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O NH JU | IL AS 0 BR 20,0 R$

O ST GO A -

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QUADRO DE INSPIRAÇÃO

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EDITORIAL

Jaque Cante

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io Araujo | Edição Már ta os C o nh Pavão Por Tavi ake Mychelle i Cardoso | M ss le C g uv lin Sty Tucund a co Fernando Design gráfi

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FIRST THOUGHTS

“to buy now” ou “to buy later” ?

Com tantas mudanças na moda nas últimas duas temporadas todos estão confusos e sofrem sem muita necessidade por uma prática que o mercado já realiza e muitos não percebem: o “to buy now” ou “see now buy now” já é realidade Por Mário Araujo | Fotos Divulgação Balenciaga e Gucci

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No meio de toda essa confusão, num momento bem oportuno, surge a Vêtements. O coletivo liderado por Demna Gvasalia trouxe rebeldia à Semana de Moda de Paris, que até então seguia o protocolo fashionista bastante conservador das grandes masions. Com castings formados por modelos exóticas, muitas vezes amigas, e peças construídas “erradas” e apresentações em lugares inesperados, a marca chamou atenção com sua proposta grunge de boutique e caiu no gosto dos antenados.

Da mesma forma, assumiu brilhantemente a direção criativa da Balenciaga e fez o que o talentoso Alexander Wang não conseguiu: interpretou os códigos da maison com um olhar autoral, jovial e contemporâneo, mas sem perder o DNA da marca. E ainda fez sua própria marca se contaminar, de certa forma, pela casa – vale analisar o florais. Seguindo um caminho muito similar, Alessandro Michelle fez a sexy Gucci virar geek e ecoar na Semana de Moda de Milão. Um mood retro assumiu a marca que até então era super party girl e mais uma vez aconteceu um plot-twist.

DESIGN

Inteligentíssimos, Demna e sua trupe, infiltraram-se por Paris e fizeram-se notar. Lotta Volkova, sua stylist e modelo em muitas apresentações, começou a assinar editoriais para diversas publicações e tornou-se figurinha presente das revistas e sites de streetstyle. Seu irmão e braço direito na administração da marca, Guram Gvasalia, virou guru das palestras, cujo modelo de negócios é o mesmo repetido por inúmeras marcas de sucesso:

MARCA

IDENTIDADE 22

VENDAS

No fim do ano, Jonathan Saunders fechou sua marca e recentemente foi apontado como estilista-chefe da Diane von Furstenberg e a Calvin Klein desligou Francisco Costa e Italo Zucchelli, afirmando unir as operações do masculino e feminino.

O boom causado pela Vêtements foi tão grande que uma onda grunge ressurgiu no inverno 2017, no qual o xadrez teve destaque em toda a temporada internacional, assim com as peças oversized e um mood genderless. Os fashionistas precisavam de novidade e Demna deu isso a eles, ponto para ele.

RP

Seu fim foi decretado inúmeras vezes desde então. Começou a haver uma movimentação das grandes marcas em modificar seu calendário de lançamentos e um incrível número de grandes criadores começou a trocar de casa – vale lembrar que antes de Raf, Frida Giannini, deixou a Gucci e Alexander Wang a Balenciaga, seguido por Alber Elbaz da Lanvin e Hedi Slimane da Saint Laurent.

Ele destaca que, se um produto vai à liquidação, está havendo mais produção que demanda, então as marcas devem ficar atentas ao consumo para produzirem. Aí que está o grande truque. E que o consumidor deve ficar distante das fast fashions e apostar em peças que durem por estações. Slow fashion!

O

Desde a saída de Raf Simon da Christian Dior após a apresentação da coleção de verão 2016, o mundo da moda imergiu em um período de cinzas com inúmeras mudanças e profecias apocalípticas.

FINANCEIR

mas, vale analisar com cuidado, sempre depois de um período de sofrimento surge uma bonança criativa e há muito não vemos uma.

Desde a saída de Raf Simon da Christian Dior, o mundo da moda imergiu em um período de cinzas com inúmeras mudanças e profecias apocalípticas.

PRODUCAO

A HISTÓRIA DA MODA É FEITA DE GRANDES PLOT-TWISTS. Muito doloridos, na maioria das vezes,


TIME TO BUSINESS

E AGORA JOSÉ?

Paralelamente, grandes marcas começaram a anunciar que era tempo de atender a vontade do consumidor e alternar o sistema vigente. Realidade? Jogada de marketing?

Toda a discussão até então era sobre como a cadeia produtiva iria se adaptar a isso. Mas alguém já parou para pensar que as fast fashions praticamente já fazem isso? Com a única diferença de que elas não criam o design das peças, mas pegam emprestado das grandes marcas.

A Tommy Hilfiger foi uma das primeiras a declarar que tudo que desfilava na semana de moda imediatamente poderia ser encontrado nas lojas da marca, assim como Burberry e Tom Ford. No calor das discussões, grandes labels como a Versus, comandada por Donatella Versace, e Louis Vuitton, afirmaram que já fazem isso e o que o desfile nas semanas de moda é muito mais uma questão de branding e geração de awareness, para mostrar o conceito da coleção, do que mostrar a roupa em si! Aí surge uma nova finalidade para o desfile. Na contramão, defendendo o modelo vigente, designers como o ultramoderno Karl Lagerfeld, afirmaram em diversas entrevistas que o comprador precisa desses seis meses de respiro, que ele não é capaz de ver 80 looks com mais de 200 peças e saber o que comprar, que ele precisa da ajuda da mídia, das celebridades, das campanhas... Que ele precisa que se forme o desejo. Que pode ser um verdadeiro desastre para a indústria produzir a coleção completa sem saber que itens farão ou não sucesso com os consumidores. Nessa discussão toda, algumas marcas, incluindo a própria Vêtements, começaram a anunciar a fusão de seus desfiles masculinos e femininos, optando por apresentá-los, na maioria das vezes, na semana de moda masculina – em janeiro e junho. A Burberry, na última temporada, mostrou suas três linhas em uma única apresentação, o que ficou um tanto confuso, perdendo um pouco da identidade e magia do momento.

Será que o consumidor vai querer comprar uma peça caríssima por impulso toda vez que vir uma? Inúmeras pesquisas mostram que as novas gerações dão muito mais valor à experiência que à propriedade em si. Então será esse mesmo o modelo mais correto?

A Zara, por exemplo, consegue colocar um modelo na rua em menos de um mês. Então produzir não é o problema, uma vez que todo o sistema esteja funcionando. Empresa de soluções como a Lectra, que é responsável pela Zara, entre outras grandes confecções do mundo, pode ajudar qualquer uma, e de qualquer porte, a se moldar nesse novo modelo vigente, se for o caso. Mas será que a indústria quer isso? Será que você quer isso para a sua marca? Será que o consumidor vai querer comprar uma peça caríssima por impulso toda vez que vir uma? Quem paga essa conta? Inúmeras pesquisas mostram que as novas gerações dão muito mais valor à experiência que à propriedade em si. Então será esse mesmo o modelo mais correto? Ainda lembrando que essas mesmas pesquisas ressaltam que métodos de produção, padrões ambientais, qualidade, origem do produto etc. são fatores determinantes na hora da compra.

NEW TREND A indústria da moda é tão safa em criar desejos e vontades... Será que ela não é capaz de criar uma nova vontade que fuja do “see now buy now” ou uma solução ao meio? Será que essa é a melhor solução para o manter a lucratividade das empresas? Muitas conversas ainda deverão ocorrer sobre o tema, conversas saudáveis, que devem impulsionar a moda para um novo patamar. O consumidor, assim como as marcas, vai aprender errando, e, no final, vai descobrir a melhor forma de lidar com seus desejos de consumo. Não existe uma única regra, uma única forma, um único mercado. O importante é não ter medo de experimentar. De errar. É assim que surge o novo. E novidade é do que mais esse mercado está precisando. Novidade e investimento. Então, let the mind flow.

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CARTA DOS EDITORES

É TEMPO DE SONHAR. Talvez uma das imagens de moda mais fortes desse primeiro semestre não seja uma, mas uma série; as mostradas pelos drones da Louis Vuitton na apresentação de sua coleção cruise 2016: as modelos saindo da nave especial branca, projetada por Oscar Niemeyer, e descendo a passarela vermelho-sangue rumo ao pátio do museu onde mais de 500 convidados esperavam ansiosos para ver as criações de Nicolas Ghesquière inspiradas no Brasil. O MAC, em Niterói, obra icônica do arquiteto brasileiro, serviu de cenário para o designer francês exibir a coleção de uma das maiores grifes do mundo, que deu uma aula de moda ao mostrar que é possível ler o Brasil sem caricaturalizá-lo. Ao fundo, o Rio de Janeiro, quase pronto para receber a Olimpíada. Aliás, os jogos foram o tema de inspiração dessa nona edição da TEXTIL MODA. Estudamos os atributos relacionados a ele como inovação, transformação, superação, resistência, fé, foco, legado, intercâmbio entre países, respeito, tradição... e os transferimos para a moda, produzimos uma edição que coloca fim ao mimimi da “crise” e quer ver as empresas brasileiras dando a volta por cima para construir histórias de sucesso. Sabemos que não está fácil para ninguém, nem no Brasil, nem fora dele, mas durante todo o processo de criação desta revista, que foi mais longo que o normal devido aos acontecimentos atuais e à dificuldade para conseguir parceiros que invistam em um projeto pioneiro em um momento incerto, encontramos histórias surpreendentes, que são exemplos para vocês, leitores, e também para qualquer designer, confecção, tecelagem ou empresa de qualquer gênero que queira fazer sucesso. Muitas histórias estão nesta edição preparada com tanta carinho e capricho para fazer a diferença. Outras ficarão para outra edição e serão contadas em detalhes, como a do estilista francês Simon Porte Jacquemus, que lançou a sua primeira coleção em 2011 como um protesto em Paris, o “La Mode”, em frente ao desfile da Christian Dior e teve cobertura positiva de toda a mídia francesa e internacional e desde então vem fazendo apresentações não triviais, detalhamente...

Sonho talvez seja a palavra que melhor represente essa edição. Sonho de transformação. A indústria brasileira precisa passar por uma transformação. Precisamos começar a sonhar com seu futuro e, assim como Jacquemus, criar soluções para chamar a atenção e mostrar nossos diferenciais para construirmos um futuro exitoso. Nicolas Ghesquière já veio e mostrou que isso é possível. Parangoles podem virar vestido high fashion, assim como o futebol pode ser estampa descolada. Tudo pode, desde que não exista medo de errar. O medo destrói os sonhos e afunda os projetos. O medo faz com que as pessoas desistam dos projetos. Se Gisele Bündchen tivesse medo, não teria suportado todos os nãos que levou na sua primeira semana de moda internacional antes de receber o sim de Alexander McQueen e fazer parte de seu show. Foram quase 20 nãos para um sim... Boa leitura! Mário Araujo e Mariana Eller

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QUEM SOMOS

ALAN GOMES Paranaense, recémchegado a São Paulo, é formado em Relações Públicas e Fashion Marketing. Quando não está criando imagens de moda para editoriais, campanhas e peças de teatro ou para suas clientes do mundo real, mergulha nos estudos de moda e arte, sua paixão.

MYCHELLE PAVÃO Formada em Special Effects Makeup pela Cinema Makeup School, de Los Angeles e vencedora do Prêmio Avon de Maquiagem 2015, na categoria Editorial, Mychelle já fez de tudo um pouco em sua curta, mas recheada, carreira. Maquiou artistas da música, como o astro do rock Iggy Pop e as suecas do Icona Pop. Trabalhou para marcas consagradas do país, como Iódice, M.Officer, Ellus e Gloria Coelho. Assinou editoriais nas principais revistas do país. Sem contar inúmeras campanhas que levam seus traços.

DINDI HOJAH Sempre que alguém chama designer de artista tem outro alguém para torcer o nariz. No caso de Dindi a gente pode dizer, de boca cheia, que se trata da melhor união entre o talento nato de um artista e conhecimento de um designer por formação. Maquia, desenha, pinta e borda! Sua formação e especialização em comunicação de Moda respaldam toda a poesia e beleza que Dindi revela em uma tela, modelo ou em qualquer missão que lhe é dada.

GIANFRANCO BRICEÑO Peruano radicado no Brasil, procura nas suas fotos um espírito livre, sem muitas poses. Chama sua linguagem de “Naturalismo”, utilizando quase sempre a luz natural. Trabalha em campanhas e editoriais de moda fora e dentro do Brasil e é o criador da publicação de nudez masculina Snaps Fanzine.

JAQUE CANTELLY Uma das recordistas de desfiles da edição de inverno 2015 do SPFW, quando foi lançada ao mercado, Jaque tem uma elegância ímpar ao portar um look, o que conquistou os principais diretores de castings nacionais e a projetou nas principais semanas de moda internacionais. Com uma trajetória crescente, só promete bombar!!!

CLESSI CARDOSO Stylist, 25 anos, natural de Maceió, estudou Design Gráfico e chegou a São Paulo em 2009 e, desde então, trabalha para várias revistas de moda, como Elle, L’Officiel, Vogue, entre outras.

ossedmepre

Fernando Tucunduva

Vivi Haydu

Designer

Publisher

Mário Araujo Jornalista

Tavinho Costa Fotógrafo

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Ana Clara Garmendia Fotógrafa

Julliane Silveira

Mariana Eller

Jornalista e Revisora

Sara Poletto

João Lucas

Designer

João Zanella

Franci Santos

Lívia Andrade

Rafael Vita Economista

Jornalista

Gabi Germano Jornalista

Yuna

Nádia Pontes Jornalista

Anna Kossmann Para conhecer mais detalhes sobre a equipe da TEXTIL MODA, visite: facebook.com/textilmodamagazine

Jhon Navarro


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SUMÁRIO 06 Quadro de inspiração 08 Editorial | Quanto mais quente melhor 21 First thoughts | “To buy now” ou “to buy later”? 24 Carta dos editores 26 Quem somos 30 Mercado | O jogo virou 34 Let’s talk about | Constante mudança 38 Minha história | Fenin em detalhes 40 Bibliografia | Pense moda 42 Case | D’Samba 44 Moda de rua | Caminhos cruzados 57 Infográfico | Xadrez 58 Semanas de Moda Internacionais | Masculino 60 Semanas de Moda Internacionais | Feminino 62 Trend | Denim obsession 64 Lançamentos das tecelagens | Inverno 2017 67 To buy now | New wave • Longchamp 68 Ponto de venda | Galeria Downtown • Mexico 70 Música | Liniker 71 Arte | Tempos de liberdade • 100 Shots of Hugo 75 Trend | Willow Smith

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76 Ponto de fuga | Sebastião Salgado + illy Café 78 Entrevista | Joaquim Monteiro de Carvalho • Olimpíadas 2016 83 Coleções | Chanel Cruise 2016 84 Coleções | Louis Vuitton Cruise 2016 86 Textil Moda ama | Radar de lançamentos 88 Olhar crítico | Pelas ruas de Paris 89 To buy now | Look genderless 90 Olhar crítico | Pelas ruas de Tóquio 91 To buy now | Look básico 92 Trend | Lycra® 93 Cartela de cores | New faces • The time is now 102 Guia da Textil

+ TEXTIL MODA # 9

Como tudo que queríamos mostrar não coube nessa edição, fizemos a versão online mais gorducha, com conteúdo extra exclusivíssimo para você apreciar com mais tempo e onde quiser. Confira no nosso issuu.com/textilmoda Ah, falando em “issuu”, lá você encontra todas as edições da TM. Se renda ao encanto de Marina, André, Najla, Waleska, Paula, Amira, Luiza, Marina e Ketlin... Além de muitas matérias que podem transformar o seu negócio ou trazer uma nova carga de energia e inspiração a ele; ou a você, por que não?


VerĂŁo 2017

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MERCADO

VIROU

O JOGO

Consumidores fazem grandes marcas repensarem suas estratégias de negócios e se adaptarem às necessidades de mercado Por Nádia Pontes | Fotos Divulgação

HÁ UM ANO, o lançamento de uma simples camiseta para crianças deu o que falar. A peça trazia uma frase estampada em letras coloridas e linguagem descolada - como mandam os tempos modernos. O problema foi que a mensagem não tinha nada de inocente e foi interpretada pelo público em geral como um incentivo à pedofilia. O pedido de desculpas feito pelo dono da marca, veiculado pela imprensa, não bastou para abafar a repercussão negativa. As camisetas foram imediatamente recolhidas e a produção foi interrompida. Toda essa mobilização contra o produto e a reação rápida da empresa mostrou que os novos tempos deixaram também o comando da moda mais compartilhado: está na mão de milhares de consumidores conectados. “No Brasil, as empresas não estão alheias a esses movimentos, sabem que precisam respeitar essas rea-

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ções porque elas têm possibilidade de expansão muito rápida. E a empresa pode se tornar malvista da noite do dia”, diz Edmundo Lima, diretor executivo da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVTEX). A internet mudou para sempre as relações de compra. A revolução digital deu superpoderes ao consumidor, que analisa, compara, classifica, aprova ou renega uma mercadoria em qualquer lugar, a qualquer hora. Uma pesquisa feita pela agência internacional Mintel revelou que 43% dos brasileiros fazem compras pela internet. Os jovens, de 16 a 24 anos, são os mais assíduos. Ao mesmo tempo, os brasileiros estão entre os maiores usuários de redes sociais como Facebook e WhatsApp. “A era digital mudou o fluxo do script. As companhias costumavam se comunicar por meio de mensagens

altamente controladas e cuidadosamente escritas. Agora, companhias e consumidores estão engajados numa comunicação não planejada, discussões espontâneas”, argumenta Gregory Carpenter, pesquisador da Escola de Administração Kellogg, nos Estados Unidos. O resultado: consumidores ganharam um poder antes impensável, e executivos entendem que qualquer pessoa agora tem o potencial de gerar uma crise para a empresa apenas ao clicar no botão “enviar”. Edmundo de Lima concorda. “A internet trouxe um imediatismo inédito para a relação empresa/consumidor.”. Para o diretor da ABVTEX, as fabricantes que não respeitarem essa mudança podem estar com os dias contados. “Por aqui, no Brasil, notamos que as empresas estão cada vez mais conscientes desse poder que o consumidor detém.”


DO FUNDÃO PARA OS HOLOFOTES No mundo da moda, essa nova relação de poder deu voz e espaço a meros desconhecidos do grande público. Há uma década, quem imaginaria que a primeira fileira dos desfiles mais badalados também poderia ser ocupada por “pessoas normais”? Nos dias de hoje, não só editores de revistas importantes e celebridades desfrutam desse privilégio. Blogueiros e ativistas na internet - com seus milhares de seguidores - são convidados de honra das marcas. A internet acabou com a segregação entre os que ditam tendências e os que apenas seguem o que é apresentado. “As ferramentas online mudaram muito tudo isso. Deram a possibilidade de ‘pessoas normais’ criarem sua própria marca, revista, blog, site”, relembra Jéssica Gaparetto, da WGSN, portal de tendências para indústrias da moda e criativa.

Para Gasparetto, é “muito incrível” a forma como as pessoas estão criando e aderindo a novas tendências: “Não é mais de um lado só. Essa geração é muito criativa, tem vontade de fazer coisas, compartilhar esse conhecimento e mostrar seu lugar no mundo.” A britânica WGSN é uma das maiores do mundo, nasceu em 1998 - praticamente no momento em que as pessoas começavam a ficar mais íntimas do mundo digital. “É até difícil pensar como era a vida antes da internet”, brinca Gasparetto. Na visão da consultora, as grandes marcas conseguiram captar essa mudança e valorizar os consumidores que ajudam a formar opiniões. “Mas ainda estamos caminhando. Cada marca está vendo como se adapta a esse cenário. Pelo menos, elas já estão pensando em como irão fazer essa transição.”

A IEMI, consultoria brasileira que atua desde 1985, acompanhou a tomada de comando pelo consumidor. “Com a ajuda da internet, a força da opinião do consumidor afetou todas as áreas do consumo, em especial o de roupa”, opina o diretor Marcelo Villin Prado. Na prática, para atender melhor essa demanda, o mercado de massa passou a ser um mercado de nichos – o fabricante foi desafiado a conversar e entender melhor o desejo desse novo ator. “Isso dificultou para as marcas que tinham o hábito de oferecer poucos produtos em grandes volumes”, diz Prado. Ao mesmo tempo, afirma o diretor da IEMI, economista, isso também criou uma grande oportunidade para as marcas se diferenciarem, inovarem e criarem produtos mais atrativos.

“Com a ajuda da internet, a força da opinião do consumidor afetou todas as áreas do consumo” Página anterior - Desfile de Lino Villaventura no Minas Trend Verão 2017. Vivemos uma ditadura do “see now buy now”, o consumidor não quer mais esperar. Vêtements, Gucci, Chlóe e Céline trazem a moda de rua para passarela. O desejo do consumidor pauta a moda. Inverte-se o ciclo.

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Cara Delevingne no desfile da Chanel Couture inverno 2016. Top models com grande presença digital influenciam o consumidor e trocam as passarelas pelas primeiras filas.

MAIS REALISTAS

“O consumo consciente é uma nova tendência e está fomentando uma cadeia mais sustentável e transparente”

Atrás dos computadores, celulares e tablets está uma geração mais nova, mais exigente e super realista vasculhando as novidades. “É uma geração que já nasceu conectada, que impacta na moda e a deixa mais democrática”, opina Gaparetto.

dores para ajudar as empresas têxteis a monitorar a cadeia, que é pulverizada e marcada pela informalidade. “Nós buscamos incentivar boas práticas de saúde, combater o trabalho irregular e criar uma cultura de consumo mais ético e sustentável”, explica Lima.

Os valores desses jovens também são diferentes do público tradicional: são ligados em temas como tolerância, individualidade, sexualidade, igualdade de gêneros, sustentabilidade. “É uma geração muito envolvida em saúde física e mental, consumo consciente, que busca espiritualidade e conexão com o meio ambiente - está mais preocupada com algo maior, e não só em curtir o momento.”

Até agora, 7987 empresas de todo o país já se cadastraram no programa e 4300 obtiveram a certificação. E o consumidor espera que as marcas se mantenham fieis aos critérios que dizem obedecer, complementa Jéssica Gasparetto. “Se o comprador tem confiança na marca e ela pisa na bola, a chance de a marca ser detonada na internet é muito grande.”

Esse novo perfil de consumidores reflete diretamente na cadeia produtiva. “O consumo consciente é uma nova tendência e está fomentando uma cadeia mais sustentável e transparente”, concorda Edmundo Lima (ABVTEX). De olho nesse público, o varejo está se estruturando para garantir uma origem confiável do produto em todo o seu processo de fabricação. A fiscalização passa pelo uso ou não de mão de obra escrava, trabalho infantil, condições insalubres e irregulares de trabalho, diz Lima. Desde 2010, a ABVTEX mantém um programa de certificação de fornece-

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O poder que o consumidor conquistou nos últimos anos só deve aumentar, opina Lima. “Essa nova consciência tente a acelerar nas próximas décadas. Ele quer qualidade superior e altos requisitos de sustentabilidade, um relacionamento com a marca de moda que garanta a origem do produto.” Vai chegar o momento em que o fabricante deverá tornar mais clara informações quanto à eficiência energética na fábrica, consumo de água na produção e tratamento dos resíduos, prevê o diretor da ABVTEX. “Vemos um consumidor no futuro buscando consumir com mais responsabilidade, preocupado com o pós-consumo e discutindo até para onde vai a roupa depois que for usada.”


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LET’S TALK ABOUT...

CONSTANTE MUDANÇA Edouard Macquin, vice-presidente executivo de vendas da Lectra, abre o jogo sobre as atuais movimentações da indústria fashion mundial Por Nádia Pontes

NUM MUNDO ACELERADO, o que o consumidor vê nas passarelas já quer logo levar pra casa. É o conceito que Edouard Macquin chama de “See now, buy now”. O vice-presidente executivo da Lectra esteve no Brasil e fez um alerta: a cadeia produtiva precisa se organizar para atender a esse consumidor que não quer mais esperar. Em conversa com a TEXTIL MODA, Macquin falou sobre o “encurtamento” do ciclo, desde a criação até produção e venda. “O que vejo hoje no desfile, quero amanhã no meu guarda- roupa, ou não compro mais”, exemplificou. Não há muito tempo, a indústria tinha tempo para criar e “empurrava” os seus produtos para o mercado com toda a sua inteligência. Agora não: o mercado é quem manda. E o setor tenta se virar para entender a mensagem e responder a tempo. Com presença mundial, a Lectra observa o comportamento de tendências nos mais diferentes países e vê a urgência de adaptação da cadeia produtiva. “See now, buy now” é tudo sobre reduzir tempo para atender à geração Y, conectada, que já “nasceu com um tablet na mão”, como diz Macquin. Para o francês, a resposta está na tecnologia: plataformas de trabalho virtuais, armazenamento em cloud, internet das coisas, indústria 4.0, máquinas conectadas etc. A seguir, acompanhe alguns trechos do bate-papo com a TEXTIL MODA:

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COMO FOI QUE A MERCADO DA MODA CHEGOU ATÉ ESSE PONTO, QUAL É O BACKGROUND DESSE CONTEXTO “SEE NOW, BUY NOW”? Existem algumas empresas que estão encabeçando essa história toda. O fast fashion acelerou essa questão do consumidor. Hoje em dia, se chove, as marcas já têm roupa de chuva nas lojas. Claro que estou exagerando um pouco, mas é por aí. As empresas de fast fashion criaram uma necessidade que foi alimentada. Agora é o consumidor que está puxando essa história, e a indústria da moda tem que seguir, tem que acompanhar. Ela não pode mais empurrar seus produtos, esperando que vai vender. A pessoa quer comprar algo, tenho que me organizar para vender isso, se essa pessoa é o meu público-alvo. Na China, nunca tivemos tanta iniciativa de produtos madeto-measure. Made-to-measure é uma forma de ainda estar mais perto do consumidor, a gente vê que na China tem investimentos muito fortes nisso, nesse mass customization. A cadeia produtiva tem que se reorganizar. Os ciclos de criação, desenvolvimento, produção, supply chain estão se encurtando. Além disso, o consumidor quer variedade, mas não quer pagar mais. É isso cria uma pressão na produção: tem que se organizar ainda mais para poder manter a margem de lucro que justifique o negócio. Então essas coisas criam um contexto que são oportunidades de negócios fabulosos e ao mesmo tempo são um desafio. Não tem volta. Talvez, em 20 anos, a gente diga que existe um outro modelo - quem sabe a próxima geração não esteja nem aí com moda, todos se vistam de branco, como robôs… Mas essa geração Y nasceu com tablet na mão e hoje é ela que tem o dinheiro para consumir, é ela que está no poder.

“Atrás desse modelo tem também oportunidades não só no setor da moda, mas uma oportunidade econômica espetacular”.

ESSE MODELO AMEAÇA A INDÚSTRIA, O SETOR COMO ESTÁ ORGANIZADO HOJE? Ele traz oportunidades. Algumas revoluções existem na indústria e sempre alguns as veem como oportunidades; já outros veem problemas. Acho que de forma alguma isso é uma ameaça. Ao contrário! Porque se eu preciso responder mais rápido à demanda do consumidor: isso quer dizer, por exemplo, que minha produção talvez tenha que ter uma capacidade de resposta mais forte e mais perto. Talvez isso crie menos necessidade de importar produtos que levam muito mais tempo para chegar. O que existe, através dessas coisas, são oportunidades. A Adidas, por exemplo, está falando de trazer parte da produção de volta à Europa. Isso porque tem uma parte da produção deles que, um dia, talvez, seja sob medida, seja bem específica. E daí ela não vai fabricar na Indonésia, vai fabricar na Alemanha. É uma oportunidade fabulosa. Atrás desse modelo tem também oportunidades não só no setor da moda, mas uma oportunidade econômica espetacular. Para o Brasil, por exemplo, é espetacular a oportunidade que isso cria, já que existe essa cadeia produtiva no país. Em vários países isso já não existe mais, como na França: lá não existe mais fábrica. Mas o Brasil tem boas fábricas e isso é mais uma oportunidade que um problema. Contanto, desde que a perspectiva seja de que o mundo mudou. Quem pensa que o mundo não mudou, eventualmente, vai ter problemas.

