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CONCEITO DE ERRO

Há conceitos que adquiri quando fiz a Didáctica do Inglês6. Outros já conhecia, defendia e adoptava. Entre os que considero mais relevantes para a abordagem da problemática do erro, incluo: •

you can´t learn without goofing (H. H. Stern);

o erro faz parte da aprendizagem duma língua estrangeira, ele é inevitável e necessário (Pit Corder);

o erro deve ser encarado como resultado do processo criativo que é aprender uma língua estrangeira, daí que ele deva ser encarado com mais tolerância (Pit Corder);

em qualquer fase da aprendizagem da língua alvo, o aluno possui uma 'linguagem' pessoal, individual, própria, a que Selinker chamou interlanguage.

Posteriormente, quando iniciei a leitura de Julian Edge, deparei com um alargamento de um dos conceitos já mencionados − o erro faz parte da aprendizagem e a correcção é parte integrante do ensino. Creio que qualquer professor de língua estrangeira (L2) aceita isto sem discussão, não pondo, por isso, em causa a veracidade do conceito. Na minha óptica, o problema que ele levanta de imediato, e que é de solução mais ou menos difícil, é o seguinte: como conseguir dosear ambas as facetas do conceito duma forma sensata e equilibrada? Como é que cada um de nós, professores de língua estrangeira, estabelece os limites entre os erros que devem ser corrigidos e os que não devem ser corrigidos? Que critérios definimos para tomar tal decisão? Deverá ser uma decisão de grupo, individual, ou um misto de ambas? Tentarei responder a estas questões em capítulos posteriores dedicados às atitudes perante o erro e às estratégias de correcção.

Mas afinal o que é o erro? O erro é todo ele igual, ou há diferentes tipos de erros? Como se pode defini-lo? Em que perspectivas pode ser analisado? Convém começar por dizer que os tipos de erro, as respectivas designações e as perspectivas em que podem ser encarados variam de autor para autor, embora com diferenças pouco significativas.

6Universidade Aberta, Programa de Formação Contínua de Professores, 1992-93

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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