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Analisemos agora a interlanguage numa outra perspectiva − como forma de comportamento e de linguagem não institucionalizada do ponto de vista social, portanto, como forma de comportamento e de linguagem que não possui 'normas' estabelecidas e aceites numa comunidade linguística, ponto de partida para que uma língua sirva de meio de comunicação numa sociedade. Porque as normas que se tentam alcançar são as da língua alvo, a interlanguage é um sistema aproximativo instável, dinâmico, de mudança muito rápida (linguagem das crianças), e não institucionalizado. A sua característica mais evidente é que, linguisticamente, ela é um sistema reduzido ou simplificado (como vimos anteriormente) quando comparado com as línguas institucionalizadas. Isto tem dois inconvenientes: a utilização que se faz das interlanguages é limitada do ponto de vista funcional, o que impossibilita um adulto de servir-se da sua interlanguage para resolver todos os actos de comunicação que faz habitualmente na sua língua materna; e a investigação teórica e metodológica das mesmas torna-se difícil.

Teoricamente falando, uma língua é um sistema socialmente estável, institucionalizado e relativamente bem definido que, embora sofrendo alterações por força da evolução geral e pela sua própria natureza dinâmica, são alterações lentas quando comparadas com as que sofrem os sistemas aproximativos dum aluno de L2.

Metodologicamente falando, é muito difícil reunir dados relativos à linguagem produzida pelos alunos em ambiente de sala de aula, porque a produção do aluno neste tipo de ambiente em geral não é nem espontânea, nem autêntica, nem natural, visto que ele está limitado por vários factores; e porque as situações criadas em ambiente formal são específicas, limitadas e mais ou menos artificiais. Por tudo isto, há pouca utilização e produção natural da língua na sala de aula. O que leva a concluir que a amostragem linguística que se obtém não é representativa dos verdadeiros conhecimentos do aluno, isto é, nem sempre corresponde aos seus conhecimentos reais, qualquer que seja a fase de aprendizagem em que ele esteja, por uma razão muito simples − o aluno frequentemente organiza a sua produção em termos do que é mais fácil para ele.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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