultrapassam R$100 bilhões no Brasil”, lembrando da importância do manejo bioenergético e da integração agriculturapecuária . “Um boi de 14@ produz 15 toneladas de fertilizante por ano”, ressaltou. Como exemplo, o álcool de milho nos EUA chega a uma produção média de 9.000 kg/ha. em 140 dias, com rendimento de 25 litros de álcool/ha./dia e a cana-deaçúcar brasileira tem produção média de 80 t./ha. em 365 dias, com rendimento de 17 litros de álcool/ha./dia.

Veja a íntegra das palestras no site - www.aeaarp.org.br.


SEMANA DA AGRONOMIA Manejo varietal em cana-de-açúcar: estratégias de alocação Engenheiro Agrônomo Marcos G. Landell (APTA/IAC)

Nos últimos 30 anos o Brasil teve ganhos significativos com pesquisas, houve investimento contínuo e modernização dos grupos de pesquisa. As pesquisas em cana-de-açúcar foram muito maiores do que em outras culturas, o que acabou gerando uma vantagem para a cana. O produto foi modificado com a melhora genética e isso gerou um salto na produção: o aumento da produtividade foi de 38,5%, o aumento do número de cortes dobrou de 3 para 6, o rendimento industrial para 1 tonelada de cana passou de 90 quilos de açúcar para 120 quilos e de 60 litros de álcool para 89 litros e a safra passou de 165 dias para 220, um aumento de 33%, no período. Landell lembrou as variedades regionais geradas pelo IAC vêm proporcionando ganhos significativos, apresentou algumas variedades e resultados positivos da seleção regional em algumas localidades brasileiras. Cenários da pesquisa em cana-de-açúcar Engenheiro Agrônomo Tadeu Andrade (CTC-Piracicaba)

Dentre as novidades em pesquisa para a cana-de-açúcar, o palestrante apresentou o sistema de lavagem a seco, desenvolvido entre CTC e ITA. A cana passa por uma câmara de ventilação que recolhe impurezas vegetais e terra – esta compromete o sistema de moagem e, com o novo sistema, volta para o campo. Outra novidade para o campo é a gaseificação do bagaço e palha da cana que gera seis vezes mais energia. “Se o país utilizasse as mais avançadas técnicas em co-geração, o setor sucro-alcooleito estaria provendo 30% da energia consumida no país”, afirmou. Nos canaviais a tendência é a miniaturização do processo de análise de cana com o infravermelho, hoje disponível nas esteiras gerando informações online. Mas novas técnicas de coleta de imagem por satélite identificam variedades e longevidade de uma plantação. E a grande corrida mundial hoje é pela busca de enzimas capazes de quebrar as moléculas de pentoses (moléculas de 5 carbonos) encontradas na celulose para a produção de açúcar. Não existe processo conhecido para trabalhar com as

pentoses. Hoje o açúcar é produzido com hexoses (6 carbonos). No dia 13 de setembro de 2007, em Copenhague, o governo brasileiro firmou acordo de pesquisa com a maior produtora de enzimas do mundo, a dinamarquesa Novozymes. Tendências e desafios da mecanização da lavoura canavieira Engenheiro Agrônomo Kesler Bastos (John Deere)

O palestrante fez uma análise do mercado mundial em que os biocombustíveis propiciarão uma nova era para a política agrícola global. Neste cenário, a demanda global de açúcar crescerá 26 milhões de toneladas e a demanda por etanol crescerá duas vezes ou mais com excelentes perspectivas para o preço do açúcar e álcool. Haverá aumento do uso da cana para produtos variados, tendência de aceleração das fusões e aquisições por multinacionais (e Fundos) como parte da expansão acelerada de implantação de unidades produtoras, ao lado da ampliação das preocupações com a questão ambiental e a crescente importância e participação da Petrobras no Brasil e no exterior. Haverá, ainda, melhoria na coordenação de P&D e no modelo energético brasileiro e maior busca de opções de acordos para etanol/ açúcar com entrada livre nos EUA/ Europa. Os solos e a cana-de-açúcar Engenheiro Agrônomo Helio do Prado (APTA/IAC)

Especialista em pedologia, o engenheiro agrônomo apresentou as potencialidades de cada tipo de solo para o cultivo da cana-de-açúcar. “Determinar o tipo de solo é necessário para definir o manejo correto, que auxilia no aumento da produção na indústria”, afirmou. Ele explicou que a quantidade de argila predominante em cada solo interfere na quantidade de água que será absorvida pela planta. O “argisolo” – que tem grande quantidade de argila abaixo da camada arável – é mais comum na região de Jaboticabal, rumo ao oeste do Estado. Nele, a planta tem a possibilidade de absorver mais água. O “latossolo”, ao contrário, tem valores de argila similares na camada arável e abaixo dela, e possibilita menor acesso à água. A quantidade de água absorvida pela cana é determinante em seu desempenho industrial. Não ter