O FAST FASHION INFLUENCIOU ESSE CENÁRIO ATUAL. COMO DEVE FICAR O FAST FASHION DAQUI PARA FRENTE? Ele vai continuar crescendo. Tem uma estatística que mostra que as empresas de fast fashion, como Ladmark, H&M, Uniqlo e Zara, têm um crescimento de dois dígitos. O mercado da moda tradicional continua estagnado. Ou seja, o fast fashion nasceu e está aqui para ficar. Não foi uma moda que vai passar. E vejo que existem empresas que estão se reformulando aqui no Brasil. Eu morei muito tempo aqui, fui embora em 2011, sempre volto a trabalho e de férias. Vejo como lojas mudaram, adotaram um visual bem agressivo, lojas de departamento com uma cara totalmente diferente.

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COMO ESSAS EMPRESAS PODERÃO PRODUZIR SEM CONHECER A DEMANDA? É uma revolução, não apenas uma evolução. Será preciso ter a informação a tempo, produção sem atrasos, plataforma colaborativa de produção, objetos conectados - desde retail até a máquina que vai produzir. É um grande avanço em termos de tecnologia para as empresas.

O QUE REQUER UM GRANDE INVESTIMENTO… Hoje, na equação econômica do crescimento, a tecnologia faz parte da equação. Se não tem investimento em tecnologia, o crescimento da empresa não é o mesmo. Não tem jeito. A nossa posição é que, quando você desenvolve tecnologia para um setor, você tem que pensar dois ou três passos na frente. Isso porque você cria a tecnologia para atender a uma situação que talvez tirar ainda não esteja acontecendo totalmente ainda. Isso te obriga a pensar muito até onde vai uma determinada história. Porque se eu crio uma tecnologia que daqui a pouco já não responde às necessidades, ela já nasce velha.

E TIRAR OS PEQUENOS, AS PEQUENAS CONFECÇÕES? TERÃO CHANCE? Os pequenos têm chance, sim. Nem todo mundo é Zara ou H&M. Aqui no Brasil mesmo tem muitas empresas de pequeno e médio porte. Acho que a tecnologia não é elitista, não é só para os grandes, para os que têm faturamento muito alto. Não é por aí. Temos que desmitificar essa história de que investimento em equipamento, em sistema, não é para os pequenos, por eles se acharem “pequenos demais”. Se não tiver na equação econômica um pouquinho de tecnologia, a empresa não vai para frente.

A INDÚSTRIA NA EUROPA JÁ ESTÁ ADAPTADA? Está liderando. Estados Unidos, China e Japão lideram iniciativas bem interessantes nesse setor também. Sempre falo para meus clientes: o mercado deles é mudança constante. Qual indústria que, todos os anos, precisa repensar tudo 5, 6, 7 vezes por ano? Não existe indústria assim. O produto deles, muitas vezes, pode ficar só uma semana no mercado, enquanto que um telefone, por exemplo, fica no mínimo 5 anos. As coisas vão evoluindo. As empresas lá possuem um plano mais estruturado. Talvez aqui no Brasil exista menos planejamento para essas coisas.

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QUER DIZER QUE AS EUROPEIAS TÊM UMA VISÃO UM POUCO MAIS DE LONGO ALCANCE, DE LONGO PRAZO, ENQUANTO QUE AS BRASILEIRAS PLANEJAM MENOS? Os grandes no Brasil têm mais planejamento. Mas tem ainda um pouco de o Brasil ser um pouco fechado. Mas os consumidores não são fechados, eles são globais. Independentemente de qualquer coisa, os brasileiros terão a mesma forma de consumir que na Europa, que os Estados Unidos. O brasileiro é um híbrido na forma de consumir.

O QUE SERIA ESSE COMPORTAMENTO HÍBRIDO DO BRASILEIRO? Ele mistura. Na Europa, tem uma tradição na moda, tem o amor à moda. Na Itália, por exemplo, a moda faz parte deles. Nos Estados Unidos é uma coisa mais prática. Você consome moda porque é necessário. O brasileiro fica nesse intermediário, até por ser grande, ter uma população urbana ampla, é muito heterogêneo.

COMO A LECTRA SE POSICIONA E PODE AJUDAR A INDÚSTRIA A SE ADAPTAR A ESSA MUDANÇA QUE O CONSUMIDOR ESTÁ PROMOVENDO? A gente tem que ajudar os nossos clientes a tornar possível reduzir os prazos de criação, de controle, de desenvolvimento e toda a cadeia de produção. Nosso desafio, como empresa de tecnologia, é ter certeza de que as ferramentas estão disponíveis para que possam responder a essa demanda. Ou seja, ciclo de criação muito rápido, utilização do virtual para poder tomar decisão mais rápida, utilização de plataforma de trabalho para que todas as pessoas possam se conectar e ter o mesmo nível de informação - seja em São Paulo, Pequim ou Nova York.

E COMO FICA A QUESTÃO DA SUSTENTABILIDADE E USO DOS RECURSOS NESSE CONTEXTO? A gente acredita que a sustentabilidade também é uma questão de informação, de as marcas e fornecedores terem uma consciência de usar ferramentas para avaliar, medir, controlar o uso dos recursos. É uma questão muito importante, até porque já vemos empresas preocupadas em medir o impacto ambiental das suas atividades. Nós também ajudamos a diminuir o desperdício da cadeia de produção fazendo melhor aproveitamento de recursos, com economia de tecido, de energia com equipamentos modernos que nos indicam como melhorar e aumentar a eficiência.


agenciamaestra.com

primavera verão 2017 A maior e mais importante feira de moda e negócios do Brasil

26 a 29 de junho de 2016 - das 10 às 20h

São Paulo - SP (Simultâneo a FRANCAL)

05 a 07 de julho de 2016 - das 10 às 19h

WE LOVE FASHION AND BUSINESS realizaçao:

2017

15 a 18 de janeiro de 2017

10 às 20h -

São Paulo - SP

24 a 27 de janeiro de 2017

10 às 19h -

informações: 51 3316 3100 fenin.com.br 37


MINHA HISTÓRIA

Fenin em detalhes A história do setor têxtil no Brasil se confunde com a trajetória da Feira Nacional da Indústria Fashion, uma das mais antigas do país Por Lívia Andrade | Fotos Divulgação

HÁ EXATOS 20 ANOS, o gaúcho Julio Viana deu o pontapé inicial à Feira Nacional da Indústria Fashion, a Fenin, evento que aponta as tendências da moda verão e inverno e faz a ponte entre industriais e lojistas. Hoje com 63 anos de idade, o empresário e diretor da Fenin traz na bagagem 40 anos de expertise no setor, tendo trabalhado como industrial, comerciante e representante comercial. Sua atuação na organização de feiras começou em 1981. Com um know-how de quinze anos no mercado, ele criou a Fenin, que foi realizada pela primeira vez em 1997, em Canela (RS). “O mercado pediu para eu fazer uma feira de inverno, que é forte no Sul. Comecei em hotel, depois passei para pavilhão e hoje estou fazendo quatro eventos, dois de verão, dois de inverno”, diz Viana.

Quem dita as regras é o mercado. “Já fizemos uma feira só de malharia retilínea, fizemos feira mista com malharia e produtos de inverno, mas sempre o foco foi mais inverno. De seis anos para cá, começamos a pensar o verão”. Em 2013, os clientes demandaram uma feira em Fortaleza. “Fizemos em abril, mas foi muito cedo, não era o momento ideal. Deveríamos ter feito no final de maio ou em junho”, explica. Mas estes ajustes fazem parte do quebra-cabeça. A primeira edição em uma nova praça é sempre uma incógnita, mas abre caminhos para as próximas. “Ano passado, fiz três feiras de verão com 15 dias uma da outra. Uma em São Paulo, uma em Gramado e outra no Rio de Janeiro. A edição do Rio foi a última e a que mais sofreu, porque o lojista tinha comprado em outras feiras e não estava levando nada porque não vendeu”, explica Viana.

Nos primeiros anos, a Fenin era uma feira de inverno e ocorria no Rio Grande do Sul. Mas a demanda dos clientes trouxe o evento para São Paulo. “É uma forma de suprir o mercado, deixar mais perto o industrial do comprador. É mais fácil vir de Fortaleza para São Paulo do que de Fortaleza para Gramado”, diz o diretor. São quatro edições fixas: a Fenin Primavera-Verão e a Fenin Outono-Inverno, que acontecem em São Paulo, capital, e em Gramado, no Rio Grande do Sul.

O baixo consumo registrado na 1a edição da Fenin Rio foi reflexo da crise político-econômica que abalou o poder de compra do brasileiro. Só para ter uma ideia, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), o faturamento da cadeia caiu de 53,6 bilhões de dólares em 2014 para 36,2 bilhões em 2015. Por este motivo, os planos de uma segunda edição da Fenin Fortaleza e da Fenin Rio vão ficar para 2017. “Não vou fazer no Rio neste ano por-

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que está muito complicado encontrar lugar por causa das Olímpiadas”, diz o empresário.

MAIOR EXPOSIÇÃO Com rol de 1.200 clientes ativos e uma média de 400 expositores por feira, a Fenin tem sido a válvula de escape dos industriais nesta época de vacas magras. “A feira é uma publicidade barata, se comparado com revista, jornal, TV. É um instrumento com o qual o expositor faz tudo, inclusive vende”, diz Viana. “De todas as feiras que eu fiz em 2015 e 2016, as deste ano foram as melhores, principalmente a de Gramado pela situação do mercado. Tem expositor dizendo que, se não fosse a Fenin, teria fechado as portas porque não estava vendendo nada”, complementa. A cada edição, o empresário convida 3.500 lojistas e dá a hospedagem como cortesia. Os comerciantes pagam a passagem. Este ano, a expectativa é atrair ainda mais público para a próxima edição da Fenin Primavera-Verão, em São Paulo. Para isso, a estratégia foi realizar a feira no Centro de Convenções Anhembi simultaneamente com a Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes, a Francal. “Estamos tentando nos adequar ao mercado e diminuir os gastos para os lojistas e para nós. Resolvemos fazer a


A feira é uma publicidade barata, se comparado com revista, jornal, TV. (...) Tem expositor dizendo que, se não fosse a Fenin, teria fechado as portas porque não estava vendendo nada

AGENDE-SE Fenin Primavera Verão (2016) 26 a 29 de junho em São Paulo 05 a 07 de julho em Gramado Fenin Outono Inverno (2017) 15 a 18 de janeiro em São Paulo 24 a 27 de janeiro em Gramado

Fenin no mesmo pavilhão da Francal para minimizar custos de logística do comprador. Muitos compram os dois: calçados e confecção”, diz Viana. O plano está dando resultados, apesar do momento turbulento do mercado: o gaúcho está com as próximas edições praticamente fechadas.

Latina porque pode produzir tudo que quiser vender, principalmente produtos à base de algodão, já que o país é um dos maiores produtores da pluma no mundo”, diz o empresário. “Hoje exportamos algodão para China e importamos camiseta branca, o que é um absurdo”, desabafa.

EFEITO DÓLAR

Para o empresário, o setor têxtil precisa de uma política de exportação tal qual tem o setor de calçados. “Eles têm a Abicalçados que é uma entidade criada em cima dessa finalidade. Eles conquistam mercados lá fora e mantém mesmo quando o câmbio não está favorável, porque uma hora melhora e abrir mercado não é fácil. A confecção não, se não está dando para exportar, ela para e vende para outro lugar”, diz.

O importador que, nos últimos anos, foi presença certa na Fenin deve ficar de fora com a alta da moeda americana e a consequente desvalorização do real. “O preço do dólar torna proibitiva a importação. É melhor fabricar aqui do que importar”, diz o diretor. A compra do exterior só deve continuar para produtos difíceis e caros (como é o caso das jaquetas) de produzir no Brasil e por empresas com um volume alto de aquisição, que conseguem negociar um melhor valor. Para quem demanda uma quantidade menor, o mercado interno passa ser a melhor opção. “Hoje produzir uma camisa polo aqui é mais barato que importar. Você produz em cima do que foi pedido. Quando você importa um contêiner, geralmente há uma sobra de 20% a 30% que você tem que liquidar”, explica Viana. No passado, o preço do dólar tornou mais vantajoso a importação, o que levou muitas fábricas a fechar e outras a diminuir o seu ritmo de produção. Agora é difícil retomar, porque o industrial depende de mão de obra, o que não se resolve de um dia para o outro. “O Brasil tem potencial para ser a China da América

O grande problema é a falta de uma política governamental consistente para o setor têxtil. Em outras palavras, a visão imediatista dos políticos, a falta de um planejamento de médio e longo prazo e a alta taxa tributária são os principais entraves do segmento. Só para ter uma ideia, em uma blusa de 100 reais, 40 reais são impostos. Este ambiente instável explica a pouca longevidade das empresas de confecção no Brasil. “Se eu fosse fazer uma feira com todos os expositores desde que comecei, eu teria 5.000 expositores. Mas nestes dias eu peguei uma lista de um evento de 1998 e constatei que 60% não existem mais. Ou quebrou ou fechou ou saiu do ramo”, diz. “As crises são assim: uns vão sobreviver, outros não. A renovação é muito grande”, finaliza Viana.

