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does she do (for a living)?. Como diz Nickel, 'We all know that patterns learned first have priority over patterns learned at a later date because of the convenient simplicity of these first basic structures.' O que nos leva ao último factor; •

a simplificação, que consiste na criação de um 'sistema reduzido' da língua estrangeira. É um processo muito utilizado por crianças a aprender a língua materna e por quem aprende uma segunda língua, com o objectivo de facilitar a aprendizagem e o uso da língua. M. P. Jain chama-lhe a fase 'telegráfica'. Mas enquanto a criança chega a uma determinada fase e amplia o seu sistema reduzido, o adulto persiste no seu, não sai dele. E os erros ocorrem quando esse sistema diverge muito do sistema da língua alvo. Se, no entanto, a redução for selectiva e não violar muito o sistema da língua alvo, ocorrerão poucos erros. A redução/simplificação implica indução de regras, embora nem sempre as mais correctas; e as generalizações são o meio mais utilizado para 'reduzir/simplificar' a língua alvo. A omissão do artigo indefinido, considerar todos os verbos transitivos ou intransitivos, e utilizar a ordem das palavras das frases afirmativas nas interrogativas são exemplos deste tipo de processo.

Tendo presente que o termo interlanguage derivou do facto de estudos realizados terem revelado características comuns entre a língua estrangeira e uma outra, embora não necessariamente a língua materna, e tendo ainda presentes as possíveis características do conceito, atrás referidas, facilmente se depreende que o aluno cria a sua 'gramática pessoal' das estruturas da língua estrangeira, a sua interlanguage grammar24. Essa gramática é hipotética e instável, porque em desenvolvimento, e vai sendo gradualmente testada pelo aluno tanto do ponto de vista receptivo, interpretando o que ouve, como do produtivo, gerando os seus actos de fala. Quando as suas hipóteses são incorrectas, ele tem dificuldade em entender e fazer-se entender. Num ambiente de aula, segue-se um processo de negociação, de reformulação, de ajuda e/ou correcção. Tal não é exactamente o cenário real num ambiente informal, em que não é vulgar corrigir-se formalmente uma pessoa. Apenas se clarifica a mensagem. O que é suficiente para a pessoa em questão ter consciência das suas dificuldades. De todo este processo resulta a tendência natural para se

24Estudos feitos indicam que esta gramática é determinada em grande parte pelos conhecimentos linguísticos que o aluno já possui e pelo nível dos mesmos, visto que se sabe que a interpretação que damos a qualquer nova experiência é condicionada pelos conhecimentos adquiridos em experiências anteriores. Assim, quanto mais instruído o adulto, maior número de hipóteses terá disponíveis sobre a estrutura da segunda língua.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim