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A CORRECÇÃO DE ERROS NA PRODUÇÃO ESCRITA

A ser verdade aquilo que penso, isto é, que muitos de nós, professores de língua estrangeira, temos tendência para nos limitarmos à estratégia da 'correcção pelo professor', assinalando e corrigindo tudo ou quase tudo num trabalho escrito, estamos a agir no mau sentido e não estamos a beneficiar ninguém. Estamos a manter os alunos demasiado dependentes (de nós), fazendo-lhes a 'papinha' toda, ou quase! Não os estamos a obrigar a pensar sobre a engrenagem que é afinal uma língua, muito menos sobre as engrenagens que eles próprios produzem. Estamos a facilitar-lhes demasiado a vida, prejudicando-os e prejudicando-nos, pois acabam por levar mais tempo a tomarem consciência de certos erros repetitivos. Como têm tudo feito, limitam-se a reler superficialmente os trabalhos, não fazem uma análise séria dos mesmos 19. Se a fizessem, por forma a entenderem os erros, as causas e as soluções dos mesmos, estou certa que haveria um processo mais rápido de eliminação de alguns desses erros, que teimam em persistir.

Tenho praticado esta técnica, embora não a cem por cento. Por que razão ainda não abdiquei dela? Creio que tem sido mais uma questão de 'defeito do que de feitio', uma espécie de hábito. É evidente que estou sempre a tempo de mudar. E já mudei. Presentemente, caminho nesse sentido, porque é minha convicção que beneficiarei bastante mais os alunos. Já comecei a sentir ligeiros benefícios, mas ainda é um pouco cedo para tirar grandes conclusões.

Como disse no início do capítulo anterior, muitas das estratégias de correcção da produção oral aplicam-se à produção escrita, a começar pela autocorrecção, razão pela qual não pude deixar de levantar a questão com que abri o capítulo. Tem havido incoerência na minha actuação e possivelmente também há na de muitos colegas. Considero, por isso, que o assunto necessita de e merece uma séria reflexão por parte de alguns/muitos (?) de nós.

19Quando entrego um trabalho escrito, dou sempre tempo para o examinarem e tirarem quaisquer dúvidas. Em geral são poucos os alunos que me pedem esclarecimentos sobre as correcções ou fazem comentários às mesmas. Sou levada a concluir que entendem tudo, mas depois a prática vem contradizer as minhas deduções, pois sou constantemente confrontada com os mesmos erros!

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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