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BIBLIOGRAFIA

PENSE

moda da o futuro da en v es d g n u h C a x Ale lvida pela o v en es d e ri sé em indústria Vogue UK ivulga ita | Fotos D Por Rafael V

EM SUA SEGUNDA TEMPORADA, o documentário The Future of Fashion, apresentado pela multitarefas Alexa Chung, vem se tornando uma ferramenta importante para entender e acompanhar as mudanças no mundo da moda, que, diga-se de passagem, têm sido muitas e rápidas. Despretensiosa, a obra traça uma narrativa bastante interessante do cenário fashion atual e brinca com as mais diversas possibilidades, ilustrando com ótimos exemplos de ações que quebraram o ciclo vigente e obtiveram êxito ao puxar a indústria para a frente. A primeira temporada, que foi ao ar no ano passado, começou em Londres, a capital criativa da moda. No primeiro episódio, Alexa conta a própria história no “fashion world” e sua tentativa de ser modelo, seguida de uma conversa com o estilista Christopher Kane e a CEO de sua marca, para entender a importância da divisão de tarefas dentro de uma corporação exitosa. Por fim, ocorre um encontro com Sarah Mower para discutir mercado de trabalho, estágios e universidades. Cada programa tem um ou dois temas que coexistem e são super relevantes à indústria têxtil e de moda atual. Na primeira temporada, ainda em Londres, Alexa apresenta o vocabulário fashion e alguns conceitos fundamentais: o que é designer, buyer, agência de trend broadcaster, linguagem corporal, diversidade etc. Já em Paris, ela se encontra com um dos documentaristas mais aclamados do momento para entender o fascínio das

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pessoas pelos filmes de moda. Conversa com Jacquemus, um estilista da nova geração que, não tendo verba para fazer seu desfile de estreia, organizou-o em forma de protesto na frente do desfile da Dior e angariou críticas positivas da mídia especializada. O episódio termina com uma conversa franca com Clare Waight Keller, estilista que comanda a Chloé. O último episódio da primeira temporada é dedicado às mídias sociais e à pessoa na moda que soube usá-las como ninguém: Olivier Rousteing. Ele fala do fenômeno Kim Kardashian, sobre diversidade em sua passarela, mulheres fortes etc. A segunda temporada, que foi ao ar em abril, se passa em Nova York e teve como foco o negócio em si. Logo no primeiro episódio, Alexa desvenda qual o segredo do sucesso de duas marcas prósperas e supercools: a Veda e a Opening Cerimony. Na sequência, mostra o trabalho inovador da agência de relações públicas Black Frame, empresa criadora do conceito “normcore”. Mostra ainda a necessidade da indústria fashion de criar novas palavras para as mesmas coisas só para repaginar as mesmas ideias, a profissionalização dos inúmeros serviços que cercam a indústria, os escritórios especializados em têxtil e moda, os bloggers desde seu nascimento em 2012, a sua evolução e o que representam hoje. Os vídeos que compõem o documentário são um material riquíssimo de dados e exemplos. São um instrumento fundamental para repensar a indústria têxtil e fashion local e estão disponíveis no canal da Vogue UK no YouTube. Use e abuse desse conteúdo. E fica aqui a nossa torcida por uma terceira temporada!


A Lectra participa desta mudança. É por isso que somos o parceiro ideal para ajudar a sua empresa a tornar-se mais competitiva, rentåvel e inovadora.

lectra.com 41


CASE

D’Samba

Com produto 100% nacional e DNA brasileiro, marca carioca nada de braçada na crise e tira proveito do momento econômico para estruturar seus negócios Por Gabi Germano | Fotos Divulgação

POR MUITO TEMPO, proteger e cortejar a porta-bandeira, que carrega o símbolo maior de uma escola de samba, foi uma responsabilidade do mestre-sala Igor Leal. Compositor, ele também já teve melodia de sua autoria desfilando pela Marquês de Sapucaí, palco do maior carnaval do planeta. Visionário, percebeu que poderia fazer de sua paixão pelo samba um negócio lucrativo e, ainda como estudante de design gráfico na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), em 2009, criou a grife D’Samba, pioneira ao difundir o samba, tão enraizado nos morros cariocas, por todo o Brasil e, por que não, pelo mundo. Sete anos depois, o resultado de tão autêntica e audaciosa empreitada são números de sucesso: o jovem empresário de 34 anos soma sete lojas no Rio de Janeiro, com faturamento de R$ 5 milhões anuais e expectativa de dobrar esse valor até 2017. “A D’Samba começou no subúrbio. Para nós o ideal seria o Estácio, mas como a região não tem um centro comercial forte, elegemos Madureira. A marca nasceu para contar a história do samba e dos sambistas, dar notoriedade a essa cultura. Eu não queria o samba só nas rodas. Ele está em toda a cidade e a ideia é levá-lo inclusive até as pessoas que não vivenciam, mas querem vesti-lo”, justifica Igor. Desde o início, todas as coleções são criadas por ele, que conta atualmente com uma equipe de três designers e um estilista.

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“Tenho muito claro o que quero fazer. Nada vai para a rua sem minha aprovação”, resume ele, que não poupou esforços e pesquisa para não ser apenas um aventureiro no mercado têxtil: “Busquei o melhor em termos de qualidade. Passei a conhecer tudo sobre tecido e tecelagem.” “Fui buscar informações sobre marcas renomadas no mercado, como Osklen, Reserva e Triton. Corri atrás dos fornecedores deles e fui parar em Santa Catarina, mais precisamente em Brusque”, lembra. E reforça: “nossa produção era 100% de lá. Com o passar do tempo, fui entendendo todo o processo e, hoje, 30% é feito lá, os 70% restantes nós mesmos é que produzimos. Só faço questão que seja um produto 100% brasileiro”. Paralelamente aos bons resultados vieram os desafios do mercado. O maior deles, talvez, seria: como expandir uma marca que, num primeiro momento, parece ter uma cara tão exclusivamente carioca? Sem titubear, Igor mostra ter uma visão mais universal do que local sobre a questão. “Eu lido com paixão. E samba é uma paixão em muitos lugares, não é algo exclusivo do Rio. É claro que para lidar com isso fiz mudanças até em nosso slogan. O que inicialmente era ‘A marca oficial do sambista’ hoje é ‘Samba + moda’, por exemplo. O resultado é que temos no momento 47 inscrições de pessoas interessadas em levar a D’Samba para outros estados. A maior parte delas está em São Paulo, Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. Como nossas lojas físicas estão todas no Rio, também investimos nas vendas online”, diz.


Mas o ponto central do sucesso está, sem dúvida, em um tripé que, a cada lançamento de uma nova coleção, fica mais evidente: a combinação de originalidade, criatividade e personalidade em cada peça. “Nossa coleção de inverno, por exemplo, ganhou o nome de ‘Carioquices’ porque tem o intuito de traduzir como o carioca enxerga a si mesmo. Ela traduz a ideia de um povo que vai para o shopping de chinelo, que dá dois beijinhos ao cumprimentar alguém, que fala palavrão ou que considera fria uma temperatura de 19 graus. Então nós temos regata e bermuda no nosso inverno. E não deixa de ser um salto nosso para a Zona Sul da cidade também. Apostamos no conceito de flat design, que já faz sucesso no mundo, com uma cara mais clean e minimalista. Transformamos objetos em ícones e abusamos dos pictogramas. Na paleta de cores, pensamos em tons pastel diferenciados. Igor faz de suas visitas a grandes feiras de design e viagens pelo mundo uma fonte de inspiração. “Nossa coleção ‘Favela’ traz muito do samba que está enraizado no morro, mas mesclado a elementos que têm tudo a ver com o estilo americano de se vestir, como as camisas com os números de basquete gigantes e as blusas sem mangas e com capuz”, especifica o empresário, que também se viu tentado a expandir sua marca para os EUA: “Já tive propostas de leva-la para Miami. Mas, hoje, isso ainda é precoce. Eu disse hoje!” Algumas peças tornam-se queridinhas dos consumidores e viram produtos de linha. A campeã de vendas tem o malan-

dro carioca estampado. São Jorge, santo mais cultuado do Rio, também ganha uma nova coleção a cada ano. Com uma equipe atual de 65 pessoas, incluindo colaboradores, o objetivo imediato de Igor é ter um ponto de venda na tão popular e povoada Baixada Fluminense e na concorrida Zona Sul do Rio, com seus pontos e alugueis superinflacionados. Proprietário das sete lojas, ele tem ainda o projeto de apostar nas franquias e explorar multimarcas para alcançar um número cada vez maior e mais diversificado de pessoas. “Trabalho todos os dias das 7h à meia-noite, não tem jeito. Agora, as lojas estão passando por uma reformulação também, ganhando uma cara mais clean, e tudo tem participação minha. Ainda na faculdade, meu grande incentivador e mestre Marcelo Guedes me disse: ‘o dia em que você vir sua marca no mercado paralelo, fique feliz porque é sinal de sucesso’. Outro dia, passei pela rua em Madureira e vi camisas que eram reproduções das minhas peças lá. Parei o carro e quase chorei de emoção”, brinca ele que, na tão amedrontadora crise, tem nadado contra a maré: “Estou tentando ver esse momento como oportunidade para negociar melhor. A próxima unidade a ser inaugurada será em Nilópolis, onde nasci’’. De quebra, o reconhecimento ainda veio em forma de prêmio. No último mês de dezembro, a D’Samba foi reconhecida como uma das mais relevantes e criativas iniciativas de marketing do Brasil, faturando o 28º prêmio Marketing Best, premiação referência na área de marketing e com o apoio da Abramark.

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PENTEADO O hair à la anos 1920 foi uma constante e apareceu em muitos desfiles. Passado e presente dialogam para construir uma imagem forte da mulher de 2017.

NAVY O chapéu de marinheiro usado como recurso de styling evoca o navy, tema bastante presente nas coleções, como faz alusão à crise migratória vivida na Europa.

ESTAMPOU Os mais diferentes tipos de xadrez apareceram nos paletós e casacos da temporada. Modernos ou tradicionais, a estampa foi onipresente, abrindo brecha para se tornar um curinga, o que é muito interessante. Aqui (Burberry), ele é mesclado com um navy, o que resultou em uma mistura moderna e super cool.

INFOGRÁFICO NATURAL Nada de topetes ou cortes fashionistas, o mood dessa temporada é utilitário e natural. Tudo muito simples, muito fácil... Voltam as franjas e os cabelos bem tradicionais.

BOLSAS Sem dúvida, essa foi a temporada delas. Com toda essa onda migratória se torna acessório fundamental. São nelas que vão ser armazenados tudo que se precisa carregar. Em muitos desfiles, a proposta de se usar mais de uma por look. De diferentes tamanhos.

SOBREPOSIÇÕES Carregar tudo o que você precisa com você parece ser a regra básica de sobrevivência dos dias atuais. Então, transforme isso em atitude de moda e faça um mix&match interessante.

MIX DE XADREZ Não tenha medo de ousar. Misturar é a regra. Para não cair em contradição, uma cor guia sempre é uma boa opção.

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UMA ONDA NEO GRUNGE ala-

vancada pela Vêtements no verão 2016 fez ressurgir o xadrez com força total nas passarelas de inverno. Mais cool e doce, ele aparece em combinações interessantes e promete povoar o guarda-roupa do consumidor. Por Mário Araujo Fotos Divulgação

AJUSTADA Skinny, pero no mucho, as calças mais cools da estação são retas, mas não tão justas, fazendo uma silhueta longilínea. Algumas vezes elas são levemente cropped, o que as deixam ainda mais modernas. CROPPED As calças mais curtas devem aparecer muito no inverno. Usadas com meia ou sem, como na foto, elas devem ser a novidade da estação. MEIAS Elas estão com tudo e fazem a diferença na hora do styling, como na foto do desfile da Prada. Acessório fundamental de qualquer produção cool da temporada. NEM LÁ NEM CÁ Mix de esporte com social, o novo sapato é confuso, mas interessante. Não é sapatênis!

UTILITÁRIAS Os looks masculinos ganham bolsas e mochilas em muitas das coleções. O caráter migratório trouxe o acessório ao masculino.

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Obrigatório em todo guarda-roupa, tecido ganha destaque nas passarelas internacionais Por Rafael Vita | Fotos Divulgação

Stella McCartney Sonia Rykiel Manish Arora

Manish Arora

Public School

Entre tecidos tecnológicos, veludo molhado, cashmeres, sedas e lãs, o jeans aparece pontualmente como aquele item fundamental da mulher moderna sempre agregando valor ao look nas mais diferentes peças e comprimentos – da jaquetinha versátil da Balenciaga à saia descolada da Kenzo – e lavagens – do tradicional azul sem lavagem alguma ao praticamente branco, passando por alguns estonados e até manchados.

Olhando todas as apresentações, algumas vontades aparecem fortes, são elas: • Urbano (o denim com cara de rua) • Volumes exagerados • Com pequena setentinha (boca de sino e bordados) • Cintura alta e cropped (na canela) • Cropped (na canela) • Casacões em diferentes lavagens • Com detalhes de pele (fake ou não) • Super bordados e rebuscados • Experimentações • Com franjas • Super brancos

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Tommy Hilfiger

Miu Miu Proenza Schouler

Confira alguns looks do inverno 2017 que a TEXTIL MODA ama.

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cisava batalhar para conseguir um par de jeans masculino de um número pequeno, hoje a vestimenta é uniforme obrigatório e está presente no guardaroupa de todos. Atentos ao movimento urbano, os estilistas não se fizeram de rogados e trouxeram suas interpretações fashion do material para as suas coleções, colocando-o em posição de destaque em suas apresentações.

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LANÇAMENTOS DAS TECELAGENS

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SUPER EM ALTA, O JEANS é hoje item fundamental em qualquer passarela. Do street ao high fashion, marcou presença nas coleções internacionais de inverno e cruise 2016, além de aparecer nos acessórios das marcas mais cobiçadas do planeta. A TEXTIL MODA esteve nos lançamentos das principais tecelagens de denim do país e preparou um guia com as apostas do que vai pegar na próxima estação. Vem com a gente!

Vicunha Têxtil Uma das principais tecelagens do país, a Vicunha Têxtil reforça o seu compromisso com a moda ao desenvolver produtos de alta qualidade e com superdesejo fashion. Aposta da estação da tecelagem e destaque na Denim Première Vision, que aconteceu em maio em Barcelona, logo após o lançamento das novidades por aqui, as linhas BiStrech e Ever Black prometem ser os grandes arrasa quarteirões dessa temporada.

