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escrita criativa

O Homem

(1) que copiava - Maria Novais e Vanessa Almeida (2) que engarrafava nuvens - Jorge Salgado, Rui Santos e Sandro Touil (3) que calculava - João Dias e José Fernandes (4) que fazia chover - Adriana Martins e Cátia Sequeira (5) impossível - Carlos Rénio e João Moreira (6) ‘beatbox’ - Sara Sardo e Vera Sardo

10º ano de Técnico de Apoio à Gestão Desportiva 1 / Português – M4 Professora - Teresa Sá


O homem que copiava

Há muito tempo atrás, havia um homem com a profissão de mimo. Gostava de fazer pouco das pessoas, imitando-as. Tinha uma certa piada mas, para as pessoas que estavam a ser gozadas, era sem dúvida bastante irritante.

Um certo dia o mimo meteu-se com a pessoa errada. Era uma pessoa de nome internacional.

Este sujeito ficou revoltado de tal maneira que o repreendeu. O mimo, ao passar por aquela vergonha, começou a chorar mas, como um verdadeiro mimo, chorou sem fazer o mínimo ruído. O sujeito importante sentiu, então, pena do homem e resolveu recompensar o seu profissionalismo contratando-o para a festa de anos do filho e ainda o elogiou pela sua capacidade de copiar tão bem os outros o que, se certa forma, até tinha a sua piada!

No dia do aniversário do filho do homem importante, o mimo fez tão bem o seu trabalho e com tanto sucesso que foi contratado para muitas mais festas das crianças ali presentes.

O mimo continuou mimo, respeitando mais outras pessoas e, se calhar também por isso, sendo respeitado cada vez por mais pessoas que se foram tornando seu público.

Maria Novais e Vanessa Almeida


O homem que engarrafava nuvens Era uma vez, numa terra longínqua, um homem colecionador de nuvens. Tinha estatura média, cabelo grisalho e roupas desgastadas. Vivia numa casa pequena e modesta, no meio da floresta. Tinha por hábito acordar cedo e tomar o pequeno almoço a olhar para as nuvens onde procurava a felicidade da sua infância. Recordava os tempos em que brincava com os seus amigos, sob a força e proteção de um sol radiante. Agora, tudo isto não passava de boas memórias. Tudo começara num dia... um dia, acordou e sentiu falta de algo. Estava perante uma obscuridade. O seu sol deixara de se ver em toda a sua pujança. Mas havia um pequeno feixe de raios resistentes a esta carapaça de nuvens que agora o envolvia. A partir desta descoberta, começou a sua busca para reencontrar a sua felicidade, isto é, para desocultar aquele que tinha sido seu companheiro de infância e lhe iluminara a corrida dos dias e os sonhos das noites. Passou dias e noites a inventar qualquer coisa que pudesse retirar essa obscuridade produzida pelas nuvens. Após anos intensos de pesquisa e tentativas falhadas, conseguiu inventar algo que pudesse sugar aquelas nuvens - o “engarrafadordenuvensinator” . E começou a caça às nuvens. Equipou-se com o seu aparelho - bem mais pequeno que o nome que lhe foi dado - e saiu, porta fora, procurando o lugar perfeito para sugar as nuvens. Era aquele. E não perdeu mais tempo. Após horas e horas a sugar nuvens, apareceram uns raiozinhos de sol, depois mais e mais. Este jogo dava-lhe mais esperança de ser capaz , de conseguir. Lutou contra as nuvens até ao último folego. Finalmente começou a ver o sol. Este, ao perceber que estava ali o seu amigo de longa data, ajudou-o também nesta luta. Apesar de cansados, conseguiram engarrafar as nuvens todas. Para que não voltassem a fugir e a cobrir o sol, todas foram guardadas num cofre que existia num hoje só tronco duma árvore daquela infância distante. A partir daqui, desapareceu a obscuridade. A luz da felicidade iluminou o resto da vida deste homem que dedicou muito do seu tempo a engarrafar nuvens apenas porque esse era o caminho para ser feliz! Finalmente era feliz a olhar o Sol.

Jorge Salgado, Rui Santos e Sandro Touil


O homem que calculava Num certo dia, um diretor de uma prisão deparou-se com um grave problema: a empresa que entregava a comida para os presidiários enganavase e entregava ou demasiadas refeições ou a menos. Este diretor apenas sabia disto, assim duma maneira geral porque também ele tinha um problema: não sabia contar. Tinha de resolver o problema. Teve, então, a brilhante ideia de contratar um sem abrigo para as contar. Este costumava pernoitar encostado ao portal da prisão e devia, portanto, este favor a este diretor. Chegou a carrinha do comer e lá foi o sem abrigo contar as doses individuais. Demorou mais de 10 horas para contar tudo. Os presidiários não aguentaram tanta espera e revoltaram-se. O diretor pôs o sem abrigo a andar e sem lhe pagar porque, dizia ele, também não sabia contar dinheiro nem como lhe havia de pagar as horas de trabalho gastas. E lá regressou o pobre ao seu estado inicial - sem trabalho, sem dinheiro, sem lugar onde cair vivo. Mas na prisão o problema mantinha-se. O diretor intimou um corrupto, preso, a desempenhar essa tarefa - contar o número de refeições transportadas pela carrinha. Era um sujeito conhecido que teve o azar de ter sido apanhado pelas malhas da justiça. Indignava-se porque afinal eles eram tantos e apenas ele ali estava. Mais indignado ficou quando se apercebeu que o seu diretor nera um iliterato. Não sabia nada de calculo. Não sabia nada de informática. Não sabia nada de nada. Perguntou-lhe como era possível viver assim. Ele respondeu que calculava como era difícil viver rodeado de tanto saber. - O seu problema é mesmo de cálculo ! Mas por defeito. Entende? retorquiu o preso. - Claro. Já a minha mulher me diz que tenho esse defeito: calcular.- e ria-se com o que dizia. - Calculo como deve ser infeliz... - comentou o preso. - Não sou não! - e sorria, bonacheirão. - Pronto. São 675 refeições. - disse o preso. - O quê? Você já contou isso tudo? Calculo que seja... E todos os presentes sorriram, como quem não quer a coisa. Todos menos o diretor que fez de conta que não tinha percebido a piada. Sentindo-se ridículo, à noite, com os seus botões, tomou a decisão de aprender a contar. Dito e feito. E ninguém mais o enganou com trocas e baldrocas. Efetivamente quando agora ele dizia ‘calculei’, queria mesmo dizer que tinha feito cálculos matemáticos. Ganhou-lhe o gosto e, hoje em dia recrutava presidiários para contarem as refeições porque se tornou num incorrigível viciado de sudoku. Como diria a minha avó: nem oito nem oitenta ! João Dias e José Fernandes


O homem que fazia chover

Era uma vez um mendigo que tinha um dom: fazer chover. As gotas de água pareciam lágrimas.

O mendigo não tinha casa. Ia buscar a roupa ao lixo. A comida, ele pedia-a na rua. O que ele tinha de mais importante era um amor. Não um amor qualquer. Um amor impossível: era completamente apaixonado pela filha da rainha que governava o seu reino.

Um dia, ele fugiu e partiu para a floresta negra em que se perdeu. Durante o caminho encontrou uma fada a quem contou as suas mágoas. Esta, depois de o ouvir, sentiu pena dele porque uma pessoa tão bondosa como ele, pobre mas com grande coração, devia ter também o direito de ser feliz. Fezlhe, então, uma proposta: ele teria que passar alguns obstáculos para poder ficar com a sua amada. A princesa também gostava dele mas devido a ele não ser um príncipe não poderia realizar este amor.

Ele teve de ultrapassar enigmas, feitiços, combates e até encantamentos. Quando ele achava não ter mais força, o amor falava-lhe mais alto e ele conseguia ultrapassar tudo. No final, a fada concedeu-lhe um desejo e ele, sem qualquer hesitação, diz que quer ser feliz com a princesa. Nesse exato momento tudo mudou. Ele tornou-se num príncipe, sentado num cavalo branco onde poderia ir pedir a sua amada em casamento.

E assim fez. No dia do casamento ele estava tão feliz que quando deu um beijo à princesa choveu, gotas de água que eram lágrimas mas de alegria, pétalas de rosas que cobriram os noivos. Um sinal de felicidade e de união.

E foram felizes para sempre.

Adriana Martins e Cátia Sequeira


O homem impossível

Era uma vez um explorador espacial que tinha como objetivo encontrar um planeta desconhecido. Este explorador construiu uma nave espacial e partiu para a aventura. No primeiro dia parou para beber uma cerveja e comer uma tosta no restaurante “O Espaço”. Aqui, encontrou um velho que era muito sábio. O velho começou a falar para o explorador e perguntou-lhe para onde ia.

- À procura do desconhecido - respondeu. - É impossível encontrar o desconhecido - retorquiu o velho. - Impossível é não ter nada de desconhecido para procurar! E o explorador convidou-o a ir consigo. E assim foi: o velho e o explorador foram à procura do desconhecido. No segundo dia, a nave do explorador avariou. O velho, como era muito sábio, sabia o que tinha acontecido à nave. Mas ele queria testar as capacidades do explorador e, por isso, deixou que ele tentasse resolver o problema sozinho. No terceiro dia a nave ainda estava avariada. O explorador arranjou forças para, finalmente, concertar a nave. Então, o velho e o explorador partiram em direção ao desconhecido.

Ao sexto dia de expedição, o explorador e o velho chegaram ao desconhecido.

O velho, entre o incrédulo e um pressentimento de que teria havido ali mão divina, deu os parabéns ao explorador. Chamou-lhe “Homem Impossível” porque ele tinha conseguido atingir o seu objetivo de vida, aparentemente impossível. Sempre em viagem, foram felizes, na rota do impossível.

Carlos Rénio e João Moreira


O homem ‘beatbox’

Era uma vez uns apresentadores de televisão, que procuravam jovens com talento inédito em Portugal. Pretendiam levá-los mais longe, na sua carreira profissional.

Incansáveis, viajavam de cidade em cidade, à procura de talentos escondidos. A seleção consistia apenas em escolher os “melhores”, independentemente da sua área (ginástica, dança, musica).

Após várias viagens, a última “rebuscagem” foi no Porto. Aí, encontraram o Filipe. Um rapaz aparentemente tímido e pouco falador. Só queria mostrar o seu talento incrível. Era um homem beatbox.

Encontrados os melhores de cada cidade, passaram às galas televisivas, onde estavam a competir todos contra todos e sujeitos às votações habituais.

Filipe, de dia para dia ia deixando os apresentadores boquiabertos com a sua prestação. No dia da final, o seu desempenho foi deslumbrante: sozinho, deu um concerto como se de uma banda se tratasse. Acabou por ganhar o programa. O prémio serviu para apostar na sua carreira profissional. Aperfeiçoou-se. Trabalhou. Foi vencendo, degrau a degrau.

Hoje é famoso e convidado para ser cabeça de cartaz e atuar em discotecas de nomeada. Chamam-lhe o ‘Homem beatbox’.

Sara Sardo e Vera Sardo

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