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Tem-se constatado que quanto mais o ensino de uma L2 se aproximar da aprendizagem de uma L2 em ambientes informais, mais bem sucedido será. Mas para isso é necessário que se dê uma mudança de rumo, uma viragem completa. É preciso que haja uma maior preocupação com a comunicação em detrimento da gramática, porque quando aprendemos uma língua, temos como finalidade receber e transmitir/emitir mensagens, comunicar com os outros, exprimir ideias e sentimentos. E o conhecimento activo de uma língua só se adquire ouvindo e falando muito, dando muitos erros e valorizando a fluência em detrimento da accuracy. Daí que a correcção de (todos os) erros não ajude a aprender da maneira mais natural − objectivo primordial − pois tudo o que se aproxime da maneira como aprendemos a nossa língua materna só pode trazer benefícios.

Como é que aprendemos a língua materna? Não sendo constantemente corrigidos, dando muitos erros, utilizando a língua em contextos significativos, permanentemente formulando hipóteses e fazendo experimentação (trial and error), sentindo necessidade de cada vez mais meios para nos exprimirmos, adquirindo inconscientemente as estruturas e o vocabulário mais adequado às situações.

Não há dúvida de que muito se evoluiu neste sentido desde '82 (época em que Pit Corder defende estas ideias), acima de tudo porque se deu a viragem do ensino controlado pelo professor para o ensino centrado no aluno − learner-centered instruction, dum ensino estrutural para um ensino funcional e comunicacional.

Felizmente que assim foi, porque pertenço ao grupo dos que acham que a gramática se adquire até certo ponto 'por arrastamento'. Assim, não posso deixar de concordar em grande parte com Pit Corder quando diz que, se conseguirmos controlar correctamente os níveis das tarefas comunicativas, a gramática cuidará de si. Talvez tenha sido levada a pensar assim e, sempre que possível, a agir assim, por influência de 11 anos ininterruptos de estudo em inglês, em escolas inglesas ou americanas. Confesso que apenas senti necessidade da gramática quando comecei a ensinar, e fundamentalmente para explicar os porquês de coisas que para mim eram e são intuitivas.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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