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Quando se recorre à correcção pela turma, o professor anota os erros mais relevantes e mais comuns que encontrou e escreve-os no quadro, o mais possível contextualizados, para serem corrigidos e, se necessário, explicados em conjunto. Uma variante curiosa e motivante é a de misturar frases correctas com incorrectas, o que tem dois objectivos distintos: primeiro, os alunos têm a hipótese de apreciar aquilo de que são capazes, o que é muito importante − é estimular pela positiva; segundo, permite ao professor avaliar até que ponto eles sabem distinguir entre 'correcto e incorrecto'. Este tipo de correcção tem um efeito curioso − alguns dos alunos revêem-se nas frases do quadro, comentam entre si que fizeram este ou aquele erro, e apercebem-se que têm companheiros de 'infortúnio', que não foram os únicos! Digam o que disserem, o mal dos outros sempre nos consola um pouco! Em contrapartida, os que vêem as suas frases correctas sentem uma certa satisfação.

Durante a correcção aos pares ou em grupos, o professor deve andar sempre a girar pela sala para dar qualquer ajuda pretendida e para ver como as coisas vão correndo.

O recurso à terceira e última técnica/estratégia − a correcção pelo professor − deve apenas ser utilizado quando nenhum aluno é capaz de corrigir um erro. O professor faz então a correcção e, se necessário, explica o porquê.

No que se refere à correcção dos attempts, as tais incursões aventureiristas que frequentemente geram grandes ambiguidades de sentido, para não dizer absurdos autênticos, perfeitamente indecifráveis (no entanto, meritórias, porque revelam desejo de dar o salto, de transpor certas barreiras, de andar para a frente, de evoluir), aconselho a sublinhar (utilizo um sublinhado ondulado) e a interrogar a parte em questão. Assim, o aluno é levado a tentar explicar o que pretendia dizer e podemos ajudá-lo a reescrever a frase de maneira diferente e compreensível. Pode ser estimulante, porque o centro das atenções da correcção fica muito mais no conteúdo do que na gramática.

Falando de conteúdo, há autores que aconselham a reescrita do texto depois de corrigido, ou melhor, depois de assinalados os erros, técnica que permite realçar a relevância do 'sentido' ou

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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