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na nossa própria língua, é importante ter consciência que falar como um nativo implica pausas, hesitações, imprecisões, 'tornear' imprecisões, autocorrecções, e até desvios à gramática! O que não acontece com um acto de fala numa sala de aula, onde tudo é mais ou menos controlado, onde há poucas oportunidades para uma expressão livre, onde as pausas e hesitações quase que assumem um estatuto de indesejáveis, senão de proibidas. O aluno tem a sensação de que não deve fazer essas coisas. Mas tem de se contrariar essa sensação. É necessário que o aluno vá tendo a percepção de que esses estratagemas são perfeitamente normais. É necessário que o aluno aprenda gradualmente a expressar-se da forma mais natural possível, a fim de que a sua fluência se vá aproximando lentamente da do nativo. O que passa por uma demonstração e treino 'desses' estratagemas a que todos recorremos na nossa língua materna.

Para concluir, qualquer que seja o tipo de exercício oral, mais ou menos controlado, mais ou menos livre, aos pares, individual, etc., as técnicas de correcção são muito semelhantes. De entre elas, destaco: •

a ideia mestra de uma aula de conversação deve ser o mais possível a 'ausência de correcção', pois para se conseguir fluência é mais importante estimular do que corrigir; assim,

o professor ou colega não deve interromper quem está a falar;

o professor deve ir anotando (mas discretamente!) erros que ouve. Posteriormente poderá assinalar os mais frequentes, quer oralmente, quer no quadro, e pedir à turma que os corrija. Isto permite aos alunos fazer as correcções e, se necessário, explicá-las duma maneira pessoal, o que é muito positivo, pois como os alunos falam a mesma linguagem, a compreensão dos problemas torna-se mais fácil. O professor só deve dar explicações em caso de necessidade, embora a explicação em si seja menos importante do que saber usar a língua;

o professor deve pensar em maneiras diferentes de voltar a apresentar um assunto quando, numa actividade mais controlada, houver erros generalizados. Neste caso pode até nem corrigilos;

o professor deve tentar reformular certas frases dos alunos para um inglês aceitável ou mesmo padrão. Autores como Bartram e Walton consideram que a língua se pode escalonar em três fases distintas: 'o que o nativo diria', passando por 'o que o nativo poderia dizer' até 'o que o

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Reflexões sobre a problemática do erro  

Trabalho pesquisado e escrito em 1995, mas só agora (Out10) publicado por mim

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