Roger Ballen | My Mind is a Cage | Exhibition Catalogue

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Man Drawing Chalk Faces, 2000 from the “Shadow Chamber” series




10.07 | 10.10.21

CURADORIA / CURATORSHIP ÂNGELA FERREIRA



“My Mind is a Cage” é um lugar onde as diferentes componentes da minha fotografia e instalação se encontram, um lugar onde tudo é possível. Cada quarto desta antiga prisão no Porto, onde hoje fica o Centro Português de Fotografia, representa um aspecto importante da minha estética. Trabalhando a partir da metáfora da mente como casa, o espectador é guiado por um caminho de analogias entre imagens, da escuridão à luz, do porão ao sótão. Roger Ballen

Sgt. F. de Bruin, Department of Prisons Employees, OFS, 1992 from the “Platteland” series

“My Mind is a Cage” is a place where the different parts of my photography and installation art come together, a place where all things are possible. Each room in this old jail in Oporto, now the house of the Centro Português de Fotografia, represents an important aspect of my aesthetic. Working from the metaphor of the mind as a house, the viewer is guided along a path of association based on analogies between images, from darkness to light, from cellar to attic”. Roger Ballen



MY MIND IS A CAGE ROGER BALLEN O Centro Português de Fotografia acolhe entre 10 de julho e 10 de outubro de 2021, no edifício da Antiga Cadeia e Tribunal da Relação do Porto, a exposição My Mind is a Cage, do aclamado fotógrafo norte-americano Roger Ballen.

The Centro Português de Fotografia hosts from July 10th to October 10th, 2021, in the old building that once was the Prison and Court of Appeal of the city of Oporto, the exhibition My Mind is a Cage, by the acclaimed North American photographer Roger Ballen.

Trata-se de uma exposição inédita em Portugal que apresenta as principais séries do autor, realizadas entre 1980 e 2020, e revela algumas imagens iconográficas da sua trajetória artística de quase 50 anos, transportando o visitante para um enigma de metamorfoses reais e simbólicas.

This is an unprecedented exhibition in Portugal that presents the author's main series, held between 1980 and 2020, and reveals some iconographic images of his artistic trajectory of almost 50 years, transporting the visitor to an enigma of real and symbolic metamorphoses.

Roger Ballen é conhecido por evocar o absurdo da condição humana e por criar imagens perturbadoras e inesperadamente familiares que são o reflexo de uma jornada psicológica e pessoal pelos interstícios da mente. Ao longo da sua carreira, somam-se imagens icónicas que realizou em lugares ruinosos, habitados por pessoas que vivem, de forma extrema, à margem da sociedade.

Roger Ballen is known for evoking the absurdity of the human condition and for creating disturbing and unexpectedly familiar images that reflect a psychological and personal journey through the labyrinths of the mind. Throughout his career, there are also iconic images that he made in ruinous places, inhabited by people who live, in an extreme way, on the margins of society.

O objetivo de Ballen sempre foi o mesmo: questionar o significado da existência humana. Para Ballen, a “arte mais importante é aquela que se implanta dentro do subconsciente humano”.

Ballen's aim has always been the same: to question the meaning of human existence. For Ballen, “the most important art is that which is implanted within the human subconscious”.

Cat Catcher, 1998 from the “Outland”series


UMA VIAGEM ÀS PROFUNDEZAS DA MENTE A JOURNEY INTO THE DEPTHS OF THE MIND

Com curadoria da portuguesa Ângela Ferreira, a exposição explora enigmáticos temas e séries do artista e dá a conhecer cerca de 50 imagens, vídeos e desenhos de Roger Ballen. Trata-se de uma produção única e experimental exclusivamente projetada para o Centro Português de Fotografia e parte de um sonho antigo de Roger Ballen em apresentar a obra nas distintas celas do antigo edifício da Cadeia e Tribunal, sendo ali criada uma verdadeira experiência imersiva, com a divisão das celas em quartos de prisioneiros que albergam as várias séries do autor. Apesar da diversidade da obra de Ballen, as suas fotografias mantêm unidade ao serem tanto associadas à estética do grotesco, quanto impregnadas de surrealismo. No universo que o próprio designa de “Ballenesque”, as imagens conduzem-nos para uma galeria submersa, tanto psicologicamente como geologicamente, albergando uma coleção de sombras e vestígios de um tempo perdido e de um lugar secreto. Nos primeiros trabalhos em exposição, a sua ligação à tradição da fotografia documental é notória, mas ao longo dos anos 90 desenvolveu um estilo que descreve como “ficção documental”. A partir de 1995, com a série “Outland”, Ballen passou a desenvolver imagens fundamentadas nas teorias junguianas, que resultaram no que seria a principal transformação do seu trabalho, quando Ballen deixou a fotografia documental para investir na criação de imagens híbridas, que mesclam realidade e ficção, o documental e o teatral, o “simples” retrato e o “tableau”, como meio de autodescoberta e autocompreensão. No ano 2000, as primeiras pessoas que descobriu e documentou vivendo à margem da sociedade sul-africana tornaram-se progressivamente o elenco de atores com quem Ballen trabalhou na série “Outland”


(2001) e “Shadow Chamber” (2005), colaborando na criação de perturbadores psicodramas. A linha entre fantasia e realidade, nas séries “Boarding House” (2009), “Asylum of the Birds” (2014), “Ballenesque” (2014) e “The Theatre of Apparitions” (2016), tem-se tornado cada vez mais indefinida e o autor passa a utilizar desenhos, pinturas, colagens e técnicas de escultura para criar cenários elaborados e complementados pelos imprevisíveis comportamentos dos animais que aparecem fotografados num instante de observação. À questão da busca do significado da fotografia, o autor afirma que é "um fim sem fim", um quebra-cabeças sem solução. Mas enquanto permanecer a trabalhar, vai continuar a procurar respostas e novos caminhos para expressar as suas visões. “My Mind is a Cage”, no Centro Português de Fotografia, Porto, promete chocar, inspirar, divertir e até exaltar os visitantes. · Curated by the Portuguese curator Ângela Ferreira, the exhibition explores Ballen's enigmatic themes and series and presents around 50 images, videos and drawings by the artist. This is a unique and experimental production exclusively designed for the Centro Português de Fotografia and comes from an old dream of Roger Ballen to present his work in the different cells of the old Jail and Court, inviting the visitor to a true immersive experience, with the division of cells into prisoner's rooms that house the author's various series. Despite the diversity of Ballen's work, his photographs maintain unity as they are both associated with the aesthetics of the grotesque and imbued with surrealism. In the universe that he calls “Ballenesque”, the images lead us to a submerged gallery, both psychologically and geologically, housing a collection of shadows and traces

of a lost time and a secret place. In the first works on display, his connection to the tradition of documentary photography is notorious, but over the 90s he developed a style that was described as “documental fiction”. From 1995, with the “Outland” series, Ballen started to develop images based on Jungian theories, which resulted in what would be the main transformation of his work, when Ballen left documentary photography to invest in the creation of hybrid images, which mix reality and fiction, the documentary and the theatrical, the “simple” portrait and the “tableau”, as a means of self-discovery and self-understanding. In the year 2000, the first people he discovered and documented living on the fringes of South African society progressively became the cast of actors with whom Ballen worked on the series “Outland” (2001) and “Shadow Chamber” (2005), collaborating on the creation of disturbing psychodramas. The line between fantasy and reality, in the series “Boarding House” (2009), “Asylum of the Birds” (2014), “Ballenesque” (2014) and “The Theatre of Apparitions” (2016), has become increasingly blurred and the author starts using drawings, paintings, collages and sculpture techniques to create complex scenarios complemented by the unpredictable behavior of animals that appear photographed in an instant of observation. Questioned about the search for the meaning of photography, the author states that it is "an endless end", an unsolvable puzzle. But as long as Ballen keeps working, he will continue to look for answers and find new ways to express his visions. “My Mind is a Cage”, at the Centro Português de Fotografia, Oporto, promises to shock, inspire, amuse and even elate visitors. Ângela Ferreira, Curadora / Curator


My Mind is a Cage é uma viagem existencial psicológica através da própria mente. Neste jogo, vemos o que os olhos de Roger Ballen veêm em flagrante delito, permitindo-nos decifrar os seus códigos visuais e compreender o significado do seu estilo único, inimitável e imediatamente reconhecível. É precisamente neste tempo tão conturbado, em que a ilusão se instala como uma outra dimensão da vida, que se desenrola o mundo de Ballen, que nos revela um retrato perturbador do qual emerge ternura, espanto e uma lufada de irrealidade.

My Mind is a Cage is a psychological existential journey through one’s own mind. In this game, we see what Roger Ballen's eyes see in flagrante delicto, allowing us to decipher his visual codes and to understand the meaning of his unique, inimitable and immediately recognizable work. It is precisely at this time of turmoil, when illusion appears as another dimension of life, that Ballen's world unfolds to reveal a disturbing portrait that emerges with tenderness, astonishment and a breath of unreality.

Senhoras e Senhores bem-vindos ao universo “Ballenesque” !

Ladies and gentlemen welcome to the “Ballenesque” universe !

Twirling Wires, 2001 from the “Shadow Chamber” series






Prowling, 2001 from the “Outland”series

Eugene on the Phone, 2000 from the “Outland”series


Lunchtime, 2001 from the "Shadow Chamber" series

One Arm Goose, 2004 from the "Shadow Chamber" series




Mimicry, 2005 from the “Boarding House” series

Bite, 2007 from the “Boarding House” series


Cornered, 2004 from the “Boarding House” series

Confinement, 2003 from the “Boarding House” series





Untitled , 2014 from “The Rats” series

Jump, 2009 from “The Rats” series




Otherworld, 2016 from “The Rats” series

Bubble Bath, 2016 from “The Rats” series


Caught, 2016 from “The Rats” series

Imprisoned, 2014 from “The Rats” series






Five Hands, 2006 from the “Asylum of the Birds” series

Threat, 2010 from the “Asylum of the Birds” series


Caged, 2011 from the “Asylum of the Birds” series

Homage, 2011 from the “Asylum of the Birds” series




Nostalgia, 2010 from the “Asylum of the Birds” series

Take Off, 2012 from the “Asylum of the Birds” series


Memento Mori

Ano / Year: 2005 Duração / Running time: 15 min.

“I Fink U Freeky” by Die Antwoord Ano / Year: 2012 Duração / Running time: 3:55 min.

Asylum of the Birds

Ano / Year: 2014 Duração / Running time: 6:22 min.

Outland

Ano / Year: 2015 Duração / Running time: 4:49 min.

Theatre of Apparitions

Ano / Year: 2016 Duração / Running time: 5:00 min.

Theatre of the Mind

Ano / Year: 2016 Duração / Running time: 2:09 min.

Ballenesque

Ano / Year: 2017 Duração / Running time: 5:12 min.

No Exit

Ano / Year: 2018 Duração / Running time: 5:24 min. Todos os vídeos por / All videos by Roger Ballen


Stare, 2008 from “The Theatre of Apparitions” Series


ROGER BALLEN é um dos mais importantes

fotógrafos do século XXI e a sua carreira estende-se ao longo de 50 anos. Ballen é fortemente conhecido pelas suas imagens psicológicas, poderosas e magistralmente compostas, que circulam no espaço entre a pintura, o desenho, a instalação e a fotografia. Nasceu em Nova Iorque em 1950 e vive na África do Sul há cerca de 35 anos. O seu trabalho como geólogo levou-o para o meio rural para explorar o mundo secreto das pequenas localidades sul-africanas. Estes interiores, com os seus distintivos acervos de objetos e os seus ocupantes, levaram a formar a sua visão única numa trajetória que vai desde a crítica social até à criação de metáforas sobre o subconsciente.

Roger and the Inner Voices, 2015 por / by Marguerite Rossouw

O autor expôs individual e coletivamente em diversas instituições, tais como George Eastman House, Rochester, exposição retrospetiva nomeada finalista na categoria de Melhor Exposição de 2010 do Lucie Awards, considerado o Óscar da Fotografia; Berlin Biennial; PhotoEspaña, Madrid, onde recebeu o Prémio de Melhor Livro em 2001; State Museum of Russia, São Petersburgo; Triennale, Milão; Fondation Cartier, Paris; Rencontres de La Photographie d’Arles, onde foi selecionado como fotógrafo do ano de 2002. As fotografias de Roger Ballen fazem parte de coleções tais como as do MoMA de Nova Iorque; Centre Georges Pompidou, Paris; Maison Européenne de la Photographie e Musée Nicéphore Niépce, França; Fotomuseum, Munique; Victoria & Albert Museum, Londres; Stedelijk Museum, Amsterdão; Museu de Fotografia de Fortaleza; Cafa Art Museum, Pequim, entre outros.


ROGER BALLEN is one of the most important photographers of the 21st century and his career spans over 50 years. Ballen is well known for his powerful and masterfully composed psychological images that circulate in the space between painting, drawing, installation and photography. Born in New York in 1950, he has lived in South Africa for about 35 years. His work as a geologist took him into the countryside to explore the secret world of small South African towns. These interiors, with their distinctive collections of objects and their occupants, led to the formation of his unique vision in a trajectory that ranges from social criticism to the creation of metaphors about the subconscious. The author has exhibited individually and collectively at various institutions such as George Eastman House, Rochester, a retrospective exhibition nominated as a finalist in the category of Best Exhibition of 2010 at the Lucie Awards, considered the Oscar of Photography; Berlin Biennial; PhotoEspaña, Madrid, where he received the award for Best Book in 2001; State Museum of Russia, St. Petersburg; Triennale, Milan; Foundation Cartier, Paris; Rencontres de La Photographie d'Arles, where he was selected as photographer of the year 2002.

www.rogerballen.com

Roger Ballen's photographs are part of collections such as the New York MoMA; Center Georges Pompidou, Paris; Maison Européenne de la Photographie and Musée Nicéphore Niépce, France; Fotomuseum, Munich; Victoria & Albert Museum, London; Stedelijk Museum, Amsterdam; Fortaleza Photography Museum; Cafa Art Museum in Beijing, among others.


OBRAS EXPOSTAS EXHIBITED WORKS

ROOM OF THE PRISIONERS Sgt. F. de Bruin, Department of Prisons Employees, OFS, 1992 from the “Platteland” series Dresie and Casie, Twins, W. Tvl., 1993 from the “Platteland” series Twirling Wires, 2001 from the “Shadow Chamber” series Puppy Between Feet, 1999 from the “Outland” series Man Drawing Chalk Faces, 2000 from the “Shadow Chamber” series Cat Catcher, 1998 from the “Outland” series Prowling, 2001 from the “Outland” series Eugene on the Phone, 2000 from the “Outland” series Show Off, 2000 from the “Outland” series Tommy, Samson and a Mask, 2000 from the “Outland” series Exhaustion, 2006 from the “Shadow Chamber” series Lunchtime, 2001 from the “Shadow Chamber” series One Arm Goose, 2004 from the “Shadow Chamber” series Girl in White Dress, 2002 from the “Boarding House” series Eulogy, 2004 from the “Boarding House” series Mimicry, 2005 from the “Boarding House” series Bite, 2007 from the “Boarding House” series Head Below Wires, 1999 from the “Outland” series


Confinement, 2003 from the “Boarding House” series

Untitled Ratu, 2014 from “The Rats” series

Recluse, 2002 from the “Boarding House” series

Untitled, 2014 from “The Rats” series

Dejected, 1999 from the “Outland” series

Caught, 2016 from “The Rats” series

Cornered, 2004 from the “Boarding House” series

ROOM OF THE MIND

Elias Coming Out from Under John's Bed, 1999 from the “Outland” series

Take Off, 2012 from the “Asylum of the Birds” series

Fragments, 2005 from the “Boarding House” series

Homage, 2011 from the “Asylum of the Birds” series

Vase and the Skull, 2005 from the “Boarding House” series

Caged, 2011 from the “Asylum of the Birds” series

Room of the Ninja Turtles, 2003 from the “Shadow Chamber” series

Ethereal, 2011 from the “Asylum of the Birds” series

Cloaked Figure, 2003 from the “Platteland” series

Suspended, 2012 from the “Asylum of the Birds” series

Les Hammering into Wall, 2000 from the “Outland” series

Headless, 2006 from the “Asylum of the Birds” series

ROOM OF THE RATS

Funeral Rites, 2004 from the “Boarding House” series

Jump, 2009 from “The Rats” series

Artist, 2013 from the “Asylum of the Birds” series

Dogfellows, 2014 from “The Rats” series

Serpent Lady, 2009 from the “Asylum of the Birds” series

Otherworld, 2016 from “The Rats” series

Five Hands, 2006 from the “Asylum of the Birds” series

Bubble Bath, 2016 from “The Rats” series

Threat, 2010 from the “Asylum of the Birds” series

Infested, 2014 from “The Rats” series

Nostalgia, 2010 from the “Asylum of the Birds” series

Chucked Out, 2013 from “The Rats” series

ROOM OF PROJECTIONS

Untitled, 2014 from “The Rats” series

Stare, 2008 from “The Theatre of Apparitions” series

Imprisoned, 2014 from “The Rats” series


SOBRE AS SÉRIES ABOUT THE SERIES

PLATTELAND Platteland, palavra de origem africana, traduz “flatlands” para se referir às paisagens remotas da África do Sul e é a série mais perturbadora e controversa de Ballen. O termo não só remete para uma descrição geográfica, como expressa o carácter monótono e até brutal da paisagem, revelando um estado mental particular sobre a mitologia africana. Nas paisagens daquele país, o fotógrafo mergulha numa profunda pesquisa sobre os habitantes das comunidades brancas, marginalizadas e pobres, das zonas rurais. As fotografias são o retrato de um mundo onde os brancos dominam sem instrução e têm acesso privilegiado ao emprego e à habitação durante o Apartheid, revelando um universo de inquietação social e incerteza antes da nomeação de Nelson Mandela como presidente em 1994. Platteland, a word of African origin, translates “flatlands”, to refer the remote landscapes of South Africa and its Ballen's most disturbing and controversial series. The term not only refers to a geographical description, but also expresses the monotonous and even brutal nature of the landscape, revealing a particular mental state, about the African mythologies. In the landscapes of that country, the photographer immerses himself in a deep exploration of the inhabitants of the marginalized and poor white communities of rural areas. The resulting psychological portraits were perceived by the public as deeply disturbing, portraying a world where whites ruled without education and had privileged access to jobs and housing during Apartheid, revealing a universe of social unrest and uncertainty before Nelson Mandela's appointment as president in 1994.

OUTLAND Na série Outland, Ballen passa a construir composições híbridas nas quais o aspeto documental se mistura com


uma intenção ficcional, resultando em fotografias que incorporam um viés teatral. A partir de 1995, com a série Outland, Ballen passa a desenvolver imagens fundamentadas nas teorias junguianas, que resultaram no que seria a principal transformação do seu trabalho, deixando a fotografia documental para investir na criação de imagens híbridas, que mesclam realidade e ficção, o documental e o teatral, o “simples” retrato e os demoníacos “tableaux vivants”, como meio de autodescoberta e autocompreensão. In the Outland series, Ballen starts to construct hybrid compositions in which the documentary aspect is mixed with the fictional intention, which results in photographs that incorporate a theatrical vision. From 1995, with the Outland series, Ballen began to develop images based on Jungian theories, which resulted in what would be the main transformation of his work, leaving documentary photography to invest in the creation of hybrid images, which mix reality and fiction, the documentary and the theatrical, the “simple” portrait and the demonic “tableaux vivants”, as a means of self-discovery and self-understanding.

SHADOW CHAMBER No período de 2000 a 2013 o foco de Ballen mudou dramaticamente do universo físico para o mental, do exterior para o interior, abrindo lugar ao despertar das séries Shadow Chamber, Boarding House e Asylum of the Birds, que adivinham a transformação da sua estética. Aqui, Ballen explora as margens não fotografáveis da condição humana e recria lugares reais, ao mesmo tempo inquietantes, estranhos e impossíveis. As suas obras são cobertas de desenhos rabiscados, manchas e fios pendurados e estão repletas de adereços bizarros. Cães, coelhos, gatos e ratos vagueiam no quadro e são colocados em situações improváveis que resultam em alegorias de experiências vividas e surreais do destino humano.

From 2000 to 2013, Ballen's focus dramatically shifted from the physical to the mental world, from the outside to the inside, open space to the birth of the series Shadow Chamber, Boarding House and Asylum of the Birds, which predict the transformation of his aesthetic. Here, Ballen explores the unphotographable edges of the human condition and recreates real places, at once disquieting, strange and impossible. These walls are covered in scribbled designs, stains and hanging threads and are filled with bizarre props. Dogs, rabbits, cats and rats roam the frame and are placed in improbable situations that result in allegories of lived and surreal experiences of human destiny.

BOARDING HOUSE Durante cinco anos Ballen concentrou a sua atenção num lugar estranho e intrigante perto de Joanesburgo, que originou o nome da série: Boarding House. Habitada por trabalhadores pobres, transeuntes, criminosos foragidos, curandeiros, crianças e animais, as imagens pairam na linha ténue entre o sonho e o estado de vigília. As imagens de Boarding House atravessam as margens da fotografia documental com outras formas de arte como pintura, teatro e escultura. For five years Ballen focused his attention on a strange and intriguing place near Johannesburg, which gave rise to the name of this series: Boarding House. Inhabited by poor workers, passersby, criminals hidden from the law, healers, children and animals, the images hover on the fine line between the dream and the waking state. Boarding House images cross the margins of documentary photography with other art forms such as painting, theater and sculpture.

