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MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

MICHELE_ROSSI


Caderno de TGI I

MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS Michele Marta Rossi


Universidade de S達o Paulo Instituto de Arquitetura e Urbanismo de S達o Carlos

Trabalho de Gradua巽達o Integrado I CAP: Joubert Lancha, Lucia Shimbo e Simone Vizioli. GT CONTEXTO PROFESSOR: Miguel Buzzar

Junho, 2012


INTRODUÇÃO

PRÉ_TGI UNIVERSO_PROJETUAL AÇÕES_PROJETUAIS CONTEXTO CONTRASTE CONEXÕES PROJETO


INTRODUÇÃO


INTRODUÇÃO “ A tradição é um desafio a inovação”. (Álvaro Siza)

Esse trabalho é uma síntese de um processo que se iniciou na disciplina de pré-TGI e teve continuidade no TGI. Reúne desde a análise de referências, passa pela definição de um conceito e um universo projetual, de ações projetuais, opções de projeto e alcança assim a fase atual, de anteprojeto.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

Toda cidade tem uma história, que se inicia com a sua fundação ou até antes e evolui através do tempo, a cidade é uma construção no tempo, uma construção embasada em camadas ou fragmentos de camadas em que seus respectivos elementos vão se sobrepondo, se fundindo, se somando e se subtraindo constantemente, resultando em uma verdadeira diversidade oriunda dos variados ciclos de desenvolvimento econômico, social, cultural que podem ser ilustrados através das edificações, que são a memória visível e edificada desta evolução urbana. A importância de preservar esses vários momentos em que na cidade estão representados, para que esse conjunto de bens continue fazendo parte da vida das pessoas ainda que adquirindo novos usos ou significados e sejam preservados como patrimônio coletivo; não consiste simplesmente em restaurar, mas sim em preservar. Segundo Paulo Mendes da Rocha, preservar se resume na criação de novos desenhos que abriguem, expressem e amparem hábitos urbanos contemporâneos, do tempo em que vivemos.


INTRODUÇÃO Ao propor uma arquitetura gerada essencialmente da preexistência, busco explicitar diferentes possibilidades de conexões entre estas duas temporalidades de modo a explicitar os contrates e não confundir ou tão pouco mimetizá-los. Acredito que preservar as preexistências não consista em não as tocar por excesso de zelo, mas sim realizar um estudo cuidadoso a fim de levantar os aspectos potenciais desta edificação que irão permitir este diálogo harmônico com o contemporâneo.


PRÉ-TGI


PRÉ-TGI

Ao propor uma arquitetura gerada essencialmente da preexistência, busco explicitar diferentes possibilidades de conexões entre estas duas temporalidades de modo a enfatizar os contrates e não confundir ou tão pouco mimetizá-los. Busco uma arquitetura que tenha como forma volumes puros, mas que as diversas camadas que a constituem possa resultar em uma arquitetura instigante e complexa de significados.

Palavra: CAMADAS


UNIVERSO PROJETUAL


UNIVERSO PROJETUAL

Na definição do universo projetual houve uma aproximação a obras e pensamentos de vários arquitetos que se relacionavam a conceitualização já previamente estabelecida no pré-TGI. Logo, a busca por uma arquitetura gerada essencialmente da preexistência se mantém, no entanto a análise destas referências acabam por guiar o modo como essa arquitetura se desenvolve ou se desenvolverá. Assim como nas obras de intervenção em preexistências e patrimônios históricos de Lina Bo Bardi e do Brasil Arquitetura pretende-se para a arquitetura neste trabalho proposta um estudo cuidadosa desta preexistência, mantendo e intervindo aonde julgar necessário, marcando sempre a intervenção de modo a enfatizar e contrastar a conexão entre duas temporalidades distintas. A forma que se deseja é um volume puro ou uma forma que derive de pequenas ações em volumes puros, mas que o interior assim como nas obras de Tadao Ando seja pensado de forma densa e complexa. E que a relação de identidade da arquitetura proposta com o usuário ocorra a partir do momento em que este compreenda o modo como esta foi desenvolvida e elaborada como nas obras de Aldo van Eyck.


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ALDO VAN EYCK

Aldo Van Eyck buscou entender a maneira como o homem percebe, apropria e utiliza o espaço na convivência em grupo. Por isso, principalmente nos seus projetos para os playgrounds de Amsterdã, localizados em espaços residuais do contexto urbano, o desenho buscava uma interação com o tecido urbano ao redor, além de ser composto por elementos originários a partir de formas mínimas a fim de estimular a imaginação, a apropriação e diferentes formas de interpretação dos usuários. A relação de identidade ocorria, então, a partir de uma arquitetura pedagógica, em que o individuo após manipulá-la , a entendida e a reconhecia,


LINA BO BARDI UNIVERSO PROJETUAL

A arquitetura de Lina Bo Bardi é o encontro da sua formação erudita com a cultura popular brasileira, ao passo que Lina conseguiu ver esta como uma significativa matéria-prima para sua produção. Lina principalmente em suas obras de intervenção em preexistências e patrimônios históricos contrasta as duas temporalidades seja através da forma ou da materialidade enfatizando assim o valor e a linguagem de cada momento.


