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continuar a actualizar os conhecimentos enquanto se justificar. Mas a partir do momento em que a pessoa se apercebe que a sua interlanguage grammar já lhe permite atingir os seus objectivos de comunicação com nativos, isto é, transmitir a sua mensagem, deixa de a actualizar. É nesse momento que se atinge a fase que Selinker denomina de fossilização, que mais não é que um ponto de estagnação. Como a fossilização implica uma paragem ou estagnação na aquisição de conhecimentos, evidentemente que ela é um fenómeno muito associado a pessoas que falam uma língua estrangeira e a certos grupos de emigrantes, cuja linguagem é um exemplo concreto de um sistema aproximativo estável. O mesmo se pode dizer de certas gírias ou sistemas utilitários (utility systems), próprios de determinados grupos 'profissionais' que têm necessidade de comunicar com estrangeiros de uma forma muito limitada, ou melhor, numa linguagem muito sintética. É o caso dos motoristas de táxi, empregados de bar e recepcionistas de hotel, por exemplo. E porque não mencionar o nosso caso, professores de línguas, que, com a dupla finalidade de pouparmos tempo e reduzirmos as nosss intervenções em favor dos alunos, recorremos muito frequentemente a uma linguagem bem própria e bem lacónica: St: Same? T:: Same. Short answer. Past. Todos nós conhecemos o caso de ingleses que sistematicamente trocam o género dos substantivos em português, criando situações e gaffes por vezes bem divertidas. É um exemplo nítido de fossilização. Mas o reverso da medalha também existe. É o caso de uma senhora portuguesa, com boa formação e bom nível cultural, que depois de n anos nos Estados Unidos persiste em dizer How much it was? sempre que pergunta um preço. E todos a entendem!!! E o caso de Barishnikov, o célebre bailarino russo radicado nos Estados Unidos há vinte anos, que há dias na televisão dizia, entre muitos outros slips ou mistakes (?!): 'The fact is that to born in a country...' !!!

Casos como estes dão-me que pensar. Confesso que me espantam! Como é possível? Atrevo-me a dizer que, por um lado, me parece estar-lhes subjacente uma certa dose ou forma de 'preguiça mental', mais ou menos (in)consciente, resultante de uma atitude ou 'filosofia' (?!!) do tipo 'para quê

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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