ASYLUM OF THE BIRDS As imagens preto-e-branco da série Asylum of the Birds foram fotografadas dentro dos limites de uma


casa nos subúrbios de Joanesburgo, cuja localização permanece como um segredo bem guardado. Os habitantes da casa, tanto as pessoas como os animais, em especial os pássaros, apresentam-se embrenhados num espaço teatral e escultural, criado e orquestrado por Ballen. Asylum of the Birds remete para o universo de Goya em Caprichos. É um “sueño de la razón”, que produz monstros: seres extraordinários, eventos prodigiosos. As imagens viajam ao longo de uma linha ténue onde o real encontra a ficção, a percepção transforma-se em miragem, e a ilusão em revelação.

In the series The Theater of Apparitions, Ballen dives deeper into his mind and reveals a new set of fictions, in which we can see the presence of paintings in his photographs, alluding to prehistoric cave images: the facial forms appear as fossils and parts of dismembered body that coexist uncomfortably with ghostly shadows. Timeless and innovative, earthly and supernatural, physical and spiritual, The Theater of Apparitions series awakens the viewer to a psychological drama constructed by infinite possibilities.

The black-and-white images from the Asylum of the Birds series were photographed inside the confined limits of a house on the outskirts of Johannesburg, whose location remains a well-kept secret. The inhabitants of the house, both people and animals, especially birds, are involved in a theatrical and sculptural space, created and orchestrated by Ballen. The Asylum of the Birds series refers to Goya's universe in Caprichos. It is a “sueño de la razón”, which produces monsters: extraordinary beings, prodigious events. Images travel along a fine line where real meets fiction, perception becomes a mirage, and illusion becomes revelation.

Ao longo de sua carreira Roger Ballen perseguiu um objetivo artístico singular: dar expressão à psique humana e explorar visualmente as forças ocultas que moldam a nossa existência. Um desafio central na sua trajetória tem sido descobrir o animal no ser humano e o ser humano no animal. Nesta série Ballen revela uma seleção de fotografias lúdicas e misteriosas nas quais ratos, humanos e adereços interagem. O resultado é uma visão arquetípica caracterizada pelo absurdo, caos, enigma, confusão e contradição que desafia uma interpretação simplista apresentando uma estética Ballenesque inconfundível.

THE THEATRE OF APPARITIONS Na série The Theatre of Apparitions, Ballen mergulha mais fundo na sua mente e revela um novo conjunto de ficções, na qual se assiste à presença de pinturas nas suas fotografias, aludindo a imagens rupestres pré-históricas: as formas faciais surgem como fósseis e partes de corpos desmembrados que coexistem desconfortavelmente com sombras fantasmagóricas. Intemporal e inovadora, terrena e sobrenatural, física e espiritual, a série The Theatre of Apparitions desperta o espetador para um drama psicológico construído por infinitas possibilidades.

THE RATS

Throughout his career, Roger Ballen has pursued a singular artistic goal: to give expression to the human psyche and visually explore the hidden forces that shape who we are. A central challenge in his career has been to locate the animal in the human being and the human being in the animal. In this series Ballen reveals a selection of playful and mysterious photographs in which rats, humans and props interact. The result is an archetypal vision characterized by absurdity, chaos, enigma, confusion and contradiction that defies simplistic interpretation by presenting an unmistakable Ballenesque aesthetic.

Still from the video Ballenesque, 2017 @ Roger Ballen


WE PHOTOGRAPH THINGS IN ORDER TO DRIVE THEM OUT OF OUR MINDS. Franz Kafka


FICHA TÉCNICA TECHNICAL DATA

Exposição / Exhibition “My Mind is a Cage”, Roger Ballen Apresentação / Presentation Centro Português de Fotografia, Porto Curadoria / Curatorship Ângela Ferreira Desenho Gráfico e Desenho Expositivo / Graphic Design and Exhibition Layout Terra Esplêndida Montagem e Iluminação / Mounting and Lightning Centro Português de Fotografia Assessoria de Impressa / Press Relations Terra Esplêndida e / and Centro Português de Fotografia Produção / Production Ângela Ferreira com a colaboração de / with the colaboration of Terra Esplêndida e / and Centro Português de Fotografia Impressão Fotográfica / Photographic Prints Lumen Impressão de Telas / Canvas Printing Pedro Leite Impressão de Brochura / Brochure Printing Escala 3

Todos os direitos reservados / All rights reserved © Roger Ballen

MECENAS OFICIAL:

APOIO:

PARCEIROS DE MEDIA:

MECENAS CPF:


Room of the Ninja Turtles, 2003 from the “Shadow Chamber” series