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TADAO ANDO

A arquitetura de Tadao Ando consiste no método compositivo formal do Modernismo, ao passo que trabalha a partir de composições derivadas de formas puras. Todavia, atribui também uma grande importância às peculiaridades do contexto, recriando assim a arquitetura japonesa, constituindo assim uma importante figura do Regionalismo Crítico, Segundo Tadao Ando ao desenvolver espaços de grande complexidade em formas geométricas puras, encera-se o imprevisível, além de estimular a consciência do usuário.


BRASIL ARQUITETURA UNIVERSO PROJETUAL

A obra do Brasil Arquitetura é uma expressão atual e brasileira, sendo eles discípulos de Lina Bo Bardi continuam a sua respectiva tradição baseado no respeito ao preexistente,mas sem receio de propor a linguagem da modernidade. Logo, as obras do grupo são caracterizadas pela dialética entre tradição e invenção, buscando respeitar a memória, tradições e contexto ao qual se inserem.


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processos


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


PROCESSO DE CROQUIS – UNIVERSO PROJETUAL


AÇÕES PROJETUAIS


AÇÕES PROJETUAIS As ações projetuais guiarão as escolhas decorrentes no processo de desenvolvimento do projeto a fim de organizá-las e as justificar, apontando as premissas e os resultados que se buscam para este trabalho.

As ações serão apresentadas em três camadas: CONTEXTO, CONEXÕES.

CONTRASTE

e


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A cidade preexistente, mais especificamente os intervalos ou espaços residuais derivados de edificações preexistentes, buscando sempre um diálogo com o tecido urbano já consolidado através da implantação e da observação atenta de questões como topografia, fluxos peatonais e de veículos, entre outros.


CONTEXTO


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Pela forma que será derivada da adição, subtração, fusão ou justaposição de volumes puros e pela materialidade a partir do uso de materiais contemporâneos ou através de processos construtivos que se perpetuam até os dias atuais a fim de marcar a intervenção.


CONTRASTE


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Que a edificação proposta estabelecerá com os edifícios preexistentes seja a partir do:

DISTANCIAMENTO_ em que não haverá a conexão física entre as edificações, sendo esta, no entanto, visual.

APROXIMAÇÕES_ ligações físicas entre as edificações. Estas poderão ocorrer por: fluxos, fusões ou por fragmentos.


CONEXÕES


processos


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


PROCESSO DE CROQUIS – AÇÕES PROJETUAIS


CONTEXTO


CAMPINAS


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A cidade de Campinas, situada na Região Metropolitana de São Paulo que atualmente se configura no terceiro município mais populoso do Estado e com alto Índice de Desenvolvimento Humano foi o contexto escolhido para embasar este trabalho. No entanto, o interesse por esta cidade se deu pelas diversas camadas que a constituiu. Serão apresentadas neste trabalho somente as camadas pertinentes para a contextualização e desenvolvimento do projeto.


CAMPINAS CONTEXTO

1721: Estrada aberta para as expedições de exploração da mineração goiana. 1774: Elevada a Vila de São Carlos. 1842: Elevada a cidade de Campinas. 1872: Inauguração do Campinas- Jundiai.

trecho

férreo

1889-1897: Epidemia de Febre Amarela. 1929: Queda da Bolsa de NY. 1934- 1962: Implementação do Plano de Melhoramentos Urbanos (Prestes Maia). 2012: Cidade contemporânea.


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Histórico de campinas A cidade surgiu de uma estrada aberta para que as expedições de exploração da mineração goiana não passassem pelo estado de Minas Gerais, estrada esta que se configurou em um pouso para as bandeiras que por ali passavam. O trânsito crescente e a necessidade de abastecer as bandeiras determinaram o plantio de cereais e o êxito das colheitas, o pouso se expandiu então em núcleos de povoamento que desenvolveram atividades de subsistência e de escambo e mesmo posteriormente com o declínio da mineração e consequente diminuição no trânsito da estrada, estes se mantiveram. Com o aumento da população, os moradores passaram a solicitar independência político-administrativa, sendo em 1774 elevada a Vila de São Carlos e em 1842 em cidade, recebendo o nome de Campinas. Este contexto era marcado pelo declínio da economia açucareira e crescente investimentos na economia cafeeira. Em 1870, Campinas já era considerada o município mais rico da província paulista com 33 mil habitantes. E em 1872 com a inauguração do trecho férreo Campinas-Jundiaí, a produção de café transformou o município em um dos maiores e mais vigorosos polos econômicos do país.


CONTEXTO

No entanto, de 1889 a 1897 a população campineira quase foi dizimada por uma epidemia de Febre Amarela. A epidemia além de alterar o perfil da população de Campinas que migrou de uma população essencialmente campineira para uma formada em sua maioria por imigrantes que chegavam diariamente para o trabalho nas lavouras, também promoveu diversas transformações urbanas, principalmente de ordem urbanístico-sanitária. Em 1929, com a quebra da Bolsa de Nova York, consequente declínio da economia cafeeira e com a ascensão de Getúlio Vargas em 1930 ao poder do país, houve um grande investimento na industrialização. As indústrias se tornaram os motores da economia e a principal causa de urbanização dos municípios.


