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Se começarmos por Julian Edge, ele distingue três tipos de erros − slips, errors e attempts − baseados essencialmente na perspectiva do professor. Slip (escorregadela, deslize) é um desvio que o professor pensa que o aluno consegue autocorrigir; error (erro) é um desvio que o professor pensa que o aluno não consegue autocorrigir, embora creia que a turma ou parte dela conhece a forma correcta; attempt é uma 'tentativa' de o aluno exprimir algo para o qual ainda não aprendeu o vocabulário e as estruturas necessárias; é tudo o que não é claro, é tudo o que não se entende completamente porque não se percebem as estruturas e os vocábulos que o aluno está a usar. É uma tentativa de voar mais alto. É tentativa porque o aluno se esforça, não desiste, segue em frente, porque sabe que é a sua única hipótese de tentar dizer o que pensa, de tentar comunicar.

Por outro lado, Edge considera que os erros mais importantes são os que afectam o sentido e a comunicação. Curiosamente, ele diz que falar correcta e educadamente é muito mais importante do que ser formalmente correcto. Porquê? Porque os nativos mais facilmente ignoram ou desculpam um erro gramatical do tipo How much was this? para perguntar um preço, do que um erro 'social' ou de register do tipo I want ou Give me the red pullover (em vez de I'd like) dito para uma empregada duma loja, por exemplo. Portanto, Edge considera que é mais difícil desculpar um erro desta natureza, porque ele é considerado ofensivo e shocking (!). É que os nativos encaram estas formas educadas (polite forms) como espontâneas e naturais. Talvez para eles!!! Assim, ser educado pode ser mais importante do que ser linguisticamente correcto; o que faz com que seja fundamental aprender a linguagem mais adequada à situação e ao interlocutor, ou seja, o register.

Como diz Otto Jespersen, citado por Lindley Cintra 7, 'falar correcto significa o falar que a comunidade espera, e erro em linguagem equivale a desvios desta norma'. Por isso, 'linguísticamente correcto' é o que a comunidade em que estamos inseridos nos exige, e 'linguísticamente incorrecto' é tudo o que difere disso. 7CINTRA, Luis F. Lindley e CUNHA, Celso, Breve Gramática do Português Contemporâneo, p. 3-4, Edições João Sá da Costa, Lisboa, 1993.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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