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conhecimento sobre o solo onde está plantando “é o mesmo que não ter alicerce em um prédio”, disse. Plantio direto e a cana-de-açúcar Engenheiro Agrônomo Denizart Bolonhezi (APTA Regional)

O manejo do solo depois da colheita é determinante para garantir a qualidade da safra seguinte. Quando o maquinário agrícola remexe toda a estrutura do solo, as chuvas tendem a açorear o terreno e algumas plantações são totalmente perdidas. Ele expôs imagens de canaviais que poderiam ter sido preservados com o manejo adequado do solo. “A chuva leva os fertilizantes”, disse o engenheiro agrônomo. Manter a palha da cana na terra garante material orgânico para a planta e retém mais água, sem prejudicar o solo. O sistema de manej o de sol o apresentado pelo agrônomo não é comum nos canaviais, mas já é usado em outros tipos de culturas. Na região de Ribeirão Preto, uma das poucas usinas que optaram por este tipo de manejo é a Usina Alta Mojiana, de São Joaquim da Barra. “Não revolver o solo resulta em dividendos. Revolver é prejuízo”. Manejo de pragas na cultura da cana-de-açúcar Engenheira Agrônoma Leila Dinardo Miranda (APTA/IAC)

A palestrante apresentou as formas de identificação, tratamento e combate das pragas mais comuns nos canaviais, como a cigarrinha, o cupim e a broca. Ela abriu a apresentação ressaltando a necessidade de o produtor decidir a tática de combate tendo como base a “análise de custo/benefício que leva em conta o interesse e o impacto nos produtores, na sociedade e no ambiente”. Há formas de combate usando inimigos naturais e controle químico. Perda da produtividade, de qualidade da matéria-prima, aumento dos custos de controle de contaminação e redução da longevidade dos canaviais são as principais conseqüências destas pragas. A agrônoma ressaltou ainda a importância de verificar a procedência das mudas e o cuidado em sua retirada, como forma de evitar as pragas nas plantações. Revista Painel 13


SEMANA AGRONÔMICA Manejo de plantas daninhas em cana-de-açúcar Engenheiro Agrônomo Carlos Azania (APTA/IAC)

O palestrante expôs as principais espécies de plantas daninhas que atacam os canaviais e os herbicidas usados para combatê-las. Algumas exigem mais aplicação de herbicidas e, conseqüentemente, maiores custos de produção, entre elas a tiririca e a grama seda. O agrônomo explicou que a possibilidade de cultivo de cana transgênica gera a oportunidade de usar apenas um tipo de herbicida, de amplo espectro, que poderá reduzir a grande diversidade de herbicidas usados na plantação. Importância econômica da co-geração de energia Prof. Dr. Zilmar José de Souza (Unesp/ Jaboticabal)

O Brasil é o país que mais produz energia renovável no mundo: 41% da energia do país são de fontes renováveis contra 14% no mundo, onde o carvão ainda é a maior fonte. Com esta informação o palestrante abriu sua exposição, que teve como foco a necessidade de investimento industrial em novas fontes de geração de energia. É uma oportunidade, em sua visão, para o setor sucroalcooleiro, que já atende o mercado nos períodos de seca, uma vez que a principal fonte de energia do país são as usinas hidroelétricas. Ele mostrou gráficos que revelam que o consumo no Brasil - 163 kw/h-mês está abaixo da média mundial que é de 210kw/h-mês. A demanda reprimida, em sua visão, deve ser atendida pelo setor sucroalcooleiro, o que obriga um redirecionamento da produção agrícola e a conseqüente definição de um novo marco regulatório para o setor. Segundo ele, a iminente crise energética em 2012 pode ser evitada com planejamento. Em sua avaliação, este é um cenário favorável para o setor sucroalcooleiro, cuja entrada neste mercado é mais viável do que “estacionar as barcaças de termoelétricas” na costa marítima, causando riscos e danos ao meio ambiente. 14 AEAARP

Girassol como base para o biodiesel Engenheiro Agrônomo Dílson Rodrigues Cáceres (CATI-DSMM)

