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CONCLUSÃO Chegada ao fim do longo capítulo anterior, e do trabalho que me propus, invadiu-me a sensação de ter(mos) aqui elementos mais que suficientes para meditação − food for thought. Meditar sobre todos estes aspectos implica poder constantemente aperfeiçoar as nossas técnicas de ensino, implica (continuar a) tornar toda a nossa estratégia de ensino cada vez mais aliciante, mais tolerante, mais benevolente, e mais humana, porque cada vez mais dirigida para e centrada no aluno. Mas mais tolerante e benevolente sem extremismos, sem exageros, com moderação, com sensatez, com common sense. Implica, assim, alterar a nossa estratégia no sentido de cada vez mais responsabilizar os alunos pela sua aprendizagem, pedindo-lhes sugestões de actividades a empreender e estratégias a seguir, de matérias e temas a abordar. Tudo com 'conta, peso e medida'. E, sempre que possível, relacionado com o que estamos a dar e temos de dar, pois paira sempre sobre nós um fantasma chamado programa25. Por outro lado, temos de encarar estas interlanguages com que contactamos no dia-a-dia como testemunhos concretos de aprendizagem, como etapas necessárias e saudáveis de aprendizagem. E temos de pensar que os erros, que são parte integrante dessas interlanguages, representam uma estratégia de aprendizagem, representam evolução, porque resultam de formulações de hipóteses e de experimentação (trial and error), de tentativas para avançar. Eles são inevitáveis e necessários, e a sua correcção é um meio de que nos servimos para alcançar um fim − a descoberta da regra ou conceito correcto, uma etapa no longo percurso rumo à fluência e à accuracy. Por conseguinte, temos de deixar de os encarar pela negativa (se é que ainda o fazemos). Temos de deixar de pensar que os erros estão unicamente associados a falta de interesse ou de motivação, a falta de sensibilidade para a disciplina, a falta de atenção, etc., como muitas vezes nos pode parecer. Temos

25Aconselho a leitura/consulta do livro Lessons from the Learner - Sheelagh Deller - Longman, 1990, em cuja Introdução se diz: '...one objective of this book is... how to create situations in which the learners can contribute, initiate, control, and create what happens in the classroom'. Na secção 1 diz-se ainda: 'If the students are given opportunities to make suggestions, it gives us as teachers feedback and it gives them more responsibility for their learning.' Portanto, o livro indica formas de os alunos poderem controlar em vez de serem controlados. A secção 2 sugere 'ways of applying student-generated activities to a coursebook'. As entradas a bold são da minha autoria.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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