Com o denim Joyer (8,2oz) e o brim Game (7.8oz), novidades da linha Bi-Stretch, a Vicunha mostrou sua preocupação em produzir um artigo focado no conforto e liberdade do consumidor, uma vez que o tecido garante flexibilidade perfeita em todas as direções, garantindo uma alta performance. Complementando os índigos superelásticos, há o Alice (7,7oz), com toque supermacio e incrível flexibilidade, garantida por um stretch de 85%, que compõe a linha Moove Super Stretch. Inverno sem preto não é inverno. De olho nas principais tendências internacionais, a tecelagem traz o Ever Black como um dos principais destaques de seu portfólio. Os artigos são produzidos por meio de uma seleção especial de corantes, com excelente penetração na estrutura das fibras e acabamento exclusivo, garantindo a solidez e durabilidade da cor. A linha é composta por: Color Jeans Stretch Plus (9,5oz), Comaneci (8oz), Beatrice Power (8oz) e Ska Plus II (9,2oz).

COMPROMISSO COM A MODA Sempre comprometida com o desenvolvimento da moda no país, a Vicunha cumpre seu papel apoiando novos talentos em eventos importantes do calendário fashion nacional. No Dragão Fashion, que aconteceu em maio, quatro estilistas do line up principal receberam apoio da Vicunha: Lindebergue Fernandes, que utilizou brim Coyote e o floral Ramsay, Jeferson Ribeiro, que fez uso do denim Cantrel, da Linha Athletic, Hemanuel, que contou com o brim Spencer, o denim leve e maquinetado Yves e o brim cetim stretch Ypoá, além dos estampados Degas, com listras diagonais, e Ziggy, com arabescos, e David Lee, que utilizou o leve denim London, o brim Russel e as estampas Flora e Yane. •

Na foto, destaque para artigo Ever Black da Vicunha. Para conhecer a coleção completa, acesse: vipreview.com.br

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Santista Jeanswear Inovação é a palavra de ordem na Santista que, além de apresentar novas opções de moda, guiada por grandes moods, trouxe um denim repelente de insetos e um outro superelástico – com mais de 80% de stretch. Com os lançamentos divididos em três grandes categorias, guiadas pelas macrotendências temos:

LUXE STREET SPORTS | quando a moda de rua ganha o fashion e o conforto sobressai, mas sem perder a elegância. Aqui a grande novidade da tecelagem é o PUMP, tecido com mais de 80% de stretch. O PUMP faz parte da linha Denim Couture, que contempla tecidos de alta qualidade que permitem um olhar completamente diferenciado do jeans. Além do PUMP, outros lançamentos que levam esse mood são: Shore, Hillary, Ocean e Claire.

Outra novidade exclusiva desenvolvida da Santista é a linha Denim Therapy®, que nesta temporada apresenta o Repeller e Repeller Light, primeiro denim repelente a insetos transmissores de doenças como dengue, zika, febre amarela e febre chikungunya. A Permetrina é aplicada ao denim pela primeira vez em escala industrial. Após serem lavadas em lavanderia industrial, testados e aprovados internamente, essas amostras foram enviadas para testes e certificações na Alemanha, no laboratório do CHT/Bezema – um dos mais importantes grupos químicos do mundo. •

NEO SUB-CULTURES | a volta do grunge, mas de uma forma mais light, inspira os artigos desse mood da Santista que foca em mobilidade urbana e flexibilidade e leva o Tri-blend® Tecnology ao stretch máximo, para ampliar o uso no esporte ou nas ruas. Como destaque, Boomerang com power elevado de 78%, proporcionando principalmente alta recuperação e estabilidade, aliados a ótimo toque e conforto. Além do Boomerang, outros lançamentos que levam esse mood são: Olaf, Shore, Legacy, Jasmine, Lagoon. CONTEMPORARY MAKER | é focado em slow fashion: revisitar técnicas, valorizar tradições, a criação de peças únicas, mas com um olhar contemporâneo e moderno... Os tecidos aqui têm aspecto mais rústico. Os lançamentos que levam esse mood são: Olaf e Nuquí.

Na foto, tecidos da linha Denim Couture, de alta qualidade

CEDRO

SANTANAENSE

Celebrando a diversidade, a Cedro lança a coleção Multiverso, a qual traz diferentes tipos de denins para diferentes corpos, sempre buscando o bem-estar das pessoas. Destaque para a linha Super Elastic e para a No Wash. A primeira traz grande versatilidade às peças, já a segunda descarta o uso de água no processo de fabricação. Inovação bastante importante quando pensamos em meio ambiente. •

A tecelagem amplia a linha Extreme Power com recuperação do fio que chega a 90% com os produtos Titania, na sarja 3X1 de aspecto mais rústico, ideal para o segmento masculino e o Polaris Extreme Power na construção cetim. Ela também traz uma diversidade gigantesca de estampas: são mais de 50 entre geométricos, pinceladas, desbotáveis, florais etc. •

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Capricórnio Têxtil Dando início às comemorações de seus 70 anos, a Capricórnio lança coleção para o inverno 2017 focada nos tons de azul vintage. Baseada nas tendências pesquisadas pelo bureau WGSN, a tecelagem criou uma coleção super cool, que deve satisfazer o cliente que busca por um produto de qualidade com informação de moda. Dividia em três subtemas, confira os lançamentos:

SOPHISTICATED 1970’S | inspirado nos anos de 1970, traz os artigos Albany e Sydney, na cor Star Blue e no conceito dos “Confort Stretch”, entram os artigos Sintra e Temis, com 9,0 oz e 11 oz, respectivamente, em sarja 3x1 e composição de algodão/elastano. O Sintra recebeu o tom Blue e o Temis, o Intense Blue. Ambos são indicados à forte tendência dos ‘90’s stonewash´.

REBEL NOIR | com pegada mais dark, lança o artigo Candem, em 8,5 oz e sarja 3x1. Para valorizar os “Dressed up Denim”, com seu brilho natural e sofisticado, trazemos dois cetins em Intense Blue com estruturas densas, refinadas e larguras superiores a 1,6 mm: o Febe, com 8,5 oz em algodão, poliéster e elastano; e o Nix, em algodão e elastano, com 9oz.

PATTERN DENINS | que evoca a customização, destaca o artigo Coimbra, com 10 oz, em índigo Blue, com ligamento ‘herringbone’. •

O Albany evoca o ar vintage que pede a temporada. Confira todos os lançamentos em: capricornio.com.br

COVOLAN Elasticidade é a palavra-chave do inverno 2017 da tecelagem. Destaque para o Double, tecido super stretch, com alongamento próximo aos 80%, e pesado, com 12,7 oz em algodão/elastano, com trama tinta em corante índigo, dando ao tecido uma cor muito mais intensa e maior versatilidade na lavanderia. •

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CANATIBA DENIM INDUSTRY A tecnologia Duo Core, com tecidos mais finos e leves, com 7,0 e 7,5 oz, para o feminino, e mais pesados com 10,0 a 11,0 oz, para o masculino, continua sendo a aposta da Canatiba, além da camisaria, que ganha status de jaqueta. Lançamentos: denins desenvolvidos com Liocel e Modal em construções diferenciadas como as maquinetadas e jacquard e multiconstruções que refinam o produto final. Destaque para: Jamie MaxSkin PT, 1005 Liocel e 4,0 oz; Haven MegaFlex PT, tecido leve, com elasticidade (mistura 97%+3%), 7,0 oz, perfeito para camisaria e peças mais ajustadas ao corpo, como vestidos e macacões. Além do Ryan MaxSkin, 100% Liocel e peso de 6,0 oz.


TO BUY NOW

Blue Wave

Febre nas passarelas internacionais, o denim foi parar nos acessórios. Chanel, Coach, Louis Vuitton etc. possuem versões com o tecido. Versátil, o modelo 2.0 da francesa Longchamp é perfeito e atual. R$1.395,00

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PONTO DE VENDA

DOWN TOWN Por Rafael Vita, do México | Fotos Divulgação Entrada da Galeria Downtown

Edifício do século 17 no centro da Cidade do México reúne bons representantes da moda, do design e da gastronomia mexicana

Entrada da Galeria Downtown Jardins internos da galeria

Elevador antigo ainda em funcionamento Jardins internos da galeria

Galeria Downtown

A AMÉRICA LATINA anda produzindo ótimos cases que merecem ser estudados e replicados. A Galeria Downtown é um deles. Um belíssimo edifício histórico do século 17 no centro da Cidade do México, capital do país, foi inteiramente transformado pelo descolado escritório de arquitetura Grupo Habita em um dos mais charmosos estabelecimentos comerciais do país, que reúne lojas de designers locais, artesanatos selecionadíssimos de povoados e tribos indígenas, objetos de design, joias, bijuterias, além de restaurantes com ótima comida local, cafés, um hotel e um hostel. Tudo assinado e com um toque de design. Confira ao lado alguns destaques da galeria.

Roof top pool & bar

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Restaurante Azul Histórico

Azul Histórico

Azul Histórico

Hotel Downtown Mexico

AZUL HISTÓRICO

PINEDA COVALIN

No pátio principal está o descolado restaurante. Embaixo de uma minifloresta de árvores cheias de luzinhas, as pessoas podem saborear um menu enxuto, porém gostoso e confortante, que mescla culinária local, mexicana, e contemporânea. Saladas, guacamoles e ceviches fazem parte das entradas, que são complementadas por pratos quentes diversos de carnes e peixes com temperos tradicionais, como pibill e poblano. Destaque para o menu sazonal, que explora os ingredientes da estação, como os chapolines (grilos) e os chillies (pimentas e pimentões).

Uma das marcas mexicanas de roupas e acessórios mais tradicionais e conhecidas do país, trabalha com estampas exclusivas em artigos de seda, algodão, couro etc. Famosa por seus cafetãs e lenços estampados com edições limitadas, propaga a cultura mexicana por meio de suas estampas que recriam bordados, desenhos e imagens da rica cultura do México.

FÁBRICA SOCIAL Peças artesanais de diversos povos mexicanos podem ser encontradas na loja, que as seleciona, etiqueta e comercializa. Nada escapa ao olhar dos curadores de moda do estabelecimento. Nas etiquetas é possível ver qual tribo fez a peça, que material foi usado, sua locação etc. É uma forma de adquirir um produto local e contribuir com a preservação da cultura da região. Roof top

DOWNTOWN MEXICO E DOWNTOWN BEDS Comandado pelo Grupo Habita, que é conhecido por seus projetos de design autorais, o Downtown Mexico e o Downtown Beds são dois empreendimentos que se destacam e fogem do comum. Com 78 leitos disponíveis, o hostel (Downtown Beds) é elegante e traz o conforto que o viajante precisa em um endereço simples e fácil – no centro da cidade, entre as principais atrações culturais. Já o hotel (Downtown Mexico) destaca-se pelo seu charme “boutique”. Glamour na medida certa para sua estada no México!

Hostel Downtown Beds

ROOF TOP BAR AND POOL No top do edifício se encontra o bar e a piscina. Ambos fazem parte do hotel Downtown Mexico. O bar está aberto ao público e é ideal para um drink no fim de tarde. O endereço também é cenário de muitas festas que já se tornaram parte da agenda de DF, como é conhecida a capital mexicana, como a de réveillon. Roof top

Hotel Downtown Mexico

FLORA MARÍA Se você gosta de acessórios, não pode deixar de visitar a loja de Flora María. Com mais de 25 anos de história, a marca trabalha com peças autorais e inspiradas na natureza. Fazendo uma mistura bastante inusitada de componentes, traz um humor sofisticado para a joalheria tradicional. Hostel Downtown Beds

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MÚSICA

Liniker Quando o artigo definido já não faz mais sentido... Por Mário Araujo

SE VOCÊ NUNCA OUVIU FALAR DE LINIKER, pare agora a leitura

Foto Leila Penteado

dessa matéria e ouça Zero no YouTube, canção integrante do primeiro EP do artista-revelação batizado de Cru e lançado no final de 2014. Com nome de jogador de futebol inglês e uma imagem forte, que casa perfeitamente com sua voz poderosa e, ao mesmo tempo, doce, Liniker de Barros Ferreira de Campos está dando os passos certos na construção de uma carreira que promete ser sólida e duradoura. Em um momento em que se discute o genderless na moda e questões relacionadas à sexualidade são debati-

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das pela sociedade e precisam ecoar, a artista surge como sua expressão máxima. Como a materialização de uma teoria aplicada.

que o acompanhava, ensaiou e estruturou as três músicas que o lançariam ao céu: Zero, Louise de Brésil e Caeu.

Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, em 1993, Liniker foi criado por uma mãe batalhadora que percorria o estado dando aulas de dança. De família de músicos, aos 16 anos perdeu a vergonha e transformou suas paixões platônicas em letras.

Cru foi chamado o álbum porque as músicas foram gravadas sem cortes, como apresentações ao vivo, com emoção, sentimento, na sala de casa, intimamente... Das gravações também foram retirados os vídeos nos quais Liniker aparece de brincões, turbante, batom, vestido e bigode!

Bicha, preta e pobre, como se define em muitas entrevistas, saiu de Araraquara e foi para Santo André para estudar teatro. No mesmo ano, em 2014, teve a ideia de gravar um EP e, com a ajuda de Guilherme Garboso, ex-baterista

O que poderia causar confusão pouco importa, assim como define a artista, Liniker é 50% “o” e 50% “a”. E não procurem entender porque não tem o quê. Apenas abra o seu coração para as suas canções...


ARTE

LI BER DA DE

by Fernando Schlaepfer

TEMPOS DE

100 NUDE Shoots (of Hugo) soma-se a diversos projetos nos quais o corpo nu masculino é o objeto escolhido para a experimentação fotográfica e o questionamento da sociedade atual

Por Mário Araujo

NOS ÚLTIMOS ANOS, uma série de bons projetos fotográficos despontaram na cena fashion e artística nacional. Para o deleite dos apreciadores da boa imagem, mais um acaba de se somar a esse portfólio que se encorpa com grandes talentos: 100 NUDE Shoots. Hospedado no site homônimo, é comando pelo ator Hugo Godinho, 31 anos, que lançou o desafio de ser retratado nu, sem censura, por 100 diferentes artistas. Integrante do grupo Satyros de teatro, na capital paulista, o artista explica: “o objetivo é unir as mais variadas as formas de retratar a nudez em um único espaço — meu corpo — e assim levantar discussões sobre o corpo humano, seu lugar na arte e a censura das nudes.” Confira, a seguir, nosso bate-papo com Hugo e uma pequena amostra do projeto!