Reconhecidamente um dos grandes entusiastas do biodiesel, o pesquisador assinalou logo no início de sua exposição: “O programa do biodiesel começou com 20 anos de atraso”. Ele apresentou o panorama histórico da produção e pesquisa do girassol e avaliou que há capacidade de expansão no Brasil. Este cenário se deve, principalmente, pelas características da planta: alto teor de óleo nos grãos possibilita a extração a frio, a torta resultante da extração tem boa qualidade nutricional, produz mel, pode ser usado para rotação de culturas, tem baixo custo de implantação, entre outras coisas. No entanto, falta tradição do agricultor com a cultura e incentivo à pesquisa, alguns dos entraves para a expansão da produção no país. O histórico do cultivo de girassol comprova esta avaliação: depois da desaceleração da produção, registrada em meados dos anos 1980, a retomada coincidiu com o investimento da indústria em novas tecnologias, no final da década de 1990. Cultura do pinhão manso Engenheiro Agrônomo Eduardo Suguino (APTA Regional)

A rusticidade e o teor tóxico do pinhão manso são algumas das informações disponíveis sobre a planta, tratada como coqueluche do biodiesel. O palestrante alertou para a falta de informações a respeito da viabilidade de seu uso em larga escala para produção de biodiesel e a proibição do uso comercial no país, uma vez que não está cadastrada no Registro Nacional de Cultivares, do Ministério da Agricultura. “Ninguém pesquisava a fundo o pinhão manso até três anos atrás”, disse. A destinação da torta resultante da extração do óleo, altamente tóxica, é apenas um dos entraves para o uso industrial. Esta massa não pode ser usada para alimentação animal, ao contrário de outras matérias-primas, e há risco de contaminação do lençol freático. “A avalanche de otimismo em relação à planta não foi acompanhada de avalanche de pesquisa, necessária para seu uso como fonte energética”, alertou. Sua produção atualmente é restrita à

agricultura familiar, como cerca viva e suporte para plantas. Há utilidade também como fonte de energia para iluminação pública, planta medicinal, óleo lubrificante e tintura. Potencial das variedades de amendoim para o biodiesel Engenheiro Agrônomo Inácio J. de Godoy (APTA/IAC)

“A indústria do biodiesel está tratando as questões no atacado, sem descer no detalhe dos aspectos qualitativos das culturas”, disse o pesquisador, que apresentou as potencialidades do grão composto por 25% de proteína e até 50% de óleo. O IAC pesquisa variedades com maior teor de oléico. A “IAC Caiapó” é a variedade com mais vantagens, atualmente, para a produção de óleo - é composta por 60% de óleo. No entanto, exige um período mais longo de produção, o que a torna inviável para as áreas de renovação de cana. Esta variedade é também mais resistente, evitando controle químico das plantações. A “IAC 147” é outra variedade que está em desenvolvimento. Tem alta produtividade em grãos e em óleo e estará disponível nos próximos anos. O instituto também pesquisa variedades de amendoim com maior teor de ácido oléico, que oferecem ao mercado de matérias-primas para biodiesel produtos que contribuem para a qualidade do combustível, além do potencial para a indústria de cosméticos. A produção nacional atualmente está direcionada predominantemente para o mercado interno. O maior atrativo comercial é o uso culinário, especialmente a Tatu e a Runner, o que limita o uso desta cultura para o biodiesel. A macaúba como fonte de óleo para biodiesel Engenheiro Agrônomo Joaquim Azevedo Filho (APTA Regional)

A APTA mapeou os locais no Estado de São Paulo onde há árvores de macaúba. Folhas, sementes, estipe, frutos, plânulas e raízes têm usos comerciais, tanto para a obtenção de madeira para parede, ripas e caibros, quando para a indústria farmacêutica (raízes) e artesanato (sementes para confecção de botões e bijuterias). O palestrante disse que quer empolgar os pesquisadores para que desenvolvam pesquisas sobre a planta, considerada praga de pastagem e eliminada por criadores de gado. O mapeamento feito pela APTA confirmou que, por este motivo, as árvores ficam restritas às áreas

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de difícil acesso. A produção de óleo a partir da macaúba pode chegar a 4 mil kg por hectare, e tem qualidade de azeite. “Vamos usar para alimentação e deixar a soja para o biodiesel”, disse. A predominância de óleo nos grãos chama a atenção: a casca tem 8% de óleo, a polpa tem 30% e a amêndoa 50%. A tecnologia para extração do óleo deve avançar para viabilizar o uso na produção do biodiesel.

tecnologia para cultivo da mamona com outros produtos. O Brasil tem alguns aspectos que favorecem o aumento da produção da mamona como grande área territorial agricultável, incidência de radiação solar, pluviosidade ao longo do ano, política de incentivo à produção de bioenergia junto com a necessidade mundial de combustíveis alternativos.

