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Se concordarem, como eu, que a autocorrecção deve ser a estratégia prioritária de correcção do trabalho escrito, pergunto: 'Como é possível fazer autocorrecção quando o professor assinala e corrige tudo?' A nossa estratégia tem forçosamente de mudar! Uma coisa é assinalar, outra muito diferente é assinalar e corrigir. Limitemo-nos a assinalar para que os alunos tentem compreender o problema e saibam corrigi-lo. À semelhança do que fazemos nas actividades orais.

Tal como na produção oral, também na produção escrita o objectivo da correcção é envolver o aluno cada vez mais na análise da língua que está a aprender de modo a usá-la cada vez mais correctamente. Nada melhor do que a autocorrecção para permitir essa análise que, por sua vez, gerará (espera-se!) uma mais correcta aplicação de conhecimentos.

A escrita é um processo ainda mais complexo que a oralidade, pois se naquela podemos negociar o sentido a par e passo, nesta, a nossa mensagem tem de ser compreensível e clara logo à primeira. Exige-se à partida muito mais correcção e precisão gramatical e lexical. Em muitas situações da vida real, a compreensibilidade e a accuracy são valorizadas de forma idêntica. E tem de ser. Não se pode admitir uma carta de candidatura a um emprego de secretária, por exemplo, que seja 'inteligível' mas que contenha erros gramaticais e ortográficos. Como reagirá quem a analisa?!!! E o que dizer de um relatório anual da situação de uma empresa, para ser entregue à administração, compreensível mas contendo erros de vária natureza?!!!

Sendo a autocorrecção a estratégia prioritária, quando devolvemos um trabalho (acho importante que o façamos com a máxima brevidade), devemos apenas assinalar os erros, incidindo especificamente naqueles que são o ponto principal do treino (caso dum exercício mais controlado e limitado) ou, na ausência destes, em erros de menor gravidade ou mais do domínio do aluno, de modo a dar-lhe a possibilidade de conseguir corrigir-se. O trabalho de correcção individual deve ser feito no início da aula, para que os alunos se apercebam de que o professor considera importante que eles reflitam sobre o seu trabalho à medida que o revêem. No caso de erro(s) generalizado(s), o professor deve voltar a abordá-lo(s) de uma forma diferente, à semelhança do que se faz na produção oral.

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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