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O que acabei de dizer aplica-se, evidentemente, aos slips, que são aqueles que o aluno consegue autocorrigir. O que fazer, então, com os errors, com aqueles erros que o aluno não consegue corrigir?,

mas

alguns

colegas

provavelmente

conseguem?

É

necessário

recorrer

à

heterocorrecção. Uma vez mais, e tal como na oralidade, ela tem um papel extremamente importante e de grande utilidade. Como é que ela pode ser feita? Aos pares, em grupo ou a nível de turma.

Feita em pares, estimula a comunicação, que, tanto quanto possível, deve ser feita em inglês; mas se o não for, que é o mais natural, deixá-lo (!), pois temos de convir que já é bastante importante conseguir pôr dois alunos a discutir a língua e o seu funcionamento. Por outro lado, ambos os alunos aprendem um com o outro e mais facilmente identificam os erros um do outro. Duas cabeças em geral funcionam melhor do que uma!

Feita em grupo, estimula o espírito de cooperação e entreajuda. Existem algumas variantes: •

o professor limita-se a assinalar os erros da forma que entender, divide a turma em grupos e cada grupo corrige o trabalho de outro grupo, podendo eventualmente fazer uma apreciação/avaliação qualitativa conscienciosa. Esta será depois analisada pelo professor que, por sua vez, atribuirá a sua. Já tenho feito e é uma estratégia que agrada. A primeira vez, provoca nos alunos uma sensação de estranheza o facto de terem de avaliar colegas, mas no fundo dá-lhes um certo sentido de responsabilidade. Esta estratégia pode ainda assumir a forma de um concurso entre grupos, ganhando o grupo que tiver menos erros, ou melhor nota, por exemplo. Para certas faixas etárias é estimulante. O objectivo é o de misturar diversão com aquisição de accuracy;

o grupo não se limita a corrigir, tem também de explicar os erros. Para além de reduzir o trabalho do professor, esta técnica é mais benéfica para os alunos, porque reflectem sobre os porquês e discutem-nos, aprendendo de uma forma quase inconsciente, imperceptível. E permite ao professor continuar o seu trabalho de análise dos alunos que tem.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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