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Tentar perceber a razão de ser do reaparecimento de fenómenos linguísticos que se pensavam eliminados da produção do aluno pode levar à identificação de dados relevantes do processo de aprendizagem da L2 e à formulação de uma teoria psicolinguística da aprendizagem da mesma. Limitar-me-ei a abordar, em traços muito gerais, duas das teorias relacionadas com este último aspecto

E. Lenneberg diz que existe em cada cérebro humano uma estrutura linguística latente (outros autores denominam-na organização mental inata), que está adormecida e que é activada ou posta em funcionamento, quando tentamos aprender uma língua. Selinker, por sua vez, assume que, para além da existência da estrutura de Lenneberg, existe no cérebro uma estrutura psicológica latente − uma combinação de elementos geneticamente determinada, um esquema mental − diferente para a maioria das pessoas, esquema esse que não garante que a estrutura linguística latente seja activada, nem tão pouco 'concretizada', num acto de fala ou de escrita da língua que se está a aprender. Concretamente, essa combinação não garante o êxito de qualquer tentativa de aprendizagem.

Mas Selinker vai ainda mais longe e sugere que os adultos 'bem sucedidos' na aprendizagem de uma língua estrangeira − aqueles que atingem a competência do falante nativo, ou melhor, uma produção idêntica à do nativo, portanto, um êxito absoluto na aprendizagem (cerca de 5%) − apenas o conseguem porque devem activar a tal estrutura linguística latente. Não a atingem porque ela lhe seja ensinada. Porque ela não se ensina. Ela só pode ser adquirida em ambiente informal, não em ambiente de ensino formal. (Chomsky defende o mesmo ponto de vista quando diz que 'explicação e ensino' não permitem ultrapassar os conhecimentos rudimentares da estrutura gramatical duma L2.) Por fim, Selinker conclui que os tais 5% 'bem sucedidos' (que podem nem chegar a ter uma interlanguage) utilizam processos psicolinguísticos muito diferentes dos restantes 95%, os quais, no entanto, activam outras estruturas geneticamente determinadas sempre que tentam exprimir-se oralmente ou por escrito na língua estrangeira. Achei curioso. Aqui deixo para meditação!

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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