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by Cobalto

COMO O PROJETO COMEÇOU? Fui convidado a posar nu por um fotógrafo que havia visto meu trabalho no teatro no ano passado. O primeiro ensaio acabou levando ao segundo e eu me vi explorando e estudando o tema da nudez na arte. Quando percebi que o trabalho começou a ganhar corpo, resolvi lançar meu próprio projeto fotográfico de nu, mas como modelo, não como fotógrafo, com o intuito de unir em um só lugar as diferentes visões e conceitos contemporâneos sobre a nudez.

QUAL O OBJETIVO DO PROJETO? Uma das intenções de “100 NUDE Shoots (of Hugo)” é ajudar a borrar as linhas que ainda distinguem como o nu é retratado, o artístico do erótico, o cândido do pornográfico, o fashion do amador, e neste processo tentar transmitir que estar nu é simplesmente humano, e a imagem da nudez não deveria precisar de qualquer desculpa, permissão ou motivo, ou ainda estar sujeita a qualquer tipo de censura.

by Fernando Schlaepfer

QUAL A MAIOR DIFICULDADE DESSE PROJETO? A maior dificuldade ainda estou para enfrentar, pois, à medida que o projeto crescer e alcançar novas audiências, novos questionamentos serão certamente levantados e é importante saber como responder a eles. Mas, no momento atual do projeto, a minha maior dificuldade é a escassez de tempo e recursos para produzir os ensaios, conteúdo para a internet e fazer divulgação, porque tenho a principal parte dos meus dias focada em meu trabalho no Cheftime e nos Satyros. Eventualmente chegarei ao ponto de precisar de financiamento para dar continuidade ao projeto. 72


COMO ACONTECE A ESCOLHA DOS FOTÓGRAFOS? Alguns fotógrafos entraram em contato direto comigo após conhecerem o projeto via redes sociais. Muitos outros fui eu que contatei também pelas redes, que são para a maioria desses artistas o principal veículo de exibição de seu trabalho. Também recebo frequentemente indicações de artistas que não conhecia por meio de pessoas que acompanham o projeto. Há muitos artistas que colaboram entre si, um inspira o outro, e assim existe um universo bem amplo, também geograficamente, de fotógrafos e artistas explorando o tema da nudez, com enfoques incrivelmente distintos. Eu busco desenvolver contato para colaboração com fotógrafos, produtores artísticos ou mesmo outros modelos que venham somar ao meu projeto uma proposta artística diferente ou uma abordagem temática que ainda não experimentei. by Ricardo Rico

EXISTEM LIMITES PARA A EXPLORAÇÃO DO CORPO DE FORMA ARTÍSTICA?

by Cobalto

Acho que o único limite para a arte deveria ser a imaginação e a capacidade criativa do artista, totalmente isentas de imposições morais. Na nossa sociedade repressora e machista, poder usar o próprio corpo livremente é extremamente empoderador. Quando paramos para pensar, não há motivo racional para o homem ter que esconder seu corpo ou as ações que realiza com ele, inclusive as sexuais, desde que haja consentimento e plena consciência de todas as partes envolvidas. Ao juntar propostas diferentes no projeto, pretendo mostrar que toda imagem humana pode ser artística, bastando que seja essa a intenção. E pode ser vista, aceita e consumida. Para os próximos ensaios, quero que esse questionamento fique cada vez mais evidente.

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O QUE MAIS SE DESTACA NESSE PROJETO? Não sei dizer porque estou dentro dele. Quando tento olhar de fora, vejo beleza, mas também quero ver cada vez mais diversidade, pluralidade de visões. As pessoas compartilham comigo opiniões totalmente distintas, falam de beleza, expressão, afeto, tesão, empoderamento, liberdade, mas às vezes também carregam muitos dos preconceitos que procuro combater e falam de exibição “gratuita”, reforço de padrões, vulgaridade… é por tudo isso que considero tão interessante a discussão suscitada por esse trabalho, e o caminho que ela vai tomar até o final ainda é desconhecido para mim. O importante é que a arte esteja sempre no centro do projeto.

by Vitor Barão

by Gustavo Lopes

by Fabio da Motta

EXISTE UM FOTÓGRAFO POR QUEM VOCÊ SONHA EM SER RETRATADO? Cada fotógrafo com quem eu colaboro é uma nova fronteira, uma experiência diferente. A maior parte dos fotógrafos com quem sonho trabalhar, felizmente, já toparam a proposta e estão apenas esperando que eu consiga ir até eles. Gostaria, porém, de citar um fotógrafo em especial, McKenzie James, criador do Naked Sunday Project. Seu projeto foi meu primeiro — e por muito tempo o único — contato com a fotografia artística de nu masculino, muito antes mesmo que eu começasse a explorar o tema no teatro e depois em fotografia. Para minha sorte, já estamos em contato para fotografar quando eu puder passar por Toronto, onde ele mora e trabalha.

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Para conhecer o projeto, visite: 100nudeshoots.com.


TREND

O FANTÁSTICO MUNDO DE WILLOW SMITH É A SÍNTESE do termo cool em sua mais pura essência. Com apenas 15 anos, a filha de um dos atores mais queridos do cinema americano, Will Smith, e da cantora, dubladora e atriz, Jada Pinkett-Smith, seduz com sua inteligência geek-nerd e apimenta o mundo do entretenimento com um ingrediente que vai muito longe da tradicional sensualidade, recurso usado pelas cantoras teens há décadas. Inteligência parece ser o ingrediente motor dessa jovem artista que surpreende sempre que tem uma oportunidade. Desde o início foi assim. Quem não se lembra de Whip my hair? A primeira música e grande sucesso mundial de Willow a projetou com apenas dez anos aos holofotes mundiais e tinha uma alegre e contagiante composição que trazia uma mensagem bastante importante: be yourself! Aliás, mensagem que parece guiar a vida de cantora, que não se preocupa com os que os outros pensam e não

teme discutir assuntos sensíveis. A legenda da foto que publicou no dia de sua nomeação como embaixadora da Chanel, agora em março, logo após a apresentação da coleção de inverno 2017 da marca, dizia: “Obrigada, Karl Lagerfeld e todo o time da Chanel, por expandir a sua percepção de ‘beleza’ e me escolher como a nova embaixadora da marca. Estou honrada. #blackgirlmagic”. Racismo, feminismo, baixa qualidade da indústria fonográfica atual etc. Willow é original e não vê problemas em falar sobre o que acredita, mesmo que, às vezes, pareça surreal, como os vários pontos abordados em uma entrevista dada ao New York Times no ano

willow

passado. Na reportagem, discutia conceitos de física quântica, do esquema obsoleto de educação americano etc. Ao mesmo tempo, surpreende ao afirmar que adora Justin Bieber e o admira como músico. Que escreve seus próprios romances para lê-los depois. E que adora subir em árvores e estar em contato com a natureza... Willow é única, faz uma música única, que não tem um estilo, porque ele muda, evolui, assim como sua imagem. Se não fosse humana, Willow seria um elfo, uma fada, uma energia em constante transformação. Uma força necessária ao mundo do entretenimento.

Nova embaixadora da Chanel é o fenômeno pop do momento, mesmo sem se preocupar com o termo e com o que as pessoas pensem sobre sua música Por Mário Araujo | Fotos Lea Colombo para Chanel

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PONTO DE FUGA

E agora? Sebastião Salgado e illy utilizam a imagem para provocar diálogos improváveis Por Rafael Vita | Fotos Sebastião Salgado

A HISTÓRIA DO FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO com o café é longa. Nascido em Minas Gerais, cresceu na região cafeicultora do país. Após a universidade, mudou-se para Paris, posteriormente para Londres, onde trabalhou para a Organização Internacional do Café... Apesar de a fotografia ser a sua grande arte, o café sempre permeou a sua vida. Já a illy, sempre apoiou iniciativas relacionadas à arte, feito que outras empresas também deveriam adotar, mesmo que em seu setor de atuação. O casamento dos dois aconteceu há dez anos, quando o artista começou a percorrer o mundo registrando as comunidades locais e como elas se relacionavam com a terra. Índia, Indonésia, Etiópia, Brasil, Guatemala, Colômbia, China, El Salvador, Costa Rica e Tanzânia foram os países visitados por Salgado para compor os registros fotográficos. Em cada local, uma história, uma descoberta! Um diálogo improvável... As imagens estão reunidas no livro Perfume de Sonho e em exposições que a illy organiza sazonalmente pelo mundo, como a que recentemente aconteceu no Instituto Tomie Ohtake em São Paulo. Quando houver uma perto de você, vale a visita!

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ENTREVISTA

A HORA E A VEZ DO RIO DE JANEIRO O currículo do administrador de empresas JOAQUIM MONTEIRO DE CARVALHO é extenso para uma pessoa de 34 anos de idade: atuou nas Secretarias de Transportes e de Conservação da cidade do Rio de Janeiro, trabalhou na área de Logística e Operações da Olimpíada de Londres, em 2012, e está à frente da Empresa Olímpica Municipal (EOM), órgão da prefeitura do Rio de Janeiro que coordena a execução de projetos e atividades municipais relacionados aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016.

Em conversa com a TEXTIL MODA, Carvalho é otimista e enfatiza a todo momento a importância de receber um evento do porte de uma Olimpíada. Para ele, o legado em infraestrutura e cultura é crucial para o desenvolvimento da cidade-hóspede. Mas não somente isso: os Jogos Olímpicos de 2016 também devem contribuir para fortalecer o que ele chama de “marca Rio de Janeiro”, mostrando ao mundo que o município tem estrutura e carisma para atrair outros eventos, negócios e investimentos. Para deixar de lado uma reputação por vezes desacreditada e ganhar a esperada projeção internacional, Carvalho acredita que a solução seja mostrar trabalho. “O objetivo da Prefeitura do Rio é fazer os Jogos de forma eficiente, mas também simples e econômica, deixando um legado tangível para a cidade e seus moradores”. Por Julliane Silveira

Pier Mauá e Museu do Amanhã Foto: Beth Santos

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Parque Olímpico: Estádio Aquático. Foto: Renato Sette – Câmara e Prefeitura do Rio

Campo de Golfe. Foto: Renato Sette

Parque Olímpico: Centro de Tênis. Foto: Renato Sette

Sempre se fala no legado para defender a realização de uma olimpíada em uma cidade. Realmente os Jogos são protagonistas de uma transformação? A palavra legado é como uma herança positiva. Existe um senso comum de que receber os Jogos só vale a pena para uma cidade se, com o evento, forem promovidas transformações que beneficiem a população. Foi justamente essa premissa que deu a vitória ao Rio na competição com concorrentes tão fortes e desenvolvidas como Chicago, Madri e Tóquio. Os Jogos são a oportunidade, o catalisador para a solução de questões que comprometiam a qualidade de vida dos cariocas havia décadas. Evidentemente, o sr. acompanhou de perto essas transformações nos últimos dois anos. Como a cidade absorveu essas mudanças? Os benefícios dos projetos ligados aos Jogos Rio 2016 já existem. Entre os projetos impulsionados pelo evento, a Transoeste e a Transcarioca já diminuem pela metade o tempo de viagem de quem faz os trajetos Santa Cruz – Alvorada e Barra – Aeroporto Internacional. As primeiras intervenções do Porto Maravilha devolveram à cidade tesouros arqueológicos, como o antigo Cais da Imperatriz e os Jardins Suspensos do Valongo, e criaram novas opções culturais, como o Museu de Arte do Rio. O Centro de Operações Rio funciona desde 2010 com 400 profissionais trabalhando em três tur-

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nos, 24 horas por dia, realizando monitoramento constante e ações integradas. Além das obras, é possível elencar outros impactos importantes para a cidade? O Rio Criança Global universalizou o ensino do inglês nas escolas municipais. O programa Ginásio Experimental Olímpico visa dar oportunidade para os alunos da rede municipal desenvolverem seu potencial. Qual é o principal gargalo para organizar a Olimpíada no Rio? É possível contorná-lo? Organizar o maior evento esportivo do planeta traz grandes desafios. Coordenar muitos projetos simultaneamente, engajar a população, gerir prazos e investimentos, planejar a utilização futura das instalações e compatibilizar o funcionamento da cidade com as intervenções necessárias são alguns exemplos. Porém, o retorno compensa. Mais do que realizar obras e organizar o evento em si, o objetivo da Prefeitura é tornar o Rio de Janeiro um lugar melhor para seus moradores, com mudanças nas áreas de transporte, infraestrutura urbana, meio ambiente e desenvolvimento social. O sr. atuou na Olimpíada de Londres, em 2012. O que você ressaltaria como legado mais positivo do evento para a cidade?