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Histórico de campinas

Campinas contou com importante nome do Urbanismo para um dos principais projetos urbanísticos do município, Prestes Maia. O “Plano de Urbanismo”, plano original de Prestes Maia, tinha caráter mais geral, englobando diversos aspectos de organização da cidade; o sistema de radiais e perimetrais que o engenheiro projetou promovia a inserção de outras escalas da infraestrutura do tecido urbano e assim, permitiria a futura expansão do seu perímetro. Ao mesmo tempo, mantinha a ideia de um centro nucleado como foco de sua dinâmica urbana. No entanto, segundo Ricardo Badaró o plano urbanístico aplicado em Campinas de 1934 a 1962, “O Plano de Melhoramentos Urbanos de Prestes Maia”, foi uma reformulação do projeto original de Prestes Mais, ao passo que diferentemente do primeiro enfatizava apenas os aspectos viários do plano.


CONTEXTO

“A implementação deste plano viário trouxe como consequência ao município construções e alargamentos de vias, mas também a destruição indiscriminada de áreas verdes e edificações antigas, colocando abaixo diversos marcos e símbolos da arquitetura e cultura campineira. Neste contexto, surgiram diversos movimentos contestatórios que favoreceram o engajamento artístico às causas políticas, ambientais e sociais, entre eles estava o grupo Febre Amarela que surgiu em 1980 e foi oficializado em 1985 (...)O grupo propunha intervir no ambiente urbano de modo a reagir contra a destruição do patrimônio arquitetônico de Campinas” (BRITTO,2008).


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Histórico de campinas

O grupo Febre Amarela conscientizava a população local da importância das edificações, faziam manifestações públicas de abraço e vigília aos edifícios, filmavam as tentativas de demolições e suas respectivas ações para impedi-las e foi a partir deste grupo que houve o fortalecimento da questão da preservação do patrimônio histórico da cidade, sendo criado em 1987 em Campinas, o CONDEPACC (Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas) (BRITTO,2008). Foram duas situações enfrentadas pelo Febre Amarela que culminaram na criação do Conselho: a primeira ocorreu em 1986, quando a Prefeitura Municipal determinou alterações no Largo do Rosário, no entanto estas não poderiam ocorrer sem autorizações do CONDEPHAAT, uma vez que a área estava na envoltória da Catedral Metropolitana tombada por este órgão. E a segunda, ocorreu em 1987, com as ações de combate à demolição do prédio da antiga fundição Lidgerwood Manufacturing Co. para implantações de um novo traçado viário do Centro da cidade (projeto que pretendia ligar a Suleste, atual Lix da Cunha à avenida Aquidaban).


CONTEXTO

O presidente do Febre Amarela recebeu uma denúncia por telefone da demolição do edifício que abrigou por muito tempo uma das primeiras fábricas de Campinas. O arquiteto então filmou os técnicos no local, registrou boletim de ocorrência, e a partir de então membros do grupo e moradores locais montaram vigília no local, culminando em um simbólico abraço da edificação. A situação foi levada ao conhecimento do CONDEPHAAT que diante da relevância do imóvel, deu início ao seu estudo de tombamento inviabilizando assim a concretização do plano viário para aquele local e consequente demolição do edifício da antiga fundição. Devido à inexistência de um órgão de instância municipal houve a necessidade do apelo ao âmbito estadual, por essas razões em dezembro de 1987 é criado em Campinas o conselho local de defesa do patrimônio, o CONDEPACC. Assim, diante desta problemática é possível averiguar que o prédio da Lidgerwood, objeto de estudo deste trabalho, foi foco de acontecimentos fundamentais para a história do patrimônio cultural de Campinas.


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ANÁLISE DA ÁREA

A área de projeto está localizada em uma região limítrofe do centro de Campinas derivada do encontro da malha ortogonal da cidade com o encontro do traçado sinuoso da linha férrea.


Malhas que constituem a รกrea

รrea do projeto

N

CONTEXTO


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ANÁLISE DA ÁREA

Os dois bairros que circundam a área de projeto apresentam características bem distintas. O centro, região consolidada da cidade, apresenta predominância comercial. O calçadão da Treze de Maio se caracteriza como um dos principais pontos comerciais de Campinas. A Vila Industrial situada do outro lado da linha férrea é também uma região consolidada de Campinas, no entanto apresenta uma dinâmica totalmente diversa ao centro, já que é predominantemente habitacional.


Centro_comercial Vila Industrial_residencial Ă rea do projeto

N

CONTEXTO


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ANÁLISE DA ÁREA

Embora a área seja contemplada por um alto fluxo de automóveis, uma vez que tem ligação com as principais rodovias da região, apresenta também um significativo fluxo peatonal. Os principais pontos atratores de fluxos da região em questão são: a Rodoviária de Campinas, o Terminal Viaduto Cury e o Calçadão da Treze. Além do túnel de pedestres locado sob a linha férrea que promove a ligação entre a Vila Industrial e o Centro. Logo, a área se configura como uma região de passagem devido a este alto fluxo de automóveis e pedestres, além de contar com perfis de usuários bem diversificados no quesito socioeconômico.