Mamona e agroenergia Engenheiro Agrônomo Roberto Branco (APTA Regional)

A soja no contexto da agroenergia Engenheira Agrônoma Sandra Helena Uneda (APTA Regional)

Incentivos do governo estão proporcionando crescente produção da mamona no Brasil. O Nordeste é o maior produtor, com destaque para o Estado da Bahia, mas, apesar de ser considerada uma cultura cosmopolita capaz de suportar vários tipos de solo – existem dados de produção até na Escócia –, o Norte e Centro-Oeste do país não têm cultura de mamona. Sul e Sudeste brasileiros têm

Segundo maior produtor do mundo, o Brasil cultiva soja em todas as suas regiões. Principal matéria-prima para a produção de biodiesel e uma das mais competitivas no país, segundo a pesquisadora, a soja tem merecido pesquisas de melhoramento que têm conseguido aumentar o percentual de óleo na planta, com prejuízo do teor de proteína, dispensável na produção do biodiesel. A pesquisadora fez uma análise

Eu fui

João Batista Lorenzato, produtor de amendoim em Dumond Adquirir conhecimento para direcionar sua p rodução. Foi este o objetivo do produtor ao atender o convite da AEAARP para participar da Semana Agronômica. Como homem da terra, “já sabia que o amendoim não é competitivo para a produção de biodiesel”. “Estes encontros colaboram para orientar o produtor sobre as boas práticas da agricultura que auxiliam na comercialização de nossa produção”.

Eduardo Romão, Secretario Municipal de Agricultura de Jaú A cana-de-açúcar é responsável por 80% da cultura agrícola de Jaú e pelo menos 80% das propriedades agrícolas do município têm até 50 hectares. Foi para buscar novas oportunidades de negócios para estes produtores, abrir as portas da cidade para a realização de pesquisas na área agrícola e potencializar as políticas públicas em andamento no município que o secretário participou do evento. “O biodiesel é uma janela de oportunidades”.

Modesto Barreto, professor da Unesp de Jaboticabal A Semana Agronômica, na visão do professor, é a oportunidade para discutir fontes alternativas de energia, “senão fica setorizado”. “A diversificação é benéfica até para a cana”, diz. As dificuldades expostas em relação à viabilidade do uso de algumas culturas para o biodiesel foram relevantes. “É bom que as dificuldades sejam colocadas”. Flávio Augusto Santos Silva, estudante de Engenharia Agronômica do Centro Educacional Moura Lacerda O evento expôs informações relevantes e esclarecimentos que podem ajudar a definir sua área de atuação profissional. O biodiesel, na visão do estudante, “promete” um futuro rentável. “O mundo depende muito disso”. Caroline Sampaio, estudante de Biologia da Unesp de Jaboticabal Veio interessada em saber sobre as inovações na pesquisa e no mercado e, principalmente, para ter contato com profissionais. “Eu tinha uma idéia a respeito do biodiesel e estou saindo com outra visão por conta das opiniões que vi sobre custos e tecnologia”.

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do cenário da produção de soja no Brasil e ressaltou que a produção brasileira está encostando nos EUA e o Brasil já tem grande chance de ser o primeiro produtor mundial nos próximos anos. Integração lavourapecuária: alimentação animal Engenheira Agrônoma Maria Lucia Pereira Lima (APTA Regional)

A integração lavoura-pecuária vem sendo bastante pesquisada no país, entretanto, apesar de seu maior desafio para o tema estar no custo da implantação, especialmente devido ao custo da semente, o grande problema, ainda, é a dificuldade de acesso do produtor às informações. A pesquisadora ressaltou que o assunto está nos artigos acadêmicos e é desconhecido do empresário rural brasileiro. Minas Gerais e Goiás abrigam as propriedades mais organizadas no Brasil em termos de integração lavoura-pecuária. Luciana Lazaro, estudante de Zootecnia da Unesp de Jaboticabal “O evento me acrescentou bastante, especialmente o tema integração lavourapecuária”. Manoel Polycarpo de Castro Neto Coordenador Geral EDF (Brasília) ANP-Agência Nacional de Petróleo “A ANP acompanha os eventos relevantes que tratam do biodiesel no Brasil pelo fato de que esses eventos são uma esperança de novidades e novas luzes em relação ao que estamos trabalhando”, disse. Sobre o evento, acrescentou: “A semana está muito bem organizada. A questão da cana e do biodiesel foram muito bem trabalhados”.