Parque Olímpico: Arenas cariocas. Foto: Renato Sette

Parque Olímpico: Canoagem. Foto: Renato Sette

As necessidades e os desafios eram diferentes. Como exemplo positivo, podemos citar as melhorias urbanas na região do Parque Olímpico de Londres, que foram desenvolvidas pensando no legado, e não apenas nos Jogos Olímpicos. O resultado foi um efeito positivo em toda a região de Stratford e arredores, com investimentos em empreendimentos residenciais, comerciais e de lazer. A principal diferença no Rio é que nossas áreas olímpicas estão espalhadas por quatro regiões da cidade – Barra, Deodoro, Copacabana/Flamengo e Maracanã. Na sua opinião, quais são as principais diferenças de organizar um evento do porte de uma Olimpíada em Londres e no Rio de Janeiro? Os Jogos Rio 2016 serão diferentes de muitas edições anteriores em três aspectos básicos. O primeiro é o uso massivo de recursos privados. Cientes da necessidade de evitar ao máximo a utilização de verba pública, a Prefeitura procurou estabelecer diferentes modelos de parceria com a iniciativa privada para viabilizar diversos projetos. A prova disso é que, do orçamento total para a realização dos Jogos Rio 2016, 57% são recursos privados. Outro aspecto é a hospitalidade e a empolgação do povo carioca, em particular, e do brasileiro, em geral. Disso não há dúvida. Somos conhecidos pelo nosso perfil acolhedor, pela nossa simpatia e capacidade de fazer uma boa festa. O turista estrangeiro será

muito bem recebido e desfrutará de uma festa inesquecível. O terceiro aspecto é o legado sobre o qual já falamos. Sabemos que a Olimpíada de 2016 vem sendo marcada por muitas polêmicas, que acabam sendo amplamente noticiadas no exterior. Como sair de um cenário desacreditado e garantir uma boa projeção internacional? As obras de responsabilidade da Prefeitura estão em ritmo acelerado e serão entregues no prazo acordado com o Comitê Rio 2016. Desde o início do projeto olímpico, o objetivo da Prefeitura do Rio é fazer os Jogos de forma eficiente, mas também simples e econômica, deixando um legado tangível para a cidade e seus moradores. Ainda na fase de candidatura do Rio, foram realizados estudos para identificar quais equipamentos do Parque Olímpico seriam permanentes e quais seriam temporários. O resultado concretiza o compromisso da Prefeitura do Rio de gerar um legado social e esportivo significativo e de evitar o surgimento de ‘elefantes brancos’. O sr. acredita que sediar uma Olimpíada favorece novas oportunidades a uma cidade e contribui para destacá-la positivamente no mundo? Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos são uma importante ferramenta de divulgação e fortalecimento da “marca Rio

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de Janeiro”, mostrando muito mais do que nossa já conhecida alegria e beleza, e sim capacidade de realização, cultura, profissionalismo e uma cidade que é destino turístico, de eventos e de negócios. As competições de 2016 somarão 5.600 horas de transmissão ao vivo. Nos Jogos de Londres 2012, a audiência global foi de 4,8 bilhões de pessoas. Mobilidade é um tema bastante relevante para as grandes cidades brasileiras, com tráfego caótico. Você acha que a Olimpíada contribuirá com o tema? O setor de transportes, um dos principais desafios da Prefeitura, deixará o maior legado para cidade, com mudan-

Pier Mauá, antes da reurbanização. Foto: Alexandre de Bragança. Ao lado, o pier após a construção do Museu do Amanhã. Foto: Beth Santos

O QUE FICA PARA A CIDADE,

SEGUNDO JOAQUIM MONTEIRO DE CARVALHO

ças estruturais e um aumento do uso de transportes de alta capacidade de menos de 20% para mais de 60%. O principal projeto impulsionado pelos Jogos foi a implantação de um novo sistema de ônibus expressos e de alta capacidade (BRTs). O sistema, com boa parte já finalizada, será integrado a trens, barcas, metrô, Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) e ciclovias. A Transolímpica, em construção, reduzirá em 54% o tempo do percurso entre Barra da Tijuca e Deodoro. Além de melhorias na qualidade de vida da população, com a diminuição do tempo de deslocamento, as linhas terão um importante papel na redução do impacto ambiental do transporte no Rio de Janeiro.

REURBANIZAÇÃO NA ZONA NORTE O bairro Engenho de Dentro, na zona norte, terá significativas melhorias em mobilidade urbana e lazer, com a reurbanização da praça do trem, das ruas no entorno do Engenhão e com a construção do Viaduto da Abolição.

PARQUE OLÍMPICO A região deve se transformar em bairro residencial até 2030, com o tamanho do Leme, e será referência em acessibilidade, sustentabilidade e eficiência energética. Ao contrário dos condomínios da Barra da Tijuca, será um bairro aberto.

ARENA DO FUTURO Por meio do conceito de arquitetura nômade, algumas estruturas criadas para os Jogos serão transformadas para outros usos no final do evento. A Arena do Futuro deve virar quatro escolas municipais em 2017.

PARQUE RADICAL O Complexo Esportivo de Deodoro terá um Parque Radical aberto ao público, que atenderá cerca de 1,5 milhão de pessoas de dez bairros e três municípios vizinhos, numa região com grande concentração de jovens e carente de áreas de lazer.

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COLEÇÕES

CRUISE 2016 A polêmica viagem de Chanel a Cuba Por Mário Araujo

NO DIA 03 DE MAIO, Karl Lagerfeld desembarcou na ilha de Fidel Castro com 86 looks para serem mostrados para uma audiência de 600 convidados também importados. A extravaganza se deu no Paseo del Prado, um endereço glamoroso de Havana. Os moradores locais tiveram acesso das varandas de suas casas... Só puderam olhar claro, que com uma renda média de 25 dólares por mês jamais poderiam comprar qualquer peça desfilada. A jornalista cubana Yoani Sánchez apimentou a polêmica via Twitter com seu olhar local. Muitos questionaram a decisão do kaiser de realizar o desfile em um país cuja maison não possui nenhuma relação comercial, nem mesmo histórico com a marca. Enfim, apesar do frisson, foi um dos fashion shows mais simples da Chanel em anos, dando todo o destaque para as roupas, que, como o tema cruise pede, precisam ser fáceis e práticas... Let’s pack!

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COLEÇÕES

CRUISE 2016 Louis Vuitton desembarca no Rio com uma coleção made in Brazil Por Mário Araujo

QUASE UM MÊS DEPOIS DE A CHANEL LEVAR OS FASHIONISTAS A CUBA, a Louis Vuitton aportou no Rio de Janeiro para uma semana de passeios, festas e, é claro, muita moda! O MAC em Niterói foi escolhido por Nicolas Ghesquière como locação do desfile que começou às 16h15 no dia 28 de maio. O prédio de Oscar Niemeyer dialoga perfeitamente com as criações do estilista francês e com suas construções superarquitetônicas. Foram convidadas 514 pessoas para assistir ao show, sendo 220 clientes, os que mais compram, deles 60% brasileiros, para espanto geral! Aí fez todo sentido o desfile ser realizado em terras brasilis. Entre as celebridades internacionais, Jaden Smith (que está na campanha feminina da marca) e as atrizes Catherine

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Deneuve e Alicia Vikander. Das nacionais, Sabrina Sato e Cleo Pires foram as representantes. A lindíssima Alessandra Ambrósio saiu da passarela e ficou na primeira fila transmitindo tudo ao vivo. Com habilidade ímpar e exemplo para os estilistas brasileiros que brigam com a tal brasilidade, Ghesquière bebeu de fontes nacionais, como Niemeyer, Hélio Oiticica, Aldemir Martins e até mesmo a Coleção Rhodia, que ganhou exposição recentemente no MASP, em São Paulo. O sexy e o caos estão ali também, mas com uma linguagem limpa e moderna. O sexy é representado com recortes; o caos, com a descontrução... Generoso, o estilista diz que a coleção é inspirada no Brasil, mas visto por um estrangeiro: “I never forget that I’m a foreigner, so I’ve also brought Paris here.”. Do mix and match poderoso , uma das melhores coleções de Ghesquière para a Louis Vuitton e, sem dúvida, uma lição para os estilistas nacionais!


MODA E NEGÓCIOS SE ENCONTRAM AQUI.

19, 20 e 21 de junho das 12h às 20h SÃO PAULO EXPO Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 São Paulo - SP - Brasil

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Realização

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Evento exclusivo para profissionais do setor

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TEXTIL MODA AMA

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A MAIS AGUARDADA

Depois do sucesso com a Balenciaga, a H&M escolhe outra marca francesa superbadalada para sua parceria anual. A Kenzo assina a edição de 2016, que chega aos mais de 250 pontos de vendas da marca e à sua loja virtual no dia 3 de novembro. Contagem regressiva!!! Foto: Carol Lim e Humberto Leon, diretores criativos da Kenzo, e Ann-Sofie Johansson (ao centro), Creative Advisor da H&M.

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PELADO PELADO

A Snaps Fanzine chega a sua quinta e última edição e traz uma nova geração de boys nesse número que, como sempre, encanta pela qualidade editorial. Fotografada pelo peruano radicado no Brasil Gianfranco Briceño, que clicou a cartela de cores desta edição da TM. A incrível publicação pode ser encontrada no site: www.snapsfanzine.com.br

EXPLOSÃO DE FRESCOR

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A L´Eau D´Issey Pour Homme apresenta uma versão inspirada no magnetismo e frescor da água: L´Eau d´Issey Fraiche. O novo perfume traz uma combinação perfeita de notas amadeiradas que prometem seduzir o consumidor.

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NEO TOP Lorena Maraschi (Way Models) é a modelo brasileira de maior destaque no momento. Após abrir o desfile da Prada de inverno 2016, feito que pode transformar a carreira de uma modelo, a paranaense não para de conquistar bons trabalhos, como a campanha de pre fall da marca, a capa de junho da Numéro francesa e posições de destaque nos principais desfiles do circuito fashion (ela também abriu o desfile da Dior cruise). Go girl!

FUTEBOL

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Saída direto das passarelas da coleção cruise da Louis Vuitton apresentada no MAC, em Niterói, no final de maio, a bolsa City Steamer PM, em couro, leva estampa futebol retirada do trabalho do artista plástico brasileiro Aldemir Martins. O modelo já está disponível nas lojas da marca. To buy now.

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FOCO NO BRILHO

Uma das marcas mais queridinhas das blogueiras e fashionistas, a Joulik, das irmãs Katiuscia e Karen Moraes, desembarcá nas araras da C&A em uma coleção cápsula de cerca de 40 peças. Blusinhas, calças, casacos, moletom, jaquetas, sapatos, cintos... Há itens para todos os gostos e, claro, muito bordado, que é uma de suas principais características.

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JEANS MANIA

Definitivamente, o denim garantiu seu lugar nas passarelas internacionais e não deve sair tão cedo! Na coleção cruise da Gucci, ele vem com lavagem toda manchada, como se tivesse sido detonado por produtos químicos. Resultado: retro e moderno ao mesmo tempo. Opção interessante para fugir do trivial.

CORES VIBRANTES 8

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Paul Mitchell lança uma novo linha de produtos para cabelos tingidos que garante coloração por nove semanas, além de proteger de danos térmicos, o que resultada em menos quebra e mais brilho. A Ultimate Color é composta de shampoo, condicionador e reparador de danos.

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ELA ESTÁ COM TUDO

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A lingerie vive um momento na moda. De item escondido, quase proibido, a peça de roupa, o underwear já teve diversas fases distintas. É isso que se propõe mostrar a exposição “Undressed: a brief history of underwear” em cartaz no Victoria & Albert Museum, em Londres, até 12 de março de 2017. A mostra resgata a história da lingerie do século 18 aos dias atuais. Se estiver de passagem pela capital Inglesa, não deixe de conferir.

DRAMA

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No final de junho estreia no Brasil o novo filme de Pedro Almodóvar, Julieta! O filme conta a história de uma mãe que vive sozinha com a filha em Madri sofrendo ambas pela perda do marido/pai. Quando completa dezoito anos, a filha desaparece sem dar explicações. Na busca por ela, a mãe descobre que nunca conheceu verdadeiramente sua filha. Imperdível!

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POESIA NA PONTA DOS DEDOS

Se nunca ouviu falar de Verena Smit, corre para o Instagram e começa a seguir seu perfil agora. Fotógrafa e artista plástica, a paulistana é queridinha de Alessandro Michele, estilista da Gucci, e já colaborou com o projeto #GucciGram. Verena brinca muito com as palavras em suas obras. Uma delícia de seguir e se inspirar.

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OLHAR CRÍTICO

as ruas de Paris Por Ana Clara Garmendia Fotos Divulgação

UMA DAS CARACTERÍSTICAS UNÂNIMES desse fim de inverno europeu foi a mistura de estilos no streetstyle. Não houve uma padronização, e sim uma liberação dos diversos modismos que, vale lembrar, já estavam na pauta de 2015. Com os fashionistas profissionais, aqueles que se agruparam nas portas dos desfiles, temos a realidade do que vai ser febre nos próximos meses, pois são eles o alvo das atenções – a quem o povo segue tanto para se vestir quanto para criar. Em um período marcado por grandes conflitos aqui na Europa, o streetstyle reflete a confusão e a indecisão que se espalha pelo mundo... Uma luta de credos entre diferentes civilizações, mas com os mesmos desejos: consumir o novo. As marcas, pulverizadas no oriente e no ocidente e que têm que vender para diferentes gostos, num grande desafio de manter a fidelidade a seu estilo base, se confundem. Muitos perderam o DNA, outros cansaram os consumidores, e outros conseguem, por meio de jogadas de marketing, segurar o interesse de quem adora causar efeito pelo que veste. O velho e o novo se contrapõem. O excesso bate de frente e destrói o minimalismo. Ou tenta. Ainda existe lugar para ele em algum ponto, principalmente nos que já estão há muitos anos na estrada e fazem do vestir apenas uma prática de elegância. Não precisam (muito) se autoafirmar. Já viveram essa fase, tampouco são predominantes nessa ciranda toda. O imperativo é uma luta por uma nova identidade que se dispersa em razão das diferenças. Existe uma vontade coletiva de fazer-se único e as temporadas de moda servem também para dar vazão aos que seguem suas próprias regras, criam suas pequenas marcas e aproveitam a vitrine criada pelas centenas de fotógrafos nas portas dos desfiles para mostrarem suas criações.

