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Mas será que devemos pensar apenas na perspectiva do ambiente formal de aprendizagem? Será correcto pensar que uma língua se aprende unicamente numa sala de aula? Não! Curiosamente, e confesso que contrariamente ao que eu imaginava, a grande maioria dos bilingues aprende uma língua estrangeira como segunda língua (English as a second language, por exemplo) num ambiente informal, de nativos conversando entre si ou com a pessoa que está a aprender. Na realidade, os alunos que aprendem uma segunda língua como língua estrangeira (English as a foreign language, por exemplo) constituem uma minoria entre os utilizadores de interlanguages ou sistemas aproximativos. O que, por sua vez, levou a pensar que as interlanguages desenvolvidas nestes dois ambientes distintos, informal e formal, seriam diferentes. E assim se verificou, em grande medida. A tal ponto que se pôs uma questão essencial - se as características da interlanguage variam de acordo com o ambiente/contexto (in)formal de aprendizagem, as idades dos alunos e diferenças na língua materna do aluno, qual o valor do conceito de interlanguage? Na realidade, ele só adquire valor desde que haja características formais comuns relevantes, qualquer que seja o ambiente de aprendizagem, e desde que os processos de desenvolvimento dos sistemas aproximativos sejam semelhantes.

Pit Corder diz que estudos feitos indicam que os sistemas aproximativos criados pelos alunos revelam semelhanças em determinadas circunstâncias, o que prova a existência de certos processos básicos em funcionamento aquando da aprendizagem de uma L2. Por outras palavras, os processos básicos geram semelhanças entre as interlanguages à medida que estas se vão desenvolvendo, especialmente as que resultam de situações de aprendizagem não estruturadas. (As semelhanças têm-se verificado fundamentalmente ao nível da sintaxe, sendo a fonologia e a fonética as áreas mais semelhantes à L1, consequentemente, são elas as áreas de maior influência/ interferência por parte da língua materna.) As variantes resultam de especificidades do local ou ambiente de aprendizagem, da língua em questão ou ainda da natureza do aluno. No aluno é a 'idade' o elemento relevante gerador de variações. Nas crianças tudo é mais limitado, desde as necessidades de comunicação e conhecimento da língua até à gama de estratégias de aprendizagem. Assim sendo, é provável que, quando expostas a uma segunda língua, elas desenvolvam sistemas aproximativos muito mais semelhantes.

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Reflexões sobre a problemática do erro  
Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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