Patrocinadores: Syngenta, John Deere, Fundação Agrisus, Du Pont, Milenia, Faesp, Senar, Coplana, FMC e Basf. Apoio: CATI, APTA, Fórum Permanente de Debates Ribeirão Preto do Futuro, FEA/RP, Observatório do Setor Sucroalcooleiro, Seprotec Sementes, Mútua Caixa de Assistência, Jornal Cana, FundAg, CTC e Associação Rural de Ribeirão Preto

Revista Painel 15


SEMANA AGRONÔMICA

BALANÇO

“Agroenergia: matérias-primas”

O workshop, promovido pela AEAARP, de 17 a 19 de outubro, contou com cerca de 180 participantes, mais 20 palestrantes, mediadores e debatedores. As palestras e debates foram de alto nível técnico, tendo sido alcançados todos os objetivos propostos. Realizouse uma integração entre os principais grupos que pesquisam matérias-primas para a agroenergia no Estado de São Paulo, especialmente os maiores avanços t é c n i c o s n a c a n a - d e - a ç ú c a r, c o m apresentação de lançamento próximo de nove novas variedades, melhor aproveitamento dos resíduos da cana, quer sejam palhada, bagacilho etc., encurtamento da exploração da cana-soja, com aumento de disponibilidade de área para renovação e conseqüentemente produção de alimentos ou culturas energéticas. Manejo de solos, pragas e ervas daninhas e plantio direto sobre palhada. Embora, nos próximos dias, o

16 AEAARP

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento poderá incluir a Jetropha curcas (pinhão manso) no Registro Nacional de Cultivares e, assim que oficializado o registro, o cultivo e a comercialização do pinhão manso ficam liberados, algumas objeções a esta matéria-prima (considerada a mais promissora) foram colocadas no evento. Outras matérias-primas, como a mamona, que tem alto valor como óleos finos (evitar atrito), o amendoim e macaúba, como substrato alimentar, o problema de pássaros na produtividade do girassol também mostrou dificuldades para utilização destas matérias-primas. As matérias-primas que mostraram-se mais promissoras na opinião dos técnicos que debateram o assunto seriam a soja (que deve ser melhorada com variedades específicas para este fim) o amendoim (com novas variedades oléicas e redução nos custos de produção) e o pinhão manso, resolvendo-se os problemas de

colheita e cultivares registrados. Foram mostradas possibilidades no manejo bioenergético para produção integrada de alimentos, fibras e energia e a sustentabilidade no processo de produção de bioenergia. O setor está se organizando e este tipo de discussão, envolvendo pesquisadores, representantes da indústria do biodiesel, dos produtores de cana, de energia, dos produtores de matérias-primas, dos representantes de monta dor a s, da s agências reguladoras e Petrobras é de suma importância, o que deve ocorrer em breve. Segundo participantes da reunião, ainda estamos longe do profissionalismo em relação à agroenergia, mas existem muitas informações soltas e concatenando-as logo teremos um forte programa de agroenergia, tão forte como o Proálcool. Jose Roberto Scarpellini coordenador do evento


PAINEL DE NEGÓCIOS

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Painel de Negócios

Revista Painel 17


SAÚDE

Hipertensão A pressão arterial alta (hipertensão) é uma doença crônico-degenerativa que provoca elevação anormal da pressão nas artérias. Atinge aproximadamente 6% a 8% das crianças, 20% dos adultos e 65% dos idosos. A hipertensão é diagnosticada quando a pressão do paciente, medida várias vezes em um consultório médico, é igual ou superior a 140mmHg (pressão sistólica) por 90 mmHg (pressão diastólica). Causa - Entre as principais estão os maus hábitos de vida, como o consumo excessivo de sal, alimentos gordurosos, bebidas alcoólicas, sedentarismo, carga emocional excessiva gerada pelos compromissos e dificuldades da vida cotidiana, tabagismo e fator genético. Principais sinais e sintomas - Em geral, ela não produz sintomas durante anos, mas deixa pistas quando lesa algum órgão vital. Alguns são a cefaléia,

sangramento pelo nariz, tontura, rubor facial e cansaço. Os pacientes mais graves podem apresentar sonolência ou mesmo o coma em razão do edema cerebral, situação que requer tratamento de emergência. Quando o distúrbio afeta o cérebro, os olhos, o coração ou os rins, pode causar cefaléia, fadiga, náusea, vômito, dispnéia, agitação e visão borrada. Complicações - A pressão lesa os vasos sangüíneos, que vão se tornando endurecidos e estreitados e podem entupir ou romper. Quando o entupimento de uma artéria acontece no coração, o quadro de dor é denominado angina e pode ocasionar infarto do miocárdio. No cérebro, a ruptura ou obstrução arterial leva ao acidente vascular cerebral (AVC). Se o órgão atingido for o rim, pode instalar-se a insuficiência renal. Terceira maior causa de mortes no planeta, no Brasil, 30 milhões sofrem de pressão alta e, a cada ano, 150 mil morrem em