Principais pontos atratores de fluxos Principais eixos peatonais Ă rea do projeto

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CONTEXTO


processos


PROCESSO DE CROQUIS – CONTEXTO


PROCESSO DE CROQUIS – CONTEXTO


PROCESSO DE CROQUIS – CONTEXTO


PROCESSO DE CROQUIS – CONTEXTO


PROCESSO DE CROQUIS – CONTEXTO


CONTRASTE


CONTRASTE O contraste como já fora dito anteriormente ocorrerá pela forma que será derivada da adição, subtração, fusão ou justaposição de volumes puros e pela materialidade a partir do uso de materiais contemporâneos ou através de processos construtivos que se perpetuam até os dias atuais a fim de marcar a intervenção. Logo, neste capítulo serão apresentadas as importantes preexistências presentes na área de projeto que permitirão diante da intervenção proposta este contraste de duas temporalidades.


Estação Cultural de Campinas Área do projeto

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ESTAÇÃO CULTURAL DE CAMPINAS

CONTRASTE


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ESTAÇÃO CULTURAL DE CAMPINAS

O edifício da antiga ferroviária de Campinas sedia atualmente a Estação Cultural de Campinas. Tal instituição não tem uma programação cultural fixa, logo recebe esporadicamente palestras, shows e visitas de grupos escolares. Disponibiliza de uma estrutura composta por duas salas de reuniões, dois salões de exposição e um auditório. Além destas atividades o edifício é sede da Secretaria de Esporte e Lazer, da biblioteca infantil Monteiro Lobato, do CONDEPACC , da Junta Militar e do Centro Profissionalizante “ Antonio da Costa Santos”, o CEPROCAMP.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS Edifício Lidgerwood- Atual Museu da Cidade Área do projeto

N

EDIFÍCIO LIDGERWOOD_ ATUAL MUSEU DA CIDADE


LIDGERWOOD MANUFACTURUNG COMPANY

O edifício construído em 1868 além de ser uma das primeiras indústrias de Campinas e testemunho arquitetônico da prática construtiva trazida pela ferrovia, foi foco de acontecimentos fundamentais para preservação do patrimônio cultural de Campinas. 1987-1990: Processo de tombamento pelo CONDEPACC (1987-1990) 1992: Inauguração do Museu da Cidade de Campinas.

CONTRASTE


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LIDGERWOOD MANUFACTURUNG COMPANY

A Lidgerwood Manufacturing surgiu nos Estados Unidos e chegou ao Brasil, na cidade do Rio de Janeiro em 1862, tendo como seu fundador o encarregado de negócios William Van Vleck Lidgerwood. A sua vinda ao Brasil estava, provavelmente, relacionada ao surto de algodão na Província de São Paulo, uma vez que importava descaroçadores de algodão de fabricação americana. Em 1868 abriu seu primeiro depósito na cidade de Campinas, situado inicialmente na Rua do Rosário, atual Avenida Francisco Glicério, mas em decorrência do desenvolvimento dos transportes, da economia cafeeira e pela facilidade de escoamento da produção, a companhia construiu seu prédio em um terreno a frente do Largo da Estação, na Avenida Andrade Neves. Neste momento, a fundição, de ferro e bronze, produzia maquinário para o beneficiamento de algodão e café (descaroçadores, descascadores, ventiladores, catadores, máquinas para picar fumo, arolhar garrafas, além da fabricação de peças ornamentais fundidas, como bandeiras de portas, grades, entre outros).


CONTRASTE

Em 1889, como já fora citado, Campinas passa por uma epidemia de Febre Amarela e com isso, algumas indústrias que se instalavam pela cidade a deixaram. No ano seguinte então, a Lidgerwood transfere seus negócios para a Capital, mas mantém a filial campineira que funcionou no mesmo lugar até 1922. Neste ano, a empresa fecha suas portas em Campinas e vende o antigo galpão para a empresa Pedro Anderson & Co e em 1928 tem suas dependências vendidas a Companhia Paulista de Estradas de Ferro (FEPASA).

O EDIFÍCIO O prédio da antiga fundição Lidgerwood que foi construído em 1885 e passa abrigar as funções da indústria já em 1886, se encontra em um terreno resultante do encontro da malha ortogonal da cidade com o desenho sinuoso da linha férrea e apresenta como solução espacial o modelo das indústrias norte-americanas após meados do século XIX, soluções essas, adaptadas dos antigos modelos ingleses.


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LIDGERWOOD MANUFACTURUNG COMPANY

A construção ficou sob responsabilidade de Heinrich Husemann, engenheiro alemão, um dos mais requisitados nesta época em Campinas. “O corpo “principal” do prédio, salientado pela topografia levemente acidentada, foi dividido em três pisos: o porão como continuação da fundição e oficinas, o escritório com a porta voltada ao Largo da Estação e aos fundos, o “show-room” para exposição das máquinas e peças; e o sótão com o piso que divide o pé-direito, provavelmente utilizado como depósito de peças de montagem”. (LORETTE, 1991, p.08).

Segundo explicitado no processo de tombamento, este edifício se configura como a primeira indústria de Campinas a produzir equipamentos para a mecanização agrícola, que atendia as necessidades de “progressos” dos fazendeiros de café dessa época e também pelo testemunho arquitetônico da prática construtiva trazida pela implantação da Ferrovia, neste caso em especial, o edifício possui além dos materiais de construção importados da Inglaterra, materiais fabricados na própria indústria.


