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esforçar-me mais, se o que sei já chega para me desenvencilhar? Agora é a vez de os outros se esforçarem para me entenderem!', um pouco na onda do que foi dito atrás. Por outro lado, não posso deixar de pensar que tem de haver falta de sensibilidade, ou falta de ouvido, ou falta de 'jeito para línguas', como se costuma dizer. Tenho dificuldade em conceber que uma pessoa que está em contacto diário, ou quase, com uma determinada língua, não se aperceba de certos erros. (Na verdade, não é possível explicar as causas da fossilização.) É ainda mais difícil conceber que se consiga conscientemente pôr ponto final na assimiliação de conhecimentos.

Seja como for, não creio que esta forma de fossilização (propositada (?), consciente (?) − é o que me apetece chamar-lhe) se possa alguma vez aplicar a alunos em ambiente de sala de aula, em ambiente de ensino formal, pois por muito pouca 'queda/veia' ou por muito pouco 'ouvido' que um aluno tenha para línguas, parece-me impossível que ao longo de n aulas nada se vá 'entranhando'. Parece-me absurdo que não haja uma certa mutação, uma certa evolução, por muito lenta que seja, nos seus conhecimentos.

Selinker diz ainda que existe fossilização quando determinados aspectos linguísticos persistem na interlanguage, independentemente da idade do aluno ou do número de horas de ensino na L2. Dá como exemplos, entre outros, o /r/ uvular francês que persiste na interlanguage do francês que aprende inglês; e o /r/ retroflexo do American English na interlanguage do americano que aprende francês.

As estruturas fossilizáveis têm tendência para permanecer em estado latente, e reaparecem quando menos se espera, ou seja, quando se pensava que já tinham sido erradicadas. Este aparecimento está geralmente associado a um confronto com uma matéria nova difícil, a um determinado estado psicológico (grande ansiedade, emoção ou excitação), a um estado de extremo relaxamento, ou até a uma breve interrupção/pausa na produção da L2. É o caso de slips elementares por parte de alunos de nível avançado − a omissão do (e)s na 3ª. pessoa do singular, ou uma troca entre um in/at temporal - in Christmas, por exemplo.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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