decorrência desse mal. O distúrbio é responsável por 40% dos casos de derrame cerebral, por 20% dos infartos e por 70% das lesões renais dos pacientes que fazem hemodiálise. Tratamento - O indivíduo com pressão alta deve ser tratado durante toda a vida. O tratamento consiste em remédios que ajudam a controlar a pressão e em manter hábitos de vida saudáveis. A hipertensão não tem cura, o tratamento a controla. Prevenção - A qualidade de vida e hábitos saudáveis de alimentação são a única maneira de prevenir a hipertensão ou de controlá-la. Dr. Alcyr Barbin Filho cooperado da Unimed Ribeirão Preto


CREA-SP

CREA-SP fará recadastramento até dezembro O CREA-SP-Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura do Estado de São Paulo vai recadastrar os profissionais da área tecnológica até o dia 30 de dezembro deste ano. A convocação atinge aqueles que têm carteiras e vistos emitidos antes de 18 de dezembro de 2006. No primeiro semestre o Conselho recadastrou 90 mil profissionais em todo o Estado. De acordo com o CONFEA, aqueles que não atenderem à convocação perderão o acesso a serviços oferecidos pelo Conselho, inclusive a possibilidade de r e g i s t r o d e A RT- A n o t a ç ã o d e Responsabilidade Técnica. O recadastramento deverá ser agendado através do site www.creasp.org.br, onde o profissional escolherá um dos escritórios do CREA. O procedimento foi determinado pelo CONFEA-Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, em julho de 2006, e tem por objetivo atualizar os dados cadastrais de profissionais brasileiros e estrangeiros em atividade no país. Os profissionais que providenciarem o documento até o prazo vão usufruir do desconto de 50%, com o valor da taxa fixado em R$ 14,50. Após o recadastramento, a nova carteira estará disponível em um prazo de aproximadamente 90 dias. Neste período, para fins legais, o profissional vai utilizar um documento provisório emitido pelo Conselho. Após o prazo previsto na convocação, as carteiras antigas perderão validade legal e será cobrado o valor normal para emissão de novos documentos de R$ 29,00.

O QUE É NECESSÁRIO LEVAR Os profissionais de engenharia, agronomia e arquitetura poderão agendar horário de atendimento no CREA. - Requerimento de Profissionais, preenchido e assinado* - carteira de identidade ** - se estrangeiro, cédula de identidade com indicação de permanência no país ** - Cartão de Cadastro de Pessoa Física (CPF) ** - título de eleitor, se brasileiro ** - diploma (frente e verso) caso o registro anterior tenha sido efetuado após de 30 de junho de 1992 - duas fotografias atuais, tamanho 3x4, em cores e com fundo branco - comprovante de pagamento da taxa de carteira (R$ 14,50 até dia 30/12 com boleto bancário impresso ao efetuar o agendamento) * Pode ser obtido no site do Conselho, por meio do qual é também possível fazer o agendamento www.creasp.org.br ** Original e cópia

Para aqueles que quiserem inserir o tipo sanguíneo na carteira, é necessário apresentar o original e a cópia do comprovante laboratorial ou atestado médico de tipo sanguíneo e fator Rh.

O Call Center do CREA - 0800.171811 está dirimindo as dúvidas dos profissionais que ainda não providenciaram o recadastramento.


OPINIÃO

Repúdio ao Pregão Eletrônico para serviços de Engenharia

Edemar de Souza Amorim Presidente do Instituto de Engenharia A sistematização das compras públicas, permitida pelo desenvolvimento da tecnologia da informação, foi um grande avanço no combate à má gestão pública e à corrupção, permitindo também uma maior igualdade nas oportunidades de fornecimento de bens e serviços aos governos. A introdução do Pregão Eletrônico foi um grande avanço para o Brasil e seu uso deve ser difundido e incentivado. Mas engana-se a sociedade e seus representantes ao considerar o Pregão Eletrônico um elixir mágico, capaz de solucionar todos os problemas envolvendo as contratações do poder público. Como também enganam-se aqueles que consideram o menor preço o mais importante, senão único, fator de seleção de prestadores de serviços de engenharia e arquitetura. O projeto em tramitação na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado é fruto do desconhecimento dos resultados das licitações em todas as esferas no país e também da necessidade eleitoreira de responder à opinião pública, face aos escândalos revelados diariamente na mídia. Enquanto os holofotes apontam para obras superfaturadas e desvios de recursos públicos, ficam às sombras, longe das manchetes, milhares de 20 AEAARP