CONTRASTE No entanto para Lorette, o edifício da Lidgerwood se configura como uma construção primorosa deste período pelo uso racional de tijolos e madeiras, proporcionando ritmos novos à fachada, além de soluções espaciais adequadas à função industrial, de acordo com o pesquisador o uso do tijolo em Campinas era anterior a 1868, mas na construção do prédio da Lidgerwood foram aproveitadas pela primeira vez, as qualidades decorativas deste material. “A Companhia Lidgerwood soube aproveitar das qualidades decorativas do tijolo, enriquecendo a superfície de suas paredes com saliêcias (...) O prédio se constitui de embasamento com pedras entaipadas (misturadas com barro) em sua periferia, e sobre esse, paredes autoportantes de alvenaria de tijolos aparentes. O aparelhamento dos tijolos é do tipo inglês (...) As telhas são de Marselha e no galpão da fundição foram utilizadas telhas onduladas de zinco, substituídas por novas inglesas, em 1925. As calhas e condutores eram confeccionados em cobre, porém, muitas delas foram substituídas por zinco, e depois, ferro zincado” (LORETTE, 1991, p.10).


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LIDGERWOOD MANUFACTURUNG COMPANY

Para a caixilharia e folhas das portas e janelas da fachada foram usada madeira pinho-de –Riga que segundo Lemos era de talho fácil e comportamento absolutamente estável. Já nas portas da parte inferior ou nas tesouras dos telhados foi utilizada peroba. Nas esquadrias das janelas, grades do porão e bandeira de portas e janelas o uso do ferro fundido na própria fundição foi presente e no intuito de personalizar o edifício as bandeiras apresentam uma águia em relevo sobre o tronco, referência simbólica ao brasão dos Estados Unidos, com fundo de ramos de café e algodão, lembrando as duas culturas ao qual a empresa dedicou na produção de maquinário para seus respectivos beneficiamento (LORETTE, 1991). Como já fora dito anteriormente, após a desativação da fundição Lidgerwood o prédio passou por outros dois donos e com isso sofreu várias intervenções a partir da década de 20 a fim de se adequar as novas funções. Durante o processo de tombamento o edifício ficou abandonado e à mercê das deteriorações causadas pelas intempéries.


CONTRASTE

O processo do edifício teve início em janeiro de 1989 e assim que o CONDEPACC aprovou o tombamento do edifício Lidgerwood em 1990, este já tava destinado a sediar o Museu da Cidade de Campinas.

O PROJETO MUSEOLÓGICO No Processo de Tombamento consta que o único projeto museológico para o Museu da Cidade de Campinas foi do Secretário Municipal da Cultura e Turismo de 1990, Célio Turino, o qual idealizava um espaço em que houvesse a quebra da hierarquia característica até então em espaços de museus, onde o que é preservado e estudado é a história das elites e não a popular. O projeto conceitual idealizado por Célio Turino teve o seu respectivo projeto arquitetônico e de restauro desenvolvido pelas arquitetas Ana Aparecida Villanueva, na época supervisora do CONDEPACC e Sandra Maria Geraldi.


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LIDGERWOOD MANUFACTURUNG COMPANY

A execução deste projeto foi divida em três etapas, sendo apenas duas concluídas. A execução das obras ficou sob responsabilidade da Companhia Brasileira de Projetos e Obras (CBPO), a mesma empresa que faria a demolição do prédio da antiga fundição Lidgerwood, sob forma de patrocínio, a título de apoio cultural. Segundo a arquiteta Ana Villanueva, no projeto de restauro do edifício Lidgerwood ela se utilizou do olhar respeitoso e das orientações da Carta de Veneza. O programa do projeto arquitetônico previa: auditório, bar-café, livraria, área de convivência, área de exposição, reserva técnica, administração e sanitários. Atualmente o museu se encontra em estado bastante precário e de abandono, configurando-se em um verdadeiro depósito de acervo, além de ser uma instituição desconhecida por grande parte da população campineira.


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Túnel de pedestres sob a linha férrea Área do projeto

TÚNEL SOB LINHA FÉRREA

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TÚNEL DE PEDESTRES SOB LINHA FÉRREA

CONTRASTE

O túnel de pedestres sob a linha férrea foi construído em 1918 em resposta ao crescimento habitacional da Vila Industrial. O túnel sob a gare da Estação Ferroviária de Campinas foi construído pela Companhia Paulista e promove a ligação entre o Centro e a Vila Industrial diariamente das 6 às 23 horas. O túnel de aproximadamente 160 metros de extensão, 2 metros de largura e 4 metros de profundidade tem paredes de tijolos caiados, sendo a sua cobertura em mesmo material em abóbada de berço, o piso é de ladrilhos hidráulicos nas cores preta e natural (cimento) e as escadas de acesso também são de cimento. Os vestíbulos do túnel localizados nas ruas Lidgerwood e Coronel Antonio Manoel com Francisco Teodoro são de estruturas metálicas apoiadas sobre embasamento de tijolos caiados. A ventilação no percurso é permitida por um único orifício circular locado no centro deste e a iluminação é predominantemente artificial. O túnel que pertence ao Complexo Ferroviário foi tombado pelo CONDEPACC no processo deste Complexo.