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Nessa balada aparece de tudo um pouco, dentre eles a busca pelo conforto. O sportswear ganha sempre um lugar especial. Nasce novamente o clássico. Ele é mais livre. Ele pode aparecer em forma de uma roupa completamente preta e um toque de irreverência na calça mais curta que deixa os tornozelos de fora. Vale para os homens e mulheres. Dentre as referências mais ditadas estão inúmeras alusões aos incansáveis ‘70 com todos os seus delírios e desdobramentos. Entram em pauta as mais recentes décadas do século 20, como uma cruzada aos anos 90, sem esquecer os ‘80, que também têm sua legião de seguidores. O resultado é uma moda difícil de ser decifrada. Ela precisa de tempo. As tais gangs tomaram conta do circuito nos últimos dois anos, ainda não cansaram e, por isso, existe desde a coquete que passa as noites em claro com os amigos vestida como gueixa e depois sai para as ruas com o mantô vintage em animal print à elegante e clássica modelo que usa apenas aquilo que lhe serve, no caso também um mantô animal print (ponto em comum forte aqui!). Uma dança entre o exagero, a decadência, o prático e o pós-moderno, sem falar nas frases de efeito, um generalizado ‘não estamos nem aí para o que você pensa’ e um declarado novo modelo de feminismo, mais sexy, bem escancarado, não menos engajado. As mulheres tanto se masculinizaram quanto se feminizaram muito (contradição é base de pensamento) e se unem nesse momento para mostrar que a imposição de um estilo único que as defina é coisa mais do que passada: é enterrada. Fora de questão de todas se encaixarem na boa moça. Essa moça saiu para passear e não deve voltar até a próxima temporada ou se continuarmos nesse replay de tendências talvez não volte tão cedo. Ainda para falar do grito feminino, elas fazem um movimento quase sutil e se destacam em paralelo à onda dos transgêneros que, em termos de moda, não tem nada de tão novo assim. Apesar disso, existem grandes retornos como as cores gritantes, principalmente o rosa-choque, o amarelo e o laranja. Eles estão em acessórios, bolsas, óculos, lentes poderosas que trazem os modelos máscara para a berlinda. O bom de tudo isso é que a ditadura acabou. Não podemos dizer que a tendência se foi com ela, pois onde vão os fashionistas vão também seus seguidores, mas uma coisa é importante constatar: misture tudo a seu gosto e faça sua moda livre, como a que vimos nesse começo de 2016 em Paris.


TO BUY NOW

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opção de blusa para o look!

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Recriando um look genderless retirado das ruas de Paris: 1. calça preta skinny TVZ. 2. top preto telado Replay para C&A. 3. óculos escuros Miu Miu Noir. 4. slippers Repetto. 5. bolsa tiracolo Joulik para C&A. 6. trench coach preto Burberry. 7. a blusa da opção, de planetas, também é Joulik para C&A. Foto Ana Clara Garmendia

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OLHAR CRÍTICO

as ruas de Tóquio Por Mário Araujo Fotos Divulgação

ENQUANTO LONDRES RESPIRA VANGUARDA e Paris elegância, Tóquio não tem vergonha nenhuma de ser simplesmente fashion. A japonesa é cool e há muito tempo já adotou a “bolsa boa”, como ela denomina o acessório de marca e caro, como fundamental do look cotidiano. E engana-se quem pensa que Coach e Michael Kors satisfazem essa consumidora exigente. Nada disso! Uma profusão de Marni, Stella McCartney, Comme des Garçons etc. invadem as ruas em um mix & match superinteressante com sacolas e outras bolsas. Aliás, composição e sobreposição são a base do look japonês, que nunca vai ser cru. Peças de passarela recémdesfiladas nas principais capitais da moda mesclamse ao guarda-roupa vigente resultando em combinações interessante. As calças midi mais amplas, por exemplo, ganharam nas ruas japonesas uma legging por baixo. Assim se tornaram versáteis e apropriadas aos dias mais frios. Aliás, o midi conquistou as Japs, que tomaram o comprimento para si em qualquer tipo de vestimenta.

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Assim como o midi, as Japs adotaram os agasalhos esportivos deluxe à la Gucci. Jaquetinhas em tecidos nobres bordados podem ser vistas em todos os lugares como uma grande febre. Funcionam bem com calça de alfaiataria ou com saia midi. O look boneca também é forte e não é coisa de Harajuku, o bairro descolado de Tóquio. Em toda a cidade é comum você ver mulheres vestida de forma superfemina, de vestido de renda rodado, maquiagem pálida... Assim como o look pop com referências às peças criadas por Jeremy Scott. Acessório fundamental de qualquer look, o celular não pode faltar na produção, da mais básica à sofisticada! O streetstyle japonês é a materialização da passarela. É o sem-medo de usar um look que foi usado por uma modelo magérrima em uma situação de desenvolvimento de conceito de marca. Ousadia que falta em alguns mercados! Para quem gosta de moda, é puro amor.


TO BUY NOW

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Compondo um look básico inspirado nas ruas de Tóquio: 1. camiseta statement Joulik para C&A. 2. saia midi Reppeto. 3. jaqueta biker de couro preta Pat Pat’s 4. clutch pink Boy Brick Chanel. 5. Navy Striped Canvas Balenciaga. 6. scarpin Christian Louboutin So Kate 120 Kid Edelweiss. 7. iPhone SE da Apple. 6

Foto Mário Araujo

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TREND

Sensualidade, elegância e conforto são itens fundamentais para moda íntima Para a LYCRA®, essas características irão ganhar destaques nas coleções de lingerie 2017

Victoria Beckham usou os corsets e os bustiês como base de suas peças streetwear, levando a lingerie para fora da roupa no último desfile apresentado a NYFW.

LINGERIE MODELADORA E AS MULHERES BRASILEIRAS

Em pesquisa recente*, encomendada pela marca, verificou-se que o uso de lingerie modeladora já é uma realidade para as brasileiras. Ao usar um modelador, as mulheres querem se olhar e sentir-se bem, confortáveis, tanto que para 46% das entrevistadas, a beleza está relacionada ao conforto e para apenas 24% significa controle/retenção.

“No mercado há inúmeras opções de modeladores, com os mais diversos preços, modelos e proposta. E a pesquisa revela algo fundamental para todas as marcas, 72% das brasileiras pesquisam e buscam informações antes de comprar, e apenas 28% compram por impulso. Dessa forma, investir em qualidade e em tecnologias avançadas ao desenvolver modeladores é fundamental. INVISTA tem tecnologia própria na ciência de compressão e conforto”, comenta Denise.

TECNOLOGIA LYCRA® BEAUTY

Para auxiliar as marcas de moda íntima, a marca LYCRA® disponibiliza uma tecnologia exclusiva, que molda a silhueta sem prejudicar o conforto e pode ser usadas tanto em peças do dia a dia quanto em ocasiões especiais. * Pesquisa Beauty 4U - Grey Brasil

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NÃO É NOVIDADE que as semanas de moda levam inspirações para a moda íntima, praia e activewear. A lingerie, por exemplo, carrega muitas referências de moda, até porque, além de ser um complemento importante, ela vem ganhando um espaço cada vez maior, sendo muitas vezes a peça principal de um look. “Na última São Paulo Fashion Week, por exemplo, que apresentou as tendências para o verão 2017, o detalhe recorrente das marcas que desfilaram foi a presença de babados. Ele apareceu em decotes, vestidos, calças, saias e blusas. E, sem dúvidas, essa será uma referência que irá refletir na moda íntima”, afirma Denise Sakuma, Diretora de Negócios da INVISTA para América Latina. Para a marca LYCRA®, outros pontos continuarão em cena quando o assunto é lingerie. Como, por exemplo, as peças mais românticas. A combinação de estampas florais e cores fortes é clássico e perfeito para mulheres que gostam de modelos elegantes com ar de modernidade. E para aproveitar o máximo das peças confeccionadas com rendas sobrepostas e abertas, o ideal é buscar a etiqueta LYCRA®, que irá garantir que a peça tenha a compressão na medida certa, permitindo a composição de um look atrativo, sem que marque na roupa, e deixando a usuária respirar e se mover com sensualidade. Já as lingeries com tecidos leves e sedosos poderão ganhar destaque e vir com cores delicadas que ressaltam o estilo vintage. As alças largas estarão em alta e serão ainda mais confortáveis quando produzidas com fitas elásticas com fio LYCRA®, que deixam a roupa no lugar, acompanhando o movimento do corpo sem deixar marcas na pele. Para quem busca de sensualidade e sofisticação, algumas peças de moda íntima podem ser poderosas, já que ressaltam a feminilidade, modelam o corpo e valorizam suas formas, como bodys e corpetes. Quando produzida com a tecnologia LYCRA® BEAUTY, as peças moldam a silhueta com efeito sculpting, ou smoothing de acordo com a necessidade da consumidora, ao mesmo tempo que oferecem conforto e podem ser usadas tanto sob roupas do dia a dia quanto em ocasiões especiais.


CARTELA DE CORES

OS MODELOS-APOSTA do inverno 2017 das principais agências do país foram clicados pelo descolado fotógrafo Gianfranco Briceño, criador de uma das publicações fotográficas mais bacanas do momento, a Snaps Fanzine, para ilustrar a cartela de cor e temas do verão 2017 infantil. Shapes e estampas geométricas abstratas, um ar dos anos de 1960 e 70, algodão cru e o navy super literal invadem o universo dos pequenos, que será repleto de peças de frente única, macacões curtos, calça cropped ou dobrada como cropped, vestidos trapézio e camisetas básicas com estampas localizadas. Desça para o play com a gente e confira as cores da próxima temporada, de acordo com os bureaux de moda mais importantes do mundo!

Por Gianfranco Briceño Design e ilustrações Mariana Eller Concepção e edição Mário Araujo Styling Alan Gomes Make e hair Dindi Hojah e Camila

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ALLEF • @allef_augusto • Way Model Camiseta sobreposta Zara Man, malha MeMove, calça Calvin Klein Jeans e tênis Reinaldo Lourenço para CNS.

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SARA POLETTO • @sarapoletto • Way Model Body SUI, Pantalona Vitorino Campos e sandália Petite Jolie.

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YUNA • @yunahipolito • Ford Models Vestido Maria Valentina e tênis Calvin Klein Jeans.

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JOÃO ZANELLA • @joaovz • Ford Models Casaco H&M, bermuda David Beckham para H&M, meia (acervo do stylist) e sandália West Coast.

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ANNA KOSSMANN • @anna_kossmann • Joy Model Vestido Calvin Klein Jeans, colete SUI e bota Arezzo.

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JOÃO LUCAS • @orlandin • Joy Model Malha Hering, bermuda H&M e sapato Reinaldo Lourenço para CNS.

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FRANCI SANTOS • @francicsantos • Mega Model Macacão UMA by Raquel Davidowicz.

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REALIZAÇÃO Fotografia: Gianfranco Briceño | Concepção e edição: Mário Araujo | Produção e styling: Alan Gomes | Make e hair: Dindi Hojah (Sara Poletto, Yuna, João Zanella, João Lucas, Franci Santos e Jhon Navarro) e Camila (Allef e Anna Kossmann) | Tratamento de imagens: Nicolas Leite | Agradecimento: Alan Machado

JHON NAVARRO • @jhonhinrichsen • Mega Model Camiseta preta sobreposta a cáqui, ambas UMA by Raquel Davidowicz, bermuda H&M e sapato Reinaldo Lourenço para CNS.

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EXPEDIENTE | Edição 9 – Junho – Agosto 2016 A TEXTIL MODA é uma publicação da R. da Silva Haydu & Cia. Ltda. Inscr. Est. 104.888.210.114. CNPJ/MF 60.941.143/0001-20. Projeto Editorial: Mário Araujo Projeto Gráfico: Mariana Eller Presidente executivo: Ricardo da Silva Haydu Diretora de redação: Clementina A. B. Haydu (MTB 0065072/SP) Editor chefe: Mário Araujo Editora de Arte: Mariana Eller Editor de Arte: Fernando Tucunduva Revisão: Julliane Silveira Representantes Comerciais Europa – International Communications Inc. Andre Jamar 21 rue Renkin – 4.800 – Verviers – Belgium +32 87 22 53 85 andrejamar@aol.com Ásia – Buildwell Int. Co. Ltd. 120, Huludun, 2nd St., Fongyuan, Taichung Hsien – Taiwan 42086 – R.O.C. +886 4 2512 2372 Coreia – Jes Media International 6th Fl., Donhye-Bldg. – 47-16, Myungil-Dong Kandong – Gu – Seoul 134-070 +882 481 3411/3

GUIA DA TEXTIL

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Armani (11) 3755-0607

Maria Valentina (11) 4935-2329

Alexandre Herchcovitch (11) 3063-2888

MeMove (11) 2089-1167

B. Luxo (11) 3062-6479

Petite Jolie (51) 2125-9900

Calvin Klein Jeans (11) 3071-0249

Petulan (11) 3082-9375

Caroline Funke (11) 3085-4362

Reinaldo Lourenço (11) 2813-8805

CNS 0800-774-0047

Tommy Hilfiger (11) 3060-8994

Egrey (11) 3060-9305

UMA by Raquel Davidowicz (11) 3813-5559

Fit (11) 3088-6548

Vitorino Campos (71) 3234-4196

Forever 21 (11) 4561-8074

Vitor Zerbinato (11) 4722-5344

Glória Coelho (11) 3097-0879

West Coast (51) 2101.-0700

H&M hm.com

Wolford (11) 3032-5800

Lectra (11) 3894-9144

Zara (11) 2101-1996

Argentina – Ecodesul Av. Corrientes, 3849, Piso 14º OF.A. Buenos Aires, Argentina + 54 1 49 2154 Órgão Oficial das entidades

Redação e Administração Rua Dr. Albuquerque Lins, 1.151, 2 andar, Santa Cecília – São Paulo – SP – Brasil – 01230-001 +55 11 3661 5500 textil.moda@revistatextil.com.br www.revistatextil.com.br Publicação trimestral com circulação dirigida às confecções, tecelagens, malharias, beneficiadoras, varejo em geral, universidades e escolas de moda, além dos interessados em informação de qualidade. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem, necessariamente, a filosofia da revista. A reprodução total ou parcial das matérias desta revista depende de prévia autorização da Editora. Redação Releases, comentários sobre o conteúdo editorial, sugestões e críticas. textil.moda@revistatextil.com.br Publicidade Anuncie na TEXTIL MODA e fale diretamente com o leitor mais qualificado do setor têxtil e varejista. revistatextil@revistatextil.com.br Assinaturas Para assinar a TEXTIL Moda ou outras publicações da editora: assinatura@revistatextil.com.br


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