esqueletos inacabados por falta de capacidade financeira da contratada, acidentes fatais por falta de qualificação técnica dos profissionais empregados e os custos financeiros e sociais da má seleção de prestadores de serviços. A inversão do processo licitatório, priorizando o preço sobre a qualidade técnica, é uma aberração. Sua defesa só é possível por parte daqueles que ignoram a complexidade de um projeto de engenharia, que desrespeitam a formação acadêmica dos profissionais e técnicos e, acima de tudo, não têm consciência do quanto desconhecem do histórico dos processos licitatórios brasileiros e das obras de infra-estrutura do país. O Jornal O Estado de São Paulo, em seu editorial de 10 de outubro, defende a adoção do pregão eletrônico e a mudança nas regras licitatórias usando argumentos, no mínimo, infantis. Imaginar que a competição permitirá a manutenção da qualidade enquanto reduzem-se os preços é o mesmo que defender o fim do controle alfandegário na Ponte da Amizade, imaginando que assim conterá os preços da indústria. Pior ainda é querer acelerar os processos de licitação, como se fossem estes os responsáveis pelos atrasos nas entregas das obras públicas. Não é segredo que as políticas erráticas

e temerárias de gestão de pessoal de todas as esferas dos mais diversos governos brasileiros afastaram os profissionais mais qualificados, que a falta de investimentos desmantelou os departamentos técnicos e a proliferação de cargos políticos quase eliminou a pouca eficiência do serviço público. Por isto, defender um sistema licitatório que elimine o julgamento técnico prévio, assumindo ser constante e homogênea a qualidade entre todas as empresas, onde o poder público brasileiro paga rigorosamente em dia todas suas contas e as fraudes acontecem na contratação dos serviços, não nas medições e alterações posteriores de projetos é imaginar que o Brasil é a nova ilha da fantasia, bem diferente dos fatos noticiados diariamente pela imprensa. A aprovação deste Projeto é uma atitude eleitoreira de alto risco para a sociedade brasileira. Os senhores Senadores têm o dever de defender os brasileiros de aventuras populistas na contratação de serviços de engenharia. Pois, se os custos relativos à infraestrutura já começam a travar o desenvolvimento brasileiro, acrescentar o risco aos cidadãos a este custo é no mínimo irresponsável.


CURSOS

GEOSSINTÉTICOS

Controle tecnológico do

Conceitos, Aplicações, Noções de Dimensionamento e Técnicas de Instalação

CONCRETO

07/11/07 Das 8h às 18h Local: Instituto de Engenharia - Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 Instrutor: Eng. Benedito de Souza Bueno Investimento: Associados do IE/ABMS/IGS: R$100,00 Não Associados: R$125,00 Estudantes Graduação: R$50,00 Incluso no custo: material didático, coffee break e certificado.

Manual Brasileiro de Geossíntéticos (única publicação Brasileira sobre o tema 418 páginas) – R$ 85,00 exemplar Informações: IE (11) 5574.7766 r. 214 www.institutodeengenharia.org.br

*Livro texto “Manual Brasileiro de Geossintéticos” - Editora Edgard Blucher (418 páginas). O Manual Brasileiro de Geossintéticos - MBG é o primeiro livro brasileiro dedicado

exclusivamente ao tema. Seu objetivo principal é a difusão do atual estado de arte dos Geossintéticos para todo o Brasil, procurando demonstrar a facilidade de utilização e a eficiência que esses produtos podem proporcionar às obras de engenharias. Trata-se de uma obra abrangente e profunda, preparada por um grupo de especialistas da maior competência no assunto, que apresenta conceitos, especificações, critérios de projeto, recomendações práticas de aplicação e, como se não bastasse, inúmeros exemplos de aplicação. Nele contém informações que interessa a toda a cadeia da engenharia civil, desde o estudante de graduação até o engenheiro de obra passando, portanto, pelos pós-graduandos, professores, engenheiros projetistas, consultores e contratantes de obras. A redação do Manual esteve a cargo de 26 renomados profissionais com larga experiência teórica e prática no assunto, a maioria com mestrado e doutorado em importantes instituições acadêmicas do Brasil e do exterior. Isso confere à obra uma característica de ecletismo e não somente uma linha de pensamento sobre o tema. R$ 85,00 (20% abaixo do preço de prateleira).