processos


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


PROCESSO DE CROQUIS – CONTRASTE


CONEXÕES


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A área de projeto além de ser uma região limítrofe do centro é circundada por vias expressas, o que faz com que tal área fique “ilhada”. Uma das intenções deste projeto é subverter esta lógica, trazendo os eixos de fluxos peatonais para o interior da quadra ou permitindo que esse seja possível de forma mais segura, como por exemplo a partir de passarela. Logo, tem-se como premissa o prolongamento do túnel de pedestres para o interior da quadra, chegando em uma galeria subterranea, a abertura dos muros que delimitam a quadra do Museu da Cidade em pontos específicos transformando este espaço em local permeável aos pedestres e por fim a ligação com a outra porção do programa, locado em outra quadra a partir de uma passarela.


Vias expressas Área do projeto

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CONEXÕES


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS Possíveis conexões com o entorno Vias expressas

Área do projeto

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PROJETO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

O PROGRAMA

O projeto promove a continuidade do programa já existente no local, de Museu da Cidade de Campinas, no entanto apresenta uma reformulação deste. Todavia, para que isso seja possível é necessário entender: O que é um Museu da Cidade? E o que significa um Museu da Cidade na cidade contemporânea? A seguir serão apresentadas o conceito de Museu da Cidade, segundo Célio Turino, secretário da Cultura em 1992 quando houve a inauguração do Museu da Cidade de Campinas e idealizador do projeto museológico deste. E também a visão do que vem a ser esta instituição segundo o Comitê Internacional para coleções e atividades dos Museus da Cidade.


PROJETO

“A proposta básica do projeto era direcionar a atuação do museu para as diferentes formas do cidadão conhecer e olhar a cidade, entendidas como apropriação, interpretação e transformação para problematizar questões relacionadas à cidade e à cidadania, o museu teria como linhas de abordagem a produção cultural, a ocupação espacial e a organização social, política e econômica de Campinas (...) Em linhas gerais o museu deveria ser um centro de pesquisa, preservação e divulgação da história e da memória de Campinas e um centro difusor para propostas de preservação do patrimônio urbano”. (Luciana Britto sobre o projeto museológico de Célio Turino).


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

O PROGRAMA

“ Os museus de ou da cidade são centros especializados na história e na cultura urbanas, dedicados à seleção, conservação, pesquisa, exposição dos patrimônios natural e artificial, material e imaterial das cidades onde estão sediados, devem acolher a multidisciplinariedade, a diversidade e a participação comunitária para contribuir com o desenvolvimento humano”. (Comitê Internacional para coleções e atividades dos Museus da Cidade).


PROJETO

Logo, o programa apresentado para o Museu da Cidade será dividido em três espaços: ESPAÇOS DE PRODUÇÃO, ESPAÇOS DE APROPRIAÇÃO E ESPAÇOS DE EXPOSIÇÃO.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

O PROGRAMA


PROJETO

Espaços multiusos, teatro arena, palquinho, café, constituem os espaços de apropriação. Já os espaços de produção são as oficinas de teatro, dança, música, restauro e formação de professores. O museu é visto então como algo em constante processo de constituição e não como uma peça acabada. Logo, o museu não apresenta um acervo fixo, mas sim em desenvolvimento, a partir do momento que o próprio material neste local desenvolvido é que constitui os espaços de exposição.


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A IMPLANTAÇÃO O Museu da Cidade de Campinas tem sede no antigo Edifício Lidgerwood, no entanto devido à questões financeiras atualmente se transformou em um depósito de acervo, caindo muitas vezes no desconhecimento até mesmo da população local. Tendo isso em consideração, decidiu-se por um projeto de reformulação deste museu e a expansão de sua área Logo, o programa é dividido entre a quadra da antiga fundição Lidgerwood e uma porção da quadra adjacente. No entanto, como já fora explicitado anteriormente uma problemática da área de projeto é o fato desta ser circundada por vias expressas, acarretando que o fluxo peatonal embora intenso no decorrer das vezes não a atinja. A partir disto, a primeira ação projetual foi dirigir os fluxos peatonais ao interior da quadra, garantindo assim que o usuário acesse a área com segurança. Para isso houve o prolongamento do túnel de pedestres sob a linha férrea, a abertura dos muros que delimitam a quadra do Museu da Cidade em pontos específicos transformando este espaço em local permeável aos pedestres e por fim a ligação com a outra porção do programa, locado em quadra adjacente a partir de uma passarela.


Área do projeto

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PROJETO


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Vias expressas que circundam a รกrea de projeto

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Direcionamento dos fluxos peatonais para a รกrea do projeto N

PROJETO


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A IMPLANTAÇÃO A busca por uma arquitetura que gerada essencialmente de uma preexistência é ressaltada na implantação do edifício proposto. A forma desta nova edificação surge de um volume simples: o retângulo que tem uma das suas quinas, a voltada para o edifício Lidgerwood, subtraída; resultando assim em uma grande face voltada para esta preexistência. A área triangular que se forma entre as duas edificações, configura-se em ambas as quadras em grandes áreas de apropriação pública e de continuidade do tecido urbano, sendo na quadra do edifício Lidgerwood uma praça e na quadra adjacente, o térreo livre do edifício proposto. Como diretriz para Estação Ferroviária, atual Estação Cultura, propõe-se a instalação de um Poupatempo.