NOVOS ASSOCIADOS

22/11/07 Das 8h às 18h Local: Instituto de Engenharia - Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 São Paulo /SP Instrutor: Egydio Hervé Neto Investimento: Associados do IE: R$180,00 Não Associados: R$240,00 Incluso no custo: material didático, coffee break e certificado Informações: IE (11) 5574.7766 www.institutodeengenharia.org.br

PALESTRA Método para investigação de patologias em sistemas de pintura látex de fachadas 13/11/07 Às 19h Local: Sede do IBAPE/SP - Rua Maria Paula, 122 cj. 106 - 1º andar - São Paulo/SP Palestrante: Engº Jerônimo Cabral Pereira Fagundes Neto. Informações: (11) 3105.4112 ibapesp@ibape-sp.org.br

NA REDE

Alexandre Barcelos Dalri

Engenheiro Agrícola

Ary Poletto

Engenheiro Eletricista

Danilo Fonseca Mazoni

Engenheiro Agrônomo

Luciano Carreira

Engenheiro Eletricista

Márcia Serdeira Vallim

Arquiteta e Urbanista

Márcio Ferreira da Rosa

Engenheiro Agrônomo

Rodrigo Borsari

Engenheiro Agrônomo

O site criado pelo engenheiro agrônomo Hélio do Prado, do IAC-Instituto Agronômico, conta a história da pedologia no mundo, mostra as classificações do solo, disponibiliza um glossário com verbetes comuns a esta atividade e divulga artigos técnicos sobre o tema.

Wilson José de Bortoli

Engenheiro Civil

www.pedologiafacil.com.br Revista Painel 21


NOTAS

PÉ NO ACELERADOR... E NO FREIO

Não à CPMF ○

A AEAARP aderiu à campanha contra a prorrogação da CPMFContribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, cujo projeto tramita no Senado Federal. Outras entidades da cidade também assinaram o documento, entre elas a ACIRP-Associação Comercial e Industrial, ABIMAQ-Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, SINCOVARP-Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto, SINDUSCONSindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo, CDL-Câmara dos Dirigentes Lojistas e ABAGRP-Associação Brasileira do Agronegócio da Região de Ribeirão Preto. Os interessados em integrar o movimento devem procurar a sede do CIESP-Centro das Indústrias do Estado de São Paulo, em Ribeirão Preto (Rua Bernardino de Campos, 1001) ou acessar o site www.contraacpmf.com.br.

O boom da construção civil em Ribeirão Preto motiva preocupações de arquitetos e urbanistas que pretendem ver até onde a malha urbana suportará tamanho crescimento. O bom momento e euforia no mercado, estampados em publicações de circulação nacional, são compartilhados pelo setor em todo o país, com registros de recordes e reações. ○

O RECORDE

A EUFORIA

A ABECIP-Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança divulgou que no mês de setembro de 2007 foram concedidos R$ 1,85 bilhão em crédito imobiliário, 137% mais do que no mesmo mês do ano passado.

A Anamaco-Associação Nacional dos Comerciantes de Materiais de Construção revela que no primeiro semestre deste ano o setor apresentou crescimento acumulado de 7% na comparação com igual período de 2006. Na comparação mês a mês, o desempenho em julho foi 4,8% superior a junho e 1,5% em relação a maio de 2007. A Anamaco defende a redução do ICMS-Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, que incide sobre os materiais de construção, para esquentar ainda mais suas projeções.

O RISCO Reportagem do jornal Folha de S. Paulo, do dia 15 de outubro, alerta sobre o risco de um “apagão” no setor da construção por falta de material e mão-de-obra, caso a aceleração no consumo se mantenha nos próximos dois anos. Com informações de entidades como o Sindicato da Indústria do Cimento e da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção, o texto expõe, como expectativa de crescimento de vendas, o índice de 12% entre 2007 e 2008. ○

A REAÇÃO O SindusCon-SP-Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo “acredita que há e haverá insumos da construção suficientes para atender a demanda, inclusive se para tanto for necessário importar, e rejeita eventuais aumentos oportunistas de preços de materiais”, segundo nota publicada no site da entidade. ○

EM RIBEIRÃO Roberto Maestrello, presidente da AEAARP, avalia que a queda na inflação, o baixo valor da moeda americana, entre outros fatores, forçaram um acúmulo de capital na poupança, que é investido na construção civil. Há um aumento da demanda de projetos nos escritórios de engenharia e arquitetura e os serviços necessários para a execução das obras, como fornecimento de concreto e tijolos, precisam ser planejados com antecedência. “Mas não falta material, pelo menos por enquanto”, diz. 22 AEAARP


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Painel - edição 152 - nov.2007  

Revista oficial da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto.

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