Eixos da implantação do edifício proposto

N

PROJETO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

IMPLANTAÇÃO

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A IMPLANTAÇÃO N

PROJETO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS


PROJETO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

CORTE_AA


PROJETO

CORTE_BB


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

CORTE_CC


PROJETO

CORTE_DD


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

CORTE_EE


PROJETO

CORTE_FF


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N


PROJETO

Com o prolongamento do túnel de pedestres sob a linha férrea há a definição de uma galeria subterranea que recebere a chegada deste túnel. Nesta galeria é locada uma área de serviços (comércio voltado para o museu: lojas de artes, artesanato, entre outros) e uma torre de circulação vertical. O desenho desta galeria é derivado do desenho da quadra triangular, tendo uma de suas arestas subtraídas pela existência de um muro da edificação preexistente que se optou por preservar.

PAVIMENTO SUBTERRANEO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N O térreo de ambas as quadras é tratado como local público, como continuidade do tecido urbano. Os muros da Lidgerwood são retirados em pontos específicos transformando o interior da quadra em uma grande praça, marcada por uma rampa que se diferencia da calçada e conduz o pedestre a uma das entradas do Museu e por um rasgo de vidro no piso que permite um diálogo com a galeria subterranea, além de permitir que o usuário na galeria possa visualizar simultaneamente as edificações de dois momentos distintos.


PROJETO

Na outra quadra esse espaço público se diferencia em palquinho, teatro arena, áreas verdes e em uma outra rampa que configura outra entrada do usuário ao programa. Neste térreo também está locado um ponto de apoio do museu (café e sanitários). Em ambas as quadras as rampas de acesso ao programa se diferenciam da calçada, apresentando assim a mesma materialidade, concreto.

PAVIMENTO TÉRREO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N

O edifício da Lidgerwood será um grande espaço expositivo, abrigando também duas salas destinadas às oficinas de formação de professores na história de Campinas e do Patrimônio Histórico, além de oficinas de restauro.


PROJETO

Já, na quadra adjacente o primeiro pavimento será destinado às oficinas(música, dança, teatro). Diferentemente das rampas de acesso ao museu que tem como materialidade o concreto (pavimentação das calçadas), para o piso do prédio proposto a materialidade pensada foi o asfalto. Logo, o usuário sai de uma cidade para entrar em outra.

PRIMEIRO PAVIMENTO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N

Neste nível a torre de circulação vertical locada na quadra da Lidgerwood terá conexão a outra edificação da quadra adjacente por uma passarela.


PROJETO

A passarela não é somente um elemento de conexão entre as duas partes do programa, mas também ambiente de exposição, como uma prévia ao usuário do ambiente em que ele adentrará. A passarela chega em um grande espaço expositivo e biblioteca.

SEGUNDO PAVIMENTO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N

O terceiro pavimento é constituído de um auditório e um pequeno foyer.

TERCEIRO PAVIMENTO


PROJETO

TERCEIRO PAVIMENTO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

N

COBERTURA


PROJETO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

As caixas de circulação vertical assim como as rampas são de concreto. E pelo fato de sua função ser estritamente a circulação, diferentemente da passarela, configuram os espaços serventes do programa.


PROJETO

A envoltória do edifício proposto é constituída de um módulo de placas de aço corten perfuradas, logo permite uma visibilidade dos níveis interiores da edificação. Seu desenho tem como princípio a inclinação do auditório, locado no terceiro pavimento. Esta parte opaca vai se desenvolvendo levando em consideração também a orientação solar, logo a “casca” atinge a fachada oeste praticamente opaca.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

MATERIALIDADES

CONCRETO_ Material de pavimentação das calçadas das duas quadras em questão, logo as rampas de acesso ao programa são de mesmo material, propondo uma continuidade do passeio urbano que conduz à visita ao programa. As caixas de circulação vertical, constituídas de placas de concreto aparente, têm uma caracterização de espaços serventes, sendo estas estritamente funcionais. A escolha por esta materialidade, deu-se pela sua densidade assim como o tijolo, no entanto se trata de um material mais contemporâneo.

ASFALTO_ Após sair das rampas de concreto o usuário encontra nos pisos do prédio proposto, o asfalto, a escolha por esta materialidade proporciona a ideia do pedestre estar adentrando em uma outra cidade, onde é convidado a repensar e reapresentar a cidade existente, nas oficinas de produção, espaços de exposição e de apropriação.


PROJETO

VIDRO_ Tanto a envoltória da passarela como a primeira “casca” do edifício proposto são de vidro de modo a permitir que o cenário urbano, as preexistências componham as mostras expositivas, ou seja, o ambiente do museu.

AÇO CORTEN_ A segunda “casca” que compõe a envoltória da edificação proposta é constituída de módulos de chapas de aço corten perfuradas em diferentes tamanho, funcionando como um “véu” que recobre o “casca” de vidro, permitindo também a visualização tanto de quem se encontra dentro do museu como quem está no exterior deste. A cor dialoga com as preexistências de tijolos, mas propondo ao mesmo tempo um contraste a partir do uso de uma materialidade contemporânea. A escolha por este aço patinável, deu-se a fim de ressaltar a história fabril do local e também por ser um aço em constante mudança representando assim esse museu que está em constante construção.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

ELEVAÇÃO_SUL


PROJETO

ELEVAÇÃO_OESTE


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

ELEVAÇÃO_NORDESTE


PROJETO

VISTA DOS NÍVEIS INTERNOS DO EDIFÍCIO PROPOSTO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

GALERIA SUBTERRANEA


PROJETO

TÉRREO_QUADRA DA LIDGERWOOD


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

TÉRREO_QUADRA DA LIDGERWOOD


PROJETO

VISTA DO TÉRREO LIVRE_EDIFÍCIO PROPOSTO


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

CONEXÃO_TÚNEL DE PEDESTRES SOB LINHA FÉRREA

O túnel de pedestres sob a linha férrea é uma das conexões do programa com o entorno. Além de seu prolongamento, foram feitos alargamentos no decorrer da sua extensão. Esses alargamentos além de melhorar as condições de ventilação e iluminação do túnel, já que nestes são locados novos respiradouros, são também locais de exposições esporádicas.


PROJETO

Sendo que tanto os alargamentos com o prolongamento do túnel foram tratados em outras materialidades, placas de concreto e piso de cimento queimado, de modo a contrastam então com o tijolo caiado e o piso de ladrilhos hidráulicos, facilitando a compreensão do que existente e o que está se propondo.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

CONEXÃO_PASSARELA

A passarela é uma outra forma de conexão com o entorno e mais especificamente com a outra parte do programa. E além de elemento de conexão, ela é também espaço de exposição. Esta foi pensada como um marco urbano, constituído de materialidades rústicas, piso de asfalto e estrutura de aço corten, no entanto com uma envoltória de vidro possibilitando que o cenário faça parte desta mostra.


PROJETO A sua estrutura foi pensada como uma viga vierendeel, em que os montantes vão se espaçando de modo gradual, possibilitando não só diferentes enquadramentos da cidade, mas também enfatizando a migração de uma arquitetura preexistente, densa, para uma outra que se propõe, mais leve.


MUSEU DA CIDADE DE CAMPINAS

A escolha por um projeto de reformulação e extensão do Museu da Cidade de Campinas pretende propor uma nova dinâmica para área e através desta intervenção valorizar as preexistências locais e o próprio programa do Museu, desconhecido por muito cidadãos. A forma derivada de pequenas ações no volume puro propõe no desenvolvimento dos seus níveis internos um complexidade, seja pela configuração dos pisos, pela materialidade e enquadramentos do cenário urbano. As novas materialidades utilizadas contrapõem-se com a arquitetura densa e preexistente de tijolo, no entanto, a utilização de um material de coloração próxima (aço corten) promove uma relação de diálogo e não de hierarquia entre as edificações. A utilização de uma estrutura aparente, que se mostra ao usuário, como pode ser vista principalmente na passarelaponte tem intenção deixar claro como a obra foi constituída e pensada buscando assim uma relação de identidade entre o usuário e a obra..


PROJETO


processos


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


PROCESSO DE CROQUIS – PROJETO


BIBLIOGRAFIA PRINCIPAL


LIVROS, TESES E TEXTOS CHOAY, Françoise. A Alegoria do Patrimônio. São Paulo: Estação Liberdade; Editora Unesp, 2001 (edição original: 1992). VILLANUEVA, Ana A. Preservação Como Projeto - Área do pátio ferroviário central das antigas Cia. Paulista e Cia. Mogiana – Campinas,SP. São Paulo, 1996. 3 v. Dissertação. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP. vol.1. BADARÓ, Ricardo de Souza Campos. ”Campinas, O Despontar da Modernidade”. Campinas: Área de Publicações do Centro de Memória – Unicamp, 1996. LORETTE, Antonio C.R. Lidgerwood Manufacturing Company LimitedCampinas, 1991, Dissertação. Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, USP. BRITTO, Luciana D. Museu da Cidade: arte, história, espetáculo. Campinas, 2008, Dissertação. Faculdade de Artes da Unicamp. HARVEY, David. “Modernidade e Modernismo”. In A Condição PósModerna. Rio de Janeiro: Edições Loyola, 1993.


LIVROS, TESES E TEXTOS

Processo nº 003, de 17/01/89 – Estudo de Tombamento da Lidgerwood Manufacturing Ltda. Campinas, CONDEPACC. Processo nº 001, de 1989 – Complexo Ferroviário de Campinas. Campinas, CONDEPACC.

BUZZAR, M. O novo brutalismo. São Paulo. FAU/USP, 1996. http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=12372&sigl a=Legislacao&retorno=paginaLegislacao- Carta de Atenas - CIAM Novembro de 1933. http://portal.iphan.gov.br/portal/montarPaginaSecao.do?id=12372&sigl a=Legislacao&retorno=paginaLegislacao -Carta de Veneza - Maio de 1964.


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